"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

Mostrando postagens com marcador maternidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador maternidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de novembro de 2016

20 coisas que mãe detesta!

Foto retirada da página Facebook da Dra. Camila Milagres

Dra. Camila Milagres
1. Que acorde o bebê/criança;
2. Que dê comida sem perguntar antes se pode;
3. Que fique passando o bebê de colo em colo (quando é recém-nascido);
4. Que pegue o bebê no colo e não solte mais (quando é recém-nascido);
5. Que beije a mão e rosto do bebê (quando é recém-nascido);
6. Que faça visitas sem avisar (também quando é recém-nascido. Tudo é mais complicado nessa fase);
7. Que questione se mama no peito.
8. E, se a resposta for não, que questione por que não mama.
9. E, se a resposta for sim, que questione por que ainda mama nessa idade (não dá para acertar nunca, vocês já viram, né!);
10. Que fique perguntando por que a criança chora tanto;
11. Que fique perguntando por que a criança não dorme;
12. Que fique perguntando, sem parar, se o bebê não está com frio, calor, fome, entre outros…
13. Que questione a decisão do tipo de parto;
14. Que questione por que o bebê ainda não senta, não fala, não engatinha, não anda;
15. Que insista que no seu tempo as coisas eram diferentes (e melhores);
16. Que faça comparações seja da criança ou da mãe;
17. Que questionem a decisão de colocar na escolinha, não colocar na escolinha, contratar babá, não contratar babá, largar o trabalho para cuidar do filho (enfim, qualquer uma dessas decisões. Não é necessário questionar, garanto que a decisão foi muito, muito, muito bem pensada! E, muitas vezes, sofrida);
18. Que condene as decisões sobre a alimentação da criança (sempre tem alguém achando que é um exagero os pais darem só orgânicos, ao mesmo tempo existem pais que não selecionam o que seus filhos comem);
19. Que fique contando vantagem, falando que o filho dormiu a noite toda com dois meses, atingiu todos os marcos de desenvolvimento antes da hora, come de tudo sem reclamar e é super comportado (mentir é feio, viu! kkk!);
20. E, principalmente, que julgue e condene sem nem saber o que se passa na casa do outro. Uma das coisas mais comuns hoje em dia! Até para quem é mãe e bastante experiente no assunto (que vergonha!!!).

Quer aumentar essa lista? Com certeza dá! Deixe nos comentários abaixo a listinha das coisas que você detesta quando fazem com você ou com os filhotes. Com certeza muitas outras mães vão se identificar.
Texto retirado da página Facebook da Dra. Camila Milagres

sábado, 5 de novembro de 2016

Um livro que fortalece e empodera as mães

Um livro que fortalece e empodera as mães.

O melhor livro que já li sobre maternidade, nascimento e vínculo entre mãe e bebê.

"A maternidade e o encontro com a própria sombra"





