"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Terapia familiar sistêmica: a terapia que mudou a minha vida


Por Carolina Vila Nova
Constelação Familiar Sistêmica é uma terapia criada pelo psicanalista alemão Bert Hellinger, que ocorre de forma energética e fenomenológica.  A terapia acontece em um local onde haja espaço para um grupo de pessoas e sua movimentação. Há um terapeuta que comanda a sessão, chamada de Constelação. Pouco é falado pelo terapeuta.  E menos ainda pela pessoa constelada (o paciente). A sessão ocorre em forma de movimentos: a energia surge do inconsciente do constelado e um grande fenômeno acontece.
O terapeuta pergunta ao paciente o que ele veio buscar ali hoje. O paciente responde, por exemplo, que precisa resolver um problema em seu casamento. O terapeuta solicita que a pessoa constelada escolha uma pessoa do grupo presente para representá-lo. A pessoa então escolhe alguém e posiciona a mesma no espaço que se tem para a constelação, denominado como campo (geralmente uma grande sala vazia, rodeada de pessoas sentadas à sua volta). O constelado se senta. Em segundos a pessoa que foi colocada no campo como representante começa a se movimentar. Esta pessoa simplesmente sente vontade de agir de uma determinada forma e o faz. Cada gesto tem um significado. E o terapeuta pode ler através desses gestos, os passos seguintes a serem executados. Mais pessoas vão sendo escolhidas, uma a uma, para representar a situação da pessoa constelada. No exemplo citado, se escolheria mais um representante para o cônjuge. Em seguida, representam-se os pais para o constelado e seu cônjuge. Filhos, irmãos e outros podem ser também representados. A ordem das representações e quem acabam sendo representados é sempre orientado pelo terapeuta.
O que ocorre é que os representantes no campo da constelação acabam agindo como atores mágicos, atuando como os personagens da vida da pessoa constelada. Podem-se ver pessoas chorando, gritando, dançando, falando, como se tivesse existido ali um roteiro criado e estudado da vida daquela pessoa. É algo tão real, que chega a parecer mágico.
Uma constelação pode durar trinta minutos, uma hora ou até uma hora e meia. Não existem regras. Existe um movimento energético que todos sentem e o terapeuta além de sentir, interpreta e guia. Através dos acontecimentos mostrados pelos representantes, o constelado vê a sua própria vida passando pelos seus olhos, mas sob uma nova perspectiva: do todo! A constelação familiar sistêmica leva sempre em consideração a importância dos membros da família: pais, avós, irmãos, filhos e netos, além de cônjuges, filhos adotados e quem mais pertencer aquele ciclo familiar. Ninguém nunca pode ser excluído. Ou veem-se as consequências de tal exclusão no mesmo meio familiar.
É possível se descobrir segredos através de uma constelação familiar, uma vez que toda a verdade que cerca a vida de uma pessoa e sua família está impregnada em seu inconsciente. E aí então se manifesta. Por exemplo: pode existir numa família uma criança que foi adotada, que não é legítima, mas que não foi apresentada como tal. Numa constelação, esta informação se revela. Bem como outras.
A constelação familiar é uma terapia intensa, surpreendente. Chega a ser chocante, tamanha verdade que se vê e o pouco que se compreende em sua manifestação. Não apenas a pessoa constelada se beneficia em sua sessão, mas todos os representantes que participam da terapia, pois os representantes acabam sempre sendo escolhidos energeticamente pelo inconsciente do constelado, de forma que aquela pessoa sempre terá alguma identificação em si mesmo com o que virá a representar no campo. Esta também se beneficia: se cura.
Segundo Bert Hellinger, não devemos tentar entender o que acontece numa constelação. Quando se tenta compreender, de alguma forma interrompemos ou atrapalhamos a energia que está no comando da situação. Como seres humanos, confusos e tão pequenos, afirmo que é muito difícil ver tamanha manifestação e não tentar compreendê-la. Mas aos poucos aprendemos a apenas aceitá-la e não mais entendê-la.
Quando uma sessão acaba, pode ser que a mesma tenha indicado uma tarefa a ser realizada, por exemplo: conversar com o cônjuge sobre algo do passado, que transformou aquela união em algo ruim. Ou pode ser que nada mais precise ser feito. A energia liberada ali continua se manifestando. E as mensagens trocadas naquele momento agem como se realmente tivessem acontecido com as pessoas reais ali representadas.
Quando eu mesma fiz a minha primeira constelação, fiquei em estado de choque por alguns dias. Descobri alguns segredos de mim mesma e de demais. Após duas semanas, comecei a perceber grandes mudanças em mim. Com o passar do tempo, percebi que as pessoas envolvidas em minha sessão também haviam começado a mudar em relação a mim e as minhas questões.
A mudança foi tamanha que constelei mais duas vezes, de meses em meses. Esta não é uma terapia que pode ser feita regularmente como a pessoa a ser constelada. Tem que se dar tempo ao tempo, literalmente. Como representante pode-se participar sempre.
Meses após minhas constelações, vi mudanças que nunca, nem como escritora, havia sonhado. Nem em meu pico mais alto de criatividade poderia ter inventado tamanhas reviravoltas em minha vida. Estas que me levaram a um estágio melhor de vida e consciência: autoconhecimento e aceitação. Resignação diante daquilo que é, do que não se muda.
Muito há para se falar da Constelação Familiar Sistêmica. Apesar de adepta à terapia, ainda sinto que apenas duas páginas para se falar do assunto é extremamente pouco. Mas enquanto não me especializo no assunto para a escrita do merecido e sonhado livro a respeito, fica aqui o meu testemunho e desejo, de que todos saibam da existência e poder desta viva terapia.
A Constelação Familiar Sistêmica, a meu ver, é a mais intensa, forte e viva terapia nos dias atuais. Para alguns pode ser que seja intensa e real demais. Ainda assim, vale a pena conhecer e falar com o terapeuta a respeito. E depois, talvez, se decidir por ela!
Fonte: http://www.contioutra.com/constelacao-familiar-sistemica-a-terapia-que-mudou-a-minha-vida/

