Cintia Liana
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"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)
"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)
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terça-feira, 27 de outubro de 2015
sábado, 7 de março de 2015
Você quer ser mãe ou apenas ter um bebê?
Mais um texto incrível da minha caríssima amiga Mônica Montone.
Por Mônica Montone
Reflita antes de engravidar e conheça a diferença entre ter um bebê e criar um filho.
Há aproximadamente cinco anos escrevi um texto para a Revista do jornal O Globo chamado “Filho é para quem pode”. No texto, eu não fazia nenhum tipo de apologia contra a maternidade, apenas falava sobre a minha opção de não ter filhos, apesar de ser biologicamente saudável e do imenso amor que sinto pelas crianças.
Não imaginava que o assunto fosse um tremendo tabu e pudesse gerar tanta polêmica.
Em dois dias, mais de duzentos e-mails entupiram minha caixa de entrada. A grande maioria deles era de mulheres me agradecendo por ter tomado a iniciativa de falar abertamente sobre o tema – muitas delas relatavam que estavam levando o texto dentro de suas bolsas para ler para amigos e familiares quando se sentiam pressionadas. Já outras preferiram me agredir, dizendo que eu devia ser mal comida, mal amada, que devia ter o útero seco, que devia ter uma péssima mãe, que devia ser proibida de escrever essas bobagens num grande veículo, etc, etc, etc.
Eu poderia ter me dado ao trabalho de dizer que nenhuma das afirmações era correta, que minha mãe é maravilhosa, que tenho um homem incrível ao meu lado há mais de dez anos que me devota amor e me come deliciosamente, que sou plenamente saudável e questioná-las sobre a liberdade de escolha, mas para quê?
Acabei sendo convidada a participar de programas de TV como Fantástico, Sem Censura e Happy Hour e, anos depois, quando a revista Veja fez uma matéria sobre uma pesquisa do IBGE que apontava a queda da natalidade no Brasil entre mulheres com nível universitário, fui convidada a dar minha opinião na matéria, mas declinei.
Declinei porque não levanto bandeiras, não sou contra a maternidade e acho que cada pessoa tem o direito de viver de acordo com seus sonhos e necessidades. Meu texto falava sobre a minha opção pessoal e convidava o leitor a refletir sobre alguns pontos, como:
“Filhos não são pílulas contra a monotonia, pílulas da salvação de uma vida vazia e sem sentido, pílulas “trago seu marido de volta em nove meses”. Penso que antes de cogitar a possibilidade de engravidar, toda mulher deveria se perguntar: eu sou capaz de aceitar que, apesar de dar a luz a um ser, ele não será um pedaço de mim e, portanto, não deverá ser igual a mim? Eu sou capaz de me fazer feliz sem ter alguém ao meu lado? Eu sou capaz de abrir mão de determinadas coisas em minha vida sem depois cobrar? Eu sou capaz de dizer ‘não’? Eu quero mesmo ter um filho ou simplesmente aprendi que é para isso que nascemos: para constituir família?” O texto está no meu livro A Louca do Castelo, mas pode ser lido na íntegra aqui.
Pois bem, esta semana deparei-me com um vídeo de humor no Facebook, do tipo jornalismo fake, que conta com mais de 35.000 compartilhamentos. Conteúdo do vídeo: uma mulher casada há mais de 12 anos, com três filhos e dois empregos, resolve roubar uma loja e acaba sendo presa. O marido envia um advogado, mas ela se nega a sair da prisão porque se sente feliz atrás das grades e alega: “pela primeira vez na vida estou tendo tempo, vou colocar toda a minha leitura em dia e ouvir todos os discos que tenho vontade, estou amando esse silêncio”.
Não consegui rir. Senti um profundo desalento assistindo ao vídeo. Apesar de saber que se tratava de ficção não pude deixar de fazer a pergunta: por que, ou para quê, essa mulher teve filhos?
Tenho observado que apenas 20% das mulheres que conheço e que tiveram filhos nos últimos tempos parecem felizes. A grande e esmagadora maioria, se pudesse, faria como a atriz do vídeo: fugia, ainda que fosse para a prisão. Mulheres que detestam suas novas rotinas que incluem cuidar da alimentação diária, higiene e da boa educação das crianças, levar e buscar em escola, natação, médico; passar noites sem dormir. Reclamam constantemente de suas aparências, não apenas do ganho de peso que não conseguiram se livrar após o nascimento da criança, mas também de olheiras, flacidez, unhas por fazer, cabelo por cuidar. Queixam-se de falta de envolvimento, romance e apetite sexual do parceiro (ou delas próprias).
As que abriram mão da vida profissional para cuidar dos filhos, cedo ou tarde se sentem insatisfeitas (para não dizer deprimidas) com a vida doméstica. As que tentam conciliar filho e trabalho, em geral, parecem bombas-relógios prestes a explodirem e cobram paulatinamente um envolvimento maior dos pais, o que gera muitas discussões e desgasta bastante os relacionamentos.
