"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

8 coisas que pais adotivos jamais devem fazer

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Por Ann Brenoff
Publicado me 14.11.14 pelo Brasil Post

Sou mãe de duas crianças incríveis nascidas na China. Adotamos Sophie quando ela tinha 5 anos - agora ela tem 17. Simon tinha 4 quando o adotamos; hoje ele está com 14. Baseada na minha experiência, eis oito coisas que pais adotivos jamais devem fazer.
1. Contar a história do seu filho para todo mundo.
As circunstâncias que levaram seu filho a ser adotado são parte da história dele. A história não é sua e, portanto, você nada mais é que a fofoqueira da cidade se sair falando do assunto para qualquer um que perguntar. Vivemos em uma cultura que incentiva o compartilhamento, mas não é da conta de ninguém se a mãe de sua filha era uma adolescente de 16 anos que largou o bebê num restaurante de hotel frequentado por americanos para que ele fosse encontrado e levado para os Estados Unidos.

Assumo a culpa por ter falado demais. Uma das coisas que compartilhei além da conta foi a história dos meus filhos. O fiz com a mais nobre das intenções: passei anos desfilando meus filhos com a esperança de que outras pessoas também adotassem. Estava errada, por mais honrada que fosse minha missão. Me emendei. Hoje em dia, você pode conhecer meus filhos, ver o quão incríveis eles são. Mas, se eu sentir curiosidade da sua parte, corto logo de cara. Vou me gabar das conquistas deles. Mas as histórias? São deles, e confio no julgamento dos meus filhos para decidir se elas serão compartilhadas, e com quem.
2. Negar que você é egoísta ou fingir ser abnegada.
Odeio pessoas que dizem "Deus abençoe" para mim quando veem nossa família. O que elas querem dizer, na realidade, é que eu devo ser alguma alma bondosa que resgatou esses dois pobres órfãos. Esse tipo de pensamento é ofensivo - e completamente equivocado.

Para começar, adotei meus filhos porque queria uma família, e a adoção internacional era a única alternativa possível para mim. Não foi um ato de abnegação que me levou a ser mãe; te garanto que agi somente em interesse próprio. Em segundo lugar, não resgatei ninguém. Na verdade, como dizem muitas mães adotivas, nós é que fomos salvas, não o contrário.
3. Agir como se eles não tivessem tido pais antes de você.
Meus filhos nasceram de outras pessoas. É natural que eles queiram saber quem são seus pais naturais, onde eles moram, porque decidiram doá-los. É um buraco negro no coração de toda criança adotada que precisa ser preenchido com a luz do sol. Não sinto inveja nem raiva quando minha filha acende uma vela no bolo de aniversário para lembrar da mãe biológica. Não enlouqueço quando ela escreve um bilhete para a mãe e o guarda numa caixa secreta. Digo para meus dois filhos o que eu realmente sei sobre suas famílias, o que não é muito, infelizmente. Não especulo nem conto mentiras só para que eles se sintam melhor. E, se meus filhos decidirem se juntar aos milhares de outros chineses adotados que estão começando a buscar suas famílias biológicas, darei todo apoio.

Sou plenamente ciente de que, para que eu tivesse a minha família, duas mulheres do outro lado do mundo sofreram uma perda terrível. Não consigo imaginar a dor delas. Não sei o que lhes diria. Mas não vou ignorar sua existência.
4. Esperar gratidão ou apreciação por tê-los adotado.
Você pode esperar que uma criança adotada aprecie tudo o que você faz por ela, incluindo o rodízio para levá-la à escola e as incontáveis apresentações de dança que você teve de aturar - e o mesmo vale para um filho biológico. Mas você não pode nem deve esperar que eles sintam gratidão por terem sido adotados. Eles foram uma parte da transação sem direito a voz. Foram os bens negociados. Nunca puderam dar opinião sobre o que estava acontecendo com eles ou sobre o que seria seu futuro.

Sei que minhas crianças se perguntam como teriam sido suas vidas se elas não tivessem sido adotadas. Eu também penso nisso. De maneira geral, sei que eles estariam bem, pois ambos são sobreviventes. A adoção, para eles, foi uma troca. Ter a oportunidade de ter uma família significou abrir mão da cultura, da língua e de tudo o que era familiar para eles - comida, rostos, amigos --, literalmente da noite para o dia. A gratidão é uma faca de dois gumes.
5. Dizer que você "nasceu" para ser pai ou mãe de seu filho adotivo.
Muitos pais e mães adotivos procuram ligações com a criança que adotaram. Entendo essa necessidade. O que não entendo é o desprezo pelos pais biológicos das crianças. Se você "nasceu" para ser mãe da criança, porque outra mulher a deu à luz? Será que foi um plano perverso de Deus causar sofrimento a uma mulher da Guatemala, da Coreia ou do Kansas só para que você pudesse ser feliz?

Acredito que há maneiras de demonstrar o quanto amamos nossos filhos. Digo aos meus o tempo todo que eles são a luz da minha vida, que sou honrada de ser mãe deles, que os amo mais do que minha própria vida. Mas passo longe do sobrenatural ou da intervenção divina. O que nos uniu foi um burocrata chinês casando dossiês de pais com papeis de órfãos. Nada mágico.
6. Tratar mal os idiotas.
Tenho pavio curto e, como escritora, disponho de um enorme arsenal de palavras. É sempre tentador ser grossa com os idiotas que fazem perguntas pessoais sobre seus filhos. Mas, antes de adverti-lo a não fazer esse tipo de coisa, permita-me pedir desculpas à mulher no supermercado que, em 2004, viu minha filha chinesa sentada no meu carrinho e me perguntou se o pai dela era asiático. Minha resposta: "Não sei, não reparei direito na cara dele, se é que você me entende (piscadinha)". Bom, é claro que ela saiu andando.

Me arrependo de ter me comportado assim. Me arrependo por uma única razão: milha filha viu tudo. Apesar de ela não ter entendido o sarcasmo, ela pegou o tom. A vida é curta demais para responder a idiotas.
Quem adota crianças que não se parecem consigo sempre vão ouvir perguntas. Algumas são difíceis de engolir. "Quanto ele custou?" "Por que você não adotou uma criança americana?" "Ela fala asiático?" (Por onde começar a responder uma dessas?)
Você não deve explicações a ninguém. Aprendi a lição e a ensinei aos meus filhos: a história é deles. Eles podem falar o quanto quiserem, mas não têm obrigação de responder para ninguém, mesmo que seja um adulto ou um professor quem estiver perguntando. Sim, professores são os piores na hora de invadir privacidade.
Meus filhos e eu agora respondemos as perguntas com outras perguntas. "Por que você quer saber?" geralmente serve para acabar com a conversa. Ou então explicamos que não queremos falar do assunto. "Considero sua pergunta muito pessoal." Dá vontade de gravar a reação de um adulto quando ele ouve isso de uma criança de cinco anos. É muito engraçado.
Mas a regra de não ser grossa com idiotas tem uma exceção. Essa não pode passar em branco: "Por que você não adotou uma criança americana? Muitas crianças americanas precisam de uma casa".
É uma pergunta que costuma ser feita por ignorantes. Crianças americanas são adotadas o tempo todo logo depois do nascimento. Crianças americanas mais velhas às vezes entram no sistema de assistência social - um processo considerado frustrante por muitas famílias que querem adotar. Mas, mais importante, a pessoa que fez a pergunta não tem nenhum interesse em informações sobre adoção e provavelmente está só acenando com uma bandeira patriótica na sua cara.
7. Pensar em seu filho como um filho adotivo.
Ele é seu filho. Ponto. Toda criança, não importa de onde tenha vindo, é parte da sua família. Filhos adotivos não deveriam ter esse adjetivo. Alguns podem ter problemas ligados ao fato de que foram adotados, mas a maioria, não. É melhor para todo mundo se você parar de achar que qualquer problema de desenvolvimento tem a ver com a adoção. Crianças hiperativas, adolescentes rebeldes, filhos com dificuldades para ler - nem tudo está relacionado à adoção e tudo vai ficar mais fácil se você aceitar isso.

