"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma verdadeira família

Foto: Bruno Poppe
Retirada, junto com o texto, do Facebook de Rodrigo Barbosa

Esses somos nós. Eu, meu marido Gilberto, e nosso filho, Paulo Henrique. Somos uma família. Conheci o Gil 13 anos atrás. Começamos a falar em adoção faz uns seis ou sete anos, e parte do que nos deixava em dúvida era o que nosso filho poderia enfrentar sendo filho de dois homens. 

Em determinado momento vimos que isso era besteira. Hoje são muitas as configurações de família. E não importa se você é criado pela mãe solteira, pelo tio, pela avó, por dois pais, duas mães, ou mesmo um casal homem-mulher, porque se tem amor, é família. 

Decidimos adotar. O PH estava num abrigo no interior de Minas e trouxemos ele para nossa família em novembro de 2014, quando ele estava completando cinco anos. Nosso moleque de cinco anos.

Hoje fui apresentado a um vídeo onde o deputado Jair Bolsonaro diz que jamais deixaria um filho dele de cinco anos brincar com um moleque de cinco anos adotado por um casal gay.
É um vídeo-compilação que mostra todo tipo de absurdo que ele vive falando por aí. E essa declaração, no meio das outras, chega a ser branda.
Bolsonaro invocou o torturador Bilhante Ustra na votação mais acompanhada pela TV dos últimos tempos. Nessa última semana, ganhou mais cento e tantos mil seguidores em sua página, chegando aos quase 3 milhões de seguidores. Eu tenho apenas 52 pessoas seguindo minha página, mas acho que esse cara não merece esse ibope todo. Aliás, nem eu.
A minha vontade, com toda a mágoa que tenho, é que ele seja varrido da vida política. Mas eu sou a favor da democracia. Em 2010 ele ficou na décima primeira colocação para Deputado Federal no RJ, mas em 2014 ele quadriplicou seu votos e foi o Deputado Federal mais votado no Rio, com 464 mil votos. Quanto mais polêmico, homofóbico, racista ele se torna, mais votos tem. Ele veste um personagem que agrada ao reacionário, mas esse show de horrores que vimos no domingo nos prova que precisamos de pessoas mais preparadas no governo.
Compartilhe se você deixaria seu filho brincar com o menino da foto. Ele é fofo, adora brincar e nem quer saber se o amiguinho é filho do Bolsonaro. 

Compartilhe se você não é do tipo que diria na cara de uma mulher que não a estupraria porque ela é feia. Melhor, compartilhe se você não é do tipo estuprador. 

Compartilhe se você não acha correto que ele leve plaquinhas escrito "queima rosca" para provocar um colega de trabalho.

Compartilhe para que um dos 464 mil eleitores dele mude de ideia nas próximas eleições e para que um dos seus amigos deixe de curtir a página dele.

Ser polêmico saiu de moda, gente. O bacana é ser do bem, ser justo, brigar pelo que acredita.
Foto: A foto é do craque Bruno Poppe, que nos fotografou para a Revista Piauí. Obrigado, Bruno. É uma das nossas fotos mais bonitas.
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10153472873971867&set=a.103242101866.107525.581586866&type=3&theater

Sem limitações! Dicionário altera definição de "família" para incluir gays


Por Felipe Souza
O termo “família” aparecerá redefinido na próxima edição do Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Segundo o jornal “O Globo”, a redefinição é parte de uma campanha da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio em conjunto com a Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas.
Para fazer a mudança, foi lançada uma campanha online pedindo sugestões do público. A partir delas, e com a ajuda de especialistas, será criada uma definição “sem preconceitos e limitações”. “O mundo é diverso, abrangente e dinâmico. A atual definição de ‘família’ é reducionista e anacrônica. O que desejamos é atualizar esta definição e contribuir para a reflexão sobre quais são os verdadeiros laços que unem as pessoas em forma de família”, defende André Lima, sócio da agência NBS, idealizadora da campanha #todasasfamílias.
Para os idealizadores, a campanha ainda serve como contraponto ao Estatuto da Família – aprovado em outubro do ano passado pela Câmara dos Deputados – que restringe juridicamente a entidade familiar à “união entre um homem e uma mulher, por meio do casamento ou de união estável”.
Fonte: http://pheeno.com.br/2016/04/sem-limitacoes-dicionario-altera-definicao-de-familia-para-incluir-gays/

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Epifanias adotivas e o temor das adoções por casais homossexuais na Itália

Google Imagens
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Por Cintia Liana Reis de Silva
(Texto publicado na Itália)

Nesse período muito se fala na Itália sobre o casamento homossexual e se debate sobre as possíveis implicações que as uniões civis podem criar no nosso tecido social, em particular sobre a possibilidade de adotar e por isso senti a necessidade de contribuir através desta reflexão. Trabalho com adoção e avaliação psicológica há mais de 14 anos. Avaliei centenas de casos ao ano na 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador até 2009. Um dos meus livros publicados no Brasil em 2011 fala dos aspectos psicológicos da construção da família através da adoção. Escrevi dezenas de textos publicados sobre adoção e psicologia de família, sou uma pesquisadora. Me tornei um dos quatro psicólogos mais conhecidos no Brasil experts em adoção, chamada carinhosamente de "Fada da adoção" pela mídia e pelos pais. Moro na Itália por amor e não por necessidade e vim também a convite de trabalho, para ajudar casais italianos a adotarem crianças brasileiras, pela minha credibilidade e respeito, que muito orgulhosamente conquistei, e pelo trabalho que realizo com compromisso com a causa das crianças sem família. Neste momento, em que se discute na Itália o matrimônio gay, diante do grande temor da possibilidade da adoção de crianças por casais homossexuais, quero dizer que sou contra a ignorância e a obtusidade. O conhecimento e o amor podem salvar o mundo. Conheci por razões profissionais e tenho amigos com famílias compostas de dois pais e duas mães, feitas de amor, respeito e muita dignidade. Um filho adotado por um casal homossexual não se torna gay ou é infeliz por isso. O preconceito é que faz sofrer e não podemos nos dobrar diante dos preconceitos, mas educar quem ainda não ceita a necessidade de crescer e respeitar.
Existem filhos biológicos que crescem bem só com uma mãe ou um pai solteiro e, do mesmo modo, podem crescer com uma mãe ou um pai adotivo solteiro ou com dois pais ou duas mães e naturalmente escolherá fora do subsistema conjugal, composto por seus pais adotivos, uma outra figura substitutiva do gênero sexual oposto para tê-lo outro ponto de referência, que pode ser um tio ou uma tia, um avô ou uma avó, ou também um amigo ou uma amiga muito próxima da família, tendo assim uma vida sadia e crescendo muito bem, se faz parte de uma família harmoniosa, com pais maduros, e isso não está ligado à orientação sexual. É importante salientar que quem adota deve passar por um processo que avalia a pessoa em todos os sentidos, e se é psicologicamente equilibrado, capaz de criar e educar bem uma criança e a orientação sexual não é absolutamente um indicativo porque os critérios de avaliação apontam para a relação consigo mesmo e com a vida e se o desejo de adotar é baseado numa vontade genuína de ter um filho e não em outros objetivos escusos ou patológicos.
É contraditório quando certas pessoas que vivem em um país onde o aborto é legalizado (com algumas restrições), hipotetizam as mais assustadoras fantasias sobre a adoção por casais do mesmo sexo, sem conhecer ninguém que vive esta realidade. Essas pessoas demonstram não ter nenhum pudor, como se estivessem realmente preocupadas com as crianças sem família, mas nunca fizeram uma visita a um abrigo ou a uma casa lar para dar atenção ou apoio emocional às crianças que lá vivem.
Existem tantas famílias de pais heterossexuais que vivem em verdadeiras "guerras familiares", feitas de traições, mentiras e segredos, com pais fracos ou autoritários, desonestos, invasivos, super protetores, desrespeitosos, com valores éticos equivocados, que repetem os modelos familiares intergeracionais adoecidos, e criam filhos desequilibrados, depressivos, infelizes, rebeldes disfuncionais, que têm um péssimo relacionamento consigo mesmos e com os outros, que colocam no mundo outros filhos ainda mais infelizes, e se permitem de expressar pensamentos plenos de preconceito, sem jamais terem lido nada a respeito, sem informações de fontes científicas e objetivas, falando dos homossexuais como se não fossem humanos, como se a homossexualidade fosse uma doença. Essas pessoas não querem crescer, mudar, ao invés disso se reconhecer nas crenças religiosas, familiares e mediáticas mais egoístas. Famílias compostas de pessoas que acreditam que procurar um psicólogo não é uma necessidade inteligente para conhecer a si mesmo e melhorar o relacionamento com a própria vida e com o mundo, mas como uma última escolha, ou até mesmo uma alternativa para os ditos "loucos".

