"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Preparação das Crianças para a Adoção

Foto: Shutterstock

POR QUE AS CRIANÇAS ABRIGADAS DEVEM SER PREPARADAS PARA A INSERÇÃO NA FAMÍLIA ADOTIVA?

Publicado em janeiro 26, 2011 por gafap
Por Tania O. Luchi
Psicóloga, psicoterapeuta individual de adultos, de família, e de casal; coord. GAFAP.

Há um consenso de que as pessoas que adotam necessitam de preparação para as especificidades da família formadas através da adoção. Maior ênfase se dá ainda, à necessidade de preparação dos adotantes no caso de adoções tardias, ou seja, das adoções de crianças de mais de dois anos de idade. Em eventos ligados a adoção o tema é debatido, assim como, podemos encontrar várias publicações sobre adoção tardia que enfatizam a necessidade de preparação dos futuros pais. Os inúmeros e lamentáveis casos de devoluções de crianças são contundentes e inquestionáveis provas dessa necessidade. Embora poucos juizados, abrigos, e grupos de apoio à adoção possuam um programa sistematizado de preparação de habilitados para a adoção tardia, há uma preocupação em preparar, mesmo que precariamente, os futuros pais. Entretanto, pouco se publica, ou mesmo se debate, sobre a necessidade da criança abrigada ser preparada para a inserção na família adotiva, como se o sucesso da formação desse tipo de família dependesse somente do adotante. Talvez esse tipo de pensamento esteja fundado na idéia de que os pais são adultos, e os únicos responsáveis pelo comportamento da criança, e pelo rumo da família, porém, essa perspectiva só tem sentido em termos jurídicos, já que não se apóia na realidade das interações humanas. A adoção tardia é um encontro de imensas expectativas, e na maioria das vezes, de enormes carências também.

Aqui o foco será a necessidade de preparação da criança abrigada, que vemos como importantíssima, e tão mais importante quanto mais idade tenha, e assim, mais história pessoal, e uma bagagem de decepções em sua experiência com o relacionamento humano. Entretanto, é fundamental que essa preparação não se confunda com nenhum tipo de terapia, e que os técnicos responsáveis tenham clareza de seus objetivos, e um roteiro focado em questões pertinentes. Não devem pré-estabelecer que o melhor para a criança ou adolescente é ser adotada por aquela família, um equívoco freqüente, e fazerem um trabalho apressado e carregado de ansiedade, tentando influenciar a criança com o temor de que a família desista da adoção. Essa preparação deve ser feita através de entrevistas individuais com a criança, e em entrevistas em conjunto com os futuros pais e a criança, introduzindo assim, um canal de comunicação e intimidade entre pais e filhos.

Parece-nos que preparar uma criança para adoção, é estimular a reflexão da criança sobre suas expectativas em relação à família com quem irá viver; seus temores e esperanças em relação à nova vida; sobre a família que idealiza e a família real; investigar como percebe as regras familiares e os direitos de cada membro da família; mostrar que na vida em família, adultos e crianças têm obrigações e regras a serem obedecidas. Também consideramos importante que as experiências de separação, e de rupturas tenham um espaço no trabalho a ser desenvolvido com a criança, explorando seus sentimentos de lealdade em relação à família de origem, e de como sente a perda do poder familiar por parte de seus pais biológicos, assim como, seus sentimentos em relação à separação dos amigos, e dos cuidadores do abrigo – o seu lar até então. É através dessas e de outras questões, trabalhadas de acordo com a idade da criança, que a mesma será introduzida, subjetivamente, na vida familiar.

Preparar as crianças abrigadas para a família adotiva é uma atribuição da equipe técnica dos Juizados, e dos Abrigos, cabe aos pais adotivos solicitar e acompanhar a preparação de seus filhos, com a consciência de que o sucesso na formação de uma família através de uma adoção tardia está fundamentado no amor, mas que somente amor e boas intenções, não bastam.

Fonte: GRUPO DE APOIOÀ FAMÍLIA E À ADOÇÃO DE PETRÓPOLIS – GAFAP


Postado Por Cintia Liana

sábado, 29 de janeiro de 2011

Mãe adotiva terá 120 dias de salário-maternidade

Foto: Shutterstock

 Justiça Federal SC em 23.01.2011

Mulher que adotou uma criança de cinco anos de idade deve receber salário-maternidade do Instituto Nacional do Seguro Social por 120 dias, como qualquer outra mãe. A mãe adotiva havia recebido o benefício apenas por 30 dias. A decisão é do juiz Leonardo Müller Trainini, da 2ª Vara do Juizado Especial Federal Previdenciário de Blumenau. Cabe recurso às Turmas Recursais de Santa Catarina.

A vitória da mulher pode ser creditada à uma lei editada em 2002, que alterou a Consolidação das Leis do Trabalho, estendendo às mães adotivas o direito à licença e ao salário-maternidade. Antes disso, outra lei presente tanto na Lei de Benefícios da Previdência Social (LBPS) quanto na CLT classificava o tempo que a mãe adotiva poderia ficar em casa conforme a idade da criança. Esse tempo variava de 120 dias, para crianças até um ano, a 30 dias, para crianças entre quatro e oito anos. A regra foi suprimida da CLT em 2009, mas não da LBPS.

Para o juiz, a revogação foi tácita. Segundo ele, a licença-maternidade no âmbito previdenciário também passou a ser regulada pela mudança da CLT. “Referido entendimento decorre de uma natural isonomia que deve haver entre o direito das gestantes e o das adotantes”, afirmou.

Ele observou, ainda, que “o escalonamento contido na legislação anterior, além de destoar da norma constitucional, emprestava maior óbice à já árdua tarefa de se buscar famílias dispostas a adotar crianças com idade superior a um ano”. Ele lembrou que, quanto mais velha a criança, mais difícil é o período de adaptação ao novo lar.

Com informações da Assessoria de Comunicação da JF-SC.


Postado por Cintia Liana

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Morando na casa dos pais

Foto: Dream Stime

Olá Dra. Cintia,

Antes de mais, chamo-me ..., tenho ... anos e não sou brasileira. Costumo visitar o seu blog, pois tenho a intenção de adotar uma criança até 6 anos . Como vivo num apartamento que tem só um quarto, indicarei ao Juizado a casa dos meus pais como minha residência, eles estão super felizes. Acha que será uma desvantagem indicar que vou morar com os meus pais? Essa casa é uma moradia com as condições ideais.

Aguardo suas notícias.
Melhores cumprimentos,
...
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Cara ...,
Em primeiro lugar quero agradecer suas visitas, sempre vejo visitantes deste País e fico curiosa para saber quem podem ser. rsrs

Boa pergunta. Olha, eu não conheço bem o modo de análise dos profissionais do seu País, mas como o pensamento psicológico é basicamente igual em todos os lugares do mundo penso que irão na verdade é analisar o tipo de relação que você tem com seus pais e como eles influenciarão na educação de seu filho, esse é o ponto primordial.

Se você tem em mente tudo muito claro, independência emocional e finaceira, tem um pensamento independente e sabe bem quem será a figura de apego principal de seu filho, acho que está tudo bem, e acho que você deve colocar isso bem claro na avaliação psicológica, os lugares que cada um vão ocupar na vida da criança, como será a vida de vocês, isso é bem importante para o crescimento saudável de qualquer pessoa.

