"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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domingo, 13 de novembro de 2016

20 coisas que mãe detesta!

Foto retirada da página Facebook da Dra. Camila Milagres

Dra. Camila Milagres
1. Que acorde o bebê/criança;
2. Que dê comida sem perguntar antes se pode;
3. Que fique passando o bebê de colo em colo (quando é recém-nascido);
4. Que pegue o bebê no colo e não solte mais (quando é recém-nascido);
5. Que beije a mão e rosto do bebê (quando é recém-nascido);
6. Que faça visitas sem avisar (também quando é recém-nascido. Tudo é mais complicado nessa fase);
7. Que questione se mama no peito.
8. E, se a resposta for não, que questione por que não mama.
9. E, se a resposta for sim, que questione por que ainda mama nessa idade (não dá para acertar nunca, vocês já viram, né!);
10. Que fique perguntando por que a criança chora tanto;
11. Que fique perguntando por que a criança não dorme;
12. Que fique perguntando, sem parar, se o bebê não está com frio, calor, fome, entre outros…
13. Que questione a decisão do tipo de parto;
14. Que questione por que o bebê ainda não senta, não fala, não engatinha, não anda;
15. Que insista que no seu tempo as coisas eram diferentes (e melhores);
16. Que faça comparações seja da criança ou da mãe;
17. Que questionem a decisão de colocar na escolinha, não colocar na escolinha, contratar babá, não contratar babá, largar o trabalho para cuidar do filho (enfim, qualquer uma dessas decisões. Não é necessário questionar, garanto que a decisão foi muito, muito, muito bem pensada! E, muitas vezes, sofrida);
18. Que condene as decisões sobre a alimentação da criança (sempre tem alguém achando que é um exagero os pais darem só orgânicos, ao mesmo tempo existem pais que não selecionam o que seus filhos comem);
19. Que fique contando vantagem, falando que o filho dormiu a noite toda com dois meses, atingiu todos os marcos de desenvolvimento antes da hora, come de tudo sem reclamar e é super comportado (mentir é feio, viu! kkk!);
20. E, principalmente, que julgue e condene sem nem saber o que se passa na casa do outro. Uma das coisas mais comuns hoje em dia! Até para quem é mãe e bastante experiente no assunto (que vergonha!!!).

Quer aumentar essa lista? Com certeza dá! Deixe nos comentários abaixo a listinha das coisas que você detesta quando fazem com você ou com os filhotes. Com certeza muitas outras mães vão se identificar.
Texto retirado da página Facebook da Dra. Camila Milagres

sábado, 5 de novembro de 2016

Um livro que fortalece e empodera as mães

Um livro que fortalece e empodera as mães.

O melhor livro que já li sobre maternidade, nascimento e vínculo entre mãe e bebê.

"A maternidade e o encontro com a própria sombra"





Por Laura Gutman
Este é um livro escrito para mulheres. Não pretende ser um guia para mães desesperadas. Ao contrário, é uma espécie de “alto lá!” no caminho para que possamos pensar como mães que estão criando seus filhos, com nossas luzes e sombras emergindo e explodindo em nossos vulcões em chamas.
Muitos aspectos ocultos de nossa psique feminina são desvelados e ativados com a chegada dos filhos. Estes momentos são, habitualmente, de revelação e de experiências místicas se estivermos dispostas a vivê-los nesse sentido tais e se encontrarmos ajuda e apoio para enfrentá-los. Também são uma oportunidade de reformularmos as ideias preconcebidas, os preconceitos e os autoritarismos encarnados em opiniões discutíveis sobre a maternidade, a criação dos filhos, a educação, as formas de criar vínculos e a comunicação entre adultos e crianças.
Este livro pretende abordar a experiência vital da maternidade como vibração energética mais do que como pensamento linear.
Trazer as experiências que todas as mulheres atravessam como se fossem únicas, sabendo, ao mesmo tempo, que são compartilhadas com as demais fêmeas humanas e fazem parte de uma rede intangível em permanente movimento. Mesmo sendo muito diferentes umas das outras, as mulheres ingressam em um território onde circula uma afinidade essencial comum a toda mãe. Refiro-me ao encontro com a experiência maternal como arquétipo, em que cada uma se procura e se encontra em um espaço universal, mas buscando também a especificidade individual.
Por meio de diversas situações cotidianas, descreveremos um leque de sensações em que qualquer mulher que se tenha tornado mãe poderá facilmente identificar. Paradoxalmente, o uso da linguagem escrita como ferramenta para transmitir essas experiências pode ser um obstáculo, pois atende a uma estrutura em que vários elementos vão se ordenando para construir um discurso. A abordagem do universo da psique feminina, que pertence a uma construção oculta do ponto de vista de nossa cultura ocidental, então se complica. Nesse sentido, para acessar e compreender este livro, serão muito úteis a intuição ou as sensações espontâneas que nos permitam fluir com o que nos acontece quando percorremos alguma página escolhida ao acaso.
De qualquer maneira, é de se imaginar que ficaremos presas à tentação de discutir calorosamente quais são os pontos em que estamos de acordo ou em profundo desacordo. Embora as discussões que venham a surgir entre as mulheres possam ampliar o pensamento, insisto em tentar uma leitura mais emocional, esperando que tenha ressonância no infinito. Ou seja, captar o conteúdo sensorial, imaginativo ou perceptivo, em vez de aprender ou avaliar os conceitos linearmente. Isso tem a ver com deixar abertas as portas sutis e estar atenta às que vibram com especial candura. Permitamos que aquelas que não nos sirvam sigam seu caminho sem nos distrair.
Suspeito que há vários pontos de partida para a leitura: o mais evidente é a partir do “ser mãe”. Espero, também, que o livro seja interessante para as profissionais de saúde, comunicação ou educação que tenham contato com mães, cada uma esperando, com suas próprias ferramentas intelectuais, obter resultados convincentes no que se refere ao comportamento e ao desenvolvimento das crianças.
Acredito que é possível conservar as duas visões simultaneamente; de fato, muitas de nós somos profissionais no campo das relações humanas e também somos mães de crianças pequenas.
Espero conseguir transmitir a energia que circula nos grupos que funcionam dentro da instituição que dirijo, nos quias as mães se permitem ser elas mesmas, rindo dos preconceitos e dos muros que erguem por medo de ser diferentes ou de não ser amadas. Ali foi gestada a maioria dos conceitos que fui nomeando nestes últimos anos e que, tocados por uma varinha mágica, começaram a existir.
Na Escuela de Capacitación Profesional de Crianza, continuamos inventando palavras para nomear o indefinível, os estados alterados de consciência do puerpério, os campos emocionais em que ingressamos com os bebês, a loucura indefectível e esse permanente não reconhecer mais a si mesma. No intercâmbio criativo, as profissionais tentam encontrar as palavras corretas para nomear o que acontece conosco. Arrependo-me de não ter filmado as aulas ou as entrevistas individuais com as mães que nos consultam, porque esse poder, esse florescer dos sentimentos femininos, raramente pode ser traduzido com exatidão pela palavra escrita. Conto, assim, com a capacidade de cada leitora de se identificar com os relatos, imaginando a essência e sentindo que, definitivamente, todas somos uma.
Por último, convido-as a fazer esta viagem juntas, preservando a liberdade de levar em consideração apenas o que nos seja útil ou possa nos apoiar. Esta é minha maneira de contribuir para gerar mais perguntas, criar espaços de encontro, de intercâmbio, de comunicação e de solidariedade entre as mulheres. Esse é meu mais sincero desejo.
Laura Gutman
Sumário