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Terapia Sistêmica de Bert Hellinger (Ordem na família)

Foto: Getty Images

Amigos,
já que no grupo "Psicologia e Adoção" estamos falando sobre Constelação resolvi trazer um texto que fala de Sistema Familiar e sobre o que pensa o pai da Constelação Familiar, Bert Hellinger.

Antes faço uma observação, o assunto é muito denso, ele faz inferência a quase tudo em nível inconsciente, muitas coisas que a nossa censura e nosso senso de moralidade adquirido ao logo do nosso desenvolvimento rejeita, muitas coisas difíceis de aceitar, são coisas muito profundas, inconscientes, quase impossível de uma pessoa que nunca experimentou a transpessoalidade entender (como é impossível sentir na pele o que é ser mãe sem nunca ter sido), então quando Bert fala dos papéis de homem e mulher, por exemplo, ele não é machista, ele só traz uma luz arquetípica (ler os arquétipos de Carl G. Jung) ao caso, querendo colocar ordem num ambiente, estabelecendo papéis dignos sem competição ou desvalorizando as pessoas que os desempenham ou decidem desempenhá-los.

Concordamos com algumas coisas outras nem tanto, mas Hellinger é muito sábio e estudou muito para desenvolver sua teoria. Tudo tem um mistério.

Boa reflexão.

Cintia Liana

O que é a terapia de Hellinger?
As Ordens do Amor
"QUANDO COMPREENDEMOS as leis sistêmicas que permitem que o amor aflore, podemos conseguir ajudar pessoas e famílias que sofrem a encontrar soluções. É profundamente comovente observar os clientes se aproximarem da Ordem do Amor e, espontaneamente, se entregarem a um sentimento amoroso suave e profundo, às vezes após uma vida inteira de ódio, raiva e abuso. Citação de "A Simetria Oculta do Amor", de Bert Hellinger.