8. Achar que dá para devolver um filho adotado.
Criar filhos - biológicos ou adotados - é o trabalho mais difícil da sua vida. Quando você dá à luz seu filho, a ideia é que você vai amá-lo e lidar com qualquer problema de saúde ou de desenvolvimento que ele venha a ter.

A ideia deveria ser a mesma nas famílias que adotam. Mas existem uma coisa chamada ruptura na adoção que me deixa nauseada. É quando uma família adota uma criança mas não dá conta dela - e aí tenta encontrar caminhos (geralmente online) para passá-la para outra família.
A Reuters publicou uma reportagem a respeito um ano atrás. Muito do problema está relacionado à falta de apoio para as famílias, que claramente não estão preparadas para as crianças. Também culpo as agências de adoção por não fazerem uma seleção mais rigorosa dos que se candidatam a adotar.
Mas o que me aterroriza é a ideia de que pais anunciem seus filhos indesejados na internet e driblem o governo para passá-los para outras famílias. Que tipo de dano acontece quando uma criança passa de casa em casa?
A adoção é só um meio para trazer uma criança para sua família. Não conheço classificados online para crianças biológicas, então como é possível que eles existam para crianças adotadas?
Muitas partes do processo de adoção não se parecem em nada com dar à luz uma criança. Mas uma coisa deveria ser idêntica: nossos filhos são nossos filhos para sempre.
Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.
Fonte: http://www.brasilpost.com.br/ann-brenoff/8-coisas-que-pais-adotivo-jamais-devem-fazer_b_6152252.html?utm_hp_ref=brasil-familia

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cintia Liana na matéria do Correio Braziliense sobre Adoção Internacional


Matéria sobre adoção internacional do Correio Braziliense
Cintia Liana
 
Uma das respostas da psicóloga de Cintia Liana ao Correio Braziliense
 
Correio Braziliense - As crianças que partem para outros países costumam passar por processos de adaptação mais complicados? Qual é a maior barreira?
 
Cintia Liana - Nem todas as crianças passam por uma adaptação complicada outras sim, isso vai depender do seu histórico e principalmente de como ela lida com esse histórico. Depende também da preparação que tiveram os pais adotivos, pois eles precisam passar plena segurança à criança.
Ela precisa se sentir aceita em todas as suas particularidades. As entidade acompanham as famílias durante 2 anos após a adoção, não só avaliando semestralmente para informar ao País de origem do menor, mas também dando apoio e propiciando um ambiente de reunião e confraternização de todas as famílias que passaram pelo mesmo processo e crianças que vieram da mesma nação.
A maio barreira, ao meu ver, é o preconceito que podem enfrentar essas crianças em seu grupo escolar, isso pode dificultar tudo. Ainda existe preconceito aqui na Itália, como em todos os outros Países, em achar que família adotiva é família de segunda ordem e que filho adotivo é sempre problemático porque é “diferente”. Se é diferente fisicamente pode ser ainda mais complicado, mas como falei isso vai depender da segurança dos pais e do menor.
Nós temos que enfrentar os preconceitos e educar as pessoas, o que não se pode é aceitar os preconceitos e deixar de fazer adoções, toda família é construída pelos laços de amor.
 
Vejo em todos os lugares aqui pais brancos italianos com filhos negros, por exemplo, e sei que foram adotados, fico feliz em ver que as adoções são reais, além da entidade em que trabalho, e fazem parte do nosso cotidiano.

Outras respostas da entrevista na íntegra:
 
Correio Braziliense - O processo de adoção é complexo para qualquer criança. No caso de uma adoção internacional, é necessário tomar cuidados adicionais na condução desse processo?
Cintia Liana - É sempre importante tomar muitos cuidados em qualquer adoção, mas do ponto de vista psicológico é importante observar aspectos relevantes que permeiam o mundo da adoção internacional, como a nova língua, o novo País, a culinária, a cultura do futuros pais, o novo clima, entre outras coisas e a falta que farão alguns aspectos da realidade brasileira, nação de origem do adotando.
As crianças e os casais precisam de tempo e de paciência para estabelecer uma comunicação já que a língua não é a mesma, mas no final das contas a linguagem do amor é universal e tudo corre de maneira tranquila.
Correio Braziliense - A Comissão Distrital Judiciária de Adoção do Tribunal de Justiça do DF desenvolve um projeto chamado "Era uma Vez, o re-contar de uma história", com o objetivo de tornar menos traumático o processo de adoção de crianças e adolescentes por famílias estrangeiras. Desde 2012, eles produzem livros narrativos da história de vida dessas crianças, como forma de prepará-las para viverem com as novas famílias. Elas levam os livros para as novas casas. Iniciativas como essas são importantes?
Cintia Liana - São importantíssimas, as crianças precisam entender melhor a realidade que as espera para se sentirem mais seguras e confiantes, sobretudo seguras de que existe um casal que as espera e que deseja se tornarem seus pais. Nós da Senza Frontiere realizamos adoções em Brasília e pude acompanhar alguns processo de nossos casais aí. A equipe é muito séria, sensível e preocupada em preparar bem as crianças e dar todo o suporte psicológico durante o processo de adoção.
 
Correio Braziliense - O fato de a maioria das crianças adotadas por casais estrangeiros não ser bem pequena requer alguma outra estratégia?
Cintia Liana - Se a criança é bem preparada e deseja ser adotada não muito, requer tempo para que a criança entenda o seu processo emocional, se adapte, que se sinta respeitada e que confie nos novos pais. As maiores precisam de mais tempo em geral, precisam se sentir seguras de que podem falar aquilo que sentem sem serem criticadas ou julgadas, precisam de diálogo, sem sentirem aceitas e amadas para aprender a aceitar e amar.
Ao meu ver é também importante a criança se sentir a vontade para voltar ao Brasil, ter contato com pessoas da mesma nacionalidade, não romper esse elo tão importante.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Adoção internacional garante família a crianças brasileiras

Google Imagens

     Adoção internacional tem garantido o direito à convivência familiar a crianças brasileiras acima de 3 anos de idade e com irmãos
    
    Fonte | TJDFT - Quinta Feira, 16 de Fevereiro de 2012

    Diante da realidade do cadastro de adoção no Distrito Federal, em que 98% dos habilitados querem acolher apenas uma criança de 0 a 3 anos, a adoção internacional tem garantido o direito à convivência familiar a crianças brasileiras acima dessa faixa etária e com irmãos.