Antes as mulheres não podiam votar e agora que podem ser até presidentes de um Estado, algumas ousam a ser contra a adoção por casais do mesmo sexo. A sociedade deve amadurecer e evoluir apenas para alguns ou para todos os cidadãos?

Sejamos um poucos menos egoístas, olhemos para além do nosso umbigo, devemos aproveitar este momento para exigir uma reforma geral no campo da adoção, porque existe uma realidade demasiadamente dramática e invisível aos nossos olhos, são 168 milhões de crianças abandonadas para adotar, come explica o presidente da Ai.Bi. Marco Griffini num artigo no site "La Repubblica", escrito por Sara Ficocelli, em 19 de dezembro de 2012. Para entender, "é necessário imaginar colocar em fila indiana, bem pertinho, um atrás do outro: a linha humana que formam dá uma volta no mundo, é longa como a circunferência da Terra". Essas crianças vivem uma realidade de quase prisioneiros, em situação de infelicidade, de abandono e insegurança, são pequenos e sobretudo maiores, que querem somente amor, pais ou mães, segurança efetivo-emocional e educação, independentemente da orientação sexual dos futuros pais, até porque eles foram abandonados por seus genitores heterossexuais. Como disse Lidia Weber em de suas frases, eles querem acreditar que "a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino".

Eu tenho uma responsabilidade, sou uma formadora de opinião e não posso ser uma falsa moralista, medíocre e hipócrita, sou uma militante, uma ativista e lamento constatar que estamos na "pré- história" da mente humana, como disse Edgar Morin. Mas não quero ser uma vítima da história, eu quero participar da história, e você? Seja feliz e deixe os outros serem também. Não precisamos ser homossexuais, negros, portadores de deficiência, idosos, pobres, estrangeiros e crianças para lutar a
favor dos direitos deles, basta sermos humanos e termos uma atitude adotiva, ou seja, um coração que adota.
Cintia Liana Reis de Silva é uma psicóloga e psicoterapeuta brasileira, é mãe e casada com um psicólogo italiano. Vive e trabalha na Itália desde 2010. O seu blog www.psicologiaeadocao.blogspot.com recebe mais de 20.000 acessos ao mês.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Adolescente lança livro sobre adoção homoafetiva

Alysson Miguel Harrad Reis
Foto: Prefeitura de Curitiba (Página no Facebook)

O adolescente Alysson Miguel Harrad Reis escreveu o livro “Jamily, a Holandesa Negra”. O livro fala sobre a adoção homoafetiva.

Alysson é filho de um casal homoafetivo e narra no livro uma história de destituição de pátrio poder por violência doméstica, a passagem por sete abrigos, a convivência em família acolhedora até a adoção, há três anos pelo casal . “Meu conceito de família é quem cria, dá educação, carinho e limites e incentiva a responsabilidade e autonomia”, disse Alysson Reis. 

A história é contada através da personagem Jamily, uma adolescente etíope que foi adotada por um casal homoafetivo holandês, que fazia trabalho voluntário, pelas Nações Unidas na África. É uma ficção baseada na experiência pessoal de Alysson, adotado aos 11 anos.

Fonte: Prefeitura de Curitiba (Página no Facebook)
https://www.facebook.com/PrefsCuritiba

terça-feira, 4 de junho de 2013

Maturidade para aceitar a evolução do pensamento humano


Getty Images
 
Por Cintia Liana Reis de Silva

Há algumas décadas se acreditava que os negros eram como animais, que não tinham a mesma inteligência dos homens brancos. Há tantos anos se acreditava que as mulheres não eram capazes e inteligentes como os homens. Ainda hoje existem tantos preconceitos contra a adoção, com as famílias adotivas, com as crianças que foram adotadas, acreditando que a adoção é uma filiação de segunda ordem e que as crianças adotadas terão como destino serem problemáticas. O mesmo absurdo, muito conveniente para a igreja, um pensamento ignorante, cometem aqueles que repetem e acreditam que os homossexuais não são pessoas sadias como os heterossexuais, que não têm capacidade de adotar, amar e educar bem uma criança, um filho.

Infelizmente ainda são tantas as pessoas que raciocinam com a cabeça da igreja católica e que não têm a liberdade de pensamento, não procuram estudar, ler, pesquisar, serão sempre escravos e vítimas dos que manipulam as mentes e o comportamento das grandes massas.

Mas não importa, mesmo que essas pessoas batam os pés como crianças birrentas e mal acostumadas, querendo ter razão como uma espécie de competição, de guerra para medir quem tem mais força, a ciência já provou que a homossexualidade não é uma doença ou uma disfunção e continua a estudar e a falar nos Países mais desenvolvidos e com as leis mais avançadas que as crianças que têm pais adotivos homossexuais são pessoas emocionalmente e intelectualmente tão sadias quanto as outras de famílias biológicas nucleares.

Lembrando que muitas famílias nucleares, ou seja, formadas por pais heterossexuais e filhos, também podem educar muito mal, serem agressivas, violentas e não saberem amar.

Ser um bom pai adotivo não é uma questão de ser homo ou heterossexual, e sim uma questão de maturidade e boa educação. Nós, psicólogos que avaliamos psicologicamente os candidatos a adoção, sabemos o que observar de importante e relevante nos adotantes. Com certeza podemos dizer cientificamente, com base na antropologia, sociologia, filosofia, medicina e psicologia, que uma família não é feita somente de um homem, uma mulher e filhos biológicos, mas sim de seres humanos que são capazes de ter o sentimento de pertencimento, que se aceitam por aquilo que são, que se respeitam e conseguem respeitar os outros porque têm um bom exercício de respeito em casa e sobretudo de seres que se amam. E aqueles que não querem viver ou aceitar essa verdade já provada estará sempre vivendo em atraso, de acordo com uma grande hipocrisia e a brigar com a evolução do mundo que, ainda bem, é inevitável.

