"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Fotógrafa retrata dia a dia de irmãs para mostrar que não há diferença entre filhos adotivos e biológic

Fotos: Reprodução/Anna Larson

Anna Larson é mãe das garotas e tem muito orgulho da relação das duas.

R7

Existe um certo preconceito em torno da palavra "adoção". Apesar de ser um ato nobre e comum, adotar uma criança ainda é tido como um "fardo" para algumas pessoas. Anna Larson, mãe de três filhos, sendo dois biológicos e uma adotiva, resolveu mostrar que, na verdade, a adoção não é nada mais, nada menos do que dividir e recriar o amor.


Em uma série fotográfica que ela intitulou de Barely Different (Pouco Diferente, em tradução para o português), Anna procurou retratar o dia a dia de Haven e Semenesh, suas duas filhas.

Sua vontade de adotar uma criança surgiu logo em sua adolescência ao participar voluntariamente de um centro de cuidados infantis no Haiti.

Entretanto, a criança que havia conquistado o coração de Anna na época veio a falecer enquanto ainda estava aos seus cuidados.

A partir deste momento, a fotógrafa ficou ainda mais determinada em adotar uma criança.

Foi neste momento em que ela conheceu Semenesh, uma garotinha da Etiópia, que, em pouco tempo, se tornou a sua garotinha etiopiana.

Desde a adoção, Samenesh e Haven desenvolveram uma amizade como Anna nunca havia visto antes.

As duas irmãs desenvolveram uma amizade sem igual e estão sempre brincando juntas, como é possível ver no trabalho de Anna.

Segundo a mamãe orgulhosa, a conexão das duas mostra como o amor e o companheirismo estão acima de qualquer preconceito.  



Além da conexão afetiva, as duas também comemoram aniversários no mesmo mês, em setembro.

Nas imagens, as duas são vistas sempre juntas, seja em brincadeiras ou até mesmo lendo um belo livro.

Em seu Instagram, Anna também gosta de compartilhar momentos únicos das garotas.

— Elas sabem que muitos estão lendo nossa história e estão muito felizes em poder compartilhar fotos de seu vínculo. Nós não poderíamos estar mais felizes de ver tanto apoio e respostas positivas de todos aqueles que sentem o mesmo. O amor não conhece barreiras.

Além de retratar a cumplicidade entre as duas irmãs, Anna também gosta de celebrar o amor.

Em seus ensaios fotográficos, Anna não deixa de mostrar casais apaixonados e a felicidade, além de mostrar toda a sua gravidez por meio de cliques emocionantes.

Fonte: http://entretenimento.r7.com/mulher/fotos/fotografa-retrata-dia-a-dia-de-irmas-para-mostrar-que-nao-ha-diferenca-entre-filhos-adotivos-e-biologicos-19052015#!/foto/1

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Revista "Isto É" sobre adoção

Tumblr

Na semana passada dei uma entrevista para uma repórter da revista "Isto É". É para uma matéria sobre adoção, família e crianças, adoção interracial e o que mudou na descrição do perfil da criança pretendida na hora de adotar.
A edição estará nas bancas amanhã, dia 08 de fevereiro de 2013, de manhã. É matéria de capa. Comprem!
Espero que cada vez mais muitas crianças ganhem família, sobretudo as maiores, que esperam por anos sonhando com pais que as amem.
Vamos dar mais números e visibilidade ao universo da adoção. As crianças que esperam por suas futuras famílias e lares agradecem. ♥

Para ler a matéria completa:
http://www.istoe.com.br/reportagens/274274_ADOCAO+SEM+FRONTEIRAS

domingo, 9 de dezembro de 2012

Propaganda de natal sobre adoção da Seara

De fato, quem se prepara, alimenta o desejo de ser mãe, ou o descobre, seja ela na gravidez biológica ou na adotiva, entende que a maternidade é um momento de renascimento, de resignificação da vida, dos valores. E quanto mais a mulher estiver consciente dessas mudanças, desta força, desses significados e simbolismos ela só cresce e amadurece. Parabéns a Seara pela linda propaganda.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Preparação e preconceitos: adotando crianças de outra etnia

Mandy Lynne

No caso de candidatos de etnia branca, o ideal seria que eles adotassem uma criança da mesma etnia para evitar que ela sofra descriminação da família extensa, e de outros segmentos da sociedade?

Por Cintia Liana Reis de Silva

É claro que aparentemente seria bem mais fácil a adoção de uma criança com características semelhantes as dos pais adotivos, para que diminuissem as chances de comparação e que não se evidenciasse tanto o elo não consaguíneo, porém só este pensamento já seria negar implicitamente ou esconder o elo puramente de amor e escolha consciente feitas no ato de se ter um filho através da adoção.

As pessoas não devem deixar de adotar filhos de etnias diferentes para não sofrerem com o preconceito, isso seria eceitá-lo, seria compactuar com ele, acatar a sua eterna existência. Quem alimenta preconceitos é que deve ser questionado e reeducado a entender de modo mais maduro o que chamamos de “diferente”.

No Brasil existem muitas crianças negras e pardas para serem adotadas e seria muita injustiça fazê-las crescer sem pais pelo simples motivo de não poderem ter pais brancos. Devemos lutar contra o preconceito, e uma das formas de fazer isso é não vivendo de acordo com ele, é enfrentá-lo no dia a dia de modo leve e seguro e não tomar outras estradas, se moldando de acordo com seus princípios, isso seria empobrecer demais a vida.

Pesquisas mostram que crianças sofrem preconceito por terem sido adotadas e não por terem uma cor de pele diferente da dos pais.

Os pais devem dar uma base muito segura para que a criança encare essa diferença como algo natural, é um processo cotidiano. Existem sim outros pontos neste cenário, como o modo como esta criança lida com essas diferenças, mas a segurança dos pais é passada de modo sutil ao filho dentro do lar, nos mínimso detalhes, como na postura e no olhar.

Quanto mais preparados, seguros e bem resolvidos são os pais mais eles estarão protegidos por este clima de certeza deste amor e desta coesão familiar. Quando é desenvolvido a  certeza e tranquilidade frente as facetas da adoção nada pode abalar o núcleo familiar, no máximo pode ser motivo de diálogo e maiores descobertas desses fenômenos sociais.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em casal e família, trabalha com adoção há 10 anos. Vive na Itália.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Diferenças na adoção que não são importantes


Google Imagens
Vocês sabia que aqui na Itália para se fazer uma adoção nacional ou internacional não se pode fazer menção à etnia da criança? É assim, o casal não pode fazer referência nenhuma a cor de pele ou etnia do filho pretendido, mas pode escolher o País de origem dele.
Adotando uma criança no Brasil, po exemplo, não se saberá que cor poderá ser, por termos uma grande diversidade etnica e miscigenação. Mas para eles a cor não é importante. Existe uma boa preparação quanto a esta realidade exigida em lei.
Para conhecer mais esta realidade: http://www.tribunaledeiminori.it/adozione-internazionale.php
Por Cintia Liana Reis de Silva

A abertura na adoção é uma questão de tempo e investimento na maturação do ato de tornar-se pai e mãe. Vocês já observaram que certos aspectos de nossas vidas, quando olhamos para trás, pensamos que poderíamos fazer de outro modo se fosse hoje? Então, é assim na adoção. Quando se começa a pensar nela se tem certas crenças e medos que com o tempo mudam suas formas, com informação e auto conhecimento tudo se transforma dentro de nós e o Universo também se abre para quem quer e tem olhos para este preparo necessário.

