"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Hoje é o Dia da Família

Por Marcionila Teixeira
Recife, domingo, 15 de maio de 2011
Data celebrada mundialmente terá programação no Morro da Conceição
Documentarista Cynthia Falcão com os familiares: todos no mesmo "barco".
Imagem: Helder Tavares/DP/D.A Press

A documentarista Cynthia Falcão, 40 anos, é daquelas mulheres que fazem questão de buscar os filhos na escola e de fazer programas junto com toda a família nos finais de semana. Para ela, família é a base de tudo, por isso seus membros têm que se ajudar, estar em um “barco só” para enfrentar os problemas e comemorar os momentos felizes. Neste domingo, o mundo todo celebra um dia pouco lembrado em Pernambuco, o da Família, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1993. Pela primeira vez, uma entidade pernambucana promove um evento para lembrar a data. Será um encontro na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Morro da Conceição, no Recife, a partir das 10h. O evento acontece com 35 famílias do local e é promovido pelo Instituto Integrado de Apoio à Família (IAF).

“Imagine quantas pessoas têm problemas emocionais e de enfrentamento de dificuldades por conta de uma família desestruturada?”, questiona Cynthia Falcão. Seja qual for o grupo familiar, é ela quem fortalece e ensina, defende Cintia Liana, psicóloga e especialista em família e adoção. “No futuro, o comportamento do jovem dependerá em boa parte deste contato saudável com as primeiras figuras de apego. Por isso que é importante crescer emocionalmente antes de se ter um filho e não se tornar pai e mãe para só então se tornar um adulto.”

A psicóloga ressalta que não existe um modelo ideal de família. “As pesquisas mostram que filhos adotados e filhos de homossexuais não têm mais problemas ou dificuldades que os outros. O que gera problemas é o abandono, a rejeição, a indiferença, a falta de compreensão, de amor e isso é algo que vemos também nos lares constituídos por pais biológicos e heterossexuais”, comenta.

Reflexão e diálogo

No encontro do morro, profissionais do IAF farão palestras sobre a importância da família e dinâmicas de grupo para movimentar as apresentações. “A família está precisando se rever como um todo, trabalhar a relação. Família é a gente com quem se conta”, destaca a terapeuta familiar Helena e Mello, fundadora do IAF. O centro funciona na Avenida Visconde de Suassuna, 871, em Santo Amaro, com atendimento de famílias e casais. No espaço são incentivadas a reflexão, a valorização do diálogo e a avaliação dos papeis no casamento. Como a entidade não tem fins lucrativos, os preços dos atendimentos são abertos à negociação com os pacientes.


Postado Por Cintia Liana

domingo, 26 de junho de 2011

Mesmo com mãe e avó, criança é listada para adoção

Emma English Home

Sábado, 25 de julho de 2011
Por Pedro Canário

Mesmo tendo mãe e avó, uma criança foi incluída pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nos cadastros de adoção nacional e internacional. A corte entendeu que a mãe, presa, não tem condições de cuidar da filha. Já a avó, possível guardiã, não tem interesse na guarda da menor. A decisão, unânime, seguiu voto do relator, desembargador José Carlos Paes, que confirmou sentença da primeira instância. A mãe havia recorrido.

A mãe foi presa por tráfico de drogas e, “desde adolescente, é envolvida com consumo de drogas”, segundo o Ministério Público do Rio. O órgão fez o pedido para que a guarda fosse tirada. Ela cumpre pena no Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ). O MP ainda pediu que a mãe fosse multada, o que foi indeferido.

Para a autora do recurso, a avó tinha interesse e plenas condições financeiras para cuidar da criança. A mãe também afirmou que o juiz de primeira instância queria puni-la por causa de sua “condição social inferior”.

Ouvida pelo TJ-RJ, a avó deu “declarações contraditórias”, segundo o relator. Ela disse que tinha interesse em cuidar da criança, desde que fosse inscrita em programas de benefícios sociais, mas recusou todos os programas sugeridos. Depois, disse que não tinha condições financeiras de cuidar da menina, ao contrário do que sua filha dissera.

Também questionado no TJ fluminense, o marido da avó disse que ela não tinha tempo para cuidar da criança, pois passava o dia inteiro trabalhando como empregada doméstica. Declarou, por fim, que a menina não seria aceita em sua casa.

José Carlos Paes negou o caráter social da sentença, argumentando que “o que se defende, acima de tudo, é o interesse da criança, que não recebeu os cuidados necessários durante sua gestação”. A manutenção da sentença, segundo Paes, serviu para “resguardar crescimento seguro e saudável a uma criança que, em razão de um infortúnio, restou desabrigada do seio familiar”.

O desembargador disse ainda que os problemas sociais da mãe “não podem servir de justificativa” para que “não sejam asseguradas condições saudáveis para o desenvolvimento”. Para ele, a intenção “não é afastar a criança de sua família pobre, mas sim protegê-la do abandono em que, na verdade, se encontra desde os primeiros dias de vida”.



Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Dos oito aos 18 anos, a espera em um abrigo

Depois de quatro anos fora do orfanato, jovem volta à instituição para buscar a irmã

Júnior Milério, especial para o iG São Paulo | 31/05/2011 07:37

Foto: Eduardo Cesar / Fotoarena
Dayara e sua irmã, no dia em que conseguiu a guarda provisória da caçula

CONHEÇA A SÉRIE "ESPERA"

Esperar é a rotina de toda criança que vive em um abrigo. Normalmente, esta condição acaba quando uma família pretende adotá-la. Mas muitas nunca são adotadas e são obrigadas a deixar o abrigo assim que chegam à maioridade. A espera, nesses casos, vira uma contagem regressiva. No caso da atendente de caixa Dayara Cristina Apolinário Amaral Pereira, 22, a espera durou dez anos, dos oito aos 18 anos, período em que viveu no Centro Educacional à Criança e Adolescente (CECA), de onde saiu há quatro anos.

Dayara é a segunda filha de oito irmãos. Uma de suas irmãs, sete anos mais nova, recebeu seus cuidados desde que era bebê. “Quando nasceu eu já cuidava dela. Eu tinha sete anos, mas era comigo que ela ficava”, diz.

Em 1997, Dayara conta que “um dos pais dos meus irmãos maltratava a gente e, por decisão judicial, fomos para um abrigo”. A ida tinha data e hora marcada. Mas, com oito anos de idade, ela tomou a primeira de algumas decisões. Decidiu fugir antes mesmo de chegar ao orfanato. A saudade da irmã mais nova, no entanto, impediu que a fuga durasse muito tempo. “Fugi, mas logo voltei e procurei pelo abrigo. Não consegui ficar longe dela”, conta.

Adoção
A partir de então, a espera de Dayara foi um pouco diferente da de muitas das outras crianças na mesma situação que ela. Isso porque o anseio por ter condições de cuidar oficialmente da irmã foi mais forte até do que o pela possibilidade de ser adotada. Ela diz que chegou a recusar três pedidos de adoção, e que não se arrepende de ter renunciado o que poderia ter “tornado a vida mais fácil”. “Eu tinha nove, dez e 12 anos quando quiseram me adotar, mas eu não deixaria minha irmã no orfanato.” A determinação por um objetivo que dependia dela, e não de pretendentes a adoção, ajudou a amenizar a angústia e a sensação de impotência.

O convívio com as pessoas do CECA proporcionou o que Dayara chama de “várias famílias”. “No orfanato, apesar de tudo, a gente não tem contato com muitas coisas ruins, como por exemplo, decepção com as pessoas”.

