"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A herança emocional dos nossos antepassados

Foto: Biblioteca Virtual de Antroposofia

“A verdade sem amor dói. A verdade com amor cura.” 
A mente é maravilhosa, 20 nov 2017
A herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro, porque assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.
Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.
Esta situação foi muito bem retratada no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, que mostra como o mesmo medo é repetido através de diferentes gerações até que se torna realidade e termina com toda uma linhagem. O que herdamos das gerações anteriores são os pesadelos, os traumas e as experiências mal resolvidas.
A herança de nossos antepassados que atravessa gerações
Esse processo de transmissão entre as gerações é algo inconsciente. Normalmente são situações ocultas ou confusas que causam vergonha ou medo. Os descendentes de alguém que sofreu um trauma não tratado suportam o peso dessa falta de resolução. Eles sentem ou pressentem que existe “algo estranho” que gravita ao seu redor como um peso, mas que não conseguem definir o que é.
Por exemplo, uma avó que foi abusada sexualmente transmite os efeitos do seu trauma, mas não o seu conteúdo. Talvez até mesmo seus filhos, netos e bisnetos sintam uma certa intolerância em relação à sexualidade, ou uma desconfiança visceral das pessoas do sexo oposto, ou uma sensação de desesperança que não conseguem explicar.
Essa herança emocional também pode se manifestar como uma doença. O psicanalista francês Françoise Dolto, disse, “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo”.
Assim como existe um “inconsciente coletivo“, também existe um “inconsciente familiar”. Nesse inconsciente estão guardadas todas as experiências silenciadas, que estão escondidas porque são um tabu: suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, etc. O trauma tende a se repetir na próxima geração, até encontrar uma maneira de tornar-se consciente e ser resolvido.
Esses desconfortos físicos ou emocionais que parecem não ter explicação podem ser “uma chamada” para que tomemos consciência desses segredos silenciados ou daquelas verdades escondidas, que provavelmente não estão na nossa própria vida, mas na vida de algum dos nossos antepassados.
O caminho para a compreensão da herança emocional
É natural que diante de experiências traumáticas as pessoas reajam tentando esquecer. Talvez a lembrança seja muito dolorosa e elas acreditam que não serão capazes de suportá-la e transcendê-la. Ou talvez a situação comprometa a sua dignidade, como no caso de abuso sexual, em que apesar de ser uma vítima, a pessoa se sente constrangida e envergonhada. Ou simplesmente querem evitar o julgamento dos outros. Por isso, o fato é enterrado e a melhor solução é não falar sobre assunto.
Este tipo de esquecimento é muito superficial. Na verdade o tema não está esquecido, a lembrança é reprimida. Tudo que reprimimos se manifesta de uma outra forma. É mais seguro quando volta através da repetição.
Isto significa que uma família que tenha vivenciado o suicídio de um dos seus membros provavelmente vai experimentá-lo novamente com outra pessoa de uma nova geração. Se a situação não foi abordada e resolvida, ficará flutuando como um fantasma que voltará a se manifestar mais cedo ou mais tarde. O mesmo se aplica a todos os tipos de trauma.
Cada um de nós tem muito a aprender com os seus antepassados. A herança que recebemos é muito mais ampla do que supomos. Às vezes os nossos antepassados nos fazem sofrer e não sabemos o porquê.
Talvez tenhamos nascido em uma família que passou por muitas vicissitudes, e não saibamos qual é o nosso papel nessa história, na qual somos apenas um capítulo. É provável que esse papel nos tenha sido atribuído sem o nosso conhecimento: devemos perpetuar, repetir, salvar, negar ou encobrir as feridas destes eventos transformados em segredos.
Todas as informações que pudermos coletar sobre os nossos antepassados serão o melhor legado que podemos ter. Saber de onde viemos, quem são essas pessoas que não conhecemos, mas que estão na raiz de quem somos, é um caminho fascinante que só nos trará benefícios. Isto nos ajudará a dar um passo importante para chegar a uma compreensão mais profunda de qual é o nosso verdadeiro papel no mundo.
Fonte: http://www.antroposofy.com.br/forum/a-heranca-emocional-dos-nossos-antepassados/

sábado, 11 de novembro de 2017

Leis jurídicas, leis sistêmicas e a prioridade de permanência na família de origem

Google Images


É interessante como as leis brasileiras de adoção respeitam as leis sistêmicas familiares. Ao menos, é o que se vê “no papel”. 
O fato de dar prioridade à criança de permanecer em sua família biológica, no intuito de proteger o seu direito intrinseco, de crescer no seu seio de origem, inserida em seu campo energético de nascimento, por exemplo, é algo altamente subjetivo e traz uma ordem social também muito profunda. Isso não faz referência ao sangue, mas à energia, ao seu destino. Destino num sentido mais amplo e não no sentido religioso. E é necessário uma profunda humildade para entender isso. Humildade, para não alimentarmos a pretensão de que temos o poder de “arrancá-la fisicamente” do convívio dos seus antenados. 
Esgotadas essas possibilidades de permanência, é que ela vai para adoção, o que é algo também muito precioso, mas faz parte de outra etapa. A partir daí, ela começa a fazer parte de dois sistemas familiares, o de origem e o de nascimento. Os dois são importantes e serão sempre essencias em sua vida. Um deu a vida e o outro deu a possibilidade dela continuar "existindo psicologicamente", na dignidade e no amor. 
Conhecer as leis sistêmicas, protege criança, família adotiva e biológica de sofrer as negativas consequências no caso de injustiças, do desrespeito a essas ordens, que a nossa lógica racional, muitas vezes, tem a impossibilidade de conceber.



Cintia Liana

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Pais falam honestamente sobre por que se arrependem de ter tido filhos

É preciso muito investimento em uma terapia chamada constelação familiar ou na própria terapia de abordagem familiar para colocar em ordem a desordem que esse sentimento expressa. 
Não penso de nenhum modo que um pai ou mãe deva se contentar em sentir algo do tipo, é preciso colocar as coisas em ordem, rever os modelos familiares e sobretudo se reconciliar com os pais para que as coisas funcionem dentro das ordens do amor, sem sentimentos controversos.

