"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

quarta-feira, 9 de março de 2016

Empoderamento infantil de meninas: fortalecendo as garotas desde cedo


We Heart it
Por Mariana Miranda
É através do empoderamento pessoal que diversas mulheres estão vencendo barreiras impostas pelos padrões sociais, por meio de um maior conhecimento sobre as causas femininas, amor próprio e coletividade. Contudo, muitas traçam um caminho árduo até chegar a esse ponto, sofrendo desde a infância diversos tipos de assédios e inferiorizações. Uma boa maneira de evitar esse processo é através do empoderamento infantil, mostrando para as meninas desde muito pequenas que elas não precisam se adequar a nenhum padrão de beleza, sendo feliz com seu corpo e com a pessoa que ela é.
Infância e gênero: a divisão desde muito cedo
É justamente no período da infância que os papéis de gênero começam a ser estabelecidos. A criança é constantemente limitada e moldada pelos próprios pais e familiares para seguir regras estipuladas pela sociedade em que vive. O clássico “azul para meninos e rosa para meninas” é uma das mais conhecidas forma de divisão e caracterização do sexo físico da criança, diretamente relacionado a cor da roupinha usada. Além disso, furar a orelha das meninas ainda quando pequenas é uma cultura extremamente comum entre os pais, ignorando completamente o fato de essa ser uma prática dolorida e desnecessária.
Carina Castro é estudante de letras da USP, pesquisadora de literatura infantil e uma das moderadoras da página Empoderamento Infantil, no Facebook. “É nessa fase que o comportamento para meninas e meninos é ensinado de maneira bem distinta e dicotômica: a docilidade e controle para as meninas, a força e o estímulo para os meninos. Não se pensa de fato na infância, mas num papel que se cumprirá lá na frente”, conta. Segundo a pesquisadora, esse processo se inicia na primeira infância, fase determinante para a capacidade cognitiva e sociabilidade do indivíduo, já que o cérebro absorve todas as informações dadas. “Imagine então como essas imposições limitam o desenvolvimento da criança e como podem influenciar na maneira como entendem suas capacidades”.
Mães e o processo de empoderar: erros e tabus
Frases como “Meninas têm que se dar valor”, “Você precisa emagrecer para ficar bonita”, “Alisa esse cabelo” ou “Se arrume ou você nunca vai arrumar um namorado” ainda são direcionadas constantemente por parentes a garotas ainda crianças ou adolescentes. E o pior:  na maioria da vezes são as próprias mulheres que as falam. Segundo Carina, esse tipo de comportamento vai em direção contrária ao empoderamento infantil de meninas, já que reforça a objetificação da mulher e sua desvalorização relacionada a certos comportamentos. “Esses tipos de conselhos sempre colocam a mulher numa posição subalterna ao homem, sempre buscando a aprovação masculina. Além disso, resume a felicidade das mulheres aos homens, colocando-os como se fossem a principal meta de suas vidas e a única opção caso não queiram ficar ‘encalhadas’”, explica.
E não é apenas o machismo que é reproduzido por meio desses conselhos, como também o racismo e a heteronormatividade. “Eles podem estar coagindo com o embranquecimento de meninas negras, atitude que as mantém refém do racismo, ao invés de libertar suas mentes e mostrar como é bela sua real beleza. E também podem gerar diversos complexos, traumas, depressão, distúrbios alimentares, e a disforia de gênero no caso de crianças trans*, algo que é necessário ter ainda mais apoio e acolhimento do que repreensão e rejeição como geralmente acontece”, conta Carina.
Outro ponto complicado são os assuntos relacionados a sexualidade. Tratar de menstruação e sexo com naturalidade ainda são vistos como tabus em muitas famílias. “Existe a ideia de que não falando sobre isso, estamos preservando, mas não é bem por aí. O que protege mesmo é a informação, é a garota conhecer seu próprio corpo, saber dos riscos que corre e aprender como se proteger”, conta Carina.
A masturbação feminina é vista como impura desde muito cedo, quando os pais reprimem as garotas que se tocam, apresentando-lhes a própria vagina como algo sujo. Já os meninos ficam claramente excitados desde bebês, quando o pequeno pênis fica ereto e precisa da ajuda de um adulto para voltar ao normal. Com isso, a masturbação infantil masculina começa desde muito cedo e não é envolta em tantas polêmicas pelos familiares quanto a masturbação feminina.
Menina empoderada, mulher fortalecida… mas como empoderar?
Uma menina que é empoderada desde muito jovem certamente se tornará uma mulher muito mais preparada para lidar com o machismo cotidiano e com as pressões sociais direcionadas ao seu corpo e seus modos. Contudo, antes de começar esse processo com a filha, a própria mãe tem que se empoderar.
Para Carina, o empoderamento da mãe é fundamental, já que assim ela terá mais condições de compreender e dar uma educação consciente e livre de preconceitos. “Hoje temos muitos sites e projetos de feminismo, maternidade e afins. Existe muito material na internet, então informe-se, esteja atenta e munida de boas referências”, conta. Outro conselho que a pesquisadora dá às mães é para não deixar faltar representatividade na vida da criança, pra que assim ela possa se reconhecer nas imagens que vê e se sinta capaz de alcançar o mesmo patamar. Apresentar mulheres fortes para a criança e que tenha alguma ligação com ela, seja na cor ou na idade, farão com que a inspiração flua.
Pensar antes de aconselhar também é importante. Muitas vezes os conselhos dados reproduzem discursos nocivos ao desenvolvimento da criança e a construção da sua auto-estima, reproduzindo preconceitos enraizados. “Hoje avançamos em muitos debates e existem mais mães que conversam e empoderam suas filhas, porém ainda são poucas. A tentativa muitas vezes continua dentro dos padrões e acaba por gerar o efeito reverso”, explica.
Além disso, apoiar a menina em suas escolhas é fundamental para o empoderamento. Se ela quiser se vestir de azul e jogar bola, precisa ter o apoio e suporte dos pais, e não a repressão. Segundo Carina, brincadeiras ao ar livre em que o exercício lúdico não é distinguido pelo sexo também são muito boas para um melhor aproveitamento da infância, diferente das que apenas reproduzem atividades do lar, como se treinando a menina a exercer essa função no futuro.
Com uma auto-estima elevada e fortificada, as garotas serão mais confiantes de si mesmas e terão uma relação diferente com seus corpos e cores de pele. “Será uma relação de amor e não de ódio, como geralmente acontece devido aos padrões e imposições. Sendo elas o centro de suas vidas, não dependerão da aprovação masculina, assim como terão uma consciência mais ampla sobre suas capacidades e gostos, não se deixando submeter ao desejo alheio. A relação com outras mulheres também tende a ser outra, de solidariedade e empatia, e não de competição, o que contribui muito pro avanço de todas as mulheres”, explica Carina.
Por Mariana Miranda
Fonte: http://www.lado-m.com/empoderamento-infantil-de-meninas-fortalecendo-as-garotas-desde-cedo/

terça-feira, 8 de março de 2016

sexta-feira, 4 de março de 2016

Não julgue as mães. Não julgue as mães. Não julgue as mães.

