"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Eventos de Cintia Liana de abril 2018 em Salvador

Esses foram os cartazes da minha primeira temporada de eventos em Salvador-BA, em abril de 2018.
Foi incrível!

Cintia Liana no Mar Brasil Hotel

Cintia Liana no Mar Brasil Hotel

Cintia Liana no Mar Brasil Hotel

Cintia Liana no Mar Brasil Hotel

Mar Brasil Hotel

Mar Brasil Hotel

Sala Baden Powell, Mar Brasil Hotel

Sala Baden Powell, Mar Brasil Hotel

Cintia Liana no Mar Brasil Hotel


segunda-feira, 25 de abril de 2016

As crianças excluídas. Revista E, SESC São Paulo

Meu artigo inédito na Revista "E", do SESC São Paulo, sobre adoção no Brasil.
Em primeira mão para vocês.

Cintia Liana na Revista 'E", SESC São Paulo

 Cintia Liana na Revista 'E", SESC São Paulo




Artigo inédito da psicóloga Cintia Liana Reis de Silva 
para a Revista "E", do SESC São Paulo

"As crianças excluídas"
Por Cintia Liana Reis de Silva

Adoção é uma palavra quem vem do latim adoptare, que significa acolher, cuidar, considerar. É uma das palavras mais bonitas e mais ricas de conteúdo interpretativo do dicionário. A adoção é uma atitude instintiva e complexa, plena de requinte humano e espiritual, onde se acolhe aquele que não veio de você, mas veio para você.

Sou psicóloga e trabalho com adoção de menores desde 2002 e tenho observado que as discussões avançam, aprofundam-se, combatem tabus e educam os mais preconceituosos. E isso se dá graças ao empenho das famílias adotivas, aos grupos de apoio à adoção, a alguns meios de comunicação que tratam do tema de modo responsável e aos militantes brasileiros, que vêm enfrentando desafios, levantando bandeiras, conscientizando a população e não desistem da luta pelas crianças abandonadas por suas famílias.

Mesmo com todas as dificuldades, eu tenho orgulho do meu país, o Brasil. Eu trabalho na Itália desde 2010 e enquanto aqui se discute a aprovação da união civil entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil algumas já adotam. Enquanto aqui só os casais heterossexuais casados com no mínimo 3 anos de convivência comprovada podem adotar, no Brasil os solteiros também podem. Aqui na Itália a adoção é tão burocrática que os casais acabam decidindo realizar uma adoção internacional, que é custosa, quase igualmente lenta e trabalhosa.

O nosso Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA é um dos mais avançados do mundo, entretanto falta aplicar o que está escrito. Há pessoas trabalhando muito para isso, também sabemos que o contingente de pessoal é absolutamente insuficiente para um trabalho de excelência. 

Procurando facilitar o cruzamento de dados entre adotantes e crianças à espera pela adoção, foi criado em 2008 o Cadastro Nacional de Adoção, o chamado CNA, que após 6 anos de sua implementação ainda não funciona como se deve. Em 12 de maio de 2015, a nova versão, chamada de Novo CNA, foi elaborada pela Corregedoria Nacional de Justiça e, embora esse sistema seja uma ferramenta de extrema importância, ele não funciona com eficiência razoável, e o novo CNA trouxe ainda mais problemas e falhas, sem ter solucionado as deficiências do antigo.

Uma das mudanças foi que na prática se passou a encontrar "crianças para pais, o que fere diretamente os interesses da crianças e vai de encontro ao que preconiza o ECA, pois a lei é inversa, devemos encontrar "pais para uma criança". Do contrário coloca-se em risco o princípio da absoluta prioridade dos direitos da criança e do adolescente.

Embora pareça que a dificuldade em concretizar uma adoção esteja somente relacionada à morosidade da Justiça e às burocracias, Karina Machado Rocha Gurgel, servidora da VIJ-DF e mestre em Psicologia, desconstrói esse mito em seu artigo “A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e as crianças disponíveis para serem adotadas”. "Com base em dados coletados do Cadastro de Adoção do Distrito Federal, Karina demonstra que o perfil pleiteado pelos requerentes é inversamente proporcional ao perfil das crianças cadastradas para adoção, uma vez que mais de 90% das famílias preferem crianças de 0 a 3 anos, que correspondem a pouco mais de 8% das cadastradas. Destaca, ainda, que, em âmbito nacional, a situação é semelhante. (Site TJDFT, 2016)

Num artigo no jornal italiano "La Repubblica", em 19 de dezembro de 2012, o presidente da Ai.Bi. - Associazione Amici dei Bambini, Marco Griffini, explica que são 168 milhões de crianças abandonadas em todo o mundo e para entender esse número, "é necessário imaginar colocar em fila indiana, bem pertinho uma da outra: a linha humana que formam dá uma volta no mundo, é longa como a circunferência da Terra".

Não quero causar desconforto, mas é necessário que todos se imaginem quando pequenos e/ou os seus filhos, numa instituição, sozinhos, sendo cuidados por pessoas que eles não conhecem, sem vínculos afetivos parentais clássicos, tendo um contato escasso com o mundo externo, com a convivência diária com autoridades que podem ser punitivas, rotina impessoal, ordem, submissão, silêncio, colegas abusivos, falta de autonomia, etc. As crianças órfãs em todo o mundo vivem uma realidade de desamparo e sofrimento psicológico ao último grau. Imaginem essas crianças gritando e pedindo a nossa ajuda. Não se resolveu ainda o futuro delas porque passa pela tarefa de olhar para as nossas próprias fragilidades, para a nossa criança ferida interna, passa pela necessidade de sentir aquele desconforto no estômago. Mas não é virando as costas fugindo da responsabilidade - para que não nos sintamos culpados em algum nível - é que vamos modificar essa realidade. É mergulhando em nossa essência, tocando em nossa humanidade e reconhecendo a necessidade de mudar. A tarefa é de todos.