O que é a Ordem do Amor?
Foi em sua terapia sistêmica que Bert descobriu que o sistema familiar, como acontece em qualquer outro sistema, tem sua própria ordem natural e que, quando essa ordem é violada, os efeitos são sentidos nas gerações seguintes à medida que o sistema procura retornar à ordem. Parece haver algumas leis naturais que funcionam para manter a ordem e para fazer com que o amor flua livremente entre os membros da família.

De acordo com a terapia sistêmica de Bert Hellinger, a harmonia na vida em família acontece quando cada um de seus membros ocupa seu lugar de direito, assume seus papéis na vida, cuida de si mesmo e evita interferir no destino de outro.

A maioria das dificuldades pessoais e dos problemas de relacionamento decorre de desordens nos sistemas familiares. Essas desordens acontecem quando, sem termos consciência ou intenção de fazê-lo, incorporamos em nossas vidas o destino de outras pessoas que, às vezes, viveram num passado distante. Isso faz com que repitamos o destino de membros da família que foram excluídos, esquecidos ou cujos lugares não foram reconhecidos. Tentamos viver esse destino para eles ou criamos infelicidade em nossas vidas para diminuir nossa culpa.

As principais leis que atuam nas dinâmicas familiares parecem ser:
· Todos têm direitos iguais de pertencer ao seu sistema familiar;
· Há uma hierarquia na ordem de nascimento. Os que nasceram primeiro têm preferência sobre os que vieram depois;
· Os pais dão e os filhos recebem,
· A figura masculina ocupa a primeira posição na hierarquia, mas ela trabalha a serviço da figura feminina.

A violação dessas leis pode ocorrer, de forma não intencional, de muitas maneiras:
· Quando bebês são abortados, ou não se faz o luto pelos natimortos ou não se fala mais neles (não se reconhece a perda, não se expressa à tristeza sentida pela perda)
· Quando crianças ou adultos jovens morrem e não se faz o luto por eles
· Quando os filhos são doados para adoção e não se fala mais neles
· Quando os pais adotivos não reconhecem os pais biológicos dos filhos adotados
· Quando ex-parceiros ou relacionamentos importantes não são reconhecidos e honrados nos casais
· Quando relações extraconjugais são mantidas em segredo
· Quando vivências relacionadas com guerras não são lembradas e os mortos honrados
· Quando há segredos de família
· E muitas, muitas outras...

Quando qualquer das situações acima acontece, os efeitos são sentidos por muitas gerações, às vezes, duas ou três gerações depois. Esses efeitos se manifestam sob a forma de suicídio, depressão, esterilidade, doença física ou mental e dependência química, com freqüência sem que se tenha a menor consciência do que aconteceu nas gerações anteriores.

A violação da ordem natural do sistema causa emaranhados. As crianças começam a tornar-se como os pais, envolvem-se com as questões que dizem respeito aos pais, sofrem, elas próprias, na crença de que assim os pais sentir-se-ão bem. À medida que crescem, com freqüência sentem raiva e alguns tentam rejeitar a própria família, numa tentativa de viver uma nova vida, separadamente. Às vezes, mudam-se para o outro lado do mundo para desvencilhar-se das questões familiares, mas isso não funciona. Quando permanecem ligados a suas famílias desta forma, não estão livres para seguir seus próprios caminhos e, ao formarem um novo lar, nunca conseguem estar totalmente disponíveis porque ainda estão presas aos pais.

O que acontece num grupo de constelação?
Pede-se que o participante que vai trabalhar suas questões familiares diga qual é o desejo de seu coração. Geralmente, pergunta-se sobre fatos de suas famílias, ou a de origem ou a atual, o que for adequado para a situação. Os fatos são do tipo “mortes prematuras ou não naturais”, relacionamentos anteriores ou extraconjugais, abortos, natimortos, etc. Em alguns casos, o cliente pode preferir não expor questões pessoais no grupo e falará privadamente com o terapeuta antes da sessão.

