"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sexta-feira, 4 de março de 2016

A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e o perfil das crianças disponíveis para serem adotadas

Um excelente artigo para se entender porque, entre outros fatores, a fila de adoção ainda é muito longa e lenta.
We Heart it

Servidora da VIJ-DF fala sobre a espera pela adoção
Por NG/SECOM/VIJ-DF — publicado em 03/03/2016 14:3 
Karina Machado Rocha Gurgel, servidora da Seção de Colocação em Família Substituta da VIJ-DF e mestre em Psicologia, desconstrói o mito de que a demora em concretizar a adoção está relacionada com a morosidade da Justiça e as burocracias do processo no artigo “A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e as crianças disponíveis para serem adotadas”.
Com base em dados coletados do Cadastro de Adoção do Distrito Federal, Karina demonstra que o perfil pleiteado pelos requerentes é inversamente proporcional ao perfil das crianças cadastradas para adoção, uma vez que mais de 90% das famílias preferem crianças de 0 a 3 anos, que correspondem a pouco mais de 8% das cadastradas. Destaca, ainda, que, em âmbito nacional, a situação é semelhante, de acordo com pesquisa do Conselho Nacional de Justiça.
A psicóloga ressalta o trabalho realizado pela equipe psicossocial da Vara da Infância e da Juventude do DF para sensibilizar os casais que participam dos grupos de Preparação para Habilitação a acolher grupos de irmãos e crianças maiores ou adolescentes, uma vez que os pretendentes restringem esse perfil.
“A cultura de adoção ainda tem de ser transformada. As pessoas precisam começar a pensar com mais amplitude para que os preconceitos sejam em menor número e intensidade, bem como refletirem sobre seus reais desejos, projetos e sobre a realidade”, pontua Karina.
Leia abaixo o artigo na íntegra. Esse e outros textos da área infantojuvenil estão disponíveis no link Textos e Artigos da página Infância e Juventude do site do TJDFT.
Fonte: http://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/noticias/2016/marco/servidora-da-vij-df-fala-sobre-a-espera-pela-adocao
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A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e o perfil das crianças disponíveis para serem adotadas
* Karina Machado Rocha Gurgel 
Mestre em Psicologia Clínica e Servidora da Seção de Colocação em Família Substituta da VIJ-DF
O tema adoção no Brasil é cercado de mitos, os quais não correspondem à realidade. Um deles trata sobre a afirmativa da grande quantidade de crianças aptas à adoção em relação a muitos casais que aguardam um filho e, assim, justificam a demora em adotar à morosidade da Justiça e às burocracias do processo. 
O que as pessoas não sabem e se espantam é que há uma discrepância entre o perfil pretendido pelos requerentes e a realidade do Cadastro do Distrito Federal. Muitos se enganam quando afirmam que existe um grande número de crianças em instituição de acolhimento com condições de serem adotadas. A maioria está aguardando reinserção na família de origem. 
A realidade do Cadastro do DF é parecida com a do nacional. Conforme preceitua o Conselho Nacional de Justiça – CNJ (2012, p. 27), “nacionalmente, verifica-se que o perfil das crianças e adolescentes cadastrados no Cadastro Nacional de Adoção – CNA é destoante quando comparado ao perfil das crianças pretendidas, fato que reveste a questão como de grande complexidade”. 
Dados recentes, coletados do Cadastro do DF em 25/2/2016, afirmam que existe um total de 532 famílias habilitadas para adoção, enquanto que crianças e adolescentes perfazem o somatório de 91, o que resulta em 5,8 famílias para cada criança/adolescente cadastrado. Observa-se, assim, que existe um contingente significativamente maior de pessoas interessadas em adotar em relação a crianças e adolescentes aptos à adoção. 
Desse universo de 532 famílias, 515 famílias desejam crianças de 0 até 3 anos de idade, correspondente a 96,8% do total do cadastro; 242 famílias pleiteiam filhos entre 4 e 7 anos de idade, correspondente a 45% do total; 18 famílias querem crianças entre 8 e 10 anos, correspondente a 3% do total; apenas 3 famílias aceitam pré-adolescentes entre 11 e 12 anos, correspondente a 0,57% do total; e nenhuma família acolheria a faixa etária de 13 a 18 anos. 
A realidade numérica das crianças e adolescentes cadastrados para adoção é de apenas 91, sendo estes configurados da seguinte forma: 8 crianças entre 0 e 3 anos de idade, o que corresponde a 8,79% do total; 8 crianças entre 4 e 7 anos, o que corresponde a 8,79% do total; 5 crianças de 8 a 10 anos, o que corresponde a 5,49% do total, 12 crianças de 11 a 12 anos, correspondente a 13,18% da amostra; e 58 adolescentes de 13 a 18 anos, correspondente a 63,73% do total. 
ANEXO 1: (Gráfico referente ao perfil da criança pretendida no DF)

