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domingo, 26 de junho de 2011
Mesmo com mãe e avó, criança é listada para adoção
domingo, 29 de maio de 2011
Mudança em favor do amor - Matéria com a participação da Psicóloga Cintia Liana
Postado Por Cintia Liana
terça-feira, 24 de maio de 2011
Mãe do Coração
sábado, 3 de julho de 2010
Como vai a família?
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Mãe da Barriga, Mãe do Coração
"Vc abriu o seu coração e agora vou abrir o meu.
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"Eu sentia um chamado, sabia que ele me aguardava. A busca por meu filho foi além de tentativas de engravidar. Foi na adoção que o encontrei. E esta certeza incontestável, inclusive juridicamente, de que ele é meu filho, filho da minha alma, do meu coração, foi o que me inpulsionou a prosseguir na busca. Só mesmo o amor de uma mãe e de seu filho pode explicar os laços que os unem."
Bia Maia
Blog de Bia:
http://maedabarrigamaedocoracao.blogspot.com/
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Adoção Tardia é Tudo de Bom!
Foto: Google ImagensUma cara amiga, que conheci nessa luta pelas crianças e pela adoção, nos cedeu sua história de adoção tardia, encontrou há pouco tempo sua filha de 12 anos.
Os nomes foram omitidos para preservar a identidade das pessoas envolvidas.
Quero parabenizá-la por toda sua maturidade e doação.
É para essas pessoas que temos que olhar e aprender, nessas pessoa que doam amor e que ao invés de alimentar o preconceito preferem pensar sobre possibilidades e transcender qualquer tipo de obstáculo, deixando prevalecer sempre o sentimento e o desejo de ter um filho. Para essas pessoas não existem barreiras.
Amiga, muita saúde para vocês e sua linda filha, que ela cresça em paz e se torne um adulto responsivo, responsável, diferenciado, feliz e que com certeza fará e já está fazendo outras pessoas muito felizes. Sei que com uma mãe como você “será tudo de bom”! Um abraço.
*Por uma mãe de verdade
Quem busca um filho busca a construção de um amor incondicional. E quanto mais idealizações forem construídas sobre a imagem desse filho, mais barreiras à satisfação haverá, ou seja, a idealização sobre o filho desejado limita as possibilidades de felicidade surpreendentes e espontâneas da vida. O que quero dizer é que, mesmo reconhecendo a naturalidade que há em se idealizar um filho, trabalhar nossas emoções para não tentar determinar como ele será abre um colorido leque de satisfação pessoal tanto nos pais quanto na criança. Um pouco de abnegação não faz mal a ninguém; pelo contrário, torna melhores as pessoas, e libertar-se do narcisismo ajuda a ser mais feliz.
Mas o que desejo, aqui, neste momento, é contar minha história de adoção.
Sou professora, tenho 34 anos de idade, e vivo uma relação conjugal muito boa há 12 anos. Eu e meu marido sempre gostamos de crianças e nosso desejo por filhos existiu desde o início do casamento, mas adiamos essa nossa felicidade por medo das dificuldades que enfrentaríamos como, por exemplo, falta de dinheiro para o sustento da criança e falta de tempo para nos dedicarmos à educação dela. Mas os anos se passaram tão rapidamente que, quando nos demos conta, já havia passado uma década de casamento. Nós continuávamos com dificuldades financeiras, porém já com um pouco mais de tempo livre. Decidimos, então, que eu tentaria engravidar. O bebê não veio. Fizemos exames, mas nenhum problema de infertilidade foi detectado. Mesmo assim, o bebê não veio. Não houve desespero por isso, até porque a ideia de adoção já era certa nos nossos planos mesmo se tivéssemos filho biológico.
Nós nos inscrevemos no Cadastro Nacional de Adoção, fomos nos informando sobre adoção através de literatura especializada e em grupos de apoio à adoção. Isso nos ajudou muito.
