"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A herança emocional dos nossos antepassados

Foto: Biblioteca Virtual de Antroposofia

“A verdade sem amor dói. A verdade com amor cura.” 
A mente é maravilhosa, 20 nov 2017
A herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro, porque assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.
Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.
Esta situação foi muito bem retratada no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, que mostra como o mesmo medo é repetido através de diferentes gerações até que se torna realidade e termina com toda uma linhagem. O que herdamos das gerações anteriores são os pesadelos, os traumas e as experiências mal resolvidas.
A herança de nossos antepassados que atravessa gerações
Esse processo de transmissão entre as gerações é algo inconsciente. Normalmente são situações ocultas ou confusas que causam vergonha ou medo. Os descendentes de alguém que sofreu um trauma não tratado suportam o peso dessa falta de resolução. Eles sentem ou pressentem que existe “algo estranho” que gravita ao seu redor como um peso, mas que não conseguem definir o que é.
Por exemplo, uma avó que foi abusada sexualmente transmite os efeitos do seu trauma, mas não o seu conteúdo. Talvez até mesmo seus filhos, netos e bisnetos sintam uma certa intolerância em relação à sexualidade, ou uma desconfiança visceral das pessoas do sexo oposto, ou uma sensação de desesperança que não conseguem explicar.
Essa herança emocional também pode se manifestar como uma doença. O psicanalista francês Françoise Dolto, disse, “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo”.
Assim como existe um “inconsciente coletivo“, também existe um “inconsciente familiar”. Nesse inconsciente estão guardadas todas as experiências silenciadas, que estão escondidas porque são um tabu: suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, etc. O trauma tende a se repetir na próxima geração, até encontrar uma maneira de tornar-se consciente e ser resolvido.
Esses desconfortos físicos ou emocionais que parecem não ter explicação podem ser “uma chamada” para que tomemos consciência desses segredos silenciados ou daquelas verdades escondidas, que provavelmente não estão na nossa própria vida, mas na vida de algum dos nossos antepassados.
O caminho para a compreensão da herança emocional
É natural que diante de experiências traumáticas as pessoas reajam tentando esquecer. Talvez a lembrança seja muito dolorosa e elas acreditam que não serão capazes de suportá-la e transcendê-la. Ou talvez a situação comprometa a sua dignidade, como no caso de abuso sexual, em que apesar de ser uma vítima, a pessoa se sente constrangida e envergonhada. Ou simplesmente querem evitar o julgamento dos outros. Por isso, o fato é enterrado e a melhor solução é não falar sobre assunto.
Este tipo de esquecimento é muito superficial. Na verdade o tema não está esquecido, a lembrança é reprimida. Tudo que reprimimos se manifesta de uma outra forma. É mais seguro quando volta através da repetição.
Isto significa que uma família que tenha vivenciado o suicídio de um dos seus membros provavelmente vai experimentá-lo novamente com outra pessoa de uma nova geração. Se a situação não foi abordada e resolvida, ficará flutuando como um fantasma que voltará a se manifestar mais cedo ou mais tarde. O mesmo se aplica a todos os tipos de trauma.
Cada um de nós tem muito a aprender com os seus antepassados. A herança que recebemos é muito mais ampla do que supomos. Às vezes os nossos antepassados nos fazem sofrer e não sabemos o porquê.
Talvez tenhamos nascido em uma família que passou por muitas vicissitudes, e não saibamos qual é o nosso papel nessa história, na qual somos apenas um capítulo. É provável que esse papel nos tenha sido atribuído sem o nosso conhecimento: devemos perpetuar, repetir, salvar, negar ou encobrir as feridas destes eventos transformados em segredos.
Todas as informações que pudermos coletar sobre os nossos antepassados serão o melhor legado que podemos ter. Saber de onde viemos, quem são essas pessoas que não conhecemos, mas que estão na raiz de quem somos, é um caminho fascinante que só nos trará benefícios. Isto nos ajudará a dar um passo importante para chegar a uma compreensão mais profunda de qual é o nosso verdadeiro papel no mundo.
Fonte: http://www.antroposofy.com.br/forum/a-heranca-emocional-dos-nossos-antepassados/

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Conceito da Mente de Abundância e como ele pode auxiliar na Maternidade

Site "Se as mães soubessem"

23 de setembro de 2016
Site "se as mães soubessem
Por Margareth Sá

Você já olhou à sua volta e percebeu o mundo de oportunidades que se encontra bem aí na sua frente? Alguma vez você já se deu conta das muitas coisas que estão ao nosso alcance e não conseguimos acessar somente porque estamos com o foco no lugar errado?

Hoje quero falar com vocês sobre O Conceito da Mente de Abundância e como ela pode auxiliar na Maternidade!

O foco é como a mira de um canhão: é mirar e disparar para acertar o alvo. Nosso cérebro funciona exatamente assim. Nós temos o controle do canhão e podemos direcionar para qualquer lado. Mas será que estamos direcionando nosso foco para coisas que são realmente importantes? Será que não estamos nos perdendo no meio do processo? É importante de tempos em tempos calibrar a mira dessa arma potente, nosso cérebro, para alcançar os resultados que esperamos na vida.

Esses dias estava pensando em 2 conceitos de mundo, que se refere à abundância e à escassez. Para explicar melhor esses conceitos, pense o seguinte:

“imagine que você está no meio de um campo verde, respirando profundamente o ar puro com cheiro de orvalho, enchendo seus pulmões e sentindo-se bem por isso. A quantidade de ar disponível para você respirar é enorme, você não precisa ter medo de acabar. Agora imagine que outra pessoa parou ao seu lado e também começou a respirar profundamente. Ela está aproveitando o mesmo benefício que você, e não corre o risco de “acabar” com o oxigênio, pois o ar é abundante, tem pra todos. Todo mundo se beneficia do oxigênio do ar. Essa é a mente da abundância, onde várias pessoas usam um recurso sem risco de esgotá-lo.