Foi por meio dessa possibilidade legal que três irmãos foram adotados recentemente por dois casais italianos, após trabalho realizado pela Comissão Distrital Judiciária de Adoção (CDJA), responsável pelas adoções internacionais no DF.


     Os irmãos - uma menina de 11 anos e dois meninos, um de 5 e um de 9 anos - ficaram na instituição de acolhimento por quase 4 anos. Uma das famílias da Itália ficará com a criança de 9 anos; a outra, com a menina e o irmão mais novo.

Segundo a secretária executiva da CDJA, Thaís Botelho Corrêa, a adoção por dois casais só foi possível por causa do compromisso obrigatório das famílias em manter o vínculo entre os irmãos. "A prerrogativa para a adoção é não separar os irmãos", explica.

Os adotantes assinaram termo de compromisso para garantir o contato frequente entre os irmãos. O cumprimento do acordo será acompanhado pela Senza Frontiere Onlus, organismo internacional da Itália credenciado no Brasil para atuar nas adoções.

Nos primeiros dois meses no novo país, as crianças vão se encontrar todo fim de semana. De acordo com a CDJA, a orientação é para não prejudicar o convívio entre os irmãos. "As famílias são sensibilizadas para isso; é algo maior que a própria lei", afirma Thaís Botelho.

O processo de adoção exige muito empenho dos envolvidos para se vencer as dificuldades. Quando se trata de adoção internacional, ainda há a questão da diferença de idioma e de cultura. As crianças e as famílias têm de ser bem preparadas para as mudanças.

A secretária executiva da CDJA conta que, nessa última adoção, o mais difícil foi a menina aceitar a desvinculação de sua família natural. Ela exercia o papel de mãe dos irmãos e tinha forte vínculo com os pais. "Agora, poderá voltar a ser criança e filha", ressalta Thaís.

Thaís Botelho diz que o nível de desesperança dos meninos e meninas que vivem nas instituições é grande. Por isso, concretizar uma adoção é uma felicidade. "A gente vive a alegria das crianças", compartilha Thaís, ao dizer que valeu a pena todo o trabalho.

Números

Em 2010, foram efetivadas duas adoções internacionais de crianças no Distrito Federal. Em 2011, foram iniciados sete casos. Em 2012, já foi concretizada a adoção de três crianças por casais estrangeiros.

Cadastro



   Atualmente no Distrito Federal, há 64 crianças e 83 adolescentes cadastrados para adoção - sendo que 59% fazem parte de grupos de irmãos - e 407 famílias habilitadas.
    

    ************


 
     Bons resultados de uma trabalho feito com amor!

    
       Postado Por Cintia Liana

sábado, 28 de janeiro de 2012

Adozioni: nel 2011 calo bimbi da estero/Adoções: em 2011 diminue número de crianças do exterior

ANSA.IT

Da 57 paesi, 3154 le coppie coinvilte. Rapporto commissione.
27 gennaio, 20:36

(ANSA) - ROMA, 27 GEN - Nel 2011 sono stati adottati in Italia 4.022 bambini stranieri (-2,6% rispetto al 2010): 57 i paesi di provenienza, 3.154 le coppie coinvolte. Sono i dati del rapporto della Commissione per le adozioni internazionali (Cai). La Federazione Russa, con 781 minori, e' il paese da cui provengono piu' adottati;segue Colombia (554), Brasile (304), Ucraina (297) Etiopia (296). La Lombardia ha il maggior numero di coppie adottive (559,il 17,7%)così come si conferma l'aumento in alcune regioni del sud.

Tradução Cintia Liana:
(ANSA) - ROMA, 27 GEN - Em 2011 foram adotados na Itália 4.022 crianças extrangeiras (-2,6% em relação a 2010): 57 os Países de proveniencia, 3.154 casais envolvidos. São os dados da relação da Comissão para as Adoções Internacionais (Cai). A Federação Russa, com 781 menores, é o País de onde vem mais adotados; seguido pela Colômbia (554), Brasil (304), Ucrania (297) Etiopia (296). A Lombardia tem o maior número de casais adotivos (559, 17,7%) assim como se confirma o aumento  em algumas regiões do Sul (da Itália).

Postado Por Cintia Liana

sábado, 3 de dezembro de 2011

Atividade no Skype para adoção internacional

Tumblr

Quarta-feira coordenei no skype, junto com uma assitente social de uma CEJA no Brasil, o primeiro encontro de dois casais com seus futuros filhos. Um casal adotará uma criança e o outro as outras duas, são irmãos biológicos e crescerão juntos na mesma cidade na Itália, com "plano de vida juntos" e os casais se tornaram amigos.

As CEJA's de cada Estado no Brasil trabalham de modos diferentes como já coloquei aqui no blog em desabafo, o que dificulta o trabalho das associações internacionais, que tem que se cadastrar naquele Estado e procurar entender mais um tipo de procedimento totalmente diferente e operar em todo o território nacional desvendando cada forma e trabalhando com cada Estado do modo que é exigido.

Algumas CEJA's fazem um trabalho de referência, com muita responsabilidade e sobretudo com muito respeito à criança que está sendo adotada. O trabalho de preparação é rigoroso, nós da associação respeitamos todos os trâmites e observamos o modo ético com que trabalham.

Essa experiência que comecei a falar no primeiro parágrafo me comoveu, porque foi a primeira vez que estas famílias se viram pela web can e se falaram, que cada um ouvia a voz do outro, dos filhos, dos pais. Até então só haviam trocado cartas, desenhos, fotos, presentes de valor efetivo e respondido a perguntas escritas.
O encontro havia sido marcado uma semana antes, nos preparamos no escritório da entidade e cada casal falou um pouco sobre questões feitas pelos profissionais da CEJA no Brasil, depois puderam falar com as crianças e ao fim puderam ser orientados sobre os procedimentos que serão adotados no Brasil, quando forem iniciar o estágio de convivência daqui a poucos dias. Na atividade fui mediadora e tradutora.

Certa de que as crianças agora preencheram lacunas de dúvidas sobre os futuros pais e baixaram um pouco a ansiedade, penso que o primeiro encontro pessoalmente será muito mais tranquilo, assim como para os adotantes, que estavam emocionados e ansiosos.

Eu já até prognostico as novas dinamicas familiares, pelo que pude ver na atividade do skype. Fiz um retrato do futuro funcionamente do inconsciente das famíliaa e creio que dará muito certo, cada uma do seu jeito. Muito interessante.

Feliz com o belo trabalho desta CEJA. E quem ganha somos todos nós, a segurança de fazer um trabalho digno, seguro e que em primeiro lugar respeita o tempo das crianças.

Cheguei em casa com sensação de mais uma missão cumprida.

Por Cintia Liana

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Têm crianças que só são indicadas para adoção após os 10 anos!

Mandy Lynne

Houve crescimento do número de candidatos a adoção, mas não no número de adoções, o CNA não funciona como deveria e as crianças são indicadas para adoção com uma idade em que muitos adotantes já não querem mais. Às vezes a destituição do poder familiar requer muito tempo.

Infelizmente hoje, por exemplo, estão colocando crianças para adoção internacional com mais de 10 anos de idade, com 14, os casais italianos não têm desejo de ter um filho que esteja com 14 anos, eles querem uma criança que ao menos tenha no máximo 11 anos.

