"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

As crianças amadas se tornam adultos que sabem amar

Foto Página da Revista Pazes
Revista Pazes, 1º fev 2016
Nossas primeiras experiências com o mundo marcam o início do nosso desenvolvimento emocional. Na infância se tece uma rede que conectará nossa mente e nosso corpo, o que determinará em grande parte o desenvolvimento da capacidade de sentir e de amar.
Neste sentido, nosso crescimento emocional dependerá dos nossos primeiros intercâmbios emocionais, que nos ensinarão o que ver e o que não ver no mundo emocional e social no qual nos encontramos.
Assim, o campo da nossa infância nos permite semear o amor de maneira natural, o que determinará que a capacidade de amar e de sermos amados cresça de maneira saudável e nos ajude a nos desenvolvermos no futuro.
“Somos seres emocionais que aprendem a pensar, não máquinas pensantes que aprendem a sentir”. Stanisla Bachrach

Se alimentarmos as crianças com amor, os medos morrerão de fome
As amostras de carinho e afeto elevam a autoestima das crianças e as ajudam a construir uma personalidade emocionalmente adaptada e inteligente. Ou seja, o nosso amor as ajuda a lidar com os medos naturais que surgem nas diferentes idades, fomentando um grau de sensibilidade saudável.

As crianças têm uma confiança natural em si mesmas. De fato, nos surpreende que frente a desvantagens insuperáveis e fracassos repetidos elas não desistam. A persistência, o otimismo, a automotivação e o entusiasmo são qualidades inatas das crianças.
Percebermos isso nos ajuda a sermos conscientes do quão importante é amarmos nossos filhos e educá-los em relação ao respeito, empatia, expressão e compreensão dos sentimentos, controle da impaciência, capacidade de adaptação, amabilidade e independência.
O que podemos fazer para criar crianças felizes e saudáveis?
O temperamento de uma criança reflete um sistema de circuitos emocionais inatos específicos no cérebro, um esquema de sua expressão emocional presente e futura, e de seu comportamento. Estes podem ser adequados ou não, por isso a educação deve se tornar um apoio e um guia para elas.
Para alcançar uma saúde emocional ideal, devemos mudar a forma como se desenvolve o cérebro das crianças. A ideia é que através do amor e da educação emocional estimulemos certas conexões neuronais saudáveis.
Ou seja, todas as crianças e todos os adultos partem de certas características determinadas que devem ser administradas em conjunto para que possamos alcançar o bem-estar físico e emocional.
Por exemplo, quando uma criança é tímida por natureza os adultos que se encontram ao seu redor a protegem exageradamente, fazendo com que ela se torne ansiosa com o passar do tempo.
A educação emocional requer uma certa “desaprendizagem” adulta. Uma criança tímida deve aprender a dar nome às suas emoções e a enfrentar o que a perturba, não deve sentir que cortamos suas asas porque ela é vulnerável.
Um adulto deve demonstrar empatia sem reforçar suas preocupações, propondo, por sua vez, novos desafios emocionais que a permitam evoluir. Deve-se proteger a saúde emocional da criança através do desenvolvimento de suas características naturais.
As chaves básicas de uma educação emocional saudável
1. Os especialistas costumam recomendar que ajudemos as crianças a falarem de suas emoções como uma maneira de compreender a si mesmas e os demais. Entretanto, as palavras só dão conta de uma pequena parte (10%) do verdadeiro significado que obtemos através da comunicação emocional.
Por essa razão, não podemos ficar só na verbalização; devemos ensiná-las a compreender o significado da postura, das expressões faciais, do tom de voz e de qualquer tipo de linguagem corporal. Isso será muito mais efetivo e completo para o seu desenvolvimento.
2. Há anos vem se promovendo o desenvolvimento da autoestima de uma criança através do elogio constante. Entretanto, isso pode fazer mais mal do que bem. Os elogios só ajudarão as nossas crianças a se sentirem bem consigo mesmas se eles estiverem relacionados a ganhos específicos e ao domínio de novas aptidões.
3. O estresse é um dos grandes inimigos da infância. Entretanto, é um inconveniente com o qual elas têm que conviver, por isso protegê-las em excesso é uma das piores coisas que podemos fazer. devem aprender a enfrentar estas dificuldades naturais de tal forma que desenvolvam novos caminhos neurais que as permitam se adaptar ao meio no qual vivem.
Não podemos tentar criar nossas crianças em um mundo da Disney de inocência e ingenuidade. O estresse e a inquietação fazem parte do mundo real e da experiência humana, tanto quanto o amor e o cuidado.
Se tentarmos eliminar esses obstáculos, impediremos que elas tenham a oportunidade de aprender e desenvolver capacidades realmente importantes que as ajudem a enfrentar desafios e decepções que são inevitáveis na vida.
Fonte: http://www.revistapazes.com/criancasamadas/

sábado, 22 de outubro de 2016

Lugar de bebê é no colo!

