"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diferenças na adoção nacional e internacional sobre a espera e perfil da criança

Google Imagens

As adoções internacionais são bem diferentes das nacionais em todos os pontos do processo, em como se faz, até em relação ao perfil da criança disponibilizada.

A internacional deve haver a aceitação dos órgãos de Estado e da entidade que acompanha toda a adoção entre Itália e Brasil, assim como a aprovação do Estado do País do origem da criança e da CEJA (Comissão Estadual Judiciária de Adoção).
A nacional, requer somente a aprovação do Estado, responsável pela criança.

As adoções internacionais e nacionais são vistas de modos diferentes e encaram os preconceitos referentes a cada uma delas.

O perfil de crianças disponibilizadas para adoção internacional é diferente da nacional. Somente são indicadas para adoção internacional crianças que não têm mais chance alguma de inserção em família substituta brasileira, incluindo a de origem, como a família extensa. São crianças que já esgotaram todas as possibilidades de aceitação, normalmente maiores de 9 anos, grupos de irmãos e/ou com algum problema físico ou mental, ou seja, fora do perfil que o brasileiro geralmente deseja para ser seu filho hoje.

As entidades de adoção internacionais encaminham os processos já autorizados e traduzidos a CEJA quando esta entidade têm uma família interessada na adoção de uma criança disponibilizada dentro do perfil de busca do casal. O processo é analisado pelos técnicos da CEJA, antes de decidirem se a criança de fato vai para o casal interessado.

A destituição é feita e se inicia o processo, até aí os casais esperaram muito tempo, com muita ansiedade. Depois o casal vai ao País de origem da criança para as outras etapas já descritas.
O processo de habilitação para adoção internacional e a espera pelo filho são maiores, mas o período de convivência é menor, são mais ou menos 45 dias que o casal deve passar em País estrangeiro para a adaptação com o filho, para receber a sentença judicial e para a emissão dos novos documentos, incluindo o passaporte da criança. O tempo é menor porque o casal viaja para conhecer a criança só depois que esta foi destituída do poder familiar, então a espera maior é antes do primeiro contato com a criança.
Os casais italianos esperam ansiosamente sem ainda nem ter conhecido os filhos, sem nem mesmo conhecer o rosto pelo qual já se preocupa com o bem estar e pelo qual já desenvolve amor.

Ocorre que quando eles pedem aquela adoção, a criança é destituída, só depois eles partem para encontrá-la. Nas nacionais muitas vezes as crianças são destituídas durante o estágio de convivência com a nova família.

A entidade em que trabalho por exemplo é autorizada para atuar em todo o Brasil e Colômbia, e deve também ser cadastrada em cada CEJA de cada Estado e cada uma trabalha de forma um pouco diferente, o que dificulta de certa forma a atuação das entidades, até a forma de informar as crianças disponíveis a adoção é diferente em cada CEJA.
Há muito ainda o que melhorar, as pessoas precisam se informar, trocar conhecimentos, ter o interesse em ajudar, padronizar metodologias, as leis precisam ser coerentes, precisamos ter segurança sem tanta burocracia e sobretudo humildade para ter uma relação saudável com todos.

Por Cintia Liana

domingo, 17 de julho de 2011

A espera pela conclusão da adoção

Beneath this Burning Shoreline

Por Cintia Liana Reis de Silva

1) Em média, quanto tempo leva para ser concluído um processo de adoção?

Não existe um tempo determinado entre o início da habilitação de quem deseja adotar e a conclusão do seu processo de adoção, o tempo irá depender de muitas variáveis, duas delas são a idade da criança e se ela está destituída ou não do poder familiar. O tempo para quase todos os tramites dentro de processo quem determina é o juiz, outros detalhes são prazos de publicação e espera de pareceres e relatórios tecnicos, assim como o encontro do perfil da criança esperada.

2) O que acontece no período que se leva para finalizar a documentação da criança com os novos pais?

Acontece o período de convivência, onde a relação entre os pais e a criança vai se fortalecer e ganhar forma. A equipe multiprofissional do juizado vai avaliar este vínculo e emitir seus pareceres ao Juiz, e é este quem irá decidir quando o período de convivência chegará ao fim, dando a senteça.

É necessário no mínimo uma visita domiciliar feita de preferência por uma assistente social (já tive informações que tem varas que utilizam um oficial de justiça para fazer este trabalho que deve ser feito pelo profissional de serviço social), uma entrevista social com assistente social e uma entrevista com psicólogo.

Acontece que, com a nova lei de adoção, que diz que “uma criança não pode ficar mais que dois anos sem que seu processo judicial esteja definido”, fez com que algumas crianças fossem colocadas em famílias substitutas as pressas e o período seguinte, o estágio de convivência ficou “negligenciado” por algumas varas. Se coloca a criança em um lar e só depois de muito tempo é que se dá a sentença final.

Dois problemas em torno disto, um é que não se destitui o poder familiar, para que assim a criança não fique sob o poder do Estado e perca o vínculo legal com os pais de origem, sem mais poder voltar para eles no futuro, caso não sejam adotadas.
Outro é que não se perde o vínculo legal com os pais e então não podem ser adotadas, nem são indicadas para adoção, assim o CNA não é usado e não funciona.
Outro problema é que, mesmo assim, algumas crianças são indicadas e quando elas vão para o período de convivência é que se faz o processo de destituição do poder familiar em paralelo.

Depois que se inicia o período de adaptação em nova família o proceso de destituição leva algum tempo, se respeita prazos de pubblicação, requer pareceres, pede-se relatórios tecnicos sociais e psicológicos e o juiz determina os outros prazos.

O risco é que, algumas vezes, pais de origem, omissos, viciados e doentes se colocam contra a adoção e começa uma maratona para investigar condições de acolher, possibilidades de reabilitação familiar e audiências para ouvir estes genitores, até se destituir mesmo sem o consentimento deles, se isso for o melhor para a criança. Uma parte desses pais muitas vezes nunca quiseram os filhos em casa, mas não deixam eles irem para adoção.

Enquanto isso os novos pais esperam ansiosos para a conclusão do processo de adoção. Situação que também gera insegurança para as crianças que tudo sentem.

Por Cintia Liana

sábado, 16 de julho de 2011

Aparecida Petrowky atua em peça sobre adoção e fala como foi adotada na vida real

Aparecida Petrowky

Talentosa, a atriz acaba de entrar para o elenco da peça paulistana “Meu filho sem Nome”, com texto de Izilda Fontainha Simões e adaptação de Marcelo Romagnoli. Entre os ensaios, conversou com exclusividade ao Yahoo! e falou sobre carreira, fama e boatos de que seu romance é fake. “Esse não é meu perfil. Seria muita baixaria”, garantiu.

YAHOO!: Você está na peça “Meu filho sem Nome”, em São Paulo, que fala sobre adoção. Por ser adotiva na vida real, como é reviver essa experiência no teatro?
Minha personagem é uma jovem que se casa, quer construir uma família e não pode ter filhos. Ela encontra com a outra protagonista, que abandona o filho. Fazendo esta peça, que também é baseada em uma história real, acabo trazendo alguns sentimentos. Não sobre minha experiência, mas sobre a minha mãe adotiva, a Vera, que morreu. Lembro de algumas coisas pelas quais ela passou, como a sombra de a mãe biológica querer tomar o filho de volta...

YAHOO!: Na infância, como você encarava o fato de ter duas mães?
Minha vida foi muito feliz, não tive problema algum. A mãe que me criou falava: “você é uma menina especial, tem duas mães”. Contaram quando eu tinha cinco anos. Na verdade, minha mãe biológica não me abandonou. Ela me deu para minha tia... (Pensativa) É uma confusão tão grande que daria um livro (risos). Ficava uma semana com uma e, nos fins de semana com a outra. Cresci assim, dividida. Mas com o carinho em dobro, das duas.

