"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Palestra sobre adoção nos diários associados

 Luiz Schettini – Crédito: Larissa Lins/DP/DA Press
É preciso entender primeiramente que a relação pais-filhos depende muito mais do afeto do que da genética, para aproveitar do modo como deve ser aproveitada uma palestra do Dr. Luiz Schettini Filho. Renomado e conceituado em todo o mundo, Schettini discursa sobre os aspectos psicológicos do processo adotivo. Autor de 20 livros, dos quais oito tratam diretamente da adoção, o psicólogo, teólogo e estudioso revelou ainda que possui um certificado de jornalista, da época em que ainda não havia graduação para a atividade. Esta manhã, seu palco foi o auditório dos Diários Associados, onde conversou com os jornalistas a respeito das implicações psicológicas das adoções.

Schettini iniciou a palestra lembrando que qualquer filiação transcende o genético e se apóia nas questões éticas, de escolhas pessoais e busca afetiva. “Quando ouço falar em laços de sangue, isso sempre me soa um pouco vampiresco”, brincou o psicólogo, enquanto explicava que cada adoção nasce de uma procura já existente.

Schettini defende que assim como marido e mulher são a princípio dois estranhos que acabam por estabelecer um vínculo de amor, crianças adotadas podem e devem ser acolhidas ultrapassando as barreiras genéticas e sanguíneas. A também psicóloga Suzana Schettini, que é esposa do Dr. Schettini, ressaltou ainda a importância de focar o processo adotivo no bem estar das crianças, não apenas na satisfação dos pais. Ela coordena o GEAD (Grupo de Estudo e Apoio à Adoção) no Recife, que visa desmistificar preconceitos acerca do assunto e disseminar uma nova cultura de adoção.

Os jornalistas que compareceram ao avento, assistiram ainda à uma palestra do Desembargador do Tribunal de Justiça, Luis Carlos Figueiredo, que orientou os comunicadores sobre como transmitir na mídia informações judiciais. Foram dadas instruções sobre como proceder com publicações que envolvam menores de idade, infrações e processos adotivos sob os cuidados da Justiça. Luís Carlos é relator da Lei 12.010, conhecida como a Nova Lei da Adoção, produzida em 2009 e que atualmente guia os rumos da adoção no Brasil.

Casos como o assassinato do bispo Robinson Cavalcanti e sua repercussão na mídia entraram em pauta como exemplos do destaque negativo que muitas vezes se dá à adoção nas manchetes dos jornais. Dr. Schettini, Dra. Suzana Schettini e o Des. Luis Carlos problematizaram o fato, explicando que a culpa que se atribui a um filho adotivo deve ser a mesma atribuída a um filho biológico, já que ambos estabeleceram a relação de pai e filho ao longo de anos de criação.

Uma curiosidade sobre o grupo de palestrantes é que os três são também pais adotivos. “Nós vivenciamos a adoção na teoria e na prática, por dentro e por fora, do café ao jantar”, pontuou Suzana Schettini.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pelo direito de não querer ter filhos


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Por Casal Sem Vergonha | Yahoo! Brasil – 23 minutos atrás

Por mais que nos consideremos seres livres, estamos presos à amarras invisíveis que se apoiam na desculpa das tradições culturais. Ter filhos é uma delas. Por mais que estejamos vivendo num período em que preconceito com quem questiona o padrão nesse quesito começa entrar em processo de queda, muita gente ainda te olha como um extraterrestre quando você pronuncia as palavras: “Eu não quero ter filhos.”

Ter filhos sempre foi uma tradição muito cultuada e esperada na sociedade. Tanto é que um dos papéis principais de nossas mães e avós era parir e cuidar dos filhos. Além de cuidar da casa, essa era a função principal de todas as mulheres – muitas delas nem tinham o direito de questionar se queriam realmente ser mães. Esse comportamento se explica pois ele segue a ordem de evolução da natureza – machos caçam e espalham os seus espermatozóides para o maior número de fêmeas que conseguirem na vida. A fêmea aguenta o filhote no bucho, dá a luz, cuida da cria enquanto o macho sai em busca de alimento. Mas temos que ter muito cuidado ao criar conceitos tão importantes para nossas vidas, nos baseando na realidade dos outros animais. As pessoas não precisam mais se preocupar em reproduzir desesperadamente, porque já conquistamos nosso espaço como espécie e principalmente pelo fato que o mundo já está superlotado. Nossa realidade hoje é outra.

Não estou dizendo aqui que as pessoas devem parar de dar cria. Imagina. As gerações precisam continuar, a economia precisa de mão de obra jovem, criança é vida. Mas isso não significa que TODO MUNDO precise fazer isso. Só que algumas pessoas ainda não perceberam isso, e nem se questionam realmente se se consideram preparadas para colocar mais um ser no mundo, em questões financeiras e (principalmente) de sanidade mental. Sério. Tem gente que não dá conta nem da própria vida e quer mesmo ser responsável pela criação de uma outra, ou, nos casos mais dramáticos, de muitas outras. Fico me perguntando: se de repente não querer ter filhos fosse visto como uma escolha tão comum quanto não querer pintar as unhas do pé, quantas pessoas teriam escolhido resolver seus problemas primeiro em vez de envolver mais um serzindo neles? Ou seja, a questão não é não ter filhos – é ter o direito de escolher se quer tê-los, sem precisar prestar contas para um monte de gente.

Há também o caso de mulheres que sofrem preconceito por decidirem ter filhos mais velhas – vulgo, com mais de 30. Ora, se hoje as nossas condições de vida permitem que uma mulher de 30 anos esteja no auge de muitas coisas, como podemos dizer que essas mulheres já estejam ficando velhas demais para essa escolha? Sim. Há questões de saúde, mas a medicina tem avançado muito nessa questão, desenvolvendo alternativas para mulheres que decidem engravidar mais tarde. Há também a questão da disposição – uma mãe de 45 anos provavelmente não terá a mesma disposição que uma de 25, mas como saber se, em questões de sabedoria, uma mulher nessa idade está muito mais centrada e certa dos valores que quer passar para um outro ser? E aí o que vemos são mulheres desesperadas com a possibilidade de não estarem prontas psicologicamente para gerar outro ser, mas que ignoram esse fato em nome da pressão invisível que ainda insiste em clamar que mulher que não teve filhos, não teve real utilidade para a vida. É aquela velha história “- Você vai mesmo deixar sua mãe sem netos?”, como se devêssemos fazer uma escolha tão séria em nome de uma vontade das nossas mães – elas já tiveram as vidas delas, as chances delas, e já fez as escolhas delas. Agora é a nossa vez.