Devemos procurar famílias para atender os direitos da criança, e não uma criança para satisfazer os desejos de uma família, mas deixar uma criança crescer para só depois indicá-la para adoção e bem mais tarde para a adoção internacional é negar a ela o direito de um futuro em segurança, um futuro com amor, é deixar que ela leve a marca do sentimento de abandono e desamparo, é muito sofrimento e insegurança que elas passam. Quem conhece bem abrigos sabe disso.

As autoridades devem saber a hora de parar de insistir na reinserção na família biológica, depois tentar a adoção nacional e saber a hora de passar a tentar a internacional, mas se passa de uma certa idade fica mais difícil ou até impossível a adoção, a criança cresce e fica sozinha.

Quanto a duração de um proceso de adoção, não tem tempo estipulado, porque vai depender de uma série de variáveis, como idade da criança, tempo em que o juiz estipula para o estágio de convivência, tempo para serem dados os pareceres, tempo para os laudos da equipe tecnica serem emitidos, feriados, férias, recessos do sistema judiciário e outras coisas.

Por Cintia Liana

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Adoções Internacionais: TJ promove reintegração ao ambiente familiar

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06/09/2011 | Fonte: TJBA

O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA), já promoveu nove adoções internacionais em 2011, com 12 crianças e um adolescente reintegrados a um ambiente familiar. Em um mesmo processo, podem ser adotados mais de uma criança ou adolescente.

Atualmente, mais cinco processos de adoção estão em andamento, com oito crianças envolvidas, nas comarcas de Salvador, Itabuna e Ilhéus. Nos últimos quatro anos, o órgão especializado do Tribunal de Justiça registrou 38 adoções: nove em 2010, 12 em 2009, e dez em 2008.

O relatório da CEJA informa, também, que as crianças adotadas este ano têm entre sete e 11 anos de idade. O fato é considerado um avanço na quebra dos paradigmas que restringiam o processo adotivo e excluíam diversas crianças da oportunidade de um convívio familiar. "Antes, os casais só queriam bebês, com um biótipo predeterminado. Isso melhorou muito, pois estamos com adoções de crianças de todas as idades", comemora Simone de Castro, assistente social e secretária da comissão. "O número de adoção de adolescentes também crescendo", completa. Simone festeja outra tendência que deixa a comissão em festa: a adoção, cada vez mais constante, de irmãos. "Nós fazemos o possível para mantê-lo juntos, além de preservar a identidade e o bem-estar deles".

A assistente social revela que o país líder em adoção de crianças brasileiras é a Itália. Em 2009, a equipe da CEJA foi conhecer o sistema de adoção do país e gostou do que viu. "Nos surpreendemos em ver como eles são bem-preparados para a adoção. Foi um exemplo para nós, brasileiros". Ainda de acordo com Simone, o aumento no número de adoções internacionais está diretamente ligado às audiências concentradas, que consistem em um trabalho integrado de acompanhamento e análise pessoal e processual dos casos de crianças e adolescentes acolhidos em instituições especializadas.

TECNOLOGIA
A Comissão já utiliza a tecnologia para aproximar os futuros adotados dos novos pais. No início de agosto, a CEJA realizou a primeira videoconferência, pela qual uma criança teve o primeiro contato em tempo real com aquela que seria a nova família. A conversa ocorreu por meio do programa de comunicação via internet, o Skype (foto). A família que adotou E.V.B.C, de 9 anos, chegou da Itália uma semana depois, quando houve o primeiro contato físico. "A conversa por Skype foi muito importante para observarmos o início da afetividade, da intimidade entre a criança e o casal", afirma o magistrado Arnaldo José Lemos de Souza, juiz auxiliar da Corregedoria das Comarcas do Interior e presidente da CEJA. "Foi muito positivo. Ele teve contato em tempo real com o casal, pôde desmistificar possíveis fantasias e esclarecer dúvidas", concorda a psicóloga Paula Amaral, integrante da comissão.

Antes da implantação da conversa em tempo real, acompanhada por um tradutor, a criança só conhecia os futuros pais por cartas e fotos que acompanhavam um kit organizado pela CEJA, no qual os pais que tinham interesse em adotar, podiam presentear e se comunicar com as crianças.

PREPARO
A videoconferência pelo Skype integra o Programa de Preparo da Criança para a Adoção Internacional, desenvolvido pela comissão. O programa prevê etapas que antecedem o contato pessoal. Os trabalhos são iniciados com um acompanhamento psicológico assim que a criança é escolhida e, portanto, sairá do país. A comissão também faz uma apresentação da nova morada da criança, com informações sobre o idioma, o clima, gastronomia, e outras informações culturais.

ESTATUTO
A adoção internacional está prevista nos artigos 50, 51 e 52 da Lei 12.010/2009, que dispõe sobre direitos à convivência familiar estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Para iniciar o processo de adoção internacional, o casal interessado deve procurar o órgão responsável do país onde mora e fornecer os dados necessários para se habilitar à adoção. Em seguida, os futuros adotantes devem preparar um dossiê, com informações que atendam à legislação do seu país e do Brasil, além de respeitar os quesitos estabelecidos na Convenção da cidade de Haia, na Holanda que, em 1993, consolidou o texto da Cooperação Internacional e Proteção de Crianças e Adolescentes em Matéria de Adoção Internacional.

Fonte: TJBA


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diferenças na adoção nacional e internacional sobre a espera e perfil da criança

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As adoções internacionais são bem diferentes das nacionais em todos os pontos do processo, em como se faz, até em relação ao perfil da criança disponibilizada.

A internacional deve haver a aceitação dos órgãos de Estado e da entidade que acompanha toda a adoção entre Itália e Brasil, assim como a aprovação do Estado do País do origem da criança e da CEJA (Comissão Estadual Judiciária de Adoção).
A nacional, requer somente a aprovação do Estado, responsável pela criança.

As adoções internacionais e nacionais são vistas de modos diferentes e encaram os preconceitos referentes a cada uma delas.

O perfil de crianças disponibilizadas para adoção internacional é diferente da nacional. Somente são indicadas para adoção internacional crianças que não têm mais chance alguma de inserção em família substituta brasileira, incluindo a de origem, como a família extensa. São crianças que já esgotaram todas as possibilidades de aceitação, normalmente maiores de 9 anos, grupos de irmãos e/ou com algum problema físico ou mental, ou seja, fora do perfil que o brasileiro geralmente deseja para ser seu filho hoje.

As entidades de adoção internacionais encaminham os processos já autorizados e traduzidos a CEJA quando esta entidade têm uma família interessada na adoção de uma criança disponibilizada dentro do perfil de busca do casal. O processo é analisado pelos técnicos da CEJA, antes de decidirem se a criança de fato vai para o casal interessado.

A destituição é feita e se inicia o processo, até aí os casais esperaram muito tempo, com muita ansiedade. Depois o casal vai ao País de origem da criança para as outras etapas já descritas.
O processo de habilitação para adoção internacional e a espera pelo filho são maiores, mas o período de convivência é menor, são mais ou menos 45 dias que o casal deve passar em País estrangeiro para a adaptação com o filho, para receber a sentença judicial e para a emissão dos novos documentos, incluindo o passaporte da criança. O tempo é menor porque o casal viaja para conhecer a criança só depois que esta foi destituída do poder familiar, então a espera maior é antes do primeiro contato com a criança.
Os casais italianos esperam ansiosamente sem ainda nem ter conhecido os filhos, sem nem mesmo conhecer o rosto pelo qual já se preocupa com o bem estar e pelo qual já desenvolve amor.

