"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Respondendo a perguntas sobre a compra do meu livro

Cintia Liana. "Filhos da Esperança".
Livro sobre a construção da família através da adoção.
Aborda aspectos culturais, sociais, psicológicos e jurídicos deste percurso.

Fala a autora:

Queridas leitores, obrigada pelo carinho.
Respondendo às perguntas, é possível comprar o livro somente on line (http://www.agbook.com.br/book/43553--Filhos_da_Esperanca), por enquanto, pagando não só com cartões bancários de débito ou crédito, mas também com boleto bancário, o site da editora gera o boleto.

É possível também pegar o livro em uma gráfica autorizada da Agbook, assim não se paga frete.

Por enquanto este meu livro só está sendo disponibilizado online, mas tenho planos de colocá-lo em livrarias, avisarei aqui em meu blog quando isso acontecer.

Sobre os livros para a Europa, tenho três exemplares aqui  comigo na Itália. Se quiserem, me mandem um e-mail (cintialrdesilva@yahoo.com) com o endereço para eu calcular o valor da postagem e eu respondo informando o valor total.

Obrigada.

Por Cintia Liana

sábado, 28 de janeiro de 2012

Telespectadores hiperativos

Mandy Lynne

"Não existem crianças hiperativas. Sua televisão é que tem poucos canais infantis". A foto do outdoor que exibe essa mensagem traz dois meninos em ação, em um ambiente fechado, sala ou quarto onde as crianças urbanas passam a maior parte de seus dias. Um deles levanta uma bola de futebol sobre a cabeça, como se estivesse pronto para arremesá-la em nossa direção. O outro, igualmente animado, acion...a um controle remoto. A TV está para ser ligada, os pais podem respirar aliviados: paz no lar.

(...)

O jargão psiquiátrico (hiperativo) designa uma patologia, suposto distúrbio do comportamento infantil que exige tratamento farmacológico (...) As causas da angústia da criança diagnosticada como hiperativa, os conflitos latentes no grupo social e familiar onde ela se insere, os imperativos do gozo que produzem nela, permanentemente, uma excitação aflita e sem objeto, nada disso entra em questão quando um diagnóstico fisicalista é aplicado ao sofrimento infantil. Os desadaptados ao mundo atual sofrem de hiperatividade ou de déficit de atenção, assim como sofrerão na adolescência de sociofobia, de pânico ou de depressão.

A indústria farmacêutica encarrega-se, assim, dos "restos" pulsionais que a indústria do espetáculo não foi capaz de adaptar às suas ofertas. Aos pais aflitos restam duas alternativas para tranquilizar seus rebentos angustiados, agressivos, rebeldes, ansiosos - ou simplesmente mal-educados: os psicofármacos e a televisão. A ironia da publicidade, hoje, favorece mais a produção conformista do cinismo do que a desconstrução crítica das verdades socialmente compartilhadas. A ironia publicitária é a reafirmação esperta da ideologia.

Telespectadores hiperativos - Maria Rita Kehl
Livro: 18 Crônicas e Mais Algumas, Boitempo Editorial
Postado Por Cintia Liana

Adozioni: nel 2011 calo bimbi da estero/Adoções: em 2011 diminue número de crianças do exterior

ANSA.IT

Da 57 paesi, 3154 le coppie coinvilte. Rapporto commissione.
27 gennaio, 20:36

(ANSA) - ROMA, 27 GEN - Nel 2011 sono stati adottati in Italia 4.022 bambini stranieri (-2,6% rispetto al 2010): 57 i paesi di provenienza, 3.154 le coppie coinvolte. Sono i dati del rapporto della Commissione per le adozioni internazionali (Cai). La Federazione Russa, con 781 minori, e' il paese da cui provengono piu' adottati;segue Colombia (554), Brasile (304), Ucraina (297) Etiopia (296). La Lombardia ha il maggior numero di coppie adottive (559,il 17,7%)così come si conferma l'aumento in alcune regioni del sud.

Tradução Cintia Liana:
(ANSA) - ROMA, 27 GEN - Em 2011 foram adotados na Itália 4.022 crianças extrangeiras (-2,6% em relação a 2010): 57 os Países de proveniencia, 3.154 casais envolvidos. São os dados da relação da Comissão para as Adoções Internacionais (Cai). A Federação Russa, com 781 menores, é o País de onde vem mais adotados; seguido pela Colômbia (554), Brasil (304), Ucrania (297) Etiopia (296). A Lombardia tem o maior número de casais adotivos (559, 17,7%) assim como se confirma o aumento  em algumas regiões do Sul (da Itália).

Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Agradecendo as mensagens e comentários

Google Imagens
Caros leitores,

Me deu vontade de agradecer a presença de vocês aqui, alguns estão sempre presentes, outros que vão chegando e ficam, a todos os comentários e mensagens, tantos os carinhosos, como os de pedido de ajuda.

Obrigada pela confiança que depositam no meu trabalho.

Nem sempre posso responder a todos os comentários por falta de tempo mesmo. Como muitos sabem tenho mais de dois blogs, um grupo no Facebook, outro no "yahoo! Grupos", uma página no Facebook, além de trabalhar aqui na Italia e de tentar responder a todos os e-mails pedindo conselhos, orientações, informações e ajuda de todos os tipos. Pessoas que se abrem e que confiam não só numa palavra de uma profissional experiente, mas também numa palavra amiga, que traga conforto.

Quero agradecer também os acessos dos leitores de Portugal que estão sempre aqui.

Um abraço adotivo bem apertado a todos!

Página Facebook "Psicologia e Adoção":
https://www.facebook.com/#!/pages/Psicologia-e-Ado%C3%A7%C3%A3o-Por-Cintia-Liana/198134460197525

Grupo Facebook "Psicologia e Adoção":
https://www.facebook.com/#!/groups/112993232068132/

Yahoo! Grupos "Psicologia e Adoção" (desde março de 2007):
http://br.groups.yahoo.com/group/psicologiaeadocao/
Por Cintia Liana

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Adoção moderna: todo tipo de motivação vale a pena

Cacau Waller

A chamada adoção moderna aceita todas as motivações. Elas movem futuros pais a vencer a burocracia da legislação, a longa espera e até o preconceito na busca por formar crianças felizes.

Por Ana Claudia Cruz e Thais Lazzeri

Os estímulos mais comuns para partir para a adoção são o desejo de construir um lar e o de fazer o bem a quem precisa. Não se trata de ajuda humanitária, mas de sensibilidade social. Há alguns anos, esse tipo de motivação não era bem aceito. Hoje vale qualquer adoção que garanta a melhoria da qualidade de vida da criança que vive em diferentes instituições. Dentro da nova visão, a prioridade deve ser o respeito à prerrogativa de a criança ter um lar, ser amada. "Quem tem direito a ter uma família é a criança", afirma Lidia Weber, psicóloga, autora de Pais e Filhos por Adoção no Brasil (Ed. Juruá). Ela não está sozinha nessa avaliação.

O advogado Rodrigo da Cunha Pereira afirma que a iniciativa dos famosos é maravilhosa. Aqui, podemos citar o exemplo de Meg Ryan, feliz com uma bebê chinesa; o casal Angelina Jolie e Brad Pitt, que tem a guarda de Maddox, cambojano, e Zahara, etíope; e por fim, Madonna, que decidiu adotar David, uma criança africana. Eles conseguem reunir as duas coisas: constituir uma família e ajudar as crianças. "E mais, eles ajudam a estimular a adoção tardia e dos que não estão no padrão que todos querem, um bebê branco com, no máximo, 3 meses", afirma Pereira.

Um bebê branco e com até 3 meses é justamente o perfil do requisitado na maioria dos processos adotivos no Brasil. Há uma busca por crianças que tenham semelhanças físicas com os futuros pais. Fazer dos laços físicos os biológicos, na tentativa de construir um vínculo pela aparência, deixa casais por anos na fila de espera. Costuma-se dizer que a "gravidez" dura mais que nove meses. Trata-se de um cuidado desnecessário, do ponto de vista da terapeuta familiar Maria Teresa Maldonado: "Laços de amor independem do de sangue". Essa situação, somada à burocracia criada pela legislação, são os fatores que mais limitam as adoções no país.

