"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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domingo, 6 de novembro de 2016

A Cólica - Por Dr. Carlos González

Palavras que iluminam a vida. 
A cólica que não é cólica.

Foto: Lugar da Mulher

Por Dr. Carlos González

Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente. 
Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).

Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.

Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).

Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.

No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.

A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria se acalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).

Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)

1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.


No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.

Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais, ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?

Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7

Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003


Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ainda dormem com vocês?


Por Eva Carnero
15 de dezembro de 2014

A expressão “criação com apego” (attachment parenting), cunhada pelo pediatra norte-americano especializado em paternidade William Sears, inspira-se nos princípios da teoria do apego formulada pelo psiquiatra John Bowlby em 1969, que sustentava que a criação de um forte laço emocional com os pais durante a infância é condição prévia e imprescindível para o desenvolvimento emocional correto e o estabelecimento de relações pessoais saudáveis na idade adulta.
Há alguns anos, observa-se na sociedade uma clara tendência para a adoção dos preceitos que acompanham esse tipo de criação, como demonstram discursos públicos de mães famosas, como as atrizes Elsa Pataky e Mayim Bialik (das séries Blossom e The Big Bang Theory). Entretanto, há quem questione algumas de suas recomendações. O respeitado pediatra Carlos González, autor de numerosos livros relacionados com esse tema, entre eles Bésame Mucho – Como Criar os Seus Filhos com Amor, é uma das vozes que esclarecem: “A teoria do apego não é a mesma coisa que a criação com apego, uma expressão popular de significado incerto que parece ter se resumido em pegar a criança nos braços, amamentá-la e dormir com ela. Entretanto, a teoria do apego, a verdadeira, que se apoia nos oito princípios publicados no website da Attachment Parenting International (API), não diz isso”.
“A criança estabelece um enlace emocional com os pais quando vê que, habitualmente, suas necessidades são atendidas e seu pranto é consolado. Ou seja, quando vê que lhe fazem caso”, assinala González. Nessa mesma linha, a psicóloga clínica Laura Rojas-Marcos afirma que a chave para estabelecer um vínculo forte é que a criança se sinta “protegida, querida e segura”. Ela compartilha com Bowlby a importância do apego firme para “criar e desenvolver os pilares de que uma pessoa necessita para ter uma vida adulta com menos medo”.
Até aqui, todos de acordo. O fato de uma criança se sentir protegida terá um bom reflexo em sua vida adulta. Mas quais são os limites desse abrigo ou apego? E sua relevância? Será que o carinho é uma necessidade mais básica que o próprio alimento? O certo é que os resultados obtidos em numerosos estudos indicam que isso não está longe da verdade. Muitos dos trabalhos do psicólogo Harry Harlow concluem que o ser humano tem uma necessidade universal de contato físico, independentemente da cultura em que viva.
Para chegar a essa afirmação, o especialista se apoia em um de seus numerosos experimentos com macacos rhesus, que resultaram em sua teoria da “mãe macia”. Basicamente, nesse trabalho o psicólogo separou vários bebês de suas mães logo após o nascimento. Depois, fez dois bonecos – um de pelúcia com a mesma aparência das mães e o outro, de arame e segurando uma mamadeira. Diante das duas “mães”, o macaco bebê se aproximava da que segurava o alimento só quando queria comer, e no resto do tempo ficava junto do boneco de pelúcia, suave e quente. Havia até mesmo ocasiões em que, enquanto ele comia, uma parte de seu corpo estava em contato com a “mãe macia”.