Se precisar de algo mais me fale.
Aproveitando que essa é uma questão importante que pode ser uma dúvida também para muitas outras pessoas que estão em processo de habilitação, gostaria de pedir a sua autorização para publicar esta resposta em meu blog. É claro que não citarei seu nome e nem detalhes que possam te identificar, nem citarei o País de origem da pergunta.
Um abraço.

Cintia Liana
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Dra. Cintia,

Muito obrigada pela sua preciosa ajuda e disponibilidade. Pode publicar.
Beijinhos,
...

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Cara ...,

Obrigadíssima pelas visitas e pela contribuição.
Um abraço.
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E por falar nisso... lembrando algo importante.

A criança precisa ter seu espaço em casa, seu quarto, mesmo que o divida com um irmão ou um primo, alguém de idade aproximada, que vivencie coisas parecidas.
Criança também precisa de privacidade, reconhecer um espaço só seu, onde organizar seus objetos pessoais por menor que seja, ter seu lugar fixo onde dormir. São coisas importantes para seu desenvolvimento psicológico, social e cognitivo.
Não esqueçam, o bom exercício de relacionamento com o espaço externo (material, relacional) e boas condições para isso se refletirão na organização de dentro, na organização psíquica. Para o desenvolvimento infantil isso é importantíssimo!


Por Cintia Liana

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quase metade dos adultos que querem adotar faz questão de escolher cor da criança

Foto: Google Imagens

Publicada em 24/01/2011 às 16h14m
Por Carolina Brígido
BRASÍLIA - O cadastro de adoções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela uma realidade cruel: 37,25% dos candidatos a pais - 11.316 do total de 30.378 - só aceitam receber em seus lares crianças brancas. Ou seja, se houver uma criança disponível, mas com outra cor de pele, a adoção não será considerada por esses adultos. De acordo com os números do cadastro, a raça ainda é um fator essencial na hora de uma família escolher uma criança. Dos adultos inscritos, 14.259, ou 46,94%, fazem questão de escolher a cor da pele do futuro filho.

Além das exigências caucasianas, 5,81% (1.764) só aceitam uma criança de pele parda; 1,91% (579) só aceita uma criança negra; 1% (304) só aceita uma criança amarela; e 0,97% (296), uma criança indígena.

O perfil de quem aguarda um lar não é condizente com as exigências. No cadastro, a maioria das crianças e adolescentes é parda - 50,57%, ou 4.020 de um total de 7.949. Estão disponíveis 2.411 crianças brancas, ou 30,33% do total. Também aguardam uma família 1.441 (18,13%) crianças negras, 41 (0,52%) amarelas e 36 (0,45%) indígenas.

A juíza Andréa Pachá, titular da 1ª Vara de Família de Petrópolis (RJ), alerta para o perigo de se ver a adoção como um processo biológico, e não de acolhimento.

- É um dado estarrecedor. Ainda é forte a fantasia de que a adoção deve obedecer aos critérios da família biológica. Família é muito mais um núcleo de afeto do que herança biológica. Criança é criança, não tem cor. O discurso que se tem é o de que a criança não pode se sentir diferente. Mas isso é uma forma de racismo - analisa.

A tese faz sentido. No cadastro, metade dos pretendentes à adoção da Região Sul só querem uma criança se ela for branca. Para a magistrada, que lida com esse tipo de situação diariamente, o cenário melhorou nos últimos anos.

- Isso era pior antes. Hoje é mais fácil por uma criança de outra raça em uma família substituta. Temos encontrados casais que queriam uma menina loira de olhos azuis e, depois de visitar um abrigo, mudam de ideia. Esse perfil de menina loira de olhos azuis não é o que temos nos abrigos - diz.

Há ainda outras dissonâncias entre o perfil desejado pelos pais e as crianças disponíveis para a adoção, como a idade, os eventuais problemas de saúde e o fato de haver irmãos (nesses casos, não é recomendada a separação deles). Essas exigências têm impedido milhares de adoções no país. São 30.378 adultos cadastrados e 7.949 crianças aguardando a adoção. Ou seja: há 3,8 candidatos a pais por menor abandonado. Ainda assim, desde a criação do cadastro, em abril de 2008, o mecanismo proporcionou apenas 267 adoções.

A idade também é determinante na hora de escolher um filho. Os candidatos à adoção preferem crianças mais novas. Apenas 6,78%, ou 2.058, aceitam crianças com idade entre 6 e 10 anos. Outros 228 (0,76%) aceitam adotar um menor de 11 a 17 anos. No cadastro, há 2.006 crianças, ou 25,2% do total, com idade de 6 a 10 anos. Há também outras 3.855 crianças e adolescentes, ou 48,5%, com idade entre 11 e 17 anos.

Entre os pretendentes a pais, 5.342, ou 17,59%, aceitam adotar irmãos. Existem no cadastro 1.531, ou 19,26%, crianças com irmãos. Boa parte das crianças disponíveis - 1.411, ou 17,75% - têm problemas de saúde. O cadastro não tem informação de quantos adultos aceitam adotar uma criança doente.

Jornal O Globo


Postado Por Cintia Liana

domingo, 23 de janeiro de 2011

O filho de Elton John

Foto: Google Imagens

Por Maria Berenice Dias

Filhos que os pais não querem ou não podem exercer o poder familiar sempre existiram. Legiões de crianças abandonadas, jogadas no lixo, maltratadas, violadas e violentadas, escancaram esta realidade. A sorte é que existem milhões de pessoas que desejam realizar o sonho de ter filhos.

Daí o instituto da adoção, um dos mais antigos que se tem notícia.

Agilizar este processo de encontrar um lar para quem quer alguém para chamar de pai e de mãe deve ser a preocupação maior do Estado, pois não há solução pior do que manter abrigados crianças, adolescentes e jovens.

Mas a onda fundamentalista e conservadora que vem tomando conta deste país tem gerado empecilhos de toda a ordem para solucionar grave problema social. Apesar de este ser um número que ninguém quer admitir, existem mais de 100 mil menores de 18 anos de idade literalmente depositados em instituições sobre as quais o Estado não consegue manter qualquer controle. O Cadastro Nacional da Adoção busca mascarar este número, ao indicar um pequeno contingente de crianças disponíveis à adoção, o que só revela a enorme dificuldade de agilizar o processo de destituição do poder familiar.

A Lei 12.010/2009, a chamada Lei Nacional da Adoção, não faz jus ao nome, pois só veio dificultá-la. Na injustificável tentativa de manter a criança com a família biológica se olvida que esta é a pior solução. Além de a justiça levar muito tempo na busca de algum parente que a deseje, nem sempre ela ficará em situação regular. A primeira tentativa é entregar a criança aos avós.

Como eles não podem adotá-lo, terão somente a guarda do neto, o que o deixa em condição das mais precárias. Ao depois, sempre será estigmatizado como o filho de quem não o quis e assim se sentirá quando encontrar a mãe nas reuniões de família.

Fora isso, é tal a burocracia para disponibilizar crianças à adoção que, quando finalmente isso acontece, muitas vezes ninguém mais as quer e os candidatos a adotá-las perderam a delícia de compartilhar da primeira infância do filho que esperaram durante anos na fila da adoção. É tão perverso o cerco para impedir o acesso a crianças abrigadas que os adotantes sequer são admitidos para realizar trabalho voluntário. E quem não está cadastrado simplesmente não pode adotar.