A escolha de querer ter filhos precisa vir de dentro (não só do chamado do corpo, mas também das condições da mente), e não de imposições sociais ou familiares. Assim como casar na igreja, ou morar junto, as pessoas precisam entender que a realidade de hoje é diferente, e que esses conceitos podem e devem ser revistos, para que sejam ajustados da melhor forma a realidade de cada um – hoje. Fazer as nossas escolhas em vez de ir pro caminho que o vento te leva, é a maior garantia de uma vida mais feliz e, o mais importante, com menos arrependimentos.
 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Após repercussão, STJ admite rever decisão sobre estupro

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Após repercussão negativa, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ari Pargendler, admitiu nesta quinta-feira (29), que a Corte pode rever o julgamento em que inocentou um homem que manteve relações sexuais com meninas de 12 anos. Pelo entendimento do tribunal, a relação sexual entre um homem e crianças menores de 14 anos de idade não configura necessariamente o crime de estupro.

“É um tema complexo. Foi decidido por uma seção do tribunal. É a palavra do tribunal, mas evidentemente cada caso é um caso. O tribunal sempre está aberto para a revisão de seus julgamentos. Talvez isso possa ocorrer”, admitiu Ari Pargendler.

O resultado do julgamento recebeu crítica de vários setores – do governo, do Parlamento e dos Procuradores da República. A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, criticou o resultado do julgamento e defendeu a reversão da decisão. “Quem foi julgada foi a vítima, mas não quem está respondendo pelo crime”, afirmou revoltada.

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) classificou a decisão do STJ como uma afronta ao princípio da proteção absoluta de crianças e adolescentes. “O tribunal pressupõe que uma menina de 12 anos estaria consciente da liberdade de seu corpo e, por isso, se prostitui. Isso é um absurdo”, afirmou o presidente da associação, Alexandre Camanho.

Já os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga a violência contra a mulher, aprovaram uma nota de repúdio à decisão do STJ. A presidente da Comissão, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) disse que a decisão abre um precedente que fragiliza pais, mães e todos aqueles que lutam para cuidar de nossas crianças e adolescentes.

E concorda com a decisão da ministra Maria do Rosário de encaminhar solicitação ao Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, e ao Advogado-Geral da União, Luiz Inácio Adams, para que analisem medidas judiciais cabíveis para reversão da decisão.

De Brasília
Com agências

fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/stj-admite-rever-decisao-sobre-estupro

Código Penal


Art. 217-A.  Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 1o  Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 3o  Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 4o  Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.(Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

STJ, crianças exploradas e minha indignação

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Por Márcio Rosa da Silva 
Indignação, perplexidade, incredulidade até. Foi assim que recebi a notícia de que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) inocentou um sujeito que manteve relações sexuais com três meninas, com idade de doze anos cada uma. A legislação brasileira considera criminosa qualquer relação sexual com pessoa com menos de quatorze anos, mesmo assim a corte absolveu o homem que praticou os estupros.
Conforme notícia do site do próprio STJ (www.stj.jus.br, acessado dia 30.03.2012), a absolvição não se deu por falta de provas, isso nem se discutiu. O fato, as relações sexuais, foi comprovado. O que ocorreu, para meu espanto, é que a corte entendeu que as meninas de doze anos, repito DOZE ANOS, já tinham muita experiência sexual e já se prostituíam há tempos, o que, segundo eles afasta a ocorrência do crime. Literalmente a decisão diz o seguinte: “Com efeito, não se pode considerar crime fato que não tenha violado, verdadeiramente, o bem jurídico tutelado – a liberdade sexual –, haja vista constar dos autos que as menores já se prostituíam havia algum tempo”.
As “menores” a que se refere a relatora do recurso, sim uma mulher, eram, na época dos fatos, adolescentes com doze anos de idade. Afirmar que elas “se prostituíam havia algum tempo” é reconhecer que elas eram vítimas de crimes sexuais desde quando eram crianças, que haviam sido submetidas à exploração sexual desde tenra idade. Ninguém com doze anos se prostitui, mas sim é submetida à prostituição e à exploração sexual. Meu Deus, são vítimas. Mas no caso julgado por suas excelências foram consideradas as responsáveis pelo estupro, as causadoras do crime, as sedutoras que não deram chance de o agressor resistir. Foram mais uma vez vitimadas. E o adulto agressor? Ah, esse um ingênuo que não teria condições de discernir sua conduta criminosa.
Não podemos aceitar tamanho disparate. Nós, adultos, temos que ter a responsabilidade de proteger nossas crianças de toda forma de exploração e violação de direitos. É isso que impõe o princípio da proteção integral, presente na Constituição Federal. Não é aceitável que crianças sejam submetidas à prostituição e que os adultos exploradores não sejam punidos. É inadmissível que se institucionalize a exploração sexual de crianças e adolescentes. Isso é uma doença, uma chaga social que recebeu a aquiescência, pelo menos por ora, do STJ.
Milhares de crianças e adolescentes ficaram ainda mais vulneráveis depois dessa decisão. Milhares de agressores, estupradores e pedófilos se sentirão mais à vontade para continuar fazendo vítimas. Temos que ser a voz de protesto dessas crianças, já com pouca voz por conta das ameaças que sofrem e que lhes impõe a lei do silêncio, e agora ainda com menos força diante de tamanha injustiça. Nós que a temos, devemos falar.
Chocado com essa postura dos julgadores de uma das mais altas cortes do Brasil, concordo com o já saudoso Millôr Fernandes: “Se isso tudo não for um pesadelo, este país vai mal”.
Márcio Rosa da Silva

domingo, 1 de abril de 2012

Filhos como companheiros

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"Não sabemos o que podemos esperar de um filho adotivo, como não sabemos o que podemos esperar de um filho biológico, pois são seres humanos que se desenvolverão na troca com o mundo, na troca com as pessoas, que se formarão independente do nosso desejo, pois têm coisas que estão longe do nosso controle ou manipulação. O que podemos fazer é darmos o melhor de nós mesmos, sermos sinceros com o mundo a as pessoas que nos cercam, não nos comportarmos de forma contraditória com nossos discursos. Podemos eleger nossos filhos como companheiros e não alguém que vamos moldar, manipular ou fiscalizar, mas como um ser que precisa de auxílio e que podemos, antes de tudo, respeitá-lo naquilo que ele é, naquilo que ele traz, naquilo que ele faz a diferença, não lhe tirando a sensibilidade, a intuição e  a percepção".
Cintia Liana Reis de Silva em seu primeiro livro "Filhos da esperança".

sábado, 31 de março de 2012

A mente de 4 a 6 anos

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Por Marilena Henriques Teixeira Netto

Nessa idade, o começo de uma socialização se inicia e os grupos começam a se formar. Grupo de meninos e grupo de meninas. É fácil de se entender o motivo de tal separação, mas quando voltamos às características da fase de 2 a 4 anos, entendemos melhor o porquê.


