"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Crenças equivocadas sobre parto e maternidade

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Por Cintia Liana Reis de Silva

Muito se fala e repete sobre crianças, maternidade, parto e educação, mas quase todas as afirmações não passam de grandes mentiras, talvez para trazer mais conforto psicológico, comodidade aos erros alheios e menos culpa. Difícil é ver alguém indo pesquisar sobre um determinado assunto ou perguntando a um psicólogo. Fica mais fácil ouvir a repeição do senso comum, a opinião popular, baseada numa cultura capitalista, industrial e fria, que acredita naquilo que é mais lucrativo e vatajoso.
Os maiores equívocos que constato hoje estão relacionados à repetição de crenças baseadas em experiências pessoais ou o que se imagina, com origem na cultura e na fantasia. Mas muito do que falamos é o que queremos acreditar e não a verdade dos fatos. Muitas dessas crenças as pessoas nunca pararam para se perguntar de onde vêm e se são realmente válidas.
Nossa psiquê, por exemplo, nos passa a informação mais conveniente, a que nem sempre é real e quem nunca fez um trabalho de auto conhecimento, como uma psicoterapia, talvez nunca saberá quem é de verdade e quais são suas reais necessidades, feridas, dilemas e dificuldades.

Citarei alguns equívocos e mitos sobre parto e maternidade:
· “As mulheres esquecem a dor do parto” – Não, as mulheres não esquecem a dor do parto, apesar de ser uma dor muito forte. Comecemos por desconstruir a crença de que a dor do parto é negativa, pois ela não é, o sofrimento não é necessário, a dor sim. Ela é necessária neste momento de rompimento, pois transporta a mulher para outro nível de consciência, para outra dimensão e compreensão do momento de transformação pelo qual está passando. A equipe médica deve demonstrar proximidade e humanidade para que a mulher se sinta mais forte, evitando que situações de dor e medo se transformem em sofrimento e abandono. O nascimento de seu filho é  um momento de renascimento para ela, nasce uma mãe, e a dor faz com que ela entre em contato com suas necessidades, com as necessidades da criança, com a sua passagem e, sobretudo, abandone a realidade fria do hospital e dos procedimentos médicos, para pensar só em si e em seu bebê. O corpo tem memória, ele não esquece nenhuma dor, ela está alí, adormecida, mas foi necessária e é instintiva (GUTMAN, 2008).

· “O bebê nasce quando ele quer” – Não, o bebê nasce quando a mãe se dá conta de que está preparada, e juntamente com o bebê sentem a harmonia do momento oportuno de dar e ganhar vida. A psiquê materna está diretamente ligada ao corpo do bebê, este como continuidade dela, e se a mulher for sensível, pode ter um parto muito tranquilo e sereno, com a “cooperação” da criança.
        
· “O trabalho de parto rápido é o melhor” – Não, o parto rápido não é melhor que o parto lento, cada mãe e bebê têm seu tempo especial para fazer a “passagem”. Um trabalho de parto de 24 horas pode ser bom, depende de como a mulher vive aquele momento, sobretudo com consciência, aproveitando cada minuto para ser protagonista do seu processo e “reencontra-se mais autentica que nunca” (GUTMAN, 2008, p. 40). Se a mãe e o bebê precisam de 24 horas de trabalho de parto para que essa transformação aconteça, deixemos que seja assim, nada é por acaso, pode ser um processo de reconhecimento de uma situação e não podemos desrespeitar o tempo de cada mulher, ela deve ser a protagonista, a rapidez médica não importa. O parto não é um procedimento puramente cirúrgico, antes de tudo é um fenômeno humano para a vida.

· “Bebê no colo se torna dependente” – O bebê já nasce dependente. Hoje se criou uma mentalidade de que bebê que fica um pouco no colo se torna dependente, e foi esquecido que o contato direto com a mãe é algo essencial para o desenvolvimento biopsicosocioafetivo da criança, e que, se ela pede colo, é porque precisa daquele calor, da troca, do envolvimento amocional, é porque este envolvimento é necessário por algum motivo que nem sempre a mãe tem a capacidade ou a abertura para entender. Hoje os adultos censuram muito as crianças, como se elas fossem animalzinhos a ser adestrados, mas estão longe de conseguirem compreendê-las. É ideal que a criança crie um “apego seguro” (ler sobre a teoria do apego de Bowlby) com seus pais, caso contrário, isso se refletirá em seu mundo adulto, trazendo muitos prejuízos, em todos os níveis.
    
· “A bebê que chora muito não é bom” – O bebê que chora muito e adoece em continuidade está fazendo o favor de comunicar que algo não vai bem em seu ambiente. A fusão emocional com a mãe, que dura até aproximadamente os seus dois anos, faz com que ele sinta e expresse tudo o que não vai bem com ela, seus medos inconscientes, seu deconforto emocional, suas memórias negativas, suas dificuldades relacionais e qualquer rejeição que ela venha a sentir em relação ao filho, que normalemente está diretamente ligada a sua própria infância e a sua relação com sua mãe.
                        
· “Depois de parir a mãe deve se sentir feliz” – O pós parto é um momento delicado, onde cada mulher tenta reencontrar e se conectar com sua identidade, que entra em harmonia com a nova. É um momento intenso, difícil, contraditório, que pode ser triste e ao mesmo tempo feliz, um momento de ajustes psíquicos e hormonais, onde cada mulher vive da maneira que pode, de acordo com sua história de vida, devendo ser repeitada e ajudada com amor.
    
· “Não existe fómula para educar filhos” – Pode não existir uma fórmula, mas seguramente existe um caminho justo e, a depender a disponibidade interna, pode transformar-se num caminho simples. Antes de ter um filho, os futuros pais devem educar a si mesmos. Não serve de nada exigir agressivamente dos filhos aquilo que nem você consegue fazer. Muitas pessoas têm filhos para satisfazerem seus desejos, mas poucas se perguntam se podem dar mais que receberem, ou se estão prontas, completas e dispostas a darem uma base sã a quem vem ao mundo. Querendo ou não, os filhos são um reflexo de como vêm os pais, inclusive a parte negativa que muitas vezes nem eles mesmos se dão conta de que têm. É preciso trabalhar a relação com seus pais, pois esses modelos passam de geração em geração como também as feridas intergeracionais, sem as pessoas tomarem consciência da necessidade de mudar e criticar sua própria educação, que certamente não foi perfeita como se pensa. É necessário humildade para aceitar a imperfeição. Um bom exemplo é que os pais me procuram para atender em psicoterapia os filhos que apresentam dificuldades, mas poucos se colocam a disposição para entenderem no que podem estar errando com eles. O pai da teoria do apego disse, “é na hora de tornar-se progenitor que se reabrem feridas intergeracionais, e como dar ao filho algo que não se teve?” (SILVA, 2012).
               
· “Toda mulher nasceu para ser mãe” – Não, nem toda mulher quer ser mãe, nem toda mulher está pronta para ser mãe e nem toda mulher é uma boa mãe, isso vai depender da história familiar de cada uma, de sua base, de suas expectativas, de seu presente. Cada mulher vive a maternidade de um modo, ou seja, do modo que é capaz de viver, de acordo com seus referenciais de vida e cuida de seu filho do modo que pode, dando o que tem, baseado no que teve e no que reconhece em si.

·  “Mãe adotiva não é mãe de verdade” – Mãe adotiva é mãe. Não é necessário parir para se tornar e se sentir mãe, o amor maternal é desenvolvido a partir da intenção, consciência e convivência com a criança e ela se sente tão mãe como qualquer outra mãe que deseja o seu filho.
 
É muito fácil repetir crenças populares, acreditar no que nos dá mais conforto, mas o caminho correto é buscar conhecimento e sobretudo desenvolver autocrítica e sensibilidade para olhar o mundo e cada ponto com suas particularidades, independente do que aprendemos ou do que é mais confortável, é não ter medo e nem preguiça de pensar, sentir e refletir.