Publicado: Atualizado: 

sábado, 16 de abril de 2016

O "milagre" das constelações familiares e como elas podem mudar destinos

We Heart it

16 de abril de 2016

Por Cintia Liana Reis de Silva

Conheci há alguns anos, mas só há algumas semanas venho lendo muito e me aprofundando ainda mais no método terapêutico fenomenológico das constelações familiares do psicanalista, pedagogo, teólogo e filósofo alemão Bert Hellinger e posso parecer meio categórica, mas sou formada em psicologia desde 2000, especialista em psicologia sistêmica familiar, expert em adoção e venho trabalhando com a "cura da alma" do ser humano há todos esses anos e, após ter constelado, há quase uma semana, posso dizer que para mim, até o momento, não há método mais curativo e rápido. Estou tão encantada com as descobertas de Hellinger que mês que vem iniciarei o curso de formação aqui Roma.

O trabalho de constelações familiares se propõe a mudar destinos tristes e a restabelecer as ordens do amor na família, assim o sofrimento se acaba nas gerações atuais e nas futuras, liberando a todos os que vieram, os que estão e os que virão. Acredito que todas as famílias têm seus pontos a serem curados.

A essência do trabalho de Hellinger é o amor e depois a gente vai entendendo a força que esse amor tem e como ele é capaz de curar. Hellinger, nascido em 1925, com 64 livros escritos e traduzidos em todo o mundo, explica que cada pessoa vive um destino já traçado pelo inconsciente familiar e cada pessoa está presa a esse destino, o que ele chama de enredamento. E esses destinos são repetições de histórias já vividas e trazidas há muitas gerações precedentes, histórias de sofrimentos, dúvidas, dores, medos, limitações, bloqueios, separações, abandono de filhos, problemas de infertilidade, abortos, pessoas excluídas, dependências de álcool ou drogas, problemas financeiros, dívidas, problemas conjugais, abusos, violência, incestos, doenças de ordem física e mental, tragédias, assassinatos, suicídios, acidentes, brigas, desavenças entre irmãos, conflitos com filhos e essas repetições ocorrem como uma forma de buscar uma falsa compensação. Por exemplo, uma família que tem um homicida futuramente perderá um ente assassinado, para cumprir algo que ele chama de consciência de clã. Ou um casal que "compra" uma criança de uma família pobre para adotá-la depois perde um filho biológico em uma fatalidade. Uma herança mal dividida também terá graves consequências futuras. Ele diz que a liberdade de cada um é limitada porque todos os atos exigem consequências e essas consequências já são predeterminadas e aparecem nas gerações futuras. As repetições acontecem também em forma direta e similar, como doenças e outras situações que caem igualmente de geração em geração, na vida de filhos e filhas, que vivem cenários iguais aos dos pais, dos avós, bisavós, como se tivesse uma força que os faz seguir esse mesmo destino, sem conseguir mudá-lo, mesmo com a consciência e com todos os esforços para seguir outra estrada.

O fato é que ele descobriu que se pode evitar que essa sucessão do repetições desnecessárias e sofridas, que só trazem mais dor, chamada de compulsão sistêmica de repetição, pode acabar quando se restabelece as ordens do amor, ou seja, na forma de um ritual em uma terapia, com uma representação em que a pessoa constelada participa em um grupo com outros desconhecidos e um constelador.

O constelador diz para o constelado em pouquíssimas palavras escolher o que ela quer trabalhar, qual é a dificuldade vivida e sentida e delega que ela pegue aleatoriamente no grupo algumas pessoas que representarão os seus familiares. Familiares esses que podem estar envolvidos nesse conflito. Após as pessoas serem escolhidas, e sem saberem nada sobre a vida do constelado, se incia o movimento dentro do campo familiar (morfogenético). Cada representante, que também está ali com o mesmo objetivo de constelar e de resolver seus problemas, começa a se mover e a ir na direção de um ou outro, sentindo uma força que o guia. Também inicia a ter sensações que começam a ser "lidas" pelo constelador, explicando de onde vem o problema, de que geração, por qual motivo ele está ali e até segredos vêm a tona, revelando outras coisas que vão sendo resolvidas. As respostas ficam claras.

Quem representa, de alguma forma, "constela" indiretamente naquele momento também, e tem seus insights, seus momentos de iluminação, de aprendizado, vivendo aquele papel no campo, pois não é a toa que ele lhe foi dado, foi exatamente porque tem algo a ver com a sua história.

Um workshop de constelações dura o dia inteiro e a constelação e o fechamento de cada um do grupo vai de 20 minutos a 1 hora mais ou menos, e se dá quando o constelador pede para o constelado ou para o representante do constelado repetir frases em forma de um ritual de cura, que tem como base um sentimento de libertação e liberação, motivando o constelado a seguir o seu próprio destino, a perdoar, a se desenredar dos prolemas antigos, que são de outras pessoas mais velhas da família, ou até de pessoas já mortas e, a partir daí o constelado já começa a sentir algo diferente. A cada novo dia que ele acorda o sentimento de liberdade é mais forte e com o passar do tempo já se vê tudo de modo mais leve, superando os problemas que antes lhe pesavam demasiadamente nos ombros. Problemas esses que não eram seus e sim do campo familiar, que o escolheu para carregar adiante, e ele, até então, não conseguia se libertar desse papel até constelar.

Eu, particularmente, na constelação trabalhei alguns medos, e tive a confirmação de que esses medos e sentimentos provinham de um evento traumático ocorrido em minha família há mais de 25 anos, em uma geração antes da minha e, após constelar, percebi que todos os sentimentos e lembranças ligadas àquele momento foram tomando outros lugares em minha vida emocional, restabelecendo as ordem, os lugares certos, de modo que os medos foram se dissolvendo e hoje eu sinto que sou a dona do meu destino e tenho força sobre ele.

A propósito, na oportunidade também levei uma ex-paciente minha para constelar, uma alcoolista. Há uma semana ela não bebe. Mas, obviamente, eu e o constelador a aconselhamos a não parar por aí o seu processo de cura.