Como é comum a brincadeira de colocar roupas dos pais para tentarem entender como esses pais se comportam, (e assim fazer a distinção entre o EU e o OUTRO) o menino imagina que caso comece a brincar com os brinquedos de menina ele poderá se tornar uma delas e vice-versa.

É comum vermos então meninos na idade de 6 anos, “desprezando” as meninas e seus brinquedos.
Inútil será nessa fase, a tentativa dos pais de tentarem aproximar os dois grupos.

Como é uma fase dos “Por quês?” é natural que já perguntem “Por onde sai o bebê?”

O importante aqui é satisfazer cada curiosidade da criança respondendo APENAS ao que ela pergunta. Geralmente nessa hora, alguns pais já se adiantam e imaginam que precisem discorrer sobre toda a concepção, etc… Isso não é necessário. Se ela ouvir uma explicação resumida como: “Tem um buraquinho em baixo e o bebê sai por ali.” e isso não a satisfizer ela perguntará mais. E a cada pergunta, uma única resposta.

A curiosidade sobre “como entram os bebês” ou “como se fazem os bebês” só virá mais tarde perto dos 8 ou 10 anos; variando de criança para criança.

Uma ótima oportunidade de valorizar seu filho nessa época, é jogar o Jogo da Memória com ele. Enquanto o adulto tem uma visão mais geral, eles têm a memória de curto prazo e facilmente ganharão.

Muitas mães reclamam de dão ordens às crianças e passam o dia todo gritando. Mas desconhecem que nessa fase, a variedade de informação é tão grande, e acontece com tanta rapidez, que eles absorvem uma profusão enorme dessas informações, juntamente com as ordens e gritos da mãe. Nesse momento, o mais prático é entrar no campo de visão da criança, segurar sua cabecinha, fazer com que ela olhe para você e lhe dizer o que quer que ela faça.

Inútil, também, querer que ela acompanhe a noção de tempo. Dizer-lhe que ela só vai brincar 10minutos e depois terá de parar e tomar banho, será uma recomendação inútil. Ela não irá compreender e nem você entenderá porque ela não obedeceu.

Caso você queira que ela já comece a ter noção de tempo, deixe um relógio com ela de ponteiros grandes e lhe mostre como funciona o ponteiro maior. Ex: quando o ponteiro chegar aqui nessa posição, ou nesse número, você já pode parar de brincar…..

Com situações assim, a criança estará mais apta a entender o que você pede, e você evitará os desgastes e conflitos nessa fase.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Entrando em contato com a vida

Cintia Liana. Itália.

A grande maioria das pessoas passa toda a vida sem ter a mínima idéia de quem são de fato, do que as compõe, sem se olhar com cuidado.

Quando falamos sobre os nossos segredos, medos e dores exterminamos vários fantasmas. Quando damos nome a uma dor estamos prontos a escutá-la, trabalhá-la e superá-la.
Quando falamos sobre as nossas dificuldades pessoais vencemos barreiras e nos libertamos de prisões emocionais.
Encare os seus fantasmas, fale sobre eles, dê nomes e eles logo desaparecerão.
Admita, assuma com firmeza, deixe fluir o que há em você. Dê espaço para o que é bom chegar.
Escolha ser leve, escolha viver na verdade. Com o tempo se pega o jeito, com o tempo se toma gosto. A vida deve ser um prazer, mas se deve aprender a vivê-la.

A psicoterapia te possibilita ter nas mãos uma lente de aumento para enxergar a vida e as relações, é um mergulho na realidade.
A escolha do autoconhecimento é um pacto de crescimento. Nada pode nos levar para trás quando firmes escolhemos andar avante.
Cintia Liana

segunda-feira, 26 de março de 2012

A dor na separação dos pais

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Por Cintia Liana Reis de Silva*

Os “adultos” precisam entender uma coisa. Quando eles se separam o filho não sofre pelo rompimento do sub sistema familiar “casal”, não importa se eles continuarão se beijando ou não. O filho sofre pelo fato de que terá que abdicar da presença de um dos dois em casa, sobretudo se esse um for uma figura muito importante e sã em sua vida.

Não adianta, o filho pequeno não entenderá a dimensão dos fatos, não adianta muito conversar, explicar, colocar para fazer terapia... Ele não terá maturidade para entender que não está sendo abandonado, ele se sentirá abandonado de qualquer modo, a situação gera insegurança, vazio e medo. Os pais é que devem fazer terapia para serem orientados em como fortalecer a criança, entender o seu mundo e minimizar seu sofrimento.

Ninguém o está abandonando, mas ele sentirá a dor do abandono e da distância mesmo assim. O pai pode visitá-lo todos os dias, mas para ele não bastará. Pode falar, mas ele continuará sentindo a dor da separação e da mudança do cotidiano familiar.

Por isso, antes de ter um filho, se deve escolher bem o parceiro, porque a criança carregará a dor da separação até adulto, mesmo que ela negue. Quando tiver humildade e maturidade terá a percepção de que precisa trabalhar esta lacuna e irá em busca de orientação profissional, fará terapia para curar essa péssima sensação que o acompanhou por tantos anos. Essa separação certamente fez desenvolver uma auto estima mais baixa, por ter achado que não foi suficientemente amada, que não era boa o bastante, o que gerará alguns outros problemas de socialização.

Têm pessoas que crescem afirmando que a separação dos pais não lhes causou nada, pois têm sucesso, não têm “problemas”, mas é preciso sinceridade e humildade para se entender que nossa realidade interna é desconhecida mesmo, que precisamos mergulhar na hipótese da existência de uma angústia e de existirem muitos reflexos advindos da separação de um dos pais.

O abandono é muito dolorido, é cruel, é monstruoso, pode acabar com as esperanças de futuro de uma criança e, por tanta dor, muitas vezes as pessoas acham melhor não vê-lo.

Imaginem então o que sente uma criança que foi de fato abandonada! A dor existe, não adianta negar, ser abandonado é horrível, mas não faz de ninguém inferior. Se essa dor for trabalhada acertivamente, falada, chorada, será é uma vitória e a conquista da liberdade.

Muito provavelmente, esses filhos de pais separados, mais tarde desejarão se casar e não se separar, mas não somente por não querer sentir a dor de mais uma separação, e sim para não fazer com que seus filhos sofram como eles sofreram um dia.

*Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em casal e família. Atendeu dezenas de casos de crianças que sofriam no momento da separação dos genitores e apresentavam quadro psicossomático de pneumonia.

