"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Epifanias adotivas e o temor das adoções por casais homossexuais na Itália

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Por Cintia Liana Reis de Silva
(Texto publicado na Itália)

Nesse período muito se fala na Itália sobre o casamento homossexual e se debate sobre as possíveis implicações que as uniões civis podem criar no nosso tecido social, em particular sobre a possibilidade de adotar e por isso senti a necessidade de contribuir através desta reflexão. Trabalho com adoção e avaliação psicológica há mais de 14 anos. Avaliei centenas de casos ao ano na 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador até 2009. Um dos meus livros publicados no Brasil em 2011 fala dos aspectos psicológicos da construção da família através da adoção. Escrevi dezenas de textos publicados sobre adoção e psicologia de família, sou uma pesquisadora. Me tornei um dos quatro psicólogos mais conhecidos no Brasil experts em adoção, chamada carinhosamente de "Fada da adoção" pela mídia e pelos pais. Moro na Itália por amor e não por necessidade e vim também a convite de trabalho, para ajudar casais italianos a adotarem crianças brasileiras, pela minha credibilidade e respeito, que muito orgulhosamente conquistei, e pelo trabalho que realizo com compromisso com a causa das crianças sem família. Neste momento, em que se discute na Itália o matrimônio gay, diante do grande temor da possibilidade da adoção de crianças por casais homossexuais, quero dizer que sou contra a ignorância e a obtusidade. O conhecimento e o amor podem salvar o mundo. Conheci por razões profissionais e tenho amigos com famílias compostas de dois pais e duas mães, feitas de amor, respeito e muita dignidade. Um filho adotado por um casal homossexual não se torna gay ou é infeliz por isso. O preconceito é que faz sofrer e não podemos nos dobrar diante dos preconceitos, mas educar quem ainda não ceita a necessidade de crescer e respeitar.
Existem filhos biológicos que crescem bem só com uma mãe ou um pai solteiro e, do mesmo modo, podem crescer com uma mãe ou um pai adotivo solteiro ou com dois pais ou duas mães e naturalmente escolherá fora do subsistema conjugal, composto por seus pais adotivos, uma outra figura substitutiva do gênero sexual oposto para tê-lo outro ponto de referência, que pode ser um tio ou uma tia, um avô ou uma avó, ou também um amigo ou uma amiga muito próxima da família, tendo assim uma vida sadia e crescendo muito bem, se faz parte de uma família harmoniosa, com pais maduros, e isso não está ligado à orientação sexual. É importante salientar que quem adota deve passar por um processo que avalia a pessoa em todos os sentidos, e se é psicologicamente equilibrado, capaz de criar e educar bem uma criança e a orientação sexual não é absolutamente um indicativo porque os critérios de avaliação apontam para a relação consigo mesmo e com a vida e se o desejo de adotar é baseado numa vontade genuína de ter um filho e não em outros objetivos escusos ou patológicos.
É contraditório quando certas pessoas que vivem em um país onde o aborto é legalizado (com algumas restrições), hipotetizam as mais assustadoras fantasias sobre a adoção por casais do mesmo sexo, sem conhecer ninguém que vive esta realidade. Essas pessoas demonstram não ter nenhum pudor, como se estivessem realmente preocupadas com as crianças sem família, mas nunca fizeram uma visita a um abrigo ou a uma casa lar para dar atenção ou apoio emocional às crianças que lá vivem.
Existem tantas famílias de pais heterossexuais que vivem em verdadeiras "guerras familiares", feitas de traições, mentiras e segredos, com pais fracos ou autoritários, desonestos, invasivos, super protetores, desrespeitosos, com valores éticos equivocados, que repetem os modelos familiares intergeracionais adoecidos, e criam filhos desequilibrados, depressivos, infelizes, rebeldes disfuncionais, que têm um péssimo relacionamento consigo mesmos e com os outros, que colocam no mundo outros filhos ainda mais infelizes, e se permitem de expressar pensamentos plenos de preconceito, sem jamais terem lido nada a respeito, sem informações de fontes científicas e objetivas, falando dos homossexuais como se não fossem humanos, como se a homossexualidade fosse uma doença. Essas pessoas não querem crescer, mudar, ao invés disso se reconhecer nas crenças religiosas, familiares e mediáticas mais egoístas. Famílias compostas de pessoas que acreditam que procurar um psicólogo não é uma necessidade inteligente para conhecer a si mesmo e melhorar o relacionamento com a própria vida e com o mundo, mas como uma última escolha, ou até mesmo uma alternativa para os ditos "loucos".

Antes as mulheres não podiam votar e agora que podem ser até presidentes de um Estado, algumas ousam a ser contra a adoção por casais do mesmo sexo. A sociedade deve amadurecer e evoluir apenas para alguns ou para todos os cidadãos?

Sejamos um poucos menos egoístas, olhemos para além do nosso umbigo, devemos aproveitar este momento para exigir uma reforma geral no campo da adoção, porque existe uma realidade demasiadamente dramática e invisível aos nossos olhos, são 168 milhões de crianças abandonadas para adotar, come explica o presidente da Ai.Bi. Marco Griffini num artigo no site "La Repubblica", escrito por Sara Ficocelli, em 19 de dezembro de 2012. Para entender, "é necessário imaginar colocar em fila indiana, bem pertinho, um atrás do outro: a linha humana que formam dá uma volta no mundo, é longa como a circunferência da Terra". Essas crianças vivem uma realidade de quase prisioneiros, em situação de infelicidade, de abandono e insegurança, são pequenos e sobretudo maiores, que querem somente amor, pais ou mães, segurança efetivo-emocional e educação, independentemente da orientação sexual dos futuros pais, até porque eles foram abandonados por seus genitores heterossexuais. Como disse Lidia Weber em de suas frases, eles querem acreditar que "a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino".

Eu tenho uma responsabilidade, sou uma formadora de opinião e não posso ser uma falsa moralista, medíocre e hipócrita, sou uma militante, uma ativista e lamento constatar que estamos na "pré- história" da mente humana, como disse Edgar Morin. Mas não quero ser uma vítima da história, eu quero participar da história, e você? Seja feliz e deixe os outros serem também. Não precisamos ser homossexuais, negros, portadores de deficiência, idosos, pobres, estrangeiros e crianças para lutar a
favor dos direitos deles, basta sermos humanos e termos uma atitude adotiva, ou seja, um coração que adota.
Cintia Liana Reis de Silva é uma psicóloga e psicoterapeuta brasileira, é mãe e casada com um psicólogo italiano. Vive e trabalha na Itália desde 2010. O seu blog www.psicologiaeadocao.blogspot.com recebe mais de 20.000 acessos ao mês.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ferber ou Estivill se retratou. Se ligue! Não deixe o seu bebê chorando!

