"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A medicalização e a tecnologização da gravidez e do parto

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Por Cintia Liana Reis de Silva

Procurando e pesquisando por um parto em casa e/ou na água é que entendemos, muitas vezes, como hoje a medicina tradicional está, de fato, medicalizando, tecnologizando e adoecendo a gravidez e o parto, e o mais surpreendente é como as pessoas, em geral, estão sendo levadas por essa cultura, essa moda ocidental e capitalista que está tomando proporções gigantescas, de achar que é mais natural uma gravidez com riscos e complicações, que precise de recomendações especiais e precauções e milhares de análises, que uma gravidez serena, sem problemas que termine com um parto natural, ou seja, que é a coisa mais natural, afinal a gravidez e o parto não são fenômenos médicos, são fenômenos da natureza humana. 

Normalmente, quando uma mulher diz que fará o parto em casa ou na água alguém sempre comenta, "se não tem nenhum problema ou contra indicação pode ser bom". É como se ter algum problema fosse a coisa mais esperada. E "pode ser bom?". Mulheres que pariram em casa descrevem o evento como um momento de extremo acolhimento, dos mais re-confortantes, encantadores, serenos, em que se deram conta da força humana, da força feminina que têm, como uma experiência magnífica, de nascimento de uma nova e inteira mulher. Já outras contam os traumas que sofreram durante a permanência no hospital, a falta de respeito, os maus tratos antes e depois do parto. Claro que aqui não estou generalizando, afinal não fiz uma pesquisa com todas as puérperas do mundo, mas é com base no que já vi, ouvi, pelas pacientes que vieram até mim e nos livros e artigos científicos que já pesquisei.

O meu primeiro parto foi num hospital público católico, muito bem conceituado na cidade de Roma, a alguns kms de minha casa, que valoriza o parto natural. Aqui na Itália não existem motivos muito fortes para uma mulher buscar um hospital particular, só se ela quiser algo mais individualizado ou alternativo. Esse foi o meu hospital de referência além da clínica da minha ginecologista, onde eu fazia as consultas de rotina e as ecografias (Ultra-Sonografias), como chama aqui na Itália. Essa mesma ginecologista é obstetra do mesmo hospital. Quando comecei as sentir as contrações antes do parto me direcionei ao pronto socorro e fui mal atendida pela primeira médica. Com o andar do trabalho de parto, fui bem tratada por alguns funcionários, por outros nem tanto. Foi um longo percurso de trabalho natural seguido de um cesáreo, porque a minha filha não saía. Fizeram tudo em um tempo coerente, mas me deram ocitocina para apressar o parto, o que é desnecessário e no Brasil não é recomendado, mas eu estava na Itália. Eu estava bem preparada, estava usando a magnífica terapia floral, vinha de um percurso precedente de terapia e depois fui fazer terapia novamente 10 meses depois, na abordagem de Somatic Experiensing na cidade onde moro, para trabalhar as minhas questões relacionadas a esse percurso que inicialmente me fragilizou, mas depois eu busquei o caminho do grande fortalecimento. Amamentei a minha primeira filha até os 2 anos e 2 meses, a carreguei muito no colo, escrevi textos sobre a relação mãe e bebê e sobre neonatologia. Fui e sou mãe com toda a força. Fiz algumas constelações familiares paralelamente ao início de minha formação em constelações familiares e senti, 3 anos e 3 meses depois, que estava novamente preparada física e emocionalmente para ter outro filho ou filha. O meu marido já pedia e agora também sinto que é o tempo da minha primeira filha, de ganhar um irmão ou uma irmã. 

Mas nem todas as mulheres têm esse privilégio, nem de terem as informações certas ao seu alcance, ou de serem psicólogas e terapeutas florais ou de terem capital necessário para investirem em terapia, então ficam traumatizadas por um tratamento do parto que poderia ser bem mais respeitoso. Não direi humanizado, porque aqui na Itália não se usa esse termo, se diz "parto respeitoso", o humanizado ganha uma conotação de caridade. Enfim, hoje valorizo muito o percurso do meu primeiro parto e hoje busco fazer um segundo como imagino e sinto ser mais pleno (indico conhecerem a história dos três partos de Andréa Santa Rosa). Agora que estou planejando um parto na água, existe até essa "cultura" em minha família, e me dei conta de que isso não é só para quem pode pagar (e hoje já tem hospitais que fazem de graça), não, esse tipo de parto é para quem tem força de vontade de ir buscar, pesquisar, é para uma mente privilegiada que não tem medo de fazer diferente para si mesmo, para quem acha que merece.