Relatos sobre o “Tio X que diziam ser egoísta ou cruel” não são levados em conta, uma vez que freqüentemente os sentimentos dos participantes contradizem totalmente esses relatos. Assim, só se pergunta sobre os fatos realmente acontecidos.

Escolhem-se, então, pessoas do grupo para representar os membros da família. Estes são posicionados, de forma intuitiva, pela pessoa cuja constelação está sendo feita. À medida que entram no campo de energia daquela família, os representantes começam a sentir os sentimentos reais dos membros que representam. Olhando a forma como as pessoas estão posicionadas e perguntando como se sentem, o terapeuta pode começar a formar uma imagem interna do aspecto do sistema que possa estar fora de ordem. Ele então faz tentativas, movimenta as pessoas, inclui pessoas que possam estar ausentes, até que o coração se abra. Isso traz à luz as dinâmicas ocultas que levaram à violação da ordem. Quando o coração se abre, o grupo inteiro sente isso como uma experiência muito profunda e comovente. É como se a alma, finalmente, voltasse para casa. Falam-se frases de cura para honrar os membros da família que estão faltando e, assim, permitir que o amor flua livremente outra vez. No entanto, nem sempre é possível chegar a uma solução. Às vezes, há segredos que parece não termos permissão para desvendar; ainda assim, os efeitos parecem ser sentidos na família e, às vezes, de forma até mais poderosa do que se uma solução tivesse sido alcançada.

E isso funciona?
Às vezes, os efeitos são dramáticos, como crianças dadas em adoção entrarem em contato quando os pais biológicos fazem suas constelações, mulheres em casais inférteis ficarem grávidas, membros excluídos subitamente telefonarem. O mais comum é uma mudança gradual nos relacionamentos, um sentimento de paz interior, mais aceitação dos pais e de outros membros da família. Às vezes, não há qualquer mudança. Para algumas pessoas, a cura requer um nível de mudança que elas não estão dispostas a empreender. Ainda assim, quando as mudanças são sentidas, é como se tivéssemos, mais uma vez, entrado em sintonia com os movimentos de nossas almas e pudéssemos sentir-nos em paz. Isso é vivenciado como um sentimento de profunda alegria.

"A alegria flui a partir da alma quando estamos em harmonia com os movimentos da alma. Qualquer que seja o caminho, somos guiados por nossas almas. Se estivermos sintonizados, sentiremos que estamos ligados a algo maior, e isso é alegria. A alegria tem uma qualidade de plenitude e completude que decorre dessa conexão. Essa alegria é calma, significativa, irradiante. Na presença de pessoas que vivenciam essa alegria, nós nos tornamos calmos. Essa alegria não tem motivo, desejo ou intenção. É uma sensação de profundo contentamento”. Citação de Bert Hellinger numa oficina em Londres, em abril de 2000.



Postado Por Cintia Liana

sábado, 26 de junho de 2010

Palmadas - Efeitos do Castigo Físico

Foto: Facebook

Nos meninos e nas meninas:
• Diminui a auto-estima, gerando a sensação de que eles valem menos;
• Ensina a serem vítimas. Algumas pessoas acreditam que o sofrimento torna as pessoas mais fortes, que as prepara para a vida. Nos dias de hoje, sabemos que não só não faz as pessoas mais fortes, como também as converte em pessoas com dificuldades de sentirem-se capazes de resolver seus próprios problemas;
• Interfere no processo de aprendizagem e no desenvolvimento de sua inteligência, de seus sentidos e de suas emoções;
• Gera sentimentos de solidão, tristeza e abandono;
• Faz com que eles observem a sociedade de uma forma negativa e as pessoas como seres ameaçadores, causando dificuldade de integração social;
• Cria um muro que impede a comunicação entre os pais e filhos e prejudica os vínculos emocionais que existem entre eles;
• Cultiva sentimentos de raiva e desejo de fugir de casa;
• Ensina que a violência é um modo adequado para resolver os problemas;
• Dificulta a cooperação com as figuras de autoridade;
• Deixa a criança mais exposta a vários acidentes;
• Em relação aos meninos, como são mais castigados fisicamente do que as meninas para se tornarem “homens” faz com que eles sejam mais agressivos e os deixa mais vulneráveis a utilizar drogas (incluindo o álcool) no futuro;
• Em relação às meninas, a tendência é internalizar sua dor que vai acabar se manifestando emocionalmente por meio de depressão, insegurança, culpa e submissão.