“Obviamente, a alimentação é importante na hora de criar um vínculo, mas o que se estabelece através da sensação de carinho e proteção é a base do apego seguro”, destaca Laura Rojas-Marcos. Para isso, não é preciso dormir com seu filho, nem se estressar se ele chorar por mais de cinco minutos seguidos, nem o amamentar até os 6 anos, como defendem hoje em dia muitas associações de criação com apego.
Nessa linha se situa o chamado “leito compartilhado” – quando pais e filhos dividem a cama até que estes últimos decidam ir para seu próprio quarto. O pediatra Carlos González, embora não se oponha a essa prática, nega que exista uma relação entre dormir com seu filho e criar com ele um maior vínculo.
“E a prova é que na época em que era proibido dormir com os filhos pequenos na mesma cama [na Idade Média, por determinação da Igreja, filhos e pais não podiam dormir juntos por causa da proliferação de casos em que os lactantes morriam esmagados], a maior parte deles desenvolveu um apego firme. A única diferença que vejo é que suas mães tinham de se levantar várias vezes durante a noite para ir consolá-los. Colocar a criança em outro quarto me parece simplesmente incômodo”, afirma o especialista. Ele defende a mudança da criança para outro quarto quando ela expressar seu desejo, por comodidade para a família. Também se considera leito compartilhado encostar o berço à cama dos pais.
Já Laura Rojas-Marcos tem uma posição mais próxima à rejeição dessa prática, insistindo que é importante que as crianças durmam sozinhas. “Em minha opinião, não é bom nem para a criança nem para o casal, já que favorece o desenvolvimento de personalidades dependentes”, diz a psicóloga. Mas ela reconhece haver crianças que precisam de mais tempo para deixar o quarto de seus pais, por isso é partidária de que haja flexibilidade e perseverança. Um recente estudo da Academia Americana de Medicina do Sono conclui que compartilhar a cama com os filhos acaba fazendo com que estes tenham maior dificuldade para conciliar o sono, já que dependem mais dos mimos dos pais e não são capazes de fazer isso por conta própria.
Criação sem rótulos
Embora todos concordem quanto à importância do vínculo seguro na criação do filho, as divergências surgem na hora de escolher o caminho para chegar até ele. Aqui entra outro dos pontos fortes e mais polêmicos da criação com apego: o aleitamento materno e o tempo que ele deve durar. Os defensores dessa corrente apoiam a necessidade de que a mãe dê de mamar a seu filho até os dois ou três anos de idade, com o objetivo de criar, estreitar e afiançar sua relação. No entanto, nem Laura Rojas-Marcos nem Carlos González apoiam totalmente dessa teoria.
“Nos anos 1950, quando se propôs a teoria do apego, quase nenhuma criança ocidental mamava durante mais do que algumas poucas semanas e costumava-se aconselhar os pais a não pegar muito o filho nos braços e não o colocar nunca na cama. Apesar de tudo isso, a maioria das crianças tinha um firme apego”, explica González. “As mães carinhosas e aquelas que tratam seus filhos com ternura e respeito também lhes dão a mamadeira. Da mesma forma, as mães irritadas, bêbadas ou cruéis também dão o peito”, acrescenta.
Por outro lado, a psicóloga acredita que o tempo de aleitamento é, em grande parte, uma questão de moda. “Atualmente a tendência é estender o tempo de amamentação para mais de dois anos. Mas eu me pergunto se isso é realmente é necessário – e, além disso, fico imaginando o que ocorre com a dependência, ou até mesmo a escravidão, que significa para a mãe tomar essa decisão. É obvio que, se a mãe quiser e puder, tudo bem, mas não acredito que seja o mais saudável.” A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda amamentar o filho de forma exclusiva até os seis meses de vida e seguir com o aleitamento, juntamente com outros alimentos, até os dois anos ou mais.
“Todas as crianças têm apego”, afirma González. “Ele pode ser seguro ou inseguro, mas sempre existe. O primeiro é o mais desejável, mas o inseguro [quando o bebê chora muito, mesmo nos braços de seus pais, como definiu a psicóloga Mary Ainsworth] não é nenhuma doença mental”, acrescenta. Trata-se de que os pais ou as pessoas responsáveis pela criação de uma criança se esforcem para que a balança se incline para o lado da certeza. “Basta criá-la como sempre se fez, com muito carinho e da melhor forma que soubermos”, aconselha González.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/24/estilo/1416825746_259981.html

