"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Após estimular retomada de criança adotada, Globo analisa o mal que causou

Foto: GGN O Jornal de Todos os Brasis
Luis Nassif
Jornal GGN - Grupos de apoio de adoção de crianças têm se preocupado com decisões da Justiça que têm devolvido crianças em processo de adoção aos pais biológicos. De acordo com a Associação Nacioal dos Grupos de Adoção (Angaad), existem casos polêmicos em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Dois dos casos envolvem uma menina de 4 anos na cidade de Contagem (MG) e um menino de 1 ano na cidade de Serra (ES).
Para Suzana Schettini, presidente da associação, existe uma supervalorização da família biológica, com decisões judiciais que não levam em conta o interesse da criança. "São verdadeiras tragédias familiares nas quais os pais adotivos são vilipendiados, desrespeitados, desqualificados e a criança é massacrada, em um verdadeiro estupro psicológico", diz. Ela também critica a demora em se conceder a guarda definitiva das crianças. Leia mais abaixo:
Do G1
Casos na Justiça provocam embates e causam receio em pretendentes.Levantamento feito a pedido do G1 mostra polêmicas em MG, ES e RJ.
Decisões da Justiça que têm devolvido aos pais biológicos crianças em processo de adoção têm causado apreensão nos grupos de apoio e em pretendentes pelo país. Levantamento feito pela Associação Nacional dos Grupos de Adoção (Angaad) a pedido doG1 mostra que há casos polêmicos em Minas Gerais, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.
Entre eles estão o caso de uma menina de 4 anos de Contagem (MG) e o de um menino de 1 ano de Serra (ES). No primeiro, a Justiça obrigou no fim do ano passado que a criança fosse devolvida aos pais biológicos, mas um mandado de segurança paralisou a reinserção. Uma decisão sobre o caso deve sair nos próximos dias. No segundo, a família adotiva conseguiu apenas neste mês reaver a guarda do garoto, que também havia sido levado, aos 8 meses de idade, após uma ordem da Justiça.
Para a presidente da Angaad, Suzana Schettini, o que tem ocorrido é uma supervalorização da família biológica, com decisões que não levam em conta o interesse da criança. “O que a gente tem vivenciado são verdadeiras tragédias familiares nas quais os pais adotivos são vilipendiados, desrespeitados, desqualificados e a criança é massacrada, em um verdadeiro estupro psicológico”, afirma.
A juíza Vera Lúcia Deboni, coordenadora da Secretaria da Infância e da Juventude da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), no entanto, diz que é preciso cautela ao analisar aos processos. Isso porque, na maioria dos casos, as decisões foram tomadas após uma adoção consensual ou com a destituição do poder pátrio ainda em curso. "A família biológica tem o direito de buscar a permanência da criança em seu contexto e, para isso, é preciso garantir todos os prazos para se defender das acusações feitas contra ela", afirma.
No caso de Contagem, por exemplo, a família perdeu a guarda acusada de maus-tratos, mas, alegando ter se recuperado, pediu a criança de volta.
Já no caso de Paracambi (RJ), a mãe biológica consentiu com a adoção logo no nascimento, mas a criança acabou retirada da família adotiva após mais de um ano e meio. Na decisão, o juiz ponderou que, devido à idade, “a adaptação ao verdadeiro lar” se dará de forma tranquila e que “essa é a natureza das coisas: aquele que gerou que cuide e conviva com seu filho”.
No Rio, um outro drama similar: após dois anos de convivência com a família adotiva, a menina foi devolvida para a mãe biológica, que se arrependeu de dar a filha à adoção e pediu na Justiça seu retorno, segundo a Angaad.
"Alguns magistrados, na melhor das intenções, colocam as crianças em famílias substitutas antes da decisão definitiva da destituição do poder familiar. E isso pode acabar revertendo mesmo", afirma Vera Lúcia Deboni.
Suzana, da Angaad, critica, no entanto, a demora em se conceder a guarda definitiva das crianças. “Muitas comarcas, que não têm equipes técnicas adequadas, não priorizam os processos de adoção, estendendo muito o tempo da guarda provisória, o que também abre espaço para esses tipos de situação”, diz.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Rodrigo Pereira, a demora afeta toda a política nacional de adoção. “É uma burocratização. É claro que a adoção tem que estar cercada de segurança. Mas se há pessoas mal intencionadas, elas formam 1% do total. E aí as outras 99% acabam pagando por elas. A guarda provisória durar mais de um ano é algo absurdo, que gera insegurança e instabilidade jurídica.”
Família biológica x família adotiva
Pereira diz que já fez reuniões com o Ministério da Justiça para tentar alterar a legislação, que diz que a manutenção ou reintegração da criança e do adolescente em sua família biológica terá preferência em relação a qualquer outra providência. “A família não é um elemento da natureza. Os laços de sangue não são suficientes para garantir uma relação familiar. Muitas dessas decisões [de devolução] estão travestidas de preconceito”, afirma.
Para a juíza Vera Deboni, entretanto, há uma regra constitucional que delimita a primazia da família biológica. "O que não pode ser feito como processo civilizatório é dizer que pobre não pode ter filho. Se a família não tem condições, é preciso criar a partir das retaguardas e das estruturas sociais necessárias as condições para que ela possa manter a criança. A pobreza jamais poderá ser o motivo da perda do poder familiar. E hoje, por conta da ansiedade de muitos adultos que pretendem a adoção, que desejam uma criança recém-nascida, muitas vezes isso acontece."
Atualmente há 5,4 mil crianças aptas à adoção no Cadastro Nacional. São mais de 30 mil pretendentes cadastrados. Mas um abismo ainda os separam. Parte dos especialistas diz que a repercussão dos casos de devolução noticiados tem feito muitos desistirem do ato. “Há pretendentes receosos e outros que estão no processo de adoção e têm ouvido do filho: ‘pai, o juiz vai me tirar aqui de casa também?’”, afirma Suzana.
Sobre os embates no país, a juíza Vera Deboni diz que a solução precisa ser pensada caso a caso. "Se, de um lado, a criança tiver um vínculo afetivo efetivamente criado com a família substituta e, do outro, houver a família biológica retomando a convivência, há equipes técnicas que trabalham com mediação familiar que podem contribuir na busca de alternativas, não só de guarda compartilhada, que divide deveres e direitos, mas no compartilhamento da convivência, de períodos de visita. A criatividade jurídica pode ser utilizada."
Procurado, o Conselho Nacional de Justiça diz que não se posiciona sobre os casos por se tratar de "entendimentos jurisdicionais".
Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/apos-estimular-retomada-de-crianca-adotada-globo-analisa-o-mal-que-causou