"As crianças mais velhas, certamente, passaram por experiências, positivas ou não, que nunca serão apagadas. Por isso, podem testar os pais, para garantir se eles querem mesmo ficar com elas. Mas isso acaba. Talvez nem aconteça", diz Lidia Weber. Se, de um lado, a adoção tardia pode ter esse complicador, quem opta por bebês vai experimentar a fase da revelação.

Na pesquisa de Lidia para seu livro, a revelação tardia, a longo prazo, foi o maior problema diagnosticado. No contexto de adoção moderna, não pode haver segredo. "O ideal é que a história seja sempre apresentada à criança. Que os pais dêem respostas esclarecedoras e objetivas", diz. Algumas escolas, reconhecendo o movimento da adoção moderna, incluíram a pauta nas aulas de reprodução humana. "Explicamos que, como os pais não conseguiram tê-lo, buscaram alguém para fazer isso por eles e a criança adotada foi tão desejada e buscada como qualquer outra", afirma Karen Kaufmann Sacchetto, pedagoga e diretora de escola.

FONTE: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI956-10514,00.html

Postado Por Cintia Liana

domingo, 22 de janeiro de 2012

Diferenças na adoção que não são importantes


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Vocês sabia que aqui na Itália para se fazer uma adoção nacional ou internacional não se pode fazer menção à etnia da criança? É assim, o casal não pode fazer referência nenhuma a cor de pele ou etnia do filho pretendido, mas pode escolher o País de origem dele.
Adotando uma criança no Brasil, po exemplo, não se saberá que cor poderá ser, por termos uma grande diversidade etnica e miscigenação. Mas para eles a cor não é importante. Existe uma boa preparação quanto a esta realidade exigida em lei.
Para conhecer mais esta realidade: http://www.tribunaledeiminori.it/adozione-internazionale.php
Por Cintia Liana Reis de Silva

A abertura na adoção é uma questão de tempo e investimento na maturação do ato de tornar-se pai e mãe. Vocês já observaram que certos aspectos de nossas vidas, quando olhamos para trás, pensamos que poderíamos fazer de outro modo se fosse hoje? Então, é assim na adoção. Quando se começa a pensar nela se tem certas crenças e medos que com o tempo mudam suas formas, com informação e auto conhecimento tudo se transforma dentro de nós e o Universo também se abre para quem quer e tem olhos para este preparo necessário.

Em minha experiência profissional com adoção, vejo que para ser pai e mãe de uma criança não depende em nada de cor, idade, sexo. Depende do desejo de pertencer e fazer pertencer, e isso faz toda a diferença para uma adoção de sucesso. Claro que identificação e empatia são importantes, mas lembrem-se que nós podemos mudar uma relação com boa vontade, podemos fazer o outro se sentir mais seguro diante de nós, observando também nossas resistências, medos e preconceitos em relação ao outro e assim mudar os rumos desta dialética. Temos também que ter motivação para entender a criança para poder ajudá-la a superar seus dilemas e dores e ela vai mudando, se fortalecendo. É assim também com filhos biológicos. Ou nós, filhos biológicos, não tivemos nossas dores e traumas? Claro que tivemos e os temos até hoje, adultos. As feridas cicatrizam ao longo da vida com o cuidado correto.

Outra coisa importante a entender é que na adoção não existe a escolha de uma criança. Escolher trás ansiedade, fortes dúvidas, é cruel, não se tem como "escolher um filho", desta forma pode-se cair na triste impressão de que se está lidando com uma "mercadoria". Os tecnicos vão indicar uma criança que pelo perfil possa fazer parte daquela família com uma chance maior de haver harmonia, isso dentro do entendimento e experiência deles, o resto quem vai fazer é o adotante, com sensibilidade e sabedoria, tentando entender, se doar àquela nova relação, sem imaginar: "...e se fosse outra criança?". Esse tipo de pergunta pode acontecer, é natural, mas dificulta tudo, pois naquela relação que está se formando também tem a cara de quem está adotando, é a pessoa que está levando a relação adiante, então ela toma a forma que queremos e temos que ter, não só habilidade para levar adiante, mas para estar dispostos a mudar de postura, caso seja necessário, e muitas vezes é. A criança também responde a estímulos e muitas vezes eles são demasiadamente sutis e inconscientes, nem os pais os percebem. Jogo de cintura, tolerância, compreensão com aquele pequeno ser que está aprendendo a viver, e muito mais cheio de medo que quem adota, por mais que algumas vezes não deixe transparecer.

Sobre adoção interracial, tenho a dizer que quem adotou uma criança de etnia diferente da sua, por exemplo, e soube prepará-la com firmeza para a vida, sabe que essas diferenças não dificultam, depende de como se vê tudo e se prepara para enfrentar o mundo. A depender da postura dos pais, força e otimismo, as dificuldades só fortalecer a criança para o futuro.

As diferenças físicas entre pais e filhos adotados não são importantes. Importante é a forma com que você se relaciona com essas diferenças. E seu filho, com o tempo, também aprenderá a lidar da mesma forma com elas.

A questão é: somos responsáveis por nossas vidas e sobre como o mundo se comporta com nós. Se não está dando certo temos que olhar para dentro, mudar o jeito de dialogar, de se comportar e ver que as respostas também mudam. É difícil fazer, é difícil compreender essa teoria dos sistemas, mas quando aprendemos, se ganha a verdadeira liberdade de viver.
Por Cintia Liana
 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

E-mail de uma leitora sobre o texto "Atenda ao telefone. Responsabilidade já!"

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Depois do texto *"Atenda ao telefone. Responsabilidade já!", recebi muitos e-mails dizendo que ele estava circulando em muitos grupos e um dos e-mails que mais me chamou a atenção foi este:
 
"Cara Liana,
Seu texto está circulando entre de amigos de um grupo muito querido. Postei este comentário e me sugeriram enviá-lo pra você.
Parabéns pelo maravilhoso trabalho.

Grupo querido!
Estava lendo o diálogo e me emocionei. Isto pq minhas duas adoções aconteceram numa sexta-feira.
Da primeira vez foi tranquilo, pois havia uma pessoa de responsabilidade e ela moveu céus e terra pra que não passasse mais um fim de semana em que Yasmim estivesse longe de mim.
Da segunda vez precisei chorar copiosamente no vidro frio do cartório até perceberem que o documento da guarda já estava assinado e que eu poderia buscar minha pequena Joana.
Sexta-feira, não termine seu expediente com pendências.
beijos no coração"
...
____________________________________
*Texto:
Quem trabalha com o público em geral, lembre-se que ao responder uma ligação e responder a uma dúvida de alguém você pode estar resolvendo um grande problema para ela, que precisa tomar uma decisão baseada naquela resposta. Hoje é sexta-feira, mas é dia de trabalhar. Nossos atos e boa vontade podem mudar a vida de uma pessoa mesmo na sexta-feira.

Eu trabalho com adoção internacional, entendo que as crianças não podem esperar finais de semana, feriados, recessos, carnavais, porque são vidas e isso é mais importante que divertimento pessoal.
RES-PON-SA-BI-LI-DA-DE JÁ!

Por Cintia Liana

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Odeio perguntas cretinas

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“O pai dele é coreano?”, pergunta uma senhora à minha mulher, no corredor do supermercado, referindo-se aos olhos puxados do meu filho Antonio. A Ana responde com um simples não e segue olhando as ofertas do dia. 

Curiosa, a senhora arrisca novamente: “Então é japonês?”. Apesar da inconveniência, minha esposa faz um esforço para esboçar um leve sorriso e nega pela segunda vez, ainda de forma bastante polida. 

