"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma verdadeira família

Foto: Bruno Poppe
Retirada, junto com o texto, do Facebook de Rodrigo Barbosa

Esses somos nós. Eu, meu marido Gilberto, e nosso filho, Paulo Henrique. Somos uma família. Conheci o Gil 13 anos atrás. Começamos a falar em adoção faz uns seis ou sete anos, e parte do que nos deixava em dúvida era o que nosso filho poderia enfrentar sendo filho de dois homens. 

Em determinado momento vimos que isso era besteira. Hoje são muitas as configurações de família. E não importa se você é criado pela mãe solteira, pelo tio, pela avó, por dois pais, duas mães, ou mesmo um casal homem-mulher, porque se tem amor, é família. 

Decidimos adotar. O PH estava num abrigo no interior de Minas e trouxemos ele para nossa família em novembro de 2014, quando ele estava completando cinco anos. Nosso moleque de cinco anos.

Hoje fui apresentado a um vídeo onde o deputado Jair Bolsonaro diz que jamais deixaria um filho dele de cinco anos brincar com um moleque de cinco anos adotado por um casal gay.
É um vídeo-compilação que mostra todo tipo de absurdo que ele vive falando por aí. E essa declaração, no meio das outras, chega a ser branda.
Bolsonaro invocou o torturador Bilhante Ustra na votação mais acompanhada pela TV dos últimos tempos. Nessa última semana, ganhou mais cento e tantos mil seguidores em sua página, chegando aos quase 3 milhões de seguidores. Eu tenho apenas 52 pessoas seguindo minha página, mas acho que esse cara não merece esse ibope todo. Aliás, nem eu.
A minha vontade, com toda a mágoa que tenho, é que ele seja varrido da vida política. Mas eu sou a favor da democracia. Em 2010 ele ficou na décima primeira colocação para Deputado Federal no RJ, mas em 2014 ele quadriplicou seu votos e foi o Deputado Federal mais votado no Rio, com 464 mil votos. Quanto mais polêmico, homofóbico, racista ele se torna, mais votos tem. Ele veste um personagem que agrada ao reacionário, mas esse show de horrores que vimos no domingo nos prova que precisamos de pessoas mais preparadas no governo.
Compartilhe se você deixaria seu filho brincar com o menino da foto. Ele é fofo, adora brincar e nem quer saber se o amiguinho é filho do Bolsonaro. 

Compartilhe se você não é do tipo que diria na cara de uma mulher que não a estupraria porque ela é feia. Melhor, compartilhe se você não é do tipo estuprador. 

Compartilhe se você não acha correto que ele leve plaquinhas escrito "queima rosca" para provocar um colega de trabalho.

Compartilhe para que um dos 464 mil eleitores dele mude de ideia nas próximas eleições e para que um dos seus amigos deixe de curtir a página dele.

Ser polêmico saiu de moda, gente. O bacana é ser do bem, ser justo, brigar pelo que acredita.
Foto: A foto é do craque Bruno Poppe, que nos fotografou para a Revista Piauí. Obrigado, Bruno. É uma das nossas fotos mais bonitas.
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10153472873971867&set=a.103242101866.107525.581586866&type=3&theater

quinta-feira, 3 de março de 2016

O amor consciente e a maturidade emocional

Créditos da imagem: Benjamin Lacombe
Texto retirado do site: "A mente é maravilhosa"
Durante toda a nossa vida nos venderam o chamado “amor romântico” quase que de forma constante. Lemos sobre ele em vários livros, nos rendemos a ele em  mil e um filmes, nas centenas de séries de televisão e, inclusive, através da moda e da publicidade.
Poderíamos dizer, então, que o “amor romântico” é uma espécie de fraude? Talvez não tanto, ou talvez sim… A despeito disso, poderíamos defini-lo mais como um “amor inconsciente”, já que de certo modo, não é mais que uma idealização das relações afetivas. É aí que estabelecemos um apego muito intenso e uma dependência mútua que quase nunca termina bem.
Não é bom idealizar o amor, nem fantasiar sobre como deve ser nosso par ideal. Possivelmente, nunca conseguiremos encontrá-lo se vivermos de acordo com esse padrão perfeito que sonhamos para nós mesmos. Às vezes, costuma-se dizer que “o amor verdadeiro não vem de repente para alguém, ele parte do nosso próprio interior”.
Ou seja, a relação perfeita deve ser construída de modo “consciente”, com esforço, dedicação e maturidade emocional.

O amor “consciente” que teme a solidão

Falemos do amor “consciente”. Se você nunca ouviu esta expressão vale a pena aprofundar-se nela através de umas pinceladas que, imediatamente, encenarão como são essas relações afetivas que queremos descrever para você:
– Os casais que se amam de modo “consciente” não se veem como metades um do outro, como a metade da laranja com a qual precisam se unir para serem uma só pessoa. Absolutamente. São pessoas completas, que não temem a solidão, são laranjas inteiras que oferecem sua plenitude e sua maturidade emocional livremente para seu par, para serem mutuamente felizes.
– As pessoas que estabelecem relações “inconscientes” são, geralmente, imaturas. Procuram outras pessoas para preencher seus vazios emocionais, para encontrar um equilíbrio em seus problemas e estabelecer, por sua vez, um tipo de apego geralmente tóxico. Para isso, não têm dúvidas quando à manipulação, estabelecem chantagens sutis, pois, antes de tudo, temem ficar sozinhos novamente nessa imaturidade com a qual ainda não puderam aprender a lidar.
– No entanto, as pessoas que veem a si mesmas como completas e que têm a sorte de encontrar, por sua vez, pares igualmente maduros emocionalmente, são capazes de criar esse amor “consciente”, onde tudo flui com normalidade. Não há exigências, não há vazios a serem preenchidos, há apenas uma confiança mútua e um entendimento onde, diariamente, será construído o amor verdadeiro. Não um ideal. O autêntico.

