"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A herança emocional dos nossos antepassados

Foto: Biblioteca Virtual de Antroposofia

“A verdade sem amor dói. A verdade com amor cura.” 
A mente é maravilhosa, 20 nov 2017
A herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro, porque assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.
Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.
Esta situação foi muito bem retratada no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, que mostra como o mesmo medo é repetido através de diferentes gerações até que se torna realidade e termina com toda uma linhagem. O que herdamos das gerações anteriores são os pesadelos, os traumas e as experiências mal resolvidas.
A herança de nossos antepassados que atravessa gerações
Esse processo de transmissão entre as gerações é algo inconsciente. Normalmente são situações ocultas ou confusas que causam vergonha ou medo. Os descendentes de alguém que sofreu um trauma não tratado suportam o peso dessa falta de resolução. Eles sentem ou pressentem que existe “algo estranho” que gravita ao seu redor como um peso, mas que não conseguem definir o que é.
Por exemplo, uma avó que foi abusada sexualmente transmite os efeitos do seu trauma, mas não o seu conteúdo. Talvez até mesmo seus filhos, netos e bisnetos sintam uma certa intolerância em relação à sexualidade, ou uma desconfiança visceral das pessoas do sexo oposto, ou uma sensação de desesperança que não conseguem explicar.
Essa herança emocional também pode se manifestar como uma doença. O psicanalista francês Françoise Dolto, disse, “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo”.
Assim como existe um “inconsciente coletivo“, também existe um “inconsciente familiar”. Nesse inconsciente estão guardadas todas as experiências silenciadas, que estão escondidas porque são um tabu: suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, etc. O trauma tende a se repetir na próxima geração, até encontrar uma maneira de tornar-se consciente e ser resolvido.
Esses desconfortos físicos ou emocionais que parecem não ter explicação podem ser “uma chamada” para que tomemos consciência desses segredos silenciados ou daquelas verdades escondidas, que provavelmente não estão na nossa própria vida, mas na vida de algum dos nossos antepassados.
O caminho para a compreensão da herança emocional
É natural que diante de experiências traumáticas as pessoas reajam tentando esquecer. Talvez a lembrança seja muito dolorosa e elas acreditam que não serão capazes de suportá-la e transcendê-la. Ou talvez a situação comprometa a sua dignidade, como no caso de abuso sexual, em que apesar de ser uma vítima, a pessoa se sente constrangida e envergonhada. Ou simplesmente querem evitar o julgamento dos outros. Por isso, o fato é enterrado e a melhor solução é não falar sobre assunto.
Este tipo de esquecimento é muito superficial. Na verdade o tema não está esquecido, a lembrança é reprimida. Tudo que reprimimos se manifesta de uma outra forma. É mais seguro quando volta através da repetição.
Isto significa que uma família que tenha vivenciado o suicídio de um dos seus membros provavelmente vai experimentá-lo novamente com outra pessoa de uma nova geração. Se a situação não foi abordada e resolvida, ficará flutuando como um fantasma que voltará a se manifestar mais cedo ou mais tarde. O mesmo se aplica a todos os tipos de trauma.
Cada um de nós tem muito a aprender com os seus antepassados. A herança que recebemos é muito mais ampla do que supomos. Às vezes os nossos antepassados nos fazem sofrer e não sabemos o porquê.
Talvez tenhamos nascido em uma família que passou por muitas vicissitudes, e não saibamos qual é o nosso papel nessa história, na qual somos apenas um capítulo. É provável que esse papel nos tenha sido atribuído sem o nosso conhecimento: devemos perpetuar, repetir, salvar, negar ou encobrir as feridas destes eventos transformados em segredos.
Todas as informações que pudermos coletar sobre os nossos antepassados serão o melhor legado que podemos ter. Saber de onde viemos, quem são essas pessoas que não conhecemos, mas que estão na raiz de quem somos, é um caminho fascinante que só nos trará benefícios. Isto nos ajudará a dar um passo importante para chegar a uma compreensão mais profunda de qual é o nosso verdadeiro papel no mundo.
Fonte: http://www.antroposofy.com.br/forum/a-heranca-emocional-dos-nossos-antepassados/

sábado, 11 de novembro de 2017

Leis jurídicas, leis sistêmicas e a prioridade de permanência na família de origem

Google Images


É interessante como as leis brasileiras de adoção respeitam as leis sistêmicas familiares. Ao menos, é o que se vê “no papel”. 
O fato de dar prioridade à criança de permanecer em sua família biológica, no intuito de proteger o seu direito intrinseco, de crescer no seu seio de origem, inserida em seu campo energético de nascimento, por exemplo, é algo altamente subjetivo e traz uma ordem social também muito profunda. Isso não faz referência ao sangue, mas à energia, ao seu destino. Destino num sentido mais amplo e não no sentido religioso. E é necessário uma profunda humildade para entender isso. Humildade, para não alimentarmos a pretensão de que temos o poder de “arrancá-la fisicamente” do convívio dos seus antenados. 
Esgotadas essas possibilidades de permanência, é que ela vai para adoção, o que é algo também muito precioso, mas faz parte de outra etapa. A partir daí, ela começa a fazer parte de dois sistemas familiares, o de origem e o de nascimento. Os dois são importantes e serão sempre essencias em sua vida. Um deu a vida e o outro deu a possibilidade dela continuar "existindo psicologicamente", na dignidade e no amor. 
Conhecer as leis sistêmicas, protege criança, família adotiva e biológica de sofrer as negativas consequências no caso de injustiças, do desrespeito a essas ordens, que a nossa lógica racional, muitas vezes, tem a impossibilidade de conceber.



Cintia Liana

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Terapia familiar sistêmica: a terapia que mudou a minha vida


