"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

terça-feira, 30 de março de 2010

Simone de Beauvoir e a Palavra

Painel de fotos feito por Mara Push: Simone de Beauvoir

Leiam o post completo sobre Simone de Beauvoir em meu outro blog: http://www.finapresenca.blogspot.com/


"Quando falamos algo real, que mobiliza e que faz muito sentido, pode fazer o outro que escuta refletir, mas realmente só ouve quem quer transformar."
Cintia Liana
"Para quem está atento, só uma palavra é suficiente para uma grande mudança."
Cintia Liana

"Estive pensando que a maldade não está nos olhos de quem vê, mas nos olhos de quem não consegue entender o que lê."
Mônica Montone

"...Arqueira por excelência, as palavras são minhas flechas. Tanto podem salvar, como matar..."
Mônica Montone

"Descobri Simone de Beauvoir quando tinha 19 anos e me apaixonei"

Infelizmente tem gente que está no mundo somente a passeio com discursos pobres, vazios, infantis, repetições tolas e ultrapassadas, frases feitas emprestadas (mal feitas), nem se ouve ou questiona sua repetições e ainda acha que está dizendo algo importante. Um ex-psicoterapeuta meu, médico *Taoista e homeopata excelente, que me tratava com homeopatia desde os 3 anos de idade, chamava isso de gente que ainda está na fase do "thathibithathi".
Mas temos a fortuna de ter gente no mundo para revolucionar com suas palavras, seus ensinamentos e insights, para trazer o novo. Nós mulheres, chegamos a esse patamar graças à mulheres como Simone de Beauvoir.

Desde pequena gostava de gente assim, ousada, crítica, que não é uma vítima da industrialização humana, a primeira que me chamou a atenção foi minha mãe.
Que bom que "filha de peixe peixinho é!"
(Provérbio popular também é cultura e nunca se torna obsoleto)
*Uma escola de pensamento filosófico chinês que se baseia nos textos do Tao Te Ching atribuídos a Lao Tse e nos escritos de Chuang Tse. (Wikipédia)
Cintia Liana
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"Por vezes a palavra representa um modo mais acertado de se calar do que o silêncio."
(Simone de Beauvoir)
"Não se pode escrever nada com indiferença."
(Simone de Beauvoir)
"Não se nasce mulher: torna-se."
(Simone de Beauvoir)
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“Na verdade, não importa saber até que ponto o pensamento de Beauvoir é correto ou não. Mais relevante é aceitar-lha o desafio: através da literatura, aproveitar a oportunidade de “trocar” idéias, de se tornar disponível às exigências dos outros, não para... absorvê-las ou rejeitá-las, mas reconhecendo criticamente as diferenças individuais, salvaguardar o máximo possível a essencial liberdade de cada um.”
Fonte do parágrafo acima: http://www.simonebeauvoir.kit.net/

Por Cintia Liana

segunda-feira, 29 de março de 2010

Acolhimento Familiar, Construção do Apego e Trauma

Foto: Disponível no Facebook


Sábado, 27 de março de 2010, fui a Jornada do Instituto Junguiano da Bahia (IJBA) e pude aproveitar muito do que foi dito lá. Então trarei para vocês nos próximos posts algumas questões importantes faladas sobre apego, o que considero um assunto fundamental na área da adoção.

A primeira palestra foi ótima!
Dra. Catalina Pérez Lopes da Iniversidade de Málaga – Espanha
“Violência e desenvolvimento social: da teoria do apego a transformação de uma sociedade em crise”.

Dra. Catalina falou sobre a teoria do Apego e seus principais teóricos e em como um apego mal resolvido pode levar a ira, a violência.
Há muito o que se ver e estudar neste campo.

Trarei para vocês de um modo detalhado os pontos principais da palestra, para isso fiz outras pesquisas na internet. Vejamos:
Foto: Google Imagens

Perspectivas Teóricas de Vinculação Afetiva em Situações de Acolhimento

A fundamentação teórica, na qual o ECA (1990) e os programas de acolhimento familiar já implantados no Brasil baseiam-se para valorizar a família como contexto primordial de desenvolvimento da criança, articula-se a algumas teorias dentro da Psicologia, especialmente a Psicologia do Desenvolvimento. A própria inclusão do direito à convivência familiar e comunitária nas normativas internacionais e nacionais foi subsidiada por teorias que ressaltavam a importância dos vínculos afetivos com as figuras parentais para o desenvolvimento saudável da criança, como também os efeitos nocivos ao desenvolvimento causado pelo processo de institucionalização.

Dessa forma, segundo Vicente (1998), o vínculo afetivo passou a ser valorizado nesses documentos e adquiriu uma dimensão política, visto que seu desenvolvimento e manutenção, quando não ocorre na família de origem, necessita de proteção do Estado, no sentido de assegurar essa possibilidade às crianças e adolescentes. Assim, o direito à convivência familiar passa a fazer parte de um conjunto de elementos das políticas públicas e fundamenta ações de colocação em famílias substitutas (sob guarda, tutela ou adoção) ou acolhedoras. Tais questões nos levam a refletir sobre os aportes teóricos, especialmente da Psicologia, em que se baseiam as práticas e políticas de acolhimento e assistência às crianças e adolescentes sob violação de direitos.

Das teorias que discutem a importância do estabelecimento de vínculos afetivos entre a criança e figuras parentais, destaca-se a Teoria do Apego, desenvolvida por Bowlby (1969/1990, 1952/1995, 1979/1997) e Ainsworth, Blehar, Waters e Wall (1978). Segundo ela, o ser humano é portador de uma história filogenética que lhe garante um aparato biológico, que o auxilia no estabelecimento e manutenção de vínculos afetivos com o outro, principalmente com a mãe (biológica ou substituta), sendo a constância dessa primeira vinculação afetiva crucial ao seu desenvolvimento psicossocial saudável. Nessa teoria, verificam-se concepções sobre a importância da constância de uma pessoa (geralmente associada à figura materna) no cuidado dispensado ao bebê e sobre a determinação de um período sensível para o desenvolvimento do apego, que seria dos seis primeiros meses de vida aos três anos de idade. Assim, os autores tratam da primazia da relação de apego mãe-criança, apontando para conseqüências disfuncionais sobre o desenvolvimento social, psicológico e emocional da criança, caso a relação não se estabeleça, seja interrompida ou se mantenha de modo inadequado (Rossetti-Ferreira, 1986, 2006).

Bowlby é bastante citado na escassa literatura nacional sobre acolhimento familiar. A sua visão de que a institucionalização, o rompimento de vínculos e a privação materna deixariam marcas profundas e prejudiciais na criança é freqüentemente usada na argumentação para criação de programas de acolhimento familiar como alternativa ao acolhimento em instituições:

O fracasso no desenvolvimento da personalidade nas crianças que sofreram privação é, talvez, melhor compreendido quando se considera que é a mãe que, nos primeiros anos de vida da criança, funciona como sua personalidade e consciência. A criança em instituição nunca teve estas experiências, dessa forma, não pode nunca completar a primeira fase do desenvolvimento - estabelecer uma relação com uma figura materna claramente definida. Tudo que teve foi uma sucessão de agentes paliativos, cada um auxiliando-a de uma forma limitada, mas nenhum deles proporcionando-lhe a continuidade no tempo, que faz parte da essência da personalidade. É bem possível que essas crianças, gravemente privadas por nunca terem sido objeto de um cuidado por parte de um mesmo ser humano, nunca tenham tido a oportunidade de aprender os processos de abstração e de organização do comportamento no tempo e no espaço. Certamente, suas graves deformações psíquicas são exemplos claros do princípio de que os danos infligidos muito cedo produzem perturbações generalizadas no crescimento (Bowlby, 1952/1995, p. 61).

Nesse trecho é evidente a argumentação de que a privação materna favoreceria a origem de uma psicopatologia, o que, para o autor, estaria associada à vivência institucional. Bowlby (1979/1997) considerava que muitos distúrbios psiconeuróticos e da personalidade eram reflexos de distúrbios na capacidade de estabelecimento de vínculos afetivos, originados numa "falha" de desenvolvimento na infância ou em transtornos posteriores. Em seus escritos cita várias pesquisas realizadas na década de 60 que tinham esse enfoque e que traduziam uma concepção quase hegemônica na ciência psiquiátrica e psicológica de associarem a psicopatia, sociopatia, depressão e a delinqüência com a privação materna, paterna ou orfandade. Rutter (1972) teceu críticas bem fundamentadas sobre esses estudos, que observavam comportamentos de pacientes psiquiátricos ou crianças institucionalizadas, apontando que as patologias presentes derivavam mais das péssimas condições institucionais a que eles foram submetidos do que propriamente à privação materna.

Outro aspecto a se considerar é que tal concepção sobre o desenvolvimento humano coloca o contexto familiar como o locus privilegiado para o estabelecimento das relações de apego, contexto em que a criança teria um cuidador individualizado. Também apresenta uma tendência à patologização de contextos coletivos de desenvolvimento da criança (como os abrigos), especialmente para a criança pequena. Nesse caso, pouco valor é dado para o estabelecimento de vínculos afetivos com outros cuidadores que não a mãe ou substituta, ou mesmo, com coetâneos. Essa visão de estabelecimento de apego centra-se na análise de relações diádicas, pouco considerando o dinamismo das relações familiares, os outros interatores, as significações e práticas presentes nesse contexto, que são marcados pela cultura em que se inserem (Rossetti-Ferreira, 2006).
A supremacia dos laços consangüíneos para o cuidado de crianças é, sem dúvida, uma ideologia dominante em nossa sociedade. Em parte, é dessa idéia que emana a concepção hegemônica encontrada em diversas tendências teóricas da predestinação à psicopatologia das crianças separadas da família biológica. Seus históricos de vida, às vezes marcados por aquilo que a literatura clássica de desenvolvimento humano considera estressores sociais de diversas ordens, aos quais se somam vivências institucionais, são vistos a partir de uma conotação negativa, idéia predominante que se espraia em diferentes âmbitos da vida social, permeando tanto os discursos do senso comum como os do meio científico (Rossetti-Ferreira, 2006).