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Artigo científico:

domingo, 25 de março de 2012

Responsabilidade da sociedade sobre as crianças sem família


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Art. 227 - É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer , à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao r esp ei t o , à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e o pressão. (CF 1988)

Art. 4º - É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
ECA Art. 4

Parceria – único caminho possível para a “busca ativa” – todos os atores sociais precisam estar engajado sem torno de um mesmo objetivo. O Sistema de Justiça através de suas Varas da Infância, o Ministério Público e os Grupos de Apoio à Adoção precisam trabalhar em conjunto – cada um no seu campo de atuação na busca ativa para garantir o Direito à Convivência Familiar de todas as crinças e adolescentes. Isto somente será possível se todos fizerem a sua parte neste sentido.

Suzana Sofia Moeller Schettini
Psicóloga
GEAD Recife

sábado, 24 de março de 2012

Adoção especial e busca ativa

Projeto 21

Por Fabiana Gadêlha

Pouca gente sabe, mas existe algo a mais no universo da Adoção, idealizado para resolver a difícil equação: filhos sem família e famílias em busca de seus filhos.

Há cerca de cinco anos, quando nem se fala em Cadastro Nacional de Adoção - CNA, uma iniciativa solitária e comprometida com a inclusão familiar de quem não tem voz para gritar seu abandono, começou a ecoar e a incomodar:  era a busca ativa de famílias para crianças mais velhas e com necessidades especiais.

Denominado como movimento ATE - Adoção Tardia e Especial - Carla Penteado, de São Paulo, mãe da Marcela e da Luana, resolveu fazer algo diante da inércia e do pragmatismo que via diante de seus olhos.

Tomada de paixão pelas filhas, nascidas através da adoção especial, Carla idealizou o que hoje seria o papel do CNA, que mesmo implantando ainda não apresentou resultados significativos. Ela  promove a busca mais que ativa de famílias para as crianças que conhece nos abrigos de São Paulo e que toma conhecimento através de voluntários de outros Estados.

Através de uma ferramenta moderna e simples, chamada orkut, a rede social mais acessada do Brasil, ela criou a comunidade do ATE e divulga seu trabalho, cativando famílias e promovendo verdadeiros encontros de amor.

É um trabalho árduo, que envolve brigar diariamente com o descaso dos abrigos, verdadeiros depósitos de gente, com a indiferença do Poder Judiciário e das entidades de defesa da infância e da juventude com a questão das crianças e adolescentes excepcionais. 

Sem recursos, apenas com sua vontade, um computador e um telefone, ela faz verdadeiros milagres e vem cativando adeptos de todo o Brasil. Para tanto, utilizando de seu forte poder de convencimento, de sua coragem em afrontar abrigos, Promotores e Juízes, ela já fez 50 adoções especiais em 5 anos, um número motivador, considerando a realidade de um perfil ignorado pela sociedade, pela justiça e pelos próprios candidatos.

A adoção especial se tornou seu ideal de vida  de outras famílias que permitiram conhecer essa realidade. O movimento do ATE não busca levantar uma bandeira para que todos os candidatos resolvam adotar uma criança especial,  mas para falar de algo necessário: o seu filho pode estar escondido atrás de uma deficiência, de uma doença intratável e pode proporcionar muita felicidade e amor.


O lema do ATE é falar das circunstâncias da adoção especial, das dificuldades, sim, porque elas existem e são muitas, mas falar, também, dos aspectos positivos e da viabilidade de um encontro dessa natureza.
A proposta do ATE é viabilizar a abertura do perfil e o estudo da real possibilidade de acolher um serzinho especial. Sabemos que a adoção envolve questões que ultrapassam a  limitação de um perfil, pois envolve intuição, sensibilidade, espiritualidade na concepção do encontro com o pequeno a ser recebido como filho.

Falar de crianças deficientes é um dos assuntos que mais incomoda, porque constrange, porque cobra posturas, porque confronta nossos preconceitos e medos. Para tanto, é preciso ter informação, antes, durante e após a adoção para que ela realmente seja uma adoção consciente, baseada no amor e na razão e não na piedade.

De qualquer lado que se observe os olhinhos desses serzinhos carentes de amor, pode-se perceber que eles podem ser filhos de alguém, independente de sua condição física ou intelectual. Essa prova foi tirada a partir das 50 histórias colecionadas cujas famílias ousaram reconhecer seus filhotes atrás de uma deficiência. São adoções legais, que seguiram todos os trâmites processuais e que formaram famílias conscientes e felizes.
Quem se interessa pela adoção, sente de uma forma estranha e incongruente que seu filho a espera em algum lugar, e pode ter certeza, ele o espera e por mais longo que seja esse caminho, um dia haverá o grande encontro. 

Essa é a missão do ATE, propor reconhecer além da deficiência a possibilidade de adotar. Hoje, o movimento é formado por mães voluntárias que multiplicam os gestos originais de Carla, na busca dinâmica e consciente de novas famílias, em todos os Estados Brasileiros.

Fabiana Gadêlha

sexta-feira, 23 de março de 2012

Torna-se mãe

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Publicado em 15.03.2012
Por Cintia Andrade Moura*


Para muitas mulheres, a maternidade inicia-se na gestação. Para outras, na adoção.

Nutrir o desejo de ser mãe é comum na intimidade feminina. Enfrentar a impossibilidade de gerar um filho é, para muitas, frustrante e estarrecedor.
Pensar na ideia de ser mãe pela adoção gera vários questionamentos e enfrentamentos e, por isso, infelizmente algumas mulheres simplesmente desistem do sonho da maternidade.

A maternidade proporciona na vida da mulher transformações e descobertas inimagináveis. Tornar-se mãe é muito mais que gerar um filho. Para ser mãe, é imprescindível e suficiente o amor. Disso chamamos a adoção.

Que importa se o teu filho não carregará a tua herança genética? Ele carregará as tuas lições de vida.
Que importa se o teu filho não sairá do teu ventre? Ele entrará na tua vida e na tua alma.
Que importa se não puderes amamentar o teu filho ao peito? Ele será alimentado por tuas mãos cheias de ternura e amor.
Que importa se o teu filho não terá teus traços fisionômicos? Ele possuirá os traços da tua forma de pensar e agir perante o mundo.

Abençoadamente, sou mãe adotiva e colho os melhores frutos da convivência com meus filhos.


Certo dia, estava em viagem com a família e minha filha mais velha (uma negra belíssima!) entrou no ambiente em que me encontrava iniciando o seguinte diálogo:

− Mãe, uma amiga minha da escola me perguntou por que sou diferente de você?
− O que você respondeu? − perguntei sem alarde.
− Eu falei para ela que é porque sou adotada.
− E isso te incomodou? − quis saber.
− De forma alguma, mãe! Eu tenho o maior orgulho de ser adotada, de ser sua filha e de papai, e de ser negra.
Emocionada, falei para ela que de todas as coisas lindas que eu já havia escutado na vida, essa era a mais bela de todas. E ela completou:
− É o seu presente de aniversário, mamãe!