Pinterest
23 de novembro de 2015
Por Fernanda Fock
Site "se as mães soubessem"
Um dos mitos mais difundidos da maternidade é que colo demais ‘estraga’, mal acostuma e mima o bebê. Infelizmente, ainda é comum ouvir discursos como este, especialmente quando a mãe recém pariu o seu bebê. Mas tranquilize-se, ninguém estraga por dar amor demais, carinho demais, muito menos colo demais.
Assim que nasce, o bebê se depara com um mundo completamente diferente daquele que ele conhece, com novas sensações dentro e fora do seu corpo. Tudo é uma grande novidade, o estômago digerindo, o intestino funcionando, a fome, o sono, a luminosidade, os sons que nunca ouviu, etc.
Talvez, se tivéssemos a memória dos nossos primeiros dias, seria mais fácil entender o que se passa na percepção dos bebês. É preciso apoiá-lo nesta descoberta do novo mundo. Mostrar para ele que aqui fora pode ser tão confortável quanto dentro na barriga da sua mãe, que aquelas sensações que davam prazer, conforto e segurança podem ser simuladas em sua adaptação para a nova vida.
Aliás, por isso mesmo que bebês pequenos são chamados de “bebês de colo”. Porque o colo é uma necessidade para o bebê. Os bebês humanos nascem completamente dependentes de seus pais. São os mais indefesos entre todos os mamíferos e precisam sentir-se acolhidos, seguros e guiados por seus pais.
A teoria da extero-gestação, apresentada pelo antropólogo Ashley Montagu popularizada pelo pediatra Harvey Karp, afirma que os bebês humanos nascem antes de estarem totalmente prontos ou maduros. A teoria descreve que ao longo da evolução do ser humano, para que ele pudesse caminhar, houve transformações fundamentais, dentre elas o estreitamento do osso da pelve por onde os bebês passam ao nascer. Portanto, se aguardássemos o desenvolvimento completo do sistema nervoso, cerca de mais três meses, não haveria espaço suficiente para a passagem no nascimento.
Como a própria palavra sugere, extero-gestação significa que o bebê continua a se desenvolver, porém fora do útero. Ele precisa vivenciar um ambiente acolhedor, que traga as mesmas sensações de segurança do ambiente intrauterino, para continuar em pleno desenvolvimento. Sentir-se seguro é fundamental para o bebê e a segurança pode ser promovida através do colo, do contato pele a pele, do som do coração, do acalento, da amamentação em livre demanda, da canção de ninar, da massagem, etc.
Tudo o que os bebês precisam é de muito amor e apoio nessa transformação de vida. Se carregar o bebê cansa seus braços, utilize um sling para mantê-lo próximo. Inspirados em carregadores de bebês tradicionais de diversas culturas, o uso destes carregadores de pano permite que o bebê permaneça em contato direto com seu cuidador pelo máximo de tempo possível, como se estivesse dentro de uma bolsa de canguru.
Essa proximidade promove uma interação mais sutil, facilita a comunicação do bebê com o pai ou mãe, fortalece os laços afetivos, tranquiliza o bebê e para o cuidador é uma maneira confortável de estar com o bebê e com suas mãos livres.

Fernanda Fock
Fonte: http://seasmaessoubessem.com.br/2015/11/23/lugar-de-bebe-e-no-colo/

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Criança saudável é espontânea, barulhenta, inquieta, emotiva e colorida!

Resiliência Mag

Por Resiliência Humana
Uma criança não nasce para ficar quieta, para não tocar nas coisas, ser paciente ou entreter-se. Uma criança não nasce para ficar sentada a ver TV ou a jogar no tablet. Uma criança não quer ficar quieta o tempo todo.
Crianças precisam se mover, navegar, procurar notícias, criar aventuras e descobrir o mundo ao seu redor. Elas estão aprender, são esponjas, jogadores natos, caçadores de tesouros.
Elas são livres, almas puras que buscam a voar, não ficar de lado. Não as façamos escravas da vida adulta, da pressa e falta de imaginação dos mais velhos.
Não as apressemos em nosso mundo de desencanto. Impulsionemos o seu sentimento de maravilha, garantindo-lhes uma vida emocional, social e cognitiva rica em conteúdo, perfume das flores, expressão sensorial, felicidade e conhecimento.
O que acontece no cérebro de uma criança quando brinca?
Os benefícios das brincadeiras para as crianças estão presentes em todos os níveis (fisiológicos-emocionais, comportamentais e cognitivos), isso não é um mistério. Na verdade, podemos falar de múltiplas repercussões:Descrizione: https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001580;ord=1476779771077
Regula o humor e ansiedade.
Promove atenção, aprendizagem e memória.
Reduz o stress, favorecendo a calma neuronal, bem-estar e felicidade.
Amplia a sua motivação física, graças à qual os músculos reagem impulsionando-as a brincar.
Tudo isso promove um estado ótimo de imaginação e criatividade, ajudando-as a apreciar a fantasia do que as rodeia.
A Sociedade tem alimentado a hiperpaternalidade, que é a obsessão dos pais para que seus filhos tenham habilidades específicas para assegurar uma boa profissão no futuro. Esquecemo-nos, como sociedade e como educadores, que o valor das crianças não é definido por uma nota na escola e que com os esforços para priorizar os resultados, negligenciamos as habilidades para a vida.
“O valor das nossas crianças é que desde pequenas precisam que as amemos de forma independente, elas não são definidas pelas suas realizações ou fracassos, mas por serem elas mesmas, únicas por natureza. Quando somos crianças, não somos responsáveis por aquilo que recebemos na infância, mas, quando adultos, somos inteiramente responsáveis por corrigi-lo.”
Simplificar a infância, educar bem
Dizemos sempre que cada pessoa é única, mas temos isso pouco interiorizado. Isso reflete-se num simples facto: estabelecer um conjunto de regras para educar todos os nossos filhos.
Na verdade, esse é um equívoco generalizado que não é de todo coerente com o que acreditamos ser claro (que cada pessoa é única). Portanto, não é de se estranhar que a confluência de nossas crenças e ações resultem em confusão na criança.
Por outro lado, como afirma Kim Payne, professor e conselheiro estadunidense, estamos criando nossas crianças com excesso de quatro pilares:
Muita informação.
Muitas coisas.
Muitas opções.
Muita velocidade.
Impedimo-las de explorar, refletir ou aliviar as tensões que acompanham a vida cotidiana. Enchemo-las de tecnologias, brinquedos e atividades escolares e extracurriculares, distorcemos a infância e, o que é pior, impedimo-las de brincar e se desenvolver.
Hoje em dia as crianças passam menos tempo ao ar livre do que as pessoas que estão na prisão. Por quê? Porque nós as mantemos “entretidas e ocupadas” em outras atividades que acreditamos mais necessárias, tentando fazer com que permaneçam imaculadas e sem manchas nas roupas. Isto é intolerável e, acima de tudo, extremamente preocupante.
Consideremos algumas razões pelas quais devemos mudar isso …
Higiene excessiva aumenta a probabilidade de que as crianças desenvolvam alergias, como mostra um estudo do Hospital de Gotemburgo, Suécia.
Não lhes permitimos desfrutar do ar livre é uma tortura que limita seu desenvolvimento potencial criativo.
Mantê-las “agarradas” ao telemóvel, tablet, computador ou televisão é altamente prejudicial para nível fisiológico, emocional, cognitivo e comportamental.
Poderíamos continuar, mas neste momento a maioria de nós já encontrou inúmeras razões pelas quais está destruindo a magia da infância. Como o educador Francesco Tonucci diz:
“A experiência das crianças deveria ser o alimento da escola: sua vida, suas surpresas e descobertas. O meu professor fazia-nos sempre esvaziar os bolsos na sala de aula, porque estavam cheios de testemunhas do mundo exterior: bichos, cordas, cartas… Bem, hoje devem fazer o oposto, pedir às crianças para mostrarem o que carregam em seus bolsos. Desta forma, a escola se abriria para a vida, recebendo as crianças com os seus conhecimentos e trabalhando em torno deles “.
Esta certamente é uma maneira muito mais saudável de trabalhar com elas, educá-las e assegurar o seu sucesso. Se esquecermos isso em algum momento, devemos ter bem presente o seguinte:“Se as crianças não precisam de um banho urgente, não brincaram o suficiente.” Esta a premissa fundamental de uma boa educação.

