"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A importância dos vínculos afetivos no desenvolvimento e nas dificuldades de aprendizagem

Google Imagens

Por David Léo Levisky


O desenvolvimento das funções psíquicas, entre elas o aprendizado, depende de questões ligadas ao equipamento biopsicológico, e ao investimento afetivo dessas funções.
 
Aprender tem origem latina: “ ex-ducere” - colocar para fora, um processo que vem do interior para o exterior. Entende-se interior o mundo mental, interno, dos afetos, das emoções, dos sentimentos, dos pensamentos, sonhos e fantasias. São elementos que constituem a subjetividade individual, cada vez mais singular na cultura contemporânea. Considero aprendizado o desenvolvimento de um conjunto de funções cognitivo-afetivas que envolvem processos e sistemas neuropsicoafetivos e sócio-culturais que participam da vida adaptativa do sujeito ao meio e às suas necessidades, dentro dos seus limites, na busca de maior autonomia. São sistemas interligados que sofrem influências externas tanto do ambiente físico quanto do psicossocial. Tais sistemas se estimulam de forma recíproca e adquirem no decorrer do processo de desenvolvimento relativa autonomia funcional que depende de capacidades integrativas das experiências objetivas e subjetivas do sujeito.

Nesta oportunidade não serão abordadas as dificuldades de aprendizagem decorrentes de causas orgânicas congênitas ou adquiridas (seqüelas traumáticas ou infecciosas), mas aquelas decorrentes de distúrbios relacionais ao nível dos investimentos afetivos durante o desenvolvimento da criança.

A clínica psiquiátrica de orientação psicanalítica põe em evidência dificuldades de aprendizado, global e específica, como conseqüência da vida relacional, não raro, a partir das primeiras relações afetivas ou, até mesmo antes do nascimento e, em função do imaginário dos pais e do meio circundante. Distúrbios neuroperceptivos pré-existentes contribuem na organização e na dinâmica das dificuldades relacionais. Nos processos precoces de desenvolvimento e no estudo dos seus desvios torna-se difícil determinar qual fator teve início primeiro. De qualquer forma, são situações interdependentes que demandam atenção global e não apenas voltadas para as dificuldades específicas.

As dificuldades de aprendizagem podem ter causas específicas que levam a problemas emocionais emocionais. Mas o inverso também é verdadeiro, questões psicoemocionais gerando dificuldades específicas. As dificuldades de aprendizado podem ser a expressão de sintomas de conflitos psíquicos inconscientes decorrentes de inibições, repressões, cisões, projeções, ansiedades, fobias que interferem nos processos de simbolização e de representação. Há casos cuja dificuldade de aprendizagem é conseqüente à não aquisição ou à aquisição deficitária ou distorcida na construção do mundo interno, da organização egoica e superegoica, das vicissitudes da vida pulsional. São fenômenos que interferem nos processos de simbolização, ligados aos mecanismos de defesa do ego, à estruturação do self, ao processo de identificação, às características das relações objetais e à baixa tolerância às frustrações.

As dificuldades de percepção e de discriminação que se manifestam precocemente ou durante a vida escolar de modo a interferir na pedagogia formal e no comportamento como expressão de conflitos inconscientes que afetam as funções egóicas, inclusive a organização do pensamento, a leitura e a escrita, a compreensão e a expressão do mundo simbólico. Lembrar sempre que estamos falando de seres em desenvolvimento cujas funções estão em processo de estruturação biológica e funcional. Todos nós temos a experiência de ter passado por momentos de angústia e sentido sua interferência na percepção do mundo interno e externo. São situações que afetam a capacidade de pensar, de analisar, associar. Uma criança que sofra estados repetitivos ou crônicos de ansiedade, e mesmo de angústia, pode resultar em perturbações na apreensão da realidade interna e externa bem como na organização de respostas catárticas ou elaboradas.

Regressões, fixações, organizações defensivas caracteriais, inibições interferem no desenvolvimento psicopedagógico e comprometem o desenvolvimento das potencialidades agressivas, destrutivas e reparadoras, da criatividade, da capacidade de brincar e das capacidades instrumentais da criança, podendo se cristalizar.

Para um desenvolvimento adequado das potencialidades psíquicas, e, portanto, das funções ligadas ao aprendizado, é fundamental a existência de um bom vínculo inicial parental por meio do qual se estabelece o sentimento de confiança básica. A qualidade das relações afetivas interfere no desenvolvimento dos processos biológicos, na mielinização, no desenvolvimento das terminações sinápticas, nas defesas imunológicas, no ganho pôndero-estatural, por exemplo. Através da relação dual mãe-bebê, acrescida da função paterna complementar às necessidades de sustentação das funções maternas e determinante no processo de triangulação, o bebê terá condições para desenvolver o que Winnicott chamou de espaço transicional no qual a cultura, o conhecimento e o aprendizado terão lugar. Dependendo das características de desenvolvimento e resolução desta triangulação, exemplificada pela elaboração da relação simbiótica entre o bebê e sua mãe com a separação proporcionada pela entrada do terceiro elemento, o pai é que se estabelecem as noções do eu, tu, ele; a percepção do espaço bi e tridimensionais fundamentais para a formação e o desenvolvimento da atividade simbólica, da linguagem em suas diferentes formas de expressão.

Winnicott mostra a importância do espaço, do objeto e dos fenômenos transicionais para o desenvolvimento dos elementos simbólicos e consequentemente da cultura. A capacidade simbólica pode ser compreendida “como a capacidade de experimentar a perda do objeto e o desejo de recriá-lo no interior de si mesmo dão ao indivíduo uma liberdade inconsciente na utilização dos símbolos; o fato de que o indivíduo a experimenta como uma de suas próprias criações permite-lhe sua livre utilização. A formação do símbolo reina sobre a capacidade de comunicar, pois toda comunicação é feita através de um símbolo”(Hanna Segal, 1957).

Viver o espaço da ilusão e da realidade, usar, brincar, fantasiar, confrontar experiências a partir do contato com o objeto real externo, a mãe ou sua representante afetiva, inicialmente representada pelo corpo materno, são as bases para o aprendizado criativo.

Os distúrbios da aprendizagem se manifestam, com frequência, sobre aquelas funções em franco desenvolvimento por estarem recebendo maior investimento afetivo. Distúrbios de orientação têmporo-espacial, por exemplo, pode ser uma decorrência da falta de sincronismo nos ritmos existentes na relação mãe-bebê ao perturbar a capacidade de continência das tensões emocionais.

Para o diagnóstico das dificuldades de aprendizagem não basta uma coleta cuidadosa dos sintomas e da história do paciente. É preciso diagnosticar a qualidade das relações emocionais do presente e do passado-presente, isto é, dos aspectos infantis presentes nas relações. Assim, será possível, levantar hipóteses sobre a existência de fatores psicológicos e emocionais na organização psíquica do sujeito. Não basta conhecer a criança. É fundamental compreender a criança que está na cabeça dos pais e os pais que estão na cabeça da criança: expectativas, papéis, fantasias, condições sócio-culturais e emocionais mesmo antes do nascimento e, principalmente, durante os primeiros anos de vida.

A compreensão da dinâmica familiar interfere na constituição do espaço interno e na formação e desenvolvimento dos objetos representativos dos afetos e do mundo exterior. Tais elementos participam do processo de aprendizagem e da dinâmica na mediação entre o sujeito e o mundo ao seu redor. Ansiedades existentes na relação do casal ou num dos pais é apreendida pela criança interferindo e mobilizando fantasias ou mesmo perturbando o desenvolvimento de funções como dar e receber, unir e separar, dividir e multiplicar, experimentar ou evitar a experiência emocional.

A aquisição do aprendizado e do conhecimento depende da capacidade para suportar tensão e frustração na aquisição do novo. Portanto, é fundamental que se tenha a preocupação de procurar entender a gênese do fenômeno: se as dificuldades apresentadas pela criança são expressão de conflitos emocionais da criança, da família, do meio sócio-cultural ou uma resultante de um conjunto no qual a criança é o emergente, o sintoma de uma rede complexa de relações perturbadoras que interferem no processo de aprendizagem.

Não se pode avaliar as dificuldades de aprendizagem desvinculada dos processos relacionais familiares e sócio-culturais com o risco de se fragmentar o sujeito e favorecer o desenvolvimento de sentimentos de exclusão.

Para ilustrar estas questões complexas que envolvem as primeiras relações afetivas e a aprendizagem apresentarei o caso de um rapaz de 15 anos. As inúmeras dificuldades sociais e de aprendizagem conduziram-no a se submeter à psicoterapia psicanalítica e ao um trabalho psicopedagógico, complementares entre si.