Hoje existe em mim uma enorme gratidão por Bert Hellinger e por toda a riqueza de seus ensinamentos, desse método que ele deixará para a humanidade. Escrevi esse texto para retribuir o amor que estou sentindo por ele, pela compreensão que hoje tenho da humanidade, pela vida, pela mansidão que estou adquirindo, pela serenidade que está se erradicando em mim, para também contribuir positivamente de algum modo na vida de quem quer mudar, parar de sofrer e ser dono do próprio destino. Não posso guardar isso só para os mais íntimos, já que tenho tanto carinho por tantas pessoas e por pessoas que nem conheço pessoalmente, já que tenho tanta certeza da minha missão, da responsabilidade do meu trabalho, já que tem tantas pessoas que me pedem conselhos, ajuda, uma palavra amiga, hoje vos aconselho a não desistirem,  pesquisem sobre a obra de Bert Hellinger e, na hora certa, tenham a coragem de constelar. Não tenham medo de serem felizes por inteiro.

Por Cintia Liana Reis de Silva

Após 8 meses a ex-paciente continua sem beber e a sua alegria e motivação continuam intactos.

Indicação para primeira leitura:
Constelações Familiares, o reconhecimento das ordens do amor. Bert Hellinger, Editora Cultrix, 2001.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Terapia familiar sistêmica: a terapia que mudou a minha vida


Por Carolina Vila Nova
Constelação Familiar Sistêmica é uma terapia criada pelo psicanalista alemão Bert Hellinger, que ocorre de forma energética e fenomenológica.  A terapia acontece em um local onde haja espaço para um grupo de pessoas e sua movimentação. Há um terapeuta que comanda a sessão, chamada de Constelação. Pouco é falado pelo terapeuta.  E menos ainda pela pessoa constelada (o paciente). A sessão ocorre em forma de movimentos: a energia surge do inconsciente do constelado e um grande fenômeno acontece.
O terapeuta pergunta ao paciente o que ele veio buscar ali hoje. O paciente responde, por exemplo, que precisa resolver um problema em seu casamento. O terapeuta solicita que a pessoa constelada escolha uma pessoa do grupo presente para representá-lo. A pessoa então escolhe alguém e posiciona a mesma no espaço que se tem para a constelação, denominado como campo (geralmente uma grande sala vazia, rodeada de pessoas sentadas à sua volta). O constelado se senta. Em segundos a pessoa que foi colocada no campo como representante começa a se movimentar. Esta pessoa simplesmente sente vontade de agir de uma determinada forma e o faz. Cada gesto tem um significado. E o terapeuta pode ler através desses gestos, os passos seguintes a serem executados. Mais pessoas vão sendo escolhidas, uma a uma, para representar a situação da pessoa constelada. No exemplo citado, se escolheria mais um representante para o cônjuge. Em seguida, representam-se os pais para o constelado e seu cônjuge. Filhos, irmãos e outros podem ser também representados. A ordem das representações e quem acabam sendo representados é sempre orientado pelo terapeuta.
O que ocorre é que os representantes no campo da constelação acabam agindo como atores mágicos, atuando como os personagens da vida da pessoa constelada. Podem-se ver pessoas chorando, gritando, dançando, falando, como se tivesse existido ali um roteiro criado e estudado da vida daquela pessoa. É algo tão real, que chega a parecer mágico.
Uma constelação pode durar trinta minutos, uma hora ou até uma hora e meia. Não existem regras. Existe um movimento energético que todos sentem e o terapeuta além de sentir, interpreta e guia. Através dos acontecimentos mostrados pelos representantes, o constelado vê a sua própria vida passando pelos seus olhos, mas sob uma nova perspectiva: do todo! A constelação familiar sistêmica leva sempre em consideração a importância dos membros da família: pais, avós, irmãos, filhos e netos, além de cônjuges, filhos adotados e quem mais pertencer aquele ciclo familiar. Ninguém nunca pode ser excluído. Ou veem-se as consequências de tal exclusão no mesmo meio familiar.
É possível se descobrir segredos através de uma constelação familiar, uma vez que toda a verdade que cerca a vida de uma pessoa e sua família está impregnada em seu inconsciente. E aí então se manifesta. Por exemplo: pode existir numa família uma criança que foi adotada, que não é legítima, mas que não foi apresentada como tal. Numa constelação, esta informação se revela. Bem como outras.
A constelação familiar é uma terapia intensa, surpreendente. Chega a ser chocante, tamanha verdade que se vê e o pouco que se compreende em sua manifestação. Não apenas a pessoa constelada se beneficia em sua sessão, mas todos os representantes que participam da terapia, pois os representantes acabam sempre sendo escolhidos energeticamente pelo inconsciente do constelado, de forma que aquela pessoa sempre terá alguma identificação em si mesmo com o que virá a representar no campo. Esta também se beneficia: se cura.
Segundo Bert Hellinger, não devemos tentar entender o que acontece numa constelação. Quando se tenta compreender, de alguma forma interrompemos ou atrapalhamos a energia que está no comando da situação. Como seres humanos, confusos e tão pequenos, afirmo que é muito difícil ver tamanha manifestação e não tentar compreendê-la. Mas aos poucos aprendemos a apenas aceitá-la e não mais entendê-la.
Quando uma sessão acaba, pode ser que a mesma tenha indicado uma tarefa a ser realizada, por exemplo: conversar com o cônjuge sobre algo do passado, que transformou aquela união em algo ruim. Ou pode ser que nada mais precise ser feito. A energia liberada ali continua se manifestando. E as mensagens trocadas naquele momento agem como se realmente tivessem acontecido com as pessoas reais ali representadas.
Quando eu mesma fiz a minha primeira constelação, fiquei em estado de choque por alguns dias. Descobri alguns segredos de mim mesma e de demais. Após duas semanas, comecei a perceber grandes mudanças em mim. Com o passar do tempo, percebi que as pessoas envolvidas em minha sessão também haviam começado a mudar em relação a mim e as minhas questões.
A mudança foi tamanha que constelei mais duas vezes, de meses em meses. Esta não é uma terapia que pode ser feita regularmente como a pessoa a ser constelada. Tem que se dar tempo ao tempo, literalmente. Como representante pode-se participar sempre.
Meses após minhas constelações, vi mudanças que nunca, nem como escritora, havia sonhado. Nem em meu pico mais alto de criatividade poderia ter inventado tamanhas reviravoltas em minha vida. Estas que me levaram a um estágio melhor de vida e consciência: autoconhecimento e aceitação. Resignação diante daquilo que é, do que não se muda.
Muito há para se falar da Constelação Familiar Sistêmica. Apesar de adepta à terapia, ainda sinto que apenas duas páginas para se falar do assunto é extremamente pouco. Mas enquanto não me especializo no assunto para a escrita do merecido e sonhado livro a respeito, fica aqui o meu testemunho e desejo, de que todos saibam da existência e poder desta viva terapia.
A Constelação Familiar Sistêmica, a meu ver, é a mais intensa, forte e viva terapia nos dias atuais. Para alguns pode ser que seja intensa e real demais. Ainda assim, vale a pena conhecer e falar com o terapeuta a respeito. E depois, talvez, se decidir por ela!
Fonte: http://www.contioutra.com/constelacao-familiar-sistemica-a-terapia-que-mudou-a-minha-vida/