RITA LISAUSKAS
01 Março 2016 | 11:54

Você não sabe nada, nada, nada sobre a vida delas

Meu filho nunca deu trabalho, não é daquelas crianças que se jogam no chão e começam a espernear no supermercado, nunca respondeu atravessado e não me faz passar vergonha. Até um dia. Mais especificamente o dia em que era comemorado o ano novo chinês de 2015.
Eu, minha irmã e ele fomos à festa na Liberdade, centro de São Paulo. Pegamos metrô e não tínhamos noção da multidão que iríamos encontrar. Era surreal. Filhote no colo porque no chão seria pisoteado, filas impraticáveis para comer e uma criança que, em poucos minutos, ficou muito, muito estressada.
Conseguimos nos abrigar em uma daquelas inúmeras galerias do bairro para relaxar e em poucos minutos fugir dali. De repente, entramos em uma lojinha de cacarecos orientais e uma vendedora, muito simpática, disse que me conhecia da televisão, onde sempre trabalhei. Como um gatilho sacana que parece ser disparado apenas quando alguém conhece você, meu filho começou a chorar. Copiosamente. Ele tinha pedido à minha irmã, madrinha dele, que comprasse um videogame que estava exposto na prateleira da loja. Ela disse que não, que a compra de um videogame não era uma decisão tomada assim de uma hora para outra. O choro histérico que até então nunca tinha acontecido é algo do qual nós, mães, nunca estamos livres. Nenhuma de nós. (Alerta de spoiler: você que ainda não é mãe e tem cer-te-za que isso não vai acontecer com você porque, imagina, você vai educar bem seu filho, fique esperta, acontece com todas nós.) Quando abaixei para conversar com meu filho e dizer que se ele queria tanto um videogame a gente ia se planejar e comprar em uma data especial ouvi a dona da loja comentar com minha irmã e para quem quisesse ouvir: Essas crianças de hoje são tão mimadas, né? Culpa das mães que dão tudo a elas e que não sabem dizer não.
Olhei com cara de ódio para a mulher, peguei meu filho no colo, já mais calmo, e saí de lá. Ela não me conhecia, nunca me viu na vida. Como podia julgar minha maternagem? De onde ela tirou que eu não sei falar “não” para o meu filho? Eu não tinha acabado de dizer um NÃO bem grande à compra do tal videogame?
Lembrei disso porque hoje li o desabafo de uma mãe cujo filho teve um ataque histérico em uma piscina de bolinhas de um shopping do Recife. O garoto tem TDO, Transtorno Opositor Desafiador, associado à paralisia cerebral. A mãe, contudo, não quer que o filho, que faz diversas terapias e toma remédios, deixe de interagir com o mundo ao seu redor. Na hora de sair do brinquedo o menino não quis e teve uma crise . “Ele berrava, esperneando no chão, enquanto as pessoas me olhavam com ar de reprovação. Esses não me incomodam. Já estou acostumada a esses olhares. Quando optei, lá no passado, de não privar meu filho da vida por conta das limitações dele, tive que aprender a conviver com os olhares e as críticas. Não é nada fácil ser mãe, trata-se de um diário salto no abismo do acerto e do erro”, contou.
A mãe levou o filho ao banheiro do shopping para tentar acalmá-lo. O que se sucedeu aí foi uma sequência lamentável de acontecimentos. As pessoas começaram a bater na porta do banheiro, mesmo ela pedindo para que deixassem ela tranquilizar o filho, que estava no meio de uma crise histérica.
“Vieram duas seguranças e me pediram para acompanhá-las. Quando sai do banheiro havia uma pequena multidão. Nos cercaram, a mim e ao meu filho. Me agrediram verbalmente, botaram dedos na minha cara, me acusando de estar espancando o menino. ‘Ele está cheio de hematomas’, um homem disse puxando o braço do me filho e tirando fotos minhas e dele. ‘Tire as mãos do meu filho, pare de fotografar ele, caso contrário eu processo você’, falei. Então o homem começou a me ofender, dizendo que eu não era mãe, dizendo que ele ficasse ‘tranquilo’ porque eu seria presa, e meu filho começou a chorar novamente, perguntando “minha mãe vai ser presa?”. A essa altura, minha mãe, uma senhora de 85 anos que esperava sentada na entrada do banheiro, veio ver o que era a confusão. E era comigo! Ela tentava explicar que os hematomas do menino são das quedas constantes. ‘Ele cai muito, faz parte do problema dele’, falava. Mas o homem – o mesmo das fotos – estava revoltado. Afirmava que ia postar fotos nas redes sociais me acusando de espancar o meu filho. Na hora o alertei que o uso indevido de imagem, bem como calúnia e difamação na internet, são crimes. E informei: “também vou fazer fotos suas, assim quando você postar as minhas terei como mandar a polícia atrás de você”. Foi aí que ele me ameaçou, disse que iria me bater. Peguei meu celular e comecei a fotografá-lo e quando viu que eu estava tirando fotos dele, desferiu um golpe. Não me acertou, mas ainda senti o ‘ventinho’. Tudo isso sob os olhares do meu filho especial de 7 anos e minha mãe, uma idosa de 85. Fui ao SAC, onde – orientada por minha amiga advogada – registrei uma ocorrência sobre o assunto. Fiquei lá por quase duas horas tentando me acalmar. Solicitei as imagens das câmeras de segurança, mas fui informada que apenas com ordem judicial. Durante as duas horas que fiquei chorando no SAC, me sentindo humilhada e impotente, lembrava da mulher que foi apedrejada até a morte no sul do País porque o ‘tribunal de rua’ achou que ela era uma suposta sequestradora de crianças. As pessoas hoje se acham detentoras da moral, da justiça e da comunicação – com seus celulares em punho e contas em redes sociais, julgando e condenando quem quer que passe pela frente.”
Antes apenas éramos julgadas em silêncio, no máximo ouvíamos cochichos de maledicência de vizinhos e conhecidos. Hoje, podemos ser apedrejadas em praça pública ou termos nossa imagem e intimidade devassadas e destruídas nas redes sociais. Foi o que quase aconteceu com essa mãe, que terminou assim seu desabafo:
“Estou contando isso aqui como um alerta, até para mim mesma. Não gosto de me expor e, muito menos, expor meu filho. Mas eu precisava fazer isso para dar esse toque mágico: não julgar. Não julgue. Não JULGUE. NÃO julgue. NÃO JULGUE!!!
Não sei o dano que isso vai deixar no meu filho. Na verdade ainda nem sei que dano vai deixar em mim. O que eu quero hoje é dormir tranquila, abraçada com ele, para que se sinta como sempre se sente comigo: protegido. Mas acho que hoje, e durante um bom tempo, ele é que vai fazer isso por mim. Vou me reconstruir no amor dele. Fé em Deus e bola pra frente.”