PREFÁCIO

CAPÍTULO 1
Uma emoção para dois corpos

A fusão emocional • As crianças são seres fusionais • Início da separação
emocional • Por que é importante compreender o fenômeno da
fusão emocional? • O que é a sombra? • Por que é tão árduo criar um
bebê? • As depressões pós-parto existem ou são criadas? • O caso Romina
• A perda de identidade durante o puerpério • Entre o externo e
o interno.

CAPÍTULO 2
O parto

O parto como desestruturação espiritual • Institucionalização do parto • A submissão durante o parto ocidental: rotinas • Reflexões sobre os maus-tratos • A opção de parir cercada de respeito e cuidados • Acompanhar o parto de cada mulher • Existe um lugar absolutamente ideal para parir? • Parto e sexualidade • Recordando meu segundo e terceiro partos.

CAPÍTULO 3
Lactação

Amamentar: uma forma de amar • O encontro com seu eu • O início da lactação • As rotinas que prejudicam a lactação • O bebê que não engorda • O caso Estela • Há mulheres que não têm leite? • Os bebês que dormem muito • O caso Sofia • Algumas reflexões sobre o desmame • Valéria quer desmamar sua filha.

CAPÍTULO 4
Transformar-se em puérpera

Preparação para a maternidade: ao encontro da própria sombra • A relação amorosa no pós-parto • A doula: apoio e companhia • Feminilizar a sexualidade durante o pós-parto.

CAPÍTULO 5
O bebê, a criança e sua mãe fusionada

As necessidades básicas do bebê do nascimento aos 9 meses • O olhar exclusivo • A capacidade de compreensão das crianças pequenas (falar com elas) • Recursos concretos para falar com as crianças • Estrutura emocional e construção do pensamento • Separação emocional e comunicação • Cuidados com as crianças “com problemas” • O caso Norma • O caso Constanza • Cada situação é única.

CAPÍTULO 6
Apoiar e dividir: duas funções do pai

O papel do pai como esteio emocional • Confusão de papéis nos tempos modernos • E quem apoia o pai? • O papel do pai como separador emocional • Outros separadores • O caso Pablo • Manter o lugar do pai mesmo que esteja ausente • Criar os filhos sem pai • As crianças que acordam à noite: a importância da figura paterna • Funções feminina e masculina na família.

CAPÍTULO 7
As doenças infantis como manifestação da realidade emocional da mãe

Materialização da sombra • Uma visão diferente das doenças mais frequentes na primeira infância • Os resfriados e a mucosidade • Asma • O caso Eloísa • Alergias • Infecções • O caso Rodrigo e sua mãe • Problemas digestivos • Comportamentos incômodos: o caso Florencia • O caso Marcos: fusão emocional, música e linguagem.

CAPÍTULO 8
As crianças e o direito à verdade

Verdade exterior • Verdade interior • A busca da própria verdade • A verdade nos momentos difíceis • A verdade nos casos de adoção • O caso Bárbara (dar um novo significado à morte de um ente querido) • O caso Sandra.

CAPÍTULO 9
Os limites e a comunicação

As crianças precisam de mais limites ou de mais comunicação? • Para ouvir o pedido original: acordos e desacordos • O uso do “não”, um recurso pouco eficaz • As crianças tiranas • O tempo real de dedicação exclusiva às crianças • Os “caprichos” quando nasce um irmão • As crianças e as exigências de adaptação ao mundo dos adultos • A loucura das festas de fim de ano nos jardins de infância • O estresse das crianças • O caso Rodrigo.

CAPÍTULO 10
Prazer das crianças, censura dos adultos

O controle natural dos esfíncteres e o autoritarismo dos adultos • O controle noturno dos esfíncteres • O caso Brígida • A sucção: prazer e sobrevivência • A água, essa doce sensação • Ao baleiro da esquina, com amor • Crianças, alimentação e natureza • Exigências e alternativas na hora de comer.