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Novela Além do Tempo desqualifica a psicologia

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

Fica aqui a minha séria crítica novela "Além do Tempo", pois está revelando ter autores irresponsáveis e levianos com a ciência quando desqualifica claramente a psicologia e a psicoterapia, em vários momentos, as compara com o espiritismo de modo equivocado e ignorante. 

Cresci em família espírita, estudando e frequentando o espiritismo desde a infância, estudando também psicologia e fazendo terapia e posso dizer que todas as resposta podemos encontrar em nossas partes ocultas da psiquê, no inconsciente familiar, sem precisar recorrer a vidas passadas, afinal todas as repostas estão refletidas no agora. 

Acho irônico uma pessoa nem conseguir encarar a si mesma no agora e já querer ir em hipóteses de vidas passadas para se olhar. Isso me parece pura fuga.

É um longo, delicado e complexo assunto, mas, por exemplo, depois que me tornei psicóloga e comecei a estudar psicologia analítica a fundo, vi fenômenos explicados por Carl G. Jung que o espiritismo em parte coloca a responsabilidade nos espíritos obsessores e nós psicólogos sabemos que se referem a partes ocultas da nossa personalidade. Resultado, deixei de ser espírita, hoje sou espiritualista e isso inclui o estudo de física quântica. O conhecimento e a abertura da mente é a vacina para a simplificação e a generalização.