sábado, 2 de abril de 2016

O que é uma Constelação Familiar?

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Por Marise Sampaio Dias


A Constelação Familiar, é uma abordagem psicoterapêutica,  criada por Bert Hellinger. Este trabalho, entre outras possibilidades,  conduz ao reconhecimento das "Ordens do Amor", tornando claros e evidentes os profundos vínculos que unem uma pessoa à sua família e à sua ancestralidade. 

Estamos ligados ao destino da nossa família, incluindo gerações muito distantes, não apenas por herança genética, mas especialmente por vínculos,  laços de amor e lealdade e por aquilo que simplificadamente podemos chamar de "consciência coletiva comum".  

Esta consciência coletiva busca equilíbrio gerando compensações sistêmicas, exigindo a reparação de injustiças cometidas dentro do sistema ou por representantes dele (nos casos de danos provocados a outrem); nesta "reparação"  membros da geração atual são levados inconscientemente a "tentar resolver" situações e/ou a completar  tarefas  que ficaram pendentes nas gerações anteriores.  

Deste modo, problemas que são vividos no presente, podem ter conexão com atuais ou antigos vínculos familiares e expressam, além das tentativas de reparação em busca do equilíbrio, aquilo que chamamos de "lealdades invisíveis".  

Isto é tão poderoso que não precisamos conhecer nem os fatos, nem as pessoas envolvidas, para sermos profundamente afetados pelos seus destinos.

A colocação de uma constelação revela a dinâmica geralmente oculta do sistema familiar. De modo simples e direto, as tensões, conflitos, vínculos e emaranhamentos (repetição de destinos trágicos ou difíceis) são trazidos à consciência.

A situação de vida do cliente, passa a ser vista portanto, a partir de uma perspectiva sistêmica, muito mais  ampla e profunda, do que a habitual visão de sua história biográfica. Com o conhecimento das ordens do amor e reconhecimento das leis que regem os relacionamentos -  as forças que atuam no sistema podem ser  então direcionadas para a cura.

Todos os membros do sistema precisam ser reconhecidos, respeitados e recolocados no seu devido lugar. Quando a ordem, a hierarquia e o equilíbrio sistêmico são reestabelecidos, o amor original pode fluir livremente trazendo consigo a solução que emerge no decurso de uma constelação. 

A força e a profundidade deste trabalho não pode ser descrita, mas é facilmente experimentada e reconhecida por todo aquele que coloca a sua constelação, ou deste processo participa enquanto representante ou observador. 

Muitos paradigmas precisam ser quebrados para que se possa compreender este trabalho de processo aparentemente tão simples. Não é tão fácil conceber que uma Constelação possa promover cura no passado, presente e futuro, desafiando a ideia preconcebida da nossa atuação no tempo e também no espaço: pois que através de representantes ou simples visualização, se pode intervir “naquilo” ou naquele que foi representado” 

As Constelações são hoje realizadas em todo o mundo, e foram ampliadas  para servir também a outros contextos. Têm sido utilizadas com sucesso e eficácia, em outras instituições,  empresas, etc, na busca de solução sistêmicas.


Marise Sampaio Dias é Psicoterapeuta com formação e especialização em Terapia Sistêmica -Casal e Família. Graduada em Core Energetics pelo Institute of Core Energetics- New York- USA. Pós Graduada em Psicossomática pela Escola Bahiana de Medicina e Inst. Junguiano. Formação e Educação Continuada (1300 horas) em Constelações Familiares pelo Helliger- Institut Landshut- Alemanha e pela ISPAB - Institut für Systemische Psychotherapie, Aufstellung und Beratung – München - Alemanha. Atende em consultório particular (terapia individual, casais, famílias e grupos), realiza diversos workshops e supervisiona terapeutas. Coordena, juntamente com Cátia Lymma o curso de formação em Constelações Familiares. Palestrante e Autora de artigos acerca das diversas abordagens nas quais se graduou e co-autora das Cartas das Deusas.

Fonte: http://constelacaofamiliarbahiabrasil.blogspot.it/p/como-as-constelacoes-brotaram-e-criaram.html

quarta-feira, 30 de março de 2016

O Movimento do Espírito na Constelação Familiar

Um excelente método fenomenológico terapêutico para a cura de toda a família e das futuras gerações.

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Por Marcia Moss
Rio de Janeiro, 2011.

