"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Adoção na mídia

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Por Alexandre Rocha

Noticia no site "Globo.com": "Idosa era maltratada por filha adotiva de 11 anos em Santa Maria, RS".

Primeira questão: Existe algum selo ou tatuagem, quem sabe uma pequena marca que exponha que uma pessoa é adotada?
Na certidão de nascimento, após o término do processo não tem qualquer referência a essa informação. 

Próxima pergunta: O que importa para sociedade que está lendo essa reportagem se a filha é ou não adotiva?

Acompanhem meu raciocínio, temos muitos abrigos e pessoas competentes em um esforço hercúleo para fazer com que os processos caminhem e essas crianças estejam finalmente disponíveis para adoção.
A grande maioria das pessoas que se propõe a adotar buscam um bebê. Com isso, temos várias crianças que vão crescendo e suas esperanças diminuindo.

Uma simples notícia dessa tem um impacto implícito na sociedade. 
Leia a chamada da reportagem e reflita quais são as informações que mais chamam a atenção:
1. Uma senhora maltratada por uma criança de 11 anos;
2. Essa criança é adotiva.

Agora continuem acompanhando meu raciocínio. Qual é a motivação dessa reportagem:
1. Uma criança de 11 anos usando a aposentadoria da mãe para gastar com supérfluos e deixando a própria mãe a merce da sorte, com problemas de saúde e higiene.

A pergunta mais importante até agora: "FAZ DIFERENÇA SE ELA É ADOTIVA?"

Qual o resultado disso: "Uma boa parte da sociedade é levada sem nem saber direito a um preconceito absurdo para com as crianças adotivas.

Qual a consequência direta: "Os casais que em algum momento pensaram que poderiam adotar crianças maiores, sem nem saber porque, desistem. E com isso, voltando ao que falei no início do texto, essas crianças ficam sem esperanças e vão crescendo até que completam 18 anos e são retiradas dos abrigos e não tem qualquer suporte para viver. Advinha como elas conseguem dinheiro para comer? Advinha onde elas vão viver?"

Sei que parece teoria da conspiração, mas não faz algum sentido pra vc?

APENAS REFLITAM.

Quando lerem uma outra reportagem dessas, mentalmente coloquem uma tarja na informação: "ADOTIVA" e descubram que não faz qualquer diferença. Pode parecer incrível, mas filhos biológicos também cometem erros.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carta de Bárbara Toledo à Aguinaldo Silva

Novela Fina Estampa. Cristiane Tornoli.
CARTA ABERTA
À Rede Globo de Televisão
Ao Escritor Aguinaldo Silva
Ref.: Novela Fina Estampa

Prezados Senhores:

Meu nome é Bárbara Toledo, sou fundadora do Grupo de Apoio à Adoção QUINTAL DA CASA DE ANA (
www.quintaldeana.org.br), que trabalha em prol da garantia do direito à convivência familiar de crianças e adolescentes que vivem em instituições de abrigo, "varridos para debaixo do tapete da sociedade", apoiando as famí­lias adotivas, orientando os pretendentes à adoção, justamente para que essa decisão em suas vidas seja muito bem sucedida.

Presido a ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO (ANGAAD) –
www.angaad.org.br, entidade sem fins lucrativos, que congrega há 18 anos, mais de 100 grupos de apoio à adoção com representatividade em todas as cinco regiões brasileiras e luta pela garantia do direito à convivência familiar de toda criança e adolescente institucionalizado. E, atualmente, temos cerca de 40.000 crianças institucionalizadas à espera de uma família!

De fato, nos últimos anos, o Movimento Nacional de Apoio à Adoção, responsável na luta pela promulgação da nova Lei da Adoção, tem contado e muito com a colaboração da imprensa falada e escrita na divulgação de uma NOVA CULTURA DA ADOÇÃO!

E, o que é essa NOVA CULTURA DA ADOÇÃO?