Abracei tanto a minha filha que quase a sufoquei. E chorei... Chorei e ainda choro por tantas emoções e felicidade que a maternidade adotiva me proporciona. Agradeço a Deus pela oportunidade de ser mãe de uma forma tão completa e intensa. De ser uma mãe que nasceu pela atitude adotiva.

Desistir de amar é desistir de viver.

Desistir da experiência extraordinária de ser mãe porque não se pode gestar é que é frustrante e estarrecedor.

* Cintia Andrade Moura é uma orgulhosa e feliz mãe adotiva
http://ne10.uol.com.br/coluna/atitude-adotiva/noticia/2012/03/15/tornarse-mae-332200.php



Postado Por Cintia Liana

domingo, 18 de março de 2012

Personalidade Forte


Aquilo que comumente chamamos de "personalidade forte" não tem nada de forte, ao contrário, alí se esconde a fraqueza e a ilusão da vaidade com a raiva de uma criança ferida e infeliz. Mas a firmeza, a coerência, a honestidade consciente com a docilidade sim, significam força, muita força. Devemos rever nossos conceitos e valores, aprofundar o olhar.

Quello che è chiamato comunemente “forte di carattere” non ha niente di forte, anzi là si nasconde la debolezza e l’illusione della vanità con la rabbia di un bambino ferito e infelice. Invece la fermezza, la coerenza, l’onestà consapevole con la dolcezza sì, significano forza, molta forza. Dobbiamo rivedere i nostri concetti e valori, approfondire lo sguardo.

Por Cintia Liana 

Uma nova série do Universal Channel que aborda o tema adoção - Smash

Marilyn Monroe
 
"Vai estrear no dia 28 de março, uma nova série do Universal Channel, chamada SMASH. A adoção não é o foco da trama, mas aparece de uma forma super natural, já que uma das personagens principais, Júlia, está se habilitando à adoção junto com o marido, Frank. Eles já tem um filho biológico adolescente e o que transparece é que desde sempre queriam adotar uma menina.
 
A série é sobre os bastidores da Broadway. Conta a história da produção de um musical, baseado na vida de Marilyn Monroe e a Júlia é uma compositora de sucesso que está escrevendo este musical, junto com seu parceiro Tom.
 
O lado emocional da adoção aparece. A ansiedade por conta da entrevista com a assistente social, a angústia pela demora do processo, etc...
 
Como a história se passa nos Estados Unidos, tanto a atividade do grupo de apoio, como a opção por adotar uma criança na China, não são exatamente o que temos no Brasil, mas o sentimento - pelo menos as impressões nestes dois capítulos - é bem parecido.
 
Para quem se interessar, a série vai passar toda quarta-feira a partir da outra semana, dia 28, às 23h, no Universal Channel. Produção executiva do Steven Spielberg."
 
E-mail recebido através do grupo Psicologia e Adoção.
 
Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 14 de março de 2012

Adoção por pares homoafetivos, consciência familiar e educação

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Por Cintia Liana Reis de Silva

A convivência com um pai e uma mãe, uma figura masculina e outra feminina bem resolvidas, seguras e amorosas sempre trazem muitos benefícios a qualquer ser, sobretudo aqueles que estão no início de seu desenvolvimento.

O homem é o único animal que tem e precisa deste elo com a família para toda a vida, mesmo que este elo se modifique ou longo do tempo, e o mais saudável é que essas relações de fato evoluam.
No caso da adoção, mesmo sendo saudável ter um pai e uma mãe, é bem melhor e existem muito mais ganhos uma criança ser adotada por um solteiro ou um casal homoafetivo a crescer num abrigo sem amor, pois mesmo que falte uma outra figura susbtitutiva parental na adoção propriamente dita, depois a própria criança elegerá espontaneamente um outro que possa suprir, de algum modo, essa outra lacuna que possa existir.
Em relação a escolha da vivência da sexualidade dos pais, as pesquisas motram que isso não determinará como o menor viverá também a sua sexualidade. Ele pode vir a ser um adulto mais tolerante com a homossexualidade, no modo de encará-la, mas afirmar que ele virá a ser também homessexual é um enorme equívoco.
Podemos dar como exemplo filhos homossexuais que normalmente têm pais hetero e muitos até são rígidos e intolerantes. E pais homossexuais que seus filhos são heterossexuais. Ao menos eu nunca vi numa família homossexualidade em duas gerações diretas.

O que devemos sempre ter em mente é o bem estar da criança, que deve estar acima de crenças sem fundamento teórico-científico. A situações de abandono em que vivem já é de muito sofrimento psicológico.

Em relação a formação da nossa personalidade, é importante que se deixe bem claro os conceitos de personalidade, caráter e temperamento, que são bem diferentes daqueles difundidos e propagados pela sociedade ocidental.
Os valores básicos de honestidade e dignidade, assim como investimento de amor e limites podem existir em todas as famílias independente da orientação sexual. Depois tem que ver como a criança vai lidar com as particularidades da família e suas histórias, assim os pais devem estar atentos em como conduzir tudo com verdade e sabedoria, dando sempre segurança e abrindo espaço em casa para o diálogo, não esquecendo que um psicólogo ajuda muito, caso precisem de orientação para questões mais subjetivas.

Vemos a maioria das pessoas passando a vida toda sem nem ter idéia de quem sejam de fato e de quais são suas verdadeiras dores e dilemas familiares e são essas pessoas que acham que sabem e podem educar um ser que está chegando, sem antes ter educado a si mesmo. Por exemplo, pessoas com ansiedade de separação que são super dependentes dos pais, se não se trabalham, se tornam genitores superprotetores, inseguros, que sufocam seus filhos, mas não têm a mínima idéia deste fato.

Educar é uma tarefa muito séria, exige muita responsabilidade e verdade consigo próprio, exige preparação pessoal. Vamos lá, todos podem, humildade, coragem, força e motivação.

Por Cintia Liana

segunda-feira, 12 de março de 2012

Famílias legitimadas pelo amor


Jornal do Commercio, Caderno Arrecife 
Recife, Domingo, 11 de Março de 2012.