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Sabiam que o FERBER, o escritor daquele livro do método Ferber ou Estivill, que aconselhava os pais a deixarem o bebê chorando até cansar, se retratou? 
Pois é, após vender rios de livros com essa teoria violenta, ele veio a público dizer que a sua teoria estava errada, que faz mal, e que essa teoria serve só após os 3 anos. Pode? 

E quem deixou o filho chorar tanto, abandonado, ignorado, agora sente as consequências.



Consulte sempre um Psicólogo de Família.


Cintia Liana

Se aprofunde mais no tema com esse excelente texto:
http://psicologiaeadocao.blogspot.it/2013/11/nao-deixe-o-seu-bebe-chorando.html




quarta-feira, 29 de julho de 2015

O valor da adoção e da verdade

We Heart it


Por Cintia Liana Reis de Silva para a Revista Negócios & Cia (Salvador-BA) e para o Guia Indika Bem (Publicado o dia 25 de junho de 2015)

A cada ano que passa é muito mais fácil ver pais ou futuros pais que entendem o valor de se instaurar a verdade sobre a adoção no lar, que sabem que esse é o caminho a ser trilhado na educação dos filhos, afinal hoje a adoção é um assunto cada vez mais debatido, cujos tabus vêm sendo rompidos e trabalhados. Já escrevi muitos textos sobre o assunto. Não há vergonha alguma em ter sido adotado, ao contrário, houve uma escolha consciente para se formar uma família, onde não foi o acaso que falou mais alto, foi o amor.

Mas como nunca é demais tocar novamente no assunto, proponho mais reflexões.

Os pais devem sempre se lembrar que é preciso falar sobre o processo de tornar-se pai, mãe e filho desde que a criança chega no lar, mesmo que pequenininha. Ela deve saber que os vínculos de amor se formam na convivência e na intenção de amar, de acolher, ou seja, na atitude adotiva. Com todos os membros da família é assim, até com os filhos biológicos.

Não espere que o seu filho pergunte. Se ele não sentir que você está seguro em falar sobre a chegada dele, ele não te perguntará. Então se prepare e entenda que mesmo sem vínculos consanguíneos vocês se amam e nada mudará isso. Faça questão do amor do seu filho, esteja seguro desse amor, esteja seguro de que você o merece. Isso fará bem a todos. Se você não se sente seguro, procure um terapeuta e invista em seu crescimento pessoal, isso certamente refletirá na felicidade do seu filho.

Reflita. Se você descobrisse hoje que o seu filho não é seu filho biológico, isso mudaria o teu amor por ele? Mas seria um choque descobrir isso após 10 anos, não? Então acredite, ser adotado ou não, não muda em nada o amor que o seu filho sente por você, mas saber disso após os dez anos de idade pode ser bem desagradável e traumático.

Ser adotado não é uma deficiência, não é um problema. Se os outros são preconceituosos é um problema deles. Os preconceituosos é que têm uma deficiência. O preconceito reflete um forte dificit de inteligência e visão, é uma grande limitação. Ensine o seu filho a educar as pessoas, a ser um formador de opinião, a falar sobre adoção de uma forma bonita (isso não inclui contar a todos a história dele). O ensine a incluir e a acolher as pessoas que merecem, ao invés de se marginalizar, como se ele fosse um coitadinho, uma vítima do destino. Incluam também a escola nesse diálogo.

Concordando com a psicóloga argentina Laura Gutman, em seu livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra” (Editoral Del Nuovo Estremo, Buenos Aires, 2008, p. 145), parece que as crianças que foram adotadas possuem uma força excepcional e uma determinação enorme para superar dificuldades. Gutman crê que esta qualidade as faz de qualquer maneira donos dessa luz que os outros não veem e de um poder que os outros não detém. Ela diz também que estes encontros devem ser celebrados com um encantamento especial, já que aconteceram porque existiu o desejo de cuidar e amar um filho, e graças a um “chamado insistente” da criança, que de qualquer modo endereçou os pais até ela. São acontecimentos a serem valorizados, compartilhados, festejados como um matrimônio, como um nascimento, como formaturas e não a esconder ou dizer em voz baixa. Merecem ser festejados como uma maravihosa manifestação da força humana.

Já escutei e participei de centenas de histórias de adoção e já senti o quanto essas histórias são fortes e carregadas de amor e intensa emoção: quando se encontra pela primeira vez o filho, quando recebe a certidão de nascimento nova nas mãos, o quanto se festeja e se chora. Então é essa emoção que deve permanecer, que deve ser festejada a cada ano, que deve ser lembrada sempre e que deve servir para incluir as pessoas nessa felicidade.

Os seres humanos, em sua estrutura psíquica neurótica (quando não são psicóticos ou psicopatas), crescem com a sensação de inferioridade e tendem sempre a compreender que o mundo trabalha contra eles, que os desvaloriza, então é um exercício muito importante trabalhar esse padrão neurótico que todos têm e compreender que o outro, assim como nós, tende a achar que o diminuímos, que ele está sendo desvalorizado. A grande tarefa é nos sentirmos importantes por aquilo que representamos de bom, buscando internamente o nosso senso de valor, de humanidade, e só assim poderemos valorizar os outros, criando uma energia de gentileza e respeito que fará bem a todos. Quero dizer com isso que, não olhe para o seu filho como um pobrezinho, pois ele sente e se sente como você o vê. Olhe para ele como um grande homem e passe valores de um grande homem, contado a verdade sobre a sua origem de acordo com o seu grau de maturidade, pois todo ser humano merece integrar e entender a sua história para se sentir dono da sua própria vida, forte e inteiro.

Por Cintia Liana Reis de Silva para a Revista Negócios & Cia (Salvador-BA) e para o Guia Indika Bem (Publicado no dia 25 de junho de 2015)

Fonte: http://indikabem.com.br/filhos/o-valor-da-adocao-e-da-verdade

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Pediatras não são psicólogos

We Heart it
 
Um bom conselho de psicóloga, especialista, que trabalha há mais de 14 anos com famílias e crianças? Cuidado com os conselhos de alguns pediatras prepotentes que, com falas distorcidas e preconceituosas, explicam o que é de competência do psicólogo. Pediatras não são psicólogos e psicólogos não são médicos. Os dois estão no mesmo patamar de importância na saúde. Uma ciência não está acima da outra. Pediatras cuidam da parte física, psicólogos da parte mental e emocional que interferem no comportamento, na educação, nas relações e na felicidade. Consulte sempre um psicólogo, como você consulta um pediatra, eles sempre podem dar dicas importantíssimas para uma vida psicológica sadia para o seu filho, interferindo diretamente no futuro. Todos atentos pelo verdadeiro bem estar das crianças.
 