Por Carolina Vila Nova
Constelação Familiar Sistêmica é uma terapia criada pelo psicanalista alemão Bert Hellinger, que ocorre de forma energética e fenomenológica.  A terapia acontece em um local onde haja espaço para um grupo de pessoas e sua movimentação. Há um terapeuta que comanda a sessão, chamada de Constelação. Pouco é falado pelo terapeuta.  E menos ainda pela pessoa constelada (o paciente). A sessão ocorre em forma de movimentos: a energia surge do inconsciente do constelado e um grande fenômeno acontece.
O terapeuta pergunta ao paciente o que ele veio buscar ali hoje. O paciente responde, por exemplo, que precisa resolver um problema em seu casamento. O terapeuta solicita que a pessoa constelada escolha uma pessoa do grupo presente para representá-lo. A pessoa então escolhe alguém e posiciona a mesma no espaço que se tem para a constelação, denominado como campo (geralmente uma grande sala vazia, rodeada de pessoas sentadas à sua volta). O constelado se senta. Em segundos a pessoa que foi colocada no campo como representante começa a se movimentar. Esta pessoa simplesmente sente vontade de agir de uma determinada forma e o faz. Cada gesto tem um significado. E o terapeuta pode ler através desses gestos, os passos seguintes a serem executados. Mais pessoas vão sendo escolhidas, uma a uma, para representar a situação da pessoa constelada. No exemplo citado, se escolheria mais um representante para o cônjuge. Em seguida, representam-se os pais para o constelado e seu cônjuge. Filhos, irmãos e outros podem ser também representados. A ordem das representações e quem acabam sendo representados é sempre orientado pelo terapeuta.
O que ocorre é que os representantes no campo da constelação acabam agindo como atores mágicos, atuando como os personagens da vida da pessoa constelada. Podem-se ver pessoas chorando, gritando, dançando, falando, como se tivesse existido ali um roteiro criado e estudado da vida daquela pessoa. É algo tão real, que chega a parecer mágico.
Uma constelação pode durar trinta minutos, uma hora ou até uma hora e meia. Não existem regras. Existe um movimento energético que todos sentem e o terapeuta além de sentir, interpreta e guia. Através dos acontecimentos mostrados pelos representantes, o constelado vê a sua própria vida passando pelos seus olhos, mas sob uma nova perspectiva: do todo! A constelação familiar sistêmica leva sempre em consideração a importância dos membros da família: pais, avós, irmãos, filhos e netos, além de cônjuges, filhos adotados e quem mais pertencer aquele ciclo familiar. Ninguém nunca pode ser excluído. Ou veem-se as consequências de tal exclusão no mesmo meio familiar.
É possível se descobrir segredos através de uma constelação familiar, uma vez que toda a verdade que cerca a vida de uma pessoa e sua família está impregnada em seu inconsciente. E aí então se manifesta. Por exemplo: pode existir numa família uma criança que foi adotada, que não é legítima, mas que não foi apresentada como tal. Numa constelação, esta informação se revela. Bem como outras.
A constelação familiar é uma terapia intensa, surpreendente. Chega a ser chocante, tamanha verdade que se vê e o pouco que se compreende em sua manifestação. Não apenas a pessoa constelada se beneficia em sua sessão, mas todos os representantes que participam da terapia, pois os representantes acabam sempre sendo escolhidos energeticamente pelo inconsciente do constelado, de forma que aquela pessoa sempre terá alguma identificação em si mesmo com o que virá a representar no campo. Esta também se beneficia: se cura.
Segundo Bert Hellinger, não devemos tentar entender o que acontece numa constelação. Quando se tenta compreender, de alguma forma interrompemos ou atrapalhamos a energia que está no comando da situação. Como seres humanos, confusos e tão pequenos, afirmo que é muito difícil ver tamanha manifestação e não tentar compreendê-la. Mas aos poucos aprendemos a apenas aceitá-la e não mais entendê-la.
Quando uma sessão acaba, pode ser que a mesma tenha indicado uma tarefa a ser realizada, por exemplo: conversar com o cônjuge sobre algo do passado, que transformou aquela união em algo ruim. Ou pode ser que nada mais precise ser feito. A energia liberada ali continua se manifestando. E as mensagens trocadas naquele momento agem como se realmente tivessem acontecido com as pessoas reais ali representadas.
Quando eu mesma fiz a minha primeira constelação, fiquei em estado de choque por alguns dias. Descobri alguns segredos de mim mesma e de demais. Após duas semanas, comecei a perceber grandes mudanças em mim. Com o passar do tempo, percebi que as pessoas envolvidas em minha sessão também haviam começado a mudar em relação a mim e as minhas questões.
A mudança foi tamanha que constelei mais duas vezes, de meses em meses. Esta não é uma terapia que pode ser feita regularmente como a pessoa a ser constelada. Tem que se dar tempo ao tempo, literalmente. Como representante pode-se participar sempre.
Meses após minhas constelações, vi mudanças que nunca, nem como escritora, havia sonhado. Nem em meu pico mais alto de criatividade poderia ter inventado tamanhas reviravoltas em minha vida. Estas que me levaram a um estágio melhor de vida e consciência: autoconhecimento e aceitação. Resignação diante daquilo que é, do que não se muda.
Muito há para se falar da Constelação Familiar Sistêmica. Apesar de adepta à terapia, ainda sinto que apenas duas páginas para se falar do assunto é extremamente pouco. Mas enquanto não me especializo no assunto para a escrita do merecido e sonhado livro a respeito, fica aqui o meu testemunho e desejo, de que todos saibam da existência e poder desta viva terapia.
A Constelação Familiar Sistêmica, a meu ver, é a mais intensa, forte e viva terapia nos dias atuais. Para alguns pode ser que seja intensa e real demais. Ainda assim, vale a pena conhecer e falar com o terapeuta a respeito. E depois, talvez, se decidir por ela!
Fonte: http://www.contioutra.com/constelacao-familiar-sistemica-a-terapia-que-mudou-a-minha-vida/

sábado, 2 de abril de 2016

O que é uma Constelação Familiar?

Google Imagens

Por Marise Sampaio Dias


A Constelação Familiar, é uma abordagem psicoterapêutica,  criada por Bert Hellinger. Este trabalho, entre outras possibilidades,  conduz ao reconhecimento das "Ordens do Amor", tornando claros e evidentes os profundos vínculos que unem uma pessoa à sua família e à sua ancestralidade. 

Estamos ligados ao destino da nossa família, incluindo gerações muito distantes, não apenas por herança genética, mas especialmente por vínculos,  laços de amor e lealdade e por aquilo que simplificadamente podemos chamar de "consciência coletiva comum".  

Esta consciência coletiva busca equilíbrio gerando compensações sistêmicas, exigindo a reparação de injustiças cometidas dentro do sistema ou por representantes dele (nos casos de danos provocados a outrem); nesta "reparação"  membros da geração atual são levados inconscientemente a "tentar resolver" situações e/ou a completar  tarefas  que ficaram pendentes nas gerações anteriores.  

Deste modo, problemas que são vividos no presente, podem ter conexão com atuais ou antigos vínculos familiares e expressam, além das tentativas de reparação em busca do equilíbrio, aquilo que chamamos de "lealdades invisíveis".  

Isto é tão poderoso que não precisamos conhecer nem os fatos, nem as pessoas envolvidas, para sermos profundamente afetados pelos seus destinos.

A colocação de uma constelação revela a dinâmica geralmente oculta do sistema familiar. De modo simples e direto, as tensões, conflitos, vínculos e emaranhamentos (repetição de destinos trágicos ou difíceis) são trazidos à consciência.

A situação de vida do cliente, passa a ser vista portanto, a partir de uma perspectiva sistêmica, muito mais  ampla e profunda, do que a habitual visão de sua história biográfica. Com o conhecimento das ordens do amor e reconhecimento das leis que regem os relacionamentos -  as forças que atuam no sistema podem ser  então direcionadas para a cura.

Todos os membros do sistema precisam ser reconhecidos, respeitados e recolocados no seu devido lugar. Quando a ordem, a hierarquia e o equilíbrio sistêmico são reestabelecidos, o amor original pode fluir livremente trazendo consigo a solução que emerge no decurso de uma constelação. 

A força e a profundidade deste trabalho não pode ser descrita, mas é facilmente experimentada e reconhecida por todo aquele que coloca a sua constelação, ou deste processo participa enquanto representante ou observador. 