O pensamento de abundância é pleno, amplo, descentralizado, altruísta. Quando você foca sua mente na abundância, você colhe frutos duradouros, você compartilha amizade, informações, gentilezas, que podem se reverter em benefícios futuros para você.

Eu mesma já experimentei muitas vezes essa situação. Vou dar um exemplo: Eu contribuí com uma amiga cuja mãe estava com câncer de mama; fui gentil e perguntava sempre que possível como ia o tratamento, me interessava sinceramente por ela, cedia meu tempo para uma conversa com o objetivo de levantar seu moral. Pouco tempo depois, em uma das ligações que fiz para saber como estava, minha amiga ofereceu seu apartamento em São Paulo para eu ficar se precisasse.

Resultado: Precisei ficar 20 dias em SP para uma cirurgia e essa amiga prontamente me ofereceu as chaves, permitindo que eu economizasse cerca de R$ 5.000,00 em aluguel e outras despesas. Claro que minha ajuda foi sincera, porque eu não sabia que ela possuía esse imóvel; nem sabia que iria me disponibilizar. Mas ao praticar a mentalidade de abundância, eu exercitei esse poder e fui retribuída na mesma proporção.

Ao contrário, a mentalidade de escassez é egoísta, perigosa, há o medo de “faltar” os recursos necessários, então é melhor garantir o meu antes que termine. Esse tipo de pensamento é centralizador, muitas vezes mesquinho e faz com que a pessoa que o pratique fique sempre centrada em suas próprias necessidades e interesses; dificulta a troca, a partilha.
Todos nós temos momentos de escassez e momentos de abundância.

A questão é: Onde sua mente circula a maior parte das vezes? Compartilhando e gerando valor para o mundo? Ou segurando as informações para seu próprio benefício?

Deixo essa questão para reflexão.

E levando essa discussão para a família, como tem sido sua relação com seus filhos? Tem agido com eles com o foco na abundância, orientando para que evidenciem seus dons e virtudes? Ou sua mentalidade está na escassez e no medo, o que pode atrapalhar o seu desenvolvimento? Mantendo-os “presos”, limitados ao seu raio de ação?

Pense sobre isso.
Ao praticar a mentalidade de abundância, você está contribuindo com o mundo e gerando valor para a vida. E tenha certeza, que o mundo saberá recompensá-lo por isso!

Por Margareth Sá

Fonte: http://seasmaessoubessem.com.br/2016/09/23/o-conceito-da-mente-de-abundancia-e-como-ele-pode-auxiliar-na-maternidade/

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma verdadeira família

Foto: Bruno Poppe
Retirada, junto com o texto, do Facebook de Rodrigo Barbosa

Esses somos nós. Eu, meu marido Gilberto, e nosso filho, Paulo Henrique. Somos uma família. Conheci o Gil 13 anos atrás. Começamos a falar em adoção faz uns seis ou sete anos, e parte do que nos deixava em dúvida era o que nosso filho poderia enfrentar sendo filho de dois homens. 

Em determinado momento vimos que isso era besteira. Hoje são muitas as configurações de família. E não importa se você é criado pela mãe solteira, pelo tio, pela avó, por dois pais, duas mães, ou mesmo um casal homem-mulher, porque se tem amor, é família. 

Decidimos adotar. O PH estava num abrigo no interior de Minas e trouxemos ele para nossa família em novembro de 2014, quando ele estava completando cinco anos. Nosso moleque de cinco anos.

Hoje fui apresentado a um vídeo onde o deputado Jair Bolsonaro diz que jamais deixaria um filho dele de cinco anos brincar com um moleque de cinco anos adotado por um casal gay.
É um vídeo-compilação que mostra todo tipo de absurdo que ele vive falando por aí. E essa declaração, no meio das outras, chega a ser branda.
Bolsonaro invocou o torturador Bilhante Ustra na votação mais acompanhada pela TV dos últimos tempos. Nessa última semana, ganhou mais cento e tantos mil seguidores em sua página, chegando aos quase 3 milhões de seguidores. Eu tenho apenas 52 pessoas seguindo minha página, mas acho que esse cara não merece esse ibope todo. Aliás, nem eu.
A minha vontade, com toda a mágoa que tenho, é que ele seja varrido da vida política. Mas eu sou a favor da democracia. Em 2010 ele ficou na décima primeira colocação para Deputado Federal no RJ, mas em 2014 ele quadriplicou seu votos e foi o Deputado Federal mais votado no Rio, com 464 mil votos. Quanto mais polêmico, homofóbico, racista ele se torna, mais votos tem. Ele veste um personagem que agrada ao reacionário, mas esse show de horrores que vimos no domingo nos prova que precisamos de pessoas mais preparadas no governo.
Compartilhe se você deixaria seu filho brincar com o menino da foto. Ele é fofo, adora brincar e nem quer saber se o amiguinho é filho do Bolsonaro. 

Compartilhe se você não é do tipo que diria na cara de uma mulher que não a estupraria porque ela é feia. Melhor, compartilhe se você não é do tipo estuprador. 

Compartilhe se você não acha correto que ele leve plaquinhas escrito "queima rosca" para provocar um colega de trabalho.

Compartilhe para que um dos 464 mil eleitores dele mude de ideia nas próximas eleições e para que um dos seus amigos deixe de curtir a página dele.