Ocorre que quando eles pedem aquela adoção, a criança é destituída, só depois eles partem para encontrá-la. Nas nacionais muitas vezes as crianças são destituídas durante o estágio de convivência com a nova família.

A entidade em que trabalho por exemplo é autorizada para atuar em todo o Brasil e Colômbia, e deve também ser cadastrada em cada CEJA de cada Estado e cada uma trabalha de forma um pouco diferente, o que dificulta de certa forma a atuação das entidades, até a forma de informar as crianças disponíveis a adoção é diferente em cada CEJA.
Há muito ainda o que melhorar, as pessoas precisam se informar, trocar conhecimentos, ter o interesse em ajudar, padronizar metodologias, as leis precisam ser coerentes, precisamos ter segurança sem tanta burocracia e sobretudo humildade para ter uma relação saudável com todos.

Por Cintia Liana

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Preconceitos étnicos ou raciais impedem a adoção

Senza Frontiere ONLUS

ROMA - Os casais italianos que, ao apresentarem o pedido ao juiz para a adoção internacional, manifestarem o desejo de só querer adotar crianças de determinadas etnias, devem ser declarados candidatos incapazes, determinou o Tribunal de Cassação (a máxima instância judicial do país), cujas sentenças são inapeláveis.

O Supremo confirmou assim as recomendações do Ministério Público, que em abril passado pediu a retirada de toda e qualquer referência sobre a etnia das crianças nos decretos de adoção, com base no caso de um casal siciliano que só queria adotar crianças de origem europeia.

O citado tribunal foi ainda mais longe, ao afirmar que o juiz não só deve recusar a emissão de decretos de adoção discriminatórios, como questionar a própria capacidade do casal de se candidatar à adoção, com base em seus preconceitos étnicos ou raciais.

Em resumo, os que querem somente crianças do tipo "europeu" não tem as credenciais para desempenharem os papeis de mãe e pai.

Além disso, o Supremo Tribunal insistiu na necessidade dos serviços sociais formarem adequadamente os casais que iniciam os procedimentos de adoção internacional, orientando-os para "uma consciência mais profunda da natureza mais solidária e menos egoísta da opção de adoção e prevenir opções com conotações discriminatórias".

Com o apoio psicológico, acrescenta o Supremo, é possível ajudar os casais a superarem as dificuldades em aceitar "uma criança que não espelha sua própria imagem", ou o medo daqueles que rejeitam a criança "diferente" por temerem "fenômenos de xenofobia que ameaçam a futura integração social da criança e criem nela problemas de adaptação".

Em todos os casos, o citado tribunal não admite a possibilidade dos casais manifestarem preferências por "determinadas características genéticas" da criança desejada. Até porque todas as crianças abandonadas já têm uma história "profundamente atormentada" e, mais do que as demais, precisam de pais e mães "dotados de uma sensibilidade muito particular".

Fonte: Ansa Latina


Ao invés de aceitar o preconceito e maquiar a prática da adoção vamos mudar tudo! Nós é que temos que ensinar.

Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 25 de março de 2011

Famílias francesas adotam 113 crianças do Haiti

Foto: Getty Images

22 de dezembro de 2010 | 16h 37
AE - Agência Estado

Mais de cem crianças haitianas chegaram à França hoje para iniciar uma nova vida com seus pais adotivos. Um voo fretado com 113 crianças chegou da nação caribenha que sofre com uma violenta epidemia de cólera e ainda não se recuperou do terremoto de janeiro. No total, 300 crianças haitianas deverão ser adotadas por franceses.

O próximo voo com os menores deve chegar na sexta-feira. O governo francês fretou um avião para levar as famílias ao Haiti para trazer algumas das crianças. As famílias adotivas pressionam o governo para que acelere o complexo mecanismo de adoção.

A adoção internacional é um assunto que desperta polêmicas no Haiti. Um grupo de missionários norte-americanos tentou no começo do ano levar do país 33 meninos sem documentos, alegando que eram órfãos. Depois, porém, descobriu-se que todos tinham pelo menos um dos pais vivo. As informações são da Associated Press.


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Continuação - "Procuram-se pais"

Foto: Elena Kalis

A prioridade para adotar no Brasil é de casais brasileiros residentes aqui e depois de casais brasileiros que moram no exterior. Eliminadas essas possibilidades, as crianças maiores de 5 anos podem ser encaminhadas para a adoção internacional. “Procuramos uma família para uma criança, e não uma criança para uma família”, esclarece Antonio Carlos Berlini, diretor da ONG Humanitária Amici dei Bambini para o Brasil e advogado e presidente da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB-SP. O processo pode levar de um a três anos. O casal encaminha o pedido à autoridade de seu país, e o juiz indica uma entidade de adoção. Os adotantes são preparados por psicólogos e assistentes sociais. A entidade faz um cruzamento de informações com alguns países, indicando as crianças que poderiam se adaptar à família. Se o casal aceitar a sugestão, um dossiê com suas informações segue para o país escolhido. No Brasil, a entidade local faz a habilitação junto à Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai), que avalia o pedido e o encaminha ao juiz estadual. O casal entra na lista de estrangeiros habilitados à adoção. O juiz autoriza que a criança seja apresentada aos “novos” pais por meio de fotos. Diante da resposta positiva do casal, a vinda dele ao Brasil é liberada. A entidade providencia o primeiro encontro de pais e filhos na vara ou no abrigo. Começa o estágio de convivência, que leva no mínimo 30 dias, período fundamental para que pais e filhos se aproximem. Ao final da convivência, o promotor dá um parecer e o juiz emite a sentença final. Mais 15 dias para providenciar a documentação e eles podem viajar. O acompanhamento continua por dois anos com relatórios que devem ser enviados para o Brasil a cada seis meses.

Fonte: http://claudia.abril.com.br/materias/4638/?pagina6&sh=31&cnl=32&sc=

Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Continuação - "Tinha sonhado tanto com ele"

Foto: Revista Cláudia. Soleda, Yves e Leandro.

A espanhola Solédad, 50 anos, vive na França desde 1963. Há 22 anos, conheceu o francês Yves, 48, apaixonaram-se e há 12 dividem o mesmo teto.

Mãe do policial Julien, hoje com 27 anos, do primeiro casamento, Solédad queria muito ter um filho com Yves. Foram três tentativas de gravidez interrompidas.

A ideia da adoção surgiu, mas Yves não se entusiasmava, talvez por ainda nutrir a esperança de ter o próprio filho. Em janeiro de 2003, ele revelou o desejo de adotar uma criança. Os dois iniciaram, então, o processo burocrático. Sem exigências de etnia, o pedido foi encaminhado ao Brasil pela associação autorizada pelo governo francês, a Edelweiss. “Tudo o que queríamos era uma criança para amar e fazer feliz”, resume a mãe.

Começava a espera. Cada toque de telefone fazia o coração daqueles pais bater mais forte. Espalharam a notícia para os amigos e a família, prepararam um quarto lindo, colorido e cheio de brinquedos para o filho. Quantas vezes fui chorar naquela cama me perguntando: ‘Quando você estará aqui, meu pequeno?’ ”, lembra Solédad.