Em meu livro "Filhos da Esperança, os caminhos da adoção e da família e seus aspectos psicológicos" (2012, 2ª ed.) eu explico, entre outras coisas, porque todas as crianças são "adotáveis" e como se preparar para a adoção. Se não deve existir um modelo de família ideal para adotar, então porque achar que deve ter um perfil de criança ideal para adoção? Seria cruel. Se espera por um bebê que ainda será abandonado ou por uma criança que já está precisando nesse exato momento de pai e/ou mãe? Por que não pensar nelas agora? Nas crianças reais? Todos nós merecemos ser amados, tendo resistências e dificuldades emocionais ou não. Quem não tem seus traumas e más lembranças infantis? Alguns adotantes fecham um determinado perfil, uma criança de até 2 anos, parecida com eles, saudável, mas seguramente se eles não forem tão rígidos e exigentes e conhecerem uma, duas ou três crianças, fora daquele perfil idealizado e determinado, poderiam se "apaixonar" por elas. Além de esperar muito menos tempo na fila, e entrar nela uma só vez para ter mais de um filho, a adaptação poderia ser tão boa quanto com uma criança menorzinha, porque mais que a idade, tem que existir identificação, empatia e isso pode ser com qualquer uma, é só estar receptivo para esse encontro. Elas também já sabem o que é adoção e a desejam. Ademais, adotando crianças fisicamente diferentes, com uma etnia diversa, eles estariam enfrentando o preconceito, ao invés de se "esconderem" atrás de uma "falsa semelhança", para que a adoção não pareça tão evidente. Trabalhar os próprios preconceitos e das pessoas ao nosso redor é o primeiro passo para isso. Adote a verdade, que adotar crianças mais crescidas e irmãos não é sempre mais difícil. As adoções difíceis são aquelas feitas por adotantes muito exigentes, inseguros, imaturos, que não dão tempo à criança de se adaptar, não a aceitam e não a entendem, que demonstram uma postura ameaçadora de um possível novo abandono ou pode se tornar difícil pela complexidade das circunstâncias, mas tem sempre um grande aprendizado 

Para acontecer uma adoção é preciso o desejo de amar e fazer dar certo, sem falsas expectativas. A vida de cada um é guiada e limitada pelas crenças ocultas. Investir no autoconhecimento e trabalhar os modelos familiares intergeracionais adoecidos faz parte da preparação. leia mais, pesquise. Em meu blog www.psicologiaeadocao.blogspot.com tem dezenas de textos meus e outros mais sobre adoção e psicologia de família.

Educar e cuidar de um filho é trabalhoso, seja biológico ou adotivo, mas o que faz tudo valer a pena é o amor, a capacidade de ver o lado encantador e mágico, de entender essa dialética, de ver a riqueza desse aprendizado. Quem conhece o amor deve ser capaz de educar os filhos e o mundo aos seu redor e só esse amor pode salvar tudo. Reafirmando um trecho de uma de minhas frases, "amar se aprende".



Revista E, SESC São Paulo

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Projeto "Vem pra casa" - Série documentário sobre adoção

Giros Produtora

"Com especialista
A Giros prepara uma série documental sobre adoção. “Vem pra casa” será apresentada pela psicóloga Cintia Liana. A atração, de 13 episódios, ainda não foi negociada com canais. A produtora ganhou R$ 80 mil da RioFilme para o desenvolvimento do projeto."

__________

Agora é público! Foi destaque na coluna da Patricia Kogut, do Jornal "O Globo". 
Estou muito feliz! E o mundo da adoção só tem a ganhar com essa linda iniciativa da Giros Produções! Notinha em primeira mão. O projeto já tem vários fãs.

Fui convidada pela Giros em maio deste ano. Discutimos o projeto e logo fiquei apaixonada e confiante da competência da produtora Bianca Lenti e de sua equipe.

Depois li o projeto que iria ser apresentado à banca da RioFilmes e me emocionei com a sensibilidade dos roteiristas e como dominam o tema adoção. Prova disso foi ter sido um dos 10 escolhidos para a contemplação do investimento financeiro para o início do projeto.


Em uma das primeiras conversas pelo sSkype, perguntei como tinham chegado até mim e fui informada de que fizeram uma pesquisa em todo o Brasil, com um especialista em internet para descobrirem a pessoa ideal, e eu fui a apontada. Me sinto horada, orgulhosa e quero agradecer a todos vocês que seguem o meu blog, me acompanham, leem os meus posts, curte as minhas páginas, me escrevem pedindo conselhos, pedindo um "norte" nas monografias, pedindo indicações de bibliografia, que escrevem somente para dizer que gostam do que escrevo, para agradecer, etc.

Tenho certeza de que esse projeto da Giros será um sucesso e que vocês se emocionarão e se verão na telinha, porque nos 13 capítulos, contando histórias reais, falaremos de todas as modalidades de adoção com muito cuidado e amor, então tocará no coração de cada um e se reportará a história pessoal de todos vocês.

