"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sete Histórias de Natal de Meninos e Meninas Carentes


Foto: Google Imagens

Revista Veja São Paulo

Existem na cidade de São Paulo muitos abrigos destinados a cuidar de crianças que, por algum motivo, não têm um ambiente familiar que as acolha. Já não se usa mais a palavra orfanato para definir esses lugares, pois o que produz menores carentes não é somente a morte dos pais, mas também outros dramas, como o abandono, a miséria, os maus-tratos. Desde 1990, quando foi promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente, as entidades sérias dedicadas a esse tipo de proteção mudaram de nome e de objetivos. Deixaram de ser depósitos de rejeitados para tentar mudar o destino dos internos, seja encontrando pais adotivos, seja promovendo seu retorno à família original. Passaram a dar-lhes, enfim, o direito de ter esperança num futuro melhor. É por isso que, apesar das agruras, meninos e meninas nessa situação ainda encontram motivos para sorrir — especialmente na época do Natal, quando o espírito solidário motiva a chegada de presentes, visitas e festas preparadas só para eles.

Ricardo, Keila, Alaíde, Marcio, Jaqueline, Angélica e Fernando, que você conhecerá melhor nas próximas páginas, expressam bem essa alegria. Há muitas formas de ajudá-los e aos milhares de pequenos que vivem nas centenas de abrigos na cidade. Em muitos casos, o melhor a fazer é cercá-los com o calor que só existe de verdade na relação entre pais e filhos. Nem sempre, porém, a adoção é possível. Algo que pode ser feito em favor de toda essa gente miúda são doações às entidades que cuidam deles.

Para conhecer algumas das mais sérias, basta consultar as relações existentes no site do projeto Bem Eficiente (http://www.melhores.com.br) ou falar com o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente ( 225-9077, ramal 23 ou 24). Pode-se também apoiá-las como voluntário (cadastrando-se pelo site http://www.voluntarios.com.br) ou até ficar com um dos abrigados em casa na época do Natal. Se nada disso estiver a seu alcance, agende uma visita à entidade. Não custa nada e vale muito. Toda criança adora ver que alguém pensou nela.

Com reportagem de Anna Paula Buchalla, Gabriel Pillar Grossi, Gabriela Erbetta, Iracy Paulina e Viviane Kulczynski.


Seguem 7 histórias reais, uma por postagem.


História 1

"Quero um trem, um boneco, reportagem de capa uma mãe e um irmão" – Ricardo

Saber quem é o velhinho que traz os presentes no dia de Natal não é a única curiosidade que Ricardo Martins expressa no olhar. Há muitas outras, entre as quais descobrir algum detalhe sobre o próprio passado. Acometido de uma espécie de amnésia, ele não se lembra da família nem sabe dizer quanto tempo esteve abandonado nas ruas da cidade. Perambulava pelo centro, em meados do ano passado, quando foi recolhido, levado a uma unidade da Febem e encaminhado ao abrigo do Movimento de Apoio à Integração Social, Mais. Desde então tem recebido o cuidado da entidade e de seus 120 voluntários, encarregados de dar a melhor vida possível às oitenta crianças que aguardam um destino — seja a adoção, seja o retorno à família de origem. Segundo exames médicos, Ricardo tem por volta de 7 anos.

Sentado junto do pinheirinho enfeitado no saguão, ele fala sobre o Natal do ano passado, o único que ficou gravado em sua memória. "Papai Noel chegou de helicóptero e distribuiu presentes para todos", conta. "Ele mora longe, precisa vir voando."

Fã de Ronaldinho e dos personagens de desenho animado Rei Leão e Hércules, o garoto procura imitar um pouco de cada um. Cortou o cabelo bem curto, como o craque. Adora a natureza, como o leãozinho dos estúdios Disney. De Hércules, copiou a coragem. "Nunca tive medo de nada, nem quando dormia em casa abandonada", diz.

Matriculado no pré-primário, descobriu a magia do lápis e do giz de cera. Vive desenhando. Já rabisca algumas letras e exibe orgulhoso, num pedaço de papel, as iniciais de seu nome. Ainda não consegue escrever uma lista de presentes. "Não precisa, né?", conclui. "Papai Noel sabe que eu quero um trem de plástico, um boneco, uma mãe e um irmão", pede. "Se não der, tudo bem, já ganhei uma bola mesmo."

Publicação - Revista Veja São Paulo
Circulação - São Paulo – SP
Data - 23/12/98
Edição – 1578
Assunto - Abandono – Institucionalização
Título - Sete Histórias de Natal de Meninos e Meninas Carentes
Autora - Mirian Scavone


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 7 de setembro de 2010

As Vítimas da Inconseqüência

Foto: Google Imagens

Jornal O Dia - RJ

Uma pesquisa do Juizado da Infância e da Juventude montou, durante três meses, uma pequena radiografia da situação de 932 menores que foram recolhidos na cidade e encaminhados para 32 instituições: 100% das crianças têm família. Foram largadas pelos pais ou fugiram de casa devido aos maus-tratos. O mais assustador é que 12% foram abandonados antes de completarem um ano de vida. Somente nesta semana, o juizado registrou o abandono de seis bebês nas ruas do Rio.

O caso mais recente pegou de surpresa a moradora da Rua Maria Amália, na Tijuca. Anésia Santiago da Silva, 42 anos, levou um susto em casa ao ouvir o choro estridente de um bebê, por volta das 21 h de quinta-feira. Nervosa, abriu a porta e encontrou, enrolado numa manta branca, um bebê moreninho de aproximadamente 20 dias, ao lado de uma bolsa de roupas.

Apanhou o bebê e o levou para dentro, constatando logo que estava com diarréia. Ela chamou a vizinha Lúcia Veiga de Lima, 40 anos, e as duas deram banho e mamadeira. Preocupada com a possibilidade de que o bebê tivesse sido roubado, dona Anésia decidiu levá-lo à 19ª DP (Tijuca), onde o caso foi registrado.

"Fiquei com muita pena de ver o bebê abandonado, mas não queria que ele ficasse na delegacia", disse Anésia. Casada e com uma filha de 13 anos, Anésia gostaria de adotá-lo, mas confessou que tem problemas de saúde que a impede de ficar com a guarda dele. Ela encontrou o bebê vestido com um macacão azul e os remédios Nistatina (para o intestino) e Sulfato Ferroso gotas (vitaminas) na bolsa.

O bebê foi levado para o abrigo do Cemasi Ayrton Senna, na Tijuca onde recebeu o nome provisório de Ricardo Senna. Ontem, Ricardinho foi adotado por uma das 120 famílias cadastradas no programa de adoção da 1ª Vara da Infância e da Juventude, e ganhou o nome Caio.

5 Minutos com Siro Darlan
"Não vamos prejudicar nossas crianças".
Em apenas uma semana, seis bebês foram abandonados pelos pais nas ruas do Rio e encaminhados para a 1ª Vara da Infância e da Juventude. Além de ajudar na procura de um novo lar, o juizado prepara um curso para tentar reeducar as famílias que mendigam e exploram o trabalho de seus filhos. De acordo com o juiz Siro Darlam os pais que não aproveitaram a chance e reincidirem serão responsabilizados com base no Estatuto da Criança e no Código Penal. A punição pode chegar a três anos de detenção.

l - O que mais chamou a atenção do senhor nessa pesquisa?
Foi descobrir que em 100% dos casos as crianças que foram recolhidas nas ruas têm famílias; em 12%, têm menos de 1 ano de vida e em 70%, são menores explorados pelos próprios pais.

2 - Por que o Juizado resolveu fazer esse estudo?
Para fazer com que a criança seja reintegrada a sua família. Elas não são órfãs.