YAHOO!: Em que você acha que esta criação contribuiu para a Aparecida que conhecemos hoje?
Acho que a determinação e responsabilidade com a minha vida. A Vera tinha uma situação financeira muito boa e a outra família era mais simples. Extremos demais! Ela me dava mesada, passeios, dinheiro no aniversário e depois falava “lembre-se que sua família não tem nada”. Aí eu comprava presente para meus irmãos, fazia compras para casa. Aos 15 anos, eu queria ir para a Disney, mas ela dizia “lembre-se...” (risos). Sempre tive responsabilidade, essa foi a maior herança que ela me deixou.

YAHOO!: Além desse episódio, lembro que você foi ao programa“Altas Horas” e chorou por estar no programa. Acha que está acostumada com a fama e exposição?
Confesso que é muito difícil e não estou 100% acostumada. Ainda estou me adaptando a tudo isso, sabendo como lidar. Mas deixo claro que não vou mudar meus princípios e sempre manterei a minha ética. Muita gente fala que eu só fiz uma novela, mas sou formada em fisioterapia, artes cênicas, estudo filosofia, sou escritora, tenho experiência fora do Brasil. Apesar de muitas vezes não ser fácil lidar com a fama, procuro não ficar preocupada com os comentários.

YAHOO!: Até que ponto a vida pessoal deve influenciar em sua carreira?
O Felipe tem a carreira dele, tem fã-clube, é conhecido há muito mais tempo que eu. Não gosto de misturar trabalho com vida pessoal. Mas a gente está junto e não vamos deixar de sair, mesmo que cada vez que colocamos o pé fora de casa isso vire assunto. Eu não tenho como controlar. Aquilo que posso fazer é manter a minha vida normal e investir no meu trabalho. E é claro que não é tão simples.


Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A oração de um filho adotivo

Cacau Waller

Senhor, hoje posso assim chamar-te porque aprendi a pronunciar este teu nome santo e maravilhoso com a mulher que hoje chamo e sempre chamarei de Mãe.
Alguém um dia, abandonou-me em um hospital quando tinha apenas 3 meses de vida.
Não sei porque fizeram isso comigo!
A semelhança de todas as outras crianças que no mundo sofrem, sofri muito em consequência apenas dos erros dos adultos.
Paguei muito caro por males que não cometi!
Porém não tenho nenhum rancor de quem me abandonou.
Depois de tratado em um hospital, levaram-me para um orfanato onde só conheci tios e tias, pois foi assim que me ensinaram a chamar todos os que me cercavam.
Queria balbuciar a palavra mãe.
Mas, quem me ouviria? Ninguém!
Nas noites frias e geladas, quantas vezes estas palavras, ficaram entaladas em minha própria garganta. Se, em desespero, algumas vezes, depois de muito chorar, consegui com voz rouca e longínqua, pronunciá-las, perdiam-se elas na escuridão das noites solitárias e intermináveis.
Mas Tu, Senhor, que habitas no esconderijo do Altíssimo e moras nas fimbrias do infinito, me ouviste, enquanto os que estavam bem ao meu lado não me escutavam!
E Tu mandaste, quando tinha 3 anos, uma mulher que como anjo descido das tuas moradas, tomou-me para si e me amou, apesar do meu aspecto franzino e doentio e apesar dos meus modos, um pouco inadequados pois havia até então, crescido entre outras crianças que, como eu, também só conheciam tios e tias.
Que encanto, Senhor, foi poder chamar, pela primeira vez, alguém de mãe.
Esta palavra mágica agora me conduzia aos paramos da felicidade.
Com ela eu voava, até os castelos e idílios mais remotos dos sonhos, que uma criança podia sonhar.
Agora me parecia que todos os tios e tias do mundo sumiram e que, em toda parte, Tu [Deus] só fazias nascer mães.
Agora o sorriso de todas as faces, pareciam raios de sol fugentes e o gesto de todas as mãos pareciam salvas pejadas de amor.
Eu tinha renascido! Eu tinha revivido!
Agora, Senhor, só peço uma coisa: me dê forças para viver em permanente gratidão a Ti. (De Geração em Geração)

Autor desconhecido
Extraído ao boletim nº 185 de 08.05.2011 da IPI da Lapa



Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 12 de julho de 2011

A auto estima do seu filho

Cacau Waller

Por Milagros Pérez Oliva

Conseguir que os filhos tenham auto-estima elevada é um dos objetivos que se colocam muitos pais, mas nem sempre os métodos que utilizam para tanto são os mais adequados. Às vezes, querendo cultivar a auto-estima, o que fazem é fomentar a egolatria. A linha que separa a auto-estima da egolatria se origina nas primeiras relações que a criança tem com seu entorno.

Todos os pais querem que seus filhos sejam felizes e estão dispostos a fazer o possível para consegui-lo, mas muitas vezes tentam pelo caminho errado. Conscientes de que a base da felicidade está em uma boa auto-estima, muitos pais se preocupam em seguir estratégias que permitam cultivar a auto-estima dos filhos, mas às vezes erram o caminho e, em vez de uma criança feliz e equilibrada, acabam cultivando um ególatra, um pequeno tirano. Saber encontrar a linha divisória entre auto-estima e egolatria é um dos nós da psicologia evolutiva.

Dorothy Corkille, em "El niño feliz" (ed. Gedisa) , obra que já tem 31 edições, estabelece uma primeira diferença: "Auto-estima é o que cada pessoa sente por si mesma. Seu julgamento geral sobre si mesma, na medida em que sua própria pessoa lhe agrada. Auto-estima elevada não consiste em uma presunção ruidosa. É, sobretudo, um respeito silencioso por si mesmo, a sensação do próprio valor. Quando alguém a sente no fundo de seu ser, alegra-se por ser quem é. A presunção, em troca, não passa de uma capa delgada que cobre a falta de auto-estima. Aquele cuja auto-estima é elevada não perde tempo em impressionar os demais: sabe que tem valor".

Esse é o ponto de chegada, mas qual é o caminho? O caminho começa no próprio momento em que a criança abre os olhos e começa a ver o mundo. A psicanalista Isabel Menéndez afirma: "Entende-se por auto-estima que a criança tenha uma percepção de si mesma como alguém valioso e querido, especialmente pelos pais. Ela é construída quando os adultos acompanham a criança no crescimento, impondo-lhe limites, quer dizer, educando-a e formando sua personalidade. E fazendo-o com respeito, que consiste em não forçar a criança, mas sim motivá-la para que aja de determinada maneira".

"Auto-estima é a capacidade de estar bem consigo mesmo e com o entorno, em um sentido profundo, íntimo", acrescenta Lurdes Cestero, psicóloga clínica. "Às vezes se confunde auto-estima com egolatria. A egolatria é uma estima inflada, baseada em ouvir 'você é maravilhoso', 'você nunca tem culpa de nada'. Na realidade, o que a criança percebe é que seus pais negam suas verdadeiras necessidades, que no fundo a ignoram, com o que estão lhe dizendo que não tem valor."

As crianças nascem sem nenhum sentido do eu. Vão construindo-o conforme vivem, mas como constroem a idéia de si mesmas? Corkille utiliza uma metáfora muito bonita para explicar isso, a teoria dos espelhos: as crianças constroem sua identidade a partir das imagens de si mesmas que observam projetadas nos outros. O primeiro espelho no qual se olham é o olhar da mãe, o rosto do pai, as emoções que sua mera existência provoca neles. Os pais são um espelho psicológico no qual os filhos se vêem; vão se construindo por dentro em função do que observam de si mesmos no espelho que são os pais e as pessoas próximas.

Se percebem que são valiosos para seus pais, se sentirão valiosos. Mas o espelho é feito de um vidro emocional muito delicado. Não é feito só de palavras; por isso não basta dizer cem vezes à criança "eu a amo" se o espelho do olhar, da expressão, o discurso não-falado, o que nunca engana, diz outra coisa. "Para sentir-se completamente bem por dentro, as crianças precisam de experiências vitais que provem que elas são valiosas e dignas de serem amadas", diz Corkille.