Referência:
GUTMAN, Laura. La maternità y el incuentro con la propria ombra. Buenos Aires: Editorial Del Nuevo Estremo, 2008.
SILVA, Cintia Liana Reis de Silva. Filhos da Esperança: Os Caminhos da Adoção e da Família e seus Aspectos Psicológicos. Salvador: Edição do Autor, 2012.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar, vive e trabalha na Itália, é autora de dois livros publicados no Brasil, seu blog conta com mais de 15.000 acessos ao mês, o www.psicologiaeadocao.blogspot.com.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A verdade é o princípio da adoção

Ser honesto com os filhos sobre todo o processo é a melhor maneira de evitar desententimentos

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09/12/2012 01:34 - MYLLENA VALENÇA

“O filho é a resultante esperada da relação homem-mulher; é como se o equilíbrio se completasse a partir de um terceiro referencial. É da interação dessas três forças (ou mais) que surge a verdadeira unidade”. O sentido da afirmação do psicólogo Luiz Schettini Filho é o ponto de partida para que muitos casais optem por a­dotar uma criança quando, por algum motivo, não podem gerá-las. Mas apesar de toda a grandiosidade e beleza da adoção, existe uma fase delicada, pe­la qual todos irão passar: a ho­ra de contar à criança a verda­de so­bre sua origem. É preciso matu­ridade para que este mo­men­to seja encarado pela fa­mí­lia com total naturalidade, evitando  traumas aos pequenos.

Em seu artigo “Uma psicologia da adoção”, Schettini diz que a criança adotada necessita do conhecimento de sua origem. “Dizer a verdade tem sido um desconforto, quando não um motivo de pânico, para alguns pais. É como se a histórica revelada pudesse destruir o afeto familiar. Porém, as dificuldades nas relações interpessoais poderão surgir muito mais pela manutenção dos segredos do que pela revelação da verdade”, garante Schettini, que é especialista em psicoterapia de crianças e adolescentes e o maior escritor do assunto no Brasil.

Esposa e parceira de Luiz em pesquisas, além de presidente do Grupo Estudo e Apoio à Adoção (Gead), no Recife, a psi­cóloga Suzana Schettini a­crescenta que a criança precisa tomar conhecimento de sua realidade mais ou menos aos 2 anos, com palavras simples e de uma forma que ela pos­sa en­tender. “Na verdade, os pa­is irão apenas confirmar o que, inconscientemente, a cri­ança já sabe. Ela tem percepções e ins­crições psicológicas da vida intrauterina e da transpo­sição pa­ra a família adotiva. Tan­to que, atualmente, não se fa­la ma­is em ‘revelar’ a história mas, sim, comunicar. Isso não de­ve angustiar os pais”, pontua Su­zana. De acordo com a psicó­loga, eles são as pessoas que devem fazer esta comunica­ção, para evitar  que a criança tome conhecimento de for­ma inadequada, através de terceiros.

Meninos e meninas terão um entendimento mais claro de sua adoção a partir dos 6 ou 7 anos e a reação deles ao fato vai depender de como lhes foi passada a sua realidade. “A criança aprende o mundo da forma como os adultos ensinam. Se estes se sentem seguros e confiantes na sua condição de pais, assim a criança também se sentirá. 

É o que acontece com a fonoaudióloga Auriany Nunes e o motorista Gustavo Souza Leão, que hoje esperam seu primeiro filho biológico, mas, primeiro, adotaram Arthur, de 4 anos, quando ele era um bebê de 3 meses. “A chegada dele só nos trouxe alegria e por isso esclarecemos os fatos naturalmente. Sobre a sua vida, não queremos deixar lacunas”.

Fundadora do Geadip, grupo de apoio à adoção, em Belo Jardim, no Agreste, Tatiana Valério tem duas meninas: Maria Júlia, 6, e Maria Alice, 4. Ela e o seu marido, o autônomo Marcos Valério, sempre procuraram a forma mais leve de falar com elas sobre o assunto. “A mais velha já entende, mas eu digo à mais nova: mamãe e papai queriam muito outra filha. Um dia, o telefone tocou e era a juíza perguntando: ‘é da casa de Marcos e Tatiana? Tem uma menina aqui esperando vocês’. E nós fomos correndo buscar você!”, conta Tatiana, que sempre põe a sinceridade em primeiro lugar. “Ela está na fase de dizer que saiu da minha barriga, mas sou firme: não, filha; os pais podem ter os filhos ou a­dotá-los e nós adotamos você!”.

Suzana Schettini resume bem toda essa questão: “A adoção é apenas uma outra forma de se chegar à família. Na verdade, to­das as crianças precisam ser a­dotadas para se tornarem filhos, porque a filiação somente acontece através dos vínculos afetivos, ou seja, pela adoção. Assim sendo, todos os filhos precisam ser adotivos, mes­mo os biológicos, ou não serão filhos de fa­to. Os pais que não adotam as suas crianças afetivamente, são apenas genitores”. 



domingo, 9 de dezembro de 2012

Propaganda de natal sobre adoção da Seara

De fato, quem se prepara, alimenta o desejo de ser mãe, ou o descobre, seja ela na gravidez biológica ou na adotiva, entende que a maternidade é um momento de renascimento, de resignificação da vida, dos valores. E quanto mais a mulher estiver consciente dessas mudanças, desta força, desses significados e simbolismos ela só cresce e amadurece. Parabéns a Seara pela linda propaganda.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Emoção de Homem

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Por Augusto César Maia

O aspecto emocional tem profunda influência sobre o desenvolvimento integral do ser humano, pois este é basicamente um ser emocional. As emoções desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da personalidade e na formação do caráter da criança. Por isso, os pais precisam reconhecer que os afetos de seus filhos são importantes para o desenvolvimento deles. O problema não está nas emoções, ou naquilo que se sente, mas nas experiências de vida que cada um teve ou tem, pois a criança se educa emocionalmente a partir dessas experiências. Nossos atos, comportamento, maneiras de pensar e sentir sofrem influência das experiências que tivemos e temos.

O olhar daqueles que cercam o bebê tem uma extrema importância em seu desenvolvimento emocional. Logo após o nascimento, os pais ensinam por meio de gestos, voz, brinquedos e roupas a que sexo o bebê pertence e quais as emoções a serem expressas em função do mesmo.

Os homens tradicionalmente passam por experiências que lhes desencorajam chorar ou a transparecer emoções. Desde cedo, são ensinados a não se “exporem”, com frases do tipo: “homem que é homem não chora”, “seja homem e pare de chorar”. Essas experiências sinalizam ao menino que revelar emoções é um sinal de fraqueza e que ser homem é ser forte. Afinal, aprendem desde cedo que “macho, que é macho, aguenta tudo firme e não dá um pio”, ou seja, “homem que é homem, suporta tudo calado”.

Contudo, existe uma exceção principal à regra de que os homens não demonstram emoções – a raiva. Os homens aprendem que é certo demonstrar raiva, pois ela é considerada um sinal de força em nossa cultura machista. Um homem pode ficar bravo, nervoso, ou uma fera, e sua atitude será interpretada como “virtudes varonis” em nossa sociedade. Afinal, homem é assim mesmo!

Montserrat Moreno, uma estudiosa contemporânea, assevera que “esta imagem, nós não a fabricamos do nada, mas a construímos a partir dos modelos que a sociedade nos oferece. E é a sociedade e não a biologia ou os genes que determina como devemos ser e nos comportar, quais são nossas possibilidades e nossos limites”. Portanto, todos nascem com a capacidade de sentir emoções. Não obstante, nem todos estão sujeitos às mesmas normas, conceitos familiares e sociais que controlam, modificam e reprimem as emoções de acordo com o sabor sociocultural da época.

Portanto, as emoções devem ser entendidas dentro de um contexto global, como um todo “biopsicossocioespiritual”, que não se desagrega.

Emoções (do latim emovere, “movimentar”, “deslocar”) são, como sua própria etimologia sugere, reações manifestas diante de condições afetivas de intensidade variável que nos mobilizam para algum tipo de ação. Ou seja, as emoções são estados afetivos ou sentimentos que experimentamos quando nossas necessidades são satisfeitas ou frustadas – algo que influencia todos os outros aspectos do nosso comportamento.

Durante o desenvolvimento emocional, de uma forma ideal, deve-se preparar as crianças para serem bem-sucedidas no que se refere a lidar com aspectos frustrantes ou desagradáveis da vida, assim como para poder apreciar os aspectos agradáveis.

