"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Evento - A escuta da criança vítima de abuso sexual no juízo de Família

A pedido da Presidente do Fórum Permanente de Direito de Família, Des. Katya Monnerat divulgo o evento abaixo.
CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS
EMERJ - FÓRUNS PERMANENTES
CONVITE 
A Diretora-Geral da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro - EMERJ, e a Presidente do Fórum Permanente sobre Direito de Família, Desembargadora Katya Maria Monnerat, CONVIDAM para a palestra: “A escuta da criança vítima de abuso sexual no Juízo de Familia”, tendo como palestrantes o Professor  Benedito Rodrigues dos Santos, Consultor da Childhood Brasil para o Projeto Depoimento Especial, Professor e Pesquisador da Universidade Católica de Brasília e Dra. Rosana Morgado, Professora e Pesquisadora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do RJ. O evento realizar-se-á em 29 de junho de 2012, das 10:00 às 12:30hs, no Auditório Antonio Carlos Amorim , sito na Av. Erasmo Braga, 115, 4º andar, Centro-RJ,
Serão concedidas horas de estágio pela OAB/RJ para estudantes de Direito participantes do evento.
Poderão ser concedidas horas de atividade de capacitação pela ESAJ aos serventuários que participarem do evento (Resolução 17/2006, art.4º, inciso II e § 3º, incisos I, II e III- Conselho da Magistratura).
Inscrições gratuitas (vagas limitadas)
Informações: Secretaria da EMERJ: 3133- 3369 e 3133-3380
Inscrições: Exclusivas pelo site da EMERJ.
Para efeito de aquisição de certificado, opcional e pago, ou comprovante de presença, faz-se necessária inscrição gratuita pelo site da EMERJ: www.emerj.rj.jus.br

sábado, 5 de março de 2011

Quando crianças que foram abusadas vão para adoção

Foto: Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

Este é um assunto pouco discutido e podemos dizer que se caracteriza ainda um tabu. De fato, quando é indicada aos adotantes uma criança que sofreu algum tipo de abuso sexual, isso pode acender uma luz vermelha, uma luz que indique perigo, vem o medo e muitas dúvidas sobre como conduziriam a educação deste filho. Talvez porque nem os próprios adultos, muitas vezes, sabem como conduzir suas memórias de descobertas "sexuais" infantis ou lidam bem com estas, então fica difícil ensinar e entrar em contato com as descobertas e dúvidas do outro, mais ainda de uma criança que sofreu algum tipo de abuso. É difícil para todo mundo.

Esse é um medo que existe mas, infelizmente, nem sempre os técnicos que trabalham nas VIJ’s ou até mesmo os coordenadores de abrigos sabem se aquela criança passou por alguma situação ou foi abusada sexualmente de fato, seja no seio da família de origem, seja no próprio abrigo, a não ser que haja algum sinal mais evidente.

Pode ocorrer que uma pessoa, que foi abusada quando criança, rejeite o fato e não aceite essa informação, crescendo sem entrar em contato direto com esse material insconsciente, por mais que isso possa vir à tona em alguns momentos, comportamentos, escolhas ou reações involuntárias.

Nos abrigos podem ocorrer muitas dessas cenas, onde a descoberta do corpo, da sexualidade e das sensações estão contidas num ambiente cheio de crianças vivenciando as mesmas percepções e em desenviolvimento físico pleno, a grande maioria vindas de lares desequilibrados e desestruturados.

Esse fato, nos revela a grande importância de uma nova exigência na lei, que desde 2007 se deve acabar com o regime dos chamados “abrigões” e que agora os abrigos devem seguir a linhas arquitetônicas e operacionais das chamadas “Casas Lares”, onde essas casas de acolhimento são organizadas e divididas em apartamentos independentes, cada uma com uma mãe social, normalmente com no máximo 12 crianças, dois ou três quartos, com mais um pequeno quarto para a mãe social. Para que, assim, seja reproduzido, com a maior fidelidade possível, a rotina de uma casa de família, de um lar de verdade e a criança se sinta inserida nele.

Desta forma, crianças podem ter mais contato com outras da mesma faixa etária, num ambiente mais controlado e perto da mãe social na maior parte do tempo. Porque pode acontecer e acontece de meninos maiores buscarem menores para cometerem pequenos ou grandes abusos sexuais e até mesmo violações propriamente ditas.

Acontece também da criança ter sofrido algum tipo de abuso pelo pai ou mãe de origem, ou ter vivido num ambiente promíscuo, onde o comportamento sexual era confuso e elas viam ou participavam de alguma cena de sexo.

É chocante para quem fica sabendo ou lê, mas acontece, é uma triste realidade. Assim como a mãe que vende o corpo da própria filha ou a usa para não perder o companheiro. Assim, como outras que a abandonam, por menor que seja a filha, por ter ciúmes do marido.