quinta-feira, 6 de março de 2014

Consulte sempre um Psicólogo de Família. Amamentação consciente.

Foto: We Heart it
Texto: Cintia Liana Reis de Silva
 
Amigos, vamos divulgar? As crianças merecem.
Cuidemos dos detalhes agora para que os adultos de amanhã sejam mais felizes.
 
"11 Coisas que ninguém nunca te falou sobre amamentação e desmame": http://psicologiaeadocao.blogspot.it/2014/02/11-coisas-que-ninguem-nunca-te-falou.html

A amamentação é indicada ao menos até cerca dos 2 anos. Respeitem!

We Heart it
 
Come diz a OMS, a amamentação é indicada ao menos até cerca dos 2 anos. Não há espaço para preconceitos. Respeitem e deixem em paz mãe e bebe. Se é desconfortável para você, é um problema teu! Fale com o teu terapeuta.
 
Come dice l'OMS, l'allattamento é indicato al meno fino a circa i 2 anni. Non c'è spazio per i pegiudizi. Rspettate e lasciate in pace mamma e bimbo. Se ti è scomodo e' un problema tuo! Parlane con il tuo terapeuta. 
 
Cintia Liana

Charge do Dia - 04/03/2012 - Por Lorde Lobo/ Jornal Agora Rio Grande
 
 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

11 coisas que ninguém nunca te falou sobre amamentação e desmame




We heart it

Por Cintia Liana Reis de Silva

A amamentação é um Universo a parte no mundo da maternidade quando comparado a quantidade de informações que nele compreende. É um mundo delicado, sutil e ao mesmo tempo selvagem que é preciso ser mergulhado e explorado.
Têm coisas que ninguém nunca fala ou nunca te falou sobre amamentação, mas agora eu lhe direi e, para isso, também utilizarei a ótica da terapia familiar:
1 - Para uma nova mãe conseguir amamentar com mais facilidade, sem tanta dor física e estresse por medo de não descer o leite, é importante que ela descubra e entenda a sua própria história de amamentação, já que as dificuldade familiares são passadas inconscientemente de pais para filho. Os “erros” normalmente se repetem. Quase todos nós guardamos mágoas do nosso período de amamentação e essa mágoas precisam ser vistas e curadas. A nova mãe deve entrar em contato com seu universo ancestral, esquecido ou negado.
2 - Se fala que o leite materno desce no máximo 4 ou 5 dias após o parto, dependendo se foi natural ou cesáreo respectivamente, mas o leite pode descer com 10 dias também, porque não? Não desista, achando que com 6 dias não descerá mais, continue tentando nos primeiros meses. Se concentre na necessidade de alimentar o seu filho. Nas primeiras horas após o parto o bebê está com a capacidade mais forte de sugar, mas se ele for distanciado da mãe por algum motivo médico, depois de se reaproximar, ele deve recuperar esta capacidade e, para isso, ele deve ser estimulado, ser colocado sobre o seio da mãe, que deve ter paciência e respeitar o seu tempo, para que ele aprenda a sugar e a lutar pelo seu alimento. Deve ser criado esse espaço físico e emocional no qual o bebê sinta que ele tem todo o tempo que precisar e sobretudo sentir o real desejo da mãe de alimentá-lo.
3 – Para se produzir leite, é importante que a mãe a os membros mais próximos da família criem um espaço de intimidade entre mãe e filho. Então não receba visitas de amigos e parentes nas primeiras duas semanas após o parto, que são as semanas mais importante para que se fortaleça a produção de leite e quanto maior for a sua privacidade mais fácil será a produção e, ao mesmo tempo, beba bastante água e não dê atenção aos "opinionistas". 
4 – Se o teu leite não for o suficiente para alimentar o seu filho, se pode dar um complemento com leite artificial, mas não veja isso como um problema e não desista de colocá-lo o máximo em contato com o seu corpo para que se estabeleça um equilíbrio na díade mãe-bebê, para que a real necessidade de o seu leite ser suficiente venha a tona. Pode acontecer de seu leite dobrar ou até triplicar de quantidade no segundo mês de vida do teu pequeno ou até mais. Acontece. Seja tenaz!
5 – Se você se sentir cansada de levantar para amamentar, porque não colocar o teu filho para dormir junto a você? Não no meio do casal, mas ao seu lado. O homem é a única espécie de mamíferos que não acompanha o filhote durante todo o período de amamentação e que não dorme junto a ele, em detrimento da imposição da falsa ideia de estimular a independência do bebê desde os primeiros dias de vida. Bebês são e devem ser totalmente dependentes da mãe e do corpo dela, afinal estão em completa fusão emocional. Após ter a base do contato com a mãe nos dois primeiros anos é que se poderá desenvolver uma verdadeira autonomia sadia. Aproveite esse momento, pois passa muito rápido e ninguém se torna eternamente dependente porque ficou muito nos braços, mas o contrário sim, aquilo que não foi satisfeito na infância fica suspenso no futuro. Os mais importantes estudiosos vanguardistas da psicologia infantil do mundo dizem que os bebês devem dormir nos braços da mãe e, que a partir disso, tudo flui com muito mais harmonia.