Ser polêmico saiu de moda, gente. O bacana é ser do bem, ser justo, brigar pelo que acredita.
Foto: A foto é do craque Bruno Poppe, que nos fotografou para a Revista Piauí. Obrigado, Bruno. É uma das nossas fotos mais bonitas.
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10153472873971867&set=a.103242101866.107525.581586866&type=3&theater

Sem limitações! Dicionário altera definição de "família" para incluir gays


Por Felipe Souza
O termo “família” aparecerá redefinido na próxima edição do Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Segundo o jornal “O Globo”, a redefinição é parte de uma campanha da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio em conjunto com a Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas.
Para fazer a mudança, foi lançada uma campanha online pedindo sugestões do público. A partir delas, e com a ajuda de especialistas, será criada uma definição “sem preconceitos e limitações”. “O mundo é diverso, abrangente e dinâmico. A atual definição de ‘família’ é reducionista e anacrônica. O que desejamos é atualizar esta definição e contribuir para a reflexão sobre quais são os verdadeiros laços que unem as pessoas em forma de família”, defende André Lima, sócio da agência NBS, idealizadora da campanha #todasasfamílias.
Para os idealizadores, a campanha ainda serve como contraponto ao Estatuto da Família – aprovado em outubro do ano passado pela Câmara dos Deputados – que restringe juridicamente a entidade familiar à “união entre um homem e uma mulher, por meio do casamento ou de união estável”.
Fonte: http://pheeno.com.br/2016/04/sem-limitacoes-dicionario-altera-definicao-de-familia-para-incluir-gays/

quarta-feira, 30 de março de 2016

O Movimento do Espírito na Constelação Familiar

Um excelente método fenomenológico terapêutico para a cura de toda a família e das futuras gerações.

Google Imagens

Por Marcia Moss
Rio de Janeiro, 2011.

O que descrevo é ‘“uma colagem”, fragmentos de diversos textos de livros, falas ou notas de cursos de minha Formação em Constelação Familiar e Sistêmica com Peter e Tsuyuko Spelter e com Bert Hellinger no Seminário de Lindoia-SP, em 2009.
Bert Hellinger, alemão, hoje com 85 anos, filósofo e terapeuta, desenvolveu um método ou técnica de acessar o inconsciente pessoal e coletivo através de procedimentos em grupos terapêuticos. Deu-lhe o nome de Constelação Familiar (desde 1980), depois de Movimentos da Alma e agora o chama de Movimento do Espírito – Hellinger Science – uma Ciência dos Relacionamentos, junto com Sophie Hellinger.
Tem mais de um milhão de exemplares de seus livros editados pelo mundo. Veio ao Brasil, pela primeira vez, em 1998. Realizou Seminários de uma semana em Goiânia 2006, em Lindoia-Sp em 2008 e 2009. Seus livros são filosóficos e a CONSCIÊNCIA é seu tema para os ensinamentos. Todo o seu trabalho é filmado em DVD.
Denominou também que seu método é fenomenológico e que não se trata de interpretação das conclusões, mas de “ver” algo acontecendo.
Através de uma frase-tema e um mínimo de informação sobre o cliente a condução do trabalho desencadeia no ambiente do grupo coisas extra-ordinárias. Na Constelação o grupo é conectado a favor da “alma“ do cliente. Os temas-conflito revelam no desenrolar da Constelação aprendizados que servem à atuação de profissionais das mais diversas áreas principalmente médicos, terapeutas, advogados de família e juízes.

AS ORDENS DO AMOR NA FAMÍLIA
Bert Hellinger descobriu, através do método, repetido milhares de vezes, e documentados em DVD, que o clã familiar através de gerações, segue o que denominou de “ordens do amor na família”.
Essas três ordens em ação nos clãs, através de gerações, exigem coesão e sobrevivência. Sinta que ao ler isso somos uma prova do que nossos antepassados fizeram. De outro modo como estar conectado agora ao que está lendo?
Hellinger observou em cada clã as ordens que são necessárias e repetidas ao longo dos anos em todos os grupos familiares. São elas: o pertencimento, a hierarquia e o equilíbrio.
No Pertencimento, perpetuado pelos vínculos afetivos, por amor profundo, cada clã ou grupo familiar exige que todos os seus membros tenham o mesmo direito de pertencer. A ordem “oculta” ou inconsciente do clã exige compensação caso haja desordem e exclusão. Então, os excluídos, negados ou esquecidos devem ser representados nas gerações posteriores. A justiça não interessa à alma do clã. Uns irão tomar o lugar do excluído e farão igual na geração posterior. Aí está o destino.
Na Hierarquia do clã ninguém pode tomar o lugar do outro. A ordem é sempre dos mais antigos para os mais novos. Não se pode inverter a ordem na família e os mais novos não devem tomar a si as dores dos mais antigos. Isso enfraquece a alma dos antecessores. A desordem assim estabelecida traz desequilíbrio e doenças. Essa compensação pode atravessar de três a quatro gerações com os mesmos distúrbios.
O Equilíbrio no clã é restabelecido quando o sistema fica estável e quando o dar e o tomar se equilibram. O certo é que os pais dão e os filhos tomam – aquilo que querem. A arrogância dos filhos para com os pais não ganha sentido positivo nas suas realizações de vida. Fracassam e exigem um peso por demais excessivo.
Quando os pais dão a vida e tudo o mais os filhos tomam e agradecem e seguem adiante – isso libera. Mas o dar sempre deve ser dos mais velhos para os mais novos.
Quando há desequilíbrio na família temos uma má consciência quando nos separamos da família – sofremos e não sabemos por quê. Porém sentimos boa consciência quando estamos unidos. Para equilibrar a boa e a má consciência compensamos com ações boas ou más ações – tem um preço.
No casal os parceiros ficam juntos quando o dar e o tomar são equilibrados pela compensação. Um dá, o outro recebe e dá um pouco mais. O que recebe, toma e devolve um pouco acima do que tomou. Desse modo o equilíbrio se restabelece. O sistema fica estável. Não se aplica porém nas parcerias amorosas a mesma lei dos pais para os filhos.
O conhecimento consciente dessas ordens traz conforto e bem-estar. Com o pertencimento ficamos inocentes e estáveis. Observem que quando o sistema está instável as crianças sentem, e dizem – e o mais das vezes – sem dizer agem dentro da ordem das compensações: “deixa que eu sinta por você”; “deixa que eu morra por você”; “eu vou partir no seu lugar!”.
Um garoto de seis anos, com o pai no CTI, ao ver os membros da família fazerem fila para a doação de fígado para o pai se coloca também na fila. A avó diz: Não, aqui não é o seu lugar. Essa é uma fila de adultos. Você é uma criança. O sistema estava instável. A criança dá um passo à frente e se oferece. Diz a avó que se lembrou de uma palestra sobre Constelação e que isso serviu para recolocar um inocente no lugar que é dele. Ele se acalmou.