A partir deste momento, o grupo desuniforme de quase sete bilhões de seres vivos que chamamos de humanidade divide-se em dois. Os mais agraciados pela seleção natural de Darwin, que desde o tempo das cavernas conseguiram solucionar problemas muito complexos, como descobrir o fogo, rapidamente perceberiam a inadequação daquelas indagações, ainda mais quando se dirigiam a uma mãe com bebê de colo, alguém que mal tem tempo para almoçar, muito menos para ficar de papo enquanto escolhe os tomates na seção de hortifruti. Entretanto, uma linha científica alternativa suspeita que a outra parcela do grupo chegou a esses tempos modernos por pura questão de sorte, ou por acaso, talvez comendo restos de dinossauros e mamutes caçados pelos outros, pois, parece, sobreviveu ao paleolítico, atravessou o neolítico e circula até hoje por aí – nos corredores da Câmara, do Senado e dos supermercados –, sem se dar ao trabalho de desenvolver a capacidade de raciocinar. 

A senhora em questão, indubitavelmente, faz parte da segunda metade do grupo. Incansável, entretida com a brincadeira, ela resolveu testar seus dotes de adivinhação uma terceira vez, questionando se o pai do Antonio era chinês, ao que a minha mulher, desta vez mais ríspida, respondeu com uma explicação genérica de que nossa família tem os olhos pequenos e se afastou da interrogadora antes que ela percorresse todas as demais nações do continente asiático com suas suposições. 

Os dicionários chamam de cretino o indivíduo que tem grave deficiência mental. Que me perdoem Aurélio, Houaiss e outros senhores das palavras, mas esta definição está completamente incorreta. Eu, como pai de um filho com este problema, afirmo, assino embaixo e reconheço em cartório que pessoas como o Antonio podem sofrer de tudo, menos de cretinismo. Hoje, ao observar alguém com deficiência, em vez de notar os movimentos descoordenados e os pensamentos desorganizados, vejo um cérebro lutando com todas as forças para funcionar, muitas vezes com mais afinco e dedicação do que nós, os normais, o fazemos, seja lá o que a palavra normal signifique. Cretinice mesmo é ter todo o intelecto disponível, mas usá-lo com parcimônia. É ter preguiça – e não inabilidade – de pensar. 

No tempo em que tive a oportunidade de dar aulas, aprendi a respeitar o valor de uma dúvida, por mais estúpida que pareça. Quando o objetivo é obter um novo conhecimento, não há censura para as perguntas. O problema é quando, espertos que somos, acreditamos já sabermos a resposta e, sem querer, ou querendo, deixamos esta pressuposição escapar. A chance de estar certo existe. Porém, não se pode perder de vista o risco de cometer um erro presunçoso, uma gafe desrespeitosa ou simplesmente de se passar por cretino, quando existem formas bem melhores de formular as mesmas questões. 

Perdão pela teoria maçante de professor antiquado. Você que dormiu no terceiro parágrafo, por favor, acorde. Chegamos aos exemplos práticos. Vale a pena anotar. 

Não há nada mais cretino do que vislumbrar uma barriguinha em uma mulher e disparar “Para quando é o bebê?”. Por mais que você acredite que ela não tenha exagerado no chope com frango a passarinho, existe a possibilidade de não haver um filho ali dentro. É mais prudente comentar algo genérico sobre crianças. Se ela estiver grávida, certamente dirá. 

Ligar para um conhecido no meio da tarde, num dia de semana, e perguntar “Você está no trabalho?” também é cretino. Às vezes tenho vontade de responder que não, que estou no motel, gabaritando o Kama Sutra, mas que a posição da catapulta não impede de falar ao telefone. Não importa o grau de intimidade, pergunte apenas se a pessoa pode atender. 

Perguntar quanto alguém pagou por um carro ou apartamento: muito cretino. Deixa implícito que você tem uma noção do valor e que, na verdade, está avaliando se a pessoa fez bom negócio ou não. Ou pior, sugere que o que você realmente quer saber é o poder de compra do seu amigo, fingindo não fazer uma comparação interna com as suas próprias posses e utilizar o resultado da conta da maneira menos nobre possível: para se sentir melhor ou pior. 

A lista é grande. Não quero me estender. Como exprimi antes, a cretinice não está na curiosidade, mas na ilusão de saber o que a outra pessoa irá dizer. O segredo é segurar a língua a tempo e não revelar a sua hipótese. É a única maneira de se proteger. 

Há alguns anos, uma amiga minha cruzou na rua com uma conhecida dos tempos de escola. Elas se abraçaram com saudades, deram gritinhos, perguntaram como andavam as coisas, se abraçaram de novo, celebraram com nostalgia aquele encontro inesperado. A colega, confiando na antiga cumplicidade de amigas de colégio, provavelmente sentindo o prazer de ter superado algum trauma de infância, contou animadíssima que finalmente tinha tomado coragem e feito uma cirurgia plástica. Minha amiga, sem pensar, logo soltou: “Não acredito! No queixo?” O sorriso da colega desabou e quebrou no chão. Perplexa, em choque, tateando o queixo com a mão, a garota respondeu: “Não."

Fonte: http://www.flizam.com/2011/12/odeio-perguntas-cretinas.html


Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Doze maneiras de aumentar a auto-estima de seu filho

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A auto-estima é um ingrediente importante para uma vida feliz e bem-sucedida. A pessoa pode ser abençoada com inteligência e talento, mas se carece de auto-estima, este pode ser um obstáculo em ter sucesso num emprego, num relacionamento e praticamente em todas as áreas da vida.

Os primeiros anos de uma criança são o alicerce para uma auto-estima positiva.

Como pais, não podemos controlar tudo que nosso filho vê, ouve ou pensa, e que contribuirá para sua auto-imagem. Porém há muito que podemos fazer.

Temos a criança nos primeiros anos de vida; Deus nos deu um presente especial – um novo ser humano com uma "lousa em branco". Durante os primeiros anos, aquilo que passa pela cabeça da criança a deixa muito impressionada. Os pais, portanto, têm uma oportunidade de estabelecer uma "conta bancária de auto-estima" na qual a criança armazena muitas coisas positivas sobre si mesma. Nos anos e décadas que virão, esta "conta bancária" compensará as experiências negativas, que são inevitáveis.

Como então fazemos depósitos na conta de nosso filho? Como podemos nós, os pais, construir para a auto-estima de nosso filho? Aqui estão algumas sugestões:

1. Demonstre amor e afeição. Tudo que fazemos com nossos filhos, desde a mais tenra infância, deve ser com afeição e amor. Um bebê tratado com carinho terá um sentimento subconsciente de que é valioso e importante o suficiente para ser amado.

2. Elogie seu filho. Faça elogios ao seu filho sempre que possível, toda vez que ele fizer algo bem feito. Diga: "Estou orgulhoso de você. Você é muito especial. Gostei da sua maneira de fazer isto."

3. Torne seus elogios críveis. É importante, no entanto, que ele acredite nos elogios. Frases exageradas como "Você é o melhor do mundo. Você é a pessoa melhor que já existiu" podem na verdade ser contra-produtivos. A criança desenvolverá um ego inflado, e isso pode afetar seu relacionamento com os amigos, o que a longo prazo terá um efeito negativo sobre sua auto-estima.

4. Estabeleça metas para seu filho. A meta deve ser algo passível de atingir – vestir-se sozinho, conseguir uma determinada nota na próxima prova escolar. Estabeleça metas que sejam apropriadas para a idade e capacidade da criança (estabelecer um objetivo inatingível terá um efeito negativo). À medida que a criança se aproxima da meta, estimule-a e elogie cada sucesso ao longo do caminho. Quando a criança atinge a meta, cumprimente-a e reforce sua auto-imagem como realizadora.

5. Critique a ação, não a pessoa. Quando a criança faz algo negativo, diga: "Você é uma criança especial e muito boa, não deveria estar fazendo isso", em vez de dizer "Você é mau".

6. Confirme os sentimentos do seu filho. Quando seu filho recebe um golpe na sua auto-estima, é importante validar seus sentimentos. Por exemplo, se a criança se ofendeu com um comentário maldoso de um amigo ou professor, diga a ela: "Sim, você ficou ofendida por aquilo que a pessoa disse" ou "Você se ofendeu com o fato de que a outra pessoa não gosta de você". Somente depois que a criança sentir que seus sentimentos foram validados, ela se abrirá, permitindo que você lhe aumente a auto-estima, apontando pessoas que gostam dela, e as coisas positivas que outros disseram a respeito dela.

