"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O amor caótico e equivocado das novelas de Manoel Carlos

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

Vamos falar um pouquinho da dinâmica emocional de alguns “amores” da novela “Em Família”? 

As novelas de Manoel Carlos são de fato batidas e refletem os modelos de conduta, conflitos e de funcionamento relacional mais medíocres e repetitivos. Já contaram quantos triângulos amorosos tem nessa novela? Como se o delicioso da vida fosse viver assim. É preciso desenvolver mais educação e estabilidade emocional.

O autor sustenta crenças sobre o amor dramático, agressivo, passional e conflituoso (o confunde com uma paixão egoísta); sobre o ser homem; o ser mulher e sobre as relações familiares de fato mais que superficiais. O médico é o Deus que tudo pode, domina, detém todo o conhecimento e ninguém procura um bendito psicólogo para fazer uma terapia. Que desperdício. 

Já pensaram se a Helena tivesse feito terapia? Que maravilha poderia ter sido... Ela seria bem resolvida agora e talvez a filha não estivesse cumprindo um “mandato familiar” na forma de tradição. Existe alí um processo de projeção familiar transmitido pela imaturidade e baixo nível de diferenciação do self da sua mãe. 

Darei dois exemplos de crenças que se referem ao dito “amor”:
Shirley, uma mulher de inteligência mediana, pensa ser exótica, mas é leviana, sem princípios, sincera quando lhe convém e muito, mas muito competitiva. Pai alcoólatra e mãe ausente afetivamente. Teve filhos com um objetivo claro de receber um benefício secundário, que não só o de ser mãe e amá-los, mas um para ter uma “ligação” com o pai desse filho e a outra por dinheiro. Passou sua vida apegada à crença de que ama o Laerte. Mas será que ela o ama de fato? Claro que não. Ela estabeleceu lá atrás uma competição velada com a Helena e se apaixonou por viver o triângulo amoroso. Ela ama a possibilidade de vencer essa competição, de mostrar a essa outra mulher, que pode representar neste caso a sua própria mãe, que ela é melhor e para isso ela justifica essa “perseguição” por esse “amor” (paixão, pois isso não é amor) como uma coisa espiritual, exotérica, misteriosa, ou seja, quando as pessoas querem algo e não aceitam que não podem ter procuram explicações em outras vidas e nos mistérios para não aceitar o que está na frente delas, ou melhor, dentro delas, no presente, no aqui e no agora, nas próprias dificuldades emocionais, psíquicas, afetivas.

A outra é a Clara, que inicia e viver uma paixão (não tem nada a ver entrar no mérito se essa paixão é homossexual ou não) e o seu marido adoece e chega a fazer um transplante de coração. Que o marido ficou doente pelo seu estado emotivo, pelo que sentia em casa, não existe dúvidas. E nesse cenário caótico, onde afeta também o filho, ela continua a ver e a se relacionar com a pessoa que diz amar tanto quanto o marido, a viver o seu sentimento adolescente, como se não pudesse evitar algo do tipo quando se é adulto, mesmo quando isso adoece toda a família. 

Cada um pode trabalhar as suas próprias emoções e fazer escolhas conscientes e sadias, mas é preciso conhecimento, prática e terapia, ou seja, assim se pode "mandar no próprio coração". 

O Cadu, por sua vez, ao invés de se aproximar da mulher fez o contrário, agindo de forma infantil, baseado no “ego ideal”, com um baixo nível de “deferenciação do self”, começou a acusá-la e a agredí-la, se afastando ainda mais e dificultando o diálogo maduro do casal, agindo como “o rejeitado e o injustiçado”. 

Esses são pequenos e breves exemplos que nos fazem refletir como a postura das pessoas na vida real pode ser melhor, mais madura, responsável com quem diz amar e diferenciada, agindo como um adulto responsivo. 

As novelas estão longe de serem materiais educativos, mas como já fiz referência em outro texto, depende do grau de maturidade e lucidez de quem a assiste para poder tirar algum proveito. Eu aproveito para escrever um pouquinho sobre psicologia de família e trazer algum assunto interessante para o meu leitor.

Termino esse texto com uma frase minha que está sendo muito difundida na internet: “O amor não é cego, quem é cega é a paixão. O amor é intuitivo, honesto, generoso, justo. Quem experimenta o amor se ilumina. O amor é o sentimento do homens maduros”. 

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e escritora, especialista em psicologia conjugal, familiar e adoção. Seu blog recebe mais de 15.000 visitas ao mês, o www.psicologiaeadocao.blogspot.com.

2 comentários:

Bombeiro Oswaldo - SD FILHO disse...

Cíntia, não assisti 2 min. dessa nova novela da Famosa e Ditatória Rede Globo assim que minha Filha Caçula falou-me sobre beijo Gay Feminino. Desaprovo tal comportamento, vejo críticas como construtivas, em vez do autor mostrar algo criativo, insistem sempre em bater na mesma tecla: homosexualismo, racismo, drogas, funk, álcool, traição e por aí vai. Creio eu que o hétero não dá lucro, não frequenta boate, shows etc. Vejo a rede globo como um tentáculo ditador de regras voltadas ao consumismo exagerado. Socorro... Abraços.

Maria Adeladia disse...

Concordo com o comentário acima!Esse tipo de coisas que acontecem nas novelas de Rede Globo tb desaprovo!Principalmente o tema:homosexualismo!Quem aguenta??!!Gostei do seu blog.Vou te seguir.Abraços e muito sucesso!