Todos nós sabemos que o cesáreo só deve ser indicado para mulheres quando o natural presenta algum risco ou se tem algum impedimento, que intervenções médicas no parto são desnecessárias e algumas até contra indicadas pela OMS e que a alma feminina pede pelo parto natural.

E é planejando uma segunda gestação, mais madura, experiente e preparada é que descobrimos quantos mistérios incríveis moram atrás da natureza da mulher que urge pelo parto natural. Dessa liberação na hora da saída do bebê. Mesmo atuando como psicóloga há mais de 15 anos, tem muitas coisas que ainda estou descobrindo sobre esse universo incrível que é a maternidade e o nascimento, então se eu começasse a descrever aqui o que venho descobrindo daria um livro, então quem sabe eu não conto um pouco disso tudo em meu terceiro livro, sobre os mistérios e do poder de criar filhos felizes dentro de uma perspectiva da terapia familiar e das constelações familiares?

Uma das coisas que foram como gritos em meu ouvidos, como enormes insights foi perceber a quantidade excessiva de ultrassonografias que são indicadas em 9 meses. Aqui na Itália a primeira ecografia é indicada a partir do 3º ou 4º mês de gestação. No Brasil, já no final do segundo mês, ou seja, caminhando para fechar o segundo mês, as pessoas já estão fazendo. Aqui na tália, uma mulher que é acompanhada por uma doula e que fez a escolha de parir na água, faz somente uma ultra em toda uma gestação e até tem aquelas que resolveram não fazer nenhuma, porque não encontraram razões para duvidar que algo poderia estar errado. 

Eu tinha a dúvida e pensava que no Brasil as coisas estivessem mais avançadas que aqui na Itália, mas não, é o contrário, a difusão maciça do "parto humanizado" diz exatamente para as pessoas acordarem, por terem um sistema público de saúde precário, quase falido e o particular ser uma fábrica de dinheiro. O Instituto BBC (ver referência 1) em abril de 2014 mostrou que a desvalorização do parto normal tornou o Brasil líder mundial em cesáreas. 

Outro ponto é que hoje existe a dúvida cada vez mais presente se a ultrasom não causa nenhum mal a mãe e bebê. O Jornal O Globo (ver referência 2) publicou que uma pesquisa realizada por especialistas da clínica Mayo, em Rochester, nos EUA, e publicada na Revista "New Scientist", mostrou que a ultrasom expõe o feto a sons tão altos quanto os produzidos por um trem de metrô e dizem que os médicos devem evitar apontar o aparelho para o ouvido do bebê. O mesmo estudo diz que o ultrasom produz vibrações secundárias no útero, o que seria nocivo. O médico Sérgio Simões, ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ultra-Sonografia, discorda dessa última afirmação, mas faz uma ressalva, que o número de ultra-Sonografias não deve passar de quatro recomendadas, a não ser em casos de extrema necessidade. 

Outra questão é a amniocentese. Aqui na Itália muitas gestantes fazem amniocentese como se fosse uma etapa importante e não como uma indicação, caso algum exame anterior não invasivo (como o Bi-test ou o Prenatal Safe Test) mostre a necessidade de aprofundar o conhecimento de possível alterações fetais. Para quem não sabe, a amniocentese comporta o risco de perda do bebê, mas mesmo sem uma necessidade real é indicada por muitos ginecologistas italianos. 

Hoje já se diz aqui na TV italiana (a TV, que é um meio de comunicação muito duvidoso e que perpetua ideias arcaicas) que após um cesáreo é muito mais indicado o parto o natural, o que chamam de VBAK (Vaginal Birth After Cesarean), parto vaginal depois de um cesáreo. Esse assunto é vastíssimo, tratado em congressos direcionados somente a esse argumento.

A quantidade de exames clínicos também é imensa. Uma verdadeira fábrica de dinheiro são todos esses procedimentos, então quem acredita fielmente na medicina tradicional e não tem ou não busca outras alternativas acaba virando refém desse sistema de crenças e dessa máfia que é claramente a construtora desses valores que giram em torno da gravidez como doença. Isso sem contar com a indústria médica para a cura ou para o tratamento da infertilidade. Nesse aspecto também incluem falta conhecimento, humildade e até generosidade do médico para indicar terapia para o casal. Pois nesse caso, que é uma de minhas especialidades, posso dizer com certeza que um casal pode ser capaz de conseguir ter um filho com o acompanhamento psicológico correto, mas é preciso abertura e sensibilidade para o tratamento das questões subjetivas envolvidas nesses bloqueios emocionais que afetam o físico e tratar a energia do campo familiar, superando essas dificuldade e liberando toda a família desse bloqueio.