Muitos paradigmas precisam ser quebrados para que se possa compreender este trabalho de processo aparentemente tão simples. Não é tão fácil conceber que uma Constelação possa promover cura no passado, presente e futuro, desafiando a ideia preconcebida da nossa atuação no tempo e também no espaço: pois que através de representantes ou simples visualização, se pode intervir “naquilo” ou naquele que foi representado” 

As Constelações são hoje realizadas em todo o mundo, e foram ampliadas  para servir também a outros contextos. Têm sido utilizadas com sucesso e eficácia, em outras instituições,  empresas, etc, na busca de solução sistêmicas.


Marise Sampaio Dias é Psicoterapeuta com formação e especialização em Terapia Sistêmica -Casal e Família. Graduada em Core Energetics pelo Institute of Core Energetics- New York- USA. Pós Graduada em Psicossomática pela Escola Bahiana de Medicina e Inst. Junguiano. Formação e Educação Continuada (1300 horas) em Constelações Familiares pelo Helliger- Institut Landshut- Alemanha e pela ISPAB - Institut für Systemische Psychotherapie, Aufstellung und Beratung – München - Alemanha. Atende em consultório particular (terapia individual, casais, famílias e grupos), realiza diversos workshops e supervisiona terapeutas. Coordena, juntamente com Cátia Lymma o curso de formação em Constelações Familiares. Palestrante e Autora de artigos acerca das diversas abordagens nas quais se graduou e co-autora das Cartas das Deusas.

Fonte: http://constelacaofamiliarbahiabrasil.blogspot.it/p/como-as-constelacoes-brotaram-e-criaram.html

quarta-feira, 30 de março de 2016

O Movimento do Espírito na Constelação Familiar

Um excelente método fenomenológico terapêutico para a cura de toda a família e das futuras gerações.

Google Imagens

Por Marcia Moss
Rio de Janeiro, 2011.

O que descrevo é ‘“uma colagem”, fragmentos de diversos textos de livros, falas ou notas de cursos de minha Formação em Constelação Familiar e Sistêmica com Peter e Tsuyuko Spelter e com Bert Hellinger no Seminário de Lindoia-SP, em 2009.
Bert Hellinger, alemão, hoje com 85 anos, filósofo e terapeuta, desenvolveu um método ou técnica de acessar o inconsciente pessoal e coletivo através de procedimentos em grupos terapêuticos. Deu-lhe o nome de Constelação Familiar (desde 1980), depois de Movimentos da Alma e agora o chama de Movimento do Espírito – Hellinger Science – uma Ciência dos Relacionamentos, junto com Sophie Hellinger.
Tem mais de um milhão de exemplares de seus livros editados pelo mundo. Veio ao Brasil, pela primeira vez, em 1998. Realizou Seminários de uma semana em Goiânia 2006, em Lindoia-Sp em 2008 e 2009. Seus livros são filosóficos e a CONSCIÊNCIA é seu tema para os ensinamentos. Todo o seu trabalho é filmado em DVD.
Denominou também que seu método é fenomenológico e que não se trata de interpretação das conclusões, mas de “ver” algo acontecendo.
Através de uma frase-tema e um mínimo de informação sobre o cliente a condução do trabalho desencadeia no ambiente do grupo coisas extra-ordinárias. Na Constelação o grupo é conectado a favor da “alma“ do cliente. Os temas-conflito revelam no desenrolar da Constelação aprendizados que servem à atuação de profissionais das mais diversas áreas principalmente médicos, terapeutas, advogados de família e juízes.

AS ORDENS DO AMOR NA FAMÍLIA
Bert Hellinger descobriu, através do método, repetido milhares de vezes, e documentados em DVD, que o clã familiar através de gerações, segue o que denominou de “ordens do amor na família”.
Essas três ordens em ação nos clãs, através de gerações, exigem coesão e sobrevivência. Sinta que ao ler isso somos uma prova do que nossos antepassados fizeram. De outro modo como estar conectado agora ao que está lendo?
Hellinger observou em cada clã as ordens que são necessárias e repetidas ao longo dos anos em todos os grupos familiares. São elas: o pertencimento, a hierarquia e o equilíbrio.
No Pertencimento, perpetuado pelos vínculos afetivos, por amor profundo, cada clã ou grupo familiar exige que todos os seus membros tenham o mesmo direito de pertencer. A ordem “oculta” ou inconsciente do clã exige compensação caso haja desordem e exclusão. Então, os excluídos, negados ou esquecidos devem ser representados nas gerações posteriores. A justiça não interessa à alma do clã. Uns irão tomar o lugar do excluído e farão igual na geração posterior. Aí está o destino.
Na Hierarquia do clã ninguém pode tomar o lugar do outro. A ordem é sempre dos mais antigos para os mais novos. Não se pode inverter a ordem na família e os mais novos não devem tomar a si as dores dos mais antigos. Isso enfraquece a alma dos antecessores. A desordem assim estabelecida traz desequilíbrio e doenças. Essa compensação pode atravessar de três a quatro gerações com os mesmos distúrbios.
O Equilíbrio no clã é restabelecido quando o sistema fica estável e quando o dar e o tomar se equilibram. O certo é que os pais dão e os filhos tomam – aquilo que querem. A arrogância dos filhos para com os pais não ganha sentido positivo nas suas realizações de vida. Fracassam e exigem um peso por demais excessivo.
Quando os pais dão a vida e tudo o mais os filhos tomam e agradecem e seguem adiante – isso libera. Mas o dar sempre deve ser dos mais velhos para os mais novos.
Quando há desequilíbrio na família temos uma má consciência quando nos separamos da família – sofremos e não sabemos por quê. Porém sentimos boa consciência quando estamos unidos. Para equilibrar a boa e a má consciência compensamos com ações boas ou más ações – tem um preço.
No casal os parceiros ficam juntos quando o dar e o tomar são equilibrados pela compensação. Um dá, o outro recebe e dá um pouco mais. O que recebe, toma e devolve um pouco acima do que tomou. Desse modo o equilíbrio se restabelece. O sistema fica estável. Não se aplica porém nas parcerias amorosas a mesma lei dos pais para os filhos.
O conhecimento consciente dessas ordens traz conforto e bem-estar. Com o pertencimento ficamos inocentes e estáveis. Observem que quando o sistema está instável as crianças sentem, e dizem – e o mais das vezes – sem dizer agem dentro da ordem das compensações: “deixa que eu sinta por você”; “deixa que eu morra por você”; “eu vou partir no seu lugar!”.
Um garoto de seis anos, com o pai no CTI, ao ver os membros da família fazerem fila para a doação de fígado para o pai se coloca também na fila. A avó diz: Não, aqui não é o seu lugar. Essa é uma fila de adultos. Você é uma criança. O sistema estava instável. A criança dá um passo à frente e se oferece. Diz a avó que se lembrou de uma palestra sobre Constelação e que isso serviu para recolocar um inocente no lugar que é dele. Ele se acalmou.