Como estabelecer um relacionamento consciente




É possível estabelecer vínculos afetivos que realmente funcionem? Naturalmente, sim. Estabelecer uma relação baseada em um amor consciente, em primeiro lugar, não deve partir de uma necessidade de preencher um vazio emocional, já que não se trata de procurar, pois no momento em que usamos essa palavra, evidenciamos uma falta, uma necessidade.
Trata-se de esperar, de nos deixar levar pelo caminho onde o mais importante somos nós em primeiro lugar. Aprecie mais você mesmo, suas experiências, seu dia a dia, onde você pode aprender de tudo, onde pode se enriquecer como pessoa para amadurecer por dentro. O amor chegará quando tiver que aparecer, mas não se esforce para criar um ideal na busca da pessoa perfeita.
Para entender melhor, tome nota dos seguintes conselhos:
1. O melhor é que você não tente encontrar a pessoa perfeita. Comece por você mesmo, crie, em primeiro lugar, a pessoa que você quer ser. 
2. Construa seu equilíbrio emocional, reforce sua autoestima, defenda seus valores.
3. É importante que você aprenda a estar só; entenda que a solidão não é prejudicial nem perigosa. Não se esforce a estar com ninguém só por ter medo.
4. Nunca perca a imaginação e a inocência ao iniciar novos relacionamentos. Não tenha medo de cometer os mesmos erros do passado; você aprendeu muita coisa com estes erros e sabe muito bem do que precisa agora.
5. Nós sabemos que, de certo modo, temos um ideal de como queremos que seja nosso par perfeito. É algo que ninguém pode evitar. Entretanto, se estiver tão claro assim,, seja você mesmo a pessoa que você quer ter ao seu lado… Afinal de contas, a pessoa adequada se refletirá em você.
6. Finalmente, tenha sempre em conta um aspecto: você merece ser amado(a) plenamente. Nunca duvide disso.
Fonte do texto: http://amenteemaravilhosa.com.br/o-amor-consciente-e-a-maturidade-emocional/

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O poder das mães e da amamentação

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva


Se prepare do modo certo para ser mãe, se conheça, desarme-se, humanize-se, esqueça as teorias do senso comum, as repetições, e se já é, vou te dizer:
Um bebê não usa o peito da mãe como chupeta, ela usa o peito como peito, como calor, como aconchego, como busca de afeto, de segurança, como uma deliciosa fonte que jorra estímulo para a sua oralidade na descoberta inicial do mundo fora da ventre. Amamentar vai muito além da alimentação e muito além que qualquer compreensão. Se ele quiser ficar no peito é porque ele precisa, então não comece a guerrear para medir quem tem mais forças e para provar autoridade colocando regras que não fazem nenhum sentido para ele e não servirão de nada, só irá contra a natureza do bebê. Deixe ele mamar, se ele quer é porque ele precisa, e só ele sabe quando, por quanto tempo e porque precisa. E mais, autoridade não se prova, ou se tem ou se não tem. Sinta ela dentro de você e faça o que a tua genuína natureza te pede. 
Se ele quiser ficar horas no peito e você estiver bem, relaxe, deixe, quanto mais se mama mais leite se produz. Durma com ele, acorde com ele. Não deixe ele chorar, não deixe ele esperar. Não deixe que ele perca a capacidade de acreditar no outro já nos primeiros meses de vida.
Leia, se informe sobre o que há de mais humano na maternidade, sobre a alma, não sobre regrinhas absurdas e desumanas. Teu filho acabou de nascer, ele não precisa ser "adestrado".
Esqueça tudo mesmo, deixe os pratos sujos de lado, se não puder não atenda ao telefone algumas vezes, deixe o teu filho dormir sobre o teu peito, isso traz paz e aumenta muito mesmo a produção de leite. Esqueça todas as teorias educativas capitalistas abusivas, ao menos nesses primeiros meses de vida e não se sinta culpada porque elas não servem de nada, só trazem tristeza e sentimentos contraditórios.
Seja mãe com M maiúsculo. Acredite na tua intuição. Pense na possibilidade de fazer terapia, ou de consultar um psicólogo de família que seja um profissional sensível, pois o bebê até os 2 primeiros anos é um reflexo intenso do que ocorre na parte oculta da psiquê materna. Questione os seu modelos familiares para ver a vida com mais lucidez e ser uma mãe mais atenta e mais bem resolvida. É difícil, mas é possível. 
Teu filho é como um animalzinho que precisa do teu calor, da tua voz, da tua segurança, da tua inteireza, da tua disponibilidade, faça o que pede o teu coração cheio de amor e de emoção por ter ao teu lado um verdadeiro tesouro que estará contigo por toda a vida, então se entregue porque num piscar de olhos você vai estar com saudades desses mágicos momentos e o teu filho estará grande, autônomo e será um ser humano feliz, realizado e seguro por ter tido tudo o que você poderia ter dado a ele de mais sagrado naqueles preciosos instantes.
As mães têm o poder de salvar o mundo porque o amor tem o poder de mudar o mundo. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O amor é um sentimento dos homens maduros

Cintia Liana

O "Super Nanny" é um equivoco

Google Imagens

Esse programa e método da Super Nanny ou SOS Tata (aqui na Itália), é um grave equívoco. Psicologia Behaviorista, ultrapassada, daquelas que fazem experimentos com ratinhos, controlam, treinam, superficial. Por mais respeito que tenha a todas as abordagens teóricas da psicologia, não posso me calar diante da limitação da proposta humana do programa. A família precisa ser vista para além do proposto, também por uma vertente sócio-histórica. 

As crianças precisam ser compreendidas através daquilo que o inconsciente do casal e da família lhes dá. Os pais precisam olhar as suas feridas, as suas fraquezas, a sua história para que, através do auto entendimento, compreendam porque estão agindo daquela forma e porque as crianças estão respondendo também de certa forma. Só assim existirá um aprendizado profundo, capaz de produzir efetivas mudanças de seio da família.

Cuidado! Ser pai e mãe é muita responsabilidade. Hoje os filhos são o repositório da raiva e frustração de muitas pessoas. Coloque no colo, durma junto, beije, abrace, dê ótimos exemplos, converse, escute, se escute, se melhore e ame, AME profundamente, sem culpa, sem economia e sem reservas.