Se mudarmos os nossos hábitos o mundo muda. Em meio a toda essa cultura capitalista imposta pelas grandes elites, o indivíduo ainda tem a livre escolha de procurar informações, de estabelecer outra cultura dentro do seu lar e da sua família, a cultura de enxergar o que a vida tem de mais sutil, e de conversar com quem trabalha por um futuro mais humano e respeitoso para todos.

Por Cintia Liana Reis de Silva

Referências:
1 - http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/04/140411_cesareas_principal_mdb_rb

2 - http://www.e-familynet.com/phpbb/ultrassom-faz-mal-t332414.html

Indicação de leitura:
Gutman, Laura. A maternidade e o encontro com a própria sombra. Best Seller.
Resumo do livro:
http://www.lauragutman.com.ar/libros/a-maternidade-e-o-encontro-com-a-propria-sombra-brasil/

Adoção e os conselhos sábios

Imagem: thesimpledollar.com

Texto retirado do "Gravidez Invisível"
Por Isabella Furtado

Duas dicas que vão ajudar você a viver melhor a espera

A gente ouve muita coisa quando toma a decisão de adotar um filho. Muitas vezes são críticas, questionamentos, comentários negativos, mas há também a compreensão, o apoio, a alegria conjunta e os bons conselhos (ufa!).
A gestação do coração é emoção garantida! Só sabemos quando ela começa, não temos ideia de quando e como ela vai terminar, porque mesmo traçando um perfil de criança, há algumas variáveis que só vamos descobrir quando recebermos a tão esperada ligação do fórum: sexo, idade, cor, peso, altura…
Numa gestação biológica os pais sabem que têm cerca de 9 meses para preparar o quarto do bebê, montar o enxoval, escolher pediatra e podem ir comprando fraldas, roupinhas e tudo mais aos poucos. Quando falamos de adoção isso não é possível.
Além de servir como um teste para nossa paciência e ansiedade, esse tempo de espera pode (e deve!) ser utilizado de forma útil e é aqui que entra o conselho mais sábio que recebi nesse processo. Uma assistente social me disse que seria legal se eu fizesse uma lista com os fornecedores que poderiam me atender quando a hora chegasse, mas um detalhe na fala dela fez toda a diferença: fornecedores que atendessem à pronta entrega. Claro! Lembra das variáveis?
Então peguei um caderno e comecei a escrever tudo que eu acho que vou precisar quando a bolsa estourar: móveis para o quarto, enxoval, carrinho, cadeirinha para o carro, banheira, telas protetoras para as janelas, pediatra… o próximo passo era descobrir os fornecedores à pronta entrega.
Aproveitei o caderno para listar também as ideias para o chá de boas vindas: convite, formato da festa, convidados, tema, horário, local, atividades, comidas, bebidas, lembrancinhas… um planejamento completo, afinal quem se planeja e se organiza leva vantagem! (Esse assunto dá um outro post, não é?)
Com tudo escrito é mais fácil realizar também um planejamento financeiro e aqui entra mais um conselho sábio que recebi: faça uma poupança. Já que não dá pra ir comprando nada aos poucos, o melhor caminho é ir juntando dinheiro, pois as despesas surgirão de repente e todas juntas. Não precisa ser no banco se você não quiser, basta guardar o dinheiro.
Quando tomamos ações práticas como essas a espera deixa de ser um tempo vazio, um vácuo, um silêncio interminável e se torna de fato um período de preparo, o caminho para a realização do nosso sonho.
Isabella Furtado, Jornalista
Deu entrada no processo em outubro de 2014
Fonte: http://gravidezinvisivel.com/adocao-e-os-conselhos-sabios-que-recebi-por-isabella-furtado/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Filme "O Começo da Vida"

Um filme brasileiro belíssimo! 
O mundo será um lugar melhor quando as pessoas aprenderem a escutar e a respeitar as crianças. <3 span="">




Foto e texto abaixo retirado do:
http://www.mildiasdobebe.com.br/tendencinhas/sinopse-e-ficha-tecnica-do-filme-o-comeco-da-vida-de-estela-renner

O Começo da Vida é um documentário que mostra a importância dos primeiros anos da vida de uma criança. Dirigido por Estela Renner (Criança, a Alma do Negócio, Muito Além do Peso) e produzido pela Maria Farinha Filmes (Muito Além do Peso, Tarja Branca, Território do Brincar), o documentário foi filmado em nove países. Estela entrevista especialistas no desenvolvimento infantil e visita famílias das mais diversas culturas, etnias e classes sociais, para descobrir que proporcionar um ambiente com amor e segurança para as criançasnessa fase é o maior investimento que se pode fazer na humanidade.