O filme “Precious” pode provocar dor no estômago e vontade de chorar. Ela, uma jovem que mora com a mãe, uma mulher agressiva, cresce subjulgada e violentada pelo próprio pai e engravida duas vezes deste. Consegue encontrar sua dignidade quando conhece uma professora e colegas de classe de um curso de reforço escolar, únicas pessoas que se importam verdadeiramente com ela.

A criança, depois de adotada, pode revelar se algo leve ou grave já acorreu com ela, por menor que tenha sido o abuso sofrido e, sem medo de enfrentar essa realidade, os pais devem tentar entender até que ponto ela se sente ferida e se este sofrimento lhe traz sérios prejuízos psíquicos, um comportamento que lhe renda uma falta de respeito ou até de nojo e culpa com seu próprio corpo, assim como outros pequenos ou grandes reflexos, como sentimento de inferioridade, fixação em alguma parte sexual do corpo, ou distanciamento emocional e social. Esse sofrimento pode não ser o centro de sua vida, mas pode dificultar suas relações sociais e familiares, tudo vai depender do grau do abuso e em como ela lida com esta memória.

A culpa pode existir, mesmo que tenha sido só uma pequena brincadeira de cunho sexual no abrigo, mesmo que ela não tenha tido responsabilidade, pelo fato de muitas vezes a criança sentir um certo prazer com algumas brincadeiras de conteúdo erótico no início da infância, o período que Freud, o criador da psicanálise, nomeou de “período de imoralidade infantil”. Essa fase é natural, engloba as descobertas de algumas zonas erógenas do corpo e de algumas sensações sexuais sentidas através do toque dessas partes. Quando essas descobertas vão sendo feitas, com uma boa educação e bons exemplos, vai sendo entendido que tudo tem seu momento certo para acontecer, como e onde, assim como o respeito com o próprio corpo e com o corpo alheio.

Importante lembrar que não é porque uma crianças foi abusada é que se tornará um “monstro” abusador ou vai seduzir todos os homens que encontrar pela frente e lhe dará problemas o resto da vida. Uma criança que foi abusada, como qualquer outra, precisa curar suas feridas e ser vista com respeito, tendo a devida educação, de acordo com suas necessidades e carências. É claro que, se o caso exige preparo, o casal que a adotará deve ser bem escolhido, para lhe dar o suporte específico enquanto pais e lhe proporcionar sem medo o acompanhamento psicológico indicado com profissional responsável e habilitado porque, a depender da gravidade da situação e em como a criança o encara, é natual que se sinta mal, assustada, desamparada, desnortada ou sem dignidade.

(...) “Uma das consequências do abuso sexual é a sexualização traumática. A criança submetida a abuso sexual pode desenvolver scripts não-adaptativos para o comportamento sexual e, quando adultas, podem acreditar que o sexo é necessário para obter afectos ou carinho dos outros, levando-as a ter sexo consensual precoce e com múltiplos parceiros sexuais (Cinq-Mars et al., 2003; Fergusson et al., 1997 apud Souza, 2011).

De acordo com Freitas (2010), a arteterapia nesses casos também é muito bem vinda, pois proporciona múltiplas possibilidades de cura, transformação e resignificação de fatos.

Com um filho biológico os pais também terão os momentos específicos e até difíceis na educação sexual. Com uma criança que viveu num abrigo e passou por alguma siuação de abuso poderá ser um pouco diferente, porque eles deverão ter uma maior abertura, preparo e sensibilidade para acolher alguma dor, medo ou trauma, ouvir alguma queixa, trabalhar a noção de respeito corporal, sexual, reforçar algumas regras, assim como fortalecer aspectos positivos, conhecer e trabalhar momentos anteriores ao momento em que se encontraram e se tornaram família.

De qualquer modo, tudo vai depender do tamanho da situação ocorrida, de como a criança lida com suas memórias, o amor que os pais têm para dar, o preparo e como esses pais vão lhe dar suporte.

Cintia Liana

Referência:
*Freitas, Walkíria de Andrade Reis. Arteterapia em consultório, uma viagem interior. Ed. Agbook, 2010.

Souza, J. F. S. de. Abuso Sexual e suas Sequelas. Disponível em:
http://cyberbiologiaecybermedicina.blogspot.com/2007/12/abuso-sexual-e-suas-sequelas.html. Acesso em 27 de fevereiro de 2011.

*Disponível para venda em:
http://www.agbook.com.br/book/25954--ARTETERAPIA_EM_CONSULTORIO


Por Cintia Liana

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Abuso Sexual, Consequências e como Ajudar as Vítimas

Vamos entender melhor a dinâmica do abuso sexual para que possamos ajudar as pessoas, crianças e adultos, que já passaram por essa experiência. Sabemos também que crianças desamparadas podem ser vítimas em potencial, mas podemos conhecer melhor o assunto para buscar ajuda consistente.
 
