"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A psicóloga Cintia Liana na rádio italiana


Caros amigo e leitores, 
esse é o link da minha primeira entrevista em italiano. 
Falei sobre a minha chegada na Itália, psicologia neonatal, a importância da amamentação e psicologia familiar. 

Comecei amamentando. Militando. 
🙏


Programa By Night Roma, na "RadioRadio", FM104,5. 

🎧🎤🎙📻🎥

Acessem:

https://www.facebook.com/RadioRadioByNightRoma/videos/1449333915121243/?hc_ref=ARSRYYsO2pMGmRpdQQrUGLDOEVQEYQsTnh-rnKkX-SXBhxOzcmvNKIJi7M3OLZ9EM2o&pnref=story

A psicóloga Cintia Liana. 
Apoiando a amamentação.





A psicóloga Cintia Liana 
na "RadioRadio", FM104,5, em Roma, Itália. 

🎧🎤🎙📻🎥



domingo, 6 de novembro de 2016

A Cólica - Por Dr. Carlos González

Palavras que iluminam a vida. 
A cólica que não é cólica.

Foto: Lugar da Mulher

Por Dr. Carlos González

Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente. 
Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).

Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.

Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).

Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.

No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.

A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria se acalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).

Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)

1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.


No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.

Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais, ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?

Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7

Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003


Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier

terça-feira, 21 de junho de 2016

Quando estou no seio não é apenas o leite que me alimenta

Foto retirada da página Facebook "Infância e Maternagem"


Não é só o leite que ele busca encontrar no seio. É um conjunto de sinais que são primordiais e indispensáveis para a sobrevivência nutricional e segurança emocional.
Uma experiência de satisfação está conectada ao desejo materno: a troca de olhares entre a mãe e o bebê, o som da voz, o cheiro, o toque e a capacidade de reagir frente a todas as posturas do bebê, atribui um sentido pleno de comunicação mútua durante a amamentação.
A amamentação promove um encontro entre dois seres numa mesma existência, são dois espaços individuais unidos por um laço afetivo forte e seguro. 
É uma vivência de sentidos incondicionais, que nem sempre é fácil, muitas mulheres necessitam de apoio, orientação, e compreensão para estabelecer bases seguras para um aleitamento saudável e duradouro. 
Sou mamífera assumida. Abro mão de muitas coisas para viver esse momento com a plenitude que alcançamos, considerando o início doloroso, a esperança é que o final seja prazeiroso e calmo, com os sinais naturais, bem incentivados e apoiados para a separação sadia.
Somos mamíferas!


Carol Arruda Mello

Lei que multa quem proibir mãe de amamentar em público entra em vigor

Ela impõe pagamento de R$ 500 em caso de violação em SP. Denúncias devem ser feitas às subprefeituras das regiões.


Do G1 São Paulo
14.10.2015
  
A lei que prevê uma multa de R$ 500 a quem impedir a amamentação em público entrou em vigor nesta quarta-feira (14) em São Paulo. Em caso de reincidência, o valor dobra.

A medida, publicada no Diário Oficial de São Paulo nesta quarta, prevê a punição a quaisquer estabelecimentos "destinados a atividades comerciais, culturais, recreativas ou à prestação serviço público ou privado" que impedirem a mãe de amamentar o filho, dentro de suas instalações. O decreto ainda prevê multa dobrada "no caso de registro da mesma infração dentro do período de dois anos" desde a primeira ocorrência.

As denúncias devem ser feitas, de forma escrita ou oral, à subprefeitura da região, e não podem ser anônimas. Confirmadas as denúncias, o infrator deverá pagar ou apresentar defesa dentro de 15 dias. Cabe um único recurso, também em 15 dias.

O prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou em abril a lei para garantir o aleitamento materno em qualquer estabelecimento de São Paulo. A lei detalha que o estabelecimento não precisa ter "área segregada" para amamentação.

"Todo estabelecimento localizado no Município de São Paulo deve permitir o aleitamento materno em seu interior, independentemente da existência de áreas segregadas para tal fim. Para fins desta lei, estabelecimento é um local, que pode ser fechado ou aberto, destinado à atividade de comércio, cultural, recreativa ou prestação de serviço público ou privado", de acordo com o texto.