MAS AFINAL O QUE É UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?
A Constelação familiar é um modo terapêutico de impulsionar uma ação de “ordem” no clã, pois mostra qual o lugar de cada um. Não é ditame, coerção nem regras fixas, mas sempre será com amor profundo. Cada um junto com seu clã. Exerce uma profunda mudança no padrão “oculto” do cliente e que o faz sofrer. O método recoloca o amor de cada membro da família no seu lugar e por isso tira um peso da alma de quem carrega funções que não lhe competem na hierarquia. Os ancestrais, na Constelação, reconquistam o seu lugar e liberam os familiares posteriores para viver o mundo.
O método fenomenológico da Constelação pode ser considerado como uma “cirurgia espiritual” e devem ser aplicados em situações-limites, momentos críticos e difíceis. Seu método de representantes de membros da família do cliente inicia um "movimento" no campo anímico. Um sistema, e o clã é um sistema, só se modifica através de uma ação externa. A Constelação propicia o início dessa ação. Ela tem como base o amor e a percepção de algo significativo. Uma constelação familiar revela os vínculos de destino.
O trabalho realiza-se em uma única sessão e seu resultado aparece imediatamente na consciência do cliente determinando uma mudança imediata da percepção do tema do conflito. Pode ser realizada em grupo ou no consultório – individual.
“A solução de problemas psíquicos associa-se à descoberta das ligações da alma, em conexão com as ocorrências e os destinos familiares e com os grupos e os contextos maiores que os abrangem” (Jakob Robert Schneider)

QUEM PERTENCE À MINHA FAMÍLIA?
Os bisavós, os avós, os pais e filhos; Os irmãos e meio-irmãos; Os tios; Os que não nasceram por abortos espontâneos ou provocados – não há julgamento; Os mortos por acidentes funestos advindos de acidentes; Os esquecidos e excluídos (alcoólatras, assassinos, drogados).

COMO E QUANDO ME SERVE UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?
Algo nos atormenta repetidamente, doenças súbitas, alguém da família enlouquece e ficamos instáveis... Planos de vida fracassam... Os filhos só brigam entre si e comigo... Depressão e luto... Não consigo vender o terreno... tenho muito medo de me suicidar...
Como assim? Mas o que é isso?
Assim. O cliente que pede uma Constelação está em uma situação-limite. Irá dizer em uma frase o que deseja e qual o seu tema ao Constelador. Estará sentado ao seu lado e o grupo de voluntários espera. Pessoas do grupo são chamadas para representar os membros da família do cliente, se quiserem. O grupo não fala nem participa do processo. O cliente posiciona esses representantes no espaço central do grupo. Essa posição revela como o cliente vê seu clã familiar EM SEU INCONSCIENTE.
O Constelador ou Terapeuta observa as ações dos representantes que se movem ou não, e expressam corporalmente o que está se passando com eles. Nada mais é dito ou descrito pelo cliente que apenas observa também. Os movimentos dos representantes mostram, espacialmente, as dificuldades e seus sentimentos. (um olhar do representante do cliente expressa a sua raiva em direção ao pai, dificuldade de olhar a mãe, sinais de superioridade, de arrogância para os mais antigos, etc.)
Através de alguns rituais o relaxamento ou alívio acontece no campo de “energia” quando alguns gestos, orientados pelo Constelador, são realizadas pelo representante do cliente. Em geral, com algumas frases muito simples e breves: “Sim”; “Obrigada”; “Por favor”; “Querido papai”; "Querida mamãe”; com uma reverência profunda ou uma leve inclinação da cabeça aos nossos antecessores, sem julgamentos, com amor. Coisas que não fazemos habitualmente...
Nada é interpretado durante o processo. Não há julgamentos. O grupo não dá palpites ou conversa. Apenas assiste e dá suporte na energia. Por isso é chamado de método fenomenológico, Uma manifestação que aparece e desaparece. A “alma” do cliente entende e se sente aliviada. Algo se “movimenta” no campo representado. Muda o foco e a configuração. Mostra o novo e o antigo em conjunção para uma solução da situação-limite. “UNE O QUE ESTAVA SEPARADO” (Bert Hellinger).
É científico? Sim ou não? Devemos falar ou escrever a mesma coisa dizendo que é baseado na física quântica? Na memória celular? É DNA? (o que é isso?) Na teoria do cientista biólogo Rupert Sheldrake? Ok serve também. A Constelação se mede apenas pela solução: Melhor ou pior?
A consciência é diferente para cada campo familiar ou clã. Mas no “campo” tudo se repete sempre, como hábito para aprender e como sobrevivência. (ref.: Rupert Sheldrake - livro “O renascimento da natureza”).
Um “campo morfogenético” ou sistema só se modifica quando algo vindo de fora interfere e introduz uma ação.  A Constelação é um momento fugaz dessa interferência, porém duradoura.
O método da Constelação é algo atemporal. Os processos dos grupos familiares raramente podem ser impedidos de forma racional. Não há controle possível.