Em minha experiência profissional com adoção, vejo que para ser pai e mãe de uma criança não depende em nada de cor, idade, sexo. Depende do desejo de pertencer e fazer pertencer, e isso faz toda a diferença para uma adoção de sucesso. Claro que identificação e empatia são importantes, mas lembrem-se que nós podemos mudar uma relação com boa vontade, podemos fazer o outro se sentir mais seguro diante de nós, observando também nossas resistências, medos e preconceitos em relação ao outro e assim mudar os rumos desta dialética. Temos também que ter motivação para entender a criança para poder ajudá-la a superar seus dilemas e dores e ela vai mudando, se fortalecendo. É assim também com filhos biológicos. Ou nós, filhos biológicos, não tivemos nossas dores e traumas? Claro que tivemos e os temos até hoje, adultos. As feridas cicatrizam ao longo da vida com o cuidado correto.

Outra coisa importante a entender é que na adoção não existe a escolha de uma criança. Escolher trás ansiedade, fortes dúvidas, é cruel, não se tem como "escolher um filho", desta forma pode-se cair na triste impressão de que se está lidando com uma "mercadoria". Os tecnicos vão indicar uma criança que pelo perfil possa fazer parte daquela família com uma chance maior de haver harmonia, isso dentro do entendimento e experiência deles, o resto quem vai fazer é o adotante, com sensibilidade e sabedoria, tentando entender, se doar àquela nova relação, sem imaginar: "...e se fosse outra criança?". Esse tipo de pergunta pode acontecer, é natural, mas dificulta tudo, pois naquela relação que está se formando também tem a cara de quem está adotando, é a pessoa que está levando a relação adiante, então ela toma a forma que queremos e temos que ter, não só habilidade para levar adiante, mas para estar dispostos a mudar de postura, caso seja necessário, e muitas vezes é. A criança também responde a estímulos e muitas vezes eles são demasiadamente sutis e inconscientes, nem os pais os percebem. Jogo de cintura, tolerância, compreensão com aquele pequeno ser que está aprendendo a viver, e muito mais cheio de medo que quem adota, por mais que algumas vezes não deixe transparecer.

Sobre adoção interracial, tenho a dizer que quem adotou uma criança de etnia diferente da sua, por exemplo, e soube prepará-la com firmeza para a vida, sabe que essas diferenças não dificultam, depende de como se vê tudo e se prepara para enfrentar o mundo. A depender da postura dos pais, força e otimismo, as dificuldades só fortalecer a criança para o futuro.

As diferenças físicas entre pais e filhos adotados não são importantes. Importante é a forma com que você se relaciona com essas diferenças. E seu filho, com o tempo, também aprenderá a lidar da mesma forma com elas.

A questão é: somos responsáveis por nossas vidas e sobre como o mundo se comporta com nós. Se não está dando certo temos que olhar para dentro, mudar o jeito de dialogar, de se comportar e ver que as respostas também mudam. É difícil fazer, é difícil compreender essa teoria dos sistemas, mas quando aprendemos, se ganha a verdadeira liberdade de viver.
Por Cintia Liana
 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Amar e odiar se aprende

Google Imagens

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta". 
(Nelson Mandela)

Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Negros e pardos são maioria em 56,8% dos municípios, mostra estudo


No Norte e no Nordeste,
14/11/2011 14:32,  Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro

O Censo 2010 realizado pelo IBGE mostrou que a cidade com o maior número de negro e pardos é São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro e Salvados

O número de municípios onde os domicílios tinham maioria de pretos e pardos aumentou 7,6 pontos percentuais, entre 2000 e 2010, ao passar de 49,2% para 56,8%. A constatação faz parte do Mapa da População Preta & Parda no Brasil Segundo os Indicadores do Censo de 2010, divulgado nesta segunda-feira.

Em 1.021 cidades (18,3% do total), pretos e pardos eram mais de 75% da população. O estudo foi elaborado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O percentual de pessoas que se declararam pretas passou de 6,2% para 7,6% em uma década. O aumento foi maior entre as que se declararam pardas, de 38,5% para 43,1% no mesmo período. Em 2010, aproximadamente 91 milhões de pessoas se classificaram como brancas, 15 milhões como pretas, 82 milhões como pardas, 2 milhões como amarelas e 817 mil como indígenas.

O coordenador da pesquisa, Marcelo Paixão, acredita que os indicadores com base no Censo 2010 foram influenciados pelo processo de valorização da presença afrodescendente na sociedade brasileira e pela adoção das políticas afirmativas.

- Esses dados demonstram não só uma mudança demográfica, mas também política, social e cultural, porque expressa uma nova forma de visibilidade da população negra brasileira ao estimular que as pessoas assumam sua cor de pele de uma maneira mais aberta.-

O censo, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cada dez anos, introduziu, em 2010, a pergunta sobre cor ou raça para todos os domicílios e não mais por amostra, como era feito anteriormente.

Segundo Marcelo Paixão, a comparação dessa informação com dados futuros do IBGE, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do ano que vem e o Censo de 2020, será muito útil para traçar um perfil mais fiel da população.

- O interessante para 2020 é verificar se esse percentual da população preta e parda no Brasil vai continuar aumentando. Porque é claro que tem também uma população que não é negra. O ideal é que as bases de dados expressem melhor o perfil da população brasileira, que corresponda à realidade- , disse o economista.

De acordo com o levantamento de 2010, São Paulo é a cidade com maior número de pretos e pardos em todo o país, com cerca de 4,2 milhões, seguido do Rio de Janeiro (cerca de 3 milhões) e Salvador (cerca de 2,7 milhões).

Se forem considerados apenas negros, Salvador lidera o ranking com 743,7 mil, seguida de São Paulo (736 mil) e do Rio (724 mil).

respectivamente, 97,1% e 96,1% dos municípios eram formados por maioria preta e parda. No Centro-Oeste, esse percentual chegava a 75,5%, no Sudeste, a 37,1% e, no Sul, a apenas 2,3%.

Cunhataí, em Santa Catarina, é a única cidade brasileira sem a presença de pessoas que se declararam pretas.


Observação minha:
Só por questões de clarificação das "crenças" etnicas brasileiras, lembro que nem todo pardo tem descendência africana. O pardo normalmente é o mestiço, que pode ser não só o africano com o branco, mas também o índio, o português e outras nacionalidades de pele mais escura.

Postado Por Cintia Liana

sábado, 19 de novembro de 2011

Bonito é ter coragem pra fazer diferente!