CAPÍTULO 11
Comportamentos familiares na hora de dormir

Transtornos do sono ou ignorância sobre o comportamento previsível do bebê humano? • A noite e os bebês de zero a dois anos • No compasso das opiniões • As crianças com mais de dois anos que acordam à noite • Procura-se um separador emocional (para ler com o homem) • As crianças também querem dormir.

CAPÍTULO 12
Crianças violentas ou crianças violentadas?

Algumas reflexões sobre a violência: ao conhecimento de si mesmo • Violência ativa e violência passiva: um guia para profissionais • O caso Roxana • Crianças agressivas: reconhecendo a própria verdade • As crianças que provêm de famílias violentas • Crianças que sofreram abusos emocionais ou sexuais: abuso entre crianças • A negação salvadora: o caso Rubén e o caso Leticia • A visão profissional.

CAPÍTULO 13
As mulheres, a maternidade e o trabalho

Maternidade, dinheiro e sexualidade • A confusão de papéis nos trabalhos maternos • As instituições educacionais • Em busca do ser essencial feminino.

EPÍLOGO

Fonte: http://www.lauragutman.com.ar/libros/a-maternidade-e-o-encontro-com-a-propria-sombra-brasil/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Ter filho é a coisa mais edificante que existe", afirma filósofo



Quando o assunto é educação, não só os filhos, mas também os pais têm muito a aprender. O Mãe com Prosa convidou o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella para comenta sobre as transformações que cada filho pode proporcionar aos pais. E como se dá esse processo em meio a novas configurações familiares.
"Ser pai uma das coisas mais edificantes que existem e não existe o papel da mãe, ou do pai, e sim o do cuidador", afirma o professor.
Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/familia/indicacao/ter-filho-e-coisa-mais-edificante-que-existe-afirma-filosofo/

domingo, 16 de outubro de 2016

Quando nasce um bebê, nasce uma plantação de palpiteiros

Criar e Crescer
Neste episódio do Criar e Crescer, o pediatra Daniel Becker comenta sobre as visitas ao bebê recém nascido, que podem causar alguns transtornos em algumas famílias. "É uma decisão de cada família, mas é um momento delicado, em que os vínculos familiares estão sendo formados, é importante ter bom-senso", afirma o médico.


https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/cuidar/indicacao/quando-nasce-um-bebe-nasce-uma-plantacao-de-palpiteiros/

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Porque sou a melhor mãe que posso ser

Ilustração: Bárbara Brasileiro

Por Marcela Feriani
03 de julho de 2016

Enquanto os olhos do mundo estão no bebê que acaba de nascer, a mãe da mãe enxerga a filha, recém-parida. O papel de avó pode esperar, pois é a sua menina que chora, com os seios a vazar.

A mãe da mãe esfrega roupinhas manchadas de cocô, varre o chão, garante o almoço. Compra pijamas de botão, lava lençóis sujos de leite e sangue. Ela sabe como é duro se tornar mãe. 
No silêncio da madrugada, pensa na filha, acordada. Quantas vezes será que foi? Aguentará a manhã com um sorriso? Leva canjica quentinha e seu bolo favorito.

Atarefada, a mãe da mãe sofre em silêncio. Em cada escolha da filha, relembra suas próprias. Diante de nova mãe, novo bebê, muito leite e tanto colo, questiona tudo o que fez, tempos atrás. Tempo que não volta mais. 
Se hoje é o que se tem, então hoje é o que é. Olha nos olhos, traz pão e café. Esse é o colo, esse é o leite. Aqui e agora, presente. 
A mãe da mãe ajuda a filha a voar. Cuida de tudo o que está às mãos para que ela se reconstrua, descubra sua nova identidade. Ela agora é mãe, mas será sempre filha.

Toda mãe recém-nascida precisa dos cuidados de outra mulher que entenda o quanto esse momento é frágil. A mãe da mãe pode ser uma irmã, sogra, amiga, doula, vizinha, tia, avó, cunhada, conhecida. O fato é que o puerpério necessita de união feminina, dessa compreensão que só outra mãe consegue ter. O pai é um cuidador fundamental, comanda a casa e se desdobra entre mãe e filho, mas é preciso lembrar que ele também acaba de se tornar pai, ainda que pela segunda ou terceira vez.

Marcela Feriani * Canjica
Ilustração: Bárbara Brasileiro

Fonte: https://www.facebook.com/MariaRenataCerqueira/photos/a.449252175232055.1073741829.428343603989579/639813776175893/?type=3&theater


sexta-feira, 4 de março de 2016

Não julgue as mães. Não julgue as mães. Não julgue as mães.

