"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

E sobre barrigas cansadas, novelas ruins e minha adoção


07/08/2012 | 08:16
Margarida Telles
Atualidades, família | Adoção, história, preconceito
  
Ao ler o texto de Germana Costa Moura, publicado aqui no Mulher 7×7 na semana passada, me emocionei. E a emoção veio por causa da identificação que senti. Sou uma “filha adotiva”, termo que odeio tanto.
 
Quando perguntavam para a minha mãe na minha frente se eu era a sua filha adotiva, ela rebatia “é minha filha querida”. E depois me explicava que o “querida” vem do “querer”. Ela quis tanto ser mãe daquele bebezinho prematuro que precisou convencer um monte de gente e superar uma montanha de burocracias.
 
De onde veio esse querer, ela nunca soube verbalizar. Minha mãe biológica era prima do meu pai adotivo. Quando ela estava lá pelos seus cinco meses de gravidez, descobriu que tinha câncer. Era um tumor no cérebro, já em fase avançada, e logo ela perdeu a consciência. Minha mãe adotiva foi ao hospital fazer uma visita e PAM, sentiu que aquele bebê dentro da barriga da prima doente era dela.
 
Muita gente chamou a minha mãe de louca. Ela já tinha seus 51 anos, três filhas criadas, havia chegado finalmente naquela fase de voltar a curtir o marido em paz, sair à noite para ouvir jazz, viajar quando desse na telha. Mas estava ali, disposta a começar tudo novamente, trocar fraldas, não dormir, passar vinte anos em função de uma criança. Pra completar, ninguém sabia em quais condições eu nasceria, se teria algum tipo de sequela por conta dos remédios administrados durante a gravidez. Mas minha mãe é teimosa. Decidiu, e convenceu todo mundo.
 
Eu nasci prematura, mas saudável. Minha mãe biológica morreu poucos dias depois. Mas a vida tira e depois dá (brega, porém verdadeiro). Ganhei uma família enorme. Minha irmã mais velha morava na Europa e veio de surpresa me conhecer. Minha mãe perguntou pra ela se acreditava que eu teria no futuro muitos complexos por ser adotada. Com o humor de sempre, minha irmã respondeu que todo adolescente é problemático, eu pelo menos não precisaria inventar os tais “problemas”.
 
Sempre soube que fui adotada, até mesmo porque convivo com minha família biológica. No começo, minha mãe não sabia se eu deveria chamá-la dessa forma. Afinal, ela conheceu minha mãe biológica, não sabia se estaria de algum modo roubando a cena. Mas a decisão foi minha. Antes mesmo de fazer um ano, me segurei na grade do berço, olhei pra ela e disse minha primeira palavra: mamãe. Pronto, foi decretado. Eu a escolhi como mãe, embora carregue sempre um grande carinho pela mulher que lutou contra o câncer para me dar tempo de nascer saudável, aos sete meses.
 
Quando criança, o fato em si de ser adotada não me chateava. Como minhas irmãs eram adultas, nunca teve nenhum tipo de provocação. Teve é proteção, assim como tem até hoje. Se eu perguntava por que não nasci da barriga de minha mãe, ela respondia que já tinha carregado no ventre três filhas, a barriga estava cansada e pediu outra emprestada. Simples. Na escola, me lembro de ter preguiça de explicar toooooda a história para os amiguinhos, então contava só as partes que queria. Algumas vezes até desenhava para facilitar. E nunca ouvi ninguém me chamar de “adotada” – só de “magrela” e “girafa”, é a vida.
 
O que me deixava pra baixo era justamente o modo como a adoção era explorada na mídia. Em toda novela mexicana, até mesmo nos programas infantis, tinha uma ÓRFÃ. A criança mal tratada, abandonada, infeliz. Se a trama fosse feliz, no final o órfão encontrava seus pais “verdadeiros”. Acho que isso em parte criava (e ainda cria) aquele mito do adotado. O irmão mais velho que tenta convencer o mais novo que não é filho “verdadeiro”. Uma vez chorei porque era órfã em termos biológicos, e minha mãe disse “e daí, eu também sou, seus avós já morreram”. Entendi então que a maior parte das pessoas provavelmente vai perder seus pais, se a vida seguir seu rumo natural. Eu tive a sorte de ganhar pais novinhos em folha, olha só!
 
Acho importante abordar o tema da adoção na mídia. Os entraves burocráticos para quem deseja adotar, as condições em que as crianças sob a tutela do estado vivem, a licença maternidade e paternidade igual para qualquer pai que tem a sorte de ganhar um filho. Mas acho fundamental o cuidado com os termos preconceituosos, muitas vezes tidos como algo corriqueiro para quem não pensou no assunto a fundo. Não é preciosismo, discussão semiótica ou linguística. É respeito por pais e seus filhos, todos eles de verdade, com amor real, problemas rotineiros e sentimentos verdadeiros. Não importa de qual barriga vieram.
Margarida Telles é repórter de ÉPOCA em São Paulo.
 
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Daniela Escobar é criticada por dizer que esconderia adoção: "Até barriga falsa colocaria"

Google Imagens
  
05.10.2011

Atriz causou polêmica entre colegas de 'A Vida da Gente' ao falar sobre tema, vivido por ela na trama


Atriz causou polêmica com declaração.
Daniela Escobar foi muito criticada pelos colegas de elenco de "A Vida da Gente", na qual interpreta Suzana, mãe de uma menina adotada, quando opinou sobre o tema "adoção" em uma visita a um psicanalista para discutir os personagens.
"Lá questionaram este tema, e eu disse que jamais contaria a verdade, porque ia querer que a criança se sentisse meu filho, ia querer dar essa chance a ela. E aí todo mundo veio em cima de mim, dizendo que eu estava errada", detalha, em entrevista ao jornal "Diário de São Paulo".
A atriz, ex-mulher de Jayme Monjardim, com quem teve André, de 13 anos, continua: "Me perguntaram se eu minto para o André, e eu disse que não, nunca. Eu sou assim, a favor da verdade sempre, mas não me convenci de que é melhor contar. Acho que se eu adotasse, até barriga falsa colocaria", diz.
Daniela está de volta ao Rio de Janeiro e a telinha depois de cinco anos morando em Los Angeles. Desde sua atuação em "América", em 2005, ela não havia mais feito nenhuma novela inteira, apenas participações, como em "Ti-Ti-Ti". As informações são do Ego.



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Esta senhora não conseguiria nem se habilitar com um discurso e uma crença desta, nenhum psicóloga daria um parecer favorável frente a uma postura manipuladora como esta.
Para adotar se precisa antes der tudo trabalhar as fantasias que se tem em torno deste universo e encarar a relação futura como positiva e não a relação consanguínea como mais forte.
É muita responsabilidade ter um filho pela adoção, se precisa ser maduro e acreditar naquela relação, afinal o filho no fundo terá suas convicções a respeito da relação de acordo com o que percebe subjetivamente nos pais e como eles enxergam este tema.
Adotar é acreditar que o amor não está no sangue, é entender e sentir que ele é construído.

Por Cintia Liana