Existem vários fenômenos psicológicos que explicam o fato de termos antipatia por alguém e nada tem a ver com vidas passadas. Essa antipatia pode ser trabalhada e acabar quando o indivíduo descobre o seu lado que é similar ao da pessoa antipática, sem ter que fazer regressões. Ou seja, ele rejeita o que ele não gosta e despreza nele mesmo. Transformar a parte sombra em parte luz é necessário, para que acolhamos todos os nossos lados obscuros.
Não critico o espiritismo em si, afinal a doutrina ajuda a muitas pessoas que não querem fazer terapia ou não podem, mas considero leviana e irresponsável uma postura da novela em que ela coloca a psicologia como uma ciência que mascara a realidade espiritual, que limita o conhecimento da história da alma, pois isso não é verdade, ao contrário, a essência psíquica do homem, de sua energia é considerada e trabalhada em muitas abordagens terapêuticas e se fala muito de "alma", mas de modo muito mais íntimo e próximo e vai buscar resposta nessa vida de agora e consegue encontrar absolutamente tudo o que se propõe, se o paciente quiser e estiver realmente disponível, sem resistências, se o paciente não estiver querendo fugir do agora e se refugiar em possíveis vidas passadas.

Espero posição do Conselho Federal de Psicologia sobre essa postura da TV Globo, mesmo sabendo que se trata de uma obra de ficção, mas que acaba tocando na realidade. E sabemos que a novela não é tão fiel nem em relação a coerência das próprias histórias dos personagens quando a compramos a doutrina espiritas, mas também que seria impossível encaixar tudo "perfeitamente", como poderia hipoteticamente ser na vida real.

No mais, digo, vai fazer uma boa terapia com empenho, como por exemplo, a Terapia de Família, as constelações familiares, etc, e encontrarás certamente todas as respostas lá em sua primeiríssima infância e em seus modelos familiares intergeracionais. 

Cintia Liana Reis de Silva

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O neto da empregada

Julie de Waroqui

Por Thaís Machado em 07/02/2012 na edição 680

Não sou noveleira. Não sou noveleira. Não sou noveleira.

Apesar de amar acompanhar de tudo um pouco na TV, uma das coisas que mais me irritam (especialmente nas produções brasileiras) são as novelas. Sempre cheias de clichês, atores medianos, merchandisings baratos e trilhas pagas pelas gravadoras, elas estão muito além do que pode ser considerado ruim. Mesmo assim, é difícil passar ileso pelas fofocas que cercam os encerramentos desses “folhetins”.
Um exemplo atual é o “segredo de Tereza Cristina”, a personagem vivida por Cristiane Torloni na atração global Fina Estampa. Há enquetes nos sites, concursos nas emissoras de rádio, comentários nos corredores das empresas. O que será que uma das personagens principais da trama esconde? Como deixei claro no início deste post, não vi sequer ¼ da novela, mas ontem (2/02), diante da divulgação do capítulo em que o mistério seria revelado, me propus a assistir. Foi quando deparei com uma das cenas mais estúpidas dos últimos anos: o garoto, filho da tal vilã, aos prantos, porque acabara de descobrir que era “neto da empregada”.

Mais prêmios, mais longevidade...

Sim, é isso mesmo que você leu. O menino chorava soluçando porque a mãe lhe contou sua origem (filha de uma doméstica, havia sido adotada ainda pequena pela família rica e quatrocentona). E a partir dessa confissão, todos os outros diálogos nos vários núcleos de personagens foram pautados pelo “escândalo”. Um momento! Desde quando ser adotado é vergonhoso? Quem decidiu que ser “rico” é ser “melhor”? Entendi que esse é o princípio de um mistério que ainda vai esclarecer muitos pontos confusos na trajetória daquela mulher e que o tal segredo não é de fato o “xis” da questão; mas dedicar quase uma hora em horário nobre para discutir que a fulana não tem “direito” de ser a vilã que é porque não tem em seus genes um sobrenome conhecido?!
Depois querem me convencer que esse tipo de programa discute assuntos importantes para a democracia como o preconceito, o aborto, a violência doméstica etc. As novelas são (e sempre foram) a principal influência na cultura brasileira. Elas ditam moda, elegem as “personalidades do ano”, destacam hábitos arraigados da população e uma série de outras funções que deveriam ser denotadas a qualquer outro instrumento de comunicação, menos às historinhas contadas por autores cansados e genialmente equivocados.
E a pior parte disso tudo é que, a cada dia, elas ganham mais prêmios, mais força e mais longevidade...

[Thaís Machado é jornalista, São José do Rio Preto, SP]



Postado por Cintia Liana