"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

Mostrando postagens com marcador adoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adoção. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Cintia Liana e as constelações familiares com o tema adoção

Cintia Liana e as Constelações Familiares

Vim para a Itália convidada para trabalhar com adoção, e é com muita felicidade, que venho propor às famílias adotivas da minha cidade natal, que em 2008 me presenteou com o título de “Fada das famílias adotivas”, o meu workshop de constelações familiares com o tema ADOÇÃO. 


"Adoção e constelação"

Bert Hellinger disse, “somente quando estamos em sintonia com o nosso destino, com os nossos pais, com a nossa origem e tomamos o nosso lugar, temos a força”. Todos nós precisamos nos sintonizar com a nossa história familiar, com os nossos ancestrais para termos equilíbrio, porque a família pode ser comparada a um sistema dinâmico, composto por suas regras precisas, em que os seus se empenham com fidelidade para levá-las adiante e, mesmo que uma pessoa seja distanciada desta, continua a sofrer influências desse sistema e a manter a lealdade. 
Todos nós precisamos nos pacificar, sentir as nossas raízes para podermos voar. Existem casos em que crianças e adultos, que foram adotados, não conseguem atingir a serenidade desejada, porque sentem, inconscientemente, que falta algo em suas vidas. Essas pessoas foram “excluídas’ de um sistema, mas o campo não admite exclusões e elas mantém um vínculo e, como diz Hellinger, a necessidade de pertencer é maior que a de viver. 
O método das contelações familiares, hoje mundialmente conhecido, é uma ferramenta que nos dá a chance de ver, na representação da família, dentro do campo morfogenético (descrito pelo biólogo Rupert Sheldrake), os aspectos ocultos das desordens, o que está por trás dos conflitos, e colocar as dificuldades em ordem, com base nas leis sistêmicas, liberando o indivíduo desse peso e trazendo detalhes importantes à luz, instaurando o equilíbrio na vida de todos. 
Pais adotivos podem constelar. Pessoas que pretendem adotar também podem, para conseguirem entender mais ainda os sentimentos imperceptíveis, ligados a esse projeto de vida.
Para instaurar as ordens do amor, são usadas as leis sistêmicas: pertencimento, hierarquia e o equilíbrio no dar e receber, trazedo à consciência sentimentos reprimidos e não compreendidos, as sensações de culpas escondidas, as pessoas "não vistas" e também colocando cada uma delas em seus devidos lugares, com as suas responsabilidades. Essas desordens adoecem adultos e crianças do sistema. 
Esse método também é capaz de ajudar o indivíduo a se liberar do emaranhamento da repetição de histórias já vividas na família biológica e entrar em contato com o seu próprio destino, sendo capaz, assim, de se realizar na felicidade.

Cintia Liana Reis de Silva

Local: 
Mar Brasil Hotel, Sala João Gilberto
Rua Flamengo, 44, Farol de Itapuã, Salvador-BA



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Sobre gratidão, adoção e ter filhos


Google Imagens

"A criança adotada, como todo filho, não prima pela gratidão antes da aquisição de certa maturidade. Portanto, se você está adotando à espera de gratidão e reconhecimento, sugiro que faça outra coisa. Cabe aos filhos testarem o amor dos pais para saberem se ele é confiável. Ninguém vai precisar tanto desta confirmação quanto uma criança que já foi preterida. Nesse caso, se a criança ousar confiar no seu amor, o que é bom sinal, agirá como um filho demandante e desafiador por algum tempo, esperando tanto amor quanto limite –dobradinha de ouro da criação e que só pais amorosamente investidos têm força para sustentar ao longo do tempo.

Quanto a "fazer o bem", vamos e convenhamos que a escolha por ter filhos implica motivações inconscientes, geralmente ignoradas. Temos filhos por razões que nos escapam e que são profundamente narcísicas. Você quer ter filhos? Não coloque isso na conta deles, assuma suas motivações, sejam quais forem. Ignorá-las só traz ressentimento e raiva.

Quem quer uma gestação nem sempre quer um bebê, e quem quer um bebê nem sempre quer um adolescente, etc. Maternidade e paternidade são funções vitalícias e intransferíveis, enquanto que a fase bebê-criança é rapidíssima em relação ao conjunto da obra."

(Vera Iaconelli)

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Depoimento: “Ah, são adotivos?” Sempre perguntam… São nossos filhos e pronto! Thais


Por Thais Doretto
28 de junho de 2016

“Sempre quis adotar, desde adolescente sentia que esse era meu caminho, como se Deus já tivesse me avisado. Casei e o desejo continuava, mas meu marido gostaria de tentar um biológico antes. Ok, poderíamos adotar depois. Eu engravidei mas perdi o bebê bem no comecinho. Então por algum tempo ficamos, eu e meu marido, estudando a questão da adoção, mais ele do que eu (risos).