Ao depois, de modo muito frequente, por medo de serem multados, juízes e promotores arrancam crianças dos braços dos únicos pais que elas conheceram para entregá-las ao primeiro casal habilitado, sem atentar que estão impondo uma nova perda a quem teve a desdita de ter sido relegado.

Tudo em nome do respeito aos malsinados cadastros que deveriam servir para agilizar a adoção e não para obstaculizá-la.

Mas é necessário chamar a atenção para uma nova realidade que não é possível encobrir. Em face das enormes percalços impostos à adoção, ao invés de se sujeitarem a anos de espera, quem deseja ter filhos está fazendo uso das modernas técnicas de reprodução assistida.

O nascimento do filho do cantor Elton John e de seu marido David Furnish é um exemplo emblemático. Depois de terem tentado, sem sucesso, adotar um órfão ucraniano, fizeram uso da gestação por substituição, a chamada barriga de aluguel, que ocorreu nos Estados Unidos, por ser procedimento não aceito na Inglaterra.

Aliás, o documentário da HBO denominado "Google Baby" mostra a existência de uma verdadeira indústria que comercializa fertilizações e está sendo utilizada com enorme desenvoltura. Os candidatos escolhem via internet a mulher que se dispõe a vender seus óvulos. Ela se submete a um tratamento que multiplica o número de óvulos, que são extraídos, congelados e transportados para que a inseminação seja feita no país onde os contratantes residem. Depois da fecundação o embrião é levado para a Índia, onde o procedimento é permitido e os custos são baixos. Implantado em mães gestacionais, elas ficam confinadas durante a gravidez. Após o nascimento, o filho é entregue a quem contratou o serviço, que o registra em seu nome.

Apesar de esta ser uma prática legítima, tem um efeito assustador, pois impede que as crianças abandonadas que se encontram espalhadas pelo mundo tenham a chance de conseguirem uma família. Quem sabe perdem a única possibilidade que teriam de sobreviver.

Não tivesse o governo da Ucrânia, de forma para lá de preconceituosa, impedido a adoção homoparental, certamente a criança que o casal britânico havia escolhido estaria a salvo da morte por inanição, destino mais provável de milhões de crianças dos chamados países do terceiro mundo. Aliás, da mesma injustificável recusa foram alvo Madonna e Angelina Jolie quando desejaram adotar crianças dessas regiões.

Mesmo diante de todo o avanço econômico que tem empolgado os brasileiros, a realidade por aqui não é diferente. A lei não proíbe, mas também não admite de forma expressa a adoção por casais homoafetivos, o que leva ainda alguns juízes a negar-lhes a habilitação conjunta.

Assim a solução que vem sendo encontrada por quem só deseja concretizar o sonho de ter uma família com filhos é simplesmente gestá-los. Se seus, se adotados ou fertilizados em laboratório, não importa, muitos querem ter direito à convivência familiar.

O fato é que Estado não pode esquecer que tem o dever de cumprir o preceito constitucional de dar proteção especial, com absoluta prioridade, a crianças, adolescentes e jovens. E, se o caminho da adoção é obstaculizado sobra um contingente de futuros cidadãos a quem é negado o espaço de felicidade almejado por todos: o direito um lar doce lar.

Maria Berenice Dias - Advogada - Ex-Desembargadora do Tribunal de Justiça- RS - Vice-Presidenta Nacional do IBDFAM. http://www.mariaberenice.com.br/.

Postado Por Cintia Liana

sábado, 22 de janeiro de 2011

Adoção em Pauta no "Justiça em Questão"

Foto: Google Imagens

O programa de TV Justiça em Questão exibe no próximo sábado, 22 de janeiro, o reprise de uma das edições preparadas em comemoração aos 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Em destaque, o processo judicial da adoção, que envolve ao mesmo tempo crianças, jovens e casais dispostos a aumentar ou formar uma família. O programa é transmitido em todo o país pela TV Justiça, além das emissoras parceiras TV Horizonte e TV Comunitária, que o exibem na Grande Belo Horizonte, mas o que vai ser notícia nesta edição já pode ser conferido neste link.

Na contramão da típica preferência por recém-nascidos, ainda há casais dispostos a encontrar crianças em idades mais avançadas. A repórter Letícia Lima foi à cidade de Moeda, na região central de Minas, para contar a história de uma menina que morou na rua e só foi adotada aos 10 anos de idade.

A reportagem de Lígia Ribeiro mostra como funciona esse processo de adoção por homens e mulheres estrangeiros. Ela acompanhou um casal italiano que depois de cumprir formalidades legais, voltou à Europa com um casal de irmãos mineiros e demonstra a emoção com os novos laços familiares.

Já o repórter Marcelo Almeida destacar como o Poder Judiciário trata a adoção por casais do mesmo sexo, repercutindo o assunto com dois casais de mulheres em Minas Gerais e no Rio Grande dos Sul. O programa também destaca o Cadastro Nacional de Adoção, ferramenta criada pelo Conselho Nacional de Justiça e de auxílio magistrados na condução de processos adotivos.

Produzido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o Justiça em Questão estreia neste sábado, às 16h30, na TV Justiça - canal 7 da NET, canal 6 da Oi TV ou canal 117 da SKY - e às 18h30, na TV Horizonte, com sinal aberto de televisão pelo canal 19 UHF. Outra opção é a TV Comunitária, pelos canais 6 da NET ou 13 da Oi TV, a partir das 13h. na TV Comunitária (Canal 6 da NET ou Canal 13 da OiTV).

As edições também são disponibilizadas pelo canal do programa no site Youtube. Os telespectadores podem enviar críticas e sugestões pelo e-mail: justicaemquestao@tjmg.jus.br.
Assessoria de Comunicação Institucional - Ascom
Extraído de: Tribunal de Justiça de Minas Gerais
(31) 3299-4625

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Vejam um vídeo do programa que fala de Adoção Internacional:
http://www.youtube.com/watch?v=0L2bZWGyLjw


Postado Por Cintia Liana

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mãe do Coração

Foto: Cintia Liana com tio Paulinho, Liliana e as filhas (as duas maiores).
Mãe e filhas, pessoas muito queridas.

Esta criança esteve escondida no teu pensamento,
noite após noite, por anos a fio,
guardada na tua retina sem que nunca a tivesses visto.
Esta criança bendita, que foi escolhida por Deus e por ti,
para compartilhar de tua vida, nunca sofrerá,
ficará triste ou chorará por desamor ou abandono,
pois existe alguém especial, um anjo,
que o destino colocou em seu caminho
para lhe suprir as carências, lhe amar, dar carinho.
Ela foi abençoada.
Não foi gerada por ti,
não foi esperada por nove meses,
não veio de dentro de tuas entranhas,
mas veio de algo muito maior:
um amor enorme que tinhas para compartilhar
com ela e com o mundo.
Não o adotaste simplesmente; ele é teu filho –
filho do imenso carinho que tens para dar,
da tua capacidade de doação,
da abnegação,
do desejo sofrido e ao mesmo tempo esperançoso que tiveste
de um dia cuidar e de ouvir alguém
te chamando de “mãe”.
Será filho de noites em claro,
de preocupações,
de alegrias,
de dias de chuva,
de dias de sol.
Será filho de tristezas,
de sonhos,
de esperanças
e de dedicação,
pois tens por ele o mesmo carinho que terias
por um filho do teu sangue.
Esta criança veio de onde quer que seja,
predestinada para ti.
Apenas nasceu de outra mãe,
pois nada acontece por acaso,
mas o destino dela eram os teus braços e teu desvelo.
Ela foi gerada dentro do teu coração
porque, provavelmente, merecia uma mãe tão especial quanto tu!

by Maria Eugênia - Doce Deleite


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nova Ministra dos Direitos Humanos Priorizará Crianças e Adolescentes

Foto: Google Imagens

A nova ministra dos Direitos Humanos, a gaúcha Maria do Rosário (PT), priorizará os direitos das crianças e adolescentes. A nova comandante da pasta dará rumos diferente dos traçados no governo Lula, que priorizaram a política de violações dos direitos humanos ocorridos na ditadura.