Mandy Lynne
Texto publicado neste blog em 01 de dezembro de 2009
Por Cintia Liana Reis de Silva
Adoção interracial é outro tema importante. Precisamos entender que para ser e se sentir família não temos que ser como aquelas famílias da propaganda da Coca-Cola, onde sempre todos os membros são fisicamente iguais, se vestem da mesma forma e se comportam da mesma meneira. O sentimento de pertencimento parte da intenção, do amor e do acolhimento e passa bem longe de ter que ser igual. Essa idéia de padrão, herança física, nome igual ao pai, vem de um ideal patriarcal, capitalista e altamente ultrapassado. Cafona mesmo!

Quem tem filhos fisicamente diferentes sabe do que eu falo. O significado da relação é maior que qualquer detalhe relacionado a cor de pele, olhos, cabelos, altura, peso, idade ou até idioma.

Claro que ser parecida com a família pode tornar as coisas um pouco mais fáceis para a criança e até para os adultos que não estão acostumandos a lidar com as exigências desta sociedade preconceituosa e que não aceita o diferente como natural. Mas não devemos nos curvar ao preconceito, devemos enfrentá-lo! Não deixem de adotar uma crinaça negra só porque você é branco ou uma criança branca só porque você é negro. Faça diferente mesmo! Ensine! Tenha coragem! O amor supera todas as diferenças!

Eu li num blog o seguinte:
"Não se trata de preconceito, mas eu considero que assim fica mais fácil para a criança integrar-se ao novo lar, e evitam-se perguntas embaraçosas no futuro, pois nem sempre a criança sente-se confortável para falar do assunto, principalmente com estranhos. Se eu adotasse uma criança oriental, por exemplo, ela teria que responder a perguntas indiscretas para o resto da vida e não sei até que ponto isso a colocaria numa posição desconfortável ao aproximar-se de estranhos ou em sua vida social.

Imagino que crianças muito diferentes dos outros membros da família podem desenvolver sentimentos de 'um estranho no ninho'. Acho que fiz a escolha certa, porque quando eu mostro a foto de meus 5 filhos, às vezes digo que um deles é adotivo e peço para a pessoa identificá-lo. Até hoje ninguém acertou."

Com todo o respeito, mas o preconceito começa da frase "não se trata de preconceito". O que é preconceito? É o que a gente "acha".
Temos que deixar crianças esperando por uma adoção que pode demorar muito ou nunca chegar só porque ela tem a cor de pele diferente da sua ou porque vai ser difícil explicar alguma coisa aos outros? Por que explicar é tão importante?

Perguntemos às crianças se elas preferem ter uma família agora ou esperar mais tempo ou a vida toda para encontrar uma família parecida com elas? Certamente iram responder: "eu quero ter um pai e/ou uma mãe, não importa sua aparência física".
O que é a cor de pele perto da necessidade vital, psicológica, existencial de ter uma família, amparo, amor, base, segurança?

Será que teremos que adotar somente crianças iguais à nossa família, só para ser mais fácil explicar aos outros depois? Por que temos que responder à essas perguntas? Não respondamos então! Eduquemos com o não, com o silêncio. Ou então falemos da adoção, ensinemos com a verdade. Não importa os outros. O que importa é aquela criança que te viu e desejou que você fosse mãe dela, aquela que está à sua espera e não exige nada de você, só amor e cuidados parentais. Ela não quer que você seja rico, branco, negro, tenha carro, nada! Ela só quer poder se sentir pertencente. Só!
Não podemos nos dar ao luxo de negar adoções só porque a cor de pele entre as pessoas é diferente. Os abrigos estão cheios e essa diferença não compromete a relação!

Tem que ter muita coragem, preparo, amadurecimento e se permitir se livrar de preconceitos para adotar um filho diferente de nós, então vamos amadurecer? Porque as crianças que esperam por vocês desejam só isso, amadurecimento, mas você está numa grande fila de adoção, esperando por um bebê branco, recém nascido, do sexo feminino e imaginando que ele não traga nenhuma lembrança de sua vida anterior. Ilusão, o bebê já traz lembranças intraulterinas e isso não faz de ninguém merecedor do abandono por maiores que sejam essas lembranças. A criança não é um produto com valor de compra e venda que corre o risco de vir com defeito.

Enquanto você espera um, dois, três, quatro anos na filha de adoção, outras pessoas já estão se realizando com seus lindos e reais filhos, porque não é só aquele bebê que vai te fazer se sentir pai e mãe. Quem faz isso é o filho e filho não tem perfil certo, basta ter um coração.

Não é preciso ser casado e heteroxessual para adotar, nem é preciso ser Madonna, nem Angelina Jolie e Brad Pitt, Juca Chaves, Paulo Borges e Marcelo Antony para realizarem adoções interraciais e de crianças maiores. Existem pessoas perto de nós que fizeram isso e são muito felizes, ensinando aos outros que não tiveram a coragem de iniciar.

Não importa se é Jolie ou Madonna, bonito é ter coragem para ensinar e andar de cabeça erguida, começar um movimento mesmo correndo o risco de parecer louco aos olhos de quem não entende, fazer algo diferente porque acredita na alma daquilo, enfrentar os preconceitos por acreditar no ideal. Bonito é acreditar em si mesmo e em sua ação consciente, onde o amor sempre prevalece.
Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar e adoção. É autora do livro "Filhos da Esperança" e dos blogs http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com/ e http://www.finapresenca.blogspot.com/. Ela vive na Itália, onde trabalha com adoção internacional.
Primeira postagem deste texto com fotos dos famosos:
Por Cintia Liana

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Brasil multiétnico

Cintia Liana em frente ao prédio do consulado e embaixada brasileira em Roma, Itália

Aproveitando o assunto sobre a diversidade no Brasil...

Brasil: 192 milhões de habitantes, a quinta maior do mundo.
Brancos: 93 milhões de indivíduos (49,9%).
Pardos: No censo de 2005, 43,2% da população nacional se auto-declarou como sendo parda (mulatas, caboclas, cafuzas, mamelucas ou mestiças de negro com pessoa de outra raça).
Negros: cerca de 11 milhões de indivíduos (6,3%).
Índios: 0,4% da população brasileira.
Origem: 15,72% apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena, judaica e árabe.
(Fonte: IBGE, 2010)

Por Cintia Liana

Que mania que algumas pessoas têm de achar que o Brasil é composto majoritariamente de afro descendentes. Errado! Mania também de separar brancos e pardos/negros e achar que todas as pessoas de pele morena são descendestes de africanos. Errado!

Vai ter gente que vai ler isso e me chamar de racista, porque não consegue entender a riqueza etnica da qual nós somos feitos. Porque pensa que o racismo é só quando falamos do negro. Racismo vem da palavra raça. Preconceito e discriminação também têm significados diferentes.