ANEXO 2: (Gráfico referente ao perfil das crianças e adolescentes cadastrados para adoção no DF)

A realidade denota que o perfil pleiteado pelos requerentes é inversamente proporcional ao perfil constante do Cadastro do DF. O gráfico a seguir, retirado de pesquisa do CNJ, é sobre a discrepância dos perfis em âmbito nacional.  
ANEXO 3: (Gráfico referente ao perfil da criança pretendida e ao das crianças e adolescentes cadastrados para adoção em âmbito nacional)
Fonte: Conselho Nacional de Justiça (Elaboração: Departamento de Pesquisas Judiciárias) 
Para cada criança cadastrada para adoção há quase 6 famílias dispostas a acolhê- la. Se for contabilizado apenas dentro do perfil desejado de até 12 anos, esse número aumenta para 16 famílias por criança. Porém, a diferença entre o perfil idealizado e o mundo real é o grande obstáculo à redução da enorme fila de espera. Importante destacar que entre as crianças disponíveis de 0 a 10 anos estão aquelas em estágio de convivência e as que fazem parte de grupos de irmãos aguardando famílias. 
Outro elemento que costuma ser sério entrave à saída de crianças e adolescentes das instituições de acolhimento é a baixa disposição dos pretendentes para acolher grupos de irmãos, principalmente os acima de dois. Entre as crianças aptas à adoção, 47%, ou seja, 43 crianças fazem parte de grupos de irmãos e a prioridade é de que elas não sejam separadas, o que diminui as chances de encontrarem família. Além disso, as condições de saúde vêm a ser outra barreira, muitas vezes difícil de ser vencida. 
As explicações para o desinteresse dos brasileiros em acolher crianças maiores ou adolescentes estão na motivação de uma família a pleitear uma adoção. Segundo Maux e Dutra (2010, p. 3): 
Em uma pesquisa realizada por Weber (2006) envolvendo famílias de vários estados do país, 50% dos entrevistados trouxeram como motivação para a adoção o fato de não terem os próprios filhos (incluindo-se aí aqueles que desejavam escolher o sexo da criança ou problemas de infertilidade para gerar o segundo filho). Para aqueles que não possuíam filhos biológicos, a infertilidade foi apresentada como motivação por mais de 80% dos respondentes. 
Outro fator a ser considerado é o tempo de acolhimento institucional da criança e o preconceito com relação às crianças maiores, pois os pais adotantes acreditam que não podem moldar o comportamento delas, uma vez que elas têm um passado, uma história e, assim, mais consciência dos traumas vivenciados, além de personalidade mais definida. Em contrapartida, a maioria das nossas relações é com pessoas de criações diferentes e, dessa forma, crescemos e aprendemos com elas. Os candidatos a pais alegam também que evitam a adoção tardia pela adaptação à família poder ser mais difícil e trabalhosa. 
Os grupos de Preparação para Habilitação orientados pela Vara da Infância e da Juventude do DF tentam sensibilizar os requerentes para adoções tardias e de grupos de irmãos, embora sempre respeitem o desejo e as condições deles, a fim de que não ocorram as indesejadas devoluções. Muitas pessoas, porém, podem até ter o sonho de adotar mais de uma criança, mas enfrentam obstáculos que vão muito além das próprias capacidades de superá-los. Por exemplo, os encargos financeiros referentes à criação de um filho. 
As sensibilizações pela adoção tardia e por grupo de irmãos têm feito crianças mais velhas e seus irmãos serem adotados com menos dificuldades. A cultura de adoção ainda tem de ser transformada. As pessoas precisam começar a pensar com mais amplitude para que os preconceitos sejam em menor número e intensidade, bem como refletirem sobre seus reais desejos, projetos e sobre a realidade. 
O fato de os pretendentes definirem um perfil clássico à adoção, que é de acolher um bebê, gera um tempo considerável de espera para que a adoção aconteça. A reflexão que os futuros pais precisam ter na hora de escolherem o perfil, no tocante à idade, precisa ser cautelosa, pois eles têm de analisar duas variáveis importantes para eles: de um lado, o desejo deles de acolher um bebê; de outro, o tempo de espera para ter seu filho. 
O perfil não deve ser definido exclusivamente em função do tempo de espera. É preciso que a família encontre um equilíbrio entre o perfil desejado – com a possível ampliação para a adoção tardia, de grupos de irmãos e de crianças com necessidades específicas de saúde ou deficiências – e os recursos emocionais ou financeiros que possui, a fim de garantir o verdadeiro acolhimento dessa criança ou adolescente como filho. 
Despertar os casais, imbuídos de desejos, para a realidade do Cadastro de Adoção e adequar os perfis às possibilidades é algo delicado, mas bastante trabalhado pela equipe psicossocial da adoção da Vara da Infância e da Juventude do DF nos grupos de Preparação para Habilitação dos casais pretendentes à adoção, muito embora ainda se torne necessário fomentar políticas públicas em prol da adoção tardia, inter-racial e intergrupal. 