O fato de fazer parte de um grupo do que chamamos de minorias, nos faz ao menos esperar que os homossexuais possam ensinar uma bela coisa a seus filhos adotados - que muitos pais heterossexuais estão esquecendo por não ter a capacidade de serem tolerantes - a respeitar as diferenças sem brigar com o mundo somente para provar a si mesmos que têm algum valor por ter razão, porque uma coisa é justa e muito boa, todos somos humanos, mas ninguém é igual.

É uma tristeza, um desgosto que ainda existam tantas crianças experimentando a dor do desamparo e da insegurança sem ter uma família em muitos Países com leis atrasadas, como as da Itália, por exemplo, também pelo fato de muitos ainda acreditarem que não poderiam ter pais homossexuais, talvez porque os seus governantes a muitos cidadãos, que não lutam para mudar as suas leis, já terem esquecido o que é ser criança.

Por Cintia Liana Reis de Silva

quarta-feira, 14 de março de 2012

Adoção por pares homoafetivos, consciência familiar e educação

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

A convivência com um pai e uma mãe, uma figura masculina e outra feminina bem resolvidas, seguras e amorosas sempre trazem muitos benefícios a qualquer ser, sobretudo aqueles que estão no início de seu desenvolvimento.

O homem é o único animal que tem e precisa deste elo com a família para toda a vida, mesmo que este elo se modifique ou longo do tempo, e o mais saudável é que essas relações de fato evoluam.
No caso da adoção, mesmo sendo saudável ter um pai e uma mãe, é bem melhor e existem muito mais ganhos uma criança ser adotada por um solteiro ou um casal homoafetivo a crescer num abrigo sem amor, pois mesmo que falte uma outra figura susbtitutiva parental na adoção propriamente dita, depois a própria criança elegerá espontaneamente um outro que possa suprir, de algum modo, essa outra lacuna que possa existir.
Em relação a escolha da vivência da sexualidade dos pais, as pesquisas motram que isso não determinará como o menor viverá também a sua sexualidade. Ele pode vir a ser um adulto mais tolerante com a homossexualidade, no modo de encará-la, mas afirmar que ele virá a ser também homessexual é um enorme equívoco.
Podemos dar como exemplo filhos homossexuais que normalmente têm pais hetero e muitos até são rígidos e intolerantes. E pais homossexuais que seus filhos são heterossexuais. Ao menos eu nunca vi numa família homossexualidade em duas gerações diretas.

O que devemos sempre ter em mente é o bem estar da criança, que deve estar acima de crenças sem fundamento teórico-científico. A situações de abandono em que vivem já é de muito sofrimento psicológico.

Em relação a formação da nossa personalidade, é importante que se deixe bem claro os conceitos de personalidade, caráter e temperamento, que são bem diferentes daqueles difundidos e propagados pela sociedade ocidental.
Os valores básicos de honestidade e dignidade, assim como investimento de amor e limites podem existir em todas as famílias independente da orientação sexual. Depois tem que ver como a criança vai lidar com as particularidades da família e suas histórias, assim os pais devem estar atentos em como conduzir tudo com verdade e sabedoria, dando sempre segurança e abrindo espaço em casa para o diálogo, não esquecendo que um psicólogo ajuda muito, caso precisem de orientação para questões mais subjetivas.

Vemos a maioria das pessoas passando a vida toda sem nem ter idéia de quem sejam de fato e de quais são suas verdadeiras dores e dilemas familiares e são essas pessoas que acham que sabem e podem educar um ser que está chegando, sem antes ter educado a si mesmo. Por exemplo, pessoas com ansiedade de separação que são super dependentes dos pais, se não se trabalham, se tornam genitores superprotetores, inseguros, que sufocam seus filhos, mas não têm a mínima idéia deste fato.

Educar é uma tarefa muito séria, exige muita responsabilidade e verdade consigo próprio, exige preparação pessoal. Vamos lá, todos podem, humildade, coragem, força e motivação.

Por Cintia Liana

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Psicólogos aprovam adoção por gays

Organic

Especialistas dizem que mais importante que a orientação sexual, é o vínculo dos pais com a criança

Por Lecticia Maggi, iG São Paulo | 01/05/2010 09:50

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da última terça-feira, de permitir que duas mulheres do Rio Grande do Sul registrassem os filhos adotivos no nome das duas reacendeu a polêmica em torno da adoção de crianças por casais do mesmo sexo.
Foi a primeira vez que o STJ se manifestou sobre o assunto e, com isso, abriu jurisprudência para que outros casais também obtenham decisão favorável na Justiça. Rapidamente, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se manifestou contra o STJ. O padre Luiz Antônio Bento, assessor da comissão para vida e família da CNBB, disse que a decisão tira da criança a possibilidade de crescer em um ambiente familiar formado por pai e mãe. “Nem sempre o que é legal é moral e ético”, afirma.

De acordo com psicólogos ouvidos pelo iG, ser criado por dois pais ou duas mães não prejudica o desenvolvimento da criança nem faz com que ela se torne homossexual também. “O desenvolvimento independe dos pais serem hetero ou gays. A criança precisa se identificar com uma figura que lhe dê carinho, apoio e educação. O que importa é o vínculo e se aqueles pais realmente quiseram adotá-la”, afirma a psicóloga Mariana de Oliveira Farias, autora do livro “Adoção por Homossexuais - a família homoparental sob o olhar da psicologia jurídica”. Segundo ela, é importante que a criança tenha contato com pessoas de ambos os sexos, mas elas podem ser avós, tios e primos.

Segundo a psicóloga e advogada Tereza Maria Costa, que por mais de 10 anos atuou na Vara da Infância e Juventude de Juiz de Fora (MG), não há nenhum estudo que comprove que crianças criadas por pais gays também tenham tendência à homossexualidade. Para Tereza, a orientação sexual tem mais a ver com questões biológicas do que com o meio em que a pessoa vive. “Com todo o preconceito que existe, tenho certeza que se alguém pudesse optar escolheria ser hetero”, diz. “Não vejo como escolha. Ou a pessoa assume e tenta viver bem ou passa a vida camuflada”, diz.

Como contar
Uma das questões recorrentes é como e quando contar ao filho que ele possui dois pais ou duas mães. Segundo Mariana de Oliveira, não há uma idade certa para que o assunto seja discutido. “Os pais devem responder sempre de acordo com as perguntas que forem feitas, mas tomando cuidado para não ultrapassar os limites que a criança possa entender. Às vezes, a ansiedade dos adultos é maior que a dos filhos”, afirma.

Há várias formas se de contar, mas uma delas, diz, é explicar, primeiramente, que não há só um tipo de família e com certeza a criança deve ter um coleguinha com pais separados ou criado pela avó. “Pode-se dizer que a família que a concebeu por algum motivo não pôde ficar com ela, mas o casal a procurou, a ama muito e por isso a adotou”, afirma Mariana.

Tereza acrescenta também que é importante tratar a questão como natural, apesar de não ser convencional. “Isso faz com que, desde cedo, o filho aprenda a ter respeito pela diversidade”, diz ela, e completa que, se o assunto for bem trabalhado, a própria criança passará a defender os pais caso seja alvo de preconceito. “Flui normalmente, ela passa a admirá-los pelo que eles são e a homossexualidade vira 2º plano”.

As especialistas concordam em dizer que nunca se deve ser negada a adoção a um casal pelo simples fato de eles serem homoafetivos, mas é preciso avaliação. “Como há casais heteros que não tem estrutura e condições de criar um filho, também tem casais homos que não têm".



Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Estudo: Pais do mesmo sexo associados a crianças felizes

 
Por António Henriques

Sexta-feira, 07 Outubro 2011 16:06

Os pais homossexuais que educam crianças não provocam, por essa condição, infelicidade nos seus filhos. Um estudo realizado na Universidade da Virgínia (EUA) indica que as crianças são felizes de igual modo e nos casos em que têm pais do mesmo sexo parece existir maior harmonia.

A parentalidade homossexual foi alvo de uma pesquisa nos Estados Unidos, que tentou avaliar a felicidade das crianças, consoante a composição do seu agregado familiar: casal heterossexual, dois pais e duas mães.

A grande conclusão deste estudo, segundo a investigadora Charlotte Patterson, é que, independentemente daquele agregado, “todas as crianças estão igualmente bem”, o que indica que não há qualquer relação entre a sua felicidade e a sexualidade dos pais.

Aquela docente da Universidade da Virgínia refere, em declarações à agência Lusa, que “esta é a principal conclusão que deve ser retirada deste estudo”, que analisou 104 famílias, com casais formados por homem e mulher, dois homens ou duas mulheres.

Há aparentes vantagens na educação da criança por parte de um casal homossexual: “Os casais formados por pessoas do mesmo sexo parecem partilhar a educação dos filhos de forma mais igualitária, em comparação com os heterossexuais”.

O facto de se eliminar o conceito de que a mãe está mais próxima do filho do que o pai, mais envolvido nas tarefas profissionais, fica normalmente colocado de lado nestas famílias, porque não existe essa separação. “Ambos provavelmente trabalham e envolvem-se de forma equilibrada”, sustenta Charlotte Patterson.

Nos casais heterossexuais existe uma repartição de tarefas na educação dos filhos, conclui este estudo, que surge em vésperas da primeira conferência internacional sobre parentalidade lésbica, gay, bissexual ou transgénero, que decorre em Lisboa, com a presença de Patterson.

Esta professora – vista como uma referência mundial na psicologia da orientação sexual – indica que a homossexualidade “não parece ter qualquer interferência” na felicidade e qualidade da educação dos menores.

“As crianças com pais são felizes parecem estar bem. Os casais infelizes nas suas relações transportam para as crianças esse sentimento. O facto de os pais se darem bem e o grau de satisfação com o relacionamento são, isso sim, questões com efeitos nas crianças”, sublinha a investigadora.

Segundo Charlotte Patterson, a pesquisa carece de ser aprofundada, em virtude da idade das crianças analisadas. O estudo envolveu filhos com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos, cujos comportamentos e dinâmica de família ficaram gravados em vídeo.

Portugal vai discutir esta questão, num quadro de ausência de legislação para a adoção por parte de casais homossexuais. A ILGA é a entidade organizadora desta conferência que decorre na capital.

Fonte: http://www.ptjornal.com/201110073255/sociedade/estudo-pais-do-mesmo-sexo-associados-a-criancas-felizes.html


Postado Por Cintia Liana

sábado, 3 de setembro de 2011

Casal de lésbicas tem dupla maternidade reconhecida pela Justiça

Beneath this Burning Shoreline

30/08/2011 - 10h19 
Por Eliane Trindade
DE SÃO PAULO

De mochila cor-de-rosa e tiara da mesma cor, Kaylla Brito Santarelli, 3, é símbolo de uma conquista. Ela é fruto de um arranjo inédito de dupla maternidade reconhecida pela Justiça.

A garota de Jandira (Grande SP) vai se tornar a terceira criança brasileira a ter o nome de duas mães na certidão de nascimento. Até 10 de setembro, Kaylla receberá o novo documento. Nele constará o nome de Janaína Santarelli, 29, que a gerou, e o de Iara Brito, 25, que a adotou na condição de companheira da mãe biológica.

"O importante para a criança é que tenha figuras significativas que exerçam as funções parentais, independente de suas opções sexuais", diz a sentença da juíza Débora Ribeiro. O processo para reconhecer Iara como mãe da criança teve início em 2008. "Todos temos direito a formar uma família", diz Janaína. Ela realizou o sonho da maternidade após fazer uma fertilização com um doador desconhecido. Iara, com quem vive desde 2004, acompanhou todo o processo.

Kaylla chama Janaína de "mamãe" e Iara de "manhê". "Ela sempre diz que tem duas mães", afirma Iara. O casal vai relatar a experiência hoje em uma mesa redonda intitulada "Mulheres, lésbicas e relações familiares", promovido pela Secretaria de Estado da Justiça no Pateo do Collegio, na região central de São Paulo. O evento faz parte da programação do Dia da Visibilidade Lésbica, festejado ontem.

Cléo Dumas, especialista em direito homoafetivo, afirma que existem outros dois casos de dupla maternidade reconhecida no país. Um em São Paulo, no qual uma mãe gerou a criança e a sua parceira doou o óvulo. E outro no Pará, onde uma criança de abrigo foi adotada por um casal de lésbicas.

Além de provar que vivem uma relação estável, os casais passam por uma avaliação psicológica. Em Jandira, o estudo diz que Janaína e Iara "proporcionam a Kaylla ambiente saudável, afetivo e favorável ao desenvolvimento". O medo das mães era de que a filha fosse vítima de preconceito. Encontraram apoio dos familiares e na escola dela. Kaylla e os colegas não comemoram Dia das Mães ou dos Pais. "A escola instituiu o Dia da Família."



Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Maioria dos brasileiros é contra união estável e adoção por casais homossexuais

Beneath this Burning Shoreline

Por Luana Lourenço/Abr.
Publicado em 29.07.2011

A maioria dos brasileiros é contra a união estável de casais homossexuais, autorizada desde maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, divulgada ontem, 55% da população não aprova a união entre pessoas do mesmo sexo. O percentual é o mesmo quando o assunto é a adoção de crianças por casais homossexuais: 55% dos brasileiros são contra e 45% a favor. O levantamento mostra que, nos dois casos, a resistência é maior entre os homens, os evangélicos, os mais velhos, pessoas com menos escolaridade e de classes mais baixas. Nessas categorias, os índices de rejeição às causas homossexuais são maiores. Em relação à união estável, por exemplo, 63% dos homens são contra, enquanto entre as mulheres o percentual é 48%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 60% são a favor da decisão do STF, ao mesmo tempo em que apenas 27% dos entrevistados com mais de 50 anos têm a mesma opinião. Na população evangélica, o percentual de rejeição à união estável entre gays é de 77%.

Entre as mulheres, 51% são a favor da adoção de crianças por casais homossexuais, enquanto apenas 38% dos homens se dizem favoráveis a essa possibilidade. Nesse tema, a maior resistência está entre as pessoas com mais de 50 anos, categoria em que 70% são contrários à adoção por casais gays, e entre os evangélicos, na qual o percentual chegou a 72%. Apesar de a maioria ser contrária ao casamento e à adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, a pesquisa mostra que no dia a dia os brasileiros têm posturas mais tolerantes com os homossexuais. O Ibope perguntou qual seria a reação dos entrevistados se o melhor amigo revelasse ser homossexual. A grande maioria, 73%, respondeu que não se afastaria do amigo, 14% se afastariam um pouco e 10% disseram que se afastariam muito. A resistência é maior entre os homens: entre eles, o percentual dos que se afastariam em algum grau de um amigo que se declarasse gay é de 35%, ante 20% das mulheres. O instituto também questionou os entrevistados sobre a aceitação de homens e mulheres homossexuais trabalhando como médicos no serviço público, policiais e professores de ensino fundamental. De acordo com o Ibope, 14% dos brasileiros são, em algum grau, contrários à presença de médicos homossexuais, 24% têm restrições ao trabalho de gays como policiais e 22% são contra homossexuais trabalhando como professores de ensino fundamental.