Foto: Eduardo Cesar / Fotoarena
Quatro anos depois de deixar o abrigo, Dayara volta para buscar a irmã mais nova

O laço familiar ininterrupto com a irmã e a possibilidade de estudar fora do orfanato ajudou com que os dias passassem menos devagar para Dayara. A vida escolar mantida fora da instituição teve ainda outra contribuição: um namoro. O romance começou entre 15 e 16 anos. Quando atingiu a maioridade, ela, diferentemente de muitos jovens na mesma situação, tinha para onde ir: o namorado virou marido e eles foram viver juntos.

Foto: Edu Cesar / Fotoarena
Dayara e a irmã deixam o abrigo em São Paulo

A vida fora do abrigo
Casar, separar e realizar um sonho são experiências já vividas por Dayara fora do abrigo. “Aqui fora, meu relacionamento não era como eu tinha imaginado, e então decidi que era melhor terminarmos”, afirma. E, para Dayara, “a partir do fim do meu casamento é que está sendo possível viver e conhecer o que existe aqui fora”.

Mas o desejo pela guarda da irmã cresceu ainda mais desde sua saída. E, em meio a este fim, ela foi presenteada com o começo de uma nova fase. “Depois de quase quatro anos tentando a guarda dela, que hoje está com 14 anos, finalmente eu consegui. Por enquanto é provisória, ela fica comigo por 180 dias.” E este será mais um período de espera ansiosa, mas que Dayara acredita que vai superar. “Para quem já aguardou dez anos para sair de um orfanato, 180 dias vão passar rápido. E acredito que posso ganhar a guarda permanente dela”.

A irmã é tímida, mas já tem planos para a nova vida que começa treze anos depois da experiência no orfanato. Pensa em ser fotógrafa, modelo e gosta de sapatos de salto alto. Enquanto isso, Dayara, que nasceu em pleno dia 25 de dezembro e afirma que passou vários aniversários esquecidos, confessa em segredo que “no ano que vem, quero oferecer para ela o que não tive: uma festa de 15 anos”. Vai valer esperar.


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 21 de junho de 2011

Marca comunicação lança versão estendida do segundo filme da campanha "Adoção - Laços de Amor"

Foto da grande amiga Cacau Waller

Sexta, 17 de Junho de 2011

Uma semana depois da estreia do segundo filme da campanha, sobre adoção inter-racial, a Marcca Comunicação lança a versão com 4 minutos e 42 segundos. Filmado em um parque com Marli e Nélio Osaida, pais adotivos, e Fernanda, a filha adotada há 10 anos, o curta mostra como a adoção depende apenas de amor – o casal já possuía dois filhos adolescentes quando optaram por adotar Fernanda.

A campanha Adoção – Laços de Amor é uma parceria entre os órgãos Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Ministério Público, Tribunal de Justiça (através da Corregedoria Geral de Justiça) e OAB-SC e tem por objetivo sensibilizar a população para a adoção tardia. Através de anúncios, filmes e redes sociais, a agência trabalha com quatro temas: adoção tardia, de grupo de irmãos, especial e inter-racial. O primeiro filme está no canal AdocaoSantaCatarina no Youtube, e tratou da adoção tardia de grupo de irmãos mostrando a família Pereira. Nas duas semanas iniciais da campanha, o canal teve mais de 1500 acessos.

Assista às duas versões do filme da família Osaida:



Versão estendida: http://www.youtube.com/watch?v=dWtU6iW1LTU



Ficha técnica:
Direção de arte: David Sousa e Luiz Soutes
Redação: Flávio Augusto e João Cláudio Lins
Direção de Criação: David Sousa
Atendimento: Glauce Lotti e Flavio Jacques
Mídia: Carolina Paiva e Greyse Vieceli
Produção: Natália Góes
Planejamento: Letícia Pacheco e Bruno Sá
Direção de arte on-line: Fernando Schuh
Foto: Michel Téo Sin
Diretor de Fotografia: Rubens Angelotti e Guilherme Meneghelli
Editor: Paulo Calazans
Trilha: Ricardo Fujii
Diretor: Fábio Fernandes
Produtora: Cinnema Produções de Filmes



Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Presidente Dilma adere à campanha "Adoção - Laços de Amor"

Mandy Lynne

A Presidenta da República, Dilma Rousseff, ficou encantada com a campanha “Adoção-Laços de Amor” e literalmente vestiu a camiseta. Dilma foi presenteada pela deputada Ana Paula Lima (PT) por um kit contendo diversos materiais de divulgação da campanha, que tem como objetivo reduzir o número de crianças em casas de acolhimento do Estado através do estímulo à adoção de crianças mais velhas. O ato aconteceu nesta tarde, em Blumenau, antes da solenidade de inauguração de 580 novas moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida.

“Assim que a presenteamos, imediatamente ela (Dilma) vestiu a camiseta com o nosso slogan e posou para fotos realizadas pela equipe da Presidência”, contou a deputada. Entusiasmada com a campanha, Dilma disse que conversará com sua equipe sobre a possibilidade de uma campanha nacional, inspirada no trabalho que vem sendo realizado em Santa Catarina. Além da camiseta, o kit presenteado continha um DVD com o video institucional, adesivos, bottons, pin e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

A campanha é realizada em parceria por Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Ministério Público, Tribunal de Justiça (através da Corregedoria Geral de Justiça) e OAB-SC.






Postado Por Cintia Liana

sábado, 18 de junho de 2011

Adaptação e adoção de uma criança maior

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

Existe a grande ilusão e a insegurança em achar que só com um bebê irá sentir amor, que a chegada do bebê poderá se assemelhar ao máximo com o parto e será mais fiel aos meios e ritos “naturais” de se ter um filho. A verdade é que para se amar um ser como filho não depende em nada de idade ou cor de pele, depende somente da abertura para essa relação e do desejo para que ela aconteça e tome forma. Essa é a opinião profissional de quem já acompanhou mais de 3000 casos de adoção.

Podemos dizer que os maiores desafios antes de adotar uma criança mais velha são os preconceitos e mitos que essa prática envolve. Crenças de que a criança já esteja tranzendo traumas vividos na família de origem e na instituição de onde vem, que já tragam hábitos ou vícios cotidianos difíceis de serem “retirados”. Medo de que a criança não se adapte ou que não reconheça os adotantes como “verdadeiros” pais, que os rejeite ou queira voltar para os pais de origem.

Os adotantes têm medo de serem abandonado, mas devem olhar para o medo da criança em ser abandonada pela segunda, terceira, quarta vez, como pode ocorrer. Algumas pessoas têm o discurso de que querem “moldar” o filho que chegará, mas não pensam que ele fará de tudo para ser aceito dentro de suas possibilidades e que aceitará os novos pais como são.

Todos os envolvidos na adoção se sentem ansiosos e nervosos, afinal é um “parto”, nasce uma nova família, tudo se recria, mas na realidade o sujeito mais frágil nesta situação é a criança, que está em desenvolvimento e com muito medo de crescer no desamparo, desamparo este que só causa sofrimeto e dor, essa criança precisa sentir segurança em quem está adotando-a.

Existem muitas "vantagens", se é que podemos chamar assim, em se adotar uma criança mais velha, por exemplo, elas desejam conscientemente uma família, já sabem que vêem de uma outra família, mas que por algum motivo não puderam permanecer com ela e precisam de pais substitutivos, estão dispostas a se doar e a amá-los como nunca, elas querem acreditar que é possível sentir segurança, que desta vez ela será amada e que ela é digna desse amor.

Por Cintia Liana

Livro da Psicóloga Cintia Liana sobre o percurso de construção da família através da adoção e seus aspectos psicológicos
Para comprar ou visualizar:
http://www.agbook.com.br/book/43553--Filhos_da_Esperanca
(2ª Edição - 2012)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Justiça libera adoção para casal homossexual em Patos de Minas

Mandy Lynne

Por Ana Clara Brant

Publicação: 26/05/2011

Em tempos de luta pelos direitos dos homossexuais, reforçada pelo recente reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da união estável entre pessoas do mesmo sexo, decisão do Tribunal de Justiça de Minas (TJMG) oficializa mais uma prerrogativa dessa parcela da população. Por unanimidade, o TJ aprovou a adoção de um bebê por duas mulheres de Patos de Minas, uma analista de sistemas de 39 anos e uma advogada de 33.