As emoções influenciam nosso comportamento de várias formas importantes: podem levar-nos da passividade para um envolvimento ativo; podem dirigir o curso de nossas ações aproximado-nos ou distanciando-nos de nossos objetivos; podem ainda dificultar nossa percepção da realidade, levando-nos a agir inadequadamente.

Ligações emocionais

É uma afirmação óbvia a de que nossas relações interpessoais começam a partir da relação da criança com a pessoa que cuida dela. Inicialmente, esta interação é uma forma de assegurar a sobrevivência, alimentando-a quando tem fome, acalmando-a quando está inquieta, limpando-a quando está suja – uma relação que reforça a dependência da criança.

Por muitos anos, considerou-se que a criança estivesse passivamente envolvida nessas primeiras interações. Atualmente, sabemos que ela desempenha um papel ativo em todas as facetas de sua socialização, determinando de algum modo o que acontece com ela. Por exemplo, inicialmente, o choro da criança é sempre o mesmo, quer ela esteja com fome, sentindo dor ou algum desconforto. Com um mês de idade, identificam-se dois tipos de choro: o de fome e o de dor. Assim, a criança é capaz de comunicar aos que cuidam dela quais são suas necessidades imediatas. Isso significa participação ativa.

Entre o primeiro e segundo meses, dois comportamentos significativos aparecem: o contato olho a olho e o sorriso espontâneo, que marcam o início da ligação emocional da criança com aqueles que a cercam. Parece haver um período crítico entre os 4 e 12 meses de idade, durante o qual essa ligação precisa ser formada. Se for negada à criança a oportunidade de estabelecer um vínculo afetivo com as primeiras pessoas com quem mantém contato, possivelmente sofrerá síndrome de privação afetiva, bem como de depressão anaclítica ou hospitalismo. Esses estados patológicos foram inicialmente identificados por René Spitz, que atribuiu sua causa à privação materna, sofrida durante o período crítico para o estabelecimento da ligação. Pesquisas mais recentes sugerem que tanto a privação sensorial como a materna (ou a da pessoa que dela cuida) contribuem para essas primeiras patologias no desenvolvimento afetivo. Embora os efeitos da privação sensorial e emocional não sejam irreversíveis, como se acreditava, quanto mais tempo a criança sofre essa negligência, mais difícil será superá-la.

Os sentimentos e emoções são forças poderosas para aperfeiçoar e tornar a nossa personalidade mais atraente. Eles dão colorido e variedade à vida. Não são faróis para nos guiar, mas forças poderosas que devem ser dirigidas com sabedoria. Se as emoções forem bem canalizadas pela mente, com expressões e desabafos adequados, poderão ser de grande utilidade para todos. Quando são mal administradas, podem se tornar muito nocivas. Portanto, as ligações emocionais da criança com a mãe e o pai desde cedo são vitais para uma vida saudável.

Augusto César Maia é doutor em Psicologia
[Fonte: Vida e Saúde – Mar 2010, p.47 a 49]

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O meu filho precisa mesmo de terapia?

Foi com muita alegria que estreei como colunista do site Indika Bem no dia 28 de novembro de 2012.
O Indika bem é um excelente site, onde reúne especialistas de várias áreas da ciência, filosofia e da vida cotidiana, falando de assuntos importante e de grande interesse.
Confiram o meu primeiro texto.

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Por Cintia Liana Reis de Silva

É muito comum casais procurarem terapia para o filho quando detectam que este apresenta alguns sinais persistentes de dificuldades em casa, na escola ou em outros grupos sociais, porém as teorias científicas psicológicas provam que a criança é um reflexo do que ela vive e das impressões que tem do comportamento de seus pais e até do que não é dito em casa, dos segredos, dos tabus, dos preconceitos, de como interpreta as dificulades cotidianas e sobretudo de como sente o mundo que é apresentado à ela. As crianças sentem tudo e é muito natural emitirem algum tipo de resposta ao mundo, do seu modo particular.

Poderíamos dizer que é desaconselhável e até irresponsável atender em psicoterapia uma criança pequena sem introduzir seus pais num processo de reconhecimento da origem das dificuldades. Seria como trabalhar aquele que está fazendo o favor de comunicar a existência de um desequilíbrio familiar e reintroduzí-lo no ambiente adoecido, que nem os pais se deram conta de que não está fucionando de modo justo. Nesse sentido, os pais devem ser bem orientados e aderirem à proposta do trabalho terapêutico aceitando a necessidade de se questionarem.

Devemos usar aquele que está comunicando o desequilíbrio para deflagrar mais ainda o que é de fato importante trabalhar e, a partir daí, propor o conhecimento das situações conflitantes, os motivos, os padrões, os maus hábitos de todos e caminhar em direção a possíveis mudanças.

É claro que é muito mais difícil olhar para si mesmo e admitir que algo pode não estar indo bem e que o filho está sentindo tudo, para isso é preciso humildade e trabalhar o sentimento de culpa. É difícil admitir que o sistema familiar está desorganizado e desarmonioso, afinal os adultos não querem errar, muito menos com os filhos. Talvez seja mais fácil crer que o problema nasce e acaba no filho que, aos olhos de muitos adultos, é um ser que ainda não aprendeu a viver, que não está acostumado com o mundo ou que é rebelde. É mais simples e mais ingênuo pensar assim e usar essas desculpas para não se enxergar, mas se trata de uma fantasia que não ajuda em nada.

A criança, por menor que seja, é um ser que merece respeito, ser tratada com educação. Ela muitas vezes já indica quem será quando adulto e quais são suas prioridades, vontades e tem senso de direitos. Os adultos precisam aprender a entendê-las, o que estão querendo expressar, e aceitar com humildade que eles podem estar errando. As crianças nascem com intuição, sensibilidade e emoção aguçadas, ao longo do tempo é que se pode ir perdendo tudo isso.

Se deve agir com sabedoria e fazer um diagnóstico dos sistemas em que a criança está inserida, pois ela é um reflexo de como está sentindo o mundo e sobretudo reflete quem são de fato os seus pais, seu lado positivo e negativo. Mesmo que doa, ver a sua própria imagem negativa refletida no filho é uma tarefa importante para a transformação de todos e das futuras gerações, tomar consciência deste processo e mudar. As crianças repetem o que os pais fazem de censurado socialmente e eles brigam com ela, sem ao mínimo terem se dado conta de que eles é que deram o modelo.

Tudo pode mudar quando todos resolvem colaborar e ser sinceros, reconhecendo as dificuldades, sem usar de “culpas”, promovendo mudanças sadias. Afinal, uma vida sã propõe crescimento, inteligência e coragem para enfrentar os limites com verdade. E ter filhos é uma responsabilidade muito séria, que muitas pessoas não se dão conta do tamanho desse doce e forte compromisso, nem mesmo depois de tê-los.

Cintia Liana Reis de Silva é Psicóloga e Psicoterapeuta, Especialista em casal, família e Adoção

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Vantagens do bilinguismo na infância

Mandy Lynne

Criado 20 Novembro 2012. Escrito por guiainfantil.com

Alguns pais consideram que a aprendizagem de um segundo idioma pode representar um freio e inclusive um atraso no desenvolvimento linguístico da criança, ainda que não existam provas concretas a respeito. Uma vez ou outra, a criança poderá confundir alguma palavra entre os dois idiomas, mas esses casos são normais a princípio, principalmente quando os idiomas apresentam palavras semelhantes. No entanto, essas pequenas falhas podem desaparecer com o tempo.

O bilinguismo ajuda a criança aprender outros idiomas

Segundo alguns investigadores, as crianças expostas desde muito cedo a duas línguas, crescem como se tivessem dois seres monolíngues alojados dentro do seu cérebro. Quando dois idiomas estão bem equilibrados, as crianças bilíngues têm vantagem de pensamento sobre crianças monolíngues  o que quer dizer que o bilinguismo tem efeitos positivos na inteligência e em outros aspectos da vida da criança. E que isso não representa nenhum tipo de contaminação linguística nem atraso na aprendizagem. Dizem que é muito melhor a aprendizagem precoce, ou seja, falar com as crianças ambos idiomas desde o seu nascimento, pois permite o domínio completo da língua, ao contrário do que sucede se se ensina a segunda língua a partir dos 3 anos de idade.
 