Por Laura Gutman
Este é um livro escrito para mulheres. Não pretende ser um guia para mães desesperadas. Ao contrário, é uma espécie de “alto lá!” no caminho para que possamos pensar como mães que estão criando seus filhos, com nossas luzes e sombras emergindo e explodindo em nossos vulcões em chamas.
Muitos aspectos ocultos de nossa psique feminina são desvelados e ativados com a chegada dos filhos. Estes momentos são, habitualmente, de revelação e de experiências místicas se estivermos dispostas a vivê-los nesse sentido tais e se encontrarmos ajuda e apoio para enfrentá-los. Também são uma oportunidade de reformularmos as ideias preconcebidas, os preconceitos e os autoritarismos encarnados em opiniões discutíveis sobre a maternidade, a criação dos filhos, a educação, as formas de criar vínculos e a comunicação entre adultos e crianças.
Este livro pretende abordar a experiência vital da maternidade como vibração energética mais do que como pensamento linear.
Trazer as experiências que todas as mulheres atravessam como se fossem únicas, sabendo, ao mesmo tempo, que são compartilhadas com as demais fêmeas humanas e fazem parte de uma rede intangível em permanente movimento. Mesmo sendo muito diferentes umas das outras, as mulheres ingressam em um território onde circula uma afinidade essencial comum a toda mãe. Refiro-me ao encontro com a experiência maternal como arquétipo, em que cada uma se procura e se encontra em um espaço universal, mas buscando também a especificidade individual.
Por meio de diversas situações cotidianas, descreveremos um leque de sensações em que qualquer mulher que se tenha tornado mãe poderá facilmente identificar. Paradoxalmente, o uso da linguagem escrita como ferramenta para transmitir essas experiências pode ser um obstáculo, pois atende a uma estrutura em que vários elementos vão se ordenando para construir um discurso. A abordagem do universo da psique feminina, que pertence a uma construção oculta do ponto de vista de nossa cultura ocidental, então se complica. Nesse sentido, para acessar e compreender este livro, serão muito úteis a intuição ou as sensações espontâneas que nos permitam fluir com o que nos acontece quando percorremos alguma página escolhida ao acaso.
De qualquer maneira, é de se imaginar que ficaremos presas à tentação de discutir calorosamente quais são os pontos em que estamos de acordo ou em profundo desacordo. Embora as discussões que venham a surgir entre as mulheres possam ampliar o pensamento, insisto em tentar uma leitura mais emocional, esperando que tenha ressonância no infinito. Ou seja, captar o conteúdo sensorial, imaginativo ou perceptivo, em vez de aprender ou avaliar os conceitos linearmente. Isso tem a ver com deixar abertas as portas sutis e estar atenta às que vibram com especial candura. Permitamos que aquelas que não nos sirvam sigam seu caminho sem nos distrair.
Suspeito que há vários pontos de partida para a leitura: o mais evidente é a partir do “ser mãe”. Espero, também, que o livro seja interessante para as profissionais de saúde, comunicação ou educação que tenham contato com mães, cada uma esperando, com suas próprias ferramentas intelectuais, obter resultados convincentes no que se refere ao comportamento e ao desenvolvimento das crianças.
Acredito que é possível conservar as duas visões simultaneamente; de fato, muitas de nós somos profissionais no campo das relações humanas e também somos mães de crianças pequenas.
Espero conseguir transmitir a energia que circula nos grupos que funcionam dentro da instituição que dirijo, nos quias as mães se permitem ser elas mesmas, rindo dos preconceitos e dos muros que erguem por medo de ser diferentes ou de não ser amadas. Ali foi gestada a maioria dos conceitos que fui nomeando nestes últimos anos e que, tocados por uma varinha mágica, começaram a existir.
Na Escuela de Capacitación Profesional de Crianza, continuamos inventando palavras para nomear o indefinível, os estados alterados de consciência do puerpério, os campos emocionais em que ingressamos com os bebês, a loucura indefectível e esse permanente não reconhecer mais a si mesma. No intercâmbio criativo, as profissionais tentam encontrar as palavras corretas para nomear o que acontece conosco. Arrependo-me de não ter filmado as aulas ou as entrevistas individuais com as mães que nos consultam, porque esse poder, esse florescer dos sentimentos femininos, raramente pode ser traduzido com exatidão pela palavra escrita. Conto, assim, com a capacidade de cada leitora de se identificar com os relatos, imaginando a essência e sentindo que, definitivamente, todas somos uma.
Por último, convido-as a fazer esta viagem juntas, preservando a liberdade de levar em consideração apenas o que nos seja útil ou possa nos apoiar. Esta é minha maneira de contribuir para gerar mais perguntas, criar espaços de encontro, de intercâmbio, de comunicação e de solidariedade entre as mulheres. Esse é meu mais sincero desejo.
Laura Gutman
Sumário

PREFÁCIO

CAPÍTULO 1
Uma emoção para dois corpos

A fusão emocional • As crianças são seres fusionais • Início da separação
emocional • Por que é importante compreender o fenômeno da
fusão emocional? • O que é a sombra? • Por que é tão árduo criar um
bebê? • As depressões pós-parto existem ou são criadas? • O caso Romina
• A perda de identidade durante o puerpério • Entre o externo e
o interno.

CAPÍTULO 2
O parto

O parto como desestruturação espiritual • Institucionalização do parto • A submissão durante o parto ocidental: rotinas • Reflexões sobre os maus-tratos • A opção de parir cercada de respeito e cuidados • Acompanhar o parto de cada mulher • Existe um lugar absolutamente ideal para parir? • Parto e sexualidade • Recordando meu segundo e terceiro partos.

CAPÍTULO 3
Lactação

Amamentar: uma forma de amar • O encontro com seu eu • O início da lactação • As rotinas que prejudicam a lactação • O bebê que não engorda • O caso Estela • Há mulheres que não têm leite? • Os bebês que dormem muito • O caso Sofia • Algumas reflexões sobre o desmame • Valéria quer desmamar sua filha.

CAPÍTULO 4
Transformar-se em puérpera

Preparação para a maternidade: ao encontro da própria sombra • A relação amorosa no pós-parto • A doula: apoio e companhia • Feminilizar a sexualidade durante o pós-parto.

CAPÍTULO 5
O bebê, a criança e sua mãe fusionada

As necessidades básicas do bebê do nascimento aos 9 meses • O olhar exclusivo • A capacidade de compreensão das crianças pequenas (falar com elas) • Recursos concretos para falar com as crianças • Estrutura emocional e construção do pensamento • Separação emocional e comunicação • Cuidados com as crianças “com problemas” • O caso Norma • O caso Constanza • Cada situação é única.

CAPÍTULO 6
Apoiar e dividir: duas funções do pai

O papel do pai como esteio emocional • Confusão de papéis nos tempos modernos • E quem apoia o pai? • O papel do pai como separador emocional • Outros separadores • O caso Pablo • Manter o lugar do pai mesmo que esteja ausente • Criar os filhos sem pai • As crianças que acordam à noite: a importância da figura paterna • Funções feminina e masculina na família.

CAPÍTULO 7
As doenças infantis como manifestação da realidade emocional da mãe

Materialização da sombra • Uma visão diferente das doenças mais frequentes na primeira infância • Os resfriados e a mucosidade • Asma • O caso Eloísa • Alergias • Infecções • O caso Rodrigo e sua mãe • Problemas digestivos • Comportamentos incômodos: o caso Florencia • O caso Marcos: fusão emocional, música e linguagem.

