"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

domingo, 28 de novembro de 2010

Uma Reflexão sobre o Preconceito atrás da Palavra

Foto: Google Imagens

...isso é o aprendizado. De súbito você compreende algo
que havia precedido vida inteira, mas de maneira nova.

Por Doris Lessing

Em nosso dia-a-dia costumamos utilizar muitas expressões e termos que denotam preconceito sem que tenhamos plena consciência disso. Assim, as novelas, os meios de comunicação de massa e as propagandas estão repletos de chavões preconceituosos, muitas vezes mascarados em sátiras e situações engraçadas, as quais servem simplesmente para manter um determinado status quo que um segmento social acha recomendável. Rimos da mocinha “bonita e burra” de determinado programa de televisão e não percebemos o quanto isso é estereotipado e preconceituoso. Ouvimos e vemos, a todo o momento, expressões que denotam preconceito racial, étnico, estético e muitos outros. É preciso parar para refletir um pouco. Alguns termos transformam-se em diagnósticos de vida. Foi o que ocorreu com o termo “menor”. Menores eram sempre os filhos dos outros, aqueles que estavam na rua, era a cultura menorizada. O nosso filho era sempre uma criança ou adolescente, mas o filho do outro, do menos favorecido era um “menor”. Tomando consciência desse fato a sociedade aboliu o termo menor e passou a chamar todos os filhos de crianças e adolescentes, culminado com o fim do código de menores e com a promulgação do Estatuto da Criança e Adolescente.

Com os discursos e a literatura das famílias adotivas tem acontecido algo semelhante, onde se percebe, por trás da semântica, e que fazemos aqui uma moção para que isso seja modificado. Algumas pessoas perguntam para a mãe adotiva se “essa é a criança que você pegou para criar”; se a família possui filhos biológicos e adotivos, as pessoas costumam apontar para um deles e perguntar: “é esse o seu”?; Ou ainda, após saber da adoção, pessoas podem perguntar, mas “você conhece a mãe verdadeira dele”? Todas essas frases demonstram uma falta de esclarecimento associada ao preconceito em relação à esta constituição familiar.

De maneira geral, quando se fala em família adotiva, utiliza-se a antítese “família verdadeira”, “família natural”, “família legitima”. Temos por convicção, por força dos dados científicos, que a família adotiva não é artificial não, mas é tão verdadeira e legitima quanto a outra. Sua essência não é diferente, mas somente a contingência de como foi constituída. Então, sugerimos que sejam utilizados os termos família de sangue, família biológica, família de origem em contraposição à família adotiva. Da mesma forma, quando se fala em filho adotivo, a antítese mais comum é falar “filho verdadeiro”, “filho natural”, “filho legítimo”, “filho meu mesmo”. Sugerimos que sejam utilizados os termos filho de sangue e filho biológico, pois o filho adotivo não é artificial, nem falso ou ilegítimo e é filho mesmo dos seus pais adotivos!

Texto extraído de WEBER, Lídia. Laços de ternura. 2.ed. Curitiba: Juruá Ed, 1999. p.124-125.



Postado Por Cintia Liana

sábado, 27 de novembro de 2010

Adoção: Um ato de amor

Foto: Google Imagens

Por Zildinha Sequeira

A adoção, mais do que um ato jurídico, é um ato de amor. É reconhecer no filho(a) gerado por outras pessoas, nosso filho(a). Para haver adoção é necessário que tenha havido antes uma situação de abandono e que, por menos sofrimento que tenha sido para a criança, mexe muito. Essa história anterior não dá pra ser modificada, mas dá para se construir uma outra história, pontuada de gestos de solidariedade, respeito, verdade e amor.

Muitos pais, principalmente por medo de provocar sofrimento no filho(a), ficam adiando e, às vezes, não contam que ele é um filho adotivo (segredos exigem omissões e mentiras). Encare a situação com naturalidade e fale a verdade o quanto antes, não deixe que seu filho saiba da adoção por terceiros, isso provoca um sentimento de traição e dor. Aproveite uma situação como a gravidez de alguém próximo, o nascimento de um bichinho, um filme e conte como ele chegou à família e como começou a história de amor de vocês.

Evite falar termos como "filho do coração", pois, filhos adotivos ou naturais, são sempre do coração. Ele nasceu da barriga de alguém que não pode criá-lo(a) e que vocês o escolheram para ser seu filho(a) para o resto da vida.

Cuidado com os mitos
O mito de que os filhos adotivos nunca serão amados como os filhos biológicos ou que eles darão problema, cedo ou tarde, é absurdo e preconceituoso, pois os filhos biológicos também podem apresentar sérios problemas comportamentais. Tudo que pode acontecer ao filho adotivo, também pode acontecer ao filho biológico. Mas, a sociedade tende a ser menos tolerante com as atitudes das crianças adotadas, devido ao preconceito e à falta de informação.

Algo que preocupa os pretendentes à adoção é saber a origem das crianças, saber se elas eram filhos(as) de prostitutas, marginais, delinqüentes,... pois têm receio de que essas características possam ser herdadas geneticamente. Estudos comprovam que "há muito de genética sim, mas nem tanto que não possa ser modificado pelo meio e pela educação".

A maioria das crianças não apresenta problemas em decorrência da adoção, e sim em razão da infância ser um período marcado pelas descobertas e pelos testes de limites, sendo necessário que os pais funcionem como modelo de autoridade e estabeleçam, claramente, os limites aceitos pela família. Contudo, algumas crianças adotivas apresentam dificuldade em aceitar afeto, em conseqüência de uma história anterior de rejeição, e passam a "aprontar todas", querendo testar o amor dos pais, mas, na verdade, tudo o que ela precisa é se sentir acolhida, cuidada e amada para se desenvolver de forma saudável, como qualquer criança.

Um amor conquistado
Para ser pai e mãe, não é necessário que se tenha vivido uma gestação biológica e sim afetiva. Procriar é fisiológico; criar é afetivo. Laços de sangue não são, necessariamente, os mais fortes. Quantas vezes temos mais afinidades com amigos do que com membros de nossa própria família? É a convivência amorosa que gera oportunidade de trocas de afeto, de carinho, de falar, de ouvir, de acolher e de estimular, de orientar e promover crescimento.

Alguns filhos adotivos manifestam o desejo de conhecer seus "pais biológicos", mas, não se preocupe, isso não quer dizer que ele não os ame e nem que deseja mudar de família e sim que deseja conhecer "um pedaço da sua história" para que elabore o fato de que foi abandonado(a) não por não merecer ser amado(a) e sim por ter sido gerado em uma família que não teve condições para criá-lo. É importante que você esteja ao lado do seu filho nesse momento, pois isso faz parte da construção de uma relação baseada na verdade, no respeito e no afeto. Afinal, filhos desejados ou escolhidos serão sempre filhos do amor.

Jornal “O Liberal” - Revista Troppo (Belém 21 de Novembro de 2010)


Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Casa de Carolina vai fechar após 40 anos

Foto: Google Imagens

Edição de quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Medida é prevista em lei e atinge outros nove abrigos mantidos pelo Governo do Estado

A Casa de Carolina vai fechar. Quatro décadas de funcionamento e um dos abrigos de crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos familiares mais conhecidos do Recife, o imóvel, na Avenida Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, cederá espaço para outro tipo de projeto social. Hoje, 33 meninos e meninas vivem na casa. A ação não é isolada. Ao todo, dez abrigos mantidos pelo estado deverão ser fechados para que os municípios assumam a responsabilidade sobre o abrigamento de suas crianças, como prevê o Estatuto de Criança e do Adolescente. O fechamento ainda não tem data para acontecer.