O que descrevo é ‘“uma colagem”, fragmentos de diversos textos de livros, falas ou notas de cursos de minha Formação em Constelação Familiar e Sistêmica com Peter e Tsuyuko Spelter e com Bert Hellinger no Seminário de Lindoia-SP, em 2009.
Bert Hellinger, alemão, hoje com 85 anos, filósofo e terapeuta, desenvolveu um método ou técnica de acessar o inconsciente pessoal e coletivo através de procedimentos em grupos terapêuticos. Deu-lhe o nome de Constelação Familiar (desde 1980), depois de Movimentos da Alma e agora o chama de Movimento do Espírito – Hellinger Science – uma Ciência dos Relacionamentos, junto com Sophie Hellinger.
Tem mais de um milhão de exemplares de seus livros editados pelo mundo. Veio ao Brasil, pela primeira vez, em 1998. Realizou Seminários de uma semana em Goiânia 2006, em Lindoia-Sp em 2008 e 2009. Seus livros são filosóficos e a CONSCIÊNCIA é seu tema para os ensinamentos. Todo o seu trabalho é filmado em DVD.
Denominou também que seu método é fenomenológico e que não se trata de interpretação das conclusões, mas de “ver” algo acontecendo.
Através de uma frase-tema e um mínimo de informação sobre o cliente a condução do trabalho desencadeia no ambiente do grupo coisas extra-ordinárias. Na Constelação o grupo é conectado a favor da “alma“ do cliente. Os temas-conflito revelam no desenrolar da Constelação aprendizados que servem à atuação de profissionais das mais diversas áreas principalmente médicos, terapeutas, advogados de família e juízes.

AS ORDENS DO AMOR NA FAMÍLIA
Bert Hellinger descobriu, através do método, repetido milhares de vezes, e documentados em DVD, que o clã familiar através de gerações, segue o que denominou de “ordens do amor na família”.
Essas três ordens em ação nos clãs, através de gerações, exigem coesão e sobrevivência. Sinta que ao ler isso somos uma prova do que nossos antepassados fizeram. De outro modo como estar conectado agora ao que está lendo?
Hellinger observou em cada clã as ordens que são necessárias e repetidas ao longo dos anos em todos os grupos familiares. São elas: o pertencimento, a hierarquia e o equilíbrio.
No Pertencimento, perpetuado pelos vínculos afetivos, por amor profundo, cada clã ou grupo familiar exige que todos os seus membros tenham o mesmo direito de pertencer. A ordem “oculta” ou inconsciente do clã exige compensação caso haja desordem e exclusão. Então, os excluídos, negados ou esquecidos devem ser representados nas gerações posteriores. A justiça não interessa à alma do clã. Uns irão tomar o lugar do excluído e farão igual na geração posterior. Aí está o destino.
Na Hierarquia do clã ninguém pode tomar o lugar do outro. A ordem é sempre dos mais antigos para os mais novos. Não se pode inverter a ordem na família e os mais novos não devem tomar a si as dores dos mais antigos. Isso enfraquece a alma dos antecessores. A desordem assim estabelecida traz desequilíbrio e doenças. Essa compensação pode atravessar de três a quatro gerações com os mesmos distúrbios.
O Equilíbrio no clã é restabelecido quando o sistema fica estável e quando o dar e o tomar se equilibram. O certo é que os pais dão e os filhos tomam – aquilo que querem. A arrogância dos filhos para com os pais não ganha sentido positivo nas suas realizações de vida. Fracassam e exigem um peso por demais excessivo.
Quando os pais dão a vida e tudo o mais os filhos tomam e agradecem e seguem adiante – isso libera. Mas o dar sempre deve ser dos mais velhos para os mais novos.
Quando há desequilíbrio na família temos uma má consciência quando nos separamos da família – sofremos e não sabemos por quê. Porém sentimos boa consciência quando estamos unidos. Para equilibrar a boa e a má consciência compensamos com ações boas ou más ações – tem um preço.
No casal os parceiros ficam juntos quando o dar e o tomar são equilibrados pela compensação. Um dá, o outro recebe e dá um pouco mais. O que recebe, toma e devolve um pouco acima do que tomou. Desse modo o equilíbrio se restabelece. O sistema fica estável. Não se aplica porém nas parcerias amorosas a mesma lei dos pais para os filhos.
O conhecimento consciente dessas ordens traz conforto e bem-estar. Com o pertencimento ficamos inocentes e estáveis. Observem que quando o sistema está instável as crianças sentem, e dizem – e o mais das vezes – sem dizer agem dentro da ordem das compensações: “deixa que eu sinta por você”; “deixa que eu morra por você”; “eu vou partir no seu lugar!”.
Um garoto de seis anos, com o pai no CTI, ao ver os membros da família fazerem fila para a doação de fígado para o pai se coloca também na fila. A avó diz: Não, aqui não é o seu lugar. Essa é uma fila de adultos. Você é uma criança. O sistema estava instável. A criança dá um passo à frente e se oferece. Diz a avó que se lembrou de uma palestra sobre Constelação e que isso serviu para recolocar um inocente no lugar que é dele. Ele se acalmou.

MAS AFINAL O QUE É UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?
A Constelação familiar é um modo terapêutico de impulsionar uma ação de “ordem” no clã, pois mostra qual o lugar de cada um. Não é ditame, coerção nem regras fixas, mas sempre será com amor profundo. Cada um junto com seu clã. Exerce uma profunda mudança no padrão “oculto” do cliente e que o faz sofrer. O método recoloca o amor de cada membro da família no seu lugar e por isso tira um peso da alma de quem carrega funções que não lhe competem na hierarquia. Os ancestrais, na Constelação, reconquistam o seu lugar e liberam os familiares posteriores para viver o mundo.
O método fenomenológico da Constelação pode ser considerado como uma “cirurgia espiritual” e devem ser aplicados em situações-limites, momentos críticos e difíceis. Seu método de representantes de membros da família do cliente inicia um "movimento" no campo anímico. Um sistema, e o clã é um sistema, só se modifica através de uma ação externa. A Constelação propicia o início dessa ação. Ela tem como base o amor e a percepção de algo significativo. Uma constelação familiar revela os vínculos de destino.
O trabalho realiza-se em uma única sessão e seu resultado aparece imediatamente na consciência do cliente determinando uma mudança imediata da percepção do tema do conflito. Pode ser realizada em grupo ou no consultório – individual.
“A solução de problemas psíquicos associa-se à descoberta das ligações da alma, em conexão com as ocorrências e os destinos familiares e com os grupos e os contextos maiores que os abrangem” (Jakob Robert Schneider)

QUEM PERTENCE À MINHA FAMÍLIA?
Os bisavós, os avós, os pais e filhos; Os irmãos e meio-irmãos; Os tios; Os que não nasceram por abortos espontâneos ou provocados – não há julgamento; Os mortos por acidentes funestos advindos de acidentes; Os esquecidos e excluídos (alcoólatras, assassinos, drogados).