"Os pais são o modelo para tudo, tanto pelo que dizem como pelo que não dizem, e principalmente pelo que fazem", acrescenta Cestero. Ela observou em seu consultório que o amor e a atenção geram um círculo virtuoso, às vezes em ambas as direções: "Em geral, se a auto-estima dos pais está bem, a da criança também costuma estar", explica. "Para alguns pais, o fato de ter um filho é um motivo para fazer uma grande mudança interior. O amor pela criança os ajuda a modificar coisas que não gostam em si mesmos. E se a mudança funciona e é gratificante, se consolida."

Mas a auto-estima pode se ressentir se a imagem que a criança percebe no espelho das pessoas das quais depende for distorcida ou negativa. "Às vezes a origem do problema é que os pais transferem para os filhos suas próprias insatisfações", explica Menéndez, e alguns, mais que amor, lhes dão consentimento. Os pais que, querendo dar amor, consentem tudo, não estão cultivando a auto-estima dos filhos, mas sua egolatria. "Uma criança ególatra é aquela que foi colocada num pedestal", continua.

"São crianças às quais não se impuseram limites e que acabam sendo tiranas. Pode haver tiranos porque os adultos dão demasiado ou porque dão muito pouco. Também há falta de auto-estima por excesso de proteção. A superproteção não protege realmente a criança. A mãe superprotetora é mais dependente do filho, este percebe isso e pede cada vez mais. Acredita que a mãe é todo-poderosa e pensa que todo mundo é assim e que está à sua disposição. Um ególatra é uma criança que não foi frustrada adequadamente no momento em que era preciso fazê-lo, e no fundo também pode haver um grande sentimento de abandono, porque deixá-la fazer o que quer é na realidade abandoná-la."

Muitos pais não sabem ou não levam em conta que impor limites a seus filhos é amá-los. "Muitas vezes, quando os pais não colocam limites, na realidade estão depositando seu próprio narcisismo no filho", afirma Menéndez. "São pessoas que se sentem frustradas por não poder fazer o que querem e compensam essa sensação deixando que seu filho faça o que quiser."

Cestero insiste na importância do princípio de aceitação e acompanhamento."Para que a criança se sinta valorizada, é muito importante diferenciar entre o comportamento da criança e a própria criança." Uma coisa é o que ela faz, algo que pode ser modificado, e outra o que ela é. Quando é corrigida, é preciso incidir sobre o que ela faz, sem questionar o que é. Ela é sempre amada pelo que é, mas é corrigida pelo que faz. É uma distinção sutil, mas de grande alcance. "É preciso dizer: 'isso que você fez não está certo', mas mantendo a conexão amorosa."

Essa distinção entre o ser e o fazer deve se refletir tanto na atitude quanto na linguagem. Não é a mesma coisa repreender uma criança que quebrou uma coisa dizendo-lhe que não deve pegá-la assim porque quebra, ou lhe dizer que é uma desastrada. Que uma coisa se quebre é um acidente, que alguém seja desastrado é um atributo que o define.

Menéndez descreve alguns dos sinais que podem alertar sobre a baixa auto-estima. Por exemplo, fazer constantemente coisas transgressivas só para chamar a atenção; ou a necessidade excessiva de destaque e de liderança também pode esconder uma criança narcisista com baixa auto-estima. "Como não se sente bem por dentro, tem necessidade de buscar constantemente a aprovação externa", explica. Isso também pode se expressar, no caso de crianças muito tímidas, na dificuldade para expressar seus sentimentos, em uma tendência a fechar-se.

O resumo seria que a auto-estima se constrói quando os pais apóiam seu filho com todas as suas conseqüências, seja como for, com as limitações que tenha, mesmo que não se adapte ao que eles esperavam. A criança deve perceber um amor incondicional, mas para que o perceba o amor deve ser efetivamente incondicional. Stanley Coopersmith, uma das referências em psicologia infantil, demonstrou com seus estudos que a auto-estima não tem a ver com a posição econômica da família, nem com a educação, nem com o lugar onde se nasce ou se vive. Não tem a ver com o nível educacional dos pais nem com o fato de a mãe trabalhar ou não. "Depende simplesmente da qualidade das relações que existem entre a criança e as pessoas que desempenham papéis importantes em sua vida", escreveu.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Aproveito para lembrar que os pontos levantados no texto sobre sentir segurança no que é e em sua importância também servem para a condição de adotado. Se os pais estão bem com esta realidade e expressam esta sensação, é muito mais fácil do filho também se sentir assim.

 
Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O "Psicologia e Adoção" no Facebook

Cintia Liana Photografy

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Por Cintia Liana

domingo, 10 de julho de 2011

Adoção e Cárcere

Google Imagens

Jaula em que menino dormiria media 90 cm x 55 cm x 76 cm
04.07.2011

Uma americana está sendo acusada de trancar o filho adotivo em uma jaula de cachorro à noite porque ele sujava a cama.

Kathlyn Anthony, de Old Saybrook, em Connecticut, disse à polícia que o menino “urinava e defecava no colchão a ponto de ele não poder mais ser usado” e que ela acreditava que ele “fazia isso de propósito”.
Anthony, de 54 anos, disse ainda ter procurado ajuda para lidar com o comportamento do filho diversas vezes, sem sucesso.

Segundo as alegações, ela teria passado a colocar o menino para dormir em uma jaula para cachorros medindo 90 cm x 55 cm x 76 cm no porão da casa da família por períodos de até duas semanas.

‘Armário de dormir’
Nos documentos apresentados no tribunal, Anthony chama a jaula de “cubículo” ou “armário de dormir” e afirma ter tornado o local “divertido” colocando bichinhos de pelúcia dentro dele.

Kathlyn Anthony adotou o menino quando ele tinha 3 anos de idade

Ela também teria dito a policiais que deixava a porta fechada, mas não trancada, uma versão que teria sido contestada por uma irmã do menino, que disse que ele “não conseguia sair quando dormia na jaula, porque a porta estava fechada e trancada”.

Segundo o jornal The Day, a situação foi descoberta depois que a irmã do menino disse na escola que estava cansada porque ficou levantando durante a noite para tirar o irmão de seu “armário de dormir”.

Documentos oficiais indicam que nas duas semanas desde que ele foi retirado de casa, o menino teria feito xixi na cama duas vezes e estaria tendo uma ótima semana, de acordo com informações do canal de TV WTNH.

A polícia de Old Saybrook não divulgou a idade nem o nome da escola que o garoto frequenta para proteger sua identidade.


Postado Por Cintia Liana

sábado, 9 de julho de 2011

Estatuto da criança chega aos 21 anos sem mobilização

Mandy Lynne

07 de Julho de 2011

A maioridade do Estatuto da Criança e do Adolescente, que completa 21 anos na próxima quarta-feira, 13, deve ser comemorada pelos avanços que representou, mas ainda há muita a ser concretizado. "O ECA foi um divisor de águas no sistema jurídico, antes existia o Código de Menores, que tratava a criança como um objeto", relata o juiz da Primeira Vara da Infância, José Dantas de Paiva, lembrando, no entanto, que muitas das ações ainda executadas remetem ao antigo código.

Divulgação
Com o Estatuto da Criança e do Adolescente - que completa 21 anos - garante direitos aos jovens brasileiros
De linhagem humanista, José Paiva atua e acompanha a implementação do ECA há décadas, e lamenta o fato da desmobilização que está ocorrendo no chamado Sistema de Garantia de Direitos. "Há uma inércia que vem desde o Conselho Nacional dos Direitos da Criança - Conanda até os conselhos estaduais e municipais que tratam das questões relativas a este universo", crítica, lembrando que recentemente lançou uma portaria tratando do acolhimento institucional de crianças, na qual ressalta a ausência de uma Política Estadual e Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e de Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, que devem ser elaboradas pelos Conselhos de Direitos estadual e municipais.