Consulte sempre um Psicólogo de Família.

Cintia Liana


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O amor é artigo de luxo


Filme "Pedaço de mim"


Filme "Pedaço de mim"
https://www.facebook.com/pedacodemimofilme?hc_location=ufi
Teaser do filme: https://vimeo.com/83789678

Mãe; 

Obrigado, não só por comprar nossa ideia. Obrigado pelas asas que construí através da educação que você e meu pai me forneceram, pela estrutura familiar que tenho, e pelas oportunidades de me preparar para as guerras que a vida nos impõe. 
A vitória sobre os leões que já matei e os que matarei dia após dia neste caminho difícil que escolhi percorrer, devo ao seu amor e ao seu suor - tanto quanto aos do papai. Eu amo você com minha barriga e minha alma! rs
Essa frase da camisa é uma conclusão que entendi a partir da sua existência para com a minha existência - e o que torna lindo é sentir o quão universal é o Amor quando praticado dessa maneira.
MUITO OBRIGADO! ")

Dante Valvassori



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Criando laços

 
O vínculo com o filho adotivo é construído no dia a dia, assim como com o filho biológico
Por Luciana Barrella, mãe de Luísa
30.01.2014
 
A “gravidez” de Juliana Ribeiro durou 4 anos. Isso mesmo, foi o tempo que ela ficou se preparando para receber a Lara, que chegou com 2 anos e 4 meses. A espera foi um teste difícil para Juliana, a prova de que realmente queria adotar.  O “sim” da menina, quando questionada se queria ser sua filha, foi como o momento do parto. Ali começou o vínculo entre mãe e filha. 
 
Há um período em que os pais se preparam para a chegada da criança, é a chamada “gravidez psíquica”, que os ajuda a transformarem o desejo de adotar em um ato de amor. Quando a criança chega, o vínculo não é automático. Assim como o vínculo com o filho biológico também não. Nos dois casos, é uma relação que se constrói. Aos poucos. 
 
Quem fica grávida passa os 9 meses imaginando a carinha do bebê, o som do seu choro e a sua personalidade. E, quando o bebê chega, nunca corresponde exatamente ao que os pais tinham imaginado. Não à toa, nossa diretora de redação, Mônica Figueiredo, disse para a filha, Antonia, assim que a viu na sala de parto: “Muito prazer”. 
 
Seja na maternidade ou no abrigo, o vínculo se concretiza com essa primeira apresentação. “Não existe diferença entre o vínculo materno biológico e o vínculo materno adotivo. Todas as crianças só se tornam filhos se, de fato, são acolhidas, consideradas, ou seja, adotadas”, diz Cintia Liana Reis de Silva, mãe de Flavia e psicóloga especializada em psicologia de família.
 
Suzana Barelli conta que, ao chegar ao abrigo com seu marido, Milton Gamez, e ver pela primeira vez a filha, Giovana, sentiu que ela era sua e que teria de conquistá-la. “Ela dormiu no meu colo e acordou minha filha. Foi um sentimento muito forte e intenso”. Com o segundo filho, também adotivo, o contato concretizou a percepção de ser a mãe dele. “O Igor me viu e quis vir no meu colo. Outro momento bem forte”.
 
Adotar um filho é um processo acompanhado de dúvidas e de preconceitos. Esse filho tem uma história anterior e isso pode amedrontar. “O processo emocional da adoção é o mesmo de acolher um filho biológico, mas também envolve aceitar que o filho já venha trazendo uma história precedente, da qual os pais adotivos não fizeram parte. É preciso respeitar”, diz Cintia.
 
A adoção não pode ser vista como uma alternativa de segunda linha só porque o casal não conseguiu ter filhos biológicos de nenhuma forma.  É importante desejar plenamente a adoção, se preparar e reduzir as expectativas e exigências. Muitas vezes, os pais esperam naquela criança a solução de todos os seus problemas, inclusive entre o casal. Filho, adotivo ou não, não resolve nenhum problema. Pode até causar alguns. Ou seja: é filho, vem com o pacote completo, alegrias, tristezas, conflitos. 
 
Receber uma criança é uma vitória e a realização de um desejo mútuo, já que a criança também quer ser acolhida. Aí, começa o processo de entender como será aquela família recém-formada, como os pais e os filhos vão reorganizar suas vidas para o equilíbrio daquele núcleo. “Não se trata de ensinar a criança ou adolescente a como viver ali, mas, sim, de estarem todos atentos para entender como vão se adaptar uns aos outros. Os aprendizados são de todos”, explica Maria Antonieta Pisano Motta, mãe de três filhos, psicóloga e psicanalista, coordenadora técnica do GAASP (Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo). “E, como em qualquer família que se forma ou aumenta, o estabelecimento do vínculo é imprescindível. Sem o vínculo, nenhuma família, biológica ou adotiva, teria sentido”, completa.
 
Laços entre pais e filhos
Na adoção, os vínculos são construídos pelo laço de afiliação, que se constitui pela afetividade, pelo contato que vai sendo construído no encontro e na vivência de cada dia, explica a psicóloga e professora Isabel Gomes, coordenadora do grupo reflexivo de apoio a adoção na USP. 
 
Sim, a biologia tem seu papel. Quando o bebê nasce, a mãe está embebida em ocitocina, um dos hormônios responsáveis pelas contrações e, depois, ligado ao processo de amamentação. Conhecido como hormônio do amor, a ocitocina contribui para que a mãe se vincule àquele bebê. Só que o ser humano não se constitui apenas de sua dimensão biológica. E, assim, como os hormônios estimulam o vínculo, o caminho oposto também acontece: um estudo feito nos EUA em 2005 mostrou que um abraço de 20 segundos tinha o poder de elevar os níveis da substância em homens e mulheres. 
 
Agda Salles já era mãe de duas filhas, Carla e Elisângela, quando conheceu o atual marido, Helder, e explicou que não poderia mais ter filhos biológicos. Disse que gostaria de adotar. O casal se inscreveu em várias cidades, nos estados do Paraná e do Rio de Janeiro, para conseguir o terceiro filho.
 