Outros afirmam que são muitas as vantagens na hora de educar uma criança para que seja bilíngue. Que tudo dependerá da forma que se introduza esse idioma. Não se pode obrigar que a criança o fale. O importante, a princípio, é que a criança ouça sempre e se familiarize com ele pouco a pouco, sem pressas nem obrigações.
 
Outros especialistas, sustentam que as crianças expostas a vários idiomas são mais criativas e desenvolvem melhor as habilidades de resolução de problemas. E além disso, falar um segundo idioma, ainda que seja só durante os primeiros anos de vida da criança, a ajudará a programar os circuitos cerebrais para que lhe seja mais fácil aprender novos idiomas no futuro.
 
Por outro lado, existem alguns científicos que continuam defendendo o atraso do treinamento linguístico e recomendam que a criança aprenda uma segunda língua somente quando tenham suficiente conhecimento da maternal.

Vantagens de ser uma criança bilíngue

  1. Comunicação. A capacidade de comunicação com os pais, familiares, e com mais pessoas quando viajam ou convivem com pessoas estrangeiras. Somando-se a isso, as crianças bilíngues têm duas vezes mais capacidade de ler e escrever, e seu conhecimento é mais amplo pelo seu maior acesso à informação global.
  2. Cultural. O acesso a duas culturas diferentes. À literatura, às histórias, a diferentes comportamentos, tradições, conversações, meios de comunicação, etc.
  3. Conhecimento. Quanto mais conhecimento, mais desenvolvido será o raciocínio de uma criança bilíngue  Através dele, podem ser mais criativos, mais flexíveis, e adquirir uma mente mais aberta ao mundo e aos demais. 
  4. Oportunidade de trabalho. As portas do mercado de trabalho se abrirão e oferecerão mais oportunidades às pessoas bilíngues.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Terapia individual sistemica (e Terapia familiar)

Mandy Lynne

Por Norma Emiliano

O indivíduo sente que está mal e não consegue entender nem superar o estado de paralisação em que se encontra. Percebe que precisa de ajuda, há o desejo de conhecer mais profundamente seus conflitos e caminhar em direção à “felicidade”.

Cada pessoa é única no que diz respeito ao seu temperamento, composição genética, percepções e necessidades. Contudo, a formação da identidade se processa através das interações familiares contínuas. Assim, o sentido que cada pessoa  atribui  à  vida, à  família, aos  relacionamentos, às  suas  expectativas, bem  como  à  sua auto-estima  estão relacionados à sua família.  O ser humano nem sempre tem consciência disto.

A Terapia Sistêmica em sua origem dirigia-se exclusivamente ao atendimento de famílias. Ao longo do tempo, com desenvolvimento teórico, técnico e clínico, a abordagem sistêmica foi se reestruturando para atender clinicamente o sistema individual.

No atendimento individual, as  histórias  familiares  fornecem o nexo dos  fenômenos e constituem  os  recursos terapêuticos. “O espelho familiar vai circulando através das diferentes gerações de uma família, constituindo-se em elo entre passado e futuro.” (Gomel).  Desta forma, parte-se de algo que é “interno” para o indivíduo e o relaciona com algo que acontece entre as pessoas. “Forças  transgeracionais  exercem uma influência crítica  sobre  as  relações intimas atuais.” (Framo).  Consideram-se todas as informações levando-se em conta três gerações da família.

O foco da terapia é favorecer o auto conhecimento e possibilitar a descoberta de saídas para o impasse em que o indivíduo se encontra (processo de autonomia e mudanças de pautas disfuncionais).

A reconstrução das histórias, a analise e definição dos padrões relacionais repetitivos, possibilitam uma visão mais ampla  do  problema  podendo  trazer à consciência fatores  que  permitam  a  elaboração  de  conflitos, perdão, resignificação de atitudes, etc.

São fundamentais o desejo de mudança e a disponibilidade  do  indivíduo, assim como, que  o  vínculo  terapêutico favoreça o processo de mudança e ajude-o a se “diferenciar”, ou seja: ter capacidade de manter separados os sistemas emocionais dos intelectuais, usar mais a razão do que os sentimentos.

As intervenções consideram as  relações  entre o indivíduo  e  os outros  e  dele consigo mesmo.  Trabalha-se com a identidade pessoal e a identidade familiar nas vertentes do pertencer e do diferenciar-se, ajudando o indivíduo a sair da massa indiferenciada da família e a poder construir seu caminho, reconhecendo outras possibilidades.

A separação  da  família  de origem  é  um  processo  gradativo  e  que  não  se  esgota.  A Terapia individual sistêmica, agregando ou não, os diversos membros familiares, é indicada quando é o indivíduo busca a terapia com objetivo de desenvolver consciência do seu padrão de funcionamento e deseja adquirir  aprendizagens  que  são necessárias no momento, ou de realizar as mudanças que se fizerem necessárias.

Referência bibliográfica
Framo J.L.(2002). Uma abordagem transgeracional à terapia de casal, à terapia de família famíliar e a terapia individidual. In M. Andolfi (org.)

Fonte: http://pensandoemfamilia.com.br/blog/terapia-de-familia/terapia-individual-sistemica/

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uma das mais belas historinhas sobre adoção

Esta é uma linda história para usar no processo de revelação e explicação da adoção ao filho pequeno:
 
Many Lynne
 
Achei uma mamãe!
 
Há um certo tempo atrás, lá no céu, viviam muitas criancinhas correndo e brincando sem parar. E todos eram muito, mas muito felizes.

No meio daquelas crianças havia uma menina muito bonita, inteligente e esperta que percebeu que muitos de seus amiguinhos desapareciam assim, de repente, enquanto brincava com eles e sem se saber o por quê.

Então ela, que era muito inteligente, foi conversar com o "Papai do Céu" para saber o que estava acontecendo. Aproximou-se Dele e disse:
- Papai do Céu?
- Sim, minha filha.
- Por quê meus amiguinhos desaparecem no ar quando eu estou brincando com eles?
- Eles não desaparecem, minha filha. Respondeu o Papai do Céu. Eles estão indo nascer lá embaixo na Terra. Eles desaparecem aqui, mas aparecem lá.
- Então, perguntou a menina, por quê eu ainda não fui nascer lá na Terra?
- Porque Eu estou escolhendo uma mamãe e um papai para você.

A menina pensou naquelas palavras e decidiu fazer um pedido.
- Posso escolher minha mamãe e meu papai? Posso? Insistiu a menina.

Papai do Céu coçou sua longa barba branca, pensou e depois de algum tempo resmungou:
- Isso nunca foi feito. Eu sempre faço a escolha. Mas como você mostrou que é muito inteligente Eu vou deixar você escolher.

A menina saiu correndo muito feliz da sua vida e, naquele mesmo dia, passou a olhar aqui para a terra tentando escolher sua mamãe e seu papai.
Ela olhava, olhava, olhava, mas achava difícil escolher no meio de tanta gente.

Os dias foram passando até que num dado instante ela conseguiu ver uma mulher rezando aqui na terra dizendo assim:
- Papai do Céu, manda uma filhinha para mim. Eu sei que minha barriga não cresce mas manda mesmo assim. Eu vou amá-la com toda a foça do meu coração. Ela vai ser minha filha do coração e eu e meu marido seremos seu papai e mamãe do coração. Por favor Papai do Céu...

A menina ao ouvir aquelas palavras foi correndo para o Papai do Céu contar a grande novidade:
- Papai do Céu? Achei! Achei uma mamãe e um papai para mim.
Vem ver, vem ver!

A menina mostrou a mulher aqui embaixo na terra para o Papai do Céu que, depois de olhar disse:
- Minha filha, aquela mulher não pode ser sua mamãe. A barriga dela não cresce e você sabe que as crianças só nascem lá na terra se a barriga da mamãe crescer.
- Eu sei, mas eu quero ela, eu quero! O Senhor pode fazer qualquer coisa e eu quero ser Filha do Coração daquela mamãe.