MAS AFINAL O QUE É UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?
A Constelação familiar é um modo terapêutico de impulsionar uma ação de “ordem” no clã, pois mostra qual o lugar de cada um. Não é ditame, coerção nem regras fixas, mas sempre será com amor profundo. Cada um junto com seu clã. Exerce uma profunda mudança no padrão “oculto” do cliente e que o faz sofrer. O método recoloca o amor de cada membro da família no seu lugar e por isso tira um peso da alma de quem carrega funções que não lhe competem na hierarquia. Os ancestrais, na Constelação, reconquistam o seu lugar e liberam os familiares posteriores para viver o mundo.
O método fenomenológico da Constelação pode ser considerado como uma “cirurgia espiritual” e devem ser aplicados em situações-limites, momentos críticos e difíceis. Seu método de representantes de membros da família do cliente inicia um "movimento" no campo anímico. Um sistema, e o clã é um sistema, só se modifica através de uma ação externa. A Constelação propicia o início dessa ação. Ela tem como base o amor e a percepção de algo significativo. Uma constelação familiar revela os vínculos de destino.
O trabalho realiza-se em uma única sessão e seu resultado aparece imediatamente na consciência do cliente determinando uma mudança imediata da percepção do tema do conflito. Pode ser realizada em grupo ou no consultório – individual.
“A solução de problemas psíquicos associa-se à descoberta das ligações da alma, em conexão com as ocorrências e os destinos familiares e com os grupos e os contextos maiores que os abrangem” (Jakob Robert Schneider)

QUEM PERTENCE À MINHA FAMÍLIA?
Os bisavós, os avós, os pais e filhos; Os irmãos e meio-irmãos; Os tios; Os que não nasceram por abortos espontâneos ou provocados – não há julgamento; Os mortos por acidentes funestos advindos de acidentes; Os esquecidos e excluídos (alcoólatras, assassinos, drogados).

COMO E QUANDO ME SERVE UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?
Algo nos atormenta repetidamente, doenças súbitas, alguém da família enlouquece e ficamos instáveis... Planos de vida fracassam... Os filhos só brigam entre si e comigo... Depressão e luto... Não consigo vender o terreno... tenho muito medo de me suicidar...
Como assim? Mas o que é isso?
Assim. O cliente que pede uma Constelação está em uma situação-limite. Irá dizer em uma frase o que deseja e qual o seu tema ao Constelador. Estará sentado ao seu lado e o grupo de voluntários espera. Pessoas do grupo são chamadas para representar os membros da família do cliente, se quiserem. O grupo não fala nem participa do processo. O cliente posiciona esses representantes no espaço central do grupo. Essa posição revela como o cliente vê seu clã familiar EM SEU INCONSCIENTE.
O Constelador ou Terapeuta observa as ações dos representantes que se movem ou não, e expressam corporalmente o que está se passando com eles. Nada mais é dito ou descrito pelo cliente que apenas observa também. Os movimentos dos representantes mostram, espacialmente, as dificuldades e seus sentimentos. (um olhar do representante do cliente expressa a sua raiva em direção ao pai, dificuldade de olhar a mãe, sinais de superioridade, de arrogância para os mais antigos, etc.)
Através de alguns rituais o relaxamento ou alívio acontece no campo de “energia” quando alguns gestos, orientados pelo Constelador, são realizadas pelo representante do cliente. Em geral, com algumas frases muito simples e breves: “Sim”; “Obrigada”; “Por favor”; “Querido papai”; "Querida mamãe”; com uma reverência profunda ou uma leve inclinação da cabeça aos nossos antecessores, sem julgamentos, com amor. Coisas que não fazemos habitualmente...
Nada é interpretado durante o processo. Não há julgamentos. O grupo não dá palpites ou conversa. Apenas assiste e dá suporte na energia. Por isso é chamado de método fenomenológico, Uma manifestação que aparece e desaparece. A “alma” do cliente entende e se sente aliviada. Algo se “movimenta” no campo representado. Muda o foco e a configuração. Mostra o novo e o antigo em conjunção para uma solução da situação-limite. “UNE O QUE ESTAVA SEPARADO” (Bert Hellinger).
É científico? Sim ou não? Devemos falar ou escrever a mesma coisa dizendo que é baseado na física quântica? Na memória celular? É DNA? (o que é isso?) Na teoria do cientista biólogo Rupert Sheldrake? Ok serve também. A Constelação se mede apenas pela solução: Melhor ou pior?
A consciência é diferente para cada campo familiar ou clã. Mas no “campo” tudo se repete sempre, como hábito para aprender e como sobrevivência. (ref.: Rupert Sheldrake - livro “O renascimento da natureza”).
Um “campo morfogenético” ou sistema só se modifica quando algo vindo de fora interfere e introduz uma ação.  A Constelação é um momento fugaz dessa interferência, porém duradoura.
O método da Constelação é algo atemporal. Os processos dos grupos familiares raramente podem ser impedidos de forma racional. Não há controle possível.