Em vez de julgar e fotografar (!?), coloque-se no lugar do outro. E se isso não for possível, ofereça ajuda. Não seria lindo que se em vez de dedos apontados alguém tivesse oferecido um copo de água ou abraço a essa mãe, por exemplo? Se alguém tivesse realmente se importado com tudo isso saberia que essa mulher tem vários empregos para poder oferecer todas as terapias que o filho precisa. Que se não fosse a dedicação dela, ele nunca teria saído da cama e estaria se divertindo em uma piscina de bolinhas.  Que o pai dele até paga pensão, mas não quer saber do menino.
Não julgue. Não julgue. Não julgue. Repita isso dez vezes por dia, todos os dias de sua vida.
Fonte: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ser-mae/nao-julgue-as-maes-nao-julgue-as-maes-nao-julgue-as-maes/

A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e o perfil das crianças disponíveis para serem adotadas

Um excelente artigo para se entender porque, entre outros fatores, a fila de adoção ainda é muito longa e lenta.
We Heart it

Servidora da VIJ-DF fala sobre a espera pela adoção
Por NG/SECOM/VIJ-DF — publicado em 03/03/2016 14:3 
Karina Machado Rocha Gurgel, servidora da Seção de Colocação em Família Substituta da VIJ-DF e mestre em Psicologia, desconstrói o mito de que a demora em concretizar a adoção está relacionada com a morosidade da Justiça e as burocracias do processo no artigo “A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e as crianças disponíveis para serem adotadas”.
Com base em dados coletados do Cadastro de Adoção do Distrito Federal, Karina demonstra que o perfil pleiteado pelos requerentes é inversamente proporcional ao perfil das crianças cadastradas para adoção, uma vez que mais de 90% das famílias preferem crianças de 0 a 3 anos, que correspondem a pouco mais de 8% das cadastradas. Destaca, ainda, que, em âmbito nacional, a situação é semelhante, de acordo com pesquisa do Conselho Nacional de Justiça.
A psicóloga ressalta o trabalho realizado pela equipe psicossocial da Vara da Infância e da Juventude do DF para sensibilizar os casais que participam dos grupos de Preparação para Habilitação a acolher grupos de irmãos e crianças maiores ou adolescentes, uma vez que os pretendentes restringem esse perfil.
“A cultura de adoção ainda tem de ser transformada. As pessoas precisam começar a pensar com mais amplitude para que os preconceitos sejam em menor número e intensidade, bem como refletirem sobre seus reais desejos, projetos e sobre a realidade”, pontua Karina.
Leia abaixo o artigo na íntegra. Esse e outros textos da área infantojuvenil estão disponíveis no link Textos e Artigos da página Infância e Juventude do site do TJDFT.
Fonte: http://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/noticias/2016/marco/servidora-da-vij-df-fala-sobre-a-espera-pela-adocao
_____________________________
A realidade sobre a espera pela adoção: a diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e o perfil das crianças disponíveis para serem adotadas
* Karina Machado Rocha Gurgel 
Mestre em Psicologia Clínica e Servidora da Seção de Colocação em Família Substituta da VIJ-DF
O tema adoção no Brasil é cercado de mitos, os quais não correspondem à realidade. Um deles trata sobre a afirmativa da grande quantidade de crianças aptas à adoção em relação a muitos casais que aguardam um filho e, assim, justificam a demora em adotar à morosidade da Justiça e às burocracias do processo. 
O que as pessoas não sabem e se espantam é que há uma discrepância entre o perfil pretendido pelos requerentes e a realidade do Cadastro do Distrito Federal. Muitos se enganam quando afirmam que existe um grande número de crianças em instituição de acolhimento com condições de serem adotadas. A maioria está aguardando reinserção na família de origem. 
A realidade do Cadastro do DF é parecida com a do nacional. Conforme preceitua o Conselho Nacional de Justiça – CNJ (2012, p. 27), “nacionalmente, verifica-se que o perfil das crianças e adolescentes cadastrados no Cadastro Nacional de Adoção – CNA é destoante quando comparado ao perfil das crianças pretendidas, fato que reveste a questão como de grande complexidade”. 
Dados recentes, coletados do Cadastro do DF em 25/2/2016, afirmam que existe um total de 532 famílias habilitadas para adoção, enquanto que crianças e adolescentes perfazem o somatório de 91, o que resulta em 5,8 famílias para cada criança/adolescente cadastrado. Observa-se, assim, que existe um contingente significativamente maior de pessoas interessadas em adotar em relação a crianças e adolescentes aptos à adoção. 
Desse universo de 532 famílias, 515 famílias desejam crianças de 0 até 3 anos de idade, correspondente a 96,8% do total do cadastro; 242 famílias pleiteiam filhos entre 4 e 7 anos de idade, correspondente a 45% do total; 18 famílias querem crianças entre 8 e 10 anos, correspondente a 3% do total; apenas 3 famílias aceitam pré-adolescentes entre 11 e 12 anos, correspondente a 0,57% do total; e nenhuma família acolheria a faixa etária de 13 a 18 anos. 
A realidade numérica das crianças e adolescentes cadastrados para adoção é de apenas 91, sendo estes configurados da seguinte forma: 8 crianças entre 0 e 3 anos de idade, o que corresponde a 8,79% do total; 8 crianças entre 4 e 7 anos, o que corresponde a 8,79% do total; 5 crianças de 8 a 10 anos, o que corresponde a 5,49% do total, 12 crianças de 11 a 12 anos, correspondente a 13,18% da amostra; e 58 adolescentes de 13 a 18 anos, correspondente a 63,73% do total. 
ANEXO 1: (Gráfico referente ao perfil da criança pretendida no DF)