A filiação adotiva deve ser considerada de igual valor que a biológica (até mesmo porque também os filhos biológicos devem ser adotados, cuidados e amados para serem verdadeiramente filhos); a adoção não deve ser um ato de caridade, mas sim um ato de amor, uma "via de mão dupla" onde pais e filhos são ganhadores; a verdade da origem do filho adotivo deve ser respeitada e conhecida (desde que possí­vel) e a adoção deixe de ser um segredo de família, algo que não se possa revelar (ora, somente as coisas feias ou inadequadas procuramos esconder), e especialmente, através da qual possamos corrigir a inércia do Poder Público que não tratou essas crianças, hoje adolescentes, como sujeito do direito de ter uma famí­lia, e por isso lutamos todos os grupos pelas adoções necessárias, isto é, por adoções tardias, inter raciais, de grupos de irmãos, de deficientes e com ví­rus HIV.

Com esse trabalho, temos conseguido alterar o perfil do habilitado à adoção que, tradicionalmente, estava direcionado para bebês saudáveis, brancos e, preferencialmente, meninas. Atualmente, muitas crianças e adolescentes, antes fadados a viver eternamente em entidades de acolhimento institucional (antigo abrigo) por estarem fora do perfil comumente desejado, estão sendo adotadas e passaram a compor famílias que convivem felizes e em harmonia com as suas escolhas.

No entanto, a ANGAAD tem sido o receptivo de todas as angústias que famílias, pretendentes, profissionais e simpatizantes da adoção tem manifestado com relação às cenas da novela "Fina Estampa" que, em pleno horário nobre da TV, desde 28 de janeiro último, vem tratando do grande “segredo†da personagem Teresa Cristina.

Seu grande segredo, revelado com estardalhaço e de forma fantasiosa, refere-se ao fato de ser filha biológica de uma empregada que morreu louca em um sanatório psiquiatrico e ter sido adotada legalmente por uma família milionária.

A revelação de tal segredo parece justificar a personalidade de Tereza Cristina demonstrada ao longo da novela: uma pessoa psicótica, maquiavélica, má, péssima mãe, mesquinha, vingativa, e principalmente, uma homicida reincidente, que agiu para garantir a não revelação do terrível segredo !

A partir da revelação do segredo o descompasso aumenta ainda mais. Criam-se questionamentos sobre o real sobrenome de Tereza Cristina, se teria ou não direito à herança dos pais (adotantes) falecidos, se seu irmão (Paulo) deveria ou não fazer exame de DNA para “desmascará-laâ€.

Essas são apenas algumas das situações que fazem transbordar todo preconceito com relação a adoção como se fosse uma filiação de segunda classe.

Revelação e segredo – A adoção não pode ser tratada como segredo! Absurdo descobrir que a tia de Tereza Cristina, interpretada pela atriz Eva Vilma, vem chantageando a sobrinha em virtude de tal segredo. A origem biológica do filho adotivo é um componente de sua biografia, mas não será jamais o referencial maior de sua vida. O processo de criação e educação oferecidos pelos pais adotivos constituirão as suas matrizes psicológicos mais importantes.

Pessoas adotadas não são coitadinhas que foram acolhidas por um ato de piedade. São pessoas tão somente, que foram escolhidas como filhas pelo amor. A adoção é o processo de filiação fundamentado no afeto, sendo a única forma de se configurar a verdadeira paternidade e a maternidade. O fato de termos gerado crianças não nos torna pais e nem estas filhos. Todos os pais, inclusive os biológicos, precisam adotar afetivamente as suas crianças para que estas se tornem filhos.

Da origem genética – A vergonha de Tereza Cristina por ser filha de uma empregada doméstica é preconceituosa e absurda. A grande maioria das crianças e adolescentes disponibilizadas a adoção tem origem na pobreza, no abandono, na mendicância. Nenhuma dessas crianças e adolescentes deverá ter vergonha de sua origem. Tal colocação fere a dignidade da pessoa humana.