ENSINAMENTOS DA PRÁTICA DAS CONSTELAÇÕES
Os Bloqueios, As Doenças ou Distúrbios
Nessa prática, documentada em DVDs, Hellinger sistematizou um modo de ver os distúrbios e as doenças. Observou que as dificuldades e conflitos são da família, na comunidade de destino onde nascemos e estamos, portanto sempre “emaranhados” nessa história. A história de cada um dentro do contexto peculiar.
As doenças são olhadas como sinais de “desordem” na alma da família. Alguém está fora de seu lugar. A mesma dinâmica básica dos sintomas dos distúrbios resulta em diversas doenças. Não interprete como DNA, não conclua como “Ah! Tá bem. É assim mesmo” e não diga que não tem importância. As ordens do amor dizem respeito a cada um de nós que lê esse artigo.
Na Constelação o que se aprende é que todo distúrbio procede de um nível espiritual. O que acontece são processos inconscientes, ocultos, invisíveis e imateriais.
A manifestação do distúrbio representa uma parada do fluxo energético e o órgão atingido mostra o tipo de bloqueio. O bloqueio aparece em geral entre dois a quatro anos após o distúrbio espiritual (perdas ou fracassos no sistema). O órgão corporal atingido está em conexão com alguém excluído, não reconhecido e o órgão então trabalha em dobro - por dois ou três excluídos (ele estressa - entra em falência). Se olhar com o coração vê que o órgão está em outra dimensão mais alta. Não há desconexão entre a pessoa, seu distúrbio e o sistema familiar. E não pode haver mesmo. Somos uma ressonância de nossas experiências. Em geral tais distúrbios apresentam saídas tais como: muito trabalho e agitação, na profissão pela dedicação extremada; com a racionalidade pensando muito...; ou com negligência corporal... Ou ainda na supervalorização... Na depressão e melancolia.
O que está escrito a seguir são “notas” do livro “O amor do espírito” de Bert Hellinger e dos ensinamentos do Seminário de Lindóia, 2009. Terapeutas de família “sabem“ “sentem” “já viram” “lembram”... São fenômenos que ocorrem nas Constelações e foi observado repetidamente, que:
A GAGUEIRA - São duas pessoas tentando falar ao mesmo tempo; distúrbios da fala mostram atitudes conflitantes; existe um segredo na família. Significa que alguém foi mantido em segredo; não podia estar presente ou não teve a palavra. O gago olha primeiro para um lado, como que perguntando se pode falar.
ALCOOLISMO ou DROGAS - Esse é um assunto que tem a ver com as mulheres; O que falta ao filho ou filha? Algo falta = o pai. Pergunte-se: o que leva o homem ao bar? Hellinger aconselha a terapeutas que quando quiserem ajudar um alcoólico ou drogado acolha o pai do cliente no seu coração. A solução, nas constelações, é que o pai seja trazido de volta respeitado e considerado – mesmo bandido – não há julgamento. Um homem que tem a rejeição e desprezo de sua mulher. ... Será que uma mulher (terapeuta) pode ajudar um alcoólico? Onde o pai é desprezado pela mulher aí a criança é levada para o vício.
PSORIASE – DERMATITES – HERPS - Um parceiro anterior fica de mal com a pessoa e o sentimento ruim é deslocado para um filho do segundo casamento e esse filho tem dermatites. Então como fazer as pazes com esse parceiro abandonado? Na Constelação a representante da segunda mulher deve pedir pelas suas crianças - "olhe com benevolência para os nossos filhos”
TRANSPLANTES - O órgão transplantado não morreu, pois senão como poderia entrar e funcionar em outro corpo? A doação liga as duas famílias - do doador e quem recebe. Nas Constelações os “representantes” dos órgãos gritam... Observe uma cena de sala cirúrgica. Volte sua imaginação para cenas primitivas de canibalismo. O que sente? No canibalismo comer os órgãos dos inimigos de guerra trazia força e coragem aos vencedores. Não julgue. Era uma homenagem.
Quanto à doação de sangue: parece que como é renovado freqüentemente há menores conseqüências, mas já foi observado mudança de personalidade.
A PSICOSE – ESQUIZOFRENIA – BIPOLARIDADE – Hellinger diz que “todos nós somos psicóticos”. Chamar o outro de psicótico nos qualifica como incluídos e excluímos o “louco”.
Observa-se sempre na Constelação que houve uma cena violenta e há um assassinato na linhagem dos ancestrais da família do pai ou da mãe. Sempre aparece um agressor e existe a vítima. O cliente “psicótico” que apresenta os sintomas ou distúrbios exerce ambos os papéis alternados – e mostra que a paz não foi selada nas gerações anteriores. O distúrbio pode passar de geração em geração. Nos grupos de constelação “o agressor” e a “vítima” demonstram desagrado com a vingança desejada por ambas as famílias. A solução e o alívio acontecem quando a vítima concorda com uma frase dita pelo agressor: “Sinto muito”. Isso libera as famílias do peso da vingança.
A EPILEPSIA - Há um impulso assassino em direção a membros da família e a convulsão impede o impulso.
OBESIDADE – o terapeuta corre perigo. Está entre a mãe e o cliente. E essa posição é inviável (vejam o DVD do Seminário com Bert Hellinger sobre Saúde e Doença – Ed Atman)