Decidimos que a idade da criança não deveria ser uma barreira para adoção, pois importaria que houvesse identificação entre nós e ela. Decidimos dar preferência para menina, pois ter uma filhinha já era um sonho antigo do meu marido. Mas a espera na “fila de adoção” é sempre angustiante. Em algumas comarcas, mesmo hoje sob a nova lei, a espera é muito demorada! Durante a espera, é comum que nos abata profunda tristeza. Parece uma gravidez sem fim e incerta.
É claro que os medos apareceram, medos diversos: pela idade da criança, pelo temperamento, pelas observações erradas que muitos fazem, pela aceitação da família, os preconceitos, os tabus, medo de ser infeliz, etc. Não nos permitíamos abater pelos medos, mas tivemos que conviver com eles até o dia em que decidimos adotar a nossa princesinha.
Viajamos mais de 2.000 km para conhecer nossa filhinha! Isso mesmo: mais de dois mil quilômetros. Tivemos essa indicação por meio de uma amiga muito querida que mantivera contato com a assistente social da comarca em que se encontrava nosso bebê de 12 anos.
Viajamos com a cara, a coragem, o amor e a fé. Prevaleceram o amor e a fé. Estamos muito felizes por isso!
Antes de chegarmos até a comarca, tivemos informações acerca da menina: 11 anos de idade (até então), magrinha, tímida, estava abrigada havia 3 anos aproximadamente e, a pior notícia, era vítima de abuso sexual. Depois, ainda soubemos que ela precisava fazer uso de antidepressivo. Claro, se um adulto faria uso desse tipo de medicamento, quanto mais uma criança naquela situação!
Ficamos temerosos principalmente por causa dos comentários preconceituosos de outrora que já povoavam nossas mentes. Mesmo assim, sabíamos que não seria certo desistir com base em ideias distorcidas de outras pessoas. Precisávamos entender o que Deus havia preparado para nós. Então viajamos.
Já no Fórum da cidade onde estava abrigada a nossa filha, nosso primeiro encontro foi especial, mas não houve sinos tocando, nem estrelinhas piscando, nem trombetas soando. Foi especial porque estavam ali pessoas que selariam destinos. Havia, na sala, uma criança frágil (já com 12 anos de idade), com mãozinhas geladas e tremidas e um semblante de profunda tristeza. O olhar triste e temeroso dela não dá para esquecer.
Se, para nós, aquela circunstância era difícil, para a menina era ainda pior. Isso é o que todos sempre deveriam lembrar. A criança é sempre mais frágil. É a criança quem mais sofre.
Saíamos os três todos os dias durante o período que estivemos lá. Conversávamos, passeávamos, e víamos nela uma menina normal, bastante meiga, inteligente, mas com falta de estímulos para aprendizagem e profunda carência afetiva. Víamos nela, também, as respostas positivas através do comportamento para as situações que provocávamos. Era uma criança sedenta por um referencial. Era o que precisávamos. Havíamos encontrado nossa filhinha!
Foi com lágrimas nos olhos e o coração aliviado que pedimos a guarda da nossa princesa de 12 anos.
Estamos muito felizes que a decisão foi tomada com base no amor e na fé.
Nossa filha não precisa mais dos antidepressivos, pois vive feliz e sorridente; ela não tem mais o semblante triste; já nos abraça e nos enche de beijinhos; corresponde aos nossos carinhos com desenvoltura e se relaciona muito bem com as pessoas; aprendeu muitas coisas e gosta de tudo que ensinamos. Alimenta-se bem, dorme bem, brinca bastante. Ela ficou mais bonita, mais educada, engordou mais de 4 quilos em apenas 1 mês. É muito meiga! O passado triste está se distanciando dela bem depressa.
Nós, os pais, sentimo-nos tão plenos e tão realizados que parece um sonho! As dificuldades que passamos são mínimas e as felicidades são imensas. A adaptação dela à nova vida foi mais simples do que imaginávamos.