REFERÊNCIAS: ENCONTROS E DESENCONTROS DA ADOÇÃO NO BRASIL: uma análise do Cadastro Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justiça. Disponível em: Acesso em 23 fev. 2016. Maux, A. A. B e Dutra, E. A adoção no Brasil: algumas reflexões. Disponível em: Acesso em 26 fev. 2016.
Fonte: http://www.tjdft.jus.br/cidadaos/infancia-e-juventude/textos-e-artigos/a-realidade-sobre-a-espera-pela-adocao-a-diferenca-entre-o-perfil-desejado-pelos-pais-adotantes-e-as-criancas-disponiveis-para-serem-adotadas

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Revista "Isto É" sobre adoção

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Na semana passada dei uma entrevista para uma repórter da revista "Isto É". É para uma matéria sobre adoção, família e crianças, adoção interracial e o que mudou na descrição do perfil da criança pretendida na hora de adotar.
A edição estará nas bancas amanhã, dia 08 de fevereiro de 2013, de manhã. É matéria de capa. Comprem!
Espero que cada vez mais muitas crianças ganhem família, sobretudo as maiores, que esperam por anos sonhando com pais que as amem.
Vamos dar mais números e visibilidade ao universo da adoção. As crianças que esperam por suas futuras famílias e lares agradecem. ♥

Para ler a matéria completa:
http://www.istoe.com.br/reportagens/274274_ADOCAO+SEM+FRONTEIRAS

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Norte concentra maior proporção de crianças com até cinco anos

Mandy Lynne

15/10/2012 - 07h33

Por Mariana Braga
Agência CNJ de Notícias

Pesquisa inédita feita pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) detalha o perfil dos pais que desejam adotar e das crianças aptas à adoção por região brasileira. Segundo o estudo, as regiões Norte e Nordeste concentram proporcionalmente a maior quantidade de crianças com até cinco anos aptas à adoção, a faixa etária requerida por nove em cada dez pais que desejam adotar no Brasil. Enquanto no Norte 26,5% das crianças inscritas no Cadastro Nacional de Adoção estão nessa faixa de idade e no Nordeste são 16,9%, nas demais regiões esse índice não chega a 10%. Essa preferência dos pretendentes é o principal empecilho à adoção no País, confirma a pesquisa, já que apenas 9 em cada 100 crianças aptas à adoção têm menos de cinco anos.

