"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Adoção "Tardia"


A expressão adoção "tardia" é vulgarmente utilizada para identificar adoções de crianças crescidas, maiores, mais velhas, após os 3 anos de idade. Crianças que uma parte de sua infância foi vivenciada em companhia da família natural, de terceiros ou em um abrigo.

O nome adoção "tardia" não é bem recebido por especialistas, pois o termo não é adequado.
Partindo do principio de que, nunca é tarde para ter um pai e/ou uma mãe, ter uma família, e que todas as crianças têm o direito a estar inseridas num grupo familiar harmonioso, a expressão é totalmente equivocada e discriminatória.
Adotar uma criança mais velha traz alguns medos acompanhados de preconceitos, fantasias e influências de pessoas que não estão vivenciando a adoção como os pleiteantes à ela.
Ao contrário de muitas expectativas, as chances da uma adoção de uma criança maior dar certo são muito grandes, pois elas têm consciência do que querem, já sabem que não têm o vínculo biológico com o adotante, sendo desnecessário o medo da revelação e são crianças que anseiam por uma família e pelo amor dos futuros pais tão sonhados.
Elas são tão áviadas pela vida em família que muitas nos primeiros dias de convivência abandonam velhos hábitos da instituição (que não necessariamente ruins) e adotam novos. Elas passam a imitar os novos pais, reconhecendo-os rapidamente como tais.
A frase que mais ouvia na avaliação psicológica na Vara de Infância nos anos de 2004, 2005 e 2006 era: "quero adotar um bebê, pois eu já vou colocando do meu jeito, moldando..."
Isso é um absurdo! Quem lhe garante que seu filho biológico será como você deseja? Quem lhe garante que seu filho adotado bebê te aceitará plenamente? Ninguém! Ainda bem! Ninguém tem que ser moldado ou achar que alguém está completamente certo e é perfeito. Temos que respeitar e valorizar nossas diferenças, sejamos biológicos ou adotivos. Amamos as pessoas por suas particularidades também, por serem únicas e especiais e não por que são como nós. Ninguém é igual, por mais que queiramos.

Os candidatos à adoção também têm que ser moldados? Não? Por que? Porque são adultos? E os adultos são perfeitos?

Esquecemos que a criança tem que ter muito peito para enfrentar dois seres adultos, que querem adotá-la e depositam muitas vezes, mesmo que inconscientemente, um milhão de expectativas nela.

[A foto ilustrativa é perfeita neste caso, todos olhando desconfiados para ela]

Foto: Google Imagens

Em 2007 e 2008 essa frase ficou menos repetida em minha jornada dária. Ainda bem! Sinal de que as coisas mudam e as pessoas vão tomando consciência.

Muitas vezes, mergulhar no universo dolorido do filho adotivo e tornar-se cúmplice de suas dores aproxima mais ainda e torna a relação de amor cada vez mais forte. Lembre você está adotando um ser humano e não comprando um sabão em pó.
Se você conhece um caso de adoção de uma criança maior mal sucedida, eu conheço de perto mais de dois mil casos muito bem sucedidos.

Por Cintia Liana

4 comentários:

Xadrez da Esther Felix disse...

Caríssima Cíntia, que bom saber que vc tem essa visão sobre adoção. Parece-me que os órgaos públicos responsáveis não se importam muito com o destino dessas crianças, tanto os dos 'orfanatos', quanto os 'de rua'. A nova lei de adoção, por exemplo, numa tentativa de ajudar as crianças, obrigará irmãos a serem adotados apenas conjuntamente. Isso não dificulta para as pessoas que querem e só podem adotar uma criança?

Cintia Liana disse...

Na verdade alguns Juízes já se recusavam a separar irmãos, mas existiam casos em que poderiam ser separados, mas criados por famílias que continuassem pomovendo a união e interação entre elas.
Também têm muitas crianças sem irmãos esperando por adoção.
Acredito que possa dificultar novas adoções de crianças com irmãos sim, mas a separação é muito traumática para eles, que têm que abdicar crescer com os irmãos para terem uma famílias. Que escolha dura, não?
O que tem que ser ajustado é o número de grupos de apoio, propagandas, informações e incentivos a progamas e projetos de apoio a adoção.
Se tem gente que pensa em adotar mais de um filho, então vamos apoiar!
Apoiando essas pessoas veremos os abrigos vazios, as crianças em suas famílas substitutas, pessoas informadas e felizes com seus fihos adotivos, que são filhos verdadeiros, pois todo filho para ocupar esse espaço tem que ser antes de tudo adotado, seja ele biológico ou não.
"Filhos adotivos, filhos verdadeiros".

Obrigada pela pergunta.
Cintia Liana

Letícia Godoy disse...

Oi Cintia, está certissima só para variar rsss
Penso exatamente igual a vc. Como já comentei em outra postagem sua, nunca pensei essas coisas qdo decidi pela adoção tardia como: não querer uma criança mais velha para "moldar" ou que crianças mais velhas não tem jeito.
Só pensei sobre isso qdo outras pessoas começaram a falar tanto a respeito do assunto.
A única coisa que eu sabia é que não queria bebê e queria menino. Toda criança tem o direito de ser amada e de crescer em família, independente da idade que tenha.
As pessoas valorizam demais os laços biológicos, e como vc mesma disse, precisamos adotar nossos filhos biológicos, se os laços biológicos fossem tem importantes não teriamos tantas crianças abandonadas.
Os laços afetivos com o filho bio tb é construído com o tempo e com a convivência com o novo ser, iguallllll ao filho adotivo, não há diferença nenhuma, e só sabe disso quem teve filhos bios.
Eu abri meu perfil para grupo de irmãos tb, no caso 2 meninos, vamos ver se serei mãe de 1 ou de 2 rssss, Deus é que sabe.

beijinhos

Sara disse...

Olá Cintia, vim parar ao seu blog por acaso e achei super interessante este seu post por concordar 100% com ele.

Tenho uma sobrinha adoptada (foi adoptada já com 4 anos de idade) e conheço um pouco desta realidade.

A minha avó dizia: "Parir é dor, criar é amor" e não existe nada mais certo.

Seja biologico ou não é através das relações e da troca de sentimentos que se vão construindo laços para a vida.

A vida, seja ela qual for é uma carta fechada e nunca se sabe como irá correr.

Eu tenho um filho biológico e gostava muito de adoptar mas os entraves (pelo menos no meu país são tantos) que acabamos sempre por adiar. Acho que acontece-se o mesmo a muitas pessoas que têm essa vontade.

Deviasse tratar desta questão de uma forma mais séria, quer da parte das instituição e da informação de devem dar às pessoas para se evitarem preconceitos e também para agilizarem estas situações porque, em ultima instância quem sofre sempre são as crianças e, neste tema, a rapidez de tempo pode significar tudo. Bjs

Bjs