João é muito tímido, aspecto frágil e aparenta um ar deficitário. Envergonha-se ao fazer algo errado. É repetente por duas vezes. Desde o início do primeiro grau necessitou de reforço pedagógico. Suas dificuldades escolares se intensificaram na quinta série, em desenho geométrico, depois em matemática e ciências. Relaciona-se, de preferência, com crianças menores. É motivo de gozação entre os colegas. Primogênito e único homem de uma prole de 3 filhos. Tem pouca iniciativa. Mantém-se distante das irmãs e pouco se relaciona com o pai, mais descontraído quando em companhia da mãe. Queixa-se de pesadelos após filmes de terror, apesar de sentir grande atração. Imagina-se futebolista profissional no futuro, mas não tem tenacidade. Desiste ao ter de enfrentar dificuldades, mesmo as mais comuns. Tem poucos colegas e não se mantém em grupo. Suas qualidades esportivas não correspondem às suas expectativas. É motivo de agressão entre os colegas. Inúmeros medos. Fez várias tentativas de tratamento psicoterápico e psicopedagógico com resultados medíocres. Apresenta-se dependente e com pouca autonomia. Quer sempre agradar e tem pavor de errar. O envolvimento afetivo é superficial e não demonstra grande curiosidade cognitiva. Seu ritmo é extremamente lento, sem energia. O conteúdo adquirido é de forma mecânica. Não apresenta déficits de compreensão, manejos gramaticais ou semânticos; bom vocabulário ativo, denotando dificuldades para a “metalinguagem”, isto é, para explicar o significado das palavras. Acentuada disgrafia. A leitura é adequada quanto a entonação, expressividade, velocidade e pontuação. Sua visão dos fatos é rígida e não reflexiva, com pouca mobilidade do pensamento. A elaboração oral é melhor do que a escrita. Dificuldades de análise e síntese.

Em sua história de vida existem fatos relevantes que permitem suspeitar da importância da qualidade dos vínculos precoces na relação mãe-bebê-família. A sucessão de situações traumáticas resultou na vivência angustiante e catastrófica de sua relação com o mundo, com as novas experiências. O paciente, muito esperado, nasceu num ambiente de alta expectativa intelectual. Os pais, durante o período gestacional, estavam muito preocupados com a mudança para o exterior, dedicando-se pouco à gravidez. Surgiram graves conflitos entre o casal. Por ocasião do seu nascimento a mãe entrou em importante quadro depressivo. O período adaptativo no exterior foi muito difícil, o mesmo ocorrendo no retorno para o país.

Tudo isto para reproduzir o texto de Winnicott intitulado “Tudo começa em casa” no qual aborda a importância das primeiras relações afetivas na constituição do sentimento de ser e das possibilidades para o desenvolvimento das potencialidades psíquicas. Só existe um bebê lá onde existe o outro para lhe dar significado. É através de trocas complexas entre mãe e bebê que se organiza um continente psíquico no qual poderão emergir e evoluir as potencialidades psíquicas construtivas, destrutivas e reparadoras. O uso pelo bebê do objeto afetivo, seguido de frustrações adequadas, permite prazer e desprazer em níveis suportáveis para o bebê possa integrar e modular aspectos contraditórios e sintônicos do self. Esse processo evolutivo depende da capacidade de ilusão e de desilusão, elementos participativos do processo de simbolização. Ele ocorre por ocasião da incorporação e projeção dos objetos do mundo interno (símbolos representativos dos objetos reais e concretos da vida afetiva do bebê). Por meio desses processos iniciais adequados, da continência afetivo acolhedora o bebê desenvolve conhecimento e aprendizado concomitantes ao processo de identificação, imitativos e criativos, re-significados pelos pais e meio ambiente, durante os sucessivos intercâmbios que ocorrem na vida relacional.

Bibliografia
Levisky, D.L.: “ Algumas contribuições da psicanálise à psicopedagogia” In Scoz (org) Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação profissional Porto Alegre Artes Médicas 1992

”Ética, psicanálise e responsabilidade social na educação” trabalho apresentado no “El umbral del milenio” Lima-Peru 15 a20 abril de 1998 Sociedad Psicoanalítica del Peru.

Levisky,R.B. “Possíveis relações entre a psicodinâmica familiar e o processo de aprendizagem” Psicopedagogia – Avanços teóricos e práticos –escola-família – aprendizagem. Anais do V Congresso Brasileiro de Psicopedagogia São Paulo Vetor editora psico-pedagógica Ltda. Pag.272-279. 2000.

Segal, H.: “Notes on symbol formation”Int. J. Psychoanal.38, 391-397 1957

Agradeço a colaboração de Tânia Maria Campos Freitas que realizou a avaliação psicopedagógica deste caso.

David Léo Levisky


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Bebê abandonado é devolvido aos pais em Conceição do Jacuípe

A polícia suspeita que a criança tenha sido abandonada no mesmo dia em que nasceu

Foto: Divulgação/Assessoria PMCJ

Criança voltou aos cuidados dos pais

Redação CORREIO

O bebê que foi abandonado pela mãe em maio deste ano em Conceição do Jacuípe, na região de Feira de Santana, já está em poder dos pais biológicos, segundo confirmou nesta segunda-feira (29) a Secretaria de Assistência Social da cidade.

Segundo informações do Acorda Cidade, na última semana um exame de DNA confirmou que a pequena Sofia Vitória é de fato filha do casal que se apresentou buscando sua guarda - a mãe é suspeita de ter abandonado a criança.

O juiz Isaia Vinicius de Castro Simões, da Comarca da cidade, decidiu devolver a criança para a família estabelecendo compromissos e critérios que preferiu não detalhes, alegando que o caso corre sob segredo de Justiça. A Secretaria vai acompanhar se a criança está sendo bem cuidada com a família e a guarda ainda não é considerada definitiva.

Antes de ser entregue aos pais, Sofia estava sob cuidados de uma família da cidade.

Caso
A recém-nascida foi encontrada na porta de uma casa em Conceição do Jacuípe, a 97 km de Salvador, e levada para o Hospital Antônio Carlos Magalhões, de onde recebeu alta no mesmo dia.

O bebê foi deixado na porta da casa de Alexandra Cerqueira, 28 anos, que chamou a polícia, responsável por encaminhar a menina para o hospital.

Em depoimento para a TV Subaé, Alexandra, que 'deu' o nome Sófia Vitória para a criança, disse que está feliz pela menina não correr mais riscos e lamentou o ocorrido. "É muito triste, é uma situação que nunca pensamos que pudesse acontecer. Eu vou acompanhar ela por todos os lugares que passar daqui em diante”, diz.

A polícia suspeita que a criança tenha sido abandonada no mesmo dia em que nasceu, pois ainda estava suja de sangue e com o cordão umbilical.



Postado Por Cintia Liana

domingo, 28 de agosto de 2011

Licença de 90 dias para pai adotivo

Mandy Lynne

Recife, sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Decisão inédita do TJPE atendeu a pedido de técnico judiciário que está com filho de quatro meses

Por Raphael Guerra

Justiça de Pernambuco concedeu, pela primeira vez, uma licença de 90 dias para um pai adotivo cuidar do filho em tempo integral. O pedido foi feito por um técnico judiciário. Um pai solteiro que adotou um bebê de apenas quatro meses. A lei prevê 15 dias para pais adotivos e 5 dias úteis para os biológicos. A decisão inédita do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) se baseou em outros três casos semelhantes que aconteceram na Bahia, Rondônia e São Paulo.

Para o presidente do TJPE, desembargador José Fernandes de Lemos, o prazo de 15 dias é curto para o contato e adaptação entre pai e filho. Na decisão judicial, ele se respaldou nos três casos já conhecidos. “Quando uma criança é adotada, principalmente em idade tão delicada, precisa de uma atenção especial nos primeiros meses de vida. Esse acompanhamento, efetivo e afetivo, vai ser determinante para toda a sua vida”, justificou.

A decisão do desembargador foi publicada no Diário Oficial de ontem. O técnico judiciário comemorou a decisão com o filho. “É da natureza humana o desejo pela procriação. Mas, para mim, a razão de procriar não está apenas baseada na genética, e sim no amor imensurável e incondicional ao outro”, disse.

O doutor em psicologia social Benedito Medrado, da ONG Instituto Papai, afirmou que a decisão inédita demonstra a importância que o homem também exerce na criação dos filhos, principalmente aqueles com poucos meses de vida. “O Brasil está acostumado a seguir dois modelos organizacionais: heteronormativos e da família nuclear. Isso significa que o cuidado infantil é de responsabilidade exclusiva da mulher. Dessa forma, os direitos do pai estão sendo negados”, argumentou. Segundo a lei, quando um casal tem um filho, a mãe tem de 120 a 180 dias de licença. “O prazo de cinco dias para os homens é muito curto. A mulher precisa de ajuda na divisão das tarefas”, disse Medrado.

Como o filho adotivo já tinha quatro meses de vida, o tempo de licença paternidade para o técnico judiciário foi reduzido à metade, como exige a lei. Por e-mail, o novo pai resumiu o tamanho do amor que já sente por um filho que acabou de “nascer” na vida dele: “exercer o papel de pai e mãe não é tarefa fácil, mas quando há amor é extremamente prazeroso. A cada dia um aprendizado diferente. É voltar no tempo e relembrar as cantigas cantadas por nossos pais”.