De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, uma das primeiras ações do ministério será avaliar se o Estado Brasileiro respeita os direitos das crianças que mantém sob sua tutela em abrigos públicos.

Os números oficiais indicam que o País tem 2.400 abrigos destinados à crianças sem família, abandonadas ou retiradas do meio familiar por ordem judicial por sofrerem algum tipo de violência. Ao todo, existem 54 mil abrigados.

No entanto, apenas 5.369 destas crianças estão aptas para adoção. O País tem uma fila de espera com mais de 28 mil famílias querendo adotar. Os dados mostram que o Brasil está preparado apenas para abrigar as crianças e não se preocupa em desabrigá-las.

Segundo Maria do Rosário, muitas crianças foram acolhidas por causa de uma dificuldade temporária da família natural, mas acabaram esquecidas nos abrigos o que não as torna aptas para a adoção e, após muitos anos sob tutela do Estado, também não possuem mais condição de retornarem à família natural.

“Quem garante que os direitos dessas crianças estão sendo respeitados?”, indaga a ministra, cuja pasta é responsável pelo estabelecimento de políticas para os abrigos, mantidos por prefeituras e governos estaduais. “Esses lugares não são, com toda certeza, os melhores para crescer.”

Maria do Rosário vai promover ações, com o apoio do Judiciário, do Ministério do Desenvolvimento Social e outras instituições públicas, para avaliar a situação dessas crianças e encontrar formas de devolvê-las às famílias, ou, quando não for possível, abrir portas para a adoção.

O tema das crianças e adolescentes constitui o eixo da carreira política da ministra, desde que se elegeu vereadora pela primeira vez, em 1992, Porto Alegre. Entre 2003 e 2004 atuou como relatora da comissão parlamentar de inquérito que investigou as redes de exploração sexual de crianças e adolescentes no País – atividade que, apesar da ampla divulgação, teve poucos resultados. Segundo levantamento da Polícia Federal Rodoviária Federal, de 2010, ao longo das rodovias federais existem 1.800 locais identificados como pontos de exploração sexual de crianças e adolescentes: um a cada 26 quilômetros.

Maria do Rosário também pretende dar mais atenção às questões que envolvem os direitos dos idosos, dos deficientes físicos e dos homossexuais. A questão dos mortos e desaparecidos na ditadura militar não ficará fora de sua agenda, mas também não se manterá no foco principal como fizeram os antecessores.


Com informações do Jornal O Estado de S. Paulo
17 de janeiro de 2011


Postado Por Cintia Liana

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Defensor público ressalta importância da família afetiva

Foto: A linda Bia, filha biológica de uma grande amiga

26/05/2008 20:19

O defensor público do Núcleo de Assistência Jurídica da Infância e da Juventude do Distrito Federal Sérgio Domingos enfatizou, na palestra desta segunda-feira da Comissão de Educação e Cultura, que a divisão entre criança e adolescente, da forma como é feita no Brasil, serve apenas para penalizar a infância. Ele ressaltou que o conceito de "criança" é o de um ser humano em formação e, portanto, as convenções internacionais não fazem distinção entre as crianças menores de 12 anos e aquelas que têm entre 12 e 18 anos.

Ele defendeu que todas as políticas públicas para a infância sejam tratadas de forma prioritária, para assegurar às crianças uma família "afetiva", não apenas biológica. "Se pudermos conciliar a família biológica com a afetiva, melhor", afirmou. Ele defendeu as políticas de reestruturação das famílias em situação de risco socioeconômico, especialmente aquelas em que há afeto entre pais e filhos, apesar das dificuldades econômicas.

Em relação à guarda, em abrigos, de crianças agredidas pelos pais ou por outros integrantes da família, Sérgio Domingos criticou a retirada da criança do lar enquanto o agressor permanece solto, freqüentando a casa. Segundo ele, isso significa penalizar a vítima da agressão, e não o criminoso. Ao mesmo tempo, o defensor ressaltou a importância da opinião da própria criança sobre a sua situação, especialmente em relação à família afetiva. "Não é o casal que adota a criança, mas a criança que adota o casal", enfatizou.

Licença-maternidade
Sérgio Domingos destacou a necessidade de igualar as licenças maternidade e paternidade, especialmente no caso de adoção. Todos os palestrantes defenderam a igualdade entre as licenças concedidas para mães biológicas ou afetivas. Alguns chegaram a reivindicar mais tempo para as mães que adotam crianças maiores de idade, pois o tempo de adaptação à família seria maior.

Para a coordenadora do Núcleo de Assistência Jurídica da Infância e da Juventude da Defensoria Pública do Distrito Federal, Esther Dias Cruvinel, é preciso que também os homens, especialmente nos casos em que adotam sozinhos uma criança, tenham direito à licença do trabalho. Para Sérgio Domingos, esse tipo de ação revelaria um olhar sobre a criança como portadora de direitos, e não mais como objeto do poder paterno.

A presidente do Projeto Aconchego, Soraya Kátia Pereira, falou sobre os projetos que a organização não-governamental desenvolve, como o Apadrinhamento Afetivo (www.projetoaconchego.org.br).

Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - João Pitella Junior

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
SR


Postado Por Cintia Liana

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tribunal Constata Ausência de Preconceito em Adotantes Internacionais

Foto: Cintia Liana visita projeto social na Bahia
para construção de projeto de adoção à distância na Itália

10/01/2011 | Fonte: TJSP

O Tribunal de Justiça de São Paulo publicou um relatório do perfil de adotantes estrangeiros e identificou ausência de preconceito entre os pretendentes estrangeiros em relação à cor, problemas físicos e psicológicos tratáveis ou leves. Cerca de 96% dos requerentes manifestaram disponibilidade para crianças e adolescentes que foram vitimizados.

A coleta de dados foi realizada pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional do Estado de São Paulo (Cejai) ao analisar 171 dossiês dos requerentes à adoção, no qual são juntadas as documentações necessárias à formalização do pedido, inclusive tradução dos estudos social e psicológico realizados no país de origem, no período compreendido entre os meses de janeiro a dezembro de 2009.

Dos 171 habilitações finalizadas para a adoção internacional, 83,64% foram indiferentes quanto à cor da pele, embora quase a totalidade dos pedidos de habilitação sejam de pretendentes de cor de pele branca, há predominância de famílias disponíveis para a adoção de crianças com diferentes etnias e cor de pele daquela da família adotante.

Outro fato observado foi em relação à idade, pois 53% dos pretendentes a adoção aumentaram sua disponibilidade para crianças com idade superior àquela inicialmente apontada.

Todos os requerentes tiveram seus pedidos de habilitação representados por meio de organismos credenciados para a adoção internacional, em conformidade com decisão unânime de reunião da Comissão Internacional de Adoção Internacional do Estado de São Paulo, de que a partir de julho de 2008 não seriam habilitados novos pretendentes de países ratificantes da Convenção de Haia sem a intermediação desses organismos.

