"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

As crianças amadas se tornam adultos que sabem amar

Foto Página da Revista Pazes
Revista Pazes, 1º fev 2016
Nossas primeiras experiências com o mundo marcam o início do nosso desenvolvimento emocional. Na infância se tece uma rede que conectará nossa mente e nosso corpo, o que determinará em grande parte o desenvolvimento da capacidade de sentir e de amar.
Neste sentido, nosso crescimento emocional dependerá dos nossos primeiros intercâmbios emocionais, que nos ensinarão o que ver e o que não ver no mundo emocional e social no qual nos encontramos.
Assim, o campo da nossa infância nos permite semear o amor de maneira natural, o que determinará que a capacidade de amar e de sermos amados cresça de maneira saudável e nos ajude a nos desenvolvermos no futuro.
“Somos seres emocionais que aprendem a pensar, não máquinas pensantes que aprendem a sentir”. Stanisla Bachrach

Se alimentarmos as crianças com amor, os medos morrerão de fome
As amostras de carinho e afeto elevam a autoestima das crianças e as ajudam a construir uma personalidade emocionalmente adaptada e inteligente. Ou seja, o nosso amor as ajuda a lidar com os medos naturais que surgem nas diferentes idades, fomentando um grau de sensibilidade saudável.

As crianças têm uma confiança natural em si mesmas. De fato, nos surpreende que frente a desvantagens insuperáveis e fracassos repetidos elas não desistam. A persistência, o otimismo, a automotivação e o entusiasmo são qualidades inatas das crianças.
Percebermos isso nos ajuda a sermos conscientes do quão importante é amarmos nossos filhos e educá-los em relação ao respeito, empatia, expressão e compreensão dos sentimentos, controle da impaciência, capacidade de adaptação, amabilidade e independência.
O que podemos fazer para criar crianças felizes e saudáveis?
O temperamento de uma criança reflete um sistema de circuitos emocionais inatos específicos no cérebro, um esquema de sua expressão emocional presente e futura, e de seu comportamento. Estes podem ser adequados ou não, por isso a educação deve se tornar um apoio e um guia para elas.
Para alcançar uma saúde emocional ideal, devemos mudar a forma como se desenvolve o cérebro das crianças. A ideia é que através do amor e da educação emocional estimulemos certas conexões neuronais saudáveis.
Ou seja, todas as crianças e todos os adultos partem de certas características determinadas que devem ser administradas em conjunto para que possamos alcançar o bem-estar físico e emocional.
Por exemplo, quando uma criança é tímida por natureza os adultos que se encontram ao seu redor a protegem exageradamente, fazendo com que ela se torne ansiosa com o passar do tempo.
A educação emocional requer uma certa “desaprendizagem” adulta. Uma criança tímida deve aprender a dar nome às suas emoções e a enfrentar o que a perturba, não deve sentir que cortamos suas asas porque ela é vulnerável.
Um adulto deve demonstrar empatia sem reforçar suas preocupações, propondo, por sua vez, novos desafios emocionais que a permitam evoluir. Deve-se proteger a saúde emocional da criança através do desenvolvimento de suas características naturais.
As chaves básicas de uma educação emocional saudável
1. Os especialistas costumam recomendar que ajudemos as crianças a falarem de suas emoções como uma maneira de compreender a si mesmas e os demais. Entretanto, as palavras só dão conta de uma pequena parte (10%) do verdadeiro significado que obtemos através da comunicação emocional.
Por essa razão, não podemos ficar só na verbalização; devemos ensiná-las a compreender o significado da postura, das expressões faciais, do tom de voz e de qualquer tipo de linguagem corporal. Isso será muito mais efetivo e completo para o seu desenvolvimento.
2. Há anos vem se promovendo o desenvolvimento da autoestima de uma criança através do elogio constante. Entretanto, isso pode fazer mais mal do que bem. Os elogios só ajudarão as nossas crianças a se sentirem bem consigo mesmas se eles estiverem relacionados a ganhos específicos e ao domínio de novas aptidões.
3. O estresse é um dos grandes inimigos da infância. Entretanto, é um inconveniente com o qual elas têm que conviver, por isso protegê-las em excesso é uma das piores coisas que podemos fazer. devem aprender a enfrentar estas dificuldades naturais de tal forma que desenvolvam novos caminhos neurais que as permitam se adaptar ao meio no qual vivem.
Não podemos tentar criar nossas crianças em um mundo da Disney de inocência e ingenuidade. O estresse e a inquietação fazem parte do mundo real e da experiência humana, tanto quanto o amor e o cuidado.
Se tentarmos eliminar esses obstáculos, impediremos que elas tenham a oportunidade de aprender e desenvolver capacidades realmente importantes que as ajudem a enfrentar desafios e decepções que são inevitáveis na vida.
Fonte: http://www.revistapazes.com/criancasamadas/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Pais falam honestamente sobre por que se arrependem de ter tido filhos