Em maio de 2006, um e-mail da associação avisava que haviam encontrado um menino de 5 anos, hiperativo e sociável. “Tínhamos 24 horas para dizer se queríamos. Logo respondemos sim”, conta ela. Poucos dias depois, ela recebeu em casa fotos do menino. Mais quatro meses e eles desembarcaram em Guarulhos (SP) na manhã do dia 15 de setembro. No início da tarde, foram levados ao orfanato para o tão aguardado encontro. Tinha sonhado tanto com ele, imaginado a doçura de sua pele, seu cheiro, o som da sua voz... os minutos pareciam horas”, relembra Solédad.

Quando Leandro chegou ao local onde o esperavam, ele se jogou nos braços de Yves. “Foi a primeira e única vez que vi meu marido chorar. Em seguida, ele me abraçou e ficamos assim, chorando e nos tocando por alguns minutos. Todos os nossos esforços e a espera haviam sido recompensados e os momentos de tristeza e dúvidas tinham chegado ao fim.”

Léandro tinha 5 anos e 8 meses naquela ocasião. As primeiras horas de convivência foram tranquilas, mas no dia seguinte o menino começou a se rebelar. Passou a evitar os carinhos da mãe e lhe dirigir palavrões quando se deu conta de que ela entendia o que ele dizia por ser de origem espanhola. A cada repreensão, ele respondia com mais agressividade. Com Yves, o comportamento dele não se alterou. “Comecei a pensar que ele nunca iria me amar, que a adoção não daria certo”, admite Solédad. “As quatro semanas de convivência programadas transcorreram assim, mas Yves e Solédad perceberam que o menino estava testando-os para saber até que ponto eles o queriam, se seria amado apesar do mau comportamento. Léandro já havia sido adotado uma vez por brasileiros que o devolveram ao abrigo.

No final de outubro daquele ano, a família retornou à França. Uma grande surpresa os aguardava no aeroporto. Estavam todos lá, parentes e amigos, ansiosos para conhecer o novo membro da família. Dali em diante, as férias tinham terminado e era preciso encarar a realidade. Léandro continuava a rejeitar Solédad ao mesmo tempo que se aproximava cada vez mais de Yves, o que acabou gerando conflitos entre os pais. “Fiquei com ciúme daquela cumplicidade”, confessa a mãe. Pouco a pouco, as tensões se acalmaram, e a família encontrou seu ritmo de vida normal.

“No primeiro dia de aula, diante da escola, ele apertava nossas mãos, até que ouviu um colega gritar ‘C’est Léandro qui est arrivé’ (Léandro chegou). Todos vieram recebê-lo e vimos o alívio em seu rosto. Em oito meses, ele já dominava o francês e nunca mais quis falar português. Percebemos que desejava ser como os outros. A única diferença é a cor de sua pele.

Ele é gentil, afetuoso e adorado pelos amigos”, descreve a orgulhosa mãe. “Sempre dizemos a ele que, aconteça o que acontecer, nós estaremos aqui e que o amamos muito. Quando perguntamos a ele se nos ama, ele afirma com toda força: ‘Oui’. Tenho certeza de que o destino armou esse encontro para nossa maior e grande felicidade.”



Postado Por Cintia Liana

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Continuação - "Adoção de crianças brasileiras por estrangeiros"

Foto: Elena Kalis

A linguagem do amor e do olhar

Alguém já teve a oportunidade de acompanhar um nascimento quádruplo? Pois eu, repórter, tive essa alegria. E o local do belo acontecimento que testemunhei numa cinza manhã de quarta-feira, em plena e atípica primavera paulistana, não era habitado por médicos nem enfermeiras. Tampouco tinha salas de parto e berçários. Um hotel na zona sul de São Paulo hospedava Marco*, Bruna*, Cecília* e Carolina*. Marco e Bruna, os pais. Cecília e Carolina, as filhas. Um casal de italianos na faixa dos 50 anos, juntos há 18, visivelmente felizes e unidos. Elas, duas meninas brasileiras de 6 e 7 anos, abandonadas pela mãe em um abrigo. Eles, cheios de amor para dar aos filhos que não conseguiram ter de forma natural, e elas precisando do afeto e dos cuidados paternais que a vida nunca lhes proporcionou. Naquela manhã nublada de novembro, Marco, Bruna, Cecília e Carolina estavam se reconhecendo no estágio de convivência. De um total de cerca de 50 dias que dura esse período, aquele era o 17º. O apartamento já tinha ganhado vida e estava tomado por brinquedos espalhados pelo chão e pelas vozinhas das meninas. Entre expressões por vezes assustadas com a constatação de que o sonho estava se concretizando, Marco e Bruna contaram a bela história desde o início. Há cerca de cinco anos, o casal partiu para a adoção depois de algumas tentativas malsucedidas de gravidez. Na Itália, o pedido é dirigido simultaneamente para adoção nacional e internacional. Eles não especificaram gênero, características físicas, nacionalidade, raça, mas se dispuseram a adotar uma ou duas crianças. Foram dois anos de preparação psicossocial até o telefone tocar, no dia 9 de agosto, com a notícia. “Estávamos no início das férias e a sede da entidade, a Amici dei Bambini, ligou informando que tinha encontrado as duas crianças no Brasil”, lembra Bruna. A nova tanto esperada causou um susto. Na hora, o impacto para mim não foi tão positivo”, confessa Marco. “Depois de algum tempo, fui me acalmando. Algo acendeu em mim e veio a emoção.” No final de outubro, os italianos desembarcaram em São Paulo – primeira vez no Brasil – para conhecer as meninas, cujos rostinhos tinham visto por fotos. “No caminho até a instituição, não conseguia parar de imaginar o que iria acontecer em alguns minutos”, lembra o pai. A mais velha e extrovertida, Cecília, foi logo abraçando a mãe. “Quando a vi de pertinho, achei que ela parecia menor do que na foto. Impossível descrever o primeiro abraço. Foi como um nascimento”, conta Bruna, emocionada. Emoção que só se intensifica a cada dia de convivência com as filhas. “Não é fácil, viu?”, diz Marco. Claro que não. Tudo é novidade, para eles e para elas. Afinal, eles estão se conhecendo, cada qual com sua personalidade, seus medos, suas dúvidas e desconfianças. Motivos não faltam para Cecília e Carolina: elas já haviam sido adotadas por um casal brasileiro e foram devolvidas depois de terem presenciado muitas brigas. A figura masculina, rara nos abrigos, ainda causava estranheza. “Elas ficam com vergonha”, diz Marco. No início, elas disputavam quem se aproximaria dele primeiro, até que o conflito virou briga. Peguei as mãozinhas delas, juntei às minhas e às da Bruna e disse: ‘Esta é uma família, e aqui não se deve brigar’. Foi uma surpresa, porque elas não foram castigadas.” Crianças que são, as meninas pintam e bordam. Sujam a camiseta, desarrumam o banheiro, derramam suco... O casal vai se acostumando com a rotina de dividir o espaço com as pequenas. O trabalho é longo, eles sabem. A mãe, mais paciente; o pai, mais rígido. Equilíbrio fundamental para quem educa. “Um dia, para nos agradar, elas lavaram todo o banheiro com o detergente da louça”, contam os dois, orgulhosos. Nesta fase de reconhecimento, a língua é ainda a maior barreira para o convívio. Eles falam pouco o português, mas elas já não se apertam tanto com o italiano dos pais. “É a linguagem do amor”, garante Bruna. “E do olhar, que é internacional”, emenda Marco.