Dos questionamentos acerca do sobrenome de família – Tereza Cristina foi legalmente adotada. Seu sobrenome é da sua família adotiva, simplesmente da sua família. A inserção dessa dúvida está colocando em polvorosa inúmeras famílias formadas pela adoção que, no desespero, mesmo com toda a formação recebida, passam a povoar o imaginário com tal dúvida. A Adoção é uma ato irrevogável que rompe todos os vinculos com a família biológica!

Da herança – Inquestionável que crianças e adolescentes legalmente adotados têm assegurados todos os direitos sucessórios. Totalmente descabida tal colocação ou sua menção por outros personagens do folhetim.

Dos componentes psiquiátricos e da falta de comprovação da transmissão hereditária – Muitas pesquisas científicas tem sido feitas neste sentido, entretanto, nenhum estudo em psiquiatria é categórico ao enfatizar uma influência exclusivamente genética, considerando sempre os fatores ambientais no desencadeamento ou manutenção dos transtornos. Em relação a esquizofrenia especificamente, até o momento, os estudos são também inconclusivos ao colocá-la como genética ou hereditária, embora tenhamos certeza de que a probabilidade de filhos esquizofrênicos é maior se um dos pais for esquizofrênico e muito maior se ambos o forem. Sempre se fala em "probabilidade" ressaltando-se a influência ambiental na maioria dos estudos.

Uma enormidade de crianças e adolescentes adotados são filhos biológicos de alcoolistas, usuários das mais diversas drogas, dentre elas o crack, pacientes psiquiátricos, portadores do vírus HIV, dentre outros. Assim, a abordagem escolhida para a personagem Tereza Cristina faz um enorme desserviço à causa da adoção, afastando o adotante do real interesse do instituto da adoção que é a criança.

E como se tivessem sido reabertos baús que acreditávamos esquecidos e os fantasmas dos preconceitos passassem a rondar novamente o imaginário social...

A maioria da poupulação não tem conhecimento cabal dos procedimentos legais da Adoção, da sua irrevogabilidade, dos direitos e deveres que dele decorrem e dos aspectos emocionais e psicológicos que envolvem uma verdadeira atitude adotiva.

Entendemos a liberdade de expressão e jamais nos colocaríamos na posição da malfadada censura, contudo, os últimos capítulos só têm reforçado todo preconceito com relação à Adoção.

Outrossim, numa ponderação hierárquica dos princípios constitucionais , se sobrepõe à liberdade de expressão a dignidade da pessoa humana que, por força do disposto no Art. 227 parágrafo 6º da Constituição Federal, não pode sofrer qualquer designação discriminatória relativa a sua filiação

Assim, por todas as razões já colocadas e prejuízos e constrangimentos para inúmeros pais e filhos adotivos brasileiros, vimos solicitar não somente uma reinterpretação da questão envolvendo o tema da adoção da personagem Tereza Cristina, mas principalmente o esclarecimento dentro do ambito da novela do real siguinificado da CULTURA DA ADOÇÃO.

Desde já agradecemos pela atenção dispensada e aguardamos ansiosos pelas providencias a serem adotadas para reparar a dor causada às famílias adotivas e o prejuízo a toda luta de tentar encontrar uma família para as 40.000 crianças abrigadas.

Atenciosamente,

Barbara Toledo
Presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção ANGAAD
http://www.quintaldeana.org.br/
Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ficção que reforça preconceitos

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Um des-serviço à população brasileira (na qual muita gente se informa só através das pobres novelas), sem o mínimo de responsabilidade é construir um personagem perverso, imaturo, cruel, egoísta ao extremo, psicopático e colocar a responsabilidade no fato de ter sido adotada, como se isso justificasse o desejo de vingança e de matar pessoas e, ainda por cima, para proteger o segredo, como se fosse horrível ter sido adotada. E ainda tratar a doença mental como etiologicamente puramente genética. Absurdo.
Cintia Liana
Abaixo seguem as palavras do meu amigo Paulo Wanzeller.
Fina Estampa... É isso mesmo? Ficção para quê?