Sentimos como se ela sempre estivera conosco, não conseguimos imaginar nossas vidas sem ela. Não nos fazem falta as fraldas que não trocamos, pois nos preenche totalmente o amor do hoje, do agora. A voz dela é música para meus ouvidos, a risadinha dela alegra a minha alma, o cheirinho dela me faz bem, vê-la dormindo tão serena é a mais doce visão. É minha filha, minha princesa meu bebê, e assim será pelo futuro. É alta, tem quase a minha altura, mas é meu meigo bebê, meu amorzinho, minha flor. O presente e o futuro são nossos, o passado não atrapalha nossa alegria.
Só há um adjetivo para resumir a experiência pela qual estamos passando: sublime.
Adoção tardia é tudo de bom! É preciso que o amor vença o medo ainda no coração de muitas pessoas.
Obrigada, meu Deus, pela vida dela em minha vida!
Foto: Google Imagenssexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Descobrindo que é adotado
Foto: Google ImagensAté hoje, mais de 15 anos depois, Berenice não sabe quem falou aquilo. Possivelmente, uma prima mais velha. Mas foi como se abrisse um grande buraco e ela caísse dentro. “Aquela frase respondia tudo. Era a resposta perfeita para tudo o que eu sentia. Eu sabia que havia alguma coisa diferente comigo, mas não sabia o que era”, lembra. Hoje, com 28 anos, a advogada Berenice superou o trauma de ter descoberto ser filha adotiva numa brincadeira. “Não foi fácil. Dos 12 aos 16 anos, exigi dos meus pais uma explicação, queria saber de onde tinha vindo, por que eles tinham me escolhido e por que me esconderam a minha história.” A mãe de Berenice afirmou, e ainda afirma, que jamais contaria a verdade se a filha não tivesse descoberto: “Ela é minha filha e isso é tudo o que importa. Que diferença faz se sou loura e ela morena? Eu a amo e ponto final.” Berenice sabe que é amada. “Eles, meus pais, são a coisa mais importante da minha vida. Nunca duvidei de que era amada. Fui uma criança com uma infância feliz. Apenas notava que as diferenças físicas eram grandes e isso gerava uma inquietação. Quando parentes vinham nos visitar havia muito sussurro em casa, olhavam para mim e falavam baixo, como se houvesse segredos.”
ACERTANDO AS CONTAS COM O PASSADO
De acordo com a psicopedagoga Mirta Videla, é direito de toda criança conhecer a verdade acerca de sua origem. “Esta verdade pertence à criança tanto quanto a sua própria vida. Quando se adota uma criança, começa uma outra história, a partir de sua chegada. Mas, antes disso, a criança teve uma pré-história, de sangue, de recém-nascida em outros braços, de cultura, de parentesco. As razões pelas quais ela perdeu tudo isso podem ser de diferentes ordens, mas ninguém pode negar-lhe o direito de estar informada a respeito.”
Analisando o caso de Berenice e de tantos outros que sua vivência profissional já a fez ter contato, Mirta afirma que o sentimento de vazio, de diferença até os 12 anos de Berenice foi gerado pelos segredos familiares, que provocam um clima de tensão permanente. “A criança que percebe algo oculto, misterioso e proibido, não se atreve a perguntar. E ela fica se sentindo como protagonista de um quebra-cabeça que nunca consegue montar, porque faltam peças que estão ‘nas mãos dos outros’, os pais adotivos.”
POR QUE NÃO NASCI DE SUA BARRIGA?
Salvador de Rossi Anhaia, 23 anos, também foi adotado. E sempre soube disso. “Mesmo antes de eu entender, minha mãe falava que eu era adotado. Nunca fui tratado diferentemente e não entrei em crise por isso.” Quando chegou, recém-nascido, o casal já tinha três filhas naturais. “Meus pais desejavam um menino e não queriam tentar mais. Falo para todo mundo com muito orgulho da minha família.”
Karina Souza, 25 anos, foi adotada com menos de 1 mês de idade. Apesar da diferença racial – é negra, e os pais brancos –, diz nunca ter ficado em crise por ser adotiva, apesar de os pais só terem conversado com ela quando tinha 11 anos. “Quando me falaram, eu já sabia, e ia ficar mal por quê? Eles me deram tudo.” A mãe adotiva se colocou à disposição para apresentar a mãe biológica, caso Karina quisesse conhecê-la. “Nunca tive curiosidade. Eu amo a minha família.”