É preciso muito investimento em uma terapia chamada constelação familiar ou na própria terapia de abordagem familiar para colocar em ordem a desordem que esse sentimento expressa. 
Não penso de nenhum modo que um pai ou mãe deva se contentar em sentir algo do tipo, é preciso colocar as coisas em ordem, rever os modelos familiares e sobretudo se reconciliar com os pais para que as coisas funcionem dentro das ordens do amor, sem sentimentos controversos.

Publicado: Atualizado: 

sábado, 14 de maio de 2016

Quero que a minha filha cresça respeitando

Foto: HuffPost Brasil

Quero que a minha filha cresça vendo casais andando de mãos dadas na rua. Me incomodo somente quando um casal, independente da orientação sexual, demonstrando afeto como se fosse iniciar uma relação sexual em público. Mas quero que, do mesmo jeito que ela vê um casal de hetero se beijando, quando passamos na rua, que também possa ver dois rapazes ou duas moças dando um selinho e o respeito das pessoas em torno. Porque quero que ela cresça sabendo que o amor é o mais importante e que todos devem respeitar a opção sexual alheia sem se rebelar com nada que não os ofende. Quanto a demonstração de afetos dos gays em público, como um beijo, não afeta e nem ofende à minha família em nada, absolutamente nada, não mete medo e nem ameaça à educação que dou à minha filha, não me oprime, mas se me fizesse mal em algum nível o problema seria meu e não do outro que só quer ter o direito de amar. Quem é de fato feliz, deseja que os outros também sejam. E se esse tipo de foto ainda te incomoda o problema ainda é teu, somente teu.

Cintia Liana, psicóloga, especialista em psicologia de casal e família

sábado, 2 de abril de 2016

Fotos e frases de Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana

Cintia Liana


quarta-feira, 23 de março de 2016

Filhas de mães sem amor: 7 Feridas comuns

Esse texto é excelente, mas eu alargaria as possíveis características apresentadas também às pessoas que não se sentiram amadas pelas mães como gostariam ou de acordo com as suas expectativas e não somente as filhas de mães "sem amor".
Sem contar que o ser humano deve passar a vida debruçado em "resolver", em "desemaranhar" a sua relação com a mãe (também com o pai), que é sempre uma relação "conflituosa" e isso não significa ser agressiva ou desarmoniosa.

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Mãe e filha. Google imagens
Durante os anos em que pesquisei e escrevi Mean mothers, eu falei com outras mulheres sobre as nossas experiências em comum. A história de cada mulher é diferente; talvez o que há de comum é a descoberta de que não estamos sozinhas, que não somos as únicas meninas ou mulheres que tiveram mães incapazes de nos amar. Os tabus sobre “desrespeitar” os pais e os mitos da maternidade, que retratam todas as mães como amorosas, só servem para isolar as filhas não amadas. Essa descoberta aumenta a mágoa e as feridas, mas não se resume a isso.

