"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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domingo, 13 de março de 2016

As diversas faces da baixa auto estima

Publicado em Recortes Por Sílvia Marques

A baixa autoestima usa roupagens diferentes e muitas vezes ela surge disfarçada de mulher mega poderosa, de alto executivo, de adolescente marrento, de estudante rebelde, de professor severo, de pessoa extremamente crítica. Nem sempre quem tem autoestima baixa nos olha com carinha de cachorro magro. Nem sempre quem tem baixa autoestima se deprecia para os outros ou vive reclamando da vida. Quantas pessoas inseguras não se escondem atrás de uma cara de brava para os outros não descobrirem suas limitações intelectuais e afetivas?

Obvious


A baixa autoestima é um problema grave que assola muitas pessoas. Ter baixa autoestima é gostar-se pouco. É se valorizar pouco. Todo mundo deseja o melhor para si, mas muitas vezes, mesmo que inconscientemente, por alguma razão, acreditamos que não merecemos a felicidade e mesmo sem perceber nos sabotamos.
Quantas vezes não nos envolvemos com a pessoa errada porque lá no fundo queremos que a tentativa fracasse e a nossa autoimagem sofredora permaneça intacta? Quantas vezes não aceitamos do outro o que não faríamos a ninguém porque não nos achamos bons o bastante para sermos realmente bem tratados?
Quantas vezes não nos conformamos com amizades inexpressivas, um trabalho horrível, uma vida sem sentido porque pensamos que não somos capazes de estabelecer relações mais significativas ou de arranjar um emprego mais gratificante? Quantas vezes não achamos que não nascemos para nada, que não temos nenhum dom especial e que migalhas afetivas são tudo o que nos resta?
Quando falamos de autoestima baixa, imaginamos alguém deprimido, se olhando para o espelho com uma cara triste. Imaginamos alguém que fala pouco, que não se expressa, extremamente fechado e tímido.
Porém, a baixa autoestima usa roupagens diferentes e muitas vezes ela surge disfarçada de mulher mega poderosa, de alto executivo, de adolescente marrento, de estudante rebelde, de professor severo, de pessoa extremamente crítica. Nem sempre quem tem autoestima baixa nos olha com carinha de cachorro magro. Nem sempre quem tem baixa autoestima se deprecia para os outros ou vive reclamando da vida. Quantas pessoas inseguras não se escondem atrás de uma cara de brava para os outros não descobrirem suas limitações intelectuais e afetivas? Quantas vezes as pessoas não se escondem atrás de um mega visual para disfarçarem lacunas internas e o medo de não serem boas o bastante ao natural? Quantas mulheres não tentam resolver seus problemas de autoestima com cirurgiões plásticos sendo que na verdade, elas deveriam buscar por uma terapia? Não me refiro obviamente a pessoas que realmente precisam de cirurgia. Falo de defeitos imaginários ou excesso de perfeccionismo para escamotear uma carência psicológica.
Olhar-se muito no espelho pode indicar autoestima baixa
Uma vez, ouvi o filósofo Luiz Felipe Pondé dizer que o narcísico tem um ego muito fraco e por tal razão, ele precisa se auto afirmar constantemente. Sim, muitas pessoas que esbanjam autoconfiança podem muito bem serem portadores de baixa autoestima e apresentam uma confiança fake para sobreviverem a um mundo cruel, que não perdoa os mais fracos e a elas mesmas porque para alguns é insuportável aceitar a ideia de não se gostar o bastante, de não se sentir bom o bastante.
Não é à toa que vemos mulheres lindas por dentro e por fora, extremamente afetuosas se degenerando em relações degradantes em que o parceiro as humilha constantemente e mesmo assim elas continuam com eles por medo da solidão. Quem tem baixa autoestima não suporta ficar sozinho. Todo mundo quer um parceiro, ok. Mas quem tem baixa autoestima vai além de querer. Ele precisa. Ele vê no outro sua tábua de salvação. O mesmo vale para homens interessantes que se submetem a mulheres mesquinhas e aproveitadoras porque não se sentem bons o bastante para serem amados plenamente por uma mulher de bom coração.
Nunca poderemos encontrar o amor no outro antes de nos amarmos profundamente
Não é à toa que vemos profissionais preparados e dedicados se submeterem a empregos ridículos, onde ganham mal e/ou sofrem assédio moral, além das explorações típicas que a maioria dos funcionários enfrenta como a realização de horas extra sem remuneração. Na teoria esta conduta não é permitida. Mas na prática ela acontece. Empresas sob o argumento de que o funcionário tem cargo de confiança, o induz a trabalhar fora do seu horário sem nenhum tipo de gratificação.
Não é à toa que vivemos desculpando gente que comete mil gafes. Não é à toa que que vivemos relevando as atitudes egoístas de pessoas que só pensam em si e desconsideram completamente as necessidades alheias. Não é á toa que nos culpamos quando alguém nos engana ou nos ofende brutalmente.
Se gostar bastante implica no entendimento de que somos alguém com valor e que merecemos ser tratados com respeito e dignidade. Se gosta bastante quem não se permite ser humilhado e se afasta de pessoas e situações nocivas, preferindo ficar sozinhas a suportar agressões físicas e/ou verbais. Se gostar é lutar pelo melhor.
Pessoas com alta autoestima sabem até onde podem ir e conhecem seus pontos fortes e fracos. Pessoas com alta autoestima não abrem mão dos seus valores para se manterem acompanhadas. Pessoas com alta autoestima não necessitam dizer o quanto elas são maravilhosas o tempo todo. Pessoas com alta autoestima não se rastejam pela aceitação alheia nem se intimidam porque não são perfeitas. Pessoas com alta autoestima entendem que estar com o outro é incrível, mas que a única pessoa que pode salvá-la é ela mesma.
Chega uma hora em que a gente precisa entender que nós somos a nossa própria heroína
Muitos pensam que quem tem alta autoestima é necessariamente convencido e fica proclamando aos quatro ventos todas as suas realizações ou postando fotos de cada momento do seu dia. Muitas vezes, a autopromoção gratuita é simplesmente um dos disfarces mais coloridos de um ego que anda bem descuidado. Autoestima tem cura. Não é um processo fácil nem rápido. Muito menos indolor. Muita leitura, reflexão, autoanálise e terapia podem contribuir bastante para uma vida emocionalmente mais segura e saudável.