Capa: 

Longe dos rótulos, núcleos familiares nascidos a partir da adoção comprovam que o parentesco é algo que vai além do sangue: é conquista diária que exige dedicação e vontade

Apresentação da editora chefe do Caderno:

Laços de família além do sangue

Recentemente, o caso do filho que matou os pais no Recife chocou o País. O bispo Robinson Cavalcanti e a esposa, Míriam, foram brutalmente assassinados, a facadas, pelo filho, Eduardo, que já está preso. Além dos motivos que levaram o jovem a cometer o crime, chamou a atenção o fato de sempre que se falava do parentesco entre os envolvidos, era salientado o fato de Eduardo ser adotado. Como se nunca no País infelizmente tivessem ocorrido casos de filhos biológicos que acabaram com a vida dos pais. A reportagem de capa desta edição surgiu a partir da reflexão sobre esse que deveria ser um pormenor. Com segurança de quem é mãe e sensibilidade de jornalista que atenta para os detalhes, Bruna Cabral redigiu uma bela matéria sobre as famílias que nascem do difícil ato da adoção. Difícil porque dá trabalho vencer a burocracia e mais ainda conquistar o amor daquela criança que já foi tão magoada pela vida. A boa notícia é que é possível sim criar laços de parentesco definitivos, por vezes até mais fortes que os originados pelo sangue.

Janaína Lima, editora.


CAPA 
 
Elos cerzidos pela vida
Para quem protagoniza relações familiares costuradas pela adoção, amor tem gosto de arroz com feijão. É conquista cotidiana, que vinga, cresce e estabelece laços inquestionavelmente legítimos

Bruna Cabral - bruna@jc.com.br

Nem das suculentas maçãs do paraíso, nem do indigesto enxofre do purgatório. Para quem protagoniza relações familiares cerzidas pela adoção, amor tem gosto de arroz com feijão. Afinal, por mais que a sociedade insista em atribuir rótulos, méritos e deméritos à configuração familiar pautada mais por convicções que por instintos, quem empreende uma batalha jurídica e outra afetiva em busca de seus rebentos sabe que parentesco é, e ninguém ouse duvidar, substantivo erguido com a argamassa incorruptível do cotidiano. Uma construção que leva tempo. Dá trabalho. Exige dedicação e persistência. Mas vinga. Cresce. Estabelece elos inquestionavelmente legítimos. E, apesar dos inevitáveis percalços da vida, perpetua famílias felizes nos quatro cantos do planeta, desde que o mundo é mundo.

No Brasil, a adoção só foi contemplada com uma lei específica em 2009. Hoje, qualquer um que queira adotar uma criança precisa primeiro dar entrada numa série de documentos, passar por uma avaliação psicológica, entrar num cadastro nacional e ainda fazer uma espécie de curso preparatório, conta Suzana Schettini, psicóloga especializada no assunto. E por mais compridos que possam parecer, esses trâmites, garante, já foram bem mais complicados e lentos.

Mãe adotiva e presidente do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Recife (Gead), ela avalia que o preconceito é hoje entrave bem maior à adoção que a burocracia. Vez por outra, um fato terrível como esse assassinato do casal de religiosos, cometido pelo filho há algumas semanas, reacende a polêmica em torno do assunto. As pessoas passam, aliás, voltam a tratar a adoção a partir do equivocado pressuposto de que mais cedo ou mais tarde a relação vai se tornar problemática, diz Suzana, que se apressa em avisar que, na prática, esse terrorismo não se confirma. Isso não passa de bullying social.

Os números referentes à adoção em Pernambuco não deixam Suzana mentir. Segundo dados da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), só em 2010, um total de 937 crianças deixaram instituições de acolhimento Estado afora para se instalar na árvore genealógica alheia. E os recifenses, claro, são maioria na lista de famílias que começaram numa assinatura. Na Veneza brasileira, a cegonha do Poder Judiciário pousou exatas 183 vezes no ano retrasado. E não perdeu as viagens. Os casos de insucesso não chegam a 1% dessas estatísticas, diz o desembargador Luiz Carlos Barros Figueiredo, coordenador da vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de Pernambuco.
 
Mas número é número. E filho é filho. Não dá para dizer que não existem problemas numa relação desse tipo. Às vezes os pais escolhem o momento errado para tomar essa decisão. Às vezes depositam uma expectativa exagerada na criança. Ou pior: erram na motivação, achando que fazem caridade. Aí, complica bastante, diz Suzana. Mas não inviabiliza.

Mãe de Bruno e Marco Gabriel, 13 e 9 anos, a psicóloga e terapeuta floral Ana Azevedo, 54, também acredita que o revés do preconceito é um dos principais entraves à felicidade das famílias reunidas pela adoção. Muita gente tem a ilusão de que assumir a guarda de uma criança é uma grande obra social, uma ação humanitária. Mas não tem nada a ver com isso. Também não é mágica, nem conto de fadas. É só um arranjo familiar diferente. O que muda é o começo. O resto são prazeres e desprazeres do cotidiano, diz Ana, que garante: não escolheu ser mãe. Foi escolhida.

Há muitos anos, trabalhei numa escola e acabei ficando muito ligada a uma das adolescentes. A menina cresceu e nunca mais perdemos o vínculo. Ela casou, teve dois filhos mas, no segundo parto, morreu. Não sem antes pedir a Ana que cuidasse de suas crias, caso alguma coisa desse errado. A princípio, dividia a guarda dos meninos com os avós e o pai. Até que assumi os dois em definitivo. Com o apoio da família, claro, que se traduz em visitas constantes. O começo, conta Ana, foi muito difícil para todos. Mas eles sempre me deram muita força. E vice-versa.

Se precisasse traduzir a adoção numa equação, a psicóloga diz que não abriria mão de dois fatores: paciência e sinceridade. Não entendo por que o assunto é um tabu. Depende dos pais afetivos se a criança vai encarar com naturalidade ou não aquela situação, diz. E Suzana reforça: O problema não é ser adotado. É ser enganado.

Segundo a presidente do Gead, negar à criança o direito de conhecer sua história é meio caminho andado para dores de cabeça futuras. É preciso falar abertamente sobre a adoção desde o princípio. E nem precisa procurar ensejos. Eles acontecem naturalmente, no meio da enxurrada de porquês da infância. Cabe aos pais responderem o que lhes foi perguntado. Com o tempo, a conversa evolui, conta Suzana, que lembra comovida da pergunta inusitada que um dia um de seus pequenos e astutos pacientes fez no consultório: Se não nasci da barriga da minha mãe, nasci de onde? De um ovo?

Quando fez um questionamento parecido à mãe pela primeira vez, o advogado e professor universitário Rômulo de Freitas, 31, não tinha nem tamanho, nem juízo. Mas lembra da cena nitidamente até hoje. O que minha mãe me disse naquele dia continua sendo, para mim, a melhor forma de traduzir nossa relação. Ela falou que eu era seu filho, sim. Mas do coração e não da barriga. Achei aquilo lindo. E só muito mais tarde voltei a falar no assunto, diz Rômulo, que afirma de cátedra: famílias que se formam pelo amor e não pela biologia não geram, necessariamente, pessoas doentes, revoltadas ou violentas. Pode acontecer em qualquer núcleo familiar.

