"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quase metade dos adultos que querem adotar faz questão de escolher cor da criança

Foto: Google Imagens

Publicada em 24/01/2011 às 16h14m
Por Carolina Brígido
BRASÍLIA - O cadastro de adoções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela uma realidade cruel: 37,25% dos candidatos a pais - 11.316 do total de 30.378 - só aceitam receber em seus lares crianças brancas. Ou seja, se houver uma criança disponível, mas com outra cor de pele, a adoção não será considerada por esses adultos. De acordo com os números do cadastro, a raça ainda é um fator essencial na hora de uma família escolher uma criança. Dos adultos inscritos, 14.259, ou 46,94%, fazem questão de escolher a cor da pele do futuro filho.

Além das exigências caucasianas, 5,81% (1.764) só aceitam uma criança de pele parda; 1,91% (579) só aceita uma criança negra; 1% (304) só aceita uma criança amarela; e 0,97% (296), uma criança indígena.

O perfil de quem aguarda um lar não é condizente com as exigências. No cadastro, a maioria das crianças e adolescentes é parda - 50,57%, ou 4.020 de um total de 7.949. Estão disponíveis 2.411 crianças brancas, ou 30,33% do total. Também aguardam uma família 1.441 (18,13%) crianças negras, 41 (0,52%) amarelas e 36 (0,45%) indígenas.

A juíza Andréa Pachá, titular da 1ª Vara de Família de Petrópolis (RJ), alerta para o perigo de se ver a adoção como um processo biológico, e não de acolhimento.

- É um dado estarrecedor. Ainda é forte a fantasia de que a adoção deve obedecer aos critérios da família biológica. Família é muito mais um núcleo de afeto do que herança biológica. Criança é criança, não tem cor. O discurso que se tem é o de que a criança não pode se sentir diferente. Mas isso é uma forma de racismo - analisa.

A tese faz sentido. No cadastro, metade dos pretendentes à adoção da Região Sul só querem uma criança se ela for branca. Para a magistrada, que lida com esse tipo de situação diariamente, o cenário melhorou nos últimos anos.

- Isso era pior antes. Hoje é mais fácil por uma criança de outra raça em uma família substituta. Temos encontrados casais que queriam uma menina loira de olhos azuis e, depois de visitar um abrigo, mudam de ideia. Esse perfil de menina loira de olhos azuis não é o que temos nos abrigos - diz.

Há ainda outras dissonâncias entre o perfil desejado pelos pais e as crianças disponíveis para a adoção, como a idade, os eventuais problemas de saúde e o fato de haver irmãos (nesses casos, não é recomendada a separação deles). Essas exigências têm impedido milhares de adoções no país. São 30.378 adultos cadastrados e 7.949 crianças aguardando a adoção. Ou seja: há 3,8 candidatos a pais por menor abandonado. Ainda assim, desde a criação do cadastro, em abril de 2008, o mecanismo proporcionou apenas 267 adoções.

A idade também é determinante na hora de escolher um filho. Os candidatos à adoção preferem crianças mais novas. Apenas 6,78%, ou 2.058, aceitam crianças com idade entre 6 e 10 anos. Outros 228 (0,76%) aceitam adotar um menor de 11 a 17 anos. No cadastro, há 2.006 crianças, ou 25,2% do total, com idade de 6 a 10 anos. Há também outras 3.855 crianças e adolescentes, ou 48,5%, com idade entre 11 e 17 anos.

Entre os pretendentes a pais, 5.342, ou 17,59%, aceitam adotar irmãos. Existem no cadastro 1.531, ou 19,26%, crianças com irmãos. Boa parte das crianças disponíveis - 1.411, ou 17,75% - têm problemas de saúde. O cadastro não tem informação de quantos adultos aceitam adotar uma criança doente.

Jornal O Globo


Postado Por Cintia Liana

domingo, 26 de dezembro de 2010

Irmãos adotados no Brasil se encontram em Milão

Foto: Google Imagens

Nesta sexta, 17 de dezembro, o Mais Você mostrou uma reportagem de arrepiar: a história de quatro irmãos que nasceram em Santo Amaro, bairro muito populoso da zona sul de São Paulo, e tiveram o pai morto num episódio de violência. Gustavo (11), Pâmela (9), Vitória (8) e Natasha (5) foram abandonados pela mãe e pararam num abrigo porque sofriam maus tratos por parte das irmãs mais velhas. As crianças foram adotadas por duas famílias italianas, de Brescia, Milão. A repórter Thaís Itáqui, do Profissão Repórter, acompanhou a história completa, desde o encontro da nova família no Brasil até a ida para o novo país.

Pamela e Vitória foram primeiro para Itália com os pais Luisa e Luca. Já Gustavo e Natasha foram adotados por Cinzia e Paolo. Thaís já conhecia os irmãos há 4 anos e tinha um carinho enorme por eles, assim como por todas as outras que ainda estão no abrigo. “A gente acaba se aproximando muito delas. Quando fiquei sabendo da história, na hora quis mostrar. Pra mim foi mais emocionante porque conhecia a história delas”, contou no estúdio do Mais Você. Além de Thaís, Ana Maria Braga recebeu Iasin Ahmed, juiz da vara e da infância e da juventude de Santo Amaro.

Thaís falou sobre a experiência de conviver com a rotina da primeira semana de uma família adotiva num país diferente, com culturas e costumes distintos. No período de gravação, a proximidade com as crianças a ajudou muito. Eles se sentiam confiantes e à vontade com Thais. Na Itália, as meninas queriam lhe mostrar e contar tudo, afinal ela era a única referência do Brasil que restava para as crianças. Para a repórter, é preciso ter um olhar de responsabilidade social como os italianos tiveram. “Eles estão dando o maior amor do mundo”.

Segundo a comissão estadual judiciária de adoção internacional de São Paulo, 4 mil adoções, em média, são feitas por ano no estado. Desse número, apenas 200 são internacionais. Dados do cadastro nacional de adoção mostram que cerca de 8 mil crianças estão na fila para serem adotadas. 18% negras, 30% brancas e 50% pardas. 71% possuem irmãos. se o número de meninos e meninas que esperam ser adotados é grande, o de casais a procura de filhos nem se fala: são mais de 30 mil. Mas, 84% só querem adotar uma criança. 37% só aceitam crianças brancas, 82% não aceitam irmãos e 78% só aceitam crianças de até 3 anos de idade.

Fonte: Rede Globo, "Mais Você"


Postado Por Cintia Liana