Ok, os pais deviam (devem!) participar ativamente da criação dos filhos, mas não tem jeito: na hora que o bicho pega a criança grita pela mãe, quer a mãe. Portanto, por mais que os pais sejam presentes e ativos, infelizmente o trabalho da mãe será sempre dobrado.
Assistindo ao vídeo e pensando nas mamães aparentemente infelizes que conheço, penso: elas não sabiam que seria assim? Elas não sabiam que suas vidas mudariam completamente?
Impossível acreditar que, em plena era da informação e da tecnologia, com milhares de revistas e blogs sobre o assunto, algumas mulheres não tenham ciência do quão trabalhoso é criar um filho. É como digo no texto “Filho é para quem pode”: “Dar a luz a um bebê é fácil, difícil é ser mãe da própria vida e iluminar as próprias escuridões”.
Conheço mulheres que detestam crianças, não têm paciência para crianças, mas dizem que querem ter filhos. Confesso que não compreendo isso. Fico me perguntando: elas querem ter um filho ou um bebê?
Sim, porque existe uma diferença enorme entre uma coisa e outra. Bebês são fofos, dengosos, cheirosos. Quem resiste ao sorriso de um bebê e a um quartinho todo decorado com girafinhas e frufrus? E os sapatinhos mimosos? Uma delícia tudo isso, não? Finalmente uma boneca de verdade. Ocorre que a boneca cresce. Torna-se um ser humano com vontades próprias. Desobedece, faz pirraça, adoece, chora, briga na escola, quer a mochila da Pepa, o tênis do Ben10. Cresce e torna-se adolescente. E na adolescência, como sabemos, o trabalho (e as preocupações) triplica. Sem esquecer os gastos que a criação de uma criança implica e lembrando que, para aquele bebê cheiroso e dengoso se tornar um ser humano digno, amável, respeitável, bem educado e de bom caráter, é preciso muito empenho, amor, carinho e dedicação integral. É preciso vigília constante, sobretudo dar bons exemplos, abrir mão de muita coisa.
Não sei, mas tenho pensado a cada dia que passa que, como tudo na vida, a maternidade pode ser uma questão de aptidão. Existem mães plenamente felizes e realizadas com suas escolhas, responsáveis, que criam seres saudáveis para a vida adulta, cercando-os de amor, carinho e compreensão; que não enxergam a dedicação diária como um peso.
Por que isso não acontece com todas as mães? Talvez porque algumas não tenham aptidão! Engravidam somente para atender a cobranças sociais, constituírem família por acreditar que não tiveram uma suficientemente boa e/ou, pior, para ter quem cuide delas na velhice – o que, convenhamos é no mínimo egoísta.
Como tudo na vida, quando estamos cientes de nossas escolhas (e motivações) e de suas consequências, a jornada se torna mais agradável. Portanto, gurias, não deixem de se perguntar nunca: quero ter um filho ou um bebê para fazer fotos engraçadinhas e postar nas redes sociais? E boa viagem, seja lá para que lado for...
Por Mônica Montone, é escritora, autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014
8 coisas que pais adotivos jamais devem fazer
Pin it (Brasil Post)
Por Ann Brenoff
Publicado me 14.11.14 pelo Brasil Post
Sou mãe de duas crianças incríveis nascidas na China. Adotamos Sophie quando ela tinha 5 anos - agora ela tem 17. Simon tinha 4 quando o adotamos; hoje ele está com 14. Baseada na minha experiência, eis oito coisas que pais adotivos jamais devem fazer.
1. Contar a história do seu filho para todo mundo.
As circunstâncias que levaram seu filho a ser adotado são parte da história dele. A história não é sua e, portanto, você nada mais é que a fofoqueira da cidade se sair falando do assunto para qualquer um que perguntar. Vivemos em uma cultura que incentiva o compartilhamento, mas não é da conta de ninguém se a mãe de sua filha era uma adolescente de 16 anos que largou o bebê num restaurante de hotel frequentado por americanos para que ele fosse encontrado e levado para os Estados Unidos.
Assumo a culpa por ter falado demais. Uma das coisas que compartilhei além da conta foi a história dos meus filhos. O fiz com a mais nobre das intenções: passei anos desfilando meus filhos com a esperança de que outras pessoas também adotassem. Estava errada, por mais honrada que fosse minha missão. Me emendei. Hoje em dia, você pode conhecer meus filhos, ver o quão incríveis eles são. Mas, se eu sentir curiosidade da sua parte, corto logo de cara. Vou me gabar das conquistas deles. Mas as histórias? São deles, e confio no julgamento dos meus filhos para decidir se elas serão compartilhadas, e com quem.