O projeto de lei é do vereador Aurélio Nomura (PSDB) e foi proposto após uma mãe ter sido orientada a não amamentar seu filho em público no Sesc Belenzinho, na Zona Leste, em 2013. A proibição gerou grande repercussão na internet e mães realizaram amamentação coletiva ("mamaço") no Sesc.

Na ocasião, o Sesc Belenzinho pediu desculpas pelo ocorrido. A administração informou que uma funcionária nova teria indicado a sala de amamentação à mãe. Uma segunda funcionária presenciou o diálogo e corrigiu a orientação.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/lei-que-multa-quem-proibir-mae-de-amamentar-em-publico-entra-em-vigor.html


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O poder das mães e da amamentação

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva


Se prepare do modo certo para ser mãe, se conheça, desarme-se, humanize-se, esqueça as teorias do senso comum, as repetições, e se já é, vou te dizer:
Um bebê não usa o peito da mãe como chupeta, ela usa o peito como peito, como calor, como aconchego, como busca de afeto, de segurança, como uma deliciosa fonte que jorra estímulo para a sua oralidade na descoberta inicial do mundo fora da ventre. Amamentar vai muito além da alimentação e muito além que qualquer compreensão. Se ele quiser ficar no peito é porque ele precisa, então não comece a guerrear para medir quem tem mais forças e para provar autoridade colocando regras que não fazem nenhum sentido para ele e não servirão de nada, só irá contra a natureza do bebê. Deixe ele mamar, se ele quer é porque ele precisa, e só ele sabe quando, por quanto tempo e porque precisa. E mais, autoridade não se prova, ou se tem ou se não tem. Sinta ela dentro de você e faça o que a tua genuína natureza te pede. 
Se ele quiser ficar horas no peito e você estiver bem, relaxe, deixe, quanto mais se mama mais leite se produz. Durma com ele, acorde com ele. Não deixe ele chorar, não deixe ele esperar. Não deixe que ele perca a capacidade de acreditar no outro já nos primeiros meses de vida.
Leia, se informe sobre o que há de mais humano na maternidade, sobre a alma, não sobre regrinhas absurdas e desumanas. Teu filho acabou de nascer, ele não precisa ser "adestrado".
Esqueça tudo mesmo, deixe os pratos sujos de lado, se não puder não atenda ao telefone algumas vezes, deixe o teu filho dormir sobre o teu peito, isso traz paz e aumenta muito mesmo a produção de leite. Esqueça todas as teorias educativas capitalistas abusivas, ao menos nesses primeiros meses de vida e não se sinta culpada porque elas não servem de nada, só trazem tristeza e sentimentos contraditórios.
Seja mãe com M maiúsculo. Acredite na tua intuição. Pense na possibilidade de fazer terapia, ou de consultar um psicólogo de família que seja um profissional sensível, pois o bebê até os 2 primeiros anos é um reflexo intenso do que ocorre na parte oculta da psiquê materna. Questione os seu modelos familiares para ver a vida com mais lucidez e ser uma mãe mais atenta e mais bem resolvida. É difícil, mas é possível. 
Teu filho é como um animalzinho que precisa do teu calor, da tua voz, da tua segurança, da tua inteireza, da tua disponibilidade, faça o que pede o teu coração cheio de amor e de emoção por ter ao teu lado um verdadeiro tesouro que estará contigo por toda a vida, então se entregue porque num piscar de olhos você vai estar com saudades desses mágicos momentos e o teu filho estará grande, autônomo e será um ser humano feliz, realizado e seguro por ter tido tudo o que você poderia ter dado a ele de mais sagrado naqueles preciosos instantes.
As mães têm o poder de salvar o mundo porque o amor tem o poder de mudar o mundo. 

Gisele Bundchen amamentando

Imagem do dia. Rica de espírito.
Amamente!

Gisele Bundchen amamentando
Gisele Bundchen amamentando

Resposta de Camila Mendes ao texto preconceituoso de Karina Moreno

Gisele Bundchen amamentando

Por Camila Mendes

Moça, hoje eu tive a infelicidade de ver seu texto rolando pelas páginas alheias. Primeiramente, veio o choque de em pleno século XXI, ainda me deparar com essa"nutrizfobia" (sim, eu acabei de inventar essa palavra).
Moça, me perdoe o teor da palavra, mas eu achei de uma ignorância tremenda o que você postou. E para a ignorância, só existe um remédio: A luz da ciência. E rebaterei com fatos, as falácias que você comentou.