Segundo o advogado Abelardo Mota, que representou as companheiras, é a primeira vez na história de Minas Gerais que um casal em união homoafetiva consegue adotar uma criança. “A singularidade do caso foi ressaltada pelo relator do processo. Isso comprova que o direito vem caminhando com a sociedade no que diz respeito à evolução das relações interpessoais. É sem dúvida um grande avanço”, comentou.

A decisão trouxe ao mesmo tempo angústia e emoção para as duas mães. A analista, que vive com a advogada há 12 anos, conta que nunca havia cogitado criar um filho, mas quando ficou sabendo de um recém-nascido que estava disponível para adoção, não pensou duas vezes. “Ele nasceu no Dia das Crianças, 12 de outubro de 2008, e 24 horas depois a gente ficou sabendo que poderia ser adotado. Entramos com o pedido, mesmo sem conhecê-lo. Foi um processo de dois anos e meio, mas valeu a pena”, ressalta.

Desde bebê, o menino passou a conviver com a nova família, e a nova mãe acredita que esse fator foi levado em conta pelos desembargadores. “A decisão mostrou uma evolução do Judiciário e visou ao bem-estar da criança, que é o principal nessa questão. O menino está com a gente desde que nasceu, somos a família que ele conhece e com que convive desde então. Por isso, seria justo que ele ficasse com a gente. Estamos no auge da discussão dos direitos dos homossexuais e esse caso veio acrescentar nesse sentido”, opina a analista de sistemas.

Ela também ressaltou os argumentos do relator do processo. “Ele lembrou que, quando começou sua carreira jurídica, há 30 anos, certamente sua decisão seria outra. Mas hoje, com tudo o que anda acontecendo, não poderia tomar melhor atitude do que a que foi tomada. Foi uma vitória e uma euforia muito grande. Nunca desistimos e não imaginamos nossa vida sem essa criança. Ele está conosco praticamente desde que nasceu e ficará eternamente”, comemorou.

Agora, o casal aguarda a decisão ser publicada no Diário do Judiciário para poder registrar a criança. “Vamos ter um fenômeno jurídico na certidão de nascimento do menino, que é a dupla maternidade, pois vai constar o nome das duas no registro. Mas ainda temos que esperar o prazo da publicação para que isso possa se concretizar”, disse o advogado Abelardo Mota. Como o caso corre em segredo de Justiça, por envolver um menor, o Tribunal de Justiça não dá informações sobre a decisão.


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 14 de junho de 2011

Conselheiros ressaltam importância do dia nacional da adoção no STJ

Mandy Lynne

25/05/2011
Por Luiza de Carvalho

“Meu depoimento é como mulher e mãe: estou convencida de que o amor de pai e mãe é uma conquista diária e é incondicional”. Com essas palavras, a ministra Eliana Calmon, Corregedora-Nacional de Justiça realizou a abertura do evento em comemoração ao Dia Nacional da Adoção, realizado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Para a ministra é muito importante que o Estado se empenhe em dar uma família para crianças que não tiveram a ventura de serem recebidas em uma família organizada, e esta é a intenção do Cadastro Nacional de Adoção. “Precisamos fornecer aos juízes a ferramenta adequada para obter com segurança e rapidez os dados necessários nos processos de adoção”, diz a ministra. Na opinião do conselheiro do CNJ Paulo Tamburini, o CNJ tem feito um grande esforço para a causa das crianças e adolescentes, em cumprimento à Carta Constitucional.

Criado em 2008, o Cadastro Nacional da Adoção atualmente demonstra que há 4.583 crianças e adolescentes à espera de um novo lar no Brasil, e há 26.938 pais e mães que desejam adotar. “Foi um grande trabalho fazer algo extremamente simples, uma ferramenta que dá oportunidades infinitas para pais encontrarem crianças”, diz o conselheiro Paulo Tamburini. Na opinião dele, é preciso debater com a sociedade problemas que puderam ser visualizados após a criação do cadastro, como o fato de a maioria dos pretendentes a adotar estabelecerem a preferência por uma criança da raça branca. “A adoção não é um supermercado em que se escolhe a compra, a maioria dos pretendentes sofre de EUGENIA, quer crianças perfeitas”, diz o conselheiro.

Durante o evento, foram exibidos filmes como vídeo feito pelo Projeto Aconchego, que mostra pais que adotam crianças com síndromes mentais e físicas, e que estão muito satisfeitos com a adoção, ou mesmo pais que aceitam adotar crianças que não são mais bebês. “Quando um tribunal superior como o STJ se coloca à disposição de realizar um evento como esse e participar de uma política pública importante como a adoção, está chamando a atenção da sociedade para a seriedade do tema”, diz a ministra Eliana Calmon.

Agência CNJ de Notícias

EUGENIA
Do fr. eugénie (v. eu- e -genia).]
Substantivo feminino. 1.Med. Ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie humana. [Cf. eugênia, s. f., e Eugênia, antr.]


Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mães não entregam seus filhos à VIJ com medo do filho crescer num abrigo

Google Imagens

Esta tarde escrevi isso em meu facebook, como desabafo:
"Gente, é um absurdo como a justiça brasileira é lenta para fazer uma adoção internacional. Vejo até profissionais desistindo de trabalhar nesta área. O Judiciário espera a criança fazer 10 anos para indicá-la para adoção, ficam amarrando as vidas dos pequenos seres, depois de se ter tentado mil vezes reinserí-la em sua família de origem adoecida, viciada e que diz claramente que não a quer por anos. Depois tentam inserí-la em família brasileira que deseja adotar crianças um pouco menores. Quando a criança está com 12, 14 anos a indicam para adoção internacional e até este momento sequer ainda fizeram a destituição do poder familiar dela. Com 12, 14 anos nenhum extrangeiro quer mais adotá-la porque identificam um adolescente. Sabe o que eu chamo isso? Crime! A justiça está acabando com as vidas de nossas crianças e nós fazemos o quê? O que podemos fazer? Fico INDIGNADA!

Mais tarde, por um acaso, uma jovem grávida me escreveu:
"Estou gravida de 7 meses e não posso ficar com o bebê, não sei o que fazer, gostaria muito de entregá-lo para adoção, mas para um casal que queira muito ter um filho e não deixar no abrigo enquanto cresce e não é adotado. Mas quero que tudo seja feito dentro da lei, por favor estou desesperada me ajude."

Eu respondi:
..., quando o teu filho nascer o Juizado fará uma rápida investigação se de fato não há ninguém de tua família que o queira, porque é de direito da criança permanecer na família onde nasceu e depois, se ninguém puder ficar com ela, é que será entregue ao primeiro da fila de adoção da vara da infância e juventude de tua cidade.

Ele será entregue a uma pessoa já habilitada e preparada para recebê-lo, tem gente esperando na fila com muito amor para dar, pessoas que já foram avaliadas até psicologicamente.

Vc tem que ter cuidado porque se o casal ainda não é habilitado fica difícil do Juiz dar a adoção a ele. Se vc quer muito que um casal que você conheça fique com teu filho então ele tem que se habilitar antes e passar por tudo que é necessário para adotar, mesmo assim o juiz vai querer que respeitem a fila.

Eu não posso indicar ninguém, isso seria burlar a fila e geraria um grande problema, pois não é previsto em lei e eu não tenho poder para fazer isso, só um Juiz.