Preconceito está em tudo, na nossa forma de ver muitas vezes distorcida, baseada em nossas próprias referências, nossa cultura, educação. Discriminação é a ação de discriminar. Se eu vir alguém discriminando qualquer pessoa por qualquer motivo eu brigo pelo oprimido, me meto mesmo, não aceito!

No Brasil também temos o descendente de índio, português, espanhol, italiano, alemão, francês, ucraniano, holandês, tem até a maior comunidade de Japoneses em São Paulo, por exemplo, e tem também o africano entre outros, mas dizer que o Brasil é africano é preconceito, discriminação com os descendentes de outros povos e é racismo.

Passar a vida achando que ter cabelo cacheado e pele morena quer dizer ser afro descendente é não conhecer outros povos que têm essas características, como o português de pele morena, por exemplo. Preconceito significa acreditar no que é baseado em algo que não é real. Ficam pessoas impondo a cultura do Brasil somente africana sem respeitar as outras etinias.

É difícil entender o Brasil, mas a ignorância dificulta o viver. Viva a igualdade e viva o conhecimento! Acabar com um preconceito não significa ter que criar outros.

Por Cintia Liana

Alguns dos comentários que recebi em meu facebook:

Adoro as suas colocações. São sempre muito intelegentes e reflexivas.
Você acredita que sempre ouço aqui em São Paulo duas frases: "Você é muito branca pra ser baiana". E a mais preconceituosa de todas: "Você é muito inteligente pra "uma baiana"!!
Realmente... a ignorância e o preconceito faz muita gente viver nas trevas!!"

"Tenho pele morena e cabelos lisos e sempre me incomodou o fato de acharem que se eu não me declarar negra, é por preconceito. Sou encantada com a cultura afro-brasileira, suas cores e batuques e sempre suspiro ao ver um belo negão! No entanto, meu avô paterno descende de italianos e portugueses e minha avó era índia. Meu avô materno também era descendente de italianos e minha avó materna era filha de um italiano com uma mestiça, descendente de negros com portugueses. Ou seja, simplificar-me como negra, seria negar mais de 90% da minha ascendência! O preconceito inverteu-se em uma Bahia que acha lindo alguém usar camisetas '100% Negro', mas que acharia absurdo se alguém usasse uma camiseta '100% Branco'. Eu sigo, sendo 100% mestiça e me orgulhando desta complexidade étnica e genética em que os brasileiros e, sobretudo, os baianos se encaixam!"

"É isso aí amiga, o Brasil não conhece o Brasil, temos uma miscigenação muito vasta e a falta de informação tende a ser simplista demais."


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Brasil de todas as raças

Google Imagens

Por Cintia Liana

Quando dizemos que um povo é constituído só assim ou daquele jeito é como se estivéssemos instituindo um modelo certo ou errado de ser e estar. O Brasil é multifacetado, é a nossa marca, a mistura, a diversidade e isso é lindo, é possibilidade de inclusão, é reconhecimento do que se esconde por falta de oportunidade.

Quando estipulamos um modelo do que é comum marginalizamos todo o resto. O Brasil é colorido! Devemos aproveitar isso para incluir e aceitar o que ainda insistimos em chamar de "diferente". Nós estamos a frente em muitas discussões e posturas sobre respeito e aceitação das diferenças, na luta pelas minorias. Podemos constatar isso quando vemos um par homossexual adotando uma criança; uma família de pele clara adotando uma criança negra; quando falamos abertamente sobre adoção preocupados com as outras crianças nos abrigos. Vamos investir no rompimento de regras e barreiras. Somos maiores que o preconceito e o amor supera tudo.

Ver o Brasil de fora (da Itália) é uma experiência grandiosa e comovente. Cada vez mais vejo as dificuldades do meu País, mas este é um processo para amá-lo cada vez mais e ver o quanto ele é bonito e pleno de grandes possibilidades.

Por Cintia Liana

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Preconceitos étnicos ou raciais impedem a adoção

Senza Frontiere ONLUS

ROMA - Os casais italianos que, ao apresentarem o pedido ao juiz para a adoção internacional, manifestarem o desejo de só querer adotar crianças de determinadas etnias, devem ser declarados candidatos incapazes, determinou o Tribunal de Cassação (a máxima instância judicial do país), cujas sentenças são inapeláveis.

O Supremo confirmou assim as recomendações do Ministério Público, que em abril passado pediu a retirada de toda e qualquer referência sobre a etnia das crianças nos decretos de adoção, com base no caso de um casal siciliano que só queria adotar crianças de origem europeia.

O citado tribunal foi ainda mais longe, ao afirmar que o juiz não só deve recusar a emissão de decretos de adoção discriminatórios, como questionar a própria capacidade do casal de se candidatar à adoção, com base em seus preconceitos étnicos ou raciais.

Em resumo, os que querem somente crianças do tipo "europeu" não tem as credenciais para desempenharem os papeis de mãe e pai.

Além disso, o Supremo Tribunal insistiu na necessidade dos serviços sociais formarem adequadamente os casais que iniciam os procedimentos de adoção internacional, orientando-os para "uma consciência mais profunda da natureza mais solidária e menos egoísta da opção de adoção e prevenir opções com conotações discriminatórias".

Com o apoio psicológico, acrescenta o Supremo, é possível ajudar os casais a superarem as dificuldades em aceitar "uma criança que não espelha sua própria imagem", ou o medo daqueles que rejeitam a criança "diferente" por temerem "fenômenos de xenofobia que ameaçam a futura integração social da criança e criem nela problemas de adaptação".

Em todos os casos, o citado tribunal não admite a possibilidade dos casais manifestarem preferências por "determinadas características genéticas" da criança desejada. Até porque todas as crianças abandonadas já têm uma história "profundamente atormentada" e, mais do que as demais, precisam de pais e mães "dotados de uma sensibilidade muito particular".

Fonte: Ansa Latina


Ao invés de aceitar o preconceito e maquiar a prática da adoção vamos mudar tudo! Nós é que temos que ensinar.

Postado Por Cintia Liana

domingo, 29 de maio de 2011

Mudança em favor do amor - Matéria com a participação da Psicóloga Cintia Liana

Por Amanda Corrêa
Fotos Retrato 3 Estúdio
Ilustração Paulo Werner

Dados do Cadastro Nacional de Adoção apontam queda da procura por crianças brancas. A revista Star conta histórias emocionantes de quem nunca se importou com o preconceito.

De acordo com os dados do Cadastro Nacional de Adoção de 2008, 70% dos adotantes exigiam crianças brancas na hora de adotar. Em 2010, este percentual caiu para 38%, onde 29,6% são indiferentes à cor e 1,93% aceita apenas crianças negras. Os dados apontam uma mudança na mentalidade dos candidatos a adotante. Entre crianças e adolescentes que esperam a adoção, 65% são negros, pardos, indígenas ou asiáticos.