3 - O Juizado estará dando uma chance a esses pais?
Exato. Vamos primeiro dar uma oportunidade, oferecendo bolsas de alimento, roupas e vale-transporte durante o curso. Depois vamos buscar pessoas que desejem apadrinhar uma família, pagando um salário mínimo por mês para que a criança fique na escola.

4 - O que pode acontecer, caso o trabalho do Juizado não dê o resultado esperado?
Os que voltarem para as ruas para mendigar poderão perder a guarda dos filhos, que serão levados para abrigos públicos, e ainda terão que responder ao Estatuto da Criança e ao Código Penal, por exploração da criança e abandono material, por exemplo, podendo pegar até dois anos de detenção.

5 - Nesse caso, o afastamento de pais e filhos não acabará sendo uma punição para a criança, que será privada do convívio familiar?
Quer punição maior do que ser maltratado e negligenciado? Se a família é capaz de explorar o filho, ela não merece ficar com a criança, que deve ser encaminhada a instituições. De forma alguma queremos prejudicar a criança, nossa intenção é protegê-la.

Publicação - O Dia
Circulação - Rio de Janeiro – RJ
Data - 10/10/98
Assunto – Abandono
Título - As Vítimas da Inconseqüência


Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A adoção homoafetiva é juridicamente possível?

Foto: Google Imagens


Sim. No Brasil o homossexual pode adotar, inclusive um par, dois conviventes. Houveram casos no Brasil onde os dois adotaram juntos, foram casos isolados e realizados por pessoas muito corajosas, que enfrentaram muitos preconceitos. Seus advogados encontraram uma abertura no ECA, onde dizia que uma criança poderia ser adotada por duas pessoas em união estável e não dizia que essas pessoas deveriam ser de sexos diferentes. Essas pessoas encontraram bons juízes que sentenciaram a favor das adoções e entenderam que isso faria bem para a criança que já estava adaptada.

A nova lei de adoção incluia no seu texto original a possibilidade explicita de adoção por casais homoafetivos e a bancada evangelica tanto fez que retiraram esta possibilidade explicita do texto, porém não houve no texto a impossibilidade e a proibição (só a retirada da permissão explicita no texto), voltando a situação ser como antes (não explicitamente permitida e nem proibida), com possibilidade de adoção, mas cabendo aos interesados buscarem seus direitos pelas brechas da lei e pelo fato de não haver uma proibição explicita.

Quando era perita de uma vara da Infância no Brasil vi alguns homossexuais adotando sozinhos por medo de se exporem ao decidir adotar com o seu convivente e também por insegurança, achando que o juiz poderia se colocar contra a habilitação em dois.


Por Cintia Liana

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Família e o processo de diferenciação na perspectiva de Murray Bowen

Foto: Google Imagens


Elizabeth Medeiros de Almeida MartinsI; Elaine Pedreira RabinovichI; Célia Nunes SilvaI,II

I Universidade Católica do Salvador, Brasil
II Universidade Federal da Bahia, Brasil

(...)
Bowen foi um estudioso, investigador e professor considerado um teórico inovador da terapia de família. Seu arcabouço teórico concentra-se em torno de duas forças vitais que se contrabalançam: aquelas que levam a pessoa à união com sua família e aquelas que a impulsionam para se libertar rumo à individuação. Quando ocorre um desequilíbrio dessas forças em direção à união, ocorre fusão, aglutinação e indiferenciação. Essas noções estão imbricadas, no estudo da complexidade da formação emocional do indivíduo, em torno dos conceitos de massa indiferenciada do ego; diferenciação do self; processo de projeção familiar; processo de transmissão multigeracional; posição entre irmãos; e triângulo, que apresentaremos a seguir (Bowen, 1989; Kerr & Bowen, 1989). São esses conceitos que exporemos a seguir, baseados no autor e em autores que o complementam.

Bowen e sua equipe, a partir de estudos sobre a esquizofrenia, em 1954, observaram um apego simbiótico do paciente à sua mãe, ampliando essa hipótese para os demais membros da família. Desse olhar para a família e para o seu processo emocional, Bowen construiu seus principais conceitos.

O conceito de massa indiferenciada remete ao de fusão ou aglutinação, termo utilizado por Minuchin (1982) para se referir a um estilo transacional caracterizado por um “sentimento de pertencimento que requer uma máxima renúncia de autonomia” (p. 60). Essa força de aglutinação em permanente tensão, exposta aos fatores externos que também exercem influência nas relações familiares, existe em todas as famílias, em variados graus de intensidade. O estresse originado de diferentes fatores psicossociais aumenta a força de união que age sobre a massa indiferenciada do ego, propiciando uma maior aglutinação de seus membros.

Foley (1990) refere-se a três maneiras utilizadas pelo casal para controlar a intensidade da fusão do ego com a massa do ego da família. A primeira se expressa pelo conflito conjugal. A segunda é marcada pelo aparecimento de uma disfunção em um dos cônjuges – assim, um deles cederá ao outro, tornando-se dependente. A terceira maneira usada pela díade conjugal, visando aliviar a situação estressante, é a transmissão da tensão para um ou mais dos filhos, que apresentará algum sintoma.

Toda criança nasce fusionada, indiferenciada em relação à sua família. Durante seu desenvolvimento, sua principal tarefa será diferenciar-se para alcançar autonomia e independência. Na família, as crianças experimentam tanto o pertencimento quanto a diferenciação. Pertencer significa participar, saber-se membro desta família, partilhar as suas crenças, valores, regras, mitos e segredos. Diferenciar refere-se à afirmação de sua singularidade, à sua individuação e ao seu direito de pensar e expressar-se independentemente dos valores defendidos por sua família.

Segundo Nichols e Schwartz (1998), a diferenciação do self, pedra fundamental da teoria de Bowen, é ao mesmo tempo um conceito intrapsíquico e interpessoal. “A diferenciação intrapsíquica é a capacidade de separar o sentimento do pensamento” (p. 312). Kerr e Bowen (1988) denominaram reação à resposta impulsiva.

A escala de diferenciação do self ajuda a compreender o processo de amadurecimento do indivíduo, as respostas significativas, o funcionamento e as disfunções ocorridas nos processos relacionais. Essa escala, de uma importância teórica mais do que classificatória, é dividida em quatro quadrantes: no quadrante inferior, a diferenciação do eu é mínima. As pessoas que funcionam nessa categoria vivem em um mundo de sentimentos e são quase inteiramente dependentes das demais. São pessoas incapazes de distinguirem a emoção da razão. São extremamente reativas e apresentam dificuldades relacionais. No segundo quadrante (25-50), estão aquelas pessoas ainda pobremente diferenciadas, mas capazes de funcionarem de maneira limitada. São pessoas facilmente influenciadas, pois não têm opiniões próprias. No terceiro quadrante (situado entre 50 e 75), estão pessoas que têm opiniões bem diferenciadas, conseguem assumir a “posição eu” e apoiar-se menos no julgamento dos outros. No quarto quadrante (situado entre 75-100), estariam aquelas dotadas de uma plena maturidade, que funcionariam com alto grau de independência. São pessoas seguras de si, com opinião bem definida, embora não necessitem expressá-las de forma dogmática ou rígida. Assumem responsabilidade por seus atos, são tolerantes a opiniões divergentes e não entram em debates para provar que estão certas.

A família é considerada uma unidade emocional. Segundo Papero (1998), “seus membros acham-se ligados uns aos outros de tal maneira que o funcionamento de cada um automaticamente afeta o dos demais” (p. 72). O sistema emocional responde de acordo com forças externas à família, incluindo a família ampliada, situações de trabalho e fatores sociais. “Para um indivíduo ou grupo em particular, as seqüências comportamentais e interacionais que refletem o sistema emocional possuem uma característica de repetição” (Papero, 1998, p. 74).