Campanha
Com a decisão do TJPE, a ONG Instituto Papai pretende mobilizar a sociedade civil e os deputados federais para que uma lei seja aprovada e os homens tenham direito ao mesmo tempo de licença maternidade que atualmente é concedido às mulheres. No Congresso Nacional, tramitam pelo menos dez projetos para aumentar a licença paternidade para 15 ou 30 dias. “Queremos 180. Já estamos em contato com nossos advogados para discutir o assunto”, contou Benedito Medrado.


Recife, sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Entrevista com Dr Luiz Carlos Figueirêdo, Coordenador da Infância e Juventude de Pernambuco
Por Raphael Guerra

“O direito é igual para todos”
Quais argumentos embasaram a decisão para que um pai solteiro tivesse três meses de licença para cuidar do filho adotivo?

Se a interpretação fosse literal, o pai só teria 15 dias de licença. Se fosse um casal, bastaria a mãe ter direito aos 90 dias para se dedicar à criança. Mas, nesse caso inédito, a decisão é importante pois o pai precisa de um tempo maior para cuidar do filho, já que ele é solteiro. Ele assume o papel de mãe também. Precisa de adaptação da criança. A decisão do presidente do Tribunal de Justiça (de Pernambuco) é uma jurisprudência administrativa. Não está escrita em nenhuma lei. É baseada em casos semelhantes de outros estados. Outra novidade é que o beneficiário possui um cargo comissionado. Nos outros casos, o funcionário era efetivo.

O TJPE tem observado o interesse de pais e mães solteiros em adotar crianças?

Sim. O TJPE não cobra que a adoção seja feita apenas por um casal. Pode ser realizada por pessoas solteiras, desde que elas passem por todo o processo comum de adoção no Juizado da Infância ou na comarca do município. O tempo de conclusão do processo varia bastante de um estado para o outro. Há algum tempo, ninguém imaginava um pai solteiro adotando uma criança. Hoje, a lei está mais aberta, mais ampla. O direito é igual para todos os cidadãos.

O processo de adoção tem se tornado mais simples?

Existem várias etapas que os pais precisam passar durante o processo. Eles preenchem uma ficha e apresentam uma série de documentos. Depois precisam se submeter a entrevistas com especialistas, entre eles psicólogos e assistentes sociais. Precisamos identificar se este homem não é um pedófilo, por exemplo. Atualmente, os pais adotivos ainda passam por um treinamento obrigatório.


Postado Por Cintia Liana

sábado, 27 de agosto de 2011

Texto de Cintia Liana em homenagem ao dia do psicólogo

Cintia Liana em entrevista

Parabéns a todos os psicólogos, sobretudo àqueles que amam a profissão e se dedicam com a "alma".

Por Cintia Liana Reis de Silva
Publicado em 10 de março de 2010 no blog Fina Presença

Dar conselhos não é profissão, conselhos se dá de graça

Dando continuidade às reflexões sobre o que sofrem os psicólogos com a falta de informação do que seja tal profissão, tenho outra consideração a fazer.
Já ouvi a frase: “ela era a psicóloga e eu é quem estava dando conselhos”. Essa frase é tão estúpida que chega a ser engraçada.
Para dar conselhos basta abrir a boca (sei que existem pessoas que nos iluminam com suas palavras em determinados momentos) e para ser psicólogo se deve estudar 5 anos, fazer pós graduação, psicoterapia e outros tantos estudos para não cair na mediocridade.

Em primeiro lugar psicólogo não dá conselhos, “ele te dá uma lanterna, para você achar o caminho meio a escuridão que pode estar instalada em determinado momento, em determinada situação”.
Se essa pessoa soubesse um pouquinho da complexidade desta profissão jamais diria tal besteira.
Vou mostrar então um pouquinho desta complexidade.

Para ser um psicoterapeuta precisa-se ter em mente não só a necessidade da neutralidade, mas prioritariamente o entendimento de que neutralidade absoluta não existe. O psicólogo não é uma caixa preta, livre da subjetividade, ao contrário. Gonzáles Ray (apud SILVA, 2008) explica que ele faz parte do cenário. O que faz dele competente não é a neutralidade, é a consciência do lugar dele naquele cenário, como ele pode funcionar ali da melhor forma e ajudar o paciente a se dar conta do que é necessário para o seu crescimento.

É indicado que o psicoterapeuta faça terapia não só por que precisa experimentar o caminho da subjetividade, da transpessoalidade, sentir que existe um grande material inconsciente, mas também para saber qual é o seu lugar dentro de cada história, como cada história que ouve o toca, se toca, por que e como pode entender isso. Ou seja, além de ser uma busca da subjetividade é um reconhecimento da vivência desta subjetividade.

Existe a modalidade “aconselhamento psicológico” dentro da área, mas ainda assim não se trata conselhos. O profissional, no geral, auxiliará a pessoa a achar o caminho mais maduro, dentro de um sentido maior da situação, que será processado no sething terapêutico.

Na psicoterapia ninguém te dirá em como fazer nada e nem se baseará em tuas experiências pessoais, pois o psicólogo não faz isso, por mais que suas experiências o tenham ajudado a construir o seu self. O profissional conhece um conjunto de seus pressupostos teóricos, epistemológicos, é cuidadoso e sensível à sutileza das características singulares da subjetividade, onde podemos encontrar o passado e o presente e todos os aspectos da existência. (SILVA, 2008)

No sething o profissional pode auxiliar “na integração de elementos de sentido e de significação que caracteriza a organização subjetiva de um âmbito da experiência do sujeito, ação, construção, história, transações e trocas sociais e cultura como configurações subjetivas da personalidade. É um complexo de articulações e possibilidades contraditórias e processos de ruptura. Está ligado à diversidade de questões presentes no sujeito cotidiano, irregular.” (SILVA, 2008)

Ele terá consciência dos mecanismos de defesa do paciente, de algumas memórias anteriores relatadas, ajudará a fazer livres associações, a enxergar sua sombra, reforçar aspectos positivos, entender os padrões, te situar dentro dos grupos, dos sistemas, ver tua função e papéis em que está assumindo dentro da cada grupo e muito, muito mais.

Então por favor, dê conselhos, mas não desqualifique o psicólogo que te ouve. Por mais que sejam bem vindos em alguns momentos e que alguns amigos o façam com muito boa intenção, nos ilumine e que eles ajudem bastante, mas a verdade é que os conselhos falam muito mais da gente do que de qualquer outra coisa, mesmo que ajudem. Não pagamos por conselhos e nem precisamos estudar para aconselhar ninguém.
Com todo respeito às outras profissões, mas ainda temos que ouvir que manicure é meio psicóloga, aquela certa amiga também, a secretária, o taxista... O mundo é repleto de gente que quer ouvir uma história interessante, transformar algumas em fofoca e dizer o que acha para se sentir mais sábio. O mundo está cheio de “achismos” também. Para se ajudar alguém e atendê-la em seus questionamentos e anseios é preciso ter noção da grande responsabilidade disto, de respeito pela vida alheia e da necessidade de preparo adequado.

Se a profissão de psicólogo se resumisse em dar conselhos, ouvir e em ser experiente nem existiria faculdade para isso e nem as diversas especializações, era só esperar uma boa idade chegar e se intitular tal profissional.

Fecho com um pensamento de Hermann Hesse que resume tudo isso:
"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo.
Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.
Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."

Referência: (Meu livro)
Silva, Cintia L. R. de. Filhos da Esperança: Reflexões sobre família, adoção e crianças. Rio de Janeiro: Agbook, 2011.

Por Cintia Liana

Ode à minha filha

Sabem? Eu tenho uma mãe terapeuta floral e artista. Artista no melhor sentido da palavra. É especialista em arteterapia Junguiana também. Brava terapeuta, eu tenho o maior orgulho dela.
Para quem tem curiosidade sobre minha vida pessoal, posso dizer que não sou filha adotiva, mesmo sendo apaixonada pelo tema família e adoção.
Minha mãe, em seu segundo livro publicado este ano, dedicou duas poesias a mim e uma delas publico agora.
Obrigada mãe! Te amo tanto...! Você é linda!

Cintia Liana Por Hudson Matos
Foto usada no livro em tecnica de xilogravura

Ode à minha filha

Ela é uma flor?
È o amor?
È uma poesia?
È um pássaro
Voando?

Como é linda essa mulher!

Ela é a esperança?
È a alegria?
É a ternura?
É a fada
Madrinha?

Como é linda essa mulher!

Ela é o encanto?
È a magia?
É a doçura?
É a energia
Que contagia?

Como é linda essa mulher!


Freitas, Walkíria de Andrade Reis. Brincando de Fazer Poesia. Rio de janeiro: Agbook, 2011.
Seu outro livro. Arteterapia em Consultório: http://www.agbook.com.br/book/25954--ARTETERAPIA_EM_CONSULTORIO


Postado por Cintia Liana

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Médico adota paciente encontrado em corredor de hospital

Gente, que história linda!

Cacau Waller

Por Leilane Menezes
Publicação: 21/08/2011

"Ele, mesmo sofrendo, era feliz. E, de alguma maneira, me dizia que eu também podia experimentar amor e felicidade", Benedito Fernandes Pinto, sobre o filho adotivo, João Paulo.

