"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sábado, 15 de outubro de 2016

Não às palmadas

Foto página Facebook "Desconstruindo Conceitos"

Quanto mais eu trabalho, estudo e conheço o universo humano, tenho a mais absoluta convicção de que bater em uma criança é uma das mais absurdas e profundas agressões, é burrice. Só bate em uma criança quem não se enxerga como pai, como mãe e como ser humano. 

A criança não faz nada por mal, ela só reage a uma agressão que estão fazendo primeiro à ela, por instinto de preservação, por não ter aprendido ainda a argumentar. E alguns pais, ao invés de ensinarem o poder da conversa, a ensinam a crueldade impiedosa da violência, exatamente no momento em que ela mais está precisando ser compreendida e a família está precisando se ajustar. Pais sensíveis e inteligentes sabem que a criança é o termômetro da saúde familiar. <3 span="">

Cintia Liana


Cintia Liana

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Os ninguéns

Pensei que fosse um texto mais longo, mas quando li esse pequeno texto poético e realista tive que dividir do mesmo jeito com voces.

Revista Pazes
11 de março de 2016
Por Eduardo Galeano
As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.
Por Eduardo Galeano
Fonte: http://www.revistapazes.com/2200-2/

segunda-feira, 25 de abril de 2016

As crianças excluídas. Revista E, SESC São Paulo

Meu artigo inédito na Revista "E", do SESC São Paulo, sobre adoção no Brasil.
Em primeira mão para vocês.

Cintia Liana na Revista 'E", SESC São Paulo

 Cintia Liana na Revista 'E", SESC São Paulo




Artigo inédito da psicóloga Cintia Liana Reis de Silva 
para a Revista "E", do SESC São Paulo

"As crianças excluídas"
Por Cintia Liana Reis de Silva

Adoção é uma palavra quem vem do latim adoptare, que significa acolher, cuidar, considerar. É uma das palavras mais bonitas e mais ricas de conteúdo interpretativo do dicionário. A adoção é uma atitude instintiva e complexa, plena de requinte humano e espiritual, onde se acolhe aquele que não veio de você, mas veio para você.

Sou psicóloga e trabalho com adoção de menores desde 2002 e tenho observado que as discussões avançam, aprofundam-se, combatem tabus e educam os mais preconceituosos. E isso se dá graças ao empenho das famílias adotivas, aos grupos de apoio à adoção, a alguns meios de comunicação que tratam do tema de modo responsável e aos militantes brasileiros, que vêm enfrentando desafios, levantando bandeiras, conscientizando a população e não desistem da luta pelas crianças abandonadas por suas famílias.

Mesmo com todas as dificuldades, eu tenho orgulho do meu país, o Brasil. Eu trabalho na Itália desde 2010 e enquanto aqui se discute a aprovação da união civil entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil algumas já adotam. Enquanto aqui só os casais heterossexuais casados com no mínimo 3 anos de convivência comprovada podem adotar, no Brasil os solteiros também podem. Aqui na Itália a adoção é tão burocrática que os casais acabam decidindo realizar uma adoção internacional, que é custosa, quase igualmente lenta e trabalhosa.

O nosso Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA é um dos mais avançados do mundo, entretanto falta aplicar o que está escrito. Há pessoas trabalhando muito para isso, também sabemos que o contingente de pessoal é absolutamente insuficiente para um trabalho de excelência. 

Procurando facilitar o cruzamento de dados entre adotantes e crianças à espera pela adoção, foi criado em 2008 o Cadastro Nacional de Adoção, o chamado CNA, que após 6 anos de sua implementação ainda não funciona como se deve. Em 12 de maio de 2015, a nova versão, chamada de Novo CNA, foi elaborada pela Corregedoria Nacional de Justiça e, embora esse sistema seja uma ferramenta de extrema importância, ele não funciona com eficiência razoável, e o novo CNA trouxe ainda mais problemas e falhas, sem ter solucionado as deficiências do antigo.

Uma das mudanças foi que na prática se passou a encontrar "crianças para pais, o que fere diretamente os interesses da crianças e vai de encontro ao que preconiza o ECA, pois a lei é inversa, devemos encontrar "pais para uma criança". Do contrário coloca-se em risco o princípio da absoluta prioridade dos direitos da criança e do adolescente.

Embora pareça que a dificuldade em concretizar uma adoção esteja somente relacionada à morosidade da Justiça e às burocracias, Karina Machado Rocha Gurgel, servidora da VIJ-DF e mestre em Psicologia, desconstrói esse mito em seu artigo “A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e as crianças disponíveis para serem adotadas”. "Com base em dados coletados do Cadastro de Adoção do Distrito Federal, Karina demonstra que o perfil pleiteado pelos requerentes é inversamente proporcional ao perfil das crianças cadastradas para adoção, uma vez que mais de 90% das famílias preferem crianças de 0 a 3 anos, que correspondem a pouco mais de 8% das cadastradas. Destaca, ainda, que, em âmbito nacional, a situação é semelhante. (Site TJDFT, 2016)

Num artigo no jornal italiano "La Repubblica", em 19 de dezembro de 2012, o presidente da Ai.Bi. - Associazione Amici dei Bambini, Marco Griffini, explica que são 168 milhões de crianças abandonadas em todo o mundo e para entender esse número, "é necessário imaginar colocar em fila indiana, bem pertinho uma da outra: a linha humana que formam dá uma volta no mundo, é longa como a circunferência da Terra".

