"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sábado, 16 de abril de 2016

O "milagre" das constelações familiares e como elas podem mudar destinos

We Heart it

16 de abril de 2016

Por Cintia Liana Reis de Silva

Conheci há alguns anos, mas só há algumas semanas venho lendo muito e me aprofundando ainda mais no método terapêutico fenomenológico das constelações familiares do psicanalista, pedagogo, teólogo e filósofo alemão Bert Hellinger e posso parecer meio categórica, mas sou formada em psicologia desde 2000, especialista em psicologia sistêmica familiar, expert em adoção e venho trabalhando com a "cura da alma" do ser humano há todos esses anos e, após ter constelado, há quase uma semana, posso dizer que para mim, até o momento, não há método mais curativo e rápido. Estou tão encantada com as descobertas de Hellinger que mês que vem iniciarei o curso de formação aqui Roma.

O trabalho de constelações familiares se propõe a mudar destinos tristes e a restabelecer as ordens do amor na família, assim o sofrimento se acaba nas gerações atuais e nas futuras, liberando a todos os que vieram, os que estão e os que virão. Acredito que todas as famílias têm seus pontos a serem curados.

A essência do trabalho de Hellinger é o amor e depois a gente vai entendendo a força que esse amor tem e como ele é capaz de curar. Hellinger, nascido em 1925, com 64 livros escritos e traduzidos em todo o mundo, explica que cada pessoa vive um destino já traçado pelo inconsciente familiar e cada pessoa está presa a esse destino, o que ele chama de enredamento. E esses destinos são repetições de histórias já vividas e trazidas há muitas gerações precedentes, histórias de sofrimentos, dúvidas, dores, medos, limitações, bloqueios, separações, abandono de filhos, problemas de infertilidade, abortos, pessoas excluídas, dependências de álcool ou drogas, problemas financeiros, dívidas, problemas conjugais, abusos, violência, incestos, doenças de ordem física e mental, tragédias, assassinatos, suicídios, acidentes, brigas, desavenças entre irmãos, conflitos com filhos e essas repetições ocorrem como uma forma de buscar uma falsa compensação. Por exemplo, uma família que tem um homicida futuramente perderá um ente assassinado, para cumprir algo que ele chama de consciência de clã. Ou um casal que "compra" uma criança de uma família pobre para adotá-la depois perde um filho biológico em uma fatalidade. Uma herança mal dividida também terá graves consequências futuras. Ele diz que a liberdade de cada um é limitada porque todos os atos exigem consequências e essas consequências já são predeterminadas e aparecem nas gerações futuras. As repetições acontecem também em forma direta e similar, como doenças e outras situações que caem igualmente de geração em geração, na vida de filhos e filhas, que vivem cenários iguais aos dos pais, dos avós, bisavós, como se tivesse uma força que os faz seguir esse mesmo destino, sem conseguir mudá-lo, mesmo com a consciência e com todos os esforços para seguir outra estrada.

O fato é que ele descobriu que se pode evitar que essa sucessão do repetições desnecessárias e sofridas, que só trazem mais dor, chamada de compulsão sistêmica de repetição, pode acabar quando se restabelece as ordens do amor, ou seja, na forma de um ritual em uma terapia, com uma representação em que a pessoa constelada participa em um grupo com outros desconhecidos e um constelador.

O constelador diz para o constelado em pouquíssimas palavras escolher o que ela quer trabalhar, qual é a dificuldade vivida e sentida e delega que ela pegue aleatoriamente no grupo algumas pessoas que representarão os seus familiares. Familiares esses que podem estar envolvidos nesse conflito. Após as pessoas serem escolhidas, e sem saberem nada sobre a vida do constelado, se incia o movimento dentro do campo familiar (morfogenético). Cada representante, que também está ali com o mesmo objetivo de constelar e de resolver seus problemas, começa a se mover e a ir na direção de um ou outro, sentindo uma força que o guia. Também inicia a ter sensações que começam a ser "lidas" pelo constelador, explicando de onde vem o problema, de que geração, por qual motivo ele está ali e até segredos vêm a tona, revelando outras coisas que vão sendo resolvidas. As respostas ficam claras.

Quem representa, de alguma forma, "constela" indiretamente naquele momento também, e tem seus insights, seus momentos de iluminação, de aprendizado, vivendo aquele papel no campo, pois não é a toa que ele lhe foi dado, foi exatamente porque tem algo a ver com a sua história.

Um workshop de constelações dura o dia inteiro e a constelação e o fechamento de cada um do grupo vai de 20 minutos a 1 hora mais ou menos, e se dá quando o constelador pede para o constelado ou para o representante do constelado repetir frases em forma de um ritual de cura, que tem como base um sentimento de libertação e liberação, motivando o constelado a seguir o seu próprio destino, a perdoar, a se desenredar dos prolemas antigos, que são de outras pessoas mais velhas da família, ou até de pessoas já mortas e, a partir daí o constelado já começa a sentir algo diferente. A cada novo dia que ele acorda o sentimento de liberdade é mais forte e com o passar do tempo já se vê tudo de modo mais leve, superando os problemas que antes lhe pesavam demasiadamente nos ombros. Problemas esses que não eram seus e sim do campo familiar, que o escolheu para carregar adiante, e ele, até então, não conseguia se libertar desse papel até constelar.

Eu, particularmente, na constelação trabalhei alguns medos, e tive a confirmação de que esses medos e sentimentos provinham de um evento traumático ocorrido em minha família há mais de 25 anos, em uma geração antes da minha e, após constelar, percebi que todos os sentimentos e lembranças ligadas àquele momento foram tomando outros lugares em minha vida emocional, restabelecendo as ordem, os lugares certos, de modo que os medos foram se dissolvendo e hoje eu sinto que sou a dona do meu destino e tenho força sobre ele.

A propósito, na oportunidade também levei uma ex-paciente minha para constelar, uma alcoolista. Há uma semana ela não bebe. Mas, obviamente, eu e o constelador a aconselhamos a não parar por aí o seu processo de cura.

Hoje existe em mim uma enorme gratidão por Bert Hellinger e por toda a riqueza de seus ensinamentos, desse método que ele deixará para a humanidade. Escrevi esse texto para retribuir o amor que estou sentindo por ele, pela compreensão que hoje tenho da humanidade, pela vida, pela mansidão que estou adquirindo, pela serenidade que está se erradicando em mim, para também contribuir positivamente de algum modo na vida de quem quer mudar, parar de sofrer e ser dono do próprio destino. Não posso guardar isso só para os mais íntimos, já que tenho tanto carinho por tantas pessoas e por pessoas que nem conheço pessoalmente, já que tenho tanta certeza da minha missão, da responsabilidade do meu trabalho, já que tem tantas pessoas que me pedem conselhos, ajuda, uma palavra amiga, hoje vos aconselho a não desistirem,  pesquisem sobre a obra de Bert Hellinger e, na hora certa, tenham a coragem de constelar. Não tenham medo de serem felizes por inteiro.

Por Cintia Liana Reis de Silva

Após 8 meses a ex-paciente continua sem beber e a sua alegria e motivação continuam intactos.