O menino descabelado e ofegante superou as dificuldades físicas e correu em direção ao homem de jaleco branco, no corredor do hospital. Abraçou as pernas do doutor como se o conhecesse de longa data. Nunca haviam se visto antes. Mesmo assim, de imediato, reconheceram-se. O pequeno paciente, como quem encontra água no deserto, chamou o atencioso médico de pai. Assim, sem explicação. Os dois, mesmo sem saber, iniciaram naquele momento uma relação para a vida toda.

A criança é João Paulo. Aparentava ter 1 ou 2 anos quando o internaram pela primeira vez. Havia sido, como todos acreditavam, a princípio, abandonado em Taguatinga pela família. Foi parar no Hospital Universitário de Brasília (HUB), com severos problemas de má-formação do intestino. Ali, em um corredor de 20 metros de extensão, passou os primeiros meses de vida na companhia de voluntários e especialistas em saúde. No mesmo local, saiu da situação de abandono e viu o rumo da vida mudar.

O médico agarrado pelo menino é Benedito Fernandes Pinto, à época com 64 anos, morador da Asa Norte, quatro filhos adultos e divorciado. O encontro entre os dois personagens tão diferentes dessa história real era improvável, mas ocorreu. Depois disso, doutor Benedito tornou-se o pai adotivo de seu paciente João Paulo. A adoção, porém, não ocorreu de imediato.

Foram necessários meses até que Benedito compreendesse que a ligação entre ele e João Paulo era definitiva. “Eu tinha mais de 60 anos, um marca-passo no peito e morava sozinho. Adotar não passava pela minha cabeça”, lembrou. Benedito e João se conheceram quando uma voluntária do HUB convidou o médico — que, além de trabalhar no local há mais de 40 anos como ginecologista, é voluntário em outras áreas — para “dar uma olhada” em João Paulo.

Benedito já havia se acostumado às mazelas humanas. Ainda assim, comoveu-se com a imagem sofrida, porém forte, de João Paulo. “Fui tocado pelo olhar dele, que me convidava a uma grande e surpreendente viagem. Ele me transmitia: ‘Olhe bem nos meus olhos, olhe forte e veja. Eu tenho um problema, mas não sou um problema’. Nele eu vi tolerância, generosidade, solidariedade e compaixão. Ele, mesmo sofrendo, era feliz. E, de alguma maneira, me dizia que eu também podia experimentar amor e felicidade.”

Admiração
O médico não encarou a situação com pena, nem viu nela uma maneira de fazer caridade. “Eu só pensei que aquele menino tão resistente, que sobreviveu mesmo quando tudo dava errado para ele, precisava de uma oportunidade. Ele era admirável.” Durante três anos, João Paulo continuou no hospital. Enquanto o processo pela guarda do menino corria, Benedito podia levá-lo para passear no Zoológico e no Jardim Botânico, por exemplo. Matriculou-o em uma escola particular, que João frequentava, mesmo internado.

João chegou a morar em um abrigo mantido por uma organização não governamental (ONG). Lá, podia ser visitado pelo doutor. Tinha também uma “mãe social”, uma mulher eleita pela ONG para desempenhar o papel materno. Somente quando o garoto completou 4 anos, passou a morar de vez com Benedito. “João Paulo não veio morar comigo, eu é que fui viver com ele e para ele”, ressaltou o médico. A mãe social, nos primeiros anos, morou com os dois, na Asa Norte.

Histórico
Quando decidiu adotar João Paulo, Benedito procurou conhecer as raízes do menino, a família biológica dele. Antes disso, já descobrira que os pais de João não haviam abandonado o menino por falta de amor, como se acreditava no início. Em um dia de desespero, o pai biológico de João, um homem simples e analfabeto, enrolou a criança nascida doente em uma manta. Saiu da pequena comunidade de Riacho da Serra Branca, na Bahia, rumo a Brasília, em uma ambulância emprestada pela prefeitura de outro estado, à procura de tratamento para o filho.

Chegando aqui, o pai se assustou com a cidade grande. “Eles não tinham como se sustentar. Iam ficar na rua. O pai deixou o filho no hospital e transferiu para o Estado a responsabilidade sobre ele. Mas deixou a Certidão de Nascimento e contatos da família. Hoje, vejo que foi um ato corajoso de amor para salvá-lo”, analisa Benedito. Os pais de João não se opuseram à adoção. O médico viajou até a Bahia, quis conhecer a família do menino. Chegando lá, lembrou-se da própria infância, em Minas Gerais.

“Eles viviam em uma cabana de palha, em uma situação crítica. Não teriam condições de cuidar de João Paulo. Lembrei-me de quando eu era criança e morava em um lugar parecido. Meus pais eram trabalhadores rurais. Trabalhei desde pequeno. Depois, fui porteiro de hotel e muito mais. Só assim, consegui me formar médico”, contou, emocionado.

A partir daí, Benedito se identificou ainda mais com João Paulo. Quando o menino completou 10 anos, foi levado para a Bahia, de volta às suas origens, mas somente a passeio. Hoje, João tem 15 anos. Cresceu saudável. Está no 8º ano da escola. Com a ajuda de professores e acompanhamento adequado, conseguiu se desenvolver. O adolescente é grato ao pai adotivo. “Sempre penso: ainda bem que a gente se encontrou. Quero crescer, ter filhos e ser um pai como ele é para mim”, afirmou.

Benedito e João Paulo deram lar um ao outro. Quando criou os filhos biológicos, o médico trabalhava 18 horas por dia. Ofereceu-lhes conforto, estudos, viagens e amor. Mas somente hoje o doutor diz compreender inteiramente o papel de um pai. “João Paulo me ensinou que existem necessidades mais subjetivas. Com ele, eu reparei os meus erros.”

Benedito usa uma história atribuída ao pintor Michelangelo para explicar a relação construída com João Paulo. “Contam que Michelangelo, ao ser questionado sobre como esculpiu a Pietà (imagem da Virgem Maria com Jesus morto nos braços), respondeu: ‘Nada especial. Ela estava em um bloco de mármore, eu só fiz desbastá-lo e ela se revelou’. Assim é meu papel com meu filho: criar oportunidades para que ele se revele. Em pouco tempo, me dei conta de que João também me esculpia. Hoje, decididamente, não sou a mesma pessoa de antes”, revela.



Postado Por Cintia Liana

domingo, 21 de agosto de 2011

Crianças adotadas cedo não levam vantagem em relação às adotadas tardiamente, diz pesquisa

Beneath this Burning Shoreline

18/08/2011

Estudo também mostrou que filhos adotados e não adotados apresentam mesmas queixas

No sucesso de bilheteria Bruna Surfistinha, estrelado pela atriz Deborah Secco, a personagem Raquel sofre com o complexo de inferioridade e com os deboches do irmão mais velho por ser adotada. A adolescente deixa a casa e a superproteção dos pais para cair em um mundo de drogas e prostituição.

Embora a história seja uma autobiografia, ela não reflete a realidade da maioria das famílias que têm crianças adotadas. Essa foi uma das conclusões tiradas em pesquisa de mestrado em Psicologia Clínica da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), orientada pela professora Maria Lúcia Tiellet Nunes (a pesquisa não tem relação com o filme).

Com base em prontuários de 316 meninos e meninas atendidos em clínicas-escola de Porto Alegre, a mestranda Andrea Kotzian Pereira investigou se havia diferenças nas queixas apresentadas por crianças adotadas e não adotadas no momento em que buscam atendimento psicoterápico. Do ponto de vista estatístico, a pesquisadora não encontrou diferenças significativas entre os dois grupos.

— Existe uma ideia de que crianças adotadas têm dificuldades devido à condição. Mas as queixas que mais apareceram foram em relação à agressividade e aos problemas de aprendizagem e atenção, nos dois grupos — conta Andrea.

O comportamento agressivo é a reclamação que mais aparece nos tratamentos entre adotados e não adotados (29,1% e 26,6%, respectivamente), seguido de problemas de atenção (20,2% e 17,7%). Os prontuários que integram a pesquisa são de crianças entre um ano e meio e 12 anos.

Além desse resultado, a pesquisa aponta para o fato de que as crianças adotadas mais cedo não levam vantagem em relação às adotadas tardiamente. Andrea acredita que o que interfere são as questões mais constitucionais, genéticas, e vê uma mudança na forma como o tema vem sendo tratado:
— Antigamente, a questão da adoção ficava como um segredo e, na maioria dos casos, era ilegal. Há um movimento no sentido de ser algo mais falado, mais exposto. Quando a criança não tem muito clara sua história, sua origem, é difícil para ela aprender outras coisas.



Postado Por Cintia Liana

sábado, 20 de agosto de 2011

Adoção isenta cobrança de IPTU

Beneath this Burning Shoreline

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011
Por Nathan Figueiredo

A 2ª Vara de Execução Fiscal Municipal e Tributária de Natal sentenciou e o Tribunal de Justiça manteve a condenação sobre o município, que deve reconhecer o direito de uma contribuinte à isenção de IPTU, que é aplicada para quem adota ou assume a guarda de uma criança carente. A sentença foi baseada na própria lei Municipal 117/1997, artigo 1º.