Você também não viu as reportagens de juízes tomando crianças que foram entregues diretamente a casais que não eram habilitados?
Então você deve tomar cuidado com isso. A única coisa a fazer é: quando o teu filho nascer você procurar as assistentes sociais da vara da infância e mesmo assim até lá você pode mudar de idéia quanto ao teu desejo de fazer um plano de adoção para o teu filho.
Se precisar de mais alguma coisa me escreva.
Um abraço.

Resumo da história, essa jovem grávida não acredita na Justiça, acha que o bebê vai acabar crescendo no abrigo. Não tiro a sua razão.
Esta é a Justiça brasileira atual. Nova lei? Que lei?

Por Cintia Liana

domingo, 12 de junho de 2011

Falta de pessoal atrapalha cumprimento pleno da nova lei da adoção, dizem especialistas

Mandy Lynne

25/05/2011
Por Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A nova Lei de Adoção, em vigor há menos de dois anos, veio para simplificar o encontro entre potenciais pais e filhos adotivos e melhorar a qualidade desse encontro, mas as dificuldades que se mostram nesse processo têm feito com que sua aplicação não seja totalmente efetiva, da forma como foi pensada.

Segundo especialistas, a lei deu ainda mais trabalho para varas da Infância e Juventude, já carentes de pessoal e especialmente, de funcionários especializados nas áreas de psicologia, pedagogia e assistência social. O cenário foi explicitado hoje (25), em evento que comemorou o Dia Nacional da Adoção, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“Todos dizem que está difícil seguir o que diz a Lei 12.010 [Lei da Adoção] porque falta pessoal. Os juízes estão desaparelhados de recursos humanos e isso impede que o processo tramite de forma célere”, afirmou o supervisor da área de Adoção da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes.

A Lei 12.010, de 2009, determinou que todos os pretendentes à adoção devem passar por cursos de preparação para se tornarem aptos. O curso deve ser ministrado por técnicos da varas da Infância e deve abordar temas sociais, psicológicos, jurídicos e de responsabilidade paterna.

Entretanto, as varas de pequeno e médio porte sofrem com a carência de profissionais especializados. “É preciso refletir sobre a possibilidade de as varas e juizados serem reforçados por profissionais técnicos especializados. Se no Distrito Federal tem problema, o que dirá do interior”, disse Gomes, em palestra ministrada no evento.

Outro fato que está dificultando a aplicação da lei é o excesso de cadastros que foram criados e consolidados com a nova Lei de Adoção. Novamente, o problema é falta de pessoal, uma vez que esses bancos de dados deveriam ser alimentados diariamente. “Muitas vezes o juiz precisa deslocar um funcionário para fazer o trabalho de assistente social, mas isso não resolve”, disse o vice-presidente para Assuntos da Infância e Juventude da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o juiz José Dantas de Paiva.

Segundo Paiva, a lei que criou e consolidou os cadastros – com base em bancos de dados específicos com os nomes de pretendentes a adotar, de crianças e adolescentes disponíveis para serem adotados, entidades de acolhimento, crianças e adolescentes acolhidos e crianças e adolescentes em conflito com a lei – também aumentou a demanda de serviço e as varas da Infância e da Juventude estavam despreparadas para o volume e o tipo de trabalho.

O juiz diz que o único caminho para resolver o problema de falta de pessoal é a abertura de novas vagas por meio de concurso público para profissionais de psicologia, pedagogia e assistência social. “Os tribunais estão conscientes dessa necessidade e vão ter que se organizar para fazer concurso”, afirma. Além disso, Paiva ressalta a urgência para a promoção de cursos preparatórios destinados aos candidatos à adoção.

Edição: Lana Cristina / Matéria alterada para esclarecer informação


Postado Por Cintia Liana

sábado, 11 de junho de 2011

Não é caridade. É dar uma chance

Mandy Lynne

Colaboração para o BOM DIA

O dia 14 de maio de 1988 nunca sairá da memória do aposentado José Roberto Lima, 56 anos. Foi quando ele encontrou, no acostamento da rodovia Castello Branco, perto da cidade de Itapevi, um bebê ainda com o cordão umbilical. Ao contar para a esposa Cristina Teixeira, a artesã logo quis adotar a menina. Esse espírito de dedicação ao próximo é justamente o que o Dia Nacional da Adoção, que é celebrado nesta quarta-feira (25), pretende despertar.

Na época José Roberto trabalhava na Polícia Rodoviária e não pensou duas vezes em levar a criança para um hospital e depois para a casa. O bebê frágil encontrado na rodovia ganhou o nome de Laís Lima e hoje, aos 23 anos, tem um filho de 4 e nem pensa em conhecer os pais biológicos. "Meus pais tiveram a maior atitude de um ser humano: a adoção. Me sinto muito querida", conta auxiliar de publicidade.

O casal, que ainda tem um filho de 27 anos e uma filha de 10 biológicos, conta que até a localização da menina jamais havia falado em adoção. “A Laís foi um presente em nossas vidas, me sinto honrado em tê-la encontrado naquele dia”, afirma o aposentado.

Para José Roberto, a questão da adoção não deve ser encarada como um tabu. Ele ressalta que a criança tem o direito de saber que é adotada. Na sua visão, a família deve respeitá-la e deixar claro que mesmo não havendo laços de sangue o amor por ela é incondicional.

Dia nacional/Criado em 1996 por grupos de apoio à adoção, seis anos depois o projeto de lei foi sancionado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

O intuito é que a data comemorativa seja usada para incentivar a adoção de menores de 18 anos em todo o Brasil.

Segundo o aposentado José Roberto, toda criança deve ter um lar, uma família que lhe dê amor. “Incentivo a doação, pois todos têm o direito de ter um pai e uma mãe”, conta.

Na fila há 2 anos - O funcionário público municipal Plácido Mazzon, 48, e a esposa Rosilene Mazzon, 46, esperam para adotar uma menina. Desde junho de 2008 estão habilitados, mas seguem na espera.

De acordo com Mazzon, não há preferência por raça ou cor dos olhos, a única exigência é que a criança tenha de 0 a 1 ano e meio de idade. O casal, que tem um filho de 26 anos, há 10 anos faz planos para dar uma família para um bebê. "Não quero fazer caridade, só quero dar amor e oportunidade de uma criança ter um futuro melhor", ressalta.

Para adotar
Ao preencher a ficha no cartório, os interessados devem levar um atestado de antecedentes criminais e um atestado de saúde, preencher uma ficha de requisitos para dizer se aceita crianças de outro estado, se tem preferência por sexo e idade e, após isso, passa por uma avaliação com uma assistente social, que lhe cadastrará para a espera por uma criança.

4.471 crianças aguardam por uma adoção no país. Em Sorocaba são 160.

Em Sorocaba é possível adotar uma criança em uma semana
O juiz da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Sorocaba, Gustavo Scaf de Molon, conta que existem na cidade 39 crianças aptas a serem adotadas. Porém em razão das pessoas que buscam a adoção fazerem questão de escolher idade, sexo, raça e outras características, o tempo para a adoção se dilata.

Segundo o juiz, 19% dos casais que querem adotar preferem bebês com menos de um ano de idade. “Hoje é possível adotar uma criança em uma semana, desde que não se faça restrições”, afirma.

O CNA (Cadastro Nacional de Adoção), do Conselho Nacional de Justiça, mostra que há 4.471 crianças aptas para a adoção no país. O número de interessados em adotar é quase seis vezes maior: 26.755. Em Sorocaba existem 160 pessoas cadastradas e habilitadas. Doze são solteiras. A preferência por raça também é uma questão que aumenta a fila de espera, 37,91% só querem crianças brancas.



Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Antes de adotar deve-se saber...