O sistema emocional humano é passível de ser influenciado pela ansiedade crônica, (Kerr & Bowen, 1988), um estado ou condição crônica de existência, independente de qualquer situação ou estímulo, gerando o apego ansioso, “uma forma patológica de ligação orientada pela ansiedade e pela emocionalidade que subvertem a razão e o autocontrole” (Nichols & Schwartz, 1998, p. 310).

Nichols e Schwartz (1998) ressaltam que o apego emocional é um dos aspectos fundamentais da diferenciação. A dinâmica básica subjacente ao apego emocional seria a alternância entre ansiedade de separação e de incorporação. “A fusão emocional entre a mãe e o filho(a) pode assumir a forma de um vínculo dependente afetivo ou uma luta conflituosa” (p. 314).

Projeção familiar é o processo pelo qual os pais transmitem aos filhos sua imaturidade e sua indiferenciação conforme expressas no relacionamento (Kerr & Bowen, 1988). A projeção é diferente do “cuidado” e se caracteriza por uma preocupação ansiosa, confusa e excessiva com um ou mais filhos ou filhas. O filho escolhido, objeto da projeção dos pais, torna-se o mais ligado a eles e, conseqüentemente, aquele com um nível mais baixo de diferenciação do self. Esse filho busca ativamente o papel de bode expiatório e “apesar disso, a ‘vítima’ recebe seu carinho, ainda que negativo” (Foley, 1990, p. 105).

A mãe transmite sua ansiedade ao transferir para o filho uma carga emocional de suas frustrações, ao invés de estimulá-lo no seu processo de diferenciação. Dessa forma, prejudica emocionalmente o filho, que se torna infantilizado, desenvolvendo aos poucos sintomas de imaturidade psicológica.

O processo de transmissão multigeracional, também exposto por Kerr e Bowen (1988), corresponde à passagem do processo emocional da família através de várias gerações, tanto do marido quanto da mulher. O fluxo de ansiedade de uma família pode ser tanto vertical quanto horizontal.

O fluxo vertical em um sistema inclui padrões de relacionamento e funcionamento que são transmitidos para as gerações seguintes de uma família principalmente através do mecanismo de triangulação emocional... questões opressivas familiares com os quais nós crescemos... O fluxo horizontal no relacionamento familiar inclui a ansiedade produzida pelo estresse na família conforme ela avança no tempo, lidando com as mudanças e transições do ciclo de vida familiar. (Carter & Mc Goldrick, 1995, pp. 11-12)

Eventos estressantes podem levar a família à disfunção por várias gerações posteriores. Retratam uma situação de aumento das tensões familiares eventos tais como: morte prematura, nascimento de uma criança deficiente, enfermidade, acidente, entre outros. Segundo Papero (1998), aplica-se o conceito de processo de transmissão multigeracional “ao modo pelos quais os processos de projeção familiar, repetidos de geração em geração durante longos períodos de tempo, levam diferentes ramos de uma família a alcançar níveis mais baixos ou mais altos de diferenciação” (p. 87).

A escolha do parceiro no matrimônio está relacionada ao nível de diferenciação do eu. A pessoa tende a escolher o parceiro com nível de diferenciação semelhante ao seu. Os vários filhos podem ter níveis diversos de diferenciação, mas não muito distantes daqueles alcançados pelos pais.

É importante a posição da pessoa na família de origem e nas relações futuras com o cônjuge (Bowen, 1991). A posição fraterna pode predizer algumas dificuldades conjugais. Aqueles que contraem matrimônio com cônjuge da mesma posição fraterna terão mais dificuldades de adaptar-se ao casamento do que aqueles que se casam com cônjuge de posição complementar. A relação entre irmãos é considerada “o primeiro laboratório social, no qual as crianças podem experimentar relações com iguais. Dentro desse contexto, as crianças apóiam, isolam, escolhem um bode expiatório e aprendem umas com as outras” (Minuchin, 1982, p. 63).

O conceito de triangulação se refere a um sistema inter-relacional entre três pessoas, envolvendo sempre uma díade e um terceiro, que será convocado a participar quando o nível de desconforto e de ansiedade aumentar entre as duas pessoas. Uma delas, então, buscará uma terceira para aliviar a tensão. Os triângulos aparecem no processo emocional interacional que se estabelece no sistema familiar e transgeracional. Calil (1987) considera o triângulo como “um bloqueador das emoções de um sistema” (p. 103).

Sair das triangulações orienta o outro a um relacionamento em nível superior de maturidade. Os triângulos, para Kerr e Bowen (1988), “são para sempre” (p. 135). Em situações de menor tensão, permanecem latentes, reaparecendo quando os conflitos recrudescem. Assim, os triângulos são susceptíveis à ansiedade, tornando-se mais ou menos ativos em situações de tensão. Nesse sentido, o processo de triangulação constitui um mecanismo de resposta que acontece nos processos relacionais ante situações estressantes.

Na família, observam-se vários triângulos que se formam e se desfazem de forma repetitiva. Os triângulos não são fixos nem estáticos, sofrendo deslocamentos, a depender do nível de ansiedade e da dinâmica interna da família. É importante ressaltar que estão ligados a uma unidade emocional mais ampla, de onde também recebem influência, denominada triângulos entrelaçados, onde “a ansiedade, incapaz de ser contida dentro de um triângulo, se expande para um ou outro triângulo” (Kerr & Bowen, 1988, p. 139). Esses autores denominam esse processo de ativação de triângulos imbricados, que podem ser de difícil observação.

Para Andolfi e Ângelo (1988), compreender a entrada de um terceiro elemento nas díades em situação de conflito “acrescenta uma dimensão desconhecida à interação, viabilizando alianças, além de uma nova relação de inclusão-exclusão... como também pode estimular a manifestação de recursos individuais ocultos e a evolução do sistema” (p. 33).

O entendimento dos processos de triangulação está ligado à compreensão de como se dá o processo de comunicação, como a partir da linguagem não-verbal – tom de voz, mudanças na postura corporal e outros sinais não verbais – que podem ou não ativar os triângulos.

A teoria boweniana enfatiza que, para compreender a família, é necessário desvelar o que acontece nas gerações que a precederam e ampliar o olhar para a família extensa, elucidando vários nós que, no estudo estritamente da família nuclear, podem permanecer obscurecidos. Cada indivíduo:

é parte de uma rede de relações que envolvem as respectivas famílias de origem.... Através de interações que permitem a cada pessoa experimentar o que é e o que não é admissível na relação, é criada a base de uma unidade sistêmica. (Andolfi, Ângelo, Menghi, & Corigliano, 1984, p. 18)

Não existem famílias isoladas, e sim uma complexidade social, econômica e política em que essas famílias estão imbricadas (Rabinovich, 2002). Pensar a diferenciação do self familiar atualmente requer entender as novas configurações da família em suas várias expressões do processo emocional societário. Note-se que o pólo de tensão nas famílias aumenta, complexifica-se e expande-se rapidamente, mediado pelos meios de comunicação e pelos avanços tecnológicos que ocorrem na sociedade contemporânea.

As famílias constituídas hoje passam por mudanças sucessivas, de modo que, “se reconhecermos que há novos e diversos tipos de famílias, também deveríamos, no mínimo reconhecer que o ciclo pelos quais elas passam também pode ser diferente” (Molina-Loza, 1998, p. 69). Na medida que há uma complexificação dos modos de vida devido a vários estresses, como o desemprego e a exclusão, Andolfi e Nichilo (1991, p. 11) consideram que a retomada das gerações anteriores, conforme proposto por Bowen, encontra uma variável não prevista por ele – o tempo – quando os valores das gerações anteriores não são mais compreendidos pelas gerações atuais.

