"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sábado, 27 de agosto de 2011

Ode à minha filha

Sabem? Eu tenho uma mãe terapeuta floral e artista. Artista no melhor sentido da palavra. É especialista em arteterapia Junguiana também. Brava terapeuta, eu tenho o maior orgulho dela.
Para quem tem curiosidade sobre minha vida pessoal, posso dizer que não sou filha adotiva, mesmo sendo apaixonada pelo tema família e adoção.
Minha mãe, em seu segundo livro publicado este ano, dedicou duas poesias a mim e uma delas publico agora.
Obrigada mãe! Te amo tanto...! Você é linda!

Cintia Liana Por Hudson Matos
Foto usada no livro em tecnica de xilogravura

Ode à minha filha

Ela é uma flor?
È o amor?
È uma poesia?
È um pássaro
Voando?

Como é linda essa mulher!

Ela é a esperança?
È a alegria?
É a ternura?
É a fada
Madrinha?

Como é linda essa mulher!

Ela é o encanto?
È a magia?
É a doçura?
É a energia
Que contagia?

Como é linda essa mulher!


Freitas, Walkíria de Andrade Reis. Brincando de Fazer Poesia. Rio de janeiro: Agbook, 2011.
Seu outro livro. Arteterapia em Consultório: http://www.agbook.com.br/book/25954--ARTETERAPIA_EM_CONSULTORIO


Postado por Cintia Liana

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A oração de um filho adotivo

Cacau Waller

Senhor, hoje posso assim chamar-te porque aprendi a pronunciar este teu nome santo e maravilhoso com a mulher que hoje chamo e sempre chamarei de Mãe.
Alguém um dia, abandonou-me em um hospital quando tinha apenas 3 meses de vida.
Não sei porque fizeram isso comigo!
A semelhança de todas as outras crianças que no mundo sofrem, sofri muito em consequência apenas dos erros dos adultos.
Paguei muito caro por males que não cometi!
Porém não tenho nenhum rancor de quem me abandonou.
Depois de tratado em um hospital, levaram-me para um orfanato onde só conheci tios e tias, pois foi assim que me ensinaram a chamar todos os que me cercavam.
Queria balbuciar a palavra mãe.
Mas, quem me ouviria? Ninguém!
Nas noites frias e geladas, quantas vezes estas palavras, ficaram entaladas em minha própria garganta. Se, em desespero, algumas vezes, depois de muito chorar, consegui com voz rouca e longínqua, pronunciá-las, perdiam-se elas na escuridão das noites solitárias e intermináveis.
Mas Tu, Senhor, que habitas no esconderijo do Altíssimo e moras nas fimbrias do infinito, me ouviste, enquanto os que estavam bem ao meu lado não me escutavam!
E Tu mandaste, quando tinha 3 anos, uma mulher que como anjo descido das tuas moradas, tomou-me para si e me amou, apesar do meu aspecto franzino e doentio e apesar dos meus modos, um pouco inadequados pois havia até então, crescido entre outras crianças que, como eu, também só conheciam tios e tias.
Que encanto, Senhor, foi poder chamar, pela primeira vez, alguém de mãe.
Esta palavra mágica agora me conduzia aos paramos da felicidade.
Com ela eu voava, até os castelos e idílios mais remotos dos sonhos, que uma criança podia sonhar.
Agora me parecia que todos os tios e tias do mundo sumiram e que, em toda parte, Tu [Deus] só fazias nascer mães.
Agora o sorriso de todas as faces, pareciam raios de sol fugentes e o gesto de todas as mãos pareciam salvas pejadas de amor.
Eu tinha renascido! Eu tinha revivido!
Agora, Senhor, só peço uma coisa: me dê forças para viver em permanente gratidão a Ti. (De Geração em Geração)

Autor desconhecido
Extraído ao boletim nº 185 de 08.05.2011 da IPI da Lapa



Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mãe do Coração

Foto: Cintia Liana com tio Paulinho, Liliana e as filhas (as duas maiores).
Mãe e filhas, pessoas muito queridas.