Enfim decidimos entrar com os papéis.
Um ou dois meses depois minha cunhada foi convidada por uma amiga para fazer um trabalho voluntário com crianças carentes. Acabando o trabalho ela veio na minha casa e disse que tinha conhecido um menino que poderia ser meu filho. Fiquei emocionalmente enlouquecida para conhecê-lo. Porém não havia como, pois eu estava na fila e só me restava esperar. Sabia o nome dele e que ele tinha um irmão mais novo. Até tentei mais informações, mas as crianças que estão para adoção são protegidas pelo estado e é super difícil ter acesso, pelo menos aqui na minha cidade. Consegui descobrir os nomes, idades e que eles iriam voltar para a família. Mas não conheci nem por foto. Seus rostos eram em branco para mim, e então mais uma vez me apegava a Deus para que tudo se ajeitasse da melhor maneira possível para todos. Se não eram eles não era para ser e pronto. Deus ia me mandar meus filhos, tinha certeza disso.
Oito meses depois fizemos o curso e todas as etapas para que pudéssemos então entrar na fila de espera. Nosso perfil era de 3 a 8 anos, pois temos 5 sobrinhos nessa faixa de idade, e assim nos sentíamos confortáveis. Não importava sexo, cor e aceitávamos irmãos.  Sempre pensava, meu Deus essas essas crianças já foram tiradas de seus genitores, mais uma separação com os irmãos era demais a dor. Acreditava também que se viessem dois eles se sentiriam mais seguros, pelo menos um com o outro, metade da família já estaria em união, assim como eu e meu marido já estávamos unidos, e tudo poderia ficar mais fácil.
Na última entrevista com a assistente social, ela deixou escapar que achava que nosso processo seria rápido. Uma semana depois ela me liga dizendo que queria me mostrar duas crianças.  Explosão de felicidade !!! 9 MESES DE ESPERA durou minha gestação!
Chegando no fórum ela começou a contar a história deles, e quando ela disse os nomes e as idades a gente quase caiu da cadeira, para nossa surpresa eram os meninos que minha cunhada tinha conhecido! Impossível acreditar em simples coincidência !! Eram eles, Deus tinha me mandado meus filhos! Minha cunhada nem acreditava! Pensa na possibilidade disso acontecer. Ninguém do fórum e nem do abrigo e nem de lugar nenhum sabia do nosso precoce interesse por eles. Só eu, meu marido e minha cunhada!! Hoje ela é madrinha do mais velho, não poderia ser diferente não é mesmo?! Estamos com eles há dois anos, mas todo mundo pensa que é há muito mais tempo.
“Ah, são adotivos?” Sempre perguntam… Não entendo que diferença a palavra “adotivo” faz. São nossos filhos e pronto!

Foram muitas, mas muitas mesmo, dificuldade de adaptação com eles. Nos primeiros meses cheguei a achar algumas vezes que não daria certo, que eu não ia conseguir. Mas sempre me lembrava da tal “coincidência” e aos poucos Deus ia acalmando meu coração. Mas acho que isso já é uma outra história... É isso, Luciane. Foi um prazer contar minha história um pouco grande… Risos… Gosto muito de falar da minha experiência, é difícil parar de escrever até. Mas acho que está bom por aqui.
Grande abraço.” 
Thais Doretto

Fonte: http://gravidezinvisivel.com/depoimento-adocao-adotivos-filhos/

segunda-feira, 25 de abril de 2016

As crianças excluídas. Revista E, SESC São Paulo

Meu artigo inédito na Revista "E", do SESC São Paulo, sobre adoção no Brasil.
Em primeira mão para vocês.

Cintia Liana na Revista 'E", SESC São Paulo

 Cintia Liana na Revista 'E", SESC São Paulo




Artigo inédito da psicóloga Cintia Liana Reis de Silva 
para a Revista "E", do SESC São Paulo

"As crianças excluídas"
Por Cintia Liana Reis de Silva

Adoção é uma palavra quem vem do latim adoptare, que significa acolher, cuidar, considerar. É uma das palavras mais bonitas e mais ricas de conteúdo interpretativo do dicionário. A adoção é uma atitude instintiva e complexa, plena de requinte humano e espiritual, onde se acolhe aquele que não veio de você, mas veio para você.

Sou psicóloga e trabalho com adoção de menores desde 2002 e tenho observado que as discussões avançam, aprofundam-se, combatem tabus e educam os mais preconceituosos. E isso se dá graças ao empenho das famílias adotivas, aos grupos de apoio à adoção, a alguns meios de comunicação que tratam do tema de modo responsável e aos militantes brasileiros, que vêm enfrentando desafios, levantando bandeiras, conscientizando a população e não desistem da luta pelas crianças abandonadas por suas famílias.

Mesmo com todas as dificuldades, eu tenho orgulho do meu país, o Brasil. Eu trabalho na Itália desde 2010 e enquanto aqui se discute a aprovação da união civil entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil algumas já adotam. Enquanto aqui só os casais heterossexuais casados com no mínimo 3 anos de convivência comprovada podem adotar, no Brasil os solteiros também podem. Aqui na Itália a adoção é tão burocrática que os casais acabam decidindo realizar uma adoção internacional, que é custosa, quase igualmente lenta e trabalhosa.

O nosso Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA é um dos mais avançados do mundo, entretanto falta aplicar o que está escrito. Há pessoas trabalhando muito para isso, também sabemos que o contingente de pessoal é absolutamente insuficiente para um trabalho de excelência. 

Procurando facilitar o cruzamento de dados entre adotantes e crianças à espera pela adoção, foi criado em 2008 o Cadastro Nacional de Adoção, o chamado CNA, que após 6 anos de sua implementação ainda não funciona como se deve. Em 12 de maio de 2015, a nova versão, chamada de Novo CNA, foi elaborada pela Corregedoria Nacional de Justiça e, embora esse sistema seja uma ferramenta de extrema importância, ele não funciona com eficiência razoável, e o novo CNA trouxe ainda mais problemas e falhas, sem ter solucionado as deficiências do antigo.