ENSINAMENTOS DA PRÁTICA DAS CONSTELAÇÕES
Os Bloqueios, As Doenças ou Distúrbios
Nessa prática, documentada em DVDs, Hellinger sistematizou um modo de ver os distúrbios e as doenças. Observou que as dificuldades e conflitos são da família, na comunidade de destino onde nascemos e estamos, portanto sempre “emaranhados” nessa história. A história de cada um dentro do contexto peculiar.
As doenças são olhadas como sinais de “desordem” na alma da família. Alguém está fora de seu lugar. A mesma dinâmica básica dos sintomas dos distúrbios resulta em diversas doenças. Não interprete como DNA, não conclua como “Ah! Tá bem. É assim mesmo” e não diga que não tem importância. As ordens do amor dizem respeito a cada um de nós que lê esse artigo.
Na Constelação o que se aprende é que todo distúrbio procede de um nível espiritual. O que acontece são processos inconscientes, ocultos, invisíveis e imateriais.
A manifestação do distúrbio representa uma parada do fluxo energético e o órgão atingido mostra o tipo de bloqueio. O bloqueio aparece em geral entre dois a quatro anos após o distúrbio espiritual (perdas ou fracassos no sistema). O órgão corporal atingido está em conexão com alguém excluído, não reconhecido e o órgão então trabalha em dobro - por dois ou três excluídos (ele estressa - entra em falência). Se olhar com o coração vê que o órgão está em outra dimensão mais alta. Não há desconexão entre a pessoa, seu distúrbio e o sistema familiar. E não pode haver mesmo. Somos uma ressonância de nossas experiências. Em geral tais distúrbios apresentam saídas tais como: muito trabalho e agitação, na profissão pela dedicação extremada; com a racionalidade pensando muito...; ou com negligência corporal... Ou ainda na supervalorização... Na depressão e melancolia.
O que está escrito a seguir são “notas” do livro “O amor do espírito” de Bert Hellinger e dos ensinamentos do Seminário de Lindóia, 2009. Terapeutas de família “sabem“ “sentem” “já viram” “lembram”... São fenômenos que ocorrem nas Constelações e foi observado repetidamente, que:
A GAGUEIRA - São duas pessoas tentando falar ao mesmo tempo; distúrbios da fala mostram atitudes conflitantes; existe um segredo na família. Significa que alguém foi mantido em segredo; não podia estar presente ou não teve a palavra. O gago olha primeiro para um lado, como que perguntando se pode falar.
ALCOOLISMO ou DROGAS - Esse é um assunto que tem a ver com as mulheres; O que falta ao filho ou filha? Algo falta = o pai. Pergunte-se: o que leva o homem ao bar? Hellinger aconselha a terapeutas que quando quiserem ajudar um alcoólico ou drogado acolha o pai do cliente no seu coração. A solução, nas constelações, é que o pai seja trazido de volta respeitado e considerado – mesmo bandido – não há julgamento. Um homem que tem a rejeição e desprezo de sua mulher. ... Será que uma mulher (terapeuta) pode ajudar um alcoólico? Onde o pai é desprezado pela mulher aí a criança é levada para o vício.
PSORIASE – DERMATITES – HERPS - Um parceiro anterior fica de mal com a pessoa e o sentimento ruim é deslocado para um filho do segundo casamento e esse filho tem dermatites. Então como fazer as pazes com esse parceiro abandonado? Na Constelação a representante da segunda mulher deve pedir pelas suas crianças - "olhe com benevolência para os nossos filhos”
TRANSPLANTES - O órgão transplantado não morreu, pois senão como poderia entrar e funcionar em outro corpo? A doação liga as duas famílias - do doador e quem recebe. Nas Constelações os “representantes” dos órgãos gritam... Observe uma cena de sala cirúrgica. Volte sua imaginação para cenas primitivas de canibalismo. O que sente? No canibalismo comer os órgãos dos inimigos de guerra trazia força e coragem aos vencedores. Não julgue. Era uma homenagem.
Quanto à doação de sangue: parece que como é renovado freqüentemente há menores conseqüências, mas já foi observado mudança de personalidade.
A PSICOSE – ESQUIZOFRENIA – BIPOLARIDADE – Hellinger diz que “todos nós somos psicóticos”. Chamar o outro de psicótico nos qualifica como incluídos e excluímos o “louco”.
Observa-se sempre na Constelação que houve uma cena violenta e há um assassinato na linhagem dos ancestrais da família do pai ou da mãe. Sempre aparece um agressor e existe a vítima. O cliente “psicótico” que apresenta os sintomas ou distúrbios exerce ambos os papéis alternados – e mostra que a paz não foi selada nas gerações anteriores. O distúrbio pode passar de geração em geração. Nos grupos de constelação “o agressor” e a “vítima” demonstram desagrado com a vingança desejada por ambas as famílias. A solução e o alívio acontecem quando a vítima concorda com uma frase dita pelo agressor: “Sinto muito”. Isso libera as famílias do peso da vingança.
A EPILEPSIA - Há um impulso assassino em direção a membros da família e a convulsão impede o impulso.
OBESIDADE – o terapeuta corre perigo. Está entre a mãe e o cliente. E essa posição é inviável (vejam o DVD do Seminário com Bert Hellinger sobre Saúde e Doença – Ed Atman)

DESTINOS, PROFISSÃO E SUCESSO
NA PROFISSÃO EXERCIDA TODO O PASSADO SE REVELA
Por quê? Porque talentos e habilidades são herdados – são heranças, são “dons”, presentes de nossos antepassados (gostamos de ser o que somos por nós mesmos. Os pais gostam disso. Sim, houve empenho, mas olhe à volta. Estamos sós?)
Quando o trabalho é um peso ou alegria? Quem pode viver sem sucesso? Quem não tem sucesso como se sente? Depois do sucesso o homem pode alimentar a família; o homem foi feito para isso – sem julgamentos, olhe à volta.
Como se sente o homem em casa e a mulher trabalhando?
Para o homem o trabalho vem em primeiro lugar (as mulheres pedem o impossível – que o homem coloque a família em primeiro lugar ) – eles concordam, mas sabem que o trabalho é mais importante; sabe que pode alimentar e ter a sua família. E até várias famílias! As mulheres sabem disso. Pergunte se gostam de ter o homem sem trabalho em casa.

O DINHEIRO
O dinheiro deve ser empregado a serviço da vida, pois o dinheiro é uma imagem da vida e quem desrespeita o dinheiro desrespeita a vida. O dinheiro é sempre representado nas Constelações por uma mulher – por quê? Porque o dinheiro é fértil.
O sucesso dos negócios e na profissão vem com a bênção da mãe. Sem isso só há fracassos, pois o dinheiro tem a imagem da mãe; quem rejeita a mãe permanece pobre.
A mulher segue o marido e o homem serve ao feminino; nas organizações quando a mulher organiza e o homem segue, dá errado. Um genro que usa o dinheiro do sogro em geral leva o negócio à falência. O homem que vai morar na casa dos pais da mulher em geral leva o relacionamento ao fracasso. Pois é.
O dinheiro é adquirido através de algo que fazemos; dinheiro vindo pelo nosso empenho nos faz feliz e serve a vida, mas, como a vida, o dinheiro quer ser gasto a serviço da vida. O dinheiro herdado não foi por empenho ou trabalho - por isso acontecem falências. É mais fácil de gastar.
Por isso despedir-se do campo da pobreza e movimentar-se em direção ao campo da riqueza é uma conquista espiritual.
E o Movimento do Espírito, aquele do título inicial?  Para mim aparece quando os representantes da família do cliente expressam exatamente os sentimentos dos seus membros sem nada saber do cliente e de sua história pessoal!
Muito obrigada pela sua atenção. Quem leu até agora já sabia disso tudo.

Marcia Moss

Referências:
Hellinger, Bert “O amor do espírito” Editora Atman (veja livros, artigos e DVDs)
A base desse artigo foi inicialmente preparado para uma palestra sobre Universo do Corpo no Século XXI: abordagens terapêuticas funcionais e expressivas, na Casa do Rio, de Martha Zanetti.

Fonte: http://constelacaofamiliar.com.br/index.php/artigos/141-o-movimento-do-espirito-na-constelacao-familiar

sábado, 29 de novembro de 2014

A moda do diagnóstico de hiperatividade


Por Cintia Liana Reis de Silva
Texto escrito para este blog em 2011 e republicado no site Indika Bem em 28 de agosto de 2014.