RITA LISAUSKAS
01 Março 2016 | 11:54

Você não sabe nada, nada, nada sobre a vida delas

Meu filho nunca deu trabalho, não é daquelas crianças que se jogam no chão e começam a espernear no supermercado, nunca respondeu atravessado e não me faz passar vergonha. Até um dia. Mais especificamente o dia em que era comemorado o ano novo chinês de 2015.
Eu, minha irmã e ele fomos à festa na Liberdade, centro de São Paulo. Pegamos metrô e não tínhamos noção da multidão que iríamos encontrar. Era surreal. Filhote no colo porque no chão seria pisoteado, filas impraticáveis para comer e uma criança que, em poucos minutos, ficou muito, muito estressada.
Conseguimos nos abrigar em uma daquelas inúmeras galerias do bairro para relaxar e em poucos minutos fugir dali. De repente, entramos em uma lojinha de cacarecos orientais e uma vendedora, muito simpática, disse que me conhecia da televisão, onde sempre trabalhei. Como um gatilho sacana que parece ser disparado apenas quando alguém conhece você, meu filho começou a chorar. Copiosamente. Ele tinha pedido à minha irmã, madrinha dele, que comprasse um videogame que estava exposto na prateleira da loja. Ela disse que não, que a compra de um videogame não era uma decisão tomada assim de uma hora para outra. O choro histérico que até então nunca tinha acontecido é algo do qual nós, mães, nunca estamos livres. Nenhuma de nós. (Alerta de spoiler: você que ainda não é mãe e tem cer-te-za que isso não vai acontecer com você porque, imagina, você vai educar bem seu filho, fique esperta, acontece com todas nós.) Quando abaixei para conversar com meu filho e dizer que se ele queria tanto um videogame a gente ia se planejar e comprar em uma data especial ouvi a dona da loja comentar com minha irmã e para quem quisesse ouvir: Essas crianças de hoje são tão mimadas, né? Culpa das mães que dão tudo a elas e que não sabem dizer não.
Olhei com cara de ódio para a mulher, peguei meu filho no colo, já mais calmo, e saí de lá. Ela não me conhecia, nunca me viu na vida. Como podia julgar minha maternagem? De onde ela tirou que eu não sei falar “não” para o meu filho? Eu não tinha acabado de dizer um NÃO bem grande à compra do tal videogame?
Lembrei disso porque hoje li o desabafo de uma mãe cujo filho teve um ataque histérico em uma piscina de bolinhas de um shopping do Recife. O garoto tem TDO, Transtorno Opositor Desafiador, associado à paralisia cerebral. A mãe, contudo, não quer que o filho, que faz diversas terapias e toma remédios, deixe de interagir com o mundo ao seu redor. Na hora de sair do brinquedo o menino não quis e teve uma crise . “Ele berrava, esperneando no chão, enquanto as pessoas me olhavam com ar de reprovação. Esses não me incomodam. Já estou acostumada a esses olhares. Quando optei, lá no passado, de não privar meu filho da vida por conta das limitações dele, tive que aprender a conviver com os olhares e as críticas. Não é nada fácil ser mãe, trata-se de um diário salto no abismo do acerto e do erro”, contou.
A mãe levou o filho ao banheiro do shopping para tentar acalmá-lo. O que se sucedeu aí foi uma sequência lamentável de acontecimentos. As pessoas começaram a bater na porta do banheiro, mesmo ela pedindo para que deixassem ela tranquilizar o filho, que estava no meio de uma crise histérica.
“Vieram duas seguranças e me pediram para acompanhá-las. Quando sai do banheiro havia uma pequena multidão. Nos cercaram, a mim e ao meu filho. Me agrediram verbalmente, botaram dedos na minha cara, me acusando de estar espancando o menino. ‘Ele está cheio de hematomas’, um homem disse puxando o braço do me filho e tirando fotos minhas e dele. ‘Tire as mãos do meu filho, pare de fotografar ele, caso contrário eu processo você’, falei. Então o homem começou a me ofender, dizendo que eu não era mãe, dizendo que ele ficasse ‘tranquilo’ porque eu seria presa, e meu filho começou a chorar novamente, perguntando “minha mãe vai ser presa?”. A essa altura, minha mãe, uma senhora de 85 anos que esperava sentada na entrada do banheiro, veio ver o que era a confusão. E era comigo! Ela tentava explicar que os hematomas do menino são das quedas constantes. ‘Ele cai muito, faz parte do problema dele’, falava. Mas o homem – o mesmo das fotos – estava revoltado. Afirmava que ia postar fotos nas redes sociais me acusando de espancar o meu filho. Na hora o alertei que o uso indevido de imagem, bem como calúnia e difamação na internet, são crimes. E informei: “também vou fazer fotos suas, assim quando você postar as minhas terei como mandar a polícia atrás de você”. Foi aí que ele me ameaçou, disse que iria me bater. Peguei meu celular e comecei a fotografá-lo e quando viu que eu estava tirando fotos dele, desferiu um golpe. Não me acertou, mas ainda senti o ‘ventinho’. Tudo isso sob os olhares do meu filho especial de 7 anos e minha mãe, uma idosa de 85. Fui ao SAC, onde – orientada por minha amiga advogada – registrei uma ocorrência sobre o assunto. Fiquei lá por quase duas horas tentando me acalmar. Solicitei as imagens das câmeras de segurança, mas fui informada que apenas com ordem judicial. Durante as duas horas que fiquei chorando no SAC, me sentindo humilhada e impotente, lembrava da mulher que foi apedrejada até a morte no sul do País porque o ‘tribunal de rua’ achou que ela era uma suposta sequestradora de crianças. As pessoas hoje se acham detentoras da moral, da justiça e da comunicação – com seus celulares em punho e contas em redes sociais, julgando e condenando quem quer que passe pela frente.”
Antes apenas éramos julgadas em silêncio, no máximo ouvíamos cochichos de maledicência de vizinhos e conhecidos. Hoje, podemos ser apedrejadas em praça pública ou termos nossa imagem e intimidade devassadas e destruídas nas redes sociais. Foi o que quase aconteceu com essa mãe, que terminou assim seu desabafo:
“Estou contando isso aqui como um alerta, até para mim mesma. Não gosto de me expor e, muito menos, expor meu filho. Mas eu precisava fazer isso para dar esse toque mágico: não julgar. Não julgue. Não JULGUE. NÃO julgue. NÃO JULGUE!!!
Não sei o dano que isso vai deixar no meu filho. Na verdade ainda nem sei que dano vai deixar em mim. O que eu quero hoje é dormir tranquila, abraçada com ele, para que se sinta como sempre se sente comigo: protegido. Mas acho que hoje, e durante um bom tempo, ele é que vai fazer isso por mim. Vou me reconstruir no amor dele. Fé em Deus e bola pra frente.”