Abraços adotivos. Torçam por nós!

Cintia Liana

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Criando laços

 
O vínculo com o filho adotivo é construído no dia a dia, assim como com o filho biológico
Por Luciana Barrella, mãe de Luísa
30.01.2014
 
A “gravidez” de Juliana Ribeiro durou 4 anos. Isso mesmo, foi o tempo que ela ficou se preparando para receber a Lara, que chegou com 2 anos e 4 meses. A espera foi um teste difícil para Juliana, a prova de que realmente queria adotar.  O “sim” da menina, quando questionada se queria ser sua filha, foi como o momento do parto. Ali começou o vínculo entre mãe e filha. 
 
Há um período em que os pais se preparam para a chegada da criança, é a chamada “gravidez psíquica”, que os ajuda a transformarem o desejo de adotar em um ato de amor. Quando a criança chega, o vínculo não é automático. Assim como o vínculo com o filho biológico também não. Nos dois casos, é uma relação que se constrói. Aos poucos. 
 
Quem fica grávida passa os 9 meses imaginando a carinha do bebê, o som do seu choro e a sua personalidade. E, quando o bebê chega, nunca corresponde exatamente ao que os pais tinham imaginado. Não à toa, nossa diretora de redação, Mônica Figueiredo, disse para a filha, Antonia, assim que a viu na sala de parto: “Muito prazer”. 
 
Seja na maternidade ou no abrigo, o vínculo se concretiza com essa primeira apresentação. “Não existe diferença entre o vínculo materno biológico e o vínculo materno adotivo. Todas as crianças só se tornam filhos se, de fato, são acolhidas, consideradas, ou seja, adotadas”, diz Cintia Liana Reis de Silva, mãe de Flavia e psicóloga especializada em psicologia de família.
 
Suzana Barelli conta que, ao chegar ao abrigo com seu marido, Milton Gamez, e ver pela primeira vez a filha, Giovana, sentiu que ela era sua e que teria de conquistá-la. “Ela dormiu no meu colo e acordou minha filha. Foi um sentimento muito forte e intenso”. Com o segundo filho, também adotivo, o contato concretizou a percepção de ser a mãe dele. “O Igor me viu e quis vir no meu colo. Outro momento bem forte”.
 
Adotar um filho é um processo acompanhado de dúvidas e de preconceitos. Esse filho tem uma história anterior e isso pode amedrontar. “O processo emocional da adoção é o mesmo de acolher um filho biológico, mas também envolve aceitar que o filho já venha trazendo uma história precedente, da qual os pais adotivos não fizeram parte. É preciso respeitar”, diz Cintia.
 
A adoção não pode ser vista como uma alternativa de segunda linha só porque o casal não conseguiu ter filhos biológicos de nenhuma forma.  É importante desejar plenamente a adoção, se preparar e reduzir as expectativas e exigências. Muitas vezes, os pais esperam naquela criança a solução de todos os seus problemas, inclusive entre o casal. Filho, adotivo ou não, não resolve nenhum problema. Pode até causar alguns. Ou seja: é filho, vem com o pacote completo, alegrias, tristezas, conflitos. 
 
Receber uma criança é uma vitória e a realização de um desejo mútuo, já que a criança também quer ser acolhida. Aí, começa o processo de entender como será aquela família recém-formada, como os pais e os filhos vão reorganizar suas vidas para o equilíbrio daquele núcleo. “Não se trata de ensinar a criança ou adolescente a como viver ali, mas, sim, de estarem todos atentos para entender como vão se adaptar uns aos outros. Os aprendizados são de todos”, explica Maria Antonieta Pisano Motta, mãe de três filhos, psicóloga e psicanalista, coordenadora técnica do GAASP (Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo). “E, como em qualquer família que se forma ou aumenta, o estabelecimento do vínculo é imprescindível. Sem o vínculo, nenhuma família, biológica ou adotiva, teria sentido”, completa.
 
Laços entre pais e filhos
Na adoção, os vínculos são construídos pelo laço de afiliação, que se constitui pela afetividade, pelo contato que vai sendo construído no encontro e na vivência de cada dia, explica a psicóloga e professora Isabel Gomes, coordenadora do grupo reflexivo de apoio a adoção na USP. 
 
Sim, a biologia tem seu papel. Quando o bebê nasce, a mãe está embebida em ocitocina, um dos hormônios responsáveis pelas contrações e, depois, ligado ao processo de amamentação. Conhecido como hormônio do amor, a ocitocina contribui para que a mãe se vincule àquele bebê. Só que o ser humano não se constitui apenas de sua dimensão biológica. E, assim, como os hormônios estimulam o vínculo, o caminho oposto também acontece: um estudo feito nos EUA em 2005 mostrou que um abraço de 20 segundos tinha o poder de elevar os níveis da substância em homens e mulheres. 
 
Agda Salles já era mãe de duas filhas, Carla e Elisângela, quando conheceu o atual marido, Helder, e explicou que não poderia mais ter filhos biológicos. Disse que gostaria de adotar. O casal se inscreveu em várias cidades, nos estados do Paraná e do Rio de Janeiro, para conseguir o terceiro filho.
 
