"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

sábado, 12 de abril de 2014

Ligaram-me para conhecer uma criança! E agora?

We Heart it
 
Por Rosana Ribeiro da Silva
Olá, pessoal! Voltei para falar um pouco sob os aspectos jurídicos da “ligação”! São vários pontos que devemos discutir para que tudo corra o mais tranquilamente possível. Vamos lá?
A primeira coisa que devem saber é que a criança pode ou não já estar destituída, logo é a primeira pergunta que vocês devem fazer ao técnico da vara da infância e juventude que fizer o contato.
Vejamos as respostas possíveis e suas implicações!
A criança pode ainda não estar destituída, podendo estar em processo de destituição ou ainda sequer existir ação de destituição em curso!
Se lhe disserem que a ação de destituição ainda não foi movida de regra isso significará que vocês é que deverão mover ação de destituição do poder familiar cumulada com adoção.
Importante que pergunte, se lhe disserem que a criança ainda não está destituída, se há ou não ação de destituição já iniciada pelo Ministério Público. Se não houver, questionem já neste primeiro contato se o MP moverá a ação ou se o adotante é quem deverá providenciar também a destituição.
Assim vocês poderá já decidir se aceitarão ou não a criança motivo do contato caso não queiram ter o gasto com a ação de destituição cumulada com a ação de adoção.
Bom, então temos que se a criança não estiver destituída ela poderá estar em processo de destituição movido pelo Ministério Público ou ainda sem ação em curso. Neste último caso o adotante deve questionar se o MP moverá ou se ele próprio é quem deve providenciar contratação de advogado para mover ação de adoção cumulada com destituição.
Se a ação de destituição estiver em curso movida pelo Ministério Público ou se a criança já estiver destituída a próxima pergunta a ser feita é: deverei mover ação de adoção ou a própria vara providenciará administrativamente a adoção?
Esta pergunta é importante pois há varas onde o juiz determina que a adoção, quando não cumulada com destituição do poder familiar e por isso é dito procedimento de jurisdição voluntária, se processe em cartório, dispensava a assistência de advogado.
Neste caso os adotantes ao receberem a guarda provisória da criança assinam um termo declarando que a querem adotar e a partir desta declaração, finda definitivamente a destituição, será processada a adoção e intimados os adotantes da sentença concessiva da adoção.
Todavia, este tipo de entendimento da legislação infanto-juvenil não é o mais comum. De regra os juízes entender ser necessária a propositura de ação de adoção pelos adotantes e isso implicará em contratação e advogado para propor e acompanhar o andamento do processo.
Se este for o entendimento (que é hoje majoritário) do juiz da comarca de origem da criança, a pergunta seguinte será: devo contratar advogado e propor a ação de adoção onde??
Há juízes que entendem que a ação de adoção deve ser proposta na comarca de origem da criança, pois a guarda provisória para fins de adoção só poderá ser concedida dentro de um processo de adoção já proposto. Ou seja, sem ação de adoção já proposta não seria possível a concessão da guarda provisória, logo ou você deverá contratar advogado para propor esta ação ou então assinará o termo de interesse na adoção da criança e dentro do procedimento assim instaurado terá a guarda concedida.
No caso da comarca exigir a contratação de advogado para mover a ação de adoção para nela ser concedida a guarda provisória e você for de outro Estado, você deverá decidir onde contratará. Se a ação for só de adoção, sem cumulação com destituição, o procedimento não é tão complexo e você poderá contratar o advogado de sua confiança independentemente de onde seja o seu escritório. Eventuais atos que devam ser praticados poderão ser via protocolo integrado ou por advogados colaboradores. Se houver cumulação de adoção com destituição o advogado deverá ser da cidade de origem pois é lá o domicílio dos genitores a serem destituídos.
Há, todavia, juízes que concedem a guarda provisória sem haver ainda processo de adoção em curso e, numa interpretação literal da lei (ECA), assim temos que esta ação deverá ser proposta no domicílio dos adotantes, pois são eles os guardiões da criança adotanda. Mas ainda assim há juízes que exigem que a ação de adoção, mesmo nestes casos, seja proposta na comarca de origem da criança.
O processo de adoção, por expressa previsão legal, é isento de custas. Ou seja, não haverá recolhimento de quaisquer valores a título de custa de andamento processual.
Isso, todavia não quer dizer que vocês estão dispensados de pagar honorários advocatícios!!
Uma coisa são as custas processuais e outra bem distinta são os honorários cabíveis ao advogado por sua contratação, como profissional, para condução do processo de adoção em juízo. Os honorários são devidos a todos os advogados que forem contratados para propor e acompanhar ações em juízo, inclusive as de adoção.
Há comarcas que possuem a Defensoria Pública. Em alguns Estados a DP move todas as ações de adoção pelos adotantes, mas na maioria isso não ocorre, movendo a ação apenas no caso de os adotantes serem pobre segundo critérios definidos por ela.
No Rio de Janeiro e no Distrito Federal, por exemplo, a ação de adoção poderá ser movida pela Defensoria Pública mesmo que os adotantes tenham boas condições econômicas. Isso não ocorre em outros Estados.
Assim temos resumidamente o seguinte: ao receber a ligação devo perguntar:
1. A criança já está destituída?
2. Se não, já há ação de destituição em curso movida pelo MP?
3. Se não houver, ele moverá ou eu deverei mover a ação de destituição?
4. Se a criança já estiver destituída deverei propor ação de adoção ou ela correrá administrativamente sem necessidade de contratação de advogado?
5. Se houver necessidade de propositura da ação de adoção com contratação de advogado, eu deverei propor a ação para receber a guarda da criança ou a receberei sem ainda existir processo de adoção em curso?
6. Se eu receber a guarda provisória sem ainda existir processo de adoção em curso, eu poderei mover a ação de adoção na minha comarca ou terei de propor na comarca de origem da criança?
7. Se eu tiver de mover ação de adoção (na comarca da criança ou na minha) poderei fazer uso da Defensoria Pública ou terei de contratar advogado particular?
Bom, aqui temos um resumão do que é importante, do ponto de vista jurídico, ser questionado ANTES DE DIZER SIM ao ser contatado para uma criança.
Sugiro que já tenham tudo previamente decidido antes mesmo de haver o contato, pois assim vocês economizam tempo e frustrações.
Como a regra é que deverá haver contratação de advogado, o ideal é já ir fazendo um pé de meia exclusivamente para custear os honorários que serão cobrados. Mesmo quando se decide engravidar se deve fazer um pé de meia para arcar com a gestação e parto. Não há diferença para a gestação adotiva!!
Assim que se decidirem pela adoção deem início a uma poupança mensal para arcas com estes e outros gastos com a chegada de um filho pela adoção.
Abraços e até o próximo papo.
 