Em vez de julgar e fotografar (!?), coloque-se no lugar do outro. E se isso não for possível, ofereça ajuda. Não seria lindo que se em vez de dedos apontados alguém tivesse oferecido um copo de água ou abraço a essa mãe, por exemplo? Se alguém tivesse realmente se importado com tudo isso saberia que essa mulher tem vários empregos para poder oferecer todas as terapias que o filho precisa. Que se não fosse a dedicação dela, ele nunca teria saído da cama e estaria se divertindo em uma piscina de bolinhas.  Que o pai dele até paga pensão, mas não quer saber do menino.
Não julgue. Não julgue. Não julgue. Repita isso dez vezes por dia, todos os dias de sua vida.
Fonte: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ser-mae/nao-julgue-as-maes-nao-julgue-as-maes-nao-julgue-as-maes/

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O desafio da maternidade

Uma jovem mãe se negou a participar da corrente do Facebook e falou a real: “Amo meu filho, odeio ser mãe”. Ela tem direito a isso.
Google Imagens

Por Matheus Pichonelli — publicado 19/02/2016 17h54


O que mais me incomoda é o consolo de ser 'apenas' pai. Não é a tarefa mais simples que já assumi, mas nada se compara à pressão enfrentada pela mãe.


Deveria ser uma hora de lazer, mas contabilizei, ao todo, quatro tentativas de homicídio.
Primeiro quando o grandão da turma decidiu empurrá-lo do escorregador.
Depois quando o amiguinho pegou as duas pás da caixa de areia e tentou acertar um golpe duplo na altura das suas orelhas.
Na última, me distrai ao celular e não percebi que o suposto melhor amigo abria dedinho por dedinho do meu filho, como se usasse uma alavanca, para ver se ele caía para poder, enfim, herdar o balanço.
Até que ele aderiu à moda – justamente com quem nada tinha com a história. Ao ver uma menina se aproximar, ele pegou um punhado de areia e jogou no cabelo dela. Diante do meu desespero, ela começou a chorar e ele, a rir.
Eu olhava para o lado na tentativa de encontrar seus pais. Nada. Quando o choro parou, ele arremessou areia no olho dela. Gritei com ele. Ele chorou. Ela voltou a chorar. E eu queria apenas me enterrar naquela areia em posição fetal e dormir até que ele completasse 20 anos.
Em casa, tento entender a ansiedade das respirações ofegantes. Minhas horas de descanso são as horas extras no trabalho. Passamos apuros, deletamos os momentos de sono, usamos as primeiras ou as últimas horas do dia para fazer coisas banais, como ver filmes ou abrir o jornal, passamos a fazer compras em dez minutos porque, caso contrário, ele se joga no chão, esperneia, grita, se bate e tenta derrubar tudo o que encontra pela frente.
Mas não é isso o que me incomoda.
O que mais me incomoda é que eu deveria estar feliz com tudo isso. Eu realmente deveria estar feliz pelo senhor ter me concedido o domingo para ir ao zoológico dar pipoca aos macacos - o problema é que, quando ele vê macacos, quer puxar o rabo. Ou subir na árvore.
E, por estar mais cansado do que feliz, passo horas do dia me penitenciando pelo péssimo pai que sou.
Minha ranhetice começa quando encontro outros pais que acabam de ter filhos. É como adentrar numa orbita em que qualquer assunto fora criança é proibido. Quantas horas dorme? Come legumes? Ainda assiste a Peppa? Onde vai ser a festinha? Quanto você pagou? Você acha isso normal? Não é o máximo?
A bateria de perguntas é, via de regra, um terreno assentado para a questão crucial: quando vem o segundo?
Em tese eu deveria gostar de todas essas perguntas. Da troca de experiências levantadas pelos mesmos amigos que, anos atrás, levantavam a sobrancelha pra saber minha nota na prova.
Eu deveria estar feliz em falar sempre no diminutivo. Em ver meu filho ser tratado como bibelô por amigos e parentes que o mandam posar, sorrir, comer todo tipo de bobagem e entopem o Facebook de fotos dele sem qualquer autorização.
Eu deveria estar, mas não estou. Estou tenso, em dúvida, mais cansado do que satisfeito.
E desconfio que só vou lidar melhor com esse desconforto quando admitir, para meu inconsciente, que não decidimos ter filhos como um cálculo de preenchimento ou satisfação. Que ele não é um investimento que logo trará retorno afetivo e existencial. Que nossa relação não precisa ser uma fabrica de neurose se as coisas não saírem como planejamos.
Falta explicar para o mundo.
Mas de tudo o que mais me incomoda nessa história não são as tentativas de homicídio no parquinho ou a obrigação de fazer de uma manhã no parque um comercial de margarina.
O que mais me incomoda é o consolo de ser “apenas” pai. Sim, não é exatamente a tarefa mais simples que já assumi, mas nada se compara à pressão enfrentada pela mãe. A começar pela métrica que separa as boas e as más mães a partir da produção de leite materno – ainda que seu filho, prematuro, tenha passado as primeiras semanas em uma incubadora, e nosso único contato físico acontecia pelas mãos.
Ao fim das visitas eu ia para casa, e a mãe era encaminhada a uma sala onde deveria, literalmente, ordenhar o próprio leite por meio de uma bombinha. Era um novo parto por sessão, e a dificuldade da missão era compensada por palavras de incentivo do tipo "pensa no teu filho", “se você o ama o suficiente você consegue” (tente urinar com um incentivo desse no seu ouvido para entender o drama) ou com mandingas e alimentos com base no milho (tipo pipoca e canjica) que estouravam estômago da mãe e só ampliavam a distância entre a autoestima e a maternidade ideal. Uma distância agravada cada vez que alguém identificava na mamadeira a prova material de um fracasso.
Passada a fase da amamentação, à mãe não faltavam dicas, telefonemas de amigos e familiares de todos os lados para saber como andava a saúde do menino. Qualquer espirro ou choro fora de hora era sintoma de um descuido. Qualquer cara feia quando alguém o entupia de bolacha era respondida com "mas coitado, ele tem vontade".
As vontades são criadas, assim, por visitas esporádicas que jamais trocaram fralda, e você supostamente deveria amar tudo isso.
No pico da agonia, eu podia sair, nadar, pescar, jogar bola e até encher a cara quando precisava desanuviar. Ninguém me telefonaria perguntando se eu estava louco. Eu jamais seria o puto que pariu e na bagagem jamais levaria a culpa, a lista de satisfações, as perguntas de sempre. Como quando voltou à dança e quase desistiu depois de ouvir uma bateria de perguntas constrangedoras sobre “como ela tinha coragem de deixar uma criança em casa”. “Ele não pede por você?”. “Ele não chora?”. “Você não sente pena?”.
Aos poucos passamos a reproduzir, dentro de casa, as assimetrias que tentamos combater fora dela. "Homem não leva jeito". "Homem não faz duas coisas ao mesmo tempo". "Homem não acorda quando criança chora".
Ela não.
Ela deveria sorrir pela manhã depois de ser acordada a cada três horas. Deveria estar linda, leve e realizada para as sessões de fotos da família doriana para postar no Facebook no dia das mães. E sorrir ao responder, pela milésima vez, se pretende MESMO seguir trabalhando ao fim da licença maternidade.
Durante a semana, uma jovem mãe se negou a participar, no Facebook, de uma corrente sobre as delícias sem dores da maternidade e decidiu falar a real: “Amo meu filho, odeio ser mãe”. Ela tem direito a isso. Tem direito a compartilhar com outras mães não apenas o peso da maternidade, mas o peso da obrigação de parecer feliz com toda a pressão existente em um dos períodos mais duros, confusos e inseguros da vida.
Ela tem direito a manifestar o desconforto pela pressão. Ela tem direito a não explodir. A não achar que há algo de errado nela por não ser feliz o tempo inteiro. De reivindicar o direito a descobrir, por si, as pequenas alegrias das novas relações criadas dentro de casa.
O que enlouquece não são as tarefas. As funções. A responsabilidade. Tudo isso é duro, mas passa. O que enlouquece são os outros. São os que veem na maternidade – e na distância entre a vida ideal e a vida vivida – a chance de minar a autoestima e a liberdade de circulação de alguém que não é (nem deveria ser) só mãe, mas mulher. Foi-se o tempo em que as palavras eram sinônimos – e, por extensão, um destino inevitável rumo ao confinamento do lar e das obrigações que nós, homens, não queremos fazer.
É preciso reconhecer a coragem de uma mãe que expõe esse desconforto - pois até o direito a reclamar tentaram tirar dela. O desconforto dela não é com o filho, mas com um destino imposto a ela a partir da maternidade. Há quem prefira atacá-la e guardar as dores numa comporta de autoengano e ressentimento. Pobres pais. Pobres filhos.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-desafio-da-maternidade