ANEXO 2: (Gráfico referente ao perfil das crianças e adolescentes cadastrados para adoção no DF)

A realidade denota que o perfil pleiteado pelos requerentes é inversamente proporcional ao perfil constante do Cadastro do DF. O gráfico a seguir, retirado de pesquisa do CNJ, é sobre a discrepância dos perfis em âmbito nacional.  
ANEXO 3: (Gráfico referente ao perfil da criança pretendida e ao das crianças e adolescentes cadastrados para adoção em âmbito nacional)
Fonte: Conselho Nacional de Justiça (Elaboração: Departamento de Pesquisas Judiciárias) 
Para cada criança cadastrada para adoção há quase 6 famílias dispostas a acolhê- la. Se for contabilizado apenas dentro do perfil desejado de até 12 anos, esse número aumenta para 16 famílias por criança. Porém, a diferença entre o perfil idealizado e o mundo real é o grande obstáculo à redução da enorme fila de espera. Importante destacar que entre as crianças disponíveis de 0 a 10 anos estão aquelas em estágio de convivência e as que fazem parte de grupos de irmãos aguardando famílias. 
Outro elemento que costuma ser sério entrave à saída de crianças e adolescentes das instituições de acolhimento é a baixa disposição dos pretendentes para acolher grupos de irmãos, principalmente os acima de dois. Entre as crianças aptas à adoção, 47%, ou seja, 43 crianças fazem parte de grupos de irmãos e a prioridade é de que elas não sejam separadas, o que diminui as chances de encontrarem família. Além disso, as condições de saúde vêm a ser outra barreira, muitas vezes difícil de ser vencida. 
As explicações para o desinteresse dos brasileiros em acolher crianças maiores ou adolescentes estão na motivação de uma família a pleitear uma adoção. Segundo Maux e Dutra (2010, p. 3): 
Em uma pesquisa realizada por Weber (2006) envolvendo famílias de vários estados do país, 50% dos entrevistados trouxeram como motivação para a adoção o fato de não terem os próprios filhos (incluindo-se aí aqueles que desejavam escolher o sexo da criança ou problemas de infertilidade para gerar o segundo filho). Para aqueles que não possuíam filhos biológicos, a infertilidade foi apresentada como motivação por mais de 80% dos respondentes. 
Outro fator a ser considerado é o tempo de acolhimento institucional da criança e o preconceito com relação às crianças maiores, pois os pais adotantes acreditam que não podem moldar o comportamento delas, uma vez que elas têm um passado, uma história e, assim, mais consciência dos traumas vivenciados, além de personalidade mais definida. Em contrapartida, a maioria das nossas relações é com pessoas de criações diferentes e, dessa forma, crescemos e aprendemos com elas. Os candidatos a pais alegam também que evitam a adoção tardia pela adaptação à família poder ser mais difícil e trabalhosa. 
Os grupos de Preparação para Habilitação orientados pela Vara da Infância e da Juventude do DF tentam sensibilizar os requerentes para adoções tardias e de grupos de irmãos, embora sempre respeitem o desejo e as condições deles, a fim de que não ocorram as indesejadas devoluções. Muitas pessoas, porém, podem até ter o sonho de adotar mais de uma criança, mas enfrentam obstáculos que vão muito além das próprias capacidades de superá-los. Por exemplo, os encargos financeiros referentes à criação de um filho. 
As sensibilizações pela adoção tardia e por grupo de irmãos têm feito crianças mais velhas e seus irmãos serem adotados com menos dificuldades. A cultura de adoção ainda tem de ser transformada. As pessoas precisam começar a pensar com mais amplitude para que os preconceitos sejam em menor número e intensidade, bem como refletirem sobre seus reais desejos, projetos e sobre a realidade. 
O fato de os pretendentes definirem um perfil clássico à adoção, que é de acolher um bebê, gera um tempo considerável de espera para que a adoção aconteça. A reflexão que os futuros pais precisam ter na hora de escolherem o perfil, no tocante à idade, precisa ser cautelosa, pois eles têm de analisar duas variáveis importantes para eles: de um lado, o desejo deles de acolher um bebê; de outro, o tempo de espera para ter seu filho. 
O perfil não deve ser definido exclusivamente em função do tempo de espera. É preciso que a família encontre um equilíbrio entre o perfil desejado – com a possível ampliação para a adoção tardia, de grupos de irmãos e de crianças com necessidades específicas de saúde ou deficiências – e os recursos emocionais ou financeiros que possui, a fim de garantir o verdadeiro acolhimento dessa criança ou adolescente como filho. 
Despertar os casais, imbuídos de desejos, para a realidade do Cadastro de Adoção e adequar os perfis às possibilidades é algo delicado, mas bastante trabalhado pela equipe psicossocial da adoção da Vara da Infância e da Juventude do DF nos grupos de Preparação para Habilitação dos casais pretendentes à adoção, muito embora ainda se torne necessário fomentar políticas públicas em prol da adoção tardia, inter-racial e intergrupal. 