COMO E QUANDO ME SERVE UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?
Algo nos atormenta repetidamente, doenças súbitas, alguém da família enlouquece e ficamos instáveis... Planos de vida fracassam... Os filhos só brigam entre si e comigo... Depressão e luto... Não consigo vender o terreno... tenho muito medo de me suicidar...
Como assim? Mas o que é isso?
Assim. O cliente que pede uma Constelação está em uma situação-limite. Irá dizer em uma frase o que deseja e qual o seu tema ao Constelador. Estará sentado ao seu lado e o grupo de voluntários espera. Pessoas do grupo são chamadas para representar os membros da família do cliente, se quiserem. O grupo não fala nem participa do processo. O cliente posiciona esses representantes no espaço central do grupo. Essa posição revela como o cliente vê seu clã familiar EM SEU INCONSCIENTE.
O Constelador ou Terapeuta observa as ações dos representantes que se movem ou não, e expressam corporalmente o que está se passando com eles. Nada mais é dito ou descrito pelo cliente que apenas observa também. Os movimentos dos representantes mostram, espacialmente, as dificuldades e seus sentimentos. (um olhar do representante do cliente expressa a sua raiva em direção ao pai, dificuldade de olhar a mãe, sinais de superioridade, de arrogância para os mais antigos, etc.)
Através de alguns rituais o relaxamento ou alívio acontece no campo de “energia” quando alguns gestos, orientados pelo Constelador, são realizadas pelo representante do cliente. Em geral, com algumas frases muito simples e breves: “Sim”; “Obrigada”; “Por favor”; “Querido papai”; "Querida mamãe”; com uma reverência profunda ou uma leve inclinação da cabeça aos nossos antecessores, sem julgamentos, com amor. Coisas que não fazemos habitualmente...
Nada é interpretado durante o processo. Não há julgamentos. O grupo não dá palpites ou conversa. Apenas assiste e dá suporte na energia. Por isso é chamado de método fenomenológico, Uma manifestação que aparece e desaparece. A “alma” do cliente entende e se sente aliviada. Algo se “movimenta” no campo representado. Muda o foco e a configuração. Mostra o novo e o antigo em conjunção para uma solução da situação-limite. “UNE O QUE ESTAVA SEPARADO” (Bert Hellinger).
É científico? Sim ou não? Devemos falar ou escrever a mesma coisa dizendo que é baseado na física quântica? Na memória celular? É DNA? (o que é isso?) Na teoria do cientista biólogo Rupert Sheldrake? Ok serve também. A Constelação se mede apenas pela solução: Melhor ou pior?
A consciência é diferente para cada campo familiar ou clã. Mas no “campo” tudo se repete sempre, como hábito para aprender e como sobrevivência. (ref.: Rupert Sheldrake - livro “O renascimento da natureza”).
Um “campo morfogenético” ou sistema só se modifica quando algo vindo de fora interfere e introduz uma ação.  A Constelação é um momento fugaz dessa interferência, porém duradoura.
O método da Constelação é algo atemporal. Os processos dos grupos familiares raramente podem ser impedidos de forma racional. Não há controle possível.