O estudo elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ analisou o universo de pessoas inscritas no Cadastro Nacional de Adoção, coordenado pela Corregedoria Nacional de Justiça, referente a agosto deste ano. Segundo o sistema, há no Brasil 28.151 homens e mulheres que desejam adotar um filho. A maior parte deles (85%) está das regiões Sudeste e Sul, que respondem por 56,5% da população brasileira, de acordo com o Censo 2010. Quatro em cada dez pretendentes brasileiros possuem entre 40 e 49 anos e a maior parte deles (79,1%) está casada. Entre os solteiros, divorciados, separados judicialmente e viúvos, as mulheres são a grande maioria (80%).

O número de pais que querem adotar é cinco vezes maior do que a quantidade de crianças e adolescentes aptos à adoção – 5.281 em todo o Brasil. Quase 80% deles também são das regiões Sul e Sudeste. O grande empecilho para as adoções é a exigência de idade por parte dos pretendentes, principalmente entre aqueles que têm preferência por crianças brancas. Segundo os pesquisadores, os pais que buscam exclusivamente esse perfil racial, em geral, não aceitam crianças que têm mais de três anos.

Já os que aceitam unicamente crianças pretas, pardas ou indígenas costumam ser mais flexíveis e, em geral, não fazem outros tipos de restrição como de idade ou sexo. O percentual de pretendentes que buscam essas raças na hora de adotar é maior nas regiões Norte e Centro-Oeste (cerca de 50%), enquanto a média nacional é de aproximadamente 35%. Quem busca crianças mais velhas, com mais de seis anos, tampouco costuma fazer restrições quanto às demais características do futuro filho.  

Norte – A região Norte responde por 2,3% do total de pessoas que desejam adotar inscritas no Cadastro Nacional de Adoção. Nesse universo, o percentual de casados (64,1%) é o menor quando comparado às demais regiões brasileiras. Por outro lado, os pretendentes solteiros (16,1%) e em união estável (15,3%) apresentam os percentuais mais expressivos em relação às outras partes do Brasil. De acordo com o estudo, também está no Norte a maior proporção de pessoas entre 18 e 39 anos que querem se tornar pais adotivos (38,2%), sendo, proporcionalmente, a região com pretendentes mais jovens.

Nordeste – O Nordeste chamou a atenção dos pesquisadores pelo percentual de pretendentes divorciados – 3,2% dos candidatos –, o mais expressivo do País. Os viúvos também correspondem ao dobro da média nacional. Embora o Nordeste seja a região brasileira cuja população apresenta a menor expectativa de vida – 70,4 anos, segundo dados de 2009 do IBGE –, 23% dos pretendentes nordestinos inscritos no cadastro têm mais de 50 anos. Esse percentual é superior ao aferido nas regiões Sudeste (22,8%), Norte (20,9%) e Centro-Oeste (20,2%

Centro-Oeste – Embora no Centro-Oeste os casados sejam maioria entre os que desejam adotar (70%), no universo de mulheres, as pretendentes à adoção que são divorciadas (7,3%) apresentam o maior índice regional. Em relação à faixa etária, assim como no Nordeste, é elevado o número de pessoas com mais de 50 anos que querem adotar (20,2%). O Centro-Oeste é a região do país que possui o percentual mais expressivo de pretendentes na faixa de 30 a 49 anos de idade (75,4%).