Nos pais e mães:
• Produz ansiedade e culpa, inclusive nos pais que consideram esse tipo de castigo correto;
• O uso do castigo físico aumenta a probabilidade dos pais mostrarem comportamentos violentos em outras situações com maior freqüência e intensidade;
• Impede sua comunicação com os filhos e dificulta as relações familiares no presente e no futuro.

Na sociedade:
• A relação entre ter sido vítima de violência física na infância ou ter testemunhado este tipo de violência em sua família, faz com que exista a tendência de que seja reproduzida na fase adulta;
• Incentiva as novas gerações a usarem a violência como forma de resolver um conflito;
• Faz com que se acredite que existem dois grupos de cidadãos: as crianças e os adultos. Os adultos mandam e podem agredir; as crianças obedecem e apanham;
• Promove modelos familiares onde existem os que agridem e os que são agredidos. Nesses casos, os envolvidos têm dificuldade de entender a importância de uma relação de igualdade entre as pessoas, um dos pontos fundamentais da sociedade democrática;
• Dificulta a proteção à infância. Ao tolerar essa prática, a sociedade não se legitima como um espaço protetor para meninos e meninas;
• Torna os cidadãos submissos porque, em seus primeiros anos de vida, aprenderam que ser vítima é uma condição natural dos indivíduos que fazem parte daquela sociedade.

Fontes:
Educa, no Pegues. Campaña para la sensibilizació n contra el castigo físico en la familia. Madrid: Save the Children, Comité Español de UNICEF, CEAPA y CONCAPA, 2002;
Pesquisa Homens, violência de gênero e saúde sexual e reprodutiva: um estudo sobre homens no Rio de Janeiro/Brasil. Instituto PROMUNDO e Instituto NOOS, 2003.

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Até certo ponto é bem difícil de entender essas causas, mas se analisarmos sutilmente, sem querer medir quem está com a razão, percebemos que a agressão física e o aprendizado pela dor causada pelos pais só gera intolerância e revolta.

É uma consciência que se adquire com uma reflexão sem querer brigar pelo certo ou errado, sem querer brigar com a nova lei, e sim chegando a conclusões sobre a dor física.

Profissionais da área da família, experientes e com filhos, dizem que até uma palmada é desnecessário e uma vez ouvi de um expert no assunto que a palmada só aparece quando já se esgotaram todos os outros recursos e que ele nunca chegou a dar uma palmada num dos 4 filhos dele. No início não concordei, mas dois anos depois de pensar nisso concordo.

Filhos que dizem não ter sofrido com pancada creio que nunca fizeram terapia, porque a raiva que se sente quando se apanha do pai ou da mãe fica marcada no corpo, em forma de memória corporal e isso dói, a mágoa da dor emocional acompanhada da física.

Tem filho que tem uma péssima relação com seus pais autoritários e que fizeram uso de palmadas e não sabe porque e depois vem dizer que aqueles tapas foram bons para sua educação?

Penso que podemos pensar bastante em outras possibilidade mais eficazes que não passam pela dor física e sim pela tomada de consciência. A experiência com a surra é muito humilhante, é para a relação com inimigos e traz outros prejuízos de ordem moral que comprometem a relaçao com o filho. O limite em que ele terá com os outros em relação a violência física no futuro estará comprometida por uma vivência e um aprendizado de modelo educacional distorcido, onde tem pancada.

Se condeno alguém que dá uma palmada? Claro que não, mas acho que são coisas para serem pensadas. Penso que quanto maior é a ignorancia espiritual e emocional, mas os pais vão bater, o limite vai ser menor sobre a violência em casa. Por esse caminho de pensamento prefiro não bater. Sou 0% palmada.