O seguinte catálogo do que pode acontecer com uma filha que cresce sem o amor e o apoio de uma mãe não é uma pesquisa científica; não deve ser generalizado para todos os casos. Novamente, eu não escrevi como psicóloga ou terapeuta, mas como uma companheira de viagem.

Na infância, a criança pega o primeiro vislumbre de si mesma no espelho que é o rosto da mãe. Se a sua mãe for amorosa, o bebê se sentirá seguro e protegido; ele aprende tanto que é amado quanto é amável. Essa sensação de ser amável, digno de afeto e atenção, de ser visto e ouvido, torna-se o alicerce sobre o qual ele construirá as suas mais profundas certezas-de-si, e fornecerá a energia para o seu crescimento.

A filha de uma mãe fria – emocionalmente distante, que não interage com o bebê, ou até mesmo crítica ou cruel – aprende lições diferentes sobre o mundo e sobre si mesma. O principal problema, é claro, é o quão dependente uma criança humana é da mãe para sua nutrição e sobrevivência. O resultado disso é um apego inseguro, caracterizado como “ambivalente” (a criança não sabe se quem vai aparecer é a mamãe boa ou a má) ou “esquiva” (a criança quer o amor de sua mãe, mas tem medo das consequências dessa busca). O apego ambivalente ensina à criança que o mundo dos relacionamentos não é confiável; o apego evitativo configura um terrível conflito entre as necessidades da criança, tanto pelo amor de sua mãe quanto pela proteção contra os abusos físicos ou emocionais dela.

O ponto chave é que a necessidade da criança pelo amor de sua mãe é uma força motriz primordial, e essa necessidade não diminui com a indisponibilidade – coexiste com o terrível e prejudicial entendimento de que a única pessoa que supostamente te amaria sem condições, não o ama. A luta para lidar com isso é poderosa. Ela afeta muitas, se não todas as partes do self – especialmente na área dos relacionamentos.

O trabalho de Cindy Hazan e Philip Shaver (entre outros) mostrou que as experiências da primeira infância foram altamente preditivas sobre os relacionamentos românticos e as amizades feitas na vida adulta. Não vai surpreendê-lo afirmar que as feridas mais comuns são aquelas relacionadas ao self e à área de conexão emocional.

Não devemos olhar para estas feridas para se lamentar ou jogar toda a responsabilidade por quem somos nas costas de nossas mães, mas para nos tornarmos conscientes delas. A consciência é o primeiro passo para a cura de uma criança não-amada. Muitas vezes, nós simplesmente aceitamos esses comportamentos em nós mesmos sem saber o seu ponto de origem.

1. Falta de consistência
A filha não-amada não sabe que é amável ou digna de atenção; ela pode ter crescido se sentindo ignorada ou criticada. A voz da sua mãe continua ecoando na sua cabeça, dizendo que ela não é inteligente, bonita, gentil, amorosa, digna… etc,. Aquela voz materna internalizada continuará a minar suas realizações e talentos, a menos que haja algum tipo de intervenção. Filhas, por vezes, falam sobre o sentimento de que estão “enganando as pessoas” e expressam o medo de serem “descobertas” quando alcançarem o sucesso no mundo.

2. Falta de confiança
“Eu sempre me pergunto”, uma mulher um dia me confessou, “por que alguém iria querer ser meu amigo. Eu não posso evitar de pensar que há algum tipo de interesse oculto”. Estes problemas de confiança emanam do senso de que os relacionamentos são fundamentalmente não-confiáveis, e fluem tanto nas amizades quanto nos relacionamentos amorosos. Como Hazan e Shaver relatam em seus trabalhos, a filha ambivalente necessita de validação constante que a confiança se justifica. Em suas palavras, essas pessoas “experimentam o amor como algo que envolve obsessão, um desejo de reciprocidade e de união, altos e baixos emocionais, atração sexual extrema e ciúme”. A confiança e a incapacidade de estabelecer limites estão intimamente ligados.