Mandy Lynne

Por Cintia Liana Reis de Silva

Antes de adotar um filho se deve ter em mente algumas coisas. Que não existem diferenças entre filhos biológicos e adotivos, filho é filho e isso se dá na convivência, na relação em si, o apego vai sendo construído e fortalecido, é assim que ocorre também nas relações consanguíneas. Esse apego e amor podem nascer na relação com qualquer criança, ela pode ter qualquer etnia ou qualquer idade, basta querer. A adoção é um fenômeno de amor pleno e, para isso, não existem regras, só precisa ser sensível.

Com a adoção vem um processo de reconhimento de tudo o que circunda a maternidade. Esse gestar emocional e esse tempo na adoção são importantes para se amadurecer todas as questões relacionadas não só a maternagem e relação com o filho, como também as particularidades oriundas da adoção em si, como perfil do filho desejado, revelação da adoção, posicionamento frente a história anterior do filho, relação com a sociedade e os possíveis preconceito a serem enfrentados, então as mães devem mergulhar num universo totalmente novo, se descobrindo e entendendo que um filho não pode vir com outra função que não seja somente o de ser filho. Filho não pode servir como "tábua de salvação", "filho-companhia", "filho-distração", "fazer caridade", "salvar casamento" ou "fazer crescer".

Se deve ter em vista o tamanho desta responsabilidade e partir para a realização do sonho.

Por Cintia Liana

domingo, 5 de junho de 2011

Cintia Liana para a Top View

Mandy Lynne

A Revista Top View de Curitiba me entrevistou no mês de abril. Fui uma das fontes para compor uma matéria sobre adoção. Segue abaixo a entrevista com as respostas na ìntegra.

1) seu nome completo, profissão, funções atuais:
Cintia Liana Reis de Silva, psicóloga, especialista em Casal, Família e Adoção, sou coordenadora das adoções e atividades voltadas para o Brasil da entidade italiana Senza Frontiere ONLUS.

2) como e quando começou a atuar na área de adoção?
Comecei em 2003 atendendo famílias em consultório, depois passei em seleção pública para trabalhar como voluntária da VIJ (Vara da Infância e Juventude) de Salvador, depois fui contratada por 4 anos, quando vi que era o trabalho que queria fazer por toda a vida, ajudar crianças a encontrarem seus pais, ver novas famílias se formando, famílias necessárias.

Em 2010, de férias na Itália, fui convidada para trabalhar na entidade em que atuo hoje e atribuo o convite ao respeito e fama que conquistei com empenho e amor ao trabalho com as famílias no Brasil.

3) Qual a sua opinião sobre a criação do Cadastro Nacional de Adoção no Brasil? Está funcionando?
Pelo meu contato direto e sistemático com o Brasil de trabalho e pelo que discuto na internet, o CNA ainda não está funcionando como deve nem 20%. Ao menos, para consulta pública não seria nem 20%. Se o cadastro funcionasse poderia ajudar muitas crianças a encontrarem suas famílias, mas o cadastro ainda não é alimentado como deveria e muitos profissionais ainda desconhecem o seu manuseio, alguns ainda nem conseguem visualisar o seu alcance. Muitos abrigos ainda não passaram a lista de suas crianças para serem inseridos no CNA, alguns por uma questão burocrática e por estarem esquecidos.

Antes se enviava o processo de habilitação para a comarca em que se desejava adotar uma criança e muitas vezes se conseguia, hoje esperamos o cadastro informatizado, mas ele não é alimentado, esse é o principal motivo de não funcionar.

Uma coisa que lamento é que a nova lei vem sendo mal compreendida por muitas pessoas como, por exemplo, sobre o tempo de acolhimento. Não há nada na lei que diga que uma criança não pode ficar mais de dois anos no abrigo, a lei diz que uma criança não pode ficar mais que dois anos sem que seu processo judicial esteja definido.

Muitas crianças estão passando sua infância num abrigo, isso é um crime com qualquer ser humano. Os primeiros anos de vida, o amparo e amor que uma criança tem são importantíssimo para o fortalecimento da base de sua personalidade, o contato saudável com a figura de apego ajuda até no bom desenvolvimento dos órgão e na saúde geral.

Conheci adolescentes de 14 anos que estavam há mais de 7 no abrigo, esperavam que sua situação familiar melhorasse, mas ela não recebia nem visitas. Deixar uma criança crescer num abrigo esperando que sua família se reabilite é uma cultura criminosa, onde não se acredita no amor construído, é uma cultura onde se acredita que os laços de sangue são mais fortes que tudo. Esse ser humano que cresce sem família não conhece o amor e a segurança, conhece um amor emprestado, a insegurança, o desamparo. E no futuro, como dar aquilo que não se teve?

4) Você sabe quais são os números atuais da adoção no Brasil (crianças cadastradas, pais que aguardam uma adoção, etc)?
Me baseio em pesquisas para obter informações desses números, mas quando falo com o interior de um estado por algum motivo, por exemplo, que está com dificuldades burocráticas de registar o abrigo no município e que tem tantas crianças com situação familiar indefinida e não cadastradas no CNA, me pergunto, até que pondo estamos informados destes verdadeiros números?

5) Você sabe algo em especial sobre a situação da adoção em Curitiba?
Sei o que a CEJA de Curitiba divulga. As crianças disponibilizadas para adoção internacional normalmente são maiores de 9 anos, com irmãos e algumas com algum problema psíquico, cognitivo ou físico.

6) Você tem a experiência brasileira e a italiana. O modo como os dois povos encaram a questão da adoção é muito diferente? Em que sentido?
As adoções internacionais são bem diferentes das nacionais em todos os pontos do processo, em como se faz, até em relação ao perfil dos pretendentes e das crianças disponibilizadas.

Na Itália somente casais heterossexuais podem adotar. No Brasil solteiros e casais homossexuais também podem. É um País com as leis mais avançadas em termos de direitos das crianças, mas a realidade aindo fica um pouco atrás do que está escrito no Estatuto.

A internacional deve haver a aceitação dos órgãos de Estado e da entidade que acompanha toda a adoção entre Itália e Brasil, assim como a aprovação do Estado do País do origem da criança e da CEJA (Comissão Estadual Judiciária de Adoção). A nacional, requer somente a aprovação do Estado, responsável pela criança. As adoções internacionais e nacionais são vistas de modos diferentes e encaram os preconceitos referentes e cada uma delas.

O perfil de crianças disponibilizadas para adoção internacional é diferente da nacional. Somente são indicadas para adoção internacional crianças que não têm mais chance alguma de inserção em família substituta brasileira, incluindo a de origem, como a família extensa. São crianças que já esgotaram todas as possibilidadaes de aceitação, normalamente maiores de 9 anos, grupos de irmãos e/ou com algum problema físico ou mental, ou seja, fora do perfil que o brasileiro deseja para ser seu filho hoje.

Os poucos casos que vi de crianças com alguma necessidade especial ser adotada eram de pessoas que as conheceram por motivo de trabalho voluntário em algum abrigo e se apaixonaram por ela, desejando que fosse seu filho sem nenhuma exigência e, nesses casos, o amor foi construído dentro dos muros do abrigo, para depois existir o desejo da adoção.

7) Você é casada, tem filhos? Pessoalmente, a adoção faz parte da sua vida de alguma forma?
Tenho 34 anos, sou casada com o homem da minha vida há 4 meses (5 de maio faz 4 meses) e ainda não tenho filhos, mas desejamos.
Tenho mais de 10 casos de adoções afetivas e propriamente ditas em minha família extensa, todos bem sucedidos, isso quer dizer até nas famílias de minhas tias avós, além disso, minha avó sempre ajudou muitas famílias em dificuldade, e chegou a acolher 2 ou 3 menores temporariamente, além de duas adoções afetivas.