Dublado em 6 línguas: Inglês, Português, Espanhol, Francês, Árabe e Chinês. 
Legendado em 21 línguas: Inglês, Português, Espanhol, Francês, Alemão, Italiano, Árabe, Dinamarquês, Finlandês, Norueguês, Sueco, Holandês, Português (Europeu), Espanhol (Castelhano), Japonês, Chinês (tradicional e simplificado), Coreano, Russo, Turco e Indonésio. 
Acessível em LIBRAS (língua brasileira de sinais), closed caption (ou legenda fechada) e audiodescrição para cegos nas salas de cinema, home vídeo (DVD - Blu-Ray) e on demand, através do aplicativo MovieReading – disponível para smartphones e tablets. 
DISPONÍVEL PARA EXIBIÇÕES PÚBLICAS, GRATUITAMENTE,

NA PLATAFORMA VIDEOCAMP A PARTIR DE 05 DE MAIO DE 2016 NAS CIDADES QUE NÃO TEM SALAS DE CINEMA.
MAIS INFORMAÇÕES: 


FICHA TÉCNICA

Direção: Estela Renner

Montadora: Jordana Berg
Roteiro: Estela Renner
Direção de fotografia: Janice D’Ávila
Produção: Maria Farinha Filmes, Estela Renner, Luana Lobo e Marcos Nisti Assistente de direção: Mari Mitre

Direção de Produção: Juliana Borges
Trilha Sonora: Ed Côrtes
Argumento: Ana Lucia Villela e Estela Renner
Apresentado por: Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Bernard Van Leer Foundation, Instituto Alana e UNICEF
Apoio: Ashoka, World Bank Group, UBS Optimus Foundation, Johnson’s, Huggies, Natura, Amil, Pompom, TAM e SENAC.
Apoio de Divulgação: Ministério do Desenvolvimento Social, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Ceará, Secretaria de Educação do Estado da Bahia, Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo, Rede SESC.
PRODUÇÃO
MARIA FARINHA FILMES
A produtora atua com o objetivo de abordar temas que precisam de atenção. Seu foco é produzir obras audiovisuais sobre assuntos de interesse público que precisam de exposição para serem vistos, debatidos, difundidos e fruídos pela sociedade. Responsável por longas como Território do Brincar, Quem?, Entre Muros e Pontes, Tarja Branca – A Evolução que Faltava, Criança, a Alma do Negócio e Muito Além do Peso, a produtora se tornou, em 2013, a primeira a receber o selo B!Corp (BCorporation), oferecido a empresas que propõem, a partir de seus recursos, soluções para os problemas sociais e ambientais do mundo.www.mff.com.br

"Ter filho é a coisa mais edificante que existe", afirma filósofo



Quando o assunto é educação, não só os filhos, mas também os pais têm muito a aprender. O Mãe com Prosa convidou o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella para comenta sobre as transformações que cada filho pode proporcionar aos pais. E como se dá esse processo em meio a novas configurações familiares.
"Ser pai uma das coisas mais edificantes que existem e não existe o papel da mãe, ou do pai, e sim o do cuidador", afirma o professor.
Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/familia/indicacao/ter-filho-e-coisa-mais-edificante-que-existe-afirma-filosofo/

'Não pretendo ter outro filho', diz mãe após bebê sofrer fratura no parto

"A respeito das intervenções desnecessárias, da medicalização do parto, da violência obstétrica e neonatal. Ou seja: a respeito desse modelo de entendimento do parto, do nascimento, da mulher e de seu corpo. Vamos mudar esse olhar e essa prática? Depende de nós." (Página Facebook "Amigas do Parto")