“Eu me via esperando o resultado do teste de gravidez, como uma mãe biológica se sente a cada mês, esperando engravidar. No caso da mãe adotiva, o positivo é a aceitação do juiz, que diz se você está apta ou não para adotar”, conta Agda.
 
A primogênita não biológica, Maria Clara, nasceu prematura, há nove anos, em Barra Mansa. “Ela tinha dez dias e cheguei ao abrigo em uma sexta-feira. Ao pegá-la no colo já saí falando que era minha filha”, conta Agda. “Como a audiência era na terça, fiquei quatro dias na casa da conselheira do abrigo, cuidando da Maria. Foi mais ou menos como o período que se passa na maternidade”. O segundo filho adotivo, Davi, chegou quatro anos depois, com 28 dias de vida. “A partir do momento em que decidimos adotar, já começou a crescer um vínculo, com uma criança que não sabíamos como seria”, conta ela.
 
Quando a criança é mais velha, entre 2 e 6 anos, há um trabalho diferente de adaptação, mas os preceitos de adoção devem ser os mesmos: sem expectativas e disposição para amar.
 
“Podemos considerar ‘mais velha’ a criança que já se percebe diferenciada do outro e do mundo, que já possua certa independência para a satisfação de suas necessidades básicas”, esclarece Maria Antonieta.
 
Andriely chegou para Katya Suely com 4 anos. Ela já era mãe de Guilherme e pensava em adotar antes mesmo de casar, também porque é filha adotiva. Conta que se manteve tranquila durante o processo de adoção, pois sabia que um dia sua filha iria chegar. “O dia em que o fórum ligou foi como se rompesse a bolsa.”
 
A formação de vínculo na adoção tardia pode ou não ser mais trabalhosa, tudo depende de os adultos terem refletido e escolhido exercer a parentalidade e de como se dá o novo arranjo familiar após a adoção. “Há dois nascimentos na história da criança, o de origem e o adotivo”, diz Isabel Gomes. 
 
Vida antes da adoção 
O psiquiatra José Belizario, pai de João e Ana, desfaz o mito de que crianças adotadas são mais complicadas. “Não existe comportamento específico de filhos adotados.” Mais uma vez, filho é filho. Dá trabalho, testa a gente, quer saber se é mesmo amado. Assim como você, está criando o vínculo e testando se ele é mesmo firme ou se balança na primeira (ou segunda ou terceira…) vez que ele se comporta mal.
 
É necessário que os pais entendam e respeitem as experiências anteriores. É importante também resgatar algumas memórias com objetivo de entender o que foi vivido, as rupturas de laços, em vez de negar que eles tenham existido. Se faz parte da história do seu filho, agora faz parte da sua também.
 
Na adoção da criança maior, o processo de luto pela ‘perda’ da família de origem, pela perda ‘do que poderia ter sido’, pela dor do sentimento de abandono e rejeição vem junto com o início da adaptação.
 
A criança pode ter vivenciado as mais diferentes situações, das prazerosas até as traumáticas, sendo com seus pais biológicos ou cuidadores, nos abrigos ou não. Casos que não podem ser deixados de lado pelos pais adotivos, e nada melhor que a lida cotidiana para quebrar barreiras e construir laços. 
 
O vínculo entre os irmãos
Ao adotar uma criança que tenha irmão, o estatuto da criança e adolescente (ECA) recomenda que eles não sejam separados. Se isso acontecer, o melhor é que as famílias mantenham contato para que os irmãos convivam. Quem avalia a viabilidade desse relacionamento são os pais candidatos e o técnico que realiza as entrevistas.
 
Não são todos os irmãos que conseguem se afastar, pois entre eles ainda existe a união familiar, a força da história vivida junto, o afeto e o sentimento de pertencimento.
 
Áurea Medrado, mãe de Mariana, filha biológica, realizou a adoção tardia e compartilhada de Evelin. Isso significa que a menina tem irmãos biológicos que foram adotados por outras famílias. O vínculo entre ela e os dois irmãos foi mantido. “As crianças se encontram e sabem que são irmãos.” 
 
Quando os irmãos são adotados pela mesma família, outros cuidados devem ser tomados. Muitas vezes, o mais velho assume o papel de protetor das demais crianças e precisará ser ajudado a colocar-se no papel de filho e de criança. 
 
A adoção é um processo que leva um certo tempo para se concretizar. A convivência e o dia a dia são responsáveis pela criação dos laços, assim como com um filho biológico. A criança deve sentir que é com os pais adotivos que escreverá a sua nova história. E que, mesmo que dê um pouco de trabalho, como todo filho dá, é filho, e é muito amado. Tenha saído da barriga ou não.
 
Quem pode ajudar
Você encontrará informações com psicólogos, psicanalistas, assistentes sociais, grupos de apoio, livros e filmes. Algumas fontes de informação: 
 
Conselho Nacional de Justiça Informações sobre adoção e acesso ao Cadastro Nacional de Adoção.cnj.jus.br
 
Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo
Promove encontros, palestras e suporte de maneira geral aos pais pretendentes ou que adotaram.gaasp.org.br
 
Blog da psicóloga Cintia Liana
Especialista em psicologia de família, que se descreve como "fada da adoção". www.psicologiaeadocao.blogspot.com
 
Grupo reflexivo de apoio à adoção na USP
Grupo sobre as motivações e escolha pela adoção. Destina-se a casais heterossexuais, homoafetivos, pessoas solteiras, tios, avós, irmãos etc. Contato: adocao.usp@gmail.com 
 
Consultoria: Cintia Liana Reis de Silva, mãe de Flavia e psicóloga especializada em psicologia de família; Isabel Gomes, psicóloga, professora e coordenadora do Grupo Reflexivo de Apoio a Adoção na USP; José Belizario, pai de João e Ana, psiquiatra; Maria Antonieta Pisano Motta, psicóloga e psicanalista, coordenadora técnica do GAASP (Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo).
 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cintia Liana na Revista Pais & Filhos de novembro de 2013. Esse post tem a entrevista na Íntegra.