"Em outros momentos, havia uma mobilização maior", opina, acrescentando que muitos dos atores que participavam deste movimento junto a organizações não governamentais, hoje constam nos quadros do governo, a começar por Brasília. Com isso, o movimento foi perdendo força. "O ECA é uma lei quase perfeita, tivemos vários avanços, mas precisamos redimensionar o trabalho das ong´s e das organizações governamentais que trabalham nesta área", enfatizou.

Como pontos positivos, o Juiz lembra que hoje o adolescente que cometeu ato infracional pode acompanhar todas as etapas do seu processo, o que antes não ocorria. "Hoje eles conhecem mais os seus direitos", afirma, citando como exemplo a criação dos conselhos de direitos e tutelares, de delegacias e promotorias especializadas e tantos outros organismos de controle social, promoção e defesa dos direitos humanos das crianças e adolescentes. Ele cita a questão da adoção de crianças como simbólica. "Com o cadastro nacional, tornou-se muito mais fácil às crianças serem adotadas", disse.

A implementação do Sistema Nacional de Atendimento Sócio-Educativo e do Plano Nacional de Convivência Comunitária, entre outros, possibilitou novos olhares e metodologias para o trabalho de abrigamento. No entanto, enquanto a legislação avançou, a "retaguarda", como é denominada as organizações que executam as ações de atendimento, parece ter parado no tempo. "É preciso dar uma carga de animo nestas instituições, para que o trabalho avance", defende.

"Quem mais desrespeita são as autoridades"
Um dos resultados positivos obtidos a partir da implementação do ECA foi a implantação da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente, fórum qualificado que existe desde 2006, com a participação de mais de 120 entidades não-governamentais e governamentais, que abre espaço para discussão de temas significativos na área da infância, buscando estimular a definição de políticas publicas eficazes e eficientes, que estejam em sintonia com o desejo da sociedade. Em 2011 a Frente passou a ser coordenada pela vereadora Júlia Arruda.

A partir de reuniões com diversos representantes de segmentos que atuam na proteção e defesa da criança e do adolescente, além do controle social das políticas públicas, a Frente elaborou um plano de ação para os próximos dois anos, com uma agenda permanente de debates e maior interatividade com as comunidades, através de reuniões itinerantes.

Júlia observa que está traçando objetivos com coerência, respeitando o que foi feito, programado e está em andamento. "Entendemos que boa vontade, boas ideias e garra são importantes, mas não são suficientes. Por isso, acreditamos que é preciso consenso, diálogo, decisão em conjunto, participação", observa.

"Por acompanhar de perto tudo o que vem sendo feito, especialmente nos últimos dois anos, entendemos que muito avançamos, mas muito mais temos a contribuir para que tenhamos políticas públicas direcionadas, claras e práticas. Hoje quem mais desrespeita o ECA são as autoridades e estamos cobrando dos nossos gestores a devida atuação que nossas crianças precisam. Se de fato o ECA fosse cumprido, muitas falhas não estariam persistindo. É momento de comemorar, mas também de avaliar os erros", diz a vereadora.

Defesas
A Frente defende o direito à convivência familiar e comunitária, com o intuito de prevenir o abandono e não permitir que meninas e meninos fiquem esquecidos em abrigos. Também realiza forte trabalho contra a exploração sexual e pedofilia, com a aprovação de uma lei que estabelece a campanha permanente em transportes públicos sobre a temática, com a divulgação do disque denúncia (100).

A vereadora atua também no planejamento para uso dos recursos na educação e solicitou, por exemplo, que a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) desenvolva um Plano de Ação para regular o uso dos recursos do Fundo Municipal de Assistência Social no programa Creche Manutenção.

Atendimento socioeducativo é grande desafio
De acordo com o Levantamento Nacional do Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei, existem hoje no Brasil 12.041 adolescentes cumprindo medida de internação (o que representa um crescimento de 4,50%), seguidos de 3.934 em internação provisória e 1.728 em cumprimento de semiliberdade. A pesquisa, coordenada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), mostra que em 2010 houve uma quebra da tendência de queda no número de internações que vinha ocorrendo desde 2007. É absoluta a prevalência de adolescentes do sexo masculino em situação de cumprimento de medida socioeducativa de internação e em situação de internação provisória. O índice é de 94,94%%.

A Constituição Federal determina que as crianças e os adolescentes recebam tratamento prioritário por parte do Estado e da sociedade em geral. As determinações entre os artigos 112 e 130 do ECA), em vigor desde 1990, reafirmam a necessidade de oferecer atenção diferenciada a essa parcela da população quando envolvidas em atos infracionais.

Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, o Brasil ainda convive com graves violações de direitos nas unidades de internação socioeducativa. É fundamental avançar na definição de uma política de atendimento que garanta estruturas, procedimentos e recursos humanos e orçamentários adequados em todas as fases do processo, desde a prevenção, a captura, o julgamento e a ressocialização.

Levantamentos do Conselho Nacional de Justiça apontam ocorrência de graves violações de direitos nas unidades de atendimento, como ameaça à integridade física, violência psicológica, maus-tratos e tortura, além de negligência relacionada ao estado de saúde dos adolescentes.. Há ainda denúncias de jovens privados de liberdade em locais inadequados, como delegacias, presídios e cadeias.

A rede física atual, segundo o levantamento da SDH/PR, está composta por 435 unidades, sendo 305 para atendimento exclusivo de programas. A situação de precariedade é seria em muitas instalações, sendo mais evidente na região Nordeste onde a maioria dos estados apresentam superlotação com taxas acima da capacidade.

Propostas do SINASE
Com o objetivo de dar uma nova perspectiva ao cumprimento das medidas socioeducativas no Brasil, está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei 1.627/07, que institui o Sinase. A iniciativa, que tem como relator o senador Eduardo Suplicy, busca estabelecer um marco regulatório no País, organizando os princípios de natureza política, administrativa e pedagógica para o adequado funcionamento dos programas socioeducativos de atendimento ao adolescente em conflito com a lei.

Um dos principais focos da proposta é assegurar a co-responsabilidade da família, da comunidade e do Estado, articulando os três níveis de governo. Além disso, o Sistema busca estabelecer parâmetros nacionais que priorizem a execução de medidas em meio aberto em detrimento das restritivas de liberdade, a serem usadas em caráter de excepcionalidade.



Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Apadrinhamento Afetivo - Roberto Carlos Ramos

Elena Kalis

Roberto Carlos Ramos, um dos melhores contadores de história do mundo, fala sobre responsabilidade social e apadrinhamento afetivo.





Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Dimensões Familiares e Causalidade Circular

Beneath this Burning Shoreline

Por Cintia Liana Reis de Silva

Dimensões que cada família tem, que podem ser avaliadas na terapia familiar com instrumentos específicos de mensuração. *Hoje pesquisei 8 tipos de dimensões, de 8 autores diferentes.
Vejam abaixo quantas nuances guardam a família e suas relações:

Estrutura de poder
Grau de indiduação familiar
Capacidade de aceitar separação e perdas
Percepção da realidade, afeto
Conflito verbal e físico
Coesão e adaptabilidade
Capacidade de “Problem Solving” (resolução de problemas)
Organização e atmosfera emotiva
Comunicação
“Probelm Solving” (Resolução de problemas)
Papéis
Reponsividade afetiva
Co-envolvimento
Controle do comportamento
Relação, crescimento pessoal
Manutenção do sistema
Realização das funções familiares
Performance dos papéis
Comunição, expressão dos afetos
Valores e normas
Co-envolvimento emotivo familiar e críticas percebidas

*Referência:
Barow, W. James. Dare un senso alla diagnosi. Milano: Raffaello Cortina Editore, 2005.
Uma das teorias da terapia familiar:

*"Causalidade Circular"
A relação é feita de duas pessoas. Quando um filho tem um problema nunca este problema é isolado, normalmente envolve a responsabilidade dos pais e isso não e trata de culpabilizar nenhuma das partes.