Abuso sexual é crime e deve ser deunciado, única forma de salvar a vítima da repetição!
Ligue: 100 ou 181.

Compreender melhor o abuso sexual, suas consequências e como ajudar uma vítima a sair da repetição.

O artigo que segue foi inicialmente escrito por Jacques e Claire Poujol, conselheiros conjugais e familiares, para o uso de terapeutas, psicólogos e conselheiros. Útil para todos os profissionais da ajuda (assistentes sociais, médicos, etc.), mas também para as próprias vítimas, este texto permite compreender melhor o abuso sexual, suas consequencias e como ajudar uma vítima a sair da repetição.

Que o saiba ou não, algum próximo já sofreu e se tornou vítima de abuso sexual. E se for um psicólogo, perceberá logo que várias dificuldades de muitas pessoas encontram aí a sua origem. Para estes homens e estas mulheres mortificados, haverá sempre “antes” e “depois” do abuso.

A nossa sociedade prefere ignorar este problema, atenuar a gravidade, ou mesmo negá-la totalmente. Ou então, cheio de boa vontade, mas também de incompetência, propõe-se às vítimas “soluções” que fazem apenas agravar o traumatismo sofrido.

Respondemos neste artigo às perguntas:

• O que se entende por abuso sexual?

• Por que a vítima tem tanta dificuldade para falar do que sofreu?

• Quais estragos o abuso sexual provoca?

• Como ajudar a vítima a sair da repetição?

• Quem são os abusadores?

• O que se entende por abuso sexual?

1. . Um constrangimento ou um contato

Um abuso sexual é qualquer constrangimento (verbal, visual ou psicológico) ou qualquer contato físico, por qualquer pessoa que se serve de uma criança, adolescente ou adulto, com o propósito de uma estimulação sexual, a deles ou a de uma terceira pessoa.

Contato físico é certamente mais grave que um constrangimento verbal. Mas é necessário saber que qualquer abuso constitui uma violação do caráter sagrado e da integridade da pessoa humana e provoca sempre um traumatismo.

O constrangimento verbal designa: uma solicitação sexual direta; o uso de termos sexuais; a sedução sutil; a insinuação. Tudo isto em relação a uma pessoa que não o deseja ouvir.

O constrangimento visual refere-se: ao emprego de material pornográfico; ao olhar que insiste sobre certas partes do corpo; ao fato de se despir, de se mostrar nu, ou de praticar o ato sexual à vista de alguém. Aqui também, sem que a pessoa o deseje.

O constrangimento psicológico designa: a violação da fronteira entre o relacional e o sexual (um interesse excessivo pela sexualidade de seu filho/a) ou entre o físico e o sexual (lavagens repetidas; um interesse muito marcado pelo desenvolvimento físico de um adolescente).

O contato físico pode ser: bastante grave (beijar, contato do corpo através das roupas, que seja pela força ou não, com ou sem pressão psicológica ou afetiva), grave (contato ou penetração manuais; simulação de relações sexuais, contato genital, com ou sem violência física), ou muito grave (violação genital, anal ou oral, obtida de qualquer maneira que seja, pela força ou não).

2. A estratégia do abusador

Um abuso não é o fato do acaso por parte de quem o comete. Sendo um perverso, este premedita e organiza a relação esperando o momento em que seus fantasmas viciosos lhe parecerão realizáveis. A vítima ignora naturalmente tudo isto. A estratégia perversa comporta em geral quatro etapas:

a. O desenvolvimento da intimidade e do caráter confidencial, privilegiado, da relação. Esta fase, mais ou menos longa (de algumas horas ou anos), visa a colocar em confiança a futura vítima que não duvida de nada.

b. Uma interação verbal ou um contato físico aparentemente “adequado” com a pessoa que vai ser abusada (confidências de caráter sexual, carícias nos cabelos, abraços amigáveis). A pessoa não tem medo, por que: em 29% dos casos, seu futuro abusador é um membro da família, em 60% dos casos um familiar ou amigo. Apenas 11% dos abusos são cometidos por um desconhecido.

c. Uma interação sexual ou um contato sexual.

É a fase do abuso propriamente dito. Aqui, a vítima reencontra-se na mesma situação que um coelho que atravessa uma estrada à noite e é capturado pelos faróis de um automóvel: petrificado, paralisado, siderado, incapaz de reagir, deixa-se esmagar pelo automóvel. O abusador está consciente do que faz com sua vítima.

d. A continuação do abuso e a obtenção do silêncio da vítima pela vergonha, culpa, ameaças ou privilégios.