Desta forma, a sentença definiu que cobrança de IPTU deverá ser mantida enquanto a autora da ação for proprietária do imóvel e nele residir com a filha adotiva, desconstituindo-se, por consequência, todos os créditos e certidões de dívida.

A decisão no TJRN também ressaltou que, ao contrário do que argumentou o município, não existe inconstitucionalidade na Lei Municipal nº 117/94, já que o dispositivo não afronta norma constitucional.

“De fato, a nossa Carta Magna, ao dispor acerca das "Limitações ao Poder de Tributar", em seu art. 150, prevê a permissão de que os Municípios possam legislar sobre isenção tributária, por intermédio de lei específica, não havendo qualquer distinção entre os poderes, aos quais compete a sua iniciativa”, ressaltou o relator do processo no TJRN, o juiz convocado Dr. Guilherme Melo Cortez, em substituição ao desembargador Osvaldo Cruz.

De acordo ainda com o relator, a Constituição Federal ampliou a aplicação da extrafiscalidade, como forma de estímulo social à adoção de criança ou adolescente em situação carente e de abandono, não havendo que se falar em inconstitucionalidade.
Apelação Cível nº 2010.014180-2



Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Senza Frontiere visita a SIS

A Senza Frontiere na Sociedade Irmãos Solidários

A Senza Frontiere Visitando a Sociedade Irmãos Solidários. Uma amizade que gerará bons frutos para muitas crianças e adolescentes que moram no surbúrbio de Salvador. A Senza Frontiere também trabalha com sustento a distância de criança que têm famílias. [As imagens são devidamente autorizadas pelos pais].

Aproveitamos a estadia no Brasil para conhecer de perto os trabalhos da SIS e estudar como podemos contribuir da Itália.

Essas são algumas das crianças beneficiadas pela SIS, dirigida pela querida Lúcia Mascarenhas, que faz um belíssimo trabalho de ajuda a toda a comunidade há mais de 11 anos. Junto à ela trabalha uma equipe muito humana e empenhada composta também por voluntários.


Por Cintia Liana

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Adoção e paternidade

Cacau Waller

No próximo domingo se comemora o dia dos pais e paternidade é uma relação afetiva que liga a criança ao outro, ao mundo externo. O pai, diz a psicologia, é quem dá o limite, o contorno do diferente. Hoje, garantem os psicólogos, os homens estão mais conscientes do seu papel e buscam cada vez mais atuar na construção psico-afetiva dos filhos, não apenas sendo o provedor do sustento como já foi no passado.

Esse desejo de cuidar se reflete também na adoção. A psicóloga Soraya Pereira, presidente da ONG Aconchego que há 15 anos trabalha com a adoção no Distrito Federal, diz que o homem, quando toma a decisão de adotar, ou ser pai, é mais consciente. "Ele sabe do seu desejo e da batalha para realizá-lo e o que temos percebido nesses 15 anos é um desempenho cada vez melhor e mais proveitoso desses pais."

Soraya explica que "hoje temos mais homens querendo exercer a paternidade e que buscam realizar este desejo." Nos encontros sobre adoção realizados pela ONG é cada vez maior o número de homens interessados no assunto - principalmente na adoção tardia, quando o candidato não está a procura de um recém nascido. Segundo Soraya "eles são mais tolerantes e investem no aprendizado da paternidade com muito carinho e disciplina."

ALGUNS EXEMPLOS
Dr. Benedito é médico e pai por adoção de João Paulo. E conta como a vida dele se transformou quando conheceu o filho: "Membro da Associação dos Voluntários, que criamos no HUB, certo dia fui instado por uma dedicada voluntária que visitasse uma criança na Enfermaria da Clínica de Cirurgia Pediátrica, já a seus cuidados. Lá chegando, veio à meu encontro uma criança correndo, trôpega, cabelos ralos, desnutrido, aparentando 1 a 2 anos, com colostomia, sonda na bexiga e arrastava uma bolsa coletora de urina, abraçou-me e disse: “papai”.Médico há 38 anos, àquela época já acostumado a ver maselas humanas, fui tocado pelo seu olhar que me convidava à uma grande e surpreendente viagem.

Ele transmitia-me: olhe bem nos meus olhos, olhe forte e veja eu tenho um problema, mas não sou um problema. Venha, siga-me, eu o levarei a um mundo por todos sonhado, mas habitado por poucos. Um mundo de tolerância, generosidade, solidariedade e compaixão. Mesmo com meu sofrimento eu sou feliz e gostaria que você também experimentasse as emoções de amor e felicidade. Eu não preciso de pena ou caridade, mas de uma oportunidade de me tornar uma pessoa e ser útil ao mundo no qual eu vivo.

Naquela época, aos 64 anos, vivendo sozinho, pai de quatro filhos já adultos e avô de seis netos, mesmo sabendo do enorme desafio não hesitei em aceitar aquele convite. Começou aí então, uma longa história de superação. Em vários momentos ele se confrontou com sua finitude, seu corpo esteve severamente enfermo. Vieram inúmeras intervenções cirúrgicas e muito, muito sofrimento. João Paulo viveu em 20 metros no corredor daquela enfermaria por 3 anos. " Hoje João Paulo é um adolescente de 15 anos e continua ensinando e aprendendo junto com o pai as grandes lições do amor incondicional. E o próprio médico é quem diz "Hoje decididamente não sou a mesma pessoa. A cada momento me convenço que acertei em aceitar aquele convite. Ele tem me ensinado o amor incondicional.

Amor incondicional não é um sentimento focal, direcionado à uma pessoa ou coisa, é difusa, passa-se a gostar mais da vida, a acreditar que a raça humana é viável, ele é terapêutico na medida em que cura nossos medos, dá verdadeiro sentido a vida, ele é transcendente, não é estático é dinâmico, gera anseio de evoluir através dele."

Deusdedit é pai de nove filhos. Quatro biológicos e cinco adotivos. Entre eles, gêmeos que chegaram em casa com quase 5 anos de idade. Hoje os meninos que têm 16 anos riem ao lembrar do quanto chamava a atenção aquela família tão diferente, com pais brancos e filhos brancos e negros. Separado, hoje Deusddedit vive com cinco dos nove filhos, três adotados e dois biológicos - mas os laços de sangue não fazem a menor diferença para eles. Geraldo vai ser pai no final do mês. Murilo será o primeiro menino de uma família também construída pela paternidade biológica e adotiva. Isadora, a filha mais velha tem 10 anos. Depois veio Maria Vitória, que chegou por meio da adoção. A menina que está com quase três anos tem deficiência auditiva. Mas para Geraldo também não existe diferença.

Benedito, Deusdedit, Geraldo são apenas alguns pais modernos que acreditam e exercitam com consciência e determinação o cuidar, tão fundamental na vida de uma criança. São homens interessados em acertar e fortalecer a filiação e a paternidade. E acreditam que a adoção é apenas uma outra maneira de ser pai!
SERVIÇO:

O Aconchego faz palestras sobre adoção, abertas à comunidade, todo segundo sábado do mês às 17 horas no Colégio Leonardo da Vinci - Asa Sul (703 Sul)O Grupo de Adoção Tardia (para quem pretende adotar crianças com mais de 2 anos de idade) se reúne duas vezes por mês. Na primeira sexta-feira, às 19 horas, na sede do Aconchego CLN 106 bloco A - subsolo - loja 38). E no terceiro sábado do mês, às 9 horas no Colégio Leonardo da Vinci da Asa Sul.A entrada é sempre gratuita.



Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Criança adotada transforma sua existência, diz pai de 25 "filhos do coração"

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11/08/2011
Por Heloísa Noronha

O auxiliar de escrita fiscal Josué Ribeiro da Silva, 44 anos, de Cubatão (SP) foi adotado por uma amiga da mãe quando ainda era bebê

Como maneira de agradecer o destino, a sorte ou, quem sabe, a oportunidade de ter uma vida melhor, homens que foram adotados na infância, como o psicólogo Ismael Ferreira Santos, de 38 anos, resolveram não encerrar em si esse ciclo de carinho. Como? Adotando também.

"Fui educado por um casal que não podia ter filhos. Tento me espelhar no caráter e na generosidade deles. Foi por isso que, mesmo com condições de ter filhos biológicos, resolvi adotar a Caroline Beatriz há um ano meio", conta. Casado há 14 anos com uma professora universitária, Ismael se cadastrou, com a mulher, em programas de adoção em diversos Estados do país. Mas foi ao ajudar uma amiga que o casal conheceu a menina, hoje com 13 anos. "Nos demos tão bem que parece que ela sempre esteve conosco", afirma.

O auxiliar de escrita fiscal Josué Ribeiro da Silva, 44 anos, de Cubatão (SP) foi adotado por uma amiga da mãe quando ainda era bebê. Ele descobriu a história de sua origem por terceiros e sofreu muito com a situação. Sua mulher, a dona de casa Janice de Jesus Silva, 42, conhecia a mãe biológica do marido e tratou de ajudar a selar a paz entre eles. "Hoje convivemos todos numa boa", garante.