Não quero causar desconforto, mas é necessário que todos se imaginem quando pequenos e/ou os seus filhos, numa instituição, sozinhos, sendo cuidados por pessoas que eles não conhecem, sem vínculos afetivos parentais clássicos, tendo um contato escasso com o mundo externo, com a convivência diária com autoridades que podem ser punitivas, rotina impessoal, ordem, submissão, silêncio, colegas abusivos, falta de autonomia, etc. As crianças órfãs em todo o mundo vivem uma realidade de desamparo e sofrimento psicológico ao último grau. Imaginem essas crianças gritando e pedindo a nossa ajuda. Não se resolveu ainda o futuro delas porque passa pela tarefa de olhar para as nossas próprias fragilidades, para a nossa criança ferida interna, passa pela necessidade de sentir aquele desconforto no estômago. Mas não é virando as costas fugindo da responsabilidade - para que não nos sintamos culpados em algum nível - é que vamos modificar essa realidade. É mergulhando em nossa essência, tocando em nossa humanidade e reconhecendo a necessidade de mudar. A tarefa é de todos.

Em meu livro "Filhos da Esperança, os caminhos da adoção e da família e seus aspectos psicológicos" (2012, 2ª ed.) eu explico, entre outras coisas, porque todas as crianças são "adotáveis" e como se preparar para a adoção. Se não deve existir um modelo de família ideal para adotar, então porque achar que deve ter um perfil de criança ideal para adoção? Seria cruel. Se espera por um bebê que ainda será abandonado ou por uma criança que já está precisando nesse exato momento de pai e/ou mãe? Por que não pensar nelas agora? Nas crianças reais? Todos nós merecemos ser amados, tendo resistências e dificuldades emocionais ou não. Quem não tem seus traumas e más lembranças infantis? Alguns adotantes fecham um determinado perfil, uma criança de até 2 anos, parecida com eles, saudável, mas seguramente se eles não forem tão rígidos e exigentes e conhecerem uma, duas ou três crianças, fora daquele perfil idealizado e determinado, poderiam se "apaixonar" por elas. Além de esperar muito menos tempo na fila, e entrar nela uma só vez para ter mais de um filho, a adaptação poderia ser tão boa quanto com uma criança menorzinha, porque mais que a idade, tem que existir identificação, empatia e isso pode ser com qualquer uma, é só estar receptivo para esse encontro. Elas também já sabem o que é adoção e a desejam. Ademais, adotando crianças fisicamente diferentes, com uma etnia diversa, eles estariam enfrentando o preconceito, ao invés de se "esconderem" atrás de uma "falsa semelhança", para que a adoção não pareça tão evidente. Trabalhar os próprios preconceitos e das pessoas ao nosso redor é o primeiro passo para isso. Adote a verdade, que adotar crianças mais crescidas e irmãos não é sempre mais difícil. As adoções difíceis são aquelas feitas por adotantes muito exigentes, inseguros, imaturos, que não dão tempo à criança de se adaptar, não a aceitam e não a entendem, que demonstram uma postura ameaçadora de um possível novo abandono ou pode se tornar difícil pela complexidade das circunstâncias, mas tem sempre um grande aprendizado 

Para acontecer uma adoção é preciso o desejo de amar e fazer dar certo, sem falsas expectativas. A vida de cada um é guiada e limitada pelas crenças ocultas. Investir no autoconhecimento e trabalhar os modelos familiares intergeracionais adoecidos faz parte da preparação. leia mais, pesquise. Em meu blog www.psicologiaeadocao.blogspot.com tem dezenas de textos meus e outros mais sobre adoção e psicologia de família.

Educar e cuidar de um filho é trabalhoso, seja biológico ou adotivo, mas o que faz tudo valer a pena é o amor, a capacidade de ver o lado encantador e mágico, de entender essa dialética, de ver a riqueza desse aprendizado. Quem conhece o amor deve ser capaz de educar os filhos e o mundo aos seu redor e só esse amor pode salvar tudo. Reafirmando um trecho de uma de minhas frases, "amar se aprende".



Revista E, SESC São Paulo

segunda-feira, 21 de março de 2016

Crianças que sentem ódio

Todo esse quadro político, mas sobretudo o modo em como a maioria está reagindo, está "adoecendo" as crianças. Como achar isso saudável? Uma criança que deseja a morte de outras pessoas? Crianças que respiram ódio sentem ódio e aprendem isso por toda a vida delas.
É preciso ter muito cuidado para não ser levado por essa onda de ódio, mas é preciso ter cuidado com tudo na vida, ser mais crítico de si mesmo e para não criar muito mal os filhos.

No Facebook:

"Seguramente essa foi uma das coisas mais absurdamente tristes que apareceu por aqui!! Uma criança desejando a morte de quem quer que seja é o fim de tudo!! Ninguém nasce odiando, aprende-se o ódio como aprende-se o amor, a depender do que esteja disponível para ser aprendido. As crianças apreendem e exploram o mundo pelo exemplo, aprendem com todo o corpo, aprendem de todo coração, aquilo que por sorte ou azar estiver à sua disposição."

