"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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quinta-feira, 23 de abril de 2015

O sono dos recém nascidos e das crianças e o que ele pode comunicar

Fonte da imagem: www.babyboom.be (créditos e divulgação)

Por Cintia Liana Reis de Silva
Publicado do Guia Indika bem no dia 09 de abril de 2015

Aqui na Itália uma das perguntas mais frequentes quando nasce uma criança é, “dorme tutta la notte?” (dorme a noite toda?). Acredito que no Brasil essa pergunta também seja corriqueira.

Uma noite ou várias noites mal dormidas e ainda com o choro de um bebê, é algo que não se pode ignorar, é um evento capaz de tirar a paz das pessoas, mesmo quando se trata de um filho. O choro faz emergir muitos medos e fraquezas dos pais, faz nascer vários fantasmas e dúvidas sobre o universo psíquico da criança.

O sono das crianças é um tema delicado e a sociedade em geral crê muito e conhece pouco, e entre essas crenças está a de que o recém nascido deveria dormir continuamente e “bem”, logo que nasce. As mães se sentem pressionadas, pois a fazem acreditar que se a criança não dorme a culpa é delas e escutam frases do tipo, “ele é muito apegado você!”. Mas é claro que o bebê deve desejar estar nos braços da mãe! É a natureza! Esse tipo de opinião é desrespeitosa e não enxerga as particularidades dessa díade, mãe e bebê, não respeita essa relação que deve ser alimentada de calor e intenso contato no início, para que depois a criança adquira aos poucos a verdadeira autonomia.

A mãe precisa de tempo, espaço, respeito e de que acreditem nela e na relação mãe e bebê para que se sinta segura para olhar para a sua cria sem culpa e sintonizar com a sua energia, com a essência do seu filho, para intuir e enxergar o que é preciso, e só assim poderá se instalar mais tranquilidade no lar, e o bebê se sentirá mais sereno, além disso, deve entender que todo recém nascido precisa de tempo para se habituar aos horários dos adultos, aos horários impostos, pois na barriga ele não tinha nada disso. É uma mudança muito radical, consequentemente, não podemos simplificar esse fenômeno dando regras ao bebê.

A madrugada é muito longa e muito tranquila para o universo do recém nascido. Quando uma mãe entende e aceita esse fato, o seu esforço de se levantar durante a noite se torna menos intenso e cansativo, passa a ser algo muito mais natural, pois não sente culpa por achar que o fato da criança acordar a noite e chorar é por uma situação mal administrada por ela. Uma criança acorda e chora para pedir alimento, braços, presença, mais calor, mais conexão, segurança, mais disponibilidade emocional e aos poucos ela vai construido a própria identidade, o tempo do seu sono, e esse tempo vai se prolongando, ela vai aprendendo a autoregular-se, porque a mãe começou a construir e a dar à ela o suficiente “sustento emocional interno”. (Gutman, 2008)

A idade em que a criança começa a dormir durante toda a noite varia muito, então determinar isso se transforma em uma avaliação autoritária e cheia de preconceitos, compreensível só à razão e não à emoção. Não significa que um recém nasido esteja bem só porque dorme toda a noite, mesmo que isso seja consfortável para os adultos. (Gutman, 2008, p. 192)

Para se chegar ao estágio das noites inteiras tranquilas, nós psicólogos de família perguntamos aos pais o que pode estar acontecendo e o que esse bebê pode estar querendo comunicar, quando ele continua com um sono agitado e acorda muitas vezes durante a noite. Em outros textos meus escrevi bastante sobre a fusão emocional mãe e bebê, dessa forte ligação, onde o bebê reflete a alma da mãe, o que ela sente, ignora, rejeita, os seus medos e inseguranças, pois até mais os menos os dois anos após o parto são como um corpo só. Um comportamento maduro, além da mãe indagar-se sobre o que sente, seria o casal questionar como está a relação e se o pai está apoiando bem a mãe nesse momento. Isso só viria a favorecer a tranquilidade de toda a família, pois essa tranquilidade se reflete no sono do bebê.

No livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra”, a psicóloga argentina Laura Gutmam afirma o que eu acabei de expor no parágrafo anterior e diz ainda que a conduta de raiva, de implorar que o bebê não atrapalhe o sono desperta profundamente aquilo que estava adormecido no nosso ser interior (p. 191).

Em geral o que se vê é uma declarada presunção, um grande autoritarismo ao ousar dizer o que é “normal” ou não, o que é “sadio” ou não, ignorando a idade da criança, as particularidades do presente a família, a alma da mãe e do bebê e as necessidades dos mamíferos, impondo que a criança, que acabou de nascer, se separem do corpo da mãe imediatamente, para que ganhe uma falsa “independência”, sem nem antes ter sentido o prazer do que é “pertencer”, o prazer da segurança do calor da mãe, com a ilusão de que que estaria se “acostumando mal”. Mas sentir a segurança passada pela mãe é se acostumar mal? Como se tornar uma adulto inteiro, seguro, se a criança não teve a oportunidade de experimentar essa relação intensa com o mãe? Se lhe foi negado esse seu único desejo e direito?

Concordando com Gutman, a mãe deveria ter o apoio de todos para dedicar-se inteiramente nos primeiros meses aos cuidados do filho e tê-los nos braços sempre, amamentá-lo, ou contrário disso se vê puerperas desestruturadas psiquicamente, com medo, inseguras, criticadas, regredidas e assustadas sem ter a condição de se darem conta e acolherem o seu mundo interno, e assim a criança sente as mesmas inseguranças. Ajudar mãe e bebê é dar tempo e eles de renascerem e estabelecerem novos ritmos a favor da serenidade da psiquê da mãe e do crescimento sadio do filho.

Se fazer perguntas como, “por que não domir abraçada ao meu filho se esse é o nosso desejo?”, “por que não ficar com ele todo o tempo nos braços se esse é o nosso desejo?”. Não tenha medo, pois recebido o calor necessário, ele aprenderá a dormir sozinho e um dia não precisará tanto dos seus braços, então aproveite. Se pensarmos bem, o mais comum é encontrarmos pessoas carentes, com um baixo senso de autovalorização, que sentem que não receberam o suficiente dos pais, que não tiveram o calor que tanto desejavam e aquilo que não se teve na infância não será nunca mais satisfeito na fase adulta.

Como diz Gutmam, para criar bem um filho é preciso generosidade e uma ampla visão.

Por Cintia Liana Reis de Silva

Fonte: http://indikabem.com.br/filhos/o-sono-dos-recem-nascidos-e-das-criancas-e-o-que-ele-pode-comunicar

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Desânimo com o Processo de Adoção

Foto: Google Imagens

Depoimento de Cida Vasconcelos

Somos, eu e meu marido, um casal saudável, com 44 e 45 anos respectivamente, que tivemos a frustração de não poder gerar nossos próprios filhos biológicos, mas não desistimos e mesmo depois de muita frustração, dor e sofrimento com gravidezes e perdas, decidimos adotar, não como uma saída para nossa frustração, isso é muito claro pra nós, pois, apesar do desejo, somos felizes em nossa vida do jeito que ela é e queremos um filho ou filha pra sermos mais completos, mas não por sermos incompletos. Acreditamos na vontade Divina e esperamos nele o nosso futuro.
Mas, apesar disso tudo, e tendo seguido o processo de qualificação e "entrada na fila" como manda o figurino, é, neste momento de desânimo com a burocracia, lentidão, aparente falta de interesse e dedicação do nosso Judiciário com este processo.

Estamos há exatos 14 meses entre entrevistas, visitas, documentação, telefonemas e visitas ao Fórum e nem sequer entramos na fila. Teoricamente fomos qualificados pela psicóloga e pela assistente social, mas nada do Sr. Digníssimo Juiz se dar ao trabalho de pelo menos nos notificar de algo. Isso porque, além do mais, optamos por uma criança mais velha, sem restrição de cor, origem, doenças, etc. Isso mesmo, não somos o casal clichê que quer uma menina branca com menos de 2 anos. Ao contrário.