ENSINAMENTOS DA PRÁTICA DAS CONSTELAÇÕES
Os Bloqueios, As Doenças ou Distúrbios
Nessa prática, documentada em DVDs, Hellinger sistematizou um modo de ver os distúrbios e as doenças. Observou que as dificuldades e conflitos são da família, na comunidade de destino onde nascemos e estamos, portanto sempre “emaranhados” nessa história. A história de cada um dentro do contexto peculiar.
As doenças são olhadas como sinais de “desordem” na alma da família. Alguém está fora de seu lugar. A mesma dinâmica básica dos sintomas dos distúrbios resulta em diversas doenças. Não interprete como DNA, não conclua como “Ah! Tá bem. É assim mesmo” e não diga que não tem importância. As ordens do amor dizem respeito a cada um de nós que lê esse artigo.
Na Constelação o que se aprende é que todo distúrbio procede de um nível espiritual. O que acontece são processos inconscientes, ocultos, invisíveis e imateriais.
A manifestação do distúrbio representa uma parada do fluxo energético e o órgão atingido mostra o tipo de bloqueio. O bloqueio aparece em geral entre dois a quatro anos após o distúrbio espiritual (perdas ou fracassos no sistema). O órgão corporal atingido está em conexão com alguém excluído, não reconhecido e o órgão então trabalha em dobro - por dois ou três excluídos (ele estressa - entra em falência). Se olhar com o coração vê que o órgão está em outra dimensão mais alta. Não há desconexão entre a pessoa, seu distúrbio e o sistema familiar. E não pode haver mesmo. Somos uma ressonância de nossas experiências. Em geral tais distúrbios apresentam saídas tais como: muito trabalho e agitação, na profissão pela dedicação extremada; com a racionalidade pensando muito...; ou com negligência corporal... Ou ainda na supervalorização... Na depressão e melancolia.
O que está escrito a seguir são “notas” do livro “O amor do espírito” de Bert Hellinger e dos ensinamentos do Seminário de Lindóia, 2009. Terapeutas de família “sabem“ “sentem” “já viram” “lembram”... São fenômenos que ocorrem nas Constelações e foi observado repetidamente, que:
A GAGUEIRA - São duas pessoas tentando falar ao mesmo tempo; distúrbios da fala mostram atitudes conflitantes; existe um segredo na família. Significa que alguém foi mantido em segredo; não podia estar presente ou não teve a palavra. O gago olha primeiro para um lado, como que perguntando se pode falar.
ALCOOLISMO ou DROGAS - Esse é um assunto que tem a ver com as mulheres; O que falta ao filho ou filha? Algo falta = o pai. Pergunte-se: o que leva o homem ao bar? Hellinger aconselha a terapeutas que quando quiserem ajudar um alcoólico ou drogado acolha o pai do cliente no seu coração. A solução, nas constelações, é que o pai seja trazido de volta respeitado e considerado – mesmo bandido – não há julgamento. Um homem que tem a rejeição e desprezo de sua mulher. ... Será que uma mulher (terapeuta) pode ajudar um alcoólico? Onde o pai é desprezado pela mulher aí a criança é levada para o vício.
PSORIASE – DERMATITES – HERPS - Um parceiro anterior fica de mal com a pessoa e o sentimento ruim é deslocado para um filho do segundo casamento e esse filho tem dermatites. Então como fazer as pazes com esse parceiro abandonado? Na Constelação a representante da segunda mulher deve pedir pelas suas crianças - "olhe com benevolência para os nossos filhos”
TRANSPLANTES - O órgão transplantado não morreu, pois senão como poderia entrar e funcionar em outro corpo? A doação liga as duas famílias - do doador e quem recebe. Nas Constelações os “representantes” dos órgãos gritam... Observe uma cena de sala cirúrgica. Volte sua imaginação para cenas primitivas de canibalismo. O que sente? No canibalismo comer os órgãos dos inimigos de guerra trazia força e coragem aos vencedores. Não julgue. Era uma homenagem.
Quanto à doação de sangue: parece que como é renovado freqüentemente há menores conseqüências, mas já foi observado mudança de personalidade.
A PSICOSE – ESQUIZOFRENIA – BIPOLARIDADE – Hellinger diz que “todos nós somos psicóticos”. Chamar o outro de psicótico nos qualifica como incluídos e excluímos o “louco”.
Observa-se sempre na Constelação que houve uma cena violenta e há um assassinato na linhagem dos ancestrais da família do pai ou da mãe. Sempre aparece um agressor e existe a vítima. O cliente “psicótico” que apresenta os sintomas ou distúrbios exerce ambos os papéis alternados – e mostra que a paz não foi selada nas gerações anteriores. O distúrbio pode passar de geração em geração. Nos grupos de constelação “o agressor” e a “vítima” demonstram desagrado com a vingança desejada por ambas as famílias. A solução e o alívio acontecem quando a vítima concorda com uma frase dita pelo agressor: “Sinto muito”. Isso libera as famílias do peso da vingança.
A EPILEPSIA - Há um impulso assassino em direção a membros da família e a convulsão impede o impulso.
OBESIDADE – o terapeuta corre perigo. Está entre a mãe e o cliente. E essa posição é inviável (vejam o DVD do Seminário com Bert Hellinger sobre Saúde e Doença – Ed Atman)

DESTINOS, PROFISSÃO E SUCESSO
NA PROFISSÃO EXERCIDA TODO O PASSADO SE REVELA
Por quê? Porque talentos e habilidades são herdados – são heranças, são “dons”, presentes de nossos antepassados (gostamos de ser o que somos por nós mesmos. Os pais gostam disso. Sim, houve empenho, mas olhe à volta. Estamos sós?)
Quando o trabalho é um peso ou alegria? Quem pode viver sem sucesso? Quem não tem sucesso como se sente? Depois do sucesso o homem pode alimentar a família; o homem foi feito para isso – sem julgamentos, olhe à volta.
Como se sente o homem em casa e a mulher trabalhando?
Para o homem o trabalho vem em primeiro lugar (as mulheres pedem o impossível – que o homem coloque a família em primeiro lugar ) – eles concordam, mas sabem que o trabalho é mais importante; sabe que pode alimentar e ter a sua família. E até várias famílias! As mulheres sabem disso. Pergunte se gostam de ter o homem sem trabalho em casa.

O DINHEIRO
O dinheiro deve ser empregado a serviço da vida, pois o dinheiro é uma imagem da vida e quem desrespeita o dinheiro desrespeita a vida. O dinheiro é sempre representado nas Constelações por uma mulher – por quê? Porque o dinheiro é fértil.
O sucesso dos negócios e na profissão vem com a bênção da mãe. Sem isso só há fracassos, pois o dinheiro tem a imagem da mãe; quem rejeita a mãe permanece pobre.
A mulher segue o marido e o homem serve ao feminino; nas organizações quando a mulher organiza e o homem segue, dá errado. Um genro que usa o dinheiro do sogro em geral leva o negócio à falência. O homem que vai morar na casa dos pais da mulher em geral leva o relacionamento ao fracasso. Pois é.
O dinheiro é adquirido através de algo que fazemos; dinheiro vindo pelo nosso empenho nos faz feliz e serve a vida, mas, como a vida, o dinheiro quer ser gasto a serviço da vida. O dinheiro herdado não foi por empenho ou trabalho - por isso acontecem falências. É mais fácil de gastar.
Por isso despedir-se do campo da pobreza e movimentar-se em direção ao campo da riqueza é uma conquista espiritual.
E o Movimento do Espírito, aquele do título inicial?  Para mim aparece quando os representantes da família do cliente expressam exatamente os sentimentos dos seus membros sem nada saber do cliente e de sua história pessoal!
Muito obrigada pela sua atenção. Quem leu até agora já sabia disso tudo.

Marcia Moss

Referências:
Hellinger, Bert “O amor do espírito” Editora Atman (veja livros, artigos e DVDs)
A base desse artigo foi inicialmente preparado para uma palestra sobre Universo do Corpo no Século XXI: abordagens terapêuticas funcionais e expressivas, na Casa do Rio, de Martha Zanetti.

Fonte: http://constelacaofamiliar.com.br/index.php/artigos/141-o-movimento-do-espirito-na-constelacao-familiar

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Maternidade: psicóloga fala sobre Síndrome do Ninho Vazio

Profissional fala sobre o conflito emocional gerado na mãe ao ver o filho sair de casa na fase adulta



Por Ingrid Dragone

E quando os filhos saem de casa? Como fica a mãe? De quais cuidados ela precisa nessa hora? Para responder a essas e outras perguntas sobre a Síndrome do Ninho Vazio, entrevistei a psicóloga Ana Tereza Lima, especialista em Terapia Familiar. Confira o resultado!