quarta-feira, 9 de março de 2016

Trinta maneiras de ensinar à crianças noções de consentimento


Por  - BuzzFeed Staff
Achei esse artigo no buzzfeed e, sendo ele de EXTREMA importância, me dei a liberdade de traduzí-lo e postá-lo aqui.
Crianças de 1 a 5 anos
1. Ensine a criança a pedir permissão antes de tocar ou abraçar um amigo. Use frases como “Sarah, vamos perguntar ao Joe se ele gostaria de um abraço de despedida.” Se Joe disser “não” para o pedido, alegremente diga ao seu filho, “Tudo bem, Sarah! Vamos acenar um tchauzinho para Joe e jogar um beijo.”
2. Ajude seu filho a criar empatia explicando como algo que eles fizeram pode ter machucado alguém. Use frases como “Eu sei que você queria aquele brinquedo, mas quando você bateu no Mikey o machucou e o fez se sentir muito triste. E nós não queremos que Mikey fique triste.”
3. Ensine as crianças a ajudar os outros quando estão com problemas. Fale com elas sobre ajudar outras crianças e a avisar adultos confiáveis quando outros precisam de ajuda. Use o animal da família como exemplo: “Oh, parece que o rabo do gatinho está preso! Precisamos ajudá-lo!”
4. Ensine seus filhos que “não” e “pare” são palavras importantes e devem ser honradas. Também ensine-os que seus "não"s devem ser honrados. Explique que assim como devemos sempre parar de fazer algo quando alguém diz “não”, nossos amigos também devem parar quando dizemos “não”.
5. Encoraje a criança a ler expressões faciais e outros sinais corporais: assustado, feliz, triste, frustrado, com raiva e etc. Jogos de charada com expressões são um ótimo jeito de ensinar as crianças a ler linguagem corporal.
6. Nunca force a criança a abraçar, tocar ou beijar qualquer um, por nenhuma razão. Se a vovó está pedindo um beijo e seu filho está resistente, sugira alternativas dizendo coisas como “Você prefere dar um ‘high-five’ na vovó? Ou jogar-lhe um beijo, talvez?” Você pode mais tarde explicar para a vovó o que está fazendo e porque.
7. Sirva de exemplo, pedindo permissão ao seu filho para ajudá-lo a lavar seu corpo. Encare com otimismo e sempre honre o desejo do seu filho de não ser tocado. “Posso lavar suas costas agora? E seus pés? Que tal seu bumbum?” Se a criança disser “não”, então dê a ela a esponja e diga “Ok! Seu bumbum precisa de uma esfregada, faça isso”.
8. Dê às crianças a oportunidade de dizer sim ou não em escolhas do dia-a-dia também. Deixe-as escolher suas roupas e ter opinião sobre o que usar, aonde brincar ou como pentear o cabelo.
9. Permita a criança a falar sobre seus corpos do jeito que quiserem, sem vergonhas. Ensine-os as palavras corretas para as genitálias e se faça de lugar-seguro para eles falarem sobre corpos e sexo. Diga “Estou tão feliz que você me perguntou isso!”. Se você não sabe como responder às suas perguntas do jeito certo, então apenas diga “Estou tão feliz que você está me perguntando sobre isso, mas eu terei que pesquisar. Podemos falar sobre isso depois do jantar?” e tenha certeza de cumprir sua palavra.
10. Fale sobre instintos. Às vezes algumas coisas nos fazem sentir estranho, ou assustado, ou com nojo e nós não sabemos o porquê. Pergunte ao seu filho se isso já aconteceu com eles e ouça atentamente enquanto explicam.
11. “Use suas palavras”. Não responda à birras. Peça ao seu filho para usar palavras, até as mais simples palavras, para explicar-lhe o que está acontecendo.
Crianças de 5 a 12 anos
1. Ensine às crianças que o jeito que seus corpos estão mudando é ótimo, mas às vezes pode ser confuso. O jeito que você fala sobre essas mudanças – tanto a perda de dentes como pelos pubianos – vai mostrar sua boa vontade para falar sobre outros assuntos sensíveis.
2. Encoraje-os a falar sobre o que os faz sentir bem e o que os faz sentir mal. Você gosta de sentir cócegas? Você gosta de se sentir tonto? O que mais? O que te faz sentir mal? Estar doente, talvez? Ou quando outras crianças te machucam? Deixe espaço para seu filho falar sobre qualquer coisa que vier à cabeça.
3. Lembre seu filho que tudo pelo que ele está passando é natural, crescer acontece com todos nós.
4. Ensine seus filhos a usar “palavras seguras” durante a brincadeira e os ajude a negociar o uso de tais palavras com os amigos. Nessa idade, dizer “não” pode ser parte da brincadeira, então eles precisam ter uma palavra que fará parar toda a atividade. Talvez uma bobinha, como “manteiga de amendoim” ou uma séria, como “eu tô falando sério!”. O que funcionar para todos eles está bom.
5. Ensine as crianças a parar sua brincadeira vez ou outra para checar os amiguinhos. Ensine-os a fazer uma pausa às vezes, para ter certeza de que todo mundo está se sentindo bem.
6. Encoraje as crianças a observar a expressão facial alheia durante a brincadeira, para ter certeza de que todos estão felizes.