Fonte: http://www.resilienciamag.com/crianca-saudavel-e-espontanea-barulhenta-inquieta-emotiva-e-colorida/

domingo, 18 de setembro de 2016

Sobre a maternidade e seus vícios

Blog Skopós
Por SolQS
Estava lendo um livro que me fez pensar. O livro falava sobre vícios e como nossa sociedade quebrou alguns tabus e evoluiu em relação à muitos deles. Lidamos aparentemente melhor com pessoas viciadas jogos. Lidamos melhor com pessoas viciadas em sexo e orgias. Lidamos muito melhor, a ponto de admirar, aqueles viciados em trabalho. Lidamos melhor.
Mas e os vícios da maternidade? Ah, esses não tem como lidar melhor, afinal de contas eles envolvem um pequeno ser que não tem recursos para se defender ou tomar decisões. Então é por bem que critiquemos esses vícios, essas péssimas mães viciadas em tantas coisas proibidas na maternidade. Claro, maternidade tem regras e elas devem ser seguidas. Afinal de contas, que mãe que em sã consciência dorme abraçada com o bebê em sua cama? Que mãe inconsequente que acostuma tão mal seu bebê ao ponto de ensiná-lo a dormir mamando no peito? Quanto egoísmo querer sentir o carinho que aquela mãozinha faz enquanto mama ou olhar aqueles olhinhos tão fixos nos seus. Da horror só de pensar em deixar o bebe se acostumar a ser tirado do berço ou do carrinho quando chora para acalmá-lo em seus braços. Lugar de bebê é no berço, no carrinho, na escola, mas não no colo da mãe.
Ah, e por falar em escola, não podemos esquecer daquelas que abandonam uma carreira por um ou dois anos para cuidar dos filhos e não dão à eles o exemplo de independência que deveriam dar. Afinal, um bebê precisa saber que o mundo não deve ser machista. Também existem aquelas que deixam de ir viajar e dar atenção aos seus maridos só para ficar pertinho de seu filho, um tremendo absurdo, já que o bebê precisa entender e aceitar essa separação que o marido, adulto e que optou por ser pai, não consegue.
Ah, esses vícios da maternidade. Ah, esse instinto materno que faz com que as mães insistam em dar o peito o tempo todo e em qualquer lugar para alimentar, acalmar ou estar em um contato mais íntimo com seu bebe, que faz com que as mães queiram ter seus filhos em seus braços sentindo seu calor e exercendo seu papel de protetora, que faz com que abram mão de parte de suas próprias vidas em prol de uma outra. Ah, esse instinto materno…
Certo mesmo é proibir esse contato físico e aumentar a distância entre mãe e filho. Certo mesmo é facilitar a vida dessa mãe, coitada, que precisa descansar. Deixem-a então trabalhar fora por muitas horas, para chegar e cuidar da casa, do jantar e do marido. Deixem-a cuidar de suas obrigações, porque cuidar do filho, ah não, cuidar do filho do jeito que ela sente vontade é terrível demais para ele. Pode ser mal acostumado, se tornar um bebê mimado, chato e inconveniente. O bebê precisa mesmo é ir com qualquer pessoa e saber que não terá o que quer a qualquer choro. Isso sim, ah, isso sim, faz um bem enorme a sociedade. É só ver a nossa, tão egoísta, tão violenta, tão intolerante. Tão, tão, tão contraditória.
E se respeitarmos as mães ao ponto de as deixarmos livres para tomarem suas decisões baseadas em seus instintos? E se nós, mães, nos respeitarmos ao ponto de nos deixarmos livres?
Livres de livros, teorias, conselhos e julgamentos. Livre para seguirmos o nosso instinto.
“A NATUREZA NUNCA NOS ENGANA. SOMOS SEMPRE NÓS QUE NOS ENGANAMOS” (ROUSSEAU)


Fonte: https://skopospp.wordpress.com/2016/09/16/sobre-a-maternidade-e-seus-vicios/

terça-feira, 21 de junho de 2016

Do colo materno ao convívio social na psicologia de Winnicott

RESUMO Donald Woods Winnicott, cujo 120º aniversário se celebrou em abril, é tido por muitos como o principal psicanalista depois de Freud. Ainda que o pai da teoria edípica tenha servido de referência para seu trabalho, o psiquiatra britânico formulou conceitos próprios e abriu caminho para uma "revolução" psicanalítica.