Uma das mudanças foi que na prática se passou a encontrar "crianças para pais, o que fere diretamente os interesses da crianças e vai de encontro ao que preconiza o ECA, pois a lei é inversa, devemos encontrar "pais para uma criança". Do contrário coloca-se em risco o princípio da absoluta prioridade dos direitos da criança e do adolescente.

Embora pareça que a dificuldade em concretizar uma adoção esteja somente relacionada à morosidade da Justiça e às burocracias, Karina Machado Rocha Gurgel, servidora da VIJ-DF e mestre em Psicologia, desconstrói esse mito em seu artigo “A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e as crianças disponíveis para serem adotadas”. "Com base em dados coletados do Cadastro de Adoção do Distrito Federal, Karina demonstra que o perfil pleiteado pelos requerentes é inversamente proporcional ao perfil das crianças cadastradas para adoção, uma vez que mais de 90% das famílias preferem crianças de 0 a 3 anos, que correspondem a pouco mais de 8% das cadastradas. Destaca, ainda, que, em âmbito nacional, a situação é semelhante. (Site TJDFT, 2016)

Num artigo no jornal italiano "La Repubblica", em 19 de dezembro de 2012, o presidente da Ai.Bi. - Associazione Amici dei Bambini, Marco Griffini, explica que são 168 milhões de crianças abandonadas em todo o mundo e para entender esse número, "é necessário imaginar colocar em fila indiana, bem pertinho uma da outra: a linha humana que formam dá uma volta no mundo, é longa como a circunferência da Terra".

Não quero causar desconforto, mas é necessário que todos se imaginem quando pequenos e/ou os seus filhos, numa instituição, sozinhos, sendo cuidados por pessoas que eles não conhecem, sem vínculos afetivos parentais clássicos, tendo um contato escasso com o mundo externo, com a convivência diária com autoridades que podem ser punitivas, rotina impessoal, ordem, submissão, silêncio, colegas abusivos, falta de autonomia, etc. As crianças órfãs em todo o mundo vivem uma realidade de desamparo e sofrimento psicológico ao último grau. Imaginem essas crianças gritando e pedindo a nossa ajuda. Não se resolveu ainda o futuro delas porque passa pela tarefa de olhar para as nossas próprias fragilidades, para a nossa criança ferida interna, passa pela necessidade de sentir aquele desconforto no estômago. Mas não é virando as costas fugindo da responsabilidade - para que não nos sintamos culpados em algum nível - é que vamos modificar essa realidade. É mergulhando em nossa essência, tocando em nossa humanidade e reconhecendo a necessidade de mudar. A tarefa é de todos.

Em meu livro "Filhos da Esperança, os caminhos da adoção e da família e seus aspectos psicológicos" (2012, 2ª ed.) eu explico, entre outras coisas, porque todas as crianças são "adotáveis" e como se preparar para a adoção. Se não deve existir um modelo de família ideal para adotar, então porque achar que deve ter um perfil de criança ideal para adoção? Seria cruel. Se espera por um bebê que ainda será abandonado ou por uma criança que já está precisando nesse exato momento de pai e/ou mãe? Por que não pensar nelas agora? Nas crianças reais? Todos nós merecemos ser amados, tendo resistências e dificuldades emocionais ou não. Quem não tem seus traumas e más lembranças infantis? Alguns adotantes fecham um determinado perfil, uma criança de até 2 anos, parecida com eles, saudável, mas seguramente se eles não forem tão rígidos e exigentes e conhecerem uma, duas ou três crianças, fora daquele perfil idealizado e determinado, poderiam se "apaixonar" por elas. Além de esperar muito menos tempo na fila, e entrar nela uma só vez para ter mais de um filho, a adaptação poderia ser tão boa quanto com uma criança menorzinha, porque mais que a idade, tem que existir identificação, empatia e isso pode ser com qualquer uma, é só estar receptivo para esse encontro. Elas também já sabem o que é adoção e a desejam. Ademais, adotando crianças fisicamente diferentes, com uma etnia diversa, eles estariam enfrentando o preconceito, ao invés de se "esconderem" atrás de uma "falsa semelhança", para que a adoção não pareça tão evidente. Trabalhar os próprios preconceitos e das pessoas ao nosso redor é o primeiro passo para isso. Adote a verdade, que adotar crianças mais crescidas e irmãos não é sempre mais difícil. As adoções difíceis são aquelas feitas por adotantes muito exigentes, inseguros, imaturos, que não dão tempo à criança de se adaptar, não a aceitam e não a entendem, que demonstram uma postura ameaçadora de um possível novo abandono ou pode se tornar difícil pela complexidade das circunstâncias, mas tem sempre um grande aprendizado 

Para acontecer uma adoção é preciso o desejo de amar e fazer dar certo, sem falsas expectativas. A vida de cada um é guiada e limitada pelas crenças ocultas. Investir no autoconhecimento e trabalhar os modelos familiares intergeracionais adoecidos faz parte da preparação. leia mais, pesquise. Em meu blog www.psicologiaeadocao.blogspot.com tem dezenas de textos meus e outros mais sobre adoção e psicologia de família.