7. Tenha orgulho do seu filho. De maneira regular, você deve lembrar-se de dizer ao seu filho como você se sente feliz e orgulhoso por ser pai/mãe dele.

8. Fale positivamente sobre seu filho na presença de pessoas importantes na vida dele, como avós, professores, amigos, etc.

9. Nunca compare seu filho com outras crianças, dizendo: "Por que você não é como Carlinhos?" Quando esse tipo de comparação for feita por outras pessoas, diga ao seu filho que ele é especial e único à sua maneira.

10. Assegure que outras pessoas que lidam com seu filho conheçam seus pontos positivos. No início do ano escolar, fale com os professores de seu filho e diga-lhes quais são seus pontos fortes, assim a professora terá uma atitude positiva neste aspecto e continuará a reforçar aqueles pontos fortes.

11. Diga ao seu filho, sempre, que o ama incondicionalmente. Quando eles falham, ou fazem algo errado, lembre-se de dizer: "Você é especial para mim, e sempre o amarei, não importa o que aconteça
!"

12. Cuide de sua própria auto-estima. Você precisa enxergar-se sob uma luz positiva. Pais que não têm auto-estima terão dificuldades em criar um filho com uma elevada auto-estima. Um pai positivo é aquele que sabe que não é perfeito, mas se valoriza, e está sempre tentando crescer e melhorar.


Fonte: http://www.chabad.org.br

Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Casal espanhol acusa pizzaria de São Paulo de racismo contra filho negro

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03/01/2012 - 11h06
Do UOL Notícias, em São Paulo

Um casal de turistas espanhóis acusa uma pizzaria de São Paulo de racismo contra o filho deles. A mãe afirma que o garoto -- que tem seis anos de idade, é adotado, negro e nasceu na Etiópia -- foi confundido com um menino de rua. Ainda segundo ela, o menino foi colocado para fora do estabelecimento.

As informações foram passadas pelo delegado Márcio de Castro Nilsson, do 36º DP (Vila Mariana), onde a mãe do garoto registrou um boletim de ocorrência.

Segundo o depoimento dela, o garoto, que não fala português, estava sozinho na mesa e teria sido abordado por um funcionário da pizzaria enquanto ela e o marido se serviam no buffet. Ao se dar conta de que o menino não estava mais à mesa, a mãe saiu para procurá-lo e o encontrou na rua, chorando. Foi então que o garoto disse que havia sido colocado para fora da pizzaria.

Ainda segundo o delegado, a turista disse que, em um primeiro momento, um funcionário que se identificou como gerente da pizzaria negou o ocorrido e disse que não se passava de um mal entendido. Mais tarde, porém, ele afirmou que, como havia uma feira na rua naquele momento, havia confundido o garoto com um menino de rua.

O fato ocorreu por volta das 13h30 do dia 30 de dezembro, na pizzaria Nonno Paolo, que fica na rua Abílio Soares, no Paraíso (zona sul de São Paulo).

O delegado Nilsson informou que instaurou um inquérito para apurar se houve constrangimento ilegal ou crime de racismo. Se ficar comprovada a ofensa racial, o acusado pode pegar de um a três anos de prisão.

Outro lado

Em nota, a pizzaria negou que qualquer funcionário tenha tocado no menino. Segundo o restaurante, ao ver o menino, um funcionário apenas lhe perguntou sobre seus pais, mas o garoto não disse nada e saiu do estabelecimento sozinho.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2012/01/03/casal-espanhol-acusa-pizzaria-de-sao-paulo-de-racismo-contra-filho-etiope.jhtm

Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tolerância e mudança

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Por Cintia Liana Reis de Silva
Como dizia Sai Baba, mestre espiritual da Índia, “seja tolerante com os erros alheios e cruel com os seus próprios".

Ser tolerante traz sensação de paz. Na medida em que você sente que tem seu tempo para entender e mudar as coisas dentro de si mesmo, tem também a percepção clara de que os outros são assim igualmente. As pessoas mudam, enxergam, até aquelas que escolhem não mudar com esta nova persepção.

Conhecendo a si mesmo entenderá o mundo, o caminho das pedras está no conhecimento da nossa própria subjetividade. Bem assim. Quem somos nós para exigir que o outro veja, que o outro mude? Cada um com o seu tempo e forma de crescer. Quem é psicólogo precisa entender isso o mais cedo possível ou fica louco vendo os erros alheios dentro de um consultório.

Não querer provar nada a ninguém dá sensação de felicidade, realização, completude e tranquilidade.

Mas ser tolerante não significa ser permissivo, submisso e aceitar ofensas. Tolerância é não ser propotente, autoritário, é não querer estar no controle, é não levar tudo como uma ofensa pessoal. É não querer competir, medir força ou influência, querer ensinar há todo momento, é estar em paz, não querer provar nada ao outro.

É fundamental buscar ser tolerante ao extremo para viver em paz consigo e com os outros, trabalhando o senso de valor antes de tudo consigo mesmo.

A psicologia sistêmica mostra e prova que quando mudamos a nossa forma de nos relacionar as pessoas respondem de modo diferente, algo no mundo já muda em relação a nós. Então comece.

Um felicíssimo ano novo para todos nós!

Por Cintia Liana


sábado, 31 de dezembro de 2011

"Vinte coisas que filhos adotados gostariam que seus pais adotivos soubessem"

Mandy Lynne

Extraído do livro “Vinte coisas que FILHOS ADOTADOS gostariam que seus PAIS ADOTIVOS soubessem”, de Sherrie Eldridge.

“Sofri uma perda profunda antes de ser adotado. Você não é responsável”.

“Preciso que me ensinem que tenho necessidades especiais decorrentes da perda da adoção, das quais não tenho por que me envergonhar”.

“Se não lamentar minhas perdas, minha capacidade de receber amor de você e dos outros ficará comprometida”.

“Meu pesar mal resolvido pode vir a tona como raiva de você”.

“Preciso de ajuda para lamentar minha perda. Ensine-me a entrar em contato com meus sentimentos a respeito da minha adoção e então valide-os (respeite-os, faça-os valer)”.

“O simples fato de não falar sobre minha família biológica não quer dizer que eu não pense nela”.

“Eu quero que você tome a iniciativa de conversar sobre minha família biológica”.

“Preciso saber a verdade sobre minha concepção, nascimento e historia familiar, não importa quão dolorosos possam ser os detalhes”.

“Acho que minha mãe biológica não me quis por que eu era um bebê ruim. Preciso que você me ajude a jogar fora essa vergonha tóxica”.

“Tenho medo que você me abandone”.

“Posso parecer mais íntegro do que sou na verdade. Preciso que você me ajude as revelar as partes de mim que mantenho escondidas para que eu possa integrar todos os elementos da minha identidade”.

“Preciso adquirir uma sensação de poder pessoal”.

“Por favor, não diga que eu pareço ou ajo igual a você. Preciso que você reconheça e valorize nossas diferenças”.

“Deixe-me ser eu mesmo... Mas não permita que me afaste de você”.

“Por favor, respeite minha privacidade em relação a minha adoção. Não conte as demais pessoas sem o meu consentimento”.

“Aniversários podem ser difíceis para mim”.

“Não poder conhecer todo o meu histórico medico pode ser uma fonte de tensão”.

“Tenho medo de ser difícil demais de lidar”.

“Quando eu expressar meus medos de maneira antipática, por favor fique do meu lado e reaja com sabedoria”.

“Mesmo que decida procurar minha família biológica, sempre vou querer que vocês sejam meus pais”.
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“Um dos motivos pelos quais as crianças não falam sobre a condição de adotada e que a dor que acompanha a perda é difusa, sutil e difícil de colocar em palavras” (Eldridge, 2004).