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Aguardem a continuação da matéria nos próximos dois posts.


Postado Por Cintia Liana

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cintia Liana também é citada no site da Revista Cláudia

"Adoção de crianças brasileiras por estrangeiros"

Crianças brasileiras precisando de pais que as acolham e amem. Casais estrangeiros em busca dos filhos que não puderam gerar. Quando essas duas realidades se cruzam, há uma explosão de sentimentos: amores represados, alegrias, conflitos, incompreensão. Superados os obstáculos, nascem novas famílias – e uma esperança para meninos e meninas que tinham perdido a capacidade de sonhar

Silvia Braccio

Foto: Revista Cláudia

Ter um filho é uma das decisões mais importantes que se pode tomar na vida – senão a maior delas. O que dizer de quem opta por acolher um filho gerado em outro ventre? E o que dizer ainda de alguém que escolhe amar uma criança crescida, que já viveu em seus 5, 6 ou 7 anos experiências de rejeição, abandono, falta de amor? E se esses meninos e meninas ainda falarem outra língua, tiverem sido criados até ali em uma cultura completamente diversa? É desse cruzamento, de crianças que não encontraram no próprio país uma família que as acolhesse e de casais estrangeiros ávidos por doar todo seu amor ao filho que a vida não lhes deu de maneira natural, que surge a adoção internacional. Pode haver doação maior? Pessoas que não raro atravessam um oceano e movem fundos e mundos para exercer o papel de pais. Mergulham em um universo duro de dossiês e argumentos para provar que, sim, têm amor, condições psicológicas e financeiras para resgatar dos abrigos crianças abandonadas e transformá-las em filhos do coração. “O pré-requisito para uma adoção de sucesso é o desejo de amar”, resume Cintia Liana, psicóloga especialista em adoção e família, que já acompanhou mais de 50 processos internacionais no Brasil. “Há muitos preconceitos em torno da adoção de crianças mais velhas. É preciso transformar o desejo do filho ideal no do filho possível.” Qualquer adoção é baseada no princípio de que um casal não tem que ter um filho, mas toda criança tem que ter uma família. CLAUDIA apresenta quatro histórias de casais estrangeiros que sempre acreditaram nisso.

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Um encontro escrito nas estrelas

Eles eram o número 146 da lista de adoção. Queriam uma menina, recém-nascida, de olhos azuis. Era o ano de 1997, e os franceses Claude* e Francine*, que viviam no Brasil desde 1989 por causa do trabalho dele, já tinham a cidadania brasileira. Entraram, por isso, na fila nacional. Na planilha de informações que tiveram que preencher, se dispuseram a adotar duas crianças. Pronto, informação preciosa para fazê-los pular da 146ª para a sexta posição. Foram nove meses de espera até o anúncio de que dois meninos gêmeos estavam à espera de novos pais. A resposta tinha que ser dada no mesmo dia. “Liguei na hora para Claude e, se tivesse dito que eram três crianças, ele aceitaria do mesmo jeito”, acredita Francine. Faltava aguardar a aprovação do juiz, o que poderia levar uma semana. “Eu ligava todos os dias para saber se ele havia decidido, até que veio a confirmação oficial.” A história de Claude e Francine destoa de outros pais estrangeiros porque eles adotaram bebês – o que não costuma acontecer na esfera internacional, que recomenda a adoção de crianças maiores de 5 anos. Os meninos tinham 3 meses e se encontravam na extinta Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). Eram prematuros, estavam doentes, tinham asma e bronquite. “Foi amor à primeira vista.” Chegaram em casa com os dois bebês e encararam uma rotina enlouquecedora. “Ficamos quatro anos sem dormir”, conta Francine. Breno* tinha refluxo e alergia ao gato da casa, o que eles só descobriram depois de muitas noites insones. O menino não ganhava peso e, quando mamava, vomitava em seguida. Alain* crescia normalmente, mas demonstrava uma clara rejeição pela figura feminina: só queria saber do pai. “Para ele, todas as mulheres eram mães que poderiam machucá-lo e abandoná-lo”, explica Francine. Já Breno parecia ter medo de tudo e passou um ano sem esboçar um sorriso. Hoje, aos 13 anos, Breno e Alain preferem não conversar sobre a adoção, mas sempre souberam de suas origens. Claude contava uma história: “Era uma vez em São Paulo dois meninos procurando pais e dois pais em busca de dois filhos... até que nos encontramos.”

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Foto: Revista Cláudia. Catherine e Dayane na festa de 13 anos.

Mãe solteira por adoção

Sempre quis ter filhos, mas até os 40 anos isso não me preocupava. Um dia, despertei para o fato de que ainda poderia estar em tempo. Aquela ideia começou a martelar na minha cabeça, só que nem namorado eu tinha. Optei, então, pela adoção. Tenho absoluta certeza de que os laços de sangue não são fundamentais para sustentar relações fortes.

Aqui na França, trabalho como terapeuta ocupacional na reabilitação de crianças com deficiência motora e sei bem o que representa ser pai ou mãe. Comecei o processo em fevereiro de 2001 e passei nove meses me preparando por meio de encontros com assistentes sociais e psicólogos. É um período muito importante de reflexão que mexe demais com a gente. Com tudo aprovado pela Justiça, encontrei uma entidade que aceitou meu dossiê – não era tão simples assim para uma mulher solteira.

A Edelweiss, associação autorizada pelo governo francês, me colocou em contato com casais que haviam adotado crianças brasileiras. Queria uma criança em idade escolar, em torno dos 7 anos. Meu pedido seguiu para o Brasil em junho de 2002. E ali começou o infindável período de incertezas, inquietudes e esperança. Já haviam me prevenido de que a espera levaria em torno de dois anos.

No dia 15 de julho de 2003, um telefonema mudou minha vida para sempre. Lembro de cada detalhe daquela ligação: “Temos uma menina de 7 anos que se chama Dayane”. E ainda era uma menina. O presente não poderia ser mais completo. Eu poderia pensar e dar a resposta no dia seguinte. Por que esperar mais? Para ver uma foto? Eu já me sentia mãe dela. Quinze dias depois, parti para o Brasil. Não lembro absolutamente nada da viagem, dormi as 12 horas de voo. Cheguei ao Rio de Janeiro e segui para Vitória, no Espírito Santo. Na manhã seguinte, mais três horas de viagem me levariam ao encontro da minha filha em uma cidadezinha do interior. E voilà, a minha menina estava diante de mim, me descobrindo à medida que eu a descobria. A vontade era de abraçá-la, mas fui conversando calmamente até que ela me pegou pela mão e me levou para conhecer o orfanato. Assim, de mãos dadas, pegamos um táxi de volta a Vitória. Dentro do carro, a primeira coisa que me pediu foi que a levasse à Itália para encontrar sua melhor amiga, que havia sido adotada por uma família de lá. Em seguida, adormeceu deitada sobre as minhas pernas. Fiquei completamente seduzida por aquela maneira tão genuína de afeto, de confiança, de me chamar de “mamãe”.