“Eu me via esperando o resultado do teste de gravidez, como uma mãe biológica se sente a cada mês, esperando engravidar. No caso da mãe adotiva, o positivo é a aceitação do juiz, que diz se você está apta ou não para adotar”, conta Agda.
 
A primogênita não biológica, Maria Clara, nasceu prematura, há nove anos, em Barra Mansa. “Ela tinha dez dias e cheguei ao abrigo em uma sexta-feira. Ao pegá-la no colo já saí falando que era minha filha”, conta Agda. “Como a audiência era na terça, fiquei quatro dias na casa da conselheira do abrigo, cuidando da Maria. Foi mais ou menos como o período que se passa na maternidade”. O segundo filho adotivo, Davi, chegou quatro anos depois, com 28 dias de vida. “A partir do momento em que decidimos adotar, já começou a crescer um vínculo, com uma criança que não sabíamos como seria”, conta ela.
 
Quando a criança é mais velha, entre 2 e 6 anos, há um trabalho diferente de adaptação, mas os preceitos de adoção devem ser os mesmos: sem expectativas e disposição para amar.
 
“Podemos considerar ‘mais velha’ a criança que já se percebe diferenciada do outro e do mundo, que já possua certa independência para a satisfação de suas necessidades básicas”, esclarece Maria Antonieta.
 
Andriely chegou para Katya Suely com 4 anos. Ela já era mãe de Guilherme e pensava em adotar antes mesmo de casar, também porque é filha adotiva. Conta que se manteve tranquila durante o processo de adoção, pois sabia que um dia sua filha iria chegar. “O dia em que o fórum ligou foi como se rompesse a bolsa.”
 
A formação de vínculo na adoção tardia pode ou não ser mais trabalhosa, tudo depende de os adultos terem refletido e escolhido exercer a parentalidade e de como se dá o novo arranjo familiar após a adoção. “Há dois nascimentos na história da criança, o de origem e o adotivo”, diz Isabel Gomes. 
 
Vida antes da adoção 
O psiquiatra José Belizario, pai de João e Ana, desfaz o mito de que crianças adotadas são mais complicadas. “Não existe comportamento específico de filhos adotados.” Mais uma vez, filho é filho. Dá trabalho, testa a gente, quer saber se é mesmo amado. Assim como você, está criando o vínculo e testando se ele é mesmo firme ou se balança na primeira (ou segunda ou terceira…) vez que ele se comporta mal.
 
É necessário que os pais entendam e respeitem as experiências anteriores. É importante também resgatar algumas memórias com objetivo de entender o que foi vivido, as rupturas de laços, em vez de negar que eles tenham existido. Se faz parte da história do seu filho, agora faz parte da sua também.
 
Na adoção da criança maior, o processo de luto pela ‘perda’ da família de origem, pela perda ‘do que poderia ter sido’, pela dor do sentimento de abandono e rejeição vem junto com o início da adaptação.
 
A criança pode ter vivenciado as mais diferentes situações, das prazerosas até as traumáticas, sendo com seus pais biológicos ou cuidadores, nos abrigos ou não. Casos que não podem ser deixados de lado pelos pais adotivos, e nada melhor que a lida cotidiana para quebrar barreiras e construir laços. 
 
O vínculo entre os irmãos
Ao adotar uma criança que tenha irmão, o estatuto da criança e adolescente (ECA) recomenda que eles não sejam separados. Se isso acontecer, o melhor é que as famílias mantenham contato para que os irmãos convivam. Quem avalia a viabilidade desse relacionamento são os pais candidatos e o técnico que realiza as entrevistas.
 
Não são todos os irmãos que conseguem se afastar, pois entre eles ainda existe a união familiar, a força da história vivida junto, o afeto e o sentimento de pertencimento.
 
Áurea Medrado, mãe de Mariana, filha biológica, realizou a adoção tardia e compartilhada de Evelin. Isso significa que a menina tem irmãos biológicos que foram adotados por outras famílias. O vínculo entre ela e os dois irmãos foi mantido. “As crianças se encontram e sabem que são irmãos.” 
 
Quando os irmãos são adotados pela mesma família, outros cuidados devem ser tomados. Muitas vezes, o mais velho assume o papel de protetor das demais crianças e precisará ser ajudado a colocar-se no papel de filho e de criança. 
 
A adoção é um processo que leva um certo tempo para se concretizar. A convivência e o dia a dia são responsáveis pela criação dos laços, assim como com um filho biológico. A criança deve sentir que é com os pais adotivos que escreverá a sua nova história. E que, mesmo que dê um pouco de trabalho, como todo filho dá, é filho, e é muito amado. Tenha saído da barriga ou não.
 
Quem pode ajudar
Você encontrará informações com psicólogos, psicanalistas, assistentes sociais, grupos de apoio, livros e filmes. Algumas fontes de informação: 
 
Conselho Nacional de Justiça Informações sobre adoção e acesso ao Cadastro Nacional de Adoção.cnj.jus.br
 
Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo
Promove encontros, palestras e suporte de maneira geral aos pais pretendentes ou que adotaram.gaasp.org.br
 
Blog da psicóloga Cintia Liana
Especialista em psicologia de família, que se descreve como "fada da adoção". www.psicologiaeadocao.blogspot.com
 
Grupo reflexivo de apoio à adoção na USP
Grupo sobre as motivações e escolha pela adoção. Destina-se a casais heterossexuais, homoafetivos, pessoas solteiras, tios, avós, irmãos etc. Contato: adocao.usp@gmail.com 
 
Consultoria: Cintia Liana Reis de Silva, mãe de Flavia e psicóloga especializada em psicologia de família; Isabel Gomes, psicóloga, professora e coordenadora do Grupo Reflexivo de Apoio a Adoção na USP; José Belizario, pai de João e Ana, psiquiatra; Maria Antonieta Pisano Motta, psicóloga e psicanalista, coordenadora técnica do GAASP (Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo).
 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Dê amor aos montes

Tumblr

Cuide do seu filho infinitamente, proporcione sorrisos, dê amor aos montes. O que não é experimentado e nem saciado hoje amanhã terá o gosto de vazio. O tempo passado e o que não foi dado não volta mais. Quem deixou muito a desejar só sentirá dor quando o filho adulto não conseguir sorrir. Quem consegue dar e se entregar a esse amor, no futuro só sentirá felicidade e a sensação de ter feito o melhor.
 