8) Você já foi chamada de "fada da adoção". A que atribui o título? Quais as maiores conquistas que já alcançou em seu trabalho com famílias adotantes?
Sim, em 2006 os pais habilitados começaram a me chamar de "fada madrinha dos pais adotivos" por meu interesse e dedicação ao trabalho e às crianças e fui me tornando cada vez mais conhecida, até a mídia de minha cidade me chamar de "Fada da Adoção" e dedicar uma matéria de página inteira sobre minha trajetória profissional.

Atribuo o título a minha entrega ao trabalho e a falta de receio em fazer contato com as pessoas de modo afetivo, preocupado e sem preconceitos, o meu trabalho acabou tomando conta de um modo muito forte de minha vida. Desde os 9 anos de idade sempre sonhei em ser psicóloga, é algo que há em mim, essa forma de entender e pensar a vida e sobretudo no desejo de ajudar.

Em meu trabalho na VIJ todos os casos eu via como especiais e sempre que podia ajudar e dar um toque especial o fazia, não era uma obrigação, sempre foi um prazer, às vezes trabalhava até às 21:00h. Lembrava de uma casal específico, conversava com o Juiz, via uma criança “esquecida”, pedia que fizessem um relatório ao Juiz falando de sua situação e depois a via ser encaminhada para adoção e para um excelente casal ou adotante solteiro. Tinha cuidado com todos, nunca fui grossa com ninguém, por mais que precisasse ser áspera aos olhos dos colegas. Os resultados dos meus toques e dedicação eram o melhor retorno do meu trabalho, ficava de fato feliz e condividia isso com eles.

Em visitas aos abrigos não tinha medo de falar e estabelecer um contato de amor com as crianças, as via com respeito e cada uma era diferente e especial e elas sentiam isso. Quando eu chegava era uma festa, isso me dava um sensação muito boa de paz e felicidade.

Acredito que consigo fazer este conttao porque sinto e sei que esta relação de amor na adoção que se estabelece é forte e rica e é a mais verdadeira, todos nós precisamos ser adotados para nos tornamos filhos, seja pelo nascimento ou chegada na adoção.

9) Para onde caminha o processo de adoções no Brasil? Já evoluiu? Ainda há muito a evoluir?
As entidades de adoção internacionais encaminham os processos já autorizados e traduzidos a CEJA quando têm uma família interessada na adoção de uma criança disponibilizada dentro do perfil de busca do casal. O processo é analisado pelos técnicos da CEJA, antes de decidirem se a criança de fato vai para o casal interessado.

A entidade em que trabalho por exemplo é autorizada para atuar em todo o Brasil e Colômbia, e deve também ser cadastrada em cada CEJA de cada Estado e cada uma trabalha de forma um pouco diferente, o que dificulta de certa forma a atuação das entidades, até a forma de informar as crianças disponíveis a adoção é diferente em cada CEJA.

Há muito ainda o que melhorar, as pessoas precisam se informar, trocar conhecimentos, ter o interesse em ajudar, padronizar metodologias, as leis precisam ser coerentes, precisamos ter segurança sem tanta burocracia e sobretudo humildade para ter uma relação saudável com todos.


Por Cintia Liana

sábado, 4 de junho de 2011

Cintia Liana é homenageada por Cacau Waller

Cintia Liana. Foto de Hudson Matos e edição de Cacau Waller

Olhem a linda homenagem que acabei de receber de uma linda e amorosa mãe que se tornou uma amiga querida. E por falar nisso, posso dizer que, além da jóia de ver crianças sorrindo em seus novos lares, é bom demais ganhar amigos desta qualidade em função do nosso trabalho.

Cintia Liana. Edição: Cacau Waller

"A Eli pediu para registrarmos no CJ dela uma pessoa que a gente admira, que abraçou uma causa, decidiu lutar por algo que acreditava que iria melhorar o mundo. A verdade é que todos nós almejamos melhorar o mundo, mas poucos conseguem... E minha amiga Cintia Liana é uma dessas pessoas que conseguiu. Ela dedica a vida a encontrar famílias para crianças que aguardam por um lar. Psicóloga, autora de livro, amiga, fada, é realmente uma pessoa muito especial que tenho a honra de conhecer e chamar de amiga".
Cacau Waller



Postado Por Cintia Liana

Burocracia atrasa processos de adoção no Estado

Uma triste realidade para quem espera um lar. A burocracia impede adoção de quase 800 crianças e adolescentes, mesmo que 4 mil pessoas estejam na lista de adoção.




Fonte: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=185386&channel=45


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Neta branca, avó negra. O amor não tem cor

"Maria Gadú compõe música para homenagear a avó"

Por Raiane Nogueira

(...)
A música escolhida foi composta em homenagem a sua avó, que morreu há três anos, para quem o disco é dedicado. Dona Cila era cantora lírica e perdeu a voz após o uso de um produto químico. Segundo Maria Gadú, o clipe retrata dois grandes sonhos da avó: se apresentar em um teatro municipal e desfilar como baiana na Marquês de Sapucaí.

Para a “realização” desses sonhos, serviram de cenário o tradicional Teatro Municipal de Niterói e o sambódromo do Rio. O vídeo ainda conta com a participação da atriz Neuza Borges, representando Dona Cila. O resultado é emocionante:





“De todo o amor que eu tenho / Metade foi tu que me deu / Salvando minh`alma da vida / Sorrindo e fazendo o meu eu / Se queres partir ir embora / Me olha da onde estiver / Que eu vou te mostrar que eu to pronta / Me colha madura do pé”

É uma bonita homenagem. De forma singela, Maria Gadú comove com a letra e o clipe de Dona Cila, sem muito apelo. Faz a gente lembrar da infância e de como é bom mimar e ser mimado pelos nossos avós. Que saudade...



Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 31 de maio de 2011

Em Manhuaçu, idosa de 80 anos que cuida de crianças abandonadas precisa de ajuda

Elena Kalis
26 de maio de 2011

Dona Rubenita Lourenço é uma idosa de oitenta anos de idade que não deixa de lutar pela sobrevivência e melhores condições de moradia para dezessete crianças que ela cuida por adoção. A idosa é casada com o Sr. Jocermindo Paulindo, oitenta e três anos de idade, ambos lavradores aposentados e residem no córrego Santa Rosa zona rural a aproximadamente 20 km da cidade de Manhuaçu – MG.

O casal conta que deixou uma vida muito dura no Ceará, onde residiam, e enfrentou um pau de arara numa exaustiva viagem de vários dias até chegar a Minas Gerais. Dona Rubenita, disse: “E assim reiniciamos nossa vida com muito sofrimento. Um dia, quando levantei bem cedo, encontrei uma criança recém-nascida na porta de minha simples casa, ela estava morrendo de frio, logo percebi que havia sido abandonada, coloquei para dentro de casa e fui cuidando dela, logo foram aparecendo outras crianças dadas pelas próprias mães. Assim foram crescendo o número de crianças, eu e meu marido, com a penas nossa aposentadoria, fomos cuidando delas. A nossa situação não era nada fácil, mas Deus ia nos dando forças, já passaram por minhas mão, mais de cinquenta crianças, muitas já apanharam maior idade, e se foram. Graças a Deus, pude dar um pouco e estudo para todas, e continuo”. Conclui Dona Rubenita.

A idosa, disse também que sempre contou com o apoio das pessoas que visitam as crianças.

Hoje, com a idade já avançada juntamente ao esposo, Dona Rubenita cuida de dezessete crianças, e disse ser a terceira geração de filhos adotivos. Estão lhe faltando alimentação e produtos de limpeza, e o seu maior sonho de construir uma casa para os filhos adotivos ainda não foi realizado. Constatamos que o local onde reside, por ser uma construção muito antiga, a numerosa família corre um sério risco de tudo desabar a qualquer momento.