Ali começava nosso estágio de convivência de cinco semanas, no qual experimentei momentos fantásticos e também difíceis. Ora Dayane se deixava abraçar, paparicar, me pedia para ser sua mãe, ora ela entrava em pânico porque não se fazia compreender e me rejeitava. Felizmente, esse momentos se alternavam num mesmo dia. Findo o estágio de convivência e com os documentos em mãos, era hora de embarcar de volta para a França. Muitas descobertas por vir: a casa nova, a família, os amigos, os animais – temos dois gatos e uma cachorra, a Caipirinha (Caipi), a escola, o novo ritmo de vida.

Vieram os momentos de desânimo. A escola lhe parecia difícil demais, o sol fazia falta, mas sempre conversamos muito sobre tudo. Dayane é bem franco-brasileira, orgulhosa de suas origens, mesmo que as diferenças às vezes pesem um pouco. Nossa vida juntas virou a minha de cabeça para baixo, mas era exatamente o que eu mais desejava. Me preocupo, às vezes fico chateada por ela, sou uma mãe exigente em alguns pontos, liberal em outros. Como a minha vida seria triste sem Dayane! Nossa ligação é tão evidente que fica até mesmo difícil lembrar que ela teve que ser construída. Hoje, com 14 anos, ela me faz lembrar de mim mesma quando reage dessa ou daquela maneira. Ora, claro, ela é minha filha.

Catherine, 50 anos

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Nos próximos posts colocarei todas as outras etapas da matéria.

Adoção internacional
Um encontro escrito nas estrelas
Mãe solteira por adoção
A linguagem do amor e do olhar
Tinha sonhado tanto com ele
Procuram-se pais

Postado Por Cintia Liana

domingo, 23 de janeiro de 2011

O filho de Elton John

Foto: Google Imagens

Por Maria Berenice Dias

Filhos que os pais não querem ou não podem exercer o poder familiar sempre existiram. Legiões de crianças abandonadas, jogadas no lixo, maltratadas, violadas e violentadas, escancaram esta realidade. A sorte é que existem milhões de pessoas que desejam realizar o sonho de ter filhos.

Daí o instituto da adoção, um dos mais antigos que se tem notícia.

Agilizar este processo de encontrar um lar para quem quer alguém para chamar de pai e de mãe deve ser a preocupação maior do Estado, pois não há solução pior do que manter abrigados crianças, adolescentes e jovens.

Mas a onda fundamentalista e conservadora que vem tomando conta deste país tem gerado empecilhos de toda a ordem para solucionar grave problema social. Apesar de este ser um número que ninguém quer admitir, existem mais de 100 mil menores de 18 anos de idade literalmente depositados em instituições sobre as quais o Estado não consegue manter qualquer controle. O Cadastro Nacional da Adoção busca mascarar este número, ao indicar um pequeno contingente de crianças disponíveis à adoção, o que só revela a enorme dificuldade de agilizar o processo de destituição do poder familiar.

A Lei 12.010/2009, a chamada Lei Nacional da Adoção, não faz jus ao nome, pois só veio dificultá-la. Na injustificável tentativa de manter a criança com a família biológica se olvida que esta é a pior solução. Além de a justiça levar muito tempo na busca de algum parente que a deseje, nem sempre ela ficará em situação regular. A primeira tentativa é entregar a criança aos avós.

Como eles não podem adotá-lo, terão somente a guarda do neto, o que o deixa em condição das mais precárias. Ao depois, sempre será estigmatizado como o filho de quem não o quis e assim se sentirá quando encontrar a mãe nas reuniões de família.

Fora isso, é tal a burocracia para disponibilizar crianças à adoção que, quando finalmente isso acontece, muitas vezes ninguém mais as quer e os candidatos a adotá-las perderam a delícia de compartilhar da primeira infância do filho que esperaram durante anos na fila da adoção. É tão perverso o cerco para impedir o acesso a crianças abrigadas que os adotantes sequer são admitidos para realizar trabalho voluntário. E quem não está cadastrado simplesmente não pode adotar.

Ao depois, de modo muito frequente, por medo de serem multados, juízes e promotores arrancam crianças dos braços dos únicos pais que elas conheceram para entregá-las ao primeiro casal habilitado, sem atentar que estão impondo uma nova perda a quem teve a desdita de ter sido relegado.

Tudo em nome do respeito aos malsinados cadastros que deveriam servir para agilizar a adoção e não para obstaculizá-la.

Mas é necessário chamar a atenção para uma nova realidade que não é possível encobrir. Em face das enormes percalços impostos à adoção, ao invés de se sujeitarem a anos de espera, quem deseja ter filhos está fazendo uso das modernas técnicas de reprodução assistida.

O nascimento do filho do cantor Elton John e de seu marido David Furnish é um exemplo emblemático. Depois de terem tentado, sem sucesso, adotar um órfão ucraniano, fizeram uso da gestação por substituição, a chamada barriga de aluguel, que ocorreu nos Estados Unidos, por ser procedimento não aceito na Inglaterra.

Aliás, o documentário da HBO denominado "Google Baby" mostra a existência de uma verdadeira indústria que comercializa fertilizações e está sendo utilizada com enorme desenvoltura. Os candidatos escolhem via internet a mulher que se dispõe a vender seus óvulos. Ela se submete a um tratamento que multiplica o número de óvulos, que são extraídos, congelados e transportados para que a inseminação seja feita no país onde os contratantes residem. Depois da fecundação o embrião é levado para a Índia, onde o procedimento é permitido e os custos são baixos. Implantado em mães gestacionais, elas ficam confinadas durante a gravidez. Após o nascimento, o filho é entregue a quem contratou o serviço, que o registra em seu nome.

Apesar de esta ser uma prática legítima, tem um efeito assustador, pois impede que as crianças abandonadas que se encontram espalhadas pelo mundo tenham a chance de conseguirem uma família. Quem sabe perdem a única possibilidade que teriam de sobreviver.

Não tivesse o governo da Ucrânia, de forma para lá de preconceituosa, impedido a adoção homoparental, certamente a criança que o casal britânico havia escolhido estaria a salvo da morte por inanição, destino mais provável de milhões de crianças dos chamados países do terceiro mundo. Aliás, da mesma injustificável recusa foram alvo Madonna e Angelina Jolie quando desejaram adotar crianças dessas regiões.

Mesmo diante de todo o avanço econômico que tem empolgado os brasileiros, a realidade por aqui não é diferente. A lei não proíbe, mas também não admite de forma expressa a adoção por casais homoafetivos, o que leva ainda alguns juízes a negar-lhes a habilitação conjunta.

Assim a solução que vem sendo encontrada por quem só deseja concretizar o sonho de ter uma família com filhos é simplesmente gestá-los. Se seus, se adotados ou fertilizados em laboratório, não importa, muitos querem ter direito à convivência familiar.

O fato é que Estado não pode esquecer que tem o dever de cumprir o preceito constitucional de dar proteção especial, com absoluta prioridade, a crianças, adolescentes e jovens. E, se o caminho da adoção é obstaculizado sobra um contingente de futuros cidadãos a quem é negado o espaço de felicidade almejado por todos: o direito um lar doce lar.

Maria Berenice Dias - Advogada - Ex-Desembargadora do Tribunal de Justiça- RS - Vice-Presidenta Nacional do IBDFAM. http://www.mariaberenice.com.br/.

Postado Por Cintia Liana