Não que eu ache que estão escondendo crianças, mas não há real interesse em resolver o assunto. Na minha opinião há desleixo, preguiça e falta de interesse, pois queremos adotar, temos condição e disposição, principalmente emocional e não nos dão NENHUMA satisfação, como se estivéssemos pedindo um favor ao sistema, quando estamos apenas solicitando um serviço deste sistema pago por nós mesmos.

É difícil acreditar em quem tem recessos de 3 meses no ano (não sei se Vara de Infância tem, mas no geral é o que vemos), em funcionário 9 às 6, quando a maioria de nós que é trabalhador privado e que recolhe os salários deles, fica às vezes 14 horas num escritório contando impostos pra este sistema emperrado e sem noção.

É revoltante ouvir matérias e artigos em revistas e televisão falando das crianças carentes nos abrigos, ir ao Fórum e ter que ouví-los dizendo que buscam em primeiro lugar o interesse das crianças e saber que no fundo estão se lixando em fazer um pouco mais do que cumprir tabela e ainda se sentirem os benfeitores do mundo.

Estas crianças poderiam estar bem melhor e nós, os casais mais felizes, se eles, os "servidores" públicos, fizessem melhor e mais eficientemente o seu trabalho, fazendo valer os nossos impostos e trabalho.

Desculpem, mas definitivamente, só crendo em Deus pra seguir adiante. Não se pode crer em mais nada, muito menos no sistema e neste Governo tacanho.
Obrigada por este espaço, é muito difícil falar e pelo menos saber que há um lugar específico para isso.
Bos Sorte e fiquem com Deus.



Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Quando Desconectados

Este texto é de uma pessoa muito querida, que se tornou uma amiga especial. Aos poucos fomos nos aproximando mais, compartilhando idéias, palavras e sentimentos sobre a vida. Muita honra para mim, pois é uma pessoa com muito mais experiência de vida que eu.
Roza, com z, tem uma vida construída em cima de trabalho, respeito e amor por todos que a cercam. Ela é mulher, mãe da uma bonita família, "quase vovó", ser humano sensível, encantador e iluminado.
Obrigada Roza, por fazer parte de minha vida e por me agraciar com seus e-mails, poemas e o carinho involuntário de sempre.
Cintia Liana

Foto: Google Imagens

Quando desconectados


Por Antonia Roza


A vida com seus altos e baixos, com as obrigações familiares, sociais, ocupacionais, assistenciais, vai deixando em nós marcas e, pior que isso, vai nos roubando a energia, o vigor, a coragem, vai tolhendo nossos movimentos e nos leva, finalmente, a desejar um lugar onde possamos enfiar a cabeça, isolando-nos do mundo, de tudo e de todos, para que possamos sentir um pouco de paz.
Chega um momento em que, para não piorarmos a situação, vamos nos calando, calando, sem querer preocupar ou incomodar ninguém e vamos sufocando nossa voz, tolhendo nossos movimentos, ficando inferiorizados, esquecendo de que somos estudiosos, inteligentes, dedicados e muito capazes para enfrentar grandes desafios. Ficamos minúsculos diante de situações e de seres que longe estão de atingir nosso nível de discernimento e de desenvolvimento e, em assim nos sentindo, perdemos totalmente a alegria da vida.
Isso só ocorre com as pessoas comprometidas com a família, com os amigos, com as responsabilidades.
Nesse emaranhado em que nos encontramos, ficamos desconectados do nosso “Eu Superior”, esquecemos de nossas crenças e de que, em momento algum, Deus não nos abandona.
Quando pensamos que estamos sofrendo escondidos , sozinhos, ele sussura ao ouvido de alguém e, este alguém passa a se preocupar conosco, independentemente de falarmos qualquer coisa. Aceite a orientação dessa pessoa que procura lhe ajudar.
Certamente ela lhe recomendará ir ao médico, a um psicólogo ou a um outro profissional habilitado.
Não seja resistente , não aumente o seu sofrimento. Seja dócil e humilde o bastante para se deixar conduzir. Tem momentos na vida em que temos que nos entregar aos cuidados de quem nos ama, de quem quer nos ajudar. O nosso Pai quer que nos deixemos carregar quando o peso do nosso fardo estiver demais para nós sozinhos.

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Roza, você é linda!
Por Cintia Liana