Ela diz:
Oi, há quanto tempo…! Conheci seu trabalho e quero te pedir uma orientação. Minha filha  está precisando de ajuda, de terapia. Disseram que é hiperativa e que agora precisa voltar a tomar os remédios, porque está pior. Você pode me orientar?
Respondo:
“Oi, querida! Obrigada pela confiança em me expor o caso. Vou ousar falar algo, mas será bem resumido. Se quiser um dia conversar mais detalhadamente me fale.
Como sou especialista em Psicologia Conjugal e Familiar, tenho uma natural tendência a enxergar o comportamento da criança num contexto maior, principalmente, na família, respaldada em teorias sistêmicas. Vejo o problema ou o comportamento desagradável como um sintoma do que podemos chamar de “adoecimento” familiar e nela mesmo, na própria família, sua estrutura e organização, encontramos muitos motivos para a criança apresentar tais sintomas.
Hoje está sendo vastamente discutido essa insistência de alguns profissionais, principalmente inexperientes ou com uma visão reducionista da psique, em rotular, classificar a criança como hiperativa e, o pior de tudo, medicá-la (não sou contra a remédios, quando necessário).
Não questiono o diagnóstico de forma tão segura porque não conheço o caso profundamente, as avaliações e exames aplicados, o diagnóstico detalhado e tampouco a idade de sua filha.
Um diagnóstico de hiperatividade para uma criança com menos de 7 anos, por exemplo, normalmente é muito precipitado e perigoso, pois até essa fase ela passa por diversas mudanças e estímulos, alterando seu comportamento de forma veloz e, mesmo a hiperatividade propriamente dita, pode ser um sintoma de um problema na família, ou a relação da criança com sua própria história de vida e ele pode vir a tona através de uma patologia ou na alteração do comportamento e sua relação com o mundo.
Atualmente, sou uma profissional que só atende a criança se os pais aceitarem fazer duas sessões ao mês de terapia comigo pois, antes de tudo, eles precisam mudar seus padrões, inclusive enxergar os intergeracionais e aprender a decifrar aspectos subjacentes de sua relação com o filho. A minha experiência e os teóricos dizem que não adianta, que é inútil tratar a criança e depois reinseri-la no mesmo ambiente “adoecido”, o ambiente que a faz adoecer.
Os pais, muitas vezes, “fogem” porque se sentem em culpa, mas se já tiveram o filho, porque não encarar a “responsabilidade” de mudar a vida de todos?
Esse adoecimento é bem mais natural do que pensamos. Como se diz muito por aí, “isso acontece nas melhores famílias”. Essa frase nos remete a um alívio, para com facilidade aceitarmos o problema e encarar as mudanças, pois é difícil ser a exceção negativa.
Temos que desmascarar essa história de que família boa e feliz é a família perfeita, porque esse é um ideal, não existe família perfeita. É ainda mais bonito ver alguém lutando para se entender e ser cada vez mais saudável.
É bem mais fácil quando se assume a responsabilidade de transformar, apesar de ser mais complicado entender todo esse processo, mas colocar o foco na criança é maquiar a verdadeira face do problema maior, entende? Isso é tão claro hoje para mim…
Espero ter ajudado, iluminado um pouquinho. Estou a disposição para conversar.

Por Cintia Liana Reis de Silva
Fonte: http://www.indikabem.com.br/filhos/a-moda-do-diagnostico-de-hiperatividade
Fonte da imagem: www.melhoramiga.com.br (Créditos e Divulgação)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Idade não define e nem traz maturidade


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Por Cintia Liana Reis de Silva

O norte ameriano Murray Bowen, pai da psicoterapia de família e do pensamento sistêmico-relacional, criou uma teoria que explica o processo da progressiva autonomia individual como consequência do movimento da “separação” da própria família de origem.
Bowen disse que existe uma força vital, chamada de diferenciação, que é a capacidade instintiva que impulsiona o ser humano a amadurecer e a tornar-se uma pessoa emocionalmente independente da família, apesar de que ninguém nunca será capaz de adquirir uma completa independência emocional em relação a ela. Esse fenômeno de diferenciação do self pode se iniciar na adolescência, durar por várias décadas e às vezes não se conclui nunca. Por outro lado, o sentimento de não pertencimento significa uma pseudo independência. O corte emotivo e o afastamento da família de origem é um problema que precisa ser resolvido, pois traz grandes conflitos à vida do sujeito.

Bowen criou uma escala de maturidade e nessa escala ele explica e define os níveis de maturidade, que não estão relacionados à idade ou a experiência de vida, mas que são passados de pais para filho, ou seja, quanto maior é o grau de maturidade dos pais, maior poderá ser o grau de maturidade dos filhos. A diferenciação básica é amplamente determinada por um processo emocional multigeracional. Ele fala de possibilidades e não generaliza em nenhum momento.

A criança e o adolescente são altamente influenciados pelos pais, pela forma como vivem, se relacionam, reagem, etc, e ele aprende a viver a partir desses primeiros modelos, mas não só do exemplo de comportamento, mas principalmente aprende a usar o mesmo repertório emocional, o sentimento empregado, os pensamentos, crenças, fantasmas e mecanismos intrapsíquicos.
No nível mais baixo da escala de diferenciação de Bowen, por exemplo, está quem depende totalmente dos sentimentos que os outros vivenciam em relação a ele e não se encontra capaz de diferenciar afeto de intelecto, cresce dependente da massa do Eu familiar com uma identidade emotiva conglomerada, ao longo da vida atrai outras relações de dependência das quais possa pegar emprestada a força de que precisa para funcionar. São pessoas solitárias, ansiosas, não sabem se relacionar de modo equilibrado e satisfatório com o mundo, e tem um forte sentimento de inferioridade, não cria relações duradouras e se sente desconfortável nelas. São pessoas que agem sempre no intuito de ir contra a opinião dos outros, normalmente são crianças nascidas em famílias desarmoniosas, com um alto grau de tensão, com pais desatentos e imaturos. Esses indivíduos quando crescem têm como repertório de valores e crenças opor-se a crença dos outros, são negativistas e contraditórios.

Mas o que é maturidade? É a capacidade de seguir seus próprios valores e princípios, atingindo os objetivos que se propõe, é ser responsivo, assumindo total responsabilidade sobre si e suas próprias ações. É ter um senso bem apurado de justiça, ser ético, humilde, conseguir ser racional e menos reativo, não ser levado por emoções negativas. É o que eu, como psicóloga, entendo como felicidade: é esse estado constante de tranquilidade e segurança, a capacidade de agir com sabedoria diante de todas as coisas.

Maturidade também se refere ao grau de autoconhecimento, ou seja, quanto mais alguém se conhece, também conhecerá seus pontos fracos, suas dificuldades emocionais, suas feridas infantis e no que precisa melhorar e assim terá uma melhor qualidade na relação com o mundo e com as pessoas que o cercam; criará bons filhos e com eles terá uma relação muito nutritiva; se sentirá confortável em qualquer lugar e em qualquer companhia, pois conhece seus limites, desenvolveu uma boa auto estima e um bom senso de valor de si mesmo. Não precisa de bebidas ou drogas para se sentir seguro. Quem é diferenciado procura enxergar seus modelos familiares intergeracionais adoecidos e  emaranhados, aquilo que ele quer levar e o que ele quer abandonar em relação a sua própria família, e entende que pode fazer melhor do que os seus pais fizeram, melhorado as futuras gerações.