A menina gritava e chorava, e mais uma vez Papai do Céu pensou e respondeu:
- Tá bom! Então vou fazer você nascer da barriga de uma outra mamãe e vou avisar sua mamãe do coração para ir te buscar.

E assim foi. Ao mesmo tempo que a menina nasceu de uma outra barriga, Papai do Céu fez a mamãe do coração dormir e sonhar. Neste sonho, Papai do Céu mostrou como era a menina e onde ela deveria buscá-la.

Ao acordar, a mamãe do coração ficou tão feliz que chamou seu marido e juntos foram buscar a menina.

Eles viajaram bastante até chegarem a uma cidade distante. Lá começaram a procurar pelo lugar onde estava a menina. Depois de muito tempo e já cansados de procurar, os dois resolveram descansar em um banco de jardim. Assim que sentaram e olharam para a frente, lá estava ela. Era a casa que o "Papai do Céu" havia mostrado no sonho e onde estava a "filhinha do Coração." Rapidamente correram para lá e entraram.

Dentro da casa havia muitos bebezinhos, cada um em sua caminha dormindo.

A mamãe do coração olhava todos eles mas não encontrava a sua filhinha.

Após olhar todos eles, a mamãe do coração, quase desistindo, viu que ainda tinha um bercinho com um bebê todo coberto e enrolado em um lençol.

Toda emocionada, ela se aproximou e puxou o lençol. Pode ver, então, o rosto da menina.

Sim, era ela, a menina que ela tinha visto no sonho.

Imediatamente ela a pegou no colo, abraçou-a e chorou de tanta felicidade.

E assim todos juntos, papai, mamãe e filha do coração voltaram para casa onde foram felizes para sempre!..."
 
(Autor desconhecido)

domingo, 11 de novembro de 2012

Gravidez: o que acontece quando a barriga não cresce!


Por Cláudia Gimenes

Quando eu falo a palavra gravidez o que vem à mente de quem lê: uma mulher com uma barriga enorme!
Sempre relacionamos palavras a imagens, entretanto as palavras nem sempre relacionam exatamente a apenas uma imagem. A palavra 'banco', por exemplo, sem nenhuma outra referência pode remeter a um banco de jardim embaixo de uma árvore numa praça ou a um banco financeiro. A imagem vai depender do foco de quem está lendo certo? Nem sempre!

Com a palavra gravidez é assim: você lê a palavra e a imagem é de uma mulher barriguda. Não tem como fugir disso, entretanto se falarmos em esperar um filho a figura associada muda? Para a maioria das pessoas não!
Quando eu digo que estou esperando mais um filho as pessoas me perguntam de quantos meses eu estou. Se eu falo que são, aproximadamente, 48 meses as pessoas mudam de assunto. Não sei, mas acham que estou debochando, entretanto eu estou esperando outro filho há aproximadamente 48 meses mesmo!

A sociedade ainda não assimilou o sentido de esperar um filho, de estar grávida do coração. Por conta disso podemos esperar nossos filhos por 3, 4, 5, 10 anos e quando eles chegam é como se tivessem aparecido por encanto, assim 'do nada'.

Vamos fazer uma analogia: gravidez biológica x gravidez do coração.
Na gravidez biológica a barriga cresce e, via de regra, dura 9 meses ou 42 semanas! Todo mundo participa, compartilha da felicidade da futura mãe, ansia pelo momento de ver a carinha do bebê, sonha com o momento de poder visitar, planeja presentes e tal. Essa é a parte social: amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos, todos se envolvem com a barriga, todo mundo sempre tem algo positivo ou alguma recomendação para dar sobre o bebê e isso é legal, afinal de contas uma nova vida que chega é sempre motivo de festa. Como diz a famosa marca de fraldas: é um pequeno milagre que vem ao mundo!

A mulher grávida fica sensível pela mudança hormonal e também pela mudança real que terá em sua vida e família em poucos meses. Terá uma pessoa a mais em casa, uma pessoa totalmente dependente dela e ela passará a ter que zelar pela saúde e bem estar desta pessoa! A mulher grávida sente felicidade por estar grávida, mas conforme a barriga vai crescendo ela sente ansiedade, medos dos mais variados, tem sonhos sobre como será o seu bebê, que carinha vai ter. Tem fantasmas que povoam sua mente: como será quando chegar o momento? vai dar tudo certo? o médico estará disponível?, o hospital terá estrutura suficiente se o bebê tiver algum problema?, ele terá saúde?, terá todos os dedinhos? e se não chorar na hora que nascer? e se não me mostrarem e depois trocarem meu bebê? e se depois que chegar em casa eu não souber cuidar? e se eu não  conseguir amamentar? e se o leite for fraco? e se...e se...e se? Na cabeça de uma gestante, por mais que ela se cerque de todas as garantias e tenha certeza que está tudo certo passam todas essas perguntas e muitas outras mais.

Na gravidez do coração a barriga não cresce, o tempo de espera é indeterminado, praticamente ninguém participa da felicidade da futura mãe, pouquíssima gente se lembra que ali naquela família em algum momento vai haver uma criança nova para ser visitada. Colegas de trabalho, vizinhos, amigos e conhecidos: quase ninguém se envolve com a mãe na espera e mesmo assim, como diz a famosa marca de fraldas, este filho, assim como o biológico, é um pequeno milagre que vem ao mundo!

A grávida do coração  fica sensível também. Para ela não existem mudanças hormonais, mas as mudanças emocionais são tais e quais as da grávida biológica:  ela sabe que terá uma pessoa a mais em casa, uma pessoa totalmente dependente dela e ela passará a ter que zelar pela saúde e bem estar desta pessoa! A mulher grávida do coração sente felicidade por estar esperando um filho, e mesmo sem barriga crescendo ela sente ansiedade e medos dos mais variados, tem sonhos sobre como será o seu filho que pode não ser um bebê, tenta imaginar que carinha vai ter. Tem fantasmas que povoam sua mente, também: como será quando chegar o momento? vai dar tudo certo? o fórum ai demorar para ligar?, o abrigo estará cuidando bem da criança?, será perfeitinho? e se não gostar de mim?, e se depois que chegar em casa eu não souber cuidar? e se eu não  conseguir alimentar? e se...e se...e se? Na cabeça de uma grávida do coração, por mais que ela se cerque de todas as garantias e tenha certeza que está tudo certo passam todas essas perguntas e muitas outras mais. 

É possível perceber que existe uma diferença fisiológica grande entre a grávida biológica e a grávida do coração, entretanto na parte emocional não é muito diferente, salvo algumas peculiaridades inerentes a um estado e a outro.
Mesmo para se engravidar, seja biologicamente, seja do coração existem alguns caminhos muitos semelhantes:
- grávida biológica antes planeja o filho, para com o contraceptivo, engravida e espera.
- grávida do coração antes planeja o filho, preenche um monte de papéis, entrega no fórum e passa por processo de avaliação (fase de parar os contraceptivos e engravidar!), se habilita (engravida!) e espera.

Se por um lado na parte emocional não existe muita diferença, na parte social existe um abismo!
Uma grávida do coração não ganha um filho 'do nada'! Ela faz uma espécie de pré-natal no fórum que não é para garantir a saúde da criança e um bom parto, mas sim para terem a certeza de que ela tem saúde física e mental para ter a criança. Ela passa por uma espera tão angustiante quanto a da grávida biológica entretanto a espera dela tem prazo para começar e não tem prazo para terminar.
A grávida do coração não recebe paparicos, salvo excessões não ganha mimos para o filho e não tem muito direito de falar sobre suas ansiedades sob pena de ser taxada de obsessiva e só falar nesse assunto. Isso na melhor das hipóteses, porque se para a grávida biológica todo munto tem algo positivo para falar sobre o filho vindouro, para a grávida do coração boa parte dos conselhos são temerários!
A grávida biológica pode reduzir seu grau de ansiedade descobrindo o sexo do bebê para fazer o enxoval e o quarto, a grávida do coração sequer pode fazer enxoval a menos que tenha um perfil muito restrito, o que aumenta muito sua ansiedade.

