"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sábado, 3 de março de 2018

Palestra com workshop da psicóloga Cintia Liana

Palestra com workshop da psicóloga Cintia Liana

Em minha visita ao Brasil em abril, além dos grupos de constelação, farei uma palestra com workshop que abordará o desrespeito às leis e ordens sistêmicas que dão origem e regem os conflitos familiares e a relação de cada um consigo, e incluirei o assunto adoção. 
Para pessoas em busca de autoconhecimento, famílias, estudantes e profissionais da área deaúde. 
Com entrega de certificado, a quem solicitar. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A psicóloga Cintia Liana na rádio italiana


Caros amigo e leitores, 
esse é o link da minha primeira entrevista em italiano. 
Falei sobre a minha chegada na Itália, psicologia neonatal, a importância da amamentação e psicologia familiar. 

Comecei amamentando. Militando. 
🙏


Programa By Night Roma, na "RadioRadio", FM104,5. 

🎧🎤🎙📻🎥

Acessem:

https://www.facebook.com/RadioRadioByNightRoma/videos/1449333915121243/?hc_ref=ARSRYYsO2pMGmRpdQQrUGLDOEVQEYQsTnh-rnKkX-SXBhxOzcmvNKIJi7M3OLZ9EM2o&pnref=story

A psicóloga Cintia Liana. 
Apoiando a amamentação.





A psicóloga Cintia Liana 
na "RadioRadio", FM104,5, em Roma, Itália. 

🎧🎤🎙📻🎥



quarta-feira, 29 de abril de 2015

Superproteção: A origem do fraco e do tirano

Sob as asas indulgentes de pais pretensamente diligentes e amorosos, desenvolve-se uma espécie humana incapaz de conviver com a frustração; insaciável em sua necessidade de atenção; dependente de cuidados, básicos ou sofisticados; impossibilitada de enxergar outro ponto de vista que não o seu; voraz e corruptível. A superproteção familiar impede o indivíduo de criar suas próprias ferramentas de sobrevivência, interlocução, compaixão e convivência. Estamos criando uma geração de fracos tiranos ou de tiranos fracos, capazes de qualquer artifício para terem seus desejos atendidos. 



Publicado em recortes Por Ana Macarini
No Obvious


Perigosa estratégia essa de trocar autoridade amorosa por permissividade vazia. Substituir a presença física e real por bens materiais contribui para a formação de indivíduos que não hesitariam em sacrificar pessoas para conseguir coisas. Será que somos tão distraídos emocionalmente a ponto de abrigarmos monstros egoístas sob nossas próprias asas e não nos darmos conta disso?