CAPÍTULO 8
As crianças e o direito à verdade

Verdade exterior • Verdade interior • A busca da própria verdade • A verdade nos momentos difíceis • A verdade nos casos de adoção • O caso Bárbara (dar um novo significado à morte de um ente querido) • O caso Sandra.

CAPÍTULO 9
Os limites e a comunicação

As crianças precisam de mais limites ou de mais comunicação? • Para ouvir o pedido original: acordos e desacordos • O uso do “não”, um recurso pouco eficaz • As crianças tiranas • O tempo real de dedicação exclusiva às crianças • Os “caprichos” quando nasce um irmão • As crianças e as exigências de adaptação ao mundo dos adultos • A loucura das festas de fim de ano nos jardins de infância • O estresse das crianças • O caso Rodrigo.

CAPÍTULO 10
Prazer das crianças, censura dos adultos

O controle natural dos esfíncteres e o autoritarismo dos adultos • O controle noturno dos esfíncteres • O caso Brígida • A sucção: prazer e sobrevivência • A água, essa doce sensação • Ao baleiro da esquina, com amor • Crianças, alimentação e natureza • Exigências e alternativas na hora de comer.

CAPÍTULO 11
Comportamentos familiares na hora de dormir

Transtornos do sono ou ignorância sobre o comportamento previsível do bebê humano? • A noite e os bebês de zero a dois anos • No compasso das opiniões • As crianças com mais de dois anos que acordam à noite • Procura-se um separador emocional (para ler com o homem) • As crianças também querem dormir.

CAPÍTULO 12
Crianças violentas ou crianças violentadas?

Algumas reflexões sobre a violência: ao conhecimento de si mesmo • Violência ativa e violência passiva: um guia para profissionais • O caso Roxana • Crianças agressivas: reconhecendo a própria verdade • As crianças que provêm de famílias violentas • Crianças que sofreram abusos emocionais ou sexuais: abuso entre crianças • A negação salvadora: o caso Rubén e o caso Leticia • A visão profissional.

CAPÍTULO 13
As mulheres, a maternidade e o trabalho

Maternidade, dinheiro e sexualidade • A confusão de papéis nos trabalhos maternos • As instituições educacionais • Em busca do ser essencial feminino.

EPÍLOGO

Fonte: http://www.lauragutman.com.ar/libros/a-maternidade-e-o-encontro-com-a-propria-sombra-brasil/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Ter filho é a coisa mais edificante que existe", afirma filósofo



Quando o assunto é educação, não só os filhos, mas também os pais têm muito a aprender. O Mãe com Prosa convidou o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella para comenta sobre as transformações que cada filho pode proporcionar aos pais. E como se dá esse processo em meio a novas configurações familiares.
"Ser pai uma das coisas mais edificantes que existem e não existe o papel da mãe, ou do pai, e sim o do cuidador", afirma o professor.
Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/familia/indicacao/ter-filho-e-coisa-mais-edificante-que-existe-afirma-filosofo/

domingo, 18 de setembro de 2016

Sobre a maternidade e seus vícios

Blog Skopós
Por SolQS
Estava lendo um livro que me fez pensar. O livro falava sobre vícios e como nossa sociedade quebrou alguns tabus e evoluiu em relação à muitos deles. Lidamos aparentemente melhor com pessoas viciadas jogos. Lidamos melhor com pessoas viciadas em sexo e orgias. Lidamos muito melhor, a ponto de admirar, aqueles viciados em trabalho. Lidamos melhor.
Mas e os vícios da maternidade? Ah, esses não tem como lidar melhor, afinal de contas eles envolvem um pequeno ser que não tem recursos para se defender ou tomar decisões. Então é por bem que critiquemos esses vícios, essas péssimas mães viciadas em tantas coisas proibidas na maternidade. Claro, maternidade tem regras e elas devem ser seguidas. Afinal de contas, que mãe que em sã consciência dorme abraçada com o bebê em sua cama? Que mãe inconsequente que acostuma tão mal seu bebê ao ponto de ensiná-lo a dormir mamando no peito? Quanto egoísmo querer sentir o carinho que aquela mãozinha faz enquanto mama ou olhar aqueles olhinhos tão fixos nos seus. Da horror só de pensar em deixar o bebe se acostumar a ser tirado do berço ou do carrinho quando chora para acalmá-lo em seus braços. Lugar de bebê é no berço, no carrinho, na escola, mas não no colo da mãe.
Ah, e por falar em escola, não podemos esquecer daquelas que abandonam uma carreira por um ou dois anos para cuidar dos filhos e não dão à eles o exemplo de independência que deveriam dar. Afinal, um bebê precisa saber que o mundo não deve ser machista. Também existem aquelas que deixam de ir viajar e dar atenção aos seus maridos só para ficar pertinho de seu filho, um tremendo absurdo, já que o bebê precisa entender e aceitar essa separação que o marido, adulto e que optou por ser pai, não consegue.
Ah, esses vícios da maternidade. Ah, esse instinto materno que faz com que as mães insistam em dar o peito o tempo todo e em qualquer lugar para alimentar, acalmar ou estar em um contato mais íntimo com seu bebe, que faz com que as mães queiram ter seus filhos em seus braços sentindo seu calor e exercendo seu papel de protetora, que faz com que abram mão de parte de suas próprias vidas em prol de uma outra. Ah, esse instinto materno…
Certo mesmo é proibir esse contato físico e aumentar a distância entre mãe e filho. Certo mesmo é facilitar a vida dessa mãe, coitada, que precisa descansar. Deixem-a então trabalhar fora por muitas horas, para chegar e cuidar da casa, do jantar e do marido. Deixem-a cuidar de suas obrigações, porque cuidar do filho, ah não, cuidar do filho do jeito que ela sente vontade é terrível demais para ele. Pode ser mal acostumado, se tornar um bebê mimado, chato e inconveniente. O bebê precisa mesmo é ir com qualquer pessoa e saber que não terá o que quer a qualquer choro. Isso sim, ah, isso sim, faz um bem enorme a sociedade. É só ver a nossa, tão egoísta, tão violenta, tão intolerante. Tão, tão, tão contraditória.
E se respeitarmos as mães ao ponto de as deixarmos livres para tomarem suas decisões baseadas em seus instintos? E se nós, mães, nos respeitarmos ao ponto de nos deixarmos livres?
Livres de livros, teorias, conselhos e julgamentos. Livre para seguirmos o nosso instinto.
“A NATUREZA NUNCA NOS ENGANA. SOMOS SEMPRE NÓS QUE NOS ENGANAMOS” (ROUSSEAU)