Educar e cuidar de um filho é trabalhoso, seja biológico ou adotivo, mas o que faz tudo valer a pena é o amor, a capacidade de ver o lado encantador e mágico, de entender essa dialética, de ver a riqueza desse aprendizado. Quem conhece o amor deve ser capaz de educar os filhos e o mundo aos seu redor e só esse amor pode salvar tudo. Reafirmando um trecho de uma de minhas frases, "amar se aprende".



Revista E, SESC São Paulo

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Epifanias adotivas e o temor das adoções por casais homossexuais na Itália

Google Imagens
Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva
(Texto publicado na Itália)

Nesse período muito se fala na Itália sobre o casamento homossexual e se debate sobre as possíveis implicações que as uniões civis podem criar no nosso tecido social, em particular sobre a possibilidade de adotar e por isso senti a necessidade de contribuir através desta reflexão. Trabalho com adoção e avaliação psicológica há mais de 14 anos. Avaliei centenas de casos ao ano na 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador até 2009. Um dos meus livros publicados no Brasil em 2011 fala dos aspectos psicológicos da construção da família através da adoção. Escrevi dezenas de textos publicados sobre adoção e psicologia de família, sou uma pesquisadora. Me tornei um dos quatro psicólogos mais conhecidos no Brasil experts em adoção, chamada carinhosamente de "Fada da adoção" pela mídia e pelos pais. Moro na Itália por amor e não por necessidade e vim também a convite de trabalho, para ajudar casais italianos a adotarem crianças brasileiras, pela minha credibilidade e respeito, que muito orgulhosamente conquistei, e pelo trabalho que realizo com compromisso com a causa das crianças sem família. Neste momento, em que se discute na Itália o matrimônio gay, diante do grande temor da possibilidade da adoção de crianças por casais homossexuais, quero dizer que sou contra a ignorância e a obtusidade. O conhecimento e o amor podem salvar o mundo. Conheci por razões profissionais e tenho amigos com famílias compostas de dois pais e duas mães, feitas de amor, respeito e muita dignidade. Um filho adotado por um casal homossexual não se torna gay ou é infeliz por isso. O preconceito é que faz sofrer e não podemos nos dobrar diante dos preconceitos, mas educar quem ainda não ceita a necessidade de crescer e respeitar.
Existem filhos biológicos que crescem bem só com uma mãe ou um pai solteiro e, do mesmo modo, podem crescer com uma mãe ou um pai adotivo solteiro ou com dois pais ou duas mães e naturalmente escolherá fora do subsistema conjugal, composto por seus pais adotivos, uma outra figura substitutiva do gênero sexual oposto para tê-lo outro ponto de referência, que pode ser um tio ou uma tia, um avô ou uma avó, ou também um amigo ou uma amiga muito próxima da família, tendo assim uma vida sadia e crescendo muito bem, se faz parte de uma família harmoniosa, com pais maduros, e isso não está ligado à orientação sexual. É importante salientar que quem adota deve passar por um processo que avalia a pessoa em todos os sentidos, e se é psicologicamente equilibrado, capaz de criar e educar bem uma criança e a orientação sexual não é absolutamente um indicativo porque os critérios de avaliação apontam para a relação consigo mesmo e com a vida e se o desejo de adotar é baseado numa vontade genuína de ter um filho e não em outros objetivos escusos ou patológicos.
É contraditório quando certas pessoas que vivem em um país onde o aborto é legalizado (com algumas restrições), hipotetizam as mais assustadoras fantasias sobre a adoção por casais do mesmo sexo, sem conhecer ninguém que vive esta realidade. Essas pessoas demonstram não ter nenhum pudor, como se estivessem realmente preocupadas com as crianças sem família, mas nunca fizeram uma visita a um abrigo ou a uma casa lar para dar atenção ou apoio emocional às crianças que lá vivem.
Existem tantas famílias de pais heterossexuais que vivem em verdadeiras "guerras familiares", feitas de traições, mentiras e segredos, com pais fracos ou autoritários, desonestos, invasivos, super protetores, desrespeitosos, com valores éticos equivocados, que repetem os modelos familiares intergeracionais adoecidos, e criam filhos desequilibrados, depressivos, infelizes, rebeldes disfuncionais, que têm um péssimo relacionamento consigo mesmos e com os outros, que colocam no mundo outros filhos ainda mais infelizes, e se permitem de expressar pensamentos plenos de preconceito, sem jamais terem lido nada a respeito, sem informações de fontes científicas e objetivas, falando dos homossexuais como se não fossem humanos, como se a homossexualidade fosse uma doença. Essas pessoas não querem crescer, mudar, ao invés disso se reconhecer nas crenças religiosas, familiares e mediáticas mais egoístas. Famílias compostas de pessoas que acreditam que procurar um psicólogo não é uma necessidade inteligente para conhecer a si mesmo e melhorar o relacionamento com a própria vida e com o mundo, mas como uma última escolha, ou até mesmo uma alternativa para os ditos "loucos".

Antes as mulheres não podiam votar e agora que podem ser até presidentes de um Estado, algumas ousam a ser contra a adoção por casais do mesmo sexo. A sociedade deve amadurecer e evoluir apenas para alguns ou para todos os cidadãos?