Por Rosana Ribeiro da Silva

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Período de adaptação de acordo com a idade do adotado

 
Conforme o perfil escolhido para a adoção, a adaptação de pais e crianças será diferenciada. Cada comarca estipula um período para a adaptação, que poderá ser maior ou menor dependendo da idade da criança, ou do vínculo construído com os novos pais. E como funciona o período de adaptação? O casal inicialmente conhece a criança, sem informar a intenção de adoção, evitando criar qualquer tipo de expectativas. A primeira visita costuma ser acompanhada pela assistente social até o abrigo. Inicialmente o pretendente a adoção pode passar o dia com a criança, se aproximar aos poucos e verificar se existe empatia de ambas as partes. Com a proximidade, a assistente social permite que o pretendente passe a fazer passeios com a criança, depois começam a passar os finais de semana juntos, até que passam a dormir na casa dos pretendentes. Após nova análise da equipe técnica do fórum é concedida a guarda provisória.
É importante ressaltar que no momento que os pais são chamados pela assistente social para conhecer seu filho, é um direito dos pretendentes à adoção saberem da situação jurídica da criança, se já foram destituídas do poder familiar (mais explicações na seção Perguntas e Respostas), e se não foram, qual o motivo, se houve alguma preparação das crianças para a adoção e como foi, bem como o histórico da criança, físico e psicológico, é importante saber de sua história de vida.
Quanto maior a idade da criança, maior será o período de adaptação. Cada faixa etária tem suas peculiaridades, de acordo com o desenvolvimento infantil e a história de vida da criança. Como em psicologia 2 + 2 não são quatro, e cada história de vida pode ter diversas peculiaridades e variáveis, procuramos sempre falar em linhas gerais, mas lembrando sempre que cada história é uma história, e precisa ser analisada no seu todo.
De maneira geral, podemos classificar esse período de adaptação conforme abaixo:
Bebês (0 a 3 anos de idade):
Nesse período a criança não apresentará lembranças concretas de seu passado, é mais fácil se adaptar ao funcionamento dos pais. Até os 2 anos de idade em alguns estados a guarda é imediata, não há necessidade do período de convivência/adaptação. Algumas comarcas fazem a adaptação em alguns dias, para que a criança se acostume ao casal, mas geralmente existe um rápida vinculação afetiva. Nessa fase a aproximação deve acontecer como aconteceria com um bebê gerado biologicamente, muito contato físico, acolhimento das necessidades, a escolha de um pediatra de confiança e exames de rotina. Acostume seu filho desde pequeno a conhecer a sua história, é importante que ele saiba que chegou até vocês pela adoção! Conte histórias na hora de dormir sobre o quanto desejaram um filhinho, que não nasceu da barriga da mamãe, mas estava destinado a ser o seu filho. Use a sua criatividade, misture a história de vocês com a história da criança, sempre falando com naturalidade, para que ele cresça seguro de suas origens. Quanto mais natural for para você e sua família, será natural para criança.
Dos 4 aos 7 anos:
Mesmo que a criança tenha sido abrigada por um tempo, ela ainda sonha em ter uma família. A vontade de se adaptar ao casal é muito grande, mas é claro que essa adaptação depende de como o processo de aproximação será conduzido, se ainda existe contato com a família biológica, se a criança tem irmãos e eles ficarão no abrigo ou serão adotados por outras famílias. Atualmente o Poder Judiciário evita separar grupos de irmãos (desde que haja vinculo, quando os irmãos não convivem costuma-se separá-los para facilitar a adoção). Cada situação precisa ser estudada e pensada pelo casal, para que a aproximação e a vinculação aconteçam da melhor maneira possível. Geralmente nesta idade a criança chama o casal de “pai e mãe” com rapidez, adaptando-se a família de maneira relativamente tranqüila. Busca semelhanças físicas e psicológicas, perguntando se é parecido com o casal. Usualmente o período de adaptação e vinculação pode levar até dois anos, por isso é necessário que o casal esteja preparado para os altos e baixos emocionais que virão nesse período, sempre acolhendo e deixando claro que são seus pais, e esclarecendo todas as dúvidas da criança quanto a sua história de origem.
Dos 8 aos 12 anos:
São crianças que já possuem um sofrimento muito grande, é como se uma casca fosse construída para evitar novas decepções. O medo do abandono já faz parte do funcionamento deles, e o período de testes pode ser maior e mais intenso. É preciso preparo do casal, muita leitura, apoio psicológico, mas é possível uma ótima vinculação, tudo irá depender da estrutura emocional da família e do acolhimento oferecido. A criança já tem uma lembrança viva dos genitores e da própria história, é preciso orientação para que o casal lide com a carga de sofrimento que vem acoplada à criança. Dependendo da história dos genitores é possível que a criança sinta culpa por deixá-los em uma situação desfavorável. Além de participar dos grupos de apoio, é importante a psicoterapia individual e familiar. Lembrando sempre que amor, diálogo e orientação psicológica auxiliam... e muito! Conheço muitos casos felizes de adoções tardias.
Acima dos 12 anos:
Muitos preferem fazer um apadrinhamento afetivo ao invés de adotar adolescentes. Infelizmente a partir dessa idade a adoção é quase inexistente, devido ao medo dos pretendentes em não conseguir lidar com essa fase da vida. Como em qualquer um dos casos citados acima, é preciso preparo e afeto, mas principalmente direcionamento para aquela criança que cresceu em uma Instituição, ou negligenciada pelos genitores. É preciso priorizar o vínculo afetivo sempre. Muitos pais se preocupam em correr atrás do tempo perdido na parte pedagógica, mas tente ter paciência, pois seu filho passou por muitas mudanças, e precisa se sentir seguro emocionalmente para conseguir se interessar por outros assuntos. Algo muito comum nesse período é a indiferença, especialmente quando os pais tentam tirar algum benefício como forma de castigar e impor limites (internet, vídeo game, etc..). As crianças maiores e os adolescentes reagem com indiferença, como se não ligassem para nada do que é cortado. É quase como se dissessem “nunca tive nada, não me importo se você tirar o que eu não tinha antes”. O estabelecimento de limites e a vinculação são o ponto principal, e a ajuda psicológica é essencial, especialmente para fortalecer os pais nos momentos de ansiedade.
Após o período de adaptação que costuma demorar alguns meses, dependendo da idade da criança e do adolescente (quanto maior a idade, maior o período de adaptação), é preciso ter consciência de que quando se decide adotar não há volta (a não ser em casos extremos). A criança ou o adolescente passa a ser seu filho, sua responsabilidade, com as coisas boas e ruins que vieram juntos. Filho não se devolve e o amor é construído dia a dia, com a convivência. Tente diferenciar se as dificuldades que surgem na sua família são relacionadas à adoção, ou se a questão é da dinâmica familiar (que poderia acontecer com um filho biológico). O acompanhamento psicológico pode auxiliar, especialmente com um profissional que entenda a dinâmica da adoção e suas peculiaridades.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VARGAS, Marlizete Maldonado. Adoção tardia: da família sonhada a família possível. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998.
Weber, Lídia Natália Dobriansky & Kossobudzki, Lúcia Helena Milazzo Filhos da solidão: Institucionalização, abandono e adoção. Curitiba: Governo do Estado do Paraná, 1996.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Consulte sempre um Psicólogo de Família. Amamentação consciente.