Fonte: https://skopospp.wordpress.com/2016/09/16/sobre-a-maternidade-e-seus-vicios/

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sobre a criação com "apego"


Lembrando que existem 4 tipos diferentes de apego. Esse ai' é o genérico, conhecido popularmente. Mas apego tem um conceito muito profundo e cada tipo define o tom da relaçao com o primeiro objeto de amor da criança, que é a mae ou a sua substituta, que pode ser tambéem um pai solteiro ou adotivo. O conceito de apego é lindo e muito complexo. John Bowlby é o pai dessa incri'vel teoria. 

Leiam também esse meu texto sobre a importancia do contato entre mae e bebe:
http://psicologiaeadocao.blogspot.it/2013/02/aquele-abraco-negado.html
Tem também um outro que explica os tipos de apego e o momento de começar a ir à escola:
http://psicologiaeadocao.blogspot.it/2014/10/o-momento-ideal-para-iniciar-vida-socio.html

O apego em quatro padrões:
“Seguro – o bebê sinaliza a falta da mãe na separação, saúda ativamente a mãe na reunião, e então volta a brincar; Inseguro – evitante – o bebê exibe pouco ou nenhuma aflição quando separada da mãe e evita ativamente e ignora a mãe na reunião; Inseguro – resistente – o bebê sofre muito, tem muita aflição ou angústia pela separação e busca o contato na reunião, mas não pode ser acalmado pela mãe e pode exibir forte resistência; Inseguro – desorganizado – apresenta comportamento misto, ora como evitante, ora como resistente.” (Lantzman, 2014)
Cintia Liana ❤

******************


Foto: Gravidicas

Texto retirado no Blog Gravidicas

Eu considero a sociedade hoje muito “isolada”.As pessoas evitam contato, o foco é a tecnologia. Receber um abraço sincero é artigo de luxo. Conversa “olho no olho” é só nos casos de briga (e olhe lá). As pessoas priorizam mexer no celular a caminhar de mãos dadas.

Mesmo com tanta correria, notei que a “Criação com Apego” tem se tornado um estilo de vida pra muitas mães hoje em dia. Talvez pra repor alguns erros cometidos pelos nossos pais, ou pra preencher um vazio que existe por algum colo negado em algum momento na vida.

Somos uma sociedade carente de atenção. Afinal, você já não ouviu aquelas “malditas” frases do tipo: “Não pegue seu bebê demais senão vai acostumar mal.” ; “Não dê de mamar toda hora, senão ele vai acostumar mal”… Para os mais antigos (e até pra muita gente da minha faixa etária ~24~), é um erro tremendo se “apegar” ao bebê.

Bom, contrariando as muitas dicas que recebi durante a gravidez, eu e meu marido optamos por criar nossa filha com muito apego, chamego e etc. Confesso que não posso garantir a vocês que ela será perfeita em todos os aspectos, que não irá chorar quando eu não puder dar colo ou coisas assim. Mas posso dizer, com muita segurança, que estamos criando uma criança com demonstrações verdadeiras do que é o amor. E pasmem, ela tem 5 meses e já retribui o carinho.

Aí você me pergunta: Por quê não seguir os exemplos que tivemos? Você, mamãe, já parou pra ler a carteira de vacinação do seu filho? Se não, leia, urgentemente. Se sim, percebeu que até mesmo na carteirinha recebemos indicações para: amamentar por mais tempo, não nos preocupar com colo demais e etc? Pois então, é a “Criação com Apego” divulgada para milhares e milhares de mães no Brasil, e mesmo assim, dar amor e carinho ao filho pode parecer um erro.
Não te convenci ainda? Então pensa comigo:

O bebê passa nove meses na nossa barriga. Sente o que sentimos. Ouve nosso coração. Fica quentinho, acolhido, protegido… Assim que ele nasce, já somos bombardeadas com as “dicas” #fail, dizendo que não devemos dar muito colo, nem muito peito, nem muito carinho. Você, adulta (o) que é, quando vai em uma festa cheia de gente e não conhece ninguém, de repente encontra sua melhor amiga, você não tem vontade de grudar no braço dela e não soltar mais? Afinal, ficar sozinha em lugares desconhecidos é tão desagradável.