Esta criança esteve escondida no teu pensamento,
noite após noite, por anos a fio,
guardada na tua retina sem que nunca a tivesses visto.
Esta criança bendita, que foi escolhida por Deus e por ti,
para compartilhar de tua vida, nunca sofrerá,
ficará triste ou chorará por desamor ou abandono,
pois existe alguém especial, um anjo,
que o destino colocou em seu caminho
para lhe suprir as carências, lhe amar, dar carinho.
Ela foi abençoada.
Não foi gerada por ti,
não foi esperada por nove meses,
não veio de dentro de tuas entranhas,
mas veio de algo muito maior:
um amor enorme que tinhas para compartilhar
com ela e com o mundo.
Não o adotaste simplesmente; ele é teu filho –
filho do imenso carinho que tens para dar,
da tua capacidade de doação,
da abnegação,
do desejo sofrido e ao mesmo tempo esperançoso que tiveste
de um dia cuidar e de ouvir alguém
te chamando de “mãe”.
Será filho de noites em claro,
de preocupações,
de alegrias,
de dias de chuva,
de dias de sol.
Será filho de tristezas,
de sonhos,
de esperanças
e de dedicação,
pois tens por ele o mesmo carinho que terias
por um filho do teu sangue.
Esta criança veio de onde quer que seja,
predestinada para ti.
Apenas nasceu de outra mãe,
pois nada acontece por acaso,
mas o destino dela eram os teus braços e teu desvelo.
Ela foi gerada dentro do teu coração
porque, provavelmente, merecia uma mãe tão especial quanto tu!

by Maria Eugênia - Doce Deleite


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Poema de Hercília Siqueira

Foto: Google Imagens

Não germinaste no meu ventre, sua sementinha cresceu em um lugar que desconheço, que amo por te fazerem para mim”.
Mesmo longe por algum tempo, nossas vidas se cruzariam, já estava escrito pelo Criador.
Sofrestes bastante o abandono, quem sabe não devias esquecer, na verdade não conseguimos ler nas entrelinhas da vida o por quê?
Não importa o ventre, o alimento que recebestes pelo cordão umbilical, do coração é a força da paixão...
“...Alegrastes com teu sorriso de criança pura e inocente todos que te cercaram antes, e agora nos dá o privilegio de abençoados com suas birras, pureza de criança meiga, graciosa, carinhosa, sua alegria de menina...”

(Hercília Siqueira)

Nota da Autora: Dedicado a todas crianças que ganharam um segundo lar, filhos tão amados quanto os de sangue.


Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Valor da Vida

Foto: Google Images

Juízos, juízos de valor sobre a vida, a favor ou contra, nunca podem ser, em última instância, verdadeiros: não possuem outro valor senão o de sintomas – em si, tais, juízos são imbecilidades. É, pois, necessário estender os dedos para tentar apreender essa fineza extraordinária que reside no fato de que o valor da vida não pode ser avaliado. Não por um vivente, pois ele é parte, e até mesmo objeto de litígio; não por um morto, por uma outra razão. Da parte do filósofo, ver no valor da vida um problema significa uma dúvida contra ele, um ponto de interrogação em relação à sua sabedoria, uma falta de sabedoria.
Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

O valor de uma criança, do seu nascimento ou de sua existência, mesmo que sofrida, nunca deveriam ser contestados, caso contrário é uma grande ignorância e falta de sensibilidade.
Toda criança merece crescer em família, mesmo vindo de uma que não pôde amá-la. Merece ter, não importa sua idade, amor, amparo e descobrir o seu valor enquanto ser humano. Se teve amor, limites e uma boa educação, saberá dar amor ao mundo. Se ainda não pôde tê-los, que lutemos por elas!
Cintia Liana


"Ser profundamente amado por alguém nos dá força, amar alguém profundamente nos dá coragem."
Lao-Tse 

 
Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Os olhos do nosso filho

Foto: Facebook

Os olhos do nosso filho
São ainda de cor incerta
Não sei sequer se existem
Vão ser de Deus uma oferta

Existem na minha alma
Cravados no meu semblante
Os olhos do nosso filho
Que teve nascer errante

Foste esculpido a preceito
Nas entranhas de outro ser
Não vais sorver do meu peito
Este meu longo querer

E nestas voltas da vida
Cuidou-te Deus sem saber
Para que não herdes no sangue
Este meu estéril sofrer

Não vais nascer de mim
De outro ventre virás
Mas filho da minha alma
Tão amado serás!

E nesta triste incerteza
Me pergunto em desalento
Já nascente de alguém?
Ou é Deus que te traz?

(Ala dos Reis)

Lindo poema!
Aproveitem a gestação para amadurecer ao máximo.

Por Cintia Liana

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Poesia de Cora Coralina

Foto: Getty Images

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido
Se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

(Cora Coralina)

Meu carinho ao Grupo "Psicologia e Adoção".
Sou feliz por andar ao lado de vocês.

Por Cintia Liana