Dessa forma, a ameaça ou existência de rupturas afetivas anteriores parece criar enredamentos ou tramas que as pessoas em interação reeditam nas suas práticas dialógicas e discursivas, co-construindo no momento atual, os problemas ou uma visão de desenvolvimento inadequado para essas crianças. Rossetti-Ferreira (2007) argumenta que a Teoria do Apego constitui um exemplo da relevância das ciências do desenvolvimento humano para a definição das políticas e práticas sociais de educação e proteção de crianças e jovens, sobretudo daqueles que vivem situações de vulnerabilidade social. Isso porque as redes de significações que permeiam as políticas e práticas de acolhimento de crianças e adolescentes historicamente esbarram em certas idéias predominantes sobre apego, desenvolvimento normal/anormal, fatores de risco/fatores protetores e sobre a concepção de que a instituição familiar, particularmente a do tipo nuclear, é a única e a ideal, aquela que melhor oferece um ambiente pleno ao desenvolvimento de uma criança. Assim, as visões teórico-metodológicas da área contribuem para construir realidades sociais que podem influir, modificar e restringir o desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas, muitas vezes inserindo-as em um movimento de exclusão.

Cabral (2004), ao defender a criação dos programas de acolhimento familiar, retoma a questão da construção de vínculos afetivos como um dos seus argumentos centrais. Afirma que o acolhimento em famílias garante o direito a uma convivência familiar com dignidade e a possibilidade de construção de laços afetivos. Entretanto, temos nos perguntado como seria essa "propagandeada" construção de vínculos dentro de um programa de acolhimento familiar, visto ser esperado que eles sejam estabelecidos, porém com um caráter de provisoriedade, pois todos os envolvidos devem saber que haverá o momento de nova separação, quando o acolhido retornará à sua família de origem ou será colocado em adoção. Como os programas estão concebendo a possibilidade da criança ou adolescente vincular-se a uma ou mais famílias de acolhimento e depois retornar para a família de origem? E, ainda, como manter o vínculo com a família de origem?

Essas são questões complexas, que instigam a condução de pesquisas, entretanto, consideramos necessário que seja assumido outro paradigma para compreensão da construção de vínculos afetivos, dentro de uma perspectiva contextual e sistêmica que possa abordar a complexidade do assunto. É interessante considerar as idéias de Lewis (1999), quando ele argumenta que a múltipla determinação, acasos, os encontros acidentais e a interação desses, são problemas inerentes ao desenvolvimento humano e que dificultam a previsão do curso da vida humana. O autor critica idéias das teorias do desenvolvimento, que ele chama de "idéias fixas", as quais são inquestionavelmente aceitas, como: a perspectiva de continuidade e evolução no desenvolvimento, a causalidade no passado e a idéia de que o passado atua sobre o presente e o futuro. Tudo isso compõe o que ele chama de um modelo organicista de desenvolvimento, que sempre considera a criança no processo de vira-ser, no que ela se tornará no futuro, e, sobre o qual, a maioria das políticas públicas de atenção à infância e juventude se baseia. Para o autor, é necessário intervir quando se presencia sofrimento e injustiça, mas fazer isso buscando alcançar um efeito no futuro "pode ser uma bobagem, porque nós e as forças sobre as quais não temos controle - alteramos nossos destinos todos os dias, de forma imprevisível" (Lewis, 1999, p. 31).

Lewis (1999) propõe um modelo contextual de desenvolvimento que considere a natureza do ambiente onde a criança cresce, o "comportamento-em-contexto," a rede social em que se insere, inclusive para se falar em desenvolvimento afetivo. Argumenta que as políticas sociais devem considerar o momento presente da família, o momento do acolhimento, e que a idéia do curar deve dar lugar à idéia do cuidar, numa alusão às teorias organicistas que estão sempre amarradas ao passado, preocupadas com o futuro e com a cura.

Em consonância com essas idéias, consideramos que para se compreender o desenvolvimento afetivo e o apego é necessário desfocar das relações diádicas e buscar apreender a rede de relações (e significações) em que a criança está imersa, a partir de uma perspectiva processual, relacional, situada e discursiva. Entendemos que o apego é construído nas e através das interações e relações recíprocas, que ocorrem em contextos específicos. Tais contextos envolvem discursos vivenciados e situados, os quais colocam os parceiros em certas posições. Esse processo favorece a construção de certos sentidos e um repertório de papéis possíveis, circunscrevendo (estabelecendo limites e possibilidades para) assim o fluxo de comportamentos e o desenvolvimento dos sujeitos (Rossetti-Ferreira, 2007).

Gailey (2000), ao abordar a realidade social norte-americana, discute que a adoção e o acolhimento familiar constituem um desafio à noção de que a maternidade, a paternidade e a possibilidade de vinculação afetiva das crianças estão associadas a conexões genéticas ou de nascimento. Segundo a autora, eles fornecem uma lente através da qual podem ser vistos os vínculos de afetividade e parentesco sendo construídos.

Tal discussão nos leva a considerar que a compreensão de como as equipes dos programas de acolhimento familiar estão significando o processo de vinculação afetiva daqueles envolvidos no acolhimento (acolhidos, família acolhedora e família de origem) é de grande importância para o desenvolvimento dos projetos, conforme afirma o Plano Nacional.

A decisão sobre a separação é de grande responsabilidade e deve estar baseada em uma recomendação técnica, a partir de um estudo diagnóstico, caso a caso, realizado por equipe interdisciplinar, com a devida fundamentação teórica - desenvolvimento infantil, etapas do ciclo de vida individual e familiar, teoria dos vínculos e estratégias de sobrevivência de famílias em situação de extrema vulnerabilidade. A realização deste estudo diagnóstico deve ser realizada em estreita articulação com a Justiça da Infância e da Juventude e o Ministério Público, de forma a subsidiar tal decisão (MDS & SEDH, 2006, p. 71, grifos nossos).


Para ler todo o artigo científico:
Acolhimento familiar: uma alternativa de proteção para crianças e adolescentes
Nina Rosa do Amaral Costa; Maria Clotilde Rossetti-Ferreira
Universidade de São Paulo


Na oportunidade, indico este outro artigo científico:
"A queixa materna"
Michèle Benhaim*I; Inesita Machado (Trad.)
Universidade da Provence em Aix-Marselha I

RESUMO
A partir dos conceitos de onipotência e de ambivalência maternas em mães de crianças doentes, a autora pergunta-se sobre aquilo de que se queixam as mães, ilustrando as questões de perda, de castração, de desilusão e de constituição do objeto por meio de um caso clínico de psicose.
Palavras chave: Ambivalência materna, Psicose, Onipotência materna.
Para ler todo o artigo:
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Trauma, Corpo e Psiquismo - Ciclo de Palestras (1/5)




Pais, não esqueçam que vocês podem lançar mão de tratamentos psicológicos para teus filhos, além de dar-lhes todo o amor e proteção que puderem. Não exitem em procurar ajuda, façam isso por amor.
Há formas de intervenção psicoterapêuticas excelentes para a superação de traumas emocionais, como "Somatic Experiense" (2ª palestra que participei na Jornada do IJBA), Bioenergética e Biossíntese.
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Definição de trauma para Peter Levine, criador da "Somatic Experiense":
É a desorientação do sistema nevoso causado por algum tipo de experiência forte.
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Siegel disse:
"A relação mais forte de nossa vidas é uma que já tivemos e não podemos recordar."
Por Cintia Liana

quinta-feira, 25 de março de 2010

STJ devolve guarda de criança

Foto: Google Imagens


Notícia de Quarta-feira, 24.03.2010

STJ devolve guarda de criança a casal não inscrito no Cadastro Nacional de Adoção

A 3ª Turma do STJ determinou a devolução da guarda de uma criança aos pais adotivos que não estavam inscritos no Cadastro Nacional de Adoção. Para os ministros, a observância do cadastro de adotantes, com a preferência para as pessoas cronologicamente inscritas, não é absoluta. Tem prevalência o melhor interesse do menor, no caso de existir vínculo afetivo entre a criança e o pretendente à adoção, ainda que este não esteja cadastrado.

No caso julgado, um casal combinou a adoção com a mãe biológica antes do nascimento da criança, o que ocorreu em dezembro de 2007. Todos compareceram em juízo, onde assinaram o Termo de Declaração, com expressa manifestação de vontade da mãe em consentir na adoção da filha, sem coação ou benefício pessoal. A permanência da criança com o casal foi autorizada pelo prazo de trinta dias.

Antes mesmo do encerramento do prazo, um juiz da Vara Criminal e de Menores determinou a imediata expedição de busca e apreensão da menor por considerar a adoção ilegal. Além do fato de o casal não ter se inscrito no cadastro, o juiz considerou haver indícios de tráfico de criança, principalmente por não ser a primeira vez que a mãe biológica dava um filho a terceiros.

A decisão não chegou a ser cumprida de imediato. O desembargador que relatou um agravo de instrumento ajuizado pelo casal deu efeito suspensivo ao recurso. Mas o colegiado do tribunal estadual negou provimento ao agravo e restabeleceu a decisão que determinou a busca e apreensão da menor. “Havendo forte suspeita de que foi obtida a guarda de fato de forma irregular, e até mesmo criminosa, impõe-se o indeferimento da guarda provisória com a ‘inconteste’ busca e apreensão da criança que ainda não conta com sequer um ano de idade”, constou no acórdão. Aos oito meses de vida, a menina foi retirada do casal e depois entregue a outro casal devidamente inscrito no Cadastro Nacional de Adoção, mesmo com manifestação contrária do Ministério Público.

Ao relatar o recurso especial do primeiro casal adotante, o ministro Massami Uyeda considerou a existência de vínculo de afetividade entre a criança e o casal com que viveu diariamente durante seus primeiros oito meses de vida. Ele ressaltou que a convivência foi autorizada por decisões judiciais, inclusive com laudo psicossocial. O ministro também não concordou com o fundamento adotado pelo tribunal local no sentido de que a criança, por ter menos de um ano de idade, e considerando a formalidade do cadastro, poderia ser afastada do casal.