6 – Até os 6 meses de vida a amamentação é exclusiva, o leite materno sacia a fome e a sede, não é preciso dar água ao bebê. Mas a partir dos 6 meses começa o desmame. Algumas pessoas introduzem as frutas no quarto mês a as papinhas no quinto, mas tenha muita paciência com o seu filho, não precisa ter pressa, ele precisa assimilar os novos gostos e tornar os novos hábitos um prazer, para que não criem conflitos na fase oral. Faça ele experimentar uma verdura por vez na papinha, depois comece a combinar, mas não exija que ele coma tudo, como uma obrigação. Ele vai comer quando você também sentir o alimentá-lo como um prazer e não como uma obrigação.
7 – Até o primeiro ano de vida o leite materno deve ser o alimento principal, então não use a alimentação do seu filho como elemento para criar conflitos, deixe que ele descubra os alimentos, as frutas, os gostos. Não dê alimentos artificiais e com conservantes. Existem alimentos que substituem a carne vermelha e são cheios de proteína. E se você ainda o amamenta e dá outros alimentos, para quê dar leite artificial? O ser humano não precisa do leite de supermercado e nem de outros animais em sua alimentação.
8 – O organização mundial da saúde (OMS) indica que a criança seja amamentada até completar 2 anos de idade, mas cada mãe deve ter a sensibilidade para intuir o momento adequado em torno a essa idade para tirar completamente o peito e o leite, pois se ela deixar passar o “time” justo, a retirada pode ser muito difícil e conflituosa, mas se fizer antes do momento em que o bebê está preparado pode representar uma trauma para ele, e gerar um sentimento de abandono afetivo.
9 – Os bebês babam e colocam as coisas na boca devido a fase oral, que vai até aproximadamente os 18 meses, segundo a teoria Freudiana do desenvolvimento psicossexual infantil. Para se alimentar os bebês irão sempre preferir o seio materno, ele sim está diretamente relacionado ao reflexo da saciedade da fome e da sede e também representa o aconchego e a segurança materna, então quando seu bebês te olha comendo, não é porque é guloso e está interessado no gosto da comida, pois ele nem sabe que aquilo é comida. Ele quer experimentar as texturas dos objetos que estão a sua volta, ele não sabe o que é alimento e o que não é, então pare de chamá-lo de guloso, ele é somente um bebês querendo descobrir o mundo através da boca.
10 – Com 1 ano, ocorre a anorexia do 1º ano. Muitos bebês começam a preferir só alimentos sólidos, rejeitam a papinha em forma de creme (sobretudo os que estão colocando os dentinhos) e muitos nem querem comer, se voltando só para o peito novamente. Isso não é um retrocesso, mas uma reação ao início da descoberta de ele não é uma continuidade da mãe e a negação por separar-se dela. Tenha paciência, não obrigue seu bebê a comer, tenha criatividade, faça comidinhas gostosas, diferentes, com mais gosto e saudáveis e deixe ele continuar mamando o quanto quiser para que se sinta seguro da relação de vocês dois e assim não causar ansiedade. Não crie conflitos e não compita de modo algum. Para os bebês é uma tempestade de mudanças e estímulos novos, ele precisa de tempo para assimilar tudo. E não esqueça, consulte sempre um psicólogo de família ou infantil, ele é quem entende os processos mentais, emocionais, comportamentais ligados a educação do bebê, enquanto o pediatra cuida da parte física.
11 – Os bebês não fazem do peito da mãe um bico, não desvalorize assim o seu peito. Eles precisam de um estímulo oral para dormir, é natural essa solicitação, é prazeroso e, ao mesmo tempo, eles se alimentam da energia afetiva da mãe. Quem não tem o peito se contenta em adormecer com o bico. Os bebês são muito incompreendidos e criticados, a ciência ainda tem muito a descobrir sobre a mente infantil, sobretudo do recém nascido, não crie seu filho com críticas e julgamentos.
São pontos a refletir para se dar o melhor a quem está aprendendo a viver. Os bebês precisam entender que o mundo não é hostil e competitivo (ao menos nesse momento não mesmo), para poder aceitá-lo e chegar nele com vontade e serenidade. Não economize amor.

Cintia Liana Reis de Silva, psicóloga, especialista em psicologia de casal, família, infância e adoção, seu blog recebe mais de 15.000 visitantes ao mês, o http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com.

[Título em italiano: 11 cose che nessuno ti ha mai detto sull'allattamento e lo svezzamento]