"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)
"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)
A comédia sobre gravidez, “O Que Esperar Quando Você Está Esperando” (“What to Expect When You’re Expecting”) ganhou um novo trailer. O longa é estrelado pelo ator brasileiro Rodrigo Santoro (do inédito “Heleno”) e grande elenco. O roteiro é uma adaptação do livro homônimo de Arlene Eisenberg, Heidi Murkoff e Sandee Hathaway. Assista ao novo trailer logo abaixo:
Em “O Que Esperar Quando Você Está Esperando”, Rodrigo Santoro interpretará o marido de Jennifer Lopez, um homem que apesar de não estar pronto para se tornar pai, segue os planos da esposa de adotar uma criança. O filme mostrará cinco casais prestes a se tornarem pais.
Chris Rock (“Gente Grande”), Cameron Diaz (“As Panteras”), Brooklyn Decker (“Esposa de Mentirinha”), Elizabeth Banks (“72 Horas”), Isla Fisher (“Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”) e Anna Kendrick (“Amor sem Escalas”) completam o elenco. O livro foi adaptado pelos roteiristas Heather Hach (“Sexta-Feria Muito Louca”) e Shauna Cross (“Sobre Rodas”) e tem direção de Kirk Jones (“Estão Todos Bem”). A estreia está prevista para o próximo 18 de maio.
Depois que escrevi o texto sobre a tragédia no Rio de Janeiro, muitas pessoas me escreveram expressando opiniões, concordando, elogiando, percebi o quanto é bom colocar para fora algo que está preso; uma fala que poderia ser de muitas pessoas, até dizer o que muitos gostariam de ter dito; e que também dizem, quando repassam um texto uma opinião etc. Um desses contatos foi de uma amiga que me chamou a atenção especialmente. Refleti sobre o que ela escreveu e resolvi dividir ...
Não é por falso puritanismo, mas não tinha assistido ao filme “O doce veneno do escorpião”, para quem não sabe é o já “famoso” filme “Bruna Surfistinha”. Logicamente dei um jeito e assisti ao tal filme. Não recomendo. Poupem-se. Não será possível dizer: “a Débora Secco dá um show de atuação”, absolutamente, nada há de novo na miséria humana, no sentido da degradação social, se abrirmos os jornais está tudo lá, álcool, drogas, prostituição, desrespeito e tudo que envolve o submundo. Mas o que tem isso a ver? Nada! O fato é que o filme trás a mensagem subliminar de que a filha adotada, apesar de todas as condições econômicas, sociais e familiares, não se sentia no contexto daquela família, ela não se sentia parte, por isso procurou e encontrou o seu “caminho”. Alguns dirão: “ora mas é a história dela”, “ela foi realmente adotada” e ela “viveu tudo aquilo”. Com certeza ela, a Raquel, já que a Bruna é um cognome, nem se dá conta de que a mensagem negativa está lá. Com certeza os produtores estão “pouco se lixando” se as famílias formadas a partir da adoção se incomodam com mensagens negativas ligadas à adoção. Não interessa a eles. Tudo bem, este texto não é para quem não se importa, mas a nós interessa, e muito. Porque a filiação adotiva é sim especial. E é especial porque se tem como filho alguém que não se liga pelos laços da consanguinidade e nós vivemos em uma sociedade que se importa com a pseudo normose social. O parentesco por adoção se forma sem o envolvimento sexual de quem se torna o pai/mãe e pressupõe uma escolha íntima e não são raras as vezes envolvem perdas, luto e talvez uma consciência de fragilidade. Ora, se é assim, formada a filiação, e estruturada a família, não se espantem os críticos se “descobrirem” que os pais por adoção possuem igualmente um instinto de preservação da prole tão forte quanto os formados a partir da função biológica. A adoção precisa ser explicada aos filhos, é preciso dizer-lhes que a adoção é um ato de amor e que pelo amor o parentesco se desenvolve e se solidifica. Se é impossível preservar os filhos, eles precisam ser orientados. Não se pode calar diante de estereótipos sobre a adoção e silenciar diante dos filhos. São eles, e não os pais o principal alvo das distorções a todo instante nos diversos acontecimentos, por vezes até naturais da vida. Uma coisa é certa, estes exemplos não servem para educar, ao contrário, reforçam um preconceito que há muito vem sendo combatido e que hoje já se percebe menos explicitado.
Aos pais e mães por adoção, não se intimidem diante de exemplos negativos, é preciso estar atento e saber dizer aos filhos que a ficção é produto de uma imaginação, nem sempre criativa e que uma realidade não determina a outra; tais exemplos não servem para direcionar em uma família que tem no amor o principal argumento.
Texto do querido amigo e companheiro de luta pela "cultura da adoção" Paulo Wanzeller.