Agora imagine para o bebê. Se ter um filho pra você é novidade, para ele até respirar é um ato novo. Eles sentem medo, frio. O colo da mãe é proteção. O abraço da mãe é aconchego. O peito, não é só alimento, é amor.
A criação com apego me tornou muito mais humana. Eu não deixo minha filha chorar até cansar, até porquê, eu odiaria que fizessem isso comigo. Eu não dou de mamar somente de 3 em 3h, afinal, meu leite não é só comida, é a bebida, é um carinho… Eu, quando tenho sede, vou lá e bebo água. Seu bebê não pode fazer o mesmo? Chorar é a maneira que ele tem de pedir…


Eu dou colo pra minha filha, sempre que ela precisa. No começo, é complicado, é adaptação, eles não querem ficar longe. Hoje, com quase 6 meses, ela já fica mais tempo longe, fica sentadinha, brincando. E quando quer colo, eu pego sim. É dito e feito que: ou é sono, ou é fome. A gente com sono, não fica um porre também?
Resumindo, a criação com apego é isso: É colocar-se no lugar do bebê, antes de qualquer coisa.


Pra encerrar com chave de ouro, compartilho aqui com vocês, um texto lindo que tenho salvo no meu celular, pra me lembrar, todos os dias, que amor demais é função de mãe!
“Não existe nenhuma doença mental causada pelo excesso de braços, de carinho, de carícias. Não há ninguém na prisão, ou no manicômio, porque seus pais lhe pegaram demais no colo, ou cantaram canções demais, ou lhe deixaram dormir com eles. No entanto, existe sim, gente na prisão, ou no manicômio porque não teve pais, ou porque seus pais lhe maltrataram, lhe abandonaram ou lhe desprezaram. Mesmo assim, a prevenção dessa suposta doença mental totalmente imaginária, a mimação infantil crônica, parece ser a maior preocupação da nossa sociedade. […] E se não, puxe pela memória e compare: quantas pessoas, desde que ficou grávida, lhe advertiram sobre a importância de por protetores de tomada, de guardar em lugares seguros os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha segura e apropriada para o carro ou de vacinar o seu filho contra o tétano? Agora, quantas pessoas lhe avisaram para que você não fique muito com seu filho nos braços, que não o deixe dormir na sua cama, que não o acostume mal?”

Dr. Carlos González

Fonte: http://gravidicas.com.br/sobre-a-criacao-com-apego/

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Porque sou a melhor mãe que posso ser

Ilustração: Bárbara Brasileiro

Por Marcela Feriani
03 de julho de 2016

Enquanto os olhos do mundo estão no bebê que acaba de nascer, a mãe da mãe enxerga a filha, recém-parida. O papel de avó pode esperar, pois é a sua menina que chora, com os seios a vazar.

A mãe da mãe esfrega roupinhas manchadas de cocô, varre o chão, garante o almoço. Compra pijamas de botão, lava lençóis sujos de leite e sangue. Ela sabe como é duro se tornar mãe. 
No silêncio da madrugada, pensa na filha, acordada. Quantas vezes será que foi? Aguentará a manhã com um sorriso? Leva canjica quentinha e seu bolo favorito.

Atarefada, a mãe da mãe sofre em silêncio. Em cada escolha da filha, relembra suas próprias. Diante de nova mãe, novo bebê, muito leite e tanto colo, questiona tudo o que fez, tempos atrás. Tempo que não volta mais. 
Se hoje é o que se tem, então hoje é o que é. Olha nos olhos, traz pão e café. Esse é o colo, esse é o leite. Aqui e agora, presente. 
A mãe da mãe ajuda a filha a voar. Cuida de tudo o que está às mãos para que ela se reconstrua, descubra sua nova identidade. Ela agora é mãe, mas será sempre filha.

Toda mãe recém-nascida precisa dos cuidados de outra mulher que entenda o quanto esse momento é frágil. A mãe da mãe pode ser uma irmã, sogra, amiga, doula, vizinha, tia, avó, cunhada, conhecida. O fato é que o puerpério necessita de união feminina, dessa compreensão que só outra mãe consegue ter. O pai é um cuidador fundamental, comanda a casa e se desdobra entre mãe e filho, mas é preciso lembrar que ele também acaba de se tornar pai, ainda que pela segunda ou terceira vez.

Marcela Feriani * Canjica
Ilustração: Bárbara Brasileiro

Fonte: https://www.facebook.com/MariaRenataCerqueira/photos/a.449252175232055.1073741829.428343603989579/639813776175893/?type=3&theater


quarta-feira, 23 de março de 2016

Filhas de mães sem amor: 7 Feridas comuns

Esse texto é excelente, mas eu alargaria as possíveis características apresentadas também às pessoas que não se sentiram amadas pelas mães como gostariam ou de acordo com as suas expectativas e não somente as filhas de mães "sem amor".
Sem contar que o ser humano deve passar a vida debruçado em "resolver", em "desemaranhar" a sua relação com a mãe (também com o pai), que é sempre uma relação "conflituosa" e isso não significa ser agressiva ou desarmoniosa.