Donald Woods Winnicott (1896-1971)

Zeljko Loparic
08.05.2016

No mês passado, celebraram-se os 120 anos do nascimento de Donald Woods Winnicott, considerado por muitos o mais importante psicanalista depois de Freud. Por quê? Porque ele refundou a psicanálise freudiana.
No esboço de um artigo de 1971, ano de sua morte, Winnicott escreveu: "O que pleiteio é um tipo de revolução em nosso trabalho. Vamos reexaminar o que fazemos". O que fazem os psicanalistas freudianos? Decifram o inconsciente reprimido que incomoda.
Os freudianos curam pela palavra, pela análise do discurso do paciente. Com a cura pela palavra, no entanto, as análises não terminam. A falta de eficácia das análises comuns se deve ao desconhecimento da existência de dissociações muito primitivas descobertas por Winnicott, escondidas atrás dos conflitos do inconsciente reprimido. A revolução conclamada já teria, portanto, acontecido, e consistiria em suas próprias contribuições à psicanálise.
Formado como médico pediatra e tendo observado problemas emocionais em bebês de poucas semanas, Winnicott tornou-se psiquiatra infantil e recorreu à psicanálise freudiana. Começou a modificar a psicanálise quando constatou que algo estava errado com o modelo edípico, criado e usado para tratar as neuroses dos adultos.
As mudanças decisivas foram motivadas pelo que Winnicott apreendeu das análises de psicóticos adultos, que precisaram regredir à situação de dependência: retornar aos estágios e processos muito primitivos da vida, idênticos, entendia Winnicott, aos vividos pelos bebês humanos.
AMADURECIMENTO
Quais são as principais reformulações? Substituição do Édipo, andarilho na cama da mãe, como modelo de problemas psicanalíticos, por outro – o do bebê no colo da mãe; teoria do processo de amadurecimento (crescimento, desenvolvimento, integração) mediante a qual indivíduos se transformam de bebês dependentes em pessoas inteiras capazes de vida própria; teoria da natureza humana; a psicopatologia winnicottiana, que é uma teoria das interrupções do processo de amadurecimento; teoria dos procedimentos clínicos para auxiliar indivíduos a retomar o processo de amadurecimento interrompido e a conquistar a unidade pessoal; teoria da experiência cultural. Vejamos.
Para Freud, da situação edípica surge o complexo nuclear, que estaria na origem não só da estruturação da personalidade mas de todos os problemas psicanalíticos (neuroses) e mesmo da ordem social e da cultura. Segundo Winnicott, as bases da personalidade são lançadas com o bebê ainda no colo da mãe, formando, na experiência inicial com ela, as bases de toda sua capacidade futura de se relacionar; os fracassos respectivos respondem pela estrutura básica de todas as dificuldades emocionais da vida humana.
Em Freud, a teoria da sexualidade é o carro-chefe para o estudo e o tratamento das neuroses. Em Winnicott, papel semelhante cabe à teoria do amadurecimento, espinha dorsal de seu ideário, usada no estudo e tratamento de todos os problemas maturacionais do existir humano, a natureza específica destes sendo modulada pelo seu ponto de origem na linha do amadurecimento.
Freud estuda o homem em termos de processos mentais, conscientes e inconscientes. Winnicott vê o homem como manifestação da natureza humana no tempo, caracterizada pela tendência à integração que só se realiza num ambiente facilitador (o colo da mãe, a família, o grupo social). Viver significa alcançar e manter a continuidade de ser no mundo.
Na sua psicopatologia, Freud parte das lacunas na corrente da consciência composta de conteúdos afetivos e representacionais de caráter sexual, que resultam da repressão; codificados e guardados na parte inacessível do aparelho, esses conteúdos forçam o retorno à consciência como sintomas, desordens adicionais dolorosas da vida consciente.
Na psicopatologia de Winnicott, os distúrbios não são gerados pela expulsão, para fora da consciência, daquilo que aconteceu, mas não deveria, e sim por aquilo que não aconteceu, embora precisasse acontecer. Os distúrbios são interrupções na continuidade do ser, cuja origem está nas falhas ambientais e nas reações do bebê a essas falhas, que acabam constituindo organizações defensivas mais ou menos rígidas.
Freud propõe a "talking cure", técnica que, mediante livre associação e interpretação, conecta os sintomas com os conteúdos inconscientes reprimidos, resgatando-os, assim, para a memória consciente. Uma vez que as instâncias repressivas estão sempre lá, a permanente censura de desejos cria novos distúrbios, de modo que o tratamento, em princípio, nunca chega ao fim.
Além de usar a cura pela palavra numa versão modificada, Winnicott defende e pratica um tratamento inteiramente novo: a "care-cure", cura pelo cuidado.
Quando a continuidade de ser foi interrompida pela falha ambiental, a tendência à integração desenvolve uma força poderosa para reiniciar a integração rumo à saúde. O analista precisa estar disposto a oferecer ao paciente o que este necessita para tanto – a começar, às vezes, pela etapa mais primitiva. Ele não é um decifrador, mas alguém que participa ativamente, pelo seu comportamento, da retomada do amadurecimento por seu paciente.
O tratamento consiste em facilitar a busca pelo paciente, aqui e agora, da integração não alcançada no passado. O analista só poderá proceder assim se acreditar na natureza humana e na tendência à integração que a caracteriza.
Em Freud, a ordem social e a cultura são produtos da sublimação, processo pelo qual os indivíduos e sociedades inteiras buscam resolver seus inevitáveis conflitos sexuais de caráter edípico, marcados pela ameaça da castração do filho por parte do pai e, como reação, pelo assassinato do pai pelos filhos revoltados, acometidos posteriormente de culpa.
A culpa torna-se o motor do processo cultural, basicamente o mesmo das neuroses. Sendo assim, as formas da vida social (família, grupos sociais, igrejas, povos) e da cultura humana, mesmo as mais elevadas (a moral da lei, as religiões monoteístas, as artes) possuem as mesmas propriedades que as neuroses individuais e coletivas. A família exogâmica, favorecida pela sociedade, surge da proibição do incesto, terminando com isso o drama do assassinato do pai. A moral freudiana, herdeira da moral da lei kantiana, e o monoteísmo têm a mesma origem: a divinização compensatória do pai e da vontade do pai.
DIGESTÃO
Em Winnicott, a ordem social, em particular a família, emerge em larga medida das tendências rumo à organização em uma personalidade individual. O pai, protegendo a mãe nos estágios iniciais do amadurecimento da criança, possibilita a esta suportar a culpa de seu uso excitado da mãe e, assim, ficar livre para amá-la instintivamente – sendo que os instintos, no início, não são genitais, mas relacionados à digestão. A origem e o funcionamento da família diz respeito à provisão ambiental da qual a criança necessita para se integrar.
Os elementos básicos da moralidade também são adquiridos antes das relações triangulares, que Freud chamou de edípicas, pois a criança passa cedo a sentir-se compadecida pelos estragos que, nos estados excitados, ela faz ou imagina fazer no corpo da sua mãe, que ela ama. Se esta sobrevive e não retalia –o que ela é capaz de fazer se tem saúde e é auxiliada pelo pai ou outras pessoas–, a criança descobre sua própria urgência para remendar e contribuir.
Antes e independentemente de coerção externa, a criança cria a capacidade de sentir-se culpada e de ser responsável por outras pessoas. Essa é, em Winnicott, a origem da ética –decerto, não da ética da lei (e certamente não a da lei da proibição do incesto), mas da ética do cuidado em relação a outras pessoas e a sua continuidade do ser, que pode ser aproximada do cuidado de si e dos outros, de Heidegger e de Foucault.
No que se refere à religião, suas várias formas correspondem, de acordo com Winnicott, aos sucessivos estágios do processo de amadurecimento. O monoteísmo em particular tem sua origem no estágio do "eu sou", no qual se constitui a unidade pessoal. Nesse processo, o pai, mais do que a mãe, é usado pela criança como esquema para a aquisição de um si-mesmo unitário.
A atividade artística é a continuidade do brincar, que começa muito cedo, já durante o estágio dos fenômenos transicionais (uso de ursinhos, chupetas, pontas do lençol etc.). O brincar é inerentemente excitado e precário, mas essas características não surgem da excitação instintual. Em especial não é, como quer Freud, um resultado de sublimação da repressão que resolve conflitos internos.
Diante do que apresentei, fica possível determinar com precisão o lugar de Winnicott na história da psicanálise. Ele não é freudiano (nem kleiniano, tampouco lacaniano); é o que se tornou ao viver sua vida e fazer o seu trabalho clínico dedicado a ajudar outras pessoas a se tornarem, elas também, indivíduos integrados, capazes de viver uma vida que valha a pena de ser vivida e, finalmente, de dar-se ao luxo até de morrer. Provavelmente, no caso do próprio Winnicott, de morrer tranquilo, pois a revolução à qual dedicou sua vida estava lançada.