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01/11/16
Do G1 SP

Lucielma Cardoso Teixeira, mãe de Bruna, de quatro meses, disse ao SPTV que não pretende mais ter filhos por causa do trauma que sofreu durante o parto da filha. Ela procurou o Ministério Público Federal em São Paulo para fazer uma denúncia contra a maternidade onde a menina nasceu. Luciema conta que na hora de dar à luz a médica subiu em sua barriga com os dois braços e ficou apertando. A recém-nascida fraturou o braço e a clavícula esquerda.
"Ela dizia que minha filha tinha que descer que a minha filha tinha que nascer. Eu não sabia se eu respirava ou se eu fazia força pra minha filha nascer, com medo de acontecer alguma coisa com ela", disse a mãe. "Não pretendo ter outro filho, fiquei muito assustada, muito traumatizada."
O Ministério Público Federal em São Paulo quer que o Hospital e Maternidade SacreCoeur, do Grupo NotreDame Intermédica, apure denúncias de violência obstétrica em partos. Três mulheres disseram que os médicos e enfermeiros usaram a “manobra de Kristeller” no parto, procedimento que consiste em empurrar a barriga da mulher para forçar a saída do bebê.
O MPF disse que órgãos médicos nacionais e internacionais “são uníssonos ao condenar a manobra”. Segundo o órgão, os processos de violência obstétrica se acumulam. Nos últimos dois anos, o MPF já recebeu 50 denúncias na capital.
A NotreDame Intermédica disse em nota que no parto da menina Bruna foram feitos procedimentos obstétricos para a passagem do ombro do bebê, mas que em nenhum momento foi realizada a manobra de Kristeller."
"Após a primeira manifestação do Ministério Público Federal sobre o alerta relacionado a referida manobra, o Hospital e Maternidade Sacrecouer, assim como os demais hospital do Grupo, intensificaram ações relacionadas ao tema e vem constantemente monitorando o cumprimento do referido protocolo oficial”, diz a nota.
Além de apurar as denúncias, o MPF pede “que médicos e enfermeiros do hospital sejam formalmente comunicados de que a adoção da manobra de Kristeller está proscrita [banida] e passem por treinamentos sobre métodos humanizados de parto”. O Grupo NotreDame disse que “toda a equipe de saúde” do SacreCoeur passou por treinamentos em parto humanizado.
A procuradora Ana Carolina Previtalli Nascimento, autora dos pedidos, também quer que cartazes sejam afixados na unidade alertando o público e a equipe médica para a proibição do procedimento.
Esta já é a sexta recomendação expedida pelo MPF a hospitais e órgãos de saúde na capital paulista por práticas consideradas agressivas nos partos. Além da manobra de Kristeller, são alvo da investigação a realização do corte na região da vagina para facilitar a saída do bebê (episiotomia), a infusão intravenosa para acelerar o trabalho de parto (ocitocina sintética), maus tratos verbais, cesarianas sem necessidade e contra o desejo da parturiente, entre outros procedimentos inadequados.
Para denunciar violência obstétrica, as mulheres podem procurar o MPF pelo sitewww.cidadao.mpf.mp.br ou pessoalmente em qualquer unidade do MPF.
Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/11/nao-pretendo-ter-outro-filho-diz-mae-apos-bebe-sofrer-fratura-no-parto.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=sptv

Pais falam honestamente sobre por que se arrependem de ter tido filhos

É preciso muito investimento em uma terapia chamada constelação familiar ou na própria terapia de abordagem familiar para colocar em ordem a desordem que esse sentimento expressa. 
Não penso de nenhum modo que um pai ou mãe deva se contentar em sentir algo do tipo, é preciso colocar as coisas em ordem, rever os modelos familiares e sobretudo se reconciliar com os pais para que as coisas funcionem dentro das ordens do amor, sem sentimentos controversos.

Publicado: Atualizado: 

sábado, 29 de outubro de 2016

Carta a uma professora (Artigo escrito na Itália)


 Carta a uma professora
(Escrita na Itália)

Por Cintia Liana Reis de Silva

Cara professora, gostaria de dizer que o meu marido respeitamos o seu profissionalismo e o seu conhecimento, mas adotamos uma atitude diferente da maioria das pessoas, especialmente ao que se refere à educação infantil.

A senhora nos fez entender que devemos impor à nossa filha de permanecer na escola mesmo se, em alguma ocasião, seja contra a vontade dela. Para nós, as crianças devem ser vistas independente de nossas pretensões. Se são respeitadas, as crianças aprendem o verdadeiro significado de respeito. Me baseio na complexa teoria do apego de John Bowlby e na psicologia do desenvolvimento para afirmar algo do tipo. O respeito pela minha filha está acima de qualquer protocolo ou etiqueta. Nós respeitamos o seu tempo e seus sentimentos. Ela nunca será forçada a ficar por obrigação, porque neste período, antes dos 5 anos, a escola deve ser apenas um prazer, porque, felizmente para nós, não precisamos de uma estrutura de apoio para deixá-la, já que podemos ficar com ela pela manhã, por isso a escola deve ser somente uma alternativa válida a mais.