Rosa Morena, produção Brasil/Dinamarca, é o filme de estreia do diretor brasileiro Carlos Oliveira. E já em seu primeiro filme, de roteiro também seu com Morten Kirkskov, Carlos apresenta uma direção segura e um estilo de filme que não é comum por aqui.
Rosa Morena é um drama denso, realista e acima de tudo emocionante. Thomas é um homossexual dinamarques, que por essa condição, em seu país não pôde adotar uma criança. Vem então ao Brasil, onde tem um velho amigo, Jacob, em busca desse filho adotivo. Até aí temos o velho clichê do europeu rico que vai aos paises pobres em busca de filhos adotivos. Mas os clichês param por aí.
Não mais disposto a esperar pelos tramites legais da adoção, Thomas busca seu objetivo querendo “comprar” um filho. Aí já temos um primeiro questionamento. O fato de se comprar uma criança de uma mãe, mesmo em dificuldade é correto? O filme porém não para por ai, assim como Thomas busca comprar, existe os que querem ganhar em cima desse interesse, fazendo disso, como é frisado em certa altura do filme, um grande negócio.
Thomas tenta uma primeira vez, se aproximando de uma mãe humilde e fazendo uma proposta. Porém não é bem vinda. A esposa de Jacob, interpretada pela ótima Viviane Pasmanter, trabalha com comunidades carentes e conhece uma mulher grávida que tem interesse no “negócio”. Thomas conhece e se aproxima da mãe e de sua familia. Passa então a conviver, conhecer e até se envolver com ela. Essa aproximação acaba trazendo problemas e tensão.
O filme tem vários acertos. O roteiro muito bem escrito, a direção de fotografia Philippe Kress é muito bem realizada. Interessante notar como é muito mais um estilo europeu que brasileiro. O olhar da periferia, da pobreza é diferente de como é retratado nos filmes brasileiros. Pois como o diretor salientou, o Brasil que vemos alí é a partir da visão de um europeu.
A escolha do elenco também é um ponto certo. Rostos menos conhecidos e o ótimo roteiro dá naturalidade as interpretações. Você acredita em cada personagem. Viviane Pasmanter é o rosto mais conhecido, e ainda assim, não é um rosto óbvio. O filme não se vende pelo elenco famoso e sim pela questão que coloca.
Ainda temos trilha sonora. Algo que ainda é um problema na maiorida dos filmes brasileiros, aqui é outro dos pontos mais fortes. O responsável é o compositor dinamarques Frithjof Toksvig, desconhecido por aqui, mas em seu país é um compositor bem requisitado para trilhas de cinema, séries e comerciais.
“Rosa Morena” é um filme que questiona, mas não julga. Faz melhor. Nos coloca situações para que o espectador avalie, pense, se questione. E também chama atenção tanto para a lentidão na justiça para uma adoção (existem mais de 80 mil crianças orfãs no Brasil), para também o quanto é “facil” burlar a lei e conseguir esse filho por outras vias. Mais que certo ou errado, o filme nos apresenta uma realidade muito particular dessa situação, questionando mas não colocando um ponto final.
Cinema brasileiro com um outro e novo olhar. O jovem diretor Carlos Oliveira, que hoje vive na Dinamarca, trás uma autênticidade ao cinema brasileiro que vemos pouco. O cinema que por aqui costuma se resumir a comédias e filmes de ação, encontra nesse drama um debate sobre questõres muito próximas a nossa realidade. E aí é a grande chave do filme.
“Rosa Morena” não é um filme sobre favela, sobre pobreza, é sobre relações humanas e busca de um sonho. O quanto custa buscar o seu sonho e até onde podemos ir por eles.
Vanya Solntsev (Kolya Spiridonov) é um garoto de 6 anos, que vive em um orfanato na Rússia. Como em breve será adotado por um casal de italianos ele ganhou o apelido de "pequeno italiano" entre os colegas de orfanato. Um dia Vanya vê uma jovem mulher chegar ao orfanato, buscando reaver o filho. Ele passa a sonhar que sua mãe também pode tentar buscá-lo algum dia e, desta forma, decide procurar por ela.
A primeira publicação da psicóloga Cintia Liana, pela editora Agbook. "Filhos da Esperança" fala sobre o percurso da adoção e seus aspectos psicológicos. Para comprar ou visualizar clique na foto.
"Filhos da Esperança"
A psicóloga Cintia Liana, que atua na área de família e adoção desde 2002, já foi perita de uma vara da Infância no Brasil e hoje atua na Itália com adoção internacional, escreve sobre os caminhos da adoção no Brasil, a forma de avaliar os candidatos à adoção e a situação de abandono das crianças, com um olhar crítico e preocupado.
A autora também nos traz a reflexão dos aspectos antropológicos e subjetivos no processo de construção da família, da adaptação do filho adotivo, da revelação da adoção, postura diante da história da criança e sua família de origem, assim como outros pontos importantes deste universo a serem descobertos pelo leitor.