Amamentar não é coisa de pobre ou rico. É coisa de mamífero. É instinto. Você fazendo veterinária deve saber do que eu digo.
Mamadeira/fraldinha não é bom senso. É infelizmente, um consenso tomado por uma sociedade por vezes machista, que erotiza o peito. 
Segundo a OMS, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a SPSP, o aleitamento materno deve ser oferecido até os 2 anos, NO MÍNIMO. 
Outro dado importante: até os 12 meses, o principal alimento para o bebê é o leite materno. Outros alimentos são apenas complementos.
A livre demanda, é estipulada pelo binômio mãe-bebê ( lembra daquela brincadeira de sexta série: a conversa é entre A e B, (vo)Cê tá fora? - é, então.)
Acho que você já sabe que mulheres não se transformam em vacas né. Somos de espécies diferentes. Eu pelo menos sou. 
O governo estimula sim o aleitamento materno. E você quase acertou!
Mas não é pensando no cálculo de latas x filhos x dinheiro empregado, é pensando na redução da taxa de mortalidade infantil, de diarreia, de desnutrição, de depressão pós-parto, de câncer de mama, de APLV ( que aumenta graças ao uso da lata que você idolatra) É porque o governo sabe que órgãos competentes e publicações mundiais desenvolvem, ano após ano, pesquisas sobre a importância do leite materno, para diversas questões, dentre elas,o aumento do QI, da imunidade, do vínculo, do estímulo a sabores diferentes, a saciedade ( que futuramente impedirá a criança de desenvolver DM e obesidade - " o mamar mais fácil na mamadeira" tem seus contras também, cherie.)
Por fim, deixa só eu te contar uma coisinha: 
A mamadeira dificulta o amadurecimento da musculatura orofacial. Pode provocar roncos e mordidas cruzadas... a criança não fica mais tranquila. Muitas das vezes, ela está abarrotada, porque a fórmula sai mais rápido que no peito e a pobre da criança não tem seus reflexos de saciedade estabelecidos. Dorme melhor? Não.
E sabe o que você leva pra qualquer lugar, sem se preocupar se azedou, sem esquentar no microondas na mamadeira cheia de bisfenol? PEITO.

Te deixo com uma foto de uma moça "bem pobre" amamentando.
( E se quiser sair dessa escuridão, eu te passo todos os links dos estudos que eu citei.)
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1091623394181079&set=a.195050757171685.53072.100000002856716&type=3

Mulher diz que amamentar é "coisa de pobre" e gera revolta com foto no Facebook

Bolsa de Mulher

Site Bolsa de Mulher

Uma publicação que se espalhou recentemente pelo Facebook vem gerando polêmica. A postagem, em tom de crítica, foi feita por uma mulher depois de presenciar uma cena de amamentação em público. Ela disse que deveria haver bom senso e classificou o fato como "coisa de pobre". Além disso, expôs, sem autorização, uma foto da mulher e da criança que mamava no colo da mãe, em uma bicicleta.

Crítica ao aleitamento materno

"Pobre fazendo pobrice! Vai em um bairro nobre, ou em um restaurante fino para ver se encontra uma mulher com o peito para fora?! Jamais. Elas levam mamadeira! Como eu fazia! Ou, no mínimo, colocam uma fraldinha para tapar o peito! Isso se chama bom senso", publicou. Muitas pessoas, especialmente mães, se revoltaram com a publicação, que já teve mais de 12 mil compartilhamentos, a grande maioria criticando as colocações.
No mesmo post, ela insinuou que a mulher estaria querendo aparecer, já que a partir dos seis meses a criança já começa a comer outros tipos de alimentos, fazendo com que não haja mais necessidade de amamentar a qualquer momento e em qualquer lugar. E defendeu o uso de mamadeira de de fórmulas artificiais em substituição ao leite materno. "Essa história de amamentação é um programa de incentivo do governo para fazer as coitadas das pobres virarem umas vacas leiteiras e ficarem amamentando até os dois anos de idade. Economia para o governo! Imagina se toda a 'pobraiada' que se empenca de filhos resolvesse dar mamadeira com NAN para toda a sua penca? O governo estava 'lascado'", disse.
Ela afirmou ainda que quem tem dinheiro não segue esse incentivo para amamentar e que ela mesma nunca amamentou seu filho, que hoje é lindo e saudável. "O NAN hoje em dia é completamente igual ao leite materno em questão de nutrição. Não tem mais necessidade de amamentar dessa maneira. O mundo está evoluindo! Só que custa muito caro. Mas eu optei por isso. A criança mama com mais facilidade, fica mais tranquila, dorme melhor, não tem dor de barriga e você leva a mamadeira para qualquer lugar e não passa vergonha com o peito de fora. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida", finalizou.