REFERÊNCIAS: ENCONTROS E DESENCONTROS DA ADOÇÃO NO BRASIL: uma análise do Cadastro Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justiça. Disponível em: Acesso em 23 fev. 2016. Maux, A. A. B e Dutra, E. A adoção no Brasil: algumas reflexões. Disponível em: Acesso em 26 fev. 2016.
Fonte: http://www.tjdft.jus.br/cidadaos/infancia-e-juventude/textos-e-artigos/a-realidade-sobre-a-espera-pela-adocao-a-diferenca-entre-o-perfil-desejado-pelos-pais-adotantes-e-as-criancas-disponiveis-para-serem-adotadas

quinta-feira, 3 de março de 2016

O amor consciente e a maturidade emocional

Créditos da imagem: Benjamin Lacombe
Texto retirado do site: "A mente é maravilhosa"
Durante toda a nossa vida nos venderam o chamado “amor romântico” quase que de forma constante. Lemos sobre ele em vários livros, nos rendemos a ele em  mil e um filmes, nas centenas de séries de televisão e, inclusive, através da moda e da publicidade.
Poderíamos dizer, então, que o “amor romântico” é uma espécie de fraude? Talvez não tanto, ou talvez sim… A despeito disso, poderíamos defini-lo mais como um “amor inconsciente”, já que de certo modo, não é mais que uma idealização das relações afetivas. É aí que estabelecemos um apego muito intenso e uma dependência mútua que quase nunca termina bem.
Não é bom idealizar o amor, nem fantasiar sobre como deve ser nosso par ideal. Possivelmente, nunca conseguiremos encontrá-lo se vivermos de acordo com esse padrão perfeito que sonhamos para nós mesmos. Às vezes, costuma-se dizer que “o amor verdadeiro não vem de repente para alguém, ele parte do nosso próprio interior”.
Ou seja, a relação perfeita deve ser construída de modo “consciente”, com esforço, dedicação e maturidade emocional.

O amor “consciente” que teme a solidão

Falemos do amor “consciente”. Se você nunca ouviu esta expressão vale a pena aprofundar-se nela através de umas pinceladas que, imediatamente, encenarão como são essas relações afetivas que queremos descrever para você:
– Os casais que se amam de modo “consciente” não se veem como metades um do outro, como a metade da laranja com a qual precisam se unir para serem uma só pessoa. Absolutamente. São pessoas completas, que não temem a solidão, são laranjas inteiras que oferecem sua plenitude e sua maturidade emocional livremente para seu par, para serem mutuamente felizes.
– As pessoas que estabelecem relações “inconscientes” são, geralmente, imaturas. Procuram outras pessoas para preencher seus vazios emocionais, para encontrar um equilíbrio em seus problemas e estabelecer, por sua vez, um tipo de apego geralmente tóxico. Para isso, não têm dúvidas quando à manipulação, estabelecem chantagens sutis, pois, antes de tudo, temem ficar sozinhos novamente nessa imaturidade com a qual ainda não puderam aprender a lidar.
– No entanto, as pessoas que veem a si mesmas como completas e que têm a sorte de encontrar, por sua vez, pares igualmente maduros emocionalmente, são capazes de criar esse amor “consciente”, onde tudo flui com normalidade. Não há exigências, não há vazios a serem preenchidos, há apenas uma confiança mútua e um entendimento onde, diariamente, será construído o amor verdadeiro. Não um ideal. O autêntico.

Como estabelecer um relacionamento consciente




É possível estabelecer vínculos afetivos que realmente funcionem? Naturalmente, sim. Estabelecer uma relação baseada em um amor consciente, em primeiro lugar, não deve partir de uma necessidade de preencher um vazio emocional, já que não se trata de procurar, pois no momento em que usamos essa palavra, evidenciamos uma falta, uma necessidade.
Trata-se de esperar, de nos deixar levar pelo caminho onde o mais importante somos nós em primeiro lugar. Aprecie mais você mesmo, suas experiências, seu dia a dia, onde você pode aprender de tudo, onde pode se enriquecer como pessoa para amadurecer por dentro. O amor chegará quando tiver que aparecer, mas não se esforce para criar um ideal na busca da pessoa perfeita.
Para entender melhor, tome nota dos seguintes conselhos:
1. O melhor é que você não tente encontrar a pessoa perfeita. Comece por você mesmo, crie, em primeiro lugar, a pessoa que você quer ser. 
2. Construa seu equilíbrio emocional, reforce sua autoestima, defenda seus valores.
3. É importante que você aprenda a estar só; entenda que a solidão não é prejudicial nem perigosa. Não se esforce a estar com ninguém só por ter medo.
4. Nunca perca a imaginação e a inocência ao iniciar novos relacionamentos. Não tenha medo de cometer os mesmos erros do passado; você aprendeu muita coisa com estes erros e sabe muito bem do que precisa agora.
5. Nós sabemos que, de certo modo, temos um ideal de como queremos que seja nosso par perfeito. É algo que ninguém pode evitar. Entretanto, se estiver tão claro assim,, seja você mesmo a pessoa que você quer ter ao seu lado… Afinal de contas, a pessoa adequada se refletirá em você.
6. Finalmente, tenha sempre em conta um aspecto: você merece ser amado(a) plenamente. Nunca duvide disso.
Fonte do texto: http://amenteemaravilhosa.com.br/o-amor-consciente-e-a-maturidade-emocional/

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O desafio da maternidade

Uma jovem mãe se negou a participar da corrente do Facebook e falou a real: “Amo meu filho, odeio ser mãe”. Ela tem direito a isso.
Google Imagens

Por Matheus Pichonelli — publicado 19/02/2016 17h54


O que mais me incomoda é o consolo de ser 'apenas' pai. Não é a tarefa mais simples que já assumi, mas nada se compara à pressão enfrentada pela mãe.