Foto: We Heart it
Texto: Cintia Liana Reis de Silva
 
Amigos, vamos divulgar? As crianças merecem.
Cuidemos dos detalhes agora para que os adultos de amanhã sejam mais felizes.
 
"11 Coisas que ninguém nunca te falou sobre amamentação e desmame": http://psicologiaeadocao.blogspot.it/2014/02/11-coisas-que-ninguem-nunca-te-falou.html

A amamentação é indicada ao menos até cerca dos 2 anos. Respeitem!

We Heart it
 
Come diz a OMS, a amamentação é indicada ao menos até cerca dos 2 anos. Não há espaço para preconceitos. Respeitem e deixem em paz mãe e bebe. Se é desconfortável para você, é um problema teu! Fale com o teu terapeuta.
 
Come dice l'OMS, l'allattamento é indicato al meno fino a circa i 2 anni. Non c'è spazio per i pegiudizi. Rspettate e lasciate in pace mamma e bimbo. Se ti è scomodo e' un problema tuo! Parlane con il tuo terapeuta. 
 
Cintia Liana

Charge do Dia - 04/03/2012 - Por Lorde Lobo/ Jornal Agora Rio Grande
 
 

Eu quero dizer a minha filha que ser mãe...

Uma bela histo'ria.
 
Nós estamos sentadas, almoçando, quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em “começar uma família”.

— Nós estamos fazendo uma pesquisa — ela... diz, meio de brincadeira. — Você acha que eu deveria ter um bebê?

— Vai mudar a sua vida — eu digo, cuidadosamente, mantendo meu tom neutro.

— Eu sei — ela diz. — Nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas…

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar: “E se tivesse sido o MEU filho?”; que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar; que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzi-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote; que um grito urgente de “Mãe!” fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina; que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino, ao invés do feminino, no McDonald's, se tornará um enorme dilema; que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que jamais se sentirá a mesma sobre si mesma; que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho; que ela a daria num segundo para salvar sua cria — mas que também começará a desejar mais anos de vida, não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias, se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que, através da história, tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender por que eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que me torno temporariamente insana quando discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro dos meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta.

Quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Quero que ela prove a alegria que, de tão real, chega a doer.

O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

— Você jamais se arrependerá — digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto-lhe a mão e faço uma prece silenciosa por ela e por mim e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho esse que é o mais maravilhoso dos chamados; esse presente abençoado de Deus, que é ser mãe.

Autor Desconhecido

terça-feira, 4 de março de 2014

A importância da independência familiar e como criar famílias mais unidas

Aproveitei a entrevista que cedi ao Portal UOL e escrevi esse texto:

Google Imgens
Por Cintia Liana Reis de Silva
Hoje os indivíduos se perguntam sobre qual a importância de se manter a família unida e de como explicar isso aos familiares, mas eu, como psicóloga especialista em família, começarei a explicar conceitos bem mais essenciais e importantes que  moram atrás, na sombra dessa resposta.
O indivíduo, quando chega na adolescência, deve desenvolver o processo de progressiva autonomia individual em relação ao sistema familiar, isso não significa se separar totalmente da família de origem, nem muito menos brigar. Hoje existe uma confusão entre  autonomia e falta de ligação efetiva. O sujeito pode continuar unido à ela, mas em outro nível, pois ele deve se tornar responsivo e maduro e isso significa pensar, sentir e agir por si mesmo, de acordo com sua própria consciência, com a maior liberdade possível do que crê e do que lhe ensinou a sua família. O ideal é que ele faça melhor do que os seus antepassados fizeram.
Todo sujeito, para amadurecer de verdade, tem que passar pelo processo de questionar o que recebeu dos pais, se perguntar sobre o que recebeu de bom e o que o limita para a vida adulta, ele deve buscar entender os modelos familiares adoecidos, as profecias, os mandatos e as alianças familiares, as crenças ocultas, os segredos, os processos de projeção familiar e tentar o máximo possível se torna o principal responsável por sua felicidade e por suas escolhas, e não mais os seus pais.
O conceito de autonomia emocional é muito importante e essa autonomia é necessária para que cada indivíduo da família cresça e busque viver a sua própria história, e ainda assim se sentir pertencente a um grupo familiar no qual sente segurança e sente que é aceito e amado e que quer estar junto por prazer e não por dependência.
Infelizmente muitas famílias vivem o que chamamos na terapia familiar de identidade emotiva conglomerada, quando não se sabe onde começa o self de um e onde termina o do outro, por causa da grande interdependência existente entre os membros e ainda assim podem viver em meio a brigas e a desentendimentos. E mesmo que não briguem, quando existe um estado excessivo de coesão familiar significa que não existe liberdade para cada um viver a sua vida com independência emocional, causando sofrimentos, culpas, imaturidade e outras dependências, como a financeira.
Há uma confusão em relação ao conceito de união familiar. União não significa concordar em todos os pontos, nunca divergir ou estar sempre junto fisicamente. União significa desenvolver e sentir uma profunda noção de respeito e da necessidade desse respeito para a manutenção desses laços de amor. Para estar unido não é necessário concordar, e sim entender e aceitar. Existem famílias que são separadas por continentes e ainda assim permanecem unidas, uma dando força a outra em todos os momentos da vida.
Quando uma separação é feita através de um desentendimento não se trata de um processo de independência real e sim de um corte emotivo, uma ruptura traumática que trará muitos prejuízos a vida social de quem se separada e quando esse alguém tiver filhos essas feridas intergeracionais, se não forem tratadas, se reabrirão com os filhos. Todos precisam adquirir autonomia do sistema familiar de origem de modo sadio para se desenvolver socialmente de maneira satisfatória, sadia e madura.
O corte emotivo abrupto, a separação por uma briga ou por mágoa da família pode fazer do indivíduo mais dependente ainda desse sistema familiar, vivendo em função dele, baseando seus sentimentos em cima dessas mágoas, vivendo e alimentando essas mágoas, mesmo que não fale sobre elas, não lembre ou que não procure os membros de sua família.
É preciso que os preceitos de muitas culturas religiosas e os preconceitos sociais sejam trabalhados para que a psicologia de família atue, trazendo informações ao povo, à sociedade. Não é preciso mascarar e nem controlar as pessoas da família criando hábitos e crenças, mas fazê-las se darem conta do que as faz sofrer.
É necessário respeitar a crianças desde o seu nascimento, dar-lhe um apego seguro, atenção, afeto e disponibilidade incondicionais, encarando de frente as suas necessidades afetivas mais do que as físicas, pois desde cedo é que ela aprende o sentido de respeito e ela só poderá exercitar esse respeito com os outros se se sentiu respeitada, se experimentou na pele essa sensação de ser ouvida e aceita. É preciso estar mais atento para se trabalhar a importância e os conceitos de ética e respeito com os filhos e dar bons exemplos para no futuro termos adultos éticos que ensinar padrões comportamentais artificiais, regras de etiqueta e disciplina.
Mais do que estarem fisicamente juntas, as pessoas estão precisando tratar as suas feridas infantis, cuidar melhor das crianças que são o repositório da raiva e da ignorância de muitos pais, da falta de tempo, da falta de compromisso, de disponibilidade afetiva, que por sua vez trazem suas feridas da infância. Quem se prepara psicologicamente para ter filhos? A família precisa desenvolver mais o diálogo franco para se abrir para a disponibilidade de amar, baixar a guarda, curar essas feridas para deixarem de competir e assim andar numa mesma direção, buscando a  paz e a felicidade de todos. Quando existe investimento no autoconhecimento, diálogo e sinceridade emocional há mais espaço para o amor.
Estamos em pleno século XXI e os pais ainda procuram erradamente o pediatra, que é o médico do corpo físico, para se aconselharem, porém quando os temas são a mente, emoção, comportamento e educação esse pais deveriam procurar o psicólogo de família ou infantil, pois ele é quem está preparado e tem o devido conhecimento para responder às perguntas sobre os temas citados.
Na família acontece de membros que foram todos criados juntos se separem em determinado momento da vida, pois muitas pessoas se separam por divergências, por mágoas, pela mudança do funcionamento da dinâmica familiar, pelo falta de respeito das escolhas dos outros, pela mudanças de perspectivas, pela não aceitação das figuras de autoridade, por competição, pela falta de identificação nesse cenário de mudanças individuais, etc. Tudo o que acontece na adolescência e na fase adulta de cada membro de uma família tem base e encontramos respostas no que cada um viveu em seus primeiros anos de vida. A criança é um cristal de tão delicada, qualquer coisa a abala profundamente e a marca por toda a sua vida.
Se ao reunir toda a família acontecer uma briga, essa colisão, a depender do seu grau de intensidade e como ela será usada, pode ser vista como um acontecimento até positivo, pois manifesta um ponto tóxico. O seu conteúdo deve  ser usado para modificar o ambiente e o sentimento de todos, pois quando ela aparece mostra que já existiam mágoas antigas não manifestas, mas que deveriam vir a tona de algum modo e, como não veio através do diálogo pacífico e honesto, é porque acabou explodindo de uma forma  qualquer, numa situação onde o conflito ou a ferida foi tocada.
Nesse momento se deve encarar de frente os motivos, as causas desse conflito, indo a fundo, nem que seja no passado, onde toda a mágoa começou, para “limpar”, esclarecer o que aconteceu, dando chances às pessoas de se retratarem, pedirem desculpas e entenderem a dor alheia, só dessa forma as relações podem mudar e serem curadas, pois ninguém esquece nada do que passou, tudo fica guardado, nem que seja em nível inconsciente e é esse conteúdo, essas mágoas não vistas e entendidas de modo respeitoso é quem guia as relações cotidianas do sujeito, inclusive as de fora da família.
Para unir mais a família e se existe algum problema do passado, que fez com que os membros desta tenham se afastado, se pode motivar os membros a falarem sobre as suas mágoas, sobre o que sentem de desconfortável em cada relação e para isso é necessário se criar um ambiente de acolhimento e confiança, onde todos, com maturidade, responsabilidade e comprometimento estabeleçam um “contrato verbal e interno” de estarem alí com o mesmo objetivo, curar as feridas familiares.
Uma figura de autoridade ou uma figura muito empática da família, um ponto hiper-conector, pode propor e motivar essa conversa. Talvez os não envolvidos no desentendimento possam ajudar a promover a paz estando no momento, mas depende da posição e empenho de cada um na família e da relação de empatia que têm com os demais. Mas para isso, é sempre mais seguro ir a um sething terapêutico, um ambiente neutro, de um psicólogo especialista em terapia familiar, ele cuidará para que tudo corra bem e dê certo, na medida e que os pacientes se comprometem também em fazer “dar certo” o trabalho de autoconhecimento e reconhecimento da família.
Precisamos criar a cultura do autoconhecimento e da consulta ao psicólogo. É uma pena, nos tempos de hoje, ainda existir a falta de conhecimento do trabalho tão necessário e fundamental do psicólogo.
Para mostrar para todos a importância de se relevar as diferenças e passar a mensagem da importância da união familiar os pais devem estimular os filhos, desde pequenos, e se valorizarem pelo que têm de positivo, muito mais do que julgarem, criticarem ou apontarem os seu defeitos. Só num ambiente onde foi exercitado muito o respeito, sem comparações, sem jogos, chantagens emocionais ou manipulações é que as pessoas crescerão em harmonia e poderão estar mais unidos em outras fase da vida.
Se as famílias só se encontram em datas importantes e não em outros momentos do ano, os integrantes desta, se têm prazer de estarem juntos, se existir admiração e se condividirem os mesmo interesses, podem aproveitar para festejar datas importantes e significativas da história daquele sistema familiar. Quando existe o interesse em estar junto tudo pode ser motivo para a reunião, inclusive lembrar datas de luto em respeito aos que já se foram. Isso tem um enorme significado simbólico e afetivo para a entendimento e o fortalecimento da história da família.
Como falei no início do texto, o indivíduo deve buscar a autonomia emocional, física, financeira e em todos os outros níveis em relação a família, mas isso não significa cortas os laços com ela, mas sim vê-la de outro modo e estabelecer outro nível de importância para ela em sua vida. A hierarquia familiar continuará, a amizade, o companheirismo, a ajuda mútua, a reunião em datas importantes, as visitas, mas o adulto maduro não será dependente desses laços para viver, para tomar suas decisões, para percorrer suas estradas profissionais, para constituir a sua nova família. A sua família de origem não mais será o seu ponto de referência, pois esse ponto deve passar a ser o seu próprio eu, o seu próprio self. Ele estará junto dos seus entes por prazer e não por dependência. Ele deve ser homem da sua vida e não mais estar nas “mãos” da família.
O indivíduo que tem com a família uma relação autônoma, de respeito, de estabelecimento de fronteiras e a delimitação de seu espaço interpessoal tem a maior chance de ser menos reativo e a ser mais reflexivo, é o que chamamos de um alto nível de diferenciação básica do self. Pessoas mais dependentes da família, com pais imaturos, tendem a ser mais negativas, rebeldes e reativas e a terem um baixo nível de diferenciação básica do self, geralmente ainda precisa da confirmação e conselhos dos pais e familiares para viver e para se relacionar.
Essa frase de que “a família é a base de tudo” também é mal interpretada. O indivíduo adulto não deve alimentar um vínculo simbiótico com sua família de origem para que ela seja uma base sadia, ao contrário, uma família que dá uma base segura, um apego seguro ao filho ainda bebê, é aquela que sutilmente e delicadamente dá o que há de melhor e mais saudável para os filhos ainda pequenos, que não despejam as suas feridas infantis nesses filhos e assim eles poderão crescer mais felizes e se tornar adultos capazes de pensar, sentir e agir por si mesmo e, quem sabe, fazer melhor na vida do que os seus pais e avós foram capazes de fazer? A ideia é criar gerações mais conscientes e maduras. A base mais fácil para se criar adultos maduros é ter pais maduros.
A criação de outros vínculos multiplexos, ou seja, de outros vínculos além da família, só enriquece a vida dos seres humanos, criam outros níveis de relacionamento fazendo o indivíduo amadurecer e exercitar outras partes de sua psiquê, geram companhia social, apoio emocional, relações com outras multidimensionalidades, regulação social, acesso a  novos contatos e não deixa de ser o exercício e o aperfeiçoamento das relações que nasceram na família.
 