******************************

Mãe e filha. Google imagens
Durante os anos em que pesquisei e escrevi Mean mothers, eu falei com outras mulheres sobre as nossas experiências em comum. A história de cada mulher é diferente; talvez o que há de comum é a descoberta de que não estamos sozinhas, que não somos as únicas meninas ou mulheres que tiveram mães incapazes de nos amar. Os tabus sobre “desrespeitar” os pais e os mitos da maternidade, que retratam todas as mães como amorosas, só servem para isolar as filhas não amadas. Essa descoberta aumenta a mágoa e as feridas, mas não se resume a isso.

O seguinte catálogo do que pode acontecer com uma filha que cresce sem o amor e o apoio de uma mãe não é uma pesquisa científica; não deve ser generalizado para todos os casos. Novamente, eu não escrevi como psicóloga ou terapeuta, mas como uma companheira de viagem.

Na infância, a criança pega o primeiro vislumbre de si mesma no espelho que é o rosto da mãe. Se a sua mãe for amorosa, o bebê se sentirá seguro e protegido; ele aprende tanto que é amado quanto é amável. Essa sensação de ser amável, digno de afeto e atenção, de ser visto e ouvido, torna-se o alicerce sobre o qual ele construirá as suas mais profundas certezas-de-si, e fornecerá a energia para o seu crescimento.

A filha de uma mãe fria – emocionalmente distante, que não interage com o bebê, ou até mesmo crítica ou cruel – aprende lições diferentes sobre o mundo e sobre si mesma. O principal problema, é claro, é o quão dependente uma criança humana é da mãe para sua nutrição e sobrevivência. O resultado disso é um apego inseguro, caracterizado como “ambivalente” (a criança não sabe se quem vai aparecer é a mamãe boa ou a má) ou “esquiva” (a criança quer o amor de sua mãe, mas tem medo das consequências dessa busca). O apego ambivalente ensina à criança que o mundo dos relacionamentos não é confiável; o apego evitativo configura um terrível conflito entre as necessidades da criança, tanto pelo amor de sua mãe quanto pela proteção contra os abusos físicos ou emocionais dela.

O ponto chave é que a necessidade da criança pelo amor de sua mãe é uma força motriz primordial, e essa necessidade não diminui com a indisponibilidade – coexiste com o terrível e prejudicial entendimento de que a única pessoa que supostamente te amaria sem condições, não o ama. A luta para lidar com isso é poderosa. Ela afeta muitas, se não todas as partes do self – especialmente na área dos relacionamentos.

O trabalho de Cindy Hazan e Philip Shaver (entre outros) mostrou que as experiências da primeira infância foram altamente preditivas sobre os relacionamentos românticos e as amizades feitas na vida adulta. Não vai surpreendê-lo afirmar que as feridas mais comuns são aquelas relacionadas ao self e à área de conexão emocional.

Não devemos olhar para estas feridas para se lamentar ou jogar toda a responsabilidade por quem somos nas costas de nossas mães, mas para nos tornarmos conscientes delas. A consciência é o primeiro passo para a cura de uma criança não-amada. Muitas vezes, nós simplesmente aceitamos esses comportamentos em nós mesmos sem saber o seu ponto de origem.

1. Falta de consistência
A filha não-amada não sabe que é amável ou digna de atenção; ela pode ter crescido se sentindo ignorada ou criticada. A voz da sua mãe continua ecoando na sua cabeça, dizendo que ela não é inteligente, bonita, gentil, amorosa, digna… etc,. Aquela voz materna internalizada continuará a minar suas realizações e talentos, a menos que haja algum tipo de intervenção. Filhas, por vezes, falam sobre o sentimento de que estão “enganando as pessoas” e expressam o medo de serem “descobertas” quando alcançarem o sucesso no mundo.

2. Falta de confiança
“Eu sempre me pergunto”, uma mulher um dia me confessou, “por que alguém iria querer ser meu amigo. Eu não posso evitar de pensar que há algum tipo de interesse oculto”. Estes problemas de confiança emanam do senso de que os relacionamentos são fundamentalmente não-confiáveis, e fluem tanto nas amizades quanto nos relacionamentos amorosos. Como Hazan e Shaver relatam em seus trabalhos, a filha ambivalente necessita de validação constante que a confiança se justifica. Em suas palavras, essas pessoas “experimentam o amor como algo que envolve obsessão, um desejo de reciprocidade e de união, altos e baixos emocionais, atração sexual extrema e ciúme”. A confiança e a incapacidade de estabelecer limites estão intimamente ligados.

3. Dificuldade para impor limites
Muitas filhas, presas entre a necessidade de atenção da mãe e a sua ausência, relatam não conseguir impor limites em seus relacionamentos adultos. Uma boa parte das filhas não-amadas relatam problemas em manter estreitas amizades femininas, que são complicadas devido a questões de confiança (“Como vou saber se ela é realmente minha amiga?”). Não são capazes de dizer “não” (“De alguma forma, sempre acabo sendo um capacho, fazendo muito, e geralmente me acabo me desapontando no final”), ou querem ter um relacionamento tão intenso que a outra pessoa se afasta.