Idade não define mesmo maturidade. Podemos, por exemplo, observar uma pessoa de 35 anos com um alto grau de autoconhecimento, que consegue aceitar e respeitar os outros e com uma vida conjugal feliz, formando um casal coeso, como podemos também encontrar uma pessoa de 65 anos dependente dos pais ou de sua imagem, reativa, com um grande sentimento de inferioridade, que não consegue aceitar os outros, que expressa um comportamento negativo e rebelde e que não sabe se relacionar com nenhum parceiro. Eles repetem com o mundo a relação que têm com eles mesmos. Quanto mais nos conhecemos, nos respeitamos e nos aceitamos, mais conseguiremos conhecer, respeitar e aceitar os outros. O mundo é um espelho de nós mesmos, ele é conosco do mesmo modo que somos com ele.

Se desenvolver e melhorar aspectos do caráter, personalidade e  temperamento, é um processo contínuo, caso seja positivo o desejo de continuar crescendo. As experiências podem ajudar nesse processo de crescimento, mas cada um passa pelas situações e as usa a seu modo. O olhar de cada observador deforma a realidade, ninguém vivencia os mesmos fatos da mesma forma, pois os seres humanos têm referenciais diversos.

Conhecer bem a história da própria família e de seus antepassados abre estradas e recursos internos inovadores, se abre uma nova consciência existencial de pertencimento e ao mesmo tempo de independência. Fazer terapia com a perspectiva familiar é um ótimo modo para se conhecer a fundo partindo da família, para mudar paradigmas e melhorar a vida, mas além do autoconhecimento, o estudo, o conhecimento geral também pode ser algo que amplie o Universo de uma pessoa, ou seja, quanto mais existir a busca do conhecimento, nas áreas humanas em especial, mais o seu repertório se amplia e assim a sua vida emocional se enriquece, deste modo se pode melhorar a relação consigo mesmo e viver emocionalmente de modo muito mais confortável no mundo.
Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fazer terapia é um luxo!


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Por Cintia Liana Reis de Silva

O termo terapia significa relação de ajuda e psicoterapia relação de ajuda através do psiquismo. O profissional habilitado para fazer a psicoterapia é o psicólogo que tem formação na área.

A mente humana é um enigma onde podem ser encontradas todas as respostas para os aspectos da vida do homem, os motivos de seus problemas, infortúnios, escolhas mal feitas, padrões de comportamento, falências, repetições de erros, relações conflituosas, problemas com os filhos, etc. Todos esses mistérios podem ser desvendados com cuidado, com o desejo do terapeutizando em um processo contínuo, sério, de investimento emocional, de tempo e na frente de um profissional competente e ético.

Ainda existem muitos preconceitos em relação a terapia e a quem se submete à ela, mas em alguns círculos sociais fazer terapia é sinal de inteligência e maturidade. Em alguns Países já virou moda e sinônimo de elegância, trazendo um certo status social.

A verdade é que quem se submete a um processo de autoconhecimento no mínimo quer se confrontar, não se acomoda em se conhecer pouco, como a maioria das pessoas. Quer cuidar e se sentir bem consigo mesmo sem artifícios: como fazer fofoca e nutrir curiosidade pela vida alheia para achar que a sua vida é um pouco melhor; comprar para se sentir mais valorizado; beber e usar drogas para se sentir mais seguro; ser arrogante ou se sentir falsamente mais inteligente ou especial para e sentir menos inferior ou mostrar aos outros que possui bens materiais para se sentir mais importante.

Na terapia se pode construir um self mais sólido, pois se adquire uma visão sócio histórica mais consciente de si mesmo e se entende que a autovalorização é algo que vem de dentro para fora e não de fora para dentro, que o se sentir bem é uma busca de quem se é de forma franca, se aceitando, se respeitando, se sentido responsável por sua própria vida e capaz de mudá-la e isso inclui o reconhecimento da própria família, da própria história, da própria identidade, das próprias feridas infantis, dos dilemas, fragilidades, traumas, faltas, carências e dores.

Problemas físicos também podem nascer das dificuldades e contratempos emocionais, como febres sem motivo, dores do corpo, problemas respiratórios, de pele, gastrointestinais, dificuldade em engravidar e muito mais. Existem várias áreas da psicologia que tratam esse sintomas físicos como a psicossomatização, a biossíntese, a bioenergética... O corpo é um reflexo da mente, dos sentimentos.

De acordo com a teoria de sistemas familiares e do teórico Bowen existe uma força vital que é a diferenciação. É uma capacidade instintiva que impulsiona o ser humano a amadurecer e a tornar-se uma pessoa emocionalmente independente da família, apesar de que ninguém nunca será capaz de adquirir uma completa independência emocional em relação a ela. Mas quanto maior é o grau de maturidade dos pais, maior poderá ser o grau de maturidade dos filhos, ou seja, a diferenciação básica é amplamente determinada por um processo emocional multigeracional. Mesmo assim, o indivíduo pode chega num ponto onde começa a ver mais claramente os seus modelos familiares intergeracionais adoecidos, o emaranhado familiar, aquilo que ele quer levar e o que ele quer abandonar em relação a sua própria família, e entende que pode fazer melhor do que os seus pais fizeram, melhorar as futuras gerações, se tornado menos reativo e mais responsivo, com a capacidade de pensar, sentir e agir por si mesmo e só após essa tomada de consciência é que ele estaria em grau de ter filhos e educar um outro ser humano.

Idade não determina e nem traz maturidade. Algumas pessoas podem ficar paralisadas no tempo, com uma baixo nível de diferenciação. São pessoas reativas, ansiosas e solitárias, não criam relações duradouras e se sentem desconfortáveis nas relações. Podem se sentir secretamente superiores para encobrir o sentimento de infelicidade, inferioridade e vazio. São pessoas que agem sempre no intuito de ir contra a opinião dos outros, normalmente são crianças nascidas em famílias desarmoniosas, com um alto grau de tensão, com pais desatentos e imaturos. Esses indivíduos quando crescem têm como repertório de valores e crenças opor-se a crença dos outros, são negativistas e contraditórios.

A terapia facilita e promove esses processos maturacionais, pois nela exercita o olhar voltado para si mesmo e vê não só o que ele quer mas também o que ele não gostaria de ver, a sua parte sombra, a sua imaturidade, dependências, vícios cotidianos, como de fato está educando seus próprios filhos e enxerga o que ele passou a vida escondendo dele mesmo e dos outros, caem suas  máscaras sociais aprendidas, se questiona os padrões familiares internalizados. O paciente aprende a comunicar e traduz em palavras o que o incomoda nos outros e em si mesmo e vai entendendo os seus sentimentos, de onde vêm e quais são as suas causas.

A partir dessa tomada de consciência o paciente se liberta de muitas amarras invisíveis, o funcionamento do seu self se torna menos dependente do suporte e da aceitação dos outros e pode aprender a se relacionar de um modo mais confortável e a se comportar como sempre teve vontade, mas não conseguia, se permitindo crescer.

Resumindo, fazer terapia é para os “fortes”, afinal se olhar no espelho “nu e cru” não é algo para os “fracos”. Os fracos fingem não ter dificuldades, já os fortes querem vê-las, enfrentá-las e superá-las. Enfim, fazer terapia é um luxo!