Para o ministro, os desembargadores não levaram em consideração “o único e imprescindível critério a ser observado, qual seja, a existência de vínculo de afetividade da infante com o casal adotante”. Para o ministro relator, o argumento de que a vida pregressa da mãe biológica, dependente química e com vida desregrada, tendo já concedido outro filho à adoção, não pode conduzir, por si só, à conclusão de ocorrência de tráfico de criança. Seguindo as ponderações do relator, todos os ministros da 3ª Turma deram provimento ao recurso para manter a criança sob a responsabilidade do primeiro casal adotante até conclusão da ação de adoção. (Número de processo não informado)

_______________________

Eu gostaria de fazer as seguintes perguntas a eles:
De onde eles tiraram que uma criança, só por que tem menos de um ano, não tem emoção, não estabelece vínculos afetivos e não sofre com a separação?
A criança é um objeto antes de completar um ano? É uma bola para ficar de braço em braço? Nada sente?
A formalidade do cadsatro é mais importnte que o sentimento da criança? Dane-se as formalidades!

Ainda bem que fizeram justiça no final, ou seja, ganhou a criança.
Por Cintia Liana

quarta-feira, 24 de março de 2010

Bebê disputado na Justiça



Notícia - 09 de agosto de 2009

Estava vendo uns vídeos sobre bebês no You Tube e achei esse. Bom postar aqui, pois aborda algumas facetas da justiça e casos até comuns.

Fazendo uma rápida e superficial análise, entendo que é prioridade para a criança ficar com a família extensa, caso alguém que faça parte dela deseje a prove ter condições de cuidar pois, como preconiza o ECA, antes da criança ser disponibilizada para a adoção tem que se esgotar todas as possibilidades de reinserção na família de origem.

Nesta caso do vídeo, me parece que ao invés da criança ser abrigada ela foi inserida em uma família em caráter temporário, o que podemos chamar de "pais de plantão", medida adotada em algumas cidades do País, por alguns Juízes, para que a criança se sinta bem acolhida em uma família, para não ter que ficar em abrigos, esperando que se verifique a possível reinserção em sua família de origem.
O problema é que no caso mostrado acima, depois do vículo ter crescido, os avós recorreram da primeira decisão e ganharam a guarda da criança, mesmo com mãe morando na mesma casa e sendo indiciada. O que no início foi um impecílio para a reinserção da criança depois não significou nada. Quem entende a justiça?
Enquanto isso a criança passa de um braço para o outro, sofrendo com os rompimentos dos vínculos afetivos. O casal adotivo também passa por uma grande frustração, podendo não mais acreditar na justiça formal.


Acredito que deveriam pensar muito mais na criança que nos avós. Será que ela perdeu mais ou ganhou em ficar com sua família de origem depois de estar vinculada ao casal guardião?
O que será que essa criança perde com esses rompimentos de vínculos só para satisfazer os avós e cumprir os artigos da legislação vigente?

E onde fica a teoria do apego?

Cadê um psicólogo para opinar?

O Juiz é tão poderoso assim que pode tomar a decisão por si só?

A criança foi abandonada pela mãe de origem e depois de estar mais afeiçoada ainda a mãe substituta foi arrancada de seus braços pela justiça.

Como depois a criança vai recuperar tudo o que perdeu?

Como vai superar essas perdas?

Será que esse Juiz pode nos responder?

Sinceramente observo que a lei neste caso em nenhum momento pensou na emoção da criança, ela é muito objetiva pra isso e protege os diretos mais práticos e não os direitos psicológicos.
Ainda temos muito o que melhorar nesse mundo.

Por Cintia Liana

___________

Dois trechos de minha monografia da pós-gradução que trazem informações do ponto de vista psicológico e nos esclarece o possível sentimento da criança abadonada e retirada novamente de outra família:

Boadella (1974, p. 8) diz que o direito básico da criança é de existir no mundo, de sentir a sua própria identidade. Ele afirma que a criança necessita do contato íntimo com a pele da mãe, e que isso é que vai formar a base do seu contato com o mundo. O sentimento de identidade madura é desenvolvida também através da sensação de se sentir cuidado, que pode ser pelo reconhecimento do toque e do olhar. Essa troca da mãe com a criança, esses contatos-aproximação são a base da personalização e promove a capacidade da criança relacionar-se de forma mais amorosa com o adulto. Esse contato com a mãe é muito rico e é importante que as duas se experimentem tendo uma alegria recíproca. Nesse contexto de envolvimento nos braços e no olhar da mãe, a criança irá aprender a “definir seus próprios limites, aprende a encarar-se e a outros seres humanos, e adquire seu sentimento de pertencer o mundo”.

No caso da família substituta, quando falamos de estabelecimento de novos vínculos parentais, nos remetemos a construção de laços afetivos e, posteriormente, não podemos deixar de fazer uma ligação com a idéia de formação do apego.

(...)

A idéia de Bowlby, de que a separação da mãe pode ser a morte daquela para a criança dá base a Robertson para afirmar que:

"Se a criança é retirada dos cuidados maternos nessa idade, quando está apegada de forma tão possessiva e apaixonada à mãe, é na verdade que como se o seu mundo desabasse. Sua intensa necessidade da mãe permanece insatisfeita e a frustração e saudade podem torná-la desesperada de dor. É necessário um exercício da imaginação para sentir a intensidade dessa aflição. A criança fica tão esmagada quanto qualquer adulto que tenha perdido, pela morte, uma pessoa amada. Para a criança de dois anos, com sua falta de entendimento e total incapacidade para tolerar a frustração, é como se a mãe realmente tivesse morrido. Ela não conhece a morte, mas apenas a ausência, e, se a única pessoa que pode satisfazer sua necessidade imperativa está ausente, é como se estivesse morta, tão esmagador é o seu sentimento de perda. (ALMEIDA, 2002, p. 22)

Este é mais um trecho extraído da minha monografia de pós-graduação finalizada e 2008.

Para citar:

Silva, Cintia L. R. de. Filhos da esperança: Reflexões sobre família, adoção e crianças. Monografia do curso de Especialização em Psicologia Conjugal e Familiar. Faculdade Ruy Barbosa: Salvador, Bahia, 2008.

Por Cintia Liana

Sensores de Super Bebês

Foto: Cintia Liana e o lindo Leozinho, filho de Fabiana e Léo

E-mail divertido de uma mãe muito espirituosa que tem “bebês do futuro”.


“Talvez só Cintia consiga explicar isso.

Eu descobri que meus filhos (os dois!) tem uma coisa, tipo um sexto sentido. Tipo um sonar. Vou explicar melhor.

Sensor de 'Bubu' - Leozinho, mesmo dormindo, consegue achar o bico em qualquer lugar da cama. É engraçado que ele, no maior sono, vai com o bracinho certinho no lugar onde está o 'bubu', mesmo que o dito cujo esteja entrelaçado nos lençóis. Mais interessante que isso é que ele não acha a boca com a mesma facilidade, e tenta chupar o bico com o olho e com o nariz, até acertar a boca.

Sensor de Presença – Isabelle é mais especializada, ela tem vários tipos de sensores. O mais forte é o de presença. Mesmo que ela esteja dormindo, se eu me afastar cerca de 3m dela, ela começa a resmungar. É incrível!

Sensor de Bunda – Isso eu sei que várias crianças têm. Se eu fico em pé com ela no braço, ela fica calma. Se eu sento, ela chora.

Sensor de Espinhos Invisíveis – Sim, o que mais pode existir no berço dela que faz ela chorar tanto quando eu vou colocar ela lá?

Sensor da Lua – 'Ops! Ta de noite? Perto das 03:00? Hora de brincar!!!!'

Graças a Deus que o sonar vai ficando mais fraco com o passar dos meses!

Fabiana Carqueija”

[Fabiana é mãe adotiva de Leozinho e mãe biológica de Isabelle. Não posso deixar de dizer que é uma mãe muito amorosa, dedicada e cada vez mais madura e preparada.]


Por Cintia Liana

sábado, 20 de março de 2010

ENAPA 2010

Foto: Google Imagens
"O ENAPA também representa uma conquista de espaço!"
Cintia Liana
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ENAPA 2010
Notícia: quarta-feira, 10 de março de 2010