Assim, compreender o limite da teoria de diferenciação do self passa pela compreensão da forma como as famílias estão estruturadas nos dias atuais.

Exporemos, a seguir, o estudo de caso a partir do qual os conceitos acima expostos serão apresentados e elaborados.

1 Dissertação apresentada à Universidade Católica do Salvador, em 2005, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Família na Sociedade Contemporânea. Orientação de Elaine Pedreira Rabinovich. Co-orientação de Célia Nunes Silva.
2 COFAM - Pertencente ao Movimento Familiar Cristão (MFC) de Salvador-BA, onde funciona o Curso de Especialização e Formação em Terapia de Família da Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

Elizabeth Medeiros de Almeida Martins, Assistente Social, Docente da Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Endereço eletrônico: elizabeth.martins@hotmail.com
Elaine Pedreira Rabinovich, Docente da Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Endereço para correspondência: Rua Maranhão, 101. CEP 01240-001 - São Paulo-SP. Endereço eletrônico: elainepr@clas.com.br
Célia Nunes Silva, Médica, especilaista em terapia familiar. Docente da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Católica do Salvador. Endereço eletrônico: celianunessilva@yahoo.com.br


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Um sonho possível"



Só o trailer já emociona, imagina assistir o filme?!


Por Cintia Liana

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Programa de TV: "Adoção, um Exemplo de Amor"

Foto: Google Imagens


O "Adoção, um Exemplo de Amor" busca, além de difundir a Nova Cultura da Adoção, ser um grupo de apoio para aqueles que não possuem grupos em sua cidades ou proximidades.

O programa "Adoção, um Exemplo de Amor", será apresentado toda sexta-feira, às 18 horas pelo http://www.tvmundi.com.br/ e, também, via satélite intelsat em banda Ku, freqüência 11.684 Mhz, simbol rate 2522, polaridade vertical.

As perguntas devem ser enviadas para adocao@tvmundi.com.br , assim como sugestão de assuntos, dúvidas que restaram de algum programa já passado, críticas, sugestões, etc.

Ajudem a divulgar a aperfeiçoar cada vez mais o programa que leva o nome do grupo virtual de apoio à adoção: "Adoção, um Exemplo de Amor".

Estamos não só desmistificando a adoção, mas, também, a internet como um meio legal e seguro de discutirmos assuntos de relevância social.


Programação:
1 - programa - Dra. Mônica Labuto - Juíza Titular da 1a VRIJI - Rio de Janeiro;
2 - Programa - Dra. Daniella Vasconcelos - Promotora de Justiça da Infância e da Juventude;
3 - Programa - Dra. Eliana Bayer, Psicóloga Judiciária da VIJI de Teresópolis, Dra. Ana Lúcia Simões, Psicóloga Judiciária da 1 VRIJI - Rio de Janeiro e Dra. Adriana Felícia - Assiste Social Judiciária;
4 - Adoção Homoafetiva - Psicólogas Mariana Weiss e Elisabeth Capistrano, casal Carlos e Andre e filhas;
5 - Adoções concretizadas - Rosimar, Gaby e Gabi;
6 - Adoção múltipla e inter-racial - Eliana, Ernani, Sabrina, Leonardo e Beth;
7 - 1ª Adoção pelo Cadastro Nacional de Adoção, adoção monoparental e mudança de perfil - Guila e filhos;
8 - Abordagem psicológica da adoção - Psicólogas Elizabeth Capistrano e Ina Mariante - Grupo Singularizando;
9 - Adoções Tardias - Christine, Ricardo, Ana, Clara, Cristiane e Aline;
10 - Grupos de Apoio à Adoção - Café com Adoção, Flor de Maio, Rosa com Adoção e Ana Gonzaga.

Perguntas devem ser encaminhadas para adocao@tvmundi.com.br .


Postado Por Cintia Liana

sábado, 28 de agosto de 2010

Mãe diz que salvou filho prematuro apenas com abraço

Foto: Google Imagens


Bebê acorda nos braços da mãe duas horas depois que foi dado como morto pelos médicos.

Que o toque e o cheiro da mãe são importantes para o bebê não é novidade. Mas podem ser mais poderosos do que você imagina. Uma mãe australiana contou como o toque trouxe seu bebê de volta à vida. Os médicos falaram que Jamie Ogg não tinha nenhuma chance de sobrevivência quando ele nasceu prematuro de 27 semanas, pesando apenas 900 gramas. Enquanto sua irmã gêmea, Emily, conseguiu sobreviver, Jamie lutou por vinte minutos, mas foi declarado morto pelos médicos. Eles o entregaram à mãe Kate para que ela e o pai David se despedissem.

Quando recebeu a notícia que seu filho não tinha sobrevivido, Kate desenrolou Jamie do cobertor, colocou perto de seu peito e começou a conversar com ele. "Ele era muito mole. Seus pequenos braços e pernas estavam apenas caindo fora de seu corpo. Dissemos a ele qual era seu nome e que tinha uma irmã”, disse. Depois de duas horas de conversar com o filho, tocá-lo e acariciá-lo, ele começou a mostrar sinais de vida. Em seguida, após sua mãe colocar um pouco de leite materno no dedo e dar a ele, o bebê começou a respirar.

Kate tem certeza de que o contato "pele-a-pele" no seu caso foi vital para salvar seu filho doente. O método conhecido por ‘mãe canguru’, que também é aplicado em hospitais brasileiros, supõe que as mães se tornem incubadoras humanas, mantendo o bebê aquecido. Sabe-se que os bebês de baixo peso que são tratados desta maneira possuem menores taxas de infecção, padrões de sono melhor e menor risco de hipotermia. Mas casos como o de Kate desafiam a ciência.



Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Nova lei de adoção empurra mais casais para a ilegalidade

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Foto: Google Imagens

25 de agosto de 2010, 2:01:24 PM
Fonte: Terra

Na adoção consentida, mesmo os pais biológicos e adotivos estando de acordo a justiça, alguns juízes não validam a ação.

Em vigor desde novembro do ano passado, a nova lei de adoções levou um maior número de casais para a ilegalidade. As adoções conhecidas como consensuais, nas quais pais biológicos e adotivos entram em acordo antes de procurar a Justiça, ficaram de fora do processo legal por meio do Cadastro Nacional de Adoção. Não há dados oficiais sobre a prática, mas os casos de adoção consentida representam 70% daqueles observados pela ONG Quintal de Ana, ligada à Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção.

"Quando a pessoa diz que quer realizar a adoção consentida, orientamos que é um processo perigoso e controverso, porque depende da interpretação da Justiça", diz Maria Dantas, advogada da ONG. Há juízes, explica ela, que concordam com o processo e validam a adoção. Mas, na letra fria da lei, esses casais que não ingressam no Cadastro Nacional estariam fora da lei.

É consenso, entretanto, que todos os desvios são causados pela demora em ser atendido por meio do cadastro. Segundo um estudo do promotor de Justiça da Infância e da Juventude da Lapa, em São Paulo, Francismar Lamenza, as pessoas que escolhem adotar ilegalmente podem ser dividas em dois grupos: os que têm medo de esperar por muito tempo na fila da adoção, e aqueles que temem ser barrados por alguma exigência judicial.

No primeiro caso, a demora é em grande parte culpa de especificações como ser uma criança branca, recém-nascida e menina. Esses casais temem que o envelhecimento os distancie da faixa etária da criança, quebrando "a mística de geração natural no seio familiar", diz o promotor. Já o segundo grupo, tem medo de ser desqualificado por falta de recursos financeiros ou psicológicos. De acordo com o estudo, são pessoas com idades entre 40 e 50 anos, de classe média, que alegam que realizaram a adoção ilegal para inclusão em planos de saúde e similares.