DESTINOS, PROFISSÃO E SUCESSO
NA PROFISSÃO EXERCIDA TODO O PASSADO SE REVELA
Por quê? Porque talentos e habilidades são herdados – são heranças, são “dons”, presentes de nossos antepassados (gostamos de ser o que somos por nós mesmos. Os pais gostam disso. Sim, houve empenho, mas olhe à volta. Estamos sós?)
Quando o trabalho é um peso ou alegria? Quem pode viver sem sucesso? Quem não tem sucesso como se sente? Depois do sucesso o homem pode alimentar a família; o homem foi feito para isso – sem julgamentos, olhe à volta.
Como se sente o homem em casa e a mulher trabalhando?
Para o homem o trabalho vem em primeiro lugar (as mulheres pedem o impossível – que o homem coloque a família em primeiro lugar ) – eles concordam, mas sabem que o trabalho é mais importante; sabe que pode alimentar e ter a sua família. E até várias famílias! As mulheres sabem disso. Pergunte se gostam de ter o homem sem trabalho em casa.

O DINHEIRO
O dinheiro deve ser empregado a serviço da vida, pois o dinheiro é uma imagem da vida e quem desrespeita o dinheiro desrespeita a vida. O dinheiro é sempre representado nas Constelações por uma mulher – por quê? Porque o dinheiro é fértil.
O sucesso dos negócios e na profissão vem com a bênção da mãe. Sem isso só há fracassos, pois o dinheiro tem a imagem da mãe; quem rejeita a mãe permanece pobre.
A mulher segue o marido e o homem serve ao feminino; nas organizações quando a mulher organiza e o homem segue, dá errado. Um genro que usa o dinheiro do sogro em geral leva o negócio à falência. O homem que vai morar na casa dos pais da mulher em geral leva o relacionamento ao fracasso. Pois é.
O dinheiro é adquirido através de algo que fazemos; dinheiro vindo pelo nosso empenho nos faz feliz e serve a vida, mas, como a vida, o dinheiro quer ser gasto a serviço da vida. O dinheiro herdado não foi por empenho ou trabalho - por isso acontecem falências. É mais fácil de gastar.
Por isso despedir-se do campo da pobreza e movimentar-se em direção ao campo da riqueza é uma conquista espiritual.
E o Movimento do Espírito, aquele do título inicial?  Para mim aparece quando os representantes da família do cliente expressam exatamente os sentimentos dos seus membros sem nada saber do cliente e de sua história pessoal!
Muito obrigada pela sua atenção. Quem leu até agora já sabia disso tudo.

Marcia Moss

Referências:
Hellinger, Bert “O amor do espírito” Editora Atman (veja livros, artigos e DVDs)
A base desse artigo foi inicialmente preparado para uma palestra sobre Universo do Corpo no Século XXI: abordagens terapêuticas funcionais e expressivas, na Casa do Rio, de Martha Zanetti.

Fonte: http://constelacaofamiliar.com.br/index.php/artigos/141-o-movimento-do-espirito-na-constelacao-familiar

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Superproteção: A origem do fraco e do tirano

Sob as asas indulgentes de pais pretensamente diligentes e amorosos, desenvolve-se uma espécie humana incapaz de conviver com a frustração; insaciável em sua necessidade de atenção; dependente de cuidados, básicos ou sofisticados; impossibilitada de enxergar outro ponto de vista que não o seu; voraz e corruptível. A superproteção familiar impede o indivíduo de criar suas próprias ferramentas de sobrevivência, interlocução, compaixão e convivência. Estamos criando uma geração de fracos tiranos ou de tiranos fracos, capazes de qualquer artifício para terem seus desejos atendidos. 



Publicado em recortes Por Ana Macarini
No Obvious


Perigosa estratégia essa de trocar autoridade amorosa por permissividade vazia. Substituir a presença física e real por bens materiais contribui para a formação de indivíduos que não hesitariam em sacrificar pessoas para conseguir coisas. Será que somos tão distraídos emocionalmente a ponto de abrigarmos monstros egoístas sob nossas próprias asas e não nos darmos conta disso?