Este silêncio raramente é quebrado. O abuso permanece um segredo absoluto durante muito tempo, às vezes por toda a vida.

Três sobreviventes das irmãs Dionne, as famosas quíntuplas canadenses, esperaram os sessenta e um anos para revelar, na sua biografia, que tinham sido sexualmente agredidas pelo pai.

Guardando o silêncio, a vítima faz-se, contra a sua vontade, de cúmplice do abusador, uma vez que a única coisa que ele teme é de ser denunciado. O fato de tornar-se assim, bem involuntariamente, seu aliado, reforça o desprezo que tem por si própria e a sua culpabilidade.

Será uma das tarefas do psicólogo explicar que uma pessoa sexualmente abusada não é nunca culpada nem responsável pelo abuso. Não podia adivinhar que as duas primeiras etapas eram apenas uma estratégia do abusador.

Deverá também dizer-lhe que uma pessoa que está sob a dominação do abusador só faz parar os abusos com a denúncia e revelando o que sofreu. Ora, falar, para ela, é muito difícil, por várias razões. Por que uma vítima tem tanta dificuldade em falar do que sofreu?

1. Leva, às vezes, muito tempo para entender que foi abusada

O tempo não conta para o inconsciente, ele está como que parado para a vítima: é, na maioria das vezes, o aparecimento de sintomas como depressão ou perturbações sexuais que a levará a deixar o seu sofrimento emergir na superfície e aceitar falar. É o primeiro passo para a cura. Mas falar deste traumatismo, tomar consciência desta verdade: “Fui abusada”, pode ser um choque terrível. O conselheiro terá necessidade de tato e de grande compaixão para deixar a pessoa descobrir por si mesma e no seu ritmo, a amplitude do drama que viveu. Compreenderá a extrema repugnância que provoca admitir que o seu corpo e a sua alma foram devastados. Gostaria tanto de esquecer, não ter nunca vivido aquilo, que vai se refugiar ocasionalmente na recusa: “Aquilo não pode ter me acontecido.”

A pessoa será incentivada a continuar a falar se acreditarem no que diz (tem absolutamente necessidade de sentir que acreditam nela) e se evitar certas frases destrutivas como:

• - Ele cometeu só um erro, como fazemos todos.

• - Aconteceu só uma vez, afinal.

• - É tempo de virar a página.

• - Já faz muito tempo que passou


2. Sente-se culpada

Em seu foro íntimo, sem mesmo declarar abertamente, a pessoa pensa:

• Sou também culpada?

• Poderia ter evitado?

• Colocado na minha situação, um outro teria podido se opor, se debater, fugir?

O psicólogo pode ir adiantando as perguntas que não ousa exprimir, dizendo:

• Quem detinha o poder (parental, espiritual, moral, organizacional, físico, psicológico)?

• Quem era o adulto? O marcador social? O referente?

• Quem era o instigador, o organizador dos abusos?

• Quem poderia fazer cessar? Pode fazer-lhe compreender que a sua culpabilidade está ligada à defasagem entre a vivência passada (e as razões pelas quais a vítima não pôde impedir: a sua tenra idade, sua ignorância, sua total confiança) e a sua vivência atual, quando já é mais velha, menos ignorante, menos ingênua e já sabe se proteger.

Crê-se culpada porque olha os acontecimentos passados com os olhos do adulto prevenido que é hoje. Ora, na época, não possuía defesas necessárias para impedir o abuso.

Separar-se do agressor

Pode-se também ajudar-la a diferenciar o ponto fraco do qual se serviu o perverso, por exemplo, uma necessidade de ternura completamente legítima, uma confiança cega, e o crime que cometeu, se aproveitando desta necessidade legítima de afeição ou da confiança, para saciar seus desejos imorais.

Desligar estes dois elementos é frequentemente um momento de verdade e um alívio para a pessoa, que faz o seu segundo passo para a cura quando não se sente mais responsável.

Mas o caminho será ainda longo até cicatrização da ferida. A precipitação e a impaciência são os grandes inimigos do conselheiro (e do cliente) neste domínio.

3. Falar pode custar-lhe caro

Cada vez que a pessoa abusada mergulha no horror do seu passado, deve pagar um preço muito elevado. Tentando “esquecer” o abuso, virar a página, tinha construído certo equilíbrio, por exemplo, com os seus parentes.

Se decidir fazer explodir a verdade, arrisca desorganizar este equilíbrio fictício e suscitar pressões dos seus parentes. Encontra-se sempre falsos “bons conselheiros” preocupados com sua própria tranquilidade e pelo que dirão os defensores dos abusadores, que vão acusá-la de mentir ou exagerar, de despertar o passado e incita-la-ão a esquecer, ou mesmo “a perdoar”; o cúmulo é que corre o risco até mesmo de ser responsabilizada pelo abuso.