Sudeste – A região mais populosa do Brasil é responsável por aproximadamente 50% dos pretendentes registrados no Cadastro Nacional de Adoção, grande parte deles (43,9%) com idade entre 40 e 49 anos – o maior percentual registrado nessa faixa etária. No tocante às mulheres que buscam um filho adotivo, o Sudeste apresenta o maior percentual de casadas (54,2%), enquanto os índices de solteiras (26,4%) e em união estável (8,4%) são menores em relação às demais regiões analisadas.

Sul – O Sul apresenta o maior percentual de pretendentes casados (82,3%) do País. Por outro lado, os índices relativos aos futuros pais em união estável (7,9%), solteiros (7,5%), divorciados (1%) e viúvos (0,5%) são os menos significativos quando comparados às demais regiões político-administrativas brasileiras. A região também apresenta o maior percentual de homens (81,2%) inscritos no Cadastro Nacional de Adoção. O número de pessoas maiores de 60 anos que querem adotar no Sul (10,4%) também é proporcionalmente o maior do País.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Adoção moderna: todo tipo de motivação vale a pena

Cacau Waller

A chamada adoção moderna aceita todas as motivações. Elas movem futuros pais a vencer a burocracia da legislação, a longa espera e até o preconceito na busca por formar crianças felizes.

Por Ana Claudia Cruz e Thais Lazzeri

Os estímulos mais comuns para partir para a adoção são o desejo de construir um lar e o de fazer o bem a quem precisa. Não se trata de ajuda humanitária, mas de sensibilidade social. Há alguns anos, esse tipo de motivação não era bem aceito. Hoje vale qualquer adoção que garanta a melhoria da qualidade de vida da criança que vive em diferentes instituições. Dentro da nova visão, a prioridade deve ser o respeito à prerrogativa de a criança ter um lar, ser amada. "Quem tem direito a ter uma família é a criança", afirma Lidia Weber, psicóloga, autora de Pais e Filhos por Adoção no Brasil (Ed. Juruá). Ela não está sozinha nessa avaliação.

O advogado Rodrigo da Cunha Pereira afirma que a iniciativa dos famosos é maravilhosa. Aqui, podemos citar o exemplo de Meg Ryan, feliz com uma bebê chinesa; o casal Angelina Jolie e Brad Pitt, que tem a guarda de Maddox, cambojano, e Zahara, etíope; e por fim, Madonna, que decidiu adotar David, uma criança africana. Eles conseguem reunir as duas coisas: constituir uma família e ajudar as crianças. "E mais, eles ajudam a estimular a adoção tardia e dos que não estão no padrão que todos querem, um bebê branco com, no máximo, 3 meses", afirma Pereira.

Um bebê branco e com até 3 meses é justamente o perfil do requisitado na maioria dos processos adotivos no Brasil. Há uma busca por crianças que tenham semelhanças físicas com os futuros pais. Fazer dos laços físicos os biológicos, na tentativa de construir um vínculo pela aparência, deixa casais por anos na fila de espera. Costuma-se dizer que a "gravidez" dura mais que nove meses. Trata-se de um cuidado desnecessário, do ponto de vista da terapeuta familiar Maria Teresa Maldonado: "Laços de amor independem do de sangue". Essa situação, somada à burocracia criada pela legislação, são os fatores que mais limitam as adoções no país.

"As crianças mais velhas, certamente, passaram por experiências, positivas ou não, que nunca serão apagadas. Por isso, podem testar os pais, para garantir se eles querem mesmo ficar com elas. Mas isso acaba. Talvez nem aconteça", diz Lidia Weber. Se, de um lado, a adoção tardia pode ter esse complicador, quem opta por bebês vai experimentar a fase da revelação.