7. Ajude a criança a interpretar o que ele vê no playground e com amigos. Pergunte-o o que ele pode ou poderia fazer de diferente para ajudá-los.
8. Não encha o saco das crianças pelos seus namoradinhos ou por ter paixonites. Tudo aquilo que eles sentirem é ok. Se a amizade deles com alguém parece ser uma paixonite, não mencione isso. Você pode fazer perguntas diretas, como “Como vai sua amizade com a Sarah?” e esteja preparada para falar – ou não – sobre isso.
9. Ensine às crianças que seus comportamentos afetam os outros. Peça a eles para observarem como as pessoas respondem quando outra pessoa faz barulho ou bagunça e pergunte a eles qual eles acham que será o resultado disso. Alguma outra pessoa vai ter que limpar a sujeira? Alguém vai ficar assustado? Explique às crianças como as escolhas que eles fazem pode afetar os outros e fale sobre quando é hora de fazer barulho e quais são os espaços para se bagunçar.
10. Ensine às crianças a procurar oportunidades para ajudar. Eles podem levar o lixo? Eles podem ficar quietos para não interromper a leitura de alguém no ônibus? Eles podem oferecer ajuda para carregar algo ou segurar a porta para alguém passar? Tudo isso ensina as crianças que eles têm um papel em ajudar a aliviar as cargas tanto literais quanto metafóricas
Adolescentes e jovens adultos
1. Educar sobre o “toque bom/toque ruim” continua crucial, principalmente no ensino médio. Essa é uma idade em que surgem várias “brincadeiras de toque”: bater na bunda, garotos batendo um nos genitais dos outros e beliscando os mamilos um dos outros para causar dor. Quando as crianças falam sobre essas brincadeiras, surge uma tendência onde os garotos explicam que eles acham que as garotas gostam, mas as garotas dizem que não gostam. Temos que fazê-los falar sobre as maneiras que essas brincadeiras impactam as outras pessoas.
2. Levante a autoestima dos adolescentes. No ensino médio, o bullying muda seu alvo para atingir especificamente a identidade, e a autoestima começa a despencar a partir dos treze anos. Aos dezessete anos, 78% das garotas dizem odiar seus próprios corpos. Lembre-os com frequência sobre seus talentos, suas habilidades, sua gentileza, assim como sua aparência. Mesmo se eles lhe responderem com um “Pai! Eu sei!” é sempre bom ouvir esse tipo de coisa.
3. Continue tendo as conversas sobre sexo com o adolescente, mas comece a incorporar informações sobre consentimento. Pergunte coisas como “Como você sabe se seu parceiro está pronto para te beijar?” e “Como você sabe que uma garota (ou garoto) está interessado em você?”. Essa é uma ótima hora para explicar consentimento entusiasticamente, sobre pedir permissão para beijar ou tocar um parceiro. Explique que somente “sim” significa “sim”.
4. Corte a “conversa de vestiário” pela raiz. A adolescência é a idade onde o papo sobre sexo começa em ambientes segregados por gênero, como vestiários ou festas do pijama. Suas paixonites e desejos são normais e saudáveis, mas precisamos mostrar como falar sobre nossas paixões como se elas fossem pessoas inteiras. Se você ouvir um adolescente falar “ela tem um bundão gostoso”, você pode dizer “acho que ela é mais do que uma bunda!”.
5. É comum e perfeitamente normal se sentir oprimido ou confuso com os novos sentimentos hormonais. Diga às suas crianças que não importa o que sentirem, eles podem falar com você sobre isso. Mas seus sentimentos, desejos e necessidades não são responsabilidade de ninguém além deles mesmos. Eles ainda precisam praticar bondade e respeito por todos ao seu redor.
6. Ensine aos seus filhos sobre o que é masculinidade. Pergunte o que não havia de bom na cultura de masculinidade no passado, como podemos construir uma forma de masculinidade que abranja todos os tipos de garotos: esportistas, artistas, homossexuais. Essas conversas podem encorajar a construir uma forma não-violenta de masculinidade no futuro.
7. Deixe claro que não os quer bebendo ou usando drogas, mas que você sabe que adolescentes o fazem e quer que seus filhos estejam informados. Pergunte à eles sobre como vão manter a si mesmo e aos outros seguros. Tome cuidado com as palavras que usa para falar com seus filhos sobre “festança”.
8. Continue falando sobre sexo e consentimento com adolescentes enquanto eles começam a ter relacionamentos sérios. Sim, eles irão lhe dizer que sabem de tudo, mas a continuação da conversa sobre consentimento saudável, respeitar seus parceiros e sexualidade saudável vai mostrar à eles quão importantes esses temas são pra você.
9. Adolescentes têm sede de informação. Eles querem aprender, e eles irão achar um jeito de ter informações sobre sexo. Se você está disponibilizando essa informação amorosa, honesta e consistentemente, eles irão carregá-la para o mundo com eles.
Desenhos: ’Children’s Drawings from the collection of Jean Dubuffet’ – Book, The Innocent Eye by Jonathan Fineberg