Portanto, a antiga casa terá que ser derrubada. Para ajudar Dona Rubenita a realizar o seu sonho e das crianças, entre em contato com o Programa Mão Amiga da TV Catuaí – Manhuaçu – MG. teo@programamaoamiga.com.br, Telefones: (33)3331-7793 / (33) 9965-1215.



Por Teógenes Nazaré – TV Catuaí – Manhuaçu - MG


Postado Por Cintia Liana

domingo, 29 de maio de 2011

Mudança em favor do amor - Matéria com a participação da Psicóloga Cintia Liana

Por Amanda Corrêa
Fotos Retrato 3 Estúdio
Ilustração Paulo Werner

Dados do Cadastro Nacional de Adoção apontam queda da procura por crianças brancas. A revista Star conta histórias emocionantes de quem nunca se importou com o preconceito.

De acordo com os dados do Cadastro Nacional de Adoção de 2008, 70% dos adotantes exigiam crianças brancas na hora de adotar. Em 2010, este percentual caiu para 38%, onde 29,6% são indiferentes à cor e 1,93% aceita apenas crianças negras. Os dados apontam uma mudança na mentalidade dos candidatos a adotante. Entre crianças e adolescentes que esperam a adoção, 65% são negros, pardos, indígenas ou asiáticos.

“A queda da preferência por crianças brancas significa um avanço social tremendo. Acredito que isso tenha a ver com o Cadastro Nacional de Adoção e a nova lei da adoção (veja quadro na página 26). O processo acelerou porque o encontro entre adotantes e crianças à espera de adoção começou a ser mais ágil”, explica a defensora pública e coordenadora dos defensores públicos na área de família e civil, Marta Juliana Marques Rosado. “Toda criança tem direito a convivência familiar. Estas crianças negras estavam sendo preteridas disso, bem como as que tinham alguma deficiência física. Quando nunca, elas ficavam o resto da sua infância e adolescência no abrigo, até completar 18 anos”, conclui o defensor público da infância e da juventude de Belo Horizonte, Wellerson Eduardo Corrêa.

Mas, ainda assim, a diferença entre o número de candidatos a adotante e o número de crianças à espera da adoção é alarmante. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, 5.369 crianças de 0 a 17 anos foram registradas no Cadastro Nacional de Adoção em todo o Brasil até o dia 12 de agosto deste ano. Entre elas, 2.939 são meninos e 2.355 são meninas. O total de pais candidatos a adoção é bem maior: 28.988. Esta equação não fecha porque, além da questão racial, existem ainda outras barreiras. “O que observamos é que a criança que passa dos seis, sete anos de idade, já não consegue acolhimento na família substituta nacional. Aí, elas vão para famílias substitutas estrangeiras. O brasileiro possui resistência em adotar crianças mais velhas, o que chamamos de adoção tardia”, explica Corrêa.

Quebra de paradigma

A psicóloga Cintia Liana Reis de Silva atua como especialista em psicologia conjugal e familiar. Ela trabalha com adoção desde 2002 e foi perita da Vara da Infância e Juventude de Salvador - BA, um dos Estados brasileiros com a maior proporção de negros na população. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, PNAD, 14,4% da população baiana são negros e 64,4% pardos. Atualmente, Cintia atua na Itália como colaboradora de uma entidade de adoção internacional.

Segundo a psicóloga, um dos motivos que levaram à mudança nos dados do Cadastro Nacional de Adoção é a falta de crianças com os perfis procurados pelos candidatos a adotantes. “Em 2004, quando comecei a coordenar o serviço de psicologia da Vara da Infância e Juventude, existia um grande número de adotantes querendo meninas, brancas e recém nascidas. Em 2008, o quadro era completamente diferente. Muitas pessoas buscavam um perfil mais flexível, sem preferência de sexo ou cor de pele, além de crianças maiores de dois anos. Lembro-me que um casal alterou seu pedido no Cadastro Nacional de Adoção de uma criança de até dois anos, para uma de até 12. Acabaram adotando um menino negro de sete anos. Eles nutriam um amor imenso e hoje, três anos depois, estão muito felizes. Para a criança, o que importa é o amor que recebe, o amparo, os cuidados e a proteção. Não importa se terá só pai ou só mãe, se estes serão brancos ou negros ou que classe social terão”.

O medo de que as crianças mais velhas tragam alguma carga emocional da convivência que tiveram com os pais biológicos ou na instituição ou abrigo onde elas se encontravam antes de serem adotadas é um dos motivos que levam os candidatos a exigir crianças mais novas. “As pessoas acham que quanto menor a criança, mais absorverá a nova educação e mais se assemelhará a um filho biológico. Como acham que a criança ainda não tem uma personalidade formada, acreditam que não trará tantas recordações desagradáveis e hábitos da instituição ou da família de origem. São fantasias sociais, grandes mitos”.

Cintia explica que quando a criança se sente verdadeiramente amada e aceita, ela quer se tornar parecida com os novos pais. E isso, de fato, ocorre, independentemente da idade. “Se idade fosse assim tão importante para o vínculo, não existiriam tantos filhos biológicos com tantos problemas e se voltando contra os pais. Não existe uma fórmula. Existem situações complexas que devem ser tratadas com cuidado e afetividade”.

Para a psicóloga, a mudança nas exigências no Cadastro Nacional de Adoção pode ser explicada também pelo fato de que muitas celebridades como Madonna, Sandra Bullock e Angelina Jolie, têm adotado crianças negras. Existe uma imitação, mesmo que inconsciente, do comportamento de pessoas a quem se admira. “Quando alguém respeitado, conhecido e bem-sucedido adota, sempre abre novos caminhos e fortalece desejos. Isso faz com que as pessoas vejam como uma espécie de moda e como algo muito valioso, que só alguém bem resolvido e bem estruturado faz. E isso todo mundo quer ser”, afirma.

Para os defensores públicos, Wellerson Corrêa e Marta Rosado, a adoção é um ato de amor. “Os pretendentes têm que comprovar que estão amadurecidos para a paternidade. São pessoas que estão dispostas e sabem amar. A adoção é um desafio. Uma caixinha de surpresas. Mas é um processo irrevogável, como uma maternidade ou paternidade natural. A criança não virá pronta. Virá como um filho biológico, com todas as virtudes, mas também com todos os defeitos”, explica Corrêa. “As pessoas têm que estar preparadas para, quando aparecerem os defeitos, não colocarem a culpa na adoção”, completa Rosado. “É como aquele ditado: você ama não por causa de, você ama apesar de, não é?”, finaliza Corrêa.


Casos de amor

A empresária Silvia Rocha Veloso, de 49 anos, nunca havia pensado em adotar. Seus dois filhos já estavam crescidos quando ela conheceu Luana, então com dois anos, enquanto trabalhava como voluntária na extinta Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, Febem, em 2004. Como Silvia e a menina nutriram carinho uma pela outra, a empresária resolveu apadrinhá-la.

Luana e seu irmão, Jacson, então com oito meses de idade, tinham sido levados à Febem depois de uma denúncia de maus tratos por parte de seus pais. Enquanto estavam na instituição, sobre proteção do Juizado da Infância, os irmãos esperavam pela decisão da justiça, que fazia um trabalho de reintegração familiar. A dúvida era se seriam entregues de volta à família ou iriam para a lista de adoção.

O juiz responsável pelo caso decidiu que as crianças não tinham condições de voltar a viver com os pais biológicos. Luana e Jacson foram para a lista de crianças disponíveis para adoção e Silvia, com o apoio do marido Eugênio e dos filhos, pediu a guarda da menina. “Quando saiu a guarda eu falei para a Luana que, a partir daquele dia, não era pra ela me chamar mais de tia, que poderia me chamar de mãe. Perguntei: ‘você quer que eu seja sua mãe?’, e ela respondeu: ‘quero!’. Assim que eu virei as costas, era mãe pra cá, mãe pra lá. Ela tinha três anos e meio, mais ou menos”.