4. Dificuldade para ver o self com precisão
Certa vez uma mulher compartilhou o que aprendeu na terapia: “Quando eu era criança, minha mãe sempre se focava em denunciar os meus defeitos e ignorava minhas realizações. Depois da faculdade, eu tive vários empregos, mas, em cada um deles, meus chefes se queixaram de que eu não estava me esforçando o suficiente para crescer. Foi só então que eu percebi que eu estava me limitando, adotando a visão que a minha mãe tinha sobre mim no mundo. “Grande parte disso tem a ver com tudo o que você ouviu quando criança e internalizou. Essas distorções na forma como vemos a nós mesmos podem se estender para todos os domínios, incluindo a nossa aparência. (Quando eu vasculhei minhas fotos do tempo de adolescência, olhei para aquela menina como a minha mãe, chamando-a de “gorda”. Ela também me chamava de “mal amada”). Outras filhas relataram sentirem-se surpresas quando obtiveram sucesso em alguma coisa, assim como são hesitantes para tentar algo novo, de modo a reduzir a possibilidade de falha. Isto não é apenas uma questão de baixa autoestima, mas algo bem mais profundo.       

5. Atitudes escapistas
A falta de confiança ou o medo, por vezes, coloca a filha não-amada em uma posição defensiva, de modo que ela evita se machucar por um mau relacionamento, em vez de se motivar a encontrar um amor estável. Essas mulheres, na superfície, podem agir como se quisessem estar em um relacionamento, mas em um nível mais profundo, menos consciente, o escapismo é o seu motivador. O trabalho de Hazan, Shaver e Bartolomeu confirma isso. Infelizmente, a evitação impede que a filha não-amada encontre o tipo de relação amorosa que ela procura.

6. Ser excessivamente sensível
Uma filha não-amada pode se tornar muito sensível aos insultos, reais ou imaginários. Um comentário aleatório pode carregar o peso de alguma experiência da infância sem ela mesmo estar ciente disso. “Eu tive que me concentrar nas minhas reações”, disse uma mulher, agora na casa dos quarenta anos. “Às vezes, eu confundo o que é dito, como brincadeiras ou outra coisa, e acabo me preocupando até me abalar e perceber que a pessoa realmente não quis dizer nada do que havia imaginado”. Elas tendem a pensar demais e ruminar muito as situações ruins.

7. Replicar o vínculo com a mãe nos relacionamentos
Infelizmente, tendemos a ser atraídos pelo que já sabemos – aquelas situações em que, apesar de  representarem momentos de infelicidade, não deixam de ser “confortáveis”, por nos serem familiares. Isto, às vezes, tem o efeito de replicar, de maneira não-intencional, a relação maternal. “Eu me casei com a minha mãe, com certeza”, diz uma mulher: “Ele aparentava ser completamente diferente da minha mãe, mas, no final, acabou me tratando da mesma maneira. Como a minha mãe, ele alternava entre a indiferença e a atenção, às vezes fazia críticas horríveis, depois demonstrava alguma forma vaga de apoio”. Ela acabou se divorciando do seu marido e de sua mãe.


Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews

Retirado do: http://www.psiconlinews.com/2016/01/filhas-de-maes-sem-amor-7-feridas-comuns.html