O casal, que sempre gostou de crianças, não pôde ter filhos pois Janice precisou retirar o útero. Com isso, a decisão de “encontrar um filho do coração” não demorou a ser tomada: Cauã, 3 anos, entrou para a família ainda bebê. Como os trâmites para sua adoção demoraram, os dois acabaram se encantando por outro garotinho do mesmo abrigo. “Ele veio passar o Natal e o Ano Novo com a gente. Nos apaixonamos e decidimos adotá-lo também”, explica Josué. Sorte de Jorge Luiz, hoje com 5 anos.

Irrecuperável?
A vida de Roberto Carlos mudou após ele ter sido adotado por uma pedagoga francesa
Para o pedagogo mineiro Roberto Carlos Ramos, 45 anos, cuja vida se transformou no filme “O Contador de Histórias” (2009), de Luiz Villaça, todo mundo pensa que adotar é mudar a vida de uma criança. “Não é. É aquela criança que transforma a sua existência de uma maneira inimaginável. Acredite: você recebe em dobro todo o amor e afeto que dá”.

Deixado em uma entidade assistencial aos 6 anos de idade pela mãe biológica, Roberto Carlos tentou incontáveis fugas até os 13 anos. Era tido como irrecuperável, até a pedagoga francesa Margherit Duvas, morta em 1983, aparecer em sua vida. Ela decidiu ficar com Roberto e educá-lo como seu filho.

Anos mais tarde, já formado em Pedagogia, ele fez estágio justamente na instituição em que havia passado a infância. “A história se repetiu. Conheci um menino problemático, complicado mesmo. Acabei levando-o para fazer um lanche em minha casa e ele nunca mais saiu de lá”, conta Roberto Carlos que, tempos depois, também adotou o irmão do garoto. “Decidi educá-los e prepará-los para o mundo”.

Ao todo, ele tem 25 filhos adotivos. “E já sou avô de coração de quatro netinhos”, conta, orgulhoso. A prole toda mora em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, e sempre se reúne. “Sou realizado, porque vejo que meus filhos são homens de bem e felizes. Agora posso aproveitar para namorar um pouquinho”, brinca ele, que nunca teve tempo para se casar.



Postado Por Cintia Liana

10 dias no Brasil a trabalho

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Caros amigos,

dia 10 de agosto cheguei no Brasil, vim a Salvador a trabalho por 10 dias. Ainda bem que é a cidade em que nasci e em que reside a minha família. Uma parte da equipe da Senza Frontiere chegará dia 14. Teremos reuniões com advogados e vistaremos instituições de sustento a famílias. Muitos projetos virão.

Mentalizem para que tudo dê certo.

Enquanto estou aqui, também aproveito para estar perto das pessoas que amo e ver velhos amigos que trabalham em prol da criança e do adolescente.

Uma abraço.

Por Cintia Liana

domingo, 7 de agosto de 2011

Campanha "Adoção - Laços de Amor" estréia quarto filme




Ter, 02 de Agosto de 2011

Estreou hoje o quarto filme da campanha Adoção – Laços de Amor, cujo tema é adoção tardia.
Este curta acompanha o dia a dia da família Fraga Borges em Jacinto Machado, cidade no sul de Santa Catarina.
Esta é a última etapa da campanha desenvolvida pela agência Marcca Comunicação, de Florianópolis, que veicula até dezembro deste ano.

Os quatro temas – adoção tardia, de grupo de irmãos, especial e intra-racial – tratados nestes filmes e anúncios foram escolhidos para desmistificar o ato de adotar: muitos ainda pensam em adoção como solidariedade ou altruísmo. A linha da campanha foge do senso comum e aborda o único requisito para conceber uma família, que é o amor.

A campanha Adoção – Laços de Amor é uma parceria entre a Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, Ministério Público, Tribunal de Justiça (através da Corregedoria Geral de Justiça) e OAB-SC e além dos anúncios e filmes, também trabalha através de redes sociais e do Portal da Adoção. Todos as versões dos filmes de campanha estão no canal AdocaoSantaCatarina, e o acompanhamento das novidades pode ser feito através dos perfis da campanha pelo Facebook, Twitter ou Orkut.

Assista ao novo filme: http://www.youtube.com/watch?v=CIm3o6qpFww
Ficha técnica: Direção de arte: David Sousa e Luiz Soutes
Redação: Flávio Augusto e João Cláudio Lins
Direção de Criação: David Sousa
Atendimento: Glauce Lotti e Flavio Jacques
Mídia: Carolina Paiva e Greyse VieceliProdução: Natália Góes
Planejamento: Letícia Pacheco e Bruno Sá
Direção de arte on-line: Fernando Schuh
Foto: Michel Téo Sin
Diretor de Fotografia: Rubens Angelotti e Marx Vamerlatti
Editor: Paulo Calazans
Trilha: Ricardo Fujii
Diretor: Fábio Fernandes
Produtora: Cinnema Produções de Filmes



Postado Por Cintia Liana

sábado, 6 de agosto de 2011

Luta de mãe: "Perdi a guarda das minhas filhas"

Conheça a história de Tatiana, que há dois anos e meio perdeu o direito de viver com suas filhas e agora luta para recuperá-las.

Foto: David Santos Jr / Foto Arena
Tatiana abraça suas filhas em visita ao abrigo em São Paulo

Carina Martins, iG São Paulo | 08/04/2010 17:04

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Usando vestidos cor-de-rosa novinhos e sem conseguir parar quietas junto à mãe, as duas filhas mais jovens da bilheteira de cinema Tatiana Aguiar, 33, não disfarçavam a expectativa para uma sessão de fotos em família. A animação das meninas só tornou mais difícil a tarefa de revelar que elas teriam que esconder o rostinho em algumas das poses – as filhas de Tatiana não podem aparecer na reportagem porque há dois anos e meio vivem em um abrigo na zona oeste de São Paulo.

No abrigo, todo mundo tem festa de aniversário, e não tem isso de comemoração coletiva: cada um tem direito a “Parabéns a Você” individual e no dia certo. Mas não há comemoração de Dia das Mães nem Dia dos Pais. Não que os pais não existam, já que a grande maioria das 60 crianças que vivem divididas nas três unidades do Lar Escola Cairbar Schutel tem família. “É que eles não vêm”, explica uma das funcionárias, que prefere não se identificar. Por isso o comportamento de Tatiana chama a atenção da equipe da instituição. Desde que perdeu a guarda das filhas, há dois anos e meio, ela só deixou de aparecer em três dias de visita, e porque estava doente. “Os poucos pais que vêm em geral ficam aqui das 15h às 17h de domingo, e olhando no relógio. Ela chega cedo e leva as meninas para passar o dia em casa toda semana. Nos feriados e nas férias, o juiz autoriza que elas fiquem direto com ela, em casa”, conta.

“Ela está lutando”

Tatiana perdeu a guarda das meninas após ter sido diagnosticada com depressão e síndrome do pânico. O próprio irmão foi ao fórum depor recomendando que as crianças fossem para a tutela do Estado, e ela admite sem hesitar que, na época, realmente não tinha condição de cuidar das meninas – Tatiana tem ainda uma filha de 12 anos que já voltou a viver com ela depois de ficar um ano sob a guarda de parentes. Agora, já com alta do INSS, ela luta para levar as filhas de volta para casa.

Quando uma mãe perde a guarda dos filhos, a história que leva a esse desfecho nunca é bonita. O caso de Tatiana não é diferente. Ela diz que vivia há quatro anos com o pai da filha caçula quando a mais velha, que sempre tinha sido apegada ao padrasto, começou a entrar em pânico diante da ideia de ficar sozinha com ele quando a mãe saía para trabalhar. “Ela estava muito estranha e eu apertava ela, tentava descobrir o que estava acontecendo”, diz. Depois de muita insistência, a menina teria dito para a avó, e depois para a mãe, que vinha sofrendo avanços sexuais do padrasto.

“Perguntei por que ela não me avisou, disse que a mãe ia proteger ela”.

A menina, na época com 8 anos, atribuiu seu silêncio ao medo de que o padrasto matasse a mãe. “Ela me falou isso, e eu imediatamente coloquei as coisas dele numa mala e deixei na casa das irmãs”, relata. “Já estava querendo me separar, depois disso acabou de vez, na hora.”

Tatiana livrou-se do agressor e passou a ter que cuidar sozinha das três filhas. “Arrumei uma pessoa para olhar as meninas enquanto eu estava trabalhando, mas não tinha condições. Eu ganhava 400 e poucos reais para pagar aluguel, pagar gente para cuidar delas, fazer as despesas de casa. Eu não estava aguentando”, diz. “O juiz estipulou que meu ex-marido tinha que dar cerca de 100 reais por mês, com base no salário que ele disse ganhar na época. Mesmo assim, pagou só três meses e depois não pagou mais.” As meninas são fruto de três relacionamentos diferentes e, segundo Tatiana, apenas um dos pais paga pensão. Sem dinheiro, ela não tinha mais como garantir alguém para cuidar das meninas enquanto trabalhava.