De acordo com o estudo, a Itália é o país que mais busca adotar crianças e adolescentes brasileiras (81,88%), seguida pela França com 14%, Espanha e Noruega. Essa tendência tem se mantido nos últimos anos.

Observou-se ainda que quase a totalidade dos requerentes se constitui de casais heterossexuais, em domicílio comum, casados legalmente. Entre os pretendentes que adotaram sozinhos, houve duas mulheres solteiras e uma divorciada. A renda familiar desses pretendentes concentra-se entre as faixas de 30 a 100 mil dólares anual.

A adoção internacional é acompanhada de todo um processo de preparação e orientação sobre o Brasil, país escolhido pelas famílias adotantes, como sua legislação, cultura, situação, necessidades e demandas das crianças e adolescentes que vivem acolhidos em instituições, motivos que podem levar a destituição do poder familiar. A adoção internacional acontece apenas quando esgotadas todas as possibilidades de adoção por uma família residente no Brasil.

As famílias residentes no exterior que adotam no Brasil também são informadas e concordam com o fato de que serão acompanhadas, com o envio de relatórios periódicos quanto à adaptação da família, às autoridades centrais brasileiras, pelo período mínimo de dois anos ou até que seja apresentada a certidão de nascimento com a cidadania do país de acolhida.

O estudo também supõe que as famílias que se inscrevem para a adoção internacional serão apenas aquelas que aceitam todas as condições e exigências das autoridades brasileiras, como também se mostram preparadas para assumir esse compromisso.


Postado Por Cintia Liana

sábado, 8 de janeiro de 2011

Adoção e Abandono

Foto: Google Imagens

Por Cintia Liana Reis de Silva

1 - A adoção pode ajudar a diminuir o abandono de crianças? Como?

A adoção por si só já tira uma criança do abrigo, do abandono. Na adoção busca-se em primeiro lugar atender os direitos de uma criança e um deles é a convivência familiar. Os adotantes vêm na adoção uma forma de se realizarem enquanto pais, de terem um filho, essa deve ser a motivação real do pedido de habilitação a adoção e, de fato, se realizam plenamente, pois o amor é constrído na convivência quando o desejo desta relação existe.

2 - Qual a importância da adoção?

Para os adotantes é uma forma de realizarem o desejo de serem pais, de exercitarem a paternagem e maternagem, de aumentarem sua família, assim como ocorre na relação biológica.
Para as crianças é uma nova oportunidade de terem pais, de serem amadas, se sentirem amparadas e protegidas e terem um futuro em família.
Para a sociedade é ver as crianças bem inseridas em um lar harmonioso e com a menor possibilidade de ver mais crianças virando adolescentes sem família, desamparados, saindo dos abrigos sem perspectivas.

3 - Como combater o abandono de crianças?

Com investimento em educação, saúde, informações sobre planejamento familiar e sobretudo deixar claro que doar um filho para adoção não é um crime, pode ser uma escolha consciente colocar a adoção como uma alternativa para alguém que não pode criar o filho e que não tem o apoio da família e nem o desejo em tê-lo. O que é crime é o abandono de crianças em via pública, colocando em risco sua vida.

4 - Além da adoção, vocês acreditam que a legalização do aborto também é uma saída?

Não acredito que a legalização do aborto seja uma saída para o abandono. Aborto não é método anticonsepcional, a mulher que aborta muitas vezes leva consigo o peso insuportável por ter matado um ser que existia em seu ventre. Mas também muitas mulheres morrem ou sofrem na mesa de cirurgia de clínicas clandestinas.
Não me cabe aqui me colocar contra ou a favor do aborto, essa é uma resposta muito dífícil porque é uma decisão muito séria que envolve uma série de questões de ordem social, primeiro se deve investir em informações.
Mas ficam as perguntas: Por que é melhor abortar que dar em adoção? É referível pensar no filho morto que nos braços de outra mãe que desejava tanto uma criança?

4 - O que leva uma mãe a abandonar um bebê recém-nascido?

Vários fatores podem impulsionar a genitora e fazer um plano de adoção para o seu filho, alguns deles são a falta de condições financeiras; ausência do desejo em ser mãe, de cuidar; vida material e financeira desorganizada; falta do apoio do genitor ou desconhecimento deste; envolvimento com algum tipo de droga; falta de apoio ou má relação com a família extensa.

5 - Como combater situações como esta?

Para o Juizado aceitar que uma criança vá para adoção antes é feita uma investigação onde são esgotadas todas as possibilidades de reinserção da criança em sua família biológica. Tios, avós ou alguém muito ligado a família pode pedir sua guarda. Se ninguém tiver o interesse na guarda da criança é que se cogita a adoção, pois tenta-se preservar o direito da criança em permanecer no seio de sua família biológica.
Outra possibilidade é que nas Varas da infância existem programas ou convênios com programas do Governo onde esta genitora pode ser inserida juntamente com o filho e ambos podem ser ajudados em sua realidade para que a criança não vá para adoção.


Por Cintia Liana

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cintia Liana para a Revista Star

Em setembro de 2010 cedi uma entrevista para a Revista Star de Minas Gerais. Confiram na íntegra as respostas sobre adoção.
Obrigada à Jornalista Amanda Corrêa e parabéns pela escolha do tema.
Ao final do post confiram as duas páginas da revista em que fui citada.

Foto: Cintia Liana em Budapest, Hungria

Amanda Corrêa - De acordo com dados do Cadastro Nacional de Adoção, houve uma queda na preferência dos pretendentes à adoção por crianças brancas. Em 2008, 70% dos pais tinham esta preferência, hoje este número caiu para 38%. Na sua opinião, porque houve esta queda? O que ela significa?

Cintia Liana - Percebo que muitos mitos sobre adoção estão vindo abaixo, assim muitos medos em torno da adoção interracial estão sendo enfrentados. Essa conquista se dá não só pela luta de profissionais e pais engajados na causa, como também da mídia que tem abordados diversos assuntos de maneira decisiva e responsável.

Outra possível explicação é a falta de crianças brancas e a grande fila de espera pelo filho tão desejado.

Em 2004, quando comecei a coordenar o Serviço de Psicologia da Vara da Infância e Juventude de Salvador, existia um grande número de adotantes querendo menina, branca, recém nascida. Em 2008 o quadro era completamente diferente, muitas pessoas com um perfil mais flexível, sem preferência de sexo ou cor de pele e crianças maiores de 2 anos.

Investia em reuniões onde todas as demandas em torno do tema eram acolhidas, muitos saíam das reuniões diretamente para o setor específico com o objetivo de fazer a mudança do perfil desejado. Lembro que um casal mudou de até 3 anos para até 12 anos e adotou um menino negro de 7 anos, nutriam um amor imenso e hoje, 3 anos depois, estão muito felizes vivendo na Argentina, terra natal da mãe. A mãe disse uma frase muito verdadeira e tocante em um momento da reunião, se deu conta que “não esperava por uma criança que seria abandonada, mas queria uma criança que precisasse de uma família assim como ela e o marido estavam precisando desta criança, deste filho”. Foi uma das coisas mais bonitas que já ouvi, esse é o verdadeiro amadurecimento da maternidade na adoção.

Amanda Corrêa - Como é o processo de adoção para a criança? Qual é a maior dificuldade?