Algumas particularidades acompanham crianças adotadas e essas particularidades devem ser respeitadas e trabalhadas com a criança, para que não só a criança, mas a relação entre ela e os pais adotivos se fortaleça e cresça saudável.

Não deixe que seus medos influenciem no direito que a criança tem de saber sobre sua origem e sobre o vínculo que tem com sua família adotiva. Para você pode ser difícil aceitar que a criança não tem vínculo biológico com tua família, mas isso não significa que para a criança isso também será difícil ou negativo. Se prepare, mude seus valores, trabalhe seus medos e preconceitos e fortaleça seu filho no intuito de perceber o quanto a relação de vocês é importante e valiosa. E lembre-se, não trate seu filho como “coitadinho”, o que ele precisa é de respeito.

26 de julho de 2006

Por Cintia Liana Reis de Silva


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

adoção de crianças maiores na perspectiva dos pais adotivos (Parte 3)

Terceira e última parte do estudo científico.

Mandy Lynne

Vantagens da adoção de crianças maiores
No que se refere aos ganhos ou vantagens desse tipo de adoção, a praticidade por se tratar de uma criança maior e mais independente e não precisar dos cuidados básicos de um bebê, e o fato de não precisar fazer a revelação sobre a adoção, seriam as principais vantagens.

Sendo solteira, eu trabalho o dia todo, e ele, sendo maior, eu não tenho a necessidade de cuidar dele pequenininho, do básico (Entrevista 1).

[...] eu preferi adotar uma criança com idade... maiorzinho, porque trabalho sempre dá, mas dá menos aquele trabalho de fralda [...] era melhor pra mim[...] Dava trabalho, mas já andava, já... Não ficava muito no braço, porque a gente com essa idade já está com os ossos meio... Entendeu? [...] Tudo com ele foi mais prático, ele maior (Entrevista 3).
Outra vantagem que foi destacada diz respeito a não ter que se preocupar com a revelação da origem da criança, assunto que muito mobiliza pais e filhos. As entrevistadas 2 e 3 disseram, respectivamente:

[...] A adoção de uma criança mais velha tem uma grande vantagem, que é não ter o momento de contar [...]. É que ela já conhece a história dela [...].

Sugestões para outros adotantes de crianças mais velhas
Por fim, sobre as sugestões que eles poderiam dar a outras pessoas que desejam realizar o mesmo tipo de adoção, destacou-se o amor como elemento fundamental para uma adoção bem sucedida. Além disso, sugeriram: uma preparação prévia, como, por exemplo, um acompanhamento psicológico, freqüência aos grupos de apoio, leituras; a reavaliação dos próprios preconceitos; o fato de ter experiências prévias com crianças ou adolescentes; fazer previamente algum apadrinhamento e colocar limites desde o início. Dos quatro participantes, três recorreram à ajuda de psicólogos para si e/ou para os filhos. Apenas a participante dois, que é casada e já tinha experiência com a criação dos próprios filhos e de uma criança adotada ainda bebê, disse não ter procurado ajuda.

Solteira com crianças maiores tem que ter, assim, uma estrutura muito boa. Eu acho ideal para um casal pegar essas crianças maiores [...] E sonha muito com um pai [...] Eu acho que eu deveria ter me preparado mais para ele. Eu queria uma criança. Tudo bem, agora que eu tivesse um acompanhamento psicológico antes para eu tirar aquelas idéias românticas da cabeça, caí na real porque eu entrei na real sem ter tratamento nenhum, foi de choque (Entrevista 1).
Eu acho que vale a pena, sabe? Exceto pra quem vai adotar pela primeira vez e não tem filhos, eu acho que tem restrições. Agora se o casal é amadurecido, é um pessoal que tem vivências, não que tenha filhos, mas que tenha visto sobrinhos, que tenha vizinho novo, que sabe que aquilo é um comportamento natural [...] (Entrevista 2).
[...] eu acho que primeiro é baixar a guarda, tirar esse preconceito porque eu acho que existe uma série de preconceitos [...] (Entrevista 3).

[...] Primeiro seria apadrinhar [...] Depois do apadrinhamento com... com um bom tempo aí você vai saber quem é essa criança, de que forma você trabalharia essa criança [...] também não dar muita liberdade. Limites, logo de imediato (Entrevista 4).
Os participantes, com suas sugestões, corroboram o que vários autores assinalaram em relação ao cuidado que deve se ter em relação à adoção e, em especial, às adoções de crianças mais velhas (Andrei, D., 2001; Andrei, E., 2001; Dias, 2004, 2006; Schettini Filho, 1998; Vargas, 1998, 2001, 2006), ao preparo tanto dos pais quanto dos filhos. Levy (2005) acrescenta a necessidade de uma rede de apoio, especialmente para os que fizeram a adoção sozinhos e que precisam suprir todas as necessidade dos filhos. Dias (2004) pontua que o sucesso da adoção de crianças maiores depende de fatores como: aceitação da criança real e da sua história; respeito ao seu próprio ritmo; não exigir da criança mais do que ela pode dar; serenidade, paciência e equilíbrio, apoio dos familiares e amigos; busca de ajuda profissional e nos grupos de apoio onde os pais poderão conversar com outras famílias. Em suma, o sucesso dependerá muito mais dos pais na condução da adoção.

Considerações finais
Pode-se concluir que, apesar dos preconceitos vividos e de algumas dificuldades na adaptação das crianças adotados com mais idade, elas estão sendo bem sucedidas. O amor, a paciência, a compreensão e a maturidade afetiva dos pais para superarem as dificuldades, por um lado, e o desejo das crianças de pertencerem a uma família, por outro, foram alguns dos fatores responsáveis pelo sucesso dessas adoções. A ajuda profissional, como, por exemplo, o apoio psicológico e a busca por conhecimentos relacionados ao tema, também contribuiu. Vale salientar que a maioria freqüenta o grupo de apoio à adoção existente na cidade.


Sem dúvida, como foi referido por vários autores no decorrer do trabalho, trata-se de uma adoção que requer cuidados, porque a criança já traz a marca do abandono inicial e do tempo que permaneceu em instituições, especialmente com os adotantes sem nenhuma experiência com crianças. Isto não quer dizer que não sejam possíveis a superação e a adoção mútua, trazendo alegrias, capacidade de realização e comprometimento. É válido ressaltar também a multiplicidade de situações e de características pessoais dos pais e dos filhos que marcou cada adoção, de forma que não se pode generalizar. Cada família vai se adaptando  e criando seu próprio estilo e cultura.

Considera-se de fundamental importância avaliar os próprios preconceitos para que se possa ter uma sociedade mais humanizada e justa. É preciso também que o Estado, através de políticas públicas adequadas, e a sociedade civil, a partir de uma reeducação, se unam na luta contra a dura realidade das crianças institucionalizadas.

Cristina Maria de Souza Brito Dias
Professora e pesquisadora da Universidade Católica de Pernambuco. Coordenadora do laboratório Família e Interação Social. Rua Conselheiro Portela, 130 A, apto 201, 52020-030, Recife, PE.
cristina_britodias@yahoo.com.br
Ronara Veloso Bonifácio da Silva
Concluinte do curso de Psicologia e Bolsista PIBIC/UNICAP. Rua Nelson Castro e Silva, 117, Jardim São
Paulo, 50910-440, Recife, PE, Brasil. ronara_veloso@yahoo.com.br
Célia Maria Souto Maior de Souza Fonseca
Professora e pesquisadora da Universidade Católica de Pernambuco. Rua Edson Álvares, 211/102, Casa
Forte, 52061-450, Recife, PE, Brasil. celiasoutomaior@yahoo.com.br

Postado Por Cintia Liana

sábado, 24 de dezembro de 2011

adoção de crianças maiores na perspectiva dos pais adotivos (Parte 2)

Google Imagens

Dificuldades enfrentadas
Os preconceitos, a agressividade e a falta de limites, as dificuldades na escola e de aprendizagem, bem como os conflitos próprios da préadolescência foram destacados e dificultaram a convivência. A  dificuldade de relacionamento, por sua vez, prejudicou também as relações na escola e a aprendizagem.