Sejamos um poucos menos egoístas, olhemos para além do nosso umbigo, devemos aproveitar este momento para exigir uma reforma geral no campo da adoção, porque existe uma realidade demasiadamente dramática e invisível aos nossos olhos, são 168 milhões de crianças abandonadas para adotar, come explica o presidente da Ai.Bi. Marco Griffini num artigo no site "La Repubblica", escrito por Sara Ficocelli, em 19 de dezembro de 2012. Para entender, "é necessário imaginar colocar em fila indiana, bem pertinho, um atrás do outro: a linha humana que formam dá uma volta no mundo, é longa como a circunferência da Terra". Essas crianças vivem uma realidade de quase prisioneiros, em situação de infelicidade, de abandono e insegurança, são pequenos e sobretudo maiores, que querem somente amor, pais ou mães, segurança efetivo-emocional e educação, independentemente da orientação sexual dos futuros pais, até porque eles foram abandonados por seus genitores heterossexuais. Como disse Lidia Weber em de suas frases, eles querem acreditar que "a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino".

Eu tenho uma responsabilidade, sou uma formadora de opinião e não posso ser uma falsa moralista, medíocre e hipócrita, sou uma militante, uma ativista e lamento constatar que estamos na "pré- história" da mente humana, como disse Edgar Morin. Mas não quero ser uma vítima da história, eu quero participar da história, e você? Seja feliz e deixe os outros serem também. Não precisamos ser homossexuais, negros, portadores de deficiência, idosos, pobres, estrangeiros e crianças para lutar a
favor dos direitos deles, basta sermos humanos e termos uma atitude adotiva, ou seja, um coração que adota.
Cintia Liana Reis de Silva é uma psicóloga e psicoterapeuta brasileira, é mãe e casada com um psicólogo italiano. Vive e trabalha na Itália desde 2010. O seu blog www.psicologiaeadocao.blogspot.com recebe mais de 20.000 acessos ao mês.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Toda criança merece uma família

We Heart it

Toda e qualquer criança é "adotável". Toda e qualquer criança merece uma família e é digna do amor incondicional de pais que a queiram e a protejam acima de tudo.
Se amamos os nossos filhos, podemos amar qualquer outra criança independente da aparência física, cor, idade, sexo, limitações físicas. 
Refletindo, o quão é cruel pretender amar unicamente e só aquela criança que está dentro do perfil restrito da escolha para a adoção? 
Que em toda criança possamos ver os olhos e a alma dos nossos filhos e dos nossos futuros filhos.


Cintia Liana

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Conheça as diferenças entre apadrinhamento afetivo e adoção

Diário da Adoção

14.10.2015
EBC Rádios

A diferença é que a adoção torna a criança filho adotivo enquanto o padrinho afetivo se torna uma referência na vida da criança 

Apadrinhamento de criança é o mesmo que adotar? Você sabe a diferença? Para falar do assunto o Tarde Nacional conversou com a psicóloga e coordenadora do programa de Apadrinhamento Afetivo da ONG Aconchego, Maria da Penha Oliveira. Ela explica que há diferenças entre apadrinhamento afetivo e adoção. Na adoção, a criança se torna filho e os responsáveis passam a ter a guarda. Já o apadrinhamento é um encontro de amizade, de uma apessoa que será referência na vida da criança ou adolescente, mas ele não será responsável por ela, porque ela está sob a guarda da instituição de acolhimento.
"O apadrinhamento afetivo é um programa construído para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento, ou seja, nos abrigos, com remota possibilidade de adoção, ou de voltar para suas famílias de origem. O programa visa o encontro dessas crianças e adolescentes com pessoas da comunidade, no papel de padrinho ou madrinha", comenta.
Segundo a psicóloga a maioria das crianças e adolescentes que estão esperando o apadrinhamento afetivo estão com idade acima de 12 anos: "eles crescem na instituição com pouca referência do que é família, do que é a sociedade, do dia a dia da rotina familiar. Outra é que aos 18 anos, ele deverá sair da instituição e precisa ter um projeto de vida, para sustentar. É neste lugar, que o padrinho ou madrinha entra para ajudá-lo a construrir seu projeto de vida", esclarece.
Saiba quem pode se tornar um padrinho afetivo e quais os compromisso de quem quer apadrinhar afetivamente uma criança nesta entrevista ao Tarde Nacional, com Solimar Luz, na Rádio Nacional de Brasília.

OUÇA:


Fonte: Diário da Adoção (Facebook)

Projeto "Vem pra casa" - Série documentário sobre adoção

Giros Produtora

"Com especialista
A Giros prepara uma série documental sobre adoção. “Vem pra casa” será apresentada pela psicóloga Cintia Liana. A atração, de 13 episódios, ainda não foi negociada com canais. A produtora ganhou R$ 80 mil da RioFilme para o desenvolvimento do projeto."

__________

Agora é público! Foi destaque na coluna da Patricia Kogut, do Jornal "O Globo". 
Estou muito feliz! E o mundo da adoção só tem a ganhar com essa linda iniciativa da Giros Produções! Notinha em primeira mão. O projeto já tem vários fãs.

Fui convidada pela Giros em maio deste ano. Discutimos o projeto e logo fiquei apaixonada e confiante da competência da produtora Bianca Lenti e de sua equipe.