Campo Grande sediará 15ª edição do Enapa

Nos dias 3, 4 e 5 de junho de 2010 Campo Grande será palco do maior encontro da América Latina sobre adoção. Na capital de Mato Grosso do Sul será realizada o XV Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ENAPA).
Para se ter uma ideia do que isso representa, o Enapa é um evento que se consagrou na história da adoção no país, pois mostra diferentes visões e leva a reflexões sobre a causa da adoção principalmente nos dias atuais, quando o país vive o dilema da superlotação nos abrigos.
E os preparativos para tão grandioso evento estão a todo vapor. Esta semana, o Des. Joenildo de Sousa Chaves, presidente da Associação Brasileira de Magistrados da Infância e da Juventude (Abraminj), reuniu-se com as presidentes dos grupos de apoio à adoção de Campo Grande e de Coxim, com a juíza Maria Isabel de Matos Rocha e outros colaboradores para os detalhes finais do cronograma.
Estão confirmados como conferencistas Sávio Renato Bittencourt Soares Silva (promotor de Justiça do RJ), Luiz Carlos de Barros Figueiredo (desembargador TJPE), Luiz Schettini (psicólogo no PE), Suzana Sofia Moeller Schettini (psicóloga e diretora do Grupo de Estudo e Apoio à Adoção no Recife), Maria Bárbara Toledo (advogada e presidente da Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção ANGAAD) e Maria Luiza Assis Ghirardi (psicanalista).Os defensores do tema adoção devem ficar preparados, pois outros conferencistas de renome devem confirmar participação no Enapa, cujos temas serão relacionados à separação de irmãos pela adoção, adoção pronta, flexibilidade na fila da adoção, adoção tardia, adoção multirracial, adoção internacional, adoção por famílias homoafetivas e adoção de crianças indígenas.Entre os assuntos em debate nos três dias de encontro estão Direito à Convivência Familiar x Institucionalização Prolongada; Nova Lei da Adoção e os Cadastros Nacionais de Adoção e de Crianças em Regime de Acolhimento Institucional e Familiar; O Poder Público e a Rede de Atendimento dos Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes; Adoção Internacional e as Crianças do Haiti; Pedagogia da Adoção: Criando e Educando Filhos Adotivos; A Escola para um Novo Conceito de Família; O Papel dos Grupos de Apoio à Adoção e sua Relação com o Poder Judiciário.
Além das conferências, haverá mesas de debates, depoimentos de casais que adotaram, discussões e apresentações culturais. A expectativa da organização é que mais de mil pessoas se inscrevam para participar do Enapa em MS.
"Não tenho dúvidas que esta será a melhor edição deste evento em toda sua história. Estamos preparando algumas surpresas para os participantes. Será esta a melhor oportunidade para se discutir temas relacionados as nossas crianças. Estamos estabelecendo parcerias e uma das mais importantes até agora foi a do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MS) que, consciente de seu papel social, está ao nosso lado nos preparativos do encontro", disse o Des. Joenildo.O XV Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ENAPA) será realizado no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes, e sua realização é responsabilidade da Associação Brasileira dos Magistrados Brasileiros da Infância (Abraminj), do Grupo de Apoio à Adoção Manjedoura (GAAM), de Coxim, Grupo de Estudo e Apoio à Adoção Vida (GEEA-VIDA), de Campo Grande, com apoio do Tribunal de Justiça de MS e do Projeto Padrinho.
Fique informado - A adoção, como qualquer outro processo, sofre influências de paradigmas sociais construídos em torno de um ideal de modelo de família, baseado nos laços consangüíneos. As transformações e evoluções sociais, contudo, proporcionaram uma mudança de foco, indo da preocupação com a família à proteção e defesa do direito que crianças e adolescentes têm à convivência familiar.
Com essa mudança, surgiram diferentes movimentos, tanto na esfera governamental quanto na sociedade civil organizada, para discutir políticas e ações que assegurassem tal direito. Com o crescimento do número de Grupos de Apoio à Adoção criou-se uma rede espalhada pelo país, que estimulou a necessidade de trocar experiências, estreitar as relações entre os grupos e fortalecer as articulações em torno de um projeto comum na defesa do direito da criança e do adolescente de crescerem em uma família.
Por isso, em maio de 1996, realizou-se o 1º ENAPA na cidade de Rio Claro (SP). A partir do evento, o certame é realizado anualmente. Atualmente existem mais de 100 grupos de apoio no país. Em Mato Grosso do Sul são apenas dois grupos de apoio à adoção: o Grupo de Apoio à Adoção Manjedoura (GAAM), de Coxim, e o Grupo de Estudos e Apoio à Adoção Vida GEEA-VIDA, de Campo Grande.

Fonte: http://2vriji.blogspot.com/2010/03/enapa-2010.html
Por Cintia Liana

quarta-feira, 17 de março de 2010

Entrevista Com Tereza Noguerol

Foto: Google Imagens

Entrevista com Tereza Noguerol
Presidente do "Viver Adoção"– Associação de Pais Adotivos (Salvador-BA)


Qual o significado da adoção?
A adoção esta ligada a maternidade e a paternidade, a gente não tem como desvincular isso porque a sua essência é uma maternidade que não é biológica, só que ela está também atrelada a decisão. Maternidade é resultado de um ato sexual, em que um casal ou uma pessoa assume uma criança que foi gerada por si. Na adoção a gente vai assumir uma criança que foi gerada por outrem, então via de regra ela não acontece de forma impensada. Ate mesmo quando se coloca uma criança na porta de casa a gente vai parar e pensar: eu vou assumir essa criança? Sem contar as questões legais. Então uma faceta bonita da adoção é que é um ato voluntario de uma maternidade. Não dizendo que toda maternidade é involuntária, não planejada, mas o fato de você poder tomar a decisão: eu quero ter um filho. E geralmente a adoção vem precedida de um momento de luto. Eu estou generalizando a situação, por que existem situações de adoção em que o casal ou a pessoa seja infértil ou tenham passado por uma situação de perda como um aborto espontâneo. Então a beleza da adoção é você poder conscientemente, deliberadamente ir ao encontro do filho que você não gerou.


Um outro lado, que se chama nova cultura da adoção, é privilegiar a criança. A criança precisa de uma família então eu vou ao encontro da criança que precisa e não eu que preciso da criança. Nós ainda vivemos num cenário que eu poderia chamar de utópico desse privilegio da criança, ainda se analisa muito mais o que a família precisa do que o que a criança precisa. E, por outro lado, o que faz essa esfera de maternidade e paternidade parecer que é uma beneficência, uma assistência a criança. Só que essa relação da adoção é uma relação de amor de pai para filho e de filho pra pai e é uma relação única. É um amor que você não pode comparar com um amor de tio, de um padrinho, de um amigo que é muito próximo. É uma relação que é muito íntima, é um amor único. E é na relação, no dia-a-dia que ele nasce. Para essa criança vai necessariamente nascer nesse processo, no caso biológico da gestação e do cuidar do dia-a-dia do pós-parto. Na adoção, a idéia começa a ser maturada, cogitada, já é a gravidez, então já é o nascimento da criança afetivamente. Você começa a pensar como vai ser aquela criança assim como na gestação e no dia-a-dia, no cuidado dessa criança (que pode ser um bebê, uma criança de um ano ou dois ou até mesmo de 12 anos, por que a gente ainda tem adoção tardia a esse ponto de crianças maiores de 10anos). É nesse convívio que o amor vai se fazer nascer, vai virar uma existência real.

O que leva alguém a adotar?
Em termos estatísticos, as adoções ainda acontecem por uma necessidade da família em ter filhos. A família chega a seu ciclo de vida e sente a necessidade de um terceiro elemento ou de um segundo elemento, a depender de sua composição familiar, e diante da impossibilidade de qualquer que seja a natureza, ela vê na adoção a solução para que sua família cresça.
Quais as inseguranças relacionadas a adoção?
A gente tem alguns mitos e algumas situações que são reais e que devem ser enfrentadas. Quanto ao mito, a gente tem desde o sangue (se é filho de marginal, vai ser marginal), de que a menina é mais amorosa que o menino, tem diversos. A gente pode tratar o mito de forma pedagógica pra poder desmistificar essas idéias que são deslocadas.
E quanto as situações que são concretas, da criança que traz as suas feridas devido ao abandono e devido ao abrigamento e sua própria forma de ver o mundo, personalidade, a depender da situação ter o acompanhamento psicológico, pra isso existem os profissionais e terapias que são apropriadas.

A família que for adotar uma criança, mesmo que seja um bebê, pode ter marcas. Você não tem garantias de adotar a criança recém-nascida e não vir com marcas, não ser uma criança rebelde. A criança pode ser rebelde em qualquer situação, mas é lógico que uma criança de 5 anos tem uma consciência de vida diferente daquele bebê que viveu uma problemática intra-uterina. Mas, de qualquer maneira, as marcas vão existir em qualquer situação. Se for aquela criança mais frágil que absorve mesmo, pode ser ou não um bebê e vão testar os pais mesmo no tempo da chupeta, se realmente são amados, aceitos, queridos. Se tiver de ter alguma situação difícil vai ter em qualquer etapa, e se precisar de ajuda externa, se não for pra família dar conta, tem que chamar o profissional.

Se você chegar em qualquer escola hoje, vai ver que o universo de crianças que precisam de ajuda externa é grande e o universo de crianças adotadas é muito pequeno. Precisar de ajuda externa não é típico da criança que veio da adoção. E a gente vive hoje numa sociedade de tanta informação que, mesmo os pais presentes, a gente precisa contar com ajuda daquilo que a gente não dá conta.
Inclusive por falar em preparação, a gente também tem a escola de pais, existe há muitos anos e não é escola de pais adotivos, é de pais. Existe no mundo. Não é receita de bolo, a gente sabe disso que não existe, mas de qualquer maneira a gente sabe porque tem pequenas formulas que vão dar certo, vão dar errado. Se eu pegar uma criança e não amar ou amar demais, vai dar errado. São pequenas coisas que a gente tem como se antecipar. A criança adotiva não é criança problema ou não é super criança. Tem um histórico de família diferente e, se por acaso, tiverem peculiaridades vindas disso então ela vai precisar, mas não é o ET de varginha.

Fale sobre a burocracia para adotar.
Pessoalmente eu não considero burocrático, acho que você tem que dar garantias nesse momento para que se saiba se as famílias estão aptas a adoção, para permanecer com uma criança. Não pode dar ao luxo de deixar de verificar algumas coisas básicas, condição material mínima, renda, antecedentes criminais, se não é desorientada, pra isso tem atestado criminal, de sanidade. É condição necessária.

Agora eu vou fazer a adoção e o setor jurídico está em recesso. Eu acho que temos que ter serviços que não podem parar porque a criança é prioridade. Eu não chamaria de burocracia, mas uma organização, escalonamento dessas responsabilidades.

Quanto mais restrição a família colocar, mais se percebe que ela não está preparada para receber um filho, e sim um boneco e um ideal. Às vezes ela está sofrendo uma perda e quer tapar um buraco de uma pessoa que nunca vai existir... Primeiro que eu vou estar imaginando com as características que estão na minha mente e não no abrigo. Então primeiro tenho que curar essa ferida, incompatível dentro do interior da pessoa.

Contato "Viver Adoção":
Telefone para contato: 0055 (71) 3358.0814
Tereza é simplesmente Excelente!
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Indicação de filme: "Uma Família Bem diferente"


Foto: Google Imagens

Aproveito para indicar um filme lindo demais! "Uma família bem diferente", que fala de construção do amor pela adoção, de um menino que é inserido em uma família homoafetiva.
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"É aceitando a diversidade que teremos um mundo com menos preconceitos e, ao mesmo tempo, nos sentiremos mais livres internamente."
Por Cintia Liana

segunda-feira, 8 de março de 2010

Politicamente Onesta [In Italiano]

Foto: Google Imagens

A volte mi sento un po 'ingenua, perché non so fare loby. Qualche tempo fa ho cominciato a sospettare che perdo molto perché non sono capace di fingere che è tutto bene davante a qualche ingiustizia, falsità e pregiudizio.