Cintia Liana Reis de Silva

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Meninas também usam azul

Cintia Liana

Minha filha vai usar só azul, claro! Brincadeira, ela vai usar todas as cores do arco íris e muito mais, ela vai nascer com esse direito, de conhecer tudo.

Mas quem se chocou com a afirmação deve se perguntar se ainda está vivendo na mesma época em que a mulher não usava calças, não podia votar e não trabalhava fora de casa.

Sinceramente, por segundos eu fico achando que as pessoas estão brincando comigo quando fazem cara de crítica, de deboche e de superioridade quando compro uma pecinha azul clara para minha filha. Será que na cabeça fantasiosa de quem pensa assim ela vai se tornar menino só por isso? Ou vai querer ser gay? Não sei de onde vem essa mentalidade. Isso é algum tipo de religião ou superstição? Isso ainda existe no Brasil? Porque aqui na Itália falam isso com naturalidade.

Gente, eu estudo teorias sistêmicas super difíceis de compreender, tento organizar adoções internacionais super complicadas e uma pessoa vem me dizer que menina não pode usar azul? É subestimar muitíssimo a inteligência alheia.

Enquanto eu me preocupo em como introduzir de maneira justa de uma só vez três idiomas em sua educação ou em como usar os florais certos deste cedo para despertar seus potenciais mais criativos as pessoas me questionam porque eu compro azul para ela. Pode? Culturazinha atrasada de merda, viu?
Não dou palpite na vida de ninguém, muito menos por uma palhaçada dessas. Me preocupo é com as crianças que vivem em situação de miséria e que devemos fazer algo, encontrar famílias adotivas, mudar as leis, acabar com os preconceitos.

Eu luto justamente pelo contrário, para minha mente se limpar dessas idiotices que não têm fundamentação teórica nenhuma. Cansada! Tem gente que critica tudo! Então penso em quem só me faz bem.

Não tem como não imaginar as mães adotivas, o que não sofrem com as críticas mais desumanas e ignorantes.
Minha filha vai usar sim a cor do “poder divino”, que é o azul, assim como vai usar todas as outras. Ela será educada para respeitar as diferenças e saber amar, estando ela com uma camisetinha bem chic azul ou rosa. Aí sim, a camisetinha é que não pode ser brega ou cafona. E mesmo assim não critico ninguém que seja brega por natureza. Mas mesmo assim, minha filha vai aprender a ter bom gosto desde cedo e saber identificar o que é de qualidade em tudo, começando pelos conceitos.

Por Cintia Liana

sábado, 5 de novembro de 2011

Objetivos do Conselho Tutelar

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Têm muitos casos onde não tem nada a ver com o conselho tutelar. Ele acaba por encaminhar as pessoas ao Juizado da Infância.

Pedido de adoção, guarda, tutela, medidas de proteção, denúncias, por exemplo. Isso tudo não é feito pelo conselho, quem faz é a Vara da Infância.

Um dos objetivos do conselho é manejar as relações da criança dentro da família, zelar, juntos aos pais de origem também, faz a manutenção das relações se necessário, promove que sejam atendidos e assegurados os direitos da criança dentro da família, na sociedade, nos grupos, aciona o juiz, mas não move processos, não as tiram dos genitores, esses casos eles encaminham para a Vara da Infância, é de competência do juiz atender aos direitos (o que não é o caso dos conselhos) e lá eles fazem todo o processo de avaliação.

Cintia Liana
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Conselho tutelar - a sua função NÃO É ATENDER DIREITOS; É ZELAR PARA QUE OS QUE DEVEM CUMPRIR OS DIREITOS DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES, EFETIVAMENTE OS CUMPRAM. Por isso, pelo Estatuto, os conselheiros tutelares necessariamente não precisam ser técnicos, nem ter qualquer formação universitária ou curso superior. A sua finalidade é zelar, é ter um encargo social para fiscalizar se a família, a comunidade, a sociedade em geral e o Poder Público estão assegurando com absoluta prioridade a efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes, cobrando de todos esses que cumpram com o Estatuto e com a Constituição Federal.
Este é o Conselho Tutelar que muda usos, hábitos e costumes em relação à criança e ao adolescente, cotidianamente enxergados como objetos, indivíduos incapazes e passíveis de medidas jurídicas e sociais julgadas(?) de seu melhor interesse. O NOVO CONSELHO TUTELAR não se caracteriza por atender direitos não atendidos, não cumpridos ou não satisfeitos regularmente por quem tinha o dever de cumprir; não é um órgão que age em substituição ou como uma conditio sine qua non para se obter os direitos que já estão assegurados na lei; é sim um órgão que força mudanças socias, que tenciona as estruturas do sistema para a ampliação do atendimento e da proteção aos direitos, que promove a apuração da responsabilidade dos que descumprem seus deveres ou os cumprem de forma irregular, que indica ao Conselho de Direitos as carências/ausências de recursos e de programas de atendimento, apontando necessidades de investimento das verbas do fundo municipal, que mobiliza e congrega sua comunidade, a sociedade e o Poder Público, chamando e organizando suas vontades e seus esforços, que participa ativamente nos fóruns políticos, que cria e propõe soluções alternativas no sentido da garantia à prioridade absoluta dos direitos das crianças e adolescentes.

sábado, 20 de agosto de 2011

Adoção isenta cobrança de IPTU

Beneath this Burning Shoreline

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011
Por Nathan Figueiredo

A 2ª Vara de Execução Fiscal Municipal e Tributária de Natal sentenciou e o Tribunal de Justiça manteve a condenação sobre o município, que deve reconhecer o direito de uma contribuinte à isenção de IPTU, que é aplicada para quem adota ou assume a guarda de uma criança carente. A sentença foi baseada na própria lei Municipal 117/1997, artigo 1º.

Desta forma, a sentença definiu que cobrança de IPTU deverá ser mantida enquanto a autora da ação for proprietária do imóvel e nele residir com a filha adotiva, desconstituindo-se, por consequência, todos os créditos e certidões de dívida.

A decisão no TJRN também ressaltou que, ao contrário do que argumentou o município, não existe inconstitucionalidade na Lei Municipal nº 117/94, já que o dispositivo não afronta norma constitucional.

“De fato, a nossa Carta Magna, ao dispor acerca das "Limitações ao Poder de Tributar", em seu art. 150, prevê a permissão de que os Municípios possam legislar sobre isenção tributária, por intermédio de lei específica, não havendo qualquer distinção entre os poderes, aos quais compete a sua iniciativa”, ressaltou o relator do processo no TJRN, o juiz convocado Dr. Guilherme Melo Cortez, em substituição ao desembargador Osvaldo Cruz.