Quando for mãe refletirei novamente, mas aí estarei em outro estágio de consciência, com mais recursos ainda para lidar com as birras e pirraças. Um comportamento ou olhar de uma mãe chateada pode ser mais eficaz, depende da proposta dela.

A questão dos padrões de violência familiares é muito séria, é um ciclo que pode começar e não acabar mais, que passa de geração em geração.


Por Cintia Liana

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Filhos Adotivos, Pais Verdadeiros

Foto: Google Imagens

Mais um ótimo texto que compartilho com vocês!

Um abraço a todos.


Nair de Oliveira Pontes [1]
Revista Viver – Janeiro/2001

É possível observar, na dinâmica de alguns casais com seus filhos adotivos, alguns comportamentos repetitivos. Tais comportamentos referem-se aos sistemas emocionais provenientes das famílias de origem de ambos os cônjuges e funcionam como modelos na criação dos filhos adotivos. Embora muitos rejeitem a maneira como foram criados pelos próprios pais, acabam repetindo esses padrões.

Então, vemos se frustrar uma das expectativas que carregam muitos dos casais que resolvem adotar uma criança. Alguns deles poderiam ter tido os próprios filhos, mas vislumbram na adoção a possibilidade de rompimento de padrões trazidos das famílias de origem e que são tidos como se já estivessem no “sangue” da família.