Empoderamento infantil de meninas: fortalecendo as garotas desde cedo


We Heart it
Por Mariana Miranda
É através do empoderamento pessoal que diversas mulheres estão vencendo barreiras impostas pelos padrões sociais, por meio de um maior conhecimento sobre as causas femininas, amor próprio e coletividade. Contudo, muitas traçam um caminho árduo até chegar a esse ponto, sofrendo desde a infância diversos tipos de assédios e inferiorizações. Uma boa maneira de evitar esse processo é através do empoderamento infantil, mostrando para as meninas desde muito pequenas que elas não precisam se adequar a nenhum padrão de beleza, sendo feliz com seu corpo e com a pessoa que ela é.
Infância e gênero: a divisão desde muito cedo
É justamente no período da infância que os papéis de gênero começam a ser estabelecidos. A criança é constantemente limitada e moldada pelos próprios pais e familiares para seguir regras estipuladas pela sociedade em que vive. O clássico “azul para meninos e rosa para meninas” é uma das mais conhecidas forma de divisão e caracterização do sexo físico da criança, diretamente relacionado a cor da roupinha usada. Além disso, furar a orelha das meninas ainda quando pequenas é uma cultura extremamente comum entre os pais, ignorando completamente o fato de essa ser uma prática dolorida e desnecessária.
Carina Castro é estudante de letras da USP, pesquisadora de literatura infantil e uma das moderadoras da página Empoderamento Infantil, no Facebook. “É nessa fase que o comportamento para meninas e meninos é ensinado de maneira bem distinta e dicotômica: a docilidade e controle para as meninas, a força e o estímulo para os meninos. Não se pensa de fato na infância, mas num papel que se cumprirá lá na frente”, conta. Segundo a pesquisadora, esse processo se inicia na primeira infância, fase determinante para a capacidade cognitiva e sociabilidade do indivíduo, já que o cérebro absorve todas as informações dadas. “Imagine então como essas imposições limitam o desenvolvimento da criança e como podem influenciar na maneira como entendem suas capacidades”.
Mães e o processo de empoderar: erros e tabus
Frases como “Meninas têm que se dar valor”, “Você precisa emagrecer para ficar bonita”, “Alisa esse cabelo” ou “Se arrume ou você nunca vai arrumar um namorado” ainda são direcionadas constantemente por parentes a garotas ainda crianças ou adolescentes. E o pior:  na maioria da vezes são as próprias mulheres que as falam. Segundo Carina, esse tipo de comportamento vai em direção contrária ao empoderamento infantil de meninas, já que reforça a objetificação da mulher e sua desvalorização relacionada a certos comportamentos. “Esses tipos de conselhos sempre colocam a mulher numa posição subalterna ao homem, sempre buscando a aprovação masculina. Além disso, resume a felicidade das mulheres aos homens, colocando-os como se fossem a principal meta de suas vidas e a única opção caso não queiram ficar ‘encalhadas’”, explica.
E não é apenas o machismo que é reproduzido por meio desses conselhos, como também o racismo e a heteronormatividade. “Eles podem estar coagindo com o embranquecimento de meninas negras, atitude que as mantém refém do racismo, ao invés de libertar suas mentes e mostrar como é bela sua real beleza. E também podem gerar diversos complexos, traumas, depressão, distúrbios alimentares, e a disforia de gênero no caso de crianças trans*, algo que é necessário ter ainda mais apoio e acolhimento do que repreensão e rejeição como geralmente acontece”, conta Carina.
Outro ponto complicado são os assuntos relacionados a sexualidade. Tratar de menstruação e sexo com naturalidade ainda são vistos como tabus em muitas famílias. “Existe a ideia de que não falando sobre isso, estamos preservando, mas não é bem por aí. O que protege mesmo é a informação, é a garota conhecer seu próprio corpo, saber dos riscos que corre e aprender como se proteger”, conta Carina.
A masturbação feminina é vista como impura desde muito cedo, quando os pais reprimem as garotas que se tocam, apresentando-lhes a própria vagina como algo sujo. Já os meninos ficam claramente excitados desde bebês, quando o pequeno pênis fica ereto e precisa da ajuda de um adulto para voltar ao normal. Com isso, a masturbação infantil masculina começa desde muito cedo e não é envolta em tantas polêmicas pelos familiares quanto a masturbação feminina.
Menina empoderada, mulher fortalecida… mas como empoderar?
Uma menina que é empoderada desde muito jovem certamente se tornará uma mulher muito mais preparada para lidar com o machismo cotidiano e com as pressões sociais direcionadas ao seu corpo e seus modos. Contudo, antes de começar esse processo com a filha, a própria mãe tem que se empoderar.
Para Carina, o empoderamento da mãe é fundamental, já que assim ela terá mais condições de compreender e dar uma educação consciente e livre de preconceitos. “Hoje temos muitos sites e projetos de feminismo, maternidade e afins. Existe muito material na internet, então informe-se, esteja atenta e munida de boas referências”, conta. Outro conselho que a pesquisadora dá às mães é para não deixar faltar representatividade na vida da criança, pra que assim ela possa se reconhecer nas imagens que vê e se sinta capaz de alcançar o mesmo patamar. Apresentar mulheres fortes para a criança e que tenha alguma ligação com ela, seja na cor ou na idade, farão com que a inspiração flua.
Pensar antes de aconselhar também é importante. Muitas vezes os conselhos dados reproduzem discursos nocivos ao desenvolvimento da criança e a construção da sua auto-estima, reproduzindo preconceitos enraizados. “Hoje avançamos em muitos debates e existem mais mães que conversam e empoderam suas filhas, porém ainda são poucas. A tentativa muitas vezes continua dentro dos padrões e acaba por gerar o efeito reverso”, explica.
Além disso, apoiar a menina em suas escolhas é fundamental para o empoderamento. Se ela quiser se vestir de azul e jogar bola, precisa ter o apoio e suporte dos pais, e não a repressão. Segundo Carina, brincadeiras ao ar livre em que o exercício lúdico não é distinguido pelo sexo também são muito boas para um melhor aproveitamento da infância, diferente das que apenas reproduzem atividades do lar, como se treinando a menina a exercer essa função no futuro.
Com uma auto-estima elevada e fortificada, as garotas serão mais confiantes de si mesmas e terão uma relação diferente com seus corpos e cores de pele. “Será uma relação de amor e não de ódio, como geralmente acontece devido aos padrões e imposições. Sendo elas o centro de suas vidas, não dependerão da aprovação masculina, assim como terão uma consciência mais ampla sobre suas capacidades e gostos, não se deixando submeter ao desejo alheio. A relação com outras mulheres também tende a ser outra, de solidariedade e empatia, e não de competição, o que contribui muito pro avanço de todas as mulheres”, explica Carina.
Por Mariana Miranda
Fonte: http://www.lado-m.com/empoderamento-infantil-de-meninas-fortalecendo-as-garotas-desde-cedo/