Olhando para a nossa sociedade, o que se vê é uma declarada presunção, um grande autoritarismo de adultos que ainda precisam crescer, quando nos atrevemos a dizer o que é "normal" ou não, o que é "saudável" ou não, ignorando a idade da criança e as suas peculiaridades, culpando os pais de não dar limites, como se uma criança precisasse só de limites. Quantas pessoas já leram sobre a “ansiedade de separação”, por exemplo? As crianças não devem ser soldadinhos ou robôs, são sujeitos de direitos e estão desenvolvendo agora a sua autonomia psíquica. Se uma criança está indo bem na escola, com pessoas que passam segurança e afeto, e se a vida familiar vai bem, ela se sente segura e irá voluntariamente para a escola, mas se ela não quer ir ou é porque ela é muito imatura e tem necessidade de ficar com a mãe por uma necessidade existencial e vital, para desenvolver a confiança antes de enfrentar a vida ou é porque há uma real ameaça, e temos de tentar entender o que acontece. Porque mesmo contra os interesses egoístas dos adultos, aquilo o que as crianças sentem é importante e, necessariamente, deve ser, porque são seres humanos e sentem, tantas vezes muito mais do que nós, pobres adultos, que aprendemos a sentir e a intuir sempre menos, sempre mais insensíveis, em uma sociedade que nos faz perder nossas qualidades mais sutis, aquela de compreender, de olhar, de esperar e de amar, em detrimento do dinheiro.

Se a senhora fosse mãe ou pudesse ouvir e ver algumas das minhas pacientes que choram por culpa e tristeza e se queixam de ter de deixar o seu filho na escola que choram copiosamente, porque não têm outra alternativa, porque elas têm que correr para trabalhar, "sentiria" melhor o significado das minhas palavras. As mães inteligentes que se abrem para viver esta experiência de maneira verdadeira e que escolhem fazer terapia para serem mais conscientes de sua maternidade e de si mesmas, sabem que, quando levam os seus filhos para a escola, inevitavelmente, entraram em contacto com as suas antigas feridas infantis e traumáticas da primeira escola. E acredite, a escola, antes da idade certa, é sempre, sempre um trauma.

Pais e professores deveriam conhecer os diferentes tipos de choro. Uma criança geralmente não chora por manha, como insiste o senso comum, mas por uma sensação de impotência, de incapacidade de reagir de uma maneira efetiva e decisiva diante de uma frustração, o que para nós pode não ser nada, mas que para ela pode ser um sentimento monstruoso. O pranto de medo, por exemplo, é aterrorizante. Os adultos também  choram em uma grande variedade de situações, por raiva, humilhação, culpa ou ansiedade, após uma falha, um conflito, uma decepção ou desânimo, por empatia, de alegria e não apenas por um capricho. E quantos adultos caprichosas encontramos... Esses sim, sabem fingir muito bem e manipular, porque têm esse padrão de comportamento, mas as crianças são transparentes, mesmo quando "fingem" de maneira tão ingênua.

Minha filha nunca chorou e nem adoeceu, porque é segura, porque sabe que dentro de casa tem diálogo e não há brigas ou gritos, porque acolhemos os seus limites, porque sente que estamos do seu lado, porque tentamos compreendê-la sem preconceitos, porque sabe que receberá ajuda quando tiver necessidade e não quando nós pretendemos, consequentemente não alimenta o fantasma de ser abandonada em nenhuma situação e certamente será uma grande mulher, forte, amorosa e muito segura do seu valor, daquilo o que ela representa para a sua família, que deve ser a sua primeira base segura na vida, para sentir o mundo inteiro tornam-se para ela uma terra onde se sentirá aceita e acolhida, um mundo com o qual ela poderá argumentar e relacionar-se sem medo e sem raiva de ser ignorada, e se acaso for, fará como a mãe, talvez escreverá uma carta respeitosa ou um artigo científico para alertar as pessoas sobre a necessidade de não perderem nunca a humanidade.

A sociedade ainda precisa evoluir muito, sem o medo de sentir, e estudar o suficiente para acompanhar a sutileza da comunicação das crianças. As pessoas que ignoram as crianças são talvez aquelas que são inconscientes da raiva que nutrem de não terem recebido o suficiente de seus pais. E aquilo o que não se tem na infância permanece pendente e nunca será satisfeito na fase adulta. Para se criar bem uma criança é necessário generosidade, sensibilidade, coragem de enxergar-se e uma ampla visão.