Cintia Liana na Revista Pais & Filhos de novembro de 2013
 
Cintia Liana na Revista Pais & Filhos de novembro de 2013

Cintia Liana na Revista Pais & Filhos de novembro de 2013

Cintia Liana na Revista Pais & Filhos de novembro de 2013 

Cintia Liana na Revista Pais & Filhos de novembro de 2013
Como é, emocionalmente, adotar? Conversei com uma mãe que estava determinada, mas e nos casos em que há dúvida? Estar preparada é ter certeza do que quer?
Também. Estar preparada é desejar plenamente a adoção é ter menos exigências possíveis, é conhecer as facetas do universo da adoção, é querer lidar com a verdade. Estar preparada é estar consciente de seu processo pessoal, das possíveis necessidades que venha ter a criança e é estar segura de que a única forma para se tornar mãe é adotando uma criança, seja ela vinda do próprio ventre ou não. A única forma de se tornar filho é sendo adotado. A adoção se dá no desejo, na intenção de acolher e amar, e esse amor se faz real na convivência.
O processo emocional da adoção é o mesmo que acolher um filho biológico, mas é aceitar que o filho já venha trazendo uma história precedente, da qual os pais adotivos não fazem parte, mas têm que respeitar e nem por isso são menos importantes da vida do filho, ao contrário, eles é que fazem parte do mais importante, do futuro, que é o que nos espera.
Na adoção existe a substituição completa da família de origem, exceto em nível biológico. 
Todos deveriam se preparar e fazer terapia antes de ter filhos, é muito difícil e muitas vezes até impossível criar filhos emocionalmente saudáveis e felizes se nem os pais conseguem ser felizes. É impossível conhecer, entender e aceitar o outro se antes não nos conhecemos, não nos entendemos e não nos aceitamos. A chave para o mundo do outro está dentro de nós.
Qual a diferença entre o vínculo materno da mãe adotante e da mãe biológica? Como o vínculo adotivo se forma?
Nenhum. Não existe diferença entre o vínculo materno biológico e o vínculo materno adotivo. Todas as crianças só se tornam filhos se, de fato, acolhidos, considerados, ou seja, adotados. Mães que têm filhos biológicos e adotados relatam que não existe diferença no amor entre eles e os estudos comprovam a mesma coisa.
Elizabeth Banditer, a maior estudiosa do mundo do mito do amor materno, afirma que o fenômeno do amor nasce da intenção, do desejo de acolher e é conquistado e construído na convivência e não nascido instintivamente na gravidez, advindo da herança biológica e dos laços consanguíneos. O amor materno também é um sentimento que deve ser alimentado e varia de acordo com a pessoa que o sente. O modo de senti-lo e vivê-lo está intimamente relacionado à história de vida da mulher e à sua história familiar. Ela diz que o amor é inerente a condição de mãe, que ele não é determinante.
Existem mães de todos os jeitos, mãe não é tudo igual. O amor de mãe pode variar de acordo com a consciência de cada uma, de acordo com as ambições, frustrações, cultura, ele pode ser fraco ou forte, existir ou não existir, aparecer e desaparecer, pode ser bom ou ruim, ter preferência por um filho ou não.
O criador da terapia de família Murray Bowen explica que cada mulher vive a maternidade a seu modo e isso vai depender da sua história de vida. Ela é mais capaz de dar o que ela teve, se ela teve um solo fértil em casa será muito mais fácil de dar o melhor dela ao filho. Quando se passa da condição de filho à condição de pais e os papéis se invertem num contexto modificado é necessário dar respostas efetivas na condição de pais aos próprios filhos e nesse momento se reabrem feridas intergeracionais  e vem a tona uma questão central: como se pode dar aquilo que não se teve? 
 