3. Dificuldade para impor limites
Muitas filhas, presas entre a necessidade de atenção da mãe e a sua ausência, relatam não conseguir impor limites em seus relacionamentos adultos. Uma boa parte das filhas não-amadas relatam problemas em manter estreitas amizades femininas, que são complicadas devido a questões de confiança (“Como vou saber se ela é realmente minha amiga?”). Não são capazes de dizer “não” (“De alguma forma, sempre acabo sendo um capacho, fazendo muito, e geralmente me acabo me desapontando no final”), ou querem ter um relacionamento tão intenso que a outra pessoa se afasta.

4. Dificuldade para ver o self com precisão
Certa vez uma mulher compartilhou o que aprendeu na terapia: “Quando eu era criança, minha mãe sempre se focava em denunciar os meus defeitos e ignorava minhas realizações. Depois da faculdade, eu tive vários empregos, mas, em cada um deles, meus chefes se queixaram de que eu não estava me esforçando o suficiente para crescer. Foi só então que eu percebi que eu estava me limitando, adotando a visão que a minha mãe tinha sobre mim no mundo. “Grande parte disso tem a ver com tudo o que você ouviu quando criança e internalizou. Essas distorções na forma como vemos a nós mesmos podem se estender para todos os domínios, incluindo a nossa aparência. (Quando eu vasculhei minhas fotos do tempo de adolescência, olhei para aquela menina como a minha mãe, chamando-a de “gorda”. Ela também me chamava de “mal amada”). Outras filhas relataram sentirem-se surpresas quando obtiveram sucesso em alguma coisa, assim como são hesitantes para tentar algo novo, de modo a reduzir a possibilidade de falha. Isto não é apenas uma questão de baixa autoestima, mas algo bem mais profundo.       

5. Atitudes escapistas
A falta de confiança ou o medo, por vezes, coloca a filha não-amada em uma posição defensiva, de modo que ela evita se machucar por um mau relacionamento, em vez de se motivar a encontrar um amor estável. Essas mulheres, na superfície, podem agir como se quisessem estar em um relacionamento, mas em um nível mais profundo, menos consciente, o escapismo é o seu motivador. O trabalho de Hazan, Shaver e Bartolomeu confirma isso. Infelizmente, a evitação impede que a filha não-amada encontre o tipo de relação amorosa que ela procura.

6. Ser excessivamente sensível
Uma filha não-amada pode se tornar muito sensível aos insultos, reais ou imaginários. Um comentário aleatório pode carregar o peso de alguma experiência da infância sem ela mesmo estar ciente disso. “Eu tive que me concentrar nas minhas reações”, disse uma mulher, agora na casa dos quarenta anos. “Às vezes, eu confundo o que é dito, como brincadeiras ou outra coisa, e acabo me preocupando até me abalar e perceber que a pessoa realmente não quis dizer nada do que havia imaginado”. Elas tendem a pensar demais e ruminar muito as situações ruins.

7. Replicar o vínculo com a mãe nos relacionamentos
Infelizmente, tendemos a ser atraídos pelo que já sabemos – aquelas situações em que, apesar de  representarem momentos de infelicidade, não deixam de ser “confortáveis”, por nos serem familiares. Isto, às vezes, tem o efeito de replicar, de maneira não-intencional, a relação maternal. “Eu me casei com a minha mãe, com certeza”, diz uma mulher: “Ele aparentava ser completamente diferente da minha mãe, mas, no final, acabou me tratando da mesma maneira. Como a minha mãe, ele alternava entre a indiferença e a atenção, às vezes fazia críticas horríveis, depois demonstrava alguma forma vaga de apoio”. Ela acabou se divorciando do seu marido e de sua mãe.


Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews

Retirado do: http://www.psiconlinews.com/2016/01/filhas-de-maes-sem-amor-7-feridas-comuns.html





Mãe e filha. Google Imagens

segunda-feira, 21 de março de 2016

Crianças que sentem ódio

Todo esse quadro político, mas sobretudo o modo em como a maioria está reagindo, está "adoecendo" as crianças. Como achar isso saudável? Uma criança que deseja a morte de outras pessoas? Crianças que respiram ódio sentem ódio e aprendem isso por toda a vida delas.
É preciso ter muito cuidado para não ser levado por essa onda de ódio, mas é preciso ter cuidado com tudo na vida, ser mais crítico de si mesmo e para não criar muito mal os filhos.