Por Cintia Liana Reis de Silva
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Restaurando a relação com os filhos e consigo mesmo

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Por Cintia Liana Reis de Silva

Muitos pais e filhos levam relações conflituosas adiante por anos a fio, passando por fases mais complicadas e outras mais tranquilas, mas a problemática está alí, criando uma atmosfera familiar sempre saturada. Mas será que as pessoas estão, de fato, preocupadas em olhar com cuidado para essas dificuldades a fim de restaurar suas relações com os filhos e com o mundo?

Restaurar relações familiares acaba por ser uma tarefa de muita coragem, sobretudo com os filhos, pois para travar e reconstruir uma relação de afeto com eles se deve reconciliar antes de tudo com a figura internalizada dos pais, com a própria criança ferida, com a imagem interna e regredida que temos das nossas figuras de base. Esse é o único caminho para a transformação de nossas relações atuais, afinal nós somos o produto do tipo de relação que tivemos com nossos pais nos primeiros anos de vida, num meio que é foco de neuroses para todos nós seres humanos que é a família, isso já é científico há muito tempo. E que estamos fortemente propensos e repetir os mesmos erros dos nossos genitores também é fato, Bowlby já provou há muito tempo, e o único jeito de mudar isso é fazendo um trabalho psicoterapêutico, nada adianta forçar de fora pra dentro, o trabalho é de dentro pra fora.

Algumas teorias mostram que muitos homens e mulheres quando não conseguem procriar e não encontram nenhuma explicação médica, orgânica, é pelo fato de inconscientemente terem muito medo do desconhecido que mora dentro deles, do que trazem da relação mal resolvida com seus pais e na relação atual com o parceiro. Como diz Bowlby, “é na hora de tornar-se genitor que abrem-se feridas intergeracionais e como dar o que não se teve?”.

Na hora de gerar, o corpo reage de acordo com o conteúdo da mente e é importante que emerjam perguntas como, “como posso ser mãe se não ‘aceito’ e não sei lidar com a mãe que tenho e, consequentemente, com a minha mãe internalizada? Como posso me tornar mãe se não conheço bem os conflitos que tenho com o modelo de mãe que me foi dado?” Muitas mulheres conseguem gerar depois que iniciam suas terapias, algumas também depois de provarem ser mães através da adoção e de enfrentarem seus medos e fantasias a respeito da maternidade.

Todos nós podemos nos beneficiar com um bom trabalho psicoterapêutico, olhar para a necessidade de mudanças, de paradigmas existenciais, tocar em crenças guardadas, responder de modo mais responsivo, diferenciado e maduro às demandas da vida, aprender, reaprender, romper com tabus familiares, afinal nenhuma família é perfeita. Vamos lá, coragem, força, todos podem buscar mudanças e ajuda, por amor aos nossos filhos, por amor a nós mesmos e para descobrirmos um amor maior ainda que podemos sentir pelos nossos pais.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia de casal e família. Ela vive e trabalha na Itália.

Artigo publicado no site Indika Bem no dia 07 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O meu filho precisa mesmo de terapia?

Foi com muita alegria que estreei como colunista do site Indika Bem no dia 28 de novembro de 2012.
O Indika bem é um excelente site, onde reúne especialistas de várias áreas da ciência, filosofia e da vida cotidiana, falando de assuntos importante e de grande interesse.
Confiram o meu primeiro texto.

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Por Cintia Liana Reis de Silva

É muito comum casais procurarem terapia para o filho quando detectam que este apresenta alguns sinais persistentes de dificuldades em casa, na escola ou em outros grupos sociais, porém as teorias científicas psicológicas provam que a criança é um reflexo do que ela vive e das impressões que tem do comportamento de seus pais e até do que não é dito em casa, dos segredos, dos tabus, dos preconceitos, de como interpreta as dificulades cotidianas e sobretudo de como sente o mundo que é apresentado à ela. As crianças sentem tudo e é muito natural emitirem algum tipo de resposta ao mundo, do seu modo particular.

Poderíamos dizer que é desaconselhável e até irresponsável atender em psicoterapia uma criança pequena sem introduzir seus pais num processo de reconhecimento da origem das dificuldades. Seria como trabalhar aquele que está fazendo o favor de comunicar a existência de um desequilíbrio familiar e reintroduzí-lo no ambiente adoecido, que nem os pais se deram conta de que não está fucionando de modo justo. Nesse sentido, os pais devem ser bem orientados e aderirem à proposta do trabalho terapêutico aceitando a necessidade de se questionarem.

Devemos usar aquele que está comunicando o desequilíbrio para deflagrar mais ainda o que é de fato importante trabalhar e, a partir daí, propor o conhecimento das situações conflitantes, os motivos, os padrões, os maus hábitos de todos e caminhar em direção a possíveis mudanças.

É claro que é muito mais difícil olhar para si mesmo e admitir que algo pode não estar indo bem e que o filho está sentindo tudo, para isso é preciso humildade e trabalhar o sentimento de culpa. É difícil admitir que o sistema familiar está desorganizado e desarmonioso, afinal os adultos não querem errar, muito menos com os filhos. Talvez seja mais fácil crer que o problema nasce e acaba no filho que, aos olhos de muitos adultos, é um ser que ainda não aprendeu a viver, que não está acostumado com o mundo ou que é rebelde. É mais simples e mais ingênuo pensar assim e usar essas desculpas para não se enxergar, mas se trata de uma fantasia que não ajuda em nada.

A criança, por menor que seja, é um ser que merece respeito, ser tratada com educação. Ela muitas vezes já indica quem será quando adulto e quais são suas prioridades, vontades e tem senso de direitos. Os adultos precisam aprender a entendê-las, o que estão querendo expressar, e aceitar com humildade que eles podem estar errando. As crianças nascem com intuição, sensibilidade e emoção aguçadas, ao longo do tempo é que se pode ir perdendo tudo isso.

Se deve agir com sabedoria e fazer um diagnóstico dos sistemas em que a criança está inserida, pois ela é um reflexo de como está sentindo o mundo e sobretudo reflete quem são de fato os seus pais, seu lado positivo e negativo. Mesmo que doa, ver a sua própria imagem negativa refletida no filho é uma tarefa importante para a transformação de todos e das futuras gerações, tomar consciência deste processo e mudar. As crianças repetem o que os pais fazem de censurado socialmente e eles brigam com ela, sem ao mínimo terem se dado conta de que eles é que deram o modelo.

Tudo pode mudar quando todos resolvem colaborar e ser sinceros, reconhecendo as dificuldades, sem usar de “culpas”, promovendo mudanças sadias. Afinal, uma vida sã propõe crescimento, inteligência e coragem para enfrentar os limites com verdade. E ter filhos é uma responsabilidade muito séria, que muitas pessoas não se dão conta do tamanho desse doce e forte compromisso, nem mesmo depois de tê-los.

Cintia Liana Reis de Silva é Psicóloga e Psicoterapeuta, Especialista em casal, família e Adoção