Google Imagens

Que fatores podem definir se a mulher está com a Síndrome do Ninho Vazio?A Síndrome do Ninho Vazio é o nome dado a uma forma de reagir à saída dos filhos, que, na fase adulta, seguem adiante para construir suas vidas. Trata-se de mais um ciclo que as famílias atravessam, com particularidades, emoções e aprendizados peculiares. A Síndrome pode atingir o casal, mas, frequentemente, são as mulheres que vivenciam essa experiência de forma mais expressiva. Quando se vê sem os filhos, ela passa a sofrer de inseguranças, tristeza, sentimento de vazio, rebaixamento da autoestima.
O que caracteriza a Síndrome? 
Todas as pessoas buscam ao longo da vida algo que lhes dê sentido, seja através de crenças, atividade profissional, vida afetiva ou autoconhecimento. Muitas mulheres fazem da maternidade o seu ofício; e do lar, seu porto seguro e lugar de expressão. Com a saída dos filhos e por consequência, a perda do lugar de cuidadora, a mulher pode ser tomada pelo sentimento de inutilidade, de falta de sentido. A quebra da rotina de anos dá lugar a uma disponibilidade e liberdade estranha e desconhecida. O fato de os filhos não necessitarem mais dos seus cuidados como antes, produz uma desorganização, que tanto pode ser vivida como uma crise como pode ser uma oportunidade de ressignificação do sentido de ser dessas mulheres. 

A rotina que a mulher levou a vida inteira pode levá-la a ter a Síndrome? Por exemplo, uma mulher que tem uma frustração pessoal ou profissional tem maior tendência a sofrer? Qual o perfil da mulher que fica em pior estado?
A realidade atual, em que a mulher tornou-se ativa economicamente, produziu mudanças importantes quanto a esse sentimento, mas ainda encontramos frequentemente mulheres que adoecem, deprimem, sentem-se perdidas no momento em que os filhos saem de casa, até porque, muitas acreditam que esse lugar é o único que lhes cabe. Uma pessoa que tenha dificuldades com cortes, afastamentos ou perdas, também poderá vivenciar isso como um verdadeiro luto. Quanto mais a mulher tiver uma rotina de vida, incluindo aí trabalho, estudo, investimentos na carreira profissional, vida afetiva satisfatória, vida social, ou seja, atividades além da função materna, mais facilmente enfrentará essa etapa. Nem todas as mães vivem essa experiência como algo doloroso. 
A Síndrome é uma espécie de depressão? Se não, pode chegar a ser?
Por se tratar de uma vivência de tristeza profunda, com sentimentos de desqualificação e falta de norte, existe a possibilidade de agravamento até um quadro depressivo severo. A história de vida desta mulher, associada a históricos familiares, a forma como a saída dos filhos se deu, a rede social e vincular no seu entorno, tudo isso pode contribuir para uma maior ou menor intensidade da Síndrome.

Como os filhos podem ajudar a mãe nesse caso?
O papel dos filhos e de toda família é importantíssimo nesse processo. Os filhos devem compreender o sofrimento da mãe e ajudá-la a atravessar esse momento, mostrando o quanto estão bem e em condições de seguirem suas vidas como adultos, e estimulando nela novos contatos, novos ambientes e vínculos, onde ela poderá viver novos interesses e aprendizados. Essa experiência pode ser transformadora, quando aproveitada como uma chance para recomeçar, retirar da gaveta os planos adiados.

O que a mulher pode fazer para minimizar os efeitos da saída dos filhos de casa?
A Síndrome do Ninho Vazio é mais um ciclo que a família enfrenta, assim como o nascimento de um filho ou a morte de um membro. No entanto, é um processo que vai se construindo ao longo do período de crescimento dos filhos até que chegue o momento de eles seguirem com suas escolhas pessoais, profissionais e afetivas. Se a mulher preserva sua individualidade, a possibilidade de viver essa experiência de maneira enriquecedora e prazerosa é enorme! Afinal, ela é coparticipante do sucesso dos filhos que agora saem pra trilhar seus próprios caminhos. É também um rico momento para que o casal possa resgatar sua convivência e intimidade, e realizar sonhos adiados com a chegada dos filhos. O tempo disponível poderá ser integralmente dedicado à relação. 

Quando a mulher não vive mais com o pai dos seus filhos a situação se agrava? Falo em termos de ela não ter um companheiro em casa para dar apoio.
Geralmente uma mulher que não tenha o companheiro ao lado, seja por separação ou morte, tende a investir mais o seu tempo nos filhos. Isso certamente acarreta uma sobrecarga emocional na relação, contribuindo para que o afastamento se dê de forma mais dolorosa.

E se ela sobrecarregar os filhos com a tristeza, chegando a culpá-los, como eles devem agir? 
Essa reação é bastante frequente. Os filhos e seus parceiros sofrem muito.É fundamental que os filhos se mantenham firmes na sua trajetória, apoiando a mãe no sentido de estimulá-la a encontrar um sentido para sua vida, a partir de si mesma. Um acompanhamento psicoterápico é indicado e eficiente nessas situações, porque ajuda a mulher a descobrir o que lhe mantém nesse padrão de relacionamento dependente com os filhos. Colabora também para que ela descubra seus propósitos e interesses pessoais, fazendo com que antigos projetos encontrem espaço de realização.

Ana Tereza Lima. Psicóloga (CRP 03/ 0680), formada pela Ufba, com Especialização em Psicologia Clínica, Terapia Familiar e Casal ( UCSal), e  Analista Bioenergética (Sociedade de Análise Bioenergética da Bahia). Atua como psicóloga clínica com adolescentes, adultos, casais e família, e coordena grupos terapêuticos.
Fonte: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/maternidade-psicologa-fala-sobre-sindrome-do-ninho-vazio/?cHash=b716062696850df8b87d0561cbb9aa12