Cintia Liana - Toda criança abrigada tem um desejo maior: ter uma família. Claro que elas fantasiam os pais, assim como eles fantasiam seus filhos. Sobretudo as crianças desejam ser acolhidas em todas as suas necessidades. Desejam se sentir aceitas, amadas, desejam ser sempre abraçadas e motivadas, ouvindo suas qualidades. Desejam também que sejam dados os devidos limites, com amor e compreensão.

A criança que apresenta algum tipo de dificuldade no processo de adaptação não é, de modo algum, uma criança com problemas, ao contrário, pode ser uma criança que esteja entendendo a situação como não muito confortável, ou agradável, pode ser que esteja reagindo a uma séria de expectativas que colocam sobre ela.

O processo de adaptação exige tranqüilidade, sobretudo da parte dos adotantes, assim qualquer criança superará dificuldades e se adaptará bem.

Amanda Corrêa - Quais os efeitos e dificuldades pelas quais você acredita que uma criança negra pode passar ao ser adotada por uma família multiracial?

Cintia Liana - A criança não passa por dificuldades se os adultos e a sociedade não colocarem problemas na diferença de cor ou etnia. Para a criança o que importa é o amor que receberá, o amparo, os cuidados, a proteção. Não importa se terá só pai ou só mãe, se serão brancos ou negros, que classe social terá ou se serão heteros ou homossexuais, quem cria problemas quanto a isso são as outras pessoas, os grupos sociais.

Na parentalidade interrracial fica mais evidente o vínculo adotivo com a família mas, de acordo com pesquisas, a criança negra inserida em família branca que sofre preconceito não sofre pela diferença de cor e sim pelo fato de ser adotada, assim como outras crianças que são parecidas com suas famílias adotivas.

A criança poderá ouvir algumas coisas desagradáveis, mas o fato é que para ela é muito mais importante ter pais e passar por alguma dificuldade - coisa que toda criança passa por um motivo ou outro - a crescer numa instituição sozinha.

Nós não podemos deixar nossas crianças crescendo em abrigos para não realizar uma adoção por causa da cor de pele, desta forma abaixaremos a cabeça para o preconceito de pessoas com uma visão estreita, cartesiana, onde a irregularidade e o singular são ignorados.

Em pleno século XXI estamos repetindo padrões absurdos, pensamentos preconceituosos, como em outros momentos da história da humanidade.

Amanda Corrêa - Existe um acompanhamento psicológico à criança depois da adoção?

Cintia Liana - Não é algo obrigatório, mas é uma opção muito valiosa que alguns pais fazem para que a criança possa trabalhar as novas sensações dentro de sua história, esse complexo de articulações com uma pessoa especializada que vai saber, inclusive, como orientar os pais nesse contexto.

Muitas vezes são os pais que precisam de acompanhamento, porque a adoção é um momento muito rico, de muitos acontecimentos internos, é um verdadeiro parto.

Seria maravilhoso se os pais biológicos pudessem se preparar e se cuidarem como os pais adotivos geralmente o fazem.

Amanda Corrêa - A maioria das pessoas que procuram adotar querem crianças de até três anos de idade. Quais os motivos? Qual o efeito desta rejeição nas crianças de idade mais avançada?

Cintia Liana - Os motivos são achar que quanto menor a criança mais absorverá a nova educação e mais se assemelhará a um filho biológico. Também acreditam que não trará tantas recordações desagradáveis e hábitos da instituição ou da família de origem, como também acreditam que ela ainda não tem uma personalidade formada.

São fantasias sociais, grandes mitos. Quando a criança se sente verdadeiramente amada e aceita ela quer se tornar parecida com os novos pais e isso de fato ocorre independe da idade.

A mesma coisa posso dizer quanto a forma de viver e sobre o temperamento, isso não vai depender de idade e sim de cada criança e em como ela encara as mudanças e a abertura dos adultos para amá-la.

Existem criança com uma capacidade enorme de resiliência, de otimismo e que superam dificuldades que muitos adultos não conseguiriam.

Se idade fosse assim tão importante para o vínculo não existiriam tantos filhos biológicos com tantos problemas e se voltando contra os pais. Quero dizer que tudo vai depender da situação e da educação dada, assim como a visão peculiar, sutil e particular que deve ser direcionada a cada situação, não existe uma fórmula, existem situações cheias de complexidades que devem ser tratadas com muito cuidado e afetividade.

Amanda Corrêa -Você acha que existe alguma possibilidade de fatores como celebridades que adotaram crianças negras recentemente possam influenciar na decisão dos candidatos a adoção no Brasil?

Cintia Liana - Sim, com certeza as celebridas influenciam muitas novas adoções. Uma adoção na família influencia muito as outras pessoas ao redor e trabalha preconceitos. Quando alguém respeitado, conhecido e bem sucedido adota sempre abre novos caminhos e fortalece desejos. Isso faz com que as pessoas vejam como uma "espécie de moda" e como algo muito valioso que só alguém bem resolvido e bem estruturado faz, e isso todo mundo quer ser.

Click na foto para aumentar e ler a matéria:
Foto: Cintia Liana cede entrevista sobre adoção
para a Revista Star de Minas Gerais

Foto: Cintia Liana cede entrevista sobre adoção
para a Revista Star de Minas Gerais

Por Cintia Liana

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pai protesta contra lentidão em processo de adoção

Foto: Google Imagens

Mara Andrich
Anderson Tozato

O advogado de Curitiba Alberto Rau quer adotar quatro meninas, todas com o vírus da aids, mas, segundo ele, pelo fato da Justiça ser lenta não dará tempo delas passarem o Natal com ele e sua família.

Segundo Raw, faz dez dias que a adoção foi autorizada, mas a guarda provisória ainda não foi expedida. Ontem foi aniversário de Raw e ele decidiu acampar em frente às Varas da Criança e do Adolescente, no bairro Santa Cândida, em protesto.

"Deveria haver pelo menos mais duas Varas da Criança em Curitiba para que tantas crianças não ficassem confinadas em abrigos", reclamou. A reportagem procurou a 2.ª Vara, onde tramita o processo de Raw, mas não obteve retorno.


Foto: Google Imagens

Por Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Candidato a pai adotivo de quatro meninas portadoras do vírus HIV passa o dia em barraca na tentativa de acelerar o processo

Publicado em 17/12/2010 | Paola Carriel

O policial federal aposentado Alberto Morais Rau, 53 anos, passou o dia de ontem acampado em frente da 2.ª Vara da Infância, Juventude e Adoção de Curitiba, no bairro Santa Cândida, em protesto contra a demora para a conclusão de um processo de adoção. Rau e a esposa, Aristéria Mo­­rais, estão tentando adotar quatro meninas de 12, 9, 7 e 3 anos portadoras do vírus HIV. Os dois entraram com o pedido em julho deste ano e querem a guarda provisória das meninas antes das férias de fim de ano.

Rau explica que o objetivo do casal é preparar a família para 2011. Eles querem encontrar uma boa escola para as meninas e garantir um atendimento de saúde adequado. O aposentado conta que as quatro crianças estão com expectativa de viajar com os futuros familiares e conhecer a praia. Com dois filhos biológicos com 12 e 18 anos, Alberto e Aristéria conheceram as quatro neste ano em um abrigo. Eles argumentam que já estão habilitados para a adoção e que o processo deveria ser mais célere em função da condição de saúde das meninas e também pelo fato de se tratar de uma adoção tardia (quanto maior a idade da criança, menor é a chance de ela vir ser adotada).