2. Negar que você é egoísta ou fingir ser abnegada.
Odeio pessoas que dizem "Deus abençoe" para mim quando veem nossa família. O que elas querem dizer, na realidade, é que eu devo ser alguma alma bondosa que resgatou esses dois pobres órfãos. Esse tipo de pensamento é ofensivo - e completamente equivocado.
Para começar, adotei meus filhos porque queria uma família, e a adoção internacional era a única alternativa possível para mim. Não foi um ato de abnegação que me levou a ser mãe; te garanto que agi somente em interesse próprio. Em segundo lugar, não resgatei ninguém. Na verdade, como dizem muitas mães adotivas, nós é que fomos salvas, não o contrário.
3. Agir como se eles não tivessem tido pais antes de você.
Meus filhos nasceram de outras pessoas. É natural que eles queiram saber quem são seus pais naturais, onde eles moram, porque decidiram doá-los. É um buraco negro no coração de toda criança adotada que precisa ser preenchido com a luz do sol. Não sinto inveja nem raiva quando minha filha acende uma vela no bolo de aniversário para lembrar da mãe biológica. Não enlouqueço quando ela escreve um bilhete para a mãe e o guarda numa caixa secreta. Digo para meus dois filhos o que eu realmente sei sobre suas famílias, o que não é muito, infelizmente. Não especulo nem conto mentiras só para que eles se sintam melhor. E, se meus filhos decidirem se juntar aos milhares de outros chineses adotados que estão começando a buscar suas famílias biológicas, darei todo apoio.
Sou plenamente ciente de que, para que eu tivesse a minha família, duas mulheres do outro lado do mundo sofreram uma perda terrível. Não consigo imaginar a dor delas. Não sei o que lhes diria. Mas não vou ignorar sua existência.
4. Esperar gratidão ou apreciação por tê-los adotado.
Você pode esperar que uma criança adotada aprecie tudo o que você faz por ela, incluindo o rodízio para levá-la à escola e as incontáveis apresentações de dança que você teve de aturar - e o mesmo vale para um filho biológico. Mas você não pode nem deve esperar que eles sintam gratidão por terem sido adotados. Eles foram uma parte da transação sem direito a voz. Foram os bens negociados. Nunca puderam dar opinião sobre o que estava acontecendo com eles ou sobre o que seria seu futuro.
Sei que minhas crianças se perguntam como teriam sido suas vidas se elas não tivessem sido adotadas. Eu também penso nisso. De maneira geral, sei que eles estariam bem, pois ambos são sobreviventes. A adoção, para eles, foi uma troca. Ter a oportunidade de ter uma família significou abrir mão da cultura, da língua e de tudo o que era familiar para eles - comida, rostos, amigos --, literalmente da noite para o dia. A gratidão é uma faca de dois gumes.
5. Dizer que você "nasceu" para ser pai ou mãe de seu filho adotivo.
Muitos pais e mães adotivos procuram ligações com a criança que adotaram. Entendo essa necessidade. O que não entendo é o desprezo pelos pais biológicos das crianças. Se você "nasceu" para ser mãe da criança, porque outra mulher a deu à luz? Será que foi um plano perverso de Deus causar sofrimento a uma mulher da Guatemala, da Coreia ou do Kansas só para que você pudesse ser feliz?
Acredito que há maneiras de demonstrar o quanto amamos nossos filhos. Digo aos meus o tempo todo que eles são a luz da minha vida, que sou honrada de ser mãe deles, que os amo mais do que minha própria vida. Mas passo longe do sobrenatural ou da intervenção divina. O que nos uniu foi um burocrata chinês casando dossiês de pais com papeis de órfãos. Nada mágico.
6. Tratar mal os idiotas.
Tenho pavio curto e, como escritora, disponho de um enorme arsenal de palavras. É sempre tentador ser grossa com os idiotas que fazem perguntas pessoais sobre seus filhos. Mas, antes de adverti-lo a não fazer esse tipo de coisa, permita-me pedir desculpas à mulher no supermercado que, em 2004, viu minha filha chinesa sentada no meu carrinho e me perguntou se o pai dela era asiático. Minha resposta: "Não sei, não reparei direito na cara dele, se é que você me entende (piscadinha)". Bom, é claro que ela saiu andando.
Me arrependo de ter me comportado assim. Me arrependo por uma única razão: milha filha viu tudo. Apesar de ela não ter entendido o sarcasmo, ela pegou o tom. A vida é curta demais para responder a idiotas.
Quem adota crianças que não se parecem consigo sempre vão ouvir perguntas. Algumas são difíceis de engolir. "Quanto ele custou?" "Por que você não adotou uma criança americana?" "Ela fala asiático?" (Por onde começar a responder uma dessas?)