O psicólogo deverá, então, apoiar, incentivar e assegurar a sua proteção material e psicológica. Ajudá-la a avaliar o preço da luta que deverá efetuar para sair do lamaçal do abuso sexual e realizar que o seu desejo de sair do sofrimento será ainda negado por aqueles que deveriam mais protegê-la: a família ou os responsáveis pelas instituições.

É necessário notar que quando o abusador faz parte de uma instituição, qualquer que seja, esta decide frequentemente, por medo do escândalo, “acoberta-lo” e, por conseguinte, permanecer na recusa do abuso, mais que reconhecer publicamente a existência de um perverso sexual na instituição.

Há um consenso social de reprovação à pessoa que tem a coragem de remexer nestas coisas imundas: que ela continue como morta viva, não é grave. O mais importante, é que se cale.

4. Sofre de vergonha
Sartre disse que vergonha é “a hemorragia da alma”. Um abuso sexual marca a pessoa ao ferro e fogo, a suja, a leva a esconder-se dos outros. A vergonha é uma mistura de medo da rejeição e cólera para com abusador, que não ousa se exprimir. [Sente-se culpada pelo crime até nomear o agressor e o crime e a arma do crime. (N. da T.)]

O sentimento justo que deveria provar é a cólera. Provar este sentimento liberador ajuda-a a sair da vergonha. É necessário, às vezes, tempo para que chegue a exprimir a sua indignação face à injustiça que sofreu. Esta expressão da cólera poderá fazer-se seja de maneira real, em frente ao culpado, ou, se não for possível para a sua segurança pessoal, de maneira simbólica. Em todos os casos cabe à vítima decidir.

A vergonha está ligada ao olhar que a vítima leva sobre si própria; vê-se como suja por toda a vida. É o seu olhar que deverá se alterar, e isto alterando a sua maneira de pensar.

5. O desprezo
Sentindo-se vergonhosa, a pessoa abusada tem duas soluções: desprezar-se a si própria ou desprezar o abusador e os semelhantes. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: autodestruição, porque o ódio de si ou o ódio do outro são ambos destrutivos.

O desprezo por si própria pode referir-se ao seu corpo, a sua sexualidade, a sua necessidade de amor, a sua pureza, a sua confiança.

Este desprezo de si tem quatro funções: atenua a sua vergonha, asfixia as suas aspirações à intimidade e à ternura (desprezar-se anestesia o desejo), dá-lhe a ilusão de dominar o seu sofrimento e evita-lhe que procure a cura do seu ser.

Quando o desprezo por si mesma é muito intenso, pode levar à bulimia, à violência contra si e ao suicídio; nestes três casos, a pessoa pune o seu próprio corpo porque ele existe e tem desejo.

6. O verdadeiro inimigo

Se perguntar a uma pessoa que sofreu um abuso sexual qual é o seu inimigo, responderá sem dúvida: “É o culpado do abuso.” O que lhe parece evidente. A vítima tem escolha: ou combate, cultivando o seu ódio para com abusador, ruminando uma vingança contra ele; ou foge, procurando esquecer, endurecendo-se para não mais sofrer, fechando-se em si mesma, passa a ser insensível, de maneira a não mais sentir nem emoção nem desejo.

Mas estas duas soluções são vãs, porque o inimigo não é o abusador. Certamente, representa um problema, mas a boa notícia é que não é o problema essencial. O verdadeiro adversário é a determinação da pessoa a permanecer no seu sofrimento, a sua morte espiritual e psíquica e a recusar reviver. O inimigo reside, por conseguinte, paradoxalmente, na própria vítima!

Este terceiro passo para a cura é sem dúvida o mais difícil de cruzar. A pessoa deve compreender que tem na frente dela a vida e a morte, e que pertence apenas à ela permanecer na morte ou escolher viver.

Quando o conselheiro sente que ela tomou a decisão de sair da pulsão de morte para entrar na pulsão de vida, terá então sem dúvida a ocasião de lhe falar dos três grandes estragos que o abuso produziu na sua vida e que deverão ser reparados.

7. O sentimento de impotência

O abuso sexual foi imposto à vítima. Que tenha se produzido uma vez ou cem vezes, com ou sem violência, não altera o fato de que foi privada da sua liberdade de escolha.

Os estragos produzidos pelo abuso sexual.

Estes estragos constituem umas torrentes tumultuosas que devastam a alma, e que inclui: o sentimento de impotência, o de ter sido traída e o sentimento de ambivalência, bem como vários outros sintomas.

Este sentimento provem de três razões:

Não pôde alterar a sua família disfuncional, se se trata de um incesto. Os seus parentes não a protegeram como deveriam, a sua mãe ou a sua sogra nada viram ou fingiram nada ver.