Indicação para primeira leitura:
Constelações Familiares, o reconhecimento das ordens do amor. Bert Hellinger, Editora Cultrix, 2001.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Terapia familiar sistêmica: a terapia que mudou a minha vida


Por Carolina Vila Nova
Constelação Familiar Sistêmica é uma terapia criada pelo psicanalista alemão Bert Hellinger, que ocorre de forma energética e fenomenológica.  A terapia acontece em um local onde haja espaço para um grupo de pessoas e sua movimentação. Há um terapeuta que comanda a sessão, chamada de Constelação. Pouco é falado pelo terapeuta.  E menos ainda pela pessoa constelada (o paciente). A sessão ocorre em forma de movimentos: a energia surge do inconsciente do constelado e um grande fenômeno acontece.
O terapeuta pergunta ao paciente o que ele veio buscar ali hoje. O paciente responde, por exemplo, que precisa resolver um problema em seu casamento. O terapeuta solicita que a pessoa constelada escolha uma pessoa do grupo presente para representá-lo. A pessoa então escolhe alguém e posiciona a mesma no espaço que se tem para a constelação, denominado como campo (geralmente uma grande sala vazia, rodeada de pessoas sentadas à sua volta). O constelado se senta. Em segundos a pessoa que foi colocada no campo como representante começa a se movimentar. Esta pessoa simplesmente sente vontade de agir de uma determinada forma e o faz. Cada gesto tem um significado. E o terapeuta pode ler através desses gestos, os passos seguintes a serem executados. Mais pessoas vão sendo escolhidas, uma a uma, para representar a situação da pessoa constelada. No exemplo citado, se escolheria mais um representante para o cônjuge. Em seguida, representam-se os pais para o constelado e seu cônjuge. Filhos, irmãos e outros podem ser também representados. A ordem das representações e quem acabam sendo representados é sempre orientado pelo terapeuta.
O que ocorre é que os representantes no campo da constelação acabam agindo como atores mágicos, atuando como os personagens da vida da pessoa constelada. Podem-se ver pessoas chorando, gritando, dançando, falando, como se tivesse existido ali um roteiro criado e estudado da vida daquela pessoa. É algo tão real, que chega a parecer mágico.
Uma constelação pode durar trinta minutos, uma hora ou até uma hora e meia. Não existem regras. Existe um movimento energético que todos sentem e o terapeuta além de sentir, interpreta e guia. Através dos acontecimentos mostrados pelos representantes, o constelado vê a sua própria vida passando pelos seus olhos, mas sob uma nova perspectiva: do todo! A constelação familiar sistêmica leva sempre em consideração a importância dos membros da família: pais, avós, irmãos, filhos e netos, além de cônjuges, filhos adotados e quem mais pertencer aquele ciclo familiar. Ninguém nunca pode ser excluído. Ou veem-se as consequências de tal exclusão no mesmo meio familiar.
É possível se descobrir segredos através de uma constelação familiar, uma vez que toda a verdade que cerca a vida de uma pessoa e sua família está impregnada em seu inconsciente. E aí então se manifesta. Por exemplo: pode existir numa família uma criança que foi adotada, que não é legítima, mas que não foi apresentada como tal. Numa constelação, esta informação se revela. Bem como outras.
A constelação familiar é uma terapia intensa, surpreendente. Chega a ser chocante, tamanha verdade que se vê e o pouco que se compreende em sua manifestação. Não apenas a pessoa constelada se beneficia em sua sessão, mas todos os representantes que participam da terapia, pois os representantes acabam sempre sendo escolhidos energeticamente pelo inconsciente do constelado, de forma que aquela pessoa sempre terá alguma identificação em si mesmo com o que virá a representar no campo. Esta também se beneficia: se cura.
Segundo Bert Hellinger, não devemos tentar entender o que acontece numa constelação. Quando se tenta compreender, de alguma forma interrompemos ou atrapalhamos a energia que está no comando da situação. Como seres humanos, confusos e tão pequenos, afirmo que é muito difícil ver tamanha manifestação e não tentar compreendê-la. Mas aos poucos aprendemos a apenas aceitá-la e não mais entendê-la.
Quando uma sessão acaba, pode ser que a mesma tenha indicado uma tarefa a ser realizada, por exemplo: conversar com o cônjuge sobre algo do passado, que transformou aquela união em algo ruim. Ou pode ser que nada mais precise ser feito. A energia liberada ali continua se manifestando. E as mensagens trocadas naquele momento agem como se realmente tivessem acontecido com as pessoas reais ali representadas.
Quando eu mesma fiz a minha primeira constelação, fiquei em estado de choque por alguns dias. Descobri alguns segredos de mim mesma e de demais. Após duas semanas, comecei a perceber grandes mudanças em mim. Com o passar do tempo, percebi que as pessoas envolvidas em minha sessão também haviam começado a mudar em relação a mim e as minhas questões.
A mudança foi tamanha que constelei mais duas vezes, de meses em meses. Esta não é uma terapia que pode ser feita regularmente como a pessoa a ser constelada. Tem que se dar tempo ao tempo, literalmente. Como representante pode-se participar sempre.
Meses após minhas constelações, vi mudanças que nunca, nem como escritora, havia sonhado. Nem em meu pico mais alto de criatividade poderia ter inventado tamanhas reviravoltas em minha vida. Estas que me levaram a um estágio melhor de vida e consciência: autoconhecimento e aceitação. Resignação diante daquilo que é, do que não se muda.
Muito há para se falar da Constelação Familiar Sistêmica. Apesar de adepta à terapia, ainda sinto que apenas duas páginas para se falar do assunto é extremamente pouco. Mas enquanto não me especializo no assunto para a escrita do merecido e sonhado livro a respeito, fica aqui o meu testemunho e desejo, de que todos saibam da existência e poder desta viva terapia.
A Constelação Familiar Sistêmica, a meu ver, é a mais intensa, forte e viva terapia nos dias atuais. Para alguns pode ser que seja intensa e real demais. Ainda assim, vale a pena conhecer e falar com o terapeuta a respeito. E depois, talvez, se decidir por ela!
Fonte: http://www.contioutra.com/constelacao-familiar-sistemica-a-terapia-que-mudou-a-minha-vida/

sábado, 2 de abril de 2016

O que é uma Constelação Familiar?

Google Imagens

Por Marise Sampaio Dias


A Constelação Familiar, é uma abordagem psicoterapêutica,  criada por Bert Hellinger. Este trabalho, entre outras possibilidades,  conduz ao reconhecimento das "Ordens do Amor", tornando claros e evidentes os profundos vínculos que unem uma pessoa à sua família e à sua ancestralidade. 

Estamos ligados ao destino da nossa família, incluindo gerações muito distantes, não apenas por herança genética, mas especialmente por vínculos,  laços de amor e lealdade e por aquilo que simplificadamente podemos chamar de "consciência coletiva comum".  