domingo, 15 de novembro de 2015

O silêncio dos inocentes

Jornal O Globo
Por Sávio Bittencourt
São milhares. Não gritam. Não fazem rebelião. Não fecham ruas em protesto. Não incendeiam ônibus. Não põem fogo em colchão. Não cometeram crimes. Ao contrário, são vítimas do abandono, de descaso, do desamor. Mas, apesar disso, estão sendo criadas em cativeiros mal disfarçados, escondidos de todos, varridos para debaixo do tapete. Quando acordam de um pesadelo, de madrugada, não têm a quem abraçar, um peito amigo para refúgio seguro. E são crianças. Somente crianças.
A institucionalização de crianças e adolescentes no Brasil é uma prática desumana e ilegal. A própria Constituição da República, no seu art. 227, garante o direito à convivência familiar e comunitária e atribui ao Estado, à sociedade e à família o dever de garantir este e outros direitos fundamentais. Contudo, apesar da clareza do texto constitucional e da abundância de estudos na área da psicologia que mostram os enormes malefícios causados pela inexistência de uma vida familiar para a criança, ainda se admite que ela entre em tenra idade numa instituição e lá permaneça anos a fio. Por quê?
Há quem atribua o abandono exclusivamente à questão da pobreza. E aqui estamos diante da primeira incompreensão do fenômeno. Dos milhões de brasileiros que vivem na pobreza a quantidade de pais que abandonam efetivamente seus filhos em instituições é muito pequena, ínfima, se comparada com os que, diante das maiores dificuldades e vencendo grandes desafios, mantém seus filhos consigo e com eles convivem amorosamente. Nos casos de abrigamento a pobreza quase nunca é apontada com causa única, sendo sempre o pano de fundo para a violência e a negligência covardemente praticadas contra a criança.
O problema maior, causador da institucionalização e da demora exagerada da solução para a situação absurda de abandono da criança, tem nome: demagogia. Consagrou-se para as famílias biológicas o direito de institucionalizar a criança, mesmo que isso represente, a toda evidência, um prejuízo descomunal para aquela que deveria ser a mais protegida das criaturas. Inverteu-se o mandamento da Constituição: a família deposita a criança na instituição, como se coisa fosse, começam os esforços para a reintegração familiar, a inserção de adultos em tratamentos muitas vezes de improvável sucesso, e a criança fica anos esperando. Sem direito a um olhar especial, de pessoa que ama, que cuida, que se importa.

A proposta que se faz aos Promotores de Justiça e Juízes de Direito, é que a criança seja emancipada de sua situação de objeto, para ser realmente tratada como o principal sujeito de direitos das relações que vivencia. Quando uma criança é institucionalizada só pode haver duas soluções: ou volta para a família de origem em curto prazo ou é colocada em família substituta, devidamente preparada para amá-la concretamente. Preferencialmente através da adoção, que dará a ela todas as garantias da filiação, segura, igualitária e para sempre. Existe coragem para isso? Há que se ter.
Por Sávio Bittencourt
Publicado no Jornal O Globo

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Toda criança merece uma família

We Heart it

Toda e qualquer criança é "adotável". Toda e qualquer criança merece uma família e é digna do amor incondicional de pais que a queiram e a protejam acima de tudo.
Se amamos os nossos filhos, podemos amar qualquer outra criança independente da aparência física, cor, idade, sexo, limitações físicas. 
Refletindo, o quão é cruel pretender amar unicamente e só aquela criança que está dentro do perfil restrito da escolha para a adoção? 
Que em toda criança possamos ver os olhos e a alma dos nossos filhos e dos nossos futuros filhos.


Cintia Liana

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O momento ideal para iniciar a vida sócio escolar

Fonte da imagem: www.cuidardebebe.com
"O momento ideal para iniciar a vida sócio escolar"