De acordo ainda com o relator, a Constituição Federal ampliou a aplicação da extrafiscalidade, como forma de estímulo social à adoção de criança ou adolescente em situação carente e de abandono, não havendo que se falar em inconstitucionalidade.
Apelação Cível nº 2010.014180-2



Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 26 de maio de 2011

"Grávidas de sonhos" - Matéria com a participação da Psicóloga Cintia Liana

A Gazeta. Matéria com a participação da Psicóloga Cintia Liana

Para elas, a gestação dos filhos durou bem mais de nove meses e foi a realização de um projeto de vida

07/05/2011 - 16h51 -
A Gazeta

Por Elaine Vieira
evieira@redegazeta.com.br

Tem mulher que sonha em ser mãe desde pequena. Tem mulher que engravida sem querer. Tem quem faça qualquer sacrifício. Tem quem entenda que não precisa gerar para ter um filho. São tantas as formas de se tornar mãe, que os nove meses de gestação - que às vezes parecem tão longos - parecem não ser suficientes.

O sonho de ter um filho pode ser acalentado por anos a fio, planejado com precisão e, em alguns casos, acontecer quando menos se espera. Se um bebê só nasce ao fim de uma gestação, para nascer uma mãe pode ser necessário um tempo bem maior.

Muitas vezes, nem é preciso uma barriga para que duas pessoas se tornem mãe e filho. Quando algo impede ou adia o sonho de engravidar, muitas mulheres percebem que o ato de dar à luz, apesar de transformador, não é determinante para a maternidade e para o amor materno.

Para a psicóloga especialista em família e adoção Cíntia Liana, esperar o filho adotivo e amá-lo são processos semelhantes ao da gravidez.

"As futuras mães, sejam adotivas ou biológicas, têm muito em comum: elas sonham, querem, imaginam seu futuro filho. Se a gestação física não é possível, ela se dá no campo emocional, pois na adoção existe o momento em que é necessário refletir sobre as expectativas e as motivações que levam uma mulher a desejar um filho", pondera.

O direito de ser chamada de mamãe pode chegar por diversas vias, seja pela dor do parto ou pela ansiedade de aguardar na fila por uma criança. "É através do amor construído durante a espera por um filho imaginário que as mães se tornam aptas a cumprir esse importante papel", afima Cíntia Liana.


Injeções diárias por nove meses
Com menos de um mês de vida, a pequena Valentina nem sabe, mas foi fruto de muito esforço da mamãe, a supervisora Renata Gonçalves Martins López, 35 anos.

Em dois anos, Renata sofreu dois abortos espontâneos. E a melhor notícia veio por acaso. Renata estava se preparando para começar um tratamento, que iria pesquisar alguma incompatibilidade sanguínea entre ela e o marido, quando descobriu que estava grávida.

De lá para cá, foram nove meses nada fáceis. Para evitar que a imunidade alta "expulsasse" o bebê - como havia acontecido antes -, Renata tomava injeções de anticoagulantes todos os dias. "A insegurança era tanta que só contei para a família que estava grávida depois do quarto mês", conta.

Depois de tanta espera, ela se sente mais preparada para ser mãe. "Encaro as dificuldades como uma preparação para recebê-la. Hoje valorizo muito mais o fato de ser mãe, o que mudou até a relação com a minha, que ganhou sua primeira neta", frisa.

Dois jeitos de se tornar mãe
O primeiro filho da advogada Débora Fonseca Cunha, 38 anos, já chegou pronto. Aos 6 anos, Erick, hoje com 9, conquistou o coração dela e do marido, que o conheceram em um programa de apadrinhamento.

"Tinha passado os últimos 14 anos tentando engravidar. Apesar de não termos nenhum problema detectado, nós simplesmente não conseguíamos. Quando entramos no projeto de apadrinhamento, inicialmente não queríamos adotar. A intenção era apoiar e conviver com a criança, para que ela tivesse referências, mas o Erick nos escolheu. Em dois meses, entramos com o pedido de adoção", conta, emocionada.

O amor foi tanto que o casal até se mudou para um sítio na região serrana, para poder acompanhar melhor o crescimento do Erick.

Depois de viver o processo de adoção e de adaptação de uma criança, agora Débora se prepara para descobrir um novo jeito de virar mãe: ela está grávida! "Demorei a ligar os sintomas à gravidez. Não tinha mais expectativas com relação a isso, mas estamos amando a nova fase. Erick adorou, e já pediu 15 irmãozinhos", ri.

Maternidade no laboratório
Foram dois anos e meio tentando engravidar, até que a professora universitária Juselli de Castro Nazaré, 36 anos, casada há 12, resolveu dar uma ajudinha à Mãe Natureza, e optou por fazer uma fertilização in vitro.

Dessa vez, a primeira tentativa deu certo, e o resultado veio em dobro, atendendo pelos nomes de Luísa e Sofia, hoje com 11 meses.
Para garantir o sonho de ser mãe, Juselli usou parte das economias da família e parcelou o procedimento, que, para ela, não teve tantos efeitos colaterais.

"Já tinham me falado sobre as reações aos remédios que são usados para estimular a ovulação. Não senti nada, e a gravidez foi supertranquila também. Acho que elas estavam esperando o momento certo de chegar", destaca a mãe coruja.

Para coroar a felicidade, o Mês das Mães vai coincidir com outras comemorações da família: o aniversário de Juselli e das gêmeas, com poucos dias de diferença. "No ano passado eu ainda estava grávida no Dia das Mães, este ano vai ser especial", destaca Juselli.

Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 3 de maio de 2011

Fale de adoção sem traumas; Livros tratam o tema com delicadeza e carinho

Filha de amigos. Foto cedida pelos pais. Linda!
 
28/04/2011 - 14h02
 
Da Livraria da Folha
 
Falar de adoção já foi mais difícil, e de certa forma, até mais doloroso. É óbvio que a situação é incômoda e deve ser tratada com respeito, cuidado e afeto, mas hoje é grande o número de crianças adotadas e que convivem em paz com essa informação dentro da própria família, nas escolas e nas mais diversas situações.
 
Mesmo assim, na hora de falar com os filhos, é bom estar preparado para todos os tipos de situações. Afinal, a notícia aperta forte nas emoções e pode provocar angústias compreensíveis, mas também temporárias e reversíveis.
 
Para lidar com os pequenos, as palavras têm que ser bem escolhidas, a situação bem explicada. Não precisa fazer alarde com isso, nem tentar encontrar heróis ou vilões na história. É uma possibilidade bonita de vida, de se construir famílias, e o amor incondicional entre pais e filhos é o que tem que prevalecer.
 
A Livraria da Folha selecionou alguns dos títulos mais interessantes encontrados em nossa estante. Essas obras são destinadas a adultos e crianças, e elas comentam com muita delicadeza como lidar com o assunto.
 
As dicas para os pais os alertam sobre alguns passos falsos que podem deixar a situação chata, enquanto outros livros explicam para os pequenos o que significa esse universo, e o fazem com personagens carismáticos e felizes, despertando e fazendo-os compreender e aceitar com felicidade a oportunidade de ter um pai e uma mãe que os amam.
  