Você não deve explicações a ninguém. Aprendi a lição e a ensinei aos meus filhos: a história é deles. Eles podem falar o quanto quiserem, mas não têm obrigação de responder para ninguém, mesmo que seja um adulto ou um professor quem estiver perguntando. Sim, professores são os piores na hora de invadir privacidade.
Meus filhos e eu agora respondemos as perguntas com outras perguntas. "Por que você quer saber?" geralmente serve para acabar com a conversa. Ou então explicamos que não queremos falar do assunto. "Considero sua pergunta muito pessoal." Dá vontade de gravar a reação de um adulto quando ele ouve isso de uma criança de cinco anos. É muito engraçado.
Mas a regra de não ser grossa com idiotas tem uma exceção. Essa não pode passar em branco: "Por que você não adotou uma criança americana? Muitas crianças americanas precisam de uma casa".
É uma pergunta que costuma ser feita por ignorantes. Crianças americanas são adotadas o tempo todo logo depois do nascimento. Crianças americanas mais velhas às vezes entram no sistema de assistência social - um processo considerado frustrante por muitas famílias que querem adotar. Mas, mais importante, a pessoa que fez a pergunta não tem nenhum interesse em informações sobre adoção e provavelmente está só acenando com uma bandeira patriótica na sua cara.
7. Pensar em seu filho como um filho adotivo.
Ele é seu filho. Ponto. Toda criança, não importa de onde tenha vindo, é parte da sua família. Filhos adotivos não deveriam ter esse adjetivo. Alguns podem ter problemas ligados ao fato de que foram adotados, mas a maioria, não. É melhor para todo mundo se você parar de achar que qualquer problema de desenvolvimento tem a ver com a adoção. Crianças hiperativas, adolescentes rebeldes, filhos com dificuldades para ler - nem tudo está relacionado à adoção e tudo vai ficar mais fácil se você aceitar isso.
8. Achar que dá para devolver um filho adotado.
Criar filhos - biológicos ou adotados - é o trabalho mais difícil da sua vida. Quando você dá à luz seu filho, a ideia é que você vai amá-lo e lidar com qualquer problema de saúde ou de desenvolvimento que ele venha a ter.
A ideia deveria ser a mesma nas famílias que adotam. Mas existem uma coisa chamada ruptura na adoção que me deixa nauseada. É quando uma família adota uma criança mas não dá conta dela - e aí tenta encontrar caminhos (geralmente online) para passá-la para outra família.
A Reuters publicou uma reportagem a respeito um ano atrás. Muito do problema está relacionado à falta de apoio para as famílias, que claramente não estão preparadas para as crianças. Também culpo as agências de adoção por não fazerem uma seleção mais rigorosa dos que se candidatam a adotar.
Mas o que me aterroriza é a ideia de que pais anunciem seus filhos indesejados na internet e driblem o governo para passá-los para outras famílias. Que tipo de dano acontece quando uma criança passa de casa em casa?
A adoção é só um meio para trazer uma criança para sua família. Não conheço classificados online para crianças biológicas, então como é possível que eles existam para crianças adotadas?
Muitas partes do processo de adoção não se parecem em nada com dar à luz uma criança. Mas uma coisa deveria ser idêntica: nossos filhos são nossos filhos para sempre.
Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.
Fonte: http://www.brasilpost.com.br/ann-brenoff/8-coisas-que-pais-adotivo-jamais-devem-fazer_b_6152252.html?utm_hp_ref=brasil-familia
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Idade não define e nem traz maturidade
Tumblr
Por Cintia Liana Reis de Silva
O norte ameriano Murray Bowen, pai da psicoterapia
de família e do pensamento sistêmico-relacional, criou uma teoria que explica o processo da progressiva autonomia individual como
consequência do movimento da “separação” da própria família de origem.
Bowen disse
que existe uma força vital, chamada de diferenciação, que é a capacidade
instintiva que impulsiona o ser humano a amadurecer e a tornar-se uma pessoa
emocionalmente independente da família, apesar de que ninguém nunca será capaz
de adquirir uma completa independência emocional em relação a ela. Esse
fenômeno de diferenciação do self pode se iniciar na adolescência, durar por
várias décadas e às vezes não se conclui nunca. Por outro lado, o sentimento de não pertencimento significa uma
pseudo independência. O corte emotivo e o afastamento da família de origem é um problema que precisa ser resolvido, pois traz
grandes conflitos à vida do sujeito.
Bowen criou uma escala de
maturidade e nessa escala ele explica e define os níveis de maturidade, que não
estão relacionados à idade ou a experiência de vida, mas que são passados de
pais para filho, ou seja, quanto maior é o grau de
maturidade dos pais, maior poderá ser o grau de maturidade dos filhos. A diferenciação básica é amplamente determinada por um processo emocional multigeracional. Ele fala de
possibilidades e não generaliza em nenhum momento.