Que o abuso foi acompanhado de violência ou não, que aja dor física ou não, a vítima não pôde escapar, o que cria nela fraqueza, solidão e desespero. Além disso, o culpado serve-se da ameaça ou da vergonha para reduzir ao silêncio e recomeçar em toda impunidade, o que aumenta a sua impotência.

Não chega a pôr um termo ao seu sofrimento presente. Só a decisão de suprimir-se anestesiaria a sua dor, mas não pode resolver-se, então continua a viver e a sofrer.

b. Este sentimento de impotência provoca graves prejuízos

A pessoa abusada perde a consideração por si própria, duvida dos seus talentos e crê-se medíocre.

Abandona qualquer esperança.

Insensibiliza a sua alma para não mais sentir a raiva, o sofrimento, o desejo ou a alegria. Esconde e repele no seu inconsciente as lembranças horríveis da agressão sexual.

Pela força de renunciar a sentir a dor, torna-se como morta. Perde o sentimento de existir, parece estrangeira a sua alma e a sua história.

Perde o discernimento relativo às relações humanas, o que explica que as vítimas de abusos caem de novo nas garras de um perverso, que reforça o seu sentimento de impotência.

2. O sentimento de ter sido traída

Muitas pessoas ignoram o nome dos onze outros apóstolos, mas conhecem Judas, o traidor. Por quê? Porque a maior parte das pessoas considera que nada é mais odioso que ser traído por alguém que se supunha amigo e respeitoso.

A pessoa abusada sente-se traída não somente pelo abusador em quem tinha confiança, mas também pelos que, por negligência ou cumplicidade, não intervieram para fazer cessar o abuso.

As consequências da traição são: uma extrema desconfiança e a suspeita, sobretudo em relação às pessoas mais amáveis; a perda da esperança de ser próxima e íntima de outro e de ser protegida no futuro, visto que os que tinham o poder não o fizeram; a impressão que se foi traída, foi porque mereceu, devido a uma falha no seu corpo ou no seu caráter.

3. O sentimento de ambivalência
Consiste em sentir duas emoções contraditórias ao mesmo tempo. Aqui, a ambivalência gravita ao redor dos sentimentos negativos (vergonha, sofrimento, impotência) que simultaneamente, às vezes, foram acompanhados de prazer, que seja relacional (um cumprimento), sensual (uma carícia), ou sexual (tocar nos órgãos), nas primeiras fases do abuso.

O fato que o prazer, às vezes, seja associado ao sofrimento provoca prejuízos consideráveis: a pessoa sente-se responsável por ter sido abusada, já que “houve” prazer; a lembrança da agressão pode retornar nas relações conjugais; não chega a desabrochar-se na sua sexualidade que é para ela demasiado ligada à perversidade do abusador; controla e mesmo proíbe-se o prazer e, por conseguinte, o seu desejo sexual.

O conselheiro deve explicar à pessoa que não é responsável de ter provado certo prazer, porque é normal que apreciou as palavras e os gestos “de ternura” do abusador. É a natureza que deu ao ser humano esta capacidade de sentir prazer.

O que não é normal é a perversão dos que premeditaram estas atitudes afetuosas para fazer cair uma presa inocente na sua armadilha. É ele o único responsável.

4. Alguns outros sintomas

Pensa-se em eventual abuso sexual se o cliente:

- Sofre de depressões repetidas.

- Apresenta perturbações sexuais: falta de desejo, asco, frigidez, impotência, temor ou desprezo pelos homens ou mulheres, medo de casar-se, masturbação compulsiva. Na criança, esta perturbação do autoerotismo, assim como algumas enureses, podem fazer pensar em abuso sexual.

- Destrói-se pelo uso abusivo de álcool, de droga ou de alimento. A obesidade, em especial, permite às jovens ou mulheres que foram violadas se tornar, inconscientemente, menos atrativas e se proteger assim contra outra agressão.

- Sofre de dores de barriga, de infecções ginecológicas repetidas.

- Um estilo de relação com os outros muito caraterístico: ou é demasiado agradável com todos, ou é inflexível e arrogante, ou por último é superficial e inconstante. Ajudar a vítima a reviver

Esta deverá cessar de ouvir as vozes internas que a mantém na culpabilidade e vergonha e se pôr à escuta da voz da verdade, que a conduzirá para a libertação.

Deverá também abandonar as vias sem saídas que pessoas bem intencionadas, mas incompetentes (das que ajudam “pouco ajudadas”!) lhe propõem: negar o abuso, minimizá-lo, para esquecer, para perdoar o culpado sem que este se arrependa seriamente, para virar a página, para parar de reclamar, etc.

A via que leva ao bem-estar compreende duas etapas: olhar a realidade de frente, e decidir reviver.