Por Cintia Liana Reis de Silva
Publicado no Site Indika Bem no dia 25 de setembro de 2014.
Cada dia que passa as crianças vão o mais cedo possível à creche ou à escola, ou melhor os bebês, pois até 2 anos o menor ainda é um bebê. Cada criança segue esse percurso de acordo com as necessidades dos pais, por causa do trabalho ou até pelo fato de desejarem ter mais tempo para eles.
A crença de que os menores precisar ir logo à escola, mesmo sem a necessidade vem não só em virtude das mães de hoje precisarem trabalhar, mas também do pensamento de que a crianças pequenas precisam se socializar o mais rápido possível, mesmo quando têm uma mãe que pode passar todo o tempo com elas. Muitos acreditam que esse intenso contato com a mãe pode ser nocivo e torná-los muito dependentes um do outro, mas não é verdade.
Quando as crianças iniciam a vida escolar, eclodem as neuroses que nasceram naturalmente no seio da família. E essas neuroses vêm a tona de forma mais forte nesse contato social intenso e desnecessário para ela. É desnecessário estar sem a família por perto para gesti-la emocionalmente, sem figuras afetivas e de apego significativas para lhe darem suporte, e é nesse momento que as crianças começam a ficar doentes, não só pelos vírus que as rodeiam. O vírus ataca a pessoa que está com baixa imunidade e a baixa imunidade é característica de alguém que não está bem emocionalmente. O não estar equilibrado emocionalmente pode ser pelo fato desse contato social intenso ter começado antes da hora, antes da criança estar madura o suficiente para essa experiência e por não ter aproveitado mais a vida cotidiana despretensiosa em seu próprio lar.
Crianças até 2 anos precisam estar muito tempo com a mãe! É uma necessidade real, existencial e vital que só faz bem.  A manutenção e o estabelecimento dessa proximidade com sua principal figura provedora de cuidados, que geralmente é a mãe, é o lastro firme para um futuro de uma mente equilibrada. O que faz mal é uma mãe super protetora e controladora, mas caso contrário, essa base e companhia, se forem sadias só darão à criança a possibilidade e a segurança de se relacionar bem com o resto do mundo. Por isso, não se sinta culpada por querer passar todo o tempo com o seu filho enquanto ele ainda é pequenino. Aproveite com sabedoria! Contra indicado é ele passar muito tempo com a “baby sitter” ou na creche.
Se ele tiver que ir a creche muito cedo, com 4 meses, tente encontrar tempo para estar próxima ao seu filho, tempo de qualidade, colocar ele para dormir sobre o teu peito. Procure não competir nas situação de conflito, não perder a paciência meio ao cansaço físico e mental. Crie alianças positivas.
É importante ter sempre em mente que a crianças refletem os medos, as ansiedades e os traumas da mãe, dos pais, do casal. No caso da mãe, muitas vezes ela se vê refletida nesse filho, projeta a sua criança ferida, conduz a relação em parte com base nesses medos e nessas feridas e fantasias, por isso faz-se necessário reflexão honesta ou até mesmo terapia para amadurecer esse olhar.
Se partirmos do princípio de que para o “apego seguro” se desenvolver bem são necessários 3 anos e meio de uma boa interação com uma disponibilidade afetiva incondicional e muito positiva com a figura de apego, de acordo com o pai da teoria do apego, John Bowlby, o ideal seria a criança passar bastante tempo com mãe até essa idade e ir a escola só após completar 3 anos e meio. Se socializar não se faz só na escola, mas dentro da família, com os primos, com os avós e tios, com os filhos dos amigos, no parque, no jardim perto de casa com outras crianças, na natação, na aula de dança.
Aproveitando, te convido a conhecer um pouco os tipos de apego. O apego em quatro padrões:
“Seguro – o bebê sinaliza a falta da mãe na separação, saúda ativamente a mãe na reunião, e então volta a brincar; Inseguro – evitante – o bebê exibe pouco ou nenhuma aflição quando separada da mãe e evita ativamente e ignora a mãe na reunião; Inseguro – resistente – o bebê sofre muito, tem muita aflição ou angústia pela separação e busca o contato na reunião, mas não pode ser acalmado pela mãe e pode exibir forte resistência; Inseguro – desorganizado – apresenta comportamento misto, ora como evitante, ora como resistente.” (Lantzman, 2014)
O apego resultante da interação bebê-mãe, varia de acordo com o tipo de cuidado materno e das características inerentes ao bebê.
Com 2 anos de idade se ganha naturalmente uma autonomia emocional maior, quando é indicado que ocorra o desmamem total para que se cresça ainda mais e sua mãe retome o seu espaço psíquico e os pais voltem a estar mais próximos como casal. Então, como tudo é algo a ser refletido e preparado com delicadeza e respeito, indico que cada mãe avalie e sinta quais são e por onde vão as suas emoções. Se ela sente que seu filho deseja estar mais tempo com outras crianças, se ele se sente seguro em passar umas 3 manhãs na creche para brincar e se ela lhe dá tempo para se adaptar a essa nova realidade, porque não? Se a mãe se sente preparada para esse passo, se está fisicamente cansada, não deve se sentir culpada e nem sentir medo de ser “abandonada”.
Se a criança for respeitada em seus medos e ansiedades, sem críticas e julgamentos, com pais que alimentam o autoconhecimento para amadurecerem com honestidade, com um envolvimento afetivo nutritivo, ela será feliz, se sentirá bem e segura e isso é o mais importante para o seu bom desenvolvimento bio-psíquico-sócio-afetivo.
Cintia Liana Reis de Silva
Referência:
Lantzman, Mauro. O apego. Disponível em: http://www.pet.vet.br/puc/oapego.pdf. Acesso em: 10 de setembro de 2014.
Fonte da imagem: www.cuidardebebe.com (Créditos e Divulgação)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Não deixe um bebê chorar

Google Imagens
Por Kalu Brum - Blog Vila Mamífera/ Café Mãe
De todas as teorias do universo materno, as que me assustam são: não dar colo para o bebê, regular a amamentação em horários cronológicos e deixar o bebê chorando. Elas me pegam na alma.
Bebes não sabem falar, nasceram em um ambiente aquático, escuro, cheio de movimento e calor e estão do lado de fora.
Precisam ser alimentados, estranham. Descobrem no peito uma maneira de ter o aconchego pleno.