Na pesquisa de Lidia para seu livro, a revelação tardia, a longo prazo, foi o maior problema diagnosticado. No contexto de adoção moderna, não pode haver segredo. "O ideal é que a história seja sempre apresentada à criança. Que os pais dêem respostas esclarecedoras e objetivas", diz. Algumas escolas, reconhecendo o movimento da adoção moderna, incluíram a pauta nas aulas de reprodução humana. "Explicamos que, como os pais não conseguiram tê-lo, buscaram alguém para fazer isso por eles e a criança adotada foi tão desejada e buscada como qualquer outra", afirma Karen Kaufmann Sacchetto, pedagoga e diretora de escola.

FONTE: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI956-10514,00.html

Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entrevista sobre motivações e perfil dos adotantes e adotados

Foto: Google Imagens

Entrevista para uma estudante da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

1- Qual é o perfil das pessoas que querem adotar crianças?
O perfil é bem amplo, mas podemos dizer que a maioria que adota, entrando com o pedido de habilitação, é composta de casais que têm entre os 30 e 45 anos de idade, pardos, com grau de instrução médio e superior completo ou incompleto.
Para adoções onde as pessoas querem legitimar uma situação de adoção afetiva já existente há anos, é composta de casais e de pessoas solteiras, negras, mulatas e pardas, sobretudo mulheres solteiras que criam um filho que lhe foi “doado”.

2- E qual o principal perfil das crianças a serem adotadas?
A grande procura é para crianças de até 1 ano, mas se encontram dificilmente crianças desta idade para adoção. Hoje em dia muitas pessoas adotam crianças maiores de 3 anos, pardas, de ambos os sexos.
Em Salvador a maioia das crianças é parda, mulata e negra, mas ainda as crianças de cor de pele mais claras são mais aceitas pois têm um tom de pele mais parecido com o dos adotantes, que querem que essa diferença não seja tão marcante entre eles, para que a adoção não se torne tão evidente aos olhos de todos, e que a revelação do vínculo seja uma opção e não uma declaração rotineira.

3- Quais são os principais motivos que levam à adoção ?
Para os adotantes é o desejo de se tornarem pais, somente, e isso acontece naturalmente e plenamente.
Para as crianças, o desejo e a necessidade existencial de terem uma família, de terem amparo, educação e, sobertudo, amor.

4- Há um número de pais pretendentes para adotar bem maior do que o número de crianças para adoção. Na sua avaliação, por que acontece isso?
Acontece porque os adotantes querem adotar crianças diferentes daquelas que estão aptas e disponíveis a serem adotadas, a maioria têm mais de 8 anos e uma parte delas tem algum problema de saúde mental.

5- O que dizer de quem opta por acolher um filho gerado em outra pessoa?
O que leva uma pessoa a adotar é o desejo de ter um filho, de amar e ser amado. Existem motivos que levam uma pessoa a optar por ter um filho adotivo, como infertilidade, sonho movido por motivos altruístas ou uma curciunstância que trouxe a criança para a convivência.
Quem chegou a ter esse desejo entende e sente que ao adotar se pode realizar a maternidade e paternidade em toda a sua plenitude, a criança será vista e sentida como filha, ela não será olhada como filho gerado por outro, ela será amada como gerada daquele amor construído diariamente, as particularidades advindas da realidade adotiva farão parte, mas não será o centro das questões, o amor será o essencial.

6- Na sua opinião, ainda há muitas barreiras psicológicas e sociais em relação a adoção?
Ainda há muitas, mas tenho que ressaltar com entusiasmos que já conquistamos muito espaço nas discussões, mídia, informações e apoio, assim como espaço social como o fortalecimento de instituições, grupos de apoio, encontros para discussões, leis e incentivos, e não irá parar por aqui, cada vez mais as pessoas verão e ouvirão assuntos relacionados a adoção, não só porque ela é necessária para a sociedade, mas porque é uma relação real.

7- Como é feito o trabalho com os pretendentes para adotar e a criança a ser adotada ?
Na Vara da Infância serão feitas as devidas avaliações sociais e psicológicas para subsidiar decisão do Juiz e os adotantes têm que passar por grupos de discussão antes de serem habilitados a adoção.