ZELJKO LOPARIC, 76, é professor titular aposentado de filosofia da Unicamp e autor de "Winnicott e Jung" (DWW).

sábado, 14 de maio de 2016

Quero que a minha filha cresça respeitando

Foto: HuffPost Brasil

Quero que a minha filha cresça vendo casais andando de mãos dadas na rua. Me incomodo somente quando um casal, independente da orientação sexual, demonstrando afeto como se fosse iniciar uma relação sexual em público. Mas quero que, do mesmo jeito que ela vê um casal de hetero se beijando, quando passamos na rua, que também possa ver dois rapazes ou duas moças dando um selinho e o respeito das pessoas em torno. Porque quero que ela cresça sabendo que o amor é o mais importante e que todos devem respeitar a opção sexual alheia sem se rebelar com nada que não os ofende. Quanto a demonstração de afetos dos gays em público, como um beijo, não afeta e nem ofende à minha família em nada, absolutamente nada, não mete medo e nem ameaça à educação que dou à minha filha, não me oprime, mas se me fizesse mal em algum nível o problema seria meu e não do outro que só quer ter o direito de amar. Quem é de fato feliz, deseja que os outros também sejam. E se esse tipo de foto ainda te incomoda o problema ainda é teu, somente teu.

Cintia Liana, psicóloga, especialista em psicologia de casal e família

quarta-feira, 23 de março de 2016

Filhas de mães sem amor: 7 Feridas comuns

Esse texto é excelente, mas eu alargaria as possíveis características apresentadas também às pessoas que não se sentiram amadas pelas mães como gostariam ou de acordo com as suas expectativas e não somente as filhas de mães "sem amor".
Sem contar que o ser humano deve passar a vida debruçado em "resolver", em "desemaranhar" a sua relação com a mãe (também com o pai), que é sempre uma relação "conflituosa" e isso não significa ser agressiva ou desarmoniosa.

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Mãe e filha. Google imagens
Durante os anos em que pesquisei e escrevi Mean mothers, eu falei com outras mulheres sobre as nossas experiências em comum. A história de cada mulher é diferente; talvez o que há de comum é a descoberta de que não estamos sozinhas, que não somos as únicas meninas ou mulheres que tiveram mães incapazes de nos amar. Os tabus sobre “desrespeitar” os pais e os mitos da maternidade, que retratam todas as mães como amorosas, só servem para isolar as filhas não amadas. Essa descoberta aumenta a mágoa e as feridas, mas não se resume a isso.

O seguinte catálogo do que pode acontecer com uma filha que cresce sem o amor e o apoio de uma mãe não é uma pesquisa científica; não deve ser generalizado para todos os casos. Novamente, eu não escrevi como psicóloga ou terapeuta, mas como uma companheira de viagem.

Na infância, a criança pega o primeiro vislumbre de si mesma no espelho que é o rosto da mãe. Se a sua mãe for amorosa, o bebê se sentirá seguro e protegido; ele aprende tanto que é amado quanto é amável. Essa sensação de ser amável, digno de afeto e atenção, de ser visto e ouvido, torna-se o alicerce sobre o qual ele construirá as suas mais profundas certezas-de-si, e fornecerá a energia para o seu crescimento.