Importância da amamentação

Essas afirmações, no entanto, não condizem com o que os médicos orientam. O leite materno tem todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê e, por isso, é recomendado de forma exclusiva e em livre demanda (ou seja, sempre que o bebê sentir vontade) até os seis meses. As fórmulas infantis só devem ser oferecidas quando houver prescrição do pediatra e apenas nos casos em que, por algum motivo, as mães não conseguirem amamentar. 
O pediatra Moises Chencinski explica que o leite materno é adequado em qualquer faixa etária e defende a ideia de desmame natural, sem especificar uma idade para que isso aconteça. E mesmo com a introdução de alimentos, as crianças podem mamar no seio da mãe até os dois anos de idade, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O médico diz que a própria criança, em seu tempo, irá deixar de ter necessidade do leite materno e deixará de mamar.
Revolta das mães
Muitas mulheres, indignadas com o post, compartilharam a publicação e se revoltaram contra a autora do texto. Alguns comentários publicados na rede: "Como pode fazer uma publicação dessa?", "Quanta ignorância em um texto", "Então fiz pobrice o tempo que pude... e amei!", "Que mulher desinformada! Preconceituosa! Amamentação é amor!" e "Provou que dinheiro não é sinônimo de inteligência, informação e coerência. Palmas para a verdadeira pobre da história", "Pra quem fez medicina veterinária, você desconhece muito (mas muito mesmo) o assunto. Qualquer pobre, inclusive, entende mais de alimentação de mamíferos que você. Como pode ver, dinheiro compra diploma, mas não inteligência". 
Veja o post completo
"POBRE FAZENDO POBRICE! Vai em um bairro nobre, ou em um restaurante fino pra vc ver se encontra mulher com o peito pra fora?! Kkkkkkkkk! JAMAIS! Elas levam mamadeira! Como eu fazia! Ou no mínimo colocam uma fraldinha pra tapar o peito! Isso se chama BOM SENSO! Essa ridícula aí ta querendo aparecer! E outra, depois dos 6 meses a criança já começa a comer outros tipos de alimentos e não é necessário ficar amamentando a qlq momento e em qlq lugar não! Essa história de amamentação é um programa de incentivo do governo pra fazer as coitadas das pobres virarem umas vacas leiteiras e ficar amamentando até 2 anos de idade! Economia pro governo! Imagina se toda a pobraiada que se empenca de filhos resolvessem dar NAN (mamadeira) para toda a sua penca? O governo tava lascado! Eles incentivam amamentação e cada uma q se vire com os peitos mesmo.... Agora, quem tem dinheiro não segue esse incentivo... Eu nunca amamentei meu filho e ele é lindo e saudável! O NAN hj em dia é completamente igual ao leite materno em questão de nutrição! Hoje em dia não tem mais necessidade de amamentar dessa maneira! O mundo ta evoluindo gente! Só que custa muito caro! Mas eu optei por isso... A criança mama com muito mais facilidade, fica mais tranquila, dorme melhor, não tem dor de barriga e vc leva a mamadeira pra qlq lugar e não passa vergonha com o peito de fora... Foi a melhor coisa que fiz na minha vida!"
Fonte: http://www.bolsademulher.com/bebe/mulher-diz-que-amamentar-e-coisa-de-pobre-e-gera-revolta-com-foto-no-facebook/?utm_source=facebook&utm_medium=manual&utm_campaign=BolsaFB

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Eu tentei amamentar o meu filho adotivo


05/08/2015
Por Luísa Massa

Luciane Cruz, 32 anos, é mãe do Noah, de 2 anos, administradora e idealizadora do blog Gravidez Invisível. Aqui, ela conta como foi vivenciar a experiência de amamentar o seu filho adotivo.