"Adoção, a Família da Flora"
Com bonitos poemas, o livro é destinado às crianças, e conta a história de Flora e de maneira sutil a razão por ela ter sido adotada. Do mesmo modo, a autora Carolina Coelho destaca o papel e carinho da família que cuida e se preocupa com a personagem.
 
Ao final do livro, uma série de orientações e dicas indicam para pais e educadores os aspectos mais importantes e que valem ser relidos com atenção.
 
"Somos Um do Outro"
O famoso Todd Parr também faz sua contribuição nessa história. Este livro é especial para mostrar aos pequenos que não há problema nenhum em ter uma família "diferente".
 
O personagem muito popular, querido e colorido ajuda diretamente as crianças a se sentirem bem consigo mesmas, e a enxergar que coisa boa é ter um papai e mamãe para viver momentos em família.
 
"Conversando com Crianças sobre Adoção"
Voltado para os adultos, o texto aborda o tópico do diálogo aberto com os filhos, em dar espaço para eles refletirem a respeito e fazerem as perguntas que quiserem, a fim de sentirem-se satisfeitos e compreenderem o assunto.
 
"Adoção"
Este livro também restringe a conversa com os pais. O texto serve como um verdadeiro roteiro, conduzindo toda a conversa sobre o assunto.
 
A obra aborda os assuntos relacionados à idade de contar, pais naturais, descarga emocional, afeto psicológico e como lidar com as emoções de frustração, negação e aceitação dos filhos.




Postado Por Cintia Liana

sábado, 16 de abril de 2011

Na filiação adotiva a realidade é outra

Foto: Débora Secco. Google Imagens.

Por Paulo Wanzeller

Depois que escrevi o texto sobre a tragédia no Rio de Janeiro, muitas pessoas me escreveram expressando opiniões, concordando, elogiando, percebi o quanto é bom colocar para fora algo que está preso; uma fala que poderia ser de muitas pessoas, até dizer o que muitos gostariam de ter dito; e que também dizem, quando repassam um texto uma opinião etc. Um desses contatos foi de uma amiga que me chamou a atenção especialmente. Refleti sobre o que ela escreveu e resolvi dividir ...

Não é por falso puritanismo, mas não tinha assistido ao filme “O doce veneno do escorpião”, para quem não sabe é o já “famoso” filme “Bruna Surfistinha”. Logicamente dei um jeito e assisti ao tal filme. Não recomendo. Poupem-se. Não será possível dizer: “a Débora Secco dá um show de atuação”, absolutamente, nada há de novo na miséria humana, no sentido da degradação social, se abrirmos os jornais está tudo lá, álcool, drogas, prostituição, desrespeito e tudo que envolve o submundo. Mas o que tem isso a ver? Nada! O fato é que o filme trás a mensagem subliminar de que a filha adotada, apesar de todas as condições econômicas, sociais e familiares, não se sentia no contexto daquela família, ela não se sentia parte, por isso procurou e encontrou o seu “caminho”. Alguns dirão: “ora mas é a história dela”, “ela foi realmente adotada” e ela “viveu tudo aquilo”. Com certeza ela, a Raquel, já que a Bruna é um cognome, nem se dá conta de que a mensagem negativa está lá. Com certeza os produtores estão “pouco se lixando” se as famílias formadas a partir da adoção se incomodam com mensagens negativas ligadas à adoção. Não interessa a eles. Tudo bem, este texto não é para quem não se importa, mas a nós interessa, e muito. Porque a filiação adotiva é sim especial. E é especial porque se tem como filho alguém que não se liga pelos laços da consanguinidade e nós vivemos em uma sociedade que se importa com a pseudo normose social. O parentesco por adoção se forma sem o envolvimento sexual de quem se torna o pai/mãe e pressupõe uma escolha íntima e não são raras as vezes envolvem perdas, luto e talvez uma consciência de fragilidade. Ora, se é assim, formada a filiação, e estruturada a família, não se espantem os críticos se “descobrirem” que os pais por adoção possuem igualmente um instinto de preservação da prole tão forte quanto os formados a partir da função biológica. A adoção precisa ser explicada aos filhos, é preciso dizer-lhes que a adoção é um ato de amor e que pelo amor o parentesco se desenvolve e se solidifica. Se é impossível preservar os filhos, eles precisam ser orientados. Não se pode calar diante de estereótipos sobre a adoção e silenciar diante dos filhos. São eles, e não os pais o principal alvo das distorções a todo instante nos diversos acontecimentos, por vezes até naturais da vida. Uma coisa é certa, estes exemplos não servem para educar, ao contrário, reforçam um preconceito que há muito vem sendo combatido e que hoje já se percebe menos explicitado.

Aos pais e mães por adoção, não se intimidem diante de exemplos negativos, é preciso estar atento e saber dizer aos filhos que a ficção é produto de uma imaginação, nem sempre criativa e que uma realidade não determina a outra; tais exemplos não servem para direcionar em uma família que tem no amor o principal argumento.

Texto do querido amigo e  companheiro de luta pela "cultura da adoção" Paulo Wanzeller.


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Possíveis desafios de adotar uma criança mais velha

Foto: Cintia Liana é citada na Revista Cláudia de dezembro de 2010

No mês de novembro cedi uma entrevista à uma das jornalistas da Revista Cláudia, Silvia Braccio. A matéria sobre adoção internacional será publicada na Edição de dezembro de 2010, que pode ser comprada nas bancas de todo o Brasil. Conta ainda quatro bonitas histórias de adoção. 
Como todos sabem, a Revista Cláudia é uma das mais vendidas em todo o País, direcionada a público feminino e com várias matérias de interesses diversos.
Fiquei muito feliz com o convite.
Como na matéria não tem espaço para publicar tudo o que falamos, ao contrário, publica uma pequena parte ou citações, resolvi postar aqui, aos poucos, partes da minha entrevista completa, cedida à jornalista.
Parabéns a revista Cláudia e a jornalista Silvia Braccio pela escolha do tema, que sempre ajuda a desmistificar muitos preconceito e, assim, possiblita mais encontros de amor, entre novos filhos e novos pais.


Foto: Google Imagens

Umas das perguntas da entrevista:
"Adoção Internacional"
Revista Cláudia - Quais os desafios de adotar uma criança mais velha?

Cintia Liana Reis de Silva - O maior desafio antes de adotar uma criança mais velha são os preconceitos e mitos que essa prática envolve. Crenças de que a criança já esteja tranzendo traumas vividos na família de origem e na instituição de onde vem; que já tragam hábitos ou vícios cotidianos difíceis de serem “retirados”. Medo de que a criança não se adapte ou que não reconheça os adotantes como “verdadeiros” pais, que rejeite os mesmos ou queira voltar para os genitores.