Quando a me piace qualcuno faccio amicizia, non importa la religione, nivelo sociale, culturale o economico, ma a volte mi disilludo, perché ne tutti riescono valorizare una persona semplice, vera e spontanea.

Sono cresciuta ascoltando che è bellissimo essere sincero, e che è un segnale di intelligenza sapere dire cosa sente e, in questo senso, io sono cresciuta desiderando essere bella e intelligente. Ma sarà che ancora sono bambina? Perché non so fare la ipocrita.

Io non sono una persona che si comporta solo con l’emotivo, sono essere razionale quando è bisogno, ma si io non sono d'accordo dico, si a me non piace alontanomi, si sbaglio assumo, si sono triste mostro, si sono ferita piango. Non posso chiudere gli occhi davanti a qualcosa di dinumana per ottenere l’appoggio di qualcuno, in questo modo mi sentirei vendita, piccola, poveri, non poterei guardarmi sul spechio, non poterei guardare miei propri i occhi.

Nonostante capire esattamente che cosa significa essere politicamente corretto, non ho la pretenzione de farlo, neanche di fare la “buona ragazza”, ma conservo la voglia di essere leale, digna, nobre ed onesta, ancora che significhe perdere qualcosa, perchè in fondo qualcosa dimi che ha un sentimento più grande che muove tutte le cose e credo che questo sentimento si chiama amore.

Si dipendere di ipocrisia e di collusione mio programma va giù, non mi frego con i applausi e vado al fallimento totale, perché non accontentomi con soldi e immagine e neanche so vivere com il vuoto della apparenza.

Forse sia per questo che io mi relaziono tanto bene, capisco e a me piace tanto i bambini.

By Cintia Liana

domingo, 7 de março de 2010

Politicamente Honesta [Em Português]

Foto: Cintia Liana com 9 meses

Por vezes me sinto um tanto ingênua por não saber fazer lobi. Há algum tempo comecei a desconfiar que perco muito por não conseguir simular que está tudo bem ao lado de alguma injustiça, falsidade ou preconceito.
Quando gosto de alguém me entrego a amizade, não importa a religião, nível social, cultural ou econômico, o que faz às vezes me decepcionar, pois nem todos sabem valorizar alguém simples, verdadeiro e espontâneo.
Fui criada ouvindo que é belíssimo ser sincero, e que é sinal e inteligência saber dizer o que sente e, neste sentido, cresci desejando ser bela e inteligente. Mas será que ainda sou infantil? Porque não sei ser hipócrita.
Não sou uma pessoa que se deixa levar somente pelo ímpeto emocional, sei colocar a razão a frente de tudo quando é necessário, mas se não concordo digo, se não gosto me afasto, se erro assumo, se estou triste demonstro, se estou ferida choro. Não consigo fazer vista grossa para algo desumano para conseguir o apoio de alguém, desta forma me sentiria vendida, pequena, pobre, não conseguiria me olhar no espelho, encarar meus próprios olhos.
Apesar de entender exatamente o significado de ser politicamente correto, não tenho a pretenção de ser-lo e nem tampouco de fazer a "boa moça", mas preservo a gana de ser justa, digna, nobre e honesta, mesmo que para isso eu tenha que perder alguma coisa, por que algo lá no fundo diz que tem um sentimento maior que move todas as coisas e acho que esse sentimento se chama amor.
Fazendo uso de metáfora, se depender de hipocrisia e conchavos meu programa sai do ar, viro as costas para os aplausos e vou a falência total, por que não me contento com dinheiro e imagem e muito menos sei conviver com o vazio da aparência.
Talvez seja por isso que me dou tão bem, entendo e gosto tanto de crianças.
Por Cintia Liana
["Sempre que quiser usar o texto de alguém, cite o autor. Respeite a obra alheia."]


Foto: Cintia Liana

Felizmente encontro pessoas maravilhosas nesta vida e, aproveitando, resolvi postar aqui um e-mail de uma ex-aluna minha da IBES, que me deu um feedback que me emocionou muito. Na verdade não sendo injusta com outros tão lindos e afetuosos como esse, mas como não posso postar todos de uma vez vou começar devagarzinho, afinal não quero guardar só para mim palavras tão belas e que confirmam que estou no caminho certo, quando distribuo amor por onde eu passo além, é claro, de saber brigar quando é preciso. rsrs

"Quero que saiba que sua presença marcou a vida de muitos alunos na IBES. Prova disso é que mesmo no 3º semestre vários alunos ainda comentam sobre você com outros alunos e dizem: "Professora boa era Cintia", ou então: "Você não conheceu Cintia....? Ali era professora de verdade."
Por algum motivo, mesmo quando não conhecemos alguém no convívio diário, algumas pessoas nos marcam de forma misteriosa (rsrsrsr) e nos deixam lições, impressões, não sei bem explicar..."

"Pode colocar o texto sim. Acho que também será uma forma de nós, que fomos seus alunos, sabermos que você tem conhecimento do quanto é especial.
Particularmente creio que existe uma razão especial para conhecermos cada pessoa nesta vida e, você, tem uma característica que eu acho fascinante: meiguice (em tempo integral, até quando quer parecer brava rsrsrsrsrs). Acho lindas as pessoas com jeito doce, suavidade nos gestos. Para você, minha sempre pró, deixo ainda algumas das bem aventuranças (as que tem tudo a ver com você !!!!).

Bem-aventurados os mansos (brandos), porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

Bem aventurada sou eu, pois tive a grande oportunidade de conviver com você (mesmo que só um pouco).

Bjão."

Priscila Moura de Souza

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Pri, como te falei antes, você realmente me emocionou com tuas palavras tão delicadas e saiba que te vejo assim também, tão delicada e meiga como você me vê. rsrs Seguramente essa semana estávamos muito conectadas mentalmente.

Vocês, meus queridos alunos, são e sempre serão muito especiais. Aprendi e aprendo demais com todos. Sinto-me afortudamente feliz por receber tanto carinho.

Obrigada!

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Loby, ou em Português Lobi: uma palavra muito utilizada em Portugal, mas que em muitos outros Países assume um significado muito diferente. Em Portugal esta palavra significa a utilização do poder econômico para pressionar o poder político, prática de tráfico de influências ou até mesmo corrupção activa.

No entanto, na maioria dos nosso restantes parceiros da União Europeia, onde as democracias são mais maduras, esta palavra assume outros significados. O Lóbi é encarado como "...uma actividade de pressão para influenciar decisões importantes tomadas pelo poder público..." (Marketing e Comunicação Política, 2009, pp.84). É considerada uma ferramenta indispensável da vida em Democracia.

Fonte da palavra Lobi: http://abuscapelasabedoria.blogspot.com/2009/09/o-que-e-um-loby-ou-em-portugues-lobi.html

Por Cintia Liana

segunda-feira, 1 de março de 2010

Licença Maternidade - Novas Leis em 2010

Foto: Getty Images

Mãe adotiva também terá direito a licença-maternidade de 180 dias
Extraído de: Câmara dos Deputados - 10 de Fevereiro de 2010

Rita Camata: PEC representa um grande ganho para toda a família. A comissão especial criada para analisar a Proposta de Emenda à Constituição 30/07 aprovou, nesta quarta-feira, a ampliação obrigatória da licença-maternidade de 120 para 180 dias. O substitutivo Espécie de emenda que altera a proposta em seu conjunto, substancial ou formalmente. Recebe esse nome porque substitui o projeto. O substitutivo é apresentado pelo relator e tem preferência na votação, mas pode ser rejeitado em favor do projeto original. aprovado, da deputada Rita Camata (PSDB-ES), também torna constitucional a licença-maternidade e o pagamento de salário-maternidade durante a licença para as mulheres que adotem crianças e adolescentes.

"Trocamos a expressão 'licença à gestante' para 'licença-maternidade' para que as mães adotantes ou que obtiverem a guarda não fiquem na dependência de alterações na legislação infraconstitucional para terem direito ao mesmo período de licença", explicou.
O texto prevê o benefício para todas as trabalhadoras (urbanas ou rurais) que contribuam com a Previdência Social.

Estabilidade
Outra mudança prevista no substitutivo aprovado é a ampliação, de cinco para sete meses após o parto ou adoção, do período em que a trabalhadora não poderá ser demitida sem justa causa.
Para Rita Camata, o aumento da licença-maternidade e do prazo de estabilidade representa "um grande ganho para toda a família, pois os filhos poderão ficar mais tempo com suas mães".


Fonte:


Foto: Googe Imagens


Por Cintia Liana

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Entrevista sobre Adoção

Entrevista com a psicóloga Cintia Liana
Cedida a alunos do curso de Jornalismo da UNIVERSO em setembro de 2007
Foto: A Psicóloga Cintia Liana Reis em entrevista

Quais são os motivos que levam uma mãe a abandonar um filho?

Essa resposta é bem complicada, mas vou simplificar ao máximo.
Falta de interesse em ter o filho, gravidez não planejada acompanhada de sérias dificuldades financeiras, falta de apoio do genitor da criança e/ou da família, falta de amor pelo filho, etc.
As pessoas pensam muito pouco neste “personagem” das histórias de adoção. Essas pessoas também devem ser "respeitadas", pois geralmente também são vítimas de pais omissos e de famílias desestruturadas. E fazendo essa colocação, não estou justificando atos de agressão e muito menos desculpando pessoas que colocam em risco a vida de nossas crianças.

Quais são os sentimentos das crianças que vivem em abrigo, sobre famílias?

Se sentem abandonadas, rejeitadas, carentes, menos favorecidas e diferentes (às vezes falam que são “crianças de creche”).

Quais são os sonhos e esperanças dessas crianças?

Se tiverem boas lembranças, voltar par a família de origem, para a mãe. Quem não se lembra da família ou não tem boas lembranças, sonha em ser adotada e ter uma família feliz, como qualquer outra criança.

E quais as expectativas, medos e desejos?

Expectativas de saírem do abrigo, voltarem para a família ou serem adotadas, como exposto acima. Medo de crescerem e não terem uma família, de não serem amadas e queridas. Desejam ter segurança na vida, nas pessoas.