Deveria ser uma hora de lazer, mas contabilizei, ao todo, quatro tentativas de homicídio.
Primeiro quando o grandão da turma decidiu empurrá-lo do escorregador.
Depois quando o amiguinho pegou as duas pás da caixa de areia e tentou acertar um golpe duplo na altura das suas orelhas.
Na última, me distrai ao celular e não percebi que o suposto melhor amigo abria dedinho por dedinho do meu filho, como se usasse uma alavanca, para ver se ele caía para poder, enfim, herdar o balanço.
Até que ele aderiu à moda – justamente com quem nada tinha com a história. Ao ver uma menina se aproximar, ele pegou um punhado de areia e jogou no cabelo dela. Diante do meu desespero, ela começou a chorar e ele, a rir.
Eu olhava para o lado na tentativa de encontrar seus pais. Nada. Quando o choro parou, ele arremessou areia no olho dela. Gritei com ele. Ele chorou. Ela voltou a chorar. E eu queria apenas me enterrar naquela areia em posição fetal e dormir até que ele completasse 20 anos.
Em casa, tento entender a ansiedade das respirações ofegantes. Minhas horas de descanso são as horas extras no trabalho. Passamos apuros, deletamos os momentos de sono, usamos as primeiras ou as últimas horas do dia para fazer coisas banais, como ver filmes ou abrir o jornal, passamos a fazer compras em dez minutos porque, caso contrário, ele se joga no chão, esperneia, grita, se bate e tenta derrubar tudo o que encontra pela frente.
Mas não é isso o que me incomoda.
O que mais me incomoda é que eu deveria estar feliz com tudo isso. Eu realmente deveria estar feliz pelo senhor ter me concedido o domingo para ir ao zoológico dar pipoca aos macacos - o problema é que, quando ele vê macacos, quer puxar o rabo. Ou subir na árvore.
E, por estar mais cansado do que feliz, passo horas do dia me penitenciando pelo péssimo pai que sou.
Minha ranhetice começa quando encontro outros pais que acabam de ter filhos. É como adentrar numa orbita em que qualquer assunto fora criança é proibido. Quantas horas dorme? Come legumes? Ainda assiste a Peppa? Onde vai ser a festinha? Quanto você pagou? Você acha isso normal? Não é o máximo?
A bateria de perguntas é, via de regra, um terreno assentado para a questão crucial: quando vem o segundo?
Em tese eu deveria gostar de todas essas perguntas. Da troca de experiências levantadas pelos mesmos amigos que, anos atrás, levantavam a sobrancelha pra saber minha nota na prova.
Eu deveria estar feliz em falar sempre no diminutivo. Em ver meu filho ser tratado como bibelô por amigos e parentes que o mandam posar, sorrir, comer todo tipo de bobagem e entopem o Facebook de fotos dele sem qualquer autorização.
Eu deveria estar, mas não estou. Estou tenso, em dúvida, mais cansado do que satisfeito.
E desconfio que só vou lidar melhor com esse desconforto quando admitir, para meu inconsciente, que não decidimos ter filhos como um cálculo de preenchimento ou satisfação. Que ele não é um investimento que logo trará retorno afetivo e existencial. Que nossa relação não precisa ser uma fabrica de neurose se as coisas não saírem como planejamos.
Falta explicar para o mundo.
Mas de tudo o que mais me incomoda nessa história não são as tentativas de homicídio no parquinho ou a obrigação de fazer de uma manhã no parque um comercial de margarina.
O que mais me incomoda é o consolo de ser “apenas” pai. Sim, não é exatamente a tarefa mais simples que já assumi, mas nada se compara à pressão enfrentada pela mãe. A começar pela métrica que separa as boas e as más mães a partir da produção de leite materno – ainda que seu filho, prematuro, tenha passado as primeiras semanas em uma incubadora, e nosso único contato físico acontecia pelas mãos.
Ao fim das visitas eu ia para casa, e a mãe era encaminhada a uma sala onde deveria, literalmente, ordenhar o próprio leite por meio de uma bombinha. Era um novo parto por sessão, e a dificuldade da missão era compensada por palavras de incentivo do tipo "pensa no teu filho", “se você o ama o suficiente você consegue” (tente urinar com um incentivo desse no seu ouvido para entender o drama) ou com mandingas e alimentos com base no milho (tipo pipoca e canjica) que estouravam estômago da mãe e só ampliavam a distância entre a autoestima e a maternidade ideal. Uma distância agravada cada vez que alguém identificava na mamadeira a prova material de um fracasso.
Passada a fase da amamentação, à mãe não faltavam dicas, telefonemas de amigos e familiares de todos os lados para saber como andava a saúde do menino. Qualquer espirro ou choro fora de hora era sintoma de um descuido. Qualquer cara feia quando alguém o entupia de bolacha era respondida com "mas coitado, ele tem vontade".
As vontades são criadas, assim, por visitas esporádicas que jamais trocaram fralda, e você supostamente deveria amar tudo isso.
No pico da agonia, eu podia sair, nadar, pescar, jogar bola e até encher a cara quando precisava desanuviar. Ninguém me telefonaria perguntando se eu estava louco. Eu jamais seria o puto que pariu e na bagagem jamais levaria a culpa, a lista de satisfações, as perguntas de sempre. Como quando voltou à dança e quase desistiu depois de ouvir uma bateria de perguntas constrangedoras sobre “como ela tinha coragem de deixar uma criança em casa”. “Ele não pede por você?”. “Ele não chora?”. “Você não sente pena?”.
Aos poucos passamos a reproduzir, dentro de casa, as assimetrias que tentamos combater fora dela. "Homem não leva jeito". "Homem não faz duas coisas ao mesmo tempo". "Homem não acorda quando criança chora".
Ela não.
Ela deveria sorrir pela manhã depois de ser acordada a cada três horas. Deveria estar linda, leve e realizada para as sessões de fotos da família doriana para postar no Facebook no dia das mães. E sorrir ao responder, pela milésima vez, se pretende MESMO seguir trabalhando ao fim da licença maternidade.
Durante a semana, uma jovem mãe se negou a participar, no Facebook, de uma corrente sobre as delícias sem dores da maternidade e decidiu falar a real: “Amo meu filho, odeio ser mãe”. Ela tem direito a isso. Tem direito a compartilhar com outras mães não apenas o peso da maternidade, mas o peso da obrigação de parecer feliz com toda a pressão existente em um dos períodos mais duros, confusos e inseguros da vida.
Ela tem direito a manifestar o desconforto pela pressão. Ela tem direito a não explodir. A não achar que há algo de errado nela por não ser feliz o tempo inteiro. De reivindicar o direito a descobrir, por si, as pequenas alegrias das novas relações criadas dentro de casa.
O que enlouquece não são as tarefas. As funções. A responsabilidade. Tudo isso é duro, mas passa. O que enlouquece são os outros. São os que veem na maternidade – e na distância entre a vida ideal e a vida vivida – a chance de minar a autoestima e a liberdade de circulação de alguém que não é (nem deveria ser) só mãe, mas mulher. Foi-se o tempo em que as palavras eram sinônimos – e, por extensão, um destino inevitável rumo ao confinamento do lar e das obrigações que nós, homens, não queremos fazer.
É preciso reconhecer a coragem de uma mãe que expõe esse desconforto - pois até o direito a reclamar tentaram tirar dela. O desconforto dela não é com o filho, mas com um destino imposto a ela a partir da maternidade. Há quem prefira atacá-la e guardar as dores numa comporta de autoengano e ressentimento. Pobres pais. Pobres filhos.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-desafio-da-maternidade