Depois li o projeto que iria ser apresentado à banca da RioFilmes e me emocionei com a sensibilidade dos roteiristas e como dominam o tema adoção. Prova disso foi ter sido um dos 10 escolhidos para a contemplação do investimento financeiro para o início do projeto.


Em uma das primeiras conversas pelo sSkype, perguntei como tinham chegado até mim e fui informada de que fizeram uma pesquisa em todo o Brasil, com um especialista em internet para descobrirem a pessoa ideal, e eu fui a apontada. Me sinto horada, orgulhosa e quero agradecer a todos vocês que seguem o meu blog, me acompanham, leem os meus posts, curte as minhas páginas, me escrevem pedindo conselhos, pedindo um "norte" nas monografias, pedindo indicações de bibliografia, que escrevem somente para dizer que gostam do que escrevo, para agradecer, etc.

Tenho certeza de que esse projeto da Giros será um sucesso e que vocês se emocionarão e se verão na telinha, porque nos 13 capítulos, contando histórias reais, falaremos de todas as modalidades de adoção com muito cuidado e amor, então tocará no coração de cada um e se reportará a história pessoal de todos vocês.

Abraços adotivos. Torçam por nós!

Cintia Liana

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Eu tentei amamentar o meu filho adotivo


05/08/2015
Por Luísa Massa

Luciane Cruz, 32 anos, é mãe do Noah, de 2 anos, administradora e idealizadora do blog Gravidez Invisível. Aqui, ela conta como foi vivenciar a experiência de amamentar o seu filho adotivo.


"Adotar uma criança sempre foi o plano principal da minha vida. Quando conheci o meu marido, compartilhei com ele esse sonho e juntos tomamos a decisão de formar a nossa família por meio da adoção. Escolhemos nos tornar pais dessa maneira porque não vemos diferença entre um filho biológico e um adotivo.

O fato é que algumas pessoas me perguntam se eu não posso ter filhos, então, respondo que sim: tanto posso, que já tenho. Entendo que, na verdade, elas querem saber se eu consigo engravidar. Sim, eu poderia passar por uma "gestação da barriga", caso optasse pelo caminho da inseminação artificial. Entretanto, esse nunca foi o meu desejo e nem o do meu marido. Serei eternamente grata a Deus por ter me abençoado com um pequeno príncipe por meio da adoção e estou "grávida de coração" novamente, esperando o meu segundo filho. Me sinto muito realizada como essa escolha!

Quando Noah nasceu para nós, ou seja, no momento em que ele chegou em nossas vidas, ele tinha apenas três dias. Eu já havia escolhido uma pediatra que também se tornou mãe por meio da adoção para acompanhá-lo. No segundo dia, o levamos para uma consulta - ele foi examinado e a médica nos passou orientações gerais sobre os cuidados que um bebê exige. Nesse dia, ela também perguntou se eu gostaria de amamentar. Confesso que, apesar de ter estudado bastante sobre adoção, maternidade e filhos, eu ainda não tinha pensado sobre essa questão. Mesmo assim, na hora respondi: "se for para o bem do meu filho, sim, eu quero!".

Então, a pediatra me receitou um medicamento cujo um dos efeitos colaterais é a produção de leite. Ela me explicou que além da depressão pós-parto, há a depressão pós-filho, pois a vida das mães adotivas também mudam do dia para a noite com a chegada de uma criança que depende exclusivamente dos pais. A médica disse o que eu deveria fazer para estimular a produção de leite e me mostrou as posições que eu deveria colocar o meu bebê para mamar. Estava bem nervosa porque esse era o único assunto que eu não tinha explorado na teoria, por isso, congelei no momento em que ela disse para eu me arrumar, pois ela mostraria como dar de mamar.

Apesar da ansiedade e do nervosismo, posso dizer que essa foi uma experiência muito especial para mim. Sentei na cadeira, tirei a blusa e meu marido colocou o pequeno no meu colo. Em seguida, a médica se aproximou e explicou como eu deveria colocar o bebê para mamar. Quando ela encostou a cabecinha dele no meu peito, ele prontamente pegou o seio e ficou sugando. Instinto de filho. Eu havia gestado esse bebê em meu coração por tantos anos e nós nos conhecíamos pessoalmente há apenas um dia, mas certamente ele reconheceu o meu cheiro. Eu ainda não tinha leite, afinal, nem tinha tomado a medicação, mas já existia tanto amor transbordando no meu peito que aquela "mamada" valeu por todas as outras que eu poderia vir a dar. Nesse momento, a emoção tomou conta da sala. Eu chorava incontrolavelmente, meu marido e a médica também estavam sensibilizados com a situação. Fiquei anestesiada por alguns dias.

Meu filho estava tomando fórmula desde o hospital, por isso, fomos orientados a continuar alimentando-o dessa maneira até que eu conseguisse produzir leite para amamentá-lo. O remédio fez efeito em aproximadamente duas semanas, mas Noah já estava acostumado com a mamadeira e a fórmula. Toda vez que eu tentava dar o peito, ele chorava muito e eu ficava nervosa com a situação. Meu marido também ficava apreensivo porque não queria vê-lo passar fome, então, acabávamos oferecendo mamadeira. Nos momentos em que eu ficava sozinha com o meu bebê, eu tentava amamentá-lo, mas ele não aceitava. Diferentemente de uma pessoa que tem um parto no hospital, eu não tive nenhum acompanhamento nos primeiros momentos para, por exemplo, certificar de que ele tinha aprendido a mamar. Infelizmente, não consegui seguir com a amamentação, mas Graças a Deus, o Noah é muito forte e saudável. Algo que também me incomodava eram as pessoas que queriam dar mamadeira para ele. Eu cedia com mais tranquilidade para o meu marido, mas ficava enciumada, pois acreditava que aquele era um momento especial para a mãe e o bebê.