Esta consciência coletiva busca equilíbrio gerando compensações sistêmicas, exigindo a reparação de injustiças cometidas dentro do sistema ou por representantes dele (nos casos de danos provocados a outrem); nesta "reparação"  membros da geração atual são levados inconscientemente a "tentar resolver" situações e/ou a completar  tarefas  que ficaram pendentes nas gerações anteriores.  

Deste modo, problemas que são vividos no presente, podem ter conexão com atuais ou antigos vínculos familiares e expressam, além das tentativas de reparação em busca do equilíbrio, aquilo que chamamos de "lealdades invisíveis".  

Isto é tão poderoso que não precisamos conhecer nem os fatos, nem as pessoas envolvidas, para sermos profundamente afetados pelos seus destinos.

A colocação de uma constelação revela a dinâmica geralmente oculta do sistema familiar. De modo simples e direto, as tensões, conflitos, vínculos e emaranhamentos (repetição de destinos trágicos ou difíceis) são trazidos à consciência.

A situação de vida do cliente, passa a ser vista portanto, a partir de uma perspectiva sistêmica, muito mais  ampla e profunda, do que a habitual visão de sua história biográfica. Com o conhecimento das ordens do amor e reconhecimento das leis que regem os relacionamentos -  as forças que atuam no sistema podem ser  então direcionadas para a cura.

Todos os membros do sistema precisam ser reconhecidos, respeitados e recolocados no seu devido lugar. Quando a ordem, a hierarquia e o equilíbrio sistêmico são reestabelecidos, o amor original pode fluir livremente trazendo consigo a solução que emerge no decurso de uma constelação. 

A força e a profundidade deste trabalho não pode ser descrita, mas é facilmente experimentada e reconhecida por todo aquele que coloca a sua constelação, ou deste processo participa enquanto representante ou observador. 

Muitos paradigmas precisam ser quebrados para que se possa compreender este trabalho de processo aparentemente tão simples. Não é tão fácil conceber que uma Constelação possa promover cura no passado, presente e futuro, desafiando a ideia preconcebida da nossa atuação no tempo e também no espaço: pois que através de representantes ou simples visualização, se pode intervir “naquilo” ou naquele que foi representado” 

As Constelações são hoje realizadas em todo o mundo, e foram ampliadas  para servir também a outros contextos. Têm sido utilizadas com sucesso e eficácia, em outras instituições,  empresas, etc, na busca de solução sistêmicas.


Marise Sampaio Dias é Psicoterapeuta com formação e especialização em Terapia Sistêmica -Casal e Família. Graduada em Core Energetics pelo Institute of Core Energetics- New York- USA. Pós Graduada em Psicossomática pela Escola Bahiana de Medicina e Inst. Junguiano. Formação e Educação Continuada (1300 horas) em Constelações Familiares pelo Helliger- Institut Landshut- Alemanha e pela ISPAB - Institut für Systemische Psychotherapie, Aufstellung und Beratung – München - Alemanha. Atende em consultório particular (terapia individual, casais, famílias e grupos), realiza diversos workshops e supervisiona terapeutas. Coordena, juntamente com Cátia Lymma o curso de formação em Constelações Familiares. Palestrante e Autora de artigos acerca das diversas abordagens nas quais se graduou e co-autora das Cartas das Deusas.

Fonte: http://constelacaofamiliarbahiabrasil.blogspot.it/p/como-as-constelacoes-brotaram-e-criaram.html

terça-feira, 4 de março de 2014

A importância da independência familiar e como criar famílias mais unidas

Aproveitei a entrevista que cedi ao Portal UOL e escrevi esse texto:

Google Imgens
Por Cintia Liana Reis de Silva
Hoje os indivíduos se perguntam sobre qual a importância de se manter a família unida e de como explicar isso aos familiares, mas eu, como psicóloga especialista em família, começarei a explicar conceitos bem mais essenciais e importantes que  moram atrás, na sombra dessa resposta.
O indivíduo, quando chega na adolescência, deve desenvolver o processo de progressiva autonomia individual em relação ao sistema familiar, isso não significa se separar totalmente da família de origem, nem muito menos brigar. Hoje existe uma confusão entre  autonomia e falta de ligação efetiva. O sujeito pode continuar unido à ela, mas em outro nível, pois ele deve se tornar responsivo e maduro e isso significa pensar, sentir e agir por si mesmo, de acordo com sua própria consciência, com a maior liberdade possível do que crê e do que lhe ensinou a sua família. O ideal é que ele faça melhor do que os seus antepassados fizeram.
Todo sujeito, para amadurecer de verdade, tem que passar pelo processo de questionar o que recebeu dos pais, se perguntar sobre o que recebeu de bom e o que o limita para a vida adulta, ele deve buscar entender os modelos familiares adoecidos, as profecias, os mandatos e as alianças familiares, as crenças ocultas, os segredos, os processos de projeção familiar e tentar o máximo possível se torna o principal responsável por sua felicidade e por suas escolhas, e não mais os seus pais.
O conceito de autonomia emocional é muito importante e essa autonomia é necessária para que cada indivíduo da família cresça e busque viver a sua própria história, e ainda assim se sentir pertencente a um grupo familiar no qual sente segurança e sente que é aceito e amado e que quer estar junto por prazer e não por dependência.
Infelizmente muitas famílias vivem o que chamamos na terapia familiar de identidade emotiva conglomerada, quando não se sabe onde começa o self de um e onde termina o do outro, por causa da grande interdependência existente entre os membros e ainda assim podem viver em meio a brigas e a desentendimentos. E mesmo que não briguem, quando existe um estado excessivo de coesão familiar significa que não existe liberdade para cada um viver a sua vida com independência emocional, causando sofrimentos, culpas, imaturidade e outras dependências, como a financeira.
Há uma confusão em relação ao conceito de união familiar. União não significa concordar em todos os pontos, nunca divergir ou estar sempre junto fisicamente. União significa desenvolver e sentir uma profunda noção de respeito e da necessidade desse respeito para a manutenção desses laços de amor. Para estar unido não é necessário concordar, e sim entender e aceitar. Existem famílias que são separadas por continentes e ainda assim permanecem unidas, uma dando força a outra em todos os momentos da vida.
Quando uma separação é feita através de um desentendimento não se trata de um processo de independência real e sim de um corte emotivo, uma ruptura traumática que trará muitos prejuízos a vida social de quem se separada e quando esse alguém tiver filhos essas feridas intergeracionais, se não forem tratadas, se reabrirão com os filhos. Todos precisam adquirir autonomia do sistema familiar de origem de modo sadio para se desenvolver socialmente de maneira satisfatória, sadia e madura.
O corte emotivo abrupto, a separação por uma briga ou por mágoa da família pode fazer do indivíduo mais dependente ainda desse sistema familiar, vivendo em função dele, baseando seus sentimentos em cima dessas mágoas, vivendo e alimentando essas mágoas, mesmo que não fale sobre elas, não lembre ou que não procure os membros de sua família.
É preciso que os preceitos de muitas culturas religiosas e os preconceitos sociais sejam trabalhados para que a psicologia de família atue, trazendo informações ao povo, à sociedade. Não é preciso mascarar e nem controlar as pessoas da família criando hábitos e crenças, mas fazê-las se darem conta do que as faz sofrer.
É necessário respeitar a crianças desde o seu nascimento, dar-lhe um apego seguro, atenção, afeto e disponibilidade incondicionais, encarando de frente as suas necessidades afetivas mais do que as físicas, pois desde cedo é que ela aprende o sentido de respeito e ela só poderá exercitar esse respeito com os outros se se sentiu respeitada, se experimentou na pele essa sensação de ser ouvida e aceita. É preciso estar mais atento para se trabalhar a importância e os conceitos de ética e respeito com os filhos e dar bons exemplos para no futuro termos adultos éticos que ensinar padrões comportamentais artificiais, regras de etiqueta e disciplina.
Mais do que estarem fisicamente juntas, as pessoas estão precisando tratar as suas feridas infantis, cuidar melhor das crianças que são o repositório da raiva e da ignorância de muitos pais, da falta de tempo, da falta de compromisso, de disponibilidade afetiva, que por sua vez trazem suas feridas da infância. Quem se prepara psicologicamente para ter filhos? A família precisa desenvolver mais o diálogo franco para se abrir para a disponibilidade de amar, baixar a guarda, curar essas feridas para deixarem de competir e assim andar numa mesma direção, buscando a  paz e a felicidade de todos. Quando existe investimento no autoconhecimento, diálogo e sinceridade emocional há mais espaço para o amor.
Estamos em pleno século XXI e os pais ainda procuram erradamente o pediatra, que é o médico do corpo físico, para se aconselharem, porém quando os temas são a mente, emoção, comportamento e educação esse pais deveriam procurar o psicólogo de família ou infantil, pois ele é quem está preparado e tem o devido conhecimento para responder às perguntas sobre os temas citados.
Na família acontece de membros que foram todos criados juntos se separem em determinado momento da vida, pois muitas pessoas se separam por divergências, por mágoas, pela mudança do funcionamento da dinâmica familiar, pelo falta de respeito das escolhas dos outros, pela mudanças de perspectivas, pela não aceitação das figuras de autoridade, por competição, pela falta de identificação nesse cenário de mudanças individuais, etc. Tudo o que acontece na adolescência e na fase adulta de cada membro de uma família tem base e encontramos respostas no que cada um viveu em seus primeiros anos de vida. A criança é um cristal de tão delicada, qualquer coisa a abala profundamente e a marca por toda a sua vida.
Se ao reunir toda a família acontecer uma briga, essa colisão, a depender do seu grau de intensidade e como ela será usada, pode ser vista como um acontecimento até positivo, pois manifesta um ponto tóxico. O seu conteúdo deve  ser usado para modificar o ambiente e o sentimento de todos, pois quando ela aparece mostra que já existiam mágoas antigas não manifestas, mas que deveriam vir a tona de algum modo e, como não veio através do diálogo pacífico e honesto, é porque acabou explodindo de uma forma  qualquer, numa situação onde o conflito ou a ferida foi tocada.
Nesse momento se deve encarar de frente os motivos, as causas desse conflito, indo a fundo, nem que seja no passado, onde toda a mágoa começou, para “limpar”, esclarecer o que aconteceu, dando chances às pessoas de se retratarem, pedirem desculpas e entenderem a dor alheia, só dessa forma as relações podem mudar e serem curadas, pois ninguém esquece nada do que passou, tudo fica guardado, nem que seja em nível inconsciente e é esse conteúdo, essas mágoas não vistas e entendidas de modo respeitoso é quem guia as relações cotidianas do sujeito, inclusive as de fora da família.
Para unir mais a família e se existe algum problema do passado, que fez com que os membros desta tenham se afastado, se pode motivar os membros a falarem sobre as suas mágoas, sobre o que sentem de desconfortável em cada relação e para isso é necessário se criar um ambiente de acolhimento e confiança, onde todos, com maturidade, responsabilidade e comprometimento estabeleçam um “contrato verbal e interno” de estarem alí com o mesmo objetivo, curar as feridas familiares.
Uma figura de autoridade ou uma figura muito empática da família, um ponto hiper-conector, pode propor e motivar essa conversa. Talvez os não envolvidos no desentendimento possam ajudar a promover a paz estando no momento, mas depende da posição e empenho de cada um na família e da relação de empatia que têm com os demais. Mas para isso, é sempre mais seguro ir a um sething terapêutico, um ambiente neutro, de um psicólogo especialista em terapia familiar, ele cuidará para que tudo corra bem e dê certo, na medida e que os pacientes se comprometem também em fazer “dar certo” o trabalho de autoconhecimento e reconhecimento da família.
Precisamos criar a cultura do autoconhecimento e da consulta ao psicólogo. É uma pena, nos tempos de hoje, ainda existir a falta de conhecimento do trabalho tão necessário e fundamental do psicólogo.
Para mostrar para todos a importância de se relevar as diferenças e passar a mensagem da importância da união familiar os pais devem estimular os filhos, desde pequenos, e se valorizarem pelo que têm de positivo, muito mais do que julgarem, criticarem ou apontarem os seu defeitos. Só num ambiente onde foi exercitado muito o respeito, sem comparações, sem jogos, chantagens emocionais ou manipulações é que as pessoas crescerão em harmonia e poderão estar mais unidos em outras fase da vida.
Se as famílias só se encontram em datas importantes e não em outros momentos do ano, os integrantes desta, se têm prazer de estarem juntos, se existir admiração e se condividirem os mesmo interesses, podem aproveitar para festejar datas importantes e significativas da história daquele sistema familiar. Quando existe o interesse em estar junto tudo pode ser motivo para a reunião, inclusive lembrar datas de luto em respeito aos que já se foram. Isso tem um enorme significado simbólico e afetivo para a entendimento e o fortalecimento da história da família.
Como falei no início do texto, o indivíduo deve buscar a autonomia emocional, física, financeira e em todos os outros níveis em relação a família, mas isso não significa cortas os laços com ela, mas sim vê-la de outro modo e estabelecer outro nível de importância para ela em sua vida. A hierarquia familiar continuará, a amizade, o companheirismo, a ajuda mútua, a reunião em datas importantes, as visitas, mas o adulto maduro não será dependente desses laços para viver, para tomar suas decisões, para percorrer suas estradas profissionais, para constituir a sua nova família. A sua família de origem não mais será o seu ponto de referência, pois esse ponto deve passar a ser o seu próprio eu, o seu próprio self. Ele estará junto dos seus entes por prazer e não por dependência. Ele deve ser homem da sua vida e não mais estar nas “mãos” da família.
O indivíduo que tem com a família uma relação autônoma, de respeito, de estabelecimento de fronteiras e a delimitação de seu espaço interpessoal tem a maior chance de ser menos reativo e a ser mais reflexivo, é o que chamamos de um alto nível de diferenciação básica do self. Pessoas mais dependentes da família, com pais imaturos, tendem a ser mais negativas, rebeldes e reativas e a terem um baixo nível de diferenciação básica do self, geralmente ainda precisa da confirmação e conselhos dos pais e familiares para viver e para se relacionar.
Essa frase de que “a família é a base de tudo” também é mal interpretada. O indivíduo adulto não deve alimentar um vínculo simbiótico com sua família de origem para que ela seja uma base sadia, ao contrário, uma família que dá uma base segura, um apego seguro ao filho ainda bebê, é aquela que sutilmente e delicadamente dá o que há de melhor e mais saudável para os filhos ainda pequenos, que não despejam as suas feridas infantis nesses filhos e assim eles poderão crescer mais felizes e se tornar adultos capazes de pensar, sentir e agir por si mesmo e, quem sabe, fazer melhor na vida do que os seus pais e avós foram capazes de fazer? A ideia é criar gerações mais conscientes e maduras. A base mais fácil para se criar adultos maduros é ter pais maduros.
A criação de outros vínculos multiplexos, ou seja, de outros vínculos além da família, só enriquece a vida dos seres humanos, criam outros níveis de relacionamento fazendo o indivíduo amadurecer e exercitar outras partes de sua psiquê, geram companhia social, apoio emocional, relações com outras multidimensionalidades, regulação social, acesso a  novos contatos e não deixa de ser o exercício e o aperfeiçoamento das relações que nasceram na família.
 