A filha de uma mãe fria – emocionalmente distante, que não interage com o bebê, ou até mesmo crítica ou cruel – aprende lições diferentes sobre o mundo e sobre si mesma. O principal problema, é claro, é o quão dependente uma criança humana é da mãe para sua nutrição e sobrevivência. O resultado disso é um apego inseguro, caracterizado como “ambivalente” (a criança não sabe se quem vai aparecer é a mamãe boa ou a má) ou “esquiva” (a criança quer o amor de sua mãe, mas tem medo das consequências dessa busca). O apego ambivalente ensina à criança que o mundo dos relacionamentos não é confiável; o apego evitativo configura um terrível conflito entre as necessidades da criança, tanto pelo amor de sua mãe quanto pela proteção contra os abusos físicos ou emocionais dela.

O ponto chave é que a necessidade da criança pelo amor de sua mãe é uma força motriz primordial, e essa necessidade não diminui com a indisponibilidade – coexiste com o terrível e prejudicial entendimento de que a única pessoa que supostamente te amaria sem condições, não o ama. A luta para lidar com isso é poderosa. Ela afeta muitas, se não todas as partes do self – especialmente na área dos relacionamentos.

O trabalho de Cindy Hazan e Philip Shaver (entre outros) mostrou que as experiências da primeira infância foram altamente preditivas sobre os relacionamentos românticos e as amizades feitas na vida adulta. Não vai surpreendê-lo afirmar que as feridas mais comuns são aquelas relacionadas ao self e à área de conexão emocional.

Não devemos olhar para estas feridas para se lamentar ou jogar toda a responsabilidade por quem somos nas costas de nossas mães, mas para nos tornarmos conscientes delas. A consciência é o primeiro passo para a cura de uma criança não-amada. Muitas vezes, nós simplesmente aceitamos esses comportamentos em nós mesmos sem saber o seu ponto de origem.

1. Falta de consistência
A filha não-amada não sabe que é amável ou digna de atenção; ela pode ter crescido se sentindo ignorada ou criticada. A voz da sua mãe continua ecoando na sua cabeça, dizendo que ela não é inteligente, bonita, gentil, amorosa, digna… etc,. Aquela voz materna internalizada continuará a minar suas realizações e talentos, a menos que haja algum tipo de intervenção. Filhas, por vezes, falam sobre o sentimento de que estão “enganando as pessoas” e expressam o medo de serem “descobertas” quando alcançarem o sucesso no mundo.

2. Falta de confiança
“Eu sempre me pergunto”, uma mulher um dia me confessou, “por que alguém iria querer ser meu amigo. Eu não posso evitar de pensar que há algum tipo de interesse oculto”. Estes problemas de confiança emanam do senso de que os relacionamentos são fundamentalmente não-confiáveis, e fluem tanto nas amizades quanto nos relacionamentos amorosos. Como Hazan e Shaver relatam em seus trabalhos, a filha ambivalente necessita de validação constante que a confiança se justifica. Em suas palavras, essas pessoas “experimentam o amor como algo que envolve obsessão, um desejo de reciprocidade e de união, altos e baixos emocionais, atração sexual extrema e ciúme”. A confiança e a incapacidade de estabelecer limites estão intimamente ligados.

3. Dificuldade para impor limites
Muitas filhas, presas entre a necessidade de atenção da mãe e a sua ausência, relatam não conseguir impor limites em seus relacionamentos adultos. Uma boa parte das filhas não-amadas relatam problemas em manter estreitas amizades femininas, que são complicadas devido a questões de confiança (“Como vou saber se ela é realmente minha amiga?”). Não são capazes de dizer “não” (“De alguma forma, sempre acabo sendo um capacho, fazendo muito, e geralmente me acabo me desapontando no final”), ou querem ter um relacionamento tão intenso que a outra pessoa se afasta.

4. Dificuldade para ver o self com precisão
Certa vez uma mulher compartilhou o que aprendeu na terapia: “Quando eu era criança, minha mãe sempre se focava em denunciar os meus defeitos e ignorava minhas realizações. Depois da faculdade, eu tive vários empregos, mas, em cada um deles, meus chefes se queixaram de que eu não estava me esforçando o suficiente para crescer. Foi só então que eu percebi que eu estava me limitando, adotando a visão que a minha mãe tinha sobre mim no mundo. “Grande parte disso tem a ver com tudo o que você ouviu quando criança e internalizou. Essas distorções na forma como vemos a nós mesmos podem se estender para todos os domínios, incluindo a nossa aparência. (Quando eu vasculhei minhas fotos do tempo de adolescência, olhei para aquela menina como a minha mãe, chamando-a de “gorda”. Ela também me chamava de “mal amada”). Outras filhas relataram sentirem-se surpresas quando obtiveram sucesso em alguma coisa, assim como são hesitantes para tentar algo novo, de modo a reduzir a possibilidade de falha. Isto não é apenas uma questão de baixa autoestima, mas algo bem mais profundo.       

5. Atitudes escapistas
A falta de confiança ou o medo, por vezes, coloca a filha não-amada em uma posição defensiva, de modo que ela evita se machucar por um mau relacionamento, em vez de se motivar a encontrar um amor estável. Essas mulheres, na superfície, podem agir como se quisessem estar em um relacionamento, mas em um nível mais profundo, menos consciente, o escapismo é o seu motivador. O trabalho de Hazan, Shaver e Bartolomeu confirma isso. Infelizmente, a evitação impede que a filha não-amada encontre o tipo de relação amorosa que ela procura.

6. Ser excessivamente sensível
Uma filha não-amada pode se tornar muito sensível aos insultos, reais ou imaginários. Um comentário aleatório pode carregar o peso de alguma experiência da infância sem ela mesmo estar ciente disso. “Eu tive que me concentrar nas minhas reações”, disse uma mulher, agora na casa dos quarenta anos. “Às vezes, eu confundo o que é dito, como brincadeiras ou outra coisa, e acabo me preocupando até me abalar e perceber que a pessoa realmente não quis dizer nada do que havia imaginado”. Elas tendem a pensar demais e ruminar muito as situações ruins.