No Facebook:

"Seguramente essa foi uma das coisas mais absurdamente tristes que apareceu por aqui!! Uma criança desejando a morte de quem quer que seja é o fim de tudo!! Ninguém nasce odiando, aprende-se o ódio como aprende-se o amor, a depender do que esteja disponível para ser aprendido. As crianças apreendem e exploram o mundo pelo exemplo, aprendem com todo o corpo, aprendem de todo coração, aquilo que por sorte ou azar estiver à sua disposição."

domingo, 13 de março de 2016

As diversas faces da baixa auto estima

Publicado em Recortes Por Sílvia Marques

A baixa autoestima usa roupagens diferentes e muitas vezes ela surge disfarçada de mulher mega poderosa, de alto executivo, de adolescente marrento, de estudante rebelde, de professor severo, de pessoa extremamente crítica. Nem sempre quem tem autoestima baixa nos olha com carinha de cachorro magro. Nem sempre quem tem baixa autoestima se deprecia para os outros ou vive reclamando da vida. Quantas pessoas inseguras não se escondem atrás de uma cara de brava para os outros não descobrirem suas limitações intelectuais e afetivas?

Obvious


A baixa autoestima é um problema grave que assola muitas pessoas. Ter baixa autoestima é gostar-se pouco. É se valorizar pouco. Todo mundo deseja o melhor para si, mas muitas vezes, mesmo que inconscientemente, por alguma razão, acreditamos que não merecemos a felicidade e mesmo sem perceber nos sabotamos.
Quantas vezes não nos envolvemos com a pessoa errada porque lá no fundo queremos que a tentativa fracasse e a nossa autoimagem sofredora permaneça intacta? Quantas vezes não aceitamos do outro o que não faríamos a ninguém porque não nos achamos bons o bastante para sermos realmente bem tratados?
Quantas vezes não nos conformamos com amizades inexpressivas, um trabalho horrível, uma vida sem sentido porque pensamos que não somos capazes de estabelecer relações mais significativas ou de arranjar um emprego mais gratificante? Quantas vezes não achamos que não nascemos para nada, que não temos nenhum dom especial e que migalhas afetivas são tudo o que nos resta?
Quando falamos de autoestima baixa, imaginamos alguém deprimido, se olhando para o espelho com uma cara triste. Imaginamos alguém que fala pouco, que não se expressa, extremamente fechado e tímido.
Porém, a baixa autoestima usa roupagens diferentes e muitas vezes ela surge disfarçada de mulher mega poderosa, de alto executivo, de adolescente marrento, de estudante rebelde, de professor severo, de pessoa extremamente crítica. Nem sempre quem tem autoestima baixa nos olha com carinha de cachorro magro. Nem sempre quem tem baixa autoestima se deprecia para os outros ou vive reclamando da vida. Quantas pessoas inseguras não se escondem atrás de uma cara de brava para os outros não descobrirem suas limitações intelectuais e afetivas? Quantas vezes as pessoas não se escondem atrás de um mega visual para disfarçarem lacunas internas e o medo de não serem boas o bastante ao natural? Quantas mulheres não tentam resolver seus problemas de autoestima com cirurgiões plásticos sendo que na verdade, elas deveriam buscar por uma terapia? Não me refiro obviamente a pessoas que realmente precisam de cirurgia. Falo de defeitos imaginários ou excesso de perfeccionismo para escamotear uma carência psicológica.
Olhar-se muito no espelho pode indicar autoestima baixa
Uma vez, ouvi o filósofo Luiz Felipe Pondé dizer que o narcísico tem um ego muito fraco e por tal razão, ele precisa se auto afirmar constantemente. Sim, muitas pessoas que esbanjam autoconfiança podem muito bem serem portadores de baixa autoestima e apresentam uma confiança fake para sobreviverem a um mundo cruel, que não perdoa os mais fracos e a elas mesmas porque para alguns é insuportável aceitar a ideia de não se gostar o bastante, de não se sentir bom o bastante.