Cintia Liana

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma psicóloga aprendendo a ser mãe

Mandy Lynne

Por Cintia Liana Reis de Silva

Sou formada em psicologia há mais de 12 anos, trabalho com famílias e casos de adoção há mais de 10. A compreensão da maternidade sempre esteve perto de mim de maneira muito especial, tanto que me especializei em casal e família e amo o meu trabalho. Mas há pouco mais de 5 meses comecei a experimentar desse amor, a ver e a viver a maternidade com a pele e com todo o resto de mim de maneira nunca imaginada.

Devo admitir que por mais que entendesse e tivesse sensibilidade para tratar e ajudar as famílias em meu trabalho eu não poderia sentir o que as mães sentiam e digo que nem deveria sentir tudo exatamente, afinal deveria ser profissional e agir com racionalidade, sensibilidade e boa vontade, e o fato do psicólogo ser um humano já é o suficiente para uma boa empatia.

Comecei a ser chamada de “fada da adoção” pelas pessoas próximas e pela mídia da minha cidade, quando percebiam o amor que eu imprimia em meu trabalho. Mas ao parir a minha filha caíram-se muitas fichas sobre esse fenômeno do ser mãe, sobre o amor humano, sobre o amor animal e ao sentir esse amor, que se constrói e cresce no cotidiano, se abriu em mim uma nova consciência de tudo o que estudei até hoje sobre apego, afeto, tolerância, maturidade, padrões integeracionais e tudo o que posso vincular a maternidade e a maternagem.

Posso dizer que me tornei mãe quando iniciei o contato pele a pele com minha filha, porque a relação com a “barriga” é diferente, o bebê já existe, está alí, mas olhar para o seu rosto, amamentar, ver e tocar a sua frágil forma faz acontecer a relação, ela começa naquele momento e nada mais é do que uma adoção, sim o fenômeno da verdadeira maternidade é a adoção. Existem mães que adotam os seus filhos paridos por elas e outras que não adotam, que não os aceitam e que não criam um espaço real para eles em suas vidas, como também têm mães que fizeram uma adoção propriamente dita através do Judiciário mas não adotaram de fato e outras que adotaram de todo o coração. Existem mães que não são “mães” e outras que fazem jus a esse nome.

Não só com o que estudei, vi e senti com o meu trabalho, mas também com a minha pele e o meu coração de mãe, afirmo que a única forma de tornar-se filho é sendo adotado e a única forma de tornar-se mãe é adotando um filho, vindo ou não de seu ventre, seja ele de que forma, cor, tamanho for, se parecendo ou não com você. E o aprendizado com o filho não depende dele, depende dos olhos de quem vê e da abertura para olhar de fato para a experiência que se está passando.

Tantas teorias obsoletas, ultrapassadas, outras ultramodernas e a vontade de acertar, mas seguramente nada é mais valioso que a capacidade de uma boa e preparada mãe em tentar perceber o que é melhor para o seu próprio filho naquele dado momento. Deixar ou não dormir mamando? Deixar ou não dormir em meio aos pais nos primeiros meses? Nem vou perguntar se deve ou não deixar mamar a hora que quiser, porque esta pergunta não tem nem cabimento, visto que é a criança é quem sabe quando tem fome ou necessidade de contato físico. A questão é, será que todas as mulheres que se tornam mães estão de fato preparadas para aguçarem esse olhar? Será que sabem o valor de alguns atos e de alguns “deixo sim, ele precisa disso agora”? Ou “não deixo, por mais que eu também queira, pois isso vai fazer mal lá na frente”?

Quando me tornei mãe, fiquei assustada com o tamanho da ignorância das pessoas e da quantidade de equívocos quanto a educação e cuidados com o bebê, começando com a afirmação de “não pegar muito no colo porque acostuma”, e aí comecei a escrever aqui na Itália também, alertando às pessoas sobre a importância do contato físico entre mãe e bebê. Vi que os recém nascidos normalmente se tornam vítimas da imaturidade e nada podem, é como se tudo fizesse mal, até a sua própria natureza, mamar, dormir e estar perto da mãe a hora que quiser. Ver essa intolerância e falta de sensibilidade me fez muito mal e hoje fico muito mais preocupada com as crianças.

Enfim, uma das coisas que mais me chamou a atenção nesse processo foi olhar a minha filha dormindo e perceber o quanto me tornei forte, capaz de protegê-la de qualquer coisa, mas também o quanto me tornei frágil e vulnerável, ao perceber que a minha felicidade hoje depende do seu bem estar e aí me veio a pergunta, até que ponto eu posso ter o controle desse bem estar? É como se eu tivesse visto o meu próprio coração alí, fora do meu corpo e passei a entender e a respeitar muito mais a minha mãe.

O fato se der psicóloga me ajuda e muito, mas o que diferencia muito mais é o desejo pessoal de crescer de cada um, amadurecer, conhecer e dar ao filho o melhor de nós, sem colocar no meio interesses pessoais.

Cada mulher vive a maternidade de uma forma particular, isso eu já sabia, mas a minha forma de viver está sendo muito mais linda e gostosa do que poderia imaginar, sobretudo no que diz respeito ao amor, que só cresce.

Por Cintia Liana

domingo, 27 de maio de 2012

Uma mãe de tirar o fôlego!

11/05/12 - 02:41
Por Jairo Marques

Não é incomum de se pensar que a vida de uma pessoa com deficiência seja um castelo, com os portões trancados, cheio de sofrimentos, de provações, de perrengues e de desafios a serem quebrados todos os dias.