[...] colégio, complicado. Da segunda à quarta série eu fui chamado acho que umas cem vezes, lá no colégio (Risos). [...] Fazia gracinhas, perturbava, não fazia as tarefas, mas estou na marcação (Entrevista 4).

Sobre as relações entre adotante e adotado. Ferreira (2003, p. 50) afirma: “Todos os envolvidos direta ou indiretamente nessa chegada da criança passam a viver um processo de adaptação, de ajustamento a uma novíssima situação”. Diante disso, é possível compreender que se trata de um processo em que as relações vão se estreitando aos poucos e passando pelas fases, conforme elencadas por Elena Andrei (2001), que  não do encantamento ao comprometimento amoroso.

A maior dificuldade foi nessa parte de educação e de ele ter um pouquinho de agressividade; ele não tinha respeito, se é mãe, se não é, ele queria bater em mim, e vinha para cima de mim. Tive que procurar psicólogo para me ajudar. Eu chorei muito, mas em nenhum momento eu pensei em devolver ou me arrependi (Entrevista 1).

Com relação ao comportamento agressivo, Weber (1998, p. 112) relata que “às vezes, essa criança pode ter tanto medo que em vez de mostrar amor, ela pode fazer tudo ao contrário, pois de maneira não consciente ela pensa: ‘eu vou ser abandonada novamente, então é melhor não gostar deles’. Portanto, segundo a referida autora, é preciso que os pais adotivos estejam preparados para lidar com “estas reações, até mesmo certa hostilidade inicial, e serem tolerantes em relação a novos hábitos, costumes e sistemas de valores que a criança traz consigo” (Weber, 1998, p. 112).

Reação dos familiares
Nesse aspecto, foi possível perceber que, de maneira geral, os familiares receberam bem a notícia, com exceção de alguns que não concordaram no início, mas depois aceitaram e passaram a conviver bem com a criança. Recortes de falas destacam bem o que foi vivido pelas participantes:

[...] A família do meu esposo aceitou de uma forma mais rápida, né? A notícia foi mais bem aceita. Mas a dos meus pais não. Houve um pouco de resistência, que era uma menina grande, já pensavam nesses problemas: ‘Que vem cheia disso, vem cheia daquilo. Como é que você vai fazer?’. Toda uma resistência. Hoje não, hoje passou o tempo, já acabou essa história [...] (Entrevista 2).

Todo mundo ele chamava de tio, de tia. A mim também, até que foi se acostumando. A família já tem casos de adoção, então aceitaram numa boa (Entrevista 3).

Dias (2006) refere que o preconceito muitas vezes parte da própria família e que a aceitação e o apoio dos amigos e familiares é essencial para o sucesso da adoção. Sendo assim, é necessário que a família extensa seja preparada. A autora pontuou também que a aceitação se dá aos poucos e que a existência de outras adoções facilita a aceitação.

Sentimentos experimentados
Os entrevistados destacaram o sentimento de felicidade por terem se realizado como pai/ mãe,  independentemente das características do filho e de alguma dificuldade de relacionamento. Salientaram ainda o sentimento de ser capaz de realizar algo.

Antes eu vivia aquela coisa egoísta, não tinha com quem dividir. Hoje eu me sinto mais capaz, responsável por outra pessoa. Apesar dos momentos difíceis que passamos, não tira a gratificação, a felicidade que eu tenho de estar com ele (Entrevista 1).

Eu me sinto normal, como mãe dele mesmo. Mas, às vezes, sinto-me cansada porque eu tenho que fazer tudo, não tenho empregada (Entrevista 3).

Apenas o entrevistado de número quatro disse que, apesar de estar cada vez mais se sentindo pai, às vezes se sente triste e desvalorizado por seu filho ainda não reconhecê-lo como pai, mas, mesmo assim, sente-se bem com ele. Vale salientar que esta adoção é recente e que ambos parecem estar ainda no processo de reconhecimento.

Hoje eu me sinto bem em estar com ele. Eu me preocupo com ele. Eu já me arrependi muito, mas hoje eu coloco ele em primeiro lugar (Entrevista 4).

Evolução dos filhos
Todos os entrevistados perceberam essa questão de forma bastante positiva. Eles disseram que várias transformações nos campos afetivo, cognitivo e social ocorreram na vida dos filhos depois da adoção.

Ele já evoluiu cem por cento [...] já está na quarta série, aprendeu a ler, já lê direitinho; na escola, apesar de não tirar notas boas, porque ele não estuda mesmo, ele evoluiu bastante na escola. Emocionalmente também. Ele já tem certeza que eu gosto dele, que ele não vai mais embora. Ele se sente mais seguro  hoje. Ele já bota para fora os sentimentos dele, nós conversamos muito. Esse momento de agressividade diminuiu muito [...] Ele é muito amoroso, apesar dessa agressividade, que é esporádica, ele é uma criança muito amorosa (Entrevista 1).

O que ela fazia era o normal, pra idade, né? E cresceu saudável, inteligente. Ela sempre foi uma menina muito inteligente, muito... assim, ela tem uma... talvez por experiência dela já ou mesmo que ela é uma pessoa que tem uma inteligência muito aguçada, ela tem 10 anos, mas tem comportamento de uma menina de 15, de 16 anos. Assim, tem uma certa maturidade, compreende exatamente o que você quer [...] (Entrevista 2).

A evolução foi boa, devagarinho, mas foi boa [...] Seis anos e pouco ele aprendeu a ler, a escrever, todo mundo até se admirou [...] Está fazendo pelo segundo ano a terceira série, era para estar na quarta série. Mas a evolução dele a psicóloga disse que é até boa, pra ele que não sabia nem falar com 3 anos. Mas agora ele está indo bem mesmo [...] (Entrevista 3).

No início foi complicado, era muito calado, houve rebeldia, regressão... muito ciúme de uma sobrinha minha, da mesma idade, e de dois afilhados que tenho... Hoje melhorou uns 60% (Entrevista 4).

Diante desses relatos, pôde-se constatar o quanto é importante para a criança que os pais a amem sem medo e que possam lhe oferecer um ambiente seguro. Segundo Weber (1998, p. 112), os pais devem “proporcionar oportunidades para a criança de expressar as suas dores e tristezas, ou até raiva e sentimentos de perda”.

Cristina Maria de Souza Brito Dias
Professora e pesquisadora da Universidade Católica de Pernambuco. Coordenadora do laboratório Família e Interação Social. Rua Conselheiro Portela, 130 A, apto 201, 52020-030, Recife, PE.
cristina_britodias@yahoo.com.br
Ronara Veloso Bonifácio da Silva
Concluinte do curso de Psicologia e Bolsista PIBIC/UNICAP. Rua Nelson Castro e Silva, 117, Jardim São Paulo, 50910-440, Recife, PE, Brasil. ronara_veloso@yahoo.com.br
Célia Maria Souto Maior de Souza Fonseca
Professora e pesquisadora da Universidade Católica de Pernambuco. Rua Edson Álvares, 211/102, Casa
Forte, 52061-450, Recife, PE, Brasil. celiasoutomaior@yahoo.com.br

Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A adoção de crianças maiores na perspectiva dos pais adotivos (Parte 1)

Partes mais importantes e resultados de estudo científico.

Mandy Lynne

Título em Inglês:
Older children adoption from the perspective of the adoptive parents

Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo investigar a adoção de crianças maiores porque é menos realizada pelos candidatos à adoção. Neste sentido, pretendeu-se compreender, junto aos adotantes, como percebem e vivenciam essa adoção. Foram realizadas quatro entrevistas, conduzidas de forma semidirigida e individual. Os resultados revelaram que a motivação dos pais adotivos esteve relacionada ao puro altruísmo e ao desejo de se realizar enquanto mãe/pai, como também à praticidade e desejo de companhia. Apesar do preconceito sofrido por causa do passado da criança e de algumas dificuldades adaptativas, pode-se concluir que, com amor e ajuda profissional, as adoções estão sendo bem-sucedidas.