Temporão e caçula mimado de quatro filhos, Rômulo diz ter muita gratidão pelas oportunidades que a vida lhe deu. E, em retribuição, garante ser o mais engajado dos irmãos. Sou o fiel da balança. Faço questão de reunir todos, conciliar os ânimos, congregar.
 
Maria Luiza Albuquerque, 18, também considera mais que legítimos seu desejo e merecimento de pertencer à família que a acolheu nos primeiros dias de vida. Para ela, amor é troca, respeito e gratidão. Não sangue. Chego a esquecer que sou adotada. Porque isso não importa, na verdade. A relação que tenho com meus pais é de verdade. Não interessa de onde ou de quem eu vim, diz a primogênita da professora Eneri Albuquerque, 56, e do advogado Paulo Albuquerque, 57, que dispensam rótulos na hora de curtir o enredo familiar que escolheram protagonizar.

Pais também de Luana Raquel, 13, eles garantem que todo e qualquer genitor dedicado é, na essência, alguém que escolheu suas crias. Quantos casos a gente não vê por aí de mães que deram à luz, mas nunca assumiram a maternagem de seus filhos de fato?, questiona Eneri, para quem toda relação de afeto e/ou dedicação começa numa adoção. A gente adota amigos, cônjuges, causas e por aí vai.

Sua vizinha de porta, Rosane Alencar, 44, também professora, abraçou essa causa e as trelosas gêmeas Marina e Louise há quatro anos. Meu caso foi completamente atípico. Tentei fazer inseminação, mas não deu certo. E foi muito traumatizante. Quando me refiz, parti para a adoção. E acabei descobrindo uma moça, em Paudalho, que estava na oitava gestação e não queria de jeito nenhum aumentar a família, nem fazer mal aos bebês que estavam por vir.

Rosane acompanhou o pré-natal, o parto, o puerpério. Cuidou das meninas e da mãe delas. Depois registrou a duplinha e começou a escrever outra história familiar para elas. Não foram elas que ganharam. Fui eu, diz a educadora, que, se duvidar, até os enjoos da gravidez sentiu, por tabela.

A funcionária pública Cláudia Viana, 40, é outra que jura de pé junto que engravidou. O que é uma gestação senão os preparativos para ter filhos?, argumenta a aguerrida mãe estreante, que também tentou inseminação artificial, mas acabou recorrendo à Justiça para realizar o sonho da maternidade. Esperou por alguns meses e foi contemplada com um casal de gêmeos, que deu o ar da graça na mesma semana em que a mãe de Cláudia morreu. Foi muito significativa para mim essa renovação da vida.

Há exatos 7 meses, Matheus, 3, e Isabela, 2, chegaram para fazer a alegria da casa. E também para ensinar muitas lições a ela e ao marido, o mecânico Gerson Benício, 47. Não vou dizer que é fácil. No começo, quando fomos visitar os meninos no abrigo, eles não aceitavam nossa presença. Choravam. Achavam ruim. Até que conseguimos conquistá-los, diz Cláudia, no meio do caminho que a enfermeira Rosimar Contente, 56, já percorreu três vezes.

Mãe de cinco filhos, entre biológicos e adotivos, ela garante que não cansa de recomeçar. O primeiro da lista foi José Henrique, 34, que colocaram na minha porta quando eu já tinha perdido oito bebês. Fiquei muito feliz. E também muito fértil. Depois dele, Rosimar engravidou de Jorge Adriano, 32, e, logo em seguida, de João Paulo, 31. Achou pouco e ainda adotou Ruthy, 25, e Sara, 8. Dou carão e carinho, limite e amor a todos, sem distinção. Se pudesse, adotaria outras crianças.
 
A psicóloga Lúcia Soares, 44, não quer muitos. Mas quer tanto manter os gêmeos Alan Vítor e Alana Vitória, 9, debaixo das asas que encarou a forma mais difícil de adoção: a tardia. Há dois anos, ela e o marido, João Batista, 44, foram surpreendidos por um carinho enorme, que não lhes deixou outra alternativa, senão acolher os meninos por quem se apaixonaram perdidamente. Sempre quisemos adotar. Mas esperávamos o momento certo. E para nos acostumarmos com a ideia aos poucos, decidimos fazer o chamado apadrinhamento afetivo. A gente visitava os meninos e podia até levá-los para passear. E de voltinha em voltinha, o amor aconteceu. Pior é que até que nos candidatássemos de fato à adoção, um outro casal se interessou pelos dois. Mas corremos tanto, lutamos tanto, que deu tudo certo. O universo conspirou a nosso favor, conta Lúcia, que adotou e foi adotada pelos gêmeos crescidos para quem a vida decidiu, enfim, abrir portas, janelas e corações.
 

domingo, 11 de março de 2012

O Que Esperar Quando Você Está Esperando

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Por Edem Ortegal

A comédia sobre gravidez, “O Que Esperar Quando Você Está Esperando(“What to Expect When You’re Expecting”) ganhou um novo trailer. O longa é estrelado pelo ator brasileiro Rodrigo Santoro (do inédito “Heleno”) e grande elenco. O roteiro é uma adaptação do livro homônimo de Arlene Eisenberg, Heidi Murkoff e Sandee Hathaway. Assista ao novo trailer logo abaixo:

Em “O Que Esperar Quando Você Está Esperando”, Rodrigo Santoro interpretará o marido de Jennifer Lopez, um homem que apesar de não estar pronto para se tornar pai, segue os planos da esposa de adotar uma criança.  O filme mostrará cinco casais prestes a se tornarem pais.
Chris Rock (“Gente Grande”), Cameron Diaz (“As Panteras”), Brooklyn Decker (“Esposa de Mentirinha”), Elizabeth Banks (“72 Horas”), Isla Fisher (“Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”) e Anna Kendrick (“Amor sem Escalas”) completam o elenco. O livro foi adaptado pelos roteiristas Heather Hach (“Sexta-Feria Muito Louca”) e Shauna Cross (“Sobre Rodas”) e tem direção de Kirk Jones (“Estão Todos Bem”). A estreia está prevista para o próximo 18 de maio.



Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 8 de março de 2012

Para ser mãe


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Por Daniela Santos

Sou mãe adotiva e não me vejo de outra forma. Nada há de especial nisso. Nem é caridade, uma vez que não se engravida por caridade.

Adotar é ter um filho ou filha. Adotar não é pegar pra criar. Adotar é amar tanto que pouco importa placenta, líquido amniótico, sangue. Adotar é não ter a dor do parto, mas sentir um nascimento no coração.
A gestação existe: gesta-se amor. O amor surge e vai crescendo, crescendo, crescendo até que nasce, é parido e perdura para o resto da vida.

Estou desvalorizando gravidez, parto, nascimento "físico" da criança? NÃO!!! Apenas digo que não é SÓ isso que determina quem se torna, mãe, pai, filho. O que importa e deve existir de fato é o afeto, a ternura, o bem-querer, o AMOR.