De acordo com a promotora responsável pela adoção na promotoria da Infância e Juventude de Curitiba, Marília Vieira Frederico Abdo, a adoção ilegal é o maior problema enfrentado pelas varas e promotorias da Infância e Juventude. Eles são, segundo Marília, um dos motivos pelos quais a fila da adoção é demorada. "As pessoas que recebem as crianças dessa forma transversal prejudicam o andamento da fila para aqueles que estão no cadastro. As pessoas deveriam confiar no sistema, porque ele funciona", sustenta.

Psicóloga especializada no assunto, a gaúcha Lisiane Cenci pondera que o processo pelo qual os candidatos passam até a inclusão no cadastro nacional "é algo realmente necessário". Porém, a nova lei tem falhas e tornou o processo mais lento. "Sabemos que tem crianças nos abrigos que já poderiam ser adotadas, mas não são porque o cadastro não funciona totalmente". Lisiane recorda o caso de um casal gaúcho que só tomou conhecimento de um grupo de irmãos (de um, quatro e sete anos) para adoção por meio de uma vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro - e não pelo Cadastro, no qual estavam inscritos. "Falta esse trabalho de aproximação, porque uma pessoa que quer adotar pode conhecer crianças com um perfil diferente do que esperava, e ainda assim adotar essa criança", observa.

Lisiane Cenci trabalha para o Instituto Amigos de Lucas, que auxilia interessados em adoção desde 1998, oferecendo orientação gratuita a candidatos a pais. "Tem pessoas que cobram por isso (os cursos), e a lei não deixa claro de que forma essa formação deve ser feita. Está se criando um mercado", completa.

O delegado responsável pela Delegacia de Polícia Para Criança e Adolescentes de Porto Alegre, Andrey Vivan, afirma que as adoções clandestinas são "um problema histórico do Brasil". Vivian apura o caso de um casal que foi encontrado com uma criança entregue pela mãe, com a ajuda de uma enfermeira. No entanto, o bebê já havia sido registrado pela mãe biológica, e a polícia investiga se houve crime no caso, como recompensa pela criança.

Por: Daniel Favero
Fonte: Terra
Postado por Juliana Simioni

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Atenção caros leitores, adoção consensual ou Intuito Personae é diferente de adoção “a brasileira” ou adoção ilegal.

Leiam o post Adoção Consensual ou Intuito Personae através do link deste blog:


Por Cintia Liana

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Entrevista para o Jornal Expresso Popular - Pergunta 3

Foto: Google Imagens

Terceira Pergunta:

3) Para esses pais o maior pesadêlo é perder o menor depois de terem criado vínculos sólidos com ele. (Conhecemos um caso de uma família em que o bebê já tem dois anos e já fala mamãe e papai e a mãe biológica não é encontrada para a cessação do pátrio poder).
Como psicóloga especializada na área, como você aconselharia pais e mães que vivem essa expectativa que para eles parece não ter fim?

Resposta na íntegra:

O Juiz não precisa da autorização de uma mãe desaparecida para fazer a destituição do Poder Familiar (antigamente chamado de Pátrio Poder), ele tem poder para fazê-lo, pois não seria justo para a criança - que tem a família extensa desinteressada de seus cuidados e a “mãe de origem” com paradeiro desconhecido - esperar tanto. O ECA a protege neste caso.

Aconselho que os adotantes procurem se informar sobre seus direitos e os direitos da criança, conheçam o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), estudem, busquem na internet informações, conversem com um advogado e não tenham, em hipótese alguma, receio de procurar auxílio psicológico nessas horas, o que pode ser uma experiência maravilhosa em todos os sentidos para toda a vida.

Cintia Liana

 
Repórter: Alcione Herzog
Expresso Popular


Por Cintia Liana

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Entrevista para o Jornal Expresso Popular - Pergunta 2

Foto: Google Imagens

Segunda pergunta:

2) É realmente necessário que os adotantes que conseguem a guarda provisória e que, portanto, são considerados aptos pelos técnicos e pela Justiça para oferecer um lar digno a um menor sofram as vezes por mais de dois anos na incerteza se terão ou não a paternidade decretada? Como se dá isso na Itália?

Resposta na íntegra:

É muito improvável que uma adoção seja negada já em estágio de convivência, a não ser que exista algo de muito grave na relação que se está construindo entre os adotantes e o adotando, mas o que acontece é que algumas pessoas sentem muito medo de perder o filho que já passou a amar e, por isso, desenvolve muita ansiedade em torno da chegada da sentença final. É claro que não sou a favor da demora, mas nessas horas a única coisa a fazer e manter a calma e tentar conversar com os técnicos responsáveis.

Com as adoções internacionais por casais italianos acontece de outro modo, como algo contrário. Após 1, 2, 3 e até mais de 4 anos sendo habilitados, preparados e esperando por uma criança, o casal (aqui os solteiros e homossexuais não podem adotar) passa mais ou menos 30 dias pelo período de convivência no País do adotando e mais 15 dias para a sentença e emissão de papéis para voltar ao seu País de origem. Adotam a criança possível, a que lhe é oferecida, corriqueiramente crianças maiores, de etnias diferentes da sua e, às vezes, grupos de irmãos.

Cintia Liana

Repórter: Alcione Herzog
Jornal Expresso Popular


Por Cintia Liana

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Entrevista para o Jornal Expresso Popular - Pergunta 1

Foto: Google Imagens

Primeira Pergunta:

1) Existem depoimentos de mães que, num tempo até considerado aceitável (menos de dois anos), conseguiram a guarda provisória de suas crianças, mas penam para obter a definitiva pela morosidade no processo de destituição do pátrio poder dos pais biológicos. Isso é pior quando há falta de estrutura das varas de infância, que muitas vezes funcionam conjuntamente com varas criminais. É exagero dizer que depois da nova lei da adoção (em que o importante é o juiz tirar logo a criança do abrigo) as filas no Brasil continuam, só que em outro estágio do processo?

Resposta na íntegra:

Não é de assustar tanto com a morosidade dos processos e a falta de pessoal tendo em vista que ainda nem tivemos no Judiciário conscurso para profissionais psicólogos, por exemplo, função tão importante para que se possa ter mais garantias sobre a saúde psíquica dos envolvidos, sobretudo as crianças. A falta de pessoal e a carga horária reduzida de Juízes e promotores dificultam que as coisas aconteçam com maior eficácia e rapidez, seguramente.

Por outro lado, percebo que a adoção de crianças maiores aumentou sensívelmente devido a dismistifcação de preconceitos em torno do assunto, na qual a mídia tem uma excelente participação, e o período de convivência (antes da sentença final de adoção) com uma criança maior leva também um tempo maior para que se tenha a máxima certeza de que o vínculo emocional foi selado com sucesso.

De qualquer modo, neste caso, se as filas continuam em outro estágio, vejamos pelo lado dos pequeninos, coisa que costumo fazer e me rende uma boa reflexão: é muito melhor para eles esperarem um pouco mais em família pela adoção, que continuar no abrigo, somente isso já é um pequeno avanço a favor desses seres indefesos que vivem em situação de abandono, dor e total desamparo.

Algumas VIJ’s só estão destituindo o Poder Familiar quando tem a certeza do sucesso do vínculo com a família substituta e, quando isso ainda não acontece, não o faz, para que depois a crianças não tenha que ficar sobre o poder do Estado, caso não ocorra a adoção.

É muito triste não podermos contar com um País que se responsabilize verdadeiramente por sua crianças e que não dá prioridade a cuidar dessas vidas, desses destinos e futuros. A vida em família e a adoção deveriam ser um assunto primordial, uma urgência, assim como a saúde. Dois anos no abrigo para um criança sem o amor e o amparo de uma família com quem possa contar é uma eternidade.