A criança e o adolescente são altamente influenciados pelos pais,
pela forma como vivem, se relacionam, reagem, etc, e ele aprende a viver a
partir desses primeiros modelos, mas não só do exemplo de comportamento, mas
principalmente aprende a usar o mesmo repertório emocional, o sentimento
empregado, os pensamentos, crenças, fantasmas e mecanismos intrapsíquicos.
No nível mais baixo da escala de
diferenciação de Bowen, por exemplo, está quem depende totalmente dos
sentimentos que os outros vivenciam em relação a ele e não se encontra capaz de
diferenciar afeto de intelecto, cresce dependente da massa do Eu familiar com
uma identidade emotiva conglomerada,
ao longo da vida atrai outras relações de dependência das quais possa pegar
emprestada a força de que precisa para funcionar. São pessoas solitárias,
ansiosas, não sabem se relacionar de modo equilibrado e satisfatório com o
mundo, e tem um forte sentimento de inferioridade, não cria relações duradouras
e se sente desconfortável nelas. São pessoas que agem sempre no intuito
de ir contra a opinião dos outros, normalmente são crianças nascidas em
famílias desarmoniosas, com um alto grau de tensão, com pais desatentos e
imaturos. Esses indivíduos quando crescem têm como repertório de valores e
crenças opor-se a crença dos outros, são negativistas e contraditórios.
Mas o que é maturidade? É a capacidade de seguir seus próprios valores e princípios, atingindo os
objetivos que se propõe, é ser responsivo, assumindo total responsabilidade
sobre si e suas próprias ações. É ter um senso bem apurado de justiça, ser ético, humilde, conseguir
ser racional e menos reativo, não ser levado por emoções negativas.
É o que eu, como psicóloga, entendo como felicidade: é esse estado constante de
tranquilidade e segurança, a capacidade de agir com sabedoria diante de todas
as coisas.
Maturidade também se refere ao grau de
autoconhecimento, ou seja, quanto mais alguém se conhece, também conhecerá seus
pontos fracos, suas dificuldades emocionais, suas feridas infantis e no que
precisa melhorar e assim terá uma melhor qualidade na relação com o mundo e com
as pessoas que o cercam; criará bons filhos e com eles terá uma relação muito nutritiva; se sentirá confortável em qualquer lugar e em qualquer companhia, pois
conhece seus limites, desenvolveu uma boa auto estima e um bom senso de valor
de si mesmo. Não precisa de bebidas ou drogas para se sentir seguro. Quem é
diferenciado procura enxergar seus modelos familiares
intergeracionais adoecidos e
emaranhados, aquilo que ele quer levar e o que ele quer abandonar em
relação a sua própria família, e entende que pode fazer melhor do que os seus
pais fizeram, melhorado as futuras gerações.
Idade não define mesmo maturidade. Podemos, por exemplo, observar uma pessoa de 35 anos com um alto grau de autoconhecimento,
que consegue aceitar e respeitar os outros e com uma vida conjugal feliz,
formando um casal coeso, como podemos também encontrar uma pessoa de 65 anos
dependente dos pais ou de sua imagem, reativa, com um grande sentimento de
inferioridade, que não consegue aceitar os outros, que expressa um
comportamento negativo e rebelde e que não sabe se relacionar com nenhum
parceiro. Eles repetem com o mundo a relação que têm com eles mesmos. Quanto
mais nos conhecemos, nos respeitamos e nos aceitamos, mais conseguiremos
conhecer, respeitar e aceitar os outros. O mundo é um espelho de nós mesmos,
ele é conosco do mesmo modo que somos com ele.
Se desenvolver e
melhorar aspectos do caráter, personalidade e temperamento, é um processo contínuo, caso seja positivo o desejo de continuar crescendo. As experiências podem ajudar nesse processo de
crescimento, mas cada um passa pelas situações e as usa a seu modo. O olhar de
cada observador deforma a realidade, ninguém vivencia os mesmos fatos da mesma
forma, pois os seres humanos têm referenciais diversos.
Conhecer bem a história da própria família e de seus antepassados abre estradas e recursos internos inovadores, se abre uma nova consciência existencial de pertencimento e ao mesmo tempo de independência. Fazer terapia com a perspectiva familiar é um ótimo modo para se conhecer a
fundo partindo da família, para mudar paradigmas e melhorar a vida, mas além do autoconhecimento, o
estudo, o conhecimento geral também pode ser algo que amplie o Universo de uma
pessoa, ou seja, quanto mais existir a busca do conhecimento, nas áreas humanas
em especial, mais o seu repertório se amplia e assim a sua vida emocional se
enriquece, deste modo se pode melhorar a relação consigo mesmo e viver
emocionalmente de modo muito mais confortável no mundo.
Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar.
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
Fazer terapia é um luxo!
Tumblr
O termo
terapia significa relação de ajuda e psicoterapia relação de ajuda através do
psiquismo. O profissional habilitado para fazer a psicoterapia é o psicólogo
que tem formação na área.