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Não são monstros, são seres humanos

Mateus Solano no personagem Félix da novela Amor à vida
 
Por Cintia Liana Reis de Silva
 
Publicado no Portal Indika bem em 28 de novembro de 2013
 
Existem muitos conceitos confusos quando se trata de discutir sentimentos e a ética do mundo novelesco, a mesma coisa serve para a relação entre pais e filhos e quando esses dois mundos se cruzam vira polêmica. Quando o personagem é cruel, dizem que ele não tem caráter ou que é um psicopata, reafirmando teorias do senso comum pela necessidade de criar rótulos, agrupar e simplificar para ficar mais fácil o entendimento popular, mas isso só nos faz girar em círculos sem sair do ciclo vicioso que poderia levar a sociedade em busca da transformação de alguns velhos valores e crenças ingênuas.
 
Só para entender: não existe gente sem caráter, existe gente sem ética. Também se inventou os termos “bom caráter” e “mal caráter” para qualificar de modo simples a conduta de alguém, mas caráter é outra coisa. Já o comportamento ético é o seguimento de códigos de valores absorvidos e compreendidos ao longo da vida, o que pode ser prioridade para uns, mas para outros não, infelizmente. Essa orientação deve ser dada em casa, é obrigação dos pais ensinar aos filhos a serem sujeitos e cidadãos éticos e não a escola, que fará só o trabalho de reafirmar e auxiliar didaticamente nessa absorção de valores. Quando se ensina em casa, num ambiente íntimo, de escuta, compreensão e afeto, se apreende com mais facilidade a ser ético.
Caráter todos nós temos, são as características mais marcantes da personalidade. Personalidade já é outro conceito bem complexo, não existindo personalidade fraca ou forte e sim características de uma pessoa que a faz mais ou menos segura que do pensa, acredita ou sente naquele momento; mais rígida ou menos rígida e autoritária. Mas as pessoas podem mudar, o indivíduo está em constante mutação, principalmente quando está atento ao seu processo de evolução pessoal.
Agora trataremos do rótulo monstro. Todos nós podemos nos assustar com um ato de crueldade e chamar alguém de monstro, mas sabemos que ele é mais um ser humano que alimenta a maldade, dá vazão à sua parte sombra. Todo ser humano tem uma parte luz e uma parte sombra, e todos devem conhecer essa sombra para transformá-la aos poucos em luz. Todo ser humano é capaz de desejar o mal de alguém, de sentir raiva, mas nem sempre é capaz de cometer o mal, porque se é ético.
Carl Gustav Jung, pai da psicologia analítica, explicou que essa parte sombra, que todo ser humano tem, é tão feia que ela pode passar a vida inteira sem enxergá-la, mas isso não impede de uma pontinha dela vir à tona uma vez ou outra.
 
Então quando chamamos alguém de monstro nos desviamos da chance de entender que o ser humano pode ser mal e de vê-lo com suas partes obscuras, odiosas, envaidecidas, arrogantes, feridas, sofridas, cheias de dúvidas, dilemas e perdemos a chance de abrir possibilidades de questionamento de tantas certezas ingênuas e admitir que o mal vem do ser humano, como explica bem o Pathwork, uma corrente de pensamento da psicologia, o qual usa muitos ensinamentos da teoria Junguiana.
 
Se coloca os monstros em outro patamar para se diferenciar deles, pelo medo de se envolver e se igualar, porque dói ver tanta maldade no ser humanos, mas temos que encarar para transformar. Se deve ir a fundo e se perguntar aos pais: e quem cria e educa esse ser humano? Aonde você está quando esse ser humano se torna um monstro sem que você se dê conta? Dói porque ver a monstruosidade do filho remete a ter que entrar nas próprias feridas e nos próprios erros, na história familiar, nos segredos, nas convicções desmedidas e infantis, na vontade de ver no filho o que se quer e não o que ele está se tornando por conta da sombra dos próprio pais, na maioria das vezes. É por isso que sempre pergunto, quem se prepara para ter e educar filhos? É preciso encarar a verdade antes de levar adiante novas mentiras.
Tudo bem que é ficção, mas novela acaba servindo muito como exemplo, ela entra completamente na casa das pessoas, então não preciso nem falar aqui no que os pais do personagem Felix erraram ou falharam. Uma família cheia de segredos, uma mãe infantil, preconceituosa, que privilegia um dos filhos, que não quis enxergá-lo com suas sombra de dores trazidas da infância, um pai com uma sombra enorme e bem visível, que nunca o aceitou e o amou, e isso não justifica os crimes e maldades que ele cometeu, que fique bem claro que não defendo ninguém, se trata de clarificar para transformar a visão e criar o entendimento verdadeiro e não somente jogar culpas, como é a tendência.
Poderia aqui destrinchar todos os conceitos científicos de psicologia sistêmica familiar e mostrar como Felix se transformou nesse dito “monstro”, mas o texto ficaria mais longo ainda.
Nada justifica a maldade cometida por um adulto, mas vamos procurar explicações para melhorar o futuro ou vamos continuar chamando de monstros, os infelizes, cruéis e antiéticos, sem procurar mudar os valores igualmente cruéis que a sociedade alimenta? Valores esses que ferem e maltratam nossas crianças hoje, quando se considera melhor bater e punir, que ouvir ou procurar entender onde está o desconforto emocional delas.
E os casos reais? Nunca se falou sobre os pais de jovens que cometeram crimes contra eles. Não se trata de culpar ninguém, repito, o termo culpa é até infantil, mas se trata de rever conceitos e dar responsabilidades a quem as pertence a título de esclarecimento. Ninguém é perfeito. Por que o medo de questionar?
Outro conceito distorcido é o de psicopatia, que é uma desordem de personalidade caracterizada em parte por comportamento antissocial recorrente, diminuição da capacidade de empatia ou remorso e baixo controle comportamental ou, alternativamente, dominância desmedida.
Felix é neurótico e não um psicopata, até porque ele sente, e o psicopata tem como traço marcante a ausência de sentimentos. O neurótico é a maioria, como disse Freud, aquele que se sente inferior, desvalorizado e vê o outro sempre como superior. Felix sempre achou que a irmã fosse melhor que ele. O Psicopata se sente superior, mais inteligente e não tem fraquezas, mas Felix só usa a falsa crença de que é forte e superior para esconder a sua fragilidade e sofrimento por se sentir rejeitado pelo pai e usa essa dor de modo negativo sem buscar ajuda. Mas quantas pessoas não se sentem assim, por baixo, rejeitados, feridos, e passam avida inteira brigando, se escondendo dos outros e sofrendo? A neurose deve ser tratada, todos precisam de terapia, já a psicopatia não tem cura, só fazem efeito medidas sócio educativas.
As novelas trazem muitos conceitos subliminares negativos, mas trazem outros positivos, como ela vai ajudar ou desajudar vai depender da boa vontade, compromisso ético e o grau de conhecimento de quem assiste.
 
