"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Depoimento: “Ah, são adotivos?” Sempre perguntam… São nossos filhos e pronto! Thais


Por Thais Doretto
28 de junho de 2016

“Sempre quis adotar, desde adolescente sentia que esse era meu caminho, como se Deus já tivesse me avisado. Casei e o desejo continuava, mas meu marido gostaria de tentar um biológico antes. Ok, poderíamos adotar depois. Eu engravidei mas perdi o bebê bem no comecinho. Então por algum tempo ficamos, eu e meu marido, estudando a questão da adoção, mais ele do que eu (risos).

Enfim decidimos entrar com os papéis.
Um ou dois meses depois minha cunhada foi convidada por uma amiga para fazer um trabalho voluntário com crianças carentes. Acabando o trabalho ela veio na minha casa e disse que tinha conhecido um menino que poderia ser meu filho. Fiquei emocionalmente enlouquecida para conhecê-lo. Porém não havia como, pois eu estava na fila e só me restava esperar. Sabia o nome dele e que ele tinha um irmão mais novo. Até tentei mais informações, mas as crianças que estão para adoção são protegidas pelo estado e é super difícil ter acesso, pelo menos aqui na minha cidade. Consegui descobrir os nomes, idades e que eles iriam voltar para a família. Mas não conheci nem por foto. Seus rostos eram em branco para mim, e então mais uma vez me apegava a Deus para que tudo se ajeitasse da melhor maneira possível para todos. Se não eram eles não era para ser e pronto. Deus ia me mandar meus filhos, tinha certeza disso.
Oito meses depois fizemos o curso e todas as etapas para que pudéssemos então entrar na fila de espera. Nosso perfil era de 3 a 8 anos, pois temos 5 sobrinhos nessa faixa de idade, e assim nos sentíamos confortáveis. Não importava sexo, cor e aceitávamos irmãos.  Sempre pensava, meu Deus essas essas crianças já foram tiradas de seus genitores, mais uma separação com os irmãos era demais a dor. Acreditava também que se viessem dois eles se sentiriam mais seguros, pelo menos um com o outro, metade da família já estaria em união, assim como eu e meu marido já estávamos unidos, e tudo poderia ficar mais fácil.
Na última entrevista com a assistente social, ela deixou escapar que achava que nosso processo seria rápido. Uma semana depois ela me liga dizendo que queria me mostrar duas crianças.  Explosão de felicidade !!! 9 MESES DE ESPERA durou minha gestação!
Chegando no fórum ela começou a contar a história deles, e quando ela disse os nomes e as idades a gente quase caiu da cadeira, para nossa surpresa eram os meninos que minha cunhada tinha conhecido! Impossível acreditar em simples coincidência !! Eram eles, Deus tinha me mandado meus filhos! Minha cunhada nem acreditava! Pensa na possibilidade disso acontecer. Ninguém do fórum e nem do abrigo e nem de lugar nenhum sabia do nosso precoce interesse por eles. Só eu, meu marido e minha cunhada!! Hoje ela é madrinha do mais velho, não poderia ser diferente não é mesmo?! Estamos com eles há dois anos, mas todo mundo pensa que é há muito mais tempo.
“Ah, são adotivos?” Sempre perguntam… Não entendo que diferença a palavra “adotivo” faz. São nossos filhos e pronto!

Foram muitas, mas muitas mesmo, dificuldade de adaptação com eles. Nos primeiros meses cheguei a achar algumas vezes que não daria certo, que eu não ia conseguir. Mas sempre me lembrava da tal “coincidência” e aos poucos Deus ia acalmando meu coração. Mas acho que isso já é uma outra história... É isso, Luciane. Foi um prazer contar minha história um pouco grande… Risos… Gosto muito de falar da minha experiência, é difícil parar de escrever até. Mas acho que está bom por aqui.
Grande abraço.” 
Thais Doretto

Fonte: http://gravidezinvisivel.com/depoimento-adocao-adotivos-filhos/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Desânimo com o Processo de Adoção

Foto: Google Imagens

Depoimento de Cida Vasconcelos

Somos, eu e meu marido, um casal saudável, com 44 e 45 anos respectivamente, que tivemos a frustração de não poder gerar nossos próprios filhos biológicos, mas não desistimos e mesmo depois de muita frustração, dor e sofrimento com gravidezes e perdas, decidimos adotar, não como uma saída para nossa frustração, isso é muito claro pra nós, pois, apesar do desejo, somos felizes em nossa vida do jeito que ela é e queremos um filho ou filha pra sermos mais completos, mas não por sermos incompletos. Acreditamos na vontade Divina e esperamos nele o nosso futuro.
Mas, apesar disso tudo, e tendo seguido o processo de qualificação e "entrada na fila" como manda o figurino, é, neste momento de desânimo com a burocracia, lentidão, aparente falta de interesse e dedicação do nosso Judiciário com este processo.

Estamos há exatos 14 meses entre entrevistas, visitas, documentação, telefonemas e visitas ao Fórum e nem sequer entramos na fila. Teoricamente fomos qualificados pela psicóloga e pela assistente social, mas nada do Sr. Digníssimo Juiz se dar ao trabalho de pelo menos nos notificar de algo. Isso porque, além do mais, optamos por uma criança mais velha, sem restrição de cor, origem, doenças, etc. Isso mesmo, não somos o casal clichê que quer uma menina branca com menos de 2 anos. Ao contrário.

Não que eu ache que estão escondendo crianças, mas não há real interesse em resolver o assunto. Na minha opinião há desleixo, preguiça e falta de interesse, pois queremos adotar, temos condição e disposição, principalmente emocional e não nos dão NENHUMA satisfação, como se estivéssemos pedindo um favor ao sistema, quando estamos apenas solicitando um serviço deste sistema pago por nós mesmos.

É difícil acreditar em quem tem recessos de 3 meses no ano (não sei se Vara de Infância tem, mas no geral é o que vemos), em funcionário 9 às 6, quando a maioria de nós que é trabalhador privado e que recolhe os salários deles, fica às vezes 14 horas num escritório contando impostos pra este sistema emperrado e sem noção.

É revoltante ouvir matérias e artigos em revistas e televisão falando das crianças carentes nos abrigos, ir ao Fórum e ter que ouví-los dizendo que buscam em primeiro lugar o interesse das crianças e saber que no fundo estão se lixando em fazer um pouco mais do que cumprir tabela e ainda se sentirem os benfeitores do mundo.

Estas crianças poderiam estar bem melhor e nós, os casais mais felizes, se eles, os "servidores" públicos, fizessem melhor e mais eficientemente o seu trabalho, fazendo valer os nossos impostos e trabalho.

Desculpem, mas definitivamente, só crendo em Deus pra seguir adiante. Não se pode crer em mais nada, muito menos no sistema e neste Governo tacanho.
Obrigada por este espaço, é muito difícil falar e pelo menos saber que há um lugar específico para isso.
Bos Sorte e fiquem com Deus.



Postado Por Cintia Liana