Ao longo do ciclo vital, os jovens pais tendem a reproduzir com seus filhos modelos de comportamento dos próprios pais, podendo trazer antigos conflitos para as relações presentes.
Num artigo publicado na revista Science, de 5/11/1999, sobre um estudo feito por pesquisadores canadenses da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, a respeito do relacionamento entre pais e filhos, afirma-se que “o amor da mãe não é algo que já se nasça sabendo;é algo que se aprende pelo exemplo e que passa de geração em geração não porque está escrito no material genético dos seres vivos, mas sim pela experiência.
O estudo dos pesquisadores canadenses salienta, portanto, que o que mais influencia o comportamento do ser humano não são as características genéticas herdadas, pois o genes nada tem a ver com tal situação, mas sim a relação do indivíduo com o meio ambiente e com a cultura. O núcleo da aprendizagem, do condicionamento, da experiência emocional, da vivência dos desejos e das expectativas diante da realidade, todos esses contextos, tanto social, emocional, quanto econômico, influenciam a qualidade do relacionamento entre pais e filhos e podem mostrar continuidade através das gerações, mesmo com os filhos adotivos.
A pesquisa feita pelos canadenses corrobora os estudos de Elisabeth Banditer, nos quais ela afirma: “O amor materno não constitui um sentimento inerente à condição de mulher, ele não é um determinismo, mas algo que se adquire”. Para a autora, os sentimentos humanos da mãe variam de acordo com suas ambições ou frustrações, com a cultura e as flutuações socioeconômicas da história. O amor materno pode existir ou não, aparecer e desaparecer, se forte ou ser frágil, ter preferência por determinado filho ou não. Ele “é apenas um sentimento humano como outro qualquer e, como tal, incerto, frágil e imperfeito”, acrescenta Banditer.
O mundo da paternidade está cheio de fantasias. Cada casal cria mitos, como, por exemplo, o de ser pais perfeitos e ter uma família feliz. E essa mitologia agrava-se ao entrar em contato com um sistema de percepções muitas vezes sufocado pela ansiedade, por sentimentos de culpa e pela rejeição (rejeição de si mesmo como filhos e o desejo de ter tido outros pais, outra família). Ou seja: as percepções acabam germinando a fantasia de pais ideais, determinante que busca sua expressão num modelo de amor irrestrito, inacabado, infinito. São os pais por excelência, os pais que tudo sabem, donos da verdade, do afeto dos filhos e do futuro deles. São os pais que dizem: “Eu sei o que é melhor para você”.
Hoje há uma excessiva preocupação com o relacionamento e com o que se deve fazer para garantir o bom desenvolvimento emocional nas relações entre pais e filhos. Muitas vezes, essa atitude embota a espontaneidade, a intuição, a criatividade e o bom senso dos envolvidos no sistema relacional.
Acreditamos que ser desejado é o primeiro anseio a ser realizado no universo afetivo do ser humano. Toda criança quer ser desejada. Quem não quer ser amado? É de se esperar que a criança necessite de demonstração de amor. Partindo desse pressuposto – o desejo de ser acariciada e tocada com amor -, ela, provavelmente, não quer ser cuidada de forma mecânica e automatizada. Só que, por não ter o domínio da linguagem, não consegue expressar em palavras essa insatisfação. Estamos falando de um período emocional, um período de impressões marcantes, aquele que Freud chama de período de molde, que se dá na primeira infância. Ou seja, tudo o que a criança vivencia nos primeiros anos de vida será tão marcante que poderá influenciá-la por toda a existência, pois já estará impresso no modelo recebido. Esse cenário da infância nos deixa numerosas lições afetivas e precisamos contar com elas, sejam positivas ou negativas.
Cabe dizer, também, que o fato de ser filho, independentemente de ser ou não biológico, não garante necessariamente que a criança seja bem-vinda, pois tudo dependerá do que essa relação e do que a criança poderá despertar nos pais. É preciso saber de que maneira esses pais aprenderam a amar no contato com os próprios pais. Elizabeth Banditer comenta que o discurso psicanalítico contribui muito para tornar a mãe o personagem central da família, embora a psicanálise jamais tenha afirmado ser a mãe a única responsável pelo inconsciente do filho. A autora explica: “Para que uma mulher possa ser a “boa mãe”, é preferível que ela tenha experimentado, em sua infância, uma evolução sexual e psicológica satisfatória, junto de uma mãe também relativamente equilibrada. Mas, se uma mulher foi educada por uma mãe perturbada, há grande probabilidade de que sinta dificuldade em assumir a sua feminilidade e maternidade. Quando for mãe, reproduzirá, diz-se, as atitudes inadequadas que foram as da sua própria mãe.”
Como nossos pais – Nossa sociedade valoriza autonomia, individualidade e independência. Mas por que umas pessoas conseguem desenvolver essas características e outras não? Muitos dos nossos comportamentos resultam do que aprendemos com os modelos que vemos. Nosso primeiro modelo é a mãe, ou a figura substituta; depois vem a família e por fim a sociedade. O modelo da primeira infância, considerado importante e marcante, acaba sendo reproduzido de modo tanto positivo quanto negativo. Quando positivo, poderá favorecer o indivíduo a obter autonomia, individualidade, identidade e independência. Mas, quando negativo, a pessoa terá dificuldades de se adaptar à sociedade. Isso não significa, no entanto, que seja impossível ultrapassar os obstáculos. Nesse caso, é necessário que ela se conscientize das próprias atitudes e perceba os comportamentos repetitivos inadequados, que prejudicam seus relacionamentos.
A partir do momento em que o casal começa a perceber suas dificuldades em se organizar diante da educação recebida de seus ancestrais, vêm à tona conflitos nascidos das percepções de cada um deles. Uma das tarefas do terapeuta tem como objetivo perceber e compreender como eles podem se tornar verdadeiros pais buscando cada um deles um modelo adequado a suas necessidades, isto é, sem dar continuidade ao modelo rígido recebido dos pais verdadeiros, muitas vezes, sentidos como adotivos. Só assim os filhos, mesmo os adotivos, poderão sentir-se verdadeiros e autênticos com os pais.
O trabalho do terapeuta com os casais é mostrar quais são os padrões recorrentes, por meio das lembranças e memórias vivenciais e emocionais acionadas durante o processo terapêutico. E, assim, trabalhar a história pessoal de cada um, levando-os a perceber seus papéis e funções nesse contexto, como forma de diferenciarem-se não só entre eles, mas também de diferenciar em seu ego do de seus pais.

[1] Nair de Oliveira Pontes é psicóloga clínica e psicoterapeuta de família e de grupos.
Por Cintia Liana