Por Cintia Liana Reis de Silva

domingo, 14 de julho de 2013

A doença e sua relação com o estado emocional da criança e do adulto

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

Como disse o jornalista e poeta brasileiro Olavo Bilac, “uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével”.

Quem hoje se prepara para ter filhos? Quem conhece os seus processos intergeracionais familiares? Quem já fez terapia para se entender antes de procriar? Quem conhece a fundo as suas verdadeiras feridas? As dificuldades existenciais são passadas de pais para filhos e todos têm as suas. Como melhorar as futuras gerações se os pais não têm essa consciência do que não funciona bem na vida de sua família e em sua própria vida?

Psicólogos de todo o mundo, especialistas em desenvolvimento infantil, sabem que é na primeiríssima infância que nascem as neuroses e psicoses em todas as famílias. Esses problemas, em geral, são desencadeados na idade pré-escolar com o início da vida social fora da família.

O que pode parecer para nós adultos simples passagens da idade e a necessidade de maior independência, para as crianças podem representar grandes choques ou pequenos traumas que vão se acumulando e tomando forma, eclodindo aos poucos e influenciando na construção da personalidade.
Os processos cognitivos do recém nascido são de natureza muito primitiva, sendo difícil de entender como ele interpreta uma cadeia de acontecimentos que o faz sentir inseguro, por exemplo.

O modo de comunicar os sentimento na linguagem infantil é a produção de um sintoma físico ou um comportamento disfuncional, assim como sintomas físicos podem causar desconforto e sintomas psicológicos.

A disciplina psicossomática na psicologia mostra que a doença física aponta um estado emocional alterado. O corpo é um reflexo da mente, a imunidade física também depende do estado emocional do ser humano. Todos os órgãos, sistemas e aparelhos sofrem algum tipo de alteração dependendo das emoções e pensamentos que temos. Assim como a expectativa, a agitação, a ansiedade ou medo diante de algum evento futuro pode causar uma alteração física mesmo que transitória, como um quadro febril.

Problemas físicos sem causas orgânicas ou sem explicação médica são chamados de psicossomáticos ou somatoformes como, por exemplo, a infertilidade em algumas mulheres, que na terapia familiar mostra que pode estar ligada a sua relação mal resolvida com a sua própria mãe, o que afeta o seu sentimento relacionado à sua mãe internalizada, caracterizando um conflito.

As doenças também têm seus fatores relacionados a predisposição genética e a fatores ambientais, mas os fatores psicológicos ajudam muito a desencadeá-las.

Cada criança reage aos acontecimentos que vivencia a seu modo, mas é comum bebês e crianças, por exemplo, apresentarem crises e problemas no aparelho respiratório, como asma, pneumonia, bronquite, rinite alérgica, choros, tosses, gripes, crises de garganta, após vivenciarem sentimentos ligados a tristeza, ao medo, ao abandono e a carência efetiva, que eclodem após situações como, a volta da mãe ao trabalho, início da ida à escolinha ou problemas relacionados à ela, separação dos pais, crises ou violência conjugal, violência urbana, ruptura emocional, sentimentos de limitação, mudanças de casa, de escola ou de amizades, crise econômica afetando a família, doença grave, conflitos internos associados a passividade, insegurança, irritabilidade, estresse agudo, morte na família, fobias, mães dominadoras, pais ausentes na educação e toda ameaça de separação ou perda.
Em relação ao perfil da própria criança, ela pode apresentar passividade, dificuldades de comunicação, introversão, agressividade, baixa autoestima e sintomas de depressão.

Sem contar que nos primeiros meses de vida a criança também reflete a alma da mãe, como expliquei em meu texto “Aquele abraço negado”, onde também falo sobre a importância de colocar ao máximo o filho no colo, em contato com o corpo da mãe, para o sentimento de segurança e alegria profunda, entre outras coisas tão importantes para o seu desenvolvimento global.

Outros sintomas psicossomáticos comuns ligados a outras situações são: dor de cabeça, no ouvido, de garganta, de estômago, dor de barriga, dor ao urinar, dor nas pernas, distúrbios na salivação, aftas, náuseas e vômitos, enjoo de viagem, dor abdominal, colite, encoprese, prurido, urticária, eczema, palidez, desmaio, taquicardia, enurese, torcicolo, espasmo, tremores, tiques, tontura, cefaléia, enxaqueca.

A criança não sabe metacomunicar, isto é, dizer o que está errado na comunicação entre ela e os pais, então ela cria situações ou sintomas que deflagram o problema emocional e quando o remédio trata só a doença é como se o adulto a calasse, sem respeitar ou fazer a leitura do que realmente importa, a causa, ou seja, o seu sentimento frente a uma situação. Nesse momento, a família deve repensar a sua postura frente a ela, que pode apresentar durante muito tempo os mesmos sintomas ou sintomas parecidos e acabar crescendo sendo medicada.

As doenças e quadros sintomatológicos infantis devem ser tratados por uma equipe interdisciplinar ou, ao menos, pelo psicólogo e pelo pediatra, só assim teremos um tratamento mais completo e sadio para a criança, olhando o físico e o mental-emocional, mas infelizmente o nosso sistema sanitário ainda é muito arcaico e precário e não inclui o psicólogo nesse diálogo como deveria, assim como a maioria das pessoas não é bem informada o bastante para buscar a ajuda de um psicólogo, quando é só ele que pode ajudar. Temos também o belo trabalho da terapeuta floral, do naturopata, do médico homeopata, do fitoterapia, que são muito importantes, mesmo quando se trata de prevenção.

A psicologia trata também pacientes com doença e desequilíbrio mental, mas é uma ciência magnânima, que auxilia sobretudo pessoas ditas “normais”, trazendo a tona os mistérios da mente e das relações, ajudando na promoção da saúde de toda a família e no bem estar da criança.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta desde 2000. Escritora. Especialista em psicologia conjugal, familiar e adoção. Seu blog recebe mais de 15.000 visitantes ao mês, o www.psicologiaeadocao.blogspot.com.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fazer terapia é um luxo!