A mente
humana é um enigma onde podem ser encontradas todas as respostas para os
aspectos da vida do homem, os motivos de seus problemas, infortúnios, escolhas
mal feitas, padrões de comportamento, falências, repetições de erros, relações
conflituosas, problemas com os filhos, etc. Todos esses mistérios podem ser
desvendados com cuidado, com o desejo do terapeutizando em um processo
contínuo, sério, de investimento emocional, de tempo e na frente de um
profissional competente e ético.
Ainda
existem muitos preconceitos em relação a terapia e a quem se submete à ela, mas
em alguns círculos sociais fazer terapia é sinal de inteligência e maturidade.
Em alguns Países já virou moda e sinônimo de elegância, trazendo um certo
status social.
A
verdade é que quem se submete a um processo de autoconhecimento no mínimo quer
se confrontar, não se acomoda em se conhecer pouco, como a maioria das pessoas.
Quer cuidar e se sentir bem consigo mesmo sem artifícios: como fazer fofoca e
nutrir curiosidade pela vida alheia para achar que a sua vida é um pouco melhor;
comprar para se sentir mais valorizado; beber e usar drogas para se sentir mais
seguro; ser arrogante ou se sentir falsamente mais inteligente ou especial para
e sentir menos inferior ou mostrar aos outros que possui bens materiais para se
sentir mais importante.
Na
terapia se pode construir um self mais sólido, pois se adquire uma visão sócio
histórica mais consciente de si mesmo e se entende que a autovalorização é algo
que vem de dentro para fora e não de fora para dentro, que o se sentir bem é
uma busca de quem se é de forma franca, se aceitando, se respeitando, se
sentido responsável por sua própria vida e capaz de mudá-la e isso inclui o
reconhecimento da própria família, da própria história, da própria identidade,
das próprias feridas infantis, dos dilemas, fragilidades, traumas, faltas,
carências e dores.
Problemas
físicos também podem nascer das dificuldades e contratempos emocionais, como
febres sem motivo, dores do corpo, problemas respiratórios, de pele,
gastrointestinais, dificuldade em engravidar e muito mais. Existem várias áreas
da psicologia que tratam esse sintomas físicos como a psicossomatização, a
biossíntese, a bioenergética... O corpo é um reflexo da mente, dos sentimentos.
De
acordo com a teoria de sistemas familiares e do teórico Bowen existe uma força
vital que é a diferenciação. É uma capacidade instintiva que impulsiona o ser
humano a amadurecer e a tornar-se uma pessoa emocionalmente independente da
família, apesar de que ninguém nunca será capaz de adquirir uma completa independência
emocional em relação a ela. Mas quanto maior é o grau de maturidade dos pais,
maior poderá ser o grau de maturidade dos filhos, ou seja, a diferenciação
básica é amplamente determinada por um processo emocional multigeracional.
Mesmo assim, o indivíduo pode chega num ponto onde começa a ver mais claramente
os seus modelos familiares intergeracionais adoecidos, o emaranhado familiar,
aquilo que ele quer levar e o que ele quer abandonar em relação a sua própria
família, e entende que pode fazer melhor do que os seus pais fizeram, melhorar
as futuras gerações, se tornado menos reativo e mais responsivo, com a
capacidade de pensar, sentir e agir por si mesmo e só após essa tomada de
consciência é que ele estaria em grau de ter filhos e educar um outro ser
humano.
Idade
não determina e nem traz maturidade. Algumas pessoas podem ficar paralisadas no
tempo, com uma baixo nível de diferenciação. São pessoas reativas, ansiosas e
solitárias, não criam relações duradouras e se sentem desconfortáveis nas
relações. Podem se sentir secretamente superiores para encobrir o sentimento de
infelicidade, inferioridade e vazio. São pessoas que agem sempre no intuito de
ir contra a opinião dos outros, normalmente são crianças nascidas em famílias
desarmoniosas, com um alto grau de tensão, com pais desatentos e imaturos.
Esses indivíduos quando crescem têm como repertório de valores e crenças
opor-se a crença dos outros, são negativistas e contraditórios.
A
terapia facilita e promove esses processos maturacionais, pois nela exercita o
olhar voltado para si mesmo e vê não só o que ele quer mas também o que ele não
gostaria de ver, a sua parte sombra, a sua imaturidade, dependências, vícios
cotidianos, como de fato está educando seus próprios filhos e enxerga o que ele
passou a vida escondendo dele mesmo e dos outros, caem suas máscaras sociais aprendidas, se questiona os
padrões familiares internalizados. O paciente aprende a comunicar e traduz em
palavras o que o incomoda nos outros e em si mesmo e vai entendendo os seus
sentimentos, de onde vêm e quais são as suas causas.