 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Para se tornar mãe nos dias de hoje

Indika Bem

Por Cintia Liana Reis de Silva
(Publicado dia 27.02.14 no Portal Indika Bem)
Na nossa cultura de hoje é duro se tornar mãe e mais duro ainda nascer. Querem acabar de vez com a natureza selvagem dos indivíduos, com o que ela tem de bom. Acabar com o parto natural, com a amamentação, com o contato livre e intenso entre mãe e bebê. Inconscientemente, as necessidades do recém nascido estão se tornando uma espécie de alergia social em prol do “não perder tempo”, do diminuir os custos nos hospitais, para que a indústria do leite artificial e farmacêutica não se enfraqueçam, para que as mulheres voltem a trabalhar mais cedo, etc.
Uma parte da literatura está sendo manipulada e a cultura popular quer ensinar imediatamente à nova mãe que o seu filho já deve nascer independente. Se eu disser aqui que os bebês, ao nascer, deveriam dormir junto ao corpo da mãe (não no meio do casal, mas ao lado da mãe), muitas pessoas vão pensar duas vezes se é verdade e se, de fato, traria benefícios aos dois, porque foram ensinadas que isso faz mal. Mas será que a bendita frase do conselho de não dormir junto com o filho nasceu do medo de que os pais fizessem sexo ao lado dele? Muito provavelmente. Nenhum estudo mostra que alguém fique mais dependente na fase adulta por ter dormido os dois primeiros anos de vida com a mãe. Ao contrário, estar em contato com o corpo da mãe a faz produzir muito mais leite e esse contato seguro dará uma bela base para que a criança cresça segura dessa relação intensamente íntima, que deve ser plenamente alimentada ao menos até os dois anos de idade, depois a criança naturalmente ganha mais autonomia psicológica e física. Tudo o que é saciado na infância dá mais força ao futuro adulto.
A mulher, que se prepara para ser mãe (os pais precisam se preparar emocionalmente), deve estar muito lúcida e segura de que precisa dar mais ouvidos à sua intuição, ao que diz a sua alma humana de mulher. Ela deva esquecer os conselhos disparados compulsivamente por quase todos, pois 99% deles são distorcidos e preconceituosos, advindos da nossa cultura ocidental capitalista. Ela não deve perder tempo com textos e livros de “receitas”, que dizem o que ela deve fazer e os passos a seguir nos cuidados com seu pequeno filho.
A mulher que se prepara para ser mãe, deveria ler o que a faz despertar para os dons da sua alma; o que motiva a sua essência a se iluminar diante de sua cria; o que a faz olhar e aceitar as suas reais necessidades; o que a faz enxergar suas feridas para não usá-las cegamente contra a criança, que a reflete de algum modo; a ver e a querer romper com seus padrões familiares adoecidos; o que a ensina a olhar amorosamente para a sua sombra, a se comunicar com ela para transformá-la em luz; o que a faz mergulhar em si mesma e a reencontra-se mais autêntica do que nunca; a reconhecer o que a faz se sentir magoada e ameaçada; que a fortaleça a ouvir a voz do seu coração e a entrar em contato sem receios com os seus medos e inseguranças; a ouvir o seu potencial criativo e curativo; a confiar em sua capacidade de entrega e doação e que a faça acreditar na força do seu amor, porque tudo o que ela sente, se reflete na psiquê do recém nascido.
Só uma mãe suficientemente fortalecida pelo verdadeiro conhecimento do ser humano, da sua mente e de seu filho, aconselhada por um psicólogo experiente e não por um médico (que só conhece a parte física), se sentindo apoiada pelo seu companheiro e por sua família, respeitada e tratada com afeto no momento do seu parto, momento em que que ela renasce, é que poderá ser capaz de fazer um filho crescer feliz e mentalmente sadio, numa relação límpida, nutritiva, madura e harmoniosa.

Cintia Liana Reis de Silva, psicóloga, especialista em psicologia de casal, família, infância e adoção, seu blog recebe mais de 15.000 visitantes ao mês, o http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Criando laços

 
O vínculo com o filho adotivo é construído no dia a dia, assim como com o filho biológico
Por Luciana Barrella, mãe de Luísa
30.01.2014
 
A “gravidez” de Juliana Ribeiro durou 4 anos. Isso mesmo, foi o tempo que ela ficou se preparando para receber a Lara, que chegou com 2 anos e 4 meses. A espera foi um teste difícil para Juliana, a prova de que realmente queria adotar.  O “sim” da menina, quando questionada se queria ser sua filha, foi como o momento do parto. Ali começou o vínculo entre mãe e filha. 
 
Há um período em que os pais se preparam para a chegada da criança, é a chamada “gravidez psíquica”, que os ajuda a transformarem o desejo de adotar em um ato de amor. Quando a criança chega, o vínculo não é automático. Assim como o vínculo com o filho biológico também não. Nos dois casos, é uma relação que se constrói. Aos poucos. 
 
Quem fica grávida passa os 9 meses imaginando a carinha do bebê, o som do seu choro e a sua personalidade. E, quando o bebê chega, nunca corresponde exatamente ao que os pais tinham imaginado. Não à toa, nossa diretora de redação, Mônica Figueiredo, disse para a filha, Antonia, assim que a viu na sala de parto: “Muito prazer”. 
 
Seja na maternidade ou no abrigo, o vínculo se concretiza com essa primeira apresentação. “Não existe diferença entre o vínculo materno biológico e o vínculo materno adotivo. Todas as crianças só se tornam filhos se, de fato, são acolhidas, consideradas, ou seja, adotadas”, diz Cintia Liana Reis de Silva, mãe de Flavia e psicóloga especializada em psicologia de família.
 
Suzana Barelli conta que, ao chegar ao abrigo com seu marido, Milton Gamez, e ver pela primeira vez a filha, Giovana, sentiu que ela era sua e que teria de conquistá-la. “Ela dormiu no meu colo e acordou minha filha. Foi um sentimento muito forte e intenso”. Com o segundo filho, também adotivo, o contato concretizou a percepção de ser a mãe dele. “O Igor me viu e quis vir no meu colo. Outro momento bem forte”.
 