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Por Cintia Liana Reis de Silva

O termo terapia significa relação de ajuda e psicoterapia relação de ajuda através do psiquismo. O profissional habilitado para fazer a psicoterapia é o psicólogo que tem formação na área.

A mente humana é um enigma onde podem ser encontradas todas as respostas para os aspectos da vida do homem, os motivos de seus problemas, infortúnios, escolhas mal feitas, padrões de comportamento, falências, repetições de erros, relações conflituosas, problemas com os filhos, etc. Todos esses mistérios podem ser desvendados com cuidado, com o desejo do terapeutizando em um processo contínuo, sério, de investimento emocional, de tempo e na frente de um profissional competente e ético.

Ainda existem muitos preconceitos em relação a terapia e a quem se submete à ela, mas em alguns círculos sociais fazer terapia é sinal de inteligência e maturidade. Em alguns Países já virou moda e sinônimo de elegância, trazendo um certo status social.

A verdade é que quem se submete a um processo de autoconhecimento no mínimo quer se confrontar, não se acomoda em se conhecer pouco, como a maioria das pessoas. Quer cuidar e se sentir bem consigo mesmo sem artifícios: como fazer fofoca e nutrir curiosidade pela vida alheia para achar que a sua vida é um pouco melhor; comprar para se sentir mais valorizado; beber e usar drogas para se sentir mais seguro; ser arrogante ou se sentir falsamente mais inteligente ou especial para e sentir menos inferior ou mostrar aos outros que possui bens materiais para se sentir mais importante.

Na terapia se pode construir um self mais sólido, pois se adquire uma visão sócio histórica mais consciente de si mesmo e se entende que a autovalorização é algo que vem de dentro para fora e não de fora para dentro, que o se sentir bem é uma busca de quem se é de forma franca, se aceitando, se respeitando, se sentido responsável por sua própria vida e capaz de mudá-la e isso inclui o reconhecimento da própria família, da própria história, da própria identidade, das próprias feridas infantis, dos dilemas, fragilidades, traumas, faltas, carências e dores.

Problemas físicos também podem nascer das dificuldades e contratempos emocionais, como febres sem motivo, dores do corpo, problemas respiratórios, de pele, gastrointestinais, dificuldade em engravidar e muito mais. Existem várias áreas da psicologia que tratam esse sintomas físicos como a psicossomatização, a biossíntese, a bioenergética... O corpo é um reflexo da mente, dos sentimentos.

De acordo com a teoria de sistemas familiares e do teórico Bowen existe uma força vital que é a diferenciação. É uma capacidade instintiva que impulsiona o ser humano a amadurecer e a tornar-se uma pessoa emocionalmente independente da família, apesar de que ninguém nunca será capaz de adquirir uma completa independência emocional em relação a ela. Mas quanto maior é o grau de maturidade dos pais, maior poderá ser o grau de maturidade dos filhos, ou seja, a diferenciação básica é amplamente determinada por um processo emocional multigeracional. Mesmo assim, o indivíduo pode chega num ponto onde começa a ver mais claramente os seus modelos familiares intergeracionais adoecidos, o emaranhado familiar, aquilo que ele quer levar e o que ele quer abandonar em relação a sua própria família, e entende que pode fazer melhor do que os seus pais fizeram, melhorar as futuras gerações, se tornado menos reativo e mais responsivo, com a capacidade de pensar, sentir e agir por si mesmo e só após essa tomada de consciência é que ele estaria em grau de ter filhos e educar um outro ser humano.

Idade não determina e nem traz maturidade. Algumas pessoas podem ficar paralisadas no tempo, com uma baixo nível de diferenciação. São pessoas reativas, ansiosas e solitárias, não criam relações duradouras e se sentem desconfortáveis nas relações. Podem se sentir secretamente superiores para encobrir o sentimento de infelicidade, inferioridade e vazio. São pessoas que agem sempre no intuito de ir contra a opinião dos outros, normalmente são crianças nascidas em famílias desarmoniosas, com um alto grau de tensão, com pais desatentos e imaturos. Esses indivíduos quando crescem têm como repertório de valores e crenças opor-se a crença dos outros, são negativistas e contraditórios.

A terapia facilita e promove esses processos maturacionais, pois nela exercita o olhar voltado para si mesmo e vê não só o que ele quer mas também o que ele não gostaria de ver, a sua parte sombra, a sua imaturidade, dependências, vícios cotidianos, como de fato está educando seus próprios filhos e enxerga o que ele passou a vida escondendo dele mesmo e dos outros, caem suas  máscaras sociais aprendidas, se questiona os padrões familiares internalizados. O paciente aprende a comunicar e traduz em palavras o que o incomoda nos outros e em si mesmo e vai entendendo os seus sentimentos, de onde vêm e quais são as suas causas.

A partir dessa tomada de consciência o paciente se liberta de muitas amarras invisíveis, o funcionamento do seu self se torna menos dependente do suporte e da aceitação dos outros e pode aprender a se relacionar de um modo mais confortável e a se comportar como sempre teve vontade, mas não conseguia, se permitindo crescer.

Resumindo, fazer terapia é para os “fortes”, afinal se olhar no espelho “nu e cru” não é algo para os “fracos”. Os fracos fingem não ter dificuldades, já os fortes querem vê-las, enfrentá-las e superá-las. Enfim, fazer terapia é um luxo!

Por Cintia Liana Reis de Silva
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Restaurando a relação com os filhos e consigo mesmo

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Por Cintia Liana Reis de Silva

Muitos pais e filhos levam relações conflituosas adiante por anos a fio, passando por fases mais complicadas e outras mais tranquilas, mas a problemática está alí, criando uma atmosfera familiar sempre saturada. Mas será que as pessoas estão, de fato, preocupadas em olhar com cuidado para essas dificuldades a fim de restaurar suas relações com os filhos e com o mundo?

Restaurar relações familiares acaba por ser uma tarefa de muita coragem, sobretudo com os filhos, pois para travar e reconstruir uma relação de afeto com eles se deve reconciliar antes de tudo com a figura internalizada dos pais, com a própria criança ferida, com a imagem interna e regredida que temos das nossas figuras de base. Esse é o único caminho para a transformação de nossas relações atuais, afinal nós somos o produto do tipo de relação que tivemos com nossos pais nos primeiros anos de vida, num meio que é foco de neuroses para todos nós seres humanos que é a família, isso já é científico há muito tempo. E que estamos fortemente propensos e repetir os mesmos erros dos nossos genitores também é fato, Bowlby já provou há muito tempo, e o único jeito de mudar isso é fazendo um trabalho psicoterapêutico, nada adianta forçar de fora pra dentro, o trabalho é de dentro pra fora.

Algumas teorias mostram que muitos homens e mulheres quando não conseguem procriar e não encontram nenhuma explicação médica, orgânica, é pelo fato de inconscientemente terem muito medo do desconhecido que mora dentro deles, do que trazem da relação mal resolvida com seus pais e na relação atual com o parceiro. Como diz Bowlby, “é na hora de tornar-se genitor que abrem-se feridas intergeracionais e como dar o que não se teve?”.