“A queda da preferência por crianças brancas significa um avanço social tremendo. Acredito que isso tenha a ver com o Cadastro Nacional de Adoção e a nova lei da adoção (veja quadro na página 26). O processo acelerou porque o encontro entre adotantes e crianças à espera de adoção começou a ser mais ágil”, explica a defensora pública e coordenadora dos defensores públicos na área de família e civil, Marta Juliana Marques Rosado. “Toda criança tem direito a convivência familiar. Estas crianças negras estavam sendo preteridas disso, bem como as que tinham alguma deficiência física. Quando nunca, elas ficavam o resto da sua infância e adolescência no abrigo, até completar 18 anos”, conclui o defensor público da infância e da juventude de Belo Horizonte, Wellerson Eduardo Corrêa.

Mas, ainda assim, a diferença entre o número de candidatos a adotante e o número de crianças à espera da adoção é alarmante. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, 5.369 crianças de 0 a 17 anos foram registradas no Cadastro Nacional de Adoção em todo o Brasil até o dia 12 de agosto deste ano. Entre elas, 2.939 são meninos e 2.355 são meninas. O total de pais candidatos a adoção é bem maior: 28.988. Esta equação não fecha porque, além da questão racial, existem ainda outras barreiras. “O que observamos é que a criança que passa dos seis, sete anos de idade, já não consegue acolhimento na família substituta nacional. Aí, elas vão para famílias substitutas estrangeiras. O brasileiro possui resistência em adotar crianças mais velhas, o que chamamos de adoção tardia”, explica Corrêa.

Quebra de paradigma

A psicóloga Cintia Liana Reis de Silva atua como especialista em psicologia conjugal e familiar. Ela trabalha com adoção desde 2002 e foi perita da Vara da Infância e Juventude de Salvador - BA, um dos Estados brasileiros com a maior proporção de negros na população. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, PNAD, 14,4% da população baiana são negros e 64,4% pardos. Atualmente, Cintia atua na Itália como colaboradora de uma entidade de adoção internacional.

Segundo a psicóloga, um dos motivos que levaram à mudança nos dados do Cadastro Nacional de Adoção é a falta de crianças com os perfis procurados pelos candidatos a adotantes. “Em 2004, quando comecei a coordenar o serviço de psicologia da Vara da Infância e Juventude, existia um grande número de adotantes querendo meninas, brancas e recém nascidas. Em 2008, o quadro era completamente diferente. Muitas pessoas buscavam um perfil mais flexível, sem preferência de sexo ou cor de pele, além de crianças maiores de dois anos. Lembro-me que um casal alterou seu pedido no Cadastro Nacional de Adoção de uma criança de até dois anos, para uma de até 12. Acabaram adotando um menino negro de sete anos. Eles nutriam um amor imenso e hoje, três anos depois, estão muito felizes. Para a criança, o que importa é o amor que recebe, o amparo, os cuidados e a proteção. Não importa se terá só pai ou só mãe, se estes serão brancos ou negros ou que classe social terão”.

O medo de que as crianças mais velhas tragam alguma carga emocional da convivência que tiveram com os pais biológicos ou na instituição ou abrigo onde elas se encontravam antes de serem adotadas é um dos motivos que levam os candidatos a exigir crianças mais novas. “As pessoas acham que quanto menor a criança, mais absorverá a nova educação e mais se assemelhará a um filho biológico. Como acham que a criança ainda não tem uma personalidade formada, acreditam que não trará tantas recordações desagradáveis e hábitos da instituição ou da família de origem. São fantasias sociais, grandes mitos”.

Cintia explica que quando a criança se sente verdadeiramente amada e aceita, ela quer se tornar parecida com os novos pais. E isso, de fato, ocorre, independentemente da idade. “Se idade fosse assim tão importante para o vínculo, não existiriam tantos filhos biológicos com tantos problemas e se voltando contra os pais. Não existe uma fórmula. Existem situações complexas que devem ser tratadas com cuidado e afetividade”.

Para a psicóloga, a mudança nas exigências no Cadastro Nacional de Adoção pode ser explicada também pelo fato de que muitas celebridades como Madonna, Sandra Bullock e Angelina Jolie, têm adotado crianças negras. Existe uma imitação, mesmo que inconsciente, do comportamento de pessoas a quem se admira. “Quando alguém respeitado, conhecido e bem-sucedido adota, sempre abre novos caminhos e fortalece desejos. Isso faz com que as pessoas vejam como uma espécie de moda e como algo muito valioso, que só alguém bem resolvido e bem estruturado faz. E isso todo mundo quer ser”, afirma.

Para os defensores públicos, Wellerson Corrêa e Marta Rosado, a adoção é um ato de amor. “Os pretendentes têm que comprovar que estão amadurecidos para a paternidade. São pessoas que estão dispostas e sabem amar. A adoção é um desafio. Uma caixinha de surpresas. Mas é um processo irrevogável, como uma maternidade ou paternidade natural. A criança não virá pronta. Virá como um filho biológico, com todas as virtudes, mas também com todos os defeitos”, explica Corrêa. “As pessoas têm que estar preparadas para, quando aparecerem os defeitos, não colocarem a culpa na adoção”, completa Rosado. “É como aquele ditado: você ama não por causa de, você ama apesar de, não é?”, finaliza Corrêa.


Casos de amor

A empresária Silvia Rocha Veloso, de 49 anos, nunca havia pensado em adotar. Seus dois filhos já estavam crescidos quando ela conheceu Luana, então com dois anos, enquanto trabalhava como voluntária na extinta Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, Febem, em 2004. Como Silvia e a menina nutriram carinho uma pela outra, a empresária resolveu apadrinhá-la.

Luana e seu irmão, Jacson, então com oito meses de idade, tinham sido levados à Febem depois de uma denúncia de maus tratos por parte de seus pais. Enquanto estavam na instituição, sobre proteção do Juizado da Infância, os irmãos esperavam pela decisão da justiça, que fazia um trabalho de reintegração familiar. A dúvida era se seriam entregues de volta à família ou iriam para a lista de adoção.

O juiz responsável pelo caso decidiu que as crianças não tinham condições de voltar a viver com os pais biológicos. Luana e Jacson foram para a lista de crianças disponíveis para adoção e Silvia, com o apoio do marido Eugênio e dos filhos, pediu a guarda da menina. “Quando saiu a guarda eu falei para a Luana que, a partir daquele dia, não era pra ela me chamar mais de tia, que poderia me chamar de mãe. Perguntei: ‘você quer que eu seja sua mãe?’, e ela respondeu: ‘quero!’. Assim que eu virei as costas, era mãe pra cá, mãe pra lá. Ela tinha três anos e meio, mais ou menos”.

Depois de conseguida a guarda, a advogada de Silvia registrou um pedido de adoção, e ela e o marido passaram por entrevistas e visitas de assistentes sociais. Posteriormente à finalização do processo, uma assistente do juiz da Vara Civil da Infância e da Juventude de Belo Horizonte entrou em contato com Silvia para saber se ela gostaria de adotar o irmão da filha, Jacson. “Infelizmente, nem financeiramente nem psicologicamente eu poderia adotá-lo. Eu não tinha estrutura para ter duas crianças. Soube depois que um casal sem filhos adotou o Jacson”. Uma das assistentes sociais do processo do casal adotivo de Jacson entrou em contato com Silvia, certa vez, pedindo que ela desse seus contatos aos pretendentes caso eles ou o Jacson, mais tarde, quisessem entrar em contato com sua filha, Luana. Silvia autorizou e passou todos os contatos, mas nunca foi procurada.