Cintia Liana

Repórter: Alcione Herzog
Jornal Expresso Popular

Por Cintia Liana

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Orfanato sob suspeita de adoção ilegal de crianças

Foto: Google Imagens

Matéria do Jornal A Tarde desta semana - Salvador, Bahia.

O orfanato Associação Cristã Nacional (ACN), de Feira de Santana, teve as atividades suspensas pelo período de 90 dias por determinação do juiz da Vara da Infância e Juventude de Feira de Santana, Walter Ribeiro Costa Júnior. Todas as 49 crianças devem ser retiradas da instituição e levadas para o Orfanato Evangélico.

De acordo com o magistrado, há queixas de pais que desconhecem onde estão os filhos que foram deixados sob os cuidados da ACN e a instituição tem se negado a fornecer informações para a própria Justiça.

“Para a Justiça, até o momento o paradeiro dessas crianças é desconhecido”, define o juiz. Segundo ele, ao longo dos 12 anos em que preside a vara, houve diversas situações em que pais foram ao Juizado reclamar que não encontravam os filhos algum tempo depois de deixá-los neste abrigo. A Justiça determinava as buscas, o Ministério Público era acionado e, ao ser localizada, a criança já vivia com outra família sem ter passado pelo devido processo de adoção homologado pelo Judiciário.

“Com a situação de fato consolidada, fazia-se uma composição e os pais eram até convencidos pela direção do orfanato a desistir de reclamar o filho”, relata. Walter Costa Júnior diz que não sabe precisar o número de crianças cujo paradeiro é desconhecido.

Ele observa que, além de ser procurado pelos pais biológicos em busca dos filhos, é procurado por pais adotivos que, depois de anos comas crianças sem eu poder de forma ilegal, vão ao Juizado a fim de regularizar a situação.

Por causa de situações como essa, a ACN tinha passado antes por intervenção da Vara da Infância. “Destituí por dois anos a direção, mas as mesmas pessoas continuaram a controlar a instituição e voltaram aos cargos na eleição seguinte”, lembra. As dirigentes às quais o juiz se refere são Telma Carneiro e Monalisa Carneiro , mãe e filha, que se revezam na presidência e vice-presidência da ACN.

Controle

Há dois anos foi criado o Cadastro Nacional de Adoção e mudanças recentes na legislação determinaram a obrigatoriedade de elaborar relatórios individuais por criança internada. A situação delas deve ser reavaliada a cada seis meses pelo Juizado. Uma equipe composta por psicólogo, assistente social, pedagogo e psicopedagogo faz o relatório, que depende do recebimento de informações prestadas pelo abrigo. São quatro orfanatos na cidade e os demais entregaram a documentação.

“A equipe me deu uma declaração por escrito informando que a ACN não passa as informações”, alegou o juiz, justificando o fechamento como a melhor maneira de averiguar a real situação.

Se for constatado o desaparecimento de algum menor que estivesse abrigado na ACN, o caso passará a ser investigado pela polícia, gerando depois um processo criminal.

A TARDE esteve no abrigo no bairro Feira IV, mas a entrada não foi autorizada, porque não havia diretores.

Nesse momento, crianças internas que estudam em uma escola municipal chegaram da rua. Disseram que tinham 10 anos e 9 anos e confirmaram com naturalidade que sempre vão e voltam da escola sozinhas.

Eleição

Telma Carneiro, atualmente vice-presidente da ACN, contesta as acusações do juiz e diz que tem entregado as informações solicitadas.

Ela rejeita a ordem judicial e diz que vai procurar um meio legal de impedir a transferência das crianças e o fechamento, ainda que temporário, da instituição.

Ontem, houve eleição para a presidência do Conselho da Criança e do Adolescente na cidade.

Telma Carneiro,que é chefe da Divisão da Criança e do Adolescente na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, discursou para os conselheiros com direito a voto dizendo que o nome dela tinha sido vetado para a presidência pelo juiz Walter Ribeiro.

Ela apresentou o caso como uma questão política, alegando que o magistrado queria eleger uma chapa encabeçada por pessoas da confiança dele.

Uma das chapas tem como vice-presidente o diretor da Casa de Atendimento Sócio educativo Melo Matos (Case), Pablo Gonçalves. A Case faz parte da estrutura do governo estadual e é o lugar para onde são enviados adolescentes que cometem crimes e recebem medidas sócio-educativas.

O juiz rebateu dizendo que não tem qualquer interesse nem influência na eleição do Conselho e que o melhor para Telma seria simplesmente entregar a documentação das crianças da ACN, solicitadas pela equipe que trabalha para o juizado.

Jornal A Tarde


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Adoção: da criança à filiação"

Foto: Google Imagens

Hoje, dia 18/08, no Recife Palace Hotel, acontecerá o 1o Congresso Franco-Brasileiro sobre Psicanálise, Filiação e Sociedade, com o tema central "Adoção: da criança à filiação". O congresso se estende até o dia 21/08 e contará com vários profissionais franceses e muitos brasileiros que se dedicam ao estudo do tema da adoção, em diferentes áreas de atuação.

Conforme já temos divulgado anteriormente, o congresso está sendo organizado num esforço conjunto do Laboratório de Psicopathologia Fundamental e Psicanálise e do Serviço de Orientação à Filiação Adotiva da Clínica de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP, em cooperação com o Laboratoire de Recherche en Périnatalité, Parentalité et Petit Enfance da Universidade Denis Diderot – Paris 7.

Segundo menciona o convite do congresso, pretende-se refletir sobre a clínica da adoção, considerando os aspectos psicológicos e jurídicos que envolvem a escolha de pais e crianças, na tentativa de diminuir riscos irremediáveis. Tem como objetivo manter um diálogo com a sociedade, segundo vários olhares científicos e ou origens epistemológicas, tornando o tema adoção, o ponto agregador do Congresso.

O intuito do evento é de reunir profissionais para discutir as inovações e perspectivas deste campo e de realçar igualmente as características transversais da adoção e da filiação, nas quais perpassam também vários temas e conceitos psicanalíticos. O conhecimento técnico-científico e político da adoção, tornou-se portanto um fenômeno de sociedade, que diz respeito a todos nós.

Mais informações poderão ser obtidas no link http://www.unicap.br/congresso_adocao/index.html Ainda estão sendo aceitas inscrições, que agora deverão ser efetuadas no local do evento, a partir de amanhã (17/08).

E-mail recebido de uma psicóloga de Recife.


Por Cintia Liana

domingo, 15 de agosto de 2010

Adotar um filho não é fazer caridade

Foto: Getty Images

Há alguns dias estava explicando a uma amiga que adoção não é caridade, nem quando se adota um adolescente. Era a segunda vez que explicava, talvez porque seja mais comum todos que estão fora deste meio pensarem assim.

Caridade é algo pontual, é quando você não está preocupado em obter nada em troca, você ajuda e ponto, é um comportamento altruísta, onde você sentirá um conforto interno inexplicável por ter sido útil na vida alguém que talvez você nunca mais encontre.

Adotar é para sempre. Ninguém adota para fazer caridade, por mais que se veja a nobreza do ato, pois ajudará uma criança, até então sem família, a ter um futuro digno inserida no seio da sua, que se tornará a dela.

As pessoas adotam para satisfazer o seu desejo de serem pai e mãe, de terem um filho, de aprenderem, ensinarem e passarem por todas as alegrias e dificuldades de uma parentalidade como na biológica, não há diferença, com exceção da existência de uma história pregressa do filho e todas as particularidades que esta possa representar e só. O amor é igual, o apego, a necessidade de proteger e ser protegido, é tudo igual.

Não duvide, adotar não é caridade é amor incondicional, um amor que poucos experimentam.