Filhos adotivos tem o mesmo rendimento escolar que os filhos naturais?

Sim. Qualquer criança pode apresentar dificuldades escolares, mas quando a criança é adotiva isso nos chama a atenção, pois queremos culpar algo e encontrar respostas fáceis, objetivas e simplistas, então dizemos que todos os problemas moram e se resumem na adoção.

Crianças que vivem em abrigos tem o mesmo rendimento e aprendizado que as crianças adotivas?

Sim. Isso depende do interesse da criança e não somente da condição ou onde vive, apesar disto também contar muito

Filhos adotados por homossexuais tem os mesmos rendimentos escolares que os filhos adotados por heterossexuais? Os primeiros podem vir a ter maiores dificuldades que os segundos?

Tem o mesmo rendimento e os primeiros podem aprender a se defender, a colocar limites e a terem uma postura que demande respeito às diferenças. Se os pais educarem a criança de uma forma madura e consciente esta pode ser uma pessoa que tenha um senso de auto respeito ainda maior e mais apurado que outras crianças criadas em famílias tradicionais.

Nós sabemos que o preconceito prejudica e muito a adoção no Brasil. Quais são os mitos e preconceitos enfrentados?

São muitos. Alguns deles são:
preconceito sobre caráter (índole), se é hereditário; medo do filho sofrer se tiver uma cor de pele diferente dos pais, de se sentir diferente da família; filhos de pais homossexuais também terão inclinação para ser homossexual; preconceito com crianças maiores, de virem com vícios do abrigos e não aceitarem ou absorverem a nova educação, de ter hábitos que não serão retirados; medo de sofrer futuramente com o preconceito dos outras; medo de não ser amado pelo filho adotivo assim como poderia com um filho biológico; achar que sentirá mais o amor pela criança se ela chegar na família ainda bebê, etc.

Quais são os sentimentos de pais e filhos, e o que desejam com a adoção?

Desejam EXATAMENTE a mesma coisa que qualquer outra pessoa que busca um filho, formar uma família, ser pai, mãe e filho.

Qual o perfil da criança mais solicitado para adoção?

Hoje o perfil está mais aberto, mas ainda a preferência maior é por bebê, branco e do sexo feminino. Mas tem gente que quer crianças de 2 a 6 anos e até maiores e não têm preferência por sexo ou etnia.
Há pessoas muito bem preparadas e que têm em mente um perfil mais flexível, já há outras que ainda alimentam muitos medos. Os candidatos a adoção precisam ter um comprometimento antes de tudo com sua preparação emocional.

Em uma pesquisa feita em 1999 mostra que 55% das adoções são ilegais. O que seriam essas adoções? Esse índice mudou?

Não tenho números que comprovem, mas por experiência acredito que esse índice vem mudando, pois as leis também estão mudando, em paralelo a isso há um grande número de informações que está sendo veiculado na mídia. A adoção ilegal é aquela onde alguém registra o filho de outrem como se fosse seu filho biológico.

Qual é a análise de stress e otimismo em crianças que vivem em abrigos?

Stress? Esse termo pode dizer muitas coisas. Nos abrigos há crianças diferentes entre elas e iguais a qualquer outra fora dele, crianças com vários tipos de ritmo, sentimentos, reações, frustrações, memórias, desejos, mas todas elas sonham em ter uma vida em uma família, como propõe nossa cultura, sonham em ter uma mãe e/ou um pais, seja como for.

O que é feito dos adolescentes quando saem do abrigo? Quais os sentimentos deles?

Alguns abrigos têm propostas e parcerias que fazem com que os adolescentes, antes de completarem 18 anos, façam acompanhamento psicológico e que sejam encaminhados para cursos profissionalizantes com chances de emprego.
Há casos de adolescentes que são reinseridos em suas famílias de origem ou encaminhados para os cuidados e educação algum parente, mesmo que distante, que se interesse por ele. Tudo irá depender do trabalho que a instituição tem e da situação e do histórico do jovem.
Eles sentem medo e insegurança da nova vida, alguns nem se permitem enxergar o que sentem, principalmente quando não têm o apoio da família ou quando são muito revoltados, mas muitas vezes encontram no abrigo um apoio muito grande e continuam com os vínculos de amizade, afinal muitos cresceram ali, e para eles aquele lugar e aquelas pessoas são seu ponto de referência.

Quais são as principais marcas de quem passa muitos anos da vida num abrigo?

“Marcas?” Antes de tudo é importante observar que todos nós temos “marcas”. Esses jovens falam muito sobre o desejo de ter uma figura parental e sobre essa falta, fala sobre o sentimento de rejeição, desamparo e insegurança, mas outros se acostumam com a visão de que as pessoas do abrigo são sua família e estabelecem com elas relações muito estreitas e familiares.
Não há marcas que não possam ser reelaboradas, trabalhadas e faltas que possam ser supridas. Ninguém pode estar fadada a não ter uma família só por que alguém acredita que essas crianças tenham traumas. Esses “traumas” não fazem delas seres não dignos de amor, ou pessoas mais difíceis de lidar, só comprovam o quanto são humanas, se ferem, mas têm a chance de se reerguer, como todos os outros seres humanos da Terra.

Quais são as realidades por trás dos muros dos orfanatos?

Essa resposta é bem ampla mas, no geral, os orfanatos são instituições que lutam para se manterem e para dar uma vida digna as crianças. Como qualquer instituição, passam por dificuldades financeiras, tentam passar bons valores para essas crianças viverem bem em comunidade e têm regras estabelecidas para atuarem, dentro deles há empregados que se dedicam mais ao trabalho com as crianças de forma mais humana e outros que não têm essa preocupação e consciência.

Li em uma entrevista da desembargadora Maria Berenice Dias (RS) que não existe registro de abuso sexual de crianças por casais homoafetivos. Em compensação, entre os pais heterossexuais o índice é assustador, chegando a 23%. Esses abusos acontecem mais com pais biológicos ou adotivos? Tem algum estudo que demonstre estatísticas desses abusos?

Nunca vi um estudo desses, mas dentre todos os casos que já atendi (uma boa amostra no caso de um de estudo) eram com pais biológicos ou padrastos, mas sempre com pais heterossexuais, nunca com um homossexual.

Li em um artigo seu que uma criança foi adotada por um casal, e por medo de ser rejeitada novamente, iniciou um processo de agressividade intensa, só que o casal soube ter paciência e passar confiança para que ela não tivesse medo de ser abandonada outra vez. Qual o efeito no psicológico da criança que vai e volta de um lar?

Para cada criança pode ser um pouco diferente, mas geralmente e resumindo bastante, o medo intenso de ser de abandono mais uma vez, a fantasia de que não é tão boa o bastante para ser digna de amor. Mas nada que não possa ser recuperado com dedicação e paciência.

Como prevenir adoções traumáticas e evitar a devolução de crianças e adolescentes adotivos?

A séria preparação dos candidatos a adoção, fazendo com que entendam que pode ser uma experiência maravilhosa, mas toda experiência pode ser difícil e toda dificuldade pode servir para amadurecer, só basta estar aberto para isso.

Qual a diferença de auto-estima dos abrigados e os que têm família?

Geralmente (não todas) as crianças abrigadas se sentem desvalorizadas por não estarem em família, mas isso não as afeta num grau a comprometer totalmente sua interação com o mundo, mas afeta sim sua auto-estima.
Algumas crianças sofrem mais, outras menos, vai depender de como cada uma lida com o mundo e com seus sentimentos. Contudo, sabemos que uma criança que cresce ouvindo da mãe que ela é linda, que é amada e cresce meio a abraços e cercada do calor parental se sente mais forte que outra eu nunca teve isso.

Qual é o futuro das crianças que vivem em abrigos e o futuro das crianças que tem famílias? E quem morou em um orfanato e hoje tem família, sofre alguma influência?

Também somos feitos de influências, referências... Todos nós levamos para a vida o que passamos, mas tudo pode ser trabalhado e resignificado, o importante é estarmos atentos às nossas emoções e percepções e termos pessoas ao nosso redor para nos fortalecermos.

O privilégio é que a criança viva num meio familiar, o abrigamento é uma exceção. Por que o Estado ainda dificulta o que deveria priorizar?

Pelo que vejo não é uma questão de dificultar simplesmente, acho que têm que ser contratados mais profissionais para o trabalho crescer. O número de processos é alto e o número de pessoas que lidam com eles não. Tem que ser feita uma verdadeira reforma no Estado, no Judiciário, mas têm pessoas trabalhando para essa melhora e humanização.

O que mais faz falta para uma criança ou adolescente que passa anos da vida num abrigo?

Família, pai e/ou mãe e o que eles podem lhe proporcionar de bom, como amor, proteção, amparo e apoio emocional.

Quanto tempo dura um processo de adoção, depois de já iniciado?

Do início até conclusão, depende de uma série de coisas, da idade da criança (pois o estágio de convivência com uma criança maior é um pouco mais longo), do perfil pretendido (um bebê dura mais tempo para encontrar)...
Depende do tipo de adoção, pois têm aquelas em que a criança já vive com a família e os “pais afetivos” só vão regularizar a situação.
Num caso onde começa com habilitação e a criança pretendida, por exemplo, é de dois anos de idade, dura mais ou menos 1 ano e meio, mais vai depender muito do tamanho da fila de espera e da disponibilidade de crianças com essa faixa etária. É muito relativo esse tempo.

Por Cintia Liana

Entrevista sobre Adoção Homoafetiva

Entrevista com a psicóloga Cintia Liana
Cedida a alunos do curso de Jornalismo da Faculdade UNIVERSO em setembro de 2007

Foto: A Psicóloga Cintia Liana Reis em entrevista

Qual é a importância dos pais por perto? É necessário que os pais sejam de sexo diferentes?