Há também a insegurança em achar que só com um bebê irá sentir amor, pois a chegada do bebê poderá se assemelhará ao máximo com um parto e será mais fiel aos meios e ritos “naturais” de se ter um filho.

Todas essas questões são muito corriqueiras, mas são fantasias que surgem da falta de informação e do preconceito. O pré requisito para uma adoção de sucesso é o desejo de amar, sem esse desejo não ocorre nem a adoção de um filho adotivo nem de um biológico, pois para se ter um filho biológico como um filho “verdadeiro” também precisa ocorrer um processo emocional de adoção, de acolhimento daquele ser. A única forma de assumirmos um papel e o desempenharmos bem em sua plenitude é sermos acolhidos e aceitos como tal.

Existem muitas vantagens em se adotar uma criança mais velha, por exemplo, elas desejam conscientemente uma família, já sabem que vêem de uma outra família, mas que por algum motivo não puderam permanecer com ela e precisam de pais substitutivos, estão dispostas a se doar e a amá-los como nunca.

Todas as adoções passam por fases e adotar crianças mais velhas não é mais complicado, o difícil é lidar com adotantes muito exigentes e muito metódicos, temerosos e muito inseguros, porque já bastam as inseguranças da criança, por medo de ser rejeitada mais uma vez, esta sim está ferida, mas com um grande desejo de recomeçar, de amar.

A adoção tardia é um tema que envolve muitos mitos não só imaginados pelos adotantes, mas também pela família extensa, amigos e companhias que estão em volta daqueles que desejam adotar e que muitas vezes dão conselhos respaldados numa mentalidade baseada nos dogmas ocidentais, numa visão reducionista e determinista do ser humano.

Se temos adotantes seguros, dispostos a dar amor e inicialmente não exigir que o futuro filho seja como eles esperam para ocupar este espaço, a criança se sentirá aceita e acolhida em sua totalidade e sentirá que o terreno é seguro para amar esses pais e que pode até desejar ser parecida com eles, pois são dignos deste amor e desta confiança.

Quando fui coordenadora do serviço de psicologia de uma Vara da Infância e Juventude no Brasil, em minhas reuniões, falava muito sobre adoção "tardia", sobre a necessidade de expansão do perfil, da transformação do desejo do filho ideal para o filho possível, pois não importa a idade para se tornar filho, o que conta é o desejo. Assim, via pessoas saindo da sala de reuniões dizendo que iriam direto ao serviço social mudar o perfil, pois adquiriu uma consciência de parentalidade e vínculo que não tinham antes, que não mais esperaria por uma criança que seria abandonada para estar em seus braços, mas que queriam uma criança que já estivesse esperando por eles em algum abrigo. Isso é um presente para mim enquanto profissional, é o melhor retorno, é maravilhoso!

Por Cintia Liana

domingo, 5 de dezembro de 2010

Filhos de presos sofrem com a negligência e preconceito

Foto: Google Imagens

29/11/2010
Por Felipe Maeda Camargo

Filhos de pai ou mãe presos passam por problemas como preconceito e abandono nos abrigos do município de São Paulo. Tal situação foi observada pela professora Maria José Abrão em sua pesquisa pela Faculdade de Educação (FE) da USP. O abrigo é um lugar que oferece proteção, uma alternativa de moradia para crianças que foram afastadas dos pais por diversos motivos, como violência doméstica, abandono e prisão do responsável.

Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o abrigo é considerado provisório e excepcional, utilizável como forma de transição para posterior colocação das crianças e adolescentes em família substituta. No entanto, Maria conta o caso de um jovem de 14 anos que relatou estar no abrigo desde que nasceu. Seus pais foram presos há 14 anos e, desde então, ele e seu irmão, hoje com 17 anos, ficaram em regime de abrigo.

“O jovem deveria ser reinserido na família com algum parente, isso é feito por intermédio de um trabalho com os familiares. Pela lei, a criança não deveria permanecer por tanto tempo no abrigo. Esta não pode ser uma solução para a criança, mas uma medida paliativa e de urgência”, comenta a professora.

Esse mesmo adolescente também relatou situações de preconceito na escola. Colegas faziam brincadeiras por ele ser filho de presos e até os professores o tratavam diferentemente. Segundo Maria, o exemplo do garoto não é exclusivo. Outras crianças e adolescentes que vivem em abrigos sofrem com diferentes tipos de preconceito. Ao visitar alguns abrigos, a professora percebeu que seus dirigentes e funcionários temiam comentar sobre as crianças filhas de pais encarcerados.

“As crianças acabam sendo penalizadas e estigmatizadas pelo crime do pai ou da mãe”, critica a professora, que aponta dificuldades que elas sofrem também para serem adotadas por causa do preconceito. Mas, ela relata um caso particular de quatro irmãos que tiveram a mãe presa. Um deles será adotado por uma família estrangeira; para que o processo de adaptação ocorra bem, o abrigo em que ele mora trabalha para que ele perca aos poucos a memória de sua mãe. Porém, Maria diz que a criança ainda tem um laço afetivo grande com sua mãe. Ela acredita que essa situação é complexa e pensa que prejudicará a criança.

Restrições

Segundo o ECA, os abrigos precisam preservar os vínculos familiares das crianças e não podem privá-las de liberdade, diferentemente neste aspecto de um internato. Apesar disso, Maria verificou restrições nos abrigos. Neles, não permitem que as crianças façam atividades escolares fora da escola ou do abrigo, além de não poderem visitar amigos fora desses locais.

Além disso, as crianças e adolescentes que conversaram com a professora disseram que não tinham contato com os pais. Somente em um dos abrigos visitados o dirigente admitiu que uma vez levou as crianças para visitarem seus pais na prisão, mas ele disse que a experiência não deu certo. “A criança não escolhe se quer visitar os pais , o adulto decide o que ela faz. Os abrigos estão mais preocupados com a questão de presos dos responsáveis pela criança do que as condições deles como pais”, afirma Maria.

Todos os relatos dos jovens que a professora obteve vieram de um abrigo que ela consultou para um trabalho de disciplina de sua pós-graduação na FE. Já em sua pesquisa, que fez parte de sua dissertação de mestrado pela FE, sob orientação do professor Roberto da Silva, nenhum abrigo permitiu que ela se aproximasse das crianças. De 20 abrigos consultados, somente sete permitiram que ela visitasse o local, com os dados vindos somente por via dos dirigentes.

Maria vê pouca preocupação com o a situação dos abrigos e do cuidado destinado aos filhos de presidiários pelas autoridades e comenta que há poucos trabalhos acadêmicos sobre o assunto. “As crianças filhas de pais presos são invisíveis, socialmente falando: pouco se sabe o que elas pensam, quem são, quantas são e onde estão. É urgente pensar políticas públicas para esse grupo a fim de garantir o direito à convivência familiar e comunitária como preconiza a lei.”