04.02.1012


Fiquei procurando uma razão que justificasse não apenas a busca insensata do sucesso a enredar o texto principal da novela Fina Estampa, exibida no horário nobre da Rede Globo, pelos caminhos da insanidade, crime, violência, mal caráter, futilidade ao extremo, desajuste sexual, pedantismo, usura, dente outros; todas estas funestas características reunidas em um só personagem, a Teresa Cristina, protagonizada pela atriz Cristiane Torloni, o porquê de tal personagem ostentar em sua história um passado de abandono e adoção e qual a relação das características pessoais do personagem com a adoção.

Na internet li a biografia do autor Aguinaldo Silva. Li a sinopse da novela, li a sinopse das outras novelas do autor, li textos, assisti vídeos... Não existe uma aparente e explícita justificativa vinda ou explicada do autor. Do meu ponto de vista trata-se de pobreza de imaginação e de criatividade. É a minha opinião e não altera um centavo da audiência da novela que, por sinal, não assisto. Não vejo atração nas novelas atuais, prá mim são simples repetição de um roteiro prá lá de batido.


Lembrei do episódio do chamado “Massacre de Realengo” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Realengo), e o quanto a adoção foi exposta como justificativa para o crime, inclusive ressaltada a doença mental da mãe biológica do assassino como motivo pra uma personalidade doentia e criminosa.

Lembrei de outros crimes noticiados e que o assunto de frente era a violência ou o assassinato e o pano de fundo a adoção.


• POR CAUSA DE DÍZIMO, FILHA ADOTIVA MATA OS PAIS NO MARANHÃO - http://www.guiame.com.br/ntc/por-causa-de-dizimo-filha-adotiva-mata-os-pais-no-maranhao.html



Queremos proteger nossos filhos, queremos que a sociedade os veja como filhos amados e criados para serem pessoas “de bem”, pessoas especiais, vencedoras, vitoriosas apesar da história de vida de todos que passam pelo abandono; essas notícias da imprensa sensacionalista e o enredo da novela Fina Estampa nos atinge, sobre isso não há o que debater.

A vida... as experiências de cada um..., uns abençoados “bem nascidos” com trajetórias de uma vida cercada de carinho, amor, luxo e riquezas, outros com experiências de sofrimento desde a fase intra uterina até a fase adulta, convivem diariamente com o sofrimento, vícios, crimes e toda sorte de mazelas sociais.
E eu pergunto: comparando as duas vidas acima ... É possível afirmar que uma será de pleno sucesso e a outra de sucessiva miséria social? Sabemos que a resposta é um complexo e sonoro NÃO!


Na ficção é a mesma coisa, não é o autor que tem que modificar o enredo para não contar, logicamente a troco da audiência, uma história de adoção e tragédia, ser humano é assim mesmo, complexo, surpreendente... E infelizmente o que vende é a trama criminosa, o sangue social, e diga-se vende porque nós compramos. E o que está vendendo hoje é o preconceito, o estereótipo e o ridículo.



Modificar o enredo da novela não vai extinguir a sanha pela audiência e nem impedir que a imprensa amanhã ressalte a adoção como um fator de negatividade na vida de quem cometa crimes ou outros fatos de semelhante natureza. Nem mesmo modificar nossa postura e nossa seletividade querendo mais cultura e entretenimento sadio.


Não podemos somente nos revoltar, porque a “ficção imita a vida”, quanto mais cruel, mais dá audiência, rende milhões e a Globo não vai mudar isso porque nós pais adotivos nos sentimos ultrajados com notícias e evidências negativas sobre a adoção. Para nós a adoção é única e exclusivamente uma nomenclatura, é como se explica juridicamente o vínculo que formamos com nossos filhos. A convivência, o amor que temos por eles, nosso carinho e nosso desvelo é muito grande para pensar em fracasso.