Opinião

Marleth Silva, editora-executiva da Gazeta do Povo, que adotou duas crianças.

Desconhecimento gera conflitos

A adoção de crianças no Brasil está cercada de mal-entendidos e mitos. É verdade que as regras mudaram nas últimas décadas e que a realidade é difícil de compreender – abrigos lotados de crianças e uma espera longa por parte dos candidatos a se tornar pais adotivos são duas coisas que, no mesmo cenário, parecem não fazer sentido.

Mas quem se dispõe a adotar uma criança tem a obrigação de se informar sobre as regras vigentes no país e de tentar compreender a lógica por trás delas. Vamos aos fatos:

Nem todas as crianças abrigadas podem ser adotadas porque as famílias mantêm o poder familiar.

O primeiro esforço do Judiciário é no sentido de manter a família biológica.

Os adotantes não podem nem devem “escolher” uma criança na casa-lar. Aliás, eles devem evitar circular pelas casas-lares se estão se candidatando à adoção.

Não há burocracia envolvida no processo de adoção. O que há (ou pelo menos tem de haver) é um cuidado especial para que adultos entusiasmados (e irresponsáveis) não levem para casa uma criança carente de amor e, meses depois, diante das dificuldades, decidam que tomaram a decisão errada e desfaçam a adoção. Isso é horrível, mas acontece.

Adoção é aceitação e esforço por parte dos adultos, que devem dobrar suas expectativas diante das necessidades reais das crianças. É amor – um amor que não busca o espelho (o filho adotado não “é a sua cara”), mas a surpresa e a descoberta. Amor que não para de crescer e de ficar melhor. Mas que vem sempre cercado de circunstâncias imperfeitas, que começaram quando a criança foi abandonada pela família biológica. Por isso, dos adotantes espera-se serenidade. Do Judiciário, a clareza de que cada mês passado em um abrigo deixará uma cicatriz no psiquismo da criança.

A promotora da 2.ª Vara da Infância, Juventude e Adoção, Mônica Sakamori, explica que as crianças e a adolescente que Alberto Rau pretende adotar não estão juridicamente aptas para adoção. “O Ministério Público vem atuando para que esse processo resulte da estrita observância do devido processo legal e atenda ao superior interesse das crianças.” Mônica afirma que a ação de adoção proposta vem tramitando com o rigoroso cumprimento dos prazos legais.

Para especialistas, o caminho seguido por Alberto não é o adequado. A indicação é que as pessoas interessadas em adotar procurem a vara da infância de seu município e participem do Cadastro Nacional de Adoção, que reúne crianças de todo o país aptas a encontrar uma nova família. Isso evitaria frustrações de ambos os lados – as meninas que Rau pretende adotar ainda não tiveram o processo de destituição do poder familiar concluído, ou seja, há possibilidade de algum integrante da família biológica querer ficar com elas.

O promotor Murillo Digiáco­mo, do Centro de Apoio Opera­cional das Promotorias de Justiça (CAOP) da Criança e do Adoles­cente, argumenta que o processo de adoção não é uma operação matemática e, por isso, os trâmites judiciais existem para resguardar os direitos dos meninos e meninas. Ele lembra que não conhece o caso de Alberto Rau, mas fala de maneira genérica. “O processo judicial evita que a ação seja feita por impulso. A Justiça sempre está interessada no melhor para a criança.” Segundo ele, os pais não podem visitar abrigos e “escolher” os futuros filhos porque a adoção é um gesto de amor e não algo para satisfazer uma necessidade dos adultos.



Postado Por Cintia Liana

domingo, 26 de dezembro de 2010

Irmãos adotados no Brasil se encontram em Milão

Foto: Google Imagens

Nesta sexta, 17 de dezembro, o Mais Você mostrou uma reportagem de arrepiar: a história de quatro irmãos que nasceram em Santo Amaro, bairro muito populoso da zona sul de São Paulo, e tiveram o pai morto num episódio de violência. Gustavo (11), Pâmela (9), Vitória (8) e Natasha (5) foram abandonados pela mãe e pararam num abrigo porque sofriam maus tratos por parte das irmãs mais velhas. As crianças foram adotadas por duas famílias italianas, de Brescia, Milão. A repórter Thaís Itáqui, do Profissão Repórter, acompanhou a história completa, desde o encontro da nova família no Brasil até a ida para o novo país.

Pamela e Vitória foram primeiro para Itália com os pais Luisa e Luca. Já Gustavo e Natasha foram adotados por Cinzia e Paolo. Thaís já conhecia os irmãos há 4 anos e tinha um carinho enorme por eles, assim como por todas as outras que ainda estão no abrigo. “A gente acaba se aproximando muito delas. Quando fiquei sabendo da história, na hora quis mostrar. Pra mim foi mais emocionante porque conhecia a história delas”, contou no estúdio do Mais Você. Além de Thaís, Ana Maria Braga recebeu Iasin Ahmed, juiz da vara e da infância e da juventude de Santo Amaro.

Thaís falou sobre a experiência de conviver com a rotina da primeira semana de uma família adotiva num país diferente, com culturas e costumes distintos. No período de gravação, a proximidade com as crianças a ajudou muito. Eles se sentiam confiantes e à vontade com Thais. Na Itália, as meninas queriam lhe mostrar e contar tudo, afinal ela era a única referência do Brasil que restava para as crianças. Para a repórter, é preciso ter um olhar de responsabilidade social como os italianos tiveram. “Eles estão dando o maior amor do mundo”.

Segundo a comissão estadual judiciária de adoção internacional de São Paulo, 4 mil adoções, em média, são feitas por ano no estado. Desse número, apenas 200 são internacionais. Dados do cadastro nacional de adoção mostram que cerca de 8 mil crianças estão na fila para serem adotadas. 18% negras, 30% brancas e 50% pardas. 71% possuem irmãos. se o número de meninos e meninas que esperam ser adotados é grande, o de casais a procura de filhos nem se fala: são mais de 30 mil. Mas, 84% só querem adotar uma criança. 37% só aceitam crianças brancas, 82% não aceitam irmãos e 78% só aceitam crianças de até 3 anos de idade.

Fonte: Rede Globo, "Mais Você"


Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Brasil tem 8 mil crianças e adolescentes à espera de adoção

Foto: Esta "piccola modela" é Julinha, filha biológica de minha prima Clara Manhã. Feliz primeiro natal, priminha!

De acordo com o último balanço do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), realizado pela Corregedoria Nacional de Justiça, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 7. 949 crianças brasileiras estão aptas a serem adotadas. Ou seja, se encontram destituídas do poder familiar. Os dados, referentes ao dia 3 de dezembro de 2010, indicam também que há 30.378 pretendentes à adoção, já cadastrados.

São Paulo permanece na liderança como o estado com maior número de pretendentes à adoção: 8.020 para 1.538 crianças e adolescentes cadastradas. Já o Espírito Santo lidera em número de crianças e adolescentes à espera de uma nova família: são 2.194 para 493 candidatos a pais, no estado. Já o Distrito Federal indica uma relação mais equilibrada: são 522 pretendentes para 209 crianças aptas à adoção.

O Cadastro Nacional de Adoção foi criado em abril de 2009 para facilitar as adoções. Por meio desse instrumento, os juízes das varas da infância e da juventude recebem informações unificadas sobre os procedimentos de adoção e podem dar agilidade ao processo de adoção. O Cadastro possibilita ainda a implantação de políticas públicas na área.