Depois de conseguida a guarda, a advogada de Silvia registrou um pedido de adoção, e ela e o marido passaram por entrevistas e visitas de assistentes sociais. Posteriormente à finalização do processo, uma assistente do juiz da Vara Civil da Infância e da Juventude de Belo Horizonte entrou em contato com Silvia para saber se ela gostaria de adotar o irmão da filha, Jacson. “Infelizmente, nem financeiramente nem psicologicamente eu poderia adotá-lo. Eu não tinha estrutura para ter duas crianças. Soube depois que um casal sem filhos adotou o Jacson”. Uma das assistentes sociais do processo do casal adotivo de Jacson entrou em contato com Silvia, certa vez, pedindo que ela desse seus contatos aos pretendentes caso eles ou o Jacson, mais tarde, quisessem entrar em contato com sua filha, Luana. Silvia autorizou e passou todos os contatos, mas nunca foi procurada.

A história de amor de Eneida Cabral de Lacerda e Silva, de 40 anos, com seu filho Gustavo também teve início em uma visita a um abrigo. Lá, a servidora pública conheceu e se apaixonou pelo menino, então com um ano e 11 meses. Ela já tinha um filho, Rafael, que sofre de deficiência mental, e havia tentado engravidar várias vezes, sem sucesso. Conheceu Gustavo, hoje com oito anos, quando já tinha desistido de tentar a segunda gravidez. “Quando cheguei, vi o Gustavo e me apaixonei. Não fui com intenção de buscar uma criança e nem de adotar. Foi a presença dele que me fez querê-lo. Foi um encontro lindo. Ele era um pouco desconfiado, mas pegou na minha mão e me chamou para passear com ele no primeiro momento que me viu”.

O processo de adoção de Gustavo teve início como o de Luana, com o apadrinhamento. Enquanto cuidavam do menino durante três meses concedidos pela justiça, Eneida e o ex-marido, Márcio, decidiram adotá-lo. Mas o processo teve um contratempo. Gustavo ainda estava vinculado ao poder do pai biológico. “O processo correu bem, a assistente veio aqui em casa, tudo aconteceu direitinho, mas ela me disse que o Gustavo não estava na fila de adoção, porque o pai ainda tinha sua guarda. Só a mãe que não”. A adoção só aconteceu depois do pedido de destituição e da autorização do pai. “Quase morri quando ela disse que, se o Gustavo fosse para a fila de adoção, ele seria adotado logo, logo por outra pessoa”.

Entre pais e filhos

Eneida e Silvia concordam que a paternidade e a maternidade através da adoção não é uma escolha racional. É algo inexplicável, uma escolha do coração. “No dia em que meu pai faleceu, saiu a adoção definitiva do Gustavo”, conta Eneida. “Ele é uma criança extremamente amável comigo, com os irmãos e com o pai. Ele sempre me fala: ‘mãe, quando eu nasci você estava nos meus sonhos’”.

O preconceito é uma das barreiras que as mães e as crianças têm que enfrentar. Silvia conta que sofre com o julgamento dos outros, mas que é Luana quem mais sente. “Vejo pessoas, até dentro da minha família, que têm preconceito por que os primos da Luana são todos loirinhos. Tentei afastar ela dessas pessoas e até da família, mas a psicóloga me aconselhou a não fazer isso. Disse que ela tinha que aprender a conviver com essas coisas. E a Luana sente. Ela já me pediu para pintar o cabelo dela de amarelo, porque ela queria ficar igual a mim e à irmã dela. Eu, meu marido e os irmãos dela falamos sempre que ela é linda, que a cor dela é linda”, diz.

As mães contam que a adoção é mais que um ato em favor da criança. É um ato em favor de si, da família e do amor nutrido entre pais e filhos. “O Gustavo completa a gente. Completa a nossa família. Lógico que não é fácil, mas nenhuma criança é. Escuto muita gente falando que fui corajosa ou que fiz um ato muito bonito, mas eu não vejo por este lado. Fiz pelo prazer em tê-lo. E digo sempre que quem ganhou nesta história fui eu. Olho para o Gustavo e choro de paixão. Não tem diferença entre ele e os outros filhos. O carinho é exatamente o mesmo”.

Para Silvia, sua vida, hoje, é em função da filha, mas nunca se arrependeu da adoção. “Nossa rotina mudou. Minha vida é totalmente tumultuada por causa da Luana, por ter escolinha de novo, ter que levá-la à psicóloga, psicopedagoga, neurologista. Mas vale muito a pena. Em nenhum momento, por mais trabalho que a Luana me dá, eu e meu marido nos arrependemos. É muito gratificante. Ela é muito carinhosa, amável. Acho que, no final, a gente ganha muito mais do que dá para ela. O retorno é muito bom”.



Postado Por Cintia Liana

sábado, 28 de maio de 2011

Ser mãe não é para todas. Nem tem que ser

Google Imagens

Por Leda Nagle
Rio - Uma coisa que tem me incomodado,cada dia mais, neste nosso tempo, é saber quase todo dia, pelos jornais ou pela TV, que mais uma mãe jogou fora um recém-nascido no lixo, numa lagoa ou na rua. O que é que acontece na cabeça de uma mulher destas? E não venham me dizer que foi por conta da pobreza porque todo mundo conhece um caso de uma mulher pobre que, com toda a dificuldade do mundo, cria ou criou seus filhos a pão, água e amor e nunca os abandonou.

E o que me dizem daquela mulher que buscou ter um filho através da inseminação artificial e depois que nasceram três crianças, ela só quis levar duas para casa? E o que será da terceira criança ou de todas as outras que nascem rejeitadas? Irão para abrigos? Serão adotadas? Vão se adaptar à nova família? Serão devolvidas? Sim, porque há crianças que depois de adotadas são devolvidas, como me contou a juíza da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, Ivone Ferreira Caetano, sobre um caso recente, de devolução de duas crianças negras. Sabe quantas crianças a juíza Ivone tem recebido por dia, em média, entregues pelas mães que não querem ou não podem criá-las? Duas. Sabia que entregar para adoção não é crime? Abandonar à própria sorte ou jogar no lixo é crime. É crime e dá cadeia, mas é crime maior ainda contra a criança indefesa que, se sobreviver, vai arrastar a rejeição pelo resto da vida, se sentindo parte do
lixo. Todo mundo sabe que ser mãe não é para todas, que tem gente que não tem vocação materna, nem jeito nem generosidade para exercer a maternidade.

Isto não é crime. Mas não é justo colocar uma criança no mundo para abandoná-la. Mas se aconteceu, não precisa jogar no lixo. Pode procurar o Juizado e entregar a criança para adoção. A juíza Ivone diz que até prefere esta situação porque o processo de adoção se torna mais rápido por conta do desejo explícito da mãe e a criança é acolhida por uma mãe desejosa de ter um filho, sem a necessidade de passar por abrigo. Existe um cadastro nacional de crianças para adoção, existem grupos, mais de cem, espalhados pelo País inteiro, que trabalham apoiando pais e mães que querem adotar. Em Niterói tem um deles, que se chama Quintal de Ana, que existe há 16 anos, pronto para ajudar na relação da criança adotada com a nova família, sob o comando de Bárbara Toledo, mãe de filhos biológicos e adotados, que resume bem essa relação: “Filhos biológicos também têm que ser adotados”. É como diz a juíza Ivone, adotar não é
uma ação social, não é escolher um produto numa prateleira, exige afetividade, amor e um útero forte.

E-mail: comcerteza@odianet.com.br


Postado Por Cintia Liana