Exemplo: A mãe é muito apreensiva porque a filha de 30 anos é irresponsável, a filha de 30 anos é irresponsável porque a mãe é muito apreensiva.

Se uma das duas muda o comportamento a outra muda também, por mais que o sistema insista em se manter o mesmo, mesmo que num padrão adoecido. Com a mudança de uma das partes o sistema familiar tenta se reequilibrar dentro de outro funcionamento, o importante é buscar um relacionamento saudável e respeitoso, onde todos possam ser adultos sem manipulações.

A filha entra em colisão com a sua mãe - numa tentativa de romper com o padrão que pode ter sido herdado de outras gerações, o que chamamos de padrão transgeracional - fazendo um divórcio emocional, tentando se diferenciar, ganhar espaço para amadurecer. A filha entra em crise emocional, adoece psicologicamente mas, posteriormente, se recupera e adquire uma autonomia do pensar, no sentir e agir por si mesma, como um adulto responsivo.

O que a mãe pensava que seria ruim e que a afastaria da filha só serviu para fazer da filha mais forte e responsavel diante de sua própria vida. A mãe tem que deixar a filha crescer e esta segunda tem que querer crescer.

*Meus ensaios de Terapia Famíliar para o "Psicologia e Adoção"

Por Cintia Liana

domingo, 3 de julho de 2011

Criança permanece com família adotiva mesmo sem consentimento da mãe biológica

House of Philia

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a permanência de uma menina com seus pais adotivos, mesmo tendo sido constatado que a mãe biológica foi forçada a entregar a filha para adoção. Os ministros da Terceira Turma entenderam que o interesse da criança deverá prevalecer na disputa entre as duas famílias e decidiram que o melhor para ela é continuar com a família adotiva, que desde seu nascimento, há quase nove anos, supre suas “necessidades materiais e afetivas para uma vida digna”.

A mãe biológica entregou a filha para adoção logo que nasceu, afirmando que não possuía condições financeiras para criá-la. Um mês depois, um casal requereu a adoção da criança, fruto de uma relação incestuosa entre a mãe, menor de idade na época, e seu padrasto. Na ocasião, o casal recebeu a guarda provisória da menor. Quatro meses depois, a mãe biológica se retratou quanto às declarações de que queria entregar a filha, revelando que apenas consentiu com a adoção porque foi coagida por seu pai.

Com a retratação da mãe, o Ministério Público do Distrito Federal requereu a anulação de todo o processo de adoção e a marcação de nova audiência. Os pais adotivos sustentaram que desconheciam os fatos relatados por ela e insistiram na adoção, mas concordaram em ouvir novamente a mãe. A Seção de Adoção da Vara da Infância e da Juventude emitiu laudo informando que a mãe biológica parecia empenhada em “estabelecer uma aproximação física e afetiva com a filha” durante as visitas, mas ao mesmo tempo a menina desfrutava de “todo carinho e atenção” na convivência com os pais adotivos.

A sentença foi favorável à adoção, ao entendimento de que a mãe biológica não dispunha de condições materiais e psicológicas para cuidar da filha e lhe propiciar cuidados semelhantes aos que ela estava recebendo da família adotiva – embora tenha sido esclarecido que as condições financeiras não eram requisito único para fundamentar a decisão.

A mãe biológica interpôs recurso no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que reconheceu a coação para entrega da criança e considerou que o longo tempo em que a menina esteve com a família adotiva não poderia prevalecer sobre o direito de a mãe criar sua filha. Segundo o acórdão, a adoção de criança ou adolescente que possua pais conhecidos depende da anuência dos genitores, exceto se desprovidos do poder familiar: “Essa condição emerge do direito natural que é assegurado aos pais de terem consigo os filhos e dirigir-lhes a educação, e, em contrapartida, do direito natural resguardado aos filhos de serem criados e educados no seio da sua família biológica.”

Interesse da criança

Os pais adotivos entraram com recurso no STJ. A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, afirmou que “as disputas que envolvem guarda ou adoção de criança sempre vêm envoltas em muitas e múltiplas emoções, que opõem genuínos direitos e interesses, e não se pode pretender solver querela que trate da adoção por singela aplicação pura e literal da lei” – sob pena, segundo ela, de se “vulnerar o princípio do melhor interesse da criança, cuja intangibilidade deve ser preservada”. Sendo assim, a ministra considerou que os direitos dos pais adotivos e da mãe biológica não deveriam prevalecer sobre o direito primário e maior da criança, à qual deveriam ser asseguradas condições mínimas de desenvolvimento sociopsicológico.

Citando trecho do acórdão do tribunal de segunda instância, a ministra destacou que a menina não conhece outra referência familiar a não ser os pais adotivos, os quais, mesmo com três filhos e já com certa idade, se dispuseram a assumir a condição de pais de uma criança com a qual não possuem laços consanguíneos.

A relatora disse que a menina, “nesse período, além de construir todos os vínculos emocionais inerentes a um grupo familiar, também adquiriu suas noções próprias de crenças, hierarquia, autoridade, respeito, compartilhamento, deveres e direitos e todos os demais elementos de formação cultural”. A ministra afirmou ainda que a entrega da guarda da menina à mãe biológica custaria a “sofrida necessidade de readaptação” a valores e costumes diferentes daqueles constituídos desde seu nascimento.

A Terceira Turma acompanhou a relatora de forma unânime. “Não se ignora o sofrimento da mãe biológica da adotanda, nem os direitos que lhe são inerentes – frutos de sua maternidade –, porém, nem aquele nem estes são esteio suficiente para se fragmentar a família de fato da menina e colocá-la em verdadeiro limbo emocional, afastando-a de suas únicas referências de amor, solidariedade, conforto, autoridade, em suma, desligando-a daquela que sempre foi a sua família”, afirmou a ministra Nancy Andrighi.

O número deste processo não é divulgado em razão de sigilo.


Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Preconceitos étnicos ou raciais impedem a adoção

Senza Frontiere ONLUS

ROMA - Os casais italianos que, ao apresentarem o pedido ao juiz para a adoção internacional, manifestarem o desejo de só querer adotar crianças de determinadas etnias, devem ser declarados candidatos incapazes, determinou o Tribunal de Cassação (a máxima instância judicial do país), cujas sentenças são inapeláveis.

O Supremo confirmou assim as recomendações do Ministério Público, que em abril passado pediu a retirada de toda e qualquer referência sobre a etnia das crianças nos decretos de adoção, com base no caso de um casal siciliano que só queria adotar crianças de origem europeia.

O citado tribunal foi ainda mais longe, ao afirmar que o juiz não só deve recusar a emissão de decretos de adoção discriminatórios, como questionar a própria capacidade do casal de se candidatar à adoção, com base em seus preconceitos étnicos ou raciais.

Em resumo, os que querem somente crianças do tipo "europeu" não tem as credenciais para desempenharem os papeis de mãe e pai.

Além disso, o Supremo Tribunal insistiu na necessidade dos serviços sociais formarem adequadamente os casais que iniciam os procedimentos de adoção internacional, orientando-os para "uma consciência mais profunda da natureza mais solidária e menos egoísta da opção de adoção e prevenir opções com conotações discriminatórias".

Com o apoio psicológico, acrescenta o Supremo, é possível ajudar os casais a superarem as dificuldades em aceitar "uma criança que não espelha sua própria imagem", ou o medo daqueles que rejeitam a criança "diferente" por temerem "fenômenos de xenofobia que ameaçam a futura integração social da criança e criem nela problemas de adaptação".

Em todos os casos, o citado tribunal não admite a possibilidade dos casais manifestarem preferências por "determinadas características genéticas" da criança desejada. Até porque todas as crianças abandonadas já têm uma história "profundamente atormentada" e, mais do que as demais, precisam de pais e mães "dotados de uma sensibilidade muito particular".