Além disso, o novo projeto a ser aplicado no imóvel também não está definido. O que está certo, por enquanto, é que das 33 crianças e adolescentes que vivem no local, dez têm possibilidades de voltarem para as suas famílias até o fim do ano e 10 seguirão para outros abrigos por determinação judicial. Dessa forma, a previsão é que o público diminua para 13 meninos e meninas até dezembro. Esses deverão ser enviados para um novo abrigo, desta vez municipal.

No primeiro semestre do ano passado, a casa chegou a ter 116 moradores, cuja maioria foi encaminhada de volta para suas famílias. Segundo Fernando Silva, superintendente estadual de atenção à criança e ao adolescente, o esvaziamento que vem acontecendo no espaço nos últimos meses segue as diretrizes da nova Lei da Adoção (12.010/2009) e fortalece o que já diz o ECA: o abrigamento, assim como a adoção de crianças, somente deve acontecer em último caso. Primeiro devem ser esgotadas todas as chances da criança ser mantida com os parentes.

A ação, aponta Silva, acontece com 20 anos de atraso, mesma época da implantação do ECA. ´Quando a criança vive mais próxima de seu município ou no próprio município de origem, tem mais chances de voltar para sua família. Além disso, estamos buscando aplicar uma política de abrigamento para no máximo 20 crianças por casa`, disse. Outra intenção com a municipalização é fazer cumprir mais um ponto da Lei da Adoção, que determina um prazo de dois anos para os órgãos decidirem sobre o futuro da criança.

Os dez abrigos do estado têm atualmente 298 habitantes, sendo 207 crianças e adolescentes e 91 com mais de 18 anos. Dos 207 meninos e meninas, 90 são do Recife. Com os abrigos sob a gestão dos municípios, o governo fará um repasse mensal de R$ 830 para manter cada criança. Hoje, 257 servidores estaduais trabalham nos abrigos e outros 390 são contratados pelo estado. Com o fechamento das casas, os servidores voltam para seus órgãos de origem e os demais podem ser reaproveitados.

Há 11 anos, a Casa da Criança, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, reformou a Casa de Carolina. Acho importante cumprir o estatuto, mas é necessário que o estado continue fiscalizando o funcionamento desses espaços após a municipalização. Além disso, da forma como está hoje as crianças não têm identidade, pois são muitas abrigadas em um só lugar, destacou Patrícia Chalaça, da Casa da Criança.



Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Terapia Sistêmica de Bert Hellinger (Ordem na família)

Foto: Getty Images

Amigos,
já que no grupo "Psicologia e Adoção" estamos falando sobre Constelação resolvi trazer um texto que fala de Sistema Familiar e sobre o que pensa o pai da Constelação Familiar, Bert Hellinger.

Antes faço uma observação, o assunto é muito denso, ele faz inferência a quase tudo em nível inconsciente, muitas coisas que a nossa censura e nosso senso de moralidade adquirido ao logo do nosso desenvolvimento rejeita, muitas coisas difíceis de aceitar, são coisas muito profundas, inconscientes, quase impossível de uma pessoa que nunca experimentou a transpessoalidade entender (como é impossível sentir na pele o que é ser mãe sem nunca ter sido), então quando Bert fala dos papéis de homem e mulher, por exemplo, ele não é machista, ele só traz uma luz arquetípica (ler os arquétipos de Carl G. Jung) ao caso, querendo colocar ordem num ambiente, estabelecendo papéis dignos sem competição ou desvalorizando as pessoas que os desempenham ou decidem desempenhá-los.

Concordamos com algumas coisas outras nem tanto, mas Hellinger é muito sábio e estudou muito para desenvolver sua teoria. Tudo tem um mistério.

Boa reflexão.

Cintia Liana

O que é a terapia de Hellinger?
As Ordens do Amor
"QUANDO COMPREENDEMOS as leis sistêmicas que permitem que o amor aflore, podemos conseguir ajudar pessoas e famílias que sofrem a encontrar soluções. É profundamente comovente observar os clientes se aproximarem da Ordem do Amor e, espontaneamente, se entregarem a um sentimento amoroso suave e profundo, às vezes após uma vida inteira de ódio, raiva e abuso. Citação de "A Simetria Oculta do Amor", de Bert Hellinger.

O que é a Ordem do Amor?
Foi em sua terapia sistêmica que Bert descobriu que o sistema familiar, como acontece em qualquer outro sistema, tem sua própria ordem natural e que, quando essa ordem é violada, os efeitos são sentidos nas gerações seguintes à medida que o sistema procura retornar à ordem. Parece haver algumas leis naturais que funcionam para manter a ordem e para fazer com que o amor flua livremente entre os membros da família.

De acordo com a terapia sistêmica de Bert Hellinger, a harmonia na vida em família acontece quando cada um de seus membros ocupa seu lugar de direito, assume seus papéis na vida, cuida de si mesmo e evita interferir no destino de outro.

A maioria das dificuldades pessoais e dos problemas de relacionamento decorre de desordens nos sistemas familiares. Essas desordens acontecem quando, sem termos consciência ou intenção de fazê-lo, incorporamos em nossas vidas o destino de outras pessoas que, às vezes, viveram num passado distante. Isso faz com que repitamos o destino de membros da família que foram excluídos, esquecidos ou cujos lugares não foram reconhecidos. Tentamos viver esse destino para eles ou criamos infelicidade em nossas vidas para diminuir nossa culpa.

As principais leis que atuam nas dinâmicas familiares parecem ser:
· Todos têm direitos iguais de pertencer ao seu sistema familiar;
· Há uma hierarquia na ordem de nascimento. Os que nasceram primeiro têm preferência sobre os que vieram depois;
· Os pais dão e os filhos recebem,
· A figura masculina ocupa a primeira posição na hierarquia, mas ela trabalha a serviço da figura feminina.

A violação dessas leis pode ocorrer, de forma não intencional, de muitas maneiras:
· Quando bebês são abortados, ou não se faz o luto pelos natimortos ou não se fala mais neles (não se reconhece a perda, não se expressa à tristeza sentida pela perda)
· Quando crianças ou adultos jovens morrem e não se faz o luto por eles
· Quando os filhos são doados para adoção e não se fala mais neles
· Quando os pais adotivos não reconhecem os pais biológicos dos filhos adotados
· Quando ex-parceiros ou relacionamentos importantes não são reconhecidos e honrados nos casais
· Quando relações extraconjugais são mantidas em segredo
· Quando vivências relacionadas com guerras não são lembradas e os mortos honrados
· Quando há segredos de família
· E muitas, muitas outras...

Quando qualquer das situações acima acontece, os efeitos são sentidos por muitas gerações, às vezes, duas ou três gerações depois. Esses efeitos se manifestam sob a forma de suicídio, depressão, esterilidade, doença física ou mental e dependência química, com freqüência sem que se tenha a menor consciência do que aconteceu nas gerações anteriores.

A violação da ordem natural do sistema causa emaranhados. As crianças começam a tornar-se como os pais, envolvem-se com as questões que dizem respeito aos pais, sofrem, elas próprias, na crença de que assim os pais sentir-se-ão bem. À medida que crescem, com freqüência sentem raiva e alguns tentam rejeitar a própria família, numa tentativa de viver uma nova vida, separadamente. Às vezes, mudam-se para o outro lado do mundo para desvencilhar-se das questões familiares, mas isso não funciona. Quando permanecem ligados a suas famílias desta forma, não estão livres para seguir seus próprios caminhos e, ao formarem um novo lar, nunca conseguem estar totalmente disponíveis porque ainda estão presas aos pais.