Salvador Anhaia diz que em alguns momentos sente curiosidade de conhecer a família biológica, mas não tem motivação para procurá-la “Imagino que eles não deviam ter condições de me criar. Às vezes, queria saber se tenho irmãos, mas nada que me faça virar o mundo para achá-los.” Com a mãe adotiva cristã, Salvador reconhece que Deus sabia que ele tinha de ser filho de quem é. “Havia um casal na fila de adoção antes dos meus pais. Eles ficaram comigo por um dia e depois fui levado para a minha família. Deus já sabia de quem eu devia ser filho.” Nem mesmo a separação dos pais, quando tinha 13 anos, abalou o orgulho de pertencer à família que o adotou. “Nunca me senti rejeitado. Eu sofri como sofre qualquer menino quando o pai sai de casa.”
Eduardo Lemos teve curiosidade. E muita. Apesar de saber da adoção desde os 4 anos de idade, quando completou 17 decidiu que queria encontrar a mãe, saber se tinha irmãos, queria entender sua história. “Meus pais não conseguiam entender por que eu estava fazendo aquilo. Eles achavam que o amor e tudo que me davam deveria ser suficiente para eu ser feliz. Só que pirei em saber que minha mãe de sangue me abandonou. Passei a beber, a me meter em encrenca.” Quando Lemos descobriu que a mãe biológica morreu de cirrose e quase foi enterrada como indigente, decidiu que sua história era outra. “Foi lendo o documento de óbito da minha mãe, onde se registrava que não deixou filhos, que me dei conta de que ser filho do coração foi o caminho que Deus usou para me salvar.” Dona Graça, a mãe adotiva de Eduardo, diz que sempre contou ao filho que o amor é o mais importante. “Eu dizia a ele do grande amor de Deus, que nos tornou Seus filhos, por adoção. Hoje ele entende plenamente isso. Tanto do nosso amor e principalmente do amor de Deus.”
NA REVOLTA
Gustavo foi adotado com 6 anos. E dois anos depois, devolvido à instituição. Os pais adotivos alegaram problemas financeiros. Aos 8 anos, uma nova adoção. “Você acha que é fácil saber que fui abandonado?”, indaga. Com 15 anos, ainda teme que a família adotiva não seja para sempre. “Não dá para saber até quando vão ficar comigo. Há uns parentes que acham que posso ser mau porque imaginam que meu pai biológico pode ser um cara mau. Tem uma irmã da minha mãe que tem medo que eu roube a bolsa dela. É muito esquisito. Até na igreja existe gente que acha que meus pais me fizeram um favor.”
Para Raniere Pontes, presbiteriano, que abandonou o curso de Teologia para se dedicar à promoção de direitos da criança e do adolescente, é latente, no caso de Gustavo, o sentimento de soltura que o impede de criar vínculos profundos. “O adotado também precisa aceitar a família que o adotou. E como na relação com Deus, em que nos tornamos filhos dEle por adoção, por meio de Cristo, temos de aceitar isso”, ensina Raniere, assessor de operações da ONG Visão Mundial.
Karina é jornalista. Quando estava na faculdade levou um grupo de amigas, com quem já convivia há meses, para assistir a um filme em casa. Dentro do carro, a caminho do bairro onde morava, no subúrbio do Rio, fez a revelação: “Preciso dizer para vocês que sou adotada, por isso, não estranhem por eu ser negra e meus pais brancos.” A revelação foi feita como quem conta o que comeu no jantar. “Era tão normal e tão natural para ela ser filha adotiva, ou ser filha, que ela quis evitar nosso constrangimento. Em todo período do curso de Jornalismo, ela fez uma ou duas menções sobre a adoção e muitas sobre a família. O quanto a mãe ‘pegava no pé’, o quanto exigia, o quanto era desconfiada com namorados. Foi legal perceber o quanto a mãe dela era igual à minha mãe”, afirma Ione Souza, casada, dois filhos e na fila de adoção, em São Paulo.