Somente após um ano e meio do nascimento do meu filho, é que tomei conhecimento do trabalho da doulas. Hoje, percebo que teria sido maravilhoso contar com o suporte de uma profissional para me ajudar no pós-parto do coração. Para encerrar, espero que a minha história incentive todas as mães a amamentar, pois o leite materno é o alimento mais completo para a criança na primeira fase da vida, além do vínculo afetivo que é criado entre a mãe e o bebê. Para as mamães que terão os seus filhos por meio da adoção - no caso, recém-nascidos - tenham a certeza de que, sim, é possível amamentar! Basta ter uma boa orientação, paciência e acompanhamento - o que mais faltou para mim. Agora, se você tentou e não conseguiu, não se culpe ou julgue por isso. Existem alternativas para a alimentação dos bebês e é possível compensar essa "falta" com uma nutrição de carinho, cuidado e amor. Eu não me sinto "menos" mãe porque não tive uma "gestação de barriga" ou porque não amamentei. Muito pelo contrário: eu me sinto 100% mãe, pois amo o meu pequeno incondicionalmente. Eu sei que ele nasceu para ser o meu filho: esse é o verdadeiro amor, sem barreiras ou medidas!"


Por Luísa Massa

O amor é artigo de luxo


Filme "Pedaço de mim"


Filme "Pedaço de mim"
https://www.facebook.com/pedacodemimofilme?hc_location=ufi
Teaser do filme: https://vimeo.com/83789678

Mãe; 

Obrigado, não só por comprar nossa ideia. Obrigado pelas asas que construí através da educação que você e meu pai me forneceram, pela estrutura familiar que tenho, e pelas oportunidades de me preparar para as guerras que a vida nos impõe. 
A vitória sobre os leões que já matei e os que matarei dia após dia neste caminho difícil que escolhi percorrer, devo ao seu amor e ao seu suor - tanto quanto aos do papai. Eu amo você com minha barriga e minha alma! rs
Essa frase da camisa é uma conclusão que entendi a partir da sua existência para com a minha existência - e o que torna lindo é sentir o quão universal é o Amor quando praticado dessa maneira.
MUITO OBRIGADO! ")

Dante Valvassori



quarta-feira, 29 de julho de 2015

O valor da adoção e da verdade

We Heart it


Por Cintia Liana Reis de Silva para a Revista Negócios & Cia (Salvador-BA) e para o Guia Indika Bem (Publicado o dia 25 de junho de 2015)

A cada ano que passa é muito mais fácil ver pais ou futuros pais que entendem o valor de se instaurar a verdade sobre a adoção no lar, que sabem que esse é o caminho a ser trilhado na educação dos filhos, afinal hoje a adoção é um assunto cada vez mais debatido, cujos tabus vêm sendo rompidos e trabalhados. Já escrevi muitos textos sobre o assunto. Não há vergonha alguma em ter sido adotado, ao contrário, houve uma escolha consciente para se formar uma família, onde não foi o acaso que falou mais alto, foi o amor.

Mas como nunca é demais tocar novamente no assunto, proponho mais reflexões.

Os pais devem sempre se lembrar que é preciso falar sobre o processo de tornar-se pai, mãe e filho desde que a criança chega no lar, mesmo que pequenininha. Ela deve saber que os vínculos de amor se formam na convivência e na intenção de amar, de acolher, ou seja, na atitude adotiva. Com todos os membros da família é assim, até com os filhos biológicos.

Não espere que o seu filho pergunte. Se ele não sentir que você está seguro em falar sobre a chegada dele, ele não te perguntará. Então se prepare e entenda que mesmo sem vínculos consanguíneos vocês se amam e nada mudará isso. Faça questão do amor do seu filho, esteja seguro desse amor, esteja seguro de que você o merece. Isso fará bem a todos. Se você não se sente seguro, procure um terapeuta e invista em seu crescimento pessoal, isso certamente refletirá na felicidade do seu filho.

Reflita. Se você descobrisse hoje que o seu filho não é seu filho biológico, isso mudaria o teu amor por ele? Mas seria um choque descobrir isso após 10 anos, não? Então acredite, ser adotado ou não, não muda em nada o amor que o seu filho sente por você, mas saber disso após os dez anos de idade pode ser bem desagradável e traumático.

Ser adotado não é uma deficiência, não é um problema. Se os outros são preconceituosos é um problema deles. Os preconceituosos é que têm uma deficiência. O preconceito reflete um forte dificit de inteligência e visão, é uma grande limitação. Ensine o seu filho a educar as pessoas, a ser um formador de opinião, a falar sobre adoção de uma forma bonita (isso não inclui contar a todos a história dele). O ensine a incluir e a acolher as pessoas que merecem, ao invés de se marginalizar, como se ele fosse um coitadinho, uma vítima do destino. Incluam também a escola nesse diálogo.