A história de amor de Eneida Cabral de Lacerda e Silva, de 40 anos, com seu filho Gustavo também teve início em uma visita a um abrigo. Lá, a servidora pública conheceu e se apaixonou pelo menino, então com um ano e 11 meses. Ela já tinha um filho, Rafael, que sofre de deficiência mental, e havia tentado engravidar várias vezes, sem sucesso. Conheceu Gustavo, hoje com oito anos, quando já tinha desistido de tentar a segunda gravidez. “Quando cheguei, vi o Gustavo e me apaixonei. Não fui com intenção de buscar uma criança e nem de adotar. Foi a presença dele que me fez querê-lo. Foi um encontro lindo. Ele era um pouco desconfiado, mas pegou na minha mão e me chamou para passear com ele no primeiro momento que me viu”.

O processo de adoção de Gustavo teve início como o de Luana, com o apadrinhamento. Enquanto cuidavam do menino durante três meses concedidos pela justiça, Eneida e o ex-marido, Márcio, decidiram adotá-lo. Mas o processo teve um contratempo. Gustavo ainda estava vinculado ao poder do pai biológico. “O processo correu bem, a assistente veio aqui em casa, tudo aconteceu direitinho, mas ela me disse que o Gustavo não estava na fila de adoção, porque o pai ainda tinha sua guarda. Só a mãe que não”. A adoção só aconteceu depois do pedido de destituição e da autorização do pai. “Quase morri quando ela disse que, se o Gustavo fosse para a fila de adoção, ele seria adotado logo, logo por outra pessoa”.

Entre pais e filhos

Eneida e Silvia concordam que a paternidade e a maternidade através da adoção não é uma escolha racional. É algo inexplicável, uma escolha do coração. “No dia em que meu pai faleceu, saiu a adoção definitiva do Gustavo”, conta Eneida. “Ele é uma criança extremamente amável comigo, com os irmãos e com o pai. Ele sempre me fala: ‘mãe, quando eu nasci você estava nos meus sonhos’”.

O preconceito é uma das barreiras que as mães e as crianças têm que enfrentar. Silvia conta que sofre com o julgamento dos outros, mas que é Luana quem mais sente. “Vejo pessoas, até dentro da minha família, que têm preconceito por que os primos da Luana são todos loirinhos. Tentei afastar ela dessas pessoas e até da família, mas a psicóloga me aconselhou a não fazer isso. Disse que ela tinha que aprender a conviver com essas coisas. E a Luana sente. Ela já me pediu para pintar o cabelo dela de amarelo, porque ela queria ficar igual a mim e à irmã dela. Eu, meu marido e os irmãos dela falamos sempre que ela é linda, que a cor dela é linda”, diz.

As mães contam que a adoção é mais que um ato em favor da criança. É um ato em favor de si, da família e do amor nutrido entre pais e filhos. “O Gustavo completa a gente. Completa a nossa família. Lógico que não é fácil, mas nenhuma criança é. Escuto muita gente falando que fui corajosa ou que fiz um ato muito bonito, mas eu não vejo por este lado. Fiz pelo prazer em tê-lo. E digo sempre que quem ganhou nesta história fui eu. Olho para o Gustavo e choro de paixão. Não tem diferença entre ele e os outros filhos. O carinho é exatamente o mesmo”.

Para Silvia, sua vida, hoje, é em função da filha, mas nunca se arrependeu da adoção. “Nossa rotina mudou. Minha vida é totalmente tumultuada por causa da Luana, por ter escolinha de novo, ter que levá-la à psicóloga, psicopedagoga, neurologista. Mas vale muito a pena. Em nenhum momento, por mais trabalho que a Luana me dá, eu e meu marido nos arrependemos. É muito gratificante. Ela é muito carinhosa, amável. Acho que, no final, a gente ganha muito mais do que dá para ela. O retorno é muito bom”.



Postado Por Cintia Liana

domingo, 6 de março de 2011

"Famílias do Coração". Por Cintia Liana

Foto: Cintia Liana. Projeto piloto "Famílias do Coração".

Em 2008 realizei junto às jornalistas Jeane Barreto e Thaís Seixas, em parceria com a FSBA, este projeto piloto para um quadro de TV sobre adoção e agora mostro para vocês em primeira mão.

Quero agradecer ao casal André e Silvana, sempre presentes em todas as iniciativas na luta pela adoção. Pessoas encantadoras e de coração enorme. Um abraço a Thiago e Mariana, lindos!

Agradeço também aos pais e às crianças, que estão junto a mim na foto de fundo, pela autorização em usá-la no vídeo.






Por Cintia Liana

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quase metade dos adultos que querem adotar faz questão de escolher cor da criança

Foto: Google Imagens

Publicada em 24/01/2011 às 16h14m
Por Carolina Brígido
BRASÍLIA - O cadastro de adoções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela uma realidade cruel: 37,25% dos candidatos a pais - 11.316 do total de 30.378 - só aceitam receber em seus lares crianças brancas. Ou seja, se houver uma criança disponível, mas com outra cor de pele, a adoção não será considerada por esses adultos. De acordo com os números do cadastro, a raça ainda é um fator essencial na hora de uma família escolher uma criança. Dos adultos inscritos, 14.259, ou 46,94%, fazem questão de escolher a cor da pele do futuro filho.

Além das exigências caucasianas, 5,81% (1.764) só aceitam uma criança de pele parda; 1,91% (579) só aceita uma criança negra; 1% (304) só aceita uma criança amarela; e 0,97% (296), uma criança indígena.

O perfil de quem aguarda um lar não é condizente com as exigências. No cadastro, a maioria das crianças e adolescentes é parda - 50,57%, ou 4.020 de um total de 7.949. Estão disponíveis 2.411 crianças brancas, ou 30,33% do total. Também aguardam uma família 1.441 (18,13%) crianças negras, 41 (0,52%) amarelas e 36 (0,45%) indígenas.

A juíza Andréa Pachá, titular da 1ª Vara de Família de Petrópolis (RJ), alerta para o perigo de se ver a adoção como um processo biológico, e não de acolhimento.

- É um dado estarrecedor. Ainda é forte a fantasia de que a adoção deve obedecer aos critérios da família biológica. Família é muito mais um núcleo de afeto do que herança biológica. Criança é criança, não tem cor. O discurso que se tem é o de que a criança não pode se sentir diferente. Mas isso é uma forma de racismo - analisa.

A tese faz sentido. No cadastro, metade dos pretendentes à adoção da Região Sul só querem uma criança se ela for branca. Para a magistrada, que lida com esse tipo de situação diariamente, o cenário melhorou nos últimos anos.