O que acontece num grupo de constelação?
Pede-se que o participante que vai trabalhar suas questões familiares diga qual é o desejo de seu coração. Geralmente, pergunta-se sobre fatos de suas famílias, ou a de origem ou a atual, o que for adequado para a situação. Os fatos são do tipo “mortes prematuras ou não naturais”, relacionamentos anteriores ou extraconjugais, abortos, natimortos, etc. Em alguns casos, o cliente pode preferir não expor questões pessoais no grupo e falará privadamente com o terapeuta antes da sessão.

Relatos sobre o “Tio X que diziam ser egoísta ou cruel” não são levados em conta, uma vez que freqüentemente os sentimentos dos participantes contradizem totalmente esses relatos. Assim, só se pergunta sobre os fatos realmente acontecidos.

Escolhem-se, então, pessoas do grupo para representar os membros da família. Estes são posicionados, de forma intuitiva, pela pessoa cuja constelação está sendo feita. À medida que entram no campo de energia daquela família, os representantes começam a sentir os sentimentos reais dos membros que representam. Olhando a forma como as pessoas estão posicionadas e perguntando como se sentem, o terapeuta pode começar a formar uma imagem interna do aspecto do sistema que possa estar fora de ordem. Ele então faz tentativas, movimenta as pessoas, inclui pessoas que possam estar ausentes, até que o coração se abra. Isso traz à luz as dinâmicas ocultas que levaram à violação da ordem. Quando o coração se abre, o grupo inteiro sente isso como uma experiência muito profunda e comovente. É como se a alma, finalmente, voltasse para casa. Falam-se frases de cura para honrar os membros da família que estão faltando e, assim, permitir que o amor flua livremente outra vez. No entanto, nem sempre é possível chegar a uma solução. Às vezes, há segredos que parece não termos permissão para desvendar; ainda assim, os efeitos parecem ser sentidos na família e, às vezes, de forma até mais poderosa do que se uma solução tivesse sido alcançada.

E isso funciona?
Às vezes, os efeitos são dramáticos, como crianças dadas em adoção entrarem em contato quando os pais biológicos fazem suas constelações, mulheres em casais inférteis ficarem grávidas, membros excluídos subitamente telefonarem. O mais comum é uma mudança gradual nos relacionamentos, um sentimento de paz interior, mais aceitação dos pais e de outros membros da família. Às vezes, não há qualquer mudança. Para algumas pessoas, a cura requer um nível de mudança que elas não estão dispostas a empreender. Ainda assim, quando as mudanças são sentidas, é como se tivéssemos, mais uma vez, entrado em sintonia com os movimentos de nossas almas e pudéssemos sentir-nos em paz. Isso é vivenciado como um sentimento de profunda alegria.

"A alegria flui a partir da alma quando estamos em harmonia com os movimentos da alma. Qualquer que seja o caminho, somos guiados por nossas almas. Se estivermos sintonizados, sentiremos que estamos ligados a algo maior, e isso é alegria. A alegria tem uma qualidade de plenitude e completude que decorre dessa conexão. Essa alegria é calma, significativa, irradiante. Na presença de pessoas que vivenciam essa alegria, nós nos tornamos calmos. Essa alegria não tem motivo, desejo ou intenção. É uma sensação de profundo contentamento”. Citação de Bert Hellinger numa oficina em Londres, em abril de 2000.



Postado Por Cintia Liana

domingo, 21 de novembro de 2010

Grupo "Psicologia e Adoção" é destaque no site do Yahoo! Grupos

Recebi um belo presente. Fui convidada para falar um pouco do Grupo "Psicologia e Adoção", do qual sou criadora e moderadora, para o site do "Yahoo! Grupos". Graziana fez um belo trabalho em sua postagem. Aqui vocês podem conferir o post.

Cintia Liana

Foto: Getty Images

Por Graziana, moderadora do Yahoo! Grupos

Vocês sabiam que no Brasil existem cerca de 4 milhões de crianças órfãs segundo dados da Unicef? E que no percurso deste ano foram adotadas somente 84 delas segundo o Registro de Adoção do Ministério Público? O número é baixo, mas significativo e fala muito bem da generosidade dos casais e das mães e pais solteiros que decidem dar esse passo, embora, eles sejam tanto ou mais abençoados que as crianças que acolheram em seus lares.

Aliás, um assunto delicado e muito importante de refletir é a necessidade das crianças mais velhas, que constituem uma grande faixa da população órfã. Elas estão especialmente expostas a serem vítimas de violência e exploração e é por isso que precisam de uma família com urgência. Entretanto, a preferência natural dos pais se curve pelos bebezinhos.

Foto: Cintia Liana

No Yahoo! Grupos existem múltiplas comunidades dedicadas a darem orientação e apoio aos pais que desejam adotar. Um delas é “Psicologia e adoção”, moderado por Cintia Liana Reis de Silva, psicóloga.

‘Pais de coração’
“A idéia de criar o grupo “Psicologia e adoção” no Yahoo! Grupos começou quando eu ainda era coordenadora do Serviço de Psicologia de uma VIJ – Vara da Infância e Juventude no Brasil. O desejo era criar, além das reuniões sobre adoção no ambiente Jurídico, um espaço onde os futuros pais adotivos pudessem estreitar os laços de amizade e fortalecer juntos a “cultura da adoção”, proporcionar a discussão de temas importantes e acolher as dúvidas e ansiedades uns dos outros, apoiando assim novas adoções de crianças, além de dismistificar muitos preconceitos que envolvem esse universo e informar às pessoas, ajudando-as a realizar seu sonho de se tornarem “pais do coração” e, assim, ver mais crianças em famìlia, sendo amadas, valorizadas e respeitadas em seus direitos fundamentais”, explica Cintia.

“O grupo cresceu, mas não entraram somente pessoas que passavam pela VIJ onde eu trabalhava, começaram a surgir solicitações de participação de pais adotivos e habilitandos a adoção de todos os lugares do País e também de fora dele, desejando desenvolver discussões sobre essa linda trajetória da paternidade e maternidade e trocar conhecimentos cientificos, além de se sentirem fazendo parte de um grupo onde outras pessoas estivessem passando pelas mesmas expêriencias e sentimentos. Depois foram surgindo também filhos adotivos adultos e profissinais da área, inclusive alguns renomados e com grande experiência.

O grupo foi tomando forma, a forma do amor e do acolhimento, do apoio, da compreensão e da força. Em 21 de março deste ano o grupo completou 3 anos de existência contando com a bela presença de muita gente que o iniciou junto comigo sua história. Muitos integrantes se tornaram grandes amigos, pudemos marcar bons encontros, reuniões, convidar pessoas para a festa de aniversário dos filhos, reunir novos amigos de uma mesma cidade, reeencontrar colegas conhecidos em outros contextos e grupos de adoção, divulgar cursos e grupos de apoio, reafirmar idéias de empenho e compromisso com a causa da adoção e da criança abrigada.

Hoje trabalho com adoção internacional na Itália e daqui modero o grupo, nos chamamos de amigos , nos gostamos como tal e contamos sempre com a ajuda e a palavra de afeto do outro, seja no exercício da parentalidade e do amor, seja na vida”, conclui a Cintia.

“Grávida com um filho na alma”

“Eu sempre sonhei ser em mãe. Acho que desde criança!!!, conta Claudia Gimenes, associada ao grupo “Psicologia e adoção”. Dizem que isso é natural da mulher, mas acho que não! Pelo menos em minha adolescência não via ninguém da minha idade sonhando em ter filhos!