Por Martha Corrêa
Fonte: Agência CNJ de Notícias

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De qualquer modo, a gente sabe que este cadastro nacional informatizado ainda não funciona nem 50% como deveria. Esperamos por dias melhores e mais organização para podermos dar um futuro digno aos nossos pequenos.

Por Cintia Liana

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cintia Liana no Programa Point 21 Oficina

No dia 14 de dezembro participei via skype do Programa "Point 21 Oficina", apresentado por Paulo Escudeiro. Foi uma ótima experiência participar do programa via skype e uma honra ser o primeiro skype internacional deles. Me fizeram muitas perguntas sobre adoção, incluindo internacional. Quase no final da entrevista a linha caiu, mas o importante é que a meta foi cumprida e passadas as principais informações.

Quero agradecer o convite da produtora do programa, a jornalista Bianca Namorato, ao apresentador Paulo Escudeiro e a toda a sua equipe que me tratou super bem e com muito afeto.






Postado Por Cintia Liana

domingo, 19 de dezembro de 2010

Outra parte da entrevista para a Revista Cláudia (3)

Foto: Google Imagens

Revista Cláudia - Descreva um primeiro encontro que presenciou entre pais e filho.

Cintia Liana Reis de Silva - O primeiro encontro pode ser uma explosão de alegria como um misto de timidez com sorrisos de felicidade.
Lembro de um em que o casal chegou e encontrou os três filhos brincando. As crianças olharam os pais e contrinuaram com o olhar baixo, tímido, os pais se aproximaram e entraram na brincadeira, logo surgiu a conversa e a pergunta, se queriam ir para o hotel, para poderem estar juntos e brincarem em outro lugar, se tornarem uma família. A criança já bem preparada pode ser liberada já no primeiro encontro e geralmente dá certo.

Revista Cláudia - Como se chega à conclusão de que aqueles pais são adequados àquela criança? Como é feito esse “cruzamento” emocional?

Cintia Liana Reis de Silva - Os pais se preparam para adotar uma ou mais crianças, de idades, sexo e cor já mais ou menos pré definidas, sabendo que algo pode mudar. Uma criança é disponibilizada para adoção internacional na CEJA de algum estado do Brasil, que faz contato com uma entidade cadastrada nesta CEJA e que tenha um casal que deseje adotar aquele perfil de criança.

As informações daquela criança são passadas para a entidade que informa ao casal sobre a criança e um pouco de seu histórico e comportamento, diante disso o casal diz sim ou não.

Ao mesmo tempo a CEJA avalia toda a documentação do casal, avaliações psicológicas, histórico, um verdadeiro dossiê e vê se está apto a serem pais daquele menor.

A CEJA normalmente é composta por um Desembargador Corregedor-Geral da Justiça, que a preside, por um Juiz da Infância e Juventude, por um promotor de Justiça, um representante da classe dos advogados, um representante da classe dos assistentes sociais e um representante da classe dos psicólogo.

Depois que os documentos da criança são juntados ao processo de habilitação do casal, marca-se a viagem ao Brasil onde será o encontro. Tem o estágio de convivência de no mínimo 30 dias em um hotel de escolha do casal, onde recebem regularmente visitas da equipe psicossocial do Juizado. O casal também visita a Vara da Infância para algum procedimento de avaliação, como a avaliação com a psicóloga. Depois são mais 15 dias para toda a tramitação dos papéis da adoção com a sentença do Juiz e emisão de novos documentos da criança, como passaporte e nova certidão de nascimento, mas esse prazo pode variar, depende do processo de vinculação da nova família e da deliberação do juiz responsável.

Revista Cláudia - O que acontece depois que a criança viaja com os pais para a nova casa? Ela continua tendo um acompanhamento psicológico?

Cintia Liana Reis de Silva - Toda a família continua sendo acompanhada pela entidade de adoção internacional pelos 2 anos seguintes, que emite relatórios sobre a atual situação da família para a CEJA.

A entidade na qual eu trabalho atualmente, a Senza Frontiere, procura realizar encontros, reuniões e festas com o objetivo de fazer com que as crianças se sintam familiarizadas e em companhia de outras crianças da mesma nacionalidade. Nessas festas procura-se dar ênfase a língua de nascimento e usa-se temas culturais do Brasil para cronstrução da encontro. Nós damos muita importância no que fará com que a criança se sinta mais segura possível.

Se for preciso acompanhamernto psicológico da família e da criança isso acontece com um psciólogo da entindade ou pode ser com outro de fora.

Revista Cláudia - E quando não dá certo? O que se faz?

Cintia Liana Reis de Silva - Na adoção tem que dar certo, ou depois procurar ajuda para a relação, é um parto que não tem como se voltar atrás. O casal passa a ser pais da criança a serem responsáveis por ela e não há nada que possa anular isso depois, a adoção é uma medida irrevogável, como consta no ECA. O juiz só dá a sentença se tem a certeza de que aconteceu o vínculo inicial de amor que será forte o suficiente para desenvolverem uma forte relação clássica familiar e baseia sua decisão também em cima dos laudos da equipe multiprofissional da Vara da Infância.

Quando se tem um fiho biológico que mais tarde pode apresentar algum problema de comportamento ninguém entrega ele ao Juizado de Menores dizendo que não quer mais, é a mesma coisa com o adotivo. Qualquer criança pode aprensentar algum tipo de comportamento de natureza negativa por algum motivo e passar por fases difíceis e nem por isso um pais deve desistir do filho.

Já atendi muitas crianças com problemas de comportamento e quase todas eram filhas bológicas. Já participei como perita de centenas de adoções de crianças grandes que já conviviam com suas famílias desde pequenas e que não tinham nenhum problema de comportamento e relação.

Sei que o tema adoção traz muitas questões para a criança, mas não por isso ela tem problemas. Se uma escola tem um aluno que é filho adotado e este apresenta problemas de comportamento todos dizem que é porque ele é adotado, mas se a escola tem 50 outros alunos que tem os mesmos problemas que o adotado e são filhos biológicos o problema é por causa de quê?

Revista Cláudia - Existe um prazo para se concluir que deu ou não certo?

Cintia Liana Reis de Silva - Normalamente são 30 dias para se concluir o estágio de convivência e mais uns 15 para a sentença e emisão de documentos, mas um juiz pode determinar um tempo maior, por exemplo, até 3 meses se for necessário, o problema é que os adotantes devem retornar o seu País para voltarem ao trabalho e reiniciarem a vida cotidiana junto a criança, então todos devem trabalhar com eficácia e cuidado.

Revista Cláudia - Você costuma fazer algum tipo de acompanhamento?

Cintia Liana Reis de Silva - No Brasil realizava acompanhamento de crianças, adultos e famílias, não só adotados como filhos biológicos, todos têm questões familiares de base para serem trabalhadas. Aqui na Itália iniciarei os atendimentos também, é uma área muito bonita, é na família onde encontramos muitas respostas para melhorar os dias atuais e a relação com o mundo, pois a família é o nosso primeiro grupo, o nosso primeiro contato com o mundo, com o ser humano, com os modelos de relação e isso deve ser levado muito a sério, escolher ter um filho, seja por via biológica ou por adoção é um escolha muito bonita, mas também de muita responsabilidade, se deve estar preparado para dar base e firmeza para uma vida digna e honesta e, para isso, deve-se antes de tudo ser muito honesto consigo mesmo, estar muito atento às suas limitações e possibilidades.


Por Cintia Liana