Com essa analogia quero orientar o seguinte:
1. quando souber que uma pessoa está esperando para adotar, lembre-se que a barriga não está crescendo, mas esta pessoa está grávida emocionalmente tanto quanto uma que carrega o filho na barriga;
2. O filho recém-chegado de uma mãe do coração não surgiu 'do nada'! Ela possivelmente esperou muito mais tempo do que uma gravidez biológica regulamentar;
3. Toda grávida precisa de atenção com relação à sua espera e com a grávida do coração não é diferente.
4. A grávida do coração não é obsessiva, ela tem um grau de ansiedade um pouco maior porque sua espera é um pouco maior também;
5. Quando uma pessoa opta pela adoção ela está envolvida com a chegada de um filho e é crueldade com o seu emocional discursos preconceituosos sobre a origem da criança e seu possível futuro tenebroso. Ninguém cogita com uma grávida biológica que o filho dela pode vir a ser um marginal, um bandido, que possa matar toda a família num acesso de revolta ou de ingratidão e ninguém tem garantias que isso não vá acontecer com um biológico, nem tampouco que vá acontecer com um adotivo!

 
Eu tive 3 filhos por adoção e me senti muito, mas muito sozinha durante a espera. Não pretendo entrar em detalhes a respeito, até porque a analogia por si já diz tudo, entretanto quero deixar aqui um depoimento:
Nesta última espera vivi uma grande emoção há alguns dias: uma pessoa muito querida fez um presente para minha filha que ainda é projeto.
Saber que ela fez o mimo especialmente para minha filha e que me entregou assim, sem ter um motivo como chá de bebê ou a chegada dela foi uma sensação indescritível. Já tem um tempinho e ainda me emociono com o carinho!  Vem à minha mente como esse ditado é verdadeiro: quem beija meu filho minha boca adoça.
Esta pessoa já é alguém por quem eu nutro carinho muito especial e tanto o mimo como ver os olhos dela brilhando quando falou de sua ansiedade pela chegada da minha filha certamente fez com que esse carinho especial se multiplicasse muito mais.
Um gesto que para mim significou muito e que de certa forma amenizou todas as tristezas, mágoas e lágrimas de todas as vezes que me senti sozinha na espera pelos outros filhos!
Saber que tem alguém que sonha comigo a chegada dessa criança foi algo muito bom de experimentar!

Fonte: http://www.adocaoamorverdadeiro.blogspot.it/2012/10/gravidez-o-que-acontece-quando-barriga.html

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O apego - Bowlby e a Teoria do Apego

Mandy Lynne

Por Mauro Lantzman

BOWLBY E A TEORIA DO APEGO

No final de 1949, um jovem e imaginativo psiquiatra, de orientação analítica e recentemente apontado para ser o chefe de Seção da Saúde Mental da organização Mundial de Saúde, interveio. Requisitado para contribuir com as Nações Unidas com um estudo sobre as necessidades de crianças sem lar, Ronald Hargreaves decidiu escolher um consultor, por um certo período, para fazer um relatório sobre os aspectos da saúde mental concernentes a esse problema e sabendo de meu interesse nesse campo, me convidou para essa tarefa (Bowlby, 1990, p.34).

Assim começa a história de John Bowlby, um psiquiatra que, entre a década de cinqüenta e sessenta, investigou e elaborou a teoria que procura explicar como ocorre – e quais as implicações para a vida adulta - dos fortes vínculos afetivos entre o bebê humano e o provedor de segurança e conforto.

Bowlby recolheu relatos e fez observações da interação mãe – bebê. Os dados que recolheu indicavam para uma direção diferente daquela que a psicanálise e a teoria cognitiva da época apontavam:

Naquele tempo, era largamente aceito que a razão pela qual a criança desenvolve um forte laço com sua mãe é o fato de que esta a alimenta. Dois tipos de impulsos são postulados, primário e secundário. O alimento é tido como primário; a relação pessoal, referida como dependência, como secundário. Essa teoria não me parecia se adaptar aos fatos (Bowlby, 1990, p.37)

Em sua monografia para a Organização Mundial de Saúde – OMS, “Cuidados Maternos e Saúde Mental”, de 1951, Bowlby revê as provas relativas aos efeitos adversos da privação materna para o bebê e discute os meios de prevenir tais efeitos.

Neste trabalho, fiz uma revisão sobre a evidência, então disponível, considerada de pouca importância, relativa às influências adversas, no desenvolvimento da personalidade, do cuidado materno inadequado, durante a primeira infância; chamei a atenção para o desconforto intenso das crianças pequenas, que se acham separadas daqueles que conhecem e amam e fiz recomendações quanto à melhor forma de evitar, ou pelo menos diminuir os efeitos maléficos a curto e a longo prazo (Bowlby, 1989, p.34).

Porém, ainda se fazia necessária à construção de bases teóricas e conceituais.

O que estava faltando, como vários revisores apontaram, era alguma explicação de como as experiências incluídas sob o amplo título de privação materna poderiam ter efeitos no desenvolvimento da personalidade dos tipos mencionados. A razão para essa omissão era simples: os dados não estavam inseridos em nenhuma teoria até então corrente...(Bowlby, 1989, p.36).

O contato com a etologia, ciência que estava em seus primórdios pelas mãos de Konrad Lorenz, Harry F. Harlow e Robert Hinde, possibilitaram que Bowlby estruturasse a base teórica de seus trabalhos. Considerando que as publicações de Konrad Lorenz (1934) sobre “imprinting”1 poderiam ter algumas implicações relevantes para o estudo de desenvolvimento dos vínculos em seres humanos e partindo da base conceitual e metodológica da etologia, John Bowlby propôs, em 1958, que, assim como em outras espécies animais, os bebês humanos seriam programados para emitir certos comportamentos que eliciariam atenção e cuidados e manteriam a proximidade do cuidador.

Bowlby estava descartando a idéia do impulso primário, que associa a alimentação à razão pela qual a criança desenvolve um forte laço com sua mãe e substituindo-a pelo sentimento de segurança, atribuindo a ele a noção de função biológica de proteção.

Um suporte de força para esse passo veio logo depois com a descoberta de Harlow de que, em outra espécie primata – macaco Rhesus – os jovens mostram preferência marcante por uma mãe-boneca macia, apesar de ela não os alimentar, ao invés de uma mãe-boneca dura (de arame) que os alimenta (Harlow e Zimmerman, 1959 apud Bowlby, 1989 p.38)

A partir do conjunto da obra de Bowlby se pode estabelecer as definições de comportamento de apego e suas características.

Assim, comportamento de apego é definido como:
Qualquer forma de comportamento que resulta em uma pessoa alcançar e manter proximidade com algum outro indivíduo, considerado mais apto para lidar com o mundo (Bowlby, 1989, p.38).

Os comportamentos de apego se referem a um conjunto de condutas inatas exibidas pelo bebê, que promove a manutenção ou o estabelecimento da proximidade com sua principal figura provedora de cuidados, a mãe, na maioria das vezes. O repertório comportamental do comportamento de apego inclui chorar, fazer contato visual, agarrarse, aconchegar-se e sorrir. (Bowlby, 1990)

O comportamento de apego será eliciado quando o bebê estiver assustado, cansado, com fome ou sob estresse, levando-o a emitir sinais que podem desencadear a aproximação e a motivação do cuidador.

O comportamento de apego traz segurança e o conforto e possibilita o desenvolvimento - a partir da principal figura de apego - do comportamento de exploração. Quando uma pessoa está apegada ela tem um sentimento especial de segurança e conforto na presença do outro e pode usar o outro como uma “base segura” a partir da qual explora o resto do mundo.