Nunca sonhei em fazer uma carreira, em fazer um mestrado ou coisa do gênero. Meu sonho era o de SER MÃE!

Embora eu não tivesse nada físico até o casamento, embora sempre tenha tido muita saúde, algo me dizia que eu jamais ficaria grávida, mas ainda assim sonhava que seria mãe! Mãe de quatro!!! Sim…quatro filhos!!!

Eu fui muito certinha, quis fazer tudo direitinho como mandavam as regras da casa: encontrei uma pessoa por quem me apaixonei, e já nos primeiros encontros descobri que era o homem da minha vida, aquele com quem eu viveria até ficar beeeem velhinha, namoramos, noivamos, planejamos ‘nossa vida inteira’, preparamos nosso ninho e casamos!

Um filho estava planejado para o primeiro ano de casamento, mas ele não veio!

Quem sabe no segundo ano?!

Mas qual o quê! Nada do filho chegar!

E eu continuei sonhando, algumas vezes (muitas!!!) me desesperando, chorando, rezando, perguntando ‘porquê não?’, pedindo a Deus que me desse o filho tão sonhado, desejado e já tão amado!

E dentre nossos planos de vida toda estava a adoção! E em meio a rebates falsos, idas e vindas a médicos que não encontravam nada de errado, decepções e uma grande depressão, vi que aquele sentimento tão meu de que eu jamais geraria uma criança parecia ser mesmo realidade!

Nossos planos eram ter dois filhos biológicos e dois filhos adotivos, mas porquê esperar mais, tentar mais, nos decepcionarmos mais se podíamos adotar, se já tínhamos esse plano antes mesmo do casamento?!

Decidimos parar de tentar e ir à busca da adoção!

E quando eu realmente fiquei feliz novamente, passei a planejar as coisas para o filho que viria…sim, porque na adoção eu sabia que não me decepcionaria!…passei a ouvir: ‘e se você se arrepender?!’, ‘e se não der certo?!’, ‘porque você não tenta ter um filho seu’ (como se os filhos adotados não fossem nossos!!!), ‘e se você adotar e ficar frustrada por não ter sentido o filho dentro de você?!’, ‘isso é loucura porque criar filhos dos outros só dá problema!’, ‘você não tem medo de ser filho de alguém de má indole?!’, e aí passei a me decepcionar com as pessoas!

Mas tudo bem, isso faz parte da vida! No início fiquei chateada, depois indignada, depois passei a tentar explicar algumas coisas e depois passei a ignorar toda e qualquer manifestação preconceituosa produzida pela ignorância humana, me libertei e me dei o direito de sentir-me realmente feliz!!!

Quando mandamos os documentos eu realmente me senti grávida!

Descobri, então, que estar grávida não é estar gerando uma criança dentro do corpo! É estar gerando uma criança dentro da alma!!!

Sim, eu estava grávida! Fiz enxoval, preparei a casa e exatamente 8 meses depois que enviamos os documentos nossa primeira filha, tão sonhada, desejada e amada nasceu!!!

Trouxe felicidade, trouxe alegria, trouxe luz às nossas vidas!

E dois anos e meio depois tivemos nosso segundo filho, que veio complementar nossa felicidade!

E há 3 anos e 3 meses, ganhamos nossa terceira filha!

E hoje esperamos pela nossa quarta filha, com a mesma ansiedade com a qual esperamos a primeira, o segundo e a terceira!

Todos foram muito desejados e amados antes mesmo de nascerem e de todos me senti grávida sem tê-los carregado no meu ventre!

Hoje posso dizer tenho a família que sonhei, que meus filhos são muito mais do que ousei pedir a Deus, que sou feliz e uma mãe realizada!

Posso dizer que não tê-los carregado no meu ventre não fez diferença alguma, não me fez menos mãe nem menos mulher, não me deixou uma pontinha sequer de ressentimento nem contra Deus, nem contra a vida!

A gente pode ser feliz com o que a vida nos apresenta se não nos prendermos a padrões, a preconceitos e, principalmente, à opinião alheia!”.


Foto: Google Images

Por quê não se associar nestes grupos?

Adoção – Adote essa Idéia

Esse grupo se destina a todos os Pais e Grávidos de Coração!!!
“A adoção não é somente um assunto de coração ou generosidade. Põem em jogo relações psicológicas às vezes difíceis; exige superar batalhas administrativas, desconfianças do serviço de adoção e outros entraves reais no processo. Resume-se no manifesto de amor de uma mãe que supera todas essas barreiras. Voz de uma família inteira na busca do crescimento através da experiência do acolhimento.”
Livro: Eu não te amarei como aos outros
Autor: Françoise Champenois-Laroche
Editora: Sulina

Adoção tardia

Grupo de discussão sobre a adoção tardia (adoção de crianças maiores de três anos). Apesar de existirem mais pretendentes a pais por adoção do que crianças e adolescentes legalmente disponíveis, há uma incompatibilidade entre os desejos dos pretendentes e as necessidades das crianças maiores que não conseguem uma família para viver. Este grupo visa discutir os aspectos da adoção tardia e funcionar como um grupo de apoio para quem adotou ou pretende adotar uma criança com mais de três anos.

Adoção Tardia Mitos e Verdades

Esse grupo se destina somente a pais ou futuros pais para troca de experiências e informações sobre adoção em geral, mas principalmente sobre a Adoção Tardia.


Foto: Google Imagens

Psicologia e Adoção

Dia 21 de março de 2010 completamos 3 anos de existência e de amizade! Reunindo pessoas de todo o Brasil e outros Países, realizamos muitas coisas juntos nesses três anos, ajudando muitas famílias e crianças desampadas. Vitória de todos nós. E viva a luta pelas crianças abrigadas! Viva a luta pela adoção!
Moderadora: Cintia Liana

Adoção uma Emoção

Compartilhar emoções, experiencias, expectativas e sonhos com relação a adoção. Sejam todos bem vindos. Um cadastro deve ser preenchido previamente para que possa ingressar no grupo. Normas e regras de boa conduta devem ser seguidas no grupo.
Moderadora: Patrícia

Você adotou um filho, está pensando adotar ou foi adotado mesmo? Compartilhe a sua história embaixo

Por Graziana – Moderadora do Yahoo! Grupos
Fonte: http://www.ygroupsblogbr.com/


Obrigada, Graziana!

Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cintia Liana no Sigmund Freud Museum em Viena, Áustria

Foto: Cintia Liana em frente ao Sigmund Freud Museum em Viena, Áustria

Visitando Viena, Austria, esse fim de semana (dois dias) certamente um dos lugares planejados para conhecer era o Sigmund Freud Museum, lugar onde viveu, morou e trabalhou o grande pai da psicanálise.

Eu e meu namorado, que também é psicólogo, iniciando uma especialização em psicologia clínica em Roma, ficamos emocionados ao entrar no apartamento do pequeno edifícil onde, além do museu que guarda muitas recordações, como a sala de espera intacta do seu antigo consultório, tem uma biblioteca e um espaço para encontros e conferências.

O Museu fica na Rua Bergasse, 19, perto da praça que também ganha o nome do psicanalista mais conhecido do mundo, homem que enriqueceu a ciência médica e psicológica e revolucionou o estudo da mente humana.

Foi maravilhoso ver fotos antigas, cartas, os óculos que ele usava, um pouco da história da família, como das filhas Ana e Sofia, e passar pelas ruas onde ele também passava só imaginando como era a sua vida e o que pensava. Foi uma bela viagem dentro de outra viagem de Budapest (Hungria), onde estávamos, até Viena (Áustria) de trem. Dia seguinte mais um dia em Budapest e voltamos para a linda Itália.