SÍLVIA MARQUES

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..



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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Quem busca ser consciente

Mandy Lynne

Agir de acordo com a nossa consciência com responsabilidade, discernimento e sabedoria nos faz não precisar provar nada a ninguém e nem querer que ninguém siga o nosso exemplo. Quem busca ser consciente, naturalmente enxerga os bons exemplos e os valoriza.
Não precisamos fazer o que todos fazem, nem ser como a maioria, é preciso questionar os modelos culturais e de conduta e não cair no erro de seguir o fluxo sem refletir.
Seguir o nosso coração com justiça, ser coerente, honesto emocionalmente e não estar nas mãos de ninguém.
Desejo sempre ter atenção, não só para viver com qualidade e dignidade, mesmo que algumas vezes incompreendida, e espero ter sensibilidade, humildade e inteligência para enxergar os bons exemplos.
 
Cintia Liana Reis de Silva, Psicóloga 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Não fugir de si mesmo é uma escolha muito nobre

We Heart it

As feridas emocionais nascem nos primeiros meses e anos de vida e algumas delas independem do esforço dos pais para dar o melhor aos filhos. Essas feridas se transformam em defesas que entravam futuras relações. Algumas vezes nem os próprios pais enxergam no que estão errando ou em que estão dando um mal exemplo, pois são humanos. No futuro, para essa criança que se tornou adulto, o mais importante não deve ser não ter feridas, dificuldades emocionais ou uma parte "sombra" que dá medo e dói enxergar, pois todos nós temos, o mais importante é procurar reconhecê-las com respeito, tratá-las com delicadeza e só assim curá-las com o devido cuidado para ser mais feliz e maduro, educando melhor os filhos e melhorando as futuras gerações. Esse é um excelente exercício de crescimento. Não fugir de si mesmo é uma escolha muito nobre.
 
Cintia Liana

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Terapia individual sistemica (e Terapia familiar)

Mandy Lynne

Por Norma Emiliano

O indivíduo sente que está mal e não consegue entender nem superar o estado de paralisação em que se encontra. Percebe que precisa de ajuda, há o desejo de conhecer mais profundamente seus conflitos e caminhar em direção à “felicidade”.

Cada pessoa é única no que diz respeito ao seu temperamento, composição genética, percepções e necessidades. Contudo, a formação da identidade se processa através das interações familiares contínuas. Assim, o sentido que cada pessoa  atribui  à  vida, à  família, aos  relacionamentos, às  suas  expectativas, bem  como  à  sua auto-estima  estão relacionados à sua família.  O ser humano nem sempre tem consciência disto.

A Terapia Sistêmica em sua origem dirigia-se exclusivamente ao atendimento de famílias. Ao longo do tempo, com desenvolvimento teórico, técnico e clínico, a abordagem sistêmica foi se reestruturando para atender clinicamente o sistema individual.

No atendimento individual, as  histórias  familiares  fornecem o nexo dos  fenômenos e constituem  os  recursos terapêuticos. “O espelho familiar vai circulando através das diferentes gerações de uma família, constituindo-se em elo entre passado e futuro.” (Gomel).  Desta forma, parte-se de algo que é “interno” para o indivíduo e o relaciona com algo que acontece entre as pessoas. “Forças  transgeracionais  exercem uma influência crítica  sobre  as  relações intimas atuais.” (Framo).  Consideram-se todas as informações levando-se em conta três gerações da família.