Concordando com a psicóloga argentina Laura Gutman, em seu livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra” (Editoral Del Nuovo Estremo, Buenos Aires, 2008, p. 145), parece que as crianças que foram adotadas possuem uma força excepcional e uma determinação enorme para superar dificuldades. Gutman crê que esta qualidade as faz de qualquer maneira donos dessa luz que os outros não veem e de um poder que os outros não detém. Ela diz também que estes encontros devem ser celebrados com um encantamento especial, já que aconteceram porque existiu o desejo de cuidar e amar um filho, e graças a um “chamado insistente” da criança, que de qualquer modo endereçou os pais até ela. São acontecimentos a serem valorizados, compartilhados, festejados como um matrimônio, como um nascimento, como formaturas e não a esconder ou dizer em voz baixa. Merecem ser festejados como uma maravihosa manifestação da força humana.

Já escutei e participei de centenas de histórias de adoção e já senti o quanto essas histórias são fortes e carregadas de amor e intensa emoção: quando se encontra pela primeira vez o filho, quando recebe a certidão de nascimento nova nas mãos, o quanto se festeja e se chora. Então é essa emoção que deve permanecer, que deve ser festejada a cada ano, que deve ser lembrada sempre e que deve servir para incluir as pessoas nessa felicidade.

Os seres humanos, em sua estrutura psíquica neurótica (quando não são psicóticos ou psicopatas), crescem com a sensação de inferioridade e tendem sempre a compreender que o mundo trabalha contra eles, que os desvaloriza, então é um exercício muito importante trabalhar esse padrão neurótico que todos têm e compreender que o outro, assim como nós, tende a achar que o diminuímos, que ele está sendo desvalorizado. A grande tarefa é nos sentirmos importantes por aquilo que representamos de bom, buscando internamente o nosso senso de valor, de humanidade, e só assim poderemos valorizar os outros, criando uma energia de gentileza e respeito que fará bem a todos. Quero dizer com isso que, não olhe para o seu filho como um pobrezinho, pois ele sente e se sente como você o vê. Olhe para ele como um grande homem e passe valores de um grande homem, contado a verdade sobre a sua origem de acordo com o seu grau de maturidade, pois todo ser humano merece integrar e entender a sua história para se sentir dono da sua própria vida, forte e inteiro.

Por Cintia Liana Reis de Silva para a Revista Negócios & Cia (Salvador-BA) e para o Guia Indika Bem (Publicado no dia 25 de junho de 2015)

Fonte: http://indikabem.com.br/filhos/o-valor-da-adocao-e-da-verdade

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Fotógrafa retrata dia a dia de irmãs para mostrar que não há diferença entre filhos adotivos e biológic

Fotos: Reprodução/Anna Larson

Anna Larson é mãe das garotas e tem muito orgulho da relação das duas.

R7

Existe um certo preconceito em torno da palavra "adoção". Apesar de ser um ato nobre e comum, adotar uma criança ainda é tido como um "fardo" para algumas pessoas. Anna Larson, mãe de três filhos, sendo dois biológicos e uma adotiva, resolveu mostrar que, na verdade, a adoção não é nada mais, nada menos do que dividir e recriar o amor.


Em uma série fotográfica que ela intitulou de Barely Different (Pouco Diferente, em tradução para o português), Anna procurou retratar o dia a dia de Haven e Semenesh, suas duas filhas.

Sua vontade de adotar uma criança surgiu logo em sua adolescência ao participar voluntariamente de um centro de cuidados infantis no Haiti.

Entretanto, a criança que havia conquistado o coração de Anna na época veio a falecer enquanto ainda estava aos seus cuidados.

A partir deste momento, a fotógrafa ficou ainda mais determinada em adotar uma criança.

Foi neste momento em que ela conheceu Semenesh, uma garotinha da Etiópia, que, em pouco tempo, se tornou a sua garotinha etiopiana.

Desde a adoção, Samenesh e Haven desenvolveram uma amizade como Anna nunca havia visto antes.

As duas irmãs desenvolveram uma amizade sem igual e estão sempre brincando juntas, como é possível ver no trabalho de Anna.

Segundo a mamãe orgulhosa, a conexão das duas mostra como o amor e o companheirismo estão acima de qualquer preconceito.  



Além da conexão afetiva, as duas também comemoram aniversários no mesmo mês, em setembro.

Nas imagens, as duas são vistas sempre juntas, seja em brincadeiras ou até mesmo lendo um belo livro.

Em seu Instagram, Anna também gosta de compartilhar momentos únicos das garotas.

— Elas sabem que muitos estão lendo nossa história e estão muito felizes em poder compartilhar fotos de seu vínculo. Nós não poderíamos estar mais felizes de ver tanto apoio e respostas positivas de todos aqueles que sentem o mesmo. O amor não conhece barreiras.

Além de retratar a cumplicidade entre as duas irmãs, Anna também gosta de celebrar o amor.

Em seus ensaios fotográficos, Anna não deixa de mostrar casais apaixonados e a felicidade, além de mostrar toda a sua gravidez por meio de cliques emocionantes.

Fonte: http://entretenimento.r7.com/mulher/fotos/fotografa-retrata-dia-a-dia-de-irmas-para-mostrar-que-nao-ha-diferenca-entre-filhos-adotivos-e-biologicos-19052015#!/foto/1