Protestemos sim, é necessário mostrar a nossa indignação quando algo nos atinge, mas, principalmente continuemos nossa luta, divulguemos êxitos, disseminemos nossos planos de felicidade. Hoje a adoção não é mais vista como simples caridade ou como uma filiação ilegítima e não há como retroceder quando a motivação para formar uma família é o amor. 
Paulo Wanzeller / Fevereiro de 2012

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A Culpa Não é do Habilitado

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Por Silvana do Monte Moreira

Todos os dias, em diversas reportagens divulgadas na mídia ou em programas específicos sobre adoção, ouvimos a mesma informação: o perfil das pessoas cadastradas no CNA – Cadastro Nacional de Adoção, gerido pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça -, é de menina, branca, de até 3 (três) anos de idade e sem qualquer problema de saúde.

...
A ANGAAD – Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, que conglomera mais de 100 grupos de Apoio à Adoção pelo Brasil, propaga a nova cultura da adoção que inverte o paradigma tradicional de se buscar uma criança para uma família, privilegiando dar uma família para uma criança que dela necessita, fazendo valer o princípio constitucional do melhor interesse da criança.

De fato o perfil dos habilitandos vem sendo alterado nos últimos anos em função da grande atuação dos Grupos de Apoio à Adoção. Os GAAs são parte da sociedade civil organizada que trabalha em prol da nova cultura da adoção.

Os GAAs contam com o trabalho voluntário de psicólogos, assistentes sociais, operadores do direito e pessoas que passaram ou estão passando por processos de adoção. É uma troca constante de informações, experiências e vivências que auxiliam no pré, durante e período pós-adoção.

Mensalmente são realizadas palestras com discussões sobre os mais variados temas, dentre eles, salientamos: adoção tardia; adoção múltipla; adoção positiva (HIV +); adoção especial; adoção necessária; adoção inter-racial; adoção consentida; aspectos envolvendo educação de filhos; problemas nos procedimentos de adoção e como enfrentá-los; debates sobre a legislação e suas alterações; debates sobre procedimentos de habilitação, guarda, adoção e destituição do poder familiar, dentre outros.

Alguns GAAs têm Termo de Cooperação Técnica firmado com a Vara da Infância de sua competência territorial, outros não os tem por razões que desconhecemos, visto serem os GAAS indispensáveis ao preparo à habilitação vez que os assuntos tratados auxiliam os futuros habilitados em todas as etapas do procedimento – da parte anterior à habilitação até o desenvolvimento da adoção e o período pós-adoção.

Todas essas explicações servem para justificar que não cabe aos habilitados, componentes do CNA, a culpa pela falta de cruzamento dos números de habilitados (cerca de 26 mil) e de crianças disponibilizadas à adoção (cerca de 4 mil), pois, não compete aos habilitados realizar o cruzamento de dados do CNA e sim aos responsáveis pelas respectivas varas da infância. O CNA não funciona sozinho, precisa que alguém dê o “click” e faça o cruzamento das informações.

Outra questão é a falta de equipes técnicas em inúmeras varas da infância espalhadas pelo Brasil, mesmo com a Recomendação do CNJ para que os Tribunais de Justiça realizassem concursos públicos para os provimentos dos cargos de psicólogos(as) e assistentes sociais, formando, assim, a equipe interdisciplinar cuja atuação é indispensável nos procedimentos de habilitação, guarda, adoção e destituição do pode familiar, tais concursos permanecem sem realização.

Ainda pontuamos a falta de equipamentos, notadamente computadores. Sem as ferramentas indispensáveis será impossível a realização de um trabalho que atenda ao melhor interesse das crianças e adolescentes em acolhimento institucional.