Varas da Infância das capitais do Brasil

Google Imagens

Acre - Rua Benjamin Constant, 1165 - Centro - Rio Branco - Acre, Cep: 69.900-160.
Alagoas - Rua Hélio Pradines, 600, Ponta Verde, Cep: 57035-220, Maceió - AL.
Amapá - Avenida FAB, 1849, Santa Rita, Cep: 68906-000, Macapá - AP.
Amazonas - Rua Valério Botelho de Andrade, s/nº, São Francisco, Cep: 69079-260, Manaus - AM.
Bahia - Rua Agnelo de Brito, 72, Federação, Salvador - BA. Tel.: (71) 3203-9300.
Ceará - Fórum Clovis Bevilaqua: Av. Des. Floriano Benevides, n° 220, Água Fria, CEP 60.810-000. E-mail: vara4jia@yahoo.com.br.
Distrito Federal - SGAN, Quadra 909, Bloco C, Cep: 70790-090, Brasília - DF.
Espírito Santo - Avenida Florentino Avidos, 100, Vila Rubin, Centro, Cep: 29020-040, Vitória - ES.
Goiás - Rua T, 47, conjunto T 30, Setor Bueno, Cep: 74210-000, Goiânia - GO. Tel.: 62 - 285-0711.
Maranhão - Praça D. Pedro II s/n - Centro - São Luís - Maranhão - Cep:65010-905. Parque XV de novembro,128, Centro, Cep: 65015-410, São Luís - MA. Tel.: 98 - 221-230 / 98 - 231-1288.
Mato Grosso - Rua 13 de junho, 166, Altos do Ponto Frio, Cep: 78000-000, Cuiabá - MT. Tel.: 65 - 322-9521.
Mato Grosso do Sul - Avenida Calogeras, 1625, Centro, Cep: 39004-000, Campo Grande - MS. Tel.: 67 - 383-5822.
Minas Gerais - Avenida Olegário Maciel, 600, Centro, Belo Horizonte - MG.
Paraná - Rua Piraí, 1615, Jardim Ouro Branco, Cep: 49487704-280, Paranavaí - PR.
Paraíba - Rua Don Carlos Gouveia Coelho, 347, Centro, João Pessoa - Paraíba, Cep 58011-030.
Pará - Avenida Almirante Tamandaré, 873, Centro, Cep: 66023-000, Belém - PA.
Pernambuco - Rua Dr. João Fernandes Vieira, 405, Boa Vista - Recife - PE, Cep: 50050-200. Tel. (PABX): 55 81 3181.5900
Piauí - Rua Otto Tito, S/N - Bairro Redenção - CEP: 64017-775. Rua Mato Grosso, 210, Norte, Cep: 74710-000, Terezina - PI. Tel.:      .
Rio de Janeiro - Avenida Rodrigues Alves, 731 A, Santo Cristo, Cep: 20220-360, Rio de Janeiro - RJ. Tel.: 21 - 588-3075 / 21 - 283-0613 / 21 - 263-3913. E-mail: gvianna@tj.rj.gov.br.
Rio Grande do Norte - Praça 7 de setembro, s/nº, Cep: 59000-000, Natal - RN. Tel:      .
Rio Grande do Sul - Av. Augusto de Carvalho, 2000 - CEP: 90010-390 - Praia de Belas, Porto Alegre - RS. Rua Celeste Gobato, 10, 10º andar, Foro Central, Cep: 90110-116, Porto Alegre - RS. Tel.: 51 - 224-1473 / 51 - 211-5500 - ramal 2006. E-mail: jijpoa@tj.rs.gov.br.
Rondônia - Avenida Rogério Weber, 2396, Centro, Cep: 78900-450, Porto Velho - RO.
Roraima - Praça Centro Cívico, s/nº, Cep: 69300-970, Boa Vista - RR.
Santa Catarina - Rua Álvaro Millen da Silveira, n. 208, Florianópolis, Santa Catarina, CEP:      . Tel.: 48 - 221-1000. Rua Rui Barbosa , 621, Cep: 88.025.301, Florianopólis - SC. Tel.: 48 - 224-3325.
Sergipe - Avenida Gentil Tavares 380, Getúlio Vargas, Fórum Desembargador José Alencar, Cep: 49000-000, Aracaju - SE. Tel.: 79 - 211-1515 / 79 - 211-2030 / 79 - 211-1565.
São Paulo -
Rua Piratininga, 105, Brás, São Paulo, SP.
Rua Aurélia, 650, Lapa, São Paulo SP.
Rua Tabatinguera, 140, conj. 1615, Centro, São Paulo - SP.
Tocantins - 504 SUL Al. 02 Lote 05, CEP: 77021-662 - Palmas - TO. Tel.: 63 - 215-3040 / 63 - 218-4589.


Filmes sobre adoção

Filme "Um sonho possível"