Jornal Absoluto - Jaraguá do Sul SC


Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Justiça libera adoção para casal homossexual em Patos de Minas

Mandy Lynne

Por Ana Clara Brant

Publicação: 26/05/2011

Em tempos de luta pelos direitos dos homossexuais, reforçada pelo recente reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da união estável entre pessoas do mesmo sexo, decisão do Tribunal de Justiça de Minas (TJMG) oficializa mais uma prerrogativa dessa parcela da população. Por unanimidade, o TJ aprovou a adoção de um bebê por duas mulheres de Patos de Minas, uma analista de sistemas de 39 anos e uma advogada de 33.

Segundo o advogado Abelardo Mota, que representou as companheiras, é a primeira vez na história de Minas Gerais que um casal em união homoafetiva consegue adotar uma criança. “A singularidade do caso foi ressaltada pelo relator do processo. Isso comprova que o direito vem caminhando com a sociedade no que diz respeito à evolução das relações interpessoais. É sem dúvida um grande avanço”, comentou.

A decisão trouxe ao mesmo tempo angústia e emoção para as duas mães. A analista, que vive com a advogada há 12 anos, conta que nunca havia cogitado criar um filho, mas quando ficou sabendo de um recém-nascido que estava disponível para adoção, não pensou duas vezes. “Ele nasceu no Dia das Crianças, 12 de outubro de 2008, e 24 horas depois a gente ficou sabendo que poderia ser adotado. Entramos com o pedido, mesmo sem conhecê-lo. Foi um processo de dois anos e meio, mas valeu a pena”, ressalta.

Desde bebê, o menino passou a conviver com a nova família, e a nova mãe acredita que esse fator foi levado em conta pelos desembargadores. “A decisão mostrou uma evolução do Judiciário e visou ao bem-estar da criança, que é o principal nessa questão. O menino está com a gente desde que nasceu, somos a família que ele conhece e com que convive desde então. Por isso, seria justo que ele ficasse com a gente. Estamos no auge da discussão dos direitos dos homossexuais e esse caso veio acrescentar nesse sentido”, opina a analista de sistemas.

Ela também ressaltou os argumentos do relator do processo. “Ele lembrou que, quando começou sua carreira jurídica, há 30 anos, certamente sua decisão seria outra. Mas hoje, com tudo o que anda acontecendo, não poderia tomar melhor atitude do que a que foi tomada. Foi uma vitória e uma euforia muito grande. Nunca desistimos e não imaginamos nossa vida sem essa criança. Ele está conosco praticamente desde que nasceu e ficará eternamente”, comemorou.

Agora, o casal aguarda a decisão ser publicada no Diário do Judiciário para poder registrar a criança. “Vamos ter um fenômeno jurídico na certidão de nascimento do menino, que é a dupla maternidade, pois vai constar o nome das duas no registro. Mas ainda temos que esperar o prazo da publicação para que isso possa se concretizar”, disse o advogado Abelardo Mota. Como o caso corre em segredo de Justiça, por envolver um menor, o Tribunal de Justiça não dá informações sobre a decisão.


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Decisão do STF facilita adoção e pensão para gays

Mandy Lynne

05/05/2011 - 20h38

Por Mariana Desidério
De São Paulo

O STF (Superior Tribunal de Justiça) decidiu nesta quinta-feira, por unanimidade, que a união estável homoafetiva é equivalente à união entre heterossexuais. Com isso, casais gays de todo o país têm diversos direitos assegurados.

Haverá mais facilidade para adotar crianças, por exemplo, de acordo com Adriana Galvão, vice-presidente da comissão de de diversidade sexual do conselho federal da OAB e presidente da comissão no Estado de São Paulo.

Até agora, muitos casais gays escolhiam fazer a adoção em nome de apenas um dos parceiros, por não terem sua união reconhecida, o que gera uma insegurança inclusive para a criança. "Se o pai adotivo morrer, o outro não tem nenhuma responsabilidade jurídica", diz.

A advogada explica ainda que fica assegurado aos companheiros homossexuais o direito a requerer pensão alimentícia, a fazer uma declaração conjunta do imposto de renda, ou ainda a colocar seu companheiro como dependente em clubes ou seguros.

Considerado um companheiro estável, o parceiro do mesmo sexo poderá também reconhecer a morte do parceiro e assinar documentos necessários em hospitais.

Também fica mais fácil para o companheiro do mesmo sexo ter acesso à herança em caso de morte, de acordo com Maíra Coraci Diniz, que atua no núcleo especializado de combate a à discriminação e ao preconceito da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Entretanto, para Adriana Galvão, da OAB, a questão ainda não está clara, por envolver direitos de outras pessoas da família e devido às restrições feitas pelo ministro Ricardo Lewandowski em seu voto.

De qualquer forma, a decisão traz mais segurança jurídica, diz Adriana Galvão. "Hoje vemos decisões controversas de tribunais diversos sobre questões envolvendo casais homossexuais."

A decisão do STF não é equivalente a uma lei sobre o assunto. O artigo 1.723 do Código Civil estabelece a união estável heterossexual como entidade familiar. O que o supremo fez foi estender este reconhecimento a casais gays.

Agora, se um clube vetar o nome de um companheiro homossexual como dependente, por exemplo, o casal pode entrar na Justiça e provavelmente ganhará a causa, pois os juízes tomarão sua decisão com base no que disse o STF sobre o assunto, reconhecendo a união estável.

A nova regra também tem valor simbólico, diz Maíra Coraci Diniz, da Defensoria Pública de São Paulo. "A decisão do STF reconhece uma realidade que está posta e que as pessoas preferem não falar e vai gerar uma situação que pode ensejar uma mudança legislativa", diz. Ela ressalta que o ideal seria ter uma mudança na legislação.
O que o Supremo Tribunal Federal julgou?
Os ministros do tribunal reconheceram que a relação homoafetiva é uma "família" e afirmam que um casal gay, numa união estável, tem mesmos direitos de um casal heterossexual, numa união estável.
Quais os direitos que poderão ser reconhecidos?
Adoção de filhos, pensão/aposentadoria, plano de saúde e herança são alguns dos exemplos. O casamento civil, no entanto, não foi legalizado com a votação de ontem no Supremo.
A mudança é automática?
Em alguns casos, o direito poderá ser negado, e o casal terá de recorrer à Justiça para que seja reconhecido.
E na adoção?
Segundo especialistas, ainda deve haver dificuldades para adotar crianças. A decisão do Supremo Tribunal Federal não define explicitamente esse direito, apenas reconhece direitos e deveres da união homossexual.
Como ocorria até hoje?
Até agora, cada juiz decidia sobre os direitos de casais homossexuais segundo o seu entendimento. As uniões gays, até então, não eram aceitas juridicamente como uniões familiares em alguns casos.