Cintia Liana


Foto: Cintia Liana e seu namorado em frente ao Sigmund Freud Museum em Viena, Áustria


Foto: Cintia Liana em frente ao Sigmund Freud Museum em Viena, Áustria
Foto: Cintia Liana no Sigmund Freud Museum em Viena, Áustria, na sala de espera do antigo consultório de Freud

 Foto: Cintia Liana. Sigmund Freud Museum

Foto: Cintia Liana no Sigmund Freud Museum em Viena, Áustria


Por Cintia Liana

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma Linda História de Adoção Internacional

Foto: Cintia Liana com crianças que foram adotadas por um casal italiano.
Publicação da foto devidamente autorizada pelos pais. 

Por Cintia Liana Reis de Silva

Lembro de muitas histórias dentre as mais de 50 adoções internacionais que participei quando trabalhava no Brasil, quase todas com casais italianos, uma delas a de um menino de 8 anos quase 9, que estava para ser inserido em uma família brasiliera, mas sentíamos que os adotantes estavam muito receosos com a idade da criança ou quando manifestava um pouco de agressividade ou mal humor (coisas natutais de quem está se adaptando ou de qualquer outra pessoa) e, por isso, não se "entregavam" ao sentimento do menino, não aproveitavam os momentos, estavam sempre querendo analisar, controlar, estavam com muito desejo de serem pais, mas com muito medo, chegando a ameçar a criança de ser devolvida o que lhe trazia muita insegurança, por conta disso a criança foi retirada e o estágio de convivência (que precede a adoção) chegou ao fim. Foi muito sofrimento para todos, inclusive para o menino.

Ele foi indicado para adoção internacional, eu fiquei encarregada de fazer o acompanhamento psicológico dele e a preparação para a adoção internacional. Ele havia sofrido muito com a “quase adoção” que não foi finalizada, houve uma grande regressão em seu comportamento, estava muito triste, revoltado e chegava ao atendimento quase carregado, ao terminar a sessão no Juizado se recusava a andar e passava quase todo o atendimento embaixo de minha mesa, sem querer falar. No atendimento eu tentava motivá-lo a falar, a brincar com os brinquedos e depois de algum tempo comecei a falar sobre a possibilidade de um futuro diferente, com novos pais e um novo País, isso o interessou. Depois de alguns meses, com a chegada do casal, a criança ainda não havia progredido muito em seu estágio regressivo, ou seja, parecia ter menos idade que do que de fato tinha, mas de algum modo desejava a adoção, seu remédio seria a segurança e o amor incondicional dos novos pais.

Lembro que no início foi complicado porque a criança estava desconfiada se daria certo aquela nova tentativa de inserção em família substituta e continuei os atendimentos, desta vez com todo a família, avaliando todos os passos. Preparei bastante o casal para conseguir dar apoio ao menino, - nesses casos é o mais importante para o vínculo acontecer, os adotantes se fortalecerem e passarem força para a criança - este se mostrou muito receptivo e disposto a motivá-lo e a fortalecê-lo, sem pestanejar tiveram muita paciência e com 10 dias de estágio de convivência começamos a ver excelentes resultados, a criança começou a confiar nos adotantes e a lhes dar atenção de filho, então a criança os adotou.

Lembro que um dia ele apareceu para a sessão com os pais caminhando como um rapazinho, de óculos escuros, se sentou na cadeira na frente da minha e ainda cruzou as pernas como faz normalmente um adulto. Fiquei muito emocionada porque vi semanas antes um menino dilacerado pela dor da rejeição, por não entender as coisas, por não ser grande o suficiente para poder gerir sua própria vida e sim depender de todos os outros adultos para tomarem as decisões que julgavam ser as mais sábias e saudáveis para ele e semanas depois vi um pequeno rapaz caminhando de cabeça erguida, feliz, exibindo seus novos óculos escuros e dizendo que era meu namorado. Muito engraçado é passar de uma criança regredida, que se nega a andar à namorado de psicóloga de 30 anos na época, é uma grande escalada ou não é? Simbolicamente é claro, é uma grande transição num curtíssimo espaço de tempo e isso é o que o amor faz, faz o que muitos chamam de milagre.

Há pouco tempo recebi fotos dele na neve brincando com os pais, em outra foto estava feliz brincando com os primos.

Uma criança que não tinha chances de ser adotada no Brasil hoje vive como cidadão italiano de direito, com pais italianos amorosos e orgulhosos deste filho trazido de tão longe, o filho esperado e desejado por tanto tempo, que hoje cresce tranquilo, saudável e feliz na Itália.

Cintia Liana Reis de Silva
É Psicóloga formada em 2000 pela PUC-Campinas, é especialista em Psicologia Conjugal e Familiar pela Faculdade Ruy Barbosa, trabalha com adoção desde 2002, foi perita contratada do Tribunal de Justiça para uma Vara da Infância e Juventude do Brasil por 4 anos quando coordenou o serviço de psicologia, onde também trabalhou antes por 4 anos como voluntária e agora atua na Itália como coordenadora das adoções de criança brasileiras de uma entidade de adoção internacional, http://www.adozionisenzafrontiere.org. Seu blog é o www.psicologiaeadocao.blogspot.com e seu e-mail para contato é cintialrdesilva@yahoo.com.
Por Cintia Liana

domingo, 14 de novembro de 2010

Adoção Internacional, palavra de urgência para muitas crianças

Foto: Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

Para adotar no Brasil basta se dirigir a VIJ (Vara da Infância e Juventude) da cidade onde reside, não é necessário pagar nada e se pode escolher o perfil da criança que se deseja ter como filho, passar por todos os tramites legais para a habilitação e aguardar a indicação de uma criança. O lado negativo pode-se dizer que é a espera e não saber quanto tempo ela durará, o que causa muita ansiedade e medo por parte dos adotantes, pois não fazem idéia de quando receberão seus filhos e, posteriormente, quando terão a guarda definitiva destes.

Aqui na Itália somente casais podem adotar. Solteiros e homossexuais não podem adotar. O casal deve primeiro formular o pedido de habilitação à adoção perante a Autoridade Central em matéria de adoção internacional no país onde habita. Se considerados aptos a adotar a Autoridade Central emitirá um relatório que contenha informações sobre a identidade, a capacidade jurídica e adequação dos solicitantes para adotar, sua situação pessoal, familiar e médica, seu meio social, os motivos que os animam e sua aptidão para assumir uma adoção internacional, tudo isso de acordo com determina o ECA - Estatuto de Criança e do Adolescente e como também ocorre numa VIJ do Brasil com os brasileiros. Depois disso escolhe uma entidade que realiza adoções internacionais, entidade esta que mais se adequar ao seu desejo e que trabalhe com um perfil de criança dentro de suas expectativas. Aqui na Itália há mais de trinta delas.

A entidade em que eu trabalho (http://www.adozionisenzafrontiere.org/), por exemplo, tem autorização para atuar em todo o Brasil e Colômbia e para realizar este trabalho teve que se cadastrar na Presidência da República e seguir todas as exigências para atuar. Tudo acontece dentro de um procedimento legal e muito cuidadoso, para que se preserve 100% a segurança de todos, sobretudo das crianças.

O fato do Judiciário nunca ter realizado um concurso Público para profissionais de Psicologia, por exemplo, profissional tão necessário, mostra um pouco do tipo de mentalidade que ainda existente em sua filosofia. Não é a toa que ocorre algo de pior, não se dá mais prioridade a vida de seres tão inocentes, que dependem de outros seres humanos adultos com outras prioridades, para lhes dar o que é de mais primordial, o direito urgente de ter o amor de uma mãe e de um pai, o que lhe dará um lastro firme e o capacitará para uma vida emocional segura.