A excessiva demora das Ações de Destituição do Poder Familiar é outro entrave absurdo. O ECA determina que todo o procedimento terá duração máxima de 120 (cento e vinte dias), contudo o próprio ECA estabelece que deverão ser esgotadas as possibilidades de citação pessoal dos pais (família biológica). O entendimento de “esgotar” difere de Juízo para Juízo quando na realidade devia ater-se aos endereços fornecidos pela Receita Federal, Tribunal Regional Eleitoral, DETRAN e citação por edital, pois, se a pessoa não possuí CPF por óbvio não terá contas de água, luz, gás ou telefone em seu nome. Deveria, também, haver uma limitação de tempo para a localização dos genitores, no máximo 6 (seis) meses, pois se em tal período não buscarem contato com os filhos obviamente já os abandonaram afetiva e materialmente.

Essa necessidade de busca do vínculo biológico é absurda, pois, nossas crianças e adolescentes têm pressa de ter uma família e a passagem inexorável do tempo é ingrata, queimando etapas da vida que jamais serão repostas.

Assim, antes de se culpar os habilitados deve-se fazer uma mea culpa por todos os erros cometidos ao longo de anos da "desimportância" com a qual tratamos nossas crianças e adolescentes, aos quais relegamos a titulação de filhos do Estado ou filhos de ninguém.

O Brasil precisa de Magistrados vocacionados, assim como Promotores de Justiça, Assistentes Sociais e Psicólogos, pois, apenas os que têm vocação para o trabalho com crianças e adolescentes conseguirão conviver com histórias de abusos (físicos, psicológicos e morais), abandonos (intelectual, afetivo e material), dentre tantos outros motivos que levam nossas crianças à institucionalização.

Precisamos rever os conceitos vigentes antes de, simplesmente, colocarmos a culpa de anos de ineficiência sobre os ombros dos habilitados.

Silvana do Monte Moreira
Diretora Jurídica da ANGAAD – Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção
Presidente da Comissão de Adoção do IBDFAM – Associação Nacional de Direito de Família
Coordenadora dos Grupos de Apoio à Adoção Ana Gonzaga I e II

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Campanha Adote essa Ideia

Foto: Campanha "Adote essa Ideia"

Agnelo Pacheco retoma a campanha “Adote essa Ideia”

Ter, 26 de Outubro de 2010 13:00

Segunda fase do projeto busca alertar a sociedade sobre a importância de uma adoção consciente.
Devido ao grande sucesso da campanha “Adote essa Ideia”, a OAB-SP por meio da Comissão Especial de Direito à Adoção, solicitou que a agência Agnelo a retomasse com o intuito de desmitificar a problemática do preconceito dos candidatos a adotantes, tanto em relação à idade quanto a etnia da criança.

A ideia surgiu em decorrência da nova Lei de Adoção - sancionada pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva. Cujo principal objetivo é impedir que crianças e adolescentes permaneçam em abrigos por longos períodos.

A campanha tem como objetivo mobilizar a população sobre a importância da adoção. O intuito é estimular a sociedade a adotar sem exigências quanto à idade, etnia e sexo da criança, o que acaba dificultando e torna lento o processo.

Assim como a primeira fase de divulgação, “Adote essa Ideia” apresenta cartazes e cartões postais, que trazem como mote o fim do preconceito representado por uma mulher branca abraçada a uma criança afro-descendente. A novidade é o desenvolvimento de uma cartilha a respeito do assunto.

Ficha Técnica
Título: Adote essa idéia
Cliente: OAB -SP
Produto: Institucional
Peças: cartaz, postal, banner
Criação: Agnelo Pacheco, Ricardo Paoliello, Luiz Catapano.
Direção de Criação: Agnelo Pacheco
Planejamento: Agnelo Pacheco
Atendimento: Renata Botene
Aprovação: Luiz Flávio Borges D’Urso



Postado Por Cintia Liana