Fonte: http://m.folha.uol.com.br/cotidiano/911819-decisao-do-stf-facilita-adocao-e-pensao-para-gays.html


Postado Por Cintia Liana

sábado, 30 de abril de 2011

A família e seus significados 1

Mandy Lynne

1ª parte, na íntegra, da entrevista de Cintia Liana, cedida ao Diário de Pernambuco

Qual a importância da família para uma pessoa?
A família é a principal fonte de afeto e cuidados, fornece base para o contato com o mundo, ela fortalece e ensina. No futuro, o comportamento do jovem dependará, em boa parte, deste contato saudável com as primeiras figuras de apego, assim como será o reflexo do funcionamento do lar, esse funcionamento pode ser saudável ou adoecido. Depende como os pais se comportam, dos padrões familiares, intergeracionais. Se deve buscar crescer emocionalmente antes de se ter um filho e não se tornar pai e mãe com o objetivo de se transformar num adulto, um filho não merece esse fardo, de nascer para fazer um outro crescer.

Uma família tradicional, formada por pai, mãe e irmãos, seria a ideal?
" O modelo de família conjugal, homem, mulher e filhos biológicos, difundido e imposto como o ideal não é o real, o mais forte e nem o principal modelo existente, nem hoje, nem no passado. Havia uma época em que as mulheres eram as chefes de família, separadas, trabalhavam dentro e fora de casa, mas mesmo assim, a literatura da elite dominante insiste em dizer que eram famílias chefiadas e sustentadas por seus homens, neste sentido, tudo indica que os homens também fizeram um pacto de poder." (SILVA, 2011, p. 43)

"De acordo com Corrêa (1981), não seria possível a predominação de um só modelo familiar na sociedade brasileira, tendo em vista a riqueza dos processos sociais, econômicos, políticos e diferentes áreas de ocupação e momentos na história. É um grave equívoco colocar um modelo de família numa obra literária como um modelo absoluto. Dizer que o modelo patriarcal de família era o mais comum entre todas as pessoas não é só negar os fatos históricos, é também esconder a verdade e, mais que isso, é contribuir para uma marginalização das outras formas de família." (apud SILVA, 2011, p. 43 e 44)

Filhos adotados por casais gays poderiam apresentar problemas futuros ou isso é mito?
É um grande mito. As pesquisas mostram que filhos adotados e filhos de homossexuais não têm mais problemas ou dificuldades que os outros. O que gera problemas é o abandono, a rejeição, a indiferença, a falta de compreenção, de amor e isso é algo que vemos também nos lares constituídos por pais biológicos e heterossexuais.

"Quando um filho de pais biológicos comete um crime, ninguém aponta e diz que é porque ele é filho biológico, mas se ele foi adotado o fazem. Nos dois casos ninguém  vai investigar as causas daquele desequilíbrio. Vivemos em uma sociedade onde o mais fácil é rotular e encontrar culpados e não sabedoria para seguir por um caminho desvendando a subjetivdade. As pessoas têm preguiça de olhar para dentro. Quando olhamos para dentro com verdade, lidamos melhor com quem está fora, com o mundo.
Se as pessoas enfrentam os preconceitos, as outras ganham força para se mostrarem e é isso que ocorre hoje, a homossexualidade não é algo novo, nem surgiu no século passado e a adoção é uma prática milenar, as outras conquistas vêem com a evolução da ciência. O que ocorre hoje é que se tem uma maior liberdade para mostrar o que sempre existiu." (apud SILVA, 2011, p. 45)

"Algumas escolas estão acompanhando esta evolução, isso tem que acontecer porque as pessoas estão se mostrando, se arriscando, exigindo respeito e serem ouvidas, elas querem o seu espaço merecido. As escolas que não o fizeram estarão atrasadas e farão como muitos outros grupos, esconderão o que é socialmente menos aceito embaixo do tapete. Como não falar de adoção e homossexualidade nas escolas? Medo? Falta de preparo? Então vamos estudar e nos abrir para o novo! Como não incluir os pais neste discurso? O peso do segredo só traz incômodo, ignorância, intolerância e mais preconceitos."  (apud SILVA, 2011, p. 45)

Como manter a união familiar, seja ela qual for?
Olhando para a necessidade de construção de conhecimento e não de manutenção de preconceitos. É preciso diálogo com sinceridade, transparência e se trabalhar o orgulho, lançando mão de uma terapia famíliar, se necessário.
O autoconhecimento é fundamental e proporciona uma base muito forte para enfrentar e vida e lidar com o mundo. Conhecendo a si mesmo se tem como fazer progressos, melhorar a própria realidade e se educar, como isso o relacionamento com os outros muda também e tudo fica mais fácil. Educar a si mesmo é difícil, por isso se cobra sempre mais do outro. As respostas estão dentro de nós, nós somos os responssáveis pala vida que temos e o que faz ela mudar é a tomada de consciência aliada a atitude.

Referência:
SILVA, Cintia Liana Reis de. Filhos da Esperança: Os Caminhos da Adoção e da Família e seus Aspectos Psicológicos. Agbook: Rio de Janeiro, 2011.


Por Cintia Liana

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Araranguá tem primeira adoção por casal homossexual

Mandy Lynne

18/04/2011

Uma criança de Araranguá é a primeira do Sul do Estado a ter sua certidão de nascimento registrada por duas mulheres graças a uma sentença judicial. Criança, hoje com dois anos, foi adotada pela companheira de sua mãe biológica. Decisão, divulgada esta semana pela Justiça de Santa Catarina, foi tomada pela magistrada Débora Driwin Rigger Zanini. Ela reconheceu o direito da autora depois de ficar comprovada a união da autora com a mãe da criança, em convivência harmônica e pacífica, comprovada por estudo social. As duas mulheres se conhecem e mantém uma relaçã estável desde 2008. Em 2009, a criança nasceu e a autora do processo assistiu toda a gravidez, e prestou auxílio moral e financeiro.

Na sentença, a juiza destaca que "não se pode fechar os olhos para aquilo que acontece em nossa volta, sendo certo que a união homoafetiva é algo público e notório, sendo cada vez mais presente no meio social. Por isso, deve merecer a tutela jurídica, semelhante ao que ocorre com os casais heterossexuais".

Disse ainda que, considerou necessário sepultar "velhos direitos, dotados de matriz preconceituosa", para reconhecer ao casal homossexual os mesmos direitos de qualquer casal heterossexual, em homenagem ao princípio da dignidade humana.



O nosso parabéns à juíza!

Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pai adotivo reclama de preconceito em decisão

Foto: Google Imagens

Em 2010, foi concluído o processo de adoção de um garoto - natural do município de Antônio Dias (MG) -, requerido pelo professor de medicina da UFRJ Paulo Mourão, que convive há mais de 30 anos com um companheiro. O parecer favorável da juíza da comarca de Coronel Fabriciano reconhecia as capacidades legais e sociais do adotante para assumir a paternidade. Mas, alegando a ausência da presença materna, a magistrada decidiu manter o vínculo do menino com a mãe biológica.

A decisão implica em uma série de limitações jurídicas que impedem a plena liberdade e realização da família. Segundo Paulo Mourão, uma das dificuldades é a restrição a deslocamentos, como viagens ao exterior, e a maior dificuldade para a criação de um plano de previdência em que o garoto possa ser registrado como seu dependente. "Além disso, essa decisão gerou um problema de repercussão psicológica, criando uma desestabilização emocional nele e em mim", lamenta.

A justificativa divulgada no processo, redigido em quatro páginas pela juíza Beatriz dos Santos Vailante, reconhece que o menor está perfeitamente adaptado ao convívio do requerente e do seu companheiro. Mas, "a meu sentir, ainda que viva bem com seus requerentes e familiares, necessário se faz manter o vínculo jurídico com a mãe biológica", relata a magistrada citada por Paulo Mourão.