Nos casos de adoção tardia, a formação do vínculo é mais difícil? O trabalho de adaptação deve ser diferente? Demora mais?
A adaptação nos casos da adoção tardia não é mais difícil e nem sempre demora mais, mas é diferente. Em todo caso, a adoção em todas as idades faz-se necessário um tempo de adaptação. Nesse aspecto também entram variáveis, como seu temperamento, seu modo de sentir e lidar com seu histórico, suas memórias, “fantasmas” e medos e a base que os novos pais proporcionam a esta criança.
No caso da criança maior, ocorre que ela tem uma maior consciência do que está acontecendo no momento da adoção e a criança menor tem uma menor consciência. Essa consciência da criança maior pode até ser usada de maneira positiva no estabelecimento dos novos vínculos. Assim como os seus sentimentos devem ser respeitados e validados, o que ela sente é muito importante.
Na adoção da criança maior o processo de luto pela “perda” da família de origem, pela perda "do que poderia ter sido", pela dor do sentimento de abandono e rejeição vem junto com o início da adaptação, já no caso do bebê esse processo de consciência das perdas e da rejeição sofrida vem após a adaptação, quando crescem um pouco mais, mesmo assim os bebês também sofrem pelo corte do vínculo com a mãe ou com a família de origem, e o tamanho desse sofrimento vai depender  também do tempo que passou com eles e do apego desenvolvido. Após os 6 meses de vida e em convivência com a mãe biológica o sofrimento pelo corte do vínculo é infinitamente maior, porque o apego já foi desenvolvido e estabelecido.
O pai da teoria do apego, John Bowlby, descreve as fases de luto, que são entorpecimento e negação, anseio e protestos, desorganização e desespero, recuperação e restituição. Nessas fases toda a ansiedade também pode ser manifestada através de sensações e agitação noturna, até no caso de adoção de bebês.
A criança maior já conhece o que as une aos novos pais adotivos, o bebê pequeno entenderá o vínculo da adoção mais tarde e poderá elaborar o luto da perda da família de origem depois.
A criança maior muitas vezes tem o desejo consciente de fazer “dar certo” a nova relação parental, mesmo passando por um momento de possíveis turbulências e ajustes no novo núcleo familiar. Os pais devem ter delicadeza e paciência nesse momento. Não existe relação perfeita, criança perfeita, ou melhor, elas são perfeitas nessa imperfeição, isso faz delas humanas e é por serem humanas é que são capazes de empatizar, de sentir e de amar. Todos precisam de tempo para se adaptar aos laços que estão sendo formados e fortalecidos, todos estarão aprendendo.
É preciso se reeducar e estar mais sensível às nuances, ter paciência e confiança na escolha que foi feita. Toda relação necessita de cuidado, respeito e aceitação.
 

Cintia Liana na Revista Pais & Filhos de novembro de 2013

Cintia Liana na matéria do Correio Braziliense sobre Adoção Internacional


Matéria sobre adoção internacional do Correio Braziliense
Cintia Liana
 
Uma das respostas da psicóloga de Cintia Liana ao Correio Braziliense
 
Correio Braziliense - As crianças que partem para outros países costumam passar por processos de adaptação mais complicados? Qual é a maior barreira?
 
Cintia Liana - Nem todas as crianças passam por uma adaptação complicada outras sim, isso vai depender do seu histórico e principalmente de como ela lida com esse histórico. Depende também da preparação que tiveram os pais adotivos, pois eles precisam passar plena segurança à criança.
Ela precisa se sentir aceita em todas as suas particularidades. As entidade acompanham as famílias durante 2 anos após a adoção, não só avaliando semestralmente para informar ao País de origem do menor, mas também dando apoio e propiciando um ambiente de reunião e confraternização de todas as famílias que passaram pelo mesmo processo e crianças que vieram da mesma nação.
A maio barreira, ao meu ver, é o preconceito que podem enfrentar essas crianças em seu grupo escolar, isso pode dificultar tudo. Ainda existe preconceito aqui na Itália, como em todos os outros Países, em achar que família adotiva é família de segunda ordem e que filho adotivo é sempre problemático porque é “diferente”. Se é diferente fisicamente pode ser ainda mais complicado, mas como falei isso vai depender da segurança dos pais e do menor.
Nós temos que enfrentar os preconceitos e educar as pessoas, o que não se pode é aceitar os preconceitos e deixar de fazer adoções, toda família é construída pelos laços de amor.
 
Vejo em todos os lugares aqui pais brancos italianos com filhos negros, por exemplo, e sei que foram adotados, fico feliz em ver que as adoções são reais, além da entidade em que trabalho, e fazem parte do nosso cotidiano.

Outras respostas da entrevista na íntegra:
 
Correio Braziliense - O processo de adoção é complexo para qualquer criança. No caso de uma adoção internacional, é necessário tomar cuidados adicionais na condução desse processo?
Cintia Liana - É sempre importante tomar muitos cuidados em qualquer adoção, mas do ponto de vista psicológico é importante observar aspectos relevantes que permeiam o mundo da adoção internacional, como a nova língua, o novo País, a culinária, a cultura do futuros pais, o novo clima, entre outras coisas e a falta que farão alguns aspectos da realidade brasileira, nação de origem do adotando.
As crianças e os casais precisam de tempo e de paciência para estabelecer uma comunicação já que a língua não é a mesma, mas no final das contas a linguagem do amor é universal e tudo corre de maneira tranquila.
Correio Braziliense - A Comissão Distrital Judiciária de Adoção do Tribunal de Justiça do DF desenvolve um projeto chamado "Era uma Vez, o re-contar de uma história", com o objetivo de tornar menos traumático o processo de adoção de crianças e adolescentes por famílias estrangeiras. Desde 2012, eles produzem livros narrativos da história de vida dessas crianças, como forma de prepará-las para viverem com as novas famílias. Elas levam os livros para as novas casas. Iniciativas como essas são importantes?
Cintia Liana - São importantíssimas, as crianças precisam entender melhor a realidade que as espera para se sentirem mais seguras e confiantes, sobretudo seguras de que existe um casal que as espera e que deseja se tornarem seus pais. Nós da Senza Frontiere realizamos adoções em Brasília e pude acompanhar alguns processo de nossos casais aí. A equipe é muito séria, sensível e preocupada em preparar bem as crianças e dar todo o suporte psicológico durante o processo de adoção.
 