A Malandrinha - Warner Home Vídeo - Dir: John Hughs - Com: James Belush, Kelly Linch e Alisan Porter - Sinopse: Depois de uma noite de farra o pilantra Bill descobre que "herdou" uma nenezinha abandonada. Comédia.
Aluga-se um Garoto - Live Home Vídeo/1995 - Dir: Fred Gerber - Com: Leslie Nielsen e Christopher Lloyd - Sinopse: O dono de um orfanato sai de férias e pede ao seu irmão que tome conta do local. O novo diretor decide "alugar" crianças durante o final de semana. (Adoção tardia de grupo de irmãos). Comédia.
Annie - LK -Tel Vídeos - 1982 - Dir: John Huston - Com: Albert Finner e Carol Burnet. Infantil.
Annie 2 - Uma aventura Real - LK -Tel Vídeos - 1995 - Dir.: Ian Toynton - Com: Joan Collins e George Hearn - Sinopse: Annie, já adotada e integrada em sua família, ajuda seu pai a se livrar de bandidos que querem roubar uma fórmula valiosa. Adoção tardia por família monoparental. Infantil.
As crianças que ninguém queria - /1981 - Dir: Richard Michaels - Com: Fred Lehne, Michelle Pfeiffer, Matt Clark, Noble Willingham, Joey Tyrley, Barbara Barrie, Anne Haney. Drama.
Bogus, meu amigo secreto - Warner Home Vídeo/1996 - Dir: Norman Jewison - Com: Whoopi Golberg e Gerard Depardieu - Sinopse: Garoto branco perde a mãe e vai viver com a tia, irmã adotiva de sua mãe. Com a ajuda de um amigo especial ele consegue transformar a tia em uma ótima mãe. Infantil.
Em busca de um filho: A História de Carol Schaefer - 1995 - Dir: Bithany Rooney - Com: Frances Fisher, Deborah MAy e Corrie Clark - Sinopse: Depois de 18 anos, mãe sai à procura de um filho que tivera na adolescência e que por pressões sociais e familiares teve de entregar para adoção (Procura de origens). Drama.
Jonathan - O menino que ninguém queria - 1992 - Dir: George Kaczender - Com: JoBeth Williams, Chris Burke - Sinopse: Voluntária dispõe-se a educar um menino com síndrome de Down, praticamente abandonado pela família, e que ela julga ter condições de levar uma vida normal. Drama.
O destino de uma vida - CIC/1995 - Dir: Stephen Gyllenhaal - Com: Jessica Lange, Helle Berry, Samuel L. Jackson - Sinopse: Jovem negra viciada em crack joga seu filho no lixo. O bebê fica aos cuidados de uma Assistente Social que o adota. Anos mais tarde, a mãe biológica livre das drogas tenta reaver a guarda do filho. Drama.
O maior presente de natal - /1990 - Dir: Arthur Allan Seidelman - Com: Michael Warren, Cicely Tyson - Sinopse: Menino órfão parece não ter sorte: perde a mãe adotiva em acidente automobilístico pouco antes do Natal. Conseguirá continuar a viver com o pai adotivo? O que será necessário para derreter o coração de gelo da chefe do departamento de serviço social (também marcada pelo abandono). Drama.
O Príncipe do Egito - Abril Vídeo/ Disney - 1998 - Dir: Brenda Chepman, Steve Hickner e Simon Wells - Com: Vozes: Val Kilmer, Ralph Fiennes, Michelle Pfeiffer e Jeff Goldblum. Infantil.
Os anjos entram em campo - Abril Vídeo/ Disney/1994 - Dir: Willian Dear - Com: Danny Glover e Christopher Lloyd - Sinopse: Anjos entram em campo para ajudar dois garotos a encontrar uma família. Comédia.
Poderosa Afrodite - Lumiére Home Vídeo/1995 - Dir: Woody Allen - Com: Woody Allen e Mira Sorvino - Sinopse: Em busca da mãe biológica de seu filho adotivo, um intelectual encontra uma jovem prostituta com quem estabelece interessante relação (Procura de origens). Comédia.
Pollyanna - 1960 - Dir: David Swift - Com: Jane Wyman, Richard Egan, Karl Malden - Sinopse: Clássico da literatura infantil escrito por Eleanor Porter em versão cinematográfica.
Procurando Encrenca - PlayArte/1994 - Dir: David O'Russel - Com: Ben Stiller e Patricia Arquette - Sinopse: Inconformado para não conhecer sua origem, rapaz adotado quando criança põe o pé na estrada à procura de seus pais biológicos, auxiliado por psicóloga que quer transformar o périplo em tese. Comédia.
Segredos e Mentiras - Look/1996 - Dir: Mieke Leigh - Com: Brenda Blethyn, Marianne Jean-Baptiste,Timothy Spall - Sinopse: Após a morte de seus pais adotivos, Hortense, uma oftalmologista negra, decide procurar seus pais biológicos. Sua mãe biológica é branca e tem outra filha. Elas se reencontram em segredo até que a história se torna conhecida na família. Drama.
Trocando de Pais - 1993 - Dir: Joseph Gordon-Levitt - Com: Kathlen York e Bill Smithovich - Sinopse: Garoto de 12 anos luta para se ver livre de seus pais biológicos assumindo uma nova vida com outra família (Destituição de pátrio poder/Adoção tardia). Drama.
Um desejo no coração - Alpha Filmes/1995 - Dir: John Korty - Com: John Lithgow, Jelt Daniels e Lea Salonga - Sinopse: Adolescente mestiça, filha de boina verde e de uma mulher vietnamita, adotada ainda bebê, vai à procura de sua origem (procura de origem). Drama.
Um lugar para Annie – América-1993 - Dir: John Gray - Com: Sissy Spacek, Mary-Louise Parker e Joan Plow Right - Sinopse: Enfermeira decide adotar bebê soro-positivo abandonado. Ela enfrenta preconceitos. A mãe biológica reaparece querendo a guarda da filha. Começa uma batalha judicial. Drama.
Um lugar para ser amado - Sunset/1993 - Dir: Sandy Smolan - Com: Richard Crenna, Rhea Pulman e Tom Guiry - Sinopse: Menino de 11 anos entra na justiça contra seus pais biológicos com o intuito de continuar vivendo com a família que o adotou e lhe deu um verdadeiro lar. Baseado em fatos reais. Drama.
Um sonho possível -  baseado no livro The Blind Side: Evolution of a Game de Michael Lewis, com roteiro e direção de John Lee Hancock. Com Sandra Bullock. EUA, 2009.
Uma Dose de Amor – CIC/1991 - Dir: Ken Olin - Com: Jimmy Smits, Kim Delaney - Sinopse: Garoto com problemas de desenvolvimento é adotado por professor solteiro. O pai descobre que os seus problemas tinham a ver com o alcolismo crônico da mãe biológica. É o início da luta para transformar o garoto numa criança normal. Drama.
Uma Família Bem Diferente. Par Homoafetivo masculino hospeda um menino órfão e acaba percebendo que formaram uma família muito especial, capaz de enfrentar todos os problemas para ficarem juntos. Comédia.
Uma família inesperada - Universal/1996 - Dir: Larry Elikann - Com: Stockard Channing, Stephen Collins - Sinopse: Funcionária de museo recebe a visita da irmã irresponsável pedido para que cuide de seus filhos por uma noite. Logo descobre que é por mais tempo. Um ano depois a irmã retorna e pede a guarda dos filhos de volta. Trava-se uma disputa judicial. Drama.
Uma mãe pelo Natal - 1990 - Dir: George Miller - Com: Olivia Newton-John e Juliet Sorcey - Sinopse: Após receber um "vale desejo" em uma loja de departamentos, órfão dirige-se à vendedora Filomena, dizendo que seu desejo é ter uma mãe para passar o Natal. Filomena tomará então as providências devidas. Moral da história: consumo também é magia! - Romance.
Uma nova chance - Warner Home Vídeo/1994 - Dir: Chris Menges - Com: Willian Hurt, John Hurt e Chris Cleary Miles - Sinopse: Homem solteiro resolve adotar um menino. Após superar dificuldades de integração o menino o adota como pai. (adoção tardia). Drama.