Após três anos de avaliação, desde quando o processo começou, em 2007, o professor afirma que já recorreu, no ano passado, à segunda instância para que o caso seja julgado novamente e a primeira decisão judicial seja revista.

"Se a lei permite que eu possa adotar como homem solteiro, e a juíza diz que, no seu sentir, o caso não atende às necessidades do menor, o 'sentir', na minha opinião, é uma expressão de preconceito", lamenta Paulo Mourão, que entrou com o pedido de adoção por meio da lei do Estatuto da Criança e do Adolescente, que fornece o direito à adoção a homens e mulheres solteiros, independentemente da orientação sexual. "E nunca omitimos que éramos um casal. Fizemos o procedimento como nos foi orientado pelo serviço social da comarca do Rio de Janeiro", complementa.

Parecer "interessa à sociedade"

Paulo Mourão analisa a decisão judicial, por meio do parecer da juíza da comarca de Coronel Fabriciano, como um exemplo de discriminação contra a adoção realizada por homens solteiros ou declaradamente gays.

De acordo com ele, este não é um caso pessoal, que afeta apenas os gays. "Interessa à sociedade, uma vez que o sistema legal emperra os processos, enquanto várias crianças permanecem sem um abrigo no país".

Fonte: IBDFAM


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Casais gays prestes a obter conquista

Foto: Google Imagens

22/02/2011 | Fonte: Jornal Estado de Minas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decide amanhã se as regras do direito de família podem ser aplicadas a casais gays. Apesar de a Justiça brasileira, em todas as instâncias, cada vez mais reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, o tema ainda carece de uma jurisprudência mais clara. Em muitos processos envolvendo relacionamento de pessoas do mesmo sexo, a união homossexual tem sido reconhecida como sociedade e não como família, por isso o julgamento de amanhã pode consolidar a posição da Justiça brasileira em torno do assunto.

O caso envolve um homem que se separou de seu parceiro depois de 11 anos de vida em comum. Ele ganhou na primeira instância da Vara de Família da Justiça gaúcha o direito à partilha do patrimônio do casal, todo registrado em nome do ex-companheiro, e o direito ao pagamento de pensão alimentícia. Em recurso ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, a pensão alimentícia foi suspensa e a divisão de bens mantida, no entanto, o parceiro que foi obrigado a dividir o patrimônio de bens recorreu.

Sua defesa alega que a decisão do TJRS viola artigos do Código Civil que reconhecem a união estável apenas como homem e mulher e também os que tratam de sociedade de fato. O recurso quer que o STJ declare a incompetência da Vara de Família para o caso e solicita que os bens sejam partilhados conforme demonstrada a contribuição efetiva de cada parceiro. O nome dos envolvidos na ação é sigiloso.

Em razão da relevância do tema, o caso vai ser julgado por um colegiado de 10 ministros responsáveis por todos os casos relativos a Direito de Família e Direito Privado. Segundo o STJ, esse processo foi remetido a tal colegiado para uniformizar o entendimento da corte superior sobre o assunto e criar uma jurisprudência consolidada a respeito em todas as turmas da corte. O processo é relatado pela ministra Nancy Andrighi, que em outros casos já se mostrou favorável ao reconhecimento da união homossexual à luz do direito de família.

Para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, a Justiça como um todo precisa entender que a união gay não é um negócio, sujeito às regras de constituição de sociedade. "A união gay não é uma mera junção de interesses financeiros." Segundo ele, em várias instância a Justiça, para não reconhecer que existem famílias homossexuais, fica "dourando a pílula" e tratando o assunto como se fosse puramente financeiro. "Apesar de as dificuldades que ainda existem, a justiça vem dando decisões favoráveis à nossa causa. Vamos continuar na batalha, pois queremos o reconhecimento de nossos direitos civis", afirma Toni Reis.

Adoção enfrenta entrave

Em Minas Gerais, um médico e professor universitário de 59 anos briga na Justiça para conseguir regularizar a adoção de um menor que vive sob sua guarda desde 2007. Vivendo há 30 anos uma união gay, Paulo Mourão iniciou em 2007 um processo de adoção de um menor em Coronel Fabriciano, Vale do Aço. No ano passado, depois de um estudo social sobre a situação do menino na família, a Justiça local deferiu o pedido de adoção, mas manteve os vínculos do menor com a mãe biológica. "Uma família não precisa necessariamente ter uma figura materna", disse ele.

De acordo com o médico, esse foi o argumento usado pela Justiça de Fabriciano para manter o vínculo do menor com a mãe. Com essa decisão, o nome da mãe do menino, com que o pai adotivo nunca se encontrou, continua na certidão de nascimento do menor e nada pode ser feito sem o seu consentimento da Justiça. "Meu filho tem um pai adotivo e mãe biológica, que sequer se conhecem."

Ele afirma que "curiosamente", três das irmãs de seu filho foram adotadas na mesma comarca e em todos os processos a mãe biológica foi destituída dos seus poderes sobre as filhas. "Ou seja, a mesma mãe foi tratada de uma maneira nos processos de adoção por casais heterossexuais e de outra no processo de adoção por um homem solteiro e declaradamente homossexual. Isso é uma demonstração flagrante de preconceito e discriminação", reclama Mourão, que mora no Rio de Janeiro com o companheiro e o filho.

Segundo ele, além dos problemas de ordem prática, como, por exemplo, não poder viajar para o exterior sem a autorização da Justiça, porque não detém a exclusividade sobre a guarda da criança, a decisão ainda traz problemas de ordem emocional. "Nosso filho ficou abalado com essa decisão. Ele não quer mais contato com a mãe nem com a família biológica." O caso de Mourão tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais em sigilo. A expectativa do médico é que o julgamento ocorra até agosto.



Postado Por Cintia Liana

domingo, 23 de janeiro de 2011

O filho de Elton John

Foto: Google Imagens

Por Maria Berenice Dias

Filhos que os pais não querem ou não podem exercer o poder familiar sempre existiram. Legiões de crianças abandonadas, jogadas no lixo, maltratadas, violadas e violentadas, escancaram esta realidade. A sorte é que existem milhões de pessoas que desejam realizar o sonho de ter filhos.

Daí o instituto da adoção, um dos mais antigos que se tem notícia.

Agilizar este processo de encontrar um lar para quem quer alguém para chamar de pai e de mãe deve ser a preocupação maior do Estado, pois não há solução pior do que manter abrigados crianças, adolescentes e jovens.

Mas a onda fundamentalista e conservadora que vem tomando conta deste país tem gerado empecilhos de toda a ordem para solucionar grave problema social. Apesar de este ser um número que ninguém quer admitir, existem mais de 100 mil menores de 18 anos de idade literalmente depositados em instituições sobre as quais o Estado não consegue manter qualquer controle. O Cadastro Nacional da Adoção busca mascarar este número, ao indicar um pequeno contingente de crianças disponíveis à adoção, o que só revela a enorme dificuldade de agilizar o processo de destituição do poder familiar.

A Lei 12.010/2009, a chamada Lei Nacional da Adoção, não faz jus ao nome, pois só veio dificultá-la. Na injustificável tentativa de manter a criança com a família biológica se olvida que esta é a pior solução. Além de a justiça levar muito tempo na busca de algum parente que a deseje, nem sempre ela ficará em situação regular. A primeira tentativa é entregar a criança aos avós.

Como eles não podem adotá-lo, terão somente a guarda do neto, o que o deixa em condição das mais precárias. Ao depois, sempre será estigmatizado como o filho de quem não o quis e assim se sentirá quando encontrar a mãe nas reuniões de família.