O inegável cenário de violência em que a maioria de nós vive, cria elementos mais do que concretos para que haja temor pela segurança de nossas crianças. É fato que muitos de nós tivemos a oportunidade de fazer pequenas incursões pelos arredores de casa, experimentando a cada nova aventura, o sabor da conquista da maturidade. Há cerca de 30 anos atrás, mesmo em cidades grandes e movimentadas, era comum as crianças “maiorzinhas” (10 ou 12 anos), irem sozinhas à padaria, à banca de jornal, à casa de algum amigo mais próximo ou mesmo à escola. Ouvíamos de nossos pais alguns conselhos como “Não fale com estranhos!” ou “Não aceite ‘nada’ de estranhos, como balas ou chocolates!”. Nossos pais temiam pela nossa segurança e procuravam nos preparar para enfrentar alguns perigos previsíveis. É claro que, mesmo naquela época, ouvíamos notícias de crianças sequestradas; abusadas; até mesmo desaparecidas e mortas. Mas a verdade é que esses acontecimentos eram uma exceção. Hoje, não são mais. O perigo é real, isso é indiscutível. Há muito tempo as crianças deixaram de ter medo do “homem do saco” para ter medo do bandido armado.
Assim, nossas crianças muitas vezes são privadas de experiências de vida em detrimento de sua segurança e integridade física. Até aí, nada de errado. Cabe mesmo aos pais garantir que seus filhos recebam proteção, cuidados, atenção e amor. Os problemas começam quando a dosagem desses atributos perde o valor original e extrapola os limites, revelando uma educação descolada do mundo real, no qual há o enfrentamento de situações adversas e imprevistas. É bastante frequente observarmos que os responsáveis sofrem com a dificuldade de estabelecer o que é cuidado, o que é exagero, o que é pseudo-cuidado e o que é negligência.
É importante termos em vista que a maneira como nos enxergamos na infância, baseia-se na forma como somos tratados pelos adultos responsáveis por nós. As experiências sociais da infância determinam a maneira como vamos interagir com o mundo na fase adulta. A consciência do nosso valor pessoal é construída na interação, primeiro com nossa família nuclear, independente de como ela seja formada; depois, na interação com os outros. Os adultos responsáveis pela nossa educação darão o tom às nossas percepções de respeito, ética, compaixão e liberdade.
Quando somos crianças, aceitamos como correto o modelo oferecido pelos adultos que são responsáveis por nós. Crianças tratadas com agressividade e intolerância acabam acreditando que merecem esse tratamento e o reproduzirão. Crianças negligenciadas crescem com a dolorosa sensação de que suas necessidades não são importantes. Adultos demasiado exigentes, críticos e autoritários fazem a criança sentir-se inadequada, incapaz e indigna de confiança. Quando não são ouvidas, elas crescem inseguras e dependentes. O pseudo-cuidado, caracterizada pela presença física, porém ausente de atenção (adultos que não desgrudam do celular, por exemplo), provoca na criança uma confusa sensação a respeito de seu papel na relação e do espaço que ela ocupa; ela se percebe como desimportante e até incômoda. Engana-se, porém, quem acredita que a superproteção garante um saudável desenvolvimento para a criança. As crianças superprotegidas acreditam que os adultos resolvem tudo por elas e atendem todas as suas vontades porque elas são incapazes. Adultos superprotetores formam crianças desconfiadas de suas próprias capacidades e habilidades, além de dependentes do cuidado e da aprovação do outro. Já adultas, elas acreditarão que o mundo será exatamente assim: sempre pronto a satisfazer seus desejos e compreender suas demandas.
A superproteção pode representar um bloqueio para o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo das crianças. Adultos responsáveis excessivamente protetores fazem com que os pequenos sintam-se pouco estimulados a interagir com o mundo. A timidez, por exemplo, pode ser uma consequência de posturas repressoras apresentadas na educação familiar. Outro ponto importante é o fato inegável de que as crianças superprotegidas terão dificuldades para adquirir autonomia; lidar com o medo; enfrentar situações imprevistas; tomar iniciativas ou decisões. Além da possibilidade de virem a se tornar adultos reclusos ou distantes da realidade, que julgam injusto terem de batalhar para alcançar o que desejam e não serem premiados por cumprir com suas responsabilidades e compromissos.
É de extrema importância que, no caso de termos decidido assumir a responsabilidade pela educação de uma criança, termos em mente que a nossa postura em relação à sua formação, contribuirá fortemente para o tipo de adulto que ela virá a ser. Precisamos entender que somos modelos em nossas atitudes, muito mais do que em nossos discursos. Criança precisa de escuta ativa; afeto; limites claros e justos; honestidade nas relações; aceitação de suas limitações; incentivo diante das dificuldades; valorização das habilidades; satisfação de suas necessidades de alimento, sono, descanso e brincadeira; liberdade assistida e orientada. Parece muito?! Mas não é. É o mínimo que nos cabe fazer. No fundo, elas não precisam ser colocadas sob nossas asas. Elas precisam que sejamos inteiros o suficiente para ensiná-las a voar com suas próprias, respeitando o espaço aéreo das demais.



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Não são as crianças o problema, mas sim aquilo que os seus pais desconhecem



We heart it
 
Deseducar não é deixar que um bebê almoce vendo um vídeo interessante uma vez ou outra, deseducar é querer que o bebê coma a todo custo a nosso modo, sem respeitar o seu humor, o seu momento. Uma criança precisa se sentir segura primeiro em seu lar para no futuro se sentir segura no mundo. Uma criança precisa se sentir aceita, entendida e acolhida para poder fazer o mesmo com os outros. Ninguém pode dar aquilo que não conhece, não se pode dar aquilo que não se experimentou.
Quando alguém me fala que as crianças quando crescem viram um problema, eu tenho vontade de dizer: "não são as crianças o problema, mas sim aquilo que os seus pais desconhecem."

É fácil fazer da nossa casa um "exército", difícil é saber ler nas entrelinhas na hora de educar. É preciso desenvolver sensibilidade, é preciso um olhar transdisciplinar.
 
Por Cintia Liana

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Não fugir de si mesmo é uma escolha muito nobre

We Heart it

As feridas emocionais nascem nos primeiros meses e anos de vida e algumas delas independem do esforço dos pais para dar o melhor aos filhos. Essas feridas se transformam em defesas que entravam futuras relações. Algumas vezes nem os próprios pais enxergam no que estão errando ou em que estão dando um mal exemplo, pois são humanos. No futuro, para essa criança que se tornou adulto, o mais importante não deve ser não ter feridas, dificuldades emocionais ou uma parte "sombra" que dá medo e dói enxergar, pois todos nós temos, o mais importante é procurar reconhecê-las com respeito, tratá-las com delicadeza e só assim curá-las com o devido cuidado para ser mais feliz e maduro, educando melhor os filhos e melhorando as futuras gerações. Esse é um excelente exercício de crescimento. Não fugir de si mesmo é uma escolha muito nobre.
 
Cintia Liana

domingo, 16 de setembro de 2012

Existe filho predileto?

Mandy Lynne

Por Cintia Liana Reis de Silva

Sim, existe filho predileto, e porque não?

Estudos da Universidade da Califórnia comprovam que existe filho predileto. Para 70% dos pais e 60% das mães esta predileção seria em relação ao filho primogênito. Mas nem sempre é assim, às vezes se prefere o mais novo por ser o mais frágil. Outras vezes a mãe prefere o filho mais velho e o pai a filha mais nova. (CRIPPA, 2012) 

Mas independente de quem seja o predileto uma coisa é certa, isso gera ansiedade e expectativas em todos, desorganiza a família e satura o sistema familiar. Por exemplo, o filho mais velho preferido e protegido se sente potente e o mais novo subjulgado e agressivo, ou o filho mais velho sente pena do mais novo que se torna frágil e fraco. Também pode ocorrer do protegido se tornar dependente por toda a vida e não conseguir assumir responsabilidades.