1. Olhar a realidade de frente

A pessoa deverá reencontrar as lembranças do abuso, admitir os estragos e gradualmente sentir os sentimentos adequados.

a. Reencontrar as lembranças do abuso

A vítima prefere mais esquecer, tanto a enoja ou a terrifica. Ou então, ela conta friamente como se fosse de uma outra pessoa que se trata. Mas, esta recusa é um obstáculo à cura. O abuso não deve ser apagado, mas nomeado.

Com muito tato, incentivar a lembrar do passado, às vezes muito remoto, porque só um abcesso esvaziado pode cicatrizar.

O retorno das lembranças repelidas vai se fazer progressivamente durante a psicoterapia. O inconsciente da pessoa colabora ativamente por meio de sonhos, ou imagens que lhe vem ao espírito.

Certos acontecimentos fazem também reaparecer os traumatismos esquecidos, por exemplo: um encontro com o abusador, uma gravidez, a menopausa, um outro abuso, o fato de que um de seus filhos atinja a idade que tinha quando foi abusada, o fato de reencontrar-se nos lugares da agressão, ou o falecimento do culpado.

b. Admitir os estragos
Este regresso penoso no passado vai permitir-lhe admitir as duras verdades seguintes:

• Fui vítima de um ou vários abusos sexuais. É um crime contra o meu corpo e contra a minha alma.

• Sendo vítima, não sou responsável deste crime, que só pude sentir.

• Em consequência destes abusos, sofro de sentimentos de impotência, de traição e de ambivalência.

• O meu sofrimento é intenso, mas a cicatrização é possível, se admitir que houve ferida. Esta cicatrização levará tempo.

• Não devo envolver o meu passado com um véu de segredo e de vergonha; mas também não sou obrigada a falar a qualquer um.

Sentir os sentimentos adequados
A culpabilidade (que é um sentimento de extorsão muito frequente), a vergonha, o desprezo, a impotência, o ódio, o desespero, deverão gradualmente ser substituídos pelos sentimentos mais adequados que são a cólera para com abusador e os seus cúmplices, e a tristeza face aos estragos sofridos. Esta tristeza não deve levar à morte, ao desespero, mas à vida, ou seja a uma fé, uma esperança e um amor renovados.

O conselheiro favorecerá a expressão destes dois sentimentos, de maneira real ou simbólica, mas sempre em toda segurança, no quadro protegido das sessões de relação de ajuda.

2. Decidir reviver

Por que uma vítima de abuso sexual deveria decidir reviver, depois de tudo o que sofreu e sofre ainda? Simplesmente porque é melhor para ela escolher a vida e não a morte.

Escolher reviver significará para ela:

a. Recusar estar morta
A vítima acha normal viver com um corpo e alma mortos; paradoxalmente, isto lhe permite sobreviver, não arriscando mais sentir alegria ou dor.

b. Recusar desconfiar
A vítima desconfia dos seres humanos. Uma mulher violada, em especial, vê todo “macho” como “o mal”. Deverá aprender a transformar a sua desconfiança para com os homens em vigilância, o que é muito diferente.

c. Não mais temer o prazer e a paixão
Estes dois elementos trazem ao drama que sofreu, então ela foge. Fazendo, priva-se destes dois dons.

Sendo vítima do desejo (perversos, mas desejo do mesmo modo) de alguém, “lança o bebê com a água do banho”, ou seja rejeitando o abuso que sofreu, rejeita ao mesmo tempo qualquer desejo, até mesmo o seu.

Deve entender que não é porque alguém teve um desejo perverso para com ela que deve doravante renunciar ao seu próprio desejo.

d. Ousar amar de novo
Deverá progressivamente renunciar às suas atitudes auto protetoras e o seu fechamento em si mesma para provar de novo a alegria de amar os outros e de estabelecer relações calorosas e seguras.

Deixará a sua carapaça para reencontrar um coração terno, capaz de correr o risco de amar aqueles que encontra. Abandonará as suas defesas, o que não quer dizer que não se cercará de proteções. Uma proteção não é uma defesa.

Descobrirá que, se é verdade que uma ou várias pessoas a traíram, a grande maioria dos outros são dignos de confiança.

A revelação do abusador

1. Quem são?

Na sua grande maioria são jovens pessoas ou homens, provindos de todas as classes da sociedade e de todos os meios.

No mais das vezes, fazem parte do ambiente da vítima: um colega, um vizinho, um chefe escoteiro ou um animador de jovens, uma babá, um professor, um proprietário, um colega de trabalho, um padre, etc.

Muito frequentemente são também membros da família: o pai, o tio, o avô, o sogro (cada vez mais frequentemente devido ao aumento dos rematrimônios e das famílias expandidas), o irmão, o meio-irmão ou o quase irmão, o cunhado, o primo, etc. Fala-se então de incesto ou abuso sexual intrafamiliar.