Cintia Liana


"A adoção transcende a natureza. É um requinte da evolução do ser humano, quando acolhe o diferente do seu próprio gene e ama por amar, e não por obrigação biológica." (Jaime, 2000)


Por Cintia Liana

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amor e Poder

Foto: Google Imagens

"Onde o amor impera não há desejo de poder; e onde o poder predomina há falta de amor. Um é a sombra do outro."

(Carl Gustav Jung - Pai da Psicologia Analítica)


Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Como fica o sono quando o filho chega

Foto: Google Imagens

Uma amiga escreveu para Andréa Goulart:

“Em breve você vai ficar acordada a noite toda porque é chamada, vai ter sono e não vai conseguir dormir.

Siga a cronologia:
Quando sua filha chegar você estará em êxtase, não vai ter sono nem fome.
Após 15 dias vai estar bem mais magra e cansada.
Após 30 dias vai se olhar no espelho e pensar, quem é você mesmo? Já vai estar morta de sono.
Após 40 dias vai decretar a lei do silêncio quando ela cochilar, vai pensar em dormir, mas vai olhar para sua casa e estará tudo fora do lugar.
Após 50 dias seu marido com sorriso nos lábios vai avisar qua não aguenta mais pizza, nem lasanha congelada e você estará vivendo em estágio de sonolência.
kkkkkkkkkkkk Aproveite p dormir agora que pode, viu?”

Acho que funciona mais ou menos assim com todo mundo.


Texto cedido por Andréa Goulart


Postado por Cintia Liana

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A comunicação com seu filho

Foto: Luz Art. Google Imagens.

Pais de filhos pré-históricos: como se comunicar

Você Tarzan: Eu, Mamãe!
O primeiro passo é pensar em você como um embaixador do século 21 ajudando uma criatura Neanderthal. Seu convidado não entende seus costumes nem fala sua língua, mas veio para ficar até o ano que vem.

O objetivo de um embaixador é promover a harmonia e evitar conflito. Ele se vale de respeito, bondade e negociação. Não é dominador nem tem medo de ter controle da situação. E às vezes precisa ser firme. Claro que seu trabalho como embaixador fica muito mais fácil depois que seu convidado aprende a sua língua.
Legitimando o sentimento da criança pequena[/rd]
É importante legitimar o que a criança está sentindo ANTES de dizer a sua opinião a respeito. Muitas vezes os pais cometem os seguintes erros, interrompendo a criança que chora:

- Racionalizar: "Viu? Não tem monstro nenhum debaixo da cama".
- Minimizar o sentimento: "Ah, que nada, nem foi tão forte assim. Nem doeu!"
- Distrair: "Vamos lá ver aquele livro!"
- Ignorar: Simplesmente virar as costas e deixar a criança chorando.
- Perguntar: "Mas ele bateu em você? Quem começou?"
- Ameaçar: "Se não se comportar, vai ficar de castigo".
- Reafirmar: "Não chore, tudo bem. Mamãe está aqui".

Tais respostas têm a sua hora e lugar, mas só quando for a SUA vez de falar ! É preciso PRIMEIRO legitimar o sentimento da criança angustiada."

Por que minhas táticas falham?

Porque você tem uma falha na comunicação com o seu filho. Mesmo lógica, distração e carinhos freqüentemente são ineficazes para acalmar um pequeno primitivo IRADO, na hora da birra. Por quê?

- Seu filho não consegue realmente "escutar" você: todos nós temos dificuldade em enxergar (e ouvir) as coisas como elas são quando estamos nervosos. Isso é especialmente válido para crianças pequenas, com seus cérebros pré-históricos que não aprimoraram a linguagem ainda.

- Seu filho não sabe usar a lógica: Racionalizar requer uso do lado esquerdo do cérebro, ainda muito desorganizado em crianças menores de 4 anos.

- Seu filho está focado no que ELE quer, não no que você quer: Você consegue imaginar uma criança pequena dizendo "você está tão certa, Mamãe. Como eu nunca tinha pensado nisso antes?" Não espere que seu amiguinho pré-histórico raciocine e ceda quando está atacado (já é difícil quando ele está calmo e feliz!).

- Seu filho pensa que você não o entendeu: Como pode seu filho gritar com você 25 vezes e ainda assim achar que você não o entendeu ? Porque você não o respondeu na língua dele!".

Organização e compilação: Andréa Goulart


Postado por Cintia Liana

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os 4 Estágios Evolucionários da Criança Pequena

Foto: Erin Patrice O'Brien

Podemos traçar um paralelo entre a evolução de uma criança de 18 meses até 4 anos e os 5 milhões de anos de evolução dos humanos.

As 4 fases são distintas, mas se sobrepõem:
- "O Chimpanzé Charmoso"(12 a 18 meses) - consegue se mover só com os pés e usa as mãos livres para segurar tudo o que alcança. Chimpanzés selvagens conseguem comunicar 20-30 palavras usando sinais e gestos. Parece familiar?

- "O Neanderthal" (18 a 24 meses) - Consegue usar uma colher, beber num copo sem espirrar e jogar uma bola. É ambidestro e bagunceiro, mas seu equilíbrio é bem melhor que o dos chimpanzés, assim como sua habilidade em torcer, futucar e separar objetos em pequenos pedaços. Mas o progresso tem preço. Com as novas habilidades, aparece também um problema de atitude. Os Neanderthais não viviam com medo dos animais ferozes, porque podiam se defender com pedras e paus (usados como armas). Isso os fez muito confiantes, egocêntricos e brigões. Não é à toa que o termo "terrible twos" aplica-se a esta idade. O período entre 18 meses e o segundo aniversário é provavelmente quando a criança é mais inflexível, cheia de razão e pouco disposta a ceder.

- A Criança das Cavernas (24-36 meses): Os homens das cavernas tentavam fazer amizades e criar alianças, entraram no mundo de linguagem um pouco mais complexa, com instrumentos mais evoluídos e aprenderam a arte de fazer trocas. Um sinal de que a criança já consegue planejar é quando ela é capaz de fazer desenhos circulares no papel. A capacidade de prestar mais atenção e o interesse em fazer amigos aumenta a habilidade do seu filho em esperar a vez dele e ser paciente. Mas, quando frustrado pelas novas experiências, sua criaturinha pouco civilizada ainda vai usar de respostas primitivas, como bater ou morder.

- O Morador de Cidades (36 a 48 meses) - Por volta do terceiro aniversário, seu filho chega perto do nível de evolução dos moradores das primeiras cidades (60 mil anos atrás). Eles inventaram regras de educação, aprenderam regras sociais e adquiriram uma linguagem sofisticada, que possibilitava formar comparações, cantar músicas longas, dançar e contar estórias. Nesta idade a criança já consegue fazer comparações como "o avestruz é como um pássaro-girafa" ou "eu não sou um bebê, sou grande". Como um morador de uma vila primitiva, a criança nesta idade abraça a magia livremente, como uma forma de explicar o inexplicável. E, como os antigos habitantes das primeiras vilas, ela também carece de habilidade neurológica para colocar suas palavras em forma escrita.

Com a excitante descoberta de que ela é maior que um bebê, chega a enervante realidade de que, comparada com todo o resto do mundo, ela é pequena e vulnerável. Não é surpresa que crianças de 3 anos sejam fascinadas por estórias e jogos onde ela é grande e forte, principalmente se ela for o grande monstro!"

Uma vez que você vê seu filho sob a luz da escala evolucionária, suas frustrações e combates diários passam a fazer mais sentido. As birras, os gritos, o visível desprezo por seus pedidos e o desejo de arremessar pedras nos seus gatos - a falta de civilidade do seu filho - fazem todo o sentido (talvez até explique o porquê de criancinhas adorarem Barney e dinossauros de brinquedo!).

Lembre-se de que você conhece o seu filho melhor do que qualquer autor de livro. Essas categorias de idade são apenas uma idéia. Cada criança tem seu tempo e atinge suas fases em épocas diferentes."