"Adotar uma criança sempre foi o plano principal da minha vida. Quando conheci o meu marido, compartilhei com ele esse sonho e juntos tomamos a decisão de formar a nossa família por meio da adoção. Escolhemos nos tornar pais dessa maneira porque não vemos diferença entre um filho biológico e um adotivo.

O fato é que algumas pessoas me perguntam se eu não posso ter filhos, então, respondo que sim: tanto posso, que já tenho. Entendo que, na verdade, elas querem saber se eu consigo engravidar. Sim, eu poderia passar por uma "gestação da barriga", caso optasse pelo caminho da inseminação artificial. Entretanto, esse nunca foi o meu desejo e nem o do meu marido. Serei eternamente grata a Deus por ter me abençoado com um pequeno príncipe por meio da adoção e estou "grávida de coração" novamente, esperando o meu segundo filho. Me sinto muito realizada como essa escolha!

Quando Noah nasceu para nós, ou seja, no momento em que ele chegou em nossas vidas, ele tinha apenas três dias. Eu já havia escolhido uma pediatra que também se tornou mãe por meio da adoção para acompanhá-lo. No segundo dia, o levamos para uma consulta - ele foi examinado e a médica nos passou orientações gerais sobre os cuidados que um bebê exige. Nesse dia, ela também perguntou se eu gostaria de amamentar. Confesso que, apesar de ter estudado bastante sobre adoção, maternidade e filhos, eu ainda não tinha pensado sobre essa questão. Mesmo assim, na hora respondi: "se for para o bem do meu filho, sim, eu quero!".

Então, a pediatra me receitou um medicamento cujo um dos efeitos colaterais é a produção de leite. Ela me explicou que além da depressão pós-parto, há a depressão pós-filho, pois a vida das mães adotivas também mudam do dia para a noite com a chegada de uma criança que depende exclusivamente dos pais. A médica disse o que eu deveria fazer para estimular a produção de leite e me mostrou as posições que eu deveria colocar o meu bebê para mamar. Estava bem nervosa porque esse era o único assunto que eu não tinha explorado na teoria, por isso, congelei no momento em que ela disse para eu me arrumar, pois ela mostraria como dar de mamar.

Apesar da ansiedade e do nervosismo, posso dizer que essa foi uma experiência muito especial para mim. Sentei na cadeira, tirei a blusa e meu marido colocou o pequeno no meu colo. Em seguida, a médica se aproximou e explicou como eu deveria colocar o bebê para mamar. Quando ela encostou a cabecinha dele no meu peito, ele prontamente pegou o seio e ficou sugando. Instinto de filho. Eu havia gestado esse bebê em meu coração por tantos anos e nós nos conhecíamos pessoalmente há apenas um dia, mas certamente ele reconheceu o meu cheiro. Eu ainda não tinha leite, afinal, nem tinha tomado a medicação, mas já existia tanto amor transbordando no meu peito que aquela "mamada" valeu por todas as outras que eu poderia vir a dar. Nesse momento, a emoção tomou conta da sala. Eu chorava incontrolavelmente, meu marido e a médica também estavam sensibilizados com a situação. Fiquei anestesiada por alguns dias.

Meu filho estava tomando fórmula desde o hospital, por isso, fomos orientados a continuar alimentando-o dessa maneira até que eu conseguisse produzir leite para amamentá-lo. O remédio fez efeito em aproximadamente duas semanas, mas Noah já estava acostumado com a mamadeira e a fórmula. Toda vez que eu tentava dar o peito, ele chorava muito e eu ficava nervosa com a situação. Meu marido também ficava apreensivo porque não queria vê-lo passar fome, então, acabávamos oferecendo mamadeira. Nos momentos em que eu ficava sozinha com o meu bebê, eu tentava amamentá-lo, mas ele não aceitava. Diferentemente de uma pessoa que tem um parto no hospital, eu não tive nenhum acompanhamento nos primeiros momentos para, por exemplo, certificar de que ele tinha aprendido a mamar. Infelizmente, não consegui seguir com a amamentação, mas Graças a Deus, o Noah é muito forte e saudável. Algo que também me incomodava eram as pessoas que queriam dar mamadeira para ele. Eu cedia com mais tranquilidade para o meu marido, mas ficava enciumada, pois acreditava que aquele era um momento especial para a mãe e o bebê.