Adotar um filho é um processo acompanhado de dúvidas e de preconceitos. Esse filho tem uma história anterior e isso pode amedrontar. “O processo emocional da adoção é o mesmo de acolher um filho biológico, mas também envolve aceitar que o filho já venha trazendo uma história precedente, da qual os pais adotivos não fizeram parte. É preciso respeitar”, diz Cintia.
 
A adoção não pode ser vista como uma alternativa de segunda linha só porque o casal não conseguiu ter filhos biológicos de nenhuma forma.  É importante desejar plenamente a adoção, se preparar e reduzir as expectativas e exigências. Muitas vezes, os pais esperam naquela criança a solução de todos os seus problemas, inclusive entre o casal. Filho, adotivo ou não, não resolve nenhum problema. Pode até causar alguns. Ou seja: é filho, vem com o pacote completo, alegrias, tristezas, conflitos. 
 
Receber uma criança é uma vitória e a realização de um desejo mútuo, já que a criança também quer ser acolhida. Aí, começa o processo de entender como será aquela família recém-formada, como os pais e os filhos vão reorganizar suas vidas para o equilíbrio daquele núcleo. “Não se trata de ensinar a criança ou adolescente a como viver ali, mas, sim, de estarem todos atentos para entender como vão se adaptar uns aos outros. Os aprendizados são de todos”, explica Maria Antonieta Pisano Motta, mãe de três filhos, psicóloga e psicanalista, coordenadora técnica do GAASP (Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo). “E, como em qualquer família que se forma ou aumenta, o estabelecimento do vínculo é imprescindível. Sem o vínculo, nenhuma família, biológica ou adotiva, teria sentido”, completa.
 
Laços entre pais e filhos
Na adoção, os vínculos são construídos pelo laço de afiliação, que se constitui pela afetividade, pelo contato que vai sendo construído no encontro e na vivência de cada dia, explica a psicóloga e professora Isabel Gomes, coordenadora do grupo reflexivo de apoio a adoção na USP. 
 
Sim, a biologia tem seu papel. Quando o bebê nasce, a mãe está embebida em ocitocina, um dos hormônios responsáveis pelas contrações e, depois, ligado ao processo de amamentação. Conhecido como hormônio do amor, a ocitocina contribui para que a mãe se vincule àquele bebê. Só que o ser humano não se constitui apenas de sua dimensão biológica. E, assim, como os hormônios estimulam o vínculo, o caminho oposto também acontece: um estudo feito nos EUA em 2005 mostrou que um abraço de 20 segundos tinha o poder de elevar os níveis da substância em homens e mulheres. 
 
Agda Salles já era mãe de duas filhas, Carla e Elisângela, quando conheceu o atual marido, Helder, e explicou que não poderia mais ter filhos biológicos. Disse que gostaria de adotar. O casal se inscreveu em várias cidades, nos estados do Paraná e do Rio de Janeiro, para conseguir o terceiro filho.
 
“Eu me via esperando o resultado do teste de gravidez, como uma mãe biológica se sente a cada mês, esperando engravidar. No caso da mãe adotiva, o positivo é a aceitação do juiz, que diz se você está apta ou não para adotar”, conta Agda.
 
A primogênita não biológica, Maria Clara, nasceu prematura, há nove anos, em Barra Mansa. “Ela tinha dez dias e cheguei ao abrigo em uma sexta-feira. Ao pegá-la no colo já saí falando que era minha filha”, conta Agda. “Como a audiência era na terça, fiquei quatro dias na casa da conselheira do abrigo, cuidando da Maria. Foi mais ou menos como o período que se passa na maternidade”. O segundo filho adotivo, Davi, chegou quatro anos depois, com 28 dias de vida. “A partir do momento em que decidimos adotar, já começou a crescer um vínculo, com uma criança que não sabíamos como seria”, conta ela.
 
Quando a criança é mais velha, entre 2 e 6 anos, há um trabalho diferente de adaptação, mas os preceitos de adoção devem ser os mesmos: sem expectativas e disposição para amar.
 
“Podemos considerar ‘mais velha’ a criança que já se percebe diferenciada do outro e do mundo, que já possua certa independência para a satisfação de suas necessidades básicas”, esclarece Maria Antonieta.
 
Andriely chegou para Katya Suely com 4 anos. Ela já era mãe de Guilherme e pensava em adotar antes mesmo de casar, também porque é filha adotiva. Conta que se manteve tranquila durante o processo de adoção, pois sabia que um dia sua filha iria chegar. “O dia em que o fórum ligou foi como se rompesse a bolsa.”
 
A formação de vínculo na adoção tardia pode ou não ser mais trabalhosa, tudo depende de os adultos terem refletido e escolhido exercer a parentalidade e de como se dá o novo arranjo familiar após a adoção. “Há dois nascimentos na história da criança, o de origem e o adotivo”, diz Isabel Gomes. 
 
Vida antes da adoção 
O psiquiatra José Belizario, pai de João e Ana, desfaz o mito de que crianças adotadas são mais complicadas. “Não existe comportamento específico de filhos adotados.” Mais uma vez, filho é filho. Dá trabalho, testa a gente, quer saber se é mesmo amado. Assim como você, está criando o vínculo e testando se ele é mesmo firme ou se balança na primeira (ou segunda ou terceira…) vez que ele se comporta mal.
 
É necessário que os pais entendam e respeitem as experiências anteriores. É importante também resgatar algumas memórias com objetivo de entender o que foi vivido, as rupturas de laços, em vez de negar que eles tenham existido. Se faz parte da história do seu filho, agora faz parte da sua também.
 
Na adoção da criança maior, o processo de luto pela ‘perda’ da família de origem, pela perda ‘do que poderia ter sido’, pela dor do sentimento de abandono e rejeição vem junto com o início da adaptação.
 
A criança pode ter vivenciado as mais diferentes situações, das prazerosas até as traumáticas, sendo com seus pais biológicos ou cuidadores, nos abrigos ou não. Casos que não podem ser deixados de lado pelos pais adotivos, e nada melhor que a lida cotidiana para quebrar barreiras e construir laços. 
 
O vínculo entre os irmãos
Ao adotar uma criança que tenha irmão, o estatuto da criança e adolescente (ECA) recomenda que eles não sejam separados. Se isso acontecer, o melhor é que as famílias mantenham contato para que os irmãos convivam. Quem avalia a viabilidade desse relacionamento são os pais candidatos e o técnico que realiza as entrevistas.
 
Não são todos os irmãos que conseguem se afastar, pois entre eles ainda existe a união familiar, a força da história vivida junto, o afeto e o sentimento de pertencimento.
 
Áurea Medrado, mãe de Mariana, filha biológica, realizou a adoção tardia e compartilhada de Evelin. Isso significa que a menina tem irmãos biológicos que foram adotados por outras famílias. O vínculo entre ela e os dois irmãos foi mantido. “As crianças se encontram e sabem que são irmãos.” 
 