Dentro de sua teoria, ainda, Bowlby enfatiza sete características (Bowlby, 1997):
1. Especificidade – O comportamento de apego é dirigido para um ou alguns indivíduos específicos, geralmente em ordem clara de preferência.
2. Duração – O apego persiste, geralmente, por grande parte do ciclo vital.
3. Envolvimento emocional – Muitas das emoções mais intensas surgem durante a formação, manutenção, rompimento e renovação de relações de apego.
4. Ontogenia – O comportamento de apego desenvolve-se durante os primeiros nove meses de idade de vida dos bebês humanos. Quanto mais experiências de interação social um bebê tiver com uma pessoa, maior são as probabilidades de que ele se apegue a essa pessoa. Por essa razão, torna-se a principal figura de apego de um bebê aquela pessoa que lhe dispensar a maior parte dos cuidados maternos. O comportamento de apego mantém-se ativado até o final do terceiro ano de vida; no desenvolvimento saudável, tornase, daí por diante, cada vez menos ativado.
5. Aprendizagem – Recompensas e punições desempenham apenas um papel secundário. De fato, o apego pode desenvolver-se apesar de repetidas punições por uma figura de apego.
6. Organização – O comportamento de apego é organizado segundo linhas bastante simples. Mediado por sistemas comportamentais cada vez mais complexos, os quais são organizados ciberneticamente. Esses sistemas são ativados por certas condições e terminados por outras. Entre as condições ativadoras estão o estranhamento, a fome, o cansaço e qualquer coisa assustadora. As condições terminais incluem a visão ou som da figura materna e a interação com ela. Quando o comportamento de apego é fortemente despertado, o término poderá requerer o contato físico ou o agarramento à figura materna e (ou) ser acariciado por ela.
7. Função biológica – O comportamento de apego ocorre nos jovens de quase todas as espécies de mamíferos e, em certas espécies, persiste durante toda a vida adulta. A manutenção da proximidade com um adulto preferido por um animal imaturo é a regra geral, o que sugere que tal comportamento possui valor de sobrevivência. Assim, a função do comportamento de apego é a proteção, principalmente contra predadores.

Cabe ainda fazer a distinção entre comportamento de apego e apego.
Ao falar de uma criança que esteja apegada ou que tenha um apego a alguém, quero dizer que esta pessoa está fortemente disposta a procurar a proximidade e contato com esse alguém e a fazê-lo, principalmente, em certas condições específicas. A disposição de comportar-se dessa maneira é um atributo da pessoa apegada....O comportamento de apego, em contraste, se refere a qualquer das formas de comportamento, nas quais a pessoa se engaja, de tempos em tempos, para obter ou manter uma proximidade desejada. (Bowlby, 1989, p.40).

O TESTE DE SITUAÇÃO ESTRANHA
A partir da teoria de Bowlby, Ainsworth e Wittig (1969) elaboraram um procedimento laboratorial para qualificar o vínculo formado entre o bebê e sua principal figura de cuidado, denominado de “Teste de Situação Estranha”, o qual permitiu observar as manifestações comportamentais do apego e examinar o equilíbrio entre o apego e o comportamento exploratório, sob condições de alto e baixo estresse em crianças. Nestas condições, o comportamento é ativado como conseqüência da separação da figura cuidadora. Este trabalho trouxe importantes contribuições para a teoria do apego, ao demonstrar que o apego resultante da interação bebê - mãe, varia na dependência do tipo de cuidado materno e das características inerentes ao bebê.

As respostas dos bebês observadas neste teste possibilitaram a classificação do apego em quatro padrões:
Seguro - o bebê sinaliza a falta da mãe na separação, saúda ativamente a mãe na reunião, e então volta a brincar;
Inseguro - evitante - o bebê exibe pouco ou nenhuma aflição quando separada da mãe e evita ativamente e ignora a mãe na reunião;
Inseguro - resistente - o bebê sofre muito, tem muita aflição ou angustia pela separação e busca o contato na reunião, mas não pode ser acalmado pela mãe e pode exibir forte resistência;
Inseguro - desorganizado – apresenta comportamento misto, ora como evitante, ora como resistente.

Comportamento parental
A contraparte do comportamento de apego é o comportamento parental.
A teoria do apego propõe o sistema do cuidador como um sistema normativo e provedor de segurança. Cuidar é definido como um ampla ordem de comportamentos complementares ao comportamento de apego e inclui um larga gama de responsabilidades, tais como prover ajuda ou auxílio, conforto e confiança, provendo uma base segura, e encorajando autonomia do bebê (Bowlby, 1990).

O cuidador deve ser capaz de responder de forma flexível a uma ampla margem de necessidades que surgirem, deve ter conhecimento adequado de como prover cuidado apropriado e estar disponível quando necessário. Precisa ter recursos emocionais e materiais: habilidade de empatizar e se colocar no lugar do indivíduo em sofrimento. Finalmente, precisa ser motivado a oferecer cuidado. (Feeney e Collins, 2001)

O papel do cuidador freqüentemente envolve uma boa porção de responsabilidade, assim como uma quantidade substancial de recursos cognitivos, emocionais, e materiais.

Deve, portanto, estar motivado a aceitar a responsabilidade (que freqüentemente envolve algum grau de sacrifício) e dispor de tempo e esforço necessários para prover apoio efetivo. Se o cuidador não estiver suficientemente motivado, pode não desempenhar seu papel adequadamente (Feeney e Collins, 2001).

Não há dúvida que o conjunto formado pelo comportamento materno–filial tenha sido alvo de pressão seletiva nos organismos em geral, constituindo-se desse modo em um sistema comportamental instintivo (Bussab, 1998, p.27).

Para garantir o cuidado parental, o processo evolutivo muniu o filhote com características físicas e comportamentais que eliciam a vinculação e a motivação por cuidar.

No caso do ser humano, o contato visual e tátil com o bebê favorecem a formação do vínculo afetivo e desencadeia o comportamento de cuidar, tão importante para a sobrevivência do bebê.

Na evolução hominídea, em contraste com os demais primatas, ocorreu uma intensificação dos cuidados parentais, com aumento dos já intensos cuidados maternos típicos de primatas e também com introdução de cuidados paternos, raros entre os grandes antropóides... O bebê humano, mesmo a termo, nasce prematuro para o padrão dos primatas... Essa prematuridade tem sido explicada como adaptação ao dilema obstétrico... O andar ereto obrigava um certo fechamento da abertura pélvica, enquanto o crescimento cerebral exigia um aumento da abertura pélvica. O nascimento prematuro parece ter sido uma solução para este problema obstétrico. Por sua vez, o nascimento prematuro aumentou ainda mais a dependência do recém-nascido. Pode-se constatar que durante a evolução humana, cuidados parentais foram intensificados, assim como a vinculação efetiva recíproca, como resultado das pressões seletivas geradas pelo envolvimento crescente de um modo de vida cultural (Bussab, 1998, p.20-21).

De acordo com Bee (1984), pode-se acrescentar que: na presença de um bebê pequeno, a maioria dos adultos automaticamente apresentará um padrão inconfundível de comportamentos interativos, incluindo sorrir, levantar as sobrancelhas e abrir muito os olhos (p.315).

Lorenz (1993) propõe que os traços juvenis desencadeiam o que ele denomina de mecanismos liberadores inatos (MLI) de afeto e cuidado em humanos adultos. Assim os comportamentos associados a provisão de cuidados não se restringiriam aos bebês humanos, mas também a todos aqueles que fossem identificados como necessitando de proteção.

Humanos exibem emoções e padrões comportamentais de cuidado parental diante de várias configurações de estímulo-chave....o fato de sentirmos ternura mesmo por animais adultos, ...também parece ser efeito de um MLI (Lorenz, 1993, p.220).

Assim, característica humana de se vincular, ser sensível e responder a estímulos advindos do bebê pode ser aplicada na compreensão do vínculo com o cão. “Quando vemos uma criatura viva com característica de bebê, somos acometidos por um surto automático de ternura desarmante....respondemos a um conjunto de traços específicos que atuam como liberadores”(Gould, 1989, p. 207-210).

O processo de domesticação e a neotenia acentuaram nos cães características físicas e comportamentais similares as do bebê humano, ou seja, ao longo do processo de evolução, o cão estendeu o processo de formação de vínculo afetivo (apego) e incluiu os seres humanos, evoluindo para apresentar características físicas e comportamentais que eliciassem o comportamento parental (provedor de cuidados) no ser humano, bem como sua adoção em um período determinado que favorece sua vinculação ao mesmo.