domingo, 10 de janeiro de 2016

Não. Os bebês não são como nos é dito

We Heart it

Autora desconhecida. Texto retirado da página Facebook "Parto Normal"

Não. Os bebês não são como nos é dito
Não. Os bebês não são como nos é dito. Os bebês não gostam de dormir num berço. Rodeados por grades. Presos numa gaiola. Não. Os bebês querem dormir ao lado do corpo da sua mãe, quentes, seguros, protegidos, amados, tocados.
Não. Os recém-nascidos não querem nem sequer estar numa posição horizontal. Eles querem dormir no seu peito, na vertical, balançando-se ao som do seu coração. Horizontalizados retardam a digestão, têm vômitos, têm cólicas, assustam-se, sentem-se vulneráveis.
Não. Os bebês não se acostumam aos braços: nascem já acostumados. Desde o início sabem bem o que é bom.
Não. Os bebês não dormem toda a noite. Eles acordam a cada minuto. Para comer e para não comer. Para verificar se está ao seu lado e se se importa. Para certificar-se da sua presença, que é a sua segurança. Para tocá-la e cheirá-la.
Não. Os bebês não querem ficar sozinhos. Eles não querem perdê-la de vista por um minuto, querem estar consigo no centro da vida.
Não. Os bebês não querem brincar sozinhos num parque. Eles querem brincar consigo, sorrir, serem atendidos, treparem-te para cima, rastejarem pela sala.
Não. Os bebês não querem beber leite de outra espécie. Eles querem o seu leite.
Não. Os bebês não querem chupar todo o dia um pedaço de plástico. Eles querem chupar os seus seios, as suas pequenas mãos, os seus dedos… pele humana.
Não, os bebês não querem que os vistam, nem que lhes coloquem tecidos que picam, nem brincos nas orelhas, roupas apertadas, fitas, rendas e outras coisas irritantes. Eles querem estar nus, correndo descalços, apreciando o toque da natureza na sua pele, estar pele com pele consigo.
Não. Os bebês não querem ficar parados. Eles querem que se mova, que mexam neles, que os embalem, que ande, passeie e os leve consigo. Assim que eles podem, querem gatinhar, correr, saltar, explorar, chegar a toda a parte… Sim, os bebês são naturalmente curiosos. Eles querem e precisam tocar em tudo. Incluindo aquelas coisas que a vêem usar: controles, relógios, telefones, computadores… A sua riqueza sensorial desenvolve-se a partir daí.
Não. Os bebês aprendem o que vivem. Se estão sempre a ouvir “não”, estarão sempre prontos para dizerem não. Se tem medo de tudo, em breve terão medo de tudo.
Não. Os bebês não são macro-exigentes. Nós é que somos micro-pacientes, micro-tolerantes, micro-disponíveis e micro-respondedores.
Não. Os bebês não querem que os deixem. Eles querem ir consigo a todos os lugares, você é o seu exemplo, a sua segurança, a sua referência, o seu único universo.
Goste ou não goste, assim são os bebês humanos, primatas, mamíferos. Se quiser confirmar, basta ter um. Nenhuma outra espécie desconhece e prejudica tanto as suas próprias crias. Se queremos um mundo um pouco mais humano, faríamos bem em entender isto. Não é como nos disseram “Eles são infinitamente melhores e mais inteligentes.” Quem quer que visse estes filhotes diria: que espécie tão avançada! E como é que eles se tornaram no que são? 
(Autora desconhecida)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O poder das mães e da amamentação

Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva


Se prepare do modo certo para ser mãe, se conheça, desarme-se, humanize-se, esqueça as teorias do senso comum, as repetições, e se já é, vou te dizer:
Um bebê não usa o peito da mãe como chupeta, ela usa o peito como peito, como calor, como aconchego, como busca de afeto, de segurança, como uma deliciosa fonte que jorra estímulo para a sua oralidade na descoberta inicial do mundo fora da ventre. Amamentar vai muito além da alimentação e muito além que qualquer compreensão. Se ele quiser ficar no peito é porque ele precisa, então não comece a guerrear para medir quem tem mais forças e para provar autoridade colocando regras que não fazem nenhum sentido para ele e não servirão de nada, só irá contra a natureza do bebê. Deixe ele mamar, se ele quer é porque ele precisa, e só ele sabe quando, por quanto tempo e porque precisa. E mais, autoridade não se prova, ou se tem ou se não tem. Sinta ela dentro de você e faça o que a tua genuína natureza te pede. 
Se ele quiser ficar horas no peito e você estiver bem, relaxe, deixe, quanto mais se mama mais leite se produz. Durma com ele, acorde com ele. Não deixe ele chorar, não deixe ele esperar. Não deixe que ele perca a capacidade de acreditar no outro já nos primeiros meses de vida.
Leia, se informe sobre o que há de mais humano na maternidade, sobre a alma, não sobre regrinhas absurdas e desumanas. Teu filho acabou de nascer, ele não precisa ser "adestrado".
Esqueça tudo mesmo, deixe os pratos sujos de lado, se não puder não atenda ao telefone algumas vezes, deixe o teu filho dormir sobre o teu peito, isso traz paz e aumenta muito mesmo a produção de leite. Esqueça todas as teorias educativas capitalistas abusivas, ao menos nesses primeiros meses de vida e não se sinta culpada porque elas não servem de nada, só trazem tristeza e sentimentos contraditórios.
Seja mãe com M maiúsculo. Acredite na tua intuição. Pense na possibilidade de fazer terapia, ou de consultar um psicólogo de família que seja um profissional sensível, pois o bebê até os 2 primeiros anos é um reflexo intenso do que ocorre na parte oculta da psiquê materna. Questione os seu modelos familiares para ver a vida com mais lucidez e ser uma mãe mais atenta e mais bem resolvida. É difícil, mas é possível. 
Teu filho é como um animalzinho que precisa do teu calor, da tua voz, da tua segurança, da tua inteireza, da tua disponibilidade, faça o que pede o teu coração cheio de amor e de emoção por ter ao teu lado um verdadeiro tesouro que estará contigo por toda a vida, então se entregue porque num piscar de olhos você vai estar com saudades desses mágicos momentos e o teu filho estará grande, autônomo e será um ser humano feliz, realizado e seguro por ter tido tudo o que você poderia ter dado a ele de mais sagrado naqueles preciosos instantes.
As mães têm o poder de salvar o mundo porque o amor tem o poder de mudar o mundo. 

sábado, 11 de abril de 2015

A maternidade e a paternidade imperfeita

Descubra porquê aceitar a própria imperfeição na criação dos filhos é o melhor caminho para uma educação saudável e relacionamentos mais próximos.