Postado Por Cintia Liana

sábado, 4 de dezembro de 2010

Adoção HIV, Uma Possibilidade de Amor

Foto: Google Imagens

Transmissão vertical pode ser evitada..

Promotora estima que menos de 1%das crianças e adolescentes soropositivos consigam um novo lar

O medo de perder um filho em pouco tempo ou os cuidados e medicamentos necessários aos soropositivos faz com que muitas pessoas ignorem a possibilidade da adoção de uma criança portadora do vírus HIV. Esse medo, porém, impede a vivência de uma bela lição de vida, como definem os pais que deixaram de lado o preconceito.

Não existe um registro exato sobre os números de adoções de crianças e adolescentes com HIV. Os poucos casos são lembrados com alegria por profissionais dos abrigos onde moram os jovens. A promotora de Justiça da 2ª Vara da Infância e Juventude - Adoção, Marilia Vieira Frederico Abdo, arrisca a estimativa de menos de 1% de crianças e adolescentes soropositivos adotados. "Elas não têm chance", lamenta. A promotora conta que, nos cadastros de pais candidatos à adoção, a opção "criança com HIV" sempre é descartada.

Órfãos da Aids ou abandonados pela família biológica ainda recém-nascidos, crianças e adolescentes com HIV crescem em abrigos que dispõem de estrutura necessária para atender ao público. A criação de espaços específicos para os soropositivos não se justifica pelo preconceito ou a preocupação em deixá-los com outras crianças, mas pela infraestrutura -medicamentos, equipe técnica preparada e outros- que oferecem.

Em Curitiba, duas instituições abrigam 50 crianças e adolescentes, que vivem em uma grande família. São elas a Associação Paranaense Alegria de Viver (Apav) e a Associação Curitibana dos Órfãos da Aids (Acoa). "Não os preparamos para a adoção. Proporcionamos uma vida com qualidade, saúde. A adoção é consequência", afirma a coordenadora da Apav, Maria Rita Teixeira. Nos dois abrigos foram contabilizadas, nos últimos 15 anos, pouco mais de 30 adoções.

Lição de vida

A adoção de crianças com HIV segue no caminho contrário ao das outras. Enquanto os pais interessados em adotar se dirigem à vara específica e são apresentados a meninos ou meninas com o perfil que escolhem, a adoção de soropositivos é fruto de uma paixão entre atuantes da área e as crianças.

"Os pais que adotam (crianças com HIV) são pessoas extremamente especiais. Eu digo que quem adota é acima da média, que não vai achar dificuldade em nada, não vê obstáculos", afirma a promotora Marilia. Ela ainda complementa que, diferente do que esperam aqueles que rejeitam a adoção de crianças com HIV, a oportunidade de ter uma família contribui para o bem estar dos jovens. "A carga viral (quantidade do vírus HIV no organismo) baixa drasticamente quando a criança vai para uma família", comemora. "Ela vive muito bem. Só desenvolve a Aids se tem baixa imunidade. São saudáveis, independente do HIV", complementa Maria Rita, da Apav.

A coordenadora da Apav acompanha de perto a melhora que uma família traz às crianças soropositivas. Ela, que considera as mais de 100 crianças já atendidas pela organização como sua família, adotou há dez anos um filho soropositivo, experiência que considera uma "lição de vida". "A adoção nos ensinou a viver, a enfrentar as dificuldades, não ter medo do futuro. O ser humano é muito egoísta, quer satisfazer a vontade de exercer a paternidade, não está preparado para sofrer. Muitos deixam de ser feliz com medo no futuro", afirma.

Transmissão vertical pode ser evitada

Curitiba - Entre cada 100 gestantes com HIV que não fazem tratamento durante a gestação, 30 crianças nascem infectadas pelo vírus, o que caracteriza a transmissão vertical. As chances do vírus da mãe passar para o bebê caem para até 2% quando é realizado o acompanhamento durante o pré-natal.

A transmissão vertical pode ocorrer em três momentos: durante a gestação, na hora do parto ou na amamentação. A maior incidência é referente ao momento do parto, 60 a 70% dos casos. O HIV passa de mãe para filho por meio do sangue e secreções da membrana que protege o feto, rompida nas contrações do parto normal. Em menor índice, a transmissão ocorre no oitavo mês de gestação. Além disso, as mães soropositivas não podem amamentar seus filhos, pois o vírus HIV também é passado aos bebês pelo leite materno.

A transmissão vertical só é comprovada quatro meses após o nascimento da criança. O teste que identifica o HIV é realizado no primeiro mês de vida e repetido após três meses, quando a criança desenvolve sua própria imunidade. Se o resultado for negativo no segundo teste, a criança não foi infectada. Caso o resultado seja positivo nas duas dosagens, a criança possui o vírus HIV.

Iniciativa curitibana

A estrutura de atendimento de gestantes com HIV faz de Curitiba uma pioneira e um exemplo no combate à transmissão vertical. Todas as unidades básicas de saúde da cidade disponibilizam o teste diagnóstico do HIV, também a todas as gestantes atendidas pelo Programa Mãe Curitibana. Durante o pré-natal, elas são acompanhadas e recebem medicamentos para dimunir a carga viral.

De acordo com o coordenador do programa, Edvin Javier Boza Jimenez, os índices de transmissão vertical entre as mães atendidas pelo programa são altos em gestantes usuárias de drogas, prostitutas e moradoras de rua, que não dão continuidade ao tratamento.

As adolescentes também são um público que preocupam a equipe do programa. Muitas delas não se aceitam como soropositivas, começam tardiamente o acompanhamento ou ainda descobrem o HIV durante a gestação, por isso, também abandonam o pré-natal e colocam em risco o combate à transmissão vertical. (C.G.B.)

'Cada um tem uma missão'

Curitiba - Para o adolescente Oliver (nome fictício), ser soropositivo não representa um problema em sua vida. Aos 17 anos, o jovem diz ter chegado à conclusão de que o convívio com o HIV é um sinal. "Já pensei que não precisava ter o vírus, não foi minha culpa, não abusei de nada. Cada um tem uma missão, se tenho HIV é que tenho que fazer alguma coisa", analisa.

Ele nasceu com o vírus, passado de sua mãe pela transmissão vertical. A descoberta aconteceu apenas aos 6 anos de idade, quando a mãe, que não sabia de sua sorologia e, por isso não fez acompanhamento específico para evitar a transmissão vertical, passou mal. Um teste verificou a presença do HIV em Oliver e em seu irmão mais novo, que hoje tem 15 anos.

