"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

O que fazer diante do choro de uma criança

We Heart it
Por Cintia Liana Reis de Silva

Há poucos dias estava refletindo sobre a reação da maioria das pessoas diante do choro de um bebê ou uma criança, quando ela cai, se machuca, sente dor ou chora por tristeza. Tem gente que reage dizendo, “não foi nada, passou, passou” e aí começa a mostrar outra coisa interessante, com o intuito de tirar a atenção dela do que a faz mal. Mas essa reação não é aconselhada do ponto de vista psicológico e educativo e vou explicar bem os porquês.

É nesse momento da dor que se ensina erroneamente à criança que o que a faz mal não é bom, que é melhor fugir e fazer de conta que nada está acontecendo e colocar a atenção em outar coisa mais interessante. O adulto tem medo de olhar para o sofrimento, mais ainda quando se trata de uma criança, mas interromper o seu choro é nada mais nada menos que falta de respeito e sensibilidade. A criança sente a insegurança do adulto e entende a mensagem do seguinte modo, “não me sinto segura com ele, porque não é capaz de me dar apoio, segurança, suportar e sustentar a minha tristeza me dado força, ele quer escapar do que eu estou sentindo, me sinto completamente rejeitada em minhas necessidades nesse momento. Chorar não deve ser bom, nem quando nós precisamos. Talvez seja melhor fazer de conta que nada está acontecendo. Mesmo que eu sinta dor, é melhor fingir, até mesmo para que ele continue a me amar, porque se eu choro talvez não seja amado do mesmo modo que espero”.

Quando alguém chora seja um adulto ou uma criança, a postura correta e humana a adotar e acolher o choro, isso é símbolo de respeito, torna o lamento digno. Se você não é capaz de ver ninguém chorar ou se sente incomodado, é uma dificuldade importante a ser entendida e resolvida. Depois de acolher o choro de alguém, se pode conversar para entender melhor até que ponto doeu e depois buscar outras alternativas para superar a dor, seja ela física ou emocional.

As pessoas crescem com falsos modelos de força, que mais são modelos de futilidade e superficialidade. Crescem ouvindo que não podem sentir medo, chorar ou demonstrar a sua dor a ninguém e que isso a renderia fraca e frágil. Fraco e frágil talvez seja quem engole o choro, finge que nada está acontecendo, enquanto sente uma bomba explodir dentro de sim e depois vai ao shopping fazer compras para tentara aquecer falsamente o seu mundo interno vazio, cheio de faltas e completamente fora do prumo.

O adulto que respeita o que sente, foi a criança ensinada que todos merecem ter contato com seus próprios sentimentos, que as sensações que entram em contato são importantes, que aquilo que falam sobre elas tem valor e com certeza estarão muito mais em grau de buscar externamente realizações realmente boas, que refletem seus equilíbrio interno e não só para ajudar a maquiar uma falsa felicidade. É nessa jornada, do encarar o que se sente com verdade, que se descobre que a felicidade está dentro de cada um de nós.

Por Cintia Liana Reis de Silva

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Restaurando a relação com os filhos e consigo mesmo

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Por Cintia Liana Reis de Silva

Muitos pais e filhos levam relações conflituosas adiante por anos a fio, passando por fases mais complicadas e outras mais tranquilas, mas a problemática está alí, criando uma atmosfera familiar sempre saturada. Mas será que as pessoas estão, de fato, preocupadas em olhar com cuidado para essas dificuldades a fim de restaurar suas relações com os filhos e com o mundo?

Restaurar relações familiares acaba por ser uma tarefa de muita coragem, sobretudo com os filhos, pois para travar e reconstruir uma relação de afeto com eles se deve reconciliar antes de tudo com a figura internalizada dos pais, com a própria criança ferida, com a imagem interna e regredida que temos das nossas figuras de base. Esse é o único caminho para a transformação de nossas relações atuais, afinal nós somos o produto do tipo de relação que tivemos com nossos pais nos primeiros anos de vida, num meio que é foco de neuroses para todos nós seres humanos que é a família, isso já é científico há muito tempo. E que estamos fortemente propensos e repetir os mesmos erros dos nossos genitores também é fato, Bowlby já provou há muito tempo, e o único jeito de mudar isso é fazendo um trabalho psicoterapêutico, nada adianta forçar de fora pra dentro, o trabalho é de dentro pra fora.

Algumas teorias mostram que muitos homens e mulheres quando não conseguem procriar e não encontram nenhuma explicação médica, orgânica, é pelo fato de inconscientemente terem muito medo do desconhecido que mora dentro deles, do que trazem da relação mal resolvida com seus pais e na relação atual com o parceiro. Como diz Bowlby, “é na hora de tornar-se genitor que abrem-se feridas intergeracionais e como dar o que não se teve?”.

Na hora de gerar, o corpo reage de acordo com o conteúdo da mente e é importante que emerjam perguntas como, “como posso ser mãe se não ‘aceito’ e não sei lidar com a mãe que tenho e, consequentemente, com a minha mãe internalizada? Como posso me tornar mãe se não conheço bem os conflitos que tenho com o modelo de mãe que me foi dado?” Muitas mulheres conseguem gerar depois que iniciam suas terapias, algumas também depois de provarem ser mães através da adoção e de enfrentarem seus medos e fantasias a respeito da maternidade.

Todos nós podemos nos beneficiar com um bom trabalho psicoterapêutico, olhar para a necessidade de mudanças, de paradigmas existenciais, tocar em crenças guardadas, responder de modo mais responsivo, diferenciado e maduro às demandas da vida, aprender, reaprender, romper com tabus familiares, afinal nenhuma família é perfeita. Vamos lá, coragem, força, todos podem buscar mudanças e ajuda, por amor aos nossos filhos, por amor a nós mesmos e para descobrirmos um amor maior ainda que podemos sentir pelos nossos pais.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia de casal e família. Ela vive e trabalha na Itália.

Artigo publicado no site Indika Bem no dia 07 de fevereiro de 2013.