BIBILOGRAFIA CONSULTADA
Bowlby J. As origens do apego. In: Uma base segura: aplicações clinicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas; 1989. p. 33-47.
Bowlby J. Apego. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes; 1990.
Bowlby J. Formação e rompimento de vínculos afetivos. In: Formação e rompimento de laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes; 1997. p. 167-208.
Bussab V. O Comportamento Materno. In: Costa, M. P. C., V.U., editor. Comportamento Materno em Mamíferos.Bases teóricas e aplicações aos ruminantes domésticos. Jaboticabal: SBEt; 1998.
Gould S. O polegar do panda: reflexões sobre história natural. São Paulo: Martins Fontes; 1989.
Feeney B. C. e Collins N. L. Predictors of Caregiving in Adult Intimate Relationships: An Attachment Theoretical Perspective. Journal of Personality and Social Psychology 2001; 80(6): 972-994.
Harlow H. F. e Zimmerman R. R. Affectional responses in the infant monkey. Science 1959; 130: 421.
Lorenz K. Os fundamentos da etologia. São Paulo: UNESP; 1993.

Fonte: http://www.pet.vet.br/puc/oapego.pdf

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Comentário antipático e compreensão equivocada

Google Imagens

Hoje um senhor deixou este comentário aqui em meu blog, no "cordel" sobre palmadas, do professor, arte educador e escritor Jotacê Freitas:

"É uma pena ver um poema tão equivocado sobre o ECA no site de uma pessoa capacitada, com formação respeitável. Acaba prestando um desserviço, ao afirmar coisas sobre a lei que são inverdades. Não se trata de opinião, mas de equívocos claros e objetivos."

Aí eu respondo no blog dele, claro!
Sr. "fulano", sobre o comentário que deixou em meu blog, gostaria de dizer que sua interpretação é que foi equivocada. Devemos saber diferenciar arte de um texto que deve ser cientificamente e politicamente correto.

Acredito que em meu blog entram pessoas com a capacidade de criticar o que lá tem escrito, assim como sei que meus leitores  e seguidores me conhecem. Sou completamente contra a "palmadas". O povo deve ser educado e entender que quando se chega a violência física, seja ela de qualquer grau, é porque não existem mais outros recursos (que deveriam existir se houvesse autoconhecimento e educação).

Mas ir em meu blog e deixar comentário indelicado, amargo, julgando e generalizando é descortez e antipático, isso é prestar um deserviço ao proprietário do blog e às relações de amizade e cooperação que podem se construir a partir dele. Foi completamente inacertiva a sua postura.

Confesso até que acho que é incoerente o que escreve quando vai ao blog dos outros fazer esse tipo de criticazinha, apontado deifeitinhos inventados. Leia mais sobre o significado da arte.
Por favor, deixemos essa discussão de lado, pois vi que sua visão é bem limitada e não aceita o que pode "contradizer" as suas convicções demasiadamente acadêmicas.

Eu me esforço por aceitar até opiniões como as do senhor, mas não poderia deixar de vir aqui te dizer que seu comentário foi realmente antipático e reducionista.
Passar bem.

********

E em um dos textos dele, vem escrever que nada tem contra a novelas. Sendo que é algo que presta vários deserviços a população. Hahaha Me faz rir, senhor. A hipocrisia e o senso comum estão em toda parte, até em blogs de pós graduados que se contradizem completamente.

Cintia Liana

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Norte concentra maior proporção de crianças com até cinco anos

Mandy Lynne

15/10/2012 - 07h33

Por Mariana Braga
Agência CNJ de Notícias

Pesquisa inédita feita pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) detalha o perfil dos pais que desejam adotar e das crianças aptas à adoção por região brasileira. Segundo o estudo, as regiões Norte e Nordeste concentram proporcionalmente a maior quantidade de crianças com até cinco anos aptas à adoção, a faixa etária requerida por nove em cada dez pais que desejam adotar no Brasil. Enquanto no Norte 26,5% das crianças inscritas no Cadastro Nacional de Adoção estão nessa faixa de idade e no Nordeste são 16,9%, nas demais regiões esse índice não chega a 10%. Essa preferência dos pretendentes é o principal empecilho à adoção no País, confirma a pesquisa, já que apenas 9 em cada 100 crianças aptas à adoção têm menos de cinco anos.

O estudo elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ analisou o universo de pessoas inscritas no Cadastro Nacional de Adoção, coordenado pela Corregedoria Nacional de Justiça, referente a agosto deste ano. Segundo o sistema, há no Brasil 28.151 homens e mulheres que desejam adotar um filho. A maior parte deles (85%) está das regiões Sudeste e Sul, que respondem por 56,5% da população brasileira, de acordo com o Censo 2010. Quatro em cada dez pretendentes brasileiros possuem entre 40 e 49 anos e a maior parte deles (79,1%) está casada. Entre os solteiros, divorciados, separados judicialmente e viúvos, as mulheres são a grande maioria (80%).

O número de pais que querem adotar é cinco vezes maior do que a quantidade de crianças e adolescentes aptos à adoção – 5.281 em todo o Brasil. Quase 80% deles também são das regiões Sul e Sudeste. O grande empecilho para as adoções é a exigência de idade por parte dos pretendentes, principalmente entre aqueles que têm preferência por crianças brancas. Segundo os pesquisadores, os pais que buscam exclusivamente esse perfil racial, em geral, não aceitam crianças que têm mais de três anos.

Já os que aceitam unicamente crianças pretas, pardas ou indígenas costumam ser mais flexíveis e, em geral, não fazem outros tipos de restrição como de idade ou sexo. O percentual de pretendentes que buscam essas raças na hora de adotar é maior nas regiões Norte e Centro-Oeste (cerca de 50%), enquanto a média nacional é de aproximadamente 35%. Quem busca crianças mais velhas, com mais de seis anos, tampouco costuma fazer restrições quanto às demais características do futuro filho.  

Norte – A região Norte responde por 2,3% do total de pessoas que desejam adotar inscritas no Cadastro Nacional de Adoção. Nesse universo, o percentual de casados (64,1%) é o menor quando comparado às demais regiões brasileiras. Por outro lado, os pretendentes solteiros (16,1%) e em união estável (15,3%) apresentam os percentuais mais expressivos em relação às outras partes do Brasil. De acordo com o estudo, também está no Norte a maior proporção de pessoas entre 18 e 39 anos que querem se tornar pais adotivos (38,2%), sendo, proporcionalmente, a região com pretendentes mais jovens.

Nordeste – O Nordeste chamou a atenção dos pesquisadores pelo percentual de pretendentes divorciados – 3,2% dos candidatos –, o mais expressivo do País. Os viúvos também correspondem ao dobro da média nacional. Embora o Nordeste seja a região brasileira cuja população apresenta a menor expectativa de vida – 70,4 anos, segundo dados de 2009 do IBGE –, 23% dos pretendentes nordestinos inscritos no cadastro têm mais de 50 anos. Esse percentual é superior ao aferido nas regiões Sudeste (22,8%), Norte (20,9%) e Centro-Oeste (20,2%

Centro-Oeste – Embora no Centro-Oeste os casados sejam maioria entre os que desejam adotar (70%), no universo de mulheres, as pretendentes à adoção que são divorciadas (7,3%) apresentam o maior índice regional. Em relação à faixa etária, assim como no Nordeste, é elevado o número de pessoas com mais de 50 anos que querem adotar (20,2%). O Centro-Oeste é a região do país que possui o percentual mais expressivo de pretendentes na faixa de 30 a 49 anos de idade (75,4%).

Sudeste – A região mais populosa do Brasil é responsável por aproximadamente 50% dos pretendentes registrados no Cadastro Nacional de Adoção, grande parte deles (43,9%) com idade entre 40 e 49 anos – o maior percentual registrado nessa faixa etária. No tocante às mulheres que buscam um filho adotivo, o Sudeste apresenta o maior percentual de casadas (54,2%), enquanto os índices de solteiras (26,4%) e em união estável (8,4%) são menores em relação às demais regiões analisadas.

Sul – O Sul apresenta o maior percentual de pretendentes casados (82,3%) do País. Por outro lado, os índices relativos aos futuros pais em união estável (7,9%), solteiros (7,5%), divorciados (1%) e viúvos (0,5%) são os menos significativos quando comparados às demais regiões político-administrativas brasileiras. A região também apresenta o maior percentual de homens (81,2%) inscritos no Cadastro Nacional de Adoção. O número de pessoas maiores de 60 anos que querem adotar no Sul (10,4%) também é proporcionalmente o maior do País.