Cintia Liana Reis de Silva é uma psicóloga brasileira. Autora de dois livros. Vive e trabalha na Itália desde 2010. Tornou-se um dos quatro psicólogos mais conhecidos no Brasil, experts em adoção, chamada de "Fada da Adoção" pelos meios de comunicação e pelos pais pela sua postura ativista na causa de menores. Formou-se no Brasil em 2000, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, São Paulo, Brasil, uma das melhores universidades do país. É especialista em psicologia de casal e família. Trabalha também com a terapia familiar, bem como a terapia individual com adultos e crianças filhos e com orientação aos pais. Respondeu a dezenas de entrevistas sobre psicologia, adoção e da família na TV, jornais, revistas nacionais e locais e portais internet. É citada em vários livros e artigos nos meios de comunicação e em teses acadêmicas no Brasil e em Portugal. Contribui para pesquisas e teses sobre temas relacionados à infância e à adoção. Seu blog www.psicologiaeadocao.blogspot.com recebe mais de 20.000 visitantes ao mês.

sábado, 22 de outubro de 2016

Lugar de bebê é no colo!

Pinterest
23 de novembro de 2015
Por Fernanda Fock
Site "se as mães soubessem"
Um dos mitos mais difundidos da maternidade é que colo demais ‘estraga’, mal acostuma e mima o bebê. Infelizmente, ainda é comum ouvir discursos como este, especialmente quando a mãe recém pariu o seu bebê. Mas tranquilize-se, ninguém estraga por dar amor demais, carinho demais, muito menos colo demais.
Assim que nasce, o bebê se depara com um mundo completamente diferente daquele que ele conhece, com novas sensações dentro e fora do seu corpo. Tudo é uma grande novidade, o estômago digerindo, o intestino funcionando, a fome, o sono, a luminosidade, os sons que nunca ouviu, etc.
Talvez, se tivéssemos a memória dos nossos primeiros dias, seria mais fácil entender o que se passa na percepção dos bebês. É preciso apoiá-lo nesta descoberta do novo mundo. Mostrar para ele que aqui fora pode ser tão confortável quanto dentro na barriga da sua mãe, que aquelas sensações que davam prazer, conforto e segurança podem ser simuladas em sua adaptação para a nova vida.
Aliás, por isso mesmo que bebês pequenos são chamados de “bebês de colo”. Porque o colo é uma necessidade para o bebê. Os bebês humanos nascem completamente dependentes de seus pais. São os mais indefesos entre todos os mamíferos e precisam sentir-se acolhidos, seguros e guiados por seus pais.
A teoria da extero-gestação, apresentada pelo antropólogo Ashley Montagu popularizada pelo pediatra Harvey Karp, afirma que os bebês humanos nascem antes de estarem totalmente prontos ou maduros. A teoria descreve que ao longo da evolução do ser humano, para que ele pudesse caminhar, houve transformações fundamentais, dentre elas o estreitamento do osso da pelve por onde os bebês passam ao nascer. Portanto, se aguardássemos o desenvolvimento completo do sistema nervoso, cerca de mais três meses, não haveria espaço suficiente para a passagem no nascimento.
Como a própria palavra sugere, extero-gestação significa que o bebê continua a se desenvolver, porém fora do útero. Ele precisa vivenciar um ambiente acolhedor, que traga as mesmas sensações de segurança do ambiente intrauterino, para continuar em pleno desenvolvimento. Sentir-se seguro é fundamental para o bebê e a segurança pode ser promovida através do colo, do contato pele a pele, do som do coração, do acalento, da amamentação em livre demanda, da canção de ninar, da massagem, etc.
Tudo o que os bebês precisam é de muito amor e apoio nessa transformação de vida. Se carregar o bebê cansa seus braços, utilize um sling para mantê-lo próximo. Inspirados em carregadores de bebês tradicionais de diversas culturas, o uso destes carregadores de pano permite que o bebê permaneça em contato direto com seu cuidador pelo máximo de tempo possível, como se estivesse dentro de uma bolsa de canguru.
Essa proximidade promove uma interação mais sutil, facilita a comunicação do bebê com o pai ou mãe, fortalece os laços afetivos, tranquiliza o bebê e para o cuidador é uma maneira confortável de estar com o bebê e com suas mãos livres.