A
partir dessa tomada de consciência o paciente se liberta de muitas amarras
invisíveis, o funcionamento do seu self se torna menos dependente do suporte e
da aceitação dos outros e pode aprender a se relacionar de um modo mais
confortável e a se comportar como sempre teve vontade, mas não conseguia, se
permitindo crescer.
Resumindo,
fazer terapia é para os “fortes”, afinal se olhar no espelho “nu e cru” não é
algo para os “fracos”. Os fracos fingem não ter dificuldades, já os fortes
querem vê-las, enfrentá-las e superá-las. Enfim, fazer terapia é um luxo!
Por Cintia Liana Reis de Silva
Marcadores:
maturidade,
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terapia,
terapia de família,
terapia familiar,
terapia sistêmica
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Mães conscientes. Feliz dia das boas mães!
Cintia Liana
08 de maio e 2013.
Hoje é dia das mães aqui na Itália (08 de maio) e domingo será no Brasil.
O maior mal da humanidade de todos os tempos é a falta de amor e o abandono. O abandono me refiro a todos os níveis, até na falta de sensibilidade e cuidado em olhar o filho ou até mesmo em não dispor de tempo para tal ato, ou não conseguir entender a fragilidade de uma criança. E muitas delas, ao nascerem, já estão completamente vulneráveis, ao se tornarem verdadeiras vítimas de adultos mal educados, violentos e imaturos - em geral, esses também foram vítimas de seus pais - que as colocam no mundo só com o objetivo de suprirem as suas próprias necessidades, repetindo modelos familiares adoecidos, perpetuando a dor e o sofrimento. Emocionante é quando alguém consegue romper com esses modelos, diferenciar-se, individuar-se e ser feliz.
Não dou feliz dia das mãe a todas as mães, porque nem todas são boas, existem várias formas de ser mãe e nem todas sabem amar ou amam de fato os seus filhos. Desejo feliz dia das mães àquelas que honram esse nome, o nome MÃE, biológicas e adotivas, aquelas que sabem amar e dar ao filho o que elas têm de mais valioso, paralelamente na busca de se tornar um ser humano muito melhor.
Hoje é o meu primeiro dia das mães.
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psicologia e maternidade
segunda-feira, 11 de março de 2013
Quando nasce uma nova mãe
Tumblr
Por Cintia Liana Reis de Silva
Após o parto, a mulher, ao mesmo que tempo que vive um momento especial, feliz, tenso, delicado e se vê por horas perdida tentando se encontrar neste novo cenário em meio ao choro do bebê nas horas em que menos espera, é “obrigada” a continuar a viver dentro das regras sociais, segundo, normalmente, o que esperam as pessoas ao seu redor.
Com o nascimento do filho, a mulher entra num mundo desconhecido, cheio de novas sensações, boas e assustadoras, mas que são reais e naturais. O corpo muda por algumas semanas e até meses e algumas mulheres nem se “reconhecem” mais.
No caso do parto cesário, a cicatriz inicialmente é um símbolo traumático e agressivo, já que é uma intervenção cirúrgica desnecessária, em virtude do parto natural ser o processo gravado nas mais subjetivas células do corpo e nas profundezas da mente como o natural, ainda mais para a mulher que espera parir naturalmente e tem que fazer um parto cesário de urgência por algum motivo.
Subitamente, após o nascimento do filho, sobretudo o primeiro, ocorre uma desestruturação física e emocional onde se perde os instrumentos que se usa para construir a identidade, como o trabalho, o divertimento, o contato social, substituídos pelas solicitações de um novo ser, pequeno e frágil.
A mulher puérpera começa a ver o mundo com “os olhos do bebê“, tem a capacidade de sintonizar-se na mesma frenquência dele, por isso consegue interpretar suas necessidades e, por vezes, sente-se em um outro mundo, está sensível emocionalmente e tem sentimentos confusos. Pode entrar em processos regressivos e estar mais sensível e intuitiva. No puerpério acontece uma abertura no espírito (GUTMAN, 2008).
Nos dias de hoje a mãe, mesmo com todas essas sensações, é obrigada a voltar para o mundo do trabalho como se nada tivesse acontecido, sufocar suas fragilidades e negar a necessidade de estar conectada 100% com o seu bebê. Isso gera um conflito: a profissional que deseja sentir-se a mesma com o trabalho e a mãe que deseja estar com o filho, num mundo onde existem pouquíssimos lugares confortáveis adaptados para os dois. Essa mulher deve aprender muitas coisas novas, incluindo como locomover-se com a criança (GUTMAN, 2008).
A nova mãe, incluindo as adotivas, quando está em meio a pessoas, e seu pequeno filho chora, antes dela poder observá-lo e tentar sentir o que ele necessita já tem duas ou três pessoas opinando e dizendo: “ele deve estar com cólicas!”, “será que está com fome?”, “ele está com sono!”, como se o choro do bebê fosse desconcertante, e é, já que as pessoas se sentem intimamente incomodadas, deixando a mãe agitada e nervosa. Ao invés disso, deveriam aceitar o choro como algo natural e deixá-la tranquila, encarregada de reconhecer e satisfazer as necessidades do bebê.