De fato, muitas vezes, o povo que não vê, não escuta, não anda e nem nada se lasca para conseguir se firmar como cidadão que é, como um ser humano comum que é, como uma pessoa com sonhos, desejos e planos como deve ser.

Mas tem gente que além de tudo isso, de enfrentar preconceitos, de cavar um espaço digno na sociedade, ainda causa “pequenas” revoluções no mundo e cravam seus nomes na história.

Não é exagero meu dizer que a miudinha, talentosa, carismática e apaixonante Katya Hemelrijk, 36, a Katynha, eleita por mim mesmo como a “mãe do ano” deste blog, de 2012, fez exatamente isso.

Toda ‘charmozamente’ tortinha e cadeirante devido à osteogenisis imperfecta, a síndrome dos ossinhos de cristal, Katynha, que é coordenadora de comunicação de uma empresa gigante de cosméticos, deixa os mortais comuns de boca aberta diante de sua atitude maior diante à vida:

Após um casamento feliz com o consultor Ricardo Severiano, 34, quis, naturalmente, formar uma família. Como sua enfermidade é genética, seus descentes herdariam a síndrome que a acomete.


Katynha e Ricardo, então, decidiram por gerar filhos a partir do coração, da alma… Adoram Yasmin, 6, e Renan, 7, duas crianças que fugiam do “padrão” do que buscam os pais adotivos tradicionais: não são de pele clarinha, não são bebezinhos de colos.

Com um fôlego vindo de um caráter invejável e de amor à vida, essa mãe adotou irmãos negros e crescidinhos…

A conversa que tive com essa incrível mãe, é mais um brinde que faço nesta semana cheia de emoções aqui no blog! E coroam esse bate-papo, as imagens sempre fantásticas, emocionantes e reveladoras do meu parceiro de todas as horas, o fotógrafo Arthur Calasans!
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Blog – Mais difícil foi decidir não ter filhos naturalmente ou adotar crianças já crescidinhas?
Katynha – Na verdade não foi uma decisão difícil…difícil seria arrumar alguém que quisesse encarar essa comigo.. emotion.  Desde pequena sabia dos riscos da maternidade biológica e não era a minha primeira opção. Sempre pensei em adotar.”

Blog - Há muita desconfiança dos outros em relação a sua capacidade de ser mãe?
Katynha – Confesso que hoje eu agradeço muito por eles terem vindo maiores. Acho realmente que eu ia precisar de muita ajuda caso viessem bebês! A desconfiança da capacidade materna atinge todas as mães, mas para as mães cadeirantes rolam também os questionamentos da capacidade física.
‘O que eu vou fazer se eles saírem correndo? E se eles se machucarem e eu não conseguir acudir?’ Mas é incrível como eles vão tomando consciência das nossas limitações naturalmente e acabam não se arriscando tanto e até obedecendo mais quando estão sozinhos com a gente!

Blog – Seus filhos devem ter causado uma revolução no seu cotidiano. Ser mãe tá sendo padecer no paraíso?
Katynha – Pode ser quando eles estão dormindo? Hahaha…!!! Ser mãe é uma sensação indescritível…é um sentimento tão forte e dominante que você só sabe sendo.
A rotina da minha vida e do Ricardo virou de ponta cabeça…as prioridades mudam totalmente. Filme antes das 22h? Só de criança! Mas vale muito a pena. A sensação que eu tenho quando coloco eles na cama e os vejo dormindo com aquelas caras de anjo, é a que nossa missão do dia foi cumprida, mas na verdade, nós temos agora uma missão para a vida toda e é isso que da sentido às nossas vidas. Acho que estou um pouco mais doidinha do que eu já era, mas ainda sou uma pessoa quase “normal”….

Blog – O fato de você ter uma deficiência chegou a ser, em algum momento, complicador judicial para a adoção? 
Katynha – Chegou um momento que eu achei que sim. Demorou tanto que eu comecei a desconfiar. Questionei na entrevista com a assistente social e ela me garantiu que da parte do fórum não, mas que a gente podia sofrer resistência do abrigo. Mas isso foi o contrario…. Foi tudo muito tranquilo. Eles chegaram a preparar o Renan para a possibilidade dele ter uma mãe cadeirante.

Blog – O que sonha para seus pequenos? Acha que filhos de pessoas “malacabadas” tendem a ser mais inclusivos?
Katynha – Tenho certeza disso! Acho que eles já vivem uma situação que pede isso na essência deles. Os meus então…rs…além de serem filhos de uma mãe “malacabada”, são adotados e negros de pais branquelos….  não tem como eles serem preconceituosos.
Acho também que eles acabarão influenciando os amigos. Na escolinha você já saca que eles tem orgulho de dizer que eu sou a mãe deles…é muito lindo!
Blog – Família passou a ser o que após a adoção?
Katynha – Passou a ser plenitude! Acho que eles tiveram a capacidade de transformar tanta coisa, tantos sentimentos, que eu não sei descrever! Minha família já era incrível antes da chegada deles, agora então, é indescritível. O mais legal de tudo, é que ao mesmo tempo que a família que já existia cresceu, uma nova família nasceu…e é tudo uma coisa só! A nova família nasceu de um casal que se ama muito e que acima de tudo se respeita!


