"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

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sábado, 12 de novembro de 2011

Felicidade é autoconhecimento

Cintia Liana

Por Cintia Liana Reis de Silva

No fundo, bem lá no fundo dá muito medo ser feliz, medo de ter e perder, a psicologia explica. Mas ser feliz é autoconhecimento. É escolha, é preciso entender o propósito, entrar em contato com nosso merecimento e trabalhar nossos sentimentos de culpa.

Ser feliz nada tem a ver com momentos. Felicidade é conquista de maturidade, é instituir espaço para essa presença na vida, rever prioridades, se policiar, se esforçar com dignidade.

É aprender a estar no mundo com razão e coração na medida certa, sim, na medida certa, e porque não?

È diferenciar-se, individuar-se, trabalhar os padrões familiares. É ser flexível, dar e dividir com jóia. Duvidar das próprias convicções, mudar. É uma maravilha mudar, é liberdade em si mesmo.

É aprender a conviver e mergulhar nos nossos próprios dilemas e dores sem aceitar ser vítima de nada e nem de ninguém. É se livrar das próprias amarras, da hipocrisia, trabalhar a inveja. É encontrar novos rumos, ter esperança e estar consciente de todas as escolhas com a noção da nossa responsabilidade sobre tudo, sobre o nosso futuro.

É fazer questão da ética e da virtude, buscar ter tolerância para lidar com as pessoas. Ser forte, espalhar ternura, mesmo sem encontrá-la fora. É acreditar no milagre do amor.

É se amar, se aceitar, se gostar na perfeita imperfeição, sentir com encanto que não há, em nenhum lugar do mundo inteiro, alguém igual a você, cheio de mistérios a serem descobertos, alguém cheio de infinitas e belas possibilidades.

O mundo inteiro está dentro de nós mesmos, todas as respostas, todas as conquistas, basta olhar dentro para ser feliz.

Cintia Liana Reis de Silva é psicóloga e psicoterapeuta, especialista em psicologia conjugal e familiar e adoção. É autora do livro "Filhos da Esperança" e dos blogs http://www.psicologiaeadocao.blogspot.com/ e http://www.finapresenca.blogspot.com/. Ela vive na Itália.

Se copiar cite o autor, plágio é crime!

Por Cintia Liana

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Estudo: Pais do mesmo sexo associados a crianças felizes

 
Por António Henriques

Sexta-feira, 07 Outubro 2011 16:06

Os pais homossexuais que educam crianças não provocam, por essa condição, infelicidade nos seus filhos. Um estudo realizado na Universidade da Virgínia (EUA) indica que as crianças são felizes de igual modo e nos casos em que têm pais do mesmo sexo parece existir maior harmonia.

A parentalidade homossexual foi alvo de uma pesquisa nos Estados Unidos, que tentou avaliar a felicidade das crianças, consoante a composição do seu agregado familiar: casal heterossexual, dois pais e duas mães.

A grande conclusão deste estudo, segundo a investigadora Charlotte Patterson, é que, independentemente daquele agregado, “todas as crianças estão igualmente bem”, o que indica que não há qualquer relação entre a sua felicidade e a sexualidade dos pais.

Aquela docente da Universidade da Virgínia refere, em declarações à agência Lusa, que “esta é a principal conclusão que deve ser retirada deste estudo”, que analisou 104 famílias, com casais formados por homem e mulher, dois homens ou duas mulheres.

Há aparentes vantagens na educação da criança por parte de um casal homossexual: “Os casais formados por pessoas do mesmo sexo parecem partilhar a educação dos filhos de forma mais igualitária, em comparação com os heterossexuais”.

O facto de se eliminar o conceito de que a mãe está mais próxima do filho do que o pai, mais envolvido nas tarefas profissionais, fica normalmente colocado de lado nestas famílias, porque não existe essa separação. “Ambos provavelmente trabalham e envolvem-se de forma equilibrada”, sustenta Charlotte Patterson.

Nos casais heterossexuais existe uma repartição de tarefas na educação dos filhos, conclui este estudo, que surge em vésperas da primeira conferência internacional sobre parentalidade lésbica, gay, bissexual ou transgénero, que decorre em Lisboa, com a presença de Patterson.

Esta professora – vista como uma referência mundial na psicologia da orientação sexual – indica que a homossexualidade “não parece ter qualquer interferência” na felicidade e qualidade da educação dos menores.