Com todas essas mudanças e possíveis desorientamentos na vida de um ser humano, ao invés de se disparar conselhos e críticas por toda a parte como se ela não soubesse o que fazer, a mãe puérpera ou a que acabou de adotar, precisa de contenção afetiva, acolhimento, compreensão e aceitação das suas próprias emoções. Os conselhos muitas vezes são inúteis, pois se deve levar em consideração a história emocional e familiar, os modelos intergeracionais de cada mulher, suas necessidades que provém do lugar mais profundo de seus corações, suas fragilidades, dificuldades, medos, resistências em seu ser adulto e infantil e ajudá-la a descobrí-las e não querer moldá-la, julgá-la ou fazer com que se comporte de acordo como espera a sociedade, a mãe ideal e imaginada e, ao mesmo tempo, irreal.
Quem vê de fora não consegue compreender o universo em que essa mulher está imersa e nem entender o mundo daquele pequeno ser que acabou de nascer. Os estudiosos do fenômeno fusional explicam que entre mãe e bebê se estabelecem leis incompreensíveis à lógica racional, mas que são normas para a tranquilidade dos dois (GUTMAN, 2008).
Médicos, familiares, amigos e vizinhos, muitas vezes tentam opinar, interpretar com olhos de “adultos”, pensando que estão ajudando, mas ao contrário disso causam um bruto impacto pessoal, uma sensação de antipatia e falta de respeito para a mulher que está construindo a identidade de mãe. Melhor seria oferecer informações ao outro como indivíduo único e diferenciado e ajudá-la a reconhecer, acolher e aceitar as suas necessidades e a sua intuição. E não impor que a mulher “seja como todo mundo e volte ao normal”, num mundo onde tudo corre na velocidade da luz, mas respeitar o seu novo ritmo, o seu silêncio e que ela acolha do modo que achar mais amoroso o seu filho, aquele novo ser que ela está aprendendo a amar.
Artigo da psicóloga Cintia Liana Reis de Silva publicado no site Indika Bem no dia 07 de março de 2013.
link: http://indikabem.com.br/psicologia/quando-nasce-uma-nova-mae/
GUTMAN, Laura. La maternità y el incuentro con la propria ombra. Buenos Aires: Editorial Del Nuevo Estremo, 2008.
sábado, 12 de novembro de 2011
Felicidade é autoconhecimento
Cintia Liana
Por Cintia Liana Reis de Silva
No fundo, bem lá no fundo dá muito medo ser feliz, medo de ter e perder, a psicologia explica. Mas ser feliz é autoconhecimento. É escolha, é preciso entender o propósito, entrar em contato com nosso merecimento e trabalhar nossos sentimentos de culpa.
No fundo, bem lá no fundo dá muito medo ser feliz, medo de ter e perder, a psicologia explica. Mas ser feliz é autoconhecimento. É escolha, é preciso entender o propósito, entrar em contato com nosso merecimento e trabalhar nossos sentimentos de culpa.
Ser feliz nada tem a ver com momentos. Felicidade é conquista de maturidade, é instituir espaço para essa presença na vida, rever prioridades, se policiar, se esforçar com dignidade.
É aprender a estar no mundo com razão e coração na medida certa, sim, na medida certa, e porque não?
È diferenciar-se, individuar-se, trabalhar os padrões familiares. É ser flexível, dar e dividir com jóia. Duvidar das próprias convicções, mudar. É uma maravilha mudar, é liberdade em si mesmo.
É aprender a conviver e mergulhar nos nossos próprios dilemas e dores sem aceitar ser vítima de nada e nem de ninguém. É se livrar das próprias amarras, da hipocrisia, trabalhar a inveja. É encontrar novos rumos, ter esperança e estar consciente de todas as escolhas com a noção da nossa responsabilidade sobre tudo, sobre o nosso futuro.
É fazer questão da ética e da virtude, buscar ter tolerância para lidar com as pessoas. Ser forte, espalhar ternura, mesmo sem encontrá-la fora. É acreditar no milagre do amor.
É se amar, se aceitar, se gostar na perfeita imperfeição, sentir com encanto que não há, em nenhum lugar do mundo inteiro, alguém igual a você, cheio de mistérios a serem descobertos, alguém cheio de infinitas e belas possibilidades.
O mundo inteiro está dentro de nós mesmos, todas as respostas, todas as conquistas, basta olhar dentro para ser feliz.
Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar e adoção. É autora do livro "Filhos da Esperança" e dos blogs http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com/ e http://www.finapresenca.blogspot.com/. Ela vive na Itália.
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Por Cintia Liana
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