De personalidade tranquila, Oliver está no último ano do ensino médio e faz um curso técnico em informática. No final do ano, presta vestibular para artes cênicas, para realizar o sonho de ser ator. Além dos compromissos com os estudos, o adolescente também se dedica à organização onde vive desde os 9 anos, a Associação Paranaense Alegreia de Viver (Apav). "Moro aqui, tenho de tudo e posso fazer algo para compensar isso."

O jovem mantém contato com a família, principalmente com a avó, com quem morou até os 6 anos. Mesmo sem a possibilidade de ser adotado, ele acredita que o receio dos pais em relação às crianças soropositivas é resultado da desinformação. "Não que a pessoa seja ignorante, mas não tem conhecimento sobre o assunto e fica com medo de adotar, até medo de pegar na criança. Isso não acontece, é só ter cuidado", explica. Para ele, a adoção é uma opção para ter filhos no futuro, além dos biológicos. Inclusive a adoção de crianças com HIV. "Você adotaria uma criança soropositiva", pergunto. "Com certeza", responde Oliver com brilho nos olhos. (C.G.B.)

Livro mostra dificuldades

Curitiba - No livro "Adoção PositHIVa - Adoção de crianças e adolescentes portadores de HIV/Aids em Curitiba", a jornalista Dayane Carvalho apresenta o dia-a-dia e as dificuldades da adoção de crianças e adolescentes com HIV na Capital.

Sensibilizada pela realidade dos jovens abrigados em casas de apoio, ela conheceu de perto a relação de amor criada com os pais adotivos. "Meu objetivo com o livro é fazer com que as pessoas saibam da possibilidade de adotar um filho HIV positivo. Que elas saibam que uma criança ou um adolescente soropositivo deve ser tratado como qualquer outra criança ou adolescente, deve ter uma vida normal e precisa do carinho de um pai e/ou de uma mãe. Pois o afeto, o carinho e o amor ajudam a aumentar a imunidade do seu organismo, tornando-o mais forte para enfrentar a doença", explica.

Fonte: Folha de Londrina
Autor: Carolina Gabardo Belo
Texto completo disponível em http://www.jusbrasil.com.br/


Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Natal 2010 - Espalhe essa Idéia

Foto: Google Imagens

Que tal fazer algo diferente, este ano, no Natal?
Sim... Natal... daqui a pouco ele chega.
Que tal ir a uma agência dos Correios e pegar uma das 17 milhões de cartinhas de crianças pobres e ser o Papai ou Mamãe Noel delas?
Há a informação de que tem pedidos inacreditáveis.
Tem criança pedindo um panetone, uma blusa de frio para a avó...
É uma idéia.
É só pegar a carta e entregar o presente numa agência do correio até dia 20 de Dezembro.
O próprio correio se encarrega de fazer a entrega.
Imagina uma criança pobre, recebendo o presente que pediu ao Papai Noel...

DIVULGUE P/ SEUS AMIGOS DA LISTA
Na vida, a gente passa por 3 fases:
- a primeira, quando acreditamos no Papai Noel;
- a segunda, quando deixamos de acreditar e
- a terceira, quando nos tornamos Papai Noel


Enriqueça a sua vida fazendo o bem, um simples ato que pode trazer tanta a legria e esperança a um pequeno ser humano.

Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mulher faz protesto para adotar filho de amiga

Foto: Google Imagens

IONILDA CUIDOU DA CRIANÇA DESDE QUE ELA NASCEU SEM O CONSENTIMENTO DA JUSTIÇA

Manifestação na Avenida Brasil nesta sexta-feira (22), em frente ao prédio da Vara da Infância e Juventude de Juiz de Fora. O motivo: uma criança dada para adoção.

A mãe Dayane Carla disse que antes de o bebê dela nascer foi à Vara da Infância e manifestou o desejo de dar a criança para adoção. Segundo ela, não chegou a assinar nenhum documento. A menina nasceu e ficou com uma amiga da mãe durante 40 dias.

Depois disso, Ionilda Aparecida Miranda procurou a justiça para legalizar a adoção. Foi quando descobriu que o procedimento estava equivocado. A juíza da Vara da Infância determinou a busca e apreensão da menina que foi entregue provisoriamente à uma família registrada no Cadastro Nacional de Adoção. Agora, a mãe biológica e a amiga lutam para ter de volta a recém nascida. Um inquérito policial foi aberto para investigar o caso.

Publicado em 22/10/2010 às 18:58
Por MGTV Panorama de Juiz de Fora


Para saber mais sobre este tipo de adoção vá até a caixa de pesquisa deste blog e coloque "adoção consensual" ou "Adoção Intuito Personae" e clique em pesquisar.


Postado Por Cintia Liana

domingo, 27 de junho de 2010

Conhecendo a Mãe de Origem e a Culpa

Foto: Google Imagens

Escrevi para uma mãe em culpa, em 2008:

Conhecer a mãe biológica pode ser muito bom, mas também se deve estar preparado, pois pode-se sentir o peso de uma culpa que é difícil de entender, mas é natural. Do ponto de vista psiquico isso é COM-PLE-TA-MEN-TE normal, mas acho que se deve falar sobre isso e talvez levar para um setthing terapêutico, seja ele qual for.

Às vezes a gente acha que ser mãe é fácil e que tudo se elabora assim, num passe de mágica ou que fica tudo resolvidinho, que fica lá escondido no fundo da consciência. Não mesmo! Somos movidos fortemente por essas emoções escondidas, isso às vezes desorganiza nossa vida e não sabemos os porquês. Pena que só buscamos ajuda quando a dor não é mais suportável e não trabalhamos antes de chegar a essa extrema dor.

Algumas mães sentem como se estivesse roubado a possibilidade da mãe de origem criar os filhos e que se não existisse essa mãe de origem daria um jeito de ficar com eles, mas isso quase nunca é real.

Se isso te deixa mais aliviada, lhe digo que o "mito da maternidade" não existe, ou melhor, como o próprio nome já diz, é um mito. Nem todas as mulheres querem ser mães ou desejam a gravidez. Têm mães, sejam elas biológicas ou não, que não amam e têm até raiva da criança, pois não a "adotou" de verdade. Vai lá saber das dificuldades e traumas dela!

Se der para conhecer a mãe biológica, veja pelo lado positivo. Poderá um dia proporcionar as suas filhas esse história, contada por você. Poderá dizer como você foi desapegada e segura ao se abrir para conhecer a outra mãe. Isso é a prova de que você tem um pacto de fidelidade com essa criatura que as trouxe ao mundo, que você é grata a ela, pelo fato de amar demais suas meninas. E esse amor é tão grande e maravilhoso que a faz ter gratidão e não um sentimento de competição ou insegurança. Só os bons sentimentos geram bons sentimentos, não é?

Seja feliz e continue reconhecendo seus sentimentos e limitações. É isso que lhe torna especial e não só ver lado bom e forte.

Um abraço.

Por Cintia Liana