Blog –  Se pudesse encorajar mulheres a tomarem a mesma decisão que tomou, qual seria seu principal argumento?
Katynha –  A adoção, aos olhos de quem vê de fora, parece um ato de heroísmo, alias, é o que escutamos direto, mas no fundo, a adoção no nosso caso foi o meio que nos levou a realizar um sonho, tanto para nós quanto para eles.
A energia e o amor que rola é tão grande, que, de verdade, não são os nove meses de gestação só que constroem isso. A intensidade de cada momento, o medo, a alegria, a coragem e até mesmo a falta dela, fortalecem este vinculo de tal forma, que parece que eles estão com a gente desde sempre!
Para quem tem uma pontinha de vontade, eu indico! Não é fácil, mas o fato é que não é fácil para ninguém, não importa de são biológicos ou não!
Blog – O que já aprendeu com seus pequenos no tempo em que estão juntos? O que acha que já conseguiu ensinar?
Katynha – Já aprendi tanta coisa…aprendi que a vida é muito maior do que a gente imagina, aprendi que as pessoas são diferentes, mesmo que você dê a mesma educação, aprendi a valorizar as coisas de uma forma diferente, aprendi a dar menos peso para o meu trabalho, aprendi que o que eu achava que sabia do amor não era nada perto do que sei agora!
Acho que nestes 11 meses, já conseguimos ensinar bastante coisa para eles. Na verdade, estamos apresentando um mundo que eles sonhavam, mas não tinham nenhuma noção do que era na realidade.
Estamos tentando ensinar que os valores das pessoas são insubstituíveis e que cada um é cada um, da forma que é. Não precisa fingir o que não é para ser aceito.

sábado, 12 de maio de 2012

Filha procura mãe biológica


Estive olhando sua página na internet (blog), pois estava procurando assunto relacionado ao tema (mães que abandonam) e acabei encontrando sua página. Vou torcer para que a senhora leia meu e-mail e responda.

Minha historia é a seguinte:

Me chamo Clarisia Laiana da Silva e Silva (tenho orkut e facebook onde conto minha historia, inclusive na página da Sandrinha, comunidade procuro mãe biológica), tenho 27 anos, nasci em 1 de abril de 1985. Nao sei qual foi a maternidade, nao sei nada, apenas a data que consta na certidão (adoção a brasileira). Minha mãe biológica me abandonou logo após o nascimento, não sei nada a meu respeito, minhas origens. Fui adotada e dentro do possível bem criada, bons colégios, uma boa casa e meus pais são carinhosos, mas não tenho irmãos adotivos.

Só me contaram oficialmente da adoção aos 21 anos, mas sempre soube que era adotada, a gente sabe, sempre sabemos, não precisa contar, parece que uma voz, algo dentro de nós diz que fomos rejeitadas. Por mais amor que uma criança receba no lar adotivo, a rejeição sempre estara em primeiro lugar. Essa é a ordem dos fatos. Primeiro há uma rejeição, para que depois aja a adoção. Posso falar por mim, nunca se supera um abandono, é insuperável, e não acredito que exista alguém neste mundo que conviva felizmente com isso.

Sou casada, formada, tenho dois filhos maravilhosos, e já passei necessidade, mas jamais abandonaria meus filhos.

Até hoje procuro minha mãe biológica, mas até agora nada, chego a acreditar que ela sabe que estou a sua procura, mas não quer ser encontrada.

Na verdade estou mandando este e-mail, porque muito se fala a respeito do abandono materno, focando apenas na adoção, mas não há muitos estudos a respeito dessas mulheres.

Tenho a impressão que depois que uma mulher abandona sua filha, ela some, desaparece do cenário mundial. Nao sei se isso é real ou se é apenas um mecanismo de defesa de minha parte, visto que sou uma filha abandonada que tenta compreender o porque da mae ter escolhido esta péssima opção.

Ja fiz psicoterapia, fui a igreja, conversei com outras pessoas a respeito, mas não adianta, essa dor não passa. Acredite, não existe nada pior do que ser abandonada pela própria mãe. Uma mulher que decidi entregar seu filho a adoção nao sabe o que é amor. Escuto pessoas que dizem que quando a mãe entrega a criança com todos os cuidados a um hospital, a um casal, ela na verdade está protegendo o filho, mas discordo.

Todos os dias eu penso onde ela está... E principalmente... Será que ela se arrependeu? Já que a maioria segue com sua própria vida sem olhar para trás...

São perguntas que ficarão para sempre sem respostas. Mas acredito que um dia eu retorne para a psicoterapia, não para superar o que é insuperavel, mas é bom buscar ajuda sempre.

Obrigada.

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Obrigada por responder, fiquei muito feliz. Em relação a minha história pode publicar, pode colocar meu nome verdadeiro (Clarisia Laiana da Silva e Silva Tavares. Data de nascimento: 1º de Abril de 1985. Fortaleza, Ceará). Até porque não tenho problema algum em expor, pelo contrário, já coloquei minha história no orkut, no facebook, tem até foto minha, até já pensei em colocar uma foto minha quando bebê.
 
Penso que falar, mostrar, divulgar, me faz bem, quando conversamos e mostramos nossos problemas para as pessoas parece que a nossa dor melhora, sinto uma sensação de alivio, me sinto mais confortável em dividir a minha angústia, até porque sei que existem muitas pessoas passando pelo mesmo problema. Pode postar meu e-mail, minha história, as pessoas vão ler e se identificar e quem sabe aconteça um milagre, alguém ler e reconhece minha história, até a própria mãe biológica, nada é impossivel.  Mais uma vez obrigada por responder meu e-mail, obrigada pela atenção.

As dúvidas são muitas, lendo seu -email em relação a pessoa que doou o 3º filho... Sempre penso, o que leva uma mãe a doar todos seus filhos? Ou o que leva uma mãe a doar apenas um de seus filhos? Acredito que quando uma mãe entrega um filho, ela deve estar em um momento de grande desespero, ou infelizmente ela também ja foi abandonada. Eu nao fui abandonada apenas pela minha mãe biologica, fui abandonada por duas familias, a familia materna e paterna. Por isso quando penso na minha mãe biológica, logo tenho a certeza de que se tratava de alguem sem extrutura familiar alguma. O problema é que adoção (que para mim é um ato de amor e coragem, pois ainda há muito preconceito) dá a oportunidade de que a criança cresça em um lar, receba amor, atenção e se desenvolva, mas em contrapartida continuamos (isso é fato) a viver com a rejeição. E a esperança de um dia encontrá-la. O que nós filhos queremos (não todos é claro, mas a maioria) nossos pais adotivos, a sociedade, os amigos, o dinheiro, ninguém pode nos dar, apenas ela, a mãe biológica.
 
Infelizmente não temos o apoio necessário para encontrarmos nossa origem biológica. Graças a Deus existem comunidades, "Filhos adotivos do Brasil" que dá apoio, sites, blogs que falam da adoção, psicólogos, e a nossa fé.
 