Amo muito meus filhos, são meus, sou mãe!

*Daniela Santos é enfermeira e tem dois filhos.

Feliz dia Internacional da mulher!

Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 7 de março de 2012

Reflexão

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Por Daniela Santos

Se a mulher não adota em seu coração a criança que pariu o filho não nasce, apenas aparece no mundo e ela não se torna mãe, apenas puérpera (mulher que pariu).

Sinônimos para adotar: escolher, preferir, aceitar, assumir, aprovar, tomar, admitir, receber, reconhecer.

Me causa estranhesa homens e mulheres ainda hoje discriminarem, ainda que "sem querer" ou sem perceber, o fato de alguém ou algum casal adotar uma criança e tornarem-se mãe, pai e filho desta forma e não através dos laços de sangue, da famosa barriga.

Uma mulher criou, educou, ensinou, cuidou e amou uma criança por 12 anos e, por voltas que a vida dá, acabou descobrindo que aquela criança não saiu de sua barriga, foi trocada na maternidade. Perguntas: a criança deixa de ser filha daquela mulher? A mulher deixa de amar a criança após descobrir que não é de seu sangue? A mulher deixa de ser mãe daquela criança?

A sociedade é que deve dizer se uma mulher que adotou e uma criança adotada são mãe e filho? Ou pai e filho? Ou mãe, pai e filho? Ou mãe, mãe e filho? Ou Pai, pai e filho?

A mesma sociedade que discrimina uma pessoa somente pela cor da pele? A mesma sociedade que diz que o homem que trai é um garanhão, no máximo um mulherengo e a mulher que trai é tida como o mais inferior e baixo dos seres? A mesma sociedade que diz que homem não chora e que o lugar da mulher é no fogão?
Talvez enquanto seres humanos não tenhamos tanto assim a evoluir, mas enquanto homens e mulheres há muito o que se melhorar, na verdade HUMANIZAR.

*Daniela Santos é enfermeira e mãe de dois filhos adotados.

Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 2 de março de 2012

A revelação da adoção

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02.03.2012
Por Guilherme Lima Moura

Na nossa casa, adoção é assunto do dia a dia. Minha esposa, nossos filhos e eu falamos sobre o tema com naturalidade porque a atitude adotiva é parte intrínseca da educação que lhes damos, como o é da própria constituição da nossa família. Essa naturalidade foi também introduzida desde o início aos demais familiares: avós, tios, primos. E igualmente nos nossos círculos mais próximos de convivência.
O resultado disso é que nossos filhos se apropriaram naturalmente do conceito de adoção e fazem uso dele em várias situações. Eles entenderam que a filiação é sempre e necessariamente adotiva. E também que precisamos adotar uns aos outros, a natureza, o planeta. Entenderam que a adoção é o amor em ação e, como tal, se expressa na relação que estabelecemos em todos os contextos. Entenderam, sobretudo, que a atitude adotiva é um processo relacional inspirador para a vida ou, no dizer do biólogo Humberto Maturana, é uma postura que “aceita o outro como legítimo na relação”.
Importante dizer que aprendemos esta forma natural de tratar do assunto (como muito do que sabemos hoje sobre o fazer-se pai/mãe) na convivência regular com os amigos do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção do Recife (Gead Recife). Nas nossas conversas, compartilhando experiências e, particularmente, pelo privilégio de poder contar com a palavra esclarecedora de Luiz Schettini, com suas muitas primaveras vividas na adoção como psicólogo e como pai.
Nos nossos encontros mensais do Gead, um dos assuntos recorrentes, pela natural rotatividade dos participantes, é o que ficou conhecido como “a revelação”: quando e como contar aos filhos sobre a adoção? E a resposta: deve-se contar desde sempre. Simples assim.
Temos vivido essa experiência há cerca de sete anos. Explicamos que nossos filhos nasceram da barriga de outras mulheres (sua genitoras) e que elas não puderam ser suas mães. “Aí papai e mamãe foram buscar vocês para serem nossos filhos amados”, completamos. Tudo narrado de acordo com a maturidade que a idade permite.
De tempos em tempos o assunto surge naturalmente e nós, também naturalmente, narramos mais uma vez a história. Falamos de detalhes interessantes e emocionantes do nosso primeiro encontro. Rimos juntos. É um momento mágico. E assim eles vão elaborando o conceito no tempo deles, sem que haja tabus ou “indiscutíveis” na nossa relação. Como diz a querida amiga e presidente do Gead Recife, Suzana Schettini, “os filhos terão a naturalidade e a segurança que observarem em seus pais”. Pura verdade.
Infelizmente, muitos pais adotivos cometem o equívoco de esconder a adoção de seus filhos. E, ao fazerem isso, terminam por lhes negar o acesso à sua própria história. Com a intenção de protegê-los de algum tipo de sofrimento, terminam abrindo mão de construir com eles uma história afetiva baseada em verdade. Omitindo-lhes parte tão relevante de seu passado, elaboram com eles um presente sempre incompleto e melindroso − porque há sempre uma verdade no ar que ninguém pode expor, mas que os filhos parecem intuir.
A experiência clínica de muitos psicólogos, bem como as conclusões de diversos estudos sobre o assunto, demonstram que, quando os filhos adotivos têm acesso à sua história através de terceiros ou descobrindo sozinhos, quase sempre reagem muito mal. Entretanto o motivo de tal reação não é a condição adotiva em si, mas o fato de terem sido enganados por aqueles que sempre foram sua referência primária de confiança, verdade e honestidade. E terminam por deduzir que se esse fato lhe foi escondido é porque se trata de algo feio ou errado.
O que cada um fará em tal circunstância é tão variável quanto o é a própria diversidade humana. Supor causalidade entre a especificidade da filiação e a maldade é tão equivocado quanto cruel. É discriminatório. É mais provável, isso sim, que a maldade humana se manifeste onde não haja adoção, considerando que a filiação é construída sempre no afeto, existam ou não os laços biológicos.
Até quando apontaremos na direção errada? Até quando acreditaremos que o sangue é capaz de nos oferecer aquilo que só podemos construir na convivência amorosa?!
A adoção é o amor em ação. Então porque escondê-la? O que é tão lindo tem mais é que ser dito e vivido com a cabeça erguida e o sorriso no rosto: “Sou filho adotivo, sim. Bom seria que todos fossem...”
Guilherme Lima Moura é pai adotivo, integrante do Gead (Grupo de Estudos e Apoio à Adoção do Recife) e professor da UFPE
Fonte: http://ne10.uol.com.br/coluna/atitude-adotiva/noticia/2012/03/02/a-revelacao-da-adocao-329761.php
 
Postado Por Cintia Liana