Palavras-chave: adoções necessárias, preconceito, cultura de adoção.

Apresentação e discussão dos resultados

Motivações para a adoção
Através dos relatos dos quatro participantes, pôde-se observar que a motivação para a realização desse tipo de adoção foi devida, principalmente, ao puro altruísmo e ao desejo de se realizar enquanto mãe/pai, através de uma forma mais solidária de parentalidade. A praticidade e o desejo de ter uma companhia também se destacaram como fatores motivadores.

Dois entrevistados adotaram crianças que se encaixam no primeiro grupo referido por Elena Andrei (2001), enquanto dois adotaram crianças bem mais velhas, inseridos no grupo dois, por estarem sensibilizadas com a situação dos menores. Esses resultados reforçam as palavras de Schettini Filho (1998, p. 12), quando diz: “O desejo de adotar se explica das mais variadas formas que estão vinculadas à história e à necessidade do adotante [...] Enfim, as pessoas adotam filhos motivadas por circunstâncias físicas, sociais e emocionais”.

Recortes de algumas falas ilustram a motivação:
Eu já tinha vontade de adotar [...] os meninos são mais difíceis de serem adotados; e quanto mais velho, mais difícil [...] Eu procurei um menino que as pessoas não queriam mais adotar (Entrevista 1).

[... ] eu pretendia adotar uma novinha, mas... uma outra novinha... mas aí apareceu a criança, apareceu uma menina e que... eu a conheci e que teve certa dificuldade de encontrar uma família pra ela. Então, aquilo ali me sensibilizou muito [...] (Entrevista 4).

Essas falas confirmam os resultados de uma pesquisa realizada por Ebrahim (2001) que detectou que 51% dos adotantes tardios adotaram mais por se sensibilizarem com a situação de abandono das crianças.

A necessidade de companhia transpareceu na fala do único homem participante:
[...] eu procurei, assim, já uma criança que estivesse numa idade já elevada que pudesse também ser um torcedor do Sport e que juntos pudéssemos ir ao shopping, tudo o que tivesse lazer, certo? Participasse comigo até nas horas de alegrias e de tristezas (Entrevista 4).

Tempo de adaptação
Com relação ao tempo para a adaptação da criança, dependendo da forma como se deu a separação da família biológica, do tempo que passou no abrigo ou em situação de negligência ou de abandono, da ocorrência de outras separações e maltratos, a adaptação a uma nova família pode ficar mais lenta ou difícil (Vargas, 2006). No entanto, ela é possível, pois “o sentimento de família não é um instinto, mas sim uma construção resultante de uma íntima e sadia convivência” (Andrei, D., 2001, p. 93). O sucesso depende também da forma como os pais lidam com as dificuldades.

As respostas quanto a esse tema foram bem heterogêneas: uma relatou que a filha se adaptou muito bem desde o início (ela estava com 3 anos e meio de idade e passou por algumas famílias); uma disse que o filho foi se adaptando aos poucos (adotou um garoto com 3 anos que estava abrigado), e dois participantes disseram que os filhos ainda estão se adaptando (estes foram adotados com 9 e 10 anos e também estavam abrigados).

Foi horrível! No primeiro mês foi um menino maravilhoso; tomava banho todo dia, ia para escola todo dia sem reclamar; uma maravilha, um menino maravilhoso. No segundo mês, quando ele viu que não voltava mais, ele começou a ficar à vontade e aí ele começou, e até hoje, não quer escovar dente, só toma banho quando quer, para ir para escola é a maior dificuldade, às vezes passava dois, três dias sem ir. Hoje em dia é mais difícil ele não ir (Entrevista 1).

No início acho que foi bem complicado. [...] Pensei em colocar ele de volta, acho que num abrigo aí. Em qualquer lugar porque já estava cansando [...] Ainda está se adaptando, muito. De vez em quando tem uns problemazinhos. Quando eu penso que ele já está melhor, ele parece que dá uma regressão e começa a dar ‘nó cego’[...] A rebeldia dele, as ignorâncias [...] a brincadeira dele... quando está brincando é só porrada, mordida, empurra [...] Ele agora está bem melhor [...] (Entrevista 4).

O conteúdo destas respostas ressalta o que Vargas (1998) afirmou, baseada em um estudo realizado sobre adaptação de crianças adotadas, no qual observou que, dentre os vários comportamentos que essas crianças podem apresentar, destacam-se os comportamentos regressivo e agressivo. Outro autor complementa: “quando os requisitos básicos da liberdade e da privacidade faltam, e é justamente isso o que acontece nas Instituições, planta-se sem querer as sementes da revolta e da rebeldia, que brotarão na primeira oportunidade” (Andrei, D., 2001, p. 94). Por outro lado, é válido destacar que alguns comportamentos elencados pelos pais (rebeldia, dificuldade com higiene pessoal e escolaridade) fazem parte da fase pré-adolescente em que essas crianças se encontram, não sendo especificidade apenas da adoção.

Em compensação, outra participante fala da facilidade com que a filha se adaptou:
A adaptação dela foi rápida. Acho que em uma hora (risos). Já falava ‘mainha’, ‘painho’. Na verdade, ela estava muito carente, procurando uma família... (Entrevista 4).

Vale salientar que essa participante possuía experiência prévia de criação dos filhos biológicos e uma filha adotada ainda bebê, o que, certamente, lhe forneceu mais condições para lidar com a adoção de uma criança mais velha.

Cristina Maria de Souza Brito Dias
Ronara Veloso Bonifácio da Silva

Célia Maria Souto Maior de Souza Fonseca


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A menina que não quis ser adotada

Este texto foi escrito por uma jovem que, quando mais nova, atendi algumas vezes quando era perita de uma Vara da infância e juventude no Brasil. Ela me pediu que o publicasse. Talvez na tentativa de achar a sua mãe.
Observem a fidelidade e aliança que ela tem com a figura materna. Ela, de fato, nunca aceitaria a adoção.
É o outro lado, para a gente ver como funciona.
A partir do terceiro parágrafo ela começa a contar a sua história de modo objetivo.
Eu fiz algumas correções ortográficas, mas não muitas para não descaracterizar o texto. Tirei todos os nomes próprios, incluisve dos abrigos onde ela passou e de lugares que pudessem identificá-la por outros, que não a própria mãe.
Boa leitura. Para a gente fica a reflexão e o respeito por esta jovem, que decidiu doar a vida a procura da mãe perdida, que nunca se despediu dela.
We heart it

Viva a Vida
Sei que a partir do momento que você posta algo sobre você, algo pessoal, esse algo sobre você, fica exposto para que todos vejam mais eu decidi me abrir com o mundo passar um pouco do que vivi através das palavras, mas não julguem estamos aptos a erros, passados e lembranças, afinal a vida muda a cada minuto... Falamos tanto em status e não nos preocupamos com o  necessário, aquilo que construímos de nós mesmo, definir é o que tempo faz com cada um de nós, porém se basear no que a mídia quer que você seja é uma forma de plagiar o que quer ser e não o que realmente se é, porém não me encaixo nesse padrão plagiar, para  a maioria é tão simples julgar quando na verdade não se sabe o que se passa dentro de cada mente, de cada ser e cada vivência.
Na vida aprendemos que nada é como queremos, porém toda experiência é um aprendizado único da qual partilharemos e aprenderemos que nada se julga antes mesmo de ser conhecido, pois todo obstáculo contém uma enorme quantidade de aprendizado, onde nada se perde e tudo se aprende!
Tudo começou quando minha mãe se envolveu com pessoas erradas, tal amiga dela, que dizia ser amiga, mas quando estávamos em casa essa que se dizia SER amiga tentou matá-la, mas minha única sorte é que eu estava dormindo e minha mãe estava acordada, só que quando ela ouviu chiados e olhou pela brecha da janela, ela viu a tal amiga armada descendo com dois rapazes para matá-la, então se pôs embaixo da cama e rezou para que jamais a encontrasse, arrombaram a porta, mas por algo forte não acordei, não sei pela graça de quem... E minha mãe debaixo da cama desesperada, orando para que nada me acontecesse, eles haviam pensado que ela havia saído e me deixado em casa trancada... Apenas olharam e saíram, pois naquela época eu era pequena, quando saíram minha mãe desesperada enrolou de uma ladeira abaixo atrás de ajuda, mais a única que pôde nos ajudar era uma vizinha, que via meus prantos de medo e aflição... Aprendemos que nada na vida é em vão, de tudo se obtém um aprendizado!