Fora isso, é tal a burocracia para disponibilizar crianças à adoção que, quando finalmente isso acontece, muitas vezes ninguém mais as quer e os candidatos a adotá-las perderam a delícia de compartilhar da primeira infância do filho que esperaram durante anos na fila da adoção. É tão perverso o cerco para impedir o acesso a crianças abrigadas que os adotantes sequer são admitidos para realizar trabalho voluntário. E quem não está cadastrado simplesmente não pode adotar.

Ao depois, de modo muito frequente, por medo de serem multados, juízes e promotores arrancam crianças dos braços dos únicos pais que elas conheceram para entregá-las ao primeiro casal habilitado, sem atentar que estão impondo uma nova perda a quem teve a desdita de ter sido relegado.

Tudo em nome do respeito aos malsinados cadastros que deveriam servir para agilizar a adoção e não para obstaculizá-la.

Mas é necessário chamar a atenção para uma nova realidade que não é possível encobrir. Em face das enormes percalços impostos à adoção, ao invés de se sujeitarem a anos de espera, quem deseja ter filhos está fazendo uso das modernas técnicas de reprodução assistida.

O nascimento do filho do cantor Elton John e de seu marido David Furnish é um exemplo emblemático. Depois de terem tentado, sem sucesso, adotar um órfão ucraniano, fizeram uso da gestação por substituição, a chamada barriga de aluguel, que ocorreu nos Estados Unidos, por ser procedimento não aceito na Inglaterra.

Aliás, o documentário da HBO denominado "Google Baby" mostra a existência de uma verdadeira indústria que comercializa fertilizações e está sendo utilizada com enorme desenvoltura. Os candidatos escolhem via internet a mulher que se dispõe a vender seus óvulos. Ela se submete a um tratamento que multiplica o número de óvulos, que são extraídos, congelados e transportados para que a inseminação seja feita no país onde os contratantes residem. Depois da fecundação o embrião é levado para a Índia, onde o procedimento é permitido e os custos são baixos. Implantado em mães gestacionais, elas ficam confinadas durante a gravidez. Após o nascimento, o filho é entregue a quem contratou o serviço, que o registra em seu nome.

Apesar de esta ser uma prática legítima, tem um efeito assustador, pois impede que as crianças abandonadas que se encontram espalhadas pelo mundo tenham a chance de conseguirem uma família. Quem sabe perdem a única possibilidade que teriam de sobreviver.

Não tivesse o governo da Ucrânia, de forma para lá de preconceituosa, impedido a adoção homoparental, certamente a criança que o casal britânico havia escolhido estaria a salvo da morte por inanição, destino mais provável de milhões de crianças dos chamados países do terceiro mundo. Aliás, da mesma injustificável recusa foram alvo Madonna e Angelina Jolie quando desejaram adotar crianças dessas regiões.

Mesmo diante de todo o avanço econômico que tem empolgado os brasileiros, a realidade por aqui não é diferente. A lei não proíbe, mas também não admite de forma expressa a adoção por casais homoafetivos, o que leva ainda alguns juízes a negar-lhes a habilitação conjunta.

Assim a solução que vem sendo encontrada por quem só deseja concretizar o sonho de ter uma família com filhos é simplesmente gestá-los. Se seus, se adotados ou fertilizados em laboratório, não importa, muitos querem ter direito à convivência familiar.

O fato é que Estado não pode esquecer que tem o dever de cumprir o preceito constitucional de dar proteção especial, com absoluta prioridade, a crianças, adolescentes e jovens. E, se o caminho da adoção é obstaculizado sobra um contingente de futuros cidadãos a quem é negado o espaço de felicidade almejado por todos: o direito um lar doce lar.

Maria Berenice Dias - Advogada - Ex-Desembargadora do Tribunal de Justiça- RS - Vice-Presidenta Nacional do IBDFAM. http://www.mariaberenice.com.br/.

Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mais uma vez o assunto é Adoção no "Mais Você"

Foto: Google Imagens

Queridos amigos da Adoção,


Amanhã, dia 06/10/2010, no Programa "Mais Você" da Tv Globo, haverá uma entrevista sobre adoção homoafetiva contando com a participação de um casal amigo do "Quintal", Carlos e André, assim como de suas filhas Valesca e Vanessa, abordando além da adoção homoafetiva, a adoção interracial e tardia.

Essa é mais uma oportunidade para refletirmos sobre os preconceitos ainda existentes quando o assunto é adoção!


Por Cintia Liana

domingo, 26 de setembro de 2010

História real de adoção homoafetiva - Parte 4

Foto: Google Imagens

Parte 4

5) Bom, o nosso filho foi adotado com 4 anos e 4 meses (está com 7 anos e 4 meses) e a nossa filha nós conhecemos com 6 meses e conseguimos a guarda com 7 (Já tem certidão final também), hoje está com 1 ano e 7 meses.

Nunca sentimos preconceito algum, nem social nem jurídico (acho que tudo é questão de conduta). A escola que o nosso filho estuda (e a nossa filha vai estudar no próximo ano) é muito boa e trabalha com o conceito de respeito as diversidades.

As famílias extensivas e amigos amam os 2 e nada é escondido. O fato de não ser nada escondido também não quer dizer que gostamos de exposição. As poucas vezes que permitimos a publicação de algo teve que ser feito preservando nomes.

Temos aqui muito da presença feminina o que dá de certa forma uma referência feminina para nossos filhos, mas isto é somente um fato e não sei se é tão necessário porém no nosso caso acho bom. Li alguns artigos de psicólogas que falam sobre o assunto e dizem que o que existem são funções de pai e funções de mãe que podem ser exercidas tanto pelo pai quanto pela mãe (ou por ambos). Eu sou o mais rígido dos dois (Característica do Pai) porém sou o que não consegue tirar o olho um minuto com medo que aconteça algo (Característica da mãe).

Para terminar. Espero que um dia termine este termo “adoção homo-afetiva” pois eu sou a favor da adoção por pessoas ou casais que tenham realmente condição de ser pai e/ou mãe, seja esta adoção feitas por solteiros, homossexuais, casal homo-afetivo, casal hetero, adoção inter-racial e todas as formas de adoção aonde realmente exista a adoção de fato, mas sou contra as mesmas adoções quando a pessoa ou casal não tem condições de adotarem de fato. Em resumo, sou contra rótulos como se o simples fato de um casal homo, um casal hetero ou uma pessoa solteira poder ou não adotar, dê ou retire de todos os outros com o mesmo rótulo carimbo de capacidade. Quem vai definir não são os rótulos, e sim o estudo Psicossocial aliado a conduta do adotante.

Abs.

PS: Para quem quer saber mais, nós autorizamos que fosse feito um TCC sobre um estudo de caso (ou seja, deste nosso caso em relação a 1ª adoção ), este TCC foi feito por um psicólogo que, na época, estava terminando o curso de direito (hoje já advogado ). O TCC se transformou em artigo de uma revista jurídica e tem um link na Internet que passo abaixo. A Nosso pedido os nomes foram mudados. Eu sou o João do estudo.

Texto original da exposição (todas as 4 partes expostas aqui também):

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=229210&tid=5486002928856943274&kw=adocao+homoafetiva


Maravilha, João! Obrigada novamente pela contribuição!
Cada vez mais percebo que quando existe preparo e coração aberto todas as portas se abrem!
Um abraço para toda a família!

Postado Por Cintia Liana