Não é à toa que vemos mulheres lindas por dentro e por fora, extremamente afetuosas se degenerando em relações degradantes em que o parceiro as humilha constantemente e mesmo assim elas continuam com eles por medo da solidão. Quem tem baixa autoestima não suporta ficar sozinho. Todo mundo quer um parceiro, ok. Mas quem tem baixa autoestima vai além de querer. Ele precisa. Ele vê no outro sua tábua de salvação. O mesmo vale para homens interessantes que se submetem a mulheres mesquinhas e aproveitadoras porque não se sentem bons o bastante para serem amados plenamente por uma mulher de bom coração.
Nunca poderemos encontrar o amor no outro antes de nos amarmos profundamente
Não é à toa que vemos profissionais preparados e dedicados se submeterem a empregos ridículos, onde ganham mal e/ou sofrem assédio moral, além das explorações típicas que a maioria dos funcionários enfrenta como a realização de horas extra sem remuneração. Na teoria esta conduta não é permitida. Mas na prática ela acontece. Empresas sob o argumento de que o funcionário tem cargo de confiança, o induz a trabalhar fora do seu horário sem nenhum tipo de gratificação.
Não é à toa que vivemos desculpando gente que comete mil gafes. Não é à toa que que vivemos relevando as atitudes egoístas de pessoas que só pensam em si e desconsideram completamente as necessidades alheias. Não é á toa que nos culpamos quando alguém nos engana ou nos ofende brutalmente.
Se gostar bastante implica no entendimento de que somos alguém com valor e que merecemos ser tratados com respeito e dignidade. Se gosta bastante quem não se permite ser humilhado e se afasta de pessoas e situações nocivas, preferindo ficar sozinhas a suportar agressões físicas e/ou verbais. Se gostar é lutar pelo melhor.
Pessoas com alta autoestima sabem até onde podem ir e conhecem seus pontos fortes e fracos. Pessoas com alta autoestima não abrem mão dos seus valores para se manterem acompanhadas. Pessoas com alta autoestima não necessitam dizer o quanto elas são maravilhosas o tempo todo. Pessoas com alta autoestima não se rastejam pela aceitação alheia nem se intimidam porque não são perfeitas. Pessoas com alta autoestima entendem que estar com o outro é incrível, mas que a única pessoa que pode salvá-la é ela mesma.
Chega uma hora em que a gente precisa entender que nós somos a nossa própria heroína
Muitos pensam que quem tem alta autoestima é necessariamente convencido e fica proclamando aos quatro ventos todas as suas realizações ou postando fotos de cada momento do seu dia. Muitas vezes, a autopromoção gratuita é simplesmente um dos disfarces mais coloridos de um ego que anda bem descuidado. Autoestima tem cura. Não é um processo fácil nem rápido. Muito menos indolor. Muita leitura, reflexão, autoanálise e terapia podem contribuir bastante para uma vida emocionalmente mais segura e saudável.

SÍLVIA MARQUES

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..



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quinta-feira, 10 de março de 2016

8 frases para nunca dizer em discussões na frente das crianças

Uma matéria muito útil em que fui uma das fontes entrevistadas.

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Brigar na frente dos filhos sempre é ruim, mas certas frases não devem ser ditas

Matéria Portal UOL, SP - 10/03/2016
Casais que brigam na frente dos filhos, sejam crianças ou adolescentes, transmitem a eles não apenas um profundo sentimento de insegurança e mágoa, mas também um exemplo de conduta inadequado.
Os conflitos só geram algum tipo de aprendizado para a criança quando os pais conseguem manter o respeito, mesmo que não partilhem do mesmo ponto de vista. "É possível discordar sem ofender. Quando está difícil segurar as emoções negativas, o melhor é se afastar e deixar a discussão para depois, quando os filhos não estiverem por perto", afirma a pedagoga Taís Bento, especialista em aprendizagem pela Universidade de San Diego.
É nessas horas que é preciso evitar reações desmedidas e frases de efeito, muitas vezes ditas sem pensar. Além de magoar o outro, elas podem ferir –e muito– as crianças, que nada têm a ver com a situação.
A seguir, veja o que não dizer nem mesmo sob forte emoção, se quiser poupar seus filhos.