Então minha mãe decidiu viajar sem permissão dos meus familiares para um lugar chamado Salvador (Bahia), como era pequena não podia recusar pensava em apenas estar com ela, pois a amava e a amo. Digito isso com lágrimas nos olhos que a cada palavra me fazem derramar o que sinto. Viajamos de carona ela com malas na mão e correndo risco com apenas uma criança que jamais sabia para onde estava indo, por muitas vezes tive que dormir na rua, até que então cheguei a Bahia, em Salvador, ou seja, no 2 de Julho, onde minha mãe passou a usar químicas e a se prostitui devido a falta de grana, e ela me tratava com muito amor e carinho apesar disso, mas como ela trabalhava a noite ela me deixava com alguém, mas que também se metia em muitas confusões, que por várias vezes vi minha mãe ser agredida por homens onde nada pude fazer, mas haviam coisas como as drogas que tornavam minha mãe uma pessoa agressiva e violenta, ela me batia quando estava sob efeito.. até que um dia eu fugi de casa, fui pra rodoviária, com o intuito de voltar para Recife para onde estavam meus dois irmão e minha família, mas foi quando o Juizado me pegou e minha mãe que nem uma desesperada a minha procura sem saber onde estava, foi que me puseram no abrigo para menores chamado (...).
E muitos diziam que minha mãe voltaria para me buscar, mas sempre me pus a esperar e nada, e nesse abrigo entrei com 9 anos de idade fiquei nele por anos à esperar e nada de minha mãe aparecer, até que me puseram para adoção, só que não fiquei, pois a única coisa a ficar em minha mente era voltar para minha mãe, fui para muitos psicólogos e os anos iam se passando quando tentaram me adotar mais uma vez e aí embarquei só que não fiquei pois ainda me perturbava o fato de que se minha mãe for no Juizado me procurar, eu estando adotada, ela jamais me encontraria, então fui para um outro abrigo, ou seja, orfanato para meninas, só que de freira a (...), onde fiquei com 15 anos de idade. Fugi e me pegaram, mas me puseram em outro abrigo (...), mas dessa vez fugi e jamais conseguiram me encontrar, porém o tempo me mostrou que não existe impossibilidade quando se tem um sonho e quando lutamos por ele, foi o que ocorreu ao me levar para perto da pessoa mais íntima de minha mãe biológica, mas logo em seguida soube da parte dela que minha mãe havia sumido, mas acredito que o tempo é sábio e esperar é um dom que Deus me permitiu possuir e, às vezes, o medo de me deparar com uma realidade cruel me domina, é algo que vai além de qualquer crença, porém explicar ainda é complexo, fugir pra tentar construir uma vida e procurar minha  mãe.
Encontrei meu ex-marido que me ajudou e me ensinou o que é a vida, passei fome, fui humilhada, fiquei como uma andarilha na casa de um e outro, mas meu único refúgio era (...) onde aprendi que pra ser feliz não precisa de dinheiro, que a felicidade se manifesta nas pequenas coisas que Deus nos oferece, não por querer, porém aprendi a encarar as coisas como aprendizado, porém evitar os erros ainda é inevitável, mais por falta de opção, mas minha vida hoje, digo de minha infância pra cá, foram e está sendo o maior inferno, pois não tenho conseguido superar mais nada, pois minha vida está parada, pois meus documentos estão na mão do Ministério Público, onde ele dará apenas a um namorado meu, só que de maior.
Tenho tentado esconder mas em meu rosto demonstra o rosto de cansado e um olhar amargurado, muitas pessoas podem me olhar com olhar criticado, mas se tem uma coisa a qual busco são objetivos que venho tentando encontrar! OU SEJA, MÃE, ONDE VOCÊ ESTÁ?!

É na caminhada do fracasso que aprendemos a valorizar pequenas conquistas e que conhecimento não se adquire do nada, é necessário passar primeiro pela linha do fracasso para se obter conhecimento, saberia não se dá, se conquista!
Voltei ao abrigo onde convivi por um longo tempo, revi pessoas e ouvir negatividades da parte das pessoas. Se você não acredita em si mesmo as pessoas nunca poderão acreditar, escolher entre o sucesso e o fracasso, optaria pelo fracasso, pois é com ele que você aprende a valorizar as pequenas vitórias que a vida te dá, e aprende que sorrisos às vezes vem de pessoas que não nos querem bem, por trás de sorrisos pode haver maldades.
Devemos encarar as circunstâncias como pequenos passos para um futuro brilhante, nenhum vencedor chega ao ponto de chegada sem antes ter passado pela linha do fracasso, somos seres em busca de horizontes, experiências e aprendizado, e chorar não é admitir o fracasso, mas ter a coragem de abrir com os olhos o que o coração não pode dizer com as palavras, e amar o próximo deve estar além de qualquer circunstância, por mais magoada(o) que você fique e por mais que as pessoas machuquem, por que deixar de amar é como deixar de existir, e na caminhada percorrida as pessoas nunca vão admitir nossas qualidades, elas sempre observarão nosso defeitos e apontarão sempre nossos erros, e aprenda a ser sempre você sem diminuir os outros, pois da mesma forma que se pode estar por cima, pode estar por baixo, a vida é um jogo da qual as coisas planejadas nunca saem conforme dito, a vida sempre dá um jeito de nos surpreender, e saudades deixam aqueles que partem sem se despedir, e partir sem dizer adeus é uma forma de deixar um até logo.
As circunstâncias foram longas e os obstáculos cada vez maiores, me impulsionando á desistência, e a dor dentro de mim passou a ser maior, então optei pelo ato mutilátorio (cortes), que para muitos foram atos de tolice, sem questionar o que havia por trás de tal ato, somos seres questionadores em busca de soluções óbvias acerca da vida, erramos e aprendemos com isso, mas as pessoas que nos cercam nos condenam como feito erro eterno, as pessoas julgam as outras se olhando no reflexo do próprio espelho, definição é o que na verdade não temos acerca de nós mesmo, nos destruímos, cigarros, bebidas, drogas é o que nos faz parecer diante daquele que tachamos como tolo.
Foram tentativas, medo, ódio e ao mesmo tempo amor e desejo em busca de um futuro incerto, você nunca saberá se não tentar, mas em meio aos caminhos tortuosos encontrei pessoas que se puseram a me ajudar, e pela minha criatividade de escrita muitos foram os que duvidaram do que passei, mas tenho certeza que minha vida não se baseia nas dúvidas das pessoas, mas no aprendizado, aprendi a reconhecer a grandiosidade de Deus nas pequenas coisas acrescentadas a mim, e ao contrário do ano 2010, meu 2011 está sendo repletos de conquistas, aprendizados e pessoas que durante toda á minha trajetória nunca me deixaram de lado e sempre me aceitaram da forma que sou, enquanto a sociedade julga-me pela aparência os verdadeiros me julgam  pelo que sou, porém somos quem quisermos ser!
Aprendemos que não se pode mudar  o passado, porém o  presente existe para se fazer diferença!

E na caminhada sempre há experiências que deixa cicatrizes, uma ferida nunca sara sem deixar pequenas cicatrizes assim são as experiências o tempo não é capaz de curar apenas ameniza, mas deixam aprendizado, assim como a sabedoria que não se compra, mas se adquire ao logo do tempo, dando a cada um de nós um pouco de maturidade e por muitas vezes por escolha optei por estar só, tentei esconder de muitas pessoas quem sou por causa de muitos medos, mas devemos ser nós mesmos sem nos mascarar por que por mais que o tempo demore as máscaras sempre caem!
(O nome da autora é protegido)