Já acompanhei centenas de casos de adoção, principalmente nacionais, quando trabalhava como psicóloga contratada numa Vara da Infância e Juventude no Brasil, onde o Juiz titular era muito atuante e preocupado com os menores. Ali também tive a oportunidade de acompanhar dezenas de adoções internacionais, a grandessíssima maioria de casais italianos, que adotavam crianças maiores de 9 anos. Posso dizer que a abertura para formar vínculos, o desejo de ter um filho e o desejo de ter pais, em se constituir a “família possível” muda destinos e une verdadeiramente pessoas que passam a se amar em menos de 1 mês de convivência, como se já se conhecessem de uma vida toda.

Nas adoções internacionais o casal conta com despesas com os profissionais da entidade, traduções de documentos e as despesas com a viagem, como passagens, hotel e honorários do advogado que está companhando o seu processo no País de origem da criança, dentre outras.

Os casais passam o tempo necessário para serem devidamente preparados, devem conhecer um pouco da língua e cultura do futuro filho e permanecem também esperando por uma criança e esse processo todo pode durar até mais de 4 anos. Quando enfim, a criança é indicada, viajam e passam mais ou menos 30 dias pelo período de convivência no País do adotando e mais 15 dias para a emissão da sentença e tramitação de papéis para voltar ao seu País de origem, mas esse prazo pode variar, depende do processo de vinculação da nova família e da deliberação do juiz responsável.

Nas adoções internacionais normalmente se adota a criança possível, a que lhe é oferecida, corriqueiramente crianças maiores de 8 anos, de etnia e língua diferentes da sua e, às vezes, grupos de irmãos, depende da entidade que se escolhe para mediar a adoção junto a uma das CEJA's no Brasil.

Após a adoção a entidade passa dois anos acompanhado a família obrigatoriamente e emite relatórios periódicos à CEJA que a acompanhou durante o processo de adoção. Às vezes acompanha a família até a adolescência do filho, pois os laços de amizades se estreitam.

O papel do psicólogo, no momento da adaptação, também é de extrema importância. Durante o período de convivência a nova família (adotantes e crianças) é acompanhada em alguns atendimentos psicológicos para se checar a adaptação de todos à nova realidade. Conversa-se com os adotantes, com a criança e se faz as devidas observações do vínculo que vai se estabelecendo. O psicólogo faz perguntas e os adotantes podem tirar dúvidas, é um momento de acolhimento de tudo o que diz respeito àquela nova realidade.

O momento da adaptação é fundamental para o sucesso do vínculo porque acontece a integração de elementos de sentido e de significação que caracteriza a organização subjetiva de um âmbito da experiência dos sujeitos, ação, construção, história, transações, trocas sociais e culturais como configurações subjetivas da personalidade. É um complexo de articulações e possibilidades contraditórias, processos de ruptura e renascimento, tudo deve ser visto com sensibilidade e não com um olhar determinista, universalista, as coisas acontecem e tudo é bem vindo para que a relação tome sua própria forma e não uma forma mágica aprendida em livros de contos de fadas.

Hoje temos uma fila imensa de casais estrangeiros querendo adotar crianças brasileiras, grandes, que consideram ser alegres e lindas. Aí vocês me perguntam, então porque existe uma fila de casais italianos esperando se temos crianças grandes crescendo em abrigos? Ótima pergunta! Simplesmente porque demoram muito para disponibilizá-las para adoção. Elas ainda não estão inscritas no cadastro de crianças disponíveis, não são destituídas e existe uma burocracia grande para que as disponibilizem. A verdade é que me parece que existem pessoas que ainda não exergaram a existência dessas crianças que estão sofrendo. Devemos nos colocar no lugar da criança abrigada que sofre com a falta do amor de uma figura parental que lhe dê cuidados individualizados. Devemos conhecer a subjetividades dos estragos que essa falta acarreta, a dor, o desespero do desamparo, do vazio, do medo de ficar sozinho e de não sentir o calor de uma mãe ou um pai.

Como cidadã brasileira, psicóloga da área de família e adoção e pessoa preocupada com nossas crianças, a única coisa que acredito ser necessário é mais responsabilidade, empenho e agilidade com a causa da criança abandonada. Se no Brasil todos trabalhassem com empenho, vendo o rosto de seus filhos nos rostos das crianças institucionalizadas com certeza teríamos abrigos quase vazios e teríamos que fazer mais campanhas para a adoção de adolescentes e de crianças com deficiência mental e física. Muita gente trabalha com amor à causa, conheço gente envolvida 100%, profissionais, pais e mães adotivos, mas precisamos do empenho real de todos os envolvidos, até daquele que dá o processo para o Juiz assinar. São vidas esperando, temos que desenvolver esta consciência para que as coisas aconteçam.

Aconselho que os adotantes procurem se informar sobre seus direitos e os direitos da criança, conheçam o ECA, estudem, busquem na internet informações, conversem com um advogado e não tenham, em hipótese alguma, receio de procurar auxílio psicológico nessas horas, o que pode ser uma experiência maravilhosa em todos os sentidos para toda a vida.

É preciso que a sociedade civil se una e trabalhe em conjunto temas importantes e realize iniciativas que desmistifiquem os preconceitos que ainda insistem em fazer parte do discurso e da mentalidade das pessoas na hora de adotar. É um tema que envolve muitos mitos não só imaginados pelos adotantes, mas também pela família extensa, amigos e companhias que estão em volta daqueles que desejam adotar e que muitas vezes dão conselhos respaldados numa mentalidade baseada nos dogmas ocidentais, numa visão reducionista e determinista do ser humano.

Precisamos investir na ciência, pesquisa, cultura e informação, assim como fortalecer a “cultura da adoção”, usar mais a mídia para fazer o bem e unir os seres humanos em seu próprio benefício, pois as pessoas ainda estão alienadas aos processos sociais, econômicos, culturais, políticos e ideológicos. As pessoas insistem em encaixar as relações numa visão monolítica, elementar, cartesiana, construto-individualista, onde a irregularidade e o singular são marginalizados. Ou seja, o pensamento científico tem sido dominado pelo paradigma da simplicidade. Como diz o sábio Morin (2000), ainda estamos na pré-história da mente humana e, para ele, essa é uma perspectiva muito otimista.

Em relação à nova lei, sobre o tempo máximo de 2 anos no abrigo, afirmo que é uma eternidade para uma criança, sem o amor e o amparo de uma família com quem possa contar. Não tem pessoal suficiente? Contratem! A burocracia é grande? Renovem as leis! Queremos ver todas as crianças felizes no seio de uma família responsável e amorosa, é isso o que importa, o resto temos que conseguir agora, pois elas não podem esperar mais.


Cintia Liana Reis de Silva
É Psicóloga formada em 2000 pela PUC-Campinas, é especialista em Psicologia Conjugal e Familiar pela Faculdade Ruy Barbosa, trabalha com adoção desde 2002, foi perita contratada do Tribunal de Justiça para uma Vara da Infância e Juventude do Brasil por 4 anos, onde também trabalhou antes por 4 anos como voluntária  e agora atua na Itália como colaboradora de uma entidade de adoção internacional, http://www.adozionisenzafrontiere.org/. Seu blog é o http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com/ e seu e-mail para contato é cintialrdesilva@yahoo.com.


Por Cintia Liana

sábado, 13 de novembro de 2010

Momento de Verdade

Foto: Google Imagens

Por Priscila Gorzoni
Fonte: Revista Baby & Cia, ed. 20.