Basta ver uma cadela: quando o filhote chora a mãe corre e aconchega. Bebês não choram a toa e se choram estão pedindo:

- Por favor me ajude
Ajude a dormir, a enfrentar a solidão, a lidar com a temperatura que oscila.
Quando um bebê pede colo ele está reconhecendo que você é uma segurança.
Quando você nega esse colo ele pode se acostumar com a negligência e resignar-se. Mas ele não está feliz.
Eu adoro o conceito: permita que as crianças sejam dependentes no momento em que podem ser, para que sejam independentes para toda a vida.
O que mais vejo neste mundo são pessoas dependentes e resignadas.
Dependentes de comida, de medicamentos, de sexo, de necessidade de aceitação.
São, algumas vezes, sobreviventes de pequenos ou grandes abandonos.
Algumas vezes vendo esses programas que difundem a idéia da Torturadora de bebês eu sinto algo inexplicável: eu choro com a mãe que chora, com o filho que dorme soluçando.
Não há nada mais fácil e prazeroso para mãe e bebê do que deitar junto com o bebe e dormir agarradinho.
É tão rápido que eles crescem. O que são 3 anos diante de uma vida toda?
Queremos tanto a independência precoce, exaltamos isso como troféu e depois questionamos onde se perdeu esse fio.
Eu vejo idosos abandonados com cuidadores ou em asilos e vejo ali o reflexo de uma sociedade que fecha os olhos para os dependentes trocando o amor por tecnologia, chupeta, mamadeira, berço que balança e no fim, uma cama fria e olhos de uma profissional contratada.
Assim começa a vida, assim ela termina. No meio um grande vazio que tentamos preencher. Um vazio cultivado em nome dessa ilusória independência precoce.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Dê amor aos montes

Tumblr

Cuide do seu filho infinitamente, proporcione sorrisos, dê amor aos montes. O que não é experimentado e nem saciado hoje amanhã terá o gosto de vazio. O tempo passado e o que não foi dado não volta mais. Quem deixou muito a desejar só sentirá dor quando o filho adulto não conseguir sorrir. Quem consegue dar e se entregar a esse amor, no futuro só sentirá felicidade e a sensação de ter feito o melhor.
 
Cintia Liana

Educar é diferente de estabelecer regras

We Heart it

Por Cintia Liana Reis de Silva
Publicado no portal Indika Bem em 17 de outubro de 2013

Uma criança pequena precisa de muito mais que regras, precisa de algo que a maioria dos adultos não é capaz de exercitar nem com eles mesmos: precisa de compreensão, de empatia, precisa aprender a se expressar de maneira sadia e lúcida e sentir que aquilo que se passa no coração delas tem muito valor.
 
A ciência ainda sabe muito pouco sobre a mente infantil. Não podemos deixar para depois, o nome delas é agora. Criança precisa de amor, precisa que os pais se enxerguem mesmo contra a vontade deles e mesmo que doa. Criança não chora se não sente dor ou se não se sente triste. Até o que muitos chamam de manha guarda por trás uma insatisfação emocional.
 
No mundo de hoje, com tantas informações, não se pode confundir “o impor disciplina e regras com dar educação”. Educação é muito mais que um mecanismo de seguir regras, á algo que vai muito além, é mais subjetivo. Dar educação é passar valores humanos, é passar a noção de ética, é ensinar dando bons exemplos, é se melhorar para criar filhos mais honestos e verdadeiros consigo mesmos e com os outros, educar é respeitar o filho para que ele possa entender o que é o respeito e se sentir capaz de “abraçar” o outro porque sentiu que foi acolhido.
 
Por exemplo, deseducar não é deixar que um bebê almoce vendo um vídeo interessante uma vez ou outra, deseducar é querer que o bebê coma a todo custo a nosso modo, sem respeitar o seu humor, o seu momento. Uma criança precisa se sentir segura primeiro em seu lar para no futuro se sentir segura no mundo. Uma criança precisa se sentir aceita, entendida e acolhida para poder fazer o mesmo com os outros. Ninguém pode dar aquilo que não conhece, não se pode dar aquilo que não se experimentou.
 
É fácil fazer da nossa casa um “exército”, difícil é saber ler nas entrelinhas na hora de educar. É preciso desenvolver sensibilidade, é preciso um olhar transdisciplinar.
 
Coisas importantes a serem lembradas: crianças sentem a noção de respeito desde que nascem, sentem quando são enganadas e negligenciadas; Não tenha filhos para ser feliz, se faça feliz antes e faça filhos para fazê-los pessoas felizes e, assim, você será mais ainda; Se prepare antes de ter filhos, eles não nasceram para te salvar e nem para servir de companhia; Filhos não devem carregar nas costas as memórias familiares ruins; Filho não traz ninguém que já foi de volta; Filhos devem se sentir livres das expectativas neuróticas dos pais; Pais que fazem terapia podem se tornar bem mais fortes e preparados; Se o teu filho está mal olhe para você; Tudo o que se diz hoje a uma criança repercutirá de algum modo em seu futuro, as frases boas, as frases más e até o que está escondido por trás de certas “brincadeiras” e ironias; As dificuldades familiares percorrem muitas gerações, é importante trabalhar os modelos intergeracionais. É difícil, mas é muito possível.
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Não são as crianças o problema, mas sim aquilo que os seus pais desconhecem



We heart it
 
Deseducar não é deixar que um bebê almoce vendo um vídeo interessante uma vez ou outra, deseducar é querer que o bebê coma a todo custo a nosso modo, sem respeitar o seu humor, o seu momento. Uma criança precisa se sentir segura primeiro em seu lar para no futuro se sentir segura no mundo. Uma criança precisa se sentir aceita, entendida e acolhida para poder fazer o mesmo com os outros. Ninguém pode dar aquilo que não conhece, não se pode dar aquilo que não se experimentou.
Quando alguém me fala que as crianças quando crescem viram um problema, eu tenho vontade de dizer: "não são as crianças o problema, mas sim aquilo que os seus pais desconhecem."

É fácil fazer da nossa casa um "exército", difícil é saber ler nas entrelinhas na hora de educar. É preciso desenvolver sensibilidade, é preciso um olhar transdisciplinar.
 
Por Cintia Liana