7. Replicar o vínculo com a mãe nos relacionamentos
Infelizmente, tendemos a ser atraídos pelo que já sabemos – aquelas situações em que, apesar de  representarem momentos de infelicidade, não deixam de ser “confortáveis”, por nos serem familiares. Isto, às vezes, tem o efeito de replicar, de maneira não-intencional, a relação maternal. “Eu me casei com a minha mãe, com certeza”, diz uma mulher: “Ele aparentava ser completamente diferente da minha mãe, mas, no final, acabou me tratando da mesma maneira. Como a minha mãe, ele alternava entre a indiferença e a atenção, às vezes fazia críticas horríveis, depois demonstrava alguma forma vaga de apoio”. Ela acabou se divorciando do seu marido e de sua mãe.


Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews

Retirado do: http://www.psiconlinews.com/2016/01/filhas-de-maes-sem-amor-7-feridas-comuns.html





Mãe e filha. Google Imagens

segunda-feira, 21 de março de 2016

Crianças que sentem ódio

Todo esse quadro político, mas sobretudo o modo em como a maioria está reagindo, está "adoecendo" as crianças. Como achar isso saudável? Uma criança que deseja a morte de outras pessoas? Crianças que respiram ódio sentem ódio e aprendem isso por toda a vida delas.
É preciso ter muito cuidado para não ser levado por essa onda de ódio, mas é preciso ter cuidado com tudo na vida, ser mais crítico de si mesmo e para não criar muito mal os filhos.

No Facebook:

"Seguramente essa foi uma das coisas mais absurdamente tristes que apareceu por aqui!! Uma criança desejando a morte de quem quer que seja é o fim de tudo!! Ninguém nasce odiando, aprende-se o ódio como aprende-se o amor, a depender do que esteja disponível para ser aprendido. As crianças apreendem e exploram o mundo pelo exemplo, aprendem com todo o corpo, aprendem de todo coração, aquilo que por sorte ou azar estiver à sua disposição."