Por Cintia Liana

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quase metade dos adultos que querem adotar faz questão de escolher cor da criança

Foto: Google Imagens

Publicada em 24/01/2011 às 16h14m
Por Carolina Brígido
BRASÍLIA - O cadastro de adoções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela uma realidade cruel: 37,25% dos candidatos a pais - 11.316 do total de 30.378 - só aceitam receber em seus lares crianças brancas. Ou seja, se houver uma criança disponível, mas com outra cor de pele, a adoção não será considerada por esses adultos. De acordo com os números do cadastro, a raça ainda é um fator essencial na hora de uma família escolher uma criança. Dos adultos inscritos, 14.259, ou 46,94%, fazem questão de escolher a cor da pele do futuro filho.

Além das exigências caucasianas, 5,81% (1.764) só aceitam uma criança de pele parda; 1,91% (579) só aceita uma criança negra; 1% (304) só aceita uma criança amarela; e 0,97% (296), uma criança indígena.

O perfil de quem aguarda um lar não é condizente com as exigências. No cadastro, a maioria das crianças e adolescentes é parda - 50,57%, ou 4.020 de um total de 7.949. Estão disponíveis 2.411 crianças brancas, ou 30,33% do total. Também aguardam uma família 1.441 (18,13%) crianças negras, 41 (0,52%) amarelas e 36 (0,45%) indígenas.

A juíza Andréa Pachá, titular da 1ª Vara de Família de Petrópolis (RJ), alerta para o perigo de se ver a adoção como um processo biológico, e não de acolhimento.

- É um dado estarrecedor. Ainda é forte a fantasia de que a adoção deve obedecer aos critérios da família biológica. Família é muito mais um núcleo de afeto do que herança biológica. Criança é criança, não tem cor. O discurso que se tem é o de que a criança não pode se sentir diferente. Mas isso é uma forma de racismo - analisa.

A tese faz sentido. No cadastro, metade dos pretendentes à adoção da Região Sul só querem uma criança se ela for branca. Para a magistrada, que lida com esse tipo de situação diariamente, o cenário melhorou nos últimos anos.

- Isso era pior antes. Hoje é mais fácil por uma criança de outra raça em uma família substituta. Temos encontrados casais que queriam uma menina loira de olhos azuis e, depois de visitar um abrigo, mudam de ideia. Esse perfil de menina loira de olhos azuis não é o que temos nos abrigos - diz.

Há ainda outras dissonâncias entre o perfil desejado pelos pais e as crianças disponíveis para a adoção, como a idade, os eventuais problemas de saúde e o fato de haver irmãos (nesses casos, não é recomendada a separação deles). Essas exigências têm impedido milhares de adoções no país. São 30.378 adultos cadastrados e 7.949 crianças aguardando a adoção. Ou seja: há 3,8 candidatos a pais por menor abandonado. Ainda assim, desde a criação do cadastro, em abril de 2008, o mecanismo proporcionou apenas 267 adoções.

A idade também é determinante na hora de escolher um filho. Os candidatos à adoção preferem crianças mais novas. Apenas 6,78%, ou 2.058, aceitam crianças com idade entre 6 e 10 anos. Outros 228 (0,76%) aceitam adotar um menor de 11 a 17 anos. No cadastro, há 2.006 crianças, ou 25,2% do total, com idade de 6 a 10 anos. Há também outras 3.855 crianças e adolescentes, ou 48,5%, com idade entre 11 e 17 anos.

Entre os pretendentes a pais, 5.342, ou 17,59%, aceitam adotar irmãos. Existem no cadastro 1.531, ou 19,26%, crianças com irmãos. Boa parte das crianças disponíveis - 1.411, ou 17,75% - têm problemas de saúde. O cadastro não tem informação de quantos adultos aceitam adotar uma criança doente.

Jornal O Globo


Postado Por Cintia Liana