Correio Braziliense - O fato de a maioria das crianças adotadas por casais estrangeiros não ser bem pequena requer alguma outra estratégia?
Cintia Liana - Se a criança é bem preparada e deseja ser adotada não muito, requer tempo para que a criança entenda o seu processo emocional, se adapte, que se sinta respeitada e que confie nos novos pais. As maiores precisam de mais tempo em geral, precisam se sentir seguras de que podem falar aquilo que sentem sem serem criticadas ou julgadas, precisam de diálogo, sem sentirem aceitas e amadas para aprender a aceitar e amar.
Ao meu ver é também importante a criança se sentir a vontade para voltar ao Brasil, ter contato com pessoas da mesma nacionalidade, não romper esse elo tão importante.

domingo, 3 de novembro de 2013

Fotos Psicologia e Adoção

Cintia Liana. Psicologia e Adoção
Cintia Liana. Psicologia e Adoção

sábado, 6 de outubro de 2012

Novo livro Fina Presença da psicóloga Cintia Liana

Capa do livro Fina Presença, da psicóloga Cintia Liana

Agradeço a quem pediu! Aí está o novo livro do blog Fina Presença. Disponível para compra no link: https://www.agbook.com.br/book/134081--Fina_Presenca

Fina Presença. Psicologia, Consciência e Arte
Autora: Cintia Liana Reis de Silva

Este livro traz a coletânia dos textos, frases e pensamentos mais lidos do blog Fina Presença (www.finapresenca.blogspot.com).

Se trata de uma adaptação para que os leitores do blog possam levar as doces e lúcidas palavras da psicóloga Cintia Liana aonde quer que seja e ainda presentear como modo de motivar quem se gosta a refletir sobre os aspectos apresentados, como a importância e o caminho do autoconhecimento, a consciência, a arte, o amor, a felicidade e a vida.

Após tantos pedidos, os textos foram todos organizados, revisados e reunidos neste livro.

Aproveitem a fina leitura.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pais adotivos que devolvem os filhos devem ser punidos?

Mandy Lynne

Para ler matéria completa do Portal IG, onde fui citada:

Por Danielle Nordi, iG São Paulo | 29/09/2011 06:00

[A psicóloga especialista em adoção Cíntia Liana afirma que é comum essas crianças sofrerem com ansiedade, sensação de insegurança, baixa autoestima e algumas ficam bastante agressivas. “Tudo isso pode vir acompanhado de outros comportamentos negativos, que, no geral, podem ser superados com o devido acompanhamento psicológico.”]

Postado Por Cintia Liana

domingo, 2 de outubro de 2011

Preparo, estágio de convivência e adaptação


Como funciona a adaptação da criança e os pais adotivos? Eles convivem durante um tempo, antes de formalizar a adoção? Se sim, por quanto tempo?

Chamamos o momento que antecede a senteça judicial, quando se dá adoção propriamente dita, de período ou estágio de convivência. Esse preríodo vem após as visitas no abrigo.

"O momento da adaptação é fundamental para o sucesso do vínculo porque acontece a integração de elementos de sentido e de significação que caracteriza a organização subjetiva de um âmbito da experiência dos sujeitos, ação, construção, história, transações, trocas sociais e culturais como configurações subjetivas da personalidade. É um complexo de articulações e possibilidades contraditórias, processos de ruptura e renascimento, tudo deve ser visto com sensibilidade e não com um olhar determinista, universalista, as coisas acontecem e tudo é bem vindo para que a relação tome sua própria forma e não uma forma mágica aprendida em livros de contos de fadas". (SILVA, 2010, texto Adoção Internacional)

O tempo vai depender da idade da criança. Estágio de convivência com bebês é curto, pois são pequenos. Já com crianças maiores de 1 ou 2 anos pode durar alguns meses, maiores de 6 anos pode durar mais de 1 ano. Quem determinará esse tempo é o juiz, baseado nos laudos da equipe tecnica, que diz como está caminhando o vínculo afetivo.

Como os pais podem preparar o lar para a chegada do novo membro na família?

É importantíssimo os candidatos a habilitação se perguntarem o que de fato estão buscando com a adoção, o que desejam com ela e que tipo de pais imaginam que serão. Devem também se imaginar como se filhos deles fossem, não como sendo o que eles querem, mas sendo os pais que talvez um filho não deseje que eles sejam, tantando ver o que precisam mudar para serem mais maduros nesta nova jornada, a partir destas reflexões se amadurece a maternagem e paternagem.

A partir daí terão energia suficiente para organizar o fora, o lar e normalmente o espaço que a criança terá na casa reflete o espaço psíquico reservado para ela, para este amadurecimento do espaço do filho nesta família. Este processo de amadurecimento para a atitude adotiva, para o torna-se pai e mãe na adoção se assemelha a gravidez.

Como todo ser humano, uma criança precisa ter seu próprio espaço, um quarto, uma cama, armário onde possa guardas seus pertences. Um espaço onde possa desenvolver sua individualidade, ter privacidade, um terrítório seu. Isso é importante para todo ser humano em desenvolvimento. Se ele deve dividir o quarto com alguém que seja com um irmão, pessoa que condividirá experiências semelhantes e no mesmo nível de desenvolvimento como ele. Não deve dividir o quarto com os pais ou dormir na sala. Isso tudo é avaliado pela assitente social no momento da visita domiciliar.

A organização externa refleta a organização interna, o espaço psíquico que o filho já tem na vida dos adotantes.