Existem questões que sempre deixam os pais inseguros, uma delas é sobre a hora de contar ao filho que ele é adotado. Nesse instante, é preciso estar atento à idade da criança e à maneira de comunicar o fato. O momento ideal para explicar com mais detalhes é quando a criança pergunta e já tem condições de entender melhor. "À medida que ela vai crescendo, faz-se necessário que tenha a resposta à altura de sua pergunta. Algumas vezes, quando mais velha, pode ser que ela queira, inclusive, conhecer a mãe biológica. É importante não impedir, pois ela carrega uma fantasia que precisa ser desvendada, revelada e discernida com muito diálogo e sabedoria. Para isso, deve-se ir ao fórum em que aconteceu a adoção com o número do processo e marcar uma conversa com a assistente social e a psicóloga", exemplifica Rose Santiago, diretora do Centro de Reestruturação para a Vida (CERVI), que trabalhou seis anos com adoção internacional.

Portanto, cada situação irá pedir um determinado comportamento dos pais. Se a criança for adotada, ainda bebê ou muito pequena, os pais devem sempre comentar que ela é filha do "coração" e que foi "escolhida" por eles. "Isso fará com que a criança ‘compreenda' a sua situação, e um canal aberto seja feito para a explicação da adoção", aconselha Lúcia Londres, psicóloga com formação em Psicodrama.

Com relação ao tempo certo de comunicar a adoção, tenha em mente que ele acontecerá quando a criança demonstrar interesse de saber. Segundo a psicóloga, o tema deve ser tratado o mais natural e afetuosamente possível. "Afinal, hoje em dia, a adoção é um assunto amplamente divulgado e estimulado."

Esconder é pior

Muitas vezes, os pais se sentem incomodados de tocar no assunto. Não sabem quando dizer e nem como fazer isso. Nesse momento, é aconselhável procurar uma ajuda especializada que facilitará o esclarecimento e saberá como conduzir o caso. Se a criança for adotada, a verdade sempre deve ser dita, em qualquer idade e a qualquer momento. "O que deve ser visto e cuidado é a forma de falar, levando-se em conta a idade da criança e seu entendimento. Deve-se sempre deixar claro à criança que ela pode e deve perguntar tudo para não ocasionar desconfianças na relação", explica Lúcia.

Em muitos casos, esconder o fato pode resultar em problemas futuros. "Conheci um casal que tentou esconder a adoção. Quando adolescente, o filho descobriu em uma briga na escola. A revolta chegou a um extremo tão grande que ele passou a agredir os professores e a tentar matar a mãe, e ter de ir a uma casa de recuperação. Lá, ele tornou-se dependente de drogas, e a adoção teve de ser cancelada, pois a família toda foi colocada em risco", esclarece Santiago.

Quando atuou por seis anos com adoção internacional, a diretora se deparou com várias dificuldades, começando pelas leis. Entretanto, nem mesmo a diferença da língua foi obstáculo para que a adoção não desse certo. "O esforço, a determinação e a garra dos pais adotivos fizeram com que a adoção se tornasse mais do que um sonho realizado - foi a certeza de algo concreto. Em contrapartida, a vontade da criança de ter pais que a amassem e as necessidades de ser aceita e pertencer a alguém fizeram com que ela ‘apostasse' na confiança", conta Santiago. Mais uma vez, comprova-se que o importante é a relação de afeto e confiança entre pais e filhos. Isso determinará que qualquer situação seja resolvida sem maiores conflitos e danos.

Dicas para uma boa relação entre pais e filhos adotados:

As consultoras Cláudia Razuk, pedagoga e coordenadora do Colégio Itatiaia, e Antoniele Fagundes, consultora familiar e idealizadora da empresa Babá Ideal, dão as dicas abaixo:

- Quanto mais cedo dizer que a criança é adotada, melhor, pois, ao demorar muito para saber a verdade, a criança pode se sentir enganada.

- Essa comunicação deve ser feita adequando as explicações à idade da criança e utilizando termos que ela entenda. Crianças bem pequenas (de 3 anos) costumam aceitar muito bem a informação, até mesmo, de maneira bem simples. Conforme forem assimilando a informação, com certeza, elas voltarão com outros questionamentos que deverão sempre ser respondidos com honestidade e naturalidade.

- O maior erro é os pais tratarem o assunto como se fosse um problema que, na realidade, não é. O comportamento da criança vai refletir no dos adultos.

- O momento ideal é sempre o mais cedo possível e quando a criança demonstrar curiosidade nas ocasiões em que ela começar a perguntar como nasceu. Desde o primeiro momento, é importante falar a verdade, sempre com naturalidade.

- A criança sempre tem o direito de saber a verdade sobre sua origem. Se os pais acharem que eles próprios não estão prontos para lidar com essa verdade, devem procurar ajuda o mais rápido possível para se prepararem para essa situação. Quanto menor a criança for ao saber a verdade, mais fácil será para ela entender. O importante é os pais deixarem sempre claro o quanto a amam e como essa opção foi importante para a felicidade de todos.

- O certo é conversar desde o começo. A sinceridade deve estar presente em todas as relações, principalmente nas familiares. O que deve mudar é a forma da abordagem, ou seja, como conversar. Exemplo: quando o filho é adotado ainda bebê, deve-se proceder exatamente da mesma forma, mas explicar cuidadosamente, de uma forma que a criança entenda aos poucos.



Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

II Encontro Estadual de Adoção da OAB Capital

Foto: Google Imagens

Informando...

Evento da OAB
Data / Horário: 27 de novembro (sábado) – 8h30 às 17h15
Local: Auditório da FMU - Av. Liberdade, 749 – 5° andar

O público alvo será o seguinte:
Advogados, membros da Magistratura e do Ministério Público Estadual, Defensores Públicos, Equipes interprofissionais judiciárias, Conselheiros de Direito (CT/CMDCA), Assistentes Sociais, Psicólogos, Estudantes das áreas do Direito, Serviço Social e Psicologia, Técnicos de Instituições de Acolhimento


CREDENCIAMENTO – 8h30

ABERTURA – 9 horas
Dr. Eli Alves da Silva
Advogado; Conselheiro Secional e Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP.
Dr. Antonio Carlos Berlini
Advogado e Presidente da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP.
Dr. Paulo Hamilton Siqueira Júnior
Advogado e Professor-Coordenador do Curso de Direito da FMU.

XXX

1º PAINEL – 9h30
AS ETAPAS DO PROCESSO DE HABILITAÇÃO PARA ADOÇÃO E OS ASPECTOS LEGAIS E PRÁTICOS DO PROCESSO DE ADOÇÃO
Presidente de Mesa
Dr. Eli Alves da Silva
Expositora
Dra. Eunice Ferreira Granato
Advogada e Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP.
Expositora
Dra. Nádia Aparecida Silva Cavalcante Ranieri
Advogada; Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP; Representante do Organismo Francês de Adoção Internacional "L´Adoption Des Tout-Petits"; Mãe por adoção.

XXX

2º PAINEL – 10h45
LEGITIMIDADE DA AÇÃO NOS PROCESSOS DE DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR
Presidente de Mesa
Dr. Osvaldo Arvate Júnior
Advogado e Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP.
Expositor
Dr. Francismar Lamenza
Promotor de Justiça da Infância e da Juventude do Foro Regional da Lapa; Mestre e Doutor em Direito Civil pela Faculdade de Direito da USP.