O foco da terapia é favorecer o auto conhecimento e possibilitar a descoberta de saídas para o impasse em que o indivíduo se encontra (processo de autonomia e mudanças de pautas disfuncionais).

A reconstrução das histórias, a analise e definição dos padrões relacionais repetitivos, possibilitam uma visão mais ampla  do  problema  podendo  trazer à consciência fatores  que  permitam  a  elaboração  de  conflitos, perdão, resignificação de atitudes, etc.

São fundamentais o desejo de mudança e a disponibilidade  do  indivíduo, assim como, que  o  vínculo  terapêutico favoreça o processo de mudança e ajude-o a se “diferenciar”, ou seja: ter capacidade de manter separados os sistemas emocionais dos intelectuais, usar mais a razão do que os sentimentos.

As intervenções consideram as  relações  entre o indivíduo  e  os outros  e  dele consigo mesmo.  Trabalha-se com a identidade pessoal e a identidade familiar nas vertentes do pertencer e do diferenciar-se, ajudando o indivíduo a sair da massa indiferenciada da família e a poder construir seu caminho, reconhecendo outras possibilidades.

A separação  da  família  de origem  é  um  processo  gradativo  e  que  não  se  esgota.  A Terapia individual sistêmica, agregando ou não, os diversos membros familiares, é indicada quando é o indivíduo busca a terapia com objetivo de desenvolver consciência do seu padrão de funcionamento e deseja adquirir  aprendizagens  que  são necessárias no momento, ou de realizar as mudanças que se fizerem necessárias.

Referência bibliográfica
Framo J.L.(2002). Uma abordagem transgeracional à terapia de casal, à terapia de família famíliar e a terapia individidual. In M. Andolfi (org.)

Fonte: http://pensandoemfamilia.com.br/blog/terapia-de-familia/terapia-individual-sistemica/

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Impondo limites na adoção

Google Imagens

Ao adotar uma criança, o adotante deve impor limites desde o início da convivência ou isso pode prejudicar o processo de adaptação? E após a adoção, concretizada deve-se oferecer um tratamento diferenciado em razão de seu histórico de abandono?

Por Cintia Liana Reis de Silva

Primeiro os adotantes devem entender que quem está sendo adotado é uma criança como qualquer outra e que naquele momento o que ela menos precisa é ser “moldada” ou vista somente como um produto de seus prováveis traumas e maus hábitos da família de origem e da instituição. Ela precisa de tempo para elaborar suas perdas e sua nova vida.

É preciso tempo para enteder aquela realidade, é preciso amor para olhar com delicadeza cada criança e perceber como ela sente o seu próprio mundo, o mundo externo, qual é o seu histórico, começar a descobrí-la, entendendo suas necessidades existenciais e as necessidades daquele momento, sem precisar sentir a ansiedade do controle parental sobre todos os passos que ela dá. Ela não precisa de rigidez, ela urge por alguém que a entenda, que seja cúmplice até na hora de dar limites e que a ajude a começar o caminho de cura de suas feridas. Que a ensine a ser filha, que a ajude a sentir que pode confiar nas pessosa, que pode confiar na vida.

Ela precisa sentir que é aceita sem pré requisitos para ser amada, assim ela entenderá que está em "casa", que pertence àquele ambiente, e assim colaborará com ele e com os pais, caso contrário, ela entende que ganhou inimigos, pessoas que colocam condições para amá-la e todos nós sabemos que quem coloca condição não sente amor verdadeiro, isso é conveniência, pois a disponibilidade de amar é incondicional.

Cada semana os adotantes descobrirão muitas coisas novas sobre eles mesmos e um Universo totalmente novo. Eles também estarão em um processo subjetivo de adaptação, estarão construindo uma nova e forte relação de amor, construindo uma nova identidade, a pessoa pai e mãe, e precisam reconhecer isso, estarão entrando em contato com suas memórias de infância, com seus medos, feridas e incertezas e estarão escolhendo consciente e inconscientemente se irão repetir seus modelos parentais, entrarão em conflito consigo mesmo, rejeitarão algum comportamento do filho por algum motivo pessoal, se verão nele, então é preciso ter humildade para se “REconhecer” e “REpensar” seus valores, educação e relação consigo mesmo.

Outras fases poderão vir, como uma fase de revolta da criança, mas todo o cuidado e entendimento fazem-se necessários para que ela entenda que pisa em um terreno sólido, fértil e seguro e assim esta fase passará, se tiver um espaço onde é educada a falar sobre o que sente, a reconhecer suas dores e assim poderá entender que pode se expressar de um modo mais consciente, pois tem pais que são bons modelos e podem arcar com este seu processo de cura, fortalecimento e o aprendizado do amor. Porque ninguém nasce amando, isso se chama apego, amar se aprende.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em casal e família, trabalha com adoção há 10 anos. Vive na Itália.