1

 

"Foi você quem quis ter filhos"

"Então, eu não fui desejado pela minha mãe ou pelo meu pai?" É isso o que pensa uma criança ou adolescente ao ouvir essa frase, segundo a psicóloga Cintia Liana Reis de Silva, uma das fundadoras do Grupo de Trabalho de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Regional de Psicologia da Bahia e do Sergipe. "Nesse momento, o filho poderá se considerar um erro e sentirá que não merece ser amado", afirma. Como consequência, a criança pode até desenvolver um complexo de inferioridade por conta da rejeição.


2

 

"Se continuar assim, vamos ter de nos separar"

A insegurança que se instala em crianças ou adolescentes que escutam essa frase pode afetá-los futuramente. "Da adolescência para a vida adulta, o sentimento pode desencadear o medo de se relacionar", declara o psicanalista Paulo Miguel Velasco, professor do Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica, Ciências Humanas e Sociais.


3

 

"Só não me separo de você por causa das crianças"

Dizer isso na frente dos filhos é jogar uma enorme responsabilidade nas costas de quem não têm nada a ver com a relação do casal. "O filho pode passar a ter um comportamento que visa apenas o bem-estar dos pais. Mais tarde, se o casal decidir pela separação, o peso da culpa e o sentimento de fracasso poderão perdurar na criança até a vida adulta", afirma Taís.


4

 

"Se você não mudar, vou embora e não volto nunca mais"

A criança pode levar a frase ao pé da letra e, ao considerar que um dos pais se ausentará, o risco de desenvolver um quadro de ansiedade aumenta. "Nessa situação, a cada separação do pai ou da mãe, o medo de que a pessoa não volte dominará a criança", diz Taís. Em casos mais graves, o filho pode resistir a sair de casa por ter medo de que, ao retornar, não encontrará mais o responsável pela ameaça. "Há crianças que desenvolvem medo de ir à escola e até de passear na casa de familiares e amigos por conta desse tipo de experiência", afirma a pedagoga.


5

 

"Você não está nem aí para as crianças"

Quando escuta essa frase, a autoestima do filho vai lá para baixo. Ele conclui que não é importante o suficiente para o pai ou a mãe. "Geralmente, depois das brigas, o casal que se ama contorna a situação e fica tudo bem. Já a criança pode ficar fragilizada e assustada por vários dias", diz Velasco.


6

 

"Nosso filho puxou a preguiça de você"

Nada de positivo pode ser tirado de comparações negativas como essa. O filho pode tomar como verdade absoluta o rótulo criado pelos pais --de preguiçoso, esfomeado ou desleixado, por exemplo-- e persistir no comportamento criticado. Outro risco é a criança entender que o pai ou a mãe não servem como exemplo e, portanto, devem ser rejeitados.


7

 

"Não fala mais comigo, quero distância de você"

Ainda que a frase faça menção ao par, a criança pode sentir medo de que o sentimento seja transferido para ela. "A rejeição é um prato cheio para o desenvolvimento do isolamento e da depressão", diz o psicanalista.


8

 

"Nunca vou perdoar você por isso"

A palavra "nunca" tem um impacto forte demais para a criança. "Por não ter maturidade para lidar com conflitos, ela passa a viver em constante estado de alerta, já que fica ansiosa para saber como será o próximo momento em família", afirma a pedagoga.

Fonte: http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/listas/8-frases-para-nunca-dizer-em-discussoes-na-frente-das-criancas.htm