Na hora de gerar, o corpo reage de acordo com o conteúdo da mente e é importante que emerjam perguntas como, “como posso ser mãe se não ‘aceito’ e não sei lidar com a mãe que tenho e, consequentemente, com a minha mãe internalizada? Como posso me tornar mãe se não conheço bem os conflitos que tenho com o modelo de mãe que me foi dado?” Muitas mulheres conseguem gerar depois que iniciam suas terapias, algumas também depois de provarem ser mães através da adoção e de enfrentarem seus medos e fantasias a respeito da maternidade.

Todos nós podemos nos beneficiar com um bom trabalho psicoterapêutico, olhar para a necessidade de mudanças, de paradigmas existenciais, tocar em crenças guardadas, responder de modo mais responsivo, diferenciado e maduro às demandas da vida, aprender, reaprender, romper com tabus familiares, afinal nenhuma família é perfeita. Vamos lá, coragem, força, todos podem buscar mudanças e ajuda, por amor aos nossos filhos, por amor a nós mesmos e para descobrirmos um amor maior ainda que podemos sentir pelos nossos pais.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia de casal e família. Ela vive e trabalha na Itália.

Artigo publicado no site Indika Bem no dia 07 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O meu filho precisa mesmo de terapia?

Foi com muita alegria que estreei como colunista do site Indika Bem no dia 28 de novembro de 2012.
O Indika bem é um excelente site, onde reúne especialistas de várias áreas da ciência, filosofia e da vida cotidiana, falando de assuntos importante e de grande interesse.
Confiram o meu primeiro texto.

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Por Cintia Liana Reis de Silva

É muito comum casais procurarem terapia para o filho quando detectam que este apresenta alguns sinais persistentes de dificuldades em casa, na escola ou em outros grupos sociais, porém as teorias científicas psicológicas provam que a criança é um reflexo do que ela vive e das impressões que tem do comportamento de seus pais e até do que não é dito em casa, dos segredos, dos tabus, dos preconceitos, de como interpreta as dificulades cotidianas e sobretudo de como sente o mundo que é apresentado à ela. As crianças sentem tudo e é muito natural emitirem algum tipo de resposta ao mundo, do seu modo particular.

Poderíamos dizer que é desaconselhável e até irresponsável atender em psicoterapia uma criança pequena sem introduzir seus pais num processo de reconhecimento da origem das dificuldades. Seria como trabalhar aquele que está fazendo o favor de comunicar a existência de um desequilíbrio familiar e reintroduzí-lo no ambiente adoecido, que nem os pais se deram conta de que não está fucionando de modo justo. Nesse sentido, os pais devem ser bem orientados e aderirem à proposta do trabalho terapêutico aceitando a necessidade de se questionarem.

Devemos usar aquele que está comunicando o desequilíbrio para deflagrar mais ainda o que é de fato importante trabalhar e, a partir daí, propor o conhecimento das situações conflitantes, os motivos, os padrões, os maus hábitos de todos e caminhar em direção a possíveis mudanças.

É claro que é muito mais difícil olhar para si mesmo e admitir que algo pode não estar indo bem e que o filho está sentindo tudo, para isso é preciso humildade e trabalhar o sentimento de culpa. É difícil admitir que o sistema familiar está desorganizado e desarmonioso, afinal os adultos não querem errar, muito menos com os filhos. Talvez seja mais fácil crer que o problema nasce e acaba no filho que, aos olhos de muitos adultos, é um ser que ainda não aprendeu a viver, que não está acostumado com o mundo ou que é rebelde. É mais simples e mais ingênuo pensar assim e usar essas desculpas para não se enxergar, mas se trata de uma fantasia que não ajuda em nada.

A criança, por menor que seja, é um ser que merece respeito, ser tratada com educação. Ela muitas vezes já indica quem será quando adulto e quais são suas prioridades, vontades e tem senso de direitos. Os adultos precisam aprender a entendê-las, o que estão querendo expressar, e aceitar com humildade que eles podem estar errando. As crianças nascem com intuição, sensibilidade e emoção aguçadas, ao longo do tempo é que se pode ir perdendo tudo isso.

Se deve agir com sabedoria e fazer um diagnóstico dos sistemas em que a criança está inserida, pois ela é um reflexo de como está sentindo o mundo e sobretudo reflete quem são de fato os seus pais, seu lado positivo e negativo. Mesmo que doa, ver a sua própria imagem negativa refletida no filho é uma tarefa importante para a transformação de todos e das futuras gerações, tomar consciência deste processo e mudar. As crianças repetem o que os pais fazem de censurado socialmente e eles brigam com ela, sem ao mínimo terem se dado conta de que eles é que deram o modelo.

Tudo pode mudar quando todos resolvem colaborar e ser sinceros, reconhecendo as dificuldades, sem usar de “culpas”, promovendo mudanças sadias. Afinal, uma vida sã propõe crescimento, inteligência e coragem para enfrentar os limites com verdade. E ter filhos é uma responsabilidade muito séria, que muitas pessoas não se dão conta do tamanho desse doce e forte compromisso, nem mesmo depois de tê-los.

Cintia Liana Reis de Silva é Psicóloga e Psicoterapeuta, Especialista em casal, família e Adoção

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A relação com os filhos depende da relação com os pais

Cintia Liana

Sobre o final belo do texto abaixo, "Orfandade Silenciosa" (Post anterior), da minha xará Cintia, tenho a adicionar, como profissional da mente humana, que nada mais é mais potente que o autoconhecimento.

Para travar uma relação de afeto com nossos filhos devemos nos reconciliar antes de tudo com a figura internalizada dos nossos pais, com a nossa criança ferida, com a imagem interna e regredida que temos das nossas figuras de base. Esse é o único caminho da transformação de nossas relações, afinal nós somos o produto do tipo de relação que tivemos com nossos pais nos primeiros anos de vida, num meio que é foco de neuroses para todos nós seres humanos que é a família, isso já é científico há muito tempo. E que estamos fortemente propensos e repetir os meeeeesmos erros dos nossos genitores também é fato, Bowlby já provou há muito tempo e o único jeito de mudar isso é fazendo um trabalho psicoterapêutico, nada adianta forçar de fora pra dentro, o trabalho é de dentro pra fora.

Acredito que muitos homens e mulheres não conseguem procriar porque têm muito medo do desconhecido que mora dentro deles, do que trazem da relação mal resolvida com seus pais. Como diz Bowlby, é na hora de tornar-se genitor que abrem-se feridas intergeracionais e como dar o que não se teve? Na hora de gerar, o CORPO também pode reagir e se perguntar, como posso ser mãe se não "aceito" e não sei lidar com a mãe que tenho? Com a minha mãe internalizada, se tenho conflito com o modelo de mãe que tenho? Muitas mulheres conseguem gerar depois que iniciam suas terapias, algumas também depois de provarem ser mães através da adoção.

Todos nós precisamos de terapia, afinal nenhuma família é perfeita. Vamos lá, coragem, força, por amor aos nossos filhos, por amor a nós mesmos e para descobrirmos um amor maior ainda que podemos sentir pelos nossos pais.

Cintia Liana