O inegável cenário de violência em que a maioria de nós vive, cria elementos mais do que concretos para que haja temor pela segurança de nossas crianças. É fato que muitos de nós tivemos a oportunidade de fazer pequenas incursões pelos arredores de casa, experimentando a cada nova aventura, o sabor da conquista da maturidade. Há cerca de 30 anos atrás, mesmo em cidades grandes e movimentadas, era comum as crianças “maiorzinhas” (10 ou 12 anos), irem sozinhas à padaria, à banca de jornal, à casa de algum amigo mais próximo ou mesmo à escola. Ouvíamos de nossos pais alguns conselhos como “Não fale com estranhos!” ou “Não aceite ‘nada’ de estranhos, como balas ou chocolates!”. Nossos pais temiam pela nossa segurança e procuravam nos preparar para enfrentar alguns perigos previsíveis. É claro que, mesmo naquela época, ouvíamos notícias de crianças sequestradas; abusadas; até mesmo desaparecidas e mortas. Mas a verdade é que esses acontecimentos eram uma exceção. Hoje, não são mais. O perigo é real, isso é indiscutível. Há muito tempo as crianças deixaram de ter medo do “homem do saco” para ter medo do bandido armado.
Assim, nossas crianças muitas vezes são privadas de experiências de vida em detrimento de sua segurança e integridade física. Até aí, nada de errado. Cabe mesmo aos pais garantir que seus filhos recebam proteção, cuidados, atenção e amor. Os problemas começam quando a dosagem desses atributos perde o valor original e extrapola os limites, revelando uma educação descolada do mundo real, no qual há o enfrentamento de situações adversas e imprevistas. É bastante frequente observarmos que os responsáveis sofrem com a dificuldade de estabelecer o que é cuidado, o que é exagero, o que é pseudo-cuidado e o que é negligência.
É importante termos em vista que a maneira como nos enxergamos na infância, baseia-se na forma como somos tratados pelos adultos responsáveis por nós. As experiências sociais da infância determinam a maneira como vamos interagir com o mundo na fase adulta. A consciência do nosso valor pessoal é construída na interação, primeiro com nossa família nuclear, independente de como ela seja formada; depois, na interação com os outros. Os adultos responsáveis pela nossa educação darão o tom às nossas percepções de respeito, ética, compaixão e liberdade.
Quando somos crianças, aceitamos como correto o modelo oferecido pelos adultos que são responsáveis por nós. Crianças tratadas com agressividade e intolerância acabam acreditando que merecem esse tratamento e o reproduzirão. Crianças negligenciadas crescem com a dolorosa sensação de que suas necessidades não são importantes. Adultos demasiado exigentes, críticos e autoritários fazem a criança sentir-se inadequada, incapaz e indigna de confiança. Quando não são ouvidas, elas crescem inseguras e dependentes. O pseudo-cuidado, caracterizada pela presença física, porém ausente de atenção (adultos que não desgrudam do celular, por exemplo), provoca na criança uma confusa sensação a respeito de seu papel na relação e do espaço que ela ocupa; ela se percebe como desimportante e até incômoda. Engana-se, porém, quem acredita que a superproteção garante um saudável desenvolvimento para a criança. As crianças superprotegidas acreditam que os adultos resolvem tudo por elas e atendem todas as suas vontades porque elas são incapazes. Adultos superprotetores formam crianças desconfiadas de suas próprias capacidades e habilidades, além de dependentes do cuidado e da aprovação do outro. Já adultas, elas acreditarão que o mundo será exatamente assim: sempre pronto a satisfazer seus desejos e compreender suas demandas.
A superproteção pode representar um bloqueio para o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo das crianças. Adultos responsáveis excessivamente protetores fazem com que os pequenos sintam-se pouco estimulados a interagir com o mundo. A timidez, por exemplo, pode ser uma consequência de posturas repressoras apresentadas na educação familiar. Outro ponto importante é o fato inegável de que as crianças superprotegidas terão dificuldades para adquirir autonomia; lidar com o medo; enfrentar situações imprevistas; tomar iniciativas ou decisões. Além da possibilidade de virem a se tornar adultos reclusos ou distantes da realidade, que julgam injusto terem de batalhar para alcançar o que desejam e não serem premiados por cumprir com suas responsabilidades e compromissos.
É de extrema importância que, no caso de termos decidido assumir a responsabilidade pela educação de uma criança, termos em mente que a nossa postura em relação à sua formação, contribuirá fortemente para o tipo de adulto que ela virá a ser. Precisamos entender que somos modelos em nossas atitudes, muito mais do que em nossos discursos. Criança precisa de escuta ativa; afeto; limites claros e justos; honestidade nas relações; aceitação de suas limitações; incentivo diante das dificuldades; valorização das habilidades; satisfação de suas necessidades de alimento, sono, descanso e brincadeira; liberdade assistida e orientada. Parece muito?! Mas não é. É o mínimo que nos cabe fazer. No fundo, elas não precisam ser colocadas sob nossas asas. Elas precisam que sejamos inteiros o suficiente para ensiná-las a voar com suas próprias, respeitando o espaço aéreo das demais.



sábado, 11 de abril de 2015

O que acontece na infância, não fica na infância…

Google Imagens
Por Carolina Vila Nova
Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.
Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.
Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?
Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.
Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.
Ser criança é ser um indivíduo vazio, pronto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?
Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.
Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.
Porque o que acontece na infância, não fica na infância.
Mas fica… para a vida toda!
Fonte: http://www.contioutra.com/o-que-acontece-na-infancia-nao-fica-na-infancia/

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ainda dormem com vocês?