Pai ou mãe, antes de assumirem esses papéis são humanos como qualquer outro. Filhos são diferentes entre si e os pais reagem de acordo com isso e o tratamento que cada um recebe, em parte, também depende desses fatores. Nestas relações do sistema familiar, muitas vezes emaranhado, pode existir naturalmente mais identificação e afinidade com um filho que com um outro, é natural. Um filho pode se identificar mais com o pai ou com a mãe, seria impossível estabelecer relações iguais já que se tratam que seres humanos diferentes, que carregam singularidades, especificidades e as relações se baseiam nestas configurações do encontro entre duas psiquês diferentes, que dialogam multuamente e inconscientemente.

Pode ser que a mãe estabeleça uma relação mais difícil com a primeira filha porque esta carrega muitas características da avó, características essas que eram portadoras de dificuldades na relação com a sua filha, mãe desta última a chegar. Pode ser que, ainda que tenha dificuldades com a mãe seja a preferida por ser mais parecida e, por isso, aparecem também as dificuldades. É uma via de mão dupla, ou poderia dizer de "mãe dupla"?

As relações também são recheadas do que Freud chamou de "transferência e contratransferência", um dos mecanismos de defesa do ego, ou seja, estabelecemos relação com novas pessoas baseadas em relação antigas, já consolidadas, e as repetimos de acordo com o que a nova pessoa nos demonstra. Às vezes até lembramos muito de uma pessoa que já conhecemos há muito tempo quando conversamos com alguém que acabamos de conhecer, sem que essas duas pessoas se pareçam fisicamente, mas se parecem na personalidade, então tendemos a repetir a nossa mesma maneira de ser com esta também e este alguém pode contratansferir, reagindo de modo como esperamos. Algumas vezes, se a pessoa não constratransfere, nos sentimos "perdidos" em como podemos nos relacionar com ela. Se trata de um repertório, usamos a mesma márcara social que usamos com aquela outra.

Sobre a máscara, nada tem a ver com falsidade, Jung, o pai da psicologia analítica, usou este termo para explicar de que modo nos reportamos e nos relacionamos com alguém, a nossa figura social, munida de autocensura, algo necessário para sobrevivermos em sociedade, é a parte do aparelho psíquico que organiza o nosso material inconsciente, o que pode vir a tona e como pode vir, de acordo com quem está a nossa frente ou que situação estamos vivendo.

Mas voltando para a relação com os filhos e se existe um filho preferido, observamos que só em falar sobre o assunto nos parece impróprio ou feio, pois parece algo vergonhoso desejar mais bem ou amar mais a um filho que ao outro. Ocorre que pode nem ter a ver com amar e sim simplesmente se relacionar e se identificar.

Existem modos diferentes de estar no mundo, de viver e sentir as relações e pais e mães não estão acima do bem e do mal, que não podem se identificar mais com um ou com outra pessoa, mesmo que esses sejam os próprios filhos. Se pais e mães fossem perfeitos e não fossem humanos não existiriam tantos pais egoístas, chantagistas, cruéis e esquizofrenizantes, que sufocam e fazem seus filhos sofrerem, sem terem a mímima consciência disso.

Amar e torcer para a felicidade de todos os filhos igualmente é algo que uma pessoa que se trabalha pode desenvolver, mas nada tem de errado em ficar mais animado e feliz com a presença de um dos filhos, frente ao fato deste ser mais nutritivo, otimista e saber levantar mais a auto estima dos pais e valorizá-los mais.

Algo importante a se fazer é, desde o início, trabalhar as dificuldades que aparecem nestas relações, que normalmente são dificuldades já trazidas na relação com os pais dos pais; é buscar ser pessoas mais conscientes com todos e isso se refletirá na educação que se passa dentro de casa. A partir daí, refletir que o filho sempre é um reflexo do que damos a ele, misturado a outras variáveis bem complexas do que nem temos consciência de nós e dele. Mas sabemos que podemos ter uma relação positiva e justa com toda a prole, sem precisar nos sentirmos culpados porque estamos mais próximos afetivamente de um ou de outro.

O importante é se livrar da culpa de sermos humanos e falhos e procurar sermos justos de verdade, corrigindo possíveis erros, verbalizar nossas dificuldades, dividir dúvidas, assumir equívocos com os filhos para fazer a família se fortalecer, dar este bom exemplo, derrubando tabus, independente de interesses pessoais ou orgulhos herdados. E sobretudo se unir e ter humildade para desenvolver uma boa relação justamente com os filhos que se tem mais dificuldades, pois são aqueles que mais se parecem com os pais.

Cintia Liana Reis de Silva, é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar, trabalha com casos de família e adoção desde 2002.

Referência:
Crippa, Vania. Esiste il figlio prediletto? Revista Psychologies Magazine. Italia: Giugno, 2012.