“Eu ficava com minha cabeça atordoada, com meu pensamento no serviço e nas meninas. Elas estavam com 2, 3 e 8 anos, eram pequenininhas. Uma vez, fui obrigada a deixá-las três dias sozinhas em casa”, afirma. “Aí que minha cabeça ficou mesmo a mil. Pensei: 'Meu Deus, o que é que eu vou fazer agora? Eu não posso deixar de trabalhar e não posso deixar-las sozinhas’.”

“Foi quando me deu um surto lá no serviço”

O “surto” foi a crise que culminou em seu diagnóstico de depressão e síndrome do pânico. Depois do episódio, ela foi afastada do emprego e chegou a ficar dois meses internada em uma clínica. As filhas ainda ficaram um ano com ela, mas Tatiana estava longe da recuperação. “Não conseguia sair de casa, parei de levá-las à escola, à creche.” Chamado pela Justiça, o irmão de Tatiana não mentiu. “Ele contou toda minha vida, disse que eu não estava tomando conta das crianças direito. Eu estava doente, não estava conseguindo tomar conta nem de mim mesma.” Mesmo sabendo que realmente estava com dificuldades para cuidar da família, foi duro para Tatiana ver o irmão ter um papel tão central na separação das filhas. "Por um tempo fiquei com mágoa dele, mas depois resolvi entregar nas mãos de Deus. Não adianta ter mágoa nem ressentimento, quem deve cobrar as coisas dele, se ele foi certo ou errado, é Deus e não eu."

“Então pegaram elas de mim”

Até hoje, o pior dia para Tatiana ainda é o da separação. “Quando as deixei no fórum e fui embora, achei que nunca iam me devolver, que nunca mais ia ficar com elas.” Assim que as meninas foram colocadas no abrigo, ela se preparou para a primeira visita. “Foi uma emoção muito grande, mas quando eu vi que só iam me deixar passar duas horinhas, que ia ter que deixá-las de volta ali, bateu o desespero.” Tem sido assim desde então. “É uma dor muito grande, porque eu tenho que deixar dois pedaços de mim. Eu sei que elas estão bem, são bem cuidadas, mas são dois pedaços de mim aqui.”

"Aí que eu decaí, fiquei mal mesmo"

O baque da separação, ela diz, afetou sua recuperação. "Fiquei sem as três, desabou tudo. A recuperação foi bem difícil, tive que arrancar forças de onde não tinha. Pensava: tenho que lutar pelas minhas filhas, não posso deixá-las longe de mim, tenho que fazer alguma coisa.” Tatiana começou a fazer terapia, ter acompanhamento psicológico, tomar remédios e se ocupar com, por exemplo, aulas de artesanato no educandário Dom Duarte. Aos poucos, foi se recuperando.

Ter as meninas longe de seus olhos causa mais que saudade. Mesmo satisfeita com o tratamento que as filhas têm recebido, não estar presente em seu dia a dia provoca preocupações. Tatiana fala, por exemplo, da angústia que sente quando as meninas aparecem com algum machucado, que ela nunca tem como saber com certeza o que provocou. “Na outra casa que elas viviam, tinha muito mais crianças. Já cheguei lá e vi as meninas com pontos no rosto, no queixo, com roxo no braço. Elas diziam que tinham caído da cama ou apanhado de uma criança mais velha. Fico superchateada.”

Atualmente, com a recente alta do INSS e construindo uma casa em cima da casa da avó, Tatiana está prestes a passar por uma perícia para confirmar se ela está apta para voltar ao trabalho, o primeiro passo para recuperar a guarda das meninas. A boa notícia, no entanto, é agridoce, já que antes de poder começar a procurar um novo emprego, ela terá que voltar ao antigo. “Não quero mais ficar num ambiente daquele, porque ali não é um cinema familiar. É um cinema pornográfico. Não gosto desse tipo de ambiente. E ao mesmo tempo eu preciso de um trabalho”, conta, sem esconder a aflição.

“Agora estou bem. Depois da perícia, vou começar a trabalhar, e eles vão vendo como eu estou. Tendo uma moradia, já consigo trazê-las. Só falta arrumar outro trabalho. Eu espero que elas voltem ainda neste ano para ficar comigo. É o que eu mais quero. Do fim do ano não passa.”

Fonte: iG São Paulo


Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mulher adota filha biológica mais de 40 anos após sequestro por babá

Ronique 'Pepper' Smith, de 41 anos, passou a vida tentando descobrir sua verdadeira história.

KTLA News

14/07/2011 09h44

Uma americana adotou a própria filha biológica em um tribunal de Los Angeles mais de 40 anos depois de ela ter sido sequestrada pela babá.

Ronique 'Pepper' Smith, hoje com 41 anos, foi levada de casa aos três meses de idade pela babá, Shirley Berthelot. A mãe dela, Jolene Coleman, diz ter passado a vida tentando achar a menina, sem sucesso.

O reencontro só foi possível, tanto tempo depois, devido a uma série de coincidências.

Adoção
Após sequestrar Ronique ainda bebê, Shirley teria dado a menina para uma amiga, Barbara Christie, que a adotou legalmente junto com o marido, Robert, e deu a ela o nome de Rhonda Patricia Christie.

Neste momento, os direitos legais de Coleman em relação à filha terminaram, apesar de ela nunca ter sido contactada sobre o assunto, segundo suas declarações à imprensa local.

Quatro anos depois, Shirley sequestrou a menina novamente. Agora sob o nome de 'Pepper Smith', a menina passou a ter uma vida nômade, morando em trailers e hotéis de beira de estrada e indo muito pouco à escola.

Em declarações a jornais locais, ela contou que se lembrava de um quarto cor-de-rosa e de uma mãe carinhosa e que sabia que tinha sido sequestrada, mas nunca teve uma pista sobre sua verdadeira identidade.

Shirley morreu de câncer, em 1986, quando Pepper tinha 16 anos, mas teria se recusado a dar qualquer informação sobre a família da jovem.

KTLA News

Documentos
A vida inteira, Pepper enfrentou problemas por não ter documentos. O problema se agravou quando ela teve uma filha.

Segundo o Nevada Appeal News Service, tudo o que ela tinha era uma data de nascimento, 16 de setembro de 1969, e a lembrança de que seus pais se chamavam 'Bobby e Bobby'.

Em 2010, uma funcionária de um cartório da Califórnia deduziu que Bobby poderia ser um apelido para Barbara e encontrou uma certidão de nascimento. Pepper era 'Rhonda Patricia Christie', a filha adotiva de Barbara e Bob Christie.

Pepper foi atrás da família e encontrou a mãe adotiva lutando contra um câncer terminal, mas muito feliz em reencontrá-la.

Desenrolar
A história ganhou destaque no noticiário americano e teria sido assistida na TV por Jolene Coleman, a mãe biológica, que reconheceu a filha.

Coleman contactou a advogada de Pepper, Gloria Allred, e passou por um exame de DNA que confirmou a relação entre as duas.

Pepper ganhou então mais uma mãe, que decidiu então adotá-la legalmente em um tribunal de Los Angeles.

'Pela primeira vez na minha vida, me sinto uma pessoa inteira... não mais fragmentada. Eu sinto que posso ter orgulho, falar meu nome com confiança, sabendo que sou eu', disse Ronique 'Pepper' Smith a jornalistas.

'É um milagre que eu nunca achei que iria acontecer. E eu sou muito agradecida', disse Coleman.


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Maioria dos brasileiros é contra união estável e adoção por casais homossexuais

Beneath this Burning Shoreline

Por Luana Lourenço/Abr.
Publicado em 29.07.2011

A maioria dos brasileiros é contra a união estável de casais homossexuais, autorizada desde maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, divulgada ontem, 55% da população não aprova a união entre pessoas do mesmo sexo. O percentual é o mesmo quando o assunto é a adoção de crianças por casais homossexuais: 55% dos brasileiros são contra e 45% a favor. O levantamento mostra que, nos dois casos, a resistência é maior entre os homens, os evangélicos, os mais velhos, pessoas com menos escolaridade e de classes mais baixas. Nessas categorias, os índices de rejeição às causas homossexuais são maiores. Em relação à união estável, por exemplo, 63% dos homens são contra, enquanto entre as mulheres o percentual é 48%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 60% são a favor da decisão do STF, ao mesmo tempo em que apenas 27% dos entrevistados com mais de 50 anos têm a mesma opinião. Na população evangélica, o percentual de rejeição à união estável entre gays é de 77%.

Entre as mulheres, 51% são a favor da adoção de crianças por casais homossexuais, enquanto apenas 38% dos homens se dizem favoráveis a essa possibilidade. Nesse tema, a maior resistência está entre as pessoas com mais de 50 anos, categoria em que 70% são contrários à adoção por casais gays, e entre os evangélicos, na qual o percentual chegou a 72%. Apesar de a maioria ser contrária ao casamento e à adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, a pesquisa mostra que no dia a dia os brasileiros têm posturas mais tolerantes com os homossexuais. O Ibope perguntou qual seria a reação dos entrevistados se o melhor amigo revelasse ser homossexual. A grande maioria, 73%, respondeu que não se afastaria do amigo, 14% se afastariam um pouco e 10% disseram que se afastariam muito. A resistência é maior entre os homens: entre eles, o percentual dos que se afastariam em algum grau de um amigo que se declarasse gay é de 35%, ante 20% das mulheres. O instituto também questionou os entrevistados sobre a aceitação de homens e mulheres homossexuais trabalhando como médicos no serviço público, policiais e professores de ensino fundamental. De acordo com o Ibope, 14% dos brasileiros são, em algum grau, contrários à presença de médicos homossexuais, 24% têm restrições ao trabalho de gays como policiais e 22% são contra homossexuais trabalhando como professores de ensino fundamental.