Somente após um ano e meio do nascimento do meu filho, é que tomei conhecimento do trabalho da doulas. Hoje, percebo que teria sido maravilhoso contar com o suporte de uma profissional para me ajudar no pós-parto do coração. Para encerrar, espero que a minha história incentive todas as mães a amamentar, pois o leite materno é o alimento mais completo para a criança na primeira fase da vida, além do vínculo afetivo que é criado entre a mãe e o bebê. Para as mamães que terão os seus filhos por meio da adoção - no caso, recém-nascidos - tenham a certeza de que, sim, é possível amamentar! Basta ter uma boa orientação, paciência e acompanhamento - o que mais faltou para mim. Agora, se você tentou e não conseguiu, não se culpe ou julgue por isso. Existem alternativas para a alimentação dos bebês e é possível compensar essa "falta" com uma nutrição de carinho, cuidado e amor. Eu não me sinto "menos" mãe porque não tive uma "gestação de barriga" ou porque não amamentei. Muito pelo contrário: eu me sinto 100% mãe, pois amo o meu pequeno incondicionalmente. Eu sei que ele nasceu para ser o meu filho: esse é o verdadeiro amor, sem barreiras ou medidas!"


Por Luísa Massa

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ainda dormem com vocês?


Por Eva Carnero
15 de dezembro de 2014

A expressão “criação com apego” (attachment parenting), cunhada pelo pediatra norte-americano especializado em paternidade William Sears, inspira-se nos princípios da teoria do apego formulada pelo psiquiatra John Bowlby em 1969, que sustentava que a criação de um forte laço emocional com os pais durante a infância é condição prévia e imprescindível para o desenvolvimento emocional correto e o estabelecimento de relações pessoais saudáveis na idade adulta.
Há alguns anos, observa-se na sociedade uma clara tendência para a adoção dos preceitos que acompanham esse tipo de criação, como demonstram discursos públicos de mães famosas, como as atrizes Elsa Pataky e Mayim Bialik (das séries Blossom e The Big Bang Theory). Entretanto, há quem questione algumas de suas recomendações. O respeitado pediatra Carlos González, autor de numerosos livros relacionados com esse tema, entre eles Bésame Mucho – Como Criar os Seus Filhos com Amor, é uma das vozes que esclarecem: “A teoria do apego não é a mesma coisa que a criação com apego, uma expressão popular de significado incerto que parece ter se resumido em pegar a criança nos braços, amamentá-la e dormir com ela. Entretanto, a teoria do apego, a verdadeira, que se apoia nos oito princípios publicados no website da Attachment Parenting International (API), não diz isso”.
“A criança estabelece um enlace emocional com os pais quando vê que, habitualmente, suas necessidades são atendidas e seu pranto é consolado. Ou seja, quando vê que lhe fazem caso”, assinala González. Nessa mesma linha, a psicóloga clínica Laura Rojas-Marcos afirma que a chave para estabelecer um vínculo forte é que a criança se sinta “protegida, querida e segura”. Ela compartilha com Bowlby a importância do apego firme para “criar e desenvolver os pilares de que uma pessoa necessita para ter uma vida adulta com menos medo”.
Até aqui, todos de acordo. O fato de uma criança se sentir protegida terá um bom reflexo em sua vida adulta. Mas quais são os limites desse abrigo ou apego? E sua relevância? Será que o carinho é uma necessidade mais básica que o próprio alimento? O certo é que os resultados obtidos em numerosos estudos indicam que isso não está longe da verdade. Muitos dos trabalhos do psicólogo Harry Harlow concluem que o ser humano tem uma necessidade universal de contato físico, independentemente da cultura em que viva.
Para chegar a essa afirmação, o especialista se apoia em um de seus numerosos experimentos com macacos rhesus, que resultaram em sua teoria da “mãe macia”. Basicamente, nesse trabalho o psicólogo separou vários bebês de suas mães logo após o nascimento. Depois, fez dois bonecos – um de pelúcia com a mesma aparência das mães e o outro, de arame e segurando uma mamadeira. Diante das duas “mães”, o macaco bebê se aproximava da que segurava o alimento só quando queria comer, e no resto do tempo ficava junto do boneco de pelúcia, suave e quente. Havia até mesmo ocasiões em que, enquanto ele comia, uma parte de seu corpo estava em contato com a “mãe macia”.