quarta-feira, 9 de março de 2016

Trinta maneiras de ensinar à crianças noções de consentimento


Por  - BuzzFeed Staff
Achei esse artigo no buzzfeed e, sendo ele de EXTREMA importância, me dei a liberdade de traduzí-lo e postá-lo aqui.
Crianças de 1 a 5 anos
1. Ensine a criança a pedir permissão antes de tocar ou abraçar um amigo. Use frases como “Sarah, vamos perguntar ao Joe se ele gostaria de um abraço de despedida.” Se Joe disser “não” para o pedido, alegremente diga ao seu filho, “Tudo bem, Sarah! Vamos acenar um tchauzinho para Joe e jogar um beijo.”
2. Ajude seu filho a criar empatia explicando como algo que eles fizeram pode ter machucado alguém. Use frases como “Eu sei que você queria aquele brinquedo, mas quando você bateu no Mikey o machucou e o fez se sentir muito triste. E nós não queremos que Mikey fique triste.”
3. Ensine as crianças a ajudar os outros quando estão com problemas. Fale com elas sobre ajudar outras crianças e a avisar adultos confiáveis quando outros precisam de ajuda. Use o animal da família como exemplo: “Oh, parece que o rabo do gatinho está preso! Precisamos ajudá-lo!”
4. Ensine seus filhos que “não” e “pare” são palavras importantes e devem ser honradas. Também ensine-os que seus "não"s devem ser honrados. Explique que assim como devemos sempre parar de fazer algo quando alguém diz “não”, nossos amigos também devem parar quando dizemos “não”.
5. Encoraje a criança a ler expressões faciais e outros sinais corporais: assustado, feliz, triste, frustrado, com raiva e etc. Jogos de charada com expressões são um ótimo jeito de ensinar as crianças a ler linguagem corporal.
6. Nunca force a criança a abraçar, tocar ou beijar qualquer um, por nenhuma razão. Se a vovó está pedindo um beijo e seu filho está resistente, sugira alternativas dizendo coisas como “Você prefere dar um ‘high-five’ na vovó? Ou jogar-lhe um beijo, talvez?” Você pode mais tarde explicar para a vovó o que está fazendo e porque.
7. Sirva de exemplo, pedindo permissão ao seu filho para ajudá-lo a lavar seu corpo. Encare com otimismo e sempre honre o desejo do seu filho de não ser tocado. “Posso lavar suas costas agora? E seus pés? Que tal seu bumbum?” Se a criança disser “não”, então dê a ela a esponja e diga “Ok! Seu bumbum precisa de uma esfregada, faça isso”.
8. Dê às crianças a oportunidade de dizer sim ou não em escolhas do dia-a-dia também. Deixe-as escolher suas roupas e ter opinião sobre o que usar, aonde brincar ou como pentear o cabelo.
9. Permita a criança a falar sobre seus corpos do jeito que quiserem, sem vergonhas. Ensine-os as palavras corretas para as genitálias e se faça de lugar-seguro para eles falarem sobre corpos e sexo. Diga “Estou tão feliz que você me perguntou isso!”. Se você não sabe como responder às suas perguntas do jeito certo, então apenas diga “Estou tão feliz que você está me perguntando sobre isso, mas eu terei que pesquisar. Podemos falar sobre isso depois do jantar?” e tenha certeza de cumprir sua palavra.
10. Fale sobre instintos. Às vezes algumas coisas nos fazem sentir estranho, ou assustado, ou com nojo e nós não sabemos o porquê. Pergunte ao seu filho se isso já aconteceu com eles e ouça atentamente enquanto explicam.
11. “Use suas palavras”. Não responda à birras. Peça ao seu filho para usar palavras, até as mais simples palavras, para explicar-lhe o que está acontecendo.
Crianças de 5 a 12 anos
1. Ensine às crianças que o jeito que seus corpos estão mudando é ótimo, mas às vezes pode ser confuso. O jeito que você fala sobre essas mudanças – tanto a perda de dentes como pelos pubianos – vai mostrar sua boa vontade para falar sobre outros assuntos sensíveis.
2. Encoraje-os a falar sobre o que os faz sentir bem e o que os faz sentir mal. Você gosta de sentir cócegas? Você gosta de se sentir tonto? O que mais? O que te faz sentir mal? Estar doente, talvez? Ou quando outras crianças te machucam? Deixe espaço para seu filho falar sobre qualquer coisa que vier à cabeça.
3. Lembre seu filho que tudo pelo que ele está passando é natural, crescer acontece com todos nós.
4. Ensine seus filhos a usar “palavras seguras” durante a brincadeira e os ajude a negociar o uso de tais palavras com os amigos. Nessa idade, dizer “não” pode ser parte da brincadeira, então eles precisam ter uma palavra que fará parar toda a atividade. Talvez uma bobinha, como “manteiga de amendoim” ou uma séria, como “eu tô falando sério!”. O que funcionar para todos eles está bom.
5. Ensine as crianças a parar sua brincadeira vez ou outra para checar os amiguinhos. Ensine-os a fazer uma pausa às vezes, para ter certeza de que todo mundo está se sentindo bem.
6. Encoraje as crianças a observar a expressão facial alheia durante a brincadeira, para ter certeza de que todos estão felizes.
7. Ajude a criança a interpretar o que ele vê no playground e com amigos. Pergunte-o o que ele pode ou poderia fazer de diferente para ajudá-los.
8. Não encha o saco das crianças pelos seus namoradinhos ou por ter paixonites. Tudo aquilo que eles sentirem é ok. Se a amizade deles com alguém parece ser uma paixonite, não mencione isso. Você pode fazer perguntas diretas, como “Como vai sua amizade com a Sarah?” e esteja preparada para falar – ou não – sobre isso.
9. Ensine às crianças que seus comportamentos afetam os outros. Peça a eles para observarem como as pessoas respondem quando outra pessoa faz barulho ou bagunça e pergunte a eles qual eles acham que será o resultado disso. Alguma outra pessoa vai ter que limpar a sujeira? Alguém vai ficar assustado? Explique às crianças como as escolhas que eles fazem pode afetar os outros e fale sobre quando é hora de fazer barulho e quais são os espaços para se bagunçar.
10. Ensine às crianças a procurar oportunidades para ajudar. Eles podem levar o lixo? Eles podem ficar quietos para não interromper a leitura de alguém no ônibus? Eles podem oferecer ajuda para carregar algo ou segurar a porta para alguém passar? Tudo isso ensina as crianças que eles têm um papel em ajudar a aliviar as cargas tanto literais quanto metafóricas
Adolescentes e jovens adultos
1. Educar sobre o “toque bom/toque ruim” continua crucial, principalmente no ensino médio. Essa é uma idade em que surgem várias “brincadeiras de toque”: bater na bunda, garotos batendo um nos genitais dos outros e beliscando os mamilos um dos outros para causar dor. Quando as crianças falam sobre essas brincadeiras, surge uma tendência onde os garotos explicam que eles acham que as garotas gostam, mas as garotas dizem que não gostam. Temos que fazê-los falar sobre as maneiras que essas brincadeiras impactam as outras pessoas.
2. Levante a autoestima dos adolescentes. No ensino médio, o bullying muda seu alvo para atingir especificamente a identidade, e a autoestima começa a despencar a partir dos treze anos. Aos dezessete anos, 78% das garotas dizem odiar seus próprios corpos. Lembre-os com frequência sobre seus talentos, suas habilidades, sua gentileza, assim como sua aparência. Mesmo se eles lhe responderem com um “Pai! Eu sei!” é sempre bom ouvir esse tipo de coisa.
3. Continue tendo as conversas sobre sexo com o adolescente, mas comece a incorporar informações sobre consentimento. Pergunte coisas como “Como você sabe se seu parceiro está pronto para te beijar?” e “Como você sabe que uma garota (ou garoto) está interessado em você?”. Essa é uma ótima hora para explicar consentimento entusiasticamente, sobre pedir permissão para beijar ou tocar um parceiro. Explique que somente “sim” significa “sim”.
4. Corte a “conversa de vestiário” pela raiz. A adolescência é a idade onde o papo sobre sexo começa em ambientes segregados por gênero, como vestiários ou festas do pijama. Suas paixonites e desejos são normais e saudáveis, mas precisamos mostrar como falar sobre nossas paixões como se elas fossem pessoas inteiras. Se você ouvir um adolescente falar “ela tem um bundão gostoso”, você pode dizer “acho que ela é mais do que uma bunda!”.
5. É comum e perfeitamente normal se sentir oprimido ou confuso com os novos sentimentos hormonais. Diga às suas crianças que não importa o que sentirem, eles podem falar com você sobre isso. Mas seus sentimentos, desejos e necessidades não são responsabilidade de ninguém além deles mesmos. Eles ainda precisam praticar bondade e respeito por todos ao seu redor.
6. Ensine aos seus filhos sobre o que é masculinidade. Pergunte o que não havia de bom na cultura de masculinidade no passado, como podemos construir uma forma de masculinidade que abranja todos os tipos de garotos: esportistas, artistas, homossexuais. Essas conversas podem encorajar a construir uma forma não-violenta de masculinidade no futuro.
7. Deixe claro que não os quer bebendo ou usando drogas, mas que você sabe que adolescentes o fazem e quer que seus filhos estejam informados. Pergunte à eles sobre como vão manter a si mesmo e aos outros seguros. Tome cuidado com as palavras que usa para falar com seus filhos sobre “festança”.
8. Continue falando sobre sexo e consentimento com adolescentes enquanto eles começam a ter relacionamentos sérios. Sim, eles irão lhe dizer que sabem de tudo, mas a continuação da conversa sobre consentimento saudável, respeitar seus parceiros e sexualidade saudável vai mostrar à eles quão importantes esses temas são pra você.
9. Adolescentes têm sede de informação. Eles querem aprender, e eles irão achar um jeito de ter informações sobre sexo. Se você está disponibilizando essa informação amorosa, honesta e consistentemente, eles irão carregá-la para o mundo com eles.
Desenhos: ’Children’s Drawings from the collection of Jean Dubuffet’ – Book, The Innocent Eye by Jonathan Fineberg