Jornal Absoluto - Jaraguá do Sul SC


Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

domingo, 31 de julho de 2011

Um abrigo para bebês abandonados

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A roda dos enjeitados – local onde as crianças eram colocadas para doação – era um processo civilizador em uma sociedade que não considerava o infanticídio crime.

Publicado em 16/07/2011 | Por Pollianna Milan

O abandono de crianças é uma prática antiga, tendo registros na Bíblia, no caso de Moisés, e na tragédia grega, com Édipo Rei. Mas foi depois da Peste Negra (1348) que o número de bebês deixados à própria sorte se multiplicou pelas cidades europeias. Coube à Itália criar as primeiras rodas dos “enjeitados” (ou expostos), nome dado às crianças abandonadas pelos pais. As Santas Casas de Misericórdia tinham cilindros de madeira giratórios fixados na parede que serviam de contato com o mundo externo. Inicialmente, eram usados para receber doações e mantimentos, mas com o tempo passaram a ser o destino de recém-nascidos rejeitados. Normalmente a criança era abandonada na calada da noite e a mãe, assim, tinha a identidade preservada. Ao colocar o bebê, tocava-se uma campainha e a rodeira da instituição cristã vinha recolher o rebento.

O Brasil passou a adotar a roda dos enjeitados como uma herança do reino português. O primeiro registro de que se tem notícia de uma Casa de Enjeitados no país é na capital baiana, Salvador (1726); depois aparece uma no Rio de Janeiro (1738) e outra no Recife (1791). Segundo o professor de arquivologia Renato Pinto Venancio, da Universidade Federal de Minas Gerais, durante o Brasil colonial existiram quatro rodas (fora as citadas, havia uma em Campos-RJ). “Mas, após 1840, elas chegaram a ser 14, depois começaram a fechar. A última foi a de São Paulo, que encerrou as atividades em 1950”, diz.

Como o número de crianças abandonadas crescia no Brasil, entre os séculos 18 e 19, a corte portuguesa inicialmente se preocupou em resolver o problema, já que o infanticídio não era visto como crime, mas pecado. “Ao saber que as crianças expostas eram devoradas por cães e porcos, isso se tornou um incômodo aos administradores portugueses”, afirma a historiadora Alcileide Cabral do Nas­­cimento, da Universidade Fe­­deral Rural de Pernambuco. A roda foi também um processo civilizador. “O Estado começa a desestimular as práticas infanticidas, pois não era aceitável uma selvageria dessas”, lembra Alicileide. Como as crianças normalmente eram abandonadas perto de rios, em monturos (lixões da época) ou até na beira das praias, muitas morriam sem ao menos receber o batismo. Por isso, o acolhimento em instituições católicas seria favorável para, pelo menos, as crianças receberem a “salvação”. “Criou-se um medo entre os adultos de que as almas das crianças ficassem penando naquele lugar de espera eterna”, diz Alcileide.

Precocidade
Aos 7 anos, crianças iam trabalhar
Crianças abandonadas nas rodas dos expostos ficavam na instituição religiosa ou iam viver com uma ama de leite até completar cerca de 3 anos. Isso porque a casa costumava ficar cheia e, quando a demanda era muito grande, restava às câmaras municipais contratar amas para o cuidado das crianças. Quando não tinha condições de amamentar, ela era chamada de ama-seca.

As crianças ficavam nas rodas até os 7 anos. Depois disso, elas começavam a trabalhar. Os meninos iam para agricultura, para as escolas de ofício, internatos e alguns foram preparados até para a guerra (garotos deixados na roda chegaram a ser enviados à Guerra do Paraguai). Já as meninas viravam empregadas domésticas. O problema é que muitas sofriam maus-tratos e eram violentadas sexualmente, por isso fugiam e retornavam à roda.

Já no início do século 20, a roda dos expostos começou a enfrentar outros problemas, porque crianças maiores, com 7, 10 e 12 anos eram simplesmente abandonadas em frente às instituições. Foi também por causa disso que o governo se viu obrigado a criar os orfanatos.

Venancio lembra ainda que as rodas estavam em instituições religiosas porque, como parte das crianças abandonadas eram pobres, entendia-se que “as desigualdades sociais eram um desígnio de Deus, para proporcionar a salvação das almas daqueles que vivem na fortuna.” “Hoje, isso parece estranho, mas era assim que funcionava na sociedade da época”, explica.

Motivações
Entre os séculos 18 e 19, as rodas do Rio e de Salvador receberam 40 mil crianças abandonadas. De acordo com Venancio, a expectativa, na época, era de que 10% dos recém-nascidos eram enjeitados. E isso ocorria principalmente por dois fatores: miséria ou honra. As mulheres brancas e livres da elite que se arriscavam em encontros clandestinos e amorosos, e que ficavam grávidas, abandonavam os filhos para ter a garantia de um matrimônio bem sucedido, afinal mulher solteira que virava mãe era por fruto do pecado. Mulheres e homens casados que tinham amantes e geravam filhos ilegítimos também os abandonavam por uma questão de honra familiar.

Oportunidade
As escravas viram na roda uma maneira de livrar os filhos da escravidão. Por isso algumas usaram o sistema para libertar os pequenos, abandonando-os. Alcileide também encontrou nos documentos que pesquisou viúvos que largaram o filho na roda porque a mãe havia morrido no parto, bem como crianças com deficiências físicas e mentais. “Neste período, os pais que tinham filhos deficientes eram vistos como pecadores, por isso era uma vergonha apresentar os pequenos à sociedade”, explica a historiadora.

Casais pobres com muitas crianças deixavam bebês na roda até que pudessem ter condições de criá-los. E, para identificar as crianças, as rodas montaram fichas de identificação. No livro de entrada (de registro), as crianças recebiam um nome (quando não vinham com o nome escrito em um bilhete) e ali se detalhava qual o horário que o pequeno chegou, quanto aparentava ter de dias ou meses de vida e que roupas vestia. Assim, se a família voltasse para procurar a crianças, seria mais fácil identificá-la.

Bilhetes pediam o batismo dos recém-nascidos
Muitas crianças chegavam à roda dos expostos com um bilhetinho junto ao corpo: na maioria das vezes um pedido dos pais para que a criança fosse batizada. “A preocupação central era a salvação espiritual”, afirma o professor de arquivologia Renato Pinto Venancio, da Universidade Federal de Minas Gerais. Às vezes, o bilhete vinha com uma justificativa do abandono: em geral, por causa da morte dos pais, doenças familiares, vergonha do filho ilegítimo e até abandono por necessidade de viagem. “Houve pais que deixaram um bilhete dizendo que mais tarde buscariam o filho, porque naquele momento não tinham condições de criar”, lembra a historiadora Alcileide Cabral do Nascimento, da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Ao contrário do que se imagina, inicialmente os enjeitados eram, em sua maioria, crianças brancas. Alcileide explica que aparentemente não houve preferência dos pais em abandonar filhos em decorrência do sexo. “A exceção vem de Porto Alegre, onde, entre 1845 e 1856, foram expostas mais meninas (62,4%) do que meninos (37,6%).” Só no século 19 é que há uma tendência de diminuição das crianças brancas e um aumento das mestiças. “Na segunda metade do século 19 existe a difusão das teorias racistas no Brasil e as crianças negras e mestiças eram vistas como raças degeneradas”, afirma Alcileide.

Mortes
O acesso às rodas dos enjeitados também não era garantia de sobrevivência. Alcileide lembra que 70% dos rebentos morriam depois de serem abandonados na roda, seja porque adquiriam doenças, como a sífilis, das amas-de-leite (mulheres contratadas pelo Estado para amamentar os abandonados), porque eram maltratados e até por falta de higiene. “É como se o Estado chamasse para si o direito de matar, porque as crianças morriam sob responsabilidade dele.” Venan­­cio lembra ainda que a mortalidade também estava atrelada à amamentação artificial: “Não se sabia como eliminar os microorganismos do leite de vaca, por meio da fervura. Isso só foi descoberto depois do século 19.”

Mudança
As rodas fecharam na Europa no século 19 e, no Brasil, só um século depois: a última funcionou em São Paulo até 1950. Isto porque, houve uma valorização da maternidade e na normatização da sexualidade feminina. “O discurso médico passou a ser que a maternidade é natureza de qualquer mulher”, explica Alcileide. As amas de leite, antes vistas como salvadoras das crianças abandonadas (e disputadas até pelas mulheres de grandes fazendeiros, para a amamentação dos filhos), passaram a ser vistas como um ato de desamor.



Postado Por Cintia Liana