“Obviamente, a alimentação é importante na hora de criar um vínculo, mas o que se estabelece através da sensação de carinho e proteção é a base do apego seguro”, destaca Laura Rojas-Marcos. Para isso, não é preciso dormir com seu filho, nem se estressar se ele chorar por mais de cinco minutos seguidos, nem o amamentar até os 6 anos, como defendem hoje em dia muitas associações de criação com apego.
Nessa linha se situa o chamado “leito compartilhado” – quando pais e filhos dividem a cama até que estes últimos decidam ir para seu próprio quarto. O pediatra Carlos González, embora não se oponha a essa prática, nega que exista uma relação entre dormir com seu filho e criar com ele um maior vínculo.
“E a prova é que na época em que era proibido dormir com os filhos pequenos na mesma cama [na Idade Média, por determinação da Igreja, filhos e pais não podiam dormir juntos por causa da proliferação de casos em que os lactantes morriam esmagados], a maior parte deles desenvolveu um apego firme. A única diferença que vejo é que suas mães tinham de se levantar várias vezes durante a noite para ir consolá-los. Colocar a criança em outro quarto me parece simplesmente incômodo”, afirma o especialista. Ele defende a mudança da criança para outro quarto quando ela expressar seu desejo, por comodidade para a família. Também se considera leito compartilhado encostar o berço à cama dos pais.
Já Laura Rojas-Marcos tem uma posição mais próxima à rejeição dessa prática, insistindo que é importante que as crianças durmam sozinhas. “Em minha opinião, não é bom nem para a criança nem para o casal, já que favorece o desenvolvimento de personalidades dependentes”, diz a psicóloga. Mas ela reconhece haver crianças que precisam de mais tempo para deixar o quarto de seus pais, por isso é partidária de que haja flexibilidade e perseverança. Um recente estudo da Academia Americana de Medicina do Sono conclui que compartilhar a cama com os filhos acaba fazendo com que estes tenham maior dificuldade para conciliar o sono, já que dependem mais dos mimos dos pais e não são capazes de fazer isso por conta própria.
Criação sem rótulos
Embora todos concordem quanto à importância do vínculo seguro na criação do filho, as divergências surgem na hora de escolher o caminho para chegar até ele. Aqui entra outro dos pontos fortes e mais polêmicos da criação com apego: o aleitamento materno e o tempo que ele deve durar. Os defensores dessa corrente apoiam a necessidade de que a mãe dê de mamar a seu filho até os dois ou três anos de idade, com o objetivo de criar, estreitar e afiançar sua relação. No entanto, nem Laura Rojas-Marcos nem Carlos González apoiam totalmente dessa teoria.
“Nos anos 1950, quando se propôs a teoria do apego, quase nenhuma criança ocidental mamava durante mais do que algumas poucas semanas e costumava-se aconselhar os pais a não pegar muito o filho nos braços e não o colocar nunca na cama. Apesar de tudo isso, a maioria das crianças tinha um firme apego”, explica González. “As mães carinhosas e aquelas que tratam seus filhos com ternura e respeito também lhes dão a mamadeira. Da mesma forma, as mães irritadas, bêbadas ou cruéis também dão o peito”, acrescenta.
Por outro lado, a psicóloga acredita que o tempo de aleitamento é, em grande parte, uma questão de moda. “Atualmente a tendência é estender o tempo de amamentação para mais de dois anos. Mas eu me pergunto se isso é realmente é necessário – e, além disso, fico imaginando o que ocorre com a dependência, ou até mesmo a escravidão, que significa para a mãe tomar essa decisão. É obvio que, se a mãe quiser e puder, tudo bem, mas não acredito que seja o mais saudável.” A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda amamentar o filho de forma exclusiva até os seis meses de vida e seguir com o aleitamento, juntamente com outros alimentos, até os dois anos ou mais.
“Todas as crianças têm apego”, afirma González. “Ele pode ser seguro ou inseguro, mas sempre existe. O primeiro é o mais desejável, mas o inseguro [quando o bebê chora muito, mesmo nos braços de seus pais, como definiu a psicóloga Mary Ainsworth] não é nenhuma doença mental”, acrescenta. Trata-se de que os pais ou as pessoas responsáveis pela criação de uma criança se esforcem para que a balança se incline para o lado da certeza. “Basta criá-la como sempre se fez, com muito carinho e da melhor forma que soubermos”, aconselha González.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/24/estilo/1416825746_259981.html