XXX

INTERVALO – 12 horas às 13h30

XXX

3º PAINEL – 13h30
AUDIÊNCIAS CONCENTRADAS: UMA AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS
Presidente de Mesa
Dr. Pedro Carvalhães Cherto
Advogado e Vice-Presidente da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP.
Expositor
Dr. Eduardo Rezende de Melo
Juiz da Infância e da Juventude da Comarca de São Caetano e Membro da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJSP.
Expositor
Nelson Aldá Filho
Coordenador do Abrigo Santa Terezinha e Membro Consultor da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP.

XXX

4º PAINEL – 14h45
ADOÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS
Presidente de Mesa
Dra. Mônica Cristina A. L. Molica Silva
Advogada; Membro do Grupo de Apoio à Adoção de Sorocaba – GAASO; Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP.
Expositor
Dr. Claudio Barsanti
Advogado; Médico responsável pela UTI Pediátrica do Hospital Santa Marcelina; Mestre em Pediatria pelo Departamento de Infectologia Pediátrica da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP; Presidente do Departamento de Defesa Profissional da Sociedade de Pediatria de São Paulo; Membro Efetivo da Comissão de Defesa do Doente Mental e da Pessoa Idosa da OAB SP.

Depoimentos de adotantes de crianças com deficiências.

XXX

5º PAINEL – 16 horas
ADOÇÃO INTERNACIONAL: AINDA É NECESSÁRIA NO BRASIL?
Presidente de Mesa
Dra. Cássia Patrícia Garcia de Toledo
Advogada; Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP; Orientadora da Casa de Acolhida à Mãe Solteira.
Expositor
Dr. Antonio Carlos Berlini
Expositora
Dra. Andrea Verotti
Advogada; Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP; Representante Nacional da "Associação I Cinque Pani".

ENCERRAMENTO – 17 horas

Informações / Inscrições
Mediante a doação de uma lata ou pacote de leite integral em pó – 400g, no ato da inscrição.
Praça da Sé, 385 – Térreo – Atendimento ou pelo site: http://www.oabsp.org.br/

Promoção
Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB SP

Apoio
Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP
Diretor: Dr. Umberto Luiz Borges D’Urso

***Serão conferidos certificados de participação - retirar em até 90 dias***
*** Vagas limitadas***

Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso
Presidente da OAB SP

Inscrições:


Postado Por Cintia Liana

Os Filhos Querem um Tempo

Foto: Google Imagens

Por Moisés Silva Campos
22/10/2010 - 15:34

No livro "Você Dona do seu tempo", dediquei um capítulo para uma reclamação constante que ouvi nas entrevistas: falta tempo para aproveitar os filhos. Obviamente o problema não é exclusivamente feminino, e a culpa quando deixamos nossas crianças de lado são muito dolorosas.

Muitos especialistas em administração do tempo acreditam na máxima: “melhor qualidade do que quantidade”. Essa frase pode até ser válida em algumas circunstâncias, mas não podemos utilizá-las quando o assunto são seus filhos. Fale para uma mãe que acabou de terminar a licença maternidade que ela não precisa ter mais tempo para estar com seu bebezinho, mas sim qualidade. Com certeza ela não irá gostar dessa ideia.

Minha abordagem para pais que não têm tempo para seus filhos é “periodicidade”, isso significa constantemente reservar um tempo para momentos de qualidade, independente da quantidade. Essa abordagem dá para seus filhos e para você a sensação de presença, e eles sentirão que você dá importância para eles.

Algumas atitudes podem ser tomadas para que os afazeres do trabalho ou a preocupação com as contas e a manutenção da casa não atrapalhe o momento reservado para o seu pequeno. Procure:

• Estipular horários: crie uma regrinha mentalmente do horário que deixará disponível só para seu filho, como por exemplo, ficar 20 minutos depois do jantar com eles, isso significa desligar a TV, tirar as preocupações da cabeça e focar em ouvir, brincar, ler, desenhar, ajudar na lição de casa;

• Descubra algo em comum: o que você mais gosta de fazer com as crianças? Pense na atividade que todos se sentem realizados em participar, isso tornará esse tempo ainda mais agradável. Não deixe também de ter curiosidade com os gosto e desejos dos seus filhos, isso o tornará mais próximo dele e você sempre será avisado das decisões do pequeno;

• No decorrer da semana: busque dedicar os finais de semana com mais intensidade para seus filhos. Durante a semana, entre o seu trabalho e as tarefas escolares das crianças, aproveite pequenos momentos para estarem juntos. Pode ser na hora de fazer o almoço, por exemplo. Todos podem ajudar com pequenas tarefas, um arruma a mesa, o outro prepara o suco, e assim, todos estarão fazendo uma atividade em conjunto!

• Férias só em família: tem melhor época para aproveitar as crianças, conhecer mais os anseios de cada um e se divertir do que as férias escolares? Então se programe também no trabalho para tirar o período de descanso no mesmo tempo do recesso escolar. É comum haver um acúmulo de solicitação de férias nos meses de dezembro e janeiro, pois todos querem aproveitar as festas. Mas lembre-se que temos também julho, que pode ser um mês mais tranquilo para viajar e estar com sua família.

Separe sempre um tempo na sua agenda para estar com seus filhos. As atividades que você desenvolve com a sua família lhe trazem de volta a energia necessária para conduzir as atividades profissionais. Não espere que seja tarde demais para conhecer o seu bem mais precioso, você pode não conseguir fechar o buraco que se formou entre você e seus filhos!

*Christian Barbosa é cientista de computação e o maior especialista no Brasil em administração de tempo e produtividade. Abriu sua primeira empresa aos 15 anos e foi um dos profissionais mais jovens do mundo a receber o certificado da Microsoft. Fundador da Triad Consulting, empresa multinacional especializada em programas e consultoria na área de produtividade, colaboração e administração do tempo, Christian dá treinamento e palestras para as maiores empresas do país e da Fortune 100, e é autor dos livros A Tríade do Tempo e Você, Dona do Seu Tempo, Estou em reunião e Mais tempo mais dinheiro.

Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Psicologia e Adoção faz um ano e atinge a marca de 30.000 visitas

Foto: Carrie Badshaw. Google Imagens

No dia 06 de novembro este blog completou 1 ano e hoje, dia 11, atinge a marca de 30.000 visitas.
Mais uma vez obrigada pelas visitas, pelos comentários e carinho de todos. Esse blog me traz muitas alegrias.
Sei que com paciência, determinação, dedicação, amor e perseverança mudaremos muitas coisas ainda!


Por Cintia Liana

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Valor da Vida

Foto: Google Images

Juízos, juízos de valor sobre a vida, a favor ou contra, nunca podem ser, em última instância, verdadeiros: não possuem outro valor senão o de sintomas – em si, tais, juízos são imbecilidades. É, pois, necessário estender os dedos para tentar apreender essa fineza extraordinária que reside no fato de que o valor da vida não pode ser avaliado. Não por um vivente, pois ele é parte, e até mesmo objeto de litígio; não por um morto, por uma outra razão. Da parte do filósofo, ver no valor da vida um problema significa uma dúvida contra ele, um ponto de interrogação em relação à sua sabedoria, uma falta de sabedoria.
Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

O valor de uma criança, do seu nascimento ou de sua existência, mesmo que sofrida, nunca deveriam ser contestados, caso contrário é uma grande ignorância e falta de sensibilidade.
Toda criança merece crescer em família, mesmo vindo de uma que não pôde amá-la. Merece ter, não importa sua idade, amor, amparo e descobrir o seu valor enquanto ser humano. Se teve amor, limites e uma boa educação, saberá dar amor ao mundo. Se ainda não pôde tê-los, que lutemos por elas!
Cintia Liana


"Ser profundamente amado por alguém nos dá força, amar alguém profundamente nos dá coragem."
Lao-Tse 

 
Postado Por Cintia Liana