Google Imagens

Por Professor Felipe de Souza 

Olá amigos!
Ser mãe ou ser pai é uma das tarefas mais desafiadoras que podemos enfrentar na vida, por uma série de motivos: confundir e não conseguir separar o filho(a) de quem somos, ter expectativas e sonhos que não são os mesmos das crianças, tentar fingir ser melhor e mais perfeito do que realmente se é, disciplinar alguém mas sem tirar a liberdade de escolha, enfim, entre outros fatores não é algo tão simples quanto amar e deixar acontecer.
No consultório, quando atendemos uma criança, conseguimos ver claramente como os seus “problemas” (se forem reais) estão relacionados com as pessoas que dela cuidam. Alguns pais pecam por excesso de cuidado, outros são displicentes, enquanto outros simplesmente não sabem o que fazer ou mimam demais ou são controladores demais.
Por isso, sempre atendemos os pais ou responsáveis – ou pelo menos acompanhamos em consultas a parte o que eles estão fazendo, pensando e sentindo. Isto não significa culpar os pais pelo comportamento dos filhos. Significa, de novo, a enorme responsabilidade que é ter alguém sob os seus cuidados.
O ponto-chave é que o que se é, é mais influente do que o que se faz. Como no ditado, faça o que eu digo e não faça o que eu faço, temos que pensar um pouco melhor. Segundo Joseph Chilton Pearce:
“O que somos ensina a criança muito mais do que o que dizemos, de forma que temos que ser o que queremos que nossas crianças se tornem”
(Em inglês: “What we are teaches the child far more than what we say, so we must be what we want our children to become”).
E como podemos entender essa frase? Bem, as crianças são muito espertas. Muito mais espertas do que queremos admitir. Assim, elas percebem a essência (ou personalidade profunda) de alguém e conseguem distinguir rápido o que as pessoas são do que elas dizem.
E é justamente por saber – ou intuir isso – que muitos pais acabam ficando desesperados quando se dão conta de que não conseguirão fingir algo que não são no longo prazo. Dependendo do jeito que cada um lida com sua própria imperfeição, as consequências de entender esta realidade podem provocar muitas emoções diferentes. O que quero compartilhar com vocês neste texto é que não há necessidade de esconder a imperfeição. O que chamamos de vulnerabilidade, em vez de ser uma fonte de afastamento, pode ser justamente a ponte para criar uma relação digna e de confiança.
A maternidade e a paternidade imperfeita
Não sei se ficou claro o que disse. É óbvio que não somos perfeitos. Como não somos perfeitos e como o que somos vai influenciar nos nossos filhos, isto pode provocar uma espécie de dissonância cognitiva. Se não somos perfeitos e queremos que nossos filhos fiquem bem, como vamos fazer se a nossa imperfeição vai criá-los?
Existem saídas adequadas e inadequadas para este problema. Esconder ou fingir ou criar torpor não vai adiantar. Fugir ou procurar recalcar também não. O melhor caminho passa pela aceitação. Aceitação da própria imperfeição e da imperfeição do filho(a).
Evidente que isto parece ir contra toda um ramo de literatura de auto-ajuda que objetiva criar filhos perfeitos, saudáveis, bem adaptados. No fundo, o que se busca é um ideal do herói. O filho(a) que tem sucesso, glórias, é reconhecido, quiçá famoso. Aquele que vai dar orgulho e tudo mais.
É preciso saber separar o longo preparo de educação (investir em escolas e cursos e atividades extras; além de procurar criar uma visão correta das ações – ética e moral), de uma expectativa que visa tapar uma falta daquele que cria.
Em outras palavras, o fato de aceitarmos a própria imperfeição não significa que não vamos procurar fazer o melhor que pudermos. E também não significa deixar que o filho ou filha faça qualquer coisa que quiser. Porém, a aceitação da condição humana (não somos sobre-humanos ou super-heróis) retira um peso desnecessário, tanto para os pais como para os filhos.
A ideia central é ser quem se é e tentar melhorar – na medida do possível.
A união pela vulnerabilidade
É bastante comum o conceito de que os filhos veem os pais como heróis, colocando-os em um pedestal de admiração. Embora isto possa ser positivo, em virtude da identificação, também não exclui certos problemas, dos quais o menor é a frustração quando a imagem da perfeição se quebra.
Outro problema é que cria uma dessemelhança muito grande entre o genitor e a criança, uma sensação de ser inatingível ou uma hierarquia muito rígida, com falta de autonomia. Mas o que é ainda pior é que o ideal do herói é bastante perverso no que tange às relações. Um herói, por definição, não precisa de ninguém. Em sua perfeição suposta, nada lhe falta. Ou então, tem que esconder de todos o seu ponto fraco.
O nosso argumento aqui, seguindo o trabalho de Brene Brown (The Gifts of Imperfect Parenting), é que é justamente este ponto fraco – ou estes pontos fracos – que vão permitir uma maior união.
Observe os filmes.  Nos momentos em que alguém mostra toda a sua vulnerabilidade, toda a sua insegurança, os seu medos, temores e angústias é o momento no qual há maior proximidade. Por exemplo, estes dias vi “A Arte da Conquista”, com Freddie Highmore e Emma Roberts e na cena em que a mãe do George Zinavoy (Freddie Highmore) conversa com ele sobre as suas dificuldades no relacionamento e nas finanças, é o momento da virada. Não vou contar mais senão perde a graça.
Mas é simples de entender: nos momentos mais vulneráveis, quando deixamos cair a máscara da persona de perfeição é que nos abrimos para um nível de relacionamento mais profundo. Em resumo, um pai herói ou uma mãe heroina parece ótimo, porém, eles não precisam de ninguém, nem de uma relação mais próxima com seus filhos. O pior é que escondem os seus pontos fracos, o que é percebido pela criança com facilidade. De maneira que a relação, baseada na ideia de perfeição, acaba sendo estruturada em uma mentira fundamental.
Em resumo, temos dois polos:
Maternidade e paternidade que quer perfeição: “Eu sou perfeito(a). Logo, seja como eu e seja perfeito(a). Falhas não serão toleradas”.
Maternidade e paternidade imperfeita: “Eu não sou perfeito(a). Mas procuro melhorar a cada dia, nisso, nisso e naquilo que tenho dificuldade. Espero que você (filho, filha) procure fazer o seu melhor. Quando precisar, nas suas dificuldades, estarei aqui”.
Referência bibliográfica
BROWN, Bene. The Gifts of Imperfect Parenting. Audiobook em inglês (recomendo!)
BROWN, Bene. A coragem de ser imperfeito. Rio de Janeiro: Sextante, 2013
Fonte: https://www.psicologiamsn.com/2015/04/maternidade-e-paternidade-imperfeita.html