Por Eva Carnero
15 de dezembro de 2014

A expressão “criação com apego” (attachment parenting), cunhada pelo pediatra norte-americano especializado em paternidade William Sears, inspira-se nos princípios da teoria do apego formulada pelo psiquiatra John Bowlby em 1969, que sustentava que a criação de um forte laço emocional com os pais durante a infância é condição prévia e imprescindível para o desenvolvimento emocional correto e o estabelecimento de relações pessoais saudáveis na idade adulta.
Há alguns anos, observa-se na sociedade uma clara tendência para a adoção dos preceitos que acompanham esse tipo de criação, como demonstram discursos públicos de mães famosas, como as atrizes Elsa Pataky e Mayim Bialik (das séries Blossom e The Big Bang Theory). Entretanto, há quem questione algumas de suas recomendações. O respeitado pediatra Carlos González, autor de numerosos livros relacionados com esse tema, entre eles Bésame Mucho – Como Criar os Seus Filhos com Amor, é uma das vozes que esclarecem: “A teoria do apego não é a mesma coisa que a criação com apego, uma expressão popular de significado incerto que parece ter se resumido em pegar a criança nos braços, amamentá-la e dormir com ela. Entretanto, a teoria do apego, a verdadeira, que se apoia nos oito princípios publicados no website da Attachment Parenting International (API), não diz isso”.
“A criança estabelece um enlace emocional com os pais quando vê que, habitualmente, suas necessidades são atendidas e seu pranto é consolado. Ou seja, quando vê que lhe fazem caso”, assinala González. Nessa mesma linha, a psicóloga clínica Laura Rojas-Marcos afirma que a chave para estabelecer um vínculo forte é que a criança se sinta “protegida, querida e segura”. Ela compartilha com Bowlby a importância do apego firme para “criar e desenvolver os pilares de que uma pessoa necessita para ter uma vida adulta com menos medo”.
Até aqui, todos de acordo. O fato de uma criança se sentir protegida terá um bom reflexo em sua vida adulta. Mas quais são os limites desse abrigo ou apego? E sua relevância? Será que o carinho é uma necessidade mais básica que o próprio alimento? O certo é que os resultados obtidos em numerosos estudos indicam que isso não está longe da verdade. Muitos dos trabalhos do psicólogo Harry Harlow concluem que o ser humano tem uma necessidade universal de contato físico, independentemente da cultura em que viva.
Para chegar a essa afirmação, o especialista se apoia em um de seus numerosos experimentos com macacos rhesus, que resultaram em sua teoria da “mãe macia”. Basicamente, nesse trabalho o psicólogo separou vários bebês de suas mães logo após o nascimento. Depois, fez dois bonecos – um de pelúcia com a mesma aparência das mães e o outro, de arame e segurando uma mamadeira. Diante das duas “mães”, o macaco bebê se aproximava da que segurava o alimento só quando queria comer, e no resto do tempo ficava junto do boneco de pelúcia, suave e quente. Havia até mesmo ocasiões em que, enquanto ele comia, uma parte de seu corpo estava em contato com a “mãe macia”.
“Obviamente, a alimentação é importante na hora de criar um vínculo, mas o que se estabelece através da sensação de carinho e proteção é a base do apego seguro”, destaca Laura Rojas-Marcos. Para isso, não é preciso dormir com seu filho, nem se estressar se ele chorar por mais de cinco minutos seguidos, nem o amamentar até os 6 anos, como defendem hoje em dia muitas associações de criação com apego.
Nessa linha se situa o chamado “leito compartilhado” – quando pais e filhos dividem a cama até que estes últimos decidam ir para seu próprio quarto. O pediatra Carlos González, embora não se oponha a essa prática, nega que exista uma relação entre dormir com seu filho e criar com ele um maior vínculo.
“E a prova é que na época em que era proibido dormir com os filhos pequenos na mesma cama [na Idade Média, por determinação da Igreja, filhos e pais não podiam dormir juntos por causa da proliferação de casos em que os lactantes morriam esmagados], a maior parte deles desenvolveu um apego firme. A única diferença que vejo é que suas mães tinham de se levantar várias vezes durante a noite para ir consolá-los. Colocar a criança em outro quarto me parece simplesmente incômodo”, afirma o especialista. Ele defende a mudança da criança para outro quarto quando ela expressar seu desejo, por comodidade para a família. Também se considera leito compartilhado encostar o berço à cama dos pais.
Já Laura Rojas-Marcos tem uma posição mais próxima à rejeição dessa prática, insistindo que é importante que as crianças durmam sozinhas. “Em minha opinião, não é bom nem para a criança nem para o casal, já que favorece o desenvolvimento de personalidades dependentes”, diz a psicóloga. Mas ela reconhece haver crianças que precisam de mais tempo para deixar o quarto de seus pais, por isso é partidária de que haja flexibilidade e perseverança. Um recente estudo da Academia Americana de Medicina do Sono conclui que compartilhar a cama com os filhos acaba fazendo com que estes tenham maior dificuldade para conciliar o sono, já que dependem mais dos mimos dos pais e não são capazes de fazer isso por conta própria.
Criação sem rótulos
Embora todos concordem quanto à importância do vínculo seguro na criação do filho, as divergências surgem na hora de escolher o caminho para chegar até ele. Aqui entra outro dos pontos fortes e mais polêmicos da criação com apego: o aleitamento materno e o tempo que ele deve durar. Os defensores dessa corrente apoiam a necessidade de que a mãe dê de mamar a seu filho até os dois ou três anos de idade, com o objetivo de criar, estreitar e afiançar sua relação. No entanto, nem Laura Rojas-Marcos nem Carlos González apoiam totalmente dessa teoria.
“Nos anos 1950, quando se propôs a teoria do apego, quase nenhuma criança ocidental mamava durante mais do que algumas poucas semanas e costumava-se aconselhar os pais a não pegar muito o filho nos braços e não o colocar nunca na cama. Apesar de tudo isso, a maioria das crianças tinha um firme apego”, explica González. “As mães carinhosas e aquelas que tratam seus filhos com ternura e respeito também lhes dão a mamadeira. Da mesma forma, as mães irritadas, bêbadas ou cruéis também dão o peito”, acrescenta.
Por outro lado, a psicóloga acredita que o tempo de aleitamento é, em grande parte, uma questão de moda. “Atualmente a tendência é estender o tempo de amamentação para mais de dois anos. Mas eu me pergunto se isso é realmente é necessário – e, além disso, fico imaginando o que ocorre com a dependência, ou até mesmo a escravidão, que significa para a mãe tomar essa decisão. É obvio que, se a mãe quiser e puder, tudo bem, mas não acredito que seja o mais saudável.” A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda amamentar o filho de forma exclusiva até os seis meses de vida e seguir com o aleitamento, juntamente com outros alimentos, até os dois anos ou mais.
“Todas as crianças têm apego”, afirma González. “Ele pode ser seguro ou inseguro, mas sempre existe. O primeiro é o mais desejável, mas o inseguro [quando o bebê chora muito, mesmo nos braços de seus pais, como definiu a psicóloga Mary Ainsworth] não é nenhuma doença mental”, acrescenta. Trata-se de que os pais ou as pessoas responsáveis pela criação de uma criança se esforcem para que a balança se incline para o lado da certeza. “Basta criá-la como sempre se fez, com muito carinho e da melhor forma que soubermos”, aconselha González.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/24/estilo/1416825746_259981.html