Fernanda Fock
Fonte: http://seasmaessoubessem.com.br/2015/11/23/lugar-de-bebe-e-no-colo/

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Conceito da Mente de Abundância e como ele pode auxiliar na Maternidade

Site "Se as mães soubessem"

23 de setembro de 2016
Site "se as mães soubessem
Por Margareth Sá

Você já olhou à sua volta e percebeu o mundo de oportunidades que se encontra bem aí na sua frente? Alguma vez você já se deu conta das muitas coisas que estão ao nosso alcance e não conseguimos acessar somente porque estamos com o foco no lugar errado?

Hoje quero falar com vocês sobre O Conceito da Mente de Abundância e como ela pode auxiliar na Maternidade!

O foco é como a mira de um canhão: é mirar e disparar para acertar o alvo. Nosso cérebro funciona exatamente assim. Nós temos o controle do canhão e podemos direcionar para qualquer lado. Mas será que estamos direcionando nosso foco para coisas que são realmente importantes? Será que não estamos nos perdendo no meio do processo? É importante de tempos em tempos calibrar a mira dessa arma potente, nosso cérebro, para alcançar os resultados que esperamos na vida.

Esses dias estava pensando em 2 conceitos de mundo, que se refere à abundância e à escassez. Para explicar melhor esses conceitos, pense o seguinte:

“imagine que você está no meio de um campo verde, respirando profundamente o ar puro com cheiro de orvalho, enchendo seus pulmões e sentindo-se bem por isso. A quantidade de ar disponível para você respirar é enorme, você não precisa ter medo de acabar. Agora imagine que outra pessoa parou ao seu lado e também começou a respirar profundamente. Ela está aproveitando o mesmo benefício que você, e não corre o risco de “acabar” com o oxigênio, pois o ar é abundante, tem pra todos. Todo mundo se beneficia do oxigênio do ar. Essa é a mente da abundância, onde várias pessoas usam um recurso sem risco de esgotá-lo.

O pensamento de abundância é pleno, amplo, descentralizado, altruísta. Quando você foca sua mente na abundância, você colhe frutos duradouros, você compartilha amizade, informações, gentilezas, que podem se reverter em benefícios futuros para você.

Eu mesma já experimentei muitas vezes essa situação. Vou dar um exemplo: Eu contribuí com uma amiga cuja mãe estava com câncer de mama; fui gentil e perguntava sempre que possível como ia o tratamento, me interessava sinceramente por ela, cedia meu tempo para uma conversa com o objetivo de levantar seu moral. Pouco tempo depois, em uma das ligações que fiz para saber como estava, minha amiga ofereceu seu apartamento em São Paulo para eu ficar se precisasse.

Resultado: Precisei ficar 20 dias em SP para uma cirurgia e essa amiga prontamente me ofereceu as chaves, permitindo que eu economizasse cerca de R$ 5.000,00 em aluguel e outras despesas. Claro que minha ajuda foi sincera, porque eu não sabia que ela possuía esse imóvel; nem sabia que iria me disponibilizar. Mas ao praticar a mentalidade de abundância, eu exercitei esse poder e fui retribuída na mesma proporção.

Ao contrário, a mentalidade de escassez é egoísta, perigosa, há o medo de “faltar” os recursos necessários, então é melhor garantir o meu antes que termine. Esse tipo de pensamento é centralizador, muitas vezes mesquinho e faz com que a pessoa que o pratique fique sempre centrada em suas próprias necessidades e interesses; dificulta a troca, a partilha.
Todos nós temos momentos de escassez e momentos de abundância.

A questão é: Onde sua mente circula a maior parte das vezes? Compartilhando e gerando valor para o mundo? Ou segurando as informações para seu próprio benefício?

Deixo essa questão para reflexão.

E levando essa discussão para a família, como tem sido sua relação com seus filhos? Tem agido com eles com o foco na abundância, orientando para que evidenciem seus dons e virtudes? Ou sua mentalidade está na escassez e no medo, o que pode atrapalhar o seu desenvolvimento? Mantendo-os “presos”, limitados ao seu raio de ação?

Pense sobre isso.
Ao praticar a mentalidade de abundância, você está contribuindo com o mundo e gerando valor para a vida. E tenha certeza, que o mundo saberá recompensá-lo por isso!

Por Margareth Sá

Fonte: http://seasmaessoubessem.com.br/2016/09/23/o-conceito-da-mente-de-abundancia-e-como-ele-pode-auxiliar-na-maternidade/