É essencial a presença de um ser responsável que dê amor a uma criança.
Sobre ser necessário os pais serem de sexo oposto, acredito que absolutamente não! Quem impõe isso é a cultura, criada e escrita por uma elite dominante. A criança abrigada quer ter pai e/ou mãe, se sentir amada, respeitada e protegida, não importa o sexo, a cor, a idade, a nacionalidade e a orientação sexual.
É claro que uma família nuclear é mais aceita pela sociedade e assim é um pouco mais fácil da criança entender essa família e seu impacto social, mas isso é um modelo, e os outros modelos? Têm que sofrer por serem diferentes do convencional?
Temos que colocar os pés no chão e aceitar a realidade. Que existem pessoas diferentes, com escolhas diferentes e que podemos fechar os olhos para as pessoas que têm o direito de serem como quiserem. Por que isso dói? Por que choca? Por que é difícil de entender? Temos que entender, a evolução do mundo está aí para quem quiser acompanhar. Por que tanta dificuldade em aceitar o novo ou entender como necessário e não prejudicial?
Imagine a criança que nunca teve ninguém para protegê-la ou chamar de pai e/ou mãe. Se tiver isso agora, para quem nunca teve nada, o que mais importa?

A falta de referência de um pai ou de uma mãe faz falta? Afeta alguma coisa no psicológico da criança ter dois pais ou duas mães?

Sim, todos nós desejamos pai e mãe e com eles aprendemos a nos comportar, são nossos modelos. Na falta desses pais elegemos outras pessoas. Às vezes, mesmo tendo um pai e uma mãe, pode-se acabar elegendo os tios como pontos de referência, pois esses podem nos parecer mais agradáveis.
No caso de pares homoafetivos, eles também “imitam” as relações heterossexuais, um é mais masculino e outro é mais feminino, paternal e maternal, mas fora do núcleo mais íntimo a criança pode eleger a parte que te falta, um tio ou uma tia para ser sua referência de masculino ou feminino.
Ter dois pais ou duas mães não precisa ser negativo, tudo pode ser conversado. Para a criança acaba sendo natural e isso não faz dela problemática.
Sabemos que muitas avós fazem juntamente com a mãe tal papel e até competem pelo amor da criança e pela autoridade perante ela, isso e mais aceitável porquê? Isso é complicado e totalmente negativo para o crescimento da criança e para a sua educação. Mãe é mãe, avó é avó, se fossem a mesma coisa não chamaríamos por nomes deferentes.

Como é feita a preparação de crianças e famílias adotivas? E para ser adotada por homossexuais, como é feita essa preparação?

Normalmente, a criança está preparada para a adoção, é isso o que quer quando não tem vínculos positivos com a família de origem. Mas ela precisa ser avisada que será adotada e ajudada a dar conta de sua ansiedade e medos.
A criança quer adotada, ela não pergunta por quem, qual o sexo, que cor de pele tem, idade, nacionalidade. Essas informações são detalhes para ela.
Quanto a família, precisa ser avaliada é convidada a entrar no verdadeiro mundo da adoção, da maternidade e paternidade, desconstruindo os mitos, fantasias e preconceitos. Desconstruindo também a criança idealizada e construindo a criança possível, que pode ser bem melhor.
A criança real acaba sendo a melhor para quem se libera de suas exigências construídas ao longo do tempo, desde a época em que brincava de bonecas.
Existe o período de visitas e o de convivência antes de ser dada a sentença final.

Há algum estudo científico que comprove que a adoção por homossexuais não interfere na escolha da sexualidade da criança?

Que eu conheça não, mas vemos naturalmente que homossexuais sempre são filhos de heterossexuais. Façamos uma retrospectiva das pessoas que conhecemos e chegaremos a esse resultado.
No mais, hoje há muita literatura sobre o assunto, de muitos bons escritores da área do direito e da psicologia.

Quais são as conseqüências de crianças adotadas por homoafetivos?

Como em qualquer família, a criança é também fruto dos referenciais familiares, mas isso não implica a escolha sexual. O que pode acontecer é a criança enxergar a escolha sexual das pessoas de uma forma mais tolerante ou o contrário, mas isso não é uma regra.

Como contar, ou mostrar a uma criança que ela não tem uma mãe e um pai, mas sim, dois pais ou duas mães?

Ela crescerá vendo a realidade. Aos poucos isso deverá ser conversado no lar. Ela verá que isso não é um tabu para a família e em algum momento poderá fazer perguntas. A criança absorve muitas informações também através de “historinhas”.

Qual é o número de homossexuais (casais) que se candidatam à adoção?

Não tenho um número fechado mas, pessoas solteiras homossexuais que adotaram em quase três anos que participo de adoções em Salvador, foram umas 30 (trinta) mais ou menos. Mesmo tendo parceiros elas ainda buscam a adoção sozinhas.
Algumas pessoas solteiras heterossexuais também ainda acham que só pessoas casadas heterossexuais podem adotar.

Você é a favor de lei que regulamente a adoção por casais homoafetivos? Por quê?

Falando por mim e não por nenhuma instituição, eu sou a favor, pois percebo que a identidade sexual não faz da pessoa ser humano melhor ou pior que ninguém. Isso não compromete sua índole, seu caráter, não faz dela pessoa diferente de ninguém. Assim como a formação da identidade e escolha sexual da crianças não vai depender exclusivamente da orientação sexual dos pais e sim da maneira em que vivem essa sexualidade, sejam esses pais hetero ou homossexuais.

Você acha que esse tipo de adoção seria um problema a mais para a criança?

Não. Como já disse, a sociedade, mesmo que lentamente, terá que evoluir. Se não começarmos a mudar, a sociedade nunca irá mudar, é um erro não viver algo com medo dos preconceitos sociais. Os pais só precisam estar muito atentos para fortalecer a criança. As pessoas não estão erradas em tentarem ser felizes, o que é errado é o preconceito.

Os homossexuais têm capacidade de constituir uma família e têm plenas condições de criar, educar, proteger e amar uma criança. Por qual motivo essa adoção ainda não é aceita?

Claro que têm! A homossexualidade não é uma patologia! A legislação ainda está pautada em alguns preconceitos trazidos ao longo dos séculos, em uma mentalidade ultrapassada, em crenças antigas, mas isso vai ter que ser revisado. Tem que ser, afinal temos que evoluir e a lei também!

Há algum problema em crianças presenciarem cenas de afeto dos pais?

Não, para ela isso será natural, assim como com pais heterossexuais. É claro que existe um limite para a expressão afetivo sexual na frente da criança, como em qualquer família.

Por Cintia Liana

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Adoção Tardia é Tudo de Bom!

Foto: Google Imagens

Uma cara amiga, que conheci nessa luta pelas crianças e pela adoção, nos cedeu sua história de adoção tardia, encontrou há pouco tempo sua filha de 12 anos.
Os nomes foram omitidos para preservar a identidade das pessoas envolvidas.
Quero parabenizá-la por toda sua maturidade e doação.
É para essas pessoas que temos que olhar e aprender, nessas pessoa que doam amor e que ao invés de alimentar o preconceito preferem pensar sobre possibilidades e transcender qualquer tipo de obstáculo, deixando prevalecer sempre o sentimento e o desejo de ter um filho. Para essas pessoas não existem barreiras.
Amiga, muita saúde para vocês e sua linda filha, que ela cresça em paz e se torne um adulto responsivo, responsável, diferenciado, feliz e que com certeza fará e já está fazendo outras pessoas muito felizes. Sei que com uma mãe como você “será tudo de bom”! Um abraço.


*Por uma mãe de verdade

Quem busca um filho busca a construção de um amor incondicional. E quanto mais idealizações forem construídas sobre a imagem desse filho, mais barreiras à satisfação haverá, ou seja, a idealização sobre o filho desejado limita as possibilidades de felicidade surpreendentes e espontâneas da vida. O que quero dizer é que, mesmo reconhecendo a naturalidade que há em se idealizar um filho, trabalhar nossas emoções para não tentar determinar como ele será abre um colorido leque de satisfação pessoal tanto nos pais quanto na criança. Um pouco de abnegação não faz mal a ninguém; pelo contrário, torna melhores as pessoas, e libertar-se do narcisismo ajuda a ser mais feliz.