É assim que eu vivo cada dia, buscando respostas, tentando entender, não é facil, penso em minha mãe biológica todos os dias, possíveis irmãos, avós, pai, minha história... E não vou desistir de encontrá-la.
Obrigada
abraços

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Abandono, institucionalização e adoção no Brasil: problemas e soluções

Google Imagens
Por Lídia Weber

"Toda criança precisa de adultos afetivos, de pais, que lhe ensinem as fronteiras entre o certo e o errado, que possam lhe enxugar uma lágrima em momentos de tristeza, que possam ouvir e compreender os seus sonhos mais fantásticos e os pesadelos mais  ssustadores. Pais são aquelas pessoas que devem ter um amor incondicional e que ajudam a construir a identidade e o desenvolvimento de uma criança, assim como se constrói um edifício, primeiro as fundações para sentir-se confiante e amada, depois as janelas para poder olhar para o mundo e, por fim, as portas, para sair para o mundo, confiante e com auto-estima sólida e forte para enfrentar essa realidade nem sempre benevolente.

É um direito dos casais que não podem ter filhos adotar bebês, mas é um dever do Estado proporcionar condições para que cada família mantenha seus filhos e, para as crianças já abandonadas, encontrar pais substitutos. Quanto à comunidade, é preciso trabalhar para que exista uma atitude de solidariedade ativa, nacional e internacional e para que haja famílias disponíveis às diversas formas de acolhimento. Todos nós devemos lutar por aquilo que estas crianças pedem: uma chance, um esforço, uma esperança, um pouco menos de medo, um pouco mais de coragem, um pouco menos de leis e um pouco mais de justiça. Quem sabe assim seja possível transformar os filhos de ninguém em filhos do coração!"

Lídia Weber em:
Weber, L.N.D. (2005). Abandono, institucionalização e adoção no Brasil: problemas e soluções. , 53-70.
O Social em Questão, 14

AbandonoinstitucionalizacaoeadocaonoBrasilproblemasesolucoes.pdf

sexta-feira, 23 de março de 2012

Torna-se mãe

Tumblr

Publicado em 15.03.2012
Por Cintia Andrade Moura*


Para muitas mulheres, a maternidade inicia-se na gestação. Para outras, na adoção.

Nutrir o desejo de ser mãe é comum na intimidade feminina. Enfrentar a impossibilidade de gerar um filho é, para muitas, frustrante e estarrecedor.
Pensar na ideia de ser mãe pela adoção gera vários questionamentos e enfrentamentos e, por isso, infelizmente algumas mulheres simplesmente desistem do sonho da maternidade.

A maternidade proporciona na vida da mulher transformações e descobertas inimagináveis. Tornar-se mãe é muito mais que gerar um filho. Para ser mãe, é imprescindível e suficiente o amor. Disso chamamos a adoção.

Que importa se o teu filho não carregará a tua herança genética? Ele carregará as tuas lições de vida.
Que importa se o teu filho não sairá do teu ventre? Ele entrará na tua vida e na tua alma.
Que importa se não puderes amamentar o teu filho ao peito? Ele será alimentado por tuas mãos cheias de ternura e amor.
Que importa se o teu filho não terá teus traços fisionômicos? Ele possuirá os traços da tua forma de pensar e agir perante o mundo.

Abençoadamente, sou mãe adotiva e colho os melhores frutos da convivência com meus filhos.


Certo dia, estava em viagem com a família e minha filha mais velha (uma negra belíssima!) entrou no ambiente em que me encontrava iniciando o seguinte diálogo:

− Mãe, uma amiga minha da escola me perguntou por que sou diferente de você?
− O que você respondeu? − perguntei sem alarde.
− Eu falei para ela que é porque sou adotada.
− E isso te incomodou? − quis saber.
− De forma alguma, mãe! Eu tenho o maior orgulho de ser adotada, de ser sua filha e de papai, e de ser negra.
Emocionada, falei para ela que de todas as coisas lindas que eu já havia escutado na vida, essa era a mais bela de todas. E ela completou:
− É o seu presente de aniversário, mamãe!

Abracei tanto a minha filha que quase a sufoquei. E chorei... Chorei e ainda choro por tantas emoções e felicidade que a maternidade adotiva me proporciona. Agradeço a Deus pela oportunidade de ser mãe de uma forma tão completa e intensa. De ser uma mãe que nasceu pela atitude adotiva.

Desistir de amar é desistir de viver.

Desistir da experiência extraordinária de ser mãe porque não se pode gestar é que é frustrante e estarrecedor.

* Cintia Andrade Moura é uma orgulhosa e feliz mãe adotiva
http://ne10.uol.com.br/coluna/atitude-adotiva/noticia/2012/03/15/tornarse-mae-332200.php



Postado Por Cintia Liana

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A experiência da maternidade não se dá só no ventre

Mandy Lynne

A adoção dá a mulher a experiência da maternidade, não é algo dado só pela experiência da gestação no ventre como disse a personagem de Esther ontem na novela Fina Estampa.

A gestação pode ser uma experiência ímpar, mas não é a única forma de ser mãe e nem será algo decivivo para que a mulher sinta amor pela criança que gera.

A experiência da maternidade se dá pelo desenvolvimento do amor no cotidiano, é um processo subjetivo, único, de cuidar, proteger e desejar e o filho adotivo também é desejado e sentido como filho mesmo antes de acontecer o encontro. Esse não é só um fenômeno biológico, é antes de tudo um fenômeno psicológico.

O amor que gesta o filho se passa pelo coração em sintonia com o cérebro, com as células do corpo, é um dialética com a alma, não é algo somente oferecido pelo ventre.

Uma mãe adotiva não é menos mãe que uma mulher que gerou seu filho. A única via para ser mãe é adotar seu filho, seja ele vindo do seu corpo ou de outro.

Não há nada mais importante que o desejo e o amor. Herança genérica, memórias, nada é mais forte que o vínculo entre aqueles que se amam.

Por Cintia Liana