Organização e compilação: Andréa Goulart

Postado por Cintia Liana

domingo, 8 de agosto de 2010

Como elogiar os filhos


Foto: Getty Images

"1. Use elogios grandes e também pequenos. Dizer sempre "você é a melhor garota do mundo" é demais.

2. Elogie a ação e não a criança: evite dizer sempre "Fulano é um ótimo ajudante", porque no minuto seguinte ele pode recusar-se a ajudar, mas "o Fulano limpou a água que ele derramou no chão e foi uma grande ajuda".

3. Não estrague o elogio, como "Parabéns, comeu tudo... mas por que demorou tanto?" Elogio é como alimento, não ofereça e depois retire da boca da criança na hora em que ela começa a apreciar.

* 12-24 meses: acham-se o centro do universo. Gostam de aplauso, elogios entusiásticos. Use palavras curtas, num tom de voz alegre.

* 2-3 anos: gostam de aplauso, mas se receberem o tempo todo, passam a considerar uma obrigação dos pais. Observe a criança, sorria enquanto ela faz algo positivo "Hummm... eu gosto disso".

* 3-4 anos: são interessados nas respostas e sentimentos dos pais. Adoram ouvir "obrigada por me ajudar a carregar aquela caixa pesada. Ajudou muito." Gostam de comparações "você fez isso super rápido, rápido como um tigre".


Elogios Sem Palavras

"12 maneiras de demonstrar que a criança é apreciada, sem dizer nada:

* preste atenção nela - com interesse

* sorria

* balance a cabeça afirmativamente

* abrace-a

* faça um cafuné

* faça um carinho no ombro dela

* levante as sobrancelhas como numa surpresa boa

* faça o sinal de positivo com o dedão

* diga "hummm" e "uau !"

* dê uma piscadinha

* aperte a mão dela ou "high-five"

* coloque os desenhos dela na parede."


Organização e compilação: Andréa Goulart


Postado por Cintia Liana

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Escândalos "Por que crianças de 1-4 anos dão aquelas birras homéricas?

Foto: Google Imagens


* A vida delas muda muito: ausência de um dos pais, a chegada de um irmãozinho, uma viagem podem ser o suficiente.

* Estresse interno: fome, cansaço, TV, exposição a brigas dentro de casa, cafeína (chocolate, coca-cola, remédios para gripe), excesso de estímulos e frustração (pela inabilidade de dizer o que está querendo).

* Muito tempo dentro de casa: crianças precisam de ar fresco, barulho de passarinho, espaço, outras crianças.

* Ela está encurralada: birra não é sempre uma forma de manipular os pais. Às vezes a criança percebe que não está adiantando gritar, mas é muito orgulhosa para voltar atrás.

* Fazem sempre a vontade dela: depois de 2 anos de idade, a criança já sabe se vai conseguir as coisas dessa forma. Não é uma manipulação consciente, mas um hábito."


Birras em Público

"Na hora da birra escandalosa, no meio do supermercado, você tem 3 opções:

1. Ignorar - em público, isso é difícil porque a audiência é maior.

2. Usar a linguagem infantil (regra do fast-food e depois distraí-lo).

3. Contar até 3, remover a criança do local e levar para o carro. Abaixe os vidros, tranque as portas e espere do lado de fora. Se ele se acalmar, dê uma pequena recompensa (para garantir a paciência dele até o final das compras) e termine as compras rapidamente.

NUNCA ponha a criança na cadeirinha na hora da birra. Você não quer que ela associe este dispositivo de segurança com uma punição. E nunca a coloque num carro quente, sob o sol."


Depois da birra

Quando a criança começa a se acalmar, você pode ajudá-la:

- Fisicamente: se ele não quiser um abraço, sente-se do lado dele;

- Oferecendo escolhas: "quer um suco ou um carinho mágico da Mamãe?";

- Ensinando outras formas de demonstrar emoção: "diga 'mostre uma cara de bravo para a Mamãe ver como você estava bravo' ou 'vamos desenhar como você estava bravo' ?';

- Ensinando palavras para expressar emoções: "diga 'nossa, como você estava bravo!' ou 'você parecia estar com medo'.

- Dando a ele o que ele quer no mundo de fantasia: "diga que você desejaria dar a ele tudo o que ele quisesse e mais";

- Usando o poder do cochicho: cochichar é um jeito legal de mudar de assunto e ficar de bem novamente;

- Elogiando quando ele fizer algo positivo: comente qualquer pequeno sinal de cooperação.;

- Compartilhe seus sentimentos usando frases com VOCÊ-EU : "Mamãe diz 'não, não!' Quando VOCÊ bate, EU fico brava, brava, BRAVA". Isso o ajuda ver as coisas sob o seu ponto de vista.


Organização e compilação: Andréa Goulart


Por Cintia Liana

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Fofocando com os brinquedos

Foto: Luz Art. Google Imagens.

"Um fato curioso: nós acreditamos mais nas coisas que ouvimos acidentalmente do que nas que são ditas na nossa cara!

Com a criança por perto, comece a cochichar alto algum elogio a ela para outra pessoa (a avó, a tia, o ursinho de pelúcia ou finja falar ao telefone). Não olhe para a criança quando fizer isso. Comece falando alto, mas depois diminua o tom de voz, faça uma concha com as mãos como se estivesse falando um segredo.

Converse com uma boneca, por exemplo e pergunte a ela: "Hello Kitty, a Fulana pode jantar sem lavar as mãos?" Encoste o ouvido na boca da boneca "O QUÊ? Ah... obrigada, ela precisa mesmo lavar, né?" Depois "olha, eu falei com a Hello Kitty e ela disse que quer que você lave as mãos bem rápido e depois me dê um abraço".

Isso faz as coisas mais lentas para você, mas por outro lado ajuda a manter um ambiente leve e positivo."


Organização e compilação: Andréa Goulart


Por Cintia Liana

domingo, 1 de agosto de 2010

Criando seus contos de fadas

Foto: Google Imagens

"Os contos de fadas clássicos, como Chapeuzinho Vermelho foram criados para entreter e ensinar às crianças daquela época lições importantes, como não falar "lobos" estranhos.

A vantagem desta técnica é que seu filho nem vai notar que está aprendendo uma lição.

Um conto de fadas tem 3 partes:

* Introdução: use todos os sentidos da criança. Descreva o que a patinha vê, como cheiram as flores, a roupa dela, o que ela comeu de almoço, o sol quente no rosto dela, etc. A criança ficará interessada e prestará atenção.

* Meio: é aí que você ensina a lição. O que aconteceu com a patinha que não queria tomar banho ou que bateu no irmãozinho.

* Final Feliz: é necessário haver um final feliz, dá à criança uma sensação de ordem e segurança saber que a estória sempre termina com a patinha voltando para casa cheia de abraços, beijos, seu jogo favorito e que ela "viveu feliz para sempre".

Dicas para seus contos de fadas personalizados:

* Os personagens principais devem ser animaizinhos felizes, como Rui, o Ratinho ou Pepeu, o Peixinho.

* Evite usar crianças nas suas estórias. Elas podem fazer as coisas parecerem muito realistas ou assustadoras.

* Use sua voz dramaticamente: Fale alto ou cochiche quando você quer a atenção da criança ou para ajudá-la a lembrar-se da estória.

* Adicione ajudantes, como fadas, anjos, um sapo falante ou uma árvore amiga que vem sempre ajudar o herói da estória.

* Inclua um animal reclamão, teimoso, desobediente que sempre leva a pior (o mundo infantil é cheio de coisas que são ao mesmo tempo gostosas, mas perigosas).


Organização e compilação: Andréa Goulart


Por Cintia Liana