“As crianças com pais são felizes parecem estar bem. Os casais infelizes nas suas relações transportam para as crianças esse sentimento. O facto de os pais se darem bem e o grau de satisfação com o relacionamento são, isso sim, questões com efeitos nas crianças”, sublinha a investigadora.

Segundo Charlotte Patterson, a pesquisa carece de ser aprofundada, em virtude da idade das crianças analisadas. O estudo envolveu filhos com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos, cujos comportamentos e dinâmica de família ficaram gravados em vídeo.

Portugal vai discutir esta questão, num quadro de ausência de legislação para a adoção por parte de casais homossexuais. A ILGA é a entidade organizadora desta conferência que decorre na capital.

Fonte: http://www.ptjornal.com/201110073255/sociedade/estudo-pais-do-mesmo-sexo-associados-a-criancas-felizes.html


Postado Por Cintia Liana

sábado, 10 de julho de 2010

A Felicidade da Infelicidade

E-mail de uma linda mãe, que tem um filho adotivo e uma filha biológica dois anos mais nova.

Foto: Google Imagens

Ontem eu estava deitada na cama com Bebel. Ela está aprendendo a virar de bruço (imagine a luta dela com os bracinhos!). E ela ria muito pra mim. Leozinho a esta altura já estava no milésimo sono, dormindo no quarto dele. Quando eu estava olhando pra Bebel, com pena da posição em que ela se colocou, e quase ajudando a tirar o braço debaixo da barriga, lembrei que Leozinho chegou com a idade dela pra mim, com 4 meses e 10 dias. Então, foi aí que eu comecei a entender o motivo da revolta de alguns filhos adotivos.

Imagine comigo. Eu sou Bebel. Eu conheço minha mãe, minha casa, meu pai e meu irmão. Sem contar as avós. Aí, eu vou dormir no meu bercinho e de repente acordo com uma outra pessoa me carregando. Eu sorrio, porque sou muito risonha, e brinco com essa pessoa o dia todo. E nada de minha mãe aparecer. Eu começo a ficar enjoadinha, porque quero a minha casa, a minha família. É assim que ela fica quando eu saio o dia todo. É assim que Leozinho fica quando preciso deixar ele na casa de minha mãe e demoro a voltar.

Então comecei a imaginar o arraso que isso seria pra Bebel se eu nunca mais voltasse. Ela iria me procurar, mas não me encontraria. Ela encontraria uma estranha tratando ela com carinho, mas seria uma estranha. Com o tempo, ela iria se acostumar com a minha ausência e com a presença carinhosa da estranha. Como é um bebê, não sabe perguntar, teria algum tipo de reação, como a que Leozinho teve alguns dias depois que veio pra mim: o terror noturno (gritar desesperadamente dormindo e não acordar de forma alguma).

Ela iria crescer, amar a estranha, mas dentro dela o abandono estaria marcado. Porque ela sumiu? Porque eles desapareceram? Ela nunca se faria esta pergunta enquanto bebê, mas quando ela crescesse e soubesse... As perguntas se formulariam automaticamente e se transformariam em: porque me abandonaram com uma estranha? E aí se desencadearia a revolta.

Agora entendo. Enquanto pra mim era um momento de extrema felicidade, pra Leozinho era um momento de grande tristeza. Enquanto eu ficava com um sorriso de um lado a outro do rosto, ele chorava dormindo sentindo a falta da mãe biológica. Eu feliz, e ele infeliz.

O abandono deixou marcas em meu filho, e quando ele tiver plena consciência do que aconteceu com ele, sei que as perguntas virão a tona. Mesmo que ele não expresse, mesmo que ele me compreenda antes de compreender a si mesmo, sei que as perguntas virão. E ele nunca vai ter resposta pra elas.

Criança nenhuma merece passar pelo abandono. Se minha mãe morresse hoje eu ficaria sem rumo. Eu, uma burra-velha de 31 anos de idade. Imagine se ela tivesse “desaparecido” quando eu fosse um bebê. As marcas são profundas demais. Acho que de tão profundas que são as marcas de Leozinho eu não estava conseguindo enxergar.

Ah, o meu amor vai ajudar ele a sarar? Vai, claro! Mas não vai impedir da dor em algum momento vir a tona. Nem impedir que, nem que seja por um milésimo de segundo, ele questione o meu amor.

Bia


Esse texto é maravilhoso para desenvolver várias reflexões.


Por Cintia Liana