Trata-se, mais raramente, de uma pessoa desconhecida da vítima.

É necessário notar que 80% dos agressores foram eles mesmos vítimas de abusos no passado, o que não o desculpa de modo algum, mas pode explicar em parte o seu comportamento.

2. Revelação

Uma vítima tem muita dificuldade para denunciar o seu agressor; revelará mais facilmente o abuso em si. No entanto, esta denúncia tem um grande alcance terapêutico e é necessário incentivar a quebrar o silêncio. Uma vez dito à outro, a palavra torna-se inter-dita e não mais interditada, como queria o perverso.

Mas esta denúncia frequentemente é mal aceita pela sociedade. Enquanto uma pessoa sexualmente abusada não denunciar o culpado, é considerada como vítima. Mas o dia em que decide se referir à Justiça, consideram-na então como culpada de acusar alguém, e o crime cometido para com ela vai ser negado.

É por isso que, por exemplo, a grande maioria das mulheres violadas se resignam a permanecer vítimas por toda a vida e, por conseguinte, a calar-se, por medo finalmente de ser acusada do crime que denuncia. Ora, nunca deveriam hesitar a devolver o peso do crime à quem pertence: ao violador.

É necessário, no entanto, saber que, se denunciar tem um efeito terapêutico, o processo judicial é longo, penoso e dispendioso. Os interrogatórios repetidos, a falta de respeito e tato de certas pessoas, a vergonha de revelar a sua história na frente de todos, a impressão de não lhe darem crédito, provocam o que se chama de vitimização secundária. Cada vez que relata a violação, a mulher se sente de novo violada.

O apoio, material e psicológico, de organismos especializados na ajuda às vítimas de abusos sexuais, é precioso neste tipo de diligência, tanto mais que o julgamento pronunciado do culpado, na maioria das vezes clemente, parece decepcionante e injusto à vítima e reaviva a sua dor.

Se tiver o conhecimento de um caso de abuso sexual, a primeira coisa a fazer é afastar a vítima do abusador, a fim de evitar que este último recomece.

No caso específico de abuso sexual sobre menor, a segunda diligência é informar as autoridades competentes (serviços sociais e polícia).

A lei obriga a esta revelação, e deve neste caso quebrar o segredo profissional, se não se corre o risco de ser considerada pela lei como cúmplice. Esta denúncia visa a proteger a vítima e as outras vítimas potenciais, e a obrigar o culpado a parar as suas atuações.

As reações do abusador a sua revelação
Um recente Colóquio europeu sobre as violências sexuais estabeleceu que 82% dos abusadores não admitem a sua responsabilidade (53% negam totalmente os fatos). Só 18% dentre eles admitem os fatos, e ainda porque são obrigados após confrontação com as vítimas, e não sem a acusar de “tê-lo provocado”.

Esta negação dos fatos permite-lhes perseverar na sua perversão, e por conseguinte, não se privar do seu gozo, que só conta para eles.

Quando não podem mais negar os fatos, admitem-no minimizando ou negando as consequências desastrosas sobre as vítimas, sobretudo se o abuso for isento de violência física. Se tiverem remorso ou lamentação, nunca por seus crimes, mas por ter-se feito denunciar e pelo dever de parar.

Se o psicólogo mostrar-se indulgente para com um perverso, porque deseja regrar rapidamente uma situação que o excede ou desgosta, corre o risco de ser manipulado pelo abusador que fará prova de “se arrepender” para continuar em paz as suas atividades viciosas escondidas. Faz-se assim de seu cúmplice, o que é grave.

Uma reação possível do culpado de abusos é a seguinte: ele suja e se alia. Suja as vítimas ou outras pessoas inocentes acusando-as do mal que ele mesmo comete; ao fazê-lo alivia, assim, a sua culpabilidade. Além disso, alia-se com os que podem se tornar seus aliados e seus defensores (um pai incestuoso alia-se a sua mulher de modo que o deixe abusar da sua filha).

Um perverso que é revelado e que recusa se arrepender pode cair no pânico, na depressão, no álcool ou no suicídio; mais frequentemente endurece-se e continua de maneira mais intensa as suas práticas.

É extremamente raro que um delinquente sexual arrependa-se realmente, (no máximo exprimirá vagas “lamentações”), mas é necessário sempre dar-lhe a ocasião.

Em conclusão, todo terapeuta deveria se dedicar a formar-se neste domínio tão específico, se quiser se ocupar de pessoas que sofreram deste drama que constitui o abuso sexual.

Fonte: Claire et Jacques Poujol - www.relation-aide.comTradução: Mirian Giannella – http://giannell.sites.uol.com.br/
Por Cintia Liana