Mãe e filha. Google Imagens

quarta-feira, 9 de março de 2016

Empoderamento infantil de meninas: fortalecendo as garotas desde cedo


We Heart it
Por Mariana Miranda
É através do empoderamento pessoal que diversas mulheres estão vencendo barreiras impostas pelos padrões sociais, por meio de um maior conhecimento sobre as causas femininas, amor próprio e coletividade. Contudo, muitas traçam um caminho árduo até chegar a esse ponto, sofrendo desde a infância diversos tipos de assédios e inferiorizações. Uma boa maneira de evitar esse processo é através do empoderamento infantil, mostrando para as meninas desde muito pequenas que elas não precisam se adequar a nenhum padrão de beleza, sendo feliz com seu corpo e com a pessoa que ela é.
Infância e gênero: a divisão desde muito cedo
É justamente no período da infância que os papéis de gênero começam a ser estabelecidos. A criança é constantemente limitada e moldada pelos próprios pais e familiares para seguir regras estipuladas pela sociedade em que vive. O clássico “azul para meninos e rosa para meninas” é uma das mais conhecidas forma de divisão e caracterização do sexo físico da criança, diretamente relacionado a cor da roupinha usada. Além disso, furar a orelha das meninas ainda quando pequenas é uma cultura extremamente comum entre os pais, ignorando completamente o fato de essa ser uma prática dolorida e desnecessária.
Carina Castro é estudante de letras da USP, pesquisadora de literatura infantil e uma das moderadoras da página Empoderamento Infantil, no Facebook. “É nessa fase que o comportamento para meninas e meninos é ensinado de maneira bem distinta e dicotômica: a docilidade e controle para as meninas, a força e o estímulo para os meninos. Não se pensa de fato na infância, mas num papel que se cumprirá lá na frente”, conta. Segundo a pesquisadora, esse processo se inicia na primeira infância, fase determinante para a capacidade cognitiva e sociabilidade do indivíduo, já que o cérebro absorve todas as informações dadas. “Imagine então como essas imposições limitam o desenvolvimento da criança e como podem influenciar na maneira como entendem suas capacidades”.
Mães e o processo de empoderar: erros e tabus
Frases como “Meninas têm que se dar valor”, “Você precisa emagrecer para ficar bonita”, “Alisa esse cabelo” ou “Se arrume ou você nunca vai arrumar um namorado” ainda são direcionadas constantemente por parentes a garotas ainda crianças ou adolescentes. E o pior:  na maioria da vezes são as próprias mulheres que as falam. Segundo Carina, esse tipo de comportamento vai em direção contrária ao empoderamento infantil de meninas, já que reforça a objetificação da mulher e sua desvalorização relacionada a certos comportamentos. “Esses tipos de conselhos sempre colocam a mulher numa posição subalterna ao homem, sempre buscando a aprovação masculina. Além disso, resume a felicidade das mulheres aos homens, colocando-os como se fossem a principal meta de suas vidas e a única opção caso não queiram ficar ‘encalhadas’”, explica.
E não é apenas o machismo que é reproduzido por meio desses conselhos, como também o racismo e a heteronormatividade. “Eles podem estar coagindo com o embranquecimento de meninas negras, atitude que as mantém refém do racismo, ao invés de libertar suas mentes e mostrar como é bela sua real beleza. E também podem gerar diversos complexos, traumas, depressão, distúrbios alimentares, e a disforia de gênero no caso de crianças trans*, algo que é necessário ter ainda mais apoio e acolhimento do que repreensão e rejeição como geralmente acontece”, conta Carina.
Outro ponto complicado são os assuntos relacionados a sexualidade. Tratar de menstruação e sexo com naturalidade ainda são vistos como tabus em muitas famílias. “Existe a ideia de que não falando sobre isso, estamos preservando, mas não é bem por aí. O que protege mesmo é a informação, é a garota conhecer seu próprio corpo, saber dos riscos que corre e aprender como se proteger”, conta Carina.
A masturbação feminina é vista como impura desde muito cedo, quando os pais reprimem as garotas que se tocam, apresentando-lhes a própria vagina como algo sujo. Já os meninos ficam claramente excitados desde bebês, quando o pequeno pênis fica ereto e precisa da ajuda de um adulto para voltar ao normal. Com isso, a masturbação infantil masculina começa desde muito cedo e não é envolta em tantas polêmicas pelos familiares quanto a masturbação feminina.
Menina empoderada, mulher fortalecida… mas como empoderar?
Uma menina que é empoderada desde muito jovem certamente se tornará uma mulher muito mais preparada para lidar com o machismo cotidiano e com as pressões sociais direcionadas ao seu corpo e seus modos. Contudo, antes de começar esse processo com a filha, a própria mãe tem que se empoderar.
Para Carina, o empoderamento da mãe é fundamental, já que assim ela terá mais condições de compreender e dar uma educação consciente e livre de preconceitos. “Hoje temos muitos sites e projetos de feminismo, maternidade e afins. Existe muito material na internet, então informe-se, esteja atenta e munida de boas referências”, conta. Outro conselho que a pesquisadora dá às mães é para não deixar faltar representatividade na vida da criança, pra que assim ela possa se reconhecer nas imagens que vê e se sinta capaz de alcançar o mesmo patamar. Apresentar mulheres fortes para a criança e que tenha alguma ligação com ela, seja na cor ou na idade, farão com que a inspiração flua.
Pensar antes de aconselhar também é importante. Muitas vezes os conselhos dados reproduzem discursos nocivos ao desenvolvimento da criança e a construção da sua auto-estima, reproduzindo preconceitos enraizados. “Hoje avançamos em muitos debates e existem mais mães que conversam e empoderam suas filhas, porém ainda são poucas. A tentativa muitas vezes continua dentro dos padrões e acaba por gerar o efeito reverso”, explica.
Além disso, apoiar a menina em suas escolhas é fundamental para o empoderamento. Se ela quiser se vestir de azul e jogar bola, precisa ter o apoio e suporte dos pais, e não a repressão. Segundo Carina, brincadeiras ao ar livre em que o exercício lúdico não é distinguido pelo sexo também são muito boas para um melhor aproveitamento da infância, diferente das que apenas reproduzem atividades do lar, como se treinando a menina a exercer essa função no futuro.
Com uma auto-estima elevada e fortificada, as garotas serão mais confiantes de si mesmas e terão uma relação diferente com seus corpos e cores de pele. “Será uma relação de amor e não de ódio, como geralmente acontece devido aos padrões e imposições. Sendo elas o centro de suas vidas, não dependerão da aprovação masculina, assim como terão uma consciência mais ampla sobre suas capacidades e gostos, não se deixando submeter ao desejo alheio. A relação com outras mulheres também tende a ser outra, de solidariedade e empatia, e não de competição, o que contribui muito pro avanço de todas as mulheres”, explica Carina.
Por Mariana Miranda
Fonte: http://www.lado-m.com/empoderamento-infantil-de-meninas-fortalecendo-as-garotas-desde-cedo/