Fonte: Ansa Latina


Ao invés de aceitar o preconceito e maquiar a prática da adoção vamos mudar tudo! Nós é que temos que ensinar.

Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sem má fé

Justiça reconhece o melhor interesse da criança em caso de adoção direta

Villa Koenig

Quarta-feira, 29 de junho de 2011

Uma criança adotada de forma direta, porém tendo os pretendentes a adotá-la obedecido todos procedimentos legais ao formularem o pedido, ganhou o direito de permanecer com a família adotiva, pois o relator do processo, desembargador Roosevelt Queiroz Costa, considerou o melhor interesse da menina para indeferir (negar) a apelação do Ministério Público (Apelação Cível nº 0031520-11.2009.8.22.0701).

O MP alegou que a sentença do Juízo do 1º grau, que deferiu o pedido de guarda provisória, afrontou preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente, pois a adoção não atendeu a ordem da lista do Cadastro Nacional de Adoção. Apontou ainda que a conduta dos requerentes foi irregular, pois mesmo inscritos na lista, buscaram adotar uma criança de maneira direta, auxiliando a mãe biológica durante a gestação, a fim de que esta lhe entregasse a criança por ocasião do nascimento.

Mas o relator do voto, ao examinar as provas, concluiu que o caso se enquadra no artigo 166 do ECA, que diz que se os pais tiverem aderido expressamente ao pedido de colocação em família substituta, este poderá ser formulado diretamente em cartório, em petição assinada pelos próprios requerentes, dispensada a assistência de advogado.

Além disso, o desembargador, baseado em jurisprudência do próprio Tribunal de Justiça de Rondônia e tribunais superiores, entendeu que a permanência da criança na família substituta atende ao interesse da criança, "fator que prevalece sobre a rigidez da ordem da lista".

Mencionou ainda na decisão que os demais aspectos exigidos pelo Estatuto foram cumpridos. A mãe biológica, já com dois filhos, abriu mão do terceiro de forma definitiva. Ela relatou em depoimento que o pai não quis assumir a paternidade, pois é casado e tem família constituída.

O laudo da psicóloga que acompanhou o caso também atesta que não houve má fé dos requentes ao ajudar a mãe biológica, pois foi a própria gestante que pediu a uma terceira pessoa que procurasse o casal para que ficasse com o bebê. Quando o mesmo nasceu, os requerentes procuraram os órgãos competentes e foram orientados a registrar a criança em nome da mãe biológica, para só então requerer o pedido da adoção.

"Por tudo o que consta dos autos, não subsistem motivos para reformar a sentença, visto que, os requerentes reúnem condições de proporcionar cuidados favoráveis a um desenvolvimento saudável da criança, acrescentando a possibilidade de manutenção de vínculos fraternos, por meio da convivência com os irmãos biológicos, o que dentro da vivência de separação da mãe biológica pode representar um vínculo estável", concluiu o magistrado.

Fonte: TJ-RO


Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Hoje é o Dia da Família

Por Marcionila Teixeira
Recife, domingo, 15 de maio de 2011
Data celebrada mundialmente terá programação no Morro da Conceição
Documentarista Cynthia Falcão com os familiares: todos no mesmo "barco".
Imagem: Helder Tavares/DP/D.A Press

A documentarista Cynthia Falcão, 40 anos, é daquelas mulheres que fazem questão de buscar os filhos na escola e de fazer programas junto com toda a família nos finais de semana. Para ela, família é a base de tudo, por isso seus membros têm que se ajudar, estar em um “barco só” para enfrentar os problemas e comemorar os momentos felizes. Neste domingo, o mundo todo celebra um dia pouco lembrado em Pernambuco, o da Família, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1993. Pela primeira vez, uma entidade pernambucana promove um evento para lembrar a data. Será um encontro na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Morro da Conceição, no Recife, a partir das 10h. O evento acontece com 35 famílias do local e é promovido pelo Instituto Integrado de Apoio à Família (IAF).

“Imagine quantas pessoas têm problemas emocionais e de enfrentamento de dificuldades por conta de uma família desestruturada?”, questiona Cynthia Falcão. Seja qual for o grupo familiar, é ela quem fortalece e ensina, defende Cintia Liana, psicóloga e especialista em família e adoção. “No futuro, o comportamento do jovem dependerá em boa parte deste contato saudável com as primeiras figuras de apego. Por isso que é importante crescer emocionalmente antes de se ter um filho e não se tornar pai e mãe para só então se tornar um adulto.”

A psicóloga ressalta que não existe um modelo ideal de família. “As pesquisas mostram que filhos adotados e filhos de homossexuais não têm mais problemas ou dificuldades que os outros. O que gera problemas é o abandono, a rejeição, a indiferença, a falta de compreensão, de amor e isso é algo que vemos também nos lares constituídos por pais biológicos e heterossexuais”, comenta.

Reflexão e diálogo

No encontro do morro, profissionais do IAF farão palestras sobre a importância da família e dinâmicas de grupo para movimentar as apresentações. “A família está precisando se rever como um todo, trabalhar a relação. Família é a gente com quem se conta”, destaca a terapeuta familiar Helena e Mello, fundadora do IAF. O centro funciona na Avenida Visconde de Suassuna, 871, em Santo Amaro, com atendimento de famílias e casais. No espaço são incentivadas a reflexão, a valorização do diálogo e a avaliação dos papeis no casamento. Como a entidade não tem fins lucrativos, os preços dos atendimentos são abertos à negociação com os pacientes.


Postado Por Cintia Liana

domingo, 26 de junho de 2011

Mesmo com mãe e avó, criança é listada para adoção

Emma English Home

Sábado, 25 de julho de 2011
Por Pedro Canário

Mesmo tendo mãe e avó, uma criança foi incluída pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nos cadastros de adoção nacional e internacional. A corte entendeu que a mãe, presa, não tem condições de cuidar da filha. Já a avó, possível guardiã, não tem interesse na guarda da menor. A decisão, unânime, seguiu voto do relator, desembargador José Carlos Paes, que confirmou sentença da primeira instância. A mãe havia recorrido.

A mãe foi presa por tráfico de drogas e, “desde adolescente, é envolvida com consumo de drogas”, segundo o Ministério Público do Rio. O órgão fez o pedido para que a guarda fosse tirada. Ela cumpre pena no Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ). O MP ainda pediu que a mãe fosse multada, o que foi indeferido.

Para a autora do recurso, a avó tinha interesse e plenas condições financeiras para cuidar da criança. A mãe também afirmou que o juiz de primeira instância queria puni-la por causa de sua “condição social inferior”.

Ouvida pelo TJ-RJ, a avó deu “declarações contraditórias”, segundo o relator. Ela disse que tinha interesse em cuidar da criança, desde que fosse inscrita em programas de benefícios sociais, mas recusou todos os programas sugeridos. Depois, disse que não tinha condições financeiras de cuidar da menina, ao contrário do que sua filha dissera.

Também questionado no TJ fluminense, o marido da avó disse que ela não tinha tempo para cuidar da criança, pois passava o dia inteiro trabalhando como empregada doméstica. Declarou, por fim, que a menina não seria aceita em sua casa.

José Carlos Paes negou o caráter social da sentença, argumentando que “o que se defende, acima de tudo, é o interesse da criança, que não recebeu os cuidados necessários durante sua gestação”. A manutenção da sentença, segundo Paes, serviu para “resguardar crescimento seguro e saudável a uma criança que, em razão de um infortúnio, restou desabrigada do seio familiar”.

O desembargador disse ainda que os problemas sociais da mãe “não podem servir de justificativa” para que “não sejam asseguradas condições saudáveis para o desenvolvimento”. Para ele, a intenção “não é afastar a criança de sua família pobre, mas sim protegê-la do abandono em que, na verdade, se encontra desde os primeiros dias de vida”.



Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Dos oito aos 18 anos, a espera em um abrigo

Depois de quatro anos fora do orfanato, jovem volta à instituição para buscar a irmã

Júnior Milério, especial para o iG São Paulo | 31/05/2011 07:37

Foto: Eduardo Cesar / Fotoarena
Dayara e sua irmã, no dia em que conseguiu a guarda provisória da caçula

CONHEÇA A SÉRIE "ESPERA"

Esperar é a rotina de toda criança que vive em um abrigo. Normalmente, esta condição acaba quando uma família pretende adotá-la. Mas muitas nunca são adotadas e são obrigadas a deixar o abrigo assim que chegam à maioridade. A espera, nesses casos, vira uma contagem regressiva. No caso da atendente de caixa Dayara Cristina Apolinário Amaral Pereira, 22, a espera durou dez anos, dos oito aos 18 anos, período em que viveu no Centro Educacional à Criança e Adolescente (CECA), de onde saiu há quatro anos.

Dayara é a segunda filha de oito irmãos. Uma de suas irmãs, sete anos mais nova, recebeu seus cuidados desde que era bebê. “Quando nasceu eu já cuidava dela. Eu tinha sete anos, mas era comigo que ela ficava”, diz.

Em 1997, Dayara conta que “um dos pais dos meus irmãos maltratava a gente e, por decisão judicial, fomos para um abrigo”. A ida tinha data e hora marcada. Mas, com oito anos de idade, ela tomou a primeira de algumas decisões. Decidiu fugir antes mesmo de chegar ao orfanato. A saudade da irmã mais nova, no entanto, impediu que a fuga durasse muito tempo. “Fugi, mas logo voltei e procurei pelo abrigo. Não consegui ficar longe dela”, conta.

Adoção
A partir de então, a espera de Dayara foi um pouco diferente da de muitas das outras crianças na mesma situação que ela. Isso porque o anseio por ter condições de cuidar oficialmente da irmã foi mais forte até do que o pela possibilidade de ser adotada. Ela diz que chegou a recusar três pedidos de adoção, e que não se arrepende de ter renunciado o que poderia ter “tornado a vida mais fácil”. “Eu tinha nove, dez e 12 anos quando quiseram me adotar, mas eu não deixaria minha irmã no orfanato.” A determinação por um objetivo que dependia dela, e não de pretendentes a adoção, ajudou a amenizar a angústia e a sensação de impotência.

O convívio com as pessoas do CECA proporcionou o que Dayara chama de “várias famílias”. “No orfanato, apesar de tudo, a gente não tem contato com muitas coisas ruins, como por exemplo, decepção com as pessoas”.

Foto: Eduardo Cesar / Fotoarena
Quatro anos depois de deixar o abrigo, Dayara volta para buscar a irmã mais nova

O laço familiar ininterrupto com a irmã e a possibilidade de estudar fora do orfanato ajudou com que os dias passassem menos devagar para Dayara. A vida escolar mantida fora da instituição teve ainda outra contribuição: um namoro. O romance começou entre 15 e 16 anos. Quando atingiu a maioridade, ela, diferentemente de muitos jovens na mesma situação, tinha para onde ir: o namorado virou marido e eles foram viver juntos.

Foto: Edu Cesar / Fotoarena
Dayara e a irmã deixam o abrigo em São Paulo

A vida fora do abrigo
Casar, separar e realizar um sonho são experiências já vividas por Dayara fora do abrigo. “Aqui fora, meu relacionamento não era como eu tinha imaginado, e então decidi que era melhor terminarmos”, afirma. E, para Dayara, “a partir do fim do meu casamento é que está sendo possível viver e conhecer o que existe aqui fora”.

Mas o desejo pela guarda da irmã cresceu ainda mais desde sua saída. E, em meio a este fim, ela foi presenteada com o começo de uma nova fase. “Depois de quase quatro anos tentando a guarda dela, que hoje está com 14 anos, finalmente eu consegui. Por enquanto é provisória, ela fica comigo por 180 dias.” E este será mais um período de espera ansiosa, mas que Dayara acredita que vai superar. “Para quem já aguardou dez anos para sair de um orfanato, 180 dias vão passar rápido. E acredito que posso ganhar a guarda permanente dela”.

A irmã é tímida, mas já tem planos para a nova vida que começa treze anos depois da experiência no orfanato. Pensa em ser fotógrafa, modelo e gosta de sapatos de salto alto. Enquanto isso, Dayara, que nasceu em pleno dia 25 de dezembro e afirma que passou vários aniversários esquecidos, confessa em segredo que “no ano que vem, quero oferecer para ela o que não tive: uma festa de 15 anos”. Vai valer esperar.


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 21 de junho de 2011

Marca comunicação lança versão estendida do segundo filme da campanha "Adoção - Laços de Amor"

Foto da grande amiga Cacau Waller

Sexta, 17 de Junho de 2011

Uma semana depois da estreia do segundo filme da campanha, sobre adoção inter-racial, a Marcca Comunicação lança a versão com 4 minutos e 42 segundos. Filmado em um parque com Marli e Nélio Osaida, pais adotivos, e Fernanda, a filha adotada há 10 anos, o curta mostra como a adoção depende apenas de amor – o casal já possuía dois filhos adolescentes quando optaram por adotar Fernanda.

A campanha Adoção – Laços de Amor é uma parceria entre os órgãos Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Ministério Público, Tribunal de Justiça (através da Corregedoria Geral de Justiça) e OAB-SC e tem por objetivo sensibilizar a população para a adoção tardia. Através de anúncios, filmes e redes sociais, a agência trabalha com quatro temas: adoção tardia, de grupo de irmãos, especial e inter-racial. O primeiro filme está no canal AdocaoSantaCatarina no Youtube, e tratou da adoção tardia de grupo de irmãos mostrando a família Pereira. Nas duas semanas iniciais da campanha, o canal teve mais de 1500 acessos.

Assista às duas versões do filme da família Osaida:



Versão estendida: http://www.youtube.com/watch?v=dWtU6iW1LTU



Ficha técnica:
Direção de arte: David Sousa e Luiz Soutes
Redação: Flávio Augusto e João Cláudio Lins
Direção de Criação: David Sousa
Atendimento: Glauce Lotti e Flavio Jacques
Mídia: Carolina Paiva e Greyse Vieceli
Produção: Natália Góes
Planejamento: Letícia Pacheco e Bruno Sá
Direção de arte on-line: Fernando Schuh
Foto: Michel Téo Sin
Diretor de Fotografia: Rubens Angelotti e Guilherme Meneghelli
Editor: Paulo Calazans
Trilha: Ricardo Fujii
Diretor: Fábio Fernandes
Produtora: Cinnema Produções de Filmes



Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Presidente Dilma adere à campanha "Adoção - Laços de Amor"

Mandy Lynne

A Presidenta da República, Dilma Rousseff, ficou encantada com a campanha “Adoção-Laços de Amor” e literalmente vestiu a camiseta. Dilma foi presenteada pela deputada Ana Paula Lima (PT) por um kit contendo diversos materiais de divulgação da campanha, que tem como objetivo reduzir o número de crianças em casas de acolhimento do Estado através do estímulo à adoção de crianças mais velhas. O ato aconteceu nesta tarde, em Blumenau, antes da solenidade de inauguração de 580 novas moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida.

“Assim que a presenteamos, imediatamente ela (Dilma) vestiu a camiseta com o nosso slogan e posou para fotos realizadas pela equipe da Presidência”, contou a deputada. Entusiasmada com a campanha, Dilma disse que conversará com sua equipe sobre a possibilidade de uma campanha nacional, inspirada no trabalho que vem sendo realizado em Santa Catarina. Além da camiseta, o kit presenteado continha um DVD com o video institucional, adesivos, bottons, pin e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

A campanha é realizada em parceria por Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Ministério Público, Tribunal de Justiça (através da Corregedoria Geral de Justiça) e OAB-SC.