- Isso era pior antes. Hoje é mais fácil por uma criança de outra raça em uma família substituta. Temos encontrados casais que queriam uma menina loira de olhos azuis e, depois de visitar um abrigo, mudam de ideia. Esse perfil de menina loira de olhos azuis não é o que temos nos abrigos - diz.

Há ainda outras dissonâncias entre o perfil desejado pelos pais e as crianças disponíveis para a adoção, como a idade, os eventuais problemas de saúde e o fato de haver irmãos (nesses casos, não é recomendada a separação deles). Essas exigências têm impedido milhares de adoções no país. São 30.378 adultos cadastrados e 7.949 crianças aguardando a adoção. Ou seja: há 3,8 candidatos a pais por menor abandonado. Ainda assim, desde a criação do cadastro, em abril de 2008, o mecanismo proporcionou apenas 267 adoções.

A idade também é determinante na hora de escolher um filho. Os candidatos à adoção preferem crianças mais novas. Apenas 6,78%, ou 2.058, aceitam crianças com idade entre 6 e 10 anos. Outros 228 (0,76%) aceitam adotar um menor de 11 a 17 anos. No cadastro, há 2.006 crianças, ou 25,2% do total, com idade de 6 a 10 anos. Há também outras 3.855 crianças e adolescentes, ou 48,5%, com idade entre 11 e 17 anos.

Entre os pretendentes a pais, 5.342, ou 17,59%, aceitam adotar irmãos. Existem no cadastro 1.531, ou 19,26%, crianças com irmãos. Boa parte das crianças disponíveis - 1.411, ou 17,75% - têm problemas de saúde. O cadastro não tem informação de quantos adultos aceitam adotar uma criança doente.

Jornal O Globo


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tribunal Constata Ausência de Preconceito em Adotantes Internacionais

Foto: Cintia Liana visita projeto social na Bahia
para construção de projeto de adoção à distância na Itália

10/01/2011 | Fonte: TJSP

O Tribunal de Justiça de São Paulo publicou um relatório do perfil de adotantes estrangeiros e identificou ausência de preconceito entre os pretendentes estrangeiros em relação à cor, problemas físicos e psicológicos tratáveis ou leves. Cerca de 96% dos requerentes manifestaram disponibilidade para crianças e adolescentes que foram vitimizados.

A coleta de dados foi realizada pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional do Estado de São Paulo (Cejai) ao analisar 171 dossiês dos requerentes à adoção, no qual são juntadas as documentações necessárias à formalização do pedido, inclusive tradução dos estudos social e psicológico realizados no país de origem, no período compreendido entre os meses de janeiro a dezembro de 2009.

Dos 171 habilitações finalizadas para a adoção internacional, 83,64% foram indiferentes quanto à cor da pele, embora quase a totalidade dos pedidos de habilitação sejam de pretendentes de cor de pele branca, há predominância de famílias disponíveis para a adoção de crianças com diferentes etnias e cor de pele daquela da família adotante.

Outro fato observado foi em relação à idade, pois 53% dos pretendentes a adoção aumentaram sua disponibilidade para crianças com idade superior àquela inicialmente apontada.

Todos os requerentes tiveram seus pedidos de habilitação representados por meio de organismos credenciados para a adoção internacional, em conformidade com decisão unânime de reunião da Comissão Internacional de Adoção Internacional do Estado de São Paulo, de que a partir de julho de 2008 não seriam habilitados novos pretendentes de países ratificantes da Convenção de Haia sem a intermediação desses organismos.

De acordo com o estudo, a Itália é o país que mais busca adotar crianças e adolescentes brasileiras (81,88%), seguida pela França com 14%, Espanha e Noruega. Essa tendência tem se mantido nos últimos anos.

Observou-se ainda que quase a totalidade dos requerentes se constitui de casais heterossexuais, em domicílio comum, casados legalmente. Entre os pretendentes que adotaram sozinhos, houve duas mulheres solteiras e uma divorciada. A renda familiar desses pretendentes concentra-se entre as faixas de 30 a 100 mil dólares anual.

A adoção internacional é acompanhada de todo um processo de preparação e orientação sobre o Brasil, país escolhido pelas famílias adotantes, como sua legislação, cultura, situação, necessidades e demandas das crianças e adolescentes que vivem acolhidos em instituições, motivos que podem levar a destituição do poder familiar. A adoção internacional acontece apenas quando esgotadas todas as possibilidades de adoção por uma família residente no Brasil.

As famílias residentes no exterior que adotam no Brasil também são informadas e concordam com o fato de que serão acompanhadas, com o envio de relatórios periódicos quanto à adaptação da família, às autoridades centrais brasileiras, pelo período mínimo de dois anos ou até que seja apresentada a certidão de nascimento com a cidadania do país de acolhida.

O estudo também supõe que as famílias que se inscrevem para a adoção internacional serão apenas aquelas que aceitam todas as condições e exigências das autoridades brasileiras, como também se mostram preparadas para assumir esse compromisso.


Postado Por Cintia Liana

domingo, 26 de dezembro de 2010

Irmãos adotados no Brasil se encontram em Milão

Foto: Google Imagens

Nesta sexta, 17 de dezembro, o Mais Você mostrou uma reportagem de arrepiar: a história de quatro irmãos que nasceram em Santo Amaro, bairro muito populoso da zona sul de São Paulo, e tiveram o pai morto num episódio de violência. Gustavo (11), Pâmela (9), Vitória (8) e Natasha (5) foram abandonados pela mãe e pararam num abrigo porque sofriam maus tratos por parte das irmãs mais velhas. As crianças foram adotadas por duas famílias italianas, de Brescia, Milão. A repórter Thaís Itáqui, do Profissão Repórter, acompanhou a história completa, desde o encontro da nova família no Brasil até a ida para o novo país.

Pamela e Vitória foram primeiro para Itália com os pais Luisa e Luca. Já Gustavo e Natasha foram adotados por Cinzia e Paolo. Thaís já conhecia os irmãos há 4 anos e tinha um carinho enorme por eles, assim como por todas as outras que ainda estão no abrigo. “A gente acaba se aproximando muito delas. Quando fiquei sabendo da história, na hora quis mostrar. Pra mim foi mais emocionante porque conhecia a história delas”, contou no estúdio do Mais Você. Além de Thaís, Ana Maria Braga recebeu Iasin Ahmed, juiz da vara e da infância e da juventude de Santo Amaro.

Thaís falou sobre a experiência de conviver com a rotina da primeira semana de uma família adotiva num país diferente, com culturas e costumes distintos. No período de gravação, a proximidade com as crianças a ajudou muito. Eles se sentiam confiantes e à vontade com Thais. Na Itália, as meninas queriam lhe mostrar e contar tudo, afinal ela era a única referência do Brasil que restava para as crianças. Para a repórter, é preciso ter um olhar de responsabilidade social como os italianos tiveram. “Eles estão dando o maior amor do mundo”.