Mas o que desejo, aqui, neste momento, é contar minha história de adoção.
Sou professora, tenho 34 anos de idade, e vivo uma relação conjugal muito boa há 12 anos. Eu e meu marido sempre gostamos de crianças e nosso desejo por filhos existiu desde o início do casamento, mas adiamos essa nossa felicidade por medo das dificuldades que enfrentaríamos como, por exemplo, falta de dinheiro para o sustento da criança e falta de tempo para nos dedicarmos à educação dela. Mas os anos se passaram tão rapidamente que, quando nos demos conta, já havia passado uma década de casamento. Nós continuávamos com dificuldades financeiras, porém já com um pouco mais de tempo livre. Decidimos, então, que eu tentaria engravidar. O bebê não veio. Fizemos exames, mas nenhum problema de infertilidade foi detectado. Mesmo assim, o bebê não veio. Não houve desespero por isso, até porque a ideia de adoção já era certa nos nossos planos mesmo se tivéssemos filho biológico.
Nós nos inscrevemos no Cadastro Nacional de Adoção, fomos nos informando sobre adoção através de literatura especializada e em grupos de apoio à adoção. Isso nos ajudou muito.
Decidimos que a idade da criança não deveria ser uma barreira para adoção, pois importaria que houvesse identificação entre nós e ela. Decidimos dar preferência para menina, pois ter uma filhinha já era um sonho antigo do meu marido. Mas a espera na “fila de adoção” é sempre angustiante. Em algumas comarcas, mesmo hoje sob a nova lei, a espera é muito demorada! Durante a espera, é comum que nos abata profunda tristeza. Parece uma gravidez sem fim e incerta.
É claro que os medos apareceram, medos diversos: pela idade da criança, pelo temperamento, pelas observações erradas que muitos fazem, pela aceitação da família, os preconceitos, os tabus, medo de ser infeliz, etc. Não nos permitíamos abater pelos medos, mas tivemos que conviver com eles até o dia em que decidimos adotar a nossa princesinha.
Viajamos mais de 2.000 km para conhecer nossa filhinha! Isso mesmo: mais de dois mil quilômetros. Tivemos essa indicação por meio de uma amiga muito querida que mantivera contato com a assistente social da comarca em que se encontrava nosso bebê de 12 anos.
Viajamos com a cara, a coragem, o amor e a fé. Prevaleceram o amor e a fé. Estamos muito felizes por isso!
Antes de chegarmos até a comarca, tivemos informações acerca da menina: 11 anos de idade (até então), magrinha, tímida, estava abrigada havia 3 anos aproximadamente e, a pior notícia, era vítima de abuso sexual. Depois, ainda soubemos que ela precisava fazer uso de antidepressivo. Claro, se um adulto faria uso desse tipo de medicamento, quanto mais uma criança naquela situação!
Ficamos temerosos principalmente por causa dos comentários preconceituosos de outrora que já povoavam nossas mentes. Mesmo assim, sabíamos que não seria certo desistir com base em ideias distorcidas de outras pessoas. Precisávamos entender o que Deus havia preparado para nós. Então viajamos.
Já no Fórum da cidade onde estava abrigada a nossa filha, nosso primeiro encontro foi especial, mas não houve sinos tocando, nem estrelinhas piscando, nem trombetas soando. Foi especial porque estavam ali pessoas que selariam destinos. Havia, na sala, uma criança frágil (já com 12 anos de idade), com mãozinhas geladas e tremidas e um semblante de profunda tristeza. O olhar triste e temeroso dela não dá para esquecer.
Se, para nós, aquela circunstância era difícil, para a menina era ainda pior. Isso é o que todos sempre deveriam lembrar. A criança é sempre mais frágil. É a criança quem mais sofre.
Saíamos os três todos os dias durante o período que estivemos lá. Conversávamos, passeávamos, e víamos nela uma menina normal, bastante meiga, inteligente, mas com falta de estímulos para aprendizagem e profunda carência afetiva. Víamos nela, também, as respostas positivas através do comportamento para as situações que provocávamos. Era uma criança sedenta por um referencial. Era o que precisávamos. Havíamos encontrado nossa filhinha!
Foi com lágrimas nos olhos e o coração aliviado que pedimos a guarda da nossa princesa de 12 anos.
Estamos muito felizes que a decisão foi tomada com base no amor e na fé.
Nossa filha não precisa mais dos antidepressivos, pois vive feliz e sorridente; ela não tem mais o semblante triste; já nos abraça e nos enche de beijinhos; corresponde aos nossos carinhos com desenvoltura e se relaciona muito bem com as pessoas; aprendeu muitas coisas e gosta de tudo que ensinamos. Alimenta-se bem, dorme bem, brinca bastante. Ela ficou mais bonita, mais educada, engordou mais de 4 quilos em apenas 1 mês. É muito meiga! O passado triste está se distanciando dela bem depressa.
Nós, os pais, sentimo-nos tão plenos e tão realizados que parece um sonho! As dificuldades que passamos são mínimas e as felicidades são imensas. A adaptação dela à nova vida foi mais simples do que imaginávamos.
Sentimos como se ela sempre estivera conosco, não conseguimos imaginar nossas vidas sem ela. Não nos fazem falta as fraldas que não trocamos, pois nos preenche totalmente o amor do hoje, do agora. A voz dela é música para meus ouvidos, a risadinha dela alegra a minha alma, o cheirinho dela me faz bem, vê-la dormindo tão serena é a mais doce visão. É minha filha, minha princesa meu bebê, e assim será pelo futuro. É alta, tem quase a minha altura, mas é meu meigo bebê, meu amorzinho, minha flor. O presente e o futuro são nossos, o passado não atrapalha nossa alegria.
Só há um adjetivo para resumir a experiência pela qual estamos passando: sublime.
Adoção tardia é tudo de bom! É preciso que o amor vença o medo ainda no coração de muitas pessoas.

Obrigada, meu Deus, pela vida dela em minha vida!

*C. S.


Foto: Google Imagens


Por Cintia Liana

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Terapia Floral uma riqueza de legado

Este texto é de minha linda e maravilhosa mãe! É verdade, tenho o maior orgulho dela, por tudo! Por ter me dado a vida, por ser uma excelente mãe, por ser um ser humano lindo, singelo e ao mesmo tempo forte. Por ser exemplo de profissional, escolheu um excelente pai para mim, me deu um irmão maravilhoso, do qual também tenho muito orgulho, me deu um ótimo padrasto, é boa filha, irmã no melhor sentido da palavra e pessoa sensível, na qual me espelho.
É minha mãe biológica, mas não deixa de ser adotiva, pois todas as mães que desejam e acolhem seus filhos são também adotivas. Como diz Schettini, todos os filhos são biológicos e adotivos, biológicos por que é a única forma de vir ao mundo, e adotivos por que a única forma de se tornarem filhos é ser acolhido verdadeiramente pelos pais como tal, sejam eles de origem ou do coração.
Mãe, obrigada por tudo!
Foto: Google Imagens
*Por Walkíria de Andrade Reis Freitas

Até o momento, não existe explicação alguma sobre o modo de ação das essências florais capazes de satisfazer aos critérios científicos atuais. Têm sido oferecidas hipóteses baseadas na química molecular, na cibernética e na física para explicar outros sintomas sutis de cura. É possível que elas também se apliquem aos florais. Considerando-se a expansão extremamente rápida do conhecimento nesses campos, será uma questão de tempo poder também as mudanças de energia produzidas por tais métodos sutis serem medidas e demonstradas por processos científicos.

Em 1934, Dr. Bach, criador do método Floral, escreveu o seguinte em relação ao modo como operam as Essências Florais:
“A ação desses remédios consiste em elevar nossas vibrações e abrir nosso canal para a recepção do eu espiritual; em inundar nossa natureza com a virtude particular, e em expurgar de nós o erro que causa o mal.. Elas nos curam, não atacando a moléstia, mas inundando-nos o corpo com as formosas vibrações da nossa natureza superior, na presença das quais a moléstia se derrete, qual neve ao calor do sol.”

“Não haverá cura verdadeira se não houver mudança na aparência, paz de espírito, e felicidade interior.” A princípio, isso pode parecer improvável a muita gente, mas tornar-se-á perfeitamente claro se, se compreender e aceitar a premissa em que o médico, homeopata Eduard Bach baseou sua linha de pensamento – semelhante a Hipócrates, Hahnemann e Paracelso, grandes homens que tinham o mesmo espírito.

Como terapeuta floral, e com experiência de alguns anos atendendo em consultório, sinto-me a vontade para dizer o quanto é importante e maravilhoso sentir e perceber a grande mudança que ocorre em todos os aspectos do ser humano em tão pouco tempo dentro do trabalho de terapia floral. Falo importante, pela necessidade urgente da integração cada vez maior da energia dos florais em nossa vida como veículo em potencial de saúde mental e física. Pessoas com síndrome do pânico, sentimento de rejeição, inadequação, situações de perda em qualquer nível, traumas, magoas, intolerância, transição de fases que representam mudanças, em fim, o floral transforma a realidade interna do ser. Casais que se encontram em processo de adoção, por exemplo, estes geralmente, lidam com crianças na maioria das vezes com comportamentos atípicos e dificuldade de relacionamento que são naturalmente oriundos de sentimento de profunda solidão, angustia baixa auto-estima. No entanto, ainda existe muita resistência por parte das pessoas a esse tipo de terapia, na maioria das vezes a falta de conhecimento contribui bastante, noutras a preguiça de tentar um jeito mais saudável de viver, sem levar em consideração que, qualquer veículo que nos ajude no processo de autoconhecimento, facilitará a nossa passagem aqui na terra de forma mais amorosa e integrada a vida.

Atendi há pouco tempo, uma criança que se encontrava em processo de adoção por um casal de italianos. A menina de 6 anos carregava um profundo sentimento de carência afetiva, vazio interno, sentimento de separatividade, dissimulação, grande falta de energia da entrega e da confiança, principalmente em relação ao sexo feminino. Os florais administrados, em pouco tempo, não só acionaram e desbloquearam a energia que a princípio era a causa da dificuldade na relação filho-mãe, como também, despertou- a para qualidades como amorosidade, confiança e compreensão. Concluindo: A criança passou a conviver e relacionar-se principalmente com mais harmonia, com a mãe adotiva que a princípio, era a pessoa que mais rejeitava.

Acredito ser as essências florais um dos poucos meios que tornará a humanidade mais justa, solidária, humana, equilibrada, menos doente. Emocionalmente mais educada. Compreender que devemos e podemos administrar nossas emoções, reconhecer que somos os únicos responsáveis por tudo que nos acontece, torna-se necessário para que possamos ter mais saúde mental e conseqüentemente física.

O floral busca Integrar todos os níveis da existência humana: o corpo físico, o emocional e o mental, conseqüentemente trabalham os sentimentos, as emoções, os pensamentos e a vontade.

A ação do floral resulta num processo cumulativo poderoso. Através do profundo trabalho de expansão da consciência, atua na transformação e dissolução, tais como bloqueios energéticos e seus correspondentes sentimentos distorcidos que limitam a verdadeira expressão da essência, fonte de toda cura, sabedoria, criatividade e alegria.

As essências florais nos permitem responder a esses modernos desafios da alma. Elas nos ajudam a manter a nossa sensibilidade e nos trazem a força para trabalhar as adversidades do mundo.

Muita Paz!

Walkíria de Andrade Reis Freitas é Educadora, bacharel em Artes Plásticas pela UFBa, Terapeuta Floral a mais de 15 anos, credenciada pelo CRTH – Ba, especialista em Arteterapia pelo Instituto Junguiano da Bahia e Faculdade Baiana de Medicina.
Contato: walkiriaandrade@gmail.com

Referência:
SCHEFFER, Mechthild.Terapia floral do Dr. Bach: Teoria e prática. 12 ed.S.Paulo: Pensamento, 1997.
LAMBERT, Eduardo. Os estados afetivos e os remédios florais de Dr. Bach: um repertório completo para usar na terapia floral. 10 ed. São Paulo: Pensamento, 1997.
MUNDIM, Marcos de Oliveira e outros. Tratado de saúde Holística: Os florais de Bach na medicina da nova era. S. Paulo: Ground, 1994

Foto: Google Imagens

Por Cintia Liana