Postado Por Cintia Liana

sábado, 18 de junho de 2011

Adaptação e adoção de uma criança maior

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

Existe a grande ilusão e a insegurança em achar que só com um bebê irá sentir amor, que a chegada do bebê poderá se assemelhar ao máximo com o parto e será mais fiel aos meios e ritos “naturais” de se ter um filho. A verdade é que para se amar um ser como filho não depende em nada de idade ou cor de pele, depende somente da abertura para essa relação e do desejo para que ela aconteça e tome forma. Essa é a opinião profissional de quem já acompanhou mais de 3000 casos de adoção.

Podemos dizer que os maiores desafios antes de adotar uma criança mais velha são os preconceitos e mitos que essa prática envolve. Crenças de que a criança já esteja tranzendo traumas vividos na família de origem e na instituição de onde vem, que já tragam hábitos ou vícios cotidianos difíceis de serem “retirados”. Medo de que a criança não se adapte ou que não reconheça os adotantes como “verdadeiros” pais, que os rejeite ou queira voltar para os pais de origem.

Os adotantes têm medo de serem abandonado, mas devem olhar para o medo da criança em ser abandonada pela segunda, terceira, quarta vez, como pode ocorrer. Algumas pessoas têm o discurso de que querem “moldar” o filho que chegará, mas não pensam que ele fará de tudo para ser aceito dentro de suas possibilidades e que aceitará os novos pais como são.

Todos os envolvidos na adoção se sentem ansiosos e nervosos, afinal é um “parto”, nasce uma nova família, tudo se recria, mas na realidade o sujeito mais frágil nesta situação é a criança, que está em desenvolvimento e com muito medo de crescer no desamparo, desamparo este que só causa sofrimeto e dor, essa criança precisa sentir segurança em quem está adotando-a.

Existem muitas "vantagens", se é que podemos chamar assim, em se adotar uma criança mais velha, por exemplo, elas desejam conscientemente uma família, já sabem que vêem de uma outra família, mas que por algum motivo não puderam permanecer com ela e precisam de pais substitutivos, estão dispostas a se doar e a amá-los como nunca, elas querem acreditar que é possível sentir segurança, que desta vez ela será amada e que ela é digna desse amor.

Por Cintia Liana

Livro da Psicóloga Cintia Liana sobre o percurso de construção da família através da adoção e seus aspectos psicológicos
Para comprar ou visualizar:
http://www.agbook.com.br/book/43553--Filhos_da_Esperanca
(2ª Edição - 2012)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Justiça libera adoção para casal homossexual em Patos de Minas

Mandy Lynne

Por Ana Clara Brant

Publicação: 26/05/2011

Em tempos de luta pelos direitos dos homossexuais, reforçada pelo recente reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da união estável entre pessoas do mesmo sexo, decisão do Tribunal de Justiça de Minas (TJMG) oficializa mais uma prerrogativa dessa parcela da população. Por unanimidade, o TJ aprovou a adoção de um bebê por duas mulheres de Patos de Minas, uma analista de sistemas de 39 anos e uma advogada de 33.

Segundo o advogado Abelardo Mota, que representou as companheiras, é a primeira vez na história de Minas Gerais que um casal em união homoafetiva consegue adotar uma criança. “A singularidade do caso foi ressaltada pelo relator do processo. Isso comprova que o direito vem caminhando com a sociedade no que diz respeito à evolução das relações interpessoais. É sem dúvida um grande avanço”, comentou.

A decisão trouxe ao mesmo tempo angústia e emoção para as duas mães. A analista, que vive com a advogada há 12 anos, conta que nunca havia cogitado criar um filho, mas quando ficou sabendo de um recém-nascido que estava disponível para adoção, não pensou duas vezes. “Ele nasceu no Dia das Crianças, 12 de outubro de 2008, e 24 horas depois a gente ficou sabendo que poderia ser adotado. Entramos com o pedido, mesmo sem conhecê-lo. Foi um processo de dois anos e meio, mas valeu a pena”, ressalta.

Desde bebê, o menino passou a conviver com a nova família, e a nova mãe acredita que esse fator foi levado em conta pelos desembargadores. “A decisão mostrou uma evolução do Judiciário e visou ao bem-estar da criança, que é o principal nessa questão. O menino está com a gente desde que nasceu, somos a família que ele conhece e com que convive desde então. Por isso, seria justo que ele ficasse com a gente. Estamos no auge da discussão dos direitos dos homossexuais e esse caso veio acrescentar nesse sentido”, opina a analista de sistemas.

Ela também ressaltou os argumentos do relator do processo. “Ele lembrou que, quando começou sua carreira jurídica, há 30 anos, certamente sua decisão seria outra. Mas hoje, com tudo o que anda acontecendo, não poderia tomar melhor atitude do que a que foi tomada. Foi uma vitória e uma euforia muito grande. Nunca desistimos e não imaginamos nossa vida sem essa criança. Ele está conosco praticamente desde que nasceu e ficará eternamente”, comemorou.

Agora, o casal aguarda a decisão ser publicada no Diário do Judiciário para poder registrar a criança. “Vamos ter um fenômeno jurídico na certidão de nascimento do menino, que é a dupla maternidade, pois vai constar o nome das duas no registro. Mas ainda temos que esperar o prazo da publicação para que isso possa se concretizar”, disse o advogado Abelardo Mota. Como o caso corre em segredo de Justiça, por envolver um menor, o Tribunal de Justiça não dá informações sobre a decisão.


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 14 de junho de 2011

Conselheiros ressaltam importância do dia nacional da adoção no STJ

Mandy Lynne

25/05/2011
Por Luiza de Carvalho

“Meu depoimento é como mulher e mãe: estou convencida de que o amor de pai e mãe é uma conquista diária e é incondicional”. Com essas palavras, a ministra Eliana Calmon, Corregedora-Nacional de Justiça realizou a abertura do evento em comemoração ao Dia Nacional da Adoção, realizado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Para a ministra é muito importante que o Estado se empenhe em dar uma família para crianças que não tiveram a ventura de serem recebidas em uma família organizada, e esta é a intenção do Cadastro Nacional de Adoção. “Precisamos fornecer aos juízes a ferramenta adequada para obter com segurança e rapidez os dados necessários nos processos de adoção”, diz a ministra. Na opinião do conselheiro do CNJ Paulo Tamburini, o CNJ tem feito um grande esforço para a causa das crianças e adolescentes, em cumprimento à Carta Constitucional.

Criado em 2008, o Cadastro Nacional da Adoção atualmente demonstra que há 4.583 crianças e adolescentes à espera de um novo lar no Brasil, e há 26.938 pais e mães que desejam adotar. “Foi um grande trabalho fazer algo extremamente simples, uma ferramenta que dá oportunidades infinitas para pais encontrarem crianças”, diz o conselheiro Paulo Tamburini. Na opinião dele, é preciso debater com a sociedade problemas que puderam ser visualizados após a criação do cadastro, como o fato de a maioria dos pretendentes a adotar estabelecerem a preferência por uma criança da raça branca. “A adoção não é um supermercado em que se escolhe a compra, a maioria dos pretendentes sofre de EUGENIA, quer crianças perfeitas”, diz o conselheiro.

Durante o evento, foram exibidos filmes como vídeo feito pelo Projeto Aconchego, que mostra pais que adotam crianças com síndromes mentais e físicas, e que estão muito satisfeitos com a adoção, ou mesmo pais que aceitam adotar crianças que não são mais bebês. “Quando um tribunal superior como o STJ se coloca à disposição de realizar um evento como esse e participar de uma política pública importante como a adoção, está chamando a atenção da sociedade para a seriedade do tema”, diz a ministra Eliana Calmon.

Agência CNJ de Notícias

EUGENIA
Do fr. eugénie (v. eu- e -genia).]
Substantivo feminino. 1.Med. Ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie humana. [Cf. eugênia, s. f., e Eugênia, antr.]


Postado Por Cintia Liana