Segundo a comissão estadual judiciária de adoção internacional de São Paulo, 4 mil adoções, em média, são feitas por ano no estado. Desse número, apenas 200 são internacionais. Dados do cadastro nacional de adoção mostram que cerca de 8 mil crianças estão na fila para serem adotadas. 18% negras, 30% brancas e 50% pardas. 71% possuem irmãos. se o número de meninos e meninas que esperam ser adotados é grande, o de casais a procura de filhos nem se fala: são mais de 30 mil. Mas, 84% só querem adotar uma criança. 37% só aceitam crianças brancas, 82% não aceitam irmãos e 78% só aceitam crianças de até 3 anos de idade.

Fonte: Rede Globo, "Mais Você"


Postado Por Cintia Liana

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Bonito é ter coragem pra fazer diferente!

Foto: Jolie com Brad Pitt e dois de seus filhos


Foto: Revista Caras, Paulo Borges, Diretor do SP Fashion Week, e seu filho Henrique, adotado em Salvador-BA


Foto: Cintia Liana com mãe e filho, Tereza e Gabriel

Foto: Cintia Liana com mãe e filha, Silvana e Mariana

 
Foto: Madonna com seus filhos

Foto: Família Jolie

Por Cintia Liana Reis de Silva

Adoção interracial é um tema importante. É precisamos entender que para ser e se sentir família não temos que ser como aquelas famílias da propaganda da Coca-Cola, onde sempre todos os membros são fisicamente iguais, se vestem da mesma forma e se comportam da mesma maneira. O sentimento de pertencimento parte da intenção, do amor e do acolhimento e passa bem longe de ter que ser igual. Essa ideia de padrão, herança física, nome igual ao pai, vem de um ideal patriarcal, capitalista e altamente ultrapassado. Cafona mesmo!

Quem tem filhos fisicamente diferentes sabe do que eu falo. O significado da relação é maior que qualquer detalhe relacionado a cor de pele, olhos, cabelos, altura, peso, idade ou até idioma.

Claro que ser parecida com a família pode tornar as coisas um pouco mais fáceis para a criança e até para os adultos que não estão acostumados a lidar com as exigências desta sociedade preconceituosa e que não aceita o diferente como natural. Mas não devemos nos curvar ao preconceito, devemos enfrentá-lo! Não deixem de adotar uma criança negra só porque você é branco ou uma criança branca só porque você é negro. Faça diferente mesmo! Ensine! Tenha coragem! O amor supera todas as diferenças!

Eu li num blog o seguinte:
"Não se trata de preconceito, mas eu considero que assim fica mais fácil para a criança integrar-se ao novo lar, e evitam-se perguntas embaraçosas no futuro, pois nem sempre a criança sente-se confortável para falar do assunto, principalmente com estranhos. Se eu adotasse uma criança oriental, por exemplo, ela teria que responder a perguntas indiscretas para o resto da vida e não sei até que ponto isso a colocaria numa posição desconfortável ao aproximar-se de estranhos ou em sua vida social.
Imagino que crianças muito diferentes dos outros membros da família podem desenvolver sentimentos de 'um estranho no ninho'. Acho que fiz a escolha certa, porque quando eu mostro a foto de meus 5 filhos, às vezes digo que um deles é adotivo e peço para a pessoa identificá-lo. Até hoje ninguém acertou."

Com todo o respeito, mas o preconceito começa da frase "não se trata de preconceito". O que é preconceito? É o que a gente "acha".
Temos que deixar crianças esperando por uma adoção que pode demorar muito ou nunca chegar só porque ela tem a cor de pele diferente da sua ou porque vai ser difícil explicar alguma coisa aos outros? Por que explicar é tão importante?

Perguntemos às crianças se elas preferem ter uma família agora ou esperar mais tempo ou a vida toda para encontrar uma família parecida com elas? Certamente iram responder: "eu quero ter um pai e/ou uma mãe, não importa sua aparência física".
O que é a cor de pele perto da necessidade vital, psicológica, existencial de ter uma família, amparo, amor, base, segurança?

Será que teremos que adotar somente crianças iguais à nossa família, só para ser mais fácil explicar aos outros depois? Por que temos que responder à essas perguntas? Não respondamos então! Eduquemos com o não, com o silêncio. Ou então falemos da adoção, ensinemos com a verdade. Não importa os outros. O que importa é aquela criança que te viu e desejou que você fosse mãe dela, aquela que está à sua espera e não exige nada de você, só amor e cuidados parentais. Ela não quer que você seja rico, branco, negro, tenha carro, nada! Ela só quer poder se sentir pertencente. Só!

Não podemos nos dar ao luxo de negar adoções só porque a cor de pele entre as pessoas é diferente. Os abrigos estão cheios e essa diferença não compromete a relação!

Tem que ter muita coragem, preparo, amadurecimento e se permitir se livrar de preconceitos para adotar um filho diferente de nós, então vamos amadurecer? Porque as crianças que esperam por vocês desejam só isso, amadurecimento, mas você está numa grande fila de adoção, esperando por um bebê branco, recém nascido, do sexo feminino e imaginando que ele não traga nenhuma lembrança de sua vida anterior. Ilusão, o bebê já traz lembranças intrauterinas e isso não faz de ninguém merecedor do abandono por maiores que sejam essas lembranças. A criança não é um produto com valor de compra e venda que corre o risco de vir com defeito.

Enquanto você espera um, dois, três, quatro anos na filha de adoção, outras pessoas já estão se realizando com seus lindos e reais filhos, porque não é só aquele bebê que vai te fazer se sentir pai e mãe. Quem faz isso é o filho e filho não tem perfil certo, basta ter um coração.

Não é preciso ser casado e heterossexual para adotar, nem é preciso ser Madonna, nem Angelina Jolie e Brad Pitt, Juca Chaves, Paulo Borges e Marcelo Antony para realizarem adoções interraciais e de crianças maiores. Existem pessoas perto de nós que fizeram isso e são muito felizes, ensinando aos outros que não tiveram a coragem de iniciar.

Não importa se é Jolie ou Madonna, bonito é ter coragem para ensinar e andar de cabeça erguida, começar um movimento mesmo correndo o risco de parecer louco aos olhos de quem não entende, fazer algo diferente porque acredita na alma daquilo, enfrentar os preconceitos por acreditar no ideal. Bonito é acreditar em si mesmo e em sua ação consciente, onde o amor sempre prevalece.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar e adoção. É autora do livro "Filhos da Esperança" e dos blogs http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com/ e http://www.finapresenca.blogspot.com/. Ela vive na Itália, onde trabalha com adoção internacional.

Foto: Família Jolie. Famíia colorida. E viva a diversidade!

Por Cintia Liana

Livro da Psicóloga Cintia Liana sobre o percurso de construção da família através da adoção e seus aspectos psicológicos.
Para comprar ou visualizar:
http://www.agbook.com.br/book/43553--Filhos_da_Esperanca
(2ª Edição - 2012)