Ela utiliza o pensamento sistêmico como base.
Se trata de um excelente guia de reflexão e amadurecimento não só para quem deseja ter um filho através da adoção e para quem já adotou, mas também para profissionais e estudantes interessados na area, que queiram entender, se atualizar e se aprofundar neste cenário.
Tenho recebido algumas mensagens de mulheres grávidas pedindo ajuda e orientação, porque desejam doar o filho, ainda no ventre, para adoção. Calma! Uma mulher grávida tem o direito de doar seu filho para que ele seja adotado. Fazer um plano de adoção para o filho que se espera não é crime. Após o nascimento da criança, a genitora deve ir até a Vara da Infância e Juventude de sua cidade e declarar a intenção de doá-la. Por isso, não entrem em desespero. Na Vara da Infância a genitora será orientada pelos profissionais responsáveis. Enquanto isso, muita coisa pode mudar, sua situação e até o seu desejo em ficar com o seu filho.
Importante
Aviso aos "navegantes" que não tenho informações, não conheço e nem tenho o interesse em saber ou indicar instituições ou crianças disponíveis para adoção. Este trabalho não me compete e nem a nenhuma pessoa física, somente a Justiça.
Trabalho numa associação de adoção internacional na Itália e agimos dentro da lei e seguimos à risca todo o procedimento legal.
Neste blog o meu trabalho é abrir a consciência de pessoas que a buscam e orientar pais, crianças e instituições. Isso vai além de qualquer outra coisa. O resto deixo com o Judiciário e profissionais que nele trabalham.
Para outros assuntos estou a disposição sempre.
lembrem-se, o primeiro passo para adotar uma criança é procurar a Vara da Infância e Juventude de sua cidade.
Para citar Cintia Liana e textos postados neste blog
Monografia:
Silva, Cintia L. R. de. Filhos da Esperança: Reflexões sobre família, adoção e crianças. Monografia do curso de Especialização em Psicologia Conjugal e Familiar. Faculdade Ruy Barbosa: Salvador, 2008, 58 p.
Usem os textos a vontade, mas citem o respectivo autor, enriquece seu trabalho e demonstra respeito.
Sobre Direitos Autorais de Fotos e Textos deste Blog
As fotos utilizadas neste blog são de diversas origens.
Algumas minhas com famílias e crianças, todas autorizadas pelos responsáveis, amigos meus do trabalho com adoção, inclusive fotos que ganho de presente de muitos deles.
Outras foram doadas por fotógrafos amigos meus ou achadas no Google, Getty Imagens e Flickr, são imagens que circulam abertamente na internet que uso como meras ilustrações para compor os posts, algumas são encontradas com o nome do fotógrafo ou proprietário outras, geralmente do Google, nem sempre. Quando encontro o nome do proprietário da foto faço questão de expor, afinal dar créditos ao autor é uma questão de responsabilidade e respeito a obra alheia e ao dono.
A maioria dos textos e críticas são de minha autoria, mas os que não são estão com os devidos nomes do autor.
Agradeço a todas as contribuições, sejam elas por amizade ou por identificação com a causa da adoção.
Agradeço também os comentários de todos.
Cintia Liana
Desde quando eu era pequena, minha avó já olhava orgulhosa e dizia que eu era muito atrevida. Quando eu tinha 4 anos, colocava a mão na cintura e começava a falar. Sou atrevida com consciência de causa, porque ter língua afiada não é só para quem pensa, é para quem faz e para quem sabe o que fala. Cintia Liana
"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes".
(Albert Einstein)
"Todo ser humano precisa da verdade sobre a sua existência para apropriar-se desta e organizar-se dentro de sua própria vida."
(Cintia Liana)
"A tranquildade de falar sobre a adoção nasce da capacidade de se desapegar das próprias crenças e medos, porque a criança está pronta para saber sobre os laços que a unem a família adotiva. Está pronta para a verdade. No fundo, ela já sabe de tudo."
(Cintia Liana)
"Adotar é acreditar que a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino."
(Lídia Weber)
"O filho biológico você ama porque é seu. O filho adotivo é seu porque você ama."
(Luiz Schettini Filho)
"A adoção transcende a natureza. É um requinte da evolução do ser humano, quando acolhe o diferente do seu próprio gene e ama por amar, e não por obrigação biológica."
(Jaime, 2000)
"A relação com os pais adotivos será tão importante para a formação do caráter quanto o que aconteceu no passado difícil da criança, observo que até mais, pois estes é que irão conduzir a relação que esta criança terá com esse passado, a relação com o presente e a auxiliará no seu futuro."
(Cintia Liana)
Cintia Liana vestida de palhaça apresentando peça de fantoches em abrigo de crianças
Foto: Lídia Weber e Cintia Liana em Roma, Itália, no Congresso Internacional da INFAD