Quais atitudes dos pais ajudam no processo de adaptação?

Segurança antes de tudo, que será transmitida a criança. Ter a certeza de que aquele é o filho para eles, e isso a criança também sente.

Não ter a pretensão de achar que devem “moldar” a criança, palavra usada por muitos adotantes em fase de habilitação.

Criança quer se sentir amada, aceita e não controlada, se ela se sente amada é natural que queira ser como os novos pais, que queira satisfazer as suas expectativas positivas. Se ela se sente amada, consequentemente se sentirá segura e livre para amar, adquire segurança e esperança naquela nova relação. Ela busca “garantias” que daquela vez dará certo, que é merecedora de amor e confiança.

Partes da entrevista para o Espaço Vital, em setembro de 2011.

Por Cintia Liana

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Valor

Google Imagens
 
"Procure saber quem você é, amadureça os seus melhores desejos, busque o que você quer, valorize o que você tem e seja feliz sem culpa".

Por Cintia Liana

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Brasil multiétnico

Cintia Liana em frente ao prédio do consulado e embaixada brasileira em Roma, Itália

Aproveitando o assunto sobre a diversidade no Brasil...

Brasil: 192 milhões de habitantes, a quinta maior do mundo.
Brancos: 93 milhões de indivíduos (49,9%).
Pardos: No censo de 2005, 43,2% da população nacional se auto-declarou como sendo parda (mulatas, caboclas, cafuzas, mamelucas ou mestiças de negro com pessoa de outra raça).
Negros: cerca de 11 milhões de indivíduos (6,3%).
Índios: 0,4% da população brasileira.
Origem: 15,72% apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena, judaica e árabe.
(Fonte: IBGE, 2010)

Por Cintia Liana

Que mania que algumas pessoas têm de achar que o Brasil é composto majoritariamente de afro descendentes. Errado! Mania também de separar brancos e pardos/negros e achar que todas as pessoas de pele morena são descendestes de africanos. Errado!

Vai ter gente que vai ler isso e me chamar de racista, porque não consegue entender a riqueza etnica da qual nós somos feitos. Porque pensa que o racismo é só quando falamos do negro. Racismo vem da palavra raça. Preconceito e discriminação também têm significados diferentes.

Preconceito está em tudo, na nossa forma de ver muitas vezes distorcida, baseada em nossas próprias referências, nossa cultura, educação. Discriminação é a ação de discriminar. Se eu vir alguém discriminando qualquer pessoa por qualquer motivo eu brigo pelo oprimido, me meto mesmo, não aceito!

No Brasil também temos o descendente de índio, português, espanhol, italiano, alemão, francês, ucraniano, holandês, tem até a maior comunidade de Japoneses em São Paulo, por exemplo, e tem também o africano entre outros, mas dizer que o Brasil é africano é preconceito, discriminação com os descendentes de outros povos e é racismo.

Passar a vida achando que ter cabelo cacheado e pele morena quer dizer ser afro descendente é não conhecer outros povos que têm essas características, como o português de pele morena, por exemplo. Preconceito significa acreditar no que é baseado em algo que não é real. Ficam pessoas impondo a cultura do Brasil somente africana sem respeitar as outras etinias.

É difícil entender o Brasil, mas a ignorância dificulta o viver. Viva a igualdade e viva o conhecimento! Acabar com um preconceito não significa ter que criar outros.

Por Cintia Liana

Alguns dos comentários que recebi em meu facebook:

Adoro as suas colocações. São sempre muito intelegentes e reflexivas.
Você acredita que sempre ouço aqui em São Paulo duas frases: "Você é muito branca pra ser baiana". E a mais preconceituosa de todas: "Você é muito inteligente pra "uma baiana"!!
Realmente... a ignorância e o preconceito faz muita gente viver nas trevas!!"

"Tenho pele morena e cabelos lisos e sempre me incomodou o fato de acharem que se eu não me declarar negra, é por preconceito. Sou encantada com a cultura afro-brasileira, suas cores e batuques e sempre suspiro ao ver um belo negão! No entanto, meu avô paterno descende de italianos e portugueses e minha avó era índia. Meu avô materno também era descendente de italianos e minha avó materna era filha de um italiano com uma mestiça, descendente de negros com portugueses. Ou seja, simplificar-me como negra, seria negar mais de 90% da minha ascendência! O preconceito inverteu-se em uma Bahia que acha lindo alguém usar camisetas '100% Negro', mas que acharia absurdo se alguém usasse uma camiseta '100% Branco'. Eu sigo, sendo 100% mestiça e me orgulhando desta complexidade étnica e genética em que os brasileiros e, sobretudo, os baianos se encaixam!"

"É isso aí amiga, o Brasil não conhece o Brasil, temos uma miscigenação muito vasta e a falta de informação tende a ser simplista demais."


Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O compromisso de fazer planos

Beneath this Burning Shoreline

Fazer planos é assumir um compromisso com o futuro da nossa vida. Eu faço planos sim! Comigo não tem filosofia Zeca Pagodinho e tal de "deixa a vida me levar". Eu faço as minhas escolhas, sigo os caminhos traçados, assumo a responsabilidade das minhas escolhas. No caminho amadureço, "reescolho", posso mudar de idéia, me conheço, reconheço, faço novos planos e os realizo. Assumo o compromisso comigo mesma de ser feliz de verdade tentando não me enganar.

Por Cintia Liana