Quando os irmãos são adotados pela mesma família, outros cuidados devem ser tomados. Muitas vezes, o mais velho assume o papel de protetor das demais crianças e precisará ser ajudado a colocar-se no papel de filho e de criança. 
 
A adoção é um processo que leva um certo tempo para se concretizar. A convivência e o dia a dia são responsáveis pela criação dos laços, assim como com um filho biológico. A criança deve sentir que é com os pais adotivos que escreverá a sua nova história. E que, mesmo que dê um pouco de trabalho, como todo filho dá, é filho, e é muito amado. Tenha saído da barriga ou não.
 
Quem pode ajudar
Você encontrará informações com psicólogos, psicanalistas, assistentes sociais, grupos de apoio, livros e filmes. Algumas fontes de informação: 
 
Conselho Nacional de Justiça Informações sobre adoção e acesso ao Cadastro Nacional de Adoção.cnj.jus.br
 
Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo
Promove encontros, palestras e suporte de maneira geral aos pais pretendentes ou que adotaram.gaasp.org.br
 
Blog da psicóloga Cintia Liana
Especialista em psicologia de família, que se descreve como "fada da adoção". www.psicologiaeadocao.blogspot.com
 
Grupo reflexivo de apoio à adoção na USP
Grupo sobre as motivações e escolha pela adoção. Destina-se a casais heterossexuais, homoafetivos, pessoas solteiras, tios, avós, irmãos etc. Contato: adocao.usp@gmail.com 
 
Consultoria: Cintia Liana Reis de Silva, mãe de Flavia e psicóloga especializada em psicologia de família; Isabel Gomes, psicóloga, professora e coordenadora do Grupo Reflexivo de Apoio a Adoção na USP; José Belizario, pai de João e Ana, psiquiatra; Maria Antonieta Pisano Motta, psicóloga e psicanalista, coordenadora técnica do GAASP (Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo).
 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

10 fotos de seu filho que não deveriam estar na internet


Blog da Diiirce
Manter a segurança e a privacidade das filhos é obrigação dos pais: proteja as fotos de crianças.

A infância é tão efêmera… Quando a gente vê, já passou. Deve ser por isso que nós, mães e pais, tiramos tantas fotos. Tentamos aprisionar o momento em imagens.

Mas vivemos a geração do compartilhamento, em que uma frase, uma foto se espalha entre milhares de pessoas numa questão de minutos. E aquela foto de seu filhote fazendo graça, que você postou para que seus amigos e familiares pudessem acompanhar o desenvolvimento do pequeno, acabou caindo nas mãos erradas.

Pedofilia, sequestro, roubo, bullying. Uma simples imagem pode dar uma dor de cabeça para uma vida toda.

É extremamente difícil controlar dados on-line: uma vez postada uma imagem, ela estará disponível para sempre, pois ainda que você a delete, alguém pode tê-la salvado.

Estar 100% seguro é quase impossível, mas seguindo as dicas abaixo ao postar fotos de crianças você diminui as chances de sua família ser vítima de gente mal intencionada.

10 FOTOS QUE JAMAIS DEVEM SER POSTADAS NA WEB

1) Fotos da criança nua, no banho ou de fraldas: Você não gostaria de saber que fotos de seu filho circulam pelas redes de pedofilia, que chegam a pagar mais de 1.000 reais por uma imagem, né?

2) Fotos da criança de uniforme: Pelo computador, tablet ou smartphone, é possível embaçar, pintar ou colar uma imagem sobre o logo da escola. Adoramos postar fotos das crianças felizes em ir à escola, mas de forma alguma queremos que um desconhecido mal intencionado saiba onde ela estuda.

3) Fotos que deem pista de onde a criança mora: a foto é de seu filho fazendo gracinha, mas ao fundo tem o número da casa, o nome de uma loja, um ponto de referência qualquer que dê pistas de onde a criança mora. Com o Google, é possível encontrar qualquer endereço.

4) Fotos que seu filho não gostaria de ver publicada quando ele estiver maior: Uma gracinha da criança hoje pode vir a ser o bullying no futuro. Imagine seu filho adolescente vendo a foto que você está publicando: ele se importaria? A imagem é dele, e é pela privacidade deste indivíduo que devemos zelar.

5) Foto que você não publicaria num outdoor: Aquilo que você não gostaria de ver exposto num outdoor no meio da cidade não deve ser publicado. O que é se posta na web fica registrado para sempre e jamais poderá ser totalmente deletado. Basta lembrarmos do caso da Cicarelli.


6) Fotos de crianças sem que os pais tenham autorizado: Nós, empiricamente, conhecemos todas as pessoas de nosso círculo nas redes sociais. Mas e os amigos de nossos amigos? Portanto não faça com o filho dos outros o que você gostaria que fizessem com o seu. Antes de publicar a foto em que uma criança está presente, consulte seus pais previamente. E se a foto de seu filho foi compartilhada sem sua autorização, não hesite em pedir que a pessoa a retire.

7) Fotos que estejam marcadas pelo GPS do seu aparelho: redes sociais, como Facebook e Instagra, e algumas câmeras são capazes de registrar o local em que as fotos são tiradas. Desabilite esta função nas configurações do dispositivo (veja como fazer isso no Instagran), assim criminosos terão mais trabalho em saber onde está sua família neste momento.

8) Fotos que avisem onde você está: #partiupraia, “Até que enfim a viagem”, “Chegando a …”. Postagens deste tipo denunciam que sua casa está livre, e você vira presa fácil de gente mal intencionada. Veja um exemplo aqui.

9) Fotos compartilhadas publicamente: Quanto mais gente vir a foto, mais chance ela tem de cair nas mãos erradas. Por isso, ajuste as configurações de privacidade para que apenas seus amigos vejam suas fotos (como fazer isso no Facebook e no Instagran). Se quiser ser ainda mais específico, agrupe seus amigos em listas e compartilhe as fotos apenas com as listas em que você confia (veja como fazer isso no Facebook). 

10) Fotos que não estejam guardadas numa pasta com senha: Mesmo sendo precavidos ao postar as fotos de nossos filhos, nossos aparelhos podem ser roubados, e nossos dados podem cair nas mãos de criminosos. Guardar nossas fotos em arquivos protegidos por senha dificulta o acesso, resguardando a privacidade de nossa família. Confira aqui apps para proteger as fotos de seu smartphone e como fazer isso no seu computador.

Fonte: http://diiirce.com.br/fotos-de-criancas/?fb_action_ids=10203691252140931&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%7B%2210203691252140931%22%3A600989993309345%7D&action_type_map=%7B%2210203691252140931%22%3A%22og.likes%22%7D&action_ref_map=%5B%5D

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Por que crianças até 10 anos não deveriam sofrer



Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva


Quanto mais me aprofundo no estudo da mente humana e infantil constato que adultos e crianças são vítimas de uma educação completamente equivocada, desrespeitosa, onde ainda não existe espaço para a psicologia, a ciência da mente.

A minha preocupação central neste texto é explicar porque crianças até os 10 anos não deveriam sofrer ou experimentar vivências traumáticas, de estresse ou de tristeza. Mas isso é possível? E Porque? Sim. É possível criar um ambiente saudável e sereno para o crescimento dos filhos, conhecendo a mente infantil, e isso vai depender da saúde emocional dos pais e do preparo que tiveram e buscam para viver este papel.

E porque crianças não deveriam sofrer? Estudos clínicos já estabelecem a profunda relação entre as patologias modernas, dependências, impulsos, etc, com a vivência de sentimentos negativos na infância, até os 10 anos de idade.

Experiências traumáticas são todas as experiências que trazem sentimentos desagradáveis à mente infantil, ao contrário do que se pensa comumente, que se tratam somente de experiências muito fortes na ótica do adulto. Acontece que na ótica da criança existe uma amplificação do impacto do sofrimento, por causa da vulnerabilidade emocional e pelas características da sua própria estrutura mental imatura.

Posso dar exemplos de traumas, como: Separação dos pais, onde ela é privada de conviver mais ativamente com umas das figuras e não entende bem a situação, confundindo com abandono e sentindo intensamente como tal; o desmame abrupto ou quando a criança ainda não está pronta; quando é obrigada a ir e a ficar na escola nos primeiros dias, sem que ela queira ou que haja um período de adaptação; quando tem pais competitivos, que medem forças com ela por medo de não desenvolverem o senso de autoridade e impõem o uso do poder em pequenas tarefas e situações do cotidiano causando pequenas brigas, ao invés de flexibilizar quando se deve para que não ocorra conflitos; a falta afetiva de uma figura paterna ou materna (mesmo que substitutiva); ser obrigado a dormir na própria cama quando se está com medo de dormir sozinho por algum motivo, chegando a vivenciar uma sensação de pânico, como num centro de concentração; chorar muito e repetidamente no berço nos primeiros meses de vida, quando o natural é querer colo e o aconchego dos braços maternos; ser abusado sexualmente, etc. Não digo que a criança não deva se frustrar, a frustração faz parte da vida, o "não" também, eu falo de sofrimento desnecessário. Essas tristezas, choros e faltas para a mente infantil são monstros que se criam e crescem, verdadeiros vazios, lacunas que nunca mais poderão ser preenchidas em outros momentos ou etapas da vida do indivíduo.

Devo lembrar que crianças castigadas ou maltratadas desenvolvem uma falta de integração do ego, que fica isolado sem ser sintetizado ao interno da memória autobiográfica. (CARETTI e BARBERA, 2012)

Essas e outras experiências traumáticas vividas na infância podem patologizar as defesas dissociativas, isto é, as tendências naturais do sujeito de regular suas emoções de modo saudável. Essas defesas dissociativas têm uma função mental que possuem mecanismos que colocam em reparo a consciência ordinária através de um excesso de estímulos dolorosos, quando ao mesmo tempo recebe uma carga de hormônios característicos. (CARETTI e BARBERA, 2012)

Quando os traumas e tristezas que as crianças são submetidas colocam abaixo as defesas naturais, o adulto de amanhã encontra-se sem defesas para suportar estresses do presente e as memórias passadas, que não são esquecidas jamais, ao contrário, elas latejam pela eternidade e aparecem, mesmo que inconscientemente, em novas situações que lhe parecem já conhecida, como nas novas relações amorosas pode reaparecer o medo de ser abandonado ou o sentimento de rejeição, por exemplo.

A figura de apego deve passar segurança e constância, como também ser uma base de bons sentimentos, para que a criança desenvolva uma mente organizada e diminua as chances de um déficit metacognitivo nessa dialética. A desorganização psíquica emerge de um apego traumatizado e incide na capacidade de integração de aspectos emocionais e da experiência. O sentido de desintegração psíquica é provocado pelas emoções dolorosas. (CARETTI e BARBERA, 2012)

A formação do adulto maduro depende diretamente da boa relação com as figuras de base e do nível de maturidade dessas.

Essa desorganização, desintegração psíquica, a vulnerabilidade ao estresse, provocadas pela falta das defesas dissociativas em virtude das experiência traumáticas e desgostosas infantis levam o indivíduo ao craving, conceito muito analisado na literatura científica, e foi definido como uma “urgência patológica”, uma “fome irresistível”, uma “necessidade imperiosa”. (CARETTI e BARBERA, 2012)

O craving é visto nas dependências comportamentais ou de substâncias, como de substâncias estupefacientes, nos toxicomaníacos, como alcoolistas, usuários de drogas; nos maníacos por compras, sexo, internet, assim como nos impulsivos e obsessivos, que podem estar nesses maníacos já citados; ou até nos que se sentem desconfortáveis socialmente, buscando o isolamento por ser incapaz de relacionar-se de forma prazerosa com os outros. Ou seja, o craving é encontrado em uma dependência patológica, na qual o indivíduo tem um desejo incontrolável através um estímulo de reforço como forma de atenuar as suas dores e frustrações, já que as suas defesas naturais lhe foram tiradas lá no início de sua vida com os sofrimentos vividos.

Existem muitos tipos de terapias, métodos e técnicas terapêuticas que podem trabalhar esses traumas de forma rápida e eficaz, como as constelações familiares, a terapia floral, a somatic experiense, o Acess Bars, o EFT, a Logosintesi, etc. Em alguns casos, é necessário o uso de farmacoterapia atrelada ao tratamento psicológico, porém devo dizer que o acompanhamento psicológico é a saída mais saudável e é insubstituível, porque o indivíduo precisa se conscientizar de seu processo e resignificá-lo. É preciso se dar conta e tocar nessas feridas para curá-las.

O adulto feliz, maduro, que busca se realizar e ter um equilíbrio emocional de um modo mais fácil, normalmente foi uma crianças que cresceu sem precisar guerrilhar e combater tanto com pais infantis, egoístas, competitivos e raivosos. Todo ser humano tem traumas, mesmo que não os tenha visto ou se dado conta ainda, alguns mais, outros menos e se acredita muito na capacidade de resiliência desse ser humano. O importante é conhecer-se para crescer e se preparar para ter filhos mentalmente saudáveis para serem adultos felizes.

Quem já tem filhos, cuide hoje do adulto de amanhã. Consulte sempre um psicólogo, pois o médico conhece e cuida somente do físico, o psicólogo entende e cuida da mente, e eduque com consciência, justiça e respeito.

Referência: Caretti, V e Barbera, D. La. Le nuove dipendenze: diagnosi e clinica. Carocci Editore, Roma, 2012.


Cintia Liana Reis de Silva, psicóloga, especialista em